Evolução da História e Historiografia
Evolução da História e Historiografia
Com Heródoto (considerado o pai da História), a História assumiu o sentido de busca de acontecimentos
humanos (actividades do Homem).
A História nem sempre foi uma ciência, pois com a invenção da escrita no IV milénio a.c; e durante
muitos milénios ela era um conhecimento baseado em cosmogonias e mitologias.
É um processo real – em que ela é tida como o conjunto de acontecimentos sociais, económicos,
políticos e culturais;
Conhecimento – em que a História é entendida como o conjunto das informações e ideais que se
formam por meio do estudo e da investigação.
Facto histórico – é algo que marca profundamente e qualitativamente uma determinada sociedade,
acelerando, atrasando ou mantendo o seu processo de desenvolvimento.
Ex1: As cheias de 2000, que afectaram algumas regiões de Moçambique;
Ex2: A independência de Moçambique a 25 de Junho de 1975.
1.1.2. O conceito de Historiografia
Tal como outras ciências possuem a sua história, a descrição do seu surgimento e evolução, a História
também tem a sua própria história – é a história da história, a que se dá o nome de Historiografia. A
historiografia pode ser conceptualizada sob vários pontos:
Historiografia – «é a afirmação, a qualificação de um facto, ou juízo do que existe.» Benedito Croce
Historiografia – é a arte de escrever a história ou ainda o estudo histórico e crítico sobre os
historiadores.
Historiografia – é o estudo das diversas fases da evolução da história ao longo dos tempos.
N.B: Os conceitos de História e Historiografia estão interligados, na medida em que um investiga o
passado e o outro julga ou aprecia como esse passado foi apresentado pelo historiador no contexto dos
procedimentos (métodos) da Historia.
1.1.3. A Cronologia e a Periodização
[Link]. A Cronologia
A cronologia é o ordenamento sequencial dos factos históricos, de acordo com as datas e/ou períodos da
sua ocorrência.
A cronologia – descrição ou registo de eventos organizados em função do tempo.
Ex:
Cronologia da colonização de África
1309 – Descoberta das Ilhas Canárias pelos portugueses;
1415 – Conquista de Ceuta pelos portugueses;
1479 – Portugal cede as ilhas Canárias a Espanha;
1482 – Os portugueses constroem o castelo de S. Jorge da Mina na Costa do Ouro (actual Ghana).
1498 – Os portugueses chegaram em Moçambique, chefiados por Vasco da Gama;
1572 – Conquista de Tunis pelos espanhóis;
1652 – Os holandeses fundam a cidade do Cabo.
A Historiografia Antiga iniciou-se na Antiguidade oriental, quando a escrita foi inventada pelos sumérios,
sendo o período que marca o início da História e coloca fim ao período pré-histórico. A Historiografia
Antiga é marcada pelas Cosmogonias e Mitografias.
Cosmogonias – são escritos realizados por corporações de sacerdotes, que até essa época eram
transmitidos oralmente de geração em geração. Elas explicam a formação do Universo pela intervenção de
forças sobrenaturais em grande peso, embora também contemplassem a explicação natural. Exemplos de
algumas cosmogonias:
Ele criou em primeiro lugar a água, na qual depositou um germe. Este germe tornou-se ovos,
resplandecente como ouro, radiante como estrela. Nele originou-se Brama, princípio de toda a vida.
N.B: As cosmogonias não apresentaram ao longo dos tempos as mesmas versões porque foram sendo
alterados pelas traduções orais, por isso, apareceram várias versões dos mesmos temas.
As Mitografias – são relatos de algo fabuloso que se supõe que aconteceu no passado remoto e que quase
sempre imperioso. Podem referir-se a grandes feitos heroicos que com frequência são considerados como
fundamentos e/ou começo de uma comunidade ou religião. Podem ainda, incluir fenómenos naturais e
muitas vezes comportam a personificação de coisas ou acontecimentos.
As mitografias aliviam às cosmogonias para explicar o surgimento do universo, tendo como base os mitos
de deuses (da luz, da chuva, do vento, e.t.c). Esses mitos estavam ligados ao processo de integração
política dos Estados.
De salientar que falar de mitos não é apenas falar sobre as primeiras civilizações do Médio Oriente, Norte
de África e da Ásia, mas sim reconhecer que eles foram a base para a sustentação de alguns fenómenos em
todas as sociedades, caso concreto das sociedades africanas, em especial a moçambicana, em que
prevalecem vários mitos.
O ciclone deriva da movimentação «periódica» de uma grande cobra de sete cabeças, do mar para o
continente, mais precisamente para as zonas montanhosas.
Ora, nessa movimentação, passa voando, provocando deste modo ventos fortes acompanhados de
chuvas torrenciais. Consta que este movimento tem retorno no sentido continente-mar, mas por
baixo da terra, provocando sismos.
O mito fundamenta os usos e as normas básicas do convívio, propondo uma justificação aceite por todos.
O mito vivo não é simbólico, não é algo científico, mas uma narrativa de uma realidade primordial
(sabedoria moral), contada para a satisfação de intenções religiosas profundas, de desejos morais, de
submissões sociais, de certezas e até de necessidades práticas.
Walter Burnert afirma que, nos mitos, a explicação a relação com a realidade é secundária e a maior
parte só está parcialmente. Assim, o mito é um modo diferente de exprimir o pensamento, a cultura e a
forma de observar o mundo.
Actividades de auto-avaliação
1. Defina os seguintes conceitos: Mitografia e Cosmogonia.
2. Defina o mito segundo Walter Burnert.
3. Em Moçambique existem mitos? Caso existam, dê um exemplo.
4. Qual é o papel do mito na sociedade moçambicana?
5. A palavra história tem origem do termo “historiê” que pertence aos: A gregos B romanos C
historicistas
6. A História é e deve ser uma ciência porque…. A esta ligada à Filosofia B estuda o passado
C tem um objecto e método de estudo D explica todos os fenómenos naturais
7. O período que vai desde o aparecimento do Homem até a invenção da escrita designa-se por:
A Idade Média B antiguidade clássica C Idade Contemporânea D Pré – Historia
8. Quais são as palavras-chave da definição de História? A ciência e tempo B ciência, tempo,
Homem e espaço C Homem, tempo e espaço D nenhuma destas opções patentes
9. As Cosmogonias e Mitologias fazem parte de que Historiografia? A Judaica B Cristã C Antiga D Romana
A Historiografia judaica está estreitamente ligada à bíblia, e esta reflecte a história dos hebreus (judeus) – o Antigo
Testamento. Uma compilação de muitos acontecimentos das épocas mais antigas.
A Bíblia atribui muita importância à Historiografia judaica, conferindo-lhe autoridade histórica, devido aos
seguintes factores:
A quantidade e a natureza dos temas abordados abrangem a história do povo judeu e do Próximo Oriente
Antigo (Egípcios, Fenícios, Assírios, Persas, Mesopotâmicos, e.t.c.);
Até ao princípio do séc. XIX constituiu a principal fonte de informação histórica relativamente aos povos
do Próximo Oriente, durante a Antiguidade;
Na actualidade, a importância da Bíblia para o estudo da historiografia judaica passou para o segundo plano com o
desenvolvimento de novas formas de investigação e crítica histórica.
A civilização grega e romana faz parte da Antiguidade Clássica. Torna-se difícil separar a história dos dois povos, e,
como tal a forma como escreveram a História – Historiografia – também possui muitas similaridades, pois os
grandes pensadores gregos influenciaram os romanos.
A Historiografia Grega
A historiografia grega teve duas fases distintas:
Antes da introdução da democracia (séc. V a.n.e.) – uma Historiografia cosmogónica e mítica;
Depois da instituição da democracia – iniciando uma Historiografia mais humanista.
abordar a história não só dos gregos, mas também dos bárbaros, egípcios, mesopotâmicos) – o que
significou a passagem da Historiografia gentílica à Historiografia ecuménica (universal).
Em suma, ele deu os primeiros passos para a cientificação da história no futuro, pois:
Introduziu a noção de mudança, que mais tarde deu lugar ao conceito de evolução;
Começa a História Genética, ao não perguntar somente o que aconteceu, mas porque aconteceu;
Alargou a noção das fontes históricas (tradição oral; escrita);
Fez a ligação entre o passado e o presente dos homens e não dos deuses;
Criou uma metodologia própria com os seguintes passos:
Síntese
Tucídides (460 – 386 a.n.e.) – foi continuador de Heródoto, tendo-se destacado pelo seu questionamento
às fontes na procura da veracidade e credibilidade. Operou significativos avanços na história ao introduzir
a análise e a explicação casual dos factos históricos. Com Tucídides começa a História Explicativa,
razão pela qual é chamado o pai da História Explicativa.
