0% acharam este documento útil (0 voto)
4 visualizações26 páginas

Filosofia: Liberdade e Política

O documento aborda conceitos fundamentais da filosofia, incluindo liberdade, filosofia política e democracia. Discute a evolução do conceito de liberdade, diferenciando entre suas concepções negativa e positiva, e explora a filosofia política através de pensadores como Platão, Aristóteles e Maquiavel, além de abordar a relação entre governo e Estado. Também menciona a crítica de Hannah Arendt ao totalitarismo e a influência da filosofia iluminista na formação de ideais democráticos.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
4 visualizações26 páginas

Filosofia: Liberdade e Política

O documento aborda conceitos fundamentais da filosofia, incluindo liberdade, filosofia política e democracia. Discute a evolução do conceito de liberdade, diferenciando entre suas concepções negativa e positiva, e explora a filosofia política através de pensadores como Platão, Aristóteles e Maquiavel, além de abordar a relação entre governo e Estado. Também menciona a crítica de Hannah Arendt ao totalitarismo e a influência da filosofia iluminista na formação de ideais democráticos.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

FILOSOFIA II

FILOSOFIA II

ÍNDICE

LIBERDADE.............................................................................................................................3

FILOSOFIA POLÍTICA...............................................................................................................5

FILOSOFIA E DEMOCRACIA...................................................................................................10

PODER..................................................................................................................................12

O QUE É ARTE?.....................................................................................................................17

AMOR E FILOSOFIA...............................................................................................................24

REFERÊNCIAS........................................................................................................................26

2
LIBERDADE

Segundo o Dicionário de Filosofia, em sentido geral, o termo liberdade é a condição


daquele que é livre; capacidade de agir por si próprio; autodeterminação; independência;
autonomia.

A história desse conceito perpassa os estudos de épocas e pensadores diversos e


registra a interpretação de doutrinas sociais bastante variadas. Podemos fazer uma distinção
inicial entre o que se convencionou chamar de concepção “negativa” e “positiva” da liberdade.
Em seu sentido negativo, liberdade significa a ausência de restrições ou de interferência. O
sentido positivo de liberdade significa a posse de direitos, implicando o estabelecimento de
um amplo âmbito de direitos civis, políticos e sociais. O crescimento da liberdade é concebido
como uma conquista da cidadania.

No sentido político, a liberdade civil ou individual é o exercício de sua cidadania dentro


dos limites da lei e respeitando os direitos dos outros. "A liberdade de cada um termina onde
começa a liberdade do outro" (Spencer).

Em um sentido ético, trata-se do direito de escolha pelo indivíduo de seu modo de


agir, independentemente de qualquer determinação externa. "A liberdade consiste
unicamente em que, ao afirmar ou negar, realizar ou enviar o que o entendimento nos
prescreve, agimos de modo a sentir que, em nenhum momento, qualquer força exterior nos
constrange" (Descartes).

A liberdade de pensamento, em seu sentido estrito, é inalienável, inquestionável.


Reivindicar a liberdade de pensar significa lutar pela liberdade de exprimir o pensamento.
Voltaire ilustra bem essa liberdade: "Não estou de acordo com o que você diz, mas lutarei até
o fim para que você tenha o direito de dizê-lo."

T. Hobbes afirma que o “homem livre é aquele que não é impedido de fazer o que tem
vontade, no que se refere às coisas e que pode fazer por sua força e capacidade”.

Kant diz que ser livre é ser autônomo, isto, é dar a si mesmo as regras a serem
seguidas racionalmente. Para Jean-Paul Sartre, a liberdade é a condição ontológica do ser

3
humano. O homem é, antes de tudo, livre. O homem é nada antes de definir-se como algo, e é
absolutamente livre para definir-se, engajar-se, encerrar-se, esgotar a si mesmo.

No livro “A sociedade do espetáculo” (1997), Guy Debord, ao criticar a sociedade de


consumo e o mercado, afirma que a liberdade de escolha é uma liberdade ilusória, pois
escolher é sempre optar entre duas ou mais coisas prontas, isto é, pré-determinadas por
outros. Uma sociedade como a capitalista, onde a única liberdade que existe socialmente é a
liberdade de escolher qual mercadoria consumir, impede que os indivíduos sejam livres na sua
vida cotidiana. A vida cotidiana na sociedade capitalista, segundo Debord, se divide em tempo
de trabalho e tempo de lazer. Assim, a sociedade da mercadoria faz da passividade (escolher,
consumir) a liberdade ilusória que se deve buscar a todo o custo, enquanto que, de fato, como
seres ativos, práticos (no trabalho, na produção), somos não livres.

De maneira geral, a liberdade de indivíduos ou grupos sempre sugere, ou tem a


possibilidade de implicar, a limitação da liberdade de outros.

4
FILOSOFIA POLÍTICA

A filosofia política é a área de estudo da filosofia preocupada com as diversas questões


políticas que emergem a partir do convívio social e da organização desse convívio em meio a
uma agrupação humana. Diferentemente da ciência política, a filosofia política não usa um
método específico para organizar os seus estudos e pressupostos, pois a sua pretensão pende
muito mais para a problematização do que para a formação de conhecimento científico, no
entanto, a filosofia política é um instrumento para a ciência política.

Ao longo da história, vários pensadores, como Platão, Aristóteles, Maquiavel, os


contratualistas, os iluministas e filósofos contemporâneos, desenvolveram as teorias que
embasaram e movimentaram a filosofia política de acordo com as suas épocas.

