História de Moçambique: Cronologia e Períodos
História de Moçambique: Cronologia e Períodos
História de Moçambique
[Link]. A Cronologia
A cronologia é o ordenamento sequencial dos factos históricos, de acordo com as datas e/ou períodos da
sua ocorrência.
A cronologia – descrição ou registo de eventos organizados em função do tempo.
[Link]. Periodização
Periodizar – é dividir os acontecimentos históricos em grandes épocas, utilizando critérios como:
a organização política, social, económica e ideológica.
1.2. As fontes da História de Moçambique: tipos, as suas limitações e importância da tradição oral
2º Grupo
1.2.1. Conceito
Para que possamos relatar os acontecimentos do passado de Moçambique, torna-se necessário que haja
vestígios que nos permitam conhecê-los e datá-los. Estes vestígios denominam-se documentos ou fontes
históricas; que são os vários vestígios ou materiais deixados pelos homens, e que o historiador utiliza
para reconstruir o passado histórico.
[Link]. Fontes tradicionais ou orais – são narrativas transmitidas oralmente de geração em geração.
Ex: lendas, canções populares, crenças, usos e costumes, e.t.c.
[Link]. Fontes escritas – são todos documentos escritos. Ex: livros, cartas, papeis, jornais, escrituras,
inscrições.
As fontes escritas podem ser classificadas de acordo com material usado na sua inscrição (papiro,
bronze, pedra ou pergaminho) ou de acordo com o conteúdo do texto (fontes epigráficas, diplomáticas,
arquivísticas, narrativas ou literárias).
[Link].1. Fontes Epigráficas – são aquelas que se encontram gravadas em materiais duros como pedra;
bronze; cerâmica; e constam normalmente de textos curtos com fins comemorativos, funerários, [Link].
[Link].2. Fontes Arquivísticas – são aquelas que constam os documentos de carácter oficial (tratados,
diplomas), ou jurídico (escrituras notarias, actos de assembleias, sentenças, inventários, registos
paroquiais).
Os primeiros habitantes do território que hoje constitui Moçambique foram os Khoisan ou Hotontes.
Estes remontam cerca de 12000 anos a sua presença na África Austral e subsistiram em Moçambique até
finais do 1º milénio d.c. Ocupavam as savanas dos rios Zambeze e Limpopo, chegando até ao leste do
rio Zambeze.
Modo de vida: os khoisan eram nómadas, ou seja, não tinham permanência fixa.
Organização económica: os Khoisan tinham como base económica: a recolecção, caça e a pesca. O
produto final era dividido por igual e destinava-se apenas para o consumo imediato.
O trabalho era dividido segundo o sexo e idade. Segundo o sexo: os homens iam à caça e a pesca;
enquanto as mulheres dedicavam-se à recolecção e ao preparo dos alimentos.
Organização ideológica: os khoisan tinham crenças mágicas. Veneravam os espíritos dos antepassados
mortos, aos quais faziam oferendas, pois acreditavam que estes espíritos lhes traziam protecção
Martin Hall resumiu as teorias explicativas sobre a expansão do povo Bantu, em três:
1. A Teoria linguística – os bantu não eram uma nova raça, mas sim povos falantes de línguas
aparentadas entre si – as línguas bantu.
O processo de expansão da população Bantu teria resultado, da expansão encetada na Orla noroeste das
Grandes florestas congolesas, e de uma migração relativamente rápida para o sul, á cerca de 3000 anos.
Esta teoria tem várias vertentes:
Para Joseph Greenberg – a migração bantu deu-se em direcção ao sul, a partir da zona de
fronteira entre os Camarões e a Nigéria;
Malcom Guithrie – defende que o centro da expansão teria sido a região do Luba, na província
do Saba no Zaire.
A Teoria Racíca – os bantu eram uma nova raça que teria imigrado para o sul, substituindo ou
absorvendo as comunidades primitivas que habitavam a África Austral. Esta teoria foi rapidamente
criticada e abandonada.
A difusão da nova tecnologia de ferro e da cerâmica e à domesticação das plantas e animais permitiram
a sedentarização das populações e o surgimento da desigualdade social. Em suma, a expansão bantu em
Moçambique, ocorreu como consequência do conhecimento da agro-pastoricia e do processo do fabrico
do ferro.
A base económica era a agricultura de cereais (mapira e mexoeira). No sul do Zambeze, essa
actividade era acompanhada pela criação de gado bovino, enquanto no norte do mesmo rio, a
recoleccão era indispensável à dieta alimentar. Outras actividades eram: olaria, tecelagem, metalurgia,
caça e recoleccão.
2.3.2. Nível de relações de produção
A agricultura determinava o nível das relações de produção permanente. As unidades de produção
constituíam-se em torno de grupos de parentes com sanguíneos definidos por via paterna sul do
Zambeze e por via materna ao norte.
A caça e a pesca praticadas individualmente não configuravam nas relações de produção duradouras. Os
grupos desfaziam-se no final de cada caçada ou campanha de pesca.
A maioria dos agricultores (mulheres) eram formados por pessoas livres que produziam para famílias
alargadas e em alguns casos eram utilizados como escravos domésticos na agricultura. Como produtoras
as mulheres detinham uma certa autoridade e controlo sobre os celeiros, mas estavam geralmente
excluídas da posse de bens mais valiosos e duradouros, como o gado.
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O poder político era hereditário e exercido pelos homens, isto é, passava do pai para o filho mais velho
– sistema patrilinear, no sul do Zambeze. E do tio materno para o sobrinho – sistema matrilinear, no
norte do Zambeze.
A terra era património e não propriedade das linhagens, não podia ser alienada, mas apropriada pela
força militar. Cabia ao chefe a função de assegurar, periodicamente a sua distribuição pelos membros da
linhagem. Os chefes também tinham a função de manutenção das relações entre os membros da
linhagem, a resolução de litígios, o controlo de impostos, das alianças matrimoniais, a saúde, e.t.c.
O conjunto desses chefes e anciões constituíam a classe dominante. Abaixo, encontrava-se a classe
dominada, constituída pelos homens livres (também com suas linhagens) e escravos domésticos. Esta
última classe era obrigada a pagar tributos.
Vocabulário
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Sistema Patrilinear – é um sistema cujo indivíduo se encontra sob autoridade e controlo dos membros
da sua linhagem agnática, em especial do pai e tios paternos.
N.B: As primeiras aldeias das sociedades sedentárias localizavam-se, preferencialmente junto dos rios,
lagos e outras fontes de água, para melhor aproveitar a água para a irrigação dos campos, pastagem e
consumo. As casas eram construídas de madeira e, em seguida maticadas as paredes com barro.
A transição da economia cinegética (caça e recolecção) não foi violenta, tal facto explica-se pelo
seguinte: os Khoisan dedicavam-se a caça e a recoleccão, não dominavam o maneio do solo, por isso,
não constituíam perigo aos agricultores bantu;
Por sua vez, os bantu encontravam-se numa fase inicial da prática agrícola, sendo uma agricultura
itinerante, eles nunca se apropriavam das florestas dos khoisan; mas também porque os bantu
incorporavam actividades cinegéticas que eram do domínio dos khoisan.
Todavia, apesar destas situações os khoisan ficaram confinados nas áreas mais inóspitas de África
meridional, isto, resultou do abate progressivo das florestas e desajustes dos ecossistemas de que os
khoisan dependiam, obrigando-os a imigrar para as zonas não conquistadas pelos Bantu.
As unidades e atribuições etnolinguísticas que conhecemos hoje são o resultado de um longo processo
de transformações e assimilações dos bantu dos anos 200 d.c. como também da diferenciação entre
povos de filiação matrilinear e patrilinear.
Assim, os nomes das unidades etnolinguísticas surgiram em períodos diferentes: os nomes Makua
(Makhuwa) e Lómuè, já existiam nos finais do século XVI. Com o desaparecimento do Estado Marave,
afirmaram-se nomes etnolinguísticos como: Nianja, Yao, Mwani e Maconde.
Os Chopi e Ndau surgiram aproximadamente em 1830, durante o Mfecane. No séc. XVII surge a língua
Sena, enquanto que o Shona teve significado actual no séc. XIX (1850 – 1885), e ficou aceite em
Moçambique no séc. XX; Tsonga ou Ronga e Matswa ou Tswa – séc. XVIII; Changana – séc. XIX.
Em suma, temos como grupos etnolinguísticos de Moçambique:
Macua e Lomuè – no norte (Nampula, sul de Cabo Delegado, norte da Zambézia e sudeste do
Niassa); Maconde – em Cabo Delegado;
Kote, Nahara e Muâni - na costa norte de Moçambique, Nampula e Cabo Delgado.
Ajua, Yao, Cheua, Tauara, Nsenga e Nianja – Niassa, Tete e alta Zambézia; Chuabo – na
Zambézia;
Shona: Sena e Ndau – em Sofala, Zambézia e Tete; Nhúngue – Tete. Tewe e Báruè – Manica;
Tsonga – sul de Moçambique: Changana – Gaza e Maputo; Ronga – Maputo;
Bitonga e Chopi – Inhambane.
Na comunidade primitiva, o trabalho era dividido por sexo e idade, praticava-se a caça e a recolecção,
utilizando instrumentos de trabalho rudimentares. A principal forma de organização social era em
bandos, e mais tarde famílias alargadas ou linhagens e clãs, onde todos trabalhavam e o produto final
era distribuído por igual.
Por outro lado, o aumento da produção culminou com o aumento da população e da existência de
excedentes agrícolas – surgindo os primeiros sinais da diferenciação social, pois os chefes apropriaram-
se dos excedentes produzidos pela população. Ver organograma da diferenciação social
Sedentarização
Diferenciação social
O Estado é um órgão especial que surgiu num certo momento da evolução histórica da humanidade.
Nasceu da divisão da sociedade em classes. O Estado é uma consequência da sociedade de classes e
máquina de domínio de uma classe sobre a outra, isto é, o estado é um instrumento nas mãos da classe
dominante com objectivo de manter o domínio desta classe sobre a sociedade.
Para Karl Marx, o Estado consiste na especialização de um pequeno número de indivíduos com
determinadas funções não administrativas. Segundo Lenine – o Estado é produto e a manifestação do
carácter irrenunciável das contradições de classe.
Em suma, para a concepção marxista, o Estado é resultado da luta de classes entre os exploradores e
explorados, e nasce como um instrumento de coação, ou para exprimir a classe explorada.
O Estado é uma instituição organizada política, social e juridicamente, ocupando um território definido,
onde a lei máxima é uma constituição escrita, e dirigido por um governo que tem uma soberania
reconhecida interna e internacionalmente.
O Estado subsistiu-se ao corpo político e identifica-se com a comunidade nacional. É o único meio de
vivência e expressão da vida cívica.
N.B: os elementos constituintes do Estado são: o território – espaço sobre o qual assenta a unidade
estatal; a população – conjunto de cidadãos que sustentam a vida estatal; a soberania – força que
legitima o Estado.
Em Moçambique, o Estado foi resultado do desenvolvimento das forças produtivas ocasionadas pela
introdução de tecnicas de produção, das quais o ferro e a agricultura assumem a função de base.
No século IX, uma migração trouxe ao planalto entre o Zimbabwe e o Limpopo, povos pastores
karangas (membros do actual povo shona), que foram de grandes construtores grandes muralhas de
pedra (Madzimbabwe ou casas de pedra). Foi o primeiro Estado de Moçambique, e existiu entre 1250 a
1450. Localizava-se entre os rios Limpopo e Zambeze.
Foi este comércio que tornou Manyikeni num entreposto comercial tão importante. O comércio tornou-
se na principal actividade económica, com entrada dos árabes.
Tecidos e pérolas árabes; missangas de vidro colorido, porcelanas, louça vidrada, e garrafas de
vidro.
A sociedade estava dividida em duas classes: a dominante – constituída pelo rei, auxiliado por um
conselho de anciões; e a classe dominada – composta pela comunidade aldeã.
