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Ética na Formação de Psicólogos em Moçambique

O documento analisa a formação ética de psicólogos em Moçambique, destacando os desafios estruturais e a necessidade de uma abordagem mais humanista e integrada no ensino superior. A formação atual carece de uma discussão aprofundada sobre ética profissional e enfrenta lacunas na aplicação prática do Código de Ética. A revisão das diretrizes curriculares é essencial para preparar psicólogos que possam lidar com questões éticas complexas em um contexto social diversificado.

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Vânia Chaúque
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Ética na Formação de Psicólogos em Moçambique

O documento analisa a formação ética de psicólogos em Moçambique, destacando os desafios estruturais e a necessidade de uma abordagem mais humanista e integrada no ensino superior. A formação atual carece de uma discussão aprofundada sobre ética profissional e enfrenta lacunas na aplicação prática do Código de Ética. A revisão das diretrizes curriculares é essencial para preparar psicólogos que possam lidar com questões éticas complexas em um contexto social diversificado.

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UNIVERSIDADE LICUNGO

FACULDADE DE EDUCAÇÃO

Curso de Psicologia Educacional -4°ano Laboral

Vânia Rui Chaúque

Cadeira: Ética e Deontologia Profissional

Docente: Edú Manuel

Análise crítica

Beira

2025
A ÉTICA PROFISSIONAL NA FORMAÇÃO DE PSICÓLOGOS: UM ESTUDO
BIBLIOGRÁFICO E DOCUMENTAL

A formação em Psicologia e ética no ensino superior, especialmente em países como o


Brasil, pode ser enriquecida ao se considerar as especificidades e os desafios de países como
Moçambique, que possui uma realidade educacional e de formação profissional distinta.

Em Moçambique, a formação superior ainda enfrenta desafios estruturais e


contextuais que impactam directamente a qualificação dos profissionais de Psicologia. A
maioria das universidades moçambicanas enfrenta dificuldades financeiras, falta de
infraestrutura adequada e uma escassez de docentes altamente qualificados, o que
compromete a implementação de uma formação acadêmica que equilibre a formação técnica
e humanista. No Brasil, como discutido, há uma ênfase no debate sobre o conflito entre a
formação técnica/tecnológica e a formação humanista no nível superior (Dalbosco, 2015;
Goergen, 2014), algo que também se aplica à realidade moçambicana, onde ainda se observa
uma predominância de práticas clínicas tradicionais, com pouco espaço para abordagens mais
humanísticas e interdisciplinares.

A formação ética do profissional de Psicologia, uma questão destacada nos estudos


revisados, também se reflete no contexto de Moçambique, onde a ética profissional em
Psicologia é um tema emergente. Como no Brasil, a ética profissional no país africano tende
a ser discutida de maneira incipiente, com poucos programas de formação que abordem de
forma abrangente e integrada os dilemas éticos, como o sigilo profissional e os direitos
humanos (Rocha et al., 2015; Silva, 2015). Embora a Psicologia tenha um Código de Ética
Profissional em Moçambique, a sua aplicação prática ainda é um desafio, dado o número
limitado de profissionais especializados e a falta de treinamento contínuo para os psicólogos
no país.

Um exemplo prático de lacunas na formação ética em Moçambique pode ser


observado no trabalho de psicólogos em contextos de emergência, como em situações de
manifestações ou desastres naturais. Como em muitos países em desenvolvimento, os
psicólogos moçambicanos enfrentam a pressão de aplicar modelos clínicos tradicionais em
contextos que exigem uma abordagem mais integrativa e adaptada às especificidades
culturais e sociais locais. O trabalho de Finkler et al. (2010) e Finkler, Caetano e Ramos
(2012), que destacam a necessidade de estratégias pedagógicas que promovam uma formação
ética cuidadosa, é um exemplo importante a ser seguido em Moçambique, onde os cursos de
Psicologia precisam ser mais explícitos na formação ética dos estudantes, considerando o
contexto social, cultural e político do país.

A ideia de uma “educação interprofissional” no cuidado integral à saúde, que é


discutida por Souto, Batista e Alves-Batista (2014) e Seixas et al. (2013), também possui
relevância para a realidade de Moçambique. A formação de psicólogos em um contexto de
saúde pública em Moçambique carece de uma abordagem mais integrada com outras áreas da
saúde, como a medicina e a enfermagem, o que se reflete em práticas fragmentadas e, muitas
vezes, ineficazes. A educação interprofissional, portanto, poderia ajudar a fomentar uma
maior colaboração entre diferentes profissionais de saúde, melhorando a qualidade do
atendimento psicológico oferecido.

Além disso, o estudo de Lima e Souza (2014), que aponta para a necessidade de
discussão sobre o tipo de psicólogo que se pretende formar, é particularmente pertinente em
Moçambique, onde a formação de psicólogos ainda está em desenvolvimento. Em muitas
universidades moçambicanas, o currículo de Psicologia segue um modelo de formação
voltado para o atendimento clínico, sem contemplar suficientemente as necessidades
emergentes da sociedade, como o apoio psicológico em contextos educacionais, no
enfrentamento de crises sociais, ou no trabalho em equipes interdisciplinares.

Finalmente, a produção bibliográfica sobre a ética na pesquisa, como destacada por


Borges et al. (2013), revela uma falta de discussão aprofundada sobre a ética no contexto da
pesquisa acadêmica em Psicologia. Em Moçambique, o tema da ética na pesquisa é ainda
pouco explorado, o que leva a uma escassa capacitação dos profissionais para lidar com as
questões éticas que surgem durante a coleta de dados e a aplicação de intervenções em
populações vulneráveis.

Em resumo, a literatura sobre a formação de psicólogos, especialmente no que tange à


ética e às diretrizes curriculares, pode ser bastante reveladora sobre as lacunas existentes em
Moçambique. O país necessita urgentemente de uma revisão das suas diretrizes curriculares,
a fim de formar psicólogos que não apenas possuam competências técnicas, mas que também
estejam preparados para lidar com as complexas questões éticas que surgem na prática
profissional, principalmente em um contexto social e cultural diversificado como o de
Moçambique. O fortalecimento da formação ética e a promoção de uma abordagem mais
integradora e humanista no ensino superior são fundamentais para que a Psicologia em
Moçambique contribua efetivamente para o desenvolvimento humano integral.

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