RELATÓRIO DE ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO
[Link]ÇÃO DO PACIENTE
Nome: LORENZO ROCHA [Link] Sexo: MASCULINO
Data de nascimento: 22/06/2019 Idade: 4a 8m
[Link]ÇÃO DA PROFISSIONAL
Profissional: JACQUELINE CARDOSO DUBOC FAJARDO
Especialidade: PSICOLOGIA CRP: 16/6339
Profissional: ALEXANDRA TRISTÃO FERRAZ
Especialidade: FONOAUDIOLOGIA CRFa: 6-11290
Profissional: PRISCILA LIGIA VIANA A. D. ALVARENGA
Especialidade: TERAPIA OCUPACIONAL CREFITO: 15 – 008290
Profissional: GRAZIÉLE THOMAZ SOARES
Especialidade: PSICOPEDAGOGIA
3. FINALIDADE DO DOCUMENTO
A finalidade deste documento é relatar o resultado da avaliação de outubro de 2023 a
abril de 2024. Ferramentas utilizadas VB MAPP (Verbal Behavior Milestones Assessment
and Placement Program), anamnese e avaliação observacional.
4. QUADRO INICIAL DO ATENDIMENTO
Lorenzo foi encaminhado para a Clínica Espaço Evoluir para realização de
acompanhamento interdisciplinar (psicopedagogia, terapia ocupacional, fonoaudiologia e
psicologia) em terapias baseadas nos princípios da ciência da ABA (Applied Behavior
Analysis). A criança recebeu diagnóstico de TEA (Transtorno do Espectro Autista - CID
11 A602). Lorenzo apresenta comprometimento em “habilidades básicas” como, sentar,
esperar, manter contato visual, imitar, entre outras, além de comprometimento na
linguagem expressiva (verbal e/ou gestual) e linguagem receptiva, além de déficit na
habilidade de atenção e memória de trabalho, prejuízo nas interações sociais,
dependência de atividades de vida diária, comprometimento da coordenação viso motora
e visuoespacial, entre outros. A partir de então, foi realizada uma investigação de déficits,
excessos e reservas de habilidades a fim de serem trabalhadas para melhor desenvolver
a criança.
5. PROCEDIMENTOS
Além de entrevista com a mãe e outros profissionais envolvidos, para a realização da
avaliação comportamental, foi utilizado o instrumento de avaliação VB-MAPP (Verbal
Behavior Milestones Assessment and Placement Program) (Sundberg, 2008). O sistema
de avaliação desse instrumento é baseado na Análise do Comportamento Aplicada
(ABA), com base nas categorias de comportamento verbal de Skinner (1957) para o
rastreamento de habilidades, projetado para crianças com autismo e outros indivíduos
que demonstram atrasos na comunicação e interação social. Para tal, foi mapeado o
repertório de crianças com desenvolvimento típico, arbitrariamente dividido em três
níveis: Nível 1, de 0 a 18 meses; Nível 2, de 18 meses a 30 meses; e Nível 3, de 30
meses a 48 meses.
Foram avaliados os marcos do desenvolvimento presentes no instrumento de avaliação
no primeiro dos seus três níveis. Em adição aos comportamentos emitidos, o instrumento
também identifica as circunstâncias nas quais o comportamento é emitido (função). Os
domínios avaliados e relatados aqui foram: emissões de pedidos (mandos), nomeação
(tato), habilidades de função receptiva (ouvinte), visuopercepção, atividades de
emparelhamento, habilidades de brincar, habilidades e interações sociais, habilidades de
imitação, habilidades de imitação vocal (ecoico), vocalizações.
O componente Avaliação de Barreiras (Barriers Assessment) do VB-MAPP é uma
ferramenta concebida para identificar e pontuar vinte e quatro barreiras que dificultam o
aprendizado e a aquisição da linguagem e que podem impedir o progresso da criança. A
finalidade dessa parte da avaliação é determinar se existe algum tipo de barreira que,
uma vez identificada, necessitará de uma análise descritiva e/ou funcional mais
detalhada. As vinte e quatro barreiras de aprendizado e aquisição de linguagem são: 1.
