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L-PRF na Redução da Morbidade Oral

O estudo aborda a utilização da Fibrina Rica em Plaquetas e Leucócitos (L-PRF) como um aditivo cirúrgico que pode reduzir a morbidade em procedimentos de reconstrução tecidual oral. A pesquisa revisa a evolução do PRF e suas aplicações na odontologia, destacando seus benefícios na cicatrização e regeneração tecidual. O L-PRF é considerado uma opção clínica de grande interesse devido ao seu custo acessível e eficácia na promoção da cura.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
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L-PRF na Redução da Morbidade Oral

O estudo aborda a utilização da Fibrina Rica em Plaquetas e Leucócitos (L-PRF) como um aditivo cirúrgico que pode reduzir a morbidade em procedimentos de reconstrução tecidual oral. A pesquisa revisa a evolução do PRF e suas aplicações na odontologia, destacando seus benefícios na cicatrização e regeneração tecidual. O L-PRF é considerado uma opção clínica de grande interesse devido ao seu custo acessível e eficácia na promoção da cura.
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1

MICHELLE LESSA CARDOSO


SANZIA MARRETO LOPES

FIBRINA RICA EM PLAQUETAS E LEUCÓCITOS (L-PRF).


DIMINUINDO A MORBIDADE EM PROCEDIMENTOS DE
RECONSTRUÇÕES TECIDUAIS ORAIS

NOVA FRIBURGO

2015
2

MICHELLE LESSA CARDOSO


SANZIA MARRETO LOPES

FIBRINA RICA EM PLAQUETAS E LEUCÓCITOS (L-PRF).


DIMINUINDO A MORBIDADE EM PROCEDIMENTOS DE
RECONSTRUÇÕES TECIDUAIS ORAIS

Monografia apresentada à Faculdade de


Odontologia da Universidade Federal
Fluminense/Campus Universitário de Nova Friburgo
como Trabalho de Conclusão do Curso de
graduação em Odontologia.

Orientador: Prof. LUIS EDUARDO CARNEIRO CAMPOS


Co-orientador: Prof. Dr. HERNANDO VALENTIM DA ROCHA JÚNIOR

Nova Friburgo

2015
3

C268f Cardoso, Michelle Lessa.


Fibrina rica em plaquetas e leucócitos (L-PFR) diminuindo a morbidade em
procedimentos de reconstruções teciduais orais. / Michelle Lessa Cardoso ;
Sanzia Marreto Lopes; Prof. Dr Luis Eduardo Carneiro Campos , orientador ;
Prof. Dr Hernando Valentim da Rocha Júnior, co-orientador. -- Nova Friburgo,
RJ: [s.n.], 2015.
40f. : il.
Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Odontologia) –
Universidade Federal Fluminense, Campus Nova Friburgo, 2015.

1. Cirurgia oral. 2. Reconstrução. 3. Tecido oral. 4. Cicatrização. I. Lopes,


Sanzia Marreto. II. Campos, Luis Eduardo Carneiro, Orientador. III. Rocha
Júnior, Hernando Valentim da, Co-orientador. IV. Título

CDD M617.522
4

MICHELLE LESSA CARDOSO


SANZIA MARRETO LOPES

FIBRINA RICA EM PLAQUETAS E LEUCÓCITOS (L-PRF). DIMINUINDO A


MORBIDADE EM PROCEDIMENTOS DE RECONSTRUÇÕES TECIDUAIS ORAIS

Monografia apresentada à Faculdade de


Odontologia da Universidade Federal
Fluminense/Campus Universitário de Nova Friburgo
como Trabalho de Conclusão do Curso de
graduação em Odontologia.

Aprovada em: 03/11/2015

BANCA EXAMINADORA

Prof. Dr.: __________________________________________________________________

Instituição: ______________________________Assinatura: _________________________

Prof. Dr. __________________________________________________________________

Instituição: ______________________________Assinatura: _________________________

Prof. Dr. __________________________________________________________________

Instituição: ______________________________Assinatura: _________________________

Nova Friburgo

2015
5

AGRADECIMENTO

Aos nossos pais, pela amizade e eterno companheirismo. Ao


Prof. Luis Eduardo, pela constante disponibilidade e atenção,
por transmitir seus conhecimentos e experiências.
6

“É um erro argumentar antecipadamente aos dados.


Você se vê, inconscientemente, distorcendo-os para
adequá-los às suas teorias.”

Um Escândalo na Boêmia
Sherlock Holmes
Sir Arthur Conan Doyle
7

RESUMO

Os procedimentos cirúrgicos são intervenções que visam reabilitar função e fisiologia


de algum seguimento, lançando-se mão de técnicas que são, na maioria das vezes,
muito invasivas e que geram uma situação de desconforto ao paciente. Em virtude
disso, iniciou-se uma série de estudos sobre aditivos cirúrgicos que auxiliem no
processo de cura desses procedimentos. O plasma rico em fibrina (PRF) foi
desenvolvido por Choukroun para ser usado em cirurgia oral e maxilofacial e, no
campo da odontologia, tem vários domínios de aplicação, como aumento de tecido
ósseo para implantodontia, levantamento do seio maxilar, enxerto de alvéolos,
cirurgias periodontais estéticas, entre outros. O objetivo principal do presente estudo
é realizar uma revisão de literatura como ferramenta para análise de um concentrado
de plaquetas, descrevendo sua evolução até um novo modelo de aditivo cirúrgico
bioativo (L-PRF), que ajude na cicatrização de lesões cirúrgicas por suas
características de regeneração tecidual e de regulação inflamatória. Por se tratar de
um procedimento barato e com grandes benefícios, a sua utilização em cirurgia oral e
maxilofacial, deve ser considerada como uma opção clínica de grande interesse.

Palavras chave: Plasma rico em plaquetas, fator de crescimento, cicatrização,


Choukroun, PRF, L-PRF, regeneração tecidual, regeneração óssea, odontologia.
8

ABSTRACT

Surgical procedures are interventions aimed at rehabilitating function and physiology


of some follow-up, launching hand techniques that are, for the most part, very invasive
and generate an uncomfortable situation for the patient. As a result, we initiated a
series of studies on surgical additives that aid in the healing process these procedures.
The rich plasma fibrin (PRF) was developed by Choukroun for use in oral and
maxillofacial surgery and in the field of dentistry, has several application domains, such
as increased bone tissue to implant, lifting the maxillary sinus graft alveoli, aesthetic
periodontal surgery, among others. The main objective of this study is to conduct a
literature review as a tool for analysis of a platelet concentrate, describing its evolution
to a new bioactive surgical additive model (L-PRF), which helps in the healing of
surgical lesions by their characteristics regulating inflammatory and tissue
regeneration. Because it is a cheap and large benefits procedure, their use in oral and
maxillofacial surgery should be considered as an option of great clinical interest.

