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História do Direito Internacional Económico

O documento aborda a história e o conceito do Direito Internacional Económico, destacando sua evolução desde a antiguidade até a era contemporânea, incluindo o impacto das Guerras Mundiais e a criação do sistema de Bretton Woods. Ele analisa a necessidade de regulamentação das relações econômicas internacionais e a transição de um liberalismo extremo para um neoliberalismo que busca equilibrar a liberdade de comércio com a justiça distributiva. O trabalho é uma pesquisa acadêmica elaborada por alunos da Universidade Rovuma como parte de sua avaliação na disciplina de Direito Internacional Económico.
Direitos autorais
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História do Direito Internacional Económico

O documento aborda a história e o conceito do Direito Internacional Económico, destacando sua evolução desde a antiguidade até a era contemporânea, incluindo o impacto das Guerras Mundiais e a criação do sistema de Bretton Woods. Ele analisa a necessidade de regulamentação das relações econômicas internacionais e a transição de um liberalismo extremo para um neoliberalismo que busca equilibrar a liberdade de comércio com a justiça distributiva. O trabalho é uma pesquisa acadêmica elaborada por alunos da Universidade Rovuma como parte de sua avaliação na disciplina de Direito Internacional Económico.
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Abdulremane Inusso

Amiel Rivaldo Arlindo Artur


Fernando Sobrinho
José Balate
Isaías Leandro Inchiche
Juvenal Talhada
Omar Mussa
Suzana Agostinho Loia

História e Conceito do Direito Internacional Económico

Universidade Rovuma
Nampula
Abril, 2024
Abdulremane Inusso
Amiel Rivaldo Arlindo Artur
Fernando Sobrinho
Jose Balate
Isaías Leandro Inchiche

Juvenal Talhada

Omar Mussa

Suzana Agostinho Loia

História e Conceito do Direito Internacional Económico


(Licenciatura em Direito)

Trabalho para efeitos avaliativos a ser entregue


na Faculdade de Direito, cadeira de Direito
Internacional Economico, no curso de
licenciatura em Direito, 4o e 5 o Ano , 1o semestre,
I grupo.

Docente: Brange Domingos Francisco

Universidade Rovuma
Nampula
Abril, 2024
Índice
História e Conceito do Direito Internacional Económico .......................................................... 1

História e Conceito do Direito Internacional Económico .......................................................... 2

Introdução .................................................................................................................................. 3

1. História e Conceito do Direito Internacional Económico ...................................................... 4

1. 1. Histórico do Direito Internacional Económico .................................................................. 4

1. 2. A Guerras Mundiais ........................................................................................................... 6

1. 3. Bretton Woods E O Nascimento Do Sistema De Direito Internacional Económico Atual


.................................................................................................................................................... 7

1. 4. Acordo Geral Sobre Tarifas E Comércio De 1947 - Gatt (General Agreement On Tariffs
And Trade) ............................................................................................................................... 10

1. 5. Noção Do Direito Internacional Económico.................................................................... 13

Conclusão................................................................................................................................. 15

Referências Bibliográficas ....................................................................................................... 16


Introdução
Desde os primórdios da humanidade, são muitas as situações que invocam a
necessidade de coordenação entre entes soberanos, entre elas, por exemplo, conflitos
económicos envolvendo diversos Estados ou oposições presentes nos limites de cada um
desses. Nesse contexto, surge o Direito Internacional Económico, tendo como objecto as
relações económicas internacionais.

Entretanto, tal ramo do Direito Internacional Público encontra dificuldades de actuação


frente ao mundo globalizado e ao sistema neoliberal/capitalista. Desta forma, percebe-se que é
de grande valia uma análise histórica do Direito Internacional Económico, para que, assim,
avalie-se se as organizações responsáveis pelo controlo das relações económicas internacionais
têm sido realmente efectivas no que concerne aos cuidados com elementos de extremidade,
como, por exemplo, aqueles que tenham uma conexão com duas ou mais ordens jurídicas, ou
que sejam regidas pelo direito internacional.