Limitações da historiografia grega
Foi limitada no tempo: o recurso documental restrito à tradição oral e aos testemunhos oculares
limitou o âmbito cronológico da história grega;
Foi limitada no espaço, uma vez que centrou seu estudo à costa do Mediterrâneo, dando assim, um
carácter universal.
A Historiografia Romana
A História romana recorreu à língua e às metodologias dos gregos, que tinham avançado no campo do
saber. Os romanos não se limitaram a copiar mecanicamente a História grega, procuraram fazer história
própria. Assim, resultou uma Historiografia romana que, apresentando alguns traços comuns à grega, tem
suas particularidades.
Características
Forte ligação ao passado, considerada época recuada, o centro das virtudes nacionais;
Uma historiografia política, feita por homens políticos que abordava assuntos políticos e com fins
políticos;
Nacional e patriótica – exaltação da cidade e do império;
Pragmática.
Principais historiadores romanos
Políbio (203 – 120 a.c): grego que viveu como prisioneiro em Roma era político e militar. A sua principal
contribuição foi a aplicação do modelo de ciclo à História, conduzindo à concepção de que a História é o
conhecimento do geral, daquilo que se repete, que obedece a leis e por isso susceptível de previsão.
Tito Lívio (59 a.c. – 17 a.c) e Tácito (55 d.c. – 120 d.c) – escrevem a história com fito ideológico, dado
que a partir destes a História torna-se retórica, justificativa e ética. Tito Lívio concebe a história como
fonte das virtudes nacionais, e deveria servir de exemplo ou modelo aos cidadãos romanos.
N.B: Quando se refere à regressão da história na Idade Média, apenas diz respeito ao mundo ocidental
(Europa), dado que no Oriente intensos trabalhos de pesquisas históricas estavam sendo feitos por
mercadores cronistas árabes como: Ibn Batuta, Al Massud, Al Idris, entre outros.
Principais Renascentistas
Baptista Alberto – escreveu tratados de Filosofia; História; Direito; Poesia e Discursos;
Leonardo da Vinci – precursor da mecânica e da ciência moderna;
Erasmo de Roterdão – autor do poema «Elogios da loucura»;
Miguel Ângelo – arquitecto e construtor da Basílica de S. Pedro de Roma;
Nicolau Copérnico – autor da teoria heliocêntrica.
O Humanismo – é o estudo da antiga cultura greco-romana, que podia tornar o homem verdadeiramente
humano, surgiu na Itália no séc. XIV, favorecido pelo progresso económico das cidades itálicas.
Principais humanistas
Boccacio, Luís de Camões, Erasmo de Roterdão (o mais influente humanista da Europa); Nicolau
Maquiavel e Baltazar de Castiglione.
A Historiografia Iluminista
Texto de apoio da 11ª classe Elaborado por: Dr Ricardo Chiganda
11
O Iluminismo, também conhecido como Séculos das Luzes e como Ilustração foi um movimento
cultural da elite intelectual europeia do século XVIII que procurou mobilizar o poder da razão, a fim de
reformar a sociedade e o conhecimento herdado da tradição medieval.
O Iluminismo promoveu o intercâmbio intelectual e foi contra a intolerância e os abusos da Igreja e do
Estado. Originário do período compreendido entre os anos de 1650 e 1700
As características do Iluminismo
Valorização da razão, considerado o mais importante instrumento para se alcançar qualquer tipo de
conhecimento;
Valorização do questionamento, da investigação e da experiência como forma de conhecimento
tanto da natureza quanto da sociedade, política ou economia;
Crença nas leis naturais, normas da natureza que regem todas as transformações que ocorrem no
comportamento humano, nas sociedades e na natureza;
Crença nos direitos naturais, que todos os indivíduos possuem em relação à vida, à liberdade, à
posse de bens materiais;
Crítica ao absolutismo, ao mercantilismo e aos privilégios da nobreza e do clero;
Defesa da liberdade política e econômica e da igualdade de todos perante a lei;
Crítica à Igreja Católica, embora não se excluísse a crença em Deus.
Principais defensores do Iluminismo
John Locke é Considerado o “pai do Iluminismo”. Sua principal obra foi “Ensaio sobre o entendimento
humano”, aonde defende a razão, afirmando que a nossa mente é como uma tábula rasa sem nenhuma
ideia. Defendeu a liberdade dos cidadãos e Condenou o absolutismo.
François Marie Arouet Voltaire, destacou-se pelas críticas feitas ao clero católico, à inflexibilidade
religiosa e à prepotência dos poderosos.
Charles de Secondat Montesquieu, em sua obra “O espírito das leis” defendeu a tripartição de poderes:
Legislativo, Executivo e Judiciário. No entanto, Montesquieu não era a favor de um governo burguês. Sua
simpatia política inclinava-se para uma monarquia moderada.
Jean-Jacques Rousseau - é autor da obra “O contrato social”, na qual afirma que o soberano deveria
dirigir o Estado conforme a vontade do povo. Apenas um Estado com bases democráticas teria condições
de oferecer igualdade jurídica a todos os cidadãos. Rousseau destacou-se também como defensor da
pequena burguesia.
Adam Smith foi o principal representante de um conjunto de ideias denominado liberalismo econômico,
o qual é composto pelo seguinte: o Estado é legitimamente poderoso se for rico; para enriquecer, o Estado
necessita expandir as atividades econômicas capitalistas; para expandir as atividades capitalistas, o Estado
deve dar liberdade econômica e política para os grupos particulares.
A principal obra de Smith foi “A riqueza das nações”, na qual ele defende que a economia deveria ser
conduzida pelo livre jogo da oferta e da procura
Impacto do Iluminismo
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, França, 1789, um dos muitos documentos
políticos produzidos no século XVIII sob a inspiração do ideário iluminista.
O Iluminismo exerceu vasta influência sobre a vida política e intelectual da maior parte dos países
ocidentais. A época do Iluminismo foi marcada por transformações políticas tais como a criação e
consolidação de estados-nação, a expansão de direitos civis e a redução da influência de
instituições hierárquicas como a nobreza e a igreja.
O Iluminismo forneceu boa parte do fermento intelectual de eventos políticos que se revelariam de
extrema importância para a constituição do mundo moderno, tais como a Revolução Francesa, a
Constituição polaca de 1791, a Revolução Dezembrista na Rússia em 1825, o movimento de
independência na Grécia e nos Balcãs, bem como, os diversos movimentos de emancipação
nacional ocorridos no continente americano a partir de 1776.
Muitos autores associam ao ideário iluminista o surgimento das principais correntes de
pensamento que caracterizariam o século XIX, a saber, liberalismo, socialismo, e social-
democracia.
Na visão dos historicistas, a História é uma ciência do espírito subjectivo e relativo. Ainda para os
historicistas, mais do que descrever era preciso intuir e compreender os factos históricos como dizia
Croce os eventos devem «vibrar na mente do historiador». Deste pensamento histórico não é mais uma
simples aceitação dos testemunhos, mas sim, uma avaliação interpretativa deles.
Para Hegel, a ideia, que era a expressão duma divindade cósmica (tese), converteu-se na natureza
alienando-se (antítese). Ao homem (síntese) cabia-lhe a tarefa de desaliena-lá 1º através da consciência
espontânea (História) depois através da consciência reflexiva (Filosofia da História).
Economia Política inglesa: foram importantes as obras de Adam Smith e David Recaelo. O Socialismo
Utópico: Saint Simon, Robert Owen e Charles Fourier.
A fim de compreender mais o Materialismo histórico partimos da análise dos seguimentos que o
sustentam. Os grandes filósofos alemães Kant e Hegel reconheceram que uma representação exacta do
universo só tinha que partir do desenvolvimento deste. Para eles, era necessário reconhecer acções
recíprocas gerais e desaparecer constante a luta dos elementos contraditórios em todo ser como a fonte
desse.
Hegel considera todo mundo natural histórico e espiritual como um desses processos de contraste
desenvolvimento, onde tudo se move e transforma, isto é, dialéctico é a concepção filosófica que consiste
em considerar os fenómenos em suas mútuas relações e movimentos, no seu nascimento, desenvolvimento
contraditório e desaparecimento.