O que é filosofia política?

A filosofia é um amplo movimento intelectual que atua nas bases conceituais do


pensamento, sempre estabelecendo as perguntas ditas radicais: “O que é?”, “Como é?”, “Por
quê é?”. Assim, a filosofia foi descrita pelo filósofo francês contemporâneo Gilles Deleuze
como a arte de criar conceitos. A filosofia busca o entendimento, a movimentação e a
constante criação de novos conceitos, sempre questionando e problematizando o que advém
do senso comum, da opinião, da tradição e da religião.

Com a filosofia política não é diferente, pois os filósofos desse campo do pensamento
sempre buscaram estabelecer críticas e fomentar novas ideias que dessem movimento ao
campo intelectual que se atreve a pensar e questionar o campo da organização política.

O poder e a disputa permeiam o convívio humano. Deles nascem a política. Como em


um jogo de xadrez, é necessário entender as regras no âmbito político.

O poder e a disputa permeiam o convívio humano. Deles nascem a política. Como em


um jogo de xadrez, é necessário entender as regras no âmbito político.

A filosofia política, ao diferenciar-se da ciência política por não haver uma pretensão
metódica e científica, permitiu aos vários pensadores elaborar diferentes teorias sobre a
organização política, mas sempre questionando e dialogando com o conhecimento anterior e
estabelecendo novos conceitos acerca dos problemas políticos.

Nesse sentido, os filósofos (e também teóricos) da política dedicaram-se a entender


questões relacionadas a elementos políticos, como governo, Estado, as noções de público e
privado, os diferentes tipos e formas de governo, além de noções éticas e econômicas
estritamente relacionadas à política.

Governo e Estado

Questão antiga para a filosofia política, as noções de governo e Estado são essenciais
para a formação de qualquer pensamento, teoria, técnica ou doutrina política e econômica.

5
Desde os estudos de política empreendidos por filósofos clássicos, como Platão e Aristóteles,
há um consenso na determinação mais básica desses conceitos, mudando apenas as
atribuições de cada um no âmbito político. Podemos assim conceituá-los:

Estado

O Estado consiste no conjunto da máquina pública, ou seja, é o conjunto de


mecanismos que compõem o organismo público e delimita aquilo que pertence à coletividade,
que é diferente do que pertence ao âmbito privado. O Estado é delimitado pelo que é do
conjunto público e é expresso e reconhecido como legítimo a partir de um sentimento que une
pessoas (geralmente compatriotas que convivem no mesmo território) em torno de um
sentimento patriótico comum e de uma cultura comum, que nutrem entre si um sentimento
de solidariedade e coesão. O Estado, enquanto máquina pública, é fixo e, quando passa por
mudanças, ou estas devem ser consenso entre os cidadãos ou devem ser graduais e
acompanhar as demandas da sociedade.

Governo

Ao contrário do Estado, que é fixo, o governo é transitório. Nas sociedades


democráticas, a transição deve ser constante. Nas sociedades governadas por governos
autoritários, a transitoriedade pode ser lenta. De qualquer modo, o governo é passível de
mudanças repentinas, pois cada governante tem seu modo de comandar a máquina pública,
aliás, este é o principal atributo dos governos – governar os Estados, gerir a máquina pública,
exercer o poder no âmbito estatal.

Principais pensadores da filosofia política

Assim como a própria filosofia, que é vasta de pensadores e suas diferentes teorias a
respeito dos mais variados temas, com a filosofia política não poderia ser diferente. Desse
modo, temos, ao longo dos mais de dois mil anos de tradição filosófica, diversos autores que
formularam diferentes pensamentos acerca do modo como governo, Estado, âmbito público,
direitos, deveres e liberdade devem ser organizados. Listamos abaixo os principais pensadores
da filosofia política e suas respectivas ideias:

Platão

Autor da primeira obra de filosofia política (e também a primeira utopia política) – A


República –, o filósofo grego antigo desenvolveu uma complexa organização política para o
que ele chamou de cidade perfeita. Em sua república ideal, a educação deveria ficar
totalmente a cargo do Estado desde a idade de 7 anos das crianças, que deveriam ser criadas e
receber a educação de acordo com as suas aptidões.

6
Os mais aptos à intelectualidade estariam também mais aptos ao governo da cidade,
tornando-se o que Platão chamou de “Reis Filósofos”. Estes receberiam a educação formal e a
instrução política e filosófica até passarem dos 40 anos de idade, época em que poderiam ser
testados enquanto governantes. Platão era avesso à democracia como forma de governo e
acreditava que a aristocracia chefiada pelo melhor e mais apto (o rei filósofo) deveria ser o
governo adotado na cidade perfeita. Para saber mais sobre a obra e as diferentes
contribuições filosóficas platônicas, acesse: Platão.

Aristóteles

O filósofo grego clássico responsável pela sistematização do conhecimento filosófico


dividiu os campos de atuação do pensamento geral e filosófico em três grandes áreas: técnico
(responsável pela ação prática e técnica das artes e das técnicas, como a medicina); teorética
(responsável pelo entendimento científico e filosófico de questões relacionadas ao
pensamento puro, como a matemática, a lógica e a metafísica); prática (campo que
proporcionava a práxis, que, para os gregos, era a ação embasada na reflexão). Participavam
dessa práxis filosófica a política e a ética, pois são áreas filosóficas em que a ação humana é
suportada por um pensamento filosófico (teórico).