Comportamentos negativos 2. Controle instrucional (comportamentos de fuga e esquiva)
3. Mando ausente, fraco ou comprometido 4. Tato ausente, fraco ou comprometido 5.
Imitação motora ausente, fraca ou comprometida 6. Ecoico ausente, fraco ou
comprometido 7. Emparelhar com o modelo ausente, fraco ou comprometido 8.
Repertório de ouvinte ausente, fraco ou comprometido 9. Intraverbal ausente, fraco ou
comprometido 10. Comportamento social ausente, fraco ou comprometido
11. Dependente de dicas 12. Respostas de adivinhação (scrolling) 13. Habilidades de
rastreamento comprometidas 14. Fracasso em fazer discriminação condicional (CDs) 15.
Fracasso em generalizar 16. Motivadores atípicos ou fracos 17. O custo da resposta
enfraquece a motivação 18. Dependente de reforçadores 19. Autoestimulação 20.
Problemas articulatórios 21. Comportamento obsessivo- compulsivo 22. Hiperatividade
23. Fracasso em estabelecer contato visual ou atentar às pessoas 24. Comportamento
sensorial defensivo.
6. RESULTADOS
Avaliação de Marcos
O gráfico a seguir mostra o desempenho de Lorenzo nas habilidades testadas com o VB-
LEVEL 1 (0 a 18 meses)
I
O B
V m E
M u r V
T P S i c
a v i o
a / o t ó
n i n c
t M ci a i
d n c a
o T al ç c
o t a l
S ã o
e r
o
MAPP no primeiro dos seus três níveis. O Nível 1 aparece em verde avaliando as
respostas que constam no repertório da criança.
Como pode ser observado, Lorenzo apresentou aproximadamente 24,5% (total de 11 de
45 pontos) em relação às habilidades no Nível 1.
A criança, no momento, está em processo de assimilação das habilidades
comportamentais do Nível 1 do protocolo, que tem por base as habilidades
comportamentais de uma criança neurotípica de até 18 meses. Os resultados estão
apresentados neste relatório de forma descritiva.
Mando - consiste na emissão de pedidos generalizados em que o falante pede por algo
que ele precisa ou quer.
Ausente: Emite 2 palavras, sinais, ou PECS, sem nenhuma dica física; porém, pode-se
requerer ecoico, imitação ou outras dicas; emite 4 mandos diferentes sem dicas (exceto: O
que você quer?) – o item desejado pode estar presente; generaliza 6 mandos por meio de 2
pessoas, 2 ambientes, e 2 exemplos diferentes de reforçadores; emite espontaneamente (sem
dica verbal) 5 mandos – o item desejado pode estar presente; emite 10 mandos diferentes
sem dicas (exceto: O que você quer?) – o item desejado pode estar presente.
Tato - consiste no vocabulário expressivo, em que o falante nomeia coisas, ações,
atributos, entre outros, do ambiente físico imediato sem intenção de obter algo.
Ausente: Tateia 2 itens com ecoico ou com dicas de imitação; tateia 4 itens sem ecoico
ou dicas de imitação; tateia 6 itens não-reforçadores; tateia espontaneamente (sem dica
verbal) 2 itens diferentes; tateia 10 itens.
Ouvinte - consiste na linguagem receptiva, ou seja, na capacidade de compreender o
que lhe é dito.
Independente: Atende à voz do falante e faz contato visual com o falante por 5 vezes;
Responde (ex. olha para o falante) ao ouvir o próprio nome por 5 vezes.
Ausente: Seleciona o item correto de uma ordem de 4 a 20 diferentes objetos ou figuras. (T)
Seguir
instruções: “Toque a …”; “Mostre-me o …”; desenvolve 4 diferentes ações motoras sob
comando, sem uma dica visual (ex. “Você pode pular?”); olha, toca, ou aponta para o membro
da família, animal ou outro reforçador quando apresentado em uma ordem de 2 para 5
reforçadores diferentes (ex. “Onde está…”).