Materialismo Histórico
O Materialismo histórico surge por volta de 1848 fruto de conjuntura que se vivia na Europa. Época de
exposição, revolução industrial, época de triunfo dos movimentos nacionalistas, das ideias autónomas, dos
povos e época do sindicalismo. Para Marx e Hegel, é a realidade exterior que cabe o papel dinâmico
(transformador), sendo o espírito somente espectador. Consideram que são as realidades económicas que
cabem o papel de moto da história. De facto, é a realidade económica – determina as relações de
produção que por sua vez, geram as relações sociais específicas.
Estas relações sociais, movidas por interesses antagónicos, conferem ao processo histórico a sua dinâmica
própria. A dinâmica é da luta de classes.
Crítica ao marxismo
Factores da crise
A crítica feita pelas correntes historiográficas a Historiografia tradicional
Já no séc. XIX Marx e Hegel – o Materialismo histórico tinha uma nova concepção à História, acentuando
o papel das massas e não das personalidades.
As novas correntes de pensamento
Nietzsche e Freud – através da Filosofia e da Psicanálise, nas suas pesquisas alargaram o conhecimento
sobre o homem.
A evolução científica da época
O extraordinário progresso das ciências – sobretudo das ciências naturais e mecânicas demonstrou que o
conhecimento não é acabado.
O primeiro combate do Annales foi o de remover o conceito de História. No lugar de colocar a tónica nos
eventos singulares, estreitamente políticos e individualizados, apareceu uma História do Homem, isto é,
das formações económicas sociais.
b) O alargamento do território do historiador
Antes eram considerados como importantes os factos relativos aos dirigentes da vida pública ou mesmo
de toda classe dominante, mas depois passa-se a considerar também naquilo que influi em círculo mais
largos, repercutindo nas condições de existência, isto é, a História de todos Homens – a História total e
global.
c) O alargamento do campo do documento
Uma História total e interdisciplinar tinha necessariamente que formular o conceito de documento. A
História Positivista essencialmente baseada em texto, contrapõe-se uma História fundada numa
multiciplinaridade de documentos escritos de toda espécie, documentos figurados, escavações
arqueológicas, orais, e.t.c
d) Revalorização do papel activo do historiador na construção histórica
A História tinha que ser problemática, isto é, devia procurar trazer interpretações dos factos, procurar
esclarecer o porque, do que é, como e quando. O facto histórico é buscado a partir de uma problemática
existente só num contexto global. O facto histórico também é criação do historiador visto que não há
realidade histórica que se oferece completamente ao historiador.
Antes concebia-se vulgarmente a História como o desfile cronológico dos povos ou nações mais
privilegiados em cada época só com pequenas adesões bárbaras. Deste modo, a História procura fugir a
este esquema e torna-se universal no esforço de integração de civilizações e povos num todo.
É a que aparece o interesse pelas civilizações do 3º mundo tentando encontrar e analisar as condições
específicas da sua permanência no tempo.
Outros historiadores: Albert Adu Boahen; Bethwell Ogot; Teófilo Obenga; Elika Mibokolo; John
Donald Fage; Ronald; Oliver Terence Ranger; Philip Curtin, Basil Davidson e Walter Rodney.
Corrente eurocentrista
É uma corrente marcadamente racista, pois defende a superioridade da raça branca sobre a negra. Sustenta
que os africanos não tinham história antes de estabelecerem contactos com os europeus. Afirma que
África não é uma parte histórica do mundo.
Nega assim, a possibilidade de os africanos terem contribuído para o desenvolvimento da História
Universal. O Eurocentrismo defende que somente com as fontes escritas é que se faz a história. O
principal defensor desta corrente foi Hegel.
Corrente afrocêntrica
Surge em reacção à corrente eurocêntrica. Critica radicalmente a colonização, afirmando que influenciou
negativamente a evolução histórica africana. É uma corrente que valoriza excessivamente as realizações
africanas. Recusa influência que os outros povos exerceram sobre a história de África. Para eles, a
história é o que graças ao esforço exclusivo dos africanos, sem concorrência de nenhum factor externo.
Corrente progressista
É uma corrente que reconhece o valor das fontes escritas, mas recusa aceitar que a história seja feita
apenas com base em documentos escritos, negando assim, ao eurocentrismo. Contrariamente ao
eurocentrismo e ao afrocentrismo, o progressismo não espelha complexo de superioridade nem de
inferioridade. Reivindica
Uma investigação histórica séria e não discriminatória tendo como chave a combinação de várias base
metodologias e fontes. Esta corrente depende a importância das fontes orais para todo o conhecimento –
tudo o que é escrito é antes pensando e falado. O progressismo expandiu-se a partir de meados do século
XIX com historiadores como: Albert Adu Boahen, Joseph Ki-Zerbo, Teólifo Obenga, e Roland Oliver.
O Sujeito do conhecimento – é o sujeito que conhece ou estuda o objecto, com o qual interage
indirectamente, por intermédio de marcas, vestígios e restos (fontes). É este sujeito (o historiador)
que produz o conhecimento, este, tem duas dimensões, a sabe:
O Sujeito da História – é aquele que foi alvo de atenção durante várias épocas da evolução
historiográfica. Assim, evoluiu de Deus - na Antiguidade Oriental, para os Grandes Homens ou
figuras míticas – na Antiguidade Clássica ou greco-romana; até ao Homem na sua generalidade
(as massas) – na História Nova.
Lógica
Metodologia
A História de modo geral é a narração, cientificamente ordenada, dos acontecimentos do passado, nos
quais os homens foram os actores dominantes, nas suas relações com a sociedade e i meio geográfico, nas
suas descobertas e invenções, nas suas crenças, modos de vida, conquistas materiais e espirituais.
2. As fontes da História
Para que possamos relatar os acontecimentos do passado torna-se necessário que eles tenham deixado
vestígios que nos permitam conhecê-los e datá-los. Estes vestígios denominam-se documentos ou fontes
históricas; que são os vários vestígios ou materiais deixados pelos homens, e que o historiador utiliza para
reconstruir o passado histórico.
As fontes históricas geralmente podem ser apresentar-se em três grupos: tradicionais, monumentais e
escritas.
2.1.1. Fontes Materiais ou Monumentais – são vestígios que sobraram do passado e que podem
contribuir para o conhecimento histórico.
Ex: estátuas, edifícios, armas, utensílios domésticos, restos humanos (ossadas, esqueletos, múmias), e.t.c.
2.1.2. Fontes tradicionais ou orais – são narrativas transmitidas oralmente de geração em geração.
Ex: lendas, canções populares, crenças, usos e costumes, e.t.c.
2.1.3. Fontes escritas – são todos documentos escritos. Ex: livros, cartas, papeis, jornais, escrituras,
inscrições.
As fontes escritas podem ser classificadas de acordo com material usado na sua inscrição (papiro, bronze,
pedra ou pergaminho) ou de acordo com o conteúdo do texto (fontes epigráficas, diplomáticas,
arquivísticas, narrativas ou literárias).
[Link]. Fontes Epigráficas – são aquelas que se encontram gravadas em materiais duros como pedra;
bronze; cerâmica; e constam normalmente de textos curtos com fins comemorativos, funerários, [Link].
Ex1: placas de inauguração de um edifício, estátuas, praças, e.t.c.
Ex2: placas funerárias (onde vêm os dados do falecido).
[Link]. Fontes Arquivísticas – são aquelas que constam os documentos de carácter oficial (tratados,
diplomas), ou jurídico (escrituras notarias, actos de assembleias, sentenças, inventários, registos
paroquiais).
Método – é o caminho pelo qual se chega a determinado resultado. É a maneira/modo pelo qual o sujeito
(historiador) se relaciona ou trabalha as fontes, para através delas retirar os dados que precisa do passado.
Os métodos da história se resumem num só método – crítica histórica.
Crítica Histórica ou Método Crítico – é a análise efectuada pelos historiadores às fontes históricas para
apurar a sua autenticidade e veracidade, de modo que as possa utilizar como objecto da investigação. Este
método compreende duas operações principais: Análise e a Síntese.
3.1.1. Heurística - é a operação de recolha e exploração das fontes históricas de todo tipo. A
documentação histórica é praticamente infinita, e por isso, a actividade da heurística revela-se como uma
operação fundamental da História, isto é, a operação da pesquisa.
3.1.2. Crítica Externa ou da Autenticidade – é a operação que tem a função de verificar os aspectos
materiais e formais do texto. Subdivide-se em:
[Link]. Crítica de proveniência – tenta responder as seguintes questões: quem, quando, como e as vias
que o documento percorreu.
