Escola Politécnica Professor: João Pedro E.
Joaquim
Universidade de São Paulo
29 de Setembro de 2022 Disciplina: R1
Fuja de R1 - P1
0.1 Exercı́cio de Deslocamentos - P1 Reof 2022
Para a Estrutura a seguir, calcular os deslocamentos verticais dos pontos B e D.
Figura 1: Enunciado do exercı́cio 1
0.1.1 Equilı́brio da estrutura rı́gida ABCD
Primeiramente, vamos calcular o equilı́brio da estrutura rı́gida a fim de descobrir os módulos das
forças normais nas barras de treliça. Como existe, uma força P para baixo no ponto D, vamos assumir,
a princı́cio, que o ponto A tende a descer. Portanto, as barras 1 e 2 estão tracionadas e as forças N1 e
N2 puxam o ponto A para cima.
Dessa forma, a componente horizontal de N1 tem sentido para a esquerda, o que faz com que tenha-
mos que assumir que a componente horizontal de N3 tenha sentido contrário para que haja equilı́brio,
uma vez que apenas N1 e N3 possuem componentes horizontais atuantes na estrutura ABCD. A Figura
2 ilustra as forças N1 , N2 e N3 atuantes nas barras.
1
Figura 2: Forças normais nas barras de treliça
Calculamos então as componentes de N1 e N3 e analisamos os equilı́brios de forças, em x e y, e
momentos.
Figura 3: Componentes das normais nas barras de treliça
Equilı́brio em x:
X N1 N3
Fx = 0 ⇒ √ − √ = 0 ⇒ N1 = N3 (1)
2 2
Equilı́brio em y:
X N1 N3
Fy = 0 ⇒ √ − √ + N2 − P = 0 ⇒ N2 − P = 0 ⇒ N2 = P (2)
2 2
Equilı́brio de MA :
X a √
MA = 0 ⇒ P a − N3 · √ = 0 ⇒ N3 = N1 = P 2 (3)
2
2
0.1.2 Cálculo das deformações
Em posse das normais, podemos calcular as deformações ∆li para cada uma das barras de treliça.
Como as barras 1 e 2 estão tracionadas, suas deformações são de alongamento, enquanto a deformação
da barra 3 é de encurtamento, uma vez que está comprimida.
Pa
A fim de facilitar as contas, vamos definir δ = .
ES
√ √
2P · a 2 √ P a √
∆l1 = ∆l3 = √ = 2· = 2δ (4)
2ES ES
Pa 1 Pa 1
∆l2 = = · = δ (5)
2ES 2 ES 2
0.1.3 Diagramas de Williot
Inicialmente vamos analisar apenas os deslocamentos causados pelas deformações das barras 1 e 2.
Figura 4: Deslocamentos causados por ∆l1 e ∆l2
O ponto A′ (par aonde vai o ponto A) é encontrado a partir do cruzamento dos arcos confundidos com
tangentes a partir das pontas das barras deformadas. É perceptı́vel que toda a estrutura se desloca na
vertical o quanto o ponto A se desloca na vertical (wA ), que é igual a ∆l2 . Além disso, toda a estrutura
de desloca na horizontal o quanto A se desloca na horizontal (uA ). Os calculos desses deslocamentos
são apresentados a seguir (ver Figura 5).
1
wA = ∆l2 = δ (6)
2
√ √ 1 √ 1 √ √ 1 3
uA = ∆l2 + (∆l1 − ∆l2 · 2) · 2 = δ + ( 2δ − δ · 2) · 2 = δ + 2δ − δ = · δ (7)
2 2 2 2
3
Figura 5: Deslocamentos do ponto A
Tendo analisado os deslocamentos causados pelas deformações nas barras 1 e 2, vamos agora analisar
as deformações causadas pela deformação da barra 3 já na estrutura deformada por 1 e 2.
Figura 6: Deslocamentos causados por ∆l3
Na Figura 6 pedemos ver onde o ponto B vai parar após todas as deformações (B ′′ ), sendo o grande
desafio desse exercı́cio calcular o quanto o ponto B ′ sobe até B ′′ . Na Figura 7, está uma proposta de
solução para o exercı́cio a partir da análise do triângulo A’B’B”.
4
Figura 7: Deslocamentos causados por ∆l3
√ 1 3 √ √ 4
B ′ B ′′ = ∆l2 + uA + ∆l3 · 2 = δ + δ + 2δ · 2 = δ + 2δ = 4δ (8)
2 2 2
1
Sabemos que o ponto B, assim como toda a estrutura, desce δ inicialmente e, depois, sobe 4δ.
2
Logo, o deslocamento vertical total de B é para cima e dado por:
1 7 7 Pa
wB = 4δ − δ = δ = · (9)
2 2 2 ES
1
Quanto ao deslocamento em D, sabemos que, assim como toda a estrutura, D desce δ inicialmente.
