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Condições e Processo de Extradição em Moçambique

O documento aborda o instituto da extradição, que permite a entrega de indivíduos que se refugiam em um país para serem julgados em outro, conforme os princípios estabelecidos na Constituição da República de Moçambique e na Lei nº 17/2011. A extradição deve ser decidida judicialmente, não é permitida por motivos políticos e deve respeitar direitos humanos, além de estabelecer critérios para a prioridade de pedidos de extradição. O processo é dividido em fases administrativa e judicial, com a fase judicial sendo de competência exclusiva dos tribunais.

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Condições e Processo de Extradição em Moçambique

O documento aborda o instituto da extradição, que permite a entrega de indivíduos que se refugiam em um país para serem julgados em outro, conforme os princípios estabelecidos na Constituição da República de Moçambique e na Lei nº 17/2011. A extradição deve ser decidida judicialmente, não é permitida por motivos políticos e deve respeitar direitos humanos, além de estabelecer critérios para a prioridade de pedidos de extradição. O processo é dividido em fases administrativa e judicial, com a fase judicial sendo de competência exclusiva dos tribunais.

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14.

Extradição

A aplicação dos princípios da territorialidade e da nacionalidade não esgotam


todos os problemas que a liberdade de circulação de pessoas e bens coloca.

Por vezes, a punição de certos agentes torna-se impraticável pelo facto dos
mesmos se encontrarem fora do país. Para responder a este tipo de problemas, existe o
instituto da extradição que consiste no acto pelo qual um governo remete um
indivíduo que se refugiou no seu território ao Governo de um outro Estado para
que ele aí possa ser julgado pelos respectivos tribunais, ou, quando aí já tenha
sido julgado, para cumprir a pena que lhe foi aplicada. Neste sentido, a extradição
há-de ter como efeito a entrega do extraditando (o “suposto” delinquente) ao Governo
que pede a extradição.

No nosso caso o instituto da extradição está previsto no artigo 67 da CRM que


estabelece os princípios e regras principais da extradição, que são concretizados e
detalhados na Lei nº 17/2011, de 10 de Agosto que rege os casos e termos da
efectivação da extradição.

A Prof. Teresa Beleza define a extradição como um acto pelo qual um Governo
pede a um outro Governo estrangeiro que lhe seja entregue um indivíduo que está no
território deste último para que possa ser julgado.

O confronto das duas definições permite destacar dois momentos na extradição:


O momento do pedido da extradição; e
O momento da extradição propriamente dita.

A extradição tem lugar para efeitos de procedimento criminal ou para cumprimento


de pena privativa de liberdade, por crime cujo julgamento seja da competência do Estado
que pede a extradição. Daí que só pode ser pedida pelo Estado que tenha competência
para punir um determinado agente criminoso, podendo acontecer casos em que, em
simultâneo, vários países tenham competência e submetam pedidos de extradição do
criminoso. A propósito desta questão de concurso de pedidos, dispõe o artigo 8 da lei
que temos vindo a citar que em caso de vários pedidos sobre a mesma pessoa e pelos
mesmos factos, deve atender-se ao pedido do país em cujo território a infracção foi
cometida.

No caso de pedidos que respeitem a factos diferentes tem preferência:


a) No caso de infracção de gravidade diferente, o pedido relativo a infracção mais
grave segundo a lei moçambicana;
b) No caso de infracção de gravidade idêntica, o que em primeiro lugar houver
solicitado a entrega do extraditando;
c) Tratando-se de pedidos simultâneos, o do Estado de origem do extraditando,
ou, na sua falta, o do Estado domiciliar;
d) Nos demais casos, o do Estado que, de acordo com as circunstâncias
concretas, designadamente a data do pedido, a nacionalidade ou residência
do extraditando, a existência de um tratado ou possibilidade de reexpedição
entre as partes requerentes, se entender que deva ser preferido aos outros.
queque, quanto ao regime da aplicação da lei no espaço, segue o mesmo
regime do país hospedeiro do delinquente. No caso de Moçambique, se fosse
pedida por vários países a extradição de um delinquente que aqui se
encontrasse, haveria que considerar-se, em primeiro lugar, o país que segue
o princípio da territorialidade, em segundo lugar, o que aplica a protecção
de interesses nacionais e por fim, o princípio da nacionalidade.

e) Se a solução anterior não for bastante, propõe a doutrina que neste caso deve
dar-se preferência ao Estado em que o delinquente praticou o facto mais
grave. Assim por exemplo, se um delinquente praticasse um crime de roubo
concorrendo com homicídio na vizinha África do Sul e, na sua fuga, cometesse
um assalto a um Banco no Zimbabwe e se viesse refugiar em Moçambique, se
aqueles dois países solicitassem a sua extradição, o Governo moçambicano
haveria que dar preferência ao pedido sul-africano.

f) Se em ambos países se considerar que os dois crimes têm a mesma


gravidade, o Governo moçambicano extraditaria o delinquente para o país
onde o réu já esteve preso; e se em nenhum deles esteve preso, deve aceder-
se ao pedido do país onde se praticou a última infracção.

g) Se nenhum dos critérios propostos vingar, atender-se-á ao pedido do país que


proferiu primeiro o despacho de Pronúncia que se profere à luz do Direito
Processual Penal moçambicano.

