Fundamentos de Cálculo Diferencial e Integral
Fundamentos de Cálculo Diferencial e Integral
Sumário
1. Limites e Continuidade 3
1.1. Limite de uma função 3
1.2. Limites Laterais 4
1.3. Limites envolvendo infinidades 5
1.4. Funções Contı́nuas 6
2. Derivação 9
2.1. Tangentes e derivadas em um ponto 9
2.2. A derivada como função 9
2.3. Regras de Derivação 10
2.4. Derivada como taxa de variação 11
2.5. Derivadas de Funções Trigonométricas 12
2.6. A Regra da Cadeia 13
2.7. Derivação Implı́cita 13
2.8. Derivadas de Funções Inversas e Logaritmo 14
3. Aplicações das Derivadas 16
3.1. Taxas Relacionadas 16
3.2. Valores Extremos de Funções 16
3.3. Determinando Extremos 16
3.4. Teorema do Valor Médio 17
3.5. Funções Monotônicas e o Teste da Primeira Derivada 17
3.6. Concavidade e Esboço de Curvas 18
3.7. Formas Indeterminadas e Regra de L’Hôpital 19
3.8. Otimização Aplicada 20
4. Integração 21
4.1. Primitivas 21
4.2. Integrais Indefinidas 21
4.3. A Integral Definida 21
4.4. Propriedades da Integral Definida 22
4.5. O Teorema Fundamental do Cálculo 22
4.6. Área total 23
4.7. A Regra da Substituição e Área entre Curvas 23
4.8. Simetria 24
4.9. Área entre Curvas 24
5. Técnicas de Integração e Integração Imprópria 25
5.1. Integração por Partes 25
5.2. Integrais Trigonométricas 26
1
2 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA
1. Limites e Continuidade
1.1. Limite de uma função. Seja f uma função definida em um intervalo aberto em torno de x0 ,
exceto possivelmente no próprio x0 . Se f (x) ficar arbitrariamente próximo de L, a medida que os
valores de x tornam-se suficientemente próximos de x0 , dizemos que f tem limite L quando x tende a
x0 e escrevemos
lim f (x) = L.
x→x0
√ √
x− 3
c): lim
x→3
√ x − 3√
3
x− 32
d): lim
x→2 x−2
Teorema do Confronto
Teorema 1.3 (Teorema do Confronto). Suponha que, g(x) ≤ f (x) ≤ h(x) para qualquer x em um
intervalo aberto contendo c, exceto, possivelmente, em x = c. Suponha também que
lim g(x) = lim h(x) = L.
x→c x→c
Então, lim f (x) = L.
x→c
Exemplos:
x2 x2
a): Determine lim u(x), sabendo que 1 − ≤ u(x) ≤ 1 + , para qualquer x ̸= 0;
x→0 4 2
b): Determine: lim senx
x→0
c): Determine: lim (1 − cosx)
x→0
d): Se |f (x)| ≤ x2 , calcule, caso exista, lim f (x)
x→0
2 1, x ∈ Q
e): Calcule lim x g(x) em que g(x) =
x→0 −1, x ∈ /Q
Teorema 1.4. Se f (x) ≤ g(x) para todos os valores de x em um certo intervalo aberto contendo c,
exceto possivelmente no próprio x = c, e os limites de f e g existem quando x se aproxima de c, então
lim f (x) ≤ lim g(x).
x→c x→c
1.2. Limites Laterais. Intuitivamente, se f está definida em um intervalo (c, b) e os valores de f (x)
ficam arbitrariamente próximos de um número real L para valores de x suficientemente próximos de c,
dizemos que L é o limite de f (x) quando x tende a c pela direita e denotamos por
lim f (x) = L.
x→c+
Analogamente, se f está definida em um intervalo (a, c) e os valores de f (x) ficam arbitrariamente
próximos de um número real M para valores de x suficientemente próximos de c, dizemos que L é o
limite de f (x) quando x tende a c pela esquerda e denotamos por
lim f (x) = M.
x→c−
Diremos que, a função f tem limite quando x tende para c se L = M . Em verdade, temos:
lim f (x) = L se, e somente se, lim f (x) = lim f (x) = L
x→c x→c+ x→c−
Exemplos:
x
a): lim existe? Por quê?
x→0 |x|
2
x , x<1
b): Calcule lim± f (x), sendo f (x) =
x→1 2x, x > 1
2 − x, se x ≤ 0
c): Seja f (x) = x2 + x + 1 se 0 < x ≤ 2 . Determine se existe lim f (x) e lim f (x).
x→0 x→2
2x + 3 se x > 2
Exemplos: Calcule, caso exista. Se não existir, justifique.
|x − 1|
a) lim
x→1 + x−1
f (x) − f (1) x + 1, x ≥ 1
b) lim , em que f (x) = .
x→1 x−1 2x, x < 1
Limites que envolvem (sin θ)/θ
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 5
Exemplos:
6 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA
a): f (x) = ex
1
b): f (x) = sin
x
1
c): f (x) = x sin
x
sin x
d): f (x) = 2 +
x
x3 − 2
e): f (x) =
|x|3 + 1
p
f ): f (x) = x − x2 + 16
Assı́ntotas Oblı́quas
Se o grau do numerador de uma função racional for 1 grau maior do que o grau do denominador, o
gráfico possuirá uma assı́ntota oblı́qua ou inclinada. Determinamos uma equação para a assı́ntota ao
dividirmos o numerador pelo denominador para expressar f como uma função linear mais um resto que
é igual a zero quando x → ±∞.
