Classificação de Risco em Edifícios N2
Classificação de Risco em Edifícios N2
A utilização-Tipo (UT) de um edifício é uma classificação que se dá a partir do uso dominante que
esse edifício tem. É atribuída de acordo com o artigo 8.º do Decreto-Lei n.º 220/2008, alterado
pelo Decreto-Lei n.º 224/2015 e na nota técnica nº 1 da Prociv (Utilizações-Tipo de edifícios e
recintos), e auxiliar os projetistas e adoção das Medidas de autoproteção na identificação
expedita a que UT pertence um determinado edifício, parte de edifício ou recinto, para efeito de
aplicação do RT-SCIE.
O Centro de Formação, como entidade gestora do Edifício Centro de formação é o responsável,
durante todo ciclo de vida do edifício, pela manutenção das suas condições de segurança contra
risco de incêndio e da execução das medidas de autoproteção aplicáveis aos espaços que lhe
pertençam e comuns às outras utilizações, para efeitos de SCIE é composto pela seguinte UT:
- Tipo II “estacionamentos”, engloba os edifícios destinados exclusivamente à recolha de veículos
e seus reboques;
- Parques de estacionamento cobertos, abertos ou fechados, e ao ar livre, públicos ou privados;
-Tipo III “administrativos”, são edifícios onde se desenvolvem atividades administrativas, de
atendimento ao púbico ou de serviços;
- Tipo IV «escolares», corresponde a edifícios ou partes de edifícios recebendo público, onde se
ministrem ações de educação, ensino e formação ou exerçam atividades lúdicas ou educativas
para crianças e jovens, podendo ou não incluir espaços de repouso ou de dormida afetos aos
participantes nessas ações e atividades, nomeadamente escolas de todos os níveis de ensino,
creches, jardins –de -infância, centros de formação, centros de ocupação de tempos livres
destinados a crianças e jovens e centros de juventude” [alínea d) do ponto 1 do art. 8.º do
Decreto-Lei 220/2008, alterado pelo Decreto-Lei 224/2015].
Conforme nota técnica nº 1 da Autoridade Nacional de Proteção Civil – ANPC, acho pertinente
assinalar outra tipologia onde em meu entender se enquadra os 2 auditórios:
-TIPO VI “ESPETÁCULOS E REUNIÕES PÚBLICAS” Edifícios, partes de edifícios, recintos itinerantes
ou provisórios e ao ar livre que recebem público, destinados a espetáculos, reuniões públicas,
exibição de meios audiovisuais, bailes, jogos, conferências, palestras, culto religioso e exposições,
podendo ser, ou não, polivalentes, e desenvolver as atividades referidas em regime não
permanente:
- Auditórios;
Atendendo ao seu uso, os edifícios e recintos podem ser de utilização exclusiva (quando integrem
uma única utilização-tipo) ou de utilização mista (quando integrem diversas utilizações-tipo), e
devem respeitar as condições técnicas gerais e específicas definidas para cada utilização-tipo.
Como a área que os serviços administrativos ocupam não é superior a 10% do total do edifício
onde se encontram, então estes mesmos serviços podem ser enquadrados na UT IV. De acordo
com o artigo 14.º do Decreto-Lei n.º 220/2008, alterado pelo Decreto-Lei n.º 224/2015, por
razões de exploração e funcionamento, as bibliotecas, as salas polivalentes e os
refeitórios/cantina podem dispensar a aplicação do n.º 3 do artigo 8.º do Decreto-Lei n.º
220/2008, passando estes espaços a integrar a UT IV, independentemente do efetivo, da área e
da entidade que os explora. Sendo assim, o Centro de formação constitui um edifício de utilização
exclusiva, sendo uma UT IV.
Conforme artigos 10.º e 11.º do Regime Jurídico de Segurança Contra Incêndio em Edifícios - RJ-
SCIE (Classificação dos locais de risco e Restrições do uso em locais de risco) do Decreto-Lei
220/2008, alterado pelo Decreto-Lei 224/2015 e pela Lei n.º 123/2019, permite identificar todos
os espaços dos edifícios e recintos, com exceção dos espaços interiores a fogos de habitação e das
vias horizontais e verticais de evacuação, são classificados entre seis possíveis locais de risco, de A
a F, consoante a natureza do risco.
Local de Risco. A – Local que não apresenta riscos especiais, no qual se verifiquem
simultaneamente as seguintes condições:
- O efetivo não exceda 100 pessoas;
- O efetivo de público não exceda 50 pessoas;
- Mais de 90% dos ocupantes não se encontrem limitados na mobilidade ou nas
capacidades de perceção e reação a um alarme;
- As atividades nele exercidas ou os produtos, materiais e equipamentos que contém não
envolvam riscos agravados de incêndio.
