A organização da
Atenção Básica no
SUS
Prof. Marcos Alex Mendes da Silva
Doutor, Mestre e Especialista em Saúde Coletiva e Gestão em Saúde
(UFMG/UFJF/FIOCRUZ/RJ)
Organização da Atenção Básica à
Saúde/Atenção Primária à Saúde
TSR
O que é Atenção Primária à saúde?
Atenção - Tensão de olhar, de ouvir e de ter
concentração mental para compreender o Primária - Ter a primazia, ser o
que se passa (Dicionário Aurélio)
primeiro (Dicionário Aurélio)
Saúde - Estado do que é são, robusto e tem vigor.
Conceitos: APS / ABS
“A Atenção primária é aquele nível de um sistema de serviço de saúde que oferece a entrada no
sistema para todas as novas necessidades e problemas, fornece atenção sobre a pessoa (não
direcionada para a enfermidade) no decorrer do tempo, fornece atenção para todas as condições,
exceto as muito incomuns ou raras, e coordena ou integra a ação fornecida em algum outro lugar
ou por terceiros” (STARFIELD, 2002)
“A Atenção Básica caracteriza-se por um conjunto de ações de saúde, no âmbito individual e
coletivo, que abrange a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o
diagnóstico, o tratamento, a reabilitação, redução de danos e a manutenção da saúde
com o objetivo de desenvolver uma atenção integral que impacte na situação de saúde e
autonomia das pessoas e nos determinantes e condicionantes de saúde das coletividades. É
desenvolvida por meio do exercício de práticas de cuidado e gestão, democráticas e
participativas, sob forma de trabalho em equipe, dirigidas a populações de territórios
definidos, pelas quais assume a responsabilidade sanitária, considerando a dinamicidade existente
no território em que vivem essas populações” (BRASIL, 2011)
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Organização da Atenção Básica à
Saúde/Atenção Primária à Saúde
Porta de
entrada
RH
Necessida
qualificado
des
s
APS/ABS
Promoção
Território
e proteção
Gestão Starfield, 2002; Brasil, 2011;
Atenção Campos e col, 2006
cuidado
integral
coletiva
TSR
APS: Porta de entrada
Atenção Primária à Saúde X Atenção secundária/terciária
Variadas condições Condições limitadas
Continuidade no tratamento Tratamento episódico
Acesso facilitado
Compreensão do contexto social
Organização do fluxo
Starfield, 2002
Portaria 2.488 de outubro de 2011
APS – Primeiro contato do usuário com o sistema de saúde e
organizador dos fluxos para os demais níveis de atenção
APS – Responsável (como equipe) pela resolução dos problemas
de saúde da população da área de abrangência por meio de ações
de promoção, prevenção, assistência e recuperação da saúde.
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Portaria 2.488 de outubro de 2011
APS - REORDENADORA DA REDE ASSISTENCIAL DO SUS
Redes integradas de atenção
Sistema fragmentado à saúde
Urgência e
Atenção emergência
terciária
Alta
Compl.
Atenção CAPS APS Hospitais
secundária
Média
Complexidade
Atenção primária Apoio
Diagnóstico
Integralidade da atenção à saúde
Mendes, 2008
APS – Conceito Revisado
“Estratégia flexível, caracterizada através de um primeiro
contato entre pacientes e equipe de saúde, que garante uma
atenção integral sustentada por recursos humanos
cientificamente qualificados e capacitados, a um custo
adequado e sustentável, que transcende o campo sanitário e
inclui outros setores; organizada em coordenação com a
comunidade e concatenada com os demais níveis da rede
sanitária para proteger, restaurar e reabilitar a saúde dos
indivíduos, das famílias, e da comunidade, em um processo
conjunto de produção social de saúde [...]”
(Campos e col, 2006)
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Atributos da APS
• Acesso ao primeiro contato com o sistema de saúde (exceção das
verdadeiras emergências e urgências médicas)
• Longitudinalidade: existência de uma fonte continuada de atenção, assim
como sua utilização ao longo do tempo
• Integralidade: ações que o serviço de saúde deve oferecer para que os
usuários recebam atenção integral, tanto do ponto de vista do caráter
biopsicossocial do processo saúde-doença, como ações de promoção,
prevenção, cura.
• Coordenação da atenção: O provedor de atenção primária deve ser
capaz de integrar todo cuidado que o paciente recebe através da
coordenação entre os serviços.