Para Aristóteles, o governo democrático reformulado (diferente da democracia


ateniense) deveria tomar espaço para construir uma sociedade mais justa. O filósofo já falava
de separação do Poder Legislativo e do Executivo (separação entre rei que governa e cidadãos
legisladores), tal como propunha o modelo democrático ateniense, mas com a diferença de
eleger uma Constituição como o conjunto de leis essenciais que não poderiam ser quebradas.
Se quiser entender mais o pensamento desse filósofo grego, leia: Aristóteles.

Maquiavel

Pensador renascentista, o filósofo e teórico político florentino Nicolau Maquiavel é um


dos principais filósofos políticos de todos os tempos. Apesar da aparente rispidez de suas
teorias, o pensador é considerado referência em teoria política até hoje.

Maquiavel defende uma estranha separação entre ética e política. Acontece que
Maquiavel está pensando na teoria política como um suporte à manutenção do governo por
parte do governante em seu livro O Príncipe. Para Maquiavel, o líder político deveria ser uma
espécie de estadista estratégico e populista, procurando sempre o apoio político por parte do
povo.

Ele acreditava que era melhor que o governante fosse amado pelo povo do que
temido. No entanto, quando o amor não viesse ou quando a situação não permitisse que o
povo nutrisse sentimentos positivos por seu governo, o governante poderia usar o temor
como forma de garantir a submissão do povo e a sua conseguinte governabilidade.

7
Como medida de governabilidade, Maquiavel defendia, por exemplo, que ações boas e
positivas do governante deveriam ser tomadas aos poucos e gradativamente, assim ele
manteria sempre boas lembranças ao seu povo. Ações negativas e ruins (se necessário fossem)
deveriam ser feitas de uma vez, pois assim o povo esqueceria logo o que se passou. Conheça
mais detalhes da teoria desse importante filósofo político lendo: Maquiavel.

Contratualistas

Filósofos políticos modernos, os contratualistas defendiam a existência de direitos


naturais e de uma lei natural que regia esses direitos (jusnaturalismo). Para esses pensadores,
a lei de natureza definia direitos que deveriam ser respeitados pelas formas de governo. Eles
defendiam também que a lei de natureza era a única que regia o estado de natureza,
momento hipotético em que o ser humano não vivia ainda em sociedade civil.

O pacto, ou contrato, social era o marco entre o estado de natureza e o estado civil e
era firmado para garantir o cumprimento dos direitos naturais dos cidadãos e resolver as
questões não solucionadas pelo direito natural. São filósofos contratualistas modernos o inglês
Thomas Hobbes, o inglês John Locke e o franco-suíço Jean-Jacques Rousseau. Se quiser se
aprofundar nessa forma de pensamento político, acesse: contratualismo.

Iluministas

Os filósofos modernos do iluminismo formaram teorias políticas muito influentes no


âmbito da filosofia política. Eles, em geral, posicionaram-se contrários à monarquia absolutista
como regime de governo e defenderam a garantia de certos direitos básicos, que seriam
inalienáveis, por parte do Estado independentemente do governo.

Esses direitos eram as liberdades individuais (liberdade de expressão, liberdade


religiosa, liberdade de ir e vir), além do direito à propriedade e à livre associação política.
Também defenderam a participação de não nobres no governo e a separação entre Estado e
Igreja. Para os iluministas, quanto mais houvesse avanço intelectual na sociedade, maior seria
o avanço moral.

Por isso, eles levantaram a bandeira da popularização do conhecimento e do


fornecimento à população de uma educação laica, gratuita e universal por parte do Estado. Os
ideais iluministas inspiraram fortemente a Revolução Francesa. Teóricos como Montesquieu,
Voltaire, Rousseau, Diderot e D’Allambert fizeram parte do chamado iluminismo francês. Na
Alemanha, alguns ideais iluministas ganharam destaque na filosofia do pensador prussiano
Immanuel Kant.

8
Escola de Frankfurt

Já estabelecidos no século XX, os pensadores da Escola de Frankfurt (também


conhecidos como frankfurtianos) colocaram-se, primeiramente, a adotar as teorias políticas e
econômicas de Karl Marx como modelo ideal para a aplicação na sociedade. Eles também
criticaram pontos específicos do iluminismo, como a ideia de que o avanço intelectual da
sociedade promoveria o seu avanço moral.

Os frankfurtianos utilizaram o fenômeno do totalitarismo do século XX para embasar


sua teoria contra o iluminismo: o avanço do conhecimento científico não promoveu o avanço
moral, pois o capitalismo permitiu que a técnica e a ciência, avançadas no século XX, fossem
utilizadas para promover a morte em massa das pessoas nos campos de concentração.

A política empreendida pelo capitalismo, na ótica dos autores, era responsável pelo
mesmo tipo de pensamento que desencadeou o totalitarismo. Saiba mais detalhes sobre esse
movimento filosófico e sociológico acessando: Escola de Frankfurt.

Hannah Arendt

Judia e alemã, a filósofa e teórica política Hannah Arendt é uma das principais vozes do
pensamento filosófico político contemporâneo. Arendt empreendeu um dos maiores estudos
filosóficos sobre o totalitarismo, o livro As Origens do Totalitarismo. Ela também traçou
estudos específicos sobre o totalitarismo e a política contemporânea.