3. 5. Origem
O Império Monomotapa (também grafado Mwenemutapa ou Muenemutapa, que era o título do seu
chefe) foi um império que floresceu entre 1440 – 1450, (estendendo-se até ao século XVII) na região sul
do rio Zambeze, entre o planalto do Zimbabwe e o Oceano Índico, com extensões provavelmente até ao
rio Limpopo. Foi fundado por Nyatsimba Mutota (primeiro Mwenemutapa) líder do clã Rozwi.
O núcleo central de Mwenemutapa situava-se entre os rios Mazoe e Luia; era circundado por vários
estados vassalos ou satélites, como: Bárué; Butua; Manica; Maungwe; Quiteve; Quissanga;
Sedanda. Estes estados eram dirigidos por parentes dos Mwenemutapas e estes nomeados, tinham a
tendência de se rebelar quando o poder central enfraquecia. Os chefes dos Estados vassalos, pagavam
tributo ao Mwenemutapa reinante.
A articulação entre estas duas classes encerrava relações de exploração do homem pelo homem,
materializada pelas obrigações e direitos que cada uma tinha para com outra. As comunidades aldeãs,
sob a direcção dos mwenemushas, garantiam com o seu trabalho a manutenção e a reprodução da
aristocracia, e esta concorria para o equilíbrio e reprodução social de toda a sociedade com o
desenvolvimento de actividades não directamente produtivas.
Na sociedade shona, o Estado era personalizado pela pessoa do soberano, o Mwenemutapa, que deveria
desligar-se da sua origem terrena para conferir à «realeza» um carácter sagrado. Tornava-se assim, o
representante e o símbolo da unidade das comunidades. A fim de quebrar as ligações com a sua
linhagem, o mambo cometia no momento da sua entronização, o incesto com uma parente próxima (sua
irmã).
A autoridade do mambo processava-se por meio dos seus subordinados territoriais que integravam o
aparelho do Estado. Além de nove funcionários, três principais esposas do soberano desempenhavam
funções importantes.
Existia ainda sob as ordens do mambo os mutumes (mensageiros) e os infices (guarda pessoal do
mambo). Mais abaixo, encontravam-se os chefes provinciais designados por Fumos ou Encoses. Ao
nível das comunidades aldeãs (mushas), encontravam – se os Mukuros ou Mwenemushas – chefes de
aldeias (geralmente o ancião mais velho).
Para o cargo de Fumo, elegia-se os que tinham muita riqueza. Enquanto governante, o Fumo deveria de
forma ostentária (festas, doação,) redistribuir não apenas os bens que acumulara antes de ser nomeado,
como aqueles que recebia enquanto chefe.
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Depois que ficava pobre era destituído através de uma cerimónia onde lhe era atribuído certos símbolos
de prestigio, e passava a pertencer o grupo dos grandes por mérito.
3.3.9. A Ideologia
Praticava-se o culto aos espíritos dos antepassados – os Muzimus. Os Muzimus mais respeitados e
temidos eram o dos reis. Os especialistas que garantiam a ligação entre os vivos e os mortos eram
chamados swikiros (também denominados mbondoros). Associados ao poder político, os swikiros eram
o suporte das classes dominantes.
O termo Marave foi usado pela primeira vez em 1616 e para designar várias formações etnolinguísticas.
Localizava-se ao norte do rio Zambeze, limitado a leste pelo rio Shire e o lago Malawi, e ao ocidente
pelo vale do Luangua.
Limites: Norte – Malawi; Sul – rio Zambeze; Este – Rio Luangua e a Oeste – Rio Chire.
3.4.1. Formação
Por outro lado, Kaphwiti e Lundu anexaram as populações do vale do Chire. O Estado formado pela
dinastia dos carongas passou a ter, como estados satélites: Undi, Lundu, Biwi e Kaphwiti. Todos estes
estados eram governados por membros oriundos do clã phiri.
A principal actividade económica dos povos Maraves era a agricultura e o comércio a longa distância.
Pode-se aceitar que a Mapira era o cereal mais cultivado entre o Chire e Luangua. Cultivava-se também
o milho, mexoeira, amendoim, leguminosas, etc. A agricultura era itinerante sobre queimadas, sendo a
enxada de cabo curto como único instrumento utilizado. No estado Marave, para a produção agrícola
havia uma forma de cooperação entre os camponeses designada por Dima, que previa entre outros
aspectos garantir maior produção e productividade. É certo que os Maraves produziam e
comercializavam as enxadas da metalurgia. Por outro lado, havia uma produção considerável de tecidos
de algodão para troca, designadas por “Machiras”.
Um outro produto saído do território Marave era o Sal e há evidências de que ele era adquirido por
mercadores Ajauas e Bisa.
Tributos regulares: marfim, tabaco, géneros alimentícios, esteiras, panos, trabalho regular nas terras
dos chefes, construção de casas e assegurar a manutenção da capital.
Tributos rituais: primícias das colheitas e as taxas devidas ao facto de os chefes orientarem as
cerimónias mágico-religiosas.
Ainda no Estado Undi, os súbditos eram obrigados a cultivar produtos para o interesse geral conhecidos
por “Munda ya Chiweta”. Com o produto do trabalho dos súbditos o Undi sustentava os visitantes e
litigantes, entretinha jogos e danças e socorria os necessitados.
Recebiam ainda taxas de vassalagem que incluíam penas vermelhas de certos pássaros, marfim, peles de
leão e de leopardo, tributo de trânsito dos comerciantes designado por Mororo ou chupeta.
Todavia, há que salientar que cada chefe era servido por um conjunto de conselheiros os mbili, singular
ambili. Havia igualmente um corpo de funcionários subalternos como mensageiros e guarda do chefe.
Todos os chefes estavam ligados por laços de parentesco. Os membros da aldeia, os Mwene Mudzi eram
geralmente membros seniores das matrilinhagens locais, sendo o núcleo matrilinear básico designado
por bele, formado pela mulher, por suas irmãs casadas e ou solteiras, filhos não casados, filhos das irmãs
e por incorporação pelo marido da mulher e pelos maridos das filhas da mulher.
As crenças mágico-religiosas do Estado Marave eram destinadas a evocação das chuvas, a fertilidade
das terras, ao controlo das cheias. Esses cultos eram dedicados a entidades supremas como era o culto
do Muári ou Muáli, o culto de Chissumpi, que era a veneração de espíritos naturais e o culto de
Makewana.
A penetração dos Caronga-Phiri não foi violenta de tipo militar. Foi no entanto seguida de absorção
gradual dos cultos nativos. O domínio dos territórios através da absorção e adaptação da ideologia local
foi acompanhado pela prática de casamentos com mulheres dos clãs nativos. Em alguns casos, o Undi
casava com a irmã do chefe local, dando-lhe em troca uma das suas irmãs para ser esposa.
Assim, pode-se concluir que enquanto a sul do Zambeze a ocupação territorial de Nhatsimba Mutota foi
essencialmente de natureza militar, a norte do Zambeze a ocupação territorial dos Maraves se fez pela
conquista da esfera ideológica expressa nos santuários e nos rituais. A aristocracia dominante Caronga
era obrigada a casar-se com as mulheres saídas do clã Banda (clã originário da região).
De acordo com relatos de alguns geógrafos, existia com as «terras de Sofala» um comércio bastante
activo; no séc. X (943 n.e.) Al- Masudi (viajante árabe) refere que bilad as sufala (a terra de Sofala)
estava dependente de Sayuna – um centro comercial localizado na foz do rio Zambeze.
Geográficos:
O conhecimento náutico e terem uma situação geográfica privilegiada, levou os mercadores
asiáticos a procurarem a força dos ventos e monções.
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A nível político
Surgimento de chefacturas
Centralização do poder, isto é, os chefes dos Estados começaram a delimitar as suas fronteiras
para o controle das rotas comerciais.
A nível social
Aprofundamento das desigualdades sociais;
Surgimento de novos núcleos linguísticos: o Swahili na costa norte, Mwani – costa de Cabo
Delegado; o Koti em Angoche e o Nahara na Ilha de Moçambique.
A nível Cultural:
A difusão do islão no norte (ao longo da costa);
Difusão do modo de vestir (uso dos Cofiós, brincos no nariz Mwalide);
Modos de construção de casas e templos, nos casamentos e ritos funerários.
A nível económico
Integração de Moçambique na economia-mundo;
Elevação do padrão de vida de consumo da classe dominante (os chefes passaram a ter acesso à
produtos de prestigio);
Os portugueses chegaram em Moçambique nos meados do séc. XV (1498), chefiados por Vasco da
Gama, onde embarcaram pela primeira vez no rio Inharime, (Inhambane). Foi o ouro que trouxe-os a
Moçambique, dando início a uma nova etapa da história de Moçambique – a fase do ouro (1505 -1693).
A actividade mercantil árabe-swahili em Moçambique data antes do séc. XI n.e. No início do séc. XVI
existiam milhares de mouros (termo que os portugueses designavam os árabes - swahili), no Estado do
Mwenemutapa, estes não comercializavam apenas: trabalhavam também o cobre e o ferro.
O ouro era o principal artigo de comércio, isto quer dizer que, muito antes da chegada dos portugueses
os árabes - swahili controlavam o ouro vindo do Mwenemutapa. Foi fundamentalmente o ouro que
trouxe os portugueses a Moçambique; porque o ouro permitia-lhes comprar, entre outras coisas, as
especiarias asiáticas com as quais a burguesia portuguesa penetrava no mercado europeu de
produtos exóticos.
Assim, Moçambique passou a constituir uma reserva de meios de pagamento das especiarias e essa
foi a razão por que os portugueses apareceram primeiro como mercadores e, só mais tarde como
colonizadores efectivos. A fixação portuguesa fez-se inicialmente no litoral, onde fundaram feitorias:
Como encontraram resistência dos shona-caronga, os portugueses penetraram pela via da ideologia,
enviando em 1561 o padre jesuíta Gonçalo de Silveira para baptizar o Mwenemutapa reinante e outros
membros da corte. Ao penetrar pela via ideológica, os portugueses pretendiam:
Mas, diante de conflitos interdinásticos (séc. XVII), Gatsi Lucere (o Mwenemutapa reinante), sentindo-
se impotente para acabar a revolta de Mathuzianye viu-se obrigado a pedir auxílio aos portugueses em
1607, tendo vencido o seu oponente.
Como agradecimento Gatsi Lucere, cedeu as minas do ouro do seu Estado aos portugueses. E com a
morte deste, subiu ao trono o seu filho Caprazine (1627), que era contra a presença portuguesa. Este,
viria a ser substituído pelo seu tio Mavura que foi baptizado tendo mudado de nome para Filipe II e por
meio de um tratado, declarou-se vassalo de Portugal em 1629.
Pelo tratado de 1629, Mavura fez enormes concessões militares, económicas e políticas a Portugal, a
saber:
Não obrigar aos funcionários e mercadores portugueses a observância das regras protocolares
quando recebidos na corte (tirar o chapéu, descalçar, ajoelhar...).
Mavura ao fazer concessões, atentava contra o direito consuetudinário Shona que defendia que a terra
não podia ser vendida, nem alienada, o que constituía uma grande falta de respeito para com os
espíritos dos antepassados. Com este tratado, o imperador deixou de representar e executar a vontade
dos antepassados e tornou-se, portanto, desmerecedor do cargo.
A erosão da economia das mushas foi evidente nos meados do séc. XVIII, quando milhares de
camponeses passaram a dedicar menos tempo à agricultura e mais tempo à mineração quer directamente
para os portugueses quer para o Mwenemutapa. Muitas pessoas morriam nas minas por aluimentos
provocados por deficientes condições de trabalho.
Eram sobretudo mulheres e crianças que trabalhavam nas minas em condições duras e perigosas, ao
penetrar nas escuras galerias à procura do ouro. O trabalho forçado nas minas provocou, por outro lado,
a fuga de comunidades inteiras, particularmente nas áreas mineiras.
A antiga renda em género foi gradualmente transformada, nos estados com minas de ouro, numa renda
em trabalho de prospeção mineira.
3.5. A Penetração Mercantil Portuguesa nos Estados Marave: O Ciclo de Marfim (1693 -1750/60)
Com o levantamento de 1693, que constitui a primeira forma de resistência em Moçambique, a produção
e a comercialização do ouro diminuiu e o marfim passou a ser o produto mais procurado pelos
mercadores.