Na elaboração do presente trabalho objectivou-se:

[Link] de forma geral a história do Direito Internacional Económico e a


necessidade de criação de leis para ampará-las;
ii. Analisaa situação mundial após as I e II Guerras Mundiais no âmbito
Económico/jurídico e de que maneira surgiram manifestações jurídicas para
disciplinar as águas agitadas oriundas da época;
iii. Explicar o nascimento do sistema do Direito Internacional Económico Actual; e
iv. Apresentar o conceito do Direito Internacional Económico.

Neste trabalho privilegiou-se a pesquisa qualitativa e quantitativa, porquanto, pretende


discutir da histoia e conceito do Direito Internacional Economico, que aborsa varios assuntos
desde a antiguidade ate na actualidade.

Na elaboração do trabalho usou-se, fundamentalmente, o método de pesquisa


bibliográfica, porquanto, temas que versam sobre temáticas similares que já foram abordados.
Recorreu-se a pesquisa de manuais nacionais e estrangeiros, assim como, dissertações, artigos
publicados em revistas especializadas e científicos, em jornais locais e na internet.

3
1. História e Conceito do Direito Internacional Económico

1. 1. Histórico do Direito Internacional Económico


As considerações económicas, as quais nunca estiveram ausentes do Direito
Internacional, se manifestam mais abertamente no último século, impulsionando o direito
aprestar uma atenção directa ao significado e ao alcance Económico das normas jurídicas. As
relações económicas internacionais existem desde que os homens começaram a se relacionar
entre si e precedem o corpo de regras de direito.

O regime jurídico das mudanças económicas internacionais oscila entre o liberalismo e


o intervencionismo (proteccionismo) em função das doutrinas dominantes e da concepção que
o Estado tem do seu papel1.

Na antiguidade, as principais características das normas que regiam as relações


internacionais são ligadas ao fato de serem consideradas parte de um direito laico. Tal
afirmação emerge da existência de muitos Estados e cidades-Estado, sendo que cada uma delas
possuía religião e divindades próprias, não possibilitando, assim, que as formas de
regulamentação internacional fizessem referência a uma única religião2.

A principal intervenção normativa sobre as relações económicas entre os reinos da


antiguidade acontecia por meio da cobrança de taxas sobre a circulação de bens, efetuadas nos
postos de fronteiras3. Os postos de aduanas, nesta época, pouco serviam de linha de fronteira
de um território controlado porum Estado. Estes, inseridos em lugares estrategicamente
importantes, como um vale ou um porto, representavam o elemento de separação territorial
entre os Estados4. Com o fim do Império Romano, a sociedade européia começa lentamente a
se organizar, com o estabelecimento dos Bárbaros nas terras do antigo império e o renascimento
do comércio.

Um verdadeiro desenvolvimento pode ser considerado somente a partir do século XII,


quando se iniciam os movimentos em torno das primeiras cruzadas e com o fortalecimento das
cidades em relação ao campo5. A Idade Média foi um período que contribuiu grandemente

1
CARREAU,Dominique;JUILLARD,[Link].,p.6.
2
SZRAMKIEWICZ,Romuald. [Link]:Montchrestien, 1998, p. 18.
3
DAL RI JUNIOR, Arno. O Direito Internacional Económico em expansão: Desafios e Dilemas no curso da
História. In: DAL RI JUNIOR, Arno; OLIVEIRA, Odete Maria de. (Orgs.) Direito internacional Económico em
expansão: desafios edilemas. 2 ed. Ijuí: Ed. Unijuí, 2005, p. 30.
4
LIVERANI,[Link]’AnticoOriente.1600-1100a.C. Roma:Laterza,1994,p.74 ss.
5
LEGOFF,[Link] Moyen-Â[Link]:PUF,2001,p.9.

4
para a formação do que hoje se conhece por Direito Internacional Económico, principalmente
devido às ideias mercantilistas e iluministas.