Percepção visual – Machting To Sample (MTS) - consiste na habilidade de perceber,
observar e discriminar estímulos visuais, sobretudo, em tarefas de emparelhamento com
o modelo.
Independente: colocar 3 itens em um recipiente, empilhar 3 blocos, ou colocar 3 anéis em um
pino para dois desses ou atividades similares; apreender pequenos objetos com os dedos
polegar e indicador (garras de pinça) 5 vezes.
Ausente: Rastrear visualmente estímulos em movimento por 2 segundos, 5 vezes; Atender
visualmente a um brinquedo ou livro por 30 segundos; escolher 10 itens idênticos
(pareamento).
Brincar independente - consiste na habilidade de engajar-se espontaneamente, variar e
dar funcionalidades a brincadeiras que são automaticamente reforçadoras.
Independente: Manipula e explora objetos por 1 minuto.
Ausente: Demonstra generalização por se engajar em movimentos exploratórios e
brincar com os brinquedos em novos ambientes por 2 minutos; mostra variação no
brincar por interagir independentemente com 5 diferentes itens; engaja- se
independentemente em movimentos de brincadeiras por 2 minutos (ex. balançar, dançar,
pular, escalar); engaja-se independentemente em brincadeiras de causa e efeito por 2
minutos (ex. despejar, recipientes brincar com brinquedos que suas partes aparecem ou
de puxar).
Comportamento e brincar social - consiste na capacidade do indivíduo em interagir e
se engajar de forma apropriada com outras pessoas e o ambiente social.
Ausente: indica o que quer que seja realizado ou tocado fisicamente por 2 vezes (ex.
subir no colo da mãe); faz contato visual como um tipo de mando por 5 vezes; faz contato
visual espontaneamente com outras crianças por 5 vezes; engaja-se espontaneamente
em brincadeira paralela perto de outras crianças por um total de 2 minutos; segue
espontaneamente os colegas ou imita os comportamentos motores deles por 2 vezes.
Imitação motora - consiste na capacidade do indivíduo de repetir ou reproduzir gestos,
movimentos ou ações de outra pessoa, geralmente após observar o modelo
demonstrando essas ações.
Parcial: Imita 2 movimentos motor grosso com dica; imita 4 movimentos motor grosso com
dica.
Ausente: Imita 20 movimentos motores de algum tipo (imitação motora fina, grossa, ou
com objetos); imita espontaneamente o comportamento motor de outros em 5 ocasiões;
imita 20 movimentos motores de algum tipo (imitação motora fina, grossa, ou com
objetos).
Ecoico - consiste na capacidade de reproduzir ou imitar exata ou aproximadamente os
sons ou palavras de outra pessoa. É a habilidade de repetir verbalmente o que foi ouvido,
geralmente sem necessariamente entender o significado daquilo que está sendo dito.
Ausente: Repete imediatamente 2 fonemas de vogais e consoantes, isoladamente ou
em combinações simples; repete imediatamente 5 fonemas de vogais e consoantes,
isoladamente ou em combinações simples; repete imediatamente 10 fonemas de vogais
e consoantes, isoladamente ou em combinações simples; repete imediatamente 15
fonemas de vogais e consoantes, isoladamente ou em combinações simples; repete
imediatamente de 20 a 25 fonemas de vogais e consoantes, isoladamente ou em
combinações simples.
Comportamento vocal - consiste na produção de sons, vocalizações e fala do indivíduo,
incluindo uma variedade de comportamentos vocais, desde sons e vocalizações iniciais
até a produção de palavras e frases significativas.
Independente: Emite espontaneamente uma média de 5 sons em cada hora; emite
espontaneamente 5 diferentes sons, em média 10 sons no total para cada hora; emite
espontaneamente 5 diferentes aproximações de palavras completas; emite
espontaneamente 10 diferentes sons com entonações variadas, em média 25 sons no
total para cada hora.