No entanto, nos territórios situados entre o rio Luangua e Quelimane fazia-se bastante comércio de
marfim e a produção, bem como a sua comercialização era controlada pelas classes dominantes phiri,
especialmente pelos phiri karonga e lundu, e em troca recebiam tecidos e missangas. Tal como o ouro
para a aristocracia karanga, o marfim representava para os phiri uma das suas principais fontes de
reprodução. Razão pela qual, a divisão social de trabalho nos Estados Marave, sobretudo nos Estados de
Caronga e Lundu, contemplava a organização da caça ao elefante.
No terceiro quartel do século XVI, os guerreiros nianjas dos Lundu, encetaram um movimento dos
comerciantes árabes-swahili com mercadorias destinadas aos Caronga, ocupando Lomuè, Angoche,
Macuana (Uticulo e Cambira – Ilha de Moçambique), e.t.c. Esta expansão abriu uma nova rota
comercial (Chire - Mussuril) favorável especialmente aos Lundu que, para melhor a controlarem,
instalaram chefes Phiri. Porém, em 1622 os Caronga fizeram uma aliança militar com os portugueses e
os Lundu foram derrotados, passando os phiri a controlar virtualmente a rota Chire – Mussuril. Em
1687, o comércio de marfim passou a ser com os Ajauas, vindos do lago Niassa, estes, não só eram
melhores produtores de marfim, mas também de azagaias e tabaco.
O comércio de marfim conheceu o início do seu fim nos finais do séc. XVIII e princípios do séc. XIX,
quando a venda do homem como mercadoria se tornou uma prática normal.
Os prazos foram pequenas unidades políticas estruturadas no interior dos estados de Mwenemutapa por
mercadores chineses, indianos e portugueses, ocupando a área que cobria a região do vale do Zambeze.
A origem dos prazos deveu-se a um processo de aquisição de terras por parte dos indivíduos acima
referidos às autoridades locais obedecendo três critérios distintos:
Doação – alguns dos prazos surgiram a partir da doação de terras pelos chefes africanos aos
mercadores, algumas vezes casados com as filhas desses chefes.
A compra – outras terras foram adquiridas por mercadores aos chefes africanos a partir da
compra, exercendo assim, o seu domínio político, económico e social;
A conquista – finalmente houve mercadores que usaram via militar para retirar as terras dos
africanos, ocupando-as sem o consentimento desses.
Em 1618 foram estipuladas algumas directrizes que deviam ser seguidas pelos senhores prazeiros a
saber:
Foi estipulada uma taxa anual a ser paga pelos prazeiros à fazenda (então ministério das finanças
português);
A obrigatoriedade de renovação das concessões das terras de três em três vidas (gerações);
Em caso de morte do titular das terras, a transferência da propriedade devia ser feita por via
feminina, isto é, a herança passava do senhor prazeiro para a sua mulher geralmente de origem
portuguesa ou para ou para a filha mais velha como forma de evitar casamentos entre brancos e
negros, e dessa forma pretendia-se atrair maior número de mulheres portuguesas para a colónia o
que permitiria o povoamento branco dos mesmos.
Não obstante o esforço da coroa portuguesa neste sentido, o sistema idealizado por Portugal enfrentou
grandes dificuldades para a sua efectivação o que contribuiu para o seu fracasso. Estas dificuldades
prenderam-se com o facto de a maioria dos proprietários dos prazos terem sido indivíduos considerados
personongratos por várias razões; a saber:
Outra força oposta aos interesses portugueses estava relacionada ao facto de pelo seu número
reduzido, os prazos encontrarem-se dispersos o que não permitia a promoção de acções com vista
a incutir nos africanos hábitos e costumes portugueses. Pelo contrário eram os portugueses que
acabavam assimilando os valores culturais africanos;
Por outro lado, os prazos eram militarmente superiores em relação ao exército português, o que
limitava a capacidade de pressão sobre os prazos por parte do governo português;
A tentativa teve pouco êxito, primeiro porque a força administrativa – militar portuguesa era
normalmente fraca e, segundo, porque quem " mandava " e quem impunha a "lei" no vale do
Zambeze eram os próprios prazeiros;
Como se referiu anteriormente, muitas terras foram adquiridas pelos prazeiros sem a
comparticipação da coroa, e por está razão os senhores prazeiros não reconheciam a autoridade
portuguesa nas terras sob seu domínio.
Os senhores prazeiros gozavam de uma independência quase total em relação à coroa portuguesa no que
diz respeito à administração dos seus territórios. Assim, os prazeiros estipulavam livremente os preços e
leis a serem cumpridas, e tinham os seus próprios exércitos constituídos por escravos guerreiros
conhecidos por "A-chicundas", assim como mercenários de diversas origens incluindo portugueses,
pelos quais mantinham a defesa dos territórios e faziam incursões militares.
O prazo era dividido em aringas. No topo do prazo encontrava-se o mambo auxiliado por: Fumos,
Chuangas, Muanamambos, Mussambazes e A-chicundas.
O sustento dos senhores prazeiros era feito com base nas pilhagens feitas contra outros estados e
chefaturas africanas. Cobrança de imposto aos camponeses, o comércio de escravos e a extracção e
comércio de ouro.
Deve-se salientar que, os prazos constituíam uma síntese de produção, uma pré-existente na região,
constituída por dois níveis:
O da comunidade aldeã (mushas), que constituía a classe mais baixa na hierarquia, a aristocracia
dominante (com Mambo à cabeça) que ocupava o topo. Está classe, tinha como obrigação
sustentar a classe dominante, produzindo para si e para o senhor prazeiro;
Os A-chicundas - eram escravos guerreiros responsáveis pela defesa do território, pela captura
de escravos para a venda e pela cobrança de impostos;
A nota mais importante neste ponto é o facto de como se disse anteriormente, ao invés de serem os
senhores prazeiros a incutir nos africanos os seus hábitos e costumes, acabaram sendo eles a adoptar as
práticas mágico-religiosas dos africanos. Assim, destaca-se a adopção do muave1. Também foi adoptada
pelos prazeiros a veneração dos espíritos dos antepassados dos nativos bem como os cultos para a
invocação das chuvas, sucesso nas colheitas, terras férteis, e.t.c; os senhores prazeiros africanizaram-se.
A decadência dos prazos teve lugar por volta da 1ª metade do séc. XIX como consequência de diversos
factores, a saber:
O crescente interesse dos prazeiros pelo comércio de escravos, facto que os levou a vender os
camponeses e os a-chicundas, resultando na fragilização da produção e defesa dos prazos;
As invasões Nguni, iniciadas em 1832, onde até 1849 Sochangana, tinha dominado cerca de 28
dos 48 prazos existentes e;
A ausência de força militar e administrativa portuguesa eficiente e, as secas e a fome.
3.7. O Comércio de Marfim e a expansão colonial: o papel da companhia dos Mazanes 11º Grupo
1
Uma bebida tóxica que servia para provar a culpabilidade ou não do indivíduo em relação a determinado delito ou feitiçaria.
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26
Já no séc. XVII, a Índia era uma verdadeira metrópole comercial de Moçambique. Em 1686, o
monopólio comercial entre a Ilha de Moçambique e Diu foi entregue aos baneanes, isto é, à
Companhia dos Mazanes2 - constituída por mercadores indianos e ricos armadores, situados em Diu.
Privilégios da companhia dos Mazanes
O monopólio de artigos de exportação como: marfim, âmbar e caracaças de tartarugas;
A protecção dos jesuítas e do vice-rei português na Índia;
Apoio logístico e comercial.
A formação da companhia dos Mazanes reflectia as contradições existentes entre o rei em Portugal e o
vice-rei na India, onde iam todas as riquezas provenientes de Moçambique. Em 1687 chegaram os
primeiros sete baneanes à Ilha de Moçambique.
N.B: O forte capital e ligações com o mercado indiano, a sua capacidade de negócio, o seu
comportamento e os privilégios recebidos fizeram com que a companhia controlasse todo o comércio a
grosso e a retalho entre Diu, Goa e a Ilha de Moçambique.
O sucesso imediato da companhia dos Mazanes foi motivado pelos seguintes factores:
Trafico regular com os macuas dos reinos vizinhos e sazonalmente com mercadores yao. Este
comércio era feito pelos portugueses que recebiam a crédito a mercadoria fornecida pelos
baneanes;
Envio para o interior de mercadores africanos – os patamares – que actuavam como
intermediários do comércio entre a costa e o interior;
Como os baneanes entregavam as suas mercadorias a crédito, cobrando em juros de 10%, quem
não conseguisse saldar as suas dívidas perdia tudo a favor deles.
As principais zonas do comércio de marfim
Durante o séc. XVII, o marfim era produto mais procurados na Europa e na Ásia, visto que era usado
para a produção de bolas de bilhares, bijuterias e artigos usados nas cerimónias núpcias hindus. Assim,
as principais zonas de comércio de marfim em Moçambique eram:
Ilha de Moçambique; Chire; Mossuril; lago Niassa; Delagoa Bay (baia de Maputo);
Macuana: Uticulo, Cambira e Uocela – o comércio da Macuana era das principais fontes de
obtenção de riqueza dos comerciantes.
Os principais intervenientes no comércio de marfim
2
A Companhia dos Mazanes foi fundada em 1686, localizava-se em Diu
Historia 12α Classe Elaborado por Dr. Estêvão Ricardo Inguane
27
A 19 de Abril de 1752 por decreto-régio do rei D. José I, Goa separa-se de Moçambique, sendo
nomeado governador e capitão – geral de Moçambique D. Francisco de Melo e Castro.
Com a separação, a coroa portuguesa pretendia que Moçambique se subordinasse directamente a Lisboa
e não a Goa, pois pretendia obter o controlo do comércio em Moçambique. Em 1753, o governador-geral
procura acabar com a ingerência de Goa na administração financeira e comercial de Moçambique e, em
1758, os baneanes são proibidos de possuir qualquer propriedade na Ilha de Moçambique.
Na segunda metade do século XVIII, a procura de escravos ultrapassou a procura do ouro e marfim. Já
não se tratava de adquirir uma matéria-prima de origem mineral (ouro) ou animal (marfim), mas sim de
comprar ou de capturar aquele que tirava o ouro à terra e a presa ao elefante: o Homem, o próprio
produtor, tratava-se da matéria-prima humana. De 1645 a 1671, o arquipélago das ilhas de Cabo
Delegado vivia exclusivamente do comércio de escravos.
Numa 1ª fase cerca de 1740, os escravos eram adquiridos pelos franceses, que os levavam para as suas
plantações de açúcar e café nas ilhas Mascarenhas, no Índico. Na segunda fase e dadas as solicitações
de mão-de-obra na América do Sul, sobretudo do Brasil para assegurar a produção nas plantações de
açúcar, café, algodão e cacau, nas minas de diamantes destacaram-se nesta fase: os mercadores
brasileiros, norte e centro - americanos. Esta fase durou até a 1ª metade do século XIX.
A 3ª fase vai desde a abolição oficial do tráfico de escravos, em 1836 e 1842, quando a saída clandestina
de escravos fazia-se através dos Xeicados de Quitangonha, Sancul e Sangage e do Sultanato de
Angoche, e dos Prazos.
Os escravos eram adquiridos por excelência no vale do Zambeze e na faixa litoral norte, o “interland”,
do rio Ligonha à Baía de Memba. Outras áreas de menor importância foram o “interland” de Inhambane
e a Baía de Maputo. De salientar que as populações de origem Macua foram as mais sacrificadas e
levadas para as Ilhas francesas (Mascarenha, Reunião, Comores e Madagáscar), Golfo Pérsico, Brasil,
Cuba e Zanzibar.
Durante todo o século XIX o panorama político e económico do norte de Moçambique foi
completamente dominado pela captura, transporte, comercialização e exportação de escravos.
Para a obtenção de escravos, os chefes das várias tribos envolviam-se em guerras e os que saíam
derrotados eram feitos reféns e consequentemente transformados em escravos; também eram feitos
escravos os que tivessem dívidas de impostos.