As relações económicas internacionais, até os meados do século XIX, funcionavam


baseadas nas legislações nacionaisde cada Estado. Não havia um sistema internacional que
regulasse essas relações económicas entre os Estados, que, até então, eram executadas por
meio, principalmente, de acordos bilateraisentreospaíses, dependendoda cooperaçãodospaíses
mais fortes política e economicamente. Esse período foi conhecido como o Liberalismo.

As obras do filósofo John Locke e do economista James Stwart, assim como de diversos
expoentes da escola escocesa a qual pertencia Adam Smith, como Adam Ferguson, Willian
Robertson e John Millar, desenvolveram a temática demonstrando uma grande preocupação
em construir uma base teórica consistente para a liberalização do comércio internacional e, por
meio deste, o enfraquecimento do poder soberano6. Tal inspiração liberal, assentada na doutrina
das vantagens comparativas, atestava que os bens e serviços,enquanto circulassem e fossem
comercializados livremente, tendiam a ser produtos em condições ótimas de eficácia e a
satisfazer ao menor custo as necessidades dos consumidores7.

John Locke desenvolveu algumas teorias, gerando um contexto em que a economia


passou a ter o primado sobre a política. Com tal separação, os artífices do liberalismo
conseguiram elaborar uma teoria em que se encontram os pressupostos para a quase completa
transferência do processo Económico da esfera pública para a esfera privada. Por meio destes,
pode-se desenvolver, durante o século XIX, uma lógica que buscava a realização e a
manutenção de um “quase governo mundial”8 da economia, completamente alheio ao mundo
político.

Era uma tentativa de que o comércio internacional não dependesse mais da política
internacional. A teoria liberal, na sua forma extrema, conduzia à total liberdade de ação das
empresas privadas e à liberdade de circulação através das fronteiras dos bens e serviços que as
mesmas produziam, sem nenhum tipo de entrave9. O ordenamento geral da economia
internacional, influenciado por estes fatores, é, hoje em dia, expressão de um liberalismo

6
DAL RI JUNIOR, Arno. O Direito Internacional Económico em expansão: Desafios e Dilemas no curso da
História. In: DAL RI JUNIOR, Arno; OLIVEIRA, Odete Maria de. (Orgs.) Op. Cit., p. 87-88.
7
TOUSCOZ,[Link] [Link]:Europa-América,1994,p.224.
8
RÖPKE,[Link],Tome86 (1954),p.224.
9
TOUSCOZ,Jean. Op. Cit.p.225.

5
atenuado pelas regulamentações que tendem a organizar a concorrência e a limitar os
protecionismos, classificado como um ordenamento neoliberal10.

O ordenamento jurídico da economia internacional está assentado sobre o princípio da


liberdade das trocas, o qual deriva da doutrina das vantagens comparativas. Esta doutrina tende
a limitar a intervenção dos Estados e a dar aos contratos livremente negociados pelos
operadores económicos um papel central no ordenamento das trocas internacionais.

Nunca se aplicou integralmente os princípios do liberalismo numa ordem jurídica: as


exigências da justiça distributiva, que visam as necessidades dos mais pobres, a necessidade de
regulamentar a concorrência para impedir abusos e as prerrogativas dos Estados soberanos,
fazem com que o ordenamento atual da economia internacional se caracterize como um
liberalismo mais atenuado11.

Entre os defensores de um liberalismo mais integral e os partidários de uma organização


de trocas ou de um reforço das prerrogativas dos Estados existem algumas tensões. Este
neoliberalismo do ordenamento Económico internacional manifesta-se na organização do
comércio internacional e das finanças internacionais12.

1. 2. A Guerras Mundiais
Os antagonismos entre os Estados e a exacerbação das soberanias, conduziram, em
1914, a uma guerra que foi o primeiro conflito armado a nível mundial. Depois da guerra, a
opinião pública internacional, diante de tanta barbárie e influenciada por uma ideologia
pacifista, acreditou ser possível fundar a paz no direito sem se atribuir tanta importância aos
aspectos económicos e ideológicos das relações internacionais.