3.2. Crítica Interna ou de Credibilidade – é a operação que avalia o grau de confiança que os
documentos apresentam. Esta operação se materializa através da:
3.2.1. Crítica de interpretação literária do texto – é uma crítica que pretende averiguar o sentido do
pensamento do autor, não aquilo que ele expressa, mas aquilo que ele pretendia dizer.
3.2.2. Crítica da competência – tem a função de averiguar o grau de conhecimento que o autor tem sobre
o assunto ou se trata de:
Um testemunho directo que contem a versão pessoal do facto;
Um compilador que constituiu a sua versão do facto através de outras fontes.
3.2.1. Crítica da intencionalidade ou sinceridade – averigua o grau de isenção do autor.
3.2.2. Crítica de exactidão – averigua o grau de exactidão ou rigor do documento.
3.2.3. Crítica comparativa – avalia o grau de credibilidade de um testemunho mediante a comparação
da informação de outros testemunhos.
3.3. Hermenêutica – é a operação que consiste na interpretação dos documentos em termos de saber-se
em que medida é que a informação fornecida corresponde ou não verdade.
3.4. Síntese – é a operação que consiste em colocar a peça resultante da investigação que lhe cabe no
quadro geral da história, isto é, se a peça for um evento coloca-se na respectiva conjuntura. Esta
integração é resultado da pesquisa histórica.
As várias correntes sobre a relação sujeito-objecto na produção do conhecimento 14º grupo
O problema fundamental que se coloca a cerca do conhecimento consiste em saber qual é a origem do
conhecimento, se tem uma origem exterior ou interior relativamente ao sujeito. Se o conhecimento
procede apenas do mundo exterior, através da experiência ou se é através da razão ou então tem origem
no sujeito sob forma de ideias inatas. A estas questões, respondem os Empiristas, Racionalistas e
Idealistas.
A Corrente Empirista – para os empiristas, nada existe no intelecto que não tenha antes passado
pelos sentidos (experiência). Para esta corrente, ao nascer a criança é como uma "tábua rasa" (onde nada
esta escrito), pelo qual a experiência vai se desenhar.
A Corrente Racionalista - os racionalistas defendem que o conhecimento resulta de uma
interacção entre o sujeito e o objecto. Enquanto o objecto fornece os dados sob forma de sensações, cabe a
razão o papel de interpretar tais dados.
A Corrente Idealista – para os idealistas, o sujeito constitui uma fonte de conhecimento. Segundo
Platão a criança, ao nascer traz consigo uma larga bagagem de ideias e, para Descartes, a criança já vem
ao mundo com ideias (ideias inatas).
N.B: Hoje é um dado quase certo, que o conhecimento aparece como acto imanente pelo qual a
consciência, abrindo ao mundo circundante, o torna intencionalmente presente em si mesma. Isto quer
dizer que o sujeito interage com o objecto (o mundo circundante).
Assim, todo o conhecimento se traduz numa relação entre o sujeito e o objecto. Uma relação necessária:
não há conhecimento sem um sujeito que conhece ou sem um objecto conhecido. Uma relação
No séc. XV, com a chegada dos europeus, as sociedades africanas possuíam uma dinâmica política,
económica e sócio-cultural distinta, que é resultado das suas vivências e contactos com outros povos (ex:
árabes e persas).
Com a presença europeia em África entre os séculos XV – XIX alterou-se a dinâmica das sociedades
locais, sobretudo as localizadas ao longo da costa. Assim, as sociedades africanas neste período, são
resultado da confluência de três elementos: as tradições locais – baseadas na existência de linhagens
dominantes e dominadas; a influência dos povos árabes e, a influência da cultura ocidental –
europeia, que trouxe com ela o cristianismo.
A estrutura-base das sociedades africanas nesse período sobretudo no interior estava assente nas tradições
locai. O islamismo estava enraizado na África do Norte, expandindo-se para o Oriente (originando a
cultura swahili). A influência europeia manifestou-se na assimilação, por parte de alguns africanos da
educação ocidental.
Ao nível político, existiram em África neste período, vários estados em forma de Reinos e Impérios - ex:
Mwenemutapa, Gaza e Ndembele – na África Austral; Congo, Mali, Ghana e Songhay – na África central
e ocidental. Ao lado destes estados existiam as chamadas «sociedades sem estados» (clãs, tribos, grupos
étnicos, e.t.c.), que construíam povos unidos pela tradição e língua comuns – shonas, Yorubas e swahils.
O conhecimento de África pelos europeus, data do séc. XV, durante a 1ª expansão europeia, mas as
grandes conquistas realizaram-se a partir dos finais do séc. XIX e até os anos de 1920, quando se deram os
últimos focos de resistências africanas. A montagem do sistema de dominação colonial em África é
consequência directa do fracasso destas resistências.
Nos primeiros anos da colonização, os europeus ainda não tinham montado os sistemas de administração
que permitissem a recolhia de impostos, razão pela qual, as potências deveriam suportar integralmente as
despesas. Ora, para tal, deviam ter um nível de desenvolvimento económico saudável e contar com
investidores privados, que ainda não estavam muito atraídos pela África. Por esse motivo, a maioria dos
governantes das colónias africanas devia ter no seu currículo experiência na área militar.
Período Características
1º - Conquista e 1880 - 1900 É o período da conquista por via militar ou diplomática.
ocupação efectiva Houve muitas disputas entre as potências colonizadoras,
(ou «período de pela posse das melhores colónias, tendo levado à C. Berlim.
pacificação»)
2º - Implantação do 1900 – 1919 É o período da ocupação efectiva, no qual foram
sistema colonial demarcadas a s fronteiras africanas, impulsionado pelas
decisões de Berlim.
Colonialismo – Domínio político, económico, social e cultural de um Estado sobre territórios não
independentes (colónias).
Colonização – processo de dominação política, sócio-cultural e económico de um Estado por um outro.
Exercícios
1. Para Pitágoras (filósofo grego do séc. V a.c.) a mesma água pode ser fria para uns e morna para outros.
Comente a afirmação sublinhada, tendo em conta a verdade histórica.
2. Porque é que o conhecimento histórico nunca é inacabado?
3. Defina a objectividade em História.
4. Na interação sujeito - objecto para a produção do conhecimento, explique os seguintes termos: relação
necessária e relação irreversível.
5. Defina fonte da História.
6. Explique a importância do uso das fontes arqueológicas no estudo da História.
7. Faça a classificação das fontes escritas de acordo com o conteúdo do texto e material.
8. Explique o processo de evolução do objecto da História, referindo-se aos aspectos tidos como objecto
da história. (Antiguidade Oriental, Clássica, Medieval, séc. XIX: Positivismo, Historicismo e
Materialismo; séc. XX: Escola dos Annales)
9. Estabeleça a relação entre a História e as seguintes ciências sociais: Economia, Epigrafia, Paleografia,
Geografia, Arqueologia e Antropologia.
A invasão de África pelas potências imperialistas teve lugar nos finais do século XIX. Alguns autores
propõem o ano de 1870 como o início, porque nessa altura os principais países capitalistas viram-se
mergulhados na 1ª grande crise financeira à escala mundial, encarando-se a expansão imperialistas como
solução para a mesma crise.
O ano de 1880 foi consensual para o início da invasão de África – é neste ano que se vai assistir a uma
ocupação sistemática do continente. Segundo Mazrui (2010:28)
“Na história da África jamais se sucederam tantas e tão rápidas mudanças como durante o período entre 1880 e 1935.
Na verdade, as mudanças mais importantes, mais espectaculares – e também mais trágicas –, ocorreram num lapso de
tempo bem mais curto, de 1880 a 1910, marcado pela conquista e ocupação de quase todo o continente africano pelas
potências imperialistas e, depois, pela instauração do sistema colonial.
O desenvolvimento desse fenómeno foi verdadeiramente espantoso, pois até 1880 apenas algumas áreas
bastante restritas da África estavam sob a dominação directa de europeus. Em toda a Africa ocidental, essa
dominação limitava-se as zonas costeiras e ilhas do Senegal, a cidade de Freetown e seus arredores (que
hoje fazem parte de Serra Leoa), as regiões meridionais da Costa do Ouro (actual Gana), ao litoral de
Abidjan, na Costa do Marfim, e de Porto Novo, no Daome (actual Benin), e a ilha de Lagos (actual a
Nigéria). Na Africa setentrional, em 1880, os franceses tinham colonizado apenas a Argélia. Da Africa
oriental, nem um só palmo de terra havia tombado nas mãos das potências europeias, enquanto, na África
central, o poder exercido pelos portugueses restringia-se a algumas faixas costeiras de Moçambique e
Angola. Só na África meridional é que a dominação estrangeira se achava firmemente implantada,
estendendo-se largamente pelo interior da região (ver figura 1.1).