Exemplos:
x2 − 3
a) f (x) =
2x − 4
x3 + 1
b) f (x) =
x2
Limites infinitos
Exemplo:
(1) lim− 1/x
x→0
(2) lim+ 1/x
x→0
1
(3) lim−
x→1 x − 1
1
(4) lim
x→1+ x − 1
(5) lim 1/x2
x→0−
(6) lim 1/x2
x→0+
x−3
(7) lim+ 2−4
x→2 x
Assı́ntotas verticais
Definição 1.3. Uma reta x = a é uma assı́ntota vertical para o gráfico de uma função y = f (x) se
lim f (x) = ±∞ ou lim f (x) = ±∞
x→a+ x→a−
Observação 1.1. Se f for uma função definida em um intervalo fechado [a, b], diremos que f é contı́nua
se, para todo c ∈ (a, b), tivermos
lim f (x) = f (c),
x→c
e para as extremidades
lim f (x) = f (a) e lim− f (x) = f (b).
x→a+ x→b
Exemplos:
p
a): f (x) = 4 − x2 ;
0, x < 0
b): f (x) =
1, x ≥ 0
Teste de Continuidade
Uma função f será contı́nua em um ponto x = c se, e somente se, forem satisfeitas as seguintes condições:
(1) O número c pertence ao domı́nio da função f ;
(2) Existe o limite lim f (x);
x→c
(3) lim f (x) = f (c).
x→c
Funções Contı́nuas
Diremos que f é uma função contı́nua caso ela seja contı́nua em todos os pontos de seu domı́nio.
Exemplos:
1
a) f (x) = ;
x
b) f (x) = x.
Teorema 1.6 (Propriedades de funções contı́nuas). Se f e g são funções contı́nuas em x = c,
então as seguintes funções são contı́nuas:
(1) f ± g;
(2) f · g;
(3) k · f, para qualquer constante k ∈ R;
(4) f /g, desde que g(c) ̸= 0;
(5) f r/s desde que f r/s (c) seja um número real.
Exemplo: Funções Polinomiais
Composição de Funções Contı́nuas
Teorema 1.7 (Compostas de funções contı́nuas). Seja f uma função contı́nua em c e g contı́nua
em f (c), então g ◦ f é contı́nua em x = c.
Exemplos:
x−2
a): f (x) =
x+2
xsenx
b): f (x) = 2
x +2
Teorema 1.8 (Limites de funções contı́nuas). Se g é uma função contı́nua no ponto b e lim f (x) =
x→c
b, então
lim g(f (x)) = g lim f (x)
x→c x→c
.
8 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA
Exemplos:
−1 1−x
(1) lim sen ;
x→1
√ 1+x
(2) lim etan x x + 1;
x→0
3π
(3) lim cos 2x + sin +x
x→π/2 2
Teorema do Valor Intermediário para Funções contı́nuas
Teorema 1.9 (Teorema do Valor Intermediário). Dada uma função contı́nua f : [a, b] → R. A
função f assume todos os valores entre f (a) e f (b)
Exemplo: Mostre que a equação x3 − 15x + 1 = 0 tem três soluções no intervalo [−4, 4].
Exemplo: Mostre que há uma raiz da equação x3 − x − 1 = 0 entre 1 e 2.
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 9
2. Derivação
2.1. Tangentes e derivadas em um ponto. Determinação de uma tangente para o gráfico
de uma função
Para determinar uma tangente em uma curva arbitrária y = f (x) em um ponto P (x0 , f (x0 )),
calculamos o coeficiente angular da secante que passa por P (x0 , f (x0 )) e por um ponto próximo
Q(x0 + h, f (x0 + h)). Em seguida, investigamos o limite do coeficiente angular quando h → 0.
Se o limite existir, o chamamos de coeficiente angular da curva em P e definimos a tangente em P
como a reta que passa por P e que tem esse coeficiente angular.
Definição 2.1. O coeficiente angular da curva y = f (x) no ponto P (x0 , f (x0 )) é o número
f (x0 + h) − f (x0 )
(2.1) m = lim
h→0 h
desde que o limite exista. A reta tangente à curva em P é a que passa por P com esse coeficiente
angular.
Exemplo: Determine o coeficiente angular da curva y = 1/x em qualquer ponto x = a ̸= 0.
a) Qual é o coeficiente angular no ponto x = −1?
b) Em que ponto o coeficiente angular é −1/4?
c) O que acontece com a tangente à curva no ponto (a, 1/a) à medida que a varia?
Definição 2.2. A derivada de uma função f em um ponto x0 , denotada por f ′ (x0 ), é
f (x0 + h) − f (x0 )
(2.2) f ′ (x0 ) = lim ,
h→0 h
desde que esse limite exista.
2.2. A derivada como função.
Definição 2.3. A derivada de uma função f (x) em relação à variável x é a função f ′ , cujo valor em
x é
f (x + h) − f (x)
(2.3) f ′ (x) = lim ,
h→0 h
desde que o limites exista.