Ausente: vocaliza espontaneamente 15 palavras completas ou frases com entonação e
ritmo apropriados.
Avaliação de Barreiras
O segundo componente desta avaliação se dá através da “Avaliação das Barreiras de
aprendizagem (VB- MAPP Barriers Assessment)”. O Gráfico a seguir mostra as barreiras
encontradas, preenchidas de verde, a partir da aplicação do VB-MAPP. Quanto maior a
pontuação, maior serão suas dificuldades em adquirir novas habilidades. Lorenzo obteve 66
pontos, em um total de 96 pontos.
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Comportamentos Negativos: Engaja-se semanalmente em alguns comportamentos
negativos menores, mas a recuperação é rápida.
Controle instrucional (fuga/esquiva de demandas instrucionais): Emite comportamento
de não obediência algumas vezes ao dia, com presença de birras ou outros
comportamentos menores.
Repertório de Mando ausente, fraco ou comprometido: Nenhum mando eficiente,
comportamentos negativos associados, mesmos problemas descritos no item 3 acima
podem ocorrer.
Repertório de Tato ausente, fraco ou comprometido: Habilidades de tato mínimas
apesar da presença de habilidades de ouvinte e ecóicos fortes, tentativas repetidas de
ensinar tatos sem sucesso.
Imitação motora ausente, fraca ou comprometida: A ocorrência da imitação está
relacionada a presença de dicas físicas ou verbais, a motivação para imitar é fraca, mas
apresenta habilidades em outras áreas.
Repertório de ecoico ausente, fraco ou comprometido: Não apresenta habilidades
ecóicas, mas tem outras habilidades, usa sinais ou PECS, treino de ecóico pode evocar
comportamentos negativos.
Habilidades de Percepção Visual e de Emparelhamento com o Modelo ausentes,
fracas ou comprometidas: Presença de comportamentos inadequados durante atividades
de emparelhamento com o modelo, não generaliza, só responde em conjuntos com poucos
estímulos, têm dificuldades com estímulos semelhantes.
Repertórios de Ouvinte ausentes, fracos ou comprometidos: Não apresenta
habilidades de discriminação de ouvinte mas tem outras habilidades, as tentativas de
ensinar tarefas de discriminação de ouvinte falham repetidamente e comportamentos de
fuga e esquiva ocorrem nestas atividades.
Repertório Intraverbal ausente, fraco ou comprometido: Não apresenta comportamento
intraverbal funcional ou apresenta respostas decoradas apesar de ter mandos, tatos e
habilidades de discriminação de ouvinte.
Habilidades Sociais ausentes, fracas ou comprometidas: Não troca turnos ou
compartilha, não responde aos mandos dos pares ou coopera com eles, não se engaja em
brincadeiras sociais ou imaginativas com os pares mas apresenta habilidades de
linguagem.
Dependente de dica: É muito difícil esvanecer as dicas, a maior parte das habilidades
depende da presença de dicas ecoicas, imitativas ou verbais.
Adivinhação de respostas: Não adivinha (chutar) as respostas em nenhum dos
repertórios.
Habilidades de Rastreamento comprometidas: A habilidade de rastrear estímulos é
limitada a conjuntos de 2 ou 3 estímulos, respostas de seleção dependem da presença de
dicas, as habilidades de emparelhamento com o modelo, discriminação de ouvinte e
discriminação de ouvinte por classe, função e característica são fracas.
Fracasso em fazer Discriminações Condicionais: Progresso limitado em tarefas que
envolvem discriminações condicionais verbais (discriminação auditiva, discriminação por
classe, função e característica e intraverbal), mas apresenta bom progresso em outras
áreas.
Fracasso para generalizar: Não generaliza, exceto tipos de generalização muito simples,
respostas decoradas, progresso lento.
-OMs fracas ou atípicas: OMs anormais para reforçadores primários, o valor das OMs
diminui rapidamente, estereotipias frequentes.