Uma de suas obras mais difundidas, o livro Eichman em Jerusalém, traça uma análise
do perfil, da defesa e do julgamento do criminoso nazista Adolf Eichman, foragido e capturado
pelo serviço secreto israelense em 1962 e julgado e condenado em um tribunal de exceção.
Conheça melhor essa filósofa política e sua importante teoria lendo: Hannah Arendt.

9
FILOSOFIA E DEMOCRACIA

A filosofia é compreendida como uma das mais importantes contribuições oferecidas


pela civilização grega. O tão afamado “gosto” que os gregos possuíam pela sabedoria pode ser
considerado como um item que influiu na construção de outros diferentes aspectos desta
sociedade. Nesse sentido, podemos destacar como a constituição do regime democrático
dentro dessa civilização também pode ser visto como um dado importante no
desenvolvimento da filosofia.

Antes do surgimento da democracia, o regime político grego era controlado pelos


grandes proprietários de terra. O privilégio e o nascimento eram os critérios para que as
instituições políticas fossem organizadas nas mãos de uma minoria. Com o aparecimento do
ideal democrático, essa minoria perdeu lugar para a figura de um cidadão capaz de
argumentar, fazer escolhas, criticar concepções e defender perspectivas.

Toda essa capacidade exigida desse novo cidadão abriu espaço para que os jovens
fossem preparados para o exercício da cidadania. Foi nesse período em que surgiram os
sofistas que criticaram sistematicamente os pensadores cosmologistas. Esses filósofos tinham
a pesada preocupação de explicar racionalmente as origens do mundo, a personalidade do
homem e a ordenação da natureza. Em contrapartida, os sofistas ignoravam essas questões
dizendo que o convencimento das ideias era o que importava.

Essa concepção oferecida pelos sofistas ganhou grande espaço no regime democrático,
já que as assembleias eram dotadas por discussões onde os cidadãos decidiam a aprovação
das leis. Entre os principais mestres do sofismo destacava-se Isócrates de Atenas, Protágoras
de Abdera e Górgias de Leontini. Mesmo conseguindo arrebanhar diferentes seguidores, os
sofistas sofreram a crítica sistemática de outros filósofos como Sócrates.

Segundo esse filósofo grego, as ideias deveriam contar com um profundo processo
reflexivo para que pudessem alcançar um critério de verdade. Por isso, Sócrates convocava os
cidadãos de Atenas a conhecerem a si mesmos. O poder de convencer por meio das ideias
demonstrava um distanciamento entre os convincentes discursos sofistas e a reflexão do
pensamento socrático.

10
De fato, esse tipo de situação desenvolvida na Grécia Antiga nos demonstra como a
instalação do regime democrático e a discussão das ideias promoveu uma interessante etapa
no desenvolvimento da filosofia. Mais importante do que saber quais destes pensadores
tinham razão, devemos ver que a filosofia não nasce por meio de ideias puras, mas se
desenvolve com o auxílio de outras instâncias que promovem o debate filosófico.

11
PODER

Poder é uma palavra originada do latim e tem a mesma raiz que a palavra potência.
Ambas remetem à capacidade de fazer algo, de empreender algo. Com o passar do tempo,
poder também passou a significar a capacidade de impor, de mandar e de submeter os outros
à própria vontade. Podendo ser político, econômico, familiar ou de persuasão, esse elemento
social acompanha a humanidade desde os seus primórdios. A fascinação com o poder rendeu
boas teorias filosóficas, antropológicas e sociológicas na tentativa de desvendar o que há por
trás dele.

O que é poder para a filosofia

Poder é potência, não é à toa que as duas palavras têm a mesma origem e
praticamente o mesmo significado. A única diferença semântica de potência para poder é que
a primeira denota uma capacidade futura, virtual, de transformar-se ou fazer-se. A palavra
poder denota a capacidade presente de fazer.

O poder é força, capacidade e, ao mesmo tempo, autoridade. Trata-se da capacidade


de imposição ou de conquista, seja pela força bruta, seja pelo convencimento. A capacidade de
convencimento torna as pessoas poderosas, tanto pela argumentação, quanto pelo charme
carismático e apaixonante.

Diante de tanto fascínio com algo tão singular e tão sedutor na humanidade, vários
pensadores tentaram explicar, racionalizar, entender o poder. Nesse sentido, os filósofos
Aristóteles, Nicolau Maquiavel, Friedrich Nietzsche, Karl Marx, Norberto Bobbio e Michel
Foucault desenvolveram curiosas e intensas teorias sobre o poder, entendendo-o como
artifícios do âmbito político e social e como um aspecto natural da vida.

Para o filósofo grego antigo Aristóteles, o poder é um elemento natural que permeia
as relações animais, mas há um animal que transpassa o meio selvagem com o poder
justamente por sua capacidade de falar: o ser humano. Nesse sentido, o poder não é somente

12
o ato de dominação pela força, mas um atributo que o ser humano leva consigo como
elemento-chave para o entendimento das relações sociais.

Conceito de poder na visão de alguns filósofos

O filósofo e teórico político renascentista Nicolau Maquiavel entendeu o poder como o


principal elemento da política. A atitude política, na visão do pensador, deve visar à conquista
e à manutenção do poder. Para o filósofo alemão Friedrich Nietzsche, poder é uma força
natural que impulsiona a vida, e é a vontade de poder, não no sentido político, de simples
dominação, mas num sentido ontológico, de querer viver, que faz com que todo o Universo
movimente-se.