2
Na segunda etapa, como demonstrado na Figura 10, D desce exatamente o quanto B sobe, 4δ.
Figura 8: Relação entre deslocamentos de B e D
Logo, o deslocamento vertical total wD é para baixo e dado por:
1 9 9 Pa
wB = 4δ + δ = δ = · (10)
2 2 2 ES
5
0.2 Exercı́cio de figuras planas - P2 2012
Calcular os momentos centrais de inércia e os eixos centrais de inércia da figura plana abaixo:
Figura 9: Enunciado do exercı́cio 2
Formulário:
Figura 10: Formulário do exercı́cio 2
0.2.1 Cálculo do centro de gravidade
Inicialmente vamos calcular o centro de gravidade da figura. Não é complicado perceber que o G está
nos pontos médios tanto da vertical quanto da horizontal. Contudo, vamos tratar o problema como um
caso geral e chegar às coordenadas de G pela ponderação das áreas. Para isso, adotaremos inicialmente
os eixos x e y como mostrados na Figura 11.
6
Figura 11: Informações para o cálculo de G
c2
Dividindo a figura em dois triângulos de área , cujos centros de gravidade G1 e G2 estão, respec-
2
2c c 4c
tivamente, nas coordenadas , e , c , calculamos xG e yG :
3 3 3
2c c2 4c c2
· + ·
xG = 3 2 2 3 2 = c (11)
2c
2
c c2 c2
· +c·
yG = 3 2 2 2 = 2c (12)
2c 3
2
0.2.2 Cálculo dos momentos de inércia e produto de inércia
Com as informações disponibilizadas no enunciado, para calcular o momento de inércia e o produto
de inércia, teremos que calculá-los para cada um dos triângulos com eixos em G1 e G2 e transportá-los
para G.
Como mostrado na Figura 12, a partir dos eixos x′1 xy1′ e x′2 xy2′ adotados, temos distâncias ∆x e ∆y
iguais para os sistemas de eixos de âmbos os triângulos em relação ao sistema de eixos centrado em G,
x′ xy ′ . Além disso, como os triângulos são isósceles, Ix′ = Iy′ . Já que a fórmula de mudança de base
para o eixo do centro de gravidade depende apenas das distâncias ∆x e ∆y e dos momentos de inércia
Ix′ e Iy′ , concluı́mos que Ix′′ = Iy′′ . Como estamos calculando para um triângulo, toda a fórmula será
multiplicada por dois para considerar o momento de inércia de ambos os triângulos.
4
c2 c2 c4
2 c
Iy′′ = Ix′′ = 2 · (Ix′ + (∆y) · A) = 2 · + · = (13)
36 9 2 6
7
Figura 12: Informações para o cálculo do momento de inércia e produto de inércia
Quanto ao produto de inércia, calcularelos a partir da fórmula de mudança de eixos e da fórmula
disponibilizada. Entretanto, é importante salientar que, diferentemente dos momentos de inércia, que
são sempre positivos, o produto de inércia pode assumir valores negativos ou positivos a depender da
distribuição de áreas nos quadrantes cujo produto é positivo ou negativo.
A fórmula do enunciado é negativa, já que, com os eixos do enunciado, a área do triângulo fica,
na maior parte nos quadrantes negativos. Como utilizamos eixos contrários ao do enunciado, como
mostrado na Figura 13, devemos usar a fórmula com sinal positivo.
Figura 13: Relação de sinais do produto de inércia
c4 c2 c2 5c4
Ix′ y′ = 2 · (Ix′1 y1′ + ∆x∆y · A) = 2 · + · = (14)
72 9 2 36
8
0.2.3 Momentos centrais de inércia
A partir dos resultados dos momentos de inércia em relação ao sistema de eixos x′ xy ′ , podemos
calcular os momentos centrais, i.e., os momentos de inércia nos eixos centrais, a partir da fórmula
fornecida. Como sabemos que Ix′ é igual à Iy′ , a média aritimética dos dois será Ix′ e a diferença dos
dois é nula. Logo, temos os seguintes resultados:
s 2
Ix′ + Iy′ Ix′ − Iy′
I1,2 = ± + Ix2′ y′ ⇒ I1,2 = Ix′ ± Ix′ y′ (15)
2 2
c4 5c4 11c4
I1 = + = (16)
6 36 36
c4 5c4 c4
I2 = − = (17)
6 36 36
0.2.4 Eixos centrais de inércia
Finalmente, calcularemos os ângulos que definem os eixos centrais de inércia a partir, também, das
fórmulas fornecidas:
Ix′ − I1,2
tan θ1,2 = (18)
Ix′ y′
c4 11c4
−
tan θ1 = 6 36 = −1 ⇒ θ = arctan (−1) = −π (19)
4 1
5c 4
36
c4 c4
− π
tan θ2 = 6 436 = 1 ⇒ θ2 = arctan (1) = (20)
5c 4
36
Sendo assim, chegamos aos eixos 1 e 2 mostrados na Figura 14.