Ao longo do século XIX foram promulgadas pelas potências com interesses coloniais no Índico
(particularmente a Inglaterra) várias leis abolicionistas. Para o inglês Eric Williams, a abolição do tráfico
de escravos servia poderosamente aos interesses económicos da Inglaterra industrial nascente.
A 25 de Março de 1807 a Inglaterra aboliu o tráfico negreiro; em 1810, Portugal faz vagas promessas de
não tráfico negreiro entre a costa Ocidental africana e as Américas, e em troca de abertura do mercado
britânico dá-se o tratado bilateral Luso-Britânico, onde Portugal comprometia-se a não usar a sua
bandeira para o comércio de seres humanos. Em 1817 foram os franceses a decretar as suas disposições
abolicionistas.
A 10 de Dezembro de 1836 foi publicado o decreto abolicionista Sá da Bandeira - que proibia o tráfico
de escravos em todas as possessões portuguesas. E em 1842 foi assinado o tratado anglo-português,
que comparava o tráfico de escravos com à pirataria, autorizando a marinha britânica a inspeccionar os
navios com bandeira portuguesa e cria comissões para julgar os presos.
Portanto, foi a partir de 1842 que o tráfico negreiro foi legalmente considerado contrabando
simultaneamente pela Inglaterra, Portugal e Brasil, tornando mais difícil a sua prática. No entanto, as leis
nunca tiveram efeitos imediatos. No caso de Moçambique, a reacção as mesmas provocaram uma
reestruturação incontrolável do tráfico negreiro, que se tornou mais sinistroso que no passado, por causa
dos interesses esclavagistas na região e as fracas capacidades colonialistas da burguesia portuguesa.
O tráfico de escravos provocou: o desalojamento da força de trabalho, o que resultou na estagnação das
sociedades moçambicanas; a fuga das populações, originando grandes zonas despovoadas; a paralisação
do desenvolvimento da população; fome e miséria; decréscimo demográfico; em algumas zonas como,
como nos prazos e no Estado dos Ajua, notou-se a reestruturação sócio - económica de tipo empresa de
captura e caça de escravos provocando a degradação dos vales socais e morais.
N.B: No entanto, a escravatura levou ao enriquecimento da Europa e de uma minoria dos chefes locais.
Estados Militares – é um termo usado para designar a enorme militarização da empresa de caça e uso
de escravos, com a sua fortificação mãe – a aringa e outras fortificações secundárias.
Base económica
Os Estados Militares viviam essencialmente do comércio de escravos e, em menor escala, do comércio
de marfim. A cobrança do mussoco (imposto), que podia ser em trabalho, em espécie e, mais tarde em
dinheiro, foi uma importante fonte económica do poder da aristocracia. A pilhagem e a incursão aos
Estados vizinhos também constituíam uma importante fonte de capitação de riquezas.
Estrutura social
A estrutura social dos Estados militares era mais complexa do que a dos prazos. Os chuangas – faziam
o papel de inspectores administrativos e fiscais, policiavam os Mambos e Fumos.
Os A-chicundas facilmente ganharam a sua liberdade. Encontravam-se organizados em regimentos – as
butacas, á frente dos quais estava o Mucazambos ou Cazembe. Cada regimento dividia-se em Pelotões
(ensacas) dirigidos pelos lugares-tenentes dos Mucazambos.
Os A-chicundas tornavam-se escravos através de: da captura num ataque militar, entrega aos prazeiros
em anos de escassez agrícola ou fuga a acusações de feitiçaria.
A-chicundas
Chuangas
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31
Mambos e Fumos
Comunidade aldeã
Ideológica
Através da política de africanização, a classe dominante tentou afastar a ideia de súbditos locais e
intrusos. Adoptaram os rituais e os símbolos da realeza local (Macanga, Kanyemba e Massangano). O
Estado de Macanga adoptou a investidura do rei e a manutenção dos locais sagrados.
Decadência
Até 1830, a maior parte dos estados militares estava em declínio. Este declínio teve como causas:
As secas e a fome; A ausência de uma força militar e administrativa portuguesa;
A competição entre os prazeiros e entre estes e os povos vizinhos;
O desenvolvimento do tráfico de escravos, que chegou a obrigar alguns prazeiros a vender os
seus camponeses e os A-chicundas;
As invasões Nguni, que começaram em 1832. Por volta de 1840, Sochangane tinha ocupado 28
dos 46 prazos que foram incorporados no Estado de Gaza.
O termo «yao» significa um monte sem árvores e sem qualquer tipo de vegetação.
Localização geográfica
Os Estados Ajauas desenvolveram-se nas zonas macuas, actuais províncias de Nampula, Niassa e Cabo
Delegado, tendo como centro de poder político a região de Muembe – Niassa. Era limitado por quatro
rios: Ocidente – Lucheringo; Sul – Luambala; Oriente – Lugenda, e, Norte – Rovuma.
Até meados do séc. XVIII, os ajauas viviam em pequenas comunidades matrilineares designadas por
Mbumba – sob a autoridade de um irmão mais velho, o Asyene Mumba.
Como sociedade matrilinear, as mbumbas agrupavam irmãs casadas e os seus maridos, irmãs solteiras,
homens solteiros e crianças.
3.9.1. Origem
Os Reinos afro-islâmicos da Costa são resultado da presença árabe em Moçambique no séc. IX, que
instalaram-se na costa (particularmente na Ilha de Moçambique e Quelimane), numa 1ª fase, e, mais
tarde, no vale do Zambeze e planalto do Zimbabwe (séc. XIII).
Na prática, esta subordinação era fictícia, pois existia enquanto Portugal não interferisse contra seus
interesses. Os reinos continuavam autónomos porque Portugal não tinha recursos humanos, financeiros
e militares para conseguir dominá-los.
Segundo a tradição “Xiraz” o Sultanato de Angoche tem a sua origem com à fixação de refugiados de
Quiloa já estabelecidos em Quelimane e Ilha de Moçambique. Estes refugiados eram dirigidos por
Mussa Quanto e Hassani (este último morreu durante a viagem foi enterrado em Mafamale, a sudoeste
de Angoche). Mussa Quanto, em visita ao túmulo de Hassani, reconheceu as potencialidades de
Angoche como ponto estratégico do tráfico de escravos e instalou Xosa filho de Hassani como sultão.
A sociedade angocheana era basicamente patrilinear, os filhos de Xosa e sua esposa macua, Mwana
Moapeta, deram origem a quatro linhagens: Inhanandare, Inhamilala, Mbilizini e Inhaitide.
Inicialmente, a linhagem dominante era a do Inhanandare. Durante tês gerações, o sultanato seguiu o
modelo patrilinear através da linhagem de Inhanandare. O panorama mudou com a morte do 4º sultão
sem deixar descendente varão, assumiu o trono a sua irmã Milidi, casada com Inhamilala.
A morte da sultana sem deixar descendentes conduziu à uma guerra civil pelo poder entre os Inhamilala
e Inhanandare, culminando com a expulsão da linhagem Inhanandare. Estes acontecimentos ocorridos
na 2ª metade do séc. XVI, enfraqueceram a estrutura política e o comércio, facilitando a penetração
portuguesa.
Em 1849, Hassan Issufu, da linhagem Inhamilala, usurpou o poder com auxílio dos portugueses e
Mussa Mahomed Sahib foi comandante militar do sultanato. Em 1854, ocorreu o ataque de João
Bonifácio Alves da Silva, rei do Estado Militar da Maganja da Costa, dando-se a fuga de Mussa para
Madagáscar em 1861.
A partir de 1862, Mussa, iniciou a reconquista de Angoche numa luta com carácter de “jihade” que
durou 15 anos. Mussa teve apoio de Madagáscar, Ilhas Mascarenhas e traficantes do norte de
Moçambique. Começou por atacar Sangage, Sancul e Imbamela, aliados dos portugueses em finais de
1864 até 1877, altura da sua morte. Angoche seria ocupado em 1910 pelos portugueses.
[Link]. Decadência
O enfraquecimento político causado pela morte do quarto sultão sem sucessor masculino;
As rivalidades internas e as lutas linhageiras;
O declínio do comércio de escravos;
As campanhas de ocupação efectiva a partir de 1885.
3.9.5. O Xeicado de Sancul 15º grupo
[Link]. Origem
O Xecado de Sancul surgiu no séc. XVI, foi fundado por povos imigrantes da Ilha de Moçambique.
Localizava-se entre Lumbo e Mongicual.
[Link]. Estrutura Social e aparato Ideológico
No Xecado de Sancul, a sucessão do poder era feita por alternância de linhagens para evitar conflitos.
Este fenómeno trouxe uma certa estabilidade até ao séc. XIX. O xeicado tinha uma lealdade à Coroa
portuguesa. Mas apesar desta lealdade, o xeque foi assassinado em 1753 por um comandante português.
Este incidente levou os sucessores do xeque a romperem as relações com a Coroa. No século XIX,
dirigentes de Sancul traficavam escravos, e toda tentativa de impedir este negócio foi infrutífera, pois os
benefícios abrangiam os governantes portugueses.
A partir de 1877, ocorreram mudanças causadas pelo agudizar dos conflitos entre os intervenientes doo
tráfico, tendo culminado com a captura, em 1880 de Makusi Omar capitão-mor de Sancul e traficante.
Em substituição de Makusi Omar, em 1886, a coroa nomeou Molidi Vulai, demonstrando a sua
incapacidade de controlar o poder dos traficantes. A religião dominante era o islamismo.
O Xeicado de Quitangonha
Tal como o Sancul, este Xeicado foi fundado no séc. XVI por imigrantes da Ilha de Moçambique. Uma
aliança com portugueses que perdurou até ao último quarto do séc. XVIII permitiu o florescimento do
comércio de escravos em Quitangonha.
Mas desde 1755, altura em que os dirigentes de Quitangonha começaram a negociar com traficantes, o
Xeicado adquiriu maior autonomia, monopolizando o comércio esclavagista na zona norte entre a Baía
de Nacala e a de Conducia e contrariando os interesses de outros traficantes, incluindo os portugueses.
Mfecane (na língua zulu) também denominado Difaqane ou Lifaqane – é a designação dada ao período
de grande convulsão social (lutas e transformações políticas), seguidas de migrações a partir da segunda
metade do séc. XVIII até princípios do séc. XIX de populações Nguni (vátuas) para o Norte.
Causas do Mfecane
O crescimento comercial na baia de Maputo, que levava a constantes lutas inter-linhageiros pelo
controlo das rotas para o interior;
A necessidade de controlo de mais áreas com recursos e domínio de mais comunidades a fim de
aumentar mais riquezas com cobrança de tributos;
A crise ecológica (facto que provocou anos sucessivos de seca e fome) – acelerou a tensão entre
as linhagens pelo controlo das melhores terras para a agricultura e pastorícia;
O aumento da população, causado pela crescente prática de poligamia, condicionando o aumento
de espaço residencial.
Formação
Por volta de 1770, existiam na Zululândia vinte reinos que disputavam entre si o controlo das rotas
comerciais com a baía de Lourenço Marques, bem como o domínio de terras férteis e pastagens. Entre
1810 e 1821, estes reinos ficaram reduzidos a dois: o de Nduandue (chefiado por Zuide); e o de Mtetua
(chefiado por Dinguisuio).
Conflitos entre estes dois reinos culminaram com a captura e morte de Dinguisuio pelas forças de Zuide.
Tchaka Zulu decide vingar a morte do seu pai adoptivo (Dinguisuio), perseguindo Zuide e seus amigos
até as últimas consequências. Uma parte dos Nduandue derrotados submete-se a Tchaka, e outra foge.
Entre os que fugiram contam-se:
Zwangendaba, Nqaba Msane e Nguane Maseko, que por algum tempo se fixaram no interior de
Moçambique. Assim, por volta de 1890, Estados dominados por descendentes de Maseko e
Zwangendaba incluíam territórios do Niassa e Tete.\;
Sochangane (Manicusse), que fixou-se no sul de Moçambique, onde fundou o Estado de Gaza.