O desencadear da segunda guerra mundial mostrou as fragilidades das regras e das


instituições que assim se estabeleceram13.

No período entre 1914 e 1939 os Estados apresentam normas e criam instituições para
manter a paz, ocasião em que foi constituída a Sociedade das Nações, primeira organização
internacional universal de competências amplas, mas que não conseguiu seus objetivos quando
os Estados totalitários se confrontaram com as democracias. Instituiu-se, também, o Tribunal

10
Ibid.
11
Ibid.,p.226.
12
Ibid
13
Ibid.,p.36.

6
Permanente de Justiça Internacional, primeira jurisdição permanente para decidir conflitos
interestaduais, entretanto, nenhuma organização conseguiu lutar contra a crise econômica que
eclodiu em 1929 e o segundo conflito se instala em 1939.

A cultura jurídica internacional do fim do século XIX e do início do século XX teimava


em não legislar sobre a economia, excluindo qualquer tipo de possibilidade de análise do direito
internacional à luz de fenômenos económicos internacionais. Isto porque, conforme Arno Dal
Ri Junior, os principais pensadores do liberalismo também negavam-se a considerar a
possibilidade de a economia ser dependente e condicionada a fatores exteriores a ela. Era a
crença na autonomia da esfera econômica em relação à política, à sociedade, à moral e ao
direito. No período posterior à segunda guerra mundial, houve uma transformação neste
panorama,com o desenvolvimento e diversificação das técnicas do comércio in

Após o insucesso das tentativas liberalistas, manifestou- se viva a crença de que as


atividades concernentes à economiae ao comércio internacional deveriam ser regidas por
normas multilaterais, que possibilitassem uma integração entre os Estados. Tal integração
deveria se fundamentar sobre uma política de estabilidade e de confiança recíproca. Conforme
destacou Röpke:

Uma mudança econômica extensiva e intensiva não pode existir ou permanecer sem um
mínimo de confiança mútua, confiança na estabilidade e segurança do sistema legal-
institucional(incluindodinheiro),lealdade contratual, honestidade, jogo justo, honra
profissional e o orgulho o qual nos faz nos considerarmos indignos de trapacear, subornar ou
abusar da autoridade de Estado por propostas egoístas14.

As reflexões deste período traziam a afirmação de queera necessário constituir, o mais


breve possível, uma nova ordem jurídica internacional que abarcasse disposições multilaterais
claras e precisas em matérias financeira,monetária e comercial

1. 3. Bretton Woods E O Nascimento Do Sistema De Direito Internacional


Económico Atual
Os Estados Unidos surgiram na Segunda Guerra Mundial como a economia mais forte
do mundo, vivendo um rápido crescimento industrial e um forte agregado de capital, por não
terem sofrido as destruições da guerra, e de possuírem uma indústria manufatureira poderosa,

14
RÖPKE,[Link], Tome86 (1954),p.221.

7
enriqueciam com a venda de armas e com o empréstimo de dinheiro a outros combatentes. Não
se pode ignorar o fato de que, apesar de ter mais ouro, capacidade produtora e poder militar do
que o resto das nações juntas, o capitalismo dos Estados Unidos não podia sobreviver sem
mercados e aliados.

Esboçada em agosto de 1941 durante o encontro do presidente Roosevelt com o


primeiro ministro britânico Winston Churchill em um navio no Atlântico norte, a Carta do
Atlântico foi a precursora mais notável da Conferência de Bretton Woods, como se verá a
seguir. Tal carta afirmou o direito de todas as nações ao acesso igualitário ao comércio
eàsmatérias-primas e apelou, ttambém, à liberdade dos mares, o desarmamento dos agressores
e o eestabelecimento de um amplo e permanente sistema de segurança geral15.