14.1 Condições da Extradição

No direito moçambicano as condições da extradição estão previstas na CRM e na


Lei nº 17/2011, de 10 de Agosto que rege os casos e termos da efectivação da
extradição. A CRM determina que a extradição só pode ter lugar por decisão judicial,
estando proibida a extradição por motivos políticos. Merece alguma explicação a
redacção do nº.2 do artigo 67 da CRM, devendo entender-se que a extradição por
motivos políticos, a que o legislador constituinte se refere é a proibição da extradição por
crimes políticos. Poder-se-ia perguntar se esta proibição abrange pedidos de extradição
não propriamente por motivos criminais, mas unicamente por razões eminentemente
políticas. A resposta parece dever ser afirmativa pois o outro entendimento deixaria sem
sentido o preceito em referência na medida em que em ambos os casos se pretende
atingir os mesmos resultados.
No contexto das condições de extradição, a constituição moçambicana impõe um
restrição importante. Não é permitida a extradição quando no país do destino sejam
aplicadas penas proibidas pela CRM, designadamente: a pena de morte e a de prisão
perpétua e nos casos em que haja fundado receio de violação de direitos humanos.

Ainda dentro das condições de extradição, o artigo 6 da Lei nº 17/2011, de 10 de


Agosto alude a necessidade do extraditando ser julgado apenas pelo crime ou crimes
que determinaram a sua extradição, salvo limitadas excepções. Com esta limitação
pretende-se salvaguardar a boa-fé do Estado que pede a extradição, pois caso contrário
poderia levar o outro Estado a extraditar alguém que mais tarde viesse a ser julgado por
factos que as leis do país extraditante consideram insusceptíveis de extradição. Outra
limitação imposta pelo artigo 7 da lei que temos vindo a citar prende-se com a proibição
do Estado requerente reextraditar o criminoso para um terceiro Estado, salvo se tal já
constar do pedido de extradição.

14.2 Processo de Extradição

Por imposição constitucional, o processo de extradição encontra-se em


Moçambique jurisdicionalizado, isto é envolve uma decisão de um tribunal para que
possa ser efectivada. Trata-se, em teoria, do chamado sistema judiciário no sentido de
que a decisão da extradição é proferida por um tribunal judicial; Ao contrário do que
sucede nos países que seguem o processo administrativo, em que a extradição é
decidida por um acto administrativo do Governo. Devemos, no entanto notar que o
processo de extradição tem um carácter urgente e compreende a fase administrativa e
a fase judicial. A fase administrativa é destinada à apreciação do pedido de extradição
pelo Governo, por forma a averiguar se o pedido deve ou não ter seguimento, ou se deve
ser liminarmente indeferido por razões de ordem política ou de oportunidade e
conveniência. A fase judicial é da exclusiva competência dos tribunais e destina-se a
decidir, com a audição do interessado, são sendo admitida prova alguma sobre os factos
imputados ao extraditando.

15. Aplicação da Lei Penal quanto às Pessoas


Compulsando o regime jurídico vigente, constatam-se algumas regras especiais
que regulam a aplicação das normas penais ou do processo penal em relação a titulares
de determinados cargos públicos encontra-se, neste sentido, por exemplo, na CRM
normas como o artigo 152, 153 sobre a responsabilidade criminal e prisão preventiva do
Presidente da República. Um exame de relance a essas normas revela que estas
estabelecem excepções da aplicação da lei penal ao Presidente da República. A estas
normas se juntam os artigos 173 e 174 (imunidades e irresponsabilidade dos deputados)
e 217 (responsabilidades dos juízos).

A razão de tais excepções resulta da necessidade de garantir o exercício de


determinadas funções públicas com a necessária dignidade e independência de certas
funções. As referidas excepções conferem imunidades aos beneficiários supra, como
acontece com o nº.1 do artigo 173 da CRM que nenhum deputado pode ser detido ou
preso, salvo em caso em caso de flagrante delito, ou submetido a julgamento sem
consentimento da Assembleia da República consiste no levantamento da imunidade a
que se refere a primeira parte do citado preceito.

Estas imunidades não se referem as pessoas, mas sim aos cargos que exercem e elas
podem classificar-se em imunidades diplomáticas, imunidades de chefes de Governo e
imunidades parlamentares consoante se apliquem respectivamente a pessoal
diplomático, aos chefes de Estado ou Presidente da República e aos Deputados.

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