Key words: Platelet-rich plasma, growth factor, healing, Choukroun, PRF, L-PRF,
tissue regeneration, bone regeneration, dentistry.
9

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

CIV – Cimento de Ionômero de Vidro


cPRP - Concentrado de Plasma Rico em Plaquetas
EGF - Epidermal Growth Factor
FC - Fator de Crescimento
FDA - Food and Drugs Administration
GFs - Growth Factors
L-PRF - Fibrina Rica em Plaquetas e Leucócitos
MTA - Agregado de Trióxido Mineral
PDGF - Platelet-Derived Growth Factor
PDGFαα - Platelet-Derived Growth Factor-alpha-alpha
PDGFαβ - Platelet-Derived Growth Factor-alpha-beta
PDGFββ - Platelet-Derived Growth Factor-beta-beta
PPP - Platelet Poor Plasma
PRF - Plaqueta Rica em Fibrina
PRP - Plasma Rico em Plaquetas
RBC - Red Blood Cells
TGF - Transforming Growth Factor
TGFβ1 - Transforming Growth Factor-beta-1
TGFβ2 - Transforming Growth Factor-beta-2
VEGF - Vascular Endothelial Growth Factor
10

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO........................................................................................................11
2 REVISÃO DE LITERATURA...................................................................................13
2.1 Adjuvantes cirúrgicos............................................................................................13
2.2 Evolução de concentrados plaquetários...............................................................15
2.2.1 Cola de fibrina..................................................................................................15
2.2.2 PRP – Primeira geração de concentrado plaquetário...................................16
2.2.3 PRF – Segunda geração de concentrado plaquetário...................................18
2.3 Aplicações da PRF em odontologia.......................................................................22
2.3.1 Levantamento de seio maxilar e implantodontia..........................................23
2.3.2 Periodontia.......................................................................................................25
2.3.3 Aplicação em tecidos lesionados.................................................................. 26
2.3.4 Endodontia regenerativa................................................................................ 27
2.3.5 Aplicação em alvéolos pós-extração/avulsão .................................. .......... 27
3 METODOLOGIA..................................................................................................... 30
4 DISCUSSÃO........................................................................................................... 31
5 CONCLUSÃO......................................................................................................... 34
REFERÊNCIAS......................................................................................................... 35
11

1 INTRODUÇÃO

Atualmente, os procedimentos cirúrgicos ainda enfrentam muitos desafios.


Depois de cada intervenção, cirurgiões muitas vezes se deparam com um fenômeno
complexo de remodelação tecidual, as consequências da cicatrização e sobrevivência
dos tecidos. No intuito de acelerar o fenômeno fisiológico de cura, aditivos cirúrgicos
vêm sendo estudados, tais como, fibrina adesiva, concentrado plaquetário rico em
plasma (cPRP) e L-PRF.
O potencial regenerativo das plaquetas foi descoberto em 1974 por Ross et
al., que foram os primeiros a descreverem-nas e, demonstrarem que, isoladas do
sangue periférico, são uma fonte autóloga de fatores de crescimento (FCs). Os FCs
contidos nos grânulos alfa das plaquetas têm a capacidade de estimular a proliferação
celular, a remodelação da matriz e a angiogênese. As plaquetas são os principais
elementos envolvidos no processo de cicatrização, através da sua coagulação, e pela
libertação de FCs (WU et al., 2012).
Segundo Dohan et al., 2006, as colas de fibrina são criticadas por serem
derivadas de sangue, pela complexidade de produção de seus protocolos e por riscos
de infecção cruzada, mesmo que infinitamente pequeno. São ainda dependentes da
adição de trombina bovina para sua ativação. Suas atividades principais são
aderência biológica tecidual e a biodegradabilidade.
Já o cPRP é um concentrado de plaquetas para administração tópica
cirúrgica, duplamente centrifugado, a fim de aumentar a concentração de plaquetas
recolhidas. Infelizmente, os primeiros resultados indicam que os efeitos clínicos são
muito semelhantes aos observados com as colas de fibrina convencionais, pois
citocinas são liberadas muito rapidamente para serem estritamente incorporadas no
interior da matriz durante a polimerização da fibrina (Dohan et al., 2006).
Devido a restrições legais na manipulação de sangue, uma nova família de
concentrado de plaquetas, que não é nem uma cola de fibrina ou o concentrado de
12

plaquetas clássico (cPRP), surgiu na França, desenvolvido por Choukroun et al. Este
novo biomaterial, segundo Dohan et al., 2006, denominado plaquetas rica em fibrina
(PRF), é uma matriz cicatricial autóloga. A polimerização lenta durante a preparação
da PRF reproduz uma rede de fibrina muito semelhante a natural, o que leva a uma
migração mais eficiente de células e sua proliferação e, por conseguinte, a cura.
As aplicações deste biomaterial autólogo têm sido descritas na odontologia e
em outras áreas como, a cirurgia plástica ou a otorrinolaringologia (TUNALI et al.,
2013). No que diz respeito à sua utilização em odontologia, Choukroun e os seus
colaboradores foram pioneiros no uso da PRF para promover a regeneração óssea
em implantologia, abordagem que foi, posteriormente, alargada a outros âmbitos
como: enxerto de alvéolos, cirurgias periodontais estéticas, endodontia regenerativa,
entre outras. O alcance das aplicações clínicas do PRF é amplo, porém, um
conhecimento preciso deste biomaterial, da sua eficácia e dos seus limites são
necessários para otimizar o seu uso sistemático na prática clínica diária (DEL CORSO,
TOFFLER e EHRENFEST, 2010).
Essa revisão de literatura tem como objetivo estudar um novo modelo de
aditivo cirúrgico bioativo, expor sua evolução e confrontar pontos positivos e negativos
ao longo de sua trajetória. Tal como, evidenciar suas características regenerativas
teciduais, esclarecer o modo como ocorre a regulação inflamatória promovida por
esse biomaterial, com a intenção de comprovar a efetividade do L-PRF na diminuição
da morbidade em procedimentos cirúrgicos.
13

2 REVISÃO DE LITERATURA

2.1 ADJUVANTES CIRÚRGICOS

O desenvolvimento de adjuvantes cirúrgicos para a estimulação local de cura


é um importante campo de investigação em ciências de biomateriais e farmacêuticas.
O primeiro ato de cura associa muitos fatores, tais como, plaquetas, leucócitos, matriz
de fibrina e fatores de crescimento. Todos estes agentes trabalham em sinergia
durante o processo de coagulação, e muitos produtos tentam mimetizar esses
mecanismos naturais, a fim de melhorar a cicatrização de um local cirúrgico. De
acordo com Agrawal, M. e Agrawal, V. (2014), o início da cura de qualquer ferimento
é realizado pela formação de coágulos e inflamação, seguido por uma fase
proliferativa, que compreende de epitelização, angiogênese, formação de tecido de
granulação, deposição de colágeno e, finalmente, maturação do colágeno e
contração.
O uso de aditivos cirúrgicos, que promovem a aceleração da cicatrização de
feridas, fundamenta-se em estudos que relatam a liberação de fatores de crescimento
de vários tipos por grânulos secretórios de plaquetas especializados. Eles foram
discernidos em pelo menos sete fatores de crescimento diferenciados, secretados
ativamente pelas plaquetas, desempenhando um importante papel na fase inicial de
cicatrização de feridas. São eles: três isômeros do fator de crescimento plaquetário,
denominados, em inglês, por platelet-derived growth factor (PDGF), fator de
crescimento derivado de plaquetas, e seus isômeros – PDGFαα, PDGFββ e PDGFαβ.
Dois fatores de crescimento transformadores, transforming growth factor (TGF) –
TGFβ1 e TGFβ2. O fator de crescimento endotelial vascular, vascular endothelial
growth factor (VEGF) e, por fim, o fator de crescimento epitelial, epidermal growth
factor (EGF). Os TGFs ativam os fibroblastos para formação de procolágeno, que
14

resulta na deposição de colágeno e cicatrização da ferida. Os PDGFs, associados ou