O domı́nio de f ′ é o conjunto de pontos no domı́nio de f para o quaal o limites existe, o que significa
que o domı́nio pode ser o mesmo ou menor que o domı́nio de f . Se f ′ existe em um determinado x,
dizemos que f é derivável (tem derivada) em x. Se f ′ existe em cada ponto do domı́nio de f , chamamos
f de derivável.
Observação 2.1. Se fizermos z = x + h em (2.3), então
f (z) − f (x)
(2.4) f ′ (x) = lim .
z→x z−x
Notações para derivada de y = f (x):
dy df d
(2.5) f ′ (x) = y ′ = = = f (x) = D(f )(x) = Dx f (x)
dx dx dx
Exemplo: Usando a definição de derivada:
x
(1) Determine a derivada de f (x) = .
x − 1√
(2) (a) Determine a derivada de f (x) = x para √ x > 0.
(b) Determine a reta tangente à curva y = x em x = 4.
Derivabilidade em um intervalo e Derivadas laterais
Caso f seja definida em um intervalo fechado [a, b], diremos que f é derivável, caso exista f ′ (c) para
todo c ∈ (a, b) e, além disso, existam as derivadas laterais
′ f (a + h) − f (a)
f+ (a) = lim+ (derivada à direita em a)
h→0 h
10 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA
e
′ f (b + h) − f (b)
f− (b) = lim− (derivada à esquerda em b).
h→0 h
Derivadas laterais podem existir em qualquer ponto do domı́nio da função, e podemos usar esse
conceito para caracterizar uma função que é derivável em um determinado ponto do domı́nio:
′ ′ ′ ′
f é derivável em c ⇔ existem f+ (c), f− (c) e f+ (c) = f− (c) = f ′ (c).
Exemplo:
(1) f (x) = |x|
√
(2) f (x) = x
Teorema 2.1. Se f tem derivada em x = c, então f é contı́nua em x = c.
2.3. Regras de Derivação. Potências, multiplicações, somas e diferenças
df d
Regra 1: Se f tem o valor constante f (x) = c, então = (c) = 0.
dx dx
Exemplo:
a): f (x) = 5, ∀x ∈ R;
π
b): f (x) = , ∀x ∈ R.
2
dxn
Regra 2: Se n for inteiro positivo, então = nxn−1 .
dx
Exemplo:
a): f (x) = x3 ;
b): f (x) = x4 .
Regra da Potenciação (Versão Geral): Se n ∈ R, então
d n
x = nxn−1 ,
dx
para todo x em que as potências xn e xn−1 forem definidas.
d df
Regra 3: Se f for uma função derivável e c uma constante, então (cf ) = c .
dx dx
Exemplo:
a): f (x) = 2x3 ;
b): f (x) = −x.
Regra 4: Se f e g são duas funções deriváveis, então f + g é derivável e
d df dg
(f + g) = + .
dx dx dx
Exemplo:
1
a): f (x) = x3 + 4x;
3
b): f (x) = an xn + an−1 xn−1 + · · · + a1 x + a0 , com an , an−1 , · · · a1 , a0 constantes reais.
c): f (x) = 4x3 − 2x2 − 3.
d): Determine para que valor de x o gráfico da função y = x4 − 2x2 + 2 possui tangente horizontal.
Derivada de funções exponenciais
d x
Considerando f (x) = ax e calculando (a ), após alguns cálculos obtemos
dx
ah − 1
d x
(a ) = lim ax .
dx h→0 h
Note que, considerando f (x) = ax temos
ah − a0 ah − 1
f ′ (0) = lim = lim ,
h→0 h h→0 h
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 11
então
d x
(a ) = f ′ (0)ax .
dx
No estudo das integrais, é possı́vel provar que
f ′ (0) = ln a.
Sendo assim,
d x
(a ) = ln(a)ax .
dx
Desta forma, fica claro que
d x
(e ) = ex .
dx
Produtos e Quocientes
Regra 5: Se f e g são duas funções deriváveis, então f g é derivável e
d df dg
(f g) = g +f .
dx dx dx
Exemplo:
1
a): f (x) = (x2 + ex );
x
b): f (x) = 3x (3x5 + 2x);
2 7
c): Se y = uv e u(2) = 3, u′ (2) = 1, v(2) = − e v ′ (2) = − . Determine y ′ (2).
3 2
f
Regra 6: Se f e g são duas funções deriváveis em x e g(x) ̸= 0, então é derivável e
g
g df − f dg
d f
= dx 2 dx .
dx g g
Exemplo:
x2 − 1
a): f (x) = 2 ;
x +1
−x
b): f (x) = e ;
Derivadas de Ordem Superior
Se y = f (x) é uma função derivável, então sua derivada f ′ (x) também é uma função. Se f ′ também for
derivável, então podemos derivar f ′ para obtermos uma nova função denotada f ” = (f ′ )′ . Repetindo esse
raciocı́nio a terceira derivada de f , caso exista, denotamos f (3) = (f ”)′ , e de forma geral f (n) = (f (n−1) )′ .
Exemplo: A função y = x3 − 3x2 + 2 possui derivadas de todas as ordens.
2.4. Derivada como taxa de variação.
Definição 2.4. A taxa instantânea de variação de uma função f em um ponto x0 é a derivada
f (x0 + h) − f (x0 )
f ′ (x0 ) = lim ,
h→0 h
desde que esse limite exista.