Assim, o Império de Gaza resultou do processo de conquista militar do sul de Moçambique por exércitos
Nguni, chefiados por Sochangane. Este Estado abrangia as regiões situadas entre a Baía de Maputo e o
rio Zambeze. O nome Gaza provém do apelido do pai de Sochangane, cujos domínios localizavam-se no
actual Gazankulo, na África do Sul. Sochangane tendo fundado o império, deu o nome do pai – Gaza. O
Estado de Gaza foi fundado por Sochangane (Manicusse), entre 1821-1858.
Com a sua morte em 1858, sucede-lhe o seu filho Maueue. Uma vez no trono, este hostilizou seus
irmãos, em particular Mzlia, reinos vizinhos e comerciantes. Estes
Por sua vez, dirigidos por Mzila e com apoio de alguns membros da aristocracia Nguni, comerciantes e
do governador de Lourenço Marques (Onofre de Andrade) respectivamente, organizam uma coligação
que vence Maueue (1861 – 1864).
Mzila, empossado como novo rei, aliou-se aos ingleses. Morre em 1884 e a sucessão do trono é
disputada por três dos seus filhos: Mafemane, Mundungawe e Como-Como. Mundungawe sai
vencedor e adopta o nome de Ngungunhane o «invencível».
Tempo Acontecimentos
1821-1858 Sochangane funda o Estado de Gaza
1858-1864 Maueue herda o poder e entra em conflito com os irmãos.
1862 Transferência da capital de Chaimite para Mossurize (Manica).
1864-1884 Mzila torna-se Inkosi do Estado de Gaza.
1884-1895 Ngungunhane, filho de Mzila herda o trono.
1889 A capital é novamente transferida, desta vez, para Manjacaze.
Organização sociopolítica
O Estado ou Império de Gaza era governado pelo rei auxiliado pela rainha-mãe, conselheiros, família
real, governadores provinciais e comandantes militares.
Para controlar o vasto império, o Estado foi dividido em reinos, à frente dos quais estava o Hossana –
responsável pela cobrança dos tributos, distribuição de terras, resolução de litígios, mobilização de
regimentos e nomear os indunas.
Por sua vez, os reinos subdividiam-se em províncias, dirigidas pelos Indunas (governadores). As
províncias subdividiam-se em povoações, lideradas pelos Munumussanas.
A diferenciação social era notável; existia a classe dominante constituído pela alta aristocracia da
linhagem do rei e a média aristocracia: Nguni de menor categoria e assimilados – ex- cativos,
designados tinhloko (cabeça). Os rapazes assimilados eram incorporados no exército Nguni e na
administração do território, enquanto as raparigas eram convertidas em esposas dos Nguni sem
obrigatoriedade de pagar o lobolo.
A classe dominada era constituída pelos tonga, chopi e shona. Estes pagavam à classe dominante a
renda em produtos, trabalho, moedas e garantia a segurança alimentar do exército e dos mensageiros.
Organização económica
Os Nguni praticavam a agricultura (mapira, mexoeira, milho grosso e naximim); caça, a pesca, a
criação de gado e o comércio (exportação de marfim, tecidos, escravos, artigos de ferro e cobre).
Além do pagamento de tributos em géneros agrícolas, as populações dominadas pagavam aos Nguni
tributos em marfim e em dinheiro (libra esterlina), ganho nas minas na África do Sul.
Ideologia
Os Nguni praticavam crenças mágico-religiosas, lideradas pelo rei, pois, o exercício do poder real não
estava dissociado do exercício magico. O mais importante culto era celebrado em Fevereiro (período do
nkanhú), festa tradicional das primícias, era designado por Nkwaya (culto agrário).
Os cultos destinados a «dar força» aos homens que iam a guerra – Mbengululu, e os de invocação da
chuva. O culto Nkwaya servia para aliviar as tensões e sociais e era o garante da unidade e da
prosperidade do estado de Gaza.
Fim do trimestre
Como é que Portugal, não sendo uma potência imperialista, continuou sendo uma potência colonial?
Como explicar o seu papel na conferência de Berlim?
Nos finais do séc. XIX, a economia portuguesa estava em transição do Feudalismo para o Capitalismo.
A indústria, os transportes, a banca, e.t.c; estavam numa fase embrionária e dependia muito de países
como a Inglaterra, França e Alemanha. Assim, a participação de Portugal na conferência, só pode ser
entendida se tomar em consideração que a França, a Inglaterra e a Alemanha esperavam explorar as suas
colónias, conjuntamente com Portugal.
Outra explicação possível é que Portugal – procurando tirar proveito da sua condição de «potência
menor», num jogo de alianças tácticas, e aproveitando, nos conflitos entre as grandes potências, a recusa
destas em aceitar que qualquer outra delas obtivesse uma hegemonia territorial ou estratégica superior à
das outras – tenha surgido como intermediário da exploração capitalista que, fazendo lucrar, lucrava. Ex:
a cedência de importantes áreas de Moçambique ao capital estrangeiro não português, sob forma de
companhias.
A outra razão: foi a condição de potência não imperialista, e, por isso não ameaçadora, que Portugal
conseguiu obter de facto as suas colónias. Na verdade, foram três, as formas que, conjugadas, deram
origem ao fenómeno da exploração imperialista em Moçambique:
Estado colonial português; Capital internacional, expresso nas companhias; e, o Capital mineiro
sul-africano.
A necessidade da ocupação efectiva determinada pela Conferência de Berlim em 1885, levantou uma
nova questão, a da delimitação de fronteiras, o único facto que a partir daí, legitimaria a posse de
territórios em África. Foi entre conflitos, arbitrariedades e tratados que se definiu o traçado das actuais
fronteiras de Moçambique.
No século XVII, portugueses, austríacos e holandeses lutavam pelo controlo da Baía de Lourenço
Marques, que os primeiros asseguravam ter descoberto em 1544. O problema se agravou em 1820,
quando o inglês William Owen, ignorando os direitos históricos de Portugal, assinou vários tratados com
chefes de Delagoa Bay, procurando afastar a influência portuguesa e consolidar a britânica.
Owen, via na Delagoa Bay uma excelente saída para os produtos vindos do Cabo; uma base estratégica
para atacar os bóeres; uma importante reserva de mão-de-obra barata para as plantações britânicas na
África do Sul; e, uma zona que impediria a continuada entrega de armas aos zulu.
Portugal respondeu assinando em 1869 com o Transvaal, o primeiro tratado de delimitação de fronteiras
(até ao paralelo 26º 30’ sul). Estabeleceu-se os montes Libombos como fronteira de Moçambique e
Suazilândia e com a parte oriental do Transval. O reconhecimento desta fronteira apenas foi possível a
24 de Julho de 1875, com a arbitragem do então presidente francês Mac – Mahon, a favor de Portugal.
A 20 de Agosto de 1890 Portugal e Inglaterra assinam um acordo, em que o primeiro cedia além da
delimitação das fronteiras, como as liberdades de comércio, navegação nos rios, lagos e portos. A 14 de
Novembro de 1890 é assinado um Modus Vivendi. E a 11 de Junho de 1891 é, assinado um tratado de
fronteiras entre os dois países, reconhecendo as actuais fronteiras de Moçambique com o Malawi,
Zâmbia, Natal e Zimbabwe. Este acordo foi o mais importante para a definição das fronteiras de
Moçambique.
conflitos militares entre os dois países, quando o segundo hasteou a sua bandeira nas duas margens do
Rovuma e, em 1894 penetrou a sul e expulsou as tropas portuguesas (ocupando Quionga).
Colonização mista – o colonato europeu explora directamente as riquezas, ao mesmo tempo que
certos colonos enquadram os indígenas.
O direito à colonização tem sido defendido por numerosos argumentos, na sua generalização
contestáveis. Motivos ideológicos e morais, baseados na ideia do «indígena» que seria necessário
educar ou fazer evoluir e na convicção da superioridade moral da raça branca, legitimariam muitas
agressões e opressões.
Qual foi a atitude dos africanos perante a irrupção do colonialismo, que traz consigo tao fundamental
mutação na natureza das relações existentes entre eles e europeus nos três últimos séculos?
Na sua esmagadora maioria, a autoridades e dirigentes africanos foram profundamente hostis a essa
mudança e declararam-se decididos a manter o seu status quo e, sobretudo, assegurar a sua soberania e
independência, pelas quais nenhum deles estava disposto a transigir. Manifestaram a sua determinação
em opor-se aos europeus e em defender a sua soberania, a sua religião e o seu modo de vida tradicional.
1. Em primeiro lugar, afirmou-se que a resistência africana era importante, já que provava que os
africanos nunca se haviam resignado à pacificação europeia. Na verdade, todos tipos de
sociedade africana resistiram e a resistência manifestou-se em quase todas as regiões de
penetração europeia.
2. Em segundo lugar, sugeriu-se que longe de desesperada ou ilógica, essa resistência era muitas
vezes movida por ideologias racionais e inovadoras:
a) O princípio da soberania
b) A Religião
Contribuíram para novos agrupamentos em torno de ideias. Trouxeram consigo melhoria da situação de
povos revoltados.
As campanhas militares tiveram início no sul de Moçambique em 1895. O Império de Gaza foi definido
como o primeiro alvo das campanhas de ocupação, visto que constituía uma ameaça ao plano de
ocupação colonial concebido pelos portugueses. Assim, a sua destruição seria uma base forte para a sua
afirmação como potência colonizadora, bem como para o início das guerras de conquista a norte do
território.
Impedir que Ngungunhane ganhasse forças no campo militar, convencendo-o de que não
haveria ataque ao seu território;
Impedir a aliança de Ngungunhane com a Companhia de Moçambique, para a cobrança de
imposto no seu território;
Enes usou como pretexto, a revolta de Marracuene contra o aumento de imposto de palhota, para iniciar
as campanhas de ocupação no sul de Moçambique. Diante desta situação, o chefe de Magaia (Mahazule)
e de Zixaxa (Nuamantibjana) lideram uma rebelião contra os portugueses a 2 de Fevereiro de1895.
Derrotados, estes refugiara-me no território de Ngungunhane.
Os portugueses, tentaram sem sucesso obter de Ngungunhane a extradição dos dois chefes. Diante da
recusa do imperador de entregar os fugitivos, os portugueses decidiram atacar militarmente o Império.
As suas operações desenrolaram-se em três frentes:
Outubro de 1895 – batalha de Bilene e Xai-Xai - os portugueses penetra pelo rio Limpopo,
submetendo Xai-Xai e Bilene;
O exército português foi conduzido por antigo cabo de guerra Macuacua Binguana Mondlane, indicando
caminhos livres de obstáculos. A 7 de Novembro, ao lado de uma lagoa quando iam avançando para
Kraal do rei, o exército português foi surpreendido por todos os lados pelo Mahoungné, Godide e
Mas, viram-se perante uma reviravolta dos portugueses, segundo Pelissier (1994:297) “ a diferença de
alcance das espingardas foi decisiva e podemos afirmar até que se os portugueses não tivessem
combatido de pé, o número de mortos e feridos teria sido insignificante.” Maguiguana (chefe militar de
Gaza) não estava no comando devido a sua ida a Bilene com intuito de recrutar homens para a guerra,
outros 3 tios de Ngungunhane, não o apoiaram e levaram as suas tropas para fora de Gaza. Ngungunhane
não participou na batalha porque estava na floresta onde decorria uma cerimónia mágico-religiosa que
deveria lhe assegurar a vitória.
Ngungunhane, viria a ser deportado depois para Açores (Portugal), juntamente com seu filho Godide,
onde veio perder a vida em 1906.
Apesar da prisão do rei, a resistência continuou, agora liderada por Maguiguana Cossa e Djambul, que
mobilizam a população no sentido de não pagar mais tributo aos portugueses e sobretudo resistir a esta
penetração. Derrotado em Macontente, Maguiguana retira-se em direcção ao Transval, tendo sido morto
a 21 de Julho de 1897.
Outra figura importante na região, foi Nguanaze, de Maputo, que fugindo aos portugueses, passou para o
território Britânico, a sul da Ponta de Ouro, onde veio restabelecer o seu reino.