não com os TGFs, aumentam a vascularização dos tecidos, promovem a proliferação
de fibroblastos, aumentam a quantidade de colágeno, estimulam produção de tecido
de granulação e melhoram a osteogênese. O VEGF incita o início do processo de
angiogênese, a mitogênese e a permeabilidade vascular e o EGF conduz o
crescimento de tecido epitelial, proporcionando também a angiogênese. Estas
substâncias transformam a cicatrização um processo mais rápido e eficiente,
beneficiando a integração de enxertos, sejam eles ósseos, cutâneos, cartilaginosos
ou de células de gordura. Ademais, o plasma rico em plaquetas (PRP) dispõe de
proteínas como a fibrina, fibronectina e vitronectina, que promovem a osteocondução
através de sua ação na adesão celular, além da própria ação do TGFβ e do PDGF na
estimulação dos osteoclastos, aperfeiçoando a qualidade dos resultados obtidos nos
enxertos ósseos (VENDRAMIN et al., 2006).
Os fatores de crescimento são liberados quando ativados por um estímulo ou
agregados por alguns ativadores, entre eles o TGF-β e o PDGF-αβ, que são os dois
tipos em maiores quantidades. A promoção da cicatrização de tecidos moles e duros
ocorre através da estimulação da produção de colágeno para melhorar a resistência
da ferida e iniciar da formação do calo (LING HE et al., 2009). O potencial regenerativo
das plaquetas foi introduzido em 1974, tendo sido Ross et al. (1974) os primeiros a
descreverem os fatores de crescimento (FCs) contidos nas plaquetas, que, isoladas
do sangue periférico, são uma fonte autóloga desses fatores. Eles são mitogênicos
(proliferativos), quimiotáticos (estimulam a migração dirigida de células) e induzem a
angiogênese (estimulação da formação de novos vasos sanguíneos) (AGRAWAL, M.
e AGRAWAL, V., 2014). Atualmente, tem sido bem documentado que as plaquetas
fornecem um rico conjunto de fatores de crescimento, no entanto, o conceito de
produto rico em plaquetas, por vezes foi erroneamente resumido em um conceito
mágico de fatores de crescimento. Este vício por fatores de crescimento pode
influenciar e provocar o esquecimento dos papéis-chave de outros agentes presentes
nestes produtos derivados do sangue. Entre a crença mística, os interesses
comerciais e a verdade científica são necessários vários anos para aprovar o papel
fundamental da fibrina e dos leucócitos nestes produtos. Considerando-se a
complexidade da coagulação e reabilitação de tecidos, os fatores de crescimento não
são os únicos atores no processo fundamental da cicatrização (DOHAN et al., 2012).
Na realidade, as plaquetas são os principais elementos envolvidos nesse processo,
15

através de sua coagulação, e pela libertação de FCs que iniciam e sustentam a


cicatrização (PINHEIRO, 2014).
Os concentrados de plaquetas foram produzidos com o desígnio de combinar
as propriedades vedantes de fibrina com os fatores de crescimento das plaquetas,
proporcionando, portanto, uma base ideal para a cicatrização de feridas e
regeneração de tecidos. No desenrolar dos anos, uma variedade de concentrados
plaquetários vem se desenvolvendo e evoluindo, seus resultados promissores foram
comprovados em estudos de diversos autores. Particularmente são eles, a cola de
fibrina, o Plasma Rico em Plaquetas (PRP) e a Fibrina Rica em Plaquetas e Leucócitos
(L-PRF) (AGRAWAL, M. e AGRAWAL, V., 2014).

2.2 EVOLUÇÃO DE CONCENTRADOS PLAQUETÁRIOS

2.2.1 Cola de Fibrina

Conforme o estudo de Prakash e Thakur (2011), a cola de fibrina foi o primeiro


aditivo cirúrgico a ser utilizado, disponível comercialmente na Europa ao final de 1970
por Matras. Uma importante propriedade da cola de fibrina é que esta reproduz a fase
final da cascata de coagulação, agindo de forma independente a partir dos
mecanismos internos de coagulação. Portanto, ela vai conseguir a hemostasia da
ferida independentemente de defeitos de coagulação. A cola de fibrina não é tóxica, é
biodegradável, promove o crescimento local e reparação de tecidos. Os riscos são
pequenos para os grandes benefícios (ROY, GERALD e SYDORAK, 1994). São
utilizadas para hemostasia tópica, vedação de tecidos e como agentes ósseos
substitutos. Para os adesivos comerciais homólogos existe risco de infecção cruzada,
o que provocou o desenvolvimento de uma cola de fibrina autóloga, do plasma do
próprio paciente, mas, com propriedades físicas menos satisfatórias. Dessa maneira
a cola de fibrina apresenta dois tipos.
O primeiro tipo são colas homólogas, comerciais, disponíveis como dois
componentes de preparações. Um concentrado de fibrinogênio/fibronectina/fator XIII
dissolvido em uma solução antifibrótica (geralmente de aprotinina) e um concentrado
de trombina dissolvido em cloreto de cálcio. A mistura dos dois componentes imita o
último estágio da cascata de coagulação, resultando num coágulo de fibrina.
16

Um estudo de Roy (1994) relata que, nos Estados Unidos, por razões como
risco de hepatite, falta de disponibilidade comercial e a, até então, não aprovação do
órgão americano de controle de medicamentos e alimentos Food and Drugs
Administration (FDA), que significa Administração de Comidas e Remédios (em
português), a cola de fibrina estava sendo subutilizada. Não obstante, na mesma
época na Europa, a comercialização da cola de fibrina era viável e existiam ainda
estudos e documentações de seus benefícios e eficácia. Ainda assim, questionou-se
que os riscos da cola de fibrina homóloga poderiam ser evitados pela elaboração de
um produto autólogo, resultando em uma maior aceitação e, portanto, uso, desde que
não fosse de produção complexa, demorada ou dispendiosa. Por conseguinte, surgiu
o segundo tipo de cola de fibrina, um biomaterial autólogo, preparado inteiramente a
partir do próprio plasma do paciente em razão dos riscos de infecção cruzada. Entre
suas aplicações clínicas destacam-se o tratamento dos defeitos intra-ósseos,
aumento do cume alveolar, tratamento de recessão, regeneração óssea envolvendo
implantes dentários, aumento do assoalho do seio e tratamento de feridas de
extração. Possui como limitações, uma maior fraqueza e menor resistência a
estresses físicos do que as colas comerciais homólogas. Seus efeitos benéficos em
tecidos moles são bem documentados, no entanto, a sua contribuição para cirurgia
óssea, e cirurgia periodontal continua controversa e requer uma pré - doação ou
processamento dispendioso de sangue autólogo (PRAKASH e THAKUR, 2011).