Exemplo: A Área de um cı́rculo se relaciona com seu diâmetro pela seguinte equação:
π
A = d2 .
4
Qual a taxa de variação da área do cı́rculo quando o diâmetro é de 10m?
Movimento retilı́neo
Suponhamos que um corpo se move ao longo de um eixo coordenado, na horizontal ou vertical, e que
sua posição no decorrer do tempo é dada pela função
s = f (t).
O deslocamento do objeto no transcorrer do tempo t para t + ∆t é dado por
∆s = f (t + ∆t) − f (t).
12 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA
2.5. Derivadas de Funções Trigonométricas. Para calcularmos as derivadas das funções seno e
cosseno usaremos as seguintes relações trigonométricas:
sin(a + b) = sin(a) cos(b) + sin(b) cos(a)
e
cos(a + b) = cos(a) cos(b) − sin(a) sin(b).
Então,usando a primeira das identidades trigonométricas listadas acima, obtemos
d(sin x) sin(x + h) − sin x
= lim = cos x.
dx h→0 h
Agora, usando a segunda das identidades,
d(cos x) cos(x + h) − cos x
= lim = − sin x.
dx h→0 h
Exemplo: Determine as derivadas:
Usando as regras operacionais estudadas nas aulas anteriores podemos calcular as seguintes derivadas:
(1) f (x) = sec x
(2) f (x) = tan x
(3) f (x) = cot x.
Exemplo: Calcule a derivada das seguintes funções:
a): f (x) = x2 − sin x
3x
b): f (x) =
tan x
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 13
2.6. A Regra da Cadeia. Como derivar F (x) = sin(x2 − 4)? Essa função é a composta f ◦ g de duas
funções y = f (u) e u = g(x) = x2 − 4, que sabemos como derivar. A resposta, dada pela Regra da
Cadeia, diz que a derivada é o produto das derivadas de f e g.
Teorema 2.2 (Regra da Cadeia). Se f é uma função diferenciável em um ponto u = g(x) e g é
diferenciável em x, então a função composta f ◦ g é diferenciável em x e
(f ◦ g)′ (x) = f ′ (g(x)) · g ′ (x).
Usando a notação de Leibniz, considerando y = f (u) com u = g(x) temos
dy dy du
= · .
dx du dx
Exemplo: Verifique a validade da Regra da Cadeia para y = (3x2 + 1)2 .
Exemplo: Um objeto se desloca ao longo do eixo x, de modo que sua posição em qualquer instante
t ≥ 0 é dada por x(t) = cos(t2 + 1). Determine a velocidade do objeto em função do tempo t.
Exemplo:
d x
a): 3
dx
d −x
b): 3
dx
d sin x
c): 3
dx
Derivada da função logaritmo
Vejamos, para a > 0 e a ̸= 1,
ln x
loga x =
ln a
desta forma,
d d ln x 1 d 1
loga x = = ln x = .
dx dx ln a ln a dx x ln a
Portanto, para a > 0 e a ̸= 1,
d 1
loga x = .
dx x ln a
Derivação Logarı́tmica
Podemos usar os logaritmos para facilitar o cálculo de algumas derivadas.
dy
Exemplo: Calcule .
dx
(x2 + 1)(x + 3)1/2
(1) y = , x > 1;
r x−1
3 x(x − 2)
(2) y = .
x2 + 1
16 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA
Definição 3.3. Um ponto interior do domı́nio de uma função f em que f ′ é zero ou indefinida é
chamado ponto crı́tico de f .
Exemplos: Encontre os máximos absolutos das funções abaixo considerando os intervalos indicados:
a) f (x) = x2 em [−2, 1].
b) f (x) = 10x(2 − lnx) em [1, e2 ].
c) f (x) = x2/3 em [−2, 3].
3.4. Teorema do Valor Médio.
Teorema 3.3 (Teorema de Rolle). Suponha que f seja uma função contı́nua em [a, b] e derivável em
(a, b). Se f (a) = f (b) então há pelo menos um número c ∈ (a, b) tal que f ′ (c) = 0.
Exemplo: Mostre que a equação x3 + 3x + 1 = 0 tem exatamente uma solução.
Teorema 3.4 (Teorema do Valor Médio). Suponha que f seja uma função contı́nua em [a, b] e derivável
em (a, b). Então, existe pelo menos um número c em (a, b) tal que
f (b) − f (a)
f ′ (c) = .
b−a
Exemplo:[Uma interpretação fı́sica] Se um carro, acelerado a partir do repouso leva 8 segundos para
percorrer 200 metros. Qual a velocidade média desse carro? Em algum instante a velocidade média
coincide com a velocidade instantânea?
Corollary 3.5. Se f ′ (x) = 0 em todos os pontos de um intervalo aberto I = (a, b) então f é constante
nesse intervalo.
Corollary 3.6. Se f ′ (x) = g ′ (x) em todos os pontos de um intervalo aberto I = (a, b). Então, existe
uma constante C tal que f (x) = g(x) + C para todo x ∈ (a, b).
Exemplo: Determine uma função cuja derivada seja sin x e cujo gráfico passe pelo ponto (0, 2).
3.5. Funções Monotônicas e o Teste da Primeira Derivada. Uma função que cresce ou decresce
em um intervalo é chamada de monotônica no intervalo. Recordemos a definição:
Definição 3.4. Dada uma função f : I → R. Dizemos que f é crescente quando
x1 > x2 ⇒ f (x1 ) > f (x2 ).