Até 1880, em cerca de 80% do seu território, a Africa era governada por seus próprios reis, rainhas, chefes
de clãs e de linhagens, em impérios, reinos, comunidades e unidades políticas de porte e natureza
variados. No entanto, nos trinta anos seguintes, assiste-se a uma transmutação extraordinária, para não
dizer radical, dessa situação.
Em 1914, com a única excepção da Etiópia e da Libéria, a Africa inteira vê-se submetida a dominação de
potências europeias e dividida em colónias de dimensões diversas, mas de modo geral, muito mais
extensas do que as formações políticas preexistentes e, muitas vezes, com pouca ou nenhuma relação com
elas. Nessa época, alias, a Africa não e assaltada apenas na sua soberania e na sua independência, mas
também em seus valores culturais.
Explica a partilha de África em termos sociológicos e não económicos. Segundo Schumpeter (seu
principal defensor), o Homem tem um desejo natural de dominar o próximo, pelo simples prazer de
dominá-lo. Assim, as potências europeias ocuparam o continente africano pelo simples desejo de dominar
as nações «fracas», demonstrando o seu poder.
São teorias que defendem argumentos políticos para justificar a partilha de África, classificam-se em:
O seu principal defensor foi Calton Hayes, que defende que o imperialismo foi um fenómeno
nacionalista, para ele, os adeptos nacionalistas tinham uma sede de prestígio e pretendiam manter ou
restaurar a grandeza das suas nações.
Foram defensores Langer e F. H. Hinsley, este último afirma que a causa principal da partilha de África
foi o desejo de paz e estabilidade dos Estados europeus.
Defende que a invasão e partilha de África foram motivadas por uma estratégia global e não pela
economia. Ronald Robinson e John Gallagher são os principais defensores desta teoria, afirmam que
África foi ocupada não porque tivesse riquezas materiais a oferecer aos europeus, mas porque ameaçava
os interesses destes, visto que os movimentos de reacção à presença europeia que já começavam a surgir
em África punham em causa interesses estratégicos globais das nações europeias.
N.B: As teorias diplomáticas e psicológicas procuram acabar com a ideia de que a partilha de África se
deu apenas por razoes económicas. Elas ajudam-nos também a compreender a rapidez com que o
continente foi dominado politicamente.
Para esta teoria, a partilha de África foi consequência de acções progressivas do continente. As
resistências constantes dos africanos aos europeus e as rivalidades comerciais precipitaram a conquista.
Para [Link] defensor desta teoria: foram as razões económicas que fizeram chegar os europeus a África
nos finais do século XIX.
Nacionalismo europeu - foi o sentimento de amor à pátria (nação) que se viveu na Europa a partir dos
finais do séc. XIX e que se caracterizava pelo proteccionismo na economia, xenofobia e até racismo em
termos sociais e o imperialismo em termos políticos.
A partir do séc. XIX, graças aos avanços técnicos – científicos (progressos médicos, ciências sociais,
navegação, …); os europeus iniciaram uma vaga de «descobrimentos» pelo interior de África, que ficou
designado por viagens exploratórias. As viagens tinham como objectivos: dar a conhecer ao mundo
europeu, e não só, as potencialidades de África.
Nestas viagens, os objectos geográficos (principais rios e lagos) desempenharam um papel preponderante,
pelas seguintes razões:
Os principais rios constituíam vias de acesso ao interior, onde se encontravam as fontes produtoras
de ouro, marfim, goma, madeira, entre ouros;
Os rios constituíam ainda a principal via de transporte de produtos de e para as cidade do interior;
Os grandes lagos africanos constituem, até aos nossos dias, reservas de minerais valiosos que
atiçavam a cobiça de muitos caçadores de tesouros.
De salientar, que os objectos geográficos também atraíram os exploradores por razões meramente
científicos e filantrópicos, curiosidade e espírito de aventura. Foi por esta razão que os patrocinadores
destas viagens foram as sociedades geográficas, tais como:
Sociedade Real de Geografia (1856); e Associação de Geografia de Lisboa (1775), bem como
as associações coloniais: Associação Africana (1778) e a Associação Internacional do Congo
(1876).
Missionário e médico, chegou à África do Sul em 1841. Avançou para o interior, atravessando o deserto
de Calahar, «descobriu» o lago Ngami, passou pelo rio Zambeze, chegou a Luanda, por volta de 1854.
Em 1856, chegou ao oceano Indico, pelo rio Zambeze, e a Quelimane, na costa Moçambique. Livingstone
foi o 1º europeu a atravessar o continente africano da costa atlântica à costa indica, o que lhe conferiu o
estatuto de herói nacional na Inglaterra.
Livingstone sempre condenou a escravatura e defendeu que a colonização de África era o único
«remédio» para o fim da barbaridade. A sua generosidade e o carácter humanista fizeram com que os
africanos organizassem um funeral digno de um herói em 1875.
o oceano Atlântico, verificou que o Luabala era o rio Congo, descobrindo assim, um acesso à África
central. Foi devido a estes êxitos que o rei da Bélgica Leopoldo II, o chamou para dirigir a Associação
Internacional do Congo (responsável pela ocupação do Congo).
A partilha de África foi a chegada do imperialismo europeu ao continente, por volta de 1880. Segundo
Uzoigwe, três importantes acontecimentos, levaram a que Salisbury (Inglaterra) e Bismarck
(Alemanha) apostassem pelo domínio efectivo de África:
A Conferência Geográfica de Bruxelas (1876) – convocada pelo Leopoldo II, na qual se formou
a Associação Internacional Africana do Congo. Dirigida por Stanley, resultando na criação do
Estado livre do Congo;
A partir de 1876, o inicio de expedições portuguesas que resultaram na anexação em 1880, das
propriedades afro – portuguesas de Moçambique;
As acções da França entre 1879 e 1880: participação com a Inglaterra no centro do Egipto (1879),
envio de Savorgan de Brazza ao Congo, o restabelecimento de iniciativas coloniais para a
Tunísia e Madagáscar.
A 26 de Fevereiro de 1884 foi assinado em Londres, entre Portugal e Inglaterra o Tratado do Zaire.
Das várias decisões tomadas, podem destacar-se:
Não pagamento de direitos aduaneiros pelos ingleses durante 10 anos nas possessões portuguesas
em África;
Liberdade dada aos europeus em navegar e comercializar nos rios Zaire (Congo) e Zambeze.
N.B: Estas decisões excluíram as outras potências imperialistas, dai que a Holanda, a França e a Itália
tenham acusado a Inglaterra de estar a usar Portugal para impedir a penetração de outras nações pelo
Zaire para o interior de África Central.
O rei Leopoldo II foi um dos principais opositores do Tratado do Zaire, tendo conseguido convencer
Bismarck, que ambicionava expandir-se pelas margens do rio Zaire, a anular o respectivo tratado.
É neste âmbito, que o então chanceler alemão, Otto von Bismarck, convoca em 1884, a Conferência
de Berlim para discutir a questão colonial com outros países. A reunião realizou-se, então, na cidade
de Berlim, na Alemanha, entre os dias 15 de Novembro de 1884 à 26 de Fevereiro de 1885.
Nela, participaram países como: Inglaterra, França, Itália, Portugal, Holanda, Noruega, Suécia,
Dinamarca, Áustria, Bélgica, EUA, Espanha, Hungria e o império Otomano.
Mapa Cor-de-Rosa – um projecto português que visava a ligação das colónias de Angola e
Moçambique;
Projecto Cabo - Cairo inglês – projecto inglês, dirigido por Cecil Rhodes e que visava a
construção de uma linha férrea entre Cabo (África do Sul) e Cairo (Egipto);
Missão Marchand – projecto francês que visava fazer a ligação do rio Congo ao Nilo e de
Dacar a Djibuti.
positivos, devido à resistência dos africanos, e os europeus viam-se obrigados a recorrer à força das
armas.
N.B: A partilha de África, porém, ano respeitou a organização política, social e cultural dos africanos:
ao criar fronteiras artificiais apenas de acordo com os interesses europeus.
2.3.1. Tipos de tratados válidos
Tratados bilaterais – entre dois países ou estados;
Tratados multilaterais – entre vários países ou estados.
Estes dois tipos de tratados, é que tinham a validade jurídica e eram respeitados pelas potências. Os
tratados afro-europeus foram muitas vezes anulados. Nesses tratados, os africanos faziam enormes
concessões que acabavam perdendo a sua soberania.