2.2.2 PRP – Primeira geração de concentrado plaquetário

Após o primeiro artigo de Marx et al. (1998) deu-se início a tendência por
tecnologias de concentrados plaquetários em odontologia. O termo "plasma rico em
plaquetas (PRP)" foi usado pela primeira vez em 1954 por Kingsley, para designar um
concentrado de trombócitos durante as experiências de coagulação do sangue. O
conceito de concentrado de plaquetas para uso tópico foi, de fato, muito mais velho
que o artigo de Marx et al. (1998). Poucos anos depois das primeiras publicações
acerca de colas de fibrina, preparações autólogas foram testadas em oftalmologia,
cirurgia geral e neurocirurgia. Estes produtos ricos em plaquetas foram usados apenas
como adesivos de tecido de fibrina, e não como estimuladores de cicatrização: as
plaquetas devem suportar uma forte polimerização da fibrina, e, portanto, uma
17

vedação mais eficiente. Não foram considerados fatores de crescimento e


propriedades curativas (EHRENFEST et al. 2012). Knighton et al. (1986) introduziram
a primeira manifestação clínica de que concentrados de plaquetas promovem a
cicatrização local, usando o protocolo de centrifugação empírica em 2 passos. Estes
autores trataram 49 pacientes com úlceras cutâneas crônicas não-curadas e relataram
bons resultados. Infelizmente, em todos esses estudos, o teor exato desses produtos
permaneceu desconhecido, particularmente no domínio sobre o conteúdo de
leucócitos. Somente as plaquetas foram quantificadas.
Os PRPs são produtos mais complexos do que as preparações farmacêuticas
clássicas, pois, seus efeitos clínicos são dependentes das características versáteis e
adaptáveis intrínsecas do sangue do paciente e em numerosos agentes contidos
nestes produtos. Concentrados de plaquetas são, na verdade, concentrados de
sangue, e sua biologia é tão complexa como o sangue em si (EHRENFEST et al.
2012). O concentrado de plasma rico em plaquetas (cPRP), fundamenta-se
cientificamente no fato de os fatores de crescimento, em inglês Growth Factors (GFs),
serem conhecidos por desempenharem um papel fundamental em mecanismos de
reparação do tecido duro e mole, que exibem propriedades que promovem e modulam
funções celulares envolvidas na cicatrização de tecidos, regeneração e proliferação
de células (PRAKASH et al., 2011).
Ainda sobre o estudo de Prakash et al., (2011), o protocolo seguido para a
preparação do cPRP segue uma ordem. O sangue é retirado com anticoagulante e,
duplamente centrifugado, obtendo-se um concentrado de plaquetas rico em plasma.
Ele é, então, misturado com trombina bovina e cloreto de cálcio, no momento da
aplicação. Rapidamente ocorre sua solidificação. A polimerização do fibrinogênio,
também concentrado durante a preparação do cPRP, irá constituir uma interessante
matriz de fibrina com propriedades hemostáticas e adesivas.
Em virtude de sua propriedade de aceleração da cicatrização dos tecidos
moles, pode-se destacar como principais aplicações clínicas do cPRP, os
procedimentos de elevação do seio, aumento de crista, reparação da fenda alveolar
palatina, reparo oral/ fístula nasal, defeitos intra-ósseos, cirurgias de reconstituição de
mandíbula e procedimentos de tecidos moles, como enxertos gengivais e
subepiteliais.
Dentre as limitações do cPRP é relevante citar a preocupação com o uso de
trombina bovina, que pode ser associado com o desenvolvimento de anticorpos para
18

fatores V, XI e trombina, resultando no risco de coagulopatias (GUPTA et al., 2011).


Outra importante limitação do cPRP é a falta de uniformidade na elaboração de seus
protocolos, como por exemplo, diferentes concentrações de plaquetas com diferentes
tempos de armazenamento. Além disso, de acordo com LING et al. (2009), debate-se
a real eficácia do cPRP no auxílio da cicatrização de tecidos duros, estudos sugeriram
que ele medeia apenas os primeiros aspectos do processo de reparação óssea por
meio de um mecanismo de osteopromoção. Isto tem sido associado com a curta
duração de libertação do cPRP, em que a ativação da trombina causa 81% de níveis
totais de TGFβ 1 e níveis semelhantes do total de PDGFαβ para serem liberados no
interior do primeiro dia com significante diminuição da libertação em 3, 7, e 14 dias.
Tsay et al. (2005) sugeriu que a duração prolongada da liberação do fator de
crescimento pode facilitar um processo de reparo ósseo melhorado. Karp et al. (2004)
relatou que uma concentração mais elevada de trombina impediu a migração de
células durante a cicatrização óssea. Lacoste et al. (2003) também sugeriu que a
principal razão para o efeito inferior da cPRP sobre a regeneração óssea é que a
elevada concentração de trombina usada em práticas clínicas causa liberação rápida
dos mitógenos. Esta liberação, por ter ocorrido antes do início do crescimento dos
osteoblastos do tecido circundante, deixa menos mitógenos para serem liberados
após o início do crescimento interno celular, limitando o efeito de cPRP em
regeneração óssea.

2.2.3 PRF – Segunda geração de concentrado plaquetário

De acordo com Choukroun et al. (2006), Fibrina Rica em Plaquetas e


Leucócitos (L-PRF) pertence a uma nova geração de concentrado imunológico e
plaquetário, com processamento simplificado e sem manipulação bioquímica do
sangue, o que, segundo Dohan et al. (2010), é crucial para determinar a organização
tridimensional da rede de fibrina. O protocolo para a confecção deste biomaterial é
muito simples e barato: o sangue é recolhido em tubos secos de vidro ou de plástico
revestidos de vidro e imediatamente centrifugado. O coágulo de plaqueta rica em
fibrina (PRF) é formado por um processo de polimerização natural durante a
centrifugação, e a sua arquitetura tridimensional de fibrina é responsável pela
19

libertação lenta de fatores de crescimento e glicoproteínas da matriz por um período


de, aproximadamente, 7 dias.
Após a centrifugação, três camadas são formadas: uma base de glóbulos
vermelhos, red blood cells (RBC) na parte inferior, o plasma acelular, plasma pobre
em plaquetas, platelet poor plasma (PPP), na forma de um sobrenadante, e um
coágulo PRF no meio (Fig. 2.1A). Este coágulo dispõe de muitos promotores de cura
e de imunidade presentes na coleta de sangue inicial. Plaqueta rica em fibrina pode
ser utilizada diretamente, como um coágulo ou, após compressão, como uma forte
membrana (Fig. 2.1B). Embora fatores de crescimento e plaquetas desempenhem um
papel importante na biologia da PRF, a arquitetura tridimensional da fibrina e o seu
conteúdo de leucócitos são dois parâmetros chave, raramente avaliados. A maioria
dos estudos só destacam as concentrações de plaquetas e fatores de crescimento.
Contudo, a arquitetura de fibrina influencia diretamente a biologia de todos os
biomateriais à base de fibrina (DOHAN et al. 2010).

Figura 2.1A – Base de glóbulos vermelhos na parte inferior, o plasma acelular - plasma pobre
em plaquetas - na forma de um sobrenadante, e um coágulo PRF no meio.
Figura 2.1B – Plaquetas foram coletadas e transformadas em membrana. Este biomaterial
autólogo constituído de fibrina, plaquetas e leucócitos mostra uma arquitetura específica.
Fonte:DOHAN et al. 2010
20