Quando a guerra aproximava-se do fim, a Conferência de Bretton Woods foi o ápice de


dois anos e meio de planejamento da reconstrução pós-guerra pelos Tesouros dos Estados
Unidos e Reino Unido. O sistema Bretton Woods foi o primeiro exemplo, na história mundial,
de uma ordem monetária totalmente negociada, tendo como objetivo governar asrelações
monetárias entre Estados independentes e construirum mecanismo de integração econômica
mundial.

Em julho de 1944, num encontro na cidade de Bretton Woods, os governos de 44 países


aprovaram os documentos que se contextualizam como base do movimento que culminou na
regulamentação das relações económicas internacionais. Definindo um sistema de regras,
instituições e procedimentos para regular a política econômica internacional, foram aprovados,
desde modo, os acordos que instituíram o Banco Internacional para a Reconstrução e
Desenvolvimento (International Bank for Reconstruction and Development, ou BIRD, mais
tarde dividido entre o Banco Mundial e o Banco para investimentos internacionais) e o Fundo
Monetário Internacional (FMI) só se operacionais em 1946, depois que um número suficiente
de países ratificou o acordo.

O acordo de Bretton Woods refletia a hegemonia dos Estados Unidos no pós-guerra.


Oficialmente, no papel de reserva internacional, o dólar foi vinculado à mercadoria que
historicamente representava o dinheiro universal, o ouro. Nas reuniões de Bretton Woods
considerou-se, também, a necessidade de se criar um terceiro organismo Económico mundial,

15
COPPOLAD’ANNA,Francesco.L’OrganizzazioneInternazionaleDelCommercio. Roma: Castaldi, 1947, p. 7.

8
que se ia denominar Organização Internacional de Comércio (International Trade Organization
- ITO).

Em 1945, o governo dos Estados Unidos lançou a idéia

da realização de uma conferência voltada a aprofundar aanálise acerca da expansão do


comércio internacional. A comissão se reuniu, pela primeira vez, entre 15 de Outubro e 26 de
Novembro de 1946. Uma segunda sessão ocorreu de 10 de Abril a 30 de Outubro de 1947,
sendo que na reunião plenária de 22 de Agosto de 1947 foi aprovado o texto da Carta do
Comércio e do Emprego apresentada à Conferência de Havana16. A Carta de Havana, que
deveria ter instituído a ITO, surgiu como fruto direto desse grande evento realizado na capital
cubana. Foi uma tentativa de criar um Código para o comércio internacional. A Organização
Internacional do Comércio, então, seria uma entidade dotada de personalidade jurídica
internacional, com o poder de adotar importantes decisões para os Estados-membros e de
aplicar sanções aos países que não se adequassem a tais decisões.

Em dezembro de 1950, o governo dos Estados Unidos decidiu retirar o seu apoio ao
projeto das Nações Unidas, devido a alguns fatores, como a mudança da situação mundial entre
1945 e 1950, a mudança da situação política dos Estados Unidos e os defeitos da Carta, sendo
que a mesma nem mesmo foi submetida ao Congresso dos Estados Unidos.22O facto de o
governo americano ter retirado seu apoio, aniquilou todas as chances de sobrevivência da Carta
de Havana e da Organização Internacional do Comércio. Mas, para substituir essa necessidade,
ainda em 1948, assinou-se o Acordo Geral de Impostos e Comércio (GATT), antecessor da
Organização Mundial de Comércio (OMC), a qual será abordada posteriormente.

Com as instituições de Bretton Woods (juntando-se o Banco Mundial e ao FMI o GATT


de 1947), os países participantes procuraram aceitar a sujeição das suas políticas económicas
externas a certas regras, de forma a isolar os efeitos da economia internacional na realização
dos objetivos de política interna17.

16
DAL RI JUNIOR, Arno. O Direito Internacional Económico em expansão: Desafios e Dilemas no curso da
História. In: DAL RI JUNIOR, Arno; OLIVEIRA, Odete Maria de. (Orgs.) Op. Cit., p. 109.
17
MILWARD, Alan S. The European Rescue of the Nation-State. London: Routledge, 1992.