2.4. A Resistência africana
Após a C. de Berlim, as potências imperialistas lançaram-se no processo de ocupação efectiva, destruindo
as unidades políticas africanas. Perante a ocupação do seu território, os africanos resistiram para defender
a sua soberania, independência, e valores culturais. Nessas resistências, utilizaram como forma de luta: a
aliança ou diplomacia e o confronto directo.
Por volta de 1811, quando o Egipto era ocupado pelos turcos (Império Otomano), os recursos eram
explorados pelos ingleses, e seu governante era Meemet Ali. Ali foi afastado do poder (com a intervenção
militar europeia), na sequência da conquista do Sudão e desafiar o poder turco.
O seu sucessor Sahid (1854 - 1863) autorizou a construção do Canal de Suez (canal que liga o mar
Mediterrâneo e o mar Vermelho) pelos franceses, em 1869. Meemet Ali temia que se construísse o canal,
porque significaria o domínio económico europeu e consequente político. Quando o canal foi aberto,
quem governava o Egipto era o neto de Meemet Ali, de nome Ismail, que procurou modernizar o império.
A modernização foi no entanto, financiada pelo dinheiro dos europeus.
A divida externa egípcia aumentou, e Ismail viu-se obrigado a vender as acções do governo no canal de
Suez à Inglaterra. O Ismail encontrava-se num dilema: ou cedia às pressões europeias ou se aliava aos
nacionalistas emergentes liderados pelo coronel Arabi Paxá. Em 1879, os europeus pressionaram os
turcos para tirar Ismail do poder e colocar seu filho Tawlfig, que nomeou ministros franceses e ingleses
traduzindo-se num controlo económico e político do Egipto.
Devido a esta intromissão estrangeira, em 1881, jovens oficiais do exército liderados por Arabi Paxá
criaram um movimento de revolta a exigir que Tawlfig criasse o Ministério da Guerra, que seria
liderado por Arabi Paxá, e que era até então, inoperante. Isto provocou os protestos dos ingleses e
franceses, levando a Inglaterra a bombardear a Alexandria em 1882, vencendo o exército de Arabi Paxá
na batalha de Tel-el-kebir. Assim, o Egipto passou na prática para colónia inglesa, embora formalmente
fosse de domínio turco até 1914.
Texto de apoio da 11ª classe Elaborado por: Dr Ricardo Chiganda
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A Indirect Rule foi usada pela Inglaterra, optava por incluir os representantes locais para ajudar os
governadores na elaboração de leis adequadas à região. Foi neste contexto que, na indirect rule, havia
respeito pela cultura e tradição, manutenção dos hábitos, costume e línguas locais. Ex: África do Sul e
Suazilândia.
Os africanos, eram usados como elos de ligação entre os europeus e a maioria da população africana,
como auxiliares; daí a existência dos chamados régulos, na administração portuguesa, nas aldeias ou
comunidades locais de base. Os régulos não representavam os interesses dos africanos, mas sim os dos
europeus, por isso, eram indivíduos de «confiança» dos administradores coloniais.
1
Em Moçambique, a administração directa foi efectivada a partir de 1930, com Salazar, antes deste período, cerca de 2/3 do
território tinha sido arrendado a companhias majestáticas que aplicavam os seus próprios meios de administração.
Texto de apoio da 11ª classe Elaborado por: Dr Ricardo Chiganda
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Os europeus instalaram-se preferencialmente nas zonas de clima temperado (a norte e sul de África) por
serem semelhantes ao da Europa, fixaram-se também nas planícies costeiras e vales férteis por serem
zonas acessíveis. Assim, os africanos foram afastados para as zonas inóspitas e sem acesso aos capitais,
aos mercados, à educação de nível europeu e obrigados a procurarem emprego nas cidades e fazendas dos
mesmos europeus para suportar os impostos.
Os exemplos de colónias de povoamento foram: Argélia francesa e a África do sul britânica (cidade do
Cabo), Rodésia do Norte, Congo Belga, Quénia, Marrocos, Tunísia e Sul de Moçambique e Angola.
Colónias de exploração – são aquelas que visavam a exploração dos recursos dos africanos para
satisfazer a crescente industrialização e concorrência entre os países capitalistas. De salientar que a
exploração dos recursos africanos deu-se em todo tipo de colónias, quer elas de administração
directa, indirecta ou mista.
Esta exploração, foi feita com base nas companhias em representação dos governos europeus, tais como:
British South Africa Company (BSAC), Imperial East Africa Company; Roal Níger Company;
Companhia francesa da África Ocidental, Companhia alemã do Sudoeste Africano e da África
Oriental; e em Moçambique (Companhia do Niassa, Zambeze e de Moçambique).
Colónias protectorados – sãos territórios marcados pela administração indirecta. Nestes espaços,
a autoridade tradicional é mantida intacta, sem haver qualquer interferência da metrópole, os
chefes africanos são súbditos da coroa. Ex: Malawi, Lesotho, e Suazilândia.
Nestes territórios, os governos coloniais proporcionavam a segurança necessária para explorar recursos.
Daí a existência de companhias majestáticas e a construção de várias infra-estruturas, como ferrovias,
rodovias e portos com intuito principal de escoar os produtos de exportação para mercados mundiais e de
receber os produtos manufacturados vindos da metrópole.
Soberania – é o direito que cada Estado tem de autogovernar-se, sem interferência estrangeira.
As colónias eram para as metrópoles uma fonte de matéria-prima para as suas indústrias, ou então,
constituíam excelentes mercados para a venda de produtos, normalmente de baixa qualidade, que não
tinham aceitação nos mercados europeus. Nesta relação entre as colónias e as metrópoles, existiam
semelhanças e diferenças entre as potências, destacando-se:
O Indigínato
É um termo usado para designar os africanos tidos como «não evoluídos», que não sabiam ler, nem
escrever, e valorizavam as praticas culturais africanas. A política indígena foi um método utilizado em
todas as colónias africanas. Para justificarem a exploração do indígena, os europeus diziam estar a tutelá-
lo, protegendo-o e o fazendo progredir a sua raça.
Objectivos do indíginato
2
Adaptação cultural e mudança no meio social
Texto de apoio da 11ª classe Elaborado por: Dr Ricardo Chiganda
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Comandante de círculo - era a trave-mestra de todo o sistema: prepara e executa as decisões, era juiz,
financeiro, engenheiro civil, agente da polícia, chefe militar, inspector do ensino,
agente sanitário, e.t.c
Chefes de subdivisões
A Economia
A França procura extrair ao máximo as terras conquistadas para tirar maior benefício. Assim, as colónias
deviam ser o recurso coercivo e decisivo para que a França saísse da miséria provocada pela guerra.
Primeiro a colónia, devia abastecer-se a si mesma pela autonomia financeira. Na África Ocidental
Francesa, os cofres públicos servia de garantia em empréstimos na França.
A base do sistema era uma rede bancária interligada e monopolista com o Banco da África Ocidental e a
Crédito predial do Oeste Africano. A economia era baseada nas companhias monopolista, a saber:
Compagnie Française de l’Africa Ocidental; a Société Commercial de l’ Ouest Africain e a Unilever.
Estas companhias controlavam as oleaginosas, e tinham ramificações para além das colónias francesas.
As infra-estruturas são construídas para suportar o comércio; na África Ocidental são abertos os
caminhos-de-ferro para o interior.
Na África Ocidental Francesa (AOF): algodão, amendoim, a borracha, óleo de palma; cacau, café e sisal.
Na África Equatorial Francesa (AEF): borracha, madeira, amendoim, marfim e algodão.
Nacionalismo – exaltação dos valores considerados nacionais e das diferenças nacionais em relação a
outras nações.
Nacionalismo – é a vontade de uma colectividade querer criar e desenvolver o seu próprio Estado
soberano e independente, tendo em conta a consciência de pertença a uma individualidade histórica e na
sequência de circunstâncias diversas.
Nacionalismo – é a tomada de consciência por parte de indivíduos ou grupos de indivíduos numa nação
ou de um desejo de desenvolver a força a liberdade ou prosperidade dessa nação.
O papel do Pan-africanismo
O objectivo principal do Pan-africanismo era a unidade política dos Estados africanos. Procurava englobar
a federação dos países regionais autónomos e seu enquadramento num conjunto de"Estados Unidos de
África." Este movimento deu origem as associações (1º tribais e só depois não tribais) e posteriormente
sindicatos, e só mais tarde a partidos políticos locais.