Na análise por microscopia de luz realizada por Dohan et al. (2010), observou-
se que o coágulo de PRF pode ser descrito como composto de duas partes principais
observáveis a olho nu: uma porção de fibrina amarela, que constitui o corpo principal,
e uma porção vermelha localizada na extremidade do coágulo - total de glóbulos
vermelhos. Entre estas duas zonas, existe uma camada esbranquiçada chamada de
buffy coat (semelhantes à camada esbranquiçada em tecnologias PRP) onde estão
concentrados corpúsculos celulares.
O protocolo de fabricação da PRF, proposto por Choukroun, foi definido como
um conceito mecânico onde as plaquetas e leucócitos são projetados dentro do
coágulo de fibrina de forma estável, mesmo com ligeiras modificações de variáveis de
produção. Portanto, a arquitetura do coágulo é semelhante independente dos
pacientes, do tubo de coleta ou do método de compressão do coágulo. Não respeitar
o protocolo original pode levar à formação inadequada de coágulos de PRF e também
diferentes concentrações de plaquetas e leucócitos, comprometendo assim a
incorporação intrínseca de fatores de crescimento dentro da rede de fibrina,
resultando em variações de rendimento nos resultados clínicos. (DOHAN et al. 2010)
Ainda sobre o estudo de Dohan et al. (2010), o exame de microscopia
eletrônica de varredura confirmou que mais da metade de leucócitos foram presos na
membrana de PRF e não foram danificados durante a sua preparação. Este resultado
tem grande importância clínica, pois, a considerável quantidade de leucócitos
implantado no interior de cada membrana, torna ainda mais eficiente a regulação de
reações inflamatórias. Além disso, a composição celular da PRF implica que este
material é um tecido vivo derivado do sangue e têm de ser manuseado com cuidado
para manter seu conteúdo celular vivo e estável. Esta parte rica em leucócitos se
encontra na camada intermediária da membrana de PRF, anteriormente já
denominada de buffy coat, portanto os médicos devem recolher essa camada
esbranquiçada para a cirurgia. Este processo é feito com uma tesoura e continua
sendo dependente do operador, que deve ter um conhecimento preciso da arquitetura
do coágulo.
A fibrina desempenha um papel determinante na agregação plaquetária
durante a hemostasia (DOHAN et al., 2006), e os produtos de degradação do
fibrinogênio, segundo Choukroun et al., estimulam a migração de neutrófilos e
aumentam a expressão de um receptor de membrana que permite adesão de
neutrófilos ao endotélio e ao fibrinogênio, assim como a sua transmigração.
21

Todas as aplicações clínicas conhecidas da PRF são estruturadas em quatro


eventos fundamentais da cicatrização, sendo eles a angiogênese, controle
imunológico, aproveitamento de células-tronco circulantes e recobrimento de ferida
por epitélio. Esses eventos desempenham uma cicatrização de tecidos acelerada
devido ao desenvolvimento eficaz da neovascularização, acelerado fechamento da
ferida com rápida remodelação do tecido cicatricial e ausência quase total de eventos
infecciosos. Apesar de plaquetas e citocinas leucocitárias desempenharem um papel
importante na biologia do biomaterial, o suporte da matriz de fibrina certamente
constitui o elemento determinante responsável para o potencial terapêutico da PRF.
Além disso, os principais fatores de crescimento da angiogênese são incluídos no gel
de fibrina (CHOUKRON et al., 2006), o que segundo GUPTA et al. (2011), quando
liberados após a ativação das plaquetas aprisionadas dentro da matriz de fibrina,
estimulam uma resposta mitogênica também em periósteo de osso para sua
reparação durante a cicatrização de feridas.
Os fatores de crescimento combinados com a matriz de fibrina foram
estudados para acelerar o reparo de tecido ósseo e permitirem a proliferação de
fibroblastos, o favorecimento da vascularização tecidual, a formação de colágeno, a
mitose de células estaminais mesenquimais e células endoteliais, assim como de
osteoblastos, desempenhando papéis fundamentais na taxa e extensão de
neoformação óssea (ANILKUMAR et al., 2009). Além disso, as propriedades
biológicas da PRF embasam suas aplicações clínicas para prevenção de hemorragia
e para favorecer o processo de cicatrização tissular, principalmente em complicações
(DE PASCALE et al., 2015).
Segundo Choukroun et al. (2006) a rigidez da matriz influencia
consideravelmente a formação capilar das células endoteliais, o que é um fator crucial
para a compreensão das diferenças de cinética biológicas entre a cola de fibrina,
concentrados de plasma rico em plaquetas cPRP, e PRF. A matriz de fibrina orienta a
cobertura de tecidos lesados, afetando o metabolismo das células epiteliais e
fibroblastos. Após a migração e a degradação da fibrina, fibroblastos iniciam a síntese
de colágeno.
A PRF é favorável ao desenvolvimento de uma angiogênese direta, uma
microvascularização, pois fornece uma matriz - um suporte - para que as células
endoteliais sofram mudança de fenótipo. Esse processo é explicado pela estrutura
tridimensional do gel de fibrina e as citocinas presas em sua malha, que induzem a
22

angiogênese, sobretudo porque os fatores de crescimento possuem grande afinidade


pela rede de fibrina. Este biomaterial é capaz de guiar a migração de células epiteliais
na sua superfície, protegendo feridas abertas e acelerando o processo de
cicatrização. Outro importante aspecto da matriz de fibrina é que esta apresenta
considerável concentração de leucócitos, promovendo ainda a sua migração,
portanto, sua utilização parece ser de grande interesse em caso de feridas infectadas,
segundo estudo de Choukroun et al. (2006).
Vários autores têm demonstrado que a matriz de fibrina é um ótimo suporte
para células-tronco mesenquimais transplantadas com o objetivo de regeneração de
defeitos ósseos, já que as células-tronco mesenquimais da medula óssea contribuem
para a regeneração de todos os tipos de células ósseas e muitos outros tipos de
tecidos. Tal cura exige acúmulo dessas células e sua conversão para o fenótipo dos
osteoblastos (CHOUKRON et al., 2006).
A experiência clínica de Choukroun et al. (2006) confirma que o PRF pode ser
considerado um biomaterial de cura, possuindo todos os parâmetros necessários para
permitir a cura ideal e acelerar o processo de cicatrização fisiológica.

2.3 APLICAÇÕES DA PRF EM ODONTOLOGIA

Os clínicos desejam materiais que oferecem simplicidade e previsibilidade


para uma ampla variedade de defeitos, minimizando o potencial de risco de
complicações. Para esta infinidade de opções de tratamento, produtos biológicos
foram introduzidos como materiais aditivos. Atualmente, os estudos estão focados na
utilização clínica do L-PRF, um material rico em plaquetas autólogas e fatores de
crescimento, que proporciona uma armação osteocondutora e estimulam células do
próprio paciente no sentido de uma resposta regenerativa. É uma matriz de fibrina,
onde as citocinas de plaquetas, fatores de crescimento e células são presas, podendo
ser liberadas depois de um determinado período de tempo, servindo como uma
membrana reabsorvível. L-PRF é basicamente um concentrado de fatores de
crescimento e outros agentes que promovem a cicatrização de feridas e regeneração
tecidual. É usado em várias disciplinas de odontologia para reparar diversos tipos de
lesões e regenerar tecidos dentários e orais (AGRAWAL et al., 2014).
23

Khiste e Tari (2013) listaram as aplicações clínicas orais da PRF em:


(a) elevação de seio maxilar em combinação com enxertos ósseos, a fim de
acelerar a cicatrização;
(b) proteção e estabilização de materiais de enxerto em procedimentos de
aumento de crista;
(c) preservação do alvéolo após extração ou avulsão;
(d) cobertura de raízes de um ou mais dentes com recessão;
(e) tratamento de defeito ósseo de 3 paredes;
(f) tratamento de lesão endodôntica periodontal combinada;
(g) tratamento de defeitos de furca;
(h) aprimoramento da cicatrização de feridas palatais após enxerto gengival
livre;
(i) preenchimento de cavidade cística.