FONTES: Starfield (2002) ; Brasil, 2011
Atributos derivados
1. Atenção à saúde centrada na família (orientação familiar): na avaliação das
necessidades individuais para a atenção integral deve-se considerar o contexto
familiar e seu potencial de cuidado e, também, de ameaça à saúde, incluindo o
uso de ferramentas de abordagem familiar.
2. Orientação comunitária: reconhecimento por parte do serviço de saúde das
necessidades em saúde da comunidade através de dados epidemiológicos e do
contato direto com a comunidade; sua relação com ela, assim como o
planejamento e a avaliação conjunta dos serviços.
3. Competência cultural: adaptação da equipe e dos profissionais de saúde às
características culturais especiais da população para facilitar a relação e a
comunicação com a mesma.
Brasil, 2011
Atenção Médica Convencional X APS
Convencional APS
Enfoque Doença Saúde
Cura Prevenção, atenção e cura
Conteúdo Tratamento Promoção de saúde
Atenção episódica Atenção contínua
Problemas específicos Atenção abrangente
Organização Especialistas Clínicos gerais
Médicos Grupo de outros profissionais
Consultório individual Trabalho em equipe
Responsabilidade Apenas setor saúde Colaboração intersetorial
Domínio pelo profissional Participação da comunidade
Recepção passiva Auto responsabilidade
Starfield, 2002
De onde vem o recurso financeiro da Atenção Básica?
Bloco financeiro da Atenção Básica
PAB Saúde Academia Consultórios de População PMAQ
ESF/PACS NASF
variável Bucal da Saúde rua ribeirinha AB
PAB fixo Valor per capta mensal + especificidades regionais* (varia de R$ 23,00 a 28,00)
Fonte: Portaria 1409, de 10 de julho de 2013
Pelo viés da qualidade, induz a mudança de modelo por meio da Estratégia
Saúde da Família e outros programas específicos (EAB, ESF ribeirinhas, ESF
fluvial, consultórios de rua)
Cria um Componente de Qualidade que avalia, valoriza e premia equipes e
municípios, garantindo aumento do repasse de recursos em função da contratualização
de compromissos e do alcance de resultados (PMAQ AB)
Brasil, 2012
Política Nacional de Atenção
Básica - PNAB-2012
O MS define a ESF como eixo principal da atenção
Básica e centro ordenador das redes de atenção
a saúde no Sistema Único de Saúde.
Estratégia Saúde da Família
Objetivos e princípios:
Reorganizar prática de atenção à saúde:
Consciência sanitária - o estímulo à construção de uma consciência participativa, a ser
conquistada, permitindo, com as formas possíveis, dar início ao pretendido processo de
controle social.
Linha do cuidado - fluxos que impliquem em ações resolutivas centradas no acolher,
informar, atender e encaminhar .
Levar saúde para mais perto das famílias (territorialização e adscrição );
Equipe multiprofissional
Estratégia Saúde da Família
Prioridades:
• Promoção da saúde (prevenção de doenças)
• Recuperação integral e contínua da saúde
• Vínculo profissionais/família
• Descentralização dos serviços
• Trabalho intersetorial
• Garantia de acesso aos serviços locais
• Constitui atenção primária (porta de entrada)
Organização da ESF
Definição de território
Educação permanente
Adscrição de clientela
Clínica Ampliada Acessibilidade
Diagnóstico
situacional
Monitoramento de Conceito Ampliado de Saúde
indicadores Resolutividade Universalidade Hierarquização Acolhimento e
Equidade org. demanda
Integralidade
Referências
Controle Social Descentralização
e contra referências Equipe
multiprofissional
Resgate medicina
popular Enfoque familia
Promoção de Estímulo ao e comunidade
saúde controle social
Campos et al., 2006
Atribuições da ESF
Processo de territorialização e mapeamento da área de atuação da equipe, identificando grupos, famílias e
indivíduos expostos a riscos
Realizar o cuidado em saúde da população adscrita ou que tenha procurado a unidade de saúde
Atender na unidade de saúde, no domicílio e nos demais espaços comunitários (escolas, associações,entre
outros), com garantia da integralidade da atenção
Atender a demanda espontânea e programada e realizar busca ativa e notificação de doenças e agravos de
notificação compulsória
Realizar a escuta qualificada das necessidades dos usuários, proporcionando atendimento humanizado e
estabelecimento do vínculo
Promover a participação da comunidade
Garantir a qualidade do SIAB – E-SUS - Suspensão do repasse de recursos do Bloco da Atenção
Básica pelo não envio de informação (produção) por meio de SISTEMA DE INFORMAÇÃO DA
AB VIGENTE, por três meses consecutivos
Brasil, 2011; Brasil 2017
Equipe multiprofissional
Equipe de trabalho de nível superior
Processo de trabalho na ESF
Trabalho multiprofissional = trabalho em equipe?
