9
a) DIAGRAMA DE BODE
A técnica de representar graficamente a resposta em freqüência dos filtros através de uma
escala em decibéis pode tornar-se bastante simples. Para tanto, ao invés de se trabalhar
com os gráficos reais, como o da FIG. 11, utiliza-se segmentos de reta que são traçados
assintóticamente à curva mostrada, na mesma figura.
Além de permitir uma comparação direta da reposta do circuito a diferentes freqüências o
DIAGRAMA DE BODE, como são denominados esses novos gráficos, permite uma
economia de tempo e esforço fornecendo informações bastante seguras sobre o filtro em
questão.
Para mostrar essa praticidade consideremos o filtro RL em estudo. O seu ganho de
tensão é dado por:
•
• VS R 1 1
AV = = = =
•
R + j XL 2π f L ⎛ 2π L ⎞ (15)
Ve 1+ j 1+ j⎜ ⎟f
R ⎝ R ⎠
Da equação (13) tem-se que a freqüência de corte é dada por:
R 1 2π L
fC = → =
2π L fC R (16)
Substituindo (16) em (15) tem-se:
• 1
AV =
⎛ 1 ⎞ (17)
1 + j ⎜⎜ ⎟⎟ f
⎝ fC ⎠
Considerando os valores do módulo e do defasamento tem-se:
• 1
AV = AV ∠θ o = ∠ tg −1 ⎛⎜ f ⎞
⎟
2 ⎝ fC ⎠ (18)
1 + ⎛⎜ f ⎞
⎟
⎝ fC ⎠
A expressão (18) fornece o ganho do filtro e o defasamento em função da freqüência,
e não mais em função das impedâncias (R e XL). Substituindo o módulo de (18) na equação
do ganho de tensão (5), em dB, tem-se:
10
⎛ ⎞
⎜ ⎟
⎜ 1 ⎟ ⎡ ⎛ f ⎞2 ⎤
AV dB = 20 . log ⎜ = −10 ⋅ log ⎢1 + ⎜⎜ ⎟⎟ ⎥
2 ⎟
⎜ 1 +⎛ f ⎞ ⎟ ⎢⎣ ⎝ f C ⎠ ⎥⎦ (19)
⎜ ⎜ f ⎟ ⎟
⎝ ⎝ C ⎠ ⎠
Para freqüências em que f >> fC tem-se:
⎡ ⎛ f ⎞2 ⎤ ⎛ f ⎞
2
⎢1 + ⎜⎜ ⎟⎟ ⎥ ≅ ⎜⎜ ⎟⎟
⎢⎣ ⎝ f C ⎠ ⎥⎦ ⎝ fC ⎠
Assim, tem-se:
2
⎛ f ⎞ f
AV dB = −10 ⋅ log ⎜⎜ ⎟⎟ = − 20 . log (20)
⎝ fC ⎠ fC
Observando a equação (20) pode-se notar a semelhança existente com a equação (5) do
ganho de tensão, em dB.
Para plotar a equação (20) considere as freqüências abaixo, colocadas em ordem
crescente:
f = fC → - 20 log 1 = 0 dB
f = 2 fC → - 20 log 2 = - 6 dB
f = 4 fC → - 20 log 4 = - 12 dB
f = 8 fC → - 20 log 8 = - 18 dB
f = 10 fC → - 20 log 10 = - 20 dB
f = 100 fC → - 20 log 10 = - 40 dB
Dos valores determinados acima foi definido que:
• Quando a razão entre as duas freqüências é de 2:1 diz-se que elas estão separadas
por uma OITAVA. Assim, no diagrama de Bode, a variação de freqüência de UMA
OITAVA resulta numa variação no ganho de 6 dB;
• Quando a razão entre as duas freqüências é de 10:1 diz-se que elas estão separadas
por uma DÉCADA. Assim, no diagrama de Bode, a variação de freqüência de UMA
DÉCADA resulta numa variação no ganho de 20 dB.