9
1. 4. Acordo Geral Sobre Tarifas E Comércio De 1947 - Gatt (General Agreement
On Tariffs And Trade)
O GATT nasceu na reunião da comissão preparatória da conferência internacional de
comércio, com o apoio da ONU, e foi realizada em Londres no final de 1946. A segunda sessão
celebrou-se em Genebra em 1947 na qual se elaborou um projeto da Carta de Comércio
Internacional, que se completou na Conferência da Havana em novembro de 1947, como já
mencionada.

A primeira versão do GATT, nascida em 1947 durante a Conferência sobre o Comércio


e Trabalho das Nações Unidas em Havana, é conhecida como GATT 1947, que em Janeiro de
1948 foi assinado por 23 países. A intenção original foi criar uma terceira instituição para
apoiar e sustentar a parte do comércio da cooperação econômica internacional, favorecendo o
comércio entre as nações, juntando-se às duas instituições de Bretton Woods, o Banco Mundial
e o Fundo Monetário Internacional18.

Conforme afirma Arno Dal Ri Junior, “O GATT, inicialmente subscrito para uma
duração de três anos,viu recair sobre os seus ombros a responsabilidade de tentar liberalizar
um mundo”19.

Quase sem estrutura institucional, sem a provisão por um secretariado, e amarrado


legalmente a uma organização materialmente falha, o GATT dificilmente se classificaria como
a mais provável de ter sucesso dentre as organizações internacionais nascidas imediatamente
após a Segunda Guerra Mundial. Conforme afirma John Jackson, teoricamente, o GATT não
era uma “organização internacional”, mas meramente um tratado. O Acordo Geral se refere às
“partes do contrato”. Apesar da falta de estrutura institucional, apesar da falta de suporte
financeiro e apesar da dos impulsos poderosos pelo comércio protecionista o qual matou a
Organização Internacional do Comércio e tentou matar o GATT, o GATT sobreviveu20.

O sistema normativo instituído pelo Acordo Geral, em 1947, também se demonstrava


limitado no que diz respeito a uma ampla regulamentação das relações de comércios

18
24WTO – World Trade Organization. The GATT years:from Havana to [Link]ível em:
[Link] em: 13 jan. 2011.
19
DAL RI JUNIOR, Arno. O Direito Internacional Económico em expansão: Desafios e Dilemas no curso da
História. In: DAL RI JUNIOR, Arno; OLIVEIRA, Odete Maria de. (Orgs.) Op. Cit., p. 113.
20
DAL RI JUNIOR, Arno. O Direito Internacional Económico em expansão: Desafios e Dilemas no curso da
História. In: DAL RI JUNIOR, Arno; OLIVEIRA, Odete Maria de. (Orgs.) Op. Cit., p. 18.

10
internacional, pois tratava apenas de bens e serviços, ou seja, o comércio internacional
visível.27

Num curto período pós o Acordo, quatro rodadas de negociações se desenvolveram,


começando em Genebra(1947), Annecy (1949), Torquay (1950-1951) e novamente Genebra
(1955-1956). As primeiras negociações traziam a redução das tarifas aduaneiras, o que tinha
como principal objetivo estabelecer procedimentos e regras processuais que serviriam como
modelos para as futuras negociações.28A segunda e terceira rodadas, de Annecy e Torquay
respectivamente, tratavam principalmente das condições para a adesão de novas partes
contratantes ao Acordo Geral. As últimas negociações desse período, que ocorreram
novamente em Genebra foram principalmente tarifárias.

A quinta rodada ocorreu novamente em Genebra e durou de 1960-1962 e foi chamada


de Rodada Dillon, onde vinte e seis países participaram. Alguns postulados apresentados pelo
relatório Haberler em 1958 influenciaram diretamente este período de negociações. Tal
relatório salientava a necessidade delutarcontraoprotecionismo,assimcomoacontinuidadedas
negociações tarifárias e, também, a levar em consideração as necessidades específicas do
comércio dos países em desenvolvimento21.