2.3.1 Levantamento de seio maxilar e implantodontia

Na implantodontia, a utilização deste biomaterial tem como principal objetivo


o aumento do tecido ósseo envolvente para a colocação de implantes, já que a falta
de espessura adequada, assim como a proximidade dos seios maxilares, na maxila,
e o nervo alveolar inferior, na mandíbula são os problemas mais frequentes que os
profissionais dessa área enfrentam (TUNALI et al., 2013). Isto posto, surgiram
procedimentos cirúrgicos de aumento ósseo, tais como levantamento de seio e
regeneração óssea guiada, que atuam em conjunto com a implantodontia, no
propósito de gerar osso suficiente que suporte a colocação de implantes. Novas
formas terapêuticas podem ser desenvolvidas com a adição da PRF aos materiais de
enxerto (SIMONPIERI et al., 2009).
Em um primeiro estudo sobre o uso de PRF em cirurgias orais de Choukroun
et al. (2006), avaliou-se o potencial da PRF em combinação com enxerto ósseo
liofilizado para melhorar a regeneração óssea em levantamento do seio maxilar. Nove
aumentos de assoalho foram realizados, em 6 locais foram adicionados à PRF
partículas de enxerto ósseo liofilizado (teste), e em 3 locais foi usado enxerto sem
PRF (grupo controle). Quatro meses mais tarde, para o grupo teste, e 8 meses mais
tarde, para o grupo controle, as amostras ósseas foram colhidas a partir da região
24

acrescida durante o processo de inserção do implante. Após 4 meses de tempo de


cura, a maturação histológica do grupo teste parece ser idêntica à do grupo controle,
que foi durante um período de 8 meses. Além disso, as quantidades ósseas recém-
formadas foram equivalentes entre os dois protocolos, mostrando-se uma opção
considerável ao se realizar um levantamento de seio com implantação simultânea.
Alguns estudos apontam a utilização de PRF como único material de
preenchimento, outros ainda mostram o uso de PRF em combinação com outros
materiais de enxerto ósseo em diversas técnicas diretas e indiretas de elevação, como
elevação do assoalho, elevação do seio maxilar mediada por osteótomo, elevação
minimamente invasiva e etc. De acordo com Simonpieri et al. (2011), a escolha do
material ou da associação de materiais durante o procedimento de elevação do seio
maxilar influencia o período de espera até a cura adequada e remodelação do material
enxertado, a colocação do implante e até o carregamento funcional. Sendo o PRF a
técnica mais simples e barata quando abordada a tecnologia de concentrados
plaquetários, permitindo a obtenção de um volume significativo de biomaterial,
produzido em pouco tempo.
Uma pesquisa abrangendo 23 levantamentos de seio em 20 pacientes,
utilizou somente o PRF de Choukron como biomaterial enxertado. Os coágulos de
PRF foram inseridos e comprimidos no interior da cavidade subsinuosa a fim de
preenche-la por completo, promovendo a estabilização dos implantes, e uma
membrana de PRF era utilizada para cobrir a janela de osteotomia com o intuito de
proteger a cavidade subsinuosa preenchida do potencial de invaginação
mucogengival. Após a cirurgia, a cicatrização foi normal em todos os pacientes e em
seis meses todos os implantes apresentavam-se clinicamente estáveis durante o
torque do pilar no implante. Além disso, nenhum implante foi perdido durante os seis
anos da experiência e o ganho ósseo vertical mostrou-se sempre substancial e estável
(SIMONPIERI et al., 2011).
O uso sistemático do PRF durante o levantamento de seio, com ou sem
substituto ósseo, parece uma opção muito interessante e benéfica, especialmente
para a proteção mecânica e biológica da membrana sinusal, podendo substituir as
membranas de colágeno comumente utilizadas. Além disso, seu uso na membrana
do seio pode melhorar potencialmente a cicatrização da membrana, a indução da
estimulação do periósteo e a estabilização de um novo volume ósseo na extremidade
do implante. Deve-se atentar à experiência do cirurgião e a escolha do perfil do
25

implante, que são parâmetros imprescindíveis à estabilização do implante no rebordo


alveolar residual, condição fundamental para o apoio firme dos implantes como pilares
para a membrana sinusal (SIMONPIERI et al., 2011).

2.3.2 Periodontia

O tratamento da recessão gengival e do recobrimento radicular em raiz


exposta por muitos anos foi encarado como um desafio para os periodontistas. Com
a evolução dos aditivos cirúrgicos e suas aplicações em cirurgia oral e maxilofacial,
um novo leque de possibilidades foi aberto com o objetivo de investigar uma nova
forma terapêutica para essas complicações. A doença periodontal é uma doença
infecto-inflamatória que leva à destruição dos tecidos de suporte e sustentação dos
dentes e, quando não tratada, leva a uma perda progressiva da aderência, do tecido
ósseo e pode, possivelmente, conduzir à perda precoce dos dentes (PRADEEP et al.,
2012).
Em periodontia, a membrana de PRF tem sido usada para tratar recessões
gengivais, defeitos intra-ósseos e lesões periapicais. Alguns estudos apontam para a
utilização de gel de PRF e membrana PRF em combinação com um enxerto ósseo
para o tratamento de um dente com uma lesão endodôntica periodontal combinada
(Fig. 2.3.2A e 2.3.2B). Além disso, ainda na área de periodontia, a plaqueta rica em
fibrina foi utilizada como uma nova abordagem da cobertura da raiz em potencial,
avaliado pela cobertura localizada da recessão gengival em dentes anteriores
inferiores, usando a combinação de técnica de retalho posicionado lateralmente e
membrana PRF (AGRAWAL et al., 2014).
O artigo de Anilkumar et al. (2009) relata que o tratamento da recessão
gengival objetiva atingir a completa cicatrização e a regeneração da unidade
periodontal. A manutenção dos tecidos moles forma a principal barreira de defesa do
tecido contra uma infecção bacteriana, a fim de proteger e manter a dentição natural
do paciente que apresenta uma crescente demanda estética, favorecendo também o
conforto e manutenção da função. Dentre os procedimentos para tratamento da
recessão gengival, o uso da técnica bilaminar, que utiliza enxerto de tecido conjuntivo
subepitelial, ainda é responsável pelos resultados mais favoráveis em termos de
recobrimento da raiz, entretanto estudos histológicos demonstram uma cura
26

imprevisível. O uso da PRF objetivando a cobertura da raiz pode diminuir a


necessidade de adquirir tecido conjuntivo local que deixa o sítio de doação com
morbidade. O enxerto gengival livre é uma das técnicas mais utilizadas quando
pretende-se aumentar as dimensões dos tecidos queratinizados, entretanto deixam
locais doadores cicatrizarem por segunda intenção, o que requer um tempo de
recuperação maior (de duas a quatro semanas), sendo mais desconfortável para o
paciente. (ARAVINDAKSHA et al., 2013).

Figura 2.3.2A – Coágulo de fibrina foi facilmente separado da parte inferior do sangue
centrifugado.
Figura 2.3.2B – O PRF pode ser triturado como material para enxerto.
Fonte: CHANG e WU, 2011.