Karl Marx, filósofo, sociólogo e economista alemão vê o poder como um jogo de


dominação política existente na humanidade, desde o seu princípio, por meio do embate entre
classes diferentes, o que se evidenciou com o desenvolvimento do capitalismo industrial.

As teorias que explicam o poder de maneira mais próxima com a nossa sociedade
parecem ser a de Norberto Bobbio, filósofo italiano, e a de Michel Foucault, filósofo francês
(ambos contemporâneos). Para Bobbio, o poder é uma teia de relações entre elementos em
diferentes posições na sociedade, enquanto, para Foucault, o poder é uma relação que se dá,
na contemporaneidade, entre pessoas e instituições. A esse fenômeno, Foucault denominou
microfísica do poder, pois, ao contrário do que ocorria no antigo regime, o poder deixa de ser
central e dissolve-se na humanidade por meio das diversas relações.

Formas de poder

O poder tornou-se objeto central do pensamento político no renascimento, mas, antes


disso, ele já era discutido na obra política dos autores clássicos. No entanto, as relações de
poder passam a ser amplamente discutidas a partir do século XVII, em meio à crise e ao início
do declínio do antigo regime (as monarquias absolutistas).

Os filósofos ingleses Thomas Hobbes e John Locke já discutiam esse tema em meio à
situação em que se encontrava a Inglaterra naquela época (contexto da Revolução Gloriosa e
da luta contra o absolutismo inglês). Hobbes defendia o poder total do Estado por um governo
monarquista, enquanto Locke defendia um poder dissolvido nas instituições para garantir
certos direitos à população. O poder, nesse caso, era iminentemente político e do âmbito do
domínio pela esfera estatal.

Karl Marx, situado historicamente no século XIX, entendeu o poder como uma relação
de dominação econômica. O pensador via na história da humanidade uma relação material e
contraditória, de maneira dialética, que sintetizava a vida e o desenvolvimento na luta entre
diferentes camadas da população. Isso se evidenciou na Europa industrializada de seu tempo,
que dividiu as pessoas em duas classes sociais: burguesia (os donos dos meios de produção) e

13
proletariado (os trabalhadores). A luta dessas classes mostrava o conflito de poder como uma
relação essencialmente econômica.

Para o sociólogo alemão Max Weber, poder é a imposição da vontade de uma pessoa
ou instituição sobre os indivíduos. Essa imposição é direta e deliberada e pode ter aceitação
como força de ordem ou não. Quando as pessoas submetidas ao poder de alguém aceitam a
ordem, há uma transição de forças do âmbito do poder para o âmbito da dominação, sendo
que a pessoa que aceita a imposição de ordem fica submetida à autoridade da outra.

Para o sociólogo francês Pierre Bourdieu, o poder é compreendido em uma esfera


social e coletiva permeada pelo que o pensador chamou de habitus. O habitus é um conjunto
de valores, normas, regras, gostos e elementos culturais, como religião, arte etc., que moldam
a sociedade e têm a capacidade de juntar e de separar as pessoas. O habitus é completamente
inconsciente, e a sua assimilação dá-se por meio das representações culturais a que somos
submetidos e pela interiorização e imitação dessas representações.

Para Bourdieu, há um poder por trás disso tudo que faz com que as pessoas,
inconscientemente, busquem consumir, gostar, adequar-se a certos elementos em detrimento
de outros. O comando coletivo e inconsciente dessas preferências confere a certos atores um
poder econômico ou social no sentido em que criam representações simbólicas a serem
seguidas por outras pessoas.

Formas de exercício do poder

O poder é, na sociedade atual, classificado e entendido de diversas maneiras, de


acordo com o modo como ele é exercido e o meio em que ele se encontra. Norberto Bobbio
classificou-o em três formas, sendo elas:

Poder econômico: é exercido por quem possui a propriedade privada. Quem tem terras,
dinheiro e bens exerce influência sobre os despossuídos.

14
Poder ideológico: é exercido por quem pode criar e influenciar as massas com suas criações,
seja no âmbito midiático, seja no religioso. Geralmente, os atores desse tipo de poder
trabalham para os atores dos outros dois poderes: o político e o econômico.

Poder político: é exercido pelas instituições oficiais, ligadas ao Estado. Pode ser legítimo,
quando visa a finalidade da vida política, ou ilegítimo, quando é usurpado para gerar uma
situação de dominação simples de certas classes ou pessoas.

Exemplos de poder

Ficou exposto que o poder dá-se, em nosso tempo, como uma relação que passa pelos
âmbitos públicos e privados da vida. Nesse sentido, ter poder é exercer mando sobre alguém
por meio da posse (material ou imaterial) de algo.

Então podemos encontrar exemplos de poder nas seguintes relações:

Chefe de família e filhos: uma mãe ou um pai que chefia uma família exerce poder sobre seus
filhos. Durante muito tempo, a nossa sociedade entendeu esse poder como pátrio (patriarcal,
delegado naturalmente ao homem). No entanto, hoje percebemos que em muitos lares é uma
mulher quem exerce poder sobre a prole.

Patrão e empregado: nessa relação, temos uma força poderosa de poder emanada por quem
detém a posse (patrão) sobre quem trabalha para o que possui (empregado).