As rodadas do GAAT foram ficando cada vez maislongas e complicadas e na sexta, a


Rodada Kennedy, que ocorreu em Genebra em 04 de maio de 1964, 66 países participaram,
onde se expandiram os assuntos abordados, a partir do corte de tarifas tradicionais para novas
regras de comércio, tais como as relativas à utilização de medidas Antidumping.30Tal rodada
tinha quarto objectivos principais: baixar as tarifas pela metade com um mínimo de exceções,
derrubar as restrições ao comércio agrícola, acabar com os regulamentos não-tarifárias e ajudar
as nações em desenvolvimento22.

Na década de 70, as negociações do GATT saíram da Europa pela primeira vez, sendo
que a sétima rodada foi iniciada em uma reunião ministerial em Tóquio, de 12 a 14 de setembro
de 1973, com a presença de 99 países que, na época, representavam 90% do comércio mundial.
Essa rodada foi afetada por algumas questões políticas e económicas internacionais e o tema
predominante foi as barreiras não- tarifárias23.

21
Ibid.,p.126.
22
Ibid.,p.107-108.
23
DAL RI JUNIOR, Arno. O Direito Internacional Económico em expansão: Desafios e Dilemas no curso da
História. In: DAL RI JUNIOR, Arno; OLIVEIRA, Odete Maria de. (Orgs.) Op. Cit., p. 135.

11
Discussões sobre reduções tarifárias foram acompanhadas por uma série de acordos
para reduzir a incidência das barreiras ditas não-tarifárias. Essas barreiras haviam sido adotadas
como forma de proteção das indústrias nacionais de diversos países24.

Em setembro de 1986, iniciou-se a Rodada Uruguai, que durou até Abril de 1994, com
a participação de 125 países25

Uma nova economia mundial estava em voga e os reflexos deste contexto se traduziram
no âmbito do GATT por meio de atitudes protecionistas de caráter unilateral, fazendo com
queas novas formas de obstáculos não tarifários e de subsídios aumentassem26.

A Rodada Uruguai provocou a maior reforma do sistema de comércio mundial desde a


criação do GATT no final da Segunda Guerra Mundial27. Mas, no final da década de oitenta, o
GATT demonstrava estar à beira da exaustão; a primeira etapa da Rodada Uruguai apresentava-
se impotente, devido à exclusão dos produtos agrícolas nas negociações de liberalização
tarifária; ao não preenchimento de todos os requisitos do Artigo XXIV da constituição da
Comunidade Européia, que trata da formação de áreas de livre-comércio; e o não
questionamento de esquemas protecionistas, como o japonês, durante as décadas de cinqüenta
e sessenta, dentre outros.

Em 15 de Abril de 1994, um acordo foi assinado pelos ministros da maioria dos 123
governos participantes do encontro realizado em Marrakesh no Marrocos, onde surgia a
Organização Mundial do Comércio - OMC, como uma organização permanente sobre o
comércio internacional, que entrou em vigor em 1º de Janeiro de 199528.

Não se pode afirmar que a OMC substitui o GATT, uma vez que a organização não se
confunde comos textos legais anexos ao seu documento constitutivo, e, ainda, porque o GATT
continua existindo, acrescido de sete textos de entendimento (understanding) sobre diferentes
dispositivos do Acordo Geral e do Protocolo de Marrakesh. Com esses acréscimos, e mais os

24
WTO – World Trade Organization. The Uruguay Round. Disponível em:
[Link] 2011.
25
37DAL RI JUNIOR, Arno. O Direito Internacional Económico em expansão: Desafios e Dilemas no curso da
História. In: DAL RI JUNIOR, Arno; OLIVEIRA, Odete Maria de. (Orgs.) Op. Cit.,, p. 136.
26
38WTO – World Trade Organization. The Uruguay Round. Disponível em:
[Link] 2011.
27
39LAMPREIA, Luiz FelipePalmeira. Resultadosda Rodada Uruguai: uma tentativa de síntese. Instituto de
Estudos Avançados da Universidade de São Paulo. ISSN 0103-4014. Estudos avançados vol.9no. 23. São Paulo
Jan./Abr.1995. Disponível em: [Link]
40141995000100016&script=sci_arttext Acesso em: 16 jan. 2011
28
40WTO – World Trade Organization. The Uruguay Round. Disponível em:
[Link] 2011 .