IDENTIFICAÇÃO DO ESTABELECIMENTO
Centro de Formação
Morada: Rua Herculano Mendonça, nº 43
Vila Real de Santo António
Rua principal- Este: Rua Herculano Mendonça
• Pé direito de cada piso = 3 metros
Tem também um parque de estacionamento subterrâneo com lugares para 50 automóveis que se
encontra no piso -1.
PIS LOC CATEGORI
UT LOCAL O ÁREA EFETIVO AL DE RISCO A DE RISCO OBSERVAÇÕES
(m2)
IV 2 A 1 Pelo art. 10.º/1 a) do
Integrado Sala de 40 12 DL 220/2008, alterado
Reuniões pelo DL 224/2015
IV 2 1 Pelo art. 10.º/1 c) do
Integrado 4 Salas de 50 100 A/C Considera-se espaço DL 220/2008,
Formação com risco de carga de alterado pelo DL
incêndio devido às 224/2015
atividades
desenvolvidas,
materiais e
equipamentos
(Computadores)
IV 2 21,5 1 Pelo art. 10.º/1 a) do
Integrado 7 Gabinetes 7 A DL 220/2008, alterado
pelo DL 224/2015
IV 2 A 1 Pelo art. 10.º/1 a) do
Integrado Sala de 40 12 DL 220/2008, alterado
Reuniões pelo DL 224/2015
IV 2 1 Pelo art. 10.º/1 b) do
Integrado Auditório 253,5 200 B DL 220/2008,
alterado pelo DL
224/2015
IV 2 WC 2 A 1 Pelo art. 10.º/1 a) do
Integrado DL 220/2008,
alterado pelo DL
224/2015
Piso 2
IV 1 2 Pelo art. 10.º/1 d) do
Integrado 40 66 D Efetivo em locais de DL 220/2008, alterado
Creche risco D =<100(6 func e pelo DL 224/2015
60 crianças)
IV 1 1 Pelo art. 10.º/1 b) do
Integrado Cantina 200 120 B Principio da não DL 220/2008,
simultaneidade alterado pelo DL
224/2015
IV Cozin 1 1 Pelo art. 10.º/1 c) do
Integrado ha 3 DL 220/2008, alterado
30 C pelo DL 224/2015
IV 1 A
Integrado 2 Gabinetes
IV 1 1 Pelo art. 10.º/1 b) do
Integrado Auditório 253,5 200 B DL 220/2008,
alterado pelo DL
224/2015
IV 9 WC 1 A 1 Pelo art. 10.º/1 a) do
Integrado DL 220/2008,
alterado pelo DL
224/2015
1 115, 6 1 Pelo art. 10.º/1 a) do
IV Secretaria do 5 A Na soma das áreas = DL 220/2008,
+ 136,5 m2 o espaço alterado pelo DL
UTIII Centro +
2 tem mais de 10 % do 224/2015
21
Público total do edifício
(771,5 m2)
RC - Piso 1
Estacionamen -1 1 Pelo art. 10.º/1 a) e
IV to 50 A - Espaço Coberto 3.º al. n) do DL
UTII coberto - Altura < 9 m 220/2008, alterado
- Área Bruta < 3200 pelo DL 224/2015
m2
- Nº de pisos abaixo
do plano de
referência: 1
Garagem -1
Assim para Categoria de risco, como estamos perante um edifício com menos de 9m de altura,
efetivo total inferior a 500 pessoas e efetivo em locais de risco D inferior a 100, sendo que Centro
de Formação apresenta um efetivo em local D superior ou igual a 25, enquadra-se na 2.ª categoria
de risco (com locais de risco D).
Fonte: Decreto-Lei nº 220/2008, ANEXO III (quadro referido no n.º 1 do artigo 12.º)
A composição das equipas e atribuições das funções de emergência tem como centro de controlo
a secretaria por estar no r/c, bem como existir escadarias de acesso ao estacionamento coberto e
piso 2 (1º andar) permitir a evacuação perante vários cenários de emergência. Apresenta-se de
seguida uma hipótese para a equipa de emergência.
EQUIPA DE EMERGÊNCIA
9:00 h – 18:00 h
Zélia Trindade
Equipa de Alarme e Alerta/
Equipa de informação e
vigilância
Piso -1 Coordenadores de evacuação
Rui Teixeira Lila Castro
Função Responsabilidades
- É o responsável máximo da entidade gestora do espaço.
- Designar o Delegado de segurança para a execução das
Responsável de segurança
medidas de autoproteção.
(É quem lidera toda a situação de - Prestar apoio ao comandante dos bombeiros durante as
emergência e quem contacta com operações de socorro.
as entidades oficiais) - Comandar as equipas especializadas da organização de emergência
da escola.