Professor e aluno: professor (entendido como uma autoridade no assunto, não


necessariamente alguém que ensina no âmbito acadêmico ou escolar) é alguém que detém o
poder pela posse do conhecimento. O aluno (também não necessariamente um aprendiz
formal matriculado na escola ou na universidade, mas alguém que não detém aquele
conhecimento da autoridade) é quem tem menos força, portanto, menos poder nessa relação.
O conhecimento é poder, do mesmo modo que, em nossa sociedade, diplomas e chancelas
emitidas por instituições oficiais conferem a certas pessoas uma posição de poder.

Governante e governado: no âmbito político, aquele que governa e os que são governados
têm poderes distintos. Para solucionar o problema da falta de distribuição do poder nessa

15
relação, as democracias contemporâneas deram aos governados a capacidade de escolher
seus governantes.

16
O QUE É ARTE?

Arte é uma palavra que se origina do vocábulo latino ars e significa técnica ou
habilidade. Podemos dizer que é uma manifestação humana comunicativa muito antiga.

Definição de arte

A arte possui um caráter estético e está intimamente relacionada com as sensações e


emoções dos indivíduos. Como exemplo, podemos citar a pintura, a dança, a música, o cinema,
a literatura, a arquitetura, etc.

Vale salientar que a arte tem uma importante função social na medida que expõe
características históricas e culturais de determinada sociedade, tornando-se um reflexo da
essência humana.

Ela existe em todas as culturas e sua definição foi e continua sendo discutida
incansavelmente.

As definições de arte ao longo da história

Para o filósofo grego Aristóteles a arte era uma imitação da realidade. Esse conceito,
mais tarde, foi duramente refutado por diversas correntes artísticas que compreendiam que a
arte não era somente baseada na imitação da realidade, e sim, na criação.

Durante a Idade Média havia duas vertentes sobre ela:

• as artes manuais (ou mecânicas)


• as artes liberais(ou intelectuais)

A primeira era considerada inferior à segunda, pois a arte somente era criada a partir
do intelecto.

Se pensarmos nessa questão hoje em dia, notamos que ela está mais desenvolvida; no
entanto, o trabalho manual ainda é subjugado pelo trabalho intelectual.

Como exemplo, temos o artesão e o artista, os quais compartilham um trabalho


mental, ao mesmo tempo que participam da criação artística. Entretanto, o primeiro é, em
grande parte, considerado um indivíduo que produz uma “arte menor” em relação ao outro.

Essa analogia da "arte erudita" e da "arte popular" permanece até os dias de hoje,
sendo pauta de discussão de muitos estudiosos.

17
O que é Estética na Filosofia?

A Estética, também chamada de Filosofia da Arte, é uma das áreas de conhecimento


da filosofia. Tem sua origem na palavra grega aisthesis, que significa "apreensão pelos
sentidos", "percepção".

É uma forma de conhecer (apreender) o mundo através dos cinco sentidos (visão,
audição, paladar, olfato e tato).

Importante saber que o estudo da estética, tal como é concebido hoje, tem sua origem
na Grécia antiga. Entretanto, desde sua origem, os seres humanos mostram possuir um
cuidado estético em suas produções.

Das pinturas rupestres, e os primeiros registros de atividade humana, ao design ou à


arte contemporânea, a capacidade de avaliar as coisas esteticamente parece ser uma
constante.

Mas, foi por volta de 1750, que o filósofo Alexander Baumgarten (1714-1762) utilizou e
definiu o termo "estética" como sendo uma área do conhecimento obtida através dos sentidos
(conhecimento sensível).

A estética passou a ser entendida, ao lado da lógica, como uma forma de conhecer
pela sensibilidade.

Desde então, a estética se desenvolveu como área de conhecimento. Hoje, é


compreendida como o estudo das formas de arte, dos processos de criação de obras (de arte)
e em suas relações sociais, éticas e políticas.

A Beleza entre os Gregos

A filosofia grega, a partir de seu período antropológico, buscou perceber os motivos


pelos quais as atividades humanas possuem um comprometimento com um valor estético: a
beleza.

Desde o início dos tempos, a ideia de beleza e de bem fazer estão interligadas à
produção e transformação da natureza.

Com isso, o filósofo grego Platão (427-347) buscou relacionar a utilidade com a ideia
da beleza. Ele afirmou a existência do "belo em si", uma essência, presente no "mundo das
ideias", responsável por tudo o que é belo.

Muitos dos diálogos platônicos têm como discussão o belo, sobretudo O Banquete.
Nele, Platão se refere ao belo como uma meta a ser alcançada por todo o tipo de produção.

Entretanto, o filósofo une o belo à sua utilidade e ataca a poesia e o teatro grego. No
pensamento platônico, esse tipo de atividade não possuía utilidade e gerava confusão acerca
dos deuses e dos objetivos das ações humanas.

18
Em seu livro A República, Platão deixa claro que na formulação de sua cidade ideal, a
poesia grega seria afastada da formação dos homens por desvirtuar os indivíduos.

Em Aristóteles, há a compreensão de arte como técnica destinada à produção. O


filósofo busca definir os termos gregos: práxis (ação), poiesis (criação) e techné (regras e
procedimentos para se produzir algo).

Sendo assim, passa a ser entendido como arte, tudo o que passa por essas três
dimensões, todo o tipo de trabalho e tudo aquilo que produz algo novo.

Entretanto, há uma forte hierarquia entre as artes gregas. As artes da razão, que
trabalham com o intelecto, são entendidas como superiores às artes mecânicas, que
trabalham com as mãos.

O trabalho com as mãos é compreendido como um trabalho menor, desvalorizado,


destinado aos escravos. Cabia ao bom cidadão grego as atividades do intelecto como a
matemática e a filosofia.