Por outro lado, dizemos que f é decrescente quando
x1 > x2 ⇒ f (x1 ) < f (x2 ).
O próximo resultado é mais uma das consequências do Teorema do Valor Médio.
Corollary 3.7. Supondo que f é uma função contı́nua em um intervalo [a, b] e diferenciável em (a, b).
Então,
(1) f ′ (x) > 0 para cada x ∈ (a, b) ⇒ f é crescente em [a, b].
(2) f ′ (x) < 0 para cada x ∈ (a, b) ⇒ f é decrescente em [a, b].
Exemplo:
(1) Mostre que f (x) = x2 é crescente em [0, +∞) e decrescente em (−∞, 0].
(2) Determine os pontos crı́ticos de f (x) = x3 − 12x + 5 e identifique os intervalos em que a função
é crescente e decrescente.
Teste da primeira derivada para extremos locais
Se f é uma função contı́nua que tem um ponto crı́tico c e que f é derivável em um intervalo contendo
c, exceto possivelmente em c. Movendo-se nesse intervalo da esquerda para direita:
(1) Se f ′ passa de negativa para positiva em c, então f tem um mı́nimo local em c;
(2) Se f ′ passa de positiva para negativa em c, então f tem um máximo local em c;
(3) Se f ′ não troca de sinal em c, então f não tem um extremo local em c.
18 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA
e) Trace alguns pontos especı́ficos, tais como os pontos de máximo e mı́nimo locais e os interceptos
dos eixos x e y. Em seguida, esboce a curva.
Estratégia para construir o gráfico de y = f (x)
(1) Identifique o domı́nio de f e qualquer simetria que a curva possa ter.
(2) Determine as derivadas y ′ e y ′′ .
(3) Determine os pontos crı́ticos de f , se houver, e identifique o comportamento da função em cada
um deles.
(4) Determine onde a curva sobe e onde ela desce.
(5) Determine os pontos de inflexão, caso haja, e a concavidade da curva.
(6) Identifique todas as assı́ntotas que possam existir.
(7) Trace os pontos mais importantes, tais como os interceptos dos eixos e aqueles encontrados nos
passos 3-5, e esboce a curva juntamente com as assı́ntotas que existirem.
Exemplos: Esboce o gráfico de cada função abaixo:
3x − sin x ex
a) lim e) lim
x→0 x x→∞ x2
1 − cos x 1 − sin x
b) lim f) lim
x→0 x + x2 x→π/2 1 + cos(2x)
ln x ln(ln x)
c) lim g) lim
x→1 x − 1 x→∞ x
ln x ln x
d) lim h) lim
x→∞ x − 1 x→1 sin(πx)
Indeterminações 0 · ∞ e ∞ − ∞
Neste caso temos que fazer algumas manipulações algébricas para obtermos indeterminações das
formas 0/0 ou ∞/∞.
Exemplos:
20 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA
a) lim x sin(1/x) 1 1
x→∞ d) lim+ −
b) lim+ x ln x x→1 ln x x − 1
x→0 e) lim (ex − x)
x→∞
1 1 2
c) lim − f) lim x3 e−x
x→0 sin x x x→∞
Indeterminações 1∞ , 00 e ∞0
Neste caso faremos uso da função logaritmo, para fazer com que nossa indeterminação recaia em um
dos casos anteriores.
Exemplos:
a) lim+ (1 + x)1/x
x→0
b) lim x1/x
x→+∞
c) lim+ xx
x→0
4. Integração
4.1. Primitivas.
Definição 4.1. Uma função F é uma primitiva de f em um intervalo I quando
F ′ (x) = f (x), ∀x ∈ I.
Exemplos:
(1) y = 2x
(2) y = cos x
(3) y = sec2 x
(4) y = xn , n ∈ R \ {−1} e n = −1
Teorema 4.1. Se F é uma primitiva de f em um intervalo I, então toda função da forma
F (x) + C
com C ∈ R é uma primitiva de f .
Exemplo: Determine a primitiva de f (x) = 3x2 tal que F (1) = −1.
Exemplos: Determine as primitivas das seguintes funções:
5
(1) y = x√
(2) y = x
(3) y = sin 2x
x
(4) y = cos
√2
(5) f (x) = 2 x + sin(2x)
desde que o limite exista e dê o mesmo valor para todas as possı́veis escolhas de pontos amostrais. Se
ele existir, dizemos que f é integrável em [a, b].
22 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA
Z
Observação 4.1. O sı́mbolo foi introduzido por Leibniz e é denominado sinal de integral. Na
Z b
notação f (x)dx, f (x) é chamado integrando, a e b são ditos limites de integração, a é o
a
limite inferior, b, o limite superior. O dx simplesmente indica que a variável dependente é x.
O procedimento de calcular a integral é chamado integração.
Observação 4.2. A integral definida pode ser interpretada geometricamente, para o cálculo de áreas.
Teorema 4.2. Se f for contı́nua em [a, b], ou f tiver apenas um número finito de descontinuidades de
Z b
saltos, então f é integrável em [a, b], ou seja, a integral definida f (x)dx existe.
a
4.4. Propriedades da Integral Definida.
Lemma 4.3 (Propriedades da Integral).
Z b Z a
(1) f (x)dx = − f (x)dx.