Custo da resposta enfraquece as OMs: Rapidamente apresenta perda de interesse após
algumas respostas serem solicitadas.
Dependente de reforçamento: Precisa do uso frequentes de itens reforçadores
comestíveis e tangíveis quando em um esquema intermitente.
Autoestimulação: Quase constantemente engaja-se em alta taxa de auto-estimulação,
outros reforçadores são fracos.
Problemas de Articulação: Não vocal ou tem uma linguagem completamente ininteligível
apesar de pontos altos em outros marcos avaliados.
Comportamento Obsessiva-compulsivo: Não demonstra nenhum comportamento
obsessivo compulsivo que impeça o aprendizado.
Comportamento Hiperativo: Não excessivamente hiper quando comparada aos pares
com desenvolvimento típico e atende às tarefas sem dificuldade.
Fracasso em manter contato visual ou atender às pessoas: Não estabelece
frequentemente contato visual ou atenta aos rostos ou pessoas de modo similar às outras
crianças
Defesa Sensorial: Frequentemente reage a estímulos sensoriais específicos com
comportamentos de esquiva do tipo mãos no ouvido, fechar os olhos e ficar
agitada/inquieta.
7. HABILIDADES COGNITIVAS E EMOCIONAIS
No atual período foram mantidos parte dos objetivos e novos objetivos acrescentados ao
currículo de ensino de Lorenzo. Isso se dá pelo fato das habilidades do mesmo estarem
sendo reavaliadas constantemente. Nas sessões de terapia de psicologia, os programas de
intervenção realizados com o paciente têm como objetivo trabalhar habilidades básicas,
habilidades motoras, flexibilidade cognitiva, tempo de espera, atenção sustentada, habilidades
sociais, diminuição de agitação psicomotora e manejo de comportamentos inadequados.
A criança apresenta dificuldades significativas na comunicação verbal e não verbal.
Demonstrou limitada capacidade de expressar desejos, necessidades e emoções através de
gestos, vocalizações ou outros meios de comunicação.
No que tange a socialização, exibiu padrões de interação social atípicos, com dificuldade em
estabelecer e manter relacionamentos com seus pares. Mostrou preferência por atividades
solitárias e dificuldade em compreender as sutilezas das interações sociais.
Lorenzo entende comandos simples, mas nem sempre os atende e algumas vezes é preciso
que o comando seja repetido mais de uma vez para que ela foque em fazer o que precisa ser
feito. Também tem sido trabalhado com Lorenzo as habilidades de apontar, imitar, discriminar
cores, linguagem receptiva e expressiva, auto regulação, ecoico, tempo de espera e controle
instrucional.
Denota-se que tem sido objetivo de treino com Lorenzo, habilidades de pareamento de
figuras, animais, objetos e memória de trabalho. Foram utilizados jogos, atividades de folha e
em alguns momentos, o paciente escolhe o que será feito e trabalhamos objetivos em cima da
preferência dele. Foi possível observar que é necessário a aquisição de novas habilidades.
Foram utilizados recursos de encaixe, quebra-cabeças, reforçadores de alta magnitude
(reforçador primário), plastificados com imagens para identificação de objetos e brincadeiras
lúdicas.
Em relação aos comportamentos inadequados, tem-se trabalhado para que diminuam.
Acrescento comportamento de fuga/esquiva de Lorenzo Rocha nos momentos de demanda,
somado a um padrão de comportamento em que a criança emite gritos em situações sociais,
como quando deseja atenção, assim observado como questões comportamentais.
De maneira geral, tem-se buscado o ganho de mais autonomia para que a criança se
comporte de forma mais espontânea e reduza a dependência às dicas e reforçadores. Isto é,
a fim de estimular sua flexibilidade comportamental e neural, foram implementadas estratégias
como utilizar estímulos diferentes no consultório, ir para lugares diferentes na externa, jogos e
etc.