A derrota do Estado de Gaza frente aos portugueses, deveu-se a vários factores, dois quais se destacam:
As contradições internas movidas pela pouca vontade de combater, e pela concentração de etnias
submetidas pelo Estado de Gaza.
Politicamente, a zona centro apresentava uma fragmentação, dum lado, existiam os Estados militares e
do outro lado os prazos. A grande fragmentação política e a elevada militarização das formações
políticas, herdado do período de captura e tráfico de escravos, exigiam de Portugal a mobilização de
grandes recursos e de apoio externo. A conquista militar desta região foi promovida conjuntamente pelo
Estado colonial e pelas Companhias de Moçambique e Zambézia.
A formação política que mais problema criou aos portugueses foi o Estado de Báruè, que resultou da
desagregação do Estado de Mwenemutapa. A 30 de Julho de 1902, as forças portuguesas, compostas por
três pelotões de soldados portugueses e africanos e por 2 mil soldados de reserva, invadiram Báruè.
Após uma longa resistência, as unidades militares de Báruè, comandadas por oficiais corajosos como
Macombe Hanga, Mafunde, Cambuemba, Candendere, Inhangana e Cavunda, foram derrotadas em
1902. A resistência continuou em 1904, uma nova revolta deu-se contra o trabalho forçado e os abusos
coloniais, mas novamente fracassa.
Em 1917, uma nova aliança pan-étnica irrompe no vale do Zambeze, sob a direcção de Báruè.
A construção de uma estrada em 1914, ligando Tete a Macequece, passando pelas terras dos
bárués;
O recrutamento de mão-de-obra de forma compulsiva sem nenhuma remuneração;
O recrutamento de milhares de moçambicanos para o serviço militar obrigatório para combater
os alemães e servirem de carregadores de material;
A violação das mulheres virgens; a opressão colonial.
Utilizando o factor religioso Báruè, foi dirigido por Nongwe-Nongwe inicia a 27 de Março de 1917 a
revolta, com a tomada de Chemba, Tambara e Chiramba. Em Abril os portugueses foram expulsos de
Cheringoma, Zumbo, Inhaminga, Massangano e Gorongosa. Com ajuda dos angoni, os portugueses
conseguiram pôr fim a resistência dos baruístas em Junho de 19183.
3
Embora existissem focos isolados de resistência até 1920.
Historia 12α Classe Elaborado por Dr. Estêvão Ricardo Inguane
44
Segundo Hedges (1999:1) “após a Conferência de Berlim, foram definidas novas formas de
relacionamento entre as potências europeias e os territórios colonizados, o que em Moçambique se
traduziu na delimitação das fronteiras, na ocupação militarem, administrativa e económica.” Assim, a
implantação do colonialismo português efectivou-se, inicialmente, através da conquista militar, onde o
Estado colonial português ia montando o sistema de administração directa.
A montagem processou-se em diferentes fases nas diversas partes do país. Por exemplo nas zonas com
resistências mais prolongadas, ou acesso difícil, a 1ª etapa deu-se através da ocupação militar quase
permanente (capitanias-mores em Nampula e partes da Zambézia, comando milita em Gaza), noutros
locais como Maputo em 1896, Portugal fez directamente à divisão do território em circunscrições civis
que de modo geral, deram origem aos actuais distritos. Na óptica de Hedges (Ibd:2) “nestas divisões,
foram instalados os administradores e chefes de postos, bem como régulos africanos, escolhidos pelo
regime colonial, em substituição dos antigos chefes.” E de acordo com Serra (2000:206), nomeado
Comissário-régio de Moçambique em 1895, António Enes deu origem a escola do Estado colonial, pelo
qual o Estado colonial se regeu e criou no mesmo ano, a circunscrição do indígena.
Enquanto os indígenas eram divididos em circunscrições e estas, por sua vez, em regedorias, unidades
administrativas especiais nasceram para agrupar os colonos: os concelhos divididos por freguesias. Em
1907, Aires de Orenelas (discípulo de Enes), então Ministro da Marinha e responsável das Colónias
ordena a publicação da Reforma Administrativa de Moçambique, com a qual entre outras coisas, se
criou a Secretaria dos Negócios Indígenas. Especializada na inventariação, catalogação, e distribuição
de mão-de-obra para dentro e fora de Moçambique.
De salientar que o objectivo central do colono na era imperialista, era aproveitar a força de trabalho local
de maneira mais directa e permanente do que no período anterior. Os mecanismos de aproveitamento
desta força, incluía o trabalho forçado nas plantações e da comercialização dos produtos para o
campesinato.
Em 1894, um decreto substituía a pena de prisão dos indígenas nascidos no Ultramar (Angola e
Moçambique) pela de trabalho correccional de 15 dias a um ano. O trabalho correccional,
sucessivamente reinstituído nos códigos de trabalho rural de 1890/92, 1899, 1911, 1914 e 1926,
tornou-se numa punição específica dos indígenas.
A transformação de Moçambique numa colónia de produção foi acompanhada por dois pressupostos
mutuamente condicionados:
As colónias deviam produzir matérias-primas e, por consequência deviam fornecer os produtores
dessas matérias-primas.
Os produtores dessas matérias-primas pertenciam a raças inferiores e, como tal, deviam trabalhar
para as raças superiores.
4.4.2. A Economia Colonial
Características Gerais
Uma das características principais do colonialismo português foi o seu carácter dependente, pois toda a
sua actuação estava subordinada ao capital estrangeiro não português. A economia moçambicana era
essencialmente de serviços, uma reserva de força de trabalho e um campo aberto ao investimento
estrangeiro. Por isso, Portugal teve de ceder 2/3 do território moçambicano ao capital estrangeiro sob
forma de Companhias e transformou o Sul de Moçambique num reservatório de mão-de-obra para as
minas e plantações sul-africanas.
Outras características são a violência da ordem colonial e a corrupção que se desenvolvia nas relações
económicas e sociais. Pelo Decreto de 30 de Julho de 1890, o rei português declara que: “o sistema de
organizar em companhias é o único que presentemente pode ser aplicado com vantagens nos domínios
ultramarinos”.
4
Indígenas todos aqueles que, nascidos no Ultramar, de pai e mãe indígenas, não se distinguissem pela sua instrução e
costumes comum da sua raça.
Historia 12α Classe Elaborado por Dr. Estêvão Ricardo Inguane
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Assim, foram criadas Companhias Majestáticas, com direitos soberanos: de administrar, lançar, colectar
e cobrar impostos, de passar licenças comerciais, possuir forças militares e policiais. No fundo, as razões
que levaram à criação das Companhias foram:
A falta de autonomia financeira de Portugal, semi-colónia inglesa, que lhe permitisse promover a
ocupação efectiva dos seus territórios; e a valorização das economias coloniais.
A produção para o mercado, o imposto de palhota e a venda da força de trabalho para fora e dentro do
país, constituíram a base da exploração capitalista no período entre 1886-1930.
A Companhia do Niassa obteve a sua carta em Setembro de 1891, por 25 anos (que mas tarde foram
estendidos por mais 35 anos). A Companhia só seria formada em Março de 1893 e em Setembro de
1894 tomou posse formalmente dos territórios que compreendiam as actuais províncias do Niassa e
Cabo Delegado e de algumas ilhas situadas próximo da costa. Era um território que se estendia do
Rovuma ao Lúrio, com uma superfície aproximada de 160 mil km².
A Companhia devia pagar ao governo português 7,5% do lucro líquido total ou 10% quando o dividendo
pago em acções subisse para 10% ou mais. Ela utilizou como formas de exploração económica:
Cobrança do imposto de palhota; utilização do trabalho forçado;
Vagos projectos de desenvolvimento do Niassa (nome que designava na época as actuais províncias de
Cabo Delegado e Niassa). A direcção financeira da Companhia do Niassa passou de Lisboa para
Londres. Na realidade, o objectivo principal era o desenvolvimento da região, mas a sua influência não
se espalhou mais do que a alguns pontos isolados da costa. O acontecimento mais importante deste
período foi a introdução do imposto de palhota em 1898.
É marcado pelo: abandono dos projectos de ocupação e desenvolvimento do território; início em 1905 da
exportação de mão-de-obra para a África do Sul; e em 1913 interrupção do trabalho, migratório para
África do Sul.
Entre 1897 – 1908 a Companhia foi administrada sucessivamente por três grupos financeiros: Ibo
Syndicate- 1897; Ibo Investiment Trust- 1899 e Niassa Conslidated- 1908, isto, fez com que em 1909, a
Companhia abandonasse o objectivo do desenvolvimento económico e passasse a ser, fornecedora de
força de trabalho migrante, para as minas de cobre do Catanga (Congo), para a construção do porto der
Mombaça e para algumas Companhias da Baixa Zambézia (Companhia do Borror).
A Companhia muda de mãos em 1913 – 1914, passando para um consórcio bancário alemão que obteve
a maioria das acções do Niassa Consolidated. Porém, o governo britânico confiscou-as em 1917,
vendendo-as posteriormente a um grupo inglês.
Após ter conseguido dinheiro, a Companhia organiza uma expedição contra os Macondes, entre 1919 –
1920, último foco de resistência no norte de Moçambique. Durante este período, a Companhia virou-se
para o aumento do nível do imposto de palhota como forma de aumentar os seus rendimentos,
expandindo e intensificando os abusos que sempre cometera.
Oleaginosas – para a França e Holanda; a urzela, a cera, o pau-preto, a borracha e o café – para
Zanzibar; a goma, copal, o milho, o arroz, a mexoeira, o gergelim, o feijão, a mandioca, e.t.c; que em
pequenas quantidades exportava para outros territórios de Moçambique.
Historia 12α Classe Elaborado por Dr. Estêvão Ricardo Inguane
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4.4.3. Decadência
A Companhia do Niassa a não conseguir rentabilizar o seu investimento e entrou em declínio, pelas
seguintes razões:
As suas terras eram menos promissoras do que as da Companhia de Moçambique;
O declínio dos prazos na 2ª metade do séc. XVIII possibilitou, nos primórdios do séc. XIX, o
aparecimento de Estados cujas dinastias reinantes, profundamente envolvidas no comércio de escravos,
questionaram a soberania portuguesa. Pressionado pelas grandes potências imperialistas, Portugal
procedeu à "ocupação efectiva " da Zambézia e destruiu aqueles Estados, enquanto em 1890 fazia
promulgar legislação que, repondo muitas das características dos antigos Prazos da Coroa, atraiu o
capital internacional e fomentou o desenvolvimento do sistema de plantações destinadas às indústrias
europeias.
Perante este quadro, a comissão concluiu que Moçambique não reunia condições para ser uma colónia
de povoamento ou colónia comercial, mas sim, para colónia de plantação. Assim, sugeriu que se
mantivesse o sistema de prazos para se incrementar o sistema de plantações e que parte do mussoco
fosse cobrada em trabalho.
Com base nesse relatório, a 18 de Novembro de 1890 publicava-se um decreto do futuro Comissário-
régio de Moçambique António Enes, que num dos artigos dizia o seguinte: “o arrendatário fica
obrigado a cobrar dos colonos, em trabalho rural, pelo menos metade da capitação de 800 réis,
pagando esse trabalho aos adultos na razão de 400 réis por semana e aos menores na de 200 réis.”
N.B: Enes abria as portas da Zambézia ao capital estrangeiro através da modernização da antiga renda
em género que era o mussoco.
Fundada em 1892 (nasceu da fusão da Sociedade dos Fundadores da Companhia Geral da Zambézia,
criada em 1880, a Central África and Zoutpambberg Exploration Company), a companhia da Zambézia
não possuía direitos majestáticos, pois era uma Companhia arrendatária.
A maior parte das acções foram compradas por sul-africanos, ingleses, alemães, franceses e pelos
príncipes de Mónaco, encontrando-se as duas sedes principais em Lisboa e Paris. Exercendo as suas
actividades numa área de cerca de 110 000 Km², cobria as terras agrícolas mais férteis de Moçambique.