Política Nacional de Atenção
Básica - PNAB-2017
PORTARIA Nº 2.436, DE 21 DE SETEMBRO DE 2017
Aprova a Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes
para a organização da Atenção Básica, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS)
Das disposições gerais
Princípios e diretrizes
Atenção básica na rede de atenção à saúde
Infraestrutura
Tipos de unidades de saúde:
1. Unidade básica de saúde (UBS) e Unidade de Saúde da Família (USF)
2. Unidade Básica de Saúde Fluvial
3. Unidade Odontológica Móvel
Funcionamento:
1. População adscrita por equipe de Atenção Básica e de Saúde da Família de 2.000 a 3.500 pessoas –
arranjo flexível conforme necessidades locais
1. Até 4 (quatro) equipes por UBS com equipes de Atenção Básica ou Saúde da Família
2. Oferta de serviços essenciais e ampliados (estratégicos)
3. Tipos de equipe: ESF (médico de família e comunidade, enfermeiro especialista em saúde da família; a
uxiliar e/ou técnico de enfermagem e agente comunitário de saúde), EAB (médicos, enfermeiros, aux
iliares de enfermagem e ou técnicos de enfermagem), ESB (cirurgião dentista especialista em saúde
da família e um técnico em saúde bucal e/ou Auxiliar de Saúde Bucal) Brasil, 2017
Processo de trabalho na ESF
Caráter substitutivo deixa de ser uma orientação da PNAB
Definição de território, Mapeamento da área adscrita e diagnóstico situacional em USF, mas não nas UBS
Atualização do cadastro das famílias - os usuários podem se consultar em qualquer unidade. Isso foi possível
com a implantação do prontuário eletrônico nas UBS/USF.
Cuidado familiar ampliado
Programação das ações pelo critério de risco X demanda espontânea
Ações educativas processo saúde/doença
Assistência básica integral e continua – serviços essenciais nas UBS, como pré-natal, acompanhamento de
hipertensos e diabéticos, procedimentos cirúrgicos de pequena complexidade e aplicação de vacinas.
Humanização
Urgência e emergência – passam a ser responsabilidade das UPAS e Pronto socorro
Trabalho interdisciplinar e em equipe
Ações intersetoriais
Participação comunitária no controle social
Brasil, 2011; Brasil 2017
CONCEITO DE
TERRITÓRIO
É uma área ou
conjunto de áreas,
É de grande
importância para o
planejamento e
avaliação em saúde
de um município.
É a divisão territorial
utilizada para a análise
espacial dos dados
em um determinado
município (IBGE).
Pode ser rural ou
urbana.
Os serviços de
saúde se
organizam a
partir de uma
base territorial,
mencionado no
SUS como o
princípio da
regionalização,
Propõe delimitar
a área de um
serviço de saúde,
ou de atuação do
ACS, ou de uma
Equipe Saúde da
Família;
aproximando
cada vez mais a
saúde do
cidadão.
Processo de
Territorialização
local
Seguindo o mesmo padrão de
recorte da equipe saúde da família,
está a microárea, que são
áreas com recortes menores e que
variam de 400 a 750 pessoas.
Cada ACS torna-se responsável por
uma microárea
Mapeamento
O mapeamento é a elaboração de um mapa para orientação do
trabalho sobre a região que a equipe irá atuar.
Esse mapa deve conter os principais pontos como igrejas, unidade
de saúde, farmácia, escola, rios, córregos, casas com pessoas
doentes, etc.
Diagnóstico comunitário situacional
• Identificar diferentes grupos populacionais segundo critérios demográficos
epidemiológicos, socioeconômicos, culturais
• Identificar e descrever os problemas de saúde dos distintos grupos
• Analisar a situação de saúde
Como fazer?