A primeira conferência pan-africana teve lugar em Londres, em 1900: procurou a forma de protecção
contra os agressores imperialista coloniais.
Foi dentro do espírito de revolta contra o colonialismo que surge o Black Renascence, cujo fundador foi
William Du Bois. Procurava incutir no homem negro a ideia de ser igual aos brancos. Este movimento
difundia ideologias contra a descriminação do povo negro. Segundo Du Bois «[…] que os brancos saibam
que por cada porrada que o branco der a um negro, nós lhes vamos dar duas; por um negro morto, nos
vamos matar dois brancos.»
Azkiwe escreve em Renaisscent Africa: «Ensinai o africano que renasce a ser homem.» Foi no âmbito do
renascimento africano que se desenvolveu o conceito de personalidade africana. A personalidade africana
defende que existem características comuns, atributos essenciais e únicos que fazem parte do ser de todos
os africanos. A ideia de «Africa Personality» teve suas raízes em Edward Wilmont Blyden e retomada por
Kwame Nkrumah.
Segundo Blyden – a civilização europeia é dura, individualista, competitiva, materialista e foi fundada
sobre o culto da ciência e da técnica. A civilização africana é doce e humana. Para Nkrumah, o homem
africano é um ser espiritual, dotado de dignidade, integridade e valor intrínseco.
A Negritude insere-se no espírito pan-africanista de união e solidariedade entre os africanos com a simples
diferença de se revestir de um carácter cultural e literário. Tal como o Pan-africanismo, a negritude
nasceu fora do continente africano, como resultado dos esforços emancipatórios da comunidade negra
radicada em França. Os mentores deste projecto eram membros de profissões liberais, estudantis,
eclesiásticos, intelectuais e políticos.
N.B: a Negritude era um movimento principalmente cultural e literário, que surgiu em França, na década
de 30 do séc. XX, mas com pretensões também políticas, enquanto protestava contra o colonialismo.
Ex: «Let my people go/ Deixa passar o meu povo» - Noémia de Sousa
Segundo Senghor, Negritude – é um novo humanismo, através do qual o novo homem vai surgir, fruto da
simbiose entre o mundo negro e o mundo ocidental.
Descobriram que afinal de contas os brancos trabalham com as suas próprias mãos, tem relações e
sentimentos carnais, matam-se uns aos outros, uns eram heróis e outros não.
A II G.M. mostrou portanto, aos africanos que os homens brancos, vistos em África como dominadores,
superiores, melhores e até deuses, eram na verdade “lobos” uns com os outros. Assim, o africano
descobriu o seu próprio valor – a dignidade humana.
E os africanos que puderam voltar a África, muitos dos quais tornaram-se “os cabeças” ou parte activa nos
movimentos políticos mais avançados dos seus países.
Os EUA encaravam os problemas africanos com uma atitude liberal, resultado da tradição anti-colonial e
democrática das suas próprias origens. Os EUA sentiram-se na necessidade de cobrir o vazio deixado pela
Europa, e por outro lado, o anti-colonialismo dos americanos deveu-se ao medo do expansionismo dos
soviéticos como únicos defensores de África.
O anti-colonialismo soviético, é apresentado não apenas como uma tarefa de libertação, mas também
como uma contribuição para a paz mundial. Esta política, preconizava que um povo que submete ao outro,
não pode considerar livre; desta feita a partilha territorial do mundo já se tinha chegado ao fim, que os
povos colonizados se iriam reivindicar.
Criada em Maio de 1945, a ONU tinha como objectivo ideal "desenvolver entre as nações relações
amigáveis, baseadas no respeito do princípio da igualdade de direitos dos povos e do direito a disporem de
si próprios". Assim, a ONU tornou-se num tribunal mundial para os povos colonizados. Isto é, ela tornou-
se numa espécie altifalante que ampliava a voz dos fracos.
A derrota do Japão na II G.M. consagrou o recuo da Ásia imperialista concretizada pela concessão de
independência a todos os povos sob controlo japonês. Esta emancipação da Ásia, desempenhou um papel
muito directo para o despertar do nacionalismo africano. Rapidamente se instaurou uma solidariedade
natural entre os dois continentes habitados por povos de cor, povos subdesenvolvidos, povos colonizados.
A partir de 1930, muitos africanos vão encontrar-se com escritores antilhanos e malgaxes numa caravana
espiritual; ainda no mesmo ano, o poeta Etiene Léro funda o jornal Legitime Defense. Depois surge o
Cahier d´un retour ao pays natal de Aimé Césair, que com Senghor, David Dion e Léon Damas, deu
origem à Negritude.
Os estudantes aproximam-se muito das ideias pan-africanistas de Du Bois; muitos deles eram da secção
universitária e/ou participavam em círculos de estudos com militantes de partidos ou movimentos
europeus progressistas. É assim que, em 1926, nasce em Londres a West Africa Students Union
(WASU), movimento ao qual aderiram muitos estudantes.
Na própria religião cristã, importada do ocidente, exprimia-se o nacionalismo por meio da fé, na medida
em que ela afirmava a origem divina de todos os descendentes de Adão e Eva e a consanguinidade de
todos os cristãos em Cristo.
Ora, a maior parte dos colonos da época não eram, de modo algum, exemplares de caridade cristã e o
racismo instalava-se em certos locais de culto sob forma de agregação anti-evangélica entre brancos e
negros.
Foste neste contexto que surgiu o profetismo e o messianismo propriamente africano para anunciarem
tempos novos. Já a African Orthodox Church, fundada pelo jamaicano Marcus Garvey, ensinava que
os anjos eram negros e os demónios brancos. Portanto, baseando-se no sentimento religioso, os dirigentes
negros saídos das massas, apareciam às autoridades coloniais como mais perigosos do que os políticos.
De forma geral, as potências coloniais europeias, diante do avanço dos movimentos nacionalistas,
tomaram entre outras medidas as seguintes:
Especificamente, a atitude das potências variou de acordo com o contexto político-social em que cada país
se encontrava após a II Guerra Mundial e as especificidades das suas colónias. Assim, os ingleses foram
mais pragmáticos, e preferiram conceder a independência às antigas colónias. Os restantes países (França,
Bélgica e Portugal) forma mais resistentes, procurando manter os seus domínios de diversas formas.
A política inglesa pode ser resumida na seguinte expressão: «Partir para melhor ficar.» Com o fim da 2ª
Guerra Mundial, decorreu uma mudança na Inglaterra que culminou com ascensão do Partido trabalhista
(que era anti-colonialista), e em 1946 aprova uma nova constituição na qual defendia a concessão da
autonomia governativa aos territórios coloniais.
O governo inglês incumbiu aos governadores, emires e emissários o papel de conduzir democraticamente
o processo de africanização dos órgãos de governação dos territórios até à independência. O processo
obedeceu, em geral, à via pacífica, porém, houve casos menos pacíficos, como no Ghana, ou mesmo a
via armada, como na Rodésia do Sul.
A Inglaterra projectou a constituição da Commonwealth, que seria um organismo que continuaria a ligar
económica e culturalmente a Inglaterra e as suas ex-colónias.
A França tinha mais complexa, registando-se muitos avanços e recuos. Assim, mesmo antes da 2ª G.M., a
França concedeu maior autonomia as suas colónias. Mas também estava fora de hipótese a concessão das
independências, pois precisava delas para a recuperação do país no pós-guerra.
O sistema colonial belga foi qualificado como paternista, pois os belgas mantinham os africanos numa
subordinação por tempo indefinido e concebiam a educação de tal forma que os africanos não pudessem
ter influências estrangeiras, sendo também impedidos de participar nos órgãos políticos de governação e
administração.
Danquah participou na 2ª G.M, ao lado dos ingleses, formado em direito, foi fundador do partido: United
Gold Coast Convention (UGCC), em 1947. A UGCC era composta por religiosos e homens de negócios,
que tinham uma posição sócio-económica confortável.
Sendo um partido de intelectuais, a Convenção Unida da Costa do Ouro tinha como Slogan: «Discussão
para a autonomia o mais breve possível.» Assim, Danquah acreditava que seria possível o alcance da
independência através da diplomacia com o governo britânico. Graças a esta postura, Danquah participou
na elaboração de uma nova constituição da Costa do Ouro, que entraria em vigor em 1951.