Figura 14: Eixos centrais de inércia
9
0.3 Exercı́cio de Flexão Normal Simples - P1 2021
Calcular am máximas tensões de tração e compressão na barra AB. A força P caminha entre C e
D.
Figura 15: Enunciado do exercı́cio 3
0.3.1 Análise das seções mais solicitadas
Nesse tipo de exercı́cio, é necessário encontrar a seção de AB que sofre maior solicitação (onde o
momento fletor é máximo). Nesse caso, como temos uma força que caminha entre C e D, precisaremos
analisar duas situações: quando P está em C e quando P está em D.
Vamos iniciar com o caso mais simples: P em C. Como a linha de ação de P , nesse caso, passa por
B, podemos transportar P para B sem transporte de momentos.
Figura 16: Linha de ação de P
Sendo assim, como é necessária analisar apenas AB, temos a seguinte disposição de forças em AB:
10
Figura 17: Viga AB para P em C
Cálculo das reações de apoio:
X
Fy = 0 ⇒ 3P − P − RA − RB = 0 ⇒ RA + RB = 2P (21)
X 3P
MB = 0 ⇒ RA 2a − 3P a = 0 ⇒ RA = (22)
2
3P P
∴ RB = 2P − = (23)
2 2
Com essas informações é possı́vel traçar o diagrama de momentos fletores:
Figura 18: Diagrama de momentos fletores da viga AB para P em C
Analisando o diagrama, concluı́mos que a seção mais solicitada é a seção central, na qual o momento
3P a
é .
2
Quando P está em D, P gera momento em B, esse momento é calculado a partir do produto entre
a força e o braço, distância entre a linha de ação de P e B.
Mtransporte = P a (24)
11
Figura 19: Análise do momento de transporte para quando P está em D
Temos, então, a seguinte distribuição de carregamentos em AB quando P está em D:
Figura 20: Viga AB para P em D
Cálculo das reações de apoio:
X
Fy = 0 ⇒ 3P − P − RA − RB = 0 ⇒ RA + RB = 2P (25)
X
MB = 0 ⇒ RA 2a − 3P a + P a = 0 ⇒ RA = P (26)
∴ RB = 2P − P = P (27)
12
Com essas informações é possı́vel traçar o diagrama de momentos:
Figura 21: Diagrama de momentos fletores da viga AB para P em D
Com esses resultados, temos duas seções igualmente solicitadas com momentos fletores máximos
P a. Todavia, uma delas, a central, está sendo tracionada na parte superior enquanto a seção em B está
sendo tracionada na parte inferior.
0.3.2 Diagramas de tensões
A partir dos dados das seções mais solicitadas, podemos traçar os diagramas de tensões nessas
seções. Temos três seções mais solicitadas: uma delas tracionada embaixo e comprimida em cima e
duas tracionadas em cima e comprimidas embaixo.
Como temos duas seções tracionadas em cima e comprimidas embaixo, vamos utilizar apenas a de
maior momento fletor, pois, uma vez que as tensões σ, são diretamente proporcionais ao momento
3P a
fletor1 , as tensões serão maiores na seção cujo momento é maior, ou seja, para momento de .
2
Nas figuras abaixo estão indicados os diagramas nas três seções:
a) P em C b) P em D
Figura 22: Diagramas de tensões
1 Mz
as tensões são calculadas como σ = ·y
Iz
13
0.3.3 Cálculo das tensões
Vamos calcular as tensões para as duas seções mais solicitadas: a seção tracionada superiormente
3P a
com momento e a seção tracionada inferiormente com momento P a.
2
OBS.: para a seção triangular analisada, o momento de inércia em torno do eixo z é dado por
bh3 c4
Iz = = .
36 36
3P a
Para a seção tracionada superiormente com momento :
2
3P a
c 18P a
σt′ = 24 · = (28)
c 3 c3
36
3P a
2c 36P a
σc′ = 24 · = (29)
c 3 c3
36
Para a seção tracionada inferiormente com momento P C:
P a 2c 24P a
σt′′ = 4 · = (30)
c 3 c3
36
Pa c 12P a
σc′′ = 4 · = (31)
c 3 c3
36
Das duas tensões de tração encontradas a máxima é σt′′ e das duas tensões de compressão encontradas
24P a
a máxima é σc′ . Portanto temos como resposta que a máxima tensão de tração é de σt,max = ea
c3
36P a
máxima tensão de compressão é de σc,max = .
c3
14