2.3.3 Aplicação em tecidos lesionados

Com a intenção de comparar a diferença do tempo de cicatrização,


Aravindaksha et al. (2013) submeteu cinco pacientes sistematicamente saudáveis a
uma avaliação da resposta de cura de um procedimento cirúrgico. Sendo a cura
avaliada visualmente a partir de teste de peróxido de hidrogênio, mensurando a
qualidade da barreira epitelial. O teste que acusar negativo por dois dias consecutivos,
indica cura completa. Quatro pacientes tiveram suas áreas doadoras cobertas com
membrana PRF e um paciente foi submetido a um processo de cura de maneira
convencional, sem membrana PRF. Os quatro pacientes que tiveram o local doador
coberto com PRF demonstraram cura completa sem intercorrências em 18 dias,
enquanto a área doadora que não foi coberta curou-se completamente em 28 dias. A
redução do tempo de cura, ao fazer uso da membrana PRF, resultou em um menor
27

desconforto pós-operatório para os pacientes. Isto decorreu-se em razão das áreas


doadoras serem recobertas com uma membrana PRF que contém e suporta
concentrados plaquetários e células do sistema imunológico, além de outros
componentes, favorecendo a cicatrização e imunidade, estimulando a angiogênese e
epitelização.
Um caso de completa ablação cística maxilar, onde a cavidade se preenche
rapidamente de sangue, um coágulo sanguíneo, versão fisiológica da PRF, é formado
atuando como uma armadilha para células-tronco circulantes, originando um tempo
de cura fisiológico de 6 meses a um ano. Toda via, ao preencher a cavidade com PRF,
o fenômeno fisiológico da cura é acelerado, pois a matriz de fibrina do PRF, por ser
melhor organizada, é capaz de aproveitar com mais eficácia as células estaminais,
reduzindo o tempo de cicatrização para 2 meses apenas (CHOUKRON et al., 2006).

2.3.4 Endodontia regenerativa

Estudos de Shivashankar et al. (2012) apontam que na área de endodontia, a


L-PRF pode ser usada como material para regeneração e revitalização pulpar em um
dente necrótico imaturo e infectado, pois é rico em fatores de crescimento, aumenta a
proliferação e diferenciação celular, e atua como uma matriz para crescimento interno
de tecido. Além disso, em procedimentos de apicificação, existem alguns relatos de
caso onde a combinação da membra de PRF como matriz e Agregado de Trióxido
Mineral (MTA) vem a ser uma alternativa eficaz para a criação de barreiras artificiais
na raiz apical e indução de uma cicatrização mais rápida nos casos de lesões
periapicais grandes. A teoria do potencial por trás do sucesso do uso da PRF para a
regeneração do ápice aberto poderia ser atribuída a um estudo em que a PRF induz
a proliferação de células humanas da polpa dentária e aumenta a expressão das
proteínas dessas células a se diferenciarem em odontoblastos. Outra aplicação é seu
uso em procedimentos de pulpotomia regenerativa, onde foi documentado por I.B.
Geeta et al. (2013) que a polpa coronária é removida e a polpa restante é coberta por
PRF seguida de selagem com MTA e cimento de ionômero de vidro (CIV). Bem como,
de acordo com AGRAWAL et al. (2014), a PRF também tem sido usada para
preencher defeitos ósseos após cirurgias periapicais.
28

2.3.5 Aplicação em alvéolos pós-extração/avulsão

Normalmente recomenda-se a adição de material nos locais de avulsão ou


extração com o objetivo de manter o volume ósseo adequado. Quando utilizada
nessas situações a membrana de PRF potencializa a formação do coágulo sanguíneo,
de modo que o processo fisiológico de cicatrização é favorecido (Fig. 2.3.5A, 2.3.5B
e 2.3.5C). É particularmente determinante em sítios com infeção e em pacientes com
condições médicas sistêmicas que possam comprometer o processo de cicatrização:
diabéticos, pacientes medicados com imunossupressores ou anticoagulantes (DEL
CORSO et al., 2010).
Um exemplo clínico atual, segundo pesquisa de Choukron et al. (2012), trata-
se do preenchimento de alvéolo por PRF. Notou-se que um coágulo de
neovascularização foi formado rapidamente através do biomaterial, além do
desenvolvimento de uma cobertura epitelial.
O estudo de Agrawal et al. (2014) apresenta a PRF como material de
preenchimento das cavidades de extração, que vai atuar como um coágulo de sangue
estável para neovascularização e regeneração tecidual acelerada. O artigo de
Choukron et al. (2006) relata um caso onde foi utilizado o PRF para preenchimento do
alvéolo após extração, observou-se a rápida formação de coágulo e cobertura
epitelial, além da cura da ferida sem dor ou complicações purulentas. Graças a
neovascularização inicial, células-tronco são levadas até o local da ferida e ficam
presas pela malha de fibrina, transformando-se em um fenótipo secretor que induz a
restauração vascular e de tecidos, importante para a neoformação óssea. Manter o
volume ósseo em sítios pós-avulsão ou extração é um dilema, pois a perda
volumétrica que ocorre atrapalha a estética e a implantação. Os materiais de
preenchimento, normalmente, não oferecem as condições necessárias para
reabsorção e remodelação óssea, dificultando a sua regeneração e a
neovascularização. Há também a dificuldade em manejar o tecido mole sobre o
enxerto, uma vez que, habitualmente é necessário realizar incisões de relaxamento,
com o intuito de recobrir e proteger o material enxertado objetivando uma menor perda
do material.
O PRF pode ser usado também como uma membrana para regeneração
óssea guiada, onde a arquitetura tridimensional forte e elástica atua como uma tela
suturável que cobrirá e estabilizará o material enxertado, protegendo o material e a
29

própria ferida em si, permitindo a aproximação dos bordos gengivais e,


consequentemente, favorecendo a sua reepitelização. Sendo assim, a aceleração do
processo de cura torna o sítio cirúrgico menos sensível às agressões, reduzindo a
sensibilidade pós-operatória e atuando a favor da estética (Del Corso, Toffler e
Ehrenfest, 2010).

Figura 2.3.4A – Local de avulsão/ extração.


Figura 2.3.5B – Colocação de membrana de PRF.
Figura 2.3.5C - Cicatrização – 15º dia do pós- operatório.
Fonte:DEL CORSO, TOFFLER e EHRENFEST, 2010.
30

3 METODOLOGIA

O presente estudo é uma pesquisa bibliográfica constituída principalmente por


artigos científicos, pesquisas, relatos de casos e mais publicações nacionais e
internacionais que possam ser feitas em relação a concentrados plaquetários, desde
o ano de 1986 até o início de 2015.
As buscas foram feitas através de bases eletrônicas do Portal de Periódicos
da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES
[Link] Scielo,
Bireme, PubMed e Scoob. Como palavras chave para o procedimento poderão ser
utilizadas: healing (cicatrização), L-PRF (fibrina rica em plaquetas e leucócitos),
growth factors (fatores de crescimento),fibrin (fibrina), cytokines (citocinas), tissue
regeneration (regeneração tecidual), fibrin glue (cola de fibrina) e inflammatory
regulation (regulação inflamatória).
O objetivo deste trabalho foi reunir o maior número possível de informações
que demonstrassem a eficácia do L-PRF em reduzir a morbidade em procedimentos
de reconstruções teciduais orais.
31

