É comum que os filhos de santo usem seus ilekés no pescoço ou no punho, em
situações específicas ou no cotidiano. Porém, em contextos de intolerância
religiosa, muitos optam por escondê-los debaixo da roupa, o que reforça o paradoxo
entre orgulho religioso e necessidade de autoproteção. Mesmo ocultos, os colares
mantêm sua função espiritual.
Além do uso pessoal, os fios de contas também decoram espaços sagrados. Estão
presentes em altares, tronos de orixás e objetos litúrgicos. A estética dos colares
revela a beleza das tradições e o cuidado com os detalhes. São confeccionados à
mão, com contas de vidro, porcelana ou cristal, e muitas vezes entremeados com
búzios, sementes ou pequenos pingentes.
O fio de contas é, portanto, mais do que ornamento: é um signo vivo da presença do
orixá. Cada um carrega história, energia, identidade e axé. E quando colocados
sobre o corpo, os ilekés transformam esse corpo em território do sagrado —
protegido, consagrado e reconhecido pelos deuses.