4.5.2. O Mussoco
Foi um dos mecanismos de que o colonial-capitalismo se serviu para produzir periodicamente a mão-de-
obra necessária. O mussoco, não era um simples mecanismo fiscal imposto aos trabalhadores, que estes
pudessem remir com o produto da venda de mandioca, peixe ou de coco: era também, obrigatoriedade
de trabalho nas plantações (onde os trabalhadores estavam organizados em grupos chamados ensacas, à
frente dos quais estava um chefe, o sacunda).
a) Emigração maciça de produtores para áreas de Companhias menos exigentes, para territórios sob
controlo do Estado ou para o exterior: As causas da emigração eram basicamente as seguintes:
4.6.1. Origem
Em 1891, Paiva de Andrade propôs ao governo português a organização de uma sociedade com
privilégios políticos e económicos a semelhança da BSAC5, a iniciativa foi acolhida e restaurou-se a
Companhia de Moçambique. Dai, foi aprovado o decreto de 11 de Fevereiro que atribui poderes
Majestáticos à Companhia que ocupava uma área de 130 km², entre o Save e o Zambeze (actuais
províncias de Sofala e Manica). A mesma tomou posse através dos seus representantes em África em
Maio de 1892. O decreto de 17 de Maio fixou o prazo da sua validade jurídica até o ano de 1942.
Receber 10% dos dividendos distribuídos e 7.5% dos lucros, bem como a garantia de
recuperação do território uma vez expirado o prazo. A Companhia obrigava-se a manter-se
portuguesa no estatuto e instalar a sua sede em Lisboa e o governador do território e a maioria da
administração tinha que ser portuguesa.
5
British South Africa Campany
Historia 12α Classe Elaborado por Dr. Estêvão Ricardo Inguane
51
Com a penetração crescente do capitalismo, o mussoco (renda em género) passou a ser cobrado em
trabalho e depois em dinheiro, o que exprime uma profunda mudança nas relações sociais de produção.
O Imposto de palhota foi introduzido ao abrigo do decreto de 9 de Julho de 1892, de acordo com este
regulamento, os proprietários de palhotas ou cubatas situadas no interior do território ficavam obrigados
ao pagamento do imposto anual de 900 réis por palhota ou cubata, utilizada como habitação.
A política concessionária baseava-se no direito de posse sobre a terra para exploração agrícola, mineira,
construção, e.t.c; atraindo capitais estrangeiros.
As concessões mais importantes foram feitas à The Beira Railway, sociedade formada com capitais
ingleses (BSAC), que construiu o caminho-de-ferro Beira-Macequece (concluído a 10 de Julho de 1900)
e à The Port Beira Devolopemnt Corporation que em 1929 concluiu a construção do porto da Beira.
Estes empreendimentos, permitiram a companhia:
Beneficiar das receitas derivadas dos direitos alfandegário sobre a importação e exportação e o
transito de mercadorias de e para a Rodésia;
A Economia de plantação com culturas viradas para o mercado externo como: a sacarina, o
coqueiro, o algodão e a borracha.
Os produtos que mais se destacaram na agricultura familiar eram além do algodão, a borracha, o milho,
as oleaginosas, o arroz, a mandioca, a mapira, a Mexoeira e o feijão, cujos excedentes eram
comercializados para complementar a dieta alimentar dos trabalhadores do sector capitalista.
A cultura do algodão ocupava o primeiro lugar entre os produtos destinados à exportação. A companhia
distribuía gratuitamente as sementes, detinha o monopólio da comercialização, fixava os preços e
garantia a supervisão geral. Sendo uma cultura quase inteiramente sob controlo da companhia, os
camponeses tinham de vender o produto a preços fixados pela mesma.
O milho representava na economia do território a cultura mais importante pelo seu papel na alimentação
da população em geral e particularmente na alimentação dos trabalhadores. A mesma importância tinha
a mandioca, dada a sua abundância e facilidade de produção.
Pelo artigo 10º da Carta Orgânica da Constituição da Companhia obrigava-a perante o governo
português, a instalar no seu território, nos primeiros 5 anos de actividades, mil famílias de colonos
portugueses ou seus descendentes. Neste sentido, a companhia obrigava-se a providenciar os seguintes
adiantamentos aos colonos: habitação; terrenos de culturas; alfaias; fertilizantes e outros insumos.
Os primeiros anos, foram desastrosos para os colonos, mortes, desaparecimentos, fugas para territórios
vizinhos por motivos de impossibilidade de pagar a dívida e troca de agricultura pela actividade
comercial. A causa do fracasso da colonização teria residido na falta de capital e de preparação técnica
e pouca experiência prática de agricultura, numa altura em que o conhecimento das condições agrícolas
da região era diminuto. Tal situação, fazia com que os colonos dependessem inteiramente do apoio da
companhia no investimento em infra-estruturas, assistência técnica e fornecimento de mão-de-obra.
A partir de 1910, com a subida ao governo do território de João Pery de Land, a Companhia começou a
ganhar confiança na agricultura dos colonos pela importância que a sua produção podia ter no
abastecimento do mercado interno, sobretudo da comunidade colonial cada vez mais crescente. Assim, a
companhia intensificou a política de atracção de mais colonos, oferecendo-lhes consideráveis vantagens:
Entre 1892 a 1942, a história da agricultura dos colonos foi marcada por uma violenta luta de classes
entre a classe dos agricultores colonos apoiados pela Companhia e o campesinato africano. Tal facto
deveu-se a necessidade dos colonos em transformar o campesinato africano numa força de trabalho
barato e de impedir a concorrência da agricultura comercial camponesa no mercado pelo facto de
constituir uma séria ameaça a sobrevivência da produção colona, particularmente o milho.
Assim, em 1936, foi estabelecida a Comissão Directora do Comércio do Milho (CDCM), definida
como organismo de coordenação agrícola para assistência directa aos agricultores, com função de
organizar e controlar a produção, distribuição e comercialização do milho.
O crescimento da economia colonial com o desenvolvimento das plantações e farms, exploração mineira
e com o aumento da actividade no caminho-de-ferro e porto da Beira, exigia a definição da política
laboral mais adaptada as crescentes actividades.
Assim, em 1907, entrou em vigor o regulamento geral do trabalho dos indígenas no território da
companhia de Moçambique:
Impunha-se pela lei a obrigatoriedade de prestação do trabalho assalariado por todos indivíduos em
idade activa. Nos termos desta lei o camponês era colocado perante um dilema: vender coercivamente a
sua força de trabalho ou dedicar-se à culturas viradas ao mercado externo, em ambos os casos, em
detrimento da economia familiar de subsistência.
A Companhia determinou que cada trabalhador deveria ser portador de um certificado (Caderneta
Individual de Identificação Indígena) estabelecido entre 1926/7, declarando o tempo de serviço
prestado, as respectivas datas de início e término do contrato, tendo em vista impedir de modo mais
prático a mobilidade e o emprego livre dos trabalhadores antes e depois dos contratos.
Todos os indivíduos de sexo masculino com idade igual ou superior a 14 anos, foram obrigados a ter a
sua caderneta onde se registavam os contratos de trabalho cumpridos e a sua situação criminal.
Era considerado neste âmbito, crime a chamada «emigração clandestina» e seria punida por penas que
iam até 20 meses de trabalho forçado sem remuneração, mas devia pagar o imposto de palhota. Um
policiamento rigoroso devia impedir a fuga dos trabalhadores para fora do território.
ao sul da baía do mesmo nome, que dominava a zona entre os montes Libombos e a costa, incluindo a
chefatura de Tembe.
Embora esses Estados não estivessem sob controlo do poder colonial, estavam ligados ao comércio
europeu e asiático através de pequenos estabelecimentos portugueses em Inhambane e L. Marques. Para
se analisar este papel do comércio inserido numa perspectiva de penetração global capitalista na África
Austral, impõe-se uma periodização da história de L. Marques antes de 1885:
O crescimento da caça ao elefante e das exportações do marfim; extinção completa dos elefantes;
Estabelecimento no Sul Moçambique de uma rede de comércio asiático com produtores e
compradores africanos;
Início da exportação de mão-de-obra para a colónia britânica do Natal, de produtos agrícolas
capitalistas (algodão e açúcar) e a construção do porto de Durban;
A grande seca e a fome de 1860/61 e, o início da monitorização da economia do Sul.
Entretanto, duas razões concorreram para o estabelecimento de laços económicas entre o sul de
Moçambique, as colónias britânicas e as Repúblicas bóeres independentes e, consequente
desenvolvimento capitalista colonial, a saber:
A abertura das minas de Kimberley que concorreu para s migração da força de trabalho do sul de
Moçambique;
Expansão da rede comercial no interior, largamente controlada pelos asiáticos e que absorvia os
salários dos mineiros.
O trabalho migratório para África do Sul explica-se pela convergência de diversos factores internos e
externos. A necessidade de mão-de-obra abundante e barata, pago em dinheiro nas plantações do Natal,
nos caminhos-de-ferro e portos de Durban e nas minas de diamante em Kimberley, coincidem com uma
crise generalizada que impunha a procura de alternativas de sobrevivência no sul de Moçambique.
A guerra civil no império de Gaza (opunha as facções lideradas por Muzila e Mawewe);
A crise alimentar (provocada pela seca que afectou toda a África Austral nos anos de 1862);
Recorde-se que, o gado bovino era par os tsongas o principal símbolo do poder económico e principal
fonte de compensação matrimonial (lobolo). A alternativa temporária que os tsongas encontraram para
suster a crise do gado, a partir de 1840, foi aumentar a importação de enxadas para a compensação
matrimonial.
1867 – Os governos do Natal e de Portugal estabeleceram um acordo que permitia a saída voluntária de
trabalhadores migrantes para Natal.
1897 – (18 de Novembro) Promulgado por Mouzinho de Albuquerque um acordo que visava o
engajamento ou controlo de indígenas para a África do Sul, já que Portugal era estava de reprimir a
emigração clandestina e a incapacidade do seu capital para explorar a mão-de-obra local. Assim, a
exportação de mão-de-obra legalizada, iria garantir a entrada de divisas para a solução de alguns
problemas como dos portos, caminho-de-ferro e comércio português no sul. O recrutamento poderia ser
feito em qualquer dos distritos de Moçambique.
Modus Vivendi: 1901 – o principal objectivo do acordo era dar sequência aos acordos de recrutamento
celebrados em 1897. Os contratos de trabalho tinham a duração máxima de 1 ano com um período de
repouso de 6 meses.
Aditamento de 1904 – ficou definido que os produtos da indústria de uma das colónias estariam livres
de direitos alfandegários na outra colónia quando as partes constituintes de tais produtos fossem
originárias da colónia exportadora. Facto que abalou as poucas indústrias existentes em Moçambique.
Mantinha em vigor todos os pontos acordados anteriormente, no que diz respeito ao porto de
Lourenço Marques;
O período do contrato era de 12 meses, extensivos por mais 6 meses, era proibido voltar a
empregar os trabalhadores antes de estes terem passado pelos 6 meses em Moçambique;
Estabelecia um sistema de pagamento diferido obrigatório, nos termos de que uma parte dos
salários era entregue à curadoria e pago aos trabalhadores depois do seu regresso à Moçambique;
Estipulava que o número de moçambicanos nas minas fosse reduzido para 80 mil até 1933.
O crescimento urbano exigiu, por outro lado, mais trabalho assalariado para garantir a manutenção das
diversas actividades surgidas e como resposta às exigências criadas pela fixação dos primeiros grupos de
colonos portugueses, como obras públicas, turismo, remoção de lixo, trabalho doméstico, e.t.c; o que
deu origem ao aparecimento de camadas semi-proletarizadas urbanas. Serra (Ibid:412)
Desenvolveu-se uma camada proletária urbana, com um nível de instabilidade bastante acentuado; eram
trabalhadores não qualificados; concentravam-se na sua maioria numa base étnica e regional; tinham
salários médios.
Na visão de Serra (Ibid:417), “o governo colonial tentou sempre impedir o pagamento de salários
elevados.” Mas, de qualquer forma, o nível salarial nos caminhos-de-ferro e algumas empresas privadas,
atraiu muitos trabalhadores. No entanto, as injustiças salariais quer para os trabalhadores voluntários
(contactados), quer para s contratados, eram visíveis, o que levouz os trabalhadores ferro-portuários a
protestarem e a organizarem greves.