Esta atitude da UGCC fez com que não tivesse aceitação nas camadas menos esclarecidas, dando-lhe
desvantagem nas eleições com o partido Convention People’s Party (CPP) ou «Partido da Convenção
do Povo»
Francis Kwame Nkrumah foi licenciado em Sociologia e Economia Política e foi influenciado pelo Pan-
africanismo de Marcus Garvey. Com a fundação da Convenção Unida da Costa do Ouro, ele ocupa o
cargo de secretário-geral do partido. E devido o seu activismo expresso no slogan: «num país em que a
grande maioria do povo não sabe ler, a única escola válida é a acção», Nkrumah foi censurado e com
isto, sai do UGCC, levando consigo muitos jovens, e funda um partido de massas – CPP – Convention
People’s Party (Partido da Convenção do Povo), que tinha o seguinte slogan: «self government now» (a
independência imediata) e «acção positiva».
As manifestações do partido eram pacíficas: desfiles com cânticos, hinos religiosos, dançam das mulheres,
e.t.c. Em 1950, Nkrumah apela à desobediência civil e no mesmo ano, os antigos combatentes desfilam
até ao palácio do governador, tendo resultado na prisão de Nkrumah e Gbedemah.
Com a libertação de Gbedemah, este consegue eleger o CPP no Conselho Legislativo e um dos
representantes consegue baixar a idade de voto de 25 para 21 anos, o que beneficiou o partido, já que tinha
apoio de jovens.
Em 1951, realizaram-se eleições gerais e o partido da Convenção do Povo conseguiu 34 dos 38 lugares
no parlamento, e Kwame Nkrumah, apesar de estar na prisão, obteve 98% dos votos, e em 1952, ele
torna-se primeiro-ministro.
A pedido de J. B. Danquah e Kwame Nkrumah, o nome do pais foi alterado de Costa de Ouro para
Ghana, em homenagem ao antigo império do Gana e como forma de revalorização da africanidade. A 06
de Março de 1957 foi proclamada a independência do Ghana, o que significou o renascimento Político da
África Negra.
A Conferência de Brazzaville
Perante a tendência global de descolonização, liderada pelos ingleses, e efervescendo no interior das
colónias por meio dos MLN, o governo francês criou, em 1943, em Argel, durante a 2ª Guerra Mundial, o
Comité Francês de Libertação Nacional (CFLN), dirigido pelo general De Gaulle.
Em 1944, o CFLN organizou a Conferência Africana de Brazzaville, que reuniu todos os governadores
coloniais da África Francesa e numerosos altos funcionários, com objectivo de confrontar ideias a
propósito do futuro dos vários territórios após a guerra. Nenhum africano participou na conferência,
tratava-se de uma sondagem, com objectivo de preparar uma remodelação dos laços entre a França e o seu
Império.
O momento exigia uma dupla exigência à França: manter o poder colonial e ao mesmo tempo preparar a
aberturas para o progresso. Foi esta ambiguidade que caracterizou a política colonial francesa durante o
período de descolonização.
Da assimilação cheia de defeitos afirmada na constituição de 1946 vai passar-se a uma nova política de
descentralização que irá desencadear uma aceleração para a independência, estimulada pelo: início da luta
armada na Argélia (1954); a Conferência de Bandung (1955); a independência da Tunísia e Marrocos
(1956) e a preparação da independência do Ghana.
Foi neste contexto, que o governo socialista francês preparou a Lei – Quadro de 1956, que trazia as
seguintes inovações:
A 1ª tentativa para a formação da federação surge em 1915 e não se concretizou visto que o sul procurava
à sua autodeterminação em relação à metrópole britânica. A 2ª tentativa tem lugar em 1924 quando o
presidente sul-africano Hertzog tentou a formação de uma federação com a Rodésia do Sul. Porém, esta
última recusou temendo a afluência massiva de bóeres empobrecidos em busca de terras.
Desta forma, as ideias de formar uma federação iniciaram antes da II Guerra Mundial, mas fracassaram
devido às diferenças entre o sistema colonial da Rodésia do Norte e o governo do Sul.
As ideias renasceram no final da Segunda Guerra Mundial, em 1945 quando os europeus da Rodésia do
Norte procuraram a protecção dos colonos da Rodésia do Sul, enquanto estes cobiçavam o cobre do
norte e a mão-de-obra da Niassalândia.
Devido ao racismo vigente na Federação, a instalação de uma democracia multicultural era quase
impossível mesmo dentro dos partidos políticos. É neste contexto em que o Congresso Nacional Africano
(ANC) começou a influenciar os nacionalistas da federação, resultando na criação do Congresso da
Rodésia do Norte e o Congresso da Niassalândia, em 1948.
Os dois partidos eram abertamente contrários à Federação. O Congresso da Niassalândia optou pela
estratégia de confronto, recorrendo a Hastings Kamuza Banda para projectar a sua luta interna e
internacionalmente.
O Congresso da Niassalândia usou manifestações contra o regime federalista, a que a polícia respondeu
com violência, culminando com vários mortos e a prisão de Banda. Em 1960, foi criado um novo partido
político – o Partido do Congresso do Malawi – por O. Chirwa (1º advogado negro do país), no seu
regresso da prisão, Banda passou a liderar o partido e mudou a estratégia de luta, optando pelas
negociações.
A 06 de Julho de 1964, a Niassalândia tornou-se independente e mudou o nome para Malawi, que
corresponde ao nome da etnia Maravi, responsável pela fundação do reino Marave.
Em 1962 realizam-se eleições, nas quais participaram, alem dos três partidos acima referidos, o Partido
Liberal de Moffat (maioritariamente branco e moderado). A aliança política entre Nkumbula e Kaunda
resultou na formação de um governo de coligação.
Este governo era contra a Federação e fez uma campanha diplomática para terminar este casamento com a
Rodésia do Sul, onde persistia um governo racista. O governo britânico, aceitou este divórcio em 1963,
tendo realizado uma conferência nas quedas Vitória para discutir a divisão dos bens.
Decidiu que seria partilhada a barragem hidroeléctrica de Kariba e os caminhos-de-ferro que interligam os
dois territórios. A separação das Rodésias marcou definitivamente o fim da Federação.
Em 1964, ao abrigo da nova constituição que dava direito ao voto a todos os cidadãos, o novo partido de
Kaunda – Partido Nacional Africano da Independência, conseguiu 50 lugares dos 70 da Assembleia
Legislativa. Assim, Kenneth Kaunda tornou-se presidente da República e proclamou a independência no
dia 24 de Outubro de 1964. A Rodésia do Norte passou a designar-se Zâmbia, em homenagem ao rio
Zambeze.
Fundação
A OUA foi fundada em Adis-Abeba (Etiópia), a 25 de Maio de 1963. Nela reuniu-se a cúpula dos chefes
de Estados africanos independentes para concertar e coordenar esforços e acções dos seus membros.
Estados-membros
Da OUA, podia tornar-se todo e qualquer estado africano independente e soberano. De salientar que até a
década 70, a OUA era dominada e dividida exclusivamente, pelos membros da Commonwealth (ex –
colónias britânicas) e as colónias portuguesas só se tornaram membros a partir de 1975, após a declaração
da independência.
Coordenar e intensificar esforços para proporcionar uma vida melhor aos povos da África;
Conselho de Ministros – constituído pelos ministros de relações exteriores. Reúne-se duas vezes
por ano. Prepara e executa as decisões da conferência
A OUA criada em 1963, existiu ao longo de 39 anos até ser transformada em Uniao africana em 2002.
Que balanço podem ser feitos destes anos? Por várias razoes, a OUA não conseguiu materializar alguns
dos seus principais objectivos, com destaque para a missão de evitar os inúmeros conflitos que assolaram
o continente, bem como promover de forma efectiva o seu desenvolvimento.
Um dos maiores fracassos da OUA, que ainda subsiste como questão não resolvida e que continua a
ensombrar o espírito de unidade da UA, é o estatuto do Sahara Ocidental.
A independência das colónias britânicas (Botswana, Lesotho, Malawi, Suazilândia, Tanzânia e Zâmbia)
nos anos 60 e das colónias portuguesas (Moçambique e Angola) em 1975 levou ao estabelecimento de
relações e acordos de cooperação económica bilaterais entre os novos países, resultando não formação da
Linha da Frente. A Linha da Frente era constituída por: Angola, Moçambique, Botswana, Tanzânia e
Zâmbia. Estes países coordenaram esforços para apoiar a luta de libertação na Namíbia e Zimbabwe.
Fundação e objectivos
A SADCC foi criada a 19 de Julho de [Link] criada como uma organização de caracter político-
económico visando a reabilitação e desenvolvimento económico da região da África Austral e o alcance
de independência do Zimbabwe e Namíbia.