8. HABILIDADES COMUNICATIVAS
O paciente Lorenzo Rocha é uma criança não verbal, que apresenta intenção comunicativa
ausente, bem como seu ecoico e imitação gestual. A forma de comunicação gestual do
paciente encontra-se reduzida, sendo necessário ajuda total para apontar o que deseja ou
pegar a mão para levar até o objeto de interesse. A forma que Lorenzo encontra para
expressar que não deseja realizar algo é com gritos ou expressão de choro. Possui boa
compreensão verbal, atendendo ordens simples de uma ordem acompanhadas de gestos.
Ainda apresenta déficit em realizar atividades de pareamento simples e rastreio visual, é
notório que têm apresentado bom tempo de espera e aumento do contato visual com
terapeutas e pares.
Objetivos terapêuticos:
● Atenção sustentada em atividades de fala
com onomatopeias;
● Reconhecimento e nomeação espontânea;
● Utilização de palavras essenciais de forma
funcional e espontânea;
● Estimulação das funções cognitivas mais
relacionadas com a comunicação.
● Aumento da intenção comunicativa;
● Desenvolvimento cognitivo frente a
atividades simples e complexas de rastreio visual-auditivo.
● Estimulação o acesso lexical;
9. HABILIDADES ACADÊMICAS E MOTORAS
Em linguagem oral e escrita Lorenzo, faz pareamento de imagens, mas ainda não se
comunica verbalmente, algumas vezes segura na mão do terapeuta e leva próximo aos
lugares ou objetos quando quer algo.
Precisamos continuar as intervenções proporcionando momentos com diálogos para a
ampliação do vocabulário, atividades que estimulem sua atenção, apontar, nomear imagens e
objetos, reprodução de sons e imitação.
Em raciocínio lógico matemático realiza encaixes de peças com tamanhos variados (médios e
grandes), durante as atividades consegue realizar um bom rastreio visual, mas com um tempo
limitado.
Continuaremos as intervenções trabalhando com pareamento de imagens, atenção, encaixe
de peças menores, identificação de formas e cores.
A coordenação motora fina e global é trabalhada em terapia, visando auxiliar no
desenvolvimento da habilidade grafomotora, preparando-a para a escrita, desenhos, pintura e
manuseio da tesoura. As habilidades motoras estão em processo de aperfeiçoamento através
das atividades de manipulação em folhas de papel crepom (folhear, rasgar e amassar);
modelar e apertar a massinha e a areia; empilhar, encaixar e iniciar o trabalho com o
movimento de pinça para que a criança consiga progredir em seus traços, pinturas e outros.
As intervenções continuarão sendo desenvolvidas.
10. HABILIDADES DE TERAPIA OCUPACIONAL
Com base na análise do setor de Terapia Ocupacional, é possível afirmar que Lorenzo é uma
criança tranquila, a partir do 1º atendimento até o presente momento, apresentou avanços,
em relação a tempo de espera, melhora no engajamento das atividades propostas. Mas
apresenta atrasos em relação as funções básicas, e nas habilidades de autocuidado, motora e
na função social.
A criança não apresenta habilidades de um brincar lúdico e funcional; tem dificuldade em
compartilhar interesse e ações com pares e com o profissional; tem dificuldade para manter a
atenção sustentada, não tem uma boa comunicação funcional.
Em relação ao desempenho nas habilidades motora fina, a criança apresenta baixo
desempenho, especificamente dificuldade motora fina mais complexas, com pouca destreza;
planejamento de movimentos sequenciais, o que acarreta prejuízo no seu desempenho em
diversas atividades da vida diária. Em relação ao desempenho da coordenação motora
grossa, cabe informar que a criança apresenta uma baixa performance , quanto ao equilíbrio,
controle de postura, pouca desenvoltura em alguns movimentos, como: subir escadas; correr,
pular.