A medida que o porto e caminhos-de-ferro de Lourenço Marques iam sendo controlados pelo Estado
colonial, o surto de greves foi se agudizando envolvendo mais grupos e sectores de trabalho. O exemplo
disso, segundo Pereira (2010: 115), “foram as manifestações reivindicativas ocorridas nas cidades de
Lourenço Marques em 1905 (trabalhadores voluntários da empresa Llingham Timber) e 1906
(trabalhadores da Delagoa Bay).” As principais reivindicações do proletariado assentavam-se nos
aumentos ou reajustamentos salariais.
Em Maio de 1915, Portugal entra na I Guerra Mundial ao lado dos aliados contra a Alemanha, e como
resultado, o escudo português desvaloriza-se em relação a libra inglesa e as consequências foram:
Queda dos salários dos trabalhadores rurais e urbanos; aumento do mussoco e imposto de
palhota;
Com o fim do conflito, a situação não melhorou, a crise manteve-se e veio a tomar maiores dimensões,
agravando ainda mais a situação do proletariado urbano. Alguns, optam pela migração para os territórios
vizinhos onde o trabalho era mais bem remunerado, outros optam por desertar do trabalho pouco pago
(provocando a falta de mão-de-obra). O cenário, vai conduzir a eclosão de novas greves do proletariado
urbano.
A falta de unidade (dentro do sector ferro-portuário havia divisão entre contratados e não
contratados, entre estivadores e trabalhadores do cais e entre portuários e ferroviários);
A acção do Estado colonial, quer cooperando com empresas privadas, de forma a garantir mão-
de-obra barata não qualificada, quer utilizando a força militar e policial para reprimir, controlar e
impedir a organização dos trabalhadores.
Moçambique, como parte do Império Colonial, viu serem introduzidas políticas proteccionistas como
forma de impedir que qualquer país viesse instalar uma indústria. Nenhum país poderia importar algo de
Moçambique sem o aval das autoridades de Portugal. A única moeda que deveria circular em
Moçambique até essa altura, deveria ser apenas a portuguesa (o escudo).
O Acto Colonial7 definiu o dever de Portugal de civilizar e de defender as suas colónias e o direito da
sua posse e exploração exclusiva, limitando a intervenção económica de países estrangeiros. Como
consequência, reforçou-se a tutela metropolitana sobre as colónias, tendo-se abandonado a política de
descentralização administrativa e de abertura ao capital estrangeiro.
7
Acto Colonial – conjunto de leis referentes a administração das colónias e constantes da Constituição de 1933, publicadas
pelo decreto nº 18578, em 18 de Junho de 1930.
Características do colonial-fascismo
O Estado colonial passa a dirigir toda a política laboral, particularmente através da Direcção dos
Serviços e Negócios Indígenas;
O Estado cria a zona de escudo (1932), impondo um sistema de licenças de exportação e
importação;
Incrementa o sistema de agricultura forçado de algodão e do arroz. Em 1938, cria a Junta de
Exportação do Algodão Colonial (JEAC);
Incrementa a cultura do chá, sobretudo na Zambézia;
Introduz os planos de fomento;
Limita o poder das companhias majestáticas. Em 1942, com a cessação dos poderes da
companhia de Moçambique, Portugal passa a controlar efectivamente Moçambique.
O governo de Salazar usou os meios de propagação como: a radio, televisão, e outros para criar uma
imagem de falsidade acerca da realidade que se passava, na colónia. Havia terminologias utilizadas pelas
autoridades coloniais respeitantes aos grupos raciais existentes em Moçambique.
As palavras: branco, asiático, goês-caneco, paquistanês, indiano-monhé e indígena são termos que não
exprimem unicamente o grupo racial a que pertencem, mas também o seu lugar na escala social colonial
portuguesa. O africano é conhecido no sentido pejorativo ou inferioridade racial, por: cafre, negro,
indígena, pé-descalço ou português de cor. O termo africano ou moçambicano raramente é usado.
A população moçambicana vivia em aldeamentos rurais. Somente 4/5% viviam nos arredores das
cidades, sendo estes locais conhecidos por bairros de caniço. Na sua vida diária, o moçambicano esteve
sujeito às seguintes normas:
A colonização mental
O sistema colonial tinha como preocupação principal utilizar a ciência e a cultura como força visando
negar a personalidade nacional e acentuar a dependência em relação ao estrangeiro. Assim, o
objectivo do ensino era despersonalizar o moçambicano, desligá-lo do seu país e da sua origem,
levando-o assim, a negar, a desprezar, a envergonhar-se do seu povo e da sua classe, a perder a
iniciativa criadora e só reconhecer como válidos os valores do colonizador.
Através da educação, o colonialismo pretendia separa os africanos dos seus povos e incentivar os valores
e mentalidade ocidental. O africano escolarizado tendia a desprezar a sua cultura, os valores da sua
comunidade, desenvolver o sentido de que a cultura africana era inferior à europeia.
O ensino rudimentar, segundo a lei nᵒ 238 de 15 de Maio de 1930, e a Concordata de 1940, tinha como
finalidade tirar gradualmente o indígena de uma vida de selvagem para uma vida civilizada. Este
ensino era de inteira responsabilidade das missões católicas.
Os primeiros anos deste ensino são chamados de adaptação, equivalente ao jardim-de-infância e aos
dois primeiros graus: 1ª classe (1º grau) e 2ª classe (2º grau) tinham como finalidade iniciar as crianças
africanas na língua portuguesa e nos rudimentos de leitura, escrita e aritmética, trazendo-as ao nível
da criança portuguesa no início da escola primária.
Principais disciplinas
a) Língua portuguesa;
b) Aritmética e sistema métrico;
c) Geografia e História de Portugal;
d) Desenho e trabalhos manuais;
e) Educação física e higiene;
f) Educação moral e Canto coral.
A idade limite para admissão à escola secundária era de 14 anos de idade e era raro que uma criança
africana tivesse iniciado os estudos a tempo de ter acabado os 1ºs anos, os 3 anos da escola rudimentar e
os 5 da primária. O grande valor atribuído a igreja no ensino é a influência sociocultural por ela
exercida sobre o grupo de africanos cristianizados. Tornar-se cristão não significava apenas ser membro
da igreja católica, mas sim aceitar um certo número de princípios da sociedade euro-portuguesa.
Algumas actividades mais importantes das missões eram a fundação de escolas para crianças africanas
e europeias, tendo criado escolas elementares, secundárias e profissionais. Portanto, a
responsabilidade de educar o povo africano foi entregue à igreja católica.
A educação elementar que a igreja dava aos africanos era de conteúdos elementares e religiosos, com
grande parte do horário preenchido por aprendizagem da religião; além disso, o nível de matérias
ensinadas tais como: português, leitura e aritmética era muito baixo. A história e geografia eram
somente de Portugal.
O objectivo principal deste ensino era um desvio geográfico da presença dos nossos pensamentos. Ou
seja, pretendiam transferir a nossa atenção para as belezas de Portugal e da Europa.
Os colonos eram providos de ajuda económica e técnica. Os africanos eram obrigados a enfrentar
dificuldades não só da falta de ajuda, mas também do facto de terem sido transferidos para locais
Os colonos ficavam instalados em sítios mais férteis e com melhores condições agrícolas e outras
vantagens. Estes passaram a utilizar os africanos como mão-de-obra.
Principais colonatos
Os Planos de Fomento
Em 1937 foi publicado um plano de fomento sexenal, que seria financiado pelos excedentes
governamentais acumulados e pelas receitas dos portos e caminho-de-ferro.
Porém, a partir da década 50, o governo deu um novo impulso à exploração dos recursos de
Moçambique. Iniciaram deste modo, os planos de fomento.
O plano não previa a atribuição de quaisquer verbas nem para a investigação científica, nem para a
saúde pública e ensino. A principal obra do plano foi caminho-de-ferro Lourenço Marques –
Malvérnia (300km), concluído em 1956.
O 2º Plano de Fomento surgiu na continuidade do anterior. Tinha seus investimentos dirigidos para os
seguintes sectores:
Comunicações e transporte;
Eram um plano que visava essencialmente de fomento da produção e de povoamento e continuava a não
contemplar a indústria. Apenas uma pequena verba foi destinada a instrução, a saúde e abastecimento de
água.
N.B: Estes três movimentos não tinham um programa elaborado que tivesse à luta contra o regime
colonial, por um lado, e por outro, nem conhecimento sobre a política colonial.
Entre 15 a 18 de Novembro de 1957, teve lugar, na casa de Marcelino dos Santos, em Paris, a «reunião
de consulta e estudo para o desenvolvimento da luta contra o colonialismo português», com Amílcar
Cabral, Guilherme Espírito, e outros.
Com apoio de Julius Nyerere e dos estudantes no exterior, como Joaquim Chissano, Mariano Matsinhe,
Marcelino dos Santos, discutiram a plataforma da unidade acional, concretizada a 25 de Junho de 1962
com a fusão dos três movimentos, resultando na criação da Frente de Libertação de Moçambique
(FRELIMO).
A 1ª direção eleita da FRELIMO era constituída por: Eduardo Mondlane – presidente; Uria Timóteo
Simango – vice-presidente; David José Mabunda – secretário-geral; João Munguambe – secretário de
defesa; Filipe Samuel Magaia – vice-secretário da defesa; Baltazar da Costa Changonga – secretário de
saúde. A 25 de Setembro de 1964, iniciou-se a luta armada de libertação, em Chai, na província de Cabo
Delegado.
A partir da Segunda Guerra Mundial, o governo salazarista sofreu grandes pressões internacionais para
descolonizar as suas possessões. Portugal responde filiando-se tacticamente na NATO (1949),
transformando as colónias em províncias ultramarinas (1951) e filiando-se na ONU (1955), após
comprometer-se a acabar com o trabalho forçado; intensifica a criação de infra-estruturas nas colónias.
(planos de fomento); instala a PIDE em Moçambique (1957) e transforma os indígenas em cidadãos,
abolindo formalmente as culturas forçadas do arroz e do algodão (1961).
Nos antigos sectores de produção, viradas basicamente para exportação, assiste-se à mecanização
(ex: na produção do açúcar) e à viragem da produção camponesa africana para a produção pelos
colonos (caso do algodão);
Adopta-se uma política de portas abertas, convidando o capital estrangeiro a investir nos
territórios coloniais.
Em 1969, foi aprovada a construção da barragem de Cahora Bassa, com a partição do capital sul-
africano e rodesiano.
A política de portas abertas não foi só uma necessidade política para assegurar o apoio daqueles contra
os MLN. Foi também uma necessidade económica perante a incapacidade do capital português de
modernizar por si só a base produtiva. Com a construção da HCB, Portugal pretendia que fosse:
Uma área de fixação de colonos, que constituiriam uma barreira ao avanço da luta de libertação
nacional
Em 1970, os portugueses prepararam a ofensiva Nó Górdio, dirigida por Kaúza de Arriaga, com o
objectivo de acabar com a FRELIMO. A derrota ou descalabro desta operação acelerou a crise do
capitalismo em Moçambique: cessaram os grandes investimentos imperialistas activos desde 1961, a
burguesia colona intensificou a fuga de divisas, principiou a sabotagem económica e cresceu o êxodo
dos colonos.
Por outro lado, a derrota de Arriaga e a abertura da frente de Manica e Sofala, levou ao desespero e
descontentamento dos soldados e do povo português, cansado de perder seus filhos e de sustentar uma
guerra injusta em Moçambique, Angola Guiné-Bissau e Cabo Verde. Foi assim, que a 25 de Abril de
1974 ocorreu o golpe de estado em Portugal contra o governo fascista – revolução dos Cravos.
Em Maio de 1975, Samora M. Machel inicia em Nangade a viagem triunfal norte, em Junho, no Tofo,
o Comité Central da FRELIMO reuniu-se e definiu a natureza e os objectivos do novo estado que ia
Bibliografia:
[Link]
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