- Informar a PSP e os bombeiros sobre as ausências do
ponto de encontro.
- Contactar com as entidades externas (comunicação social, polícia).
- Determinar, após indicação dos bombeiros, o regresso às
instalações.
- Avaliar a situação de emergência e comunica-a ao
Responsável de Segurança.
Delegado de segurança
- Autorizar a evacuação do edifício.
(É a pessoa mais operacional na - Informar o Responsável de Segurança de eventuais anomalias.
execução e implementação das
- Coordenar as atividades decorrentes das medidas de autoproteção.
medidas de autoproteção)
- Ordenar os cortes de energia e gás.
- Coordenar as operações até à chegada dos Bombeiros.
- Dar o apoio necessário aos Bombeiros.
- Acompanhar os Bombeiros / PSP até ao local do sinistro.
- Confirmar se alguém ficou retido nas instalações.
- Avisar os Bombeiros 000 309 300/112.
Equipa de alarme e alerta
Função Responsabilidades
Função Responsabilidades
Equipa 1ª Intervenção - Em caso de incêndio, sem correr riscos, tentam extinguir o fogo
utilizando os meios de 1ª intervenção disponíveis.
Estas equipas devem ter especial atenção para o cenário da evacuação parcial, a ordem de
evacuação será comunicada verbalmente ao setor/piso onde se verificou a situação de
emergência. Numa evacuação geral o sinal de alarme é emitido com o toque intermitente da
campainha. A ação de evacuação, quando ativada, tem prioridade sobre qualquer outra ação de
emergência.
O plano de atuação define os procedimentos a adotar, de forma a combater o sinistro e minimizar
as suas consequências, até à chegada dos socorros externos. Deve-se seguir os respetivos
escalões de mobilização.
Reconhecimento, Combate e Alarme Interno
A pessoa que deteta a emergência deve avisar o RS e tentar controlar a emergência com os meios
de 1ª intervenção disponíveis. O RS deve certificar-se sobre a localização exata, extensão do
sinistro e se há vitimas a socorrer. De acordo com a situação aciona o alarme interno e procede
aos alertas exteriores. O DS aciona as equipas de evacuação e 1.ª intervenção que vão atuar em
simultâneo, bem como as equipas de corte de energia e de concentração e controlo.
Evacuação
O responsável da segurança dá ordem de evacuação sectorial ou total. Dada a ordem para
abandono das instalações, a equipa de evacuação, (constituída pelos “chefes de fila” e “cerra
fila”) orienta os ocupantes para as saídas. Compete ao “cerra fila” (professor) conferir os alunos
no ponto de reunião.
1.ª Intervenção
A equipa de 1.ª intervenção deve, de acordo com a formação que recebeu, utilizar de imediato os
extintores portáteis mais próximos do local do sinistro ou o equipamento de 1.ª intervenção mais
adequado.
Caso não consiga controlar a emergência, deve avisar o DS, fechar portas e janelas, abandonar o
local dirigindo-se para o LC e aguardar pela chegada dos socorros exteriores. O DS informa o RS
que não foi possível controlar o sinistro.
Corte de Energia
De acordo com as instruções do coordenador de segurança, as pessoas nomeadas procedem ao
corte geral/parcial da energia elétrica e fecho das válvulas de gás.
Concentração e Controlo
Esta equipa reúne as pessoas dispersas pela escola e procede à conferência de toda a população
que abandonou o edifício. Caso se verifiquem desaparecidos, deve ser avisado o RS e os
bombeiros.
Informação e Vigilância
Ao ser acionado o sinal de alarme interno, esta equipa, de acordo com as instruções do coordenador
de segurança, deve dirigir-se para as portas de acesso à escola, a fim de informar os socorros externos
sobre a localização exata do sinistro e pessoas em perigo. Deve ainda, controlar e orientar a
movimentação de pessoas e veículos.
Para além dos procedimentos acima referidos, compete ao Responsável de Segurança determinar,
após indicação dos bombeiros, o regresso às instalações.
Na reposição da normalidade deve evitar-se a repetição dos erros que deram origem à situação de
emergência, actuando de forma preventiva na melhoria das condições de segurança.
As medidas de autoproteção têm por objetivo garantir a manutenção das condições de segurança
contra incêndio e garantir uma estrutura e organização mínima de resposta a emergências. Pretendem
igualmente assegurar que os equipamentos e sistemas de segurança contra incêndios estão em
condições de ser operados permanentemente e que, em caso de emergência, os ocupantes
abandonam os seus locais de trabalho em segurança.