A Beleza ao Longo da História da Filosofia

A beleza era entendida pelos gregos em sua objetividade. Essa concepção foi mantida
durante toda a Idade Média e estendida em sua relação com a religião. A ideia de perfeição e
beleza estiveram relacionadas à manifestação da inspiração divina.

Durante o período, a arte foi utilizada como um instrumento a serviço da fé. Seu
principal objetivo era revelar o poder da Igreja e expandir a religião cristã. A beleza em si
mesma passou a ser relacionada ao pecado.

Com o fim da Idade Média, o Renascimento buscará separar-se da visão religiosa da


beleza. A ideia da beleza passa a se relacionar com a reprodução mais fiel possível da
realidade. O artista passa a assumir o protagonismo, sua qualidade técnica passa a ser
valorizada.

A beleza, entendida em sua objetividade, vai estar relacionada com as proporções,


formas e harmonia das representações da natureza. Essas características tornam-se
expressões matematicamente presentes nas obras de arte.

19
O Homem Vitruviano (c.1490). A produção de Leonardo da Vinci mostra a estreita
relação entre arte e matemática no período. Na imagem, observam-se diversas invenções e ao
centro, um corpo humano inscrito em figuras geométricas.

Definiu-se, então, um campo relativo às sete artes (pintura, escultura, arquitetura,


música, dança, teatro e poesia) ou, belas artes. Essa concepção de arte se mantém até os dias
atuais, apesar de terem surgido novas formas de expressão artística (fotografia, cinema,
design, etc.).

Baumgarten e a Origem da Estética

O filósofo alemão Alexander Baumgarten inaugurou a estética como área de


conhecimento da filosofia. Buscou compreender os modos de reprodução da beleza pela arte.

Em boa parte, isso se deu pelo fato da arte ter se estabelecido como um ato de
produção que pode estar associada a um valor econômico.

Para atribuir um valor a uma obra é necessária uma compreensão da arte que vai além
do simples gosto. Baumgarten buscou estabelecer regras capazes de julgar o valor estético da
natureza e da produção artística.

As bases definidas pelo filósofo propiciaram que ao longo do tempo a arte fosse
concebida para além de sua relação com a beleza. A arte passa a se relacionar com outros
sentimentos e emoções, que influenciam a identificação do que é belo e de seu valor.

20
Kant e o Juízo de Gosto

O filósofo Immanuel Kant (1724-1804) propôs uma importante mudança no que diz
respeito à compreensão da arte. O filósofo tomou três aspectos indissociáveis que possibilitam
a arte como um todo.

É a partir do pensamento do filósofo que a arte assume o seu papel como instrumento
de comunicação. Para ele, a existência da arte depende de:

• o artista, como gênio criador;


• a obra de arte com sua beleza;
• o público, que recebe e julga a obra.

Kant desenvolve uma ideia de que o gosto não é tão subjetivo como se imaginava. Para
haver gosto, é necessário que haja educação e a formação desse gosto.

O artista, por sua vez, é compreendido como gênio criador, responsável por
reinterpretar o mundo e alcançar a beleza através da obra de arte.

Seguindo a tradição iluminista, que busca o conhecimento racional como forma de


autonomia, o filósofo retira a ideia do gosto como algo indiscutível. Ele vai contra a ideia de
que cada pessoa possui o seu próprio gosto.

Para Kant, apesar da subjetividade do gosto, há a necessidade de universalizar o juízo


de gosto a partir da adesão de outros sujeitos a um mesmo julgamento.

O filósofo buscou resolver essa questão através da ideia de que para alguma coisa ser
considerada bela, é necessário antes, compreender o que ela realmente é. Sendo assim, a
educação seria responsável pela compreensão da arte e, a partir daí, a formação do gosto.

Escola de Frankfurt

Um importante ponto de mudança no estudo da estética foi introduzido por uma série
de pensadores da Universidade de Frankfurt, na Alemanha.

Dentre esses pensadores destacam-se Walter Benjamin, Theodor Adorno e Max


Horkheimer, que influenciados pelo pensamento de Karl Marx, tecem duras crítica ao
capitalismo e seu modo de produção.

A partir desse pensamento, Walter Benjamin (1892-1940) publica uma importante


obra chamada A Obra de Arte na Era de Sua Reprodutibilidade Técnica (1936).

Nela, o filósofo afirma que a possibilidade de reproduzir obras de arte faria com que
ela perdesse sua "aura" de originalidade, unicidade e de exclusividade das aristocracias.

Essa mudança poderia permitir o acesso à obra de arte pela classe trabalhadora, que
antes estaria completamente excluída.

21
Por outro lado, dentro do sistema capitalista, a reprodução técnica da arte centraria
seus esforços no lucro gerado pela distribuição massiva de reproduções. O valor da obra é
transportado para sua capacidade de ser reproduzida e consumida.

Benjamin chama a atenção para o apelo à exposição e fala sobre uma nova forma de
cultura que busca reproduzir a estética da arte. A política e a guerra, por exemplo, passam a
suscitar emoções, e paixões, que antes eram próprias da arte, através da propaganda e dos
espetáculos de massa.

Esse tipo de força estética pode ser observado na propaganda, nas paradas militares e
nos discursos que continham uma multidão de pessoas presentes realizados pelo partido
nazista.