4 DISCUSSÃO

O presente estudo descreve a evolução de um produto que promove um forte


estímulo para a cicatrização, assim como, relata também a sua efetividade em estudos
e pesquisas já realizadas. A rápida cicatrização ocorre pela estimulação da produção
de colágeno pelo Plasma Rico em Plaquetas e da Fibrina Rica em Plaquetas auxiliada
por fatores de crescimento. Estes não são, contudo, os atores principais quando o
assunto é coagulação e cicatrização de tecido. A reparação de tecidos constitui um
desafio constante na área da medicina regenerativa, onde diversos biomateriais têm
sido estudados para otimizá-la.
A tendência de aditivos cirúrgicos começou há muitos anos com colas de
fibrina (autólogo) evoluindo para um concentrado de plaquetas PRP. Neste último
utiliza-se o conceito da utilização de um procedimento de centrifugação (muitas vezes
em dois passos), a fim de concentrar e recolher a maioria das plaquetas a partir de
uma coleta de sangue (tirada com anticoagulante), e injetando-se num local de ferida
a fim de melhorar a cura. Os concentrados de plaquetas e colas de fibrina são, de
fato, não tão diferentes, semelhantes quando baseadas em tecnologias de
polimerização de fibrinogênio do sangue para um gel de fibrina.
A cola de fibrina, apesar dos muitos benefícios, tais como ser não tóxica,
biodegradável, promover o crescimento local e reparação de tecidos, apresenta
alguns fatores negativos que devem ser ressaltados, pois formam os pontos chave
para a busca de uma evolução do produto. Para os adesivos comerciais homólogos
houve o risco de infecção cruzada, o que levou ao desenvolvimento de uma cola de
fibrina autóloga, do plasma do próprio paciente, mas, com propriedades menos
satisfatórias, maior fraqueza e menor resistência a estresses físicos.
A evolução para concentrados de plaquetas PRP deu-se por estes fatores de
risco citados acima. O sangue agora é recolhido do próprio paciente e duplamente
32

centrifugado formando, portanto, a membrana PRP onde adiciona-se trombina bovina


e cloreto de cálcio no momento da aplicação para que esta se solidifique. PRP
funciona como uma matriz de fibrina com propriedades hemostáticas e adesivas,
possui propriedades de cicatrização de tecidos e pode ser utilizada em diversos
procedimentos. Contudo, há a preocupação no uso de trombina bovina, pois o fator V
bovino pode reagir com o fator V humano, causando coagulopatias e episódios de
sangramento raros. Os protocolos de confecção do PRP não são uniformes e causam
diferentes reações de acordo com a produção da membrana. A rápida liberação das
plaquetas na membrana PRP indica que o seu potencial regenerativo auxilia apenas
nos primeiros aspectos do processo de reparação.
Algumas técnicas evoluíram e tornaram-se tão diferentes do conceito inicial
do PRP, que a necessidade de um nome distinto se tornou evidente e natural.
Choukroun et al. descreveu em 2001 a técnica da plaqueta rica de fibrina (PRF), que
foi considerada como tecnologia de concentrado de plaquetas de segunda geração.
De fato, a PRF de Choukroun apresentou características muito diferentes dos outros
produtos: o sangue é colhido sem anticoagulante e imediatamente centrifugado,
levando à formação natural de um coágulo de PRF no meio do tubo - sem a adição
de quaisquer adjuvantes. O processamento simplificado e sem manipulação
bioquímica do sangue é crucial para determinar a organização tridimensional da rede
de fibrina, que é responsável pela libertação lenta de fatores de crescimento e
glicoproteínas da matriz por um período de, aproximadamente, 7 dias. PRF é um
biomaterial sólido, um coágulo de sangue natural otimizado, e não uma suspensão
líquida de plaquetas injetável como os PRPs. A ativação de plaquetas e a
polimerização da fibrina não são o passo final do processo, eles são o processo.
Tornou-se óbvio, portanto, que as tecnologias de concentrado de plaquetas,
resultando em fortes biomateriais de fibrina não poderiam mais ser chamados de PRP.
Além disso, PRF também contém leucócitos, levantando a hipótese de parâmetros
imunes e seu papel fundamental.
Segundo Choukroun et al., a rigidez da matriz influencia consideravelmente a
formação capilar pelas células endoteliais, um fator crucial para a compreensão das
diferenças de cinética biológicas entre a cola de fibrina, concentrados de plasma rico
em plaquetas (cPRP), e PRF. A técnica para a obtenção PRF sobre sua primeira
geração PRP possui certas vantagens. Em primeiro lugar, a técnica de PRF é bastante
simples, menos demorada e envolve menos arsenal. PRP pode ser preparado através
33

de duas técnicas que diferem nos seus aspectos técnicos. O primeira requer grande
quantidade de sangue (450 ml) e é feita em ambientes hospitalares. Pode ser feita por
dupla ou única centrifugação. Por outro lado, as PRFs podem ser adquiridas através
de uma centrífuga de mesa em questão de 10 minutos. Nada obstante, a vantagem
mais importante da PRF sobre PRP é a eliminação de qualquer constituinte aditivo tal
como trombina bovina que é obrigatória na produção de PRP.
A PRF teria, necessariamente, efeitos muito diferentes ao PRP, este último
possui um efeito enorme e incontrolável, e de curto prazo, por causa das altas taxas
de trombina iniciarem a polimerização rápida, o que faz uma íntima incorporação das
citocinas em uma matriz de fibrina. Já PRF deriva de uma polimerização natural e
progressiva que ocorre durante a centrifugação.
A matriz de fibrina da PRF é ainda um ótimo suporte para células-tronco
mesenquimais transplantadas que tem como objetivo a regeneração de defeitos
ósseos. As células-tronco mesenquimais da medula óssea contribuem para a
regeneração de diversos tipos de tecidos, incluindo as células ósseas. Tal cura exige
o acúmulo dessas células e sua conversão para o fenótipo dos osteoblastos
(CHOUKRON et al., 2006). Sugere-se, portanto, que esta área seja foco de estudo já
que promove a solução para um problema clássico, como a perda de estrutura óssea,
e ainda não é tão bem documentada.
Essencialmente contata-se que a PRF é mais eficaz do que os outros aditivos
cirúrgicos, pois seu método de confecção é mais simples, eficaz e com baixo custo de
preparação. Ademais, elimina o uso de trombina bovina reduzindo as probabilidades
de infecção cruzada. Possui uma lenta polimerização natural quando em contato com
as partículas de vidro, enquanto que no PRP, há uma súbita polimerização de fibrina,
dependendo da quantidade de aditivos cirúrgicos (trombina e cloreto de cálcio). A
estrutura flexível 3-D da PRF é mais favorável para o enredamento de citocinas e
migração celular, enquanto que a organização do PRP consiste de um condensado
de fibrina que permite o espessamento de polímeros que conduzem a uma rede rígida,
tornando-se não muito favorável ao enredamento de citocinas e migração celular. A
PRF possui ainda efeito de suporte no sistema imune e ajuda na hemostasia
(AGRAWAL, M. e AGRAWAL, V., 2014).
34

5 CONCLUSÃO

Findamos nosso trabalho de conclusão de curso com a convicção que o


plasma rico em fibrina é um material de fácil confecção, precisando apenas do sangue
do próprio paciente, eliminando assim os riscos de infecção cruzada dos demais
aditivos. Sua característica hemostática e de suporte do sistema imune contribuem
para seu sucesso e real efetividade na diminuição da morbidade em procedimentos
cirúrgicos. Em virtude disso, possuem uma ampla possibilidade de aplicações, tanto
na odontologia quanto na medicina, com excelentes resultados a curto prazo,
apoiados por diversos estudos já publicados, relatando a segurança no seu uso para
aplicação oral e maxilofacial. Nada obstante, é necessário conhecer mais sobre sua
biologia e eficiência como biomaterial a longo prazo, além da sua capacidade de
suporte para células – tronco, visto que este é um assunto relativamente recente e
com grande potencial para novas descobertas e aplicações.
35

REFERÊNCIAS

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[Link] Journal of Medical and Dental Research, India: v. 2, n. 3, p. 51-58, jun./2014.
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PAMEELA, E. Platelet-rich-fi brin: A novel root coverage approach, Journal of Indian Society of
Periodontology, v. 13, n. 1, Jan-Abri./2009.

ARAVINDAKSHA, S. P.; BATRA P.; SOOD, V.; KUMAR, A.; GUPTA G. Use of Platelet Rich Fibrin
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