11
Observando os valores do quadro nota-se que, à medida que a freqüência se distancia
da freqüência de corte o ganho em dB torna-se mais negativo o que condiz com o gráfico
mostrado na FIG. 11. Os valores acima, plotados em uma escala logarítmica, resulta num
segmento de reta, como mostrado na FIG. 12.
ωC/2 2 ωC 4 ωC
-6
- 12 - 6 dB / oitava ou
-20 dB / década
Curva real de
resposta em
freqüência
FIG. 12 – Gráfico de Bode para altas freqüências (aproximação por assíntotas).
Da FIG. 12 podemos observar que:
• As duas assíntotas definidas se interceptam em fC, formando uma envoltória para a
curva real de resposta em freqüência;
• O GRÁFICO DE BODE é representado por segmentos de reta porque a VARIAÇÃO
DO GANHO é CONSTANTE (em dB por década ou dB por oitava), com a variação
de freqüência.
A diferença entre o gráfico de Bode e a curva de resposta real encontra-se nas
freqüências fC , fC / 2 e 2 fC. Essa diferença se dá nos seguintes valores:
• para f = fC
⎛ ⎞
⎜ ⎟
⎜ 1 ⎟ 1
AV dB = 20 . log ⎜ = 20 . log = − 3 dB
2 ⎟
⎜ 1 + ⎛ fC ⎞ ⎟ 2
⎜ ⎜ f C ⎟⎠ ⎟⎠
⎝ ⎝
No gráfico de Bode esse valor é NULO, portanto há uma diferença de - 3 dB.
12
• para f = 2 fC
⎛ ⎞
⎜ ⎟
⎜ 1 ⎟ 1
AV dB = 20 . log ⎜ ⎟ = 20 . log = − 7 dB
⎜ 1 + ⎛ 2 fC ⎞ ⎟
2
5
⎜ ⎜ f C ⎟⎠ ⎟⎠
⎝ ⎝
No gráfico de Bode esse valor é – 6 dB, portanto há uma diferença de -1 dB.
• para f = fC / 2
⎛ ⎞
⎜ ⎟
⎜ 1 ⎟ 1
AV dB = 20 . log ⎜ ⎟ = 20 . log = − 1 dB
⎜ 1 + ⎛ fC ⎞
2
⎟ 1, 25
⎜ ⎜ 2 f C ⎟⎠ ⎟
⎝ ⎝ ⎠
No gráfico de Bode esse valor é considerado como uma freqüência não passante,
portanto há, também, uma diferença de – 1 dB.
Os dois últimos valores estão representados na FIG. 12 através dos círculos.
Assim como o ganho de tensão, o defasamento também pode ser representado por
segmentos de reta, considerando-se alguns pontos críticos do espectro de freqüência. Da
equação (18) o defasamento (ângulo de Vo em relação a Ve) é dado por:
θ = tg −1 ⎛⎜ f f ⎞⎟ (21)
⎝ C⎠
Como pontos críticos, considere três situações, quais sejam:
• Quando f >> fC → θ ≈ 90º
• Quando f << fC → θ ≈ 0º
• Quando f = fC → θ ≈ 45º
Assim, traçando-se uma assíntota em cada um desses pontos, determina-se o gráfico do
defasamento, através de segmentos de reta, como mostrado na FIG. 13. A figura mostra
que, o gráfico de Bode associado à equação (21) é novamente uma reta, uma vez que a
variação do ângulo de fase é de 45º por década. Assim, como no gráfico do ganho, no
gráfico do defasamento também, há uma diferença entre a curva real e a curva das
13
assíntotas. Essa diferença ocorre exatamente no múltiplo e submúltiplo de 10, acima e
abaixo de fC.
Θ ( Vo atrasada em relação a Ve)
FIG. 13 – Curva de defasamento de um filtro RL passa - baixa.
Fazendo f = fc/10, na equação (21) tem-se que θ = 84,3º. Em relação ao gráfico real
existe uma diferença de 5,7º. O mesmo acontece quando f = 10 fc. Portanto, resumindo
tem-se que:
Para f = fc o ângulo é igual 45º, enquanto para f = fc/10 e f = 10 fc
a diferença entre o ângulo de fase real e o aproximado é de 5,7º.