Zaa b
(2) f (x)dx = 0.
Zab
(3) kdx = k(b − a), onde k ∈ R.
a
Z b Z b Z b
(4) [f (x) ± g(x)]dx = f (x)dx ± g(x)dx.
Zab Z b a a
Teorema 4.5 (Teorema Fundamental do Cálculo, Parte 2). Se f é contı́nua em [a, b], então
Z b
f (x)dx = F (b) − F (a),
a
onde F é qualquer primitiva de f , ou seja, é uma função tal que F ′ = f .
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 23
4 e
√
Z
ln x
Z
(1) 2x + 1dx (3) dx
x
Z0 2 Z1 1
dx p
(2) (4) 3x2 x3 + 1dx
1 (3 − 5x)2 −1
4.8. Simetria.
Teorema 4.8 (Integral de Funções Simétricas). Suponha que f seja contı́nua em [−a, a]. Então:
Z a Z a
a) Se f é par, então f (x)dx = 2 f (x)dx.
−a
Z a 0
Exemplo: Determine a área da região compreendida acima da curva y = 2e−x + x, abaixo da curva
ex
y = , à esquerda por x = 0 e à direita por x = 1.
2
Exemplo: Determine a área da região compreendida entre a parábola y = 2 − x2 e a reta y = √
−x.
Exemplo: Determine a área da região do primeiro quadrante que é delimitada acima por y = x e
abaixo pelo eixo x e pela reta y = x − 2.
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 25
consequentemente,
Z Z
′
(5.3) f (x)g (x)dx = f (x)g(x) − f ′ (x)g(x)dx.
A fórmula acima é chamada fórmula para integração por partes. É comum considerar u = f (x) e
v = g(x). Então, du = f ′ (x)dx e dv = g ′ (x)dx e, assim, pela Regra da Substituição, a fórmula para a
integração por partes torna-se
Z Z
(5.4) udv = uv − vdu.
Z 1 Z 1
(1) arctan xdx (3) ex sin xdx
Z0 2 Z0 1 √
(2) ln xdx (4) x 1 − xdx
1 0
26 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA
Z
x
Exemplo: Encontre √ dx.
2
x +4
Z
dx
Exemplo: Calcule √ dx, onde a > 0.
x − a2
2
Z 3√3/2
x3
Exemplo: Encontre dx.
Z 0 (4x2 + 9)3/2
x
Exemplo: Calcule √ dx.
3 − 2x − x2
5.4. Integração de Funções Racionais por Frações Parciais. Temos como objetivo, expressar
uma função racional (quociente de polinômios) como uma soma de frações mais simples, as chamadas
frações parciais, que são fáceis de integrar. Por exemplo, a função racional (5x − 3)/(x2 − 2x − 3) pode
ser reescrita como
5x − 3 2 3
2
= + .
x − 2x − 3 x+1 x−3
Desta forma:
5x − 3
Z Z Z
2 3
2
dx = dx + dx = 2 ln |x + 1| + 3 ln |x − 3| + C.
x − 2x − 3 x+1 x−3
O método de reescrever funções racionais como uma soma de frações mais simples é chamado de Método
de Frações Parciais.
Descrição Geral do Método
O sucesso ao escrever uma função racional f (x)/g(x) como a soma de frações parciais depende de
duas coisas:
• O grau de f (x) deve ser menor do que o grau de g(x). Isto é, a fração deve ser própria. Se não
for, divida f (x) por g(x) e trabalhe com o termo restante.
• Devemos conhecer os fatores de g(x).
Vejamos como determinar as frações parciais de uma fração própria f (x)/g(x) quando os fatores de
g são conhecidos. Um polinômio quadrático (ou fator) é irredutı́vel se não puder ser escrito como o
produto de dois fatores lineares com coeficientes reais. Isto é, o polinômio não tem raı́zes reais.
Método de Frações Parciais (f (x)/g(x) próprias)
(1) Seja x − r um fator linear de g(x). Suponha que (x − r)m seja a maior potência de x − r que
divide g(x). Então, associe a esse fator a soma de m frações parciais:
A1 Am
+ ··· + .
(x − r) (x − r)m
Faça isso para cada fator linear distinto de g(x).
(2) Seja x2 + px + q um fator irredutı́vel quadrático de g(x), de modo que x2 + px + q não tenha
raı́zes reais. Suponha que (x2 + px + q)n seja a maior potência desse fator que divide g(x).
Então, atribua a esse fator a soma de n frações parciais:
B1 x + C 1 Bn x + C n
2
+ ··· + 2 .
(x + px + q) (x + px + q)n
Faça isso para cada fator quadrático distinto de g(x).
(3) Iguale a fração original f (x)/g(x) à soma de todas essas frações parciais. Elimine as frações da
equação resultante e organize os termos em potência decrescente de x.
(4) Iguale os coeficientes das potências correspondentes de x e resolva o sistema de equações obtido
desse modo para calcular os coeficientes indeterminados.