12
que foram feitos ao longo de sete rodadas de negociações, especialmente a Rodada Tóquio, o
Acordo Geral passa a ser denominado GATT 199429.

A OMC tem quase 150 membros, representando mais de 97%do comércio mundial,
mas um aspecto crítico do sistema é a carência de relações da organização com a sociedade
civil. Trata-se de uma herança deixada pelo GATT, mas, também, por consequência, da
apressada negociação sobre a cconstituição da OMC.

Conforme ressalta Vera Thorstensen, a OMC tem basicamente quatro funções:

• Primeiro, facilitar a implantação, a administração, a operação e os


objectivos dos acordos da Rodada Uruguai, que incluem: setores diversos como
agricultura, produtos industriais e serviços; regras de comércio como valoração,
licenças, regras de origem, antidumping, subsídios e salvaguardas, barreiras técnicas, e
empresas estatais; supervisão dos acordos regionais e sua compatibilidade com as
regras do GATT; propriedade intelectual; e novos temas como meio ambiente,
investimento e concorrência:
• constituir um foro para as negociações das relações comerciais entre os
Estados membros, com objetivode criar ou modificar acordos multilaterais de
comércio;
• administrar o Entendimento (Understanding) sobre Regras e
Procedimentos relativos às Soluções de Controvérsias, isto é, administrar o “tribunal”
da OMC;
• administrar o Mecanismo de Revisão de Políticas Comerciais (Trade
PolicyReview Mechanism) que realiza revisões periódicas das Políticas de Comércio
Externo de todos os membros da OMC, acompanhando a evolução das políticas e
apontando os temas que estão em desacordo com as regras negociadas.

1. 5. Noção Do Direito Internacional Económico


Gerárd Farjat, em 1971, na sua obra ‘Droit Economique’, define Direito Económico
como (o direito da concentração ou da colectivização dos bens e da organização da economia,
por privados ou públicos).

29
VENTURINI, Gabriella. Perspectivas paraumareformada OMC em relação aos modelos de outras organizações
internacionais. In: DAL RI JUNIOR, Arno; OLIVEIRA, Odete Maria de. (Orgs.) Op. Cit., p. 219.

13
Esta definição, atento o contexto político e temporal em que foi enunciada, não
considerou, o superveniente relevo do sector dos serviços na economia mundial e escusa-se a
qualquer referência ao mercado (atenta a existência de dois grandes sistemas económicos, o
ocidental e o de leste). Por outro lado, já considera um factor que, nas últimas duas décadas,
tem vindo a ganhar especial relevo, as fontes normativas da ordem económica: os poderes
públicos e privados.

14
Conclusão
O objectivo, com esse trabalho, foi estabelecer um breve panorama histórico a respeito
da evolução do direito internacional económico. O Direito Internacional Económico, deve ser
tomado como um subsistema normativo, autónomo, que visa reger a actividade económica, sob
os princípios da liberdade e lealdade, garantidos pela limitação dos poderes públicos e privados,
através da organização da economia global, visando o desenvolvimento da humanidade e a
criação de bem-estar geral.

Uma verdadeira mudança demanda atitude, a qual deve ser tomada por parte dos
Estados, dentro das proporções necessárias para que haja uma igualdade jurídica entre eles,
mesmo que a igualdade económica seja utópica diante das grandes potências, que, com seu
proteccionismo exacerbado sugam as poucas possibilidades que os Estados em
desenvolvimento têm de participar da nova ordem económica mundial.

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