• Dados secundários (IBGE)
• Reconhecimento de campo (caminhadas pelo território, conversas com líderes)
• Levantamento demográfico, de saúde e de recursos e serviços,
Recursos Humanos na ESF e na EAB
1 equipe para máximo 4 mil habitantes, com uma equipe de 40 horas semanais
A Equipe de Atenção Básica deverá cumprir carga horária semanal de, no mínimo 40 horas. A soma da carga
horária de cada categoria profissional deverá ser de, no mínimo, 40 horas, sendo que a carga horária de cada
profissional não poderá ser inferior a 10 horas e o máximo de profissionais por categoria será de 3
profissionais.
Máximo de 750 pessoas (micro área) por ACS e 12 ACS por equipe
Saúde Bucal - modalidade I e II
1 enfermeiro para 30 ACS
Um gerente por unidade de saúde com nível superior, preferencialmente que não acumule função
O exercício da profissão de Agente Comunitário de Saúde regulamentado pela Lei 11.350/2006.
ACS com certificado de técnicos de enfermagem terão mais funções, que não serão restritas ao combate a
epidemias, mas também medir pressão, verificar glicemia e fazer curativos.
Brasil, 2011, Brasil, 2017
Agente Comunitário de Saúde e
Agente de Combate as Endemias
O exercício da atividade profissional de Agente Comunitário de Saúde deve
observar a Lei nº 10.507/2002, que cria a profissão de Agente Comunitário de
Saúde,
Decreto nº 3.189/1999, fixa as diretrizes para o exercício da atividade de
Agente Comunitário de Saúde,
Lei nº 11.350/2006 resolve que as atividades de Agente Comunitário de
Saúde e de Agente de Combate às Endemias, passam a reger-se pelo disposto
nesta Lei.
Art. 6º Lei 11.350/2006
Requisitos para o ACS:
I - residir na área da comunidade em que atuar, desde a data da publicação
do edital do processo seletivo público;
II - haver concluído, com aproveitamento, curso introdutório de formação
inicial e continuada; e
III - haver concluído o ensino fundamental.
ATRIBUIÇÕES DO ACS
Desenvolver ações que busquem a integração entre a equipe de saúde e a
população adscrita à UBS,
Trabalhar com adscrição de famílias MICRO ÁREA;
Cadastrar todas as pessoas de sua micro área e manter os cadastros atualizados;
Orientar famílias quanto à utilização dos serviços de saúde
disponíveis;
Por meio de visitas domiciliares realizar ações educativas
individuais e coletivas nos domicílios e na comunidade,
mantendo a equipe informada, principalmente a respeito
daquelas em situação de risco;
Acompanhar, por meio de visita domiciliar [01 VD por família
no mínimo], com acompanhamento de todas as famílias.
Sistema de Informação
na Atenção Básica
APS e a TMI
Impacto do número de ESF sobre a TMI, considerando a população do período de 1990 a 2011
Brasil/
Ano 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011
TMI
29,4 27,7 26,1 24,9 23,4 22,5 21,5 20,4 19,6 18,6 17,7 16,8 16 15,3
Popula
159.644.929 172.385.826 177.243.280 188.206.105 191.575.774
ção
Nº de
1134 1646 2762 3682 4161 4488 4664 4986 5106 5125 5235 5251 5294 5285
ESF
TMI Nº de ESF
35 6000
30 5000
25 4000
20
3000
15 TMI Nº de ESF
10 2000
5 1000
0 0
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Disponível
em: [Link] Dados de 2013.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Bá[Link]ítica
Nacional de Atenção Básica / Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saú[Link] de
Atenção Básica. – Brasília : Ministério da Saúde, 2012.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Bá[Link]ítica
Nacional de Atenção Básica / Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saú[Link] de
Atenção Básica. – Brasília : Ministério da Saúde, 2012. Disponível em:
[Link]
CAMPOS et. al. Tratado de Saúde Coletiva. São Paulo: Editora Fiocruz, 2006
MACINKO, J et al. Evaluation of the impact of the Family Health Program on infant mortality in Brazil, 1990-
2002. Journal od Epedmiology & Community health, 2006
MENDES, EV. As redes de atenção à saúde. Révista médica de Minas Gerais - RMMG, Vol. 18, No 4-S4
(2008)
STARFIELD, B. Atenção Primária: equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços e tecnologia.
Brasília: UNESCO Brasil, Ministério da Saúde, 2004.