Exemplo: Calcule as integrais abaixo:
x2 + 4x + 1 2x3 − 4x2 − x − 3
Z Z
(1) dx (3) dx
Z (x − 1)(x + 1)(x + 3) x2 − 2x − 3
−2x + 4
Z
6x + 7
(2) dx (4) dx
(x + 2)2 (x + 1)(x − 1)2
2
28 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA
x3 + x
Z
dx
Z
(5) (6) dx
x(x2 + 1)2 x−1
Z b
5.5. Integrais Impróprias. Na definição e no cálculo da integral definida f (x)dx, estávamos
a
sempre supondo o intervalo [a, b] limitado e f uma função contı́nua em [a, b], ou com um número
finito de pontos de descontinuidades em [a, b], e mais, nos possı́veis pontos de descontinuidade c ∈ [a, b],
jamais tı́nhamos lim f (x) = ∞ (chamadas de descontinuidades infinitas). Ou seja, não estudamos, por
x→c
exemplo, as seguintes integrais:
(1) Integrais com intervalos de integração ilimitados:
Z ∞ Z 0 Z ∞
dx x
dx
(a) 2 (b) e dx (c) 2
1 x −∞ −∞ 1 + x
Nesta seção, estudaremos estes tipos de integrais, as quais são uma extensão dos casos anteriormente
estudados. Tais integrais são chamadas de integrais impróprias.
Caso 1: Intervalos Ilimitados
Considere a região ilimitada S que está sob a curva y = 1/x2 , acima do eixo x e à direita da reta
x = 1. É natural pensar que a área de S é infinita. Porém, considere a área da parte de S que está à
esquerda da reta x = t (A(t)), temos
Z t t
1 1 1
(5.10) A(t) = 2
dx = − =1− .
1 x x 1 t
Claramente, temos que A(t) < 1 independente do valor de t. Também, podemos observar que
1
(5.11) lim A(t) = lim 1 − = 1.
t→∞ t→∞ t
Assim, dizemos que a área da região S é 1 e escrevemos
Z ∞ Z t
1 1 1
(5.12) A(S) = dx = lim dx = lim 1 − = 1.
1 x2 t→∞ 1 x2 t→∞ t
Definição 5.1. Integral Imprópria do Caso 1:
Z t
a): Se f (x)dx existe para cada número t ≥ a, então
a
Z ∞ Z t
f (x)dx = lim f (x)dx
a t→+∞ a
desde que o limite exista.
Z b
b): Se f (x)dx existe para cada número t ≤ b, então
t
Z b Z b
f (x)dx = lim f (x)dx
−∞ t→−∞ t
desde que o limite exista.
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 29
Z ∞ Z b
As integrais impróprias f (x)dx e f (x)dx são chamadas convergentes se os limites
a −∞
correspondentes existem e divergentes se os limites não existem.
Z ∞ Z a
c): Se ambas f (x)dx e f (x)dx são convergentes, então definimos
a −∞
Z ∞ Z a Z ∞
f (x)dx = f (x)dx + f (x)dx.
−∞ −∞ a
0
Z ∞
1
Z
x b): dx
a): xe dx
−∞ −∞ 1 + x2
Se acontecer de A(t) se aproximar de um número A quando t → b− , então dizemos que a área da região
S é A, e escrevemos
Z b Z t
(5.15) A(S) = f (x)dx = lim− f (x)dx.
a t→b a
Z c
c): Se f tiver uma descontinuidade em c ∈ (a, b), e ambas as integrais impróprias f (x)dx e
Z b a
Teorema 5.2 (Teste de Comparação no Limite). Se as funções f e g são contı́nuas em [a, +∞) e se
f (x)
(5.16) lim = L, 0 < L < ∞
x→∞ g(x)
então
Z ∞ Z ∞
(5.17) f (x)dx e g(x)dx
a a
são ambas convergentes ou ambas divergentes.
Z ∞
1 − e−x
Exemplo: Investigue a convergência de dx.
1 x
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 31
obtenção das seções transversais apropriadas para determinar o volume de um sólido em particular: o
método do fatiamento, o método do disco e o método do anel.
O Método do Fatiamento
Para determinarmos o volume de um sólido S como o da figura 1, iniciamos estendendo a definição
do volume de um cilindro para um sólido cilı́ndrico de base arbitrária. Se o sólido tem uma base de
área A e altura h, então o volume do sólido cilı́ndrico é dado por
(6.1) V = A · h.
Se a seção transversal de um sólido S em cada ponto x no intervalo [a, b] é uma região R(x) de área
A(x), onde A é uma função contı́nua de x. Podemos calcular o volume do sólido S como uma integral
definida.
32 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA
Figura 3. Sólido S
Dividimos [a, b] em n subintervalos de largura ∆xk , ver figura 3. Aproximamos a fatia situada entre
os planos em xk−1 e em xk usando um sólido cilı́ndrico com área de base A(xk ) e altura ∆xk = xk −xk−1 .
Volume da k−ésima fatia ≈ Vk = A(xk )∆xk .
Então,
n
X Z b
(6.2) V = lim A(xk )∆xk = A(x)dx
n→+∞ a
k=1
Definição 6.1. O Volume de um sólido de área de seção transversal integrável A(x) de x = a até x = b
é a integral de A de a até b, ou seja,
Z b
(6.3) V = A(x)dx.
a
Passos a serem seguidos, para calcular o volume do sólido:
(1) Esboce o sólido e uma seção transversal tı́pica.
(2) Determine uma fórmula para A(x), a área de uma seção transversal tı́pica.
(3) Determine os limites de integração.