As medidas de autoproteção, previstas no artigo 21.º do Decreto-Lei n.º 220/2008, alterado pelo
Decreto-Lei n.º 224/2015, exigíveis para o Centro de Formação de acordo com o artigo 198º, da
Portaria 1532/2008, de 29 de Dezembro são as indicadas no quadro seguinte:
Medidas de Autoproteção exigíveis para o Centro de Formação
Assim, nos termos e ao abrigo do disposto no artigo 15.º do Decreto-Lei n.º 220/2008, de 12 de
novembro, na sua redação atual, a forma como as medidas de autoproteção foram elaboradas para o
Centro de formação, foram feitas pelo n.º 3 do art 200.º, ou seja, (As medidas de autoproteção devem
estabelecer o dimensionamento das equipas de segurança, de acordo com as características de
exploração, de forma a assegurar a sua correta implementação, conforme os pressupostos nelas
previstos.)
Considera-se que durante o horário de funcionamento do Centro de formação, deve ser assegurada a
presença simultânea de um número mínimo de elementos das equipas de segurança.
Medidas de autoproteção – Obrigatórias
Registos de segurança
Artigo 201.º
1 — O RS deve garantir a existência de registos de segurança, destinados à inscrição de ocorrências
relevantes e à guarda de relatórios relacionados com a segurança contra incêndio, devendo
compreender, designadamente:
a) Os relatórios de vistoria e de inspeção ou fiscalização de condições de segurança realizadas por
entidades externas, nomeadamente pelas autoridades competentes;
b) Informação sobre as anomalias observadas nas operações de verificação, conservação ou
manutenção das
instalações técnicas, dos sistemas e dos equipamentos de segurança, incluindo a sua descrição,
impacte, datas da sua deteção e duração da respetiva reparação;
c) A relação de todas as ações de manutenção efetuadas em instalações técnicas, nos equipamentos e
sistemas
de segurança, com indicação do elemento intervencionado, tipo e motivo de ação efetuada, data e
responsável;
d) A descrição sumária das modificações, alterações e trabalhos perigosos efetuados nos espaços da
utilização -tipo, com indicação das datas do seu início e finalização; N.º 107 2 de junho de 2020 Pág.
157 Diário da República, 1.ª série
e) Os relatórios de ocorrências, direta ou indiretamente relacionadas com a segurança contra incêndio,
nomeadamente alarmes intempestivos ou falsos, princípios de incêndio ou atuação de equipas de
intervenção da utilização -tipo;
f) Cópia dos relatórios de intervenção dos bombeiros, em incêndios ou outras emergências na
entidade;
g) Relatórios sucintos das ações de formação e dos simulacros, previstos respetivamente nos artigos
206.º e 207.º, com menção dos aspetos mais relevantes.
2 — Os registos de segurança devem ser arquivados pelo período mínimo de 10 anos, em suporte de
papel ou digital, de modo a facilitar as auditorias nos termos previstos no n.º 3 do artigo 198.º.
Plano de prevenção
O Plano de Prevenção tem como principal objetivo, a definição dos procedimentos de prevenção a
adotar pelos membros da equipa de prevenção principalmente pelo Delegado de Segurança
garantindo a manutenção das condições de segurança e no qual se deve proceder à identificação da
utilização-tipo do edifício ou recinto, indicando se o mesmo é de utilização exclusiva ou de utilização
mista.
Artigo 203.º
1 - O plano de prevenção, quando exigido nos termos do presente regulamento, deve ser constituído:
a) Por informações relativas à:
i) Identificação da utilização-tipo;
ii) Data da sua entrada em funcionamento;
iii) Identificação do RS;
iv) Identificação de eventuais delegados de segurança;
b) Por plantas, à escala de 1:100 ou 1:200 com a representação inequívoca, recorrendo à simbologia
constante das normas portuguesas, dos seguintes aspectos:
i) Classificação de risco e efectivo previsto para cada local, de acordo com o disposto neste
regulamento;
ii) Vias horizontais e verticais de evacuação, incluindo os eventuais percursos em comunicações
comuns;
iii) Localização de todos os dispositivos e equipamentos ligados à segurança contra incêndio.
c) Pelos procedimentos de prevenção a que se refere no artigo anterior.
2 - O plano de prevenção e os seus anexos devem ser actualizados sempre que as modificações ou
alterações efectuadas na utilização-tipo o justifiquem e estão sujeitos a verificação durante as
inspecções regulares e extraordinárias.
3 - No posto de segurança deve estar disponível um exemplar do plano de prevenção.
primeira intervenção;
- Familiarização com os espaços das UT;
primeira intervenção;
- Instruções técnicas teóricas e práticas específicas de Equipa de 1.ª 2
utilização intervenção
dos meios de primeira intervenção
- Instruções técnicas teóricas e práticas específicas de Equipa de 1. os 2
primeiros socorros
socorros
- Organização da emergência.