Exposição “Arte degenerada”

Folheto de propaganda da Exposição “Arte degenerada” em 1938. Nela, nazistas


ridicularizavam a arte moderna e expunham concepções estéticas proibidas.

Com o fim da segunda guerra mundial, o nazismo foi derrotado, mas sua forma de
propaganda e a massificação de elementos estéticos permaneceu e desenvolveu-se na
chamada indústria cultural.

A Estética nos dias de Hoje

A estética, desde sua relação com o belo entre os gregos, sua definição como área do
conhecimento por Baumgarten, até os dias de hoje, vem se transformando e buscando
compreender os principais fatores que levam os indivíduos a possuírem um "pensamento
estético".

A filosofia e a arte encontram-se na estética. Muitos são os pensadores que, ao longo


do tempo, fizeram essa união como modo de compreender uma das principais áreas de
conhecimento e atividade humana.

Hoje em dia, boa parte das teorias estéticas são produzidas, também, por artistas que
visam unir a prática e a teoria na produção do conhecimento.

22
É o caso de Ariano Suassuna (1927-2014), dramaturgo, poeta e teórico da estética.

23
AMOR E FILOSOFIA

Desde sempre o amor é objeto de inquietação de filósofos e, mais recentemente, de


psicólogos, sociólogos e psicanalistas. Amor sobre o qual Platão escreveu na sua obra “O
Banquete” em que Sócrates expõe a teoria que ficaria conhecida como “amor platônico”.
Quando somos jovens e ignorantes em filosofia, tendemos a nos apaixonar por pessoas
fisicamente atraentes. Com o passar do tempo a fixação quase maníaca por um corpo em
particular diminui e passamos a amar a beleza interior. Somos capazes de aprender que a
beleza da alma é muito mais valiosa do que a beleza física. Aristóteles nunca escreveu
especificamente sobre o amor, mas sobre a amizade. Ele achava que uma boa amizade, na
qual duas pessoas se unem no amor pela verdade, era o que podia haver de melhor entre os
homens.

Para Shopenhauer, filósofo do século XIX “o sentimento amoroso radica


exclusivamente no impulso sexual”. O amor é apenas um nome inventado que damos a um
impulso de reprodução da espécie. Conforme cita Schopenhauer “(O amante) imagina que se
esforça e se sacrifica por seu próprio prazer, mas tudo que faz, na verdade, é guiado pela
reprodução da espécie”. Em sua obra máxima, “O Mundo com Vontade e Representação”,
Shopenhauer explica porque o amor é um tema eterno: “O amor” é o objetivo último de quase
toda a preocupação humana; é por isso que ele influencia nos assuntos mais relevantes,
interrompe as tarefas mais sérias e por vezes desorienta as cabeças mais geniais. Ele não
hesita em interferir nas negociações dos homens de Estado e nas investigações dos sábios. Ele
sabe como insinuar seus bilhetes de amor e seus anéis de cabelo nas pastas ministeriais e nos
manuscritos filosóficos”.

Jean–Paul Sartre, filósofo mais recente, dizia que o amor é um “ideal irrealizável”. Isso
porque queremos algo impossível das pessoas que amamos: somos atraídos pela liberdade e
independência que detectamos nelas. No entanto, ficamos tão apavorados que tentamos
privá-las desses atributos quando estabelecemos uma relação amorosa. “O amante quer ser
amado pela liberdade, mas exige que essa liberdade, como liberdade, não seja mais livre”.
Muitos outros filósofos tentaram traduzir em palavras o sentimento amoroso, mas parece ter
sido os poetas aqueles que melhor conseguiram expressá-lo, conforme os versos de Quintana:
“O amor é quando a gente mora um no outro.”

O amor consegue transitar tranquilamente pelo tripé da filosofia – a ética, a


epistemologia e a metafísica. Pensar se fazer algo movido pelo amor é certo ou errado, ou qual
a origem do amor, ou finalmente se o amor constituí a essência do ser humano. O que torna o
amor uma coisa única é sua singularidade em cada um, pois todos somos dotados pela
capacidade de amar, mas cada um lida com ele de uma forma particular. E em comemoração
ao mês dos namorados, trarei colunas especiais sobre o amor, passando pelas diversas
tentativas dos filósofos de racionalizar e descrevê-lo.

Para começar temos as 3 divisões básicas do amor, Philia, Ágape e Eros. Philia é
descrito por Aristóteles (em Ética a Nicômago) como um tipo de amor direcionado a nossos
afetos mais comuns, tais como família e amigos. É aquele sentimento que você desenvolve
intensamente por um animalzinho de estimação ou pelo seu amigo de infância, com quem
passou por tanta coisa junto. O amor philos (ou philia) é necessário na vida de todos que

24
buscam a felicidade, segundo Aristóteles, pois ninguém é feliz sem amigos. A felicidade não
está na genuína solidão.

Ágape é o amor “divino”. Está presente até na Bíblia – podemos fazer a conexão do
amor de Deus, do nosso para com Deus e para com o próximo. É um amor genuíno e
voluntário. Podemos entender seu conceito como um amor que não busca um fim, que não
busca seus próprios interesses, que requer entrega e submissão, está além de um
sentimento/emoção. Pensa em um amor puro o suficiente para amar aquele ex que te fez
sofrer o pior veneno do mundo.

25
REFERÊNCIAS

[Link]

[Link]

[Link]

[Link]

[Link]

[Link]

[Link]

[Link]

[Link]

[Link]

[Link]

26

Você também pode gostar