Em relação às atividades de autocuidado, Lorenzo ainda não realiza tarefas, como: processo
completo de lavar/secar as mãos; escovar os dentes; tentativa de lavar partes do corpo e
usar sabonete; vestimenta, retirar camisetas sem fecho; retirar meias, e abrir calçados. A
criança é desfraldada, mas apresenta um desfralde não funcional, já que não indica a
necessidade de urinar e evacuar, necessitando um melhor processamento cognitivo, para
alcançar um desenvolvimento de habilidades, visando um treinamento adequado no
aprendizado do controle esfincteriano, ocorrendo assim um desfralde de forma totalmente
funcional.
Na habilidade de função social, a criança não possui um desenvolvimento da linguagem
verbal e não verbal adequado, o que acarreta uma falta de comunicação interativa,
interferindo no desenvolvimento do brincar compartilhado e interação com pares. A criança
tem sido estimulada a usar gestos que tem propósito adequado; manipular brinquedos,
objetos ou o corpo com intenção. O brincar lúdico é bem explorado, propiciando uma
exploração maior da cognição e também o favorecimento da interação comunicativa.
Metas em desenvolvimento:
- Desenvolver o brincar funcional e lúdico, inicialmente com habilidades básicas;
- Trabalhar a coordenação motora fina, aumentando a habilidade em atividades que requer
maior destreza manual;
- Buscar independência nas tarefas do banheiro;
- Melhorar o desempenho com as atividades diárias de vestimentas como os fechos,
participando do fechamento das vestimentas;
- Estimular a apontar o brinquedo desejado;
- Envolver-se em uma brincadeira com pares;
- Aumentar o engajamento nas atividades propostas.
11. CONCLUSÕES
Lorenzo já apresenta bons ganhos durante as sessões base de terapia. Ele é uma criança
muito querida que responde positivamente a aproximação e contato de terceiros, embora
não demonstre interesses pelos pares, contudo aceitando que crianças compartilhem do
mesmo ambiente que ele de maneira pacífica. Insta salientar, que Lorenzo demonstra
dificuldade em realizar demandas apresentadas, não realiza troca de turno e apresenta
baixa tolerância à frustração ou negativas, tanto de adultos, quanto de seus pares.
Lorenzo apresenta déficit na linguagem verbal e não verbal, aquém do esperado para a
idade, não emitindo respostas verbais constantes, utilizando de balbucios durante a fala.
A criança demonstra melhora no interesse de brincar, mesmo precisando do apoio do
terapeuta para incitá-lo a buscar novos brinquedos. Entretanto, com alguns itens ainda
tende a utilizar de forma estereotipada e repetitiva por um longo período de tempo.
Lorenzo é uma criança que demonstra potencial para adquirir muitas habilidades,
possuindo toda a base para a estimulação das habilidades que se encontram em atraso.
Dessa forma, recomenda-se manter a Terapia ABA junto com a equipe multidisciplinar
tendo terapias intensiva com o objetivo de estimular ao máximo a criança para aumentar as
habilidades adequadas, assim como diminuir os comportamentos inadequados e
estereotipados. A Terapia ABA se mostra potencialmente promissora para uma melhora no
quadro da Lorenzo e na qualidade de vida deste e de todos à sua volta. Além disso,
recomenda-se a redução brusca do uso de telas e a inserção da criança em brincadeiras
lúdicas e participativas.
Excedente ao tratamento comportamental, recomenda-se que a criança mantenha exames
atualizados, com intuito de averiguar possíveis áreas que possam estar ou serem alteradas
como distúrbios nutricionais, déficits de vitaminas e outros, que possam causar alterações
comportamentais como: estimulação oral, hipoatividade, risos inapropriados e alterações
de sono.
Atenciosamente,
JACQUELINE C. DUBOC FAJARDO
CRP: 16/6339
Psicóloga Especialista em Análise do Comportamento Aplicada ao Autismo – ABA
ALEXANDRA TRISTÃO FERRAZ
Fonoaudióloga - CRFa 6-11290
Priscila Ligia Viana Alvarino Dias De Alvarenga
Terapeuta Ocupacional - CREFITO 15 -008290