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 33
Exemplo: Determine o volume do sólido obtido com a rotação, em torno do eixo y, da região
compreendida entre o eixo y e a curva x = 2/y, 1 ≤ y ≤ 4.
Exemplo: Determine o volume do sólido obtido com a rotação, em torno da reta x = 3, da região
compreendida entre a parábola x = y 2 + 1 e a reta x = 3.
6.3. Sólidos de Revolução: O Método do Anel. Se a região que giramos para gerar um sólido não
atingir ou cruzar o eixo de revolução, o sólido resultante terá um orifı́cio no meio. As seções transversais
perpendiculares ao eixo de revolução são anéis, e não discos. As dimensões de um anel tı́pico são: Raio
Externo R(x) e Raio Interno r(x). A área do anel é
(6.8) A(x) = π[(R(x))2 − (r(x))2 ].
Assim, obtém-se a definição do volume, nesse caso
Definição 6.4 (Volume pelos anéis de rotação em torno do eixo x).
Z b Z b
(6.9) V = A(x)dx = π[(R(x))2 − (r(x))2 ]dx.
a a
34 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA
Esse método para calcular o volume de um sólido de revolução é chamado de método do anel, pois
a fatia é um anel circular de raio exterior R(x) e raio interior r(x).
Exemplo: A região limitada pela curva y = x2 + 1 e pela reta y = −x + 3 é girada em torno do eixo
x para gerar um sólido. Determine o volume do sólido.
Exemplo: A região compreendida entre a parábola y = x2 e a reta y = 2x no primeiro quadrante
gira em torno do eixo y para gerar um sólido. Determine o volume do sólido.
6.4. Volume por Cascas Cilı́ndricas. Vamos agora apresentar uma técnica para calcular o volume
de um sólido quando tivermos dificuldade de determinar a área da seção transversal ou caso a integral
seja difı́cil de se calcular.
Método da Casca
Suponha que a região limitada pelo gráfico de uma função contı́nua não-negativa y = f (x) e pelo eixo
x ao longo do intervalo fechado finito [a, b] fique à direita da reta vertical x = L. Veja a figura abaixo.
Supomos que a ≥ L, portanto a reta vertical pode tocar a região, mas não atravessá-la. Geramos um
gerada uma casca, como na Figura 6. Uma fórmula da geometria nos diz que o volume da casca gerada
pelo retângulo é
(6.10) ∆Vk = 2π × raio médio da casca × altura da casca × espessura = 2π · (ck − L) · f (ck ) · ∆xk .
Aproximamos o volume do sólido S pela soma dos volumes das cascas geradas pelos n retângulos
com base em P :
n
X
(6.11) V ≈ ∆Vk .
k=1
O limite dessa soma de Riemann quando ∆xk → 0 e n → ∞, fornece o volume do sólido como uma
integral definida:
Z b
V = lim ∆xk = 2π(raio da casca)(altura da casca)dx
n→+∞ a
Z b
= 2π(x − L)f (x)dx.
a
Definição 6.5 (Fórmula da casca para a revolução em torno de uma reta vertical). O volume do sólido
obtido com a rotação da região entre o eixo x e o gráfico de uma função contı́nua y = f (x) ≥ 0,
L ≤ a ≤ x ≤ b, em torno de uma reta vertical x = L é
Z b
(6.12) V = 2π(raio da casca)(altura da casca)dx.
a
√
Exemplo: A região limitada pela curva y = x, pelo eixo x e pela reta x = 4 gira em torno do eixo
y. Determine o volume do sólido obtido. √
Exemplo: A região limitada pela curva y = x, pelo eixo x e pela reta x = 4 gira em torno do eixo
x. Determine o volume do sólido obtido.
Exemplo: A região limitada pelas curvas y = x e y = x2 gira em torno do eixo y. Determine o
volume do sólido obtido.
Resumo do Método da Casca
Independentemente da posição do eixo de revolução (horizontal ou vertical), os passos para
implementar o método da casca são os seguintes:
(1) Desenhe a região e esboce um segmento de reta que a atravesse paralelamente ao eixo de
revolução. Nomeie a altura ou o comprimento do segmento (altura da casca) e a distância
do eixo de revolução (raio da casca).
(2) Determine os limites de integração para a variável espessura.
(3) Integre o produto 2π(raio da casca)(altura da casca) em relação à variável espessura (x ou y)
para determinar o volume.
6.5. Comprimento de Arco. Seja C uma curva de definida pela equação y = f (x), onde f é contı́nua
e a ≤ x ≤ b. Obtemos uma aproximação poligonal para C dividindo o intervalo [a, b] em n subintervalos
com extremidades x0 , x1 , · · · , xn com larguras iguais a ∆x. Se yi = f (xi ), então o ponto Pi (xi , yi ) está
em C e a poligonal com vértices P0 , P1 , · · · , Pn , ilustrada abaixo.
O comprimento L de C é aproximadamente o mesmo dessa poligonal e a aproximação fica melhor
quando n aumenta. Desta forma, definimos o comprimento L da curva C com equação y = f (x),
a ≤ x ≤ b, como o limite dos comprimentos dessas poligonais inscritas (se o limite existir):
n
X
(6.13) L = lim |Pi−1 Pi |.
n→+∞
i=1
Aplicando o Teorema do Valor Médio para f no intervalo [xi−1 , xi ], descobrimos que existe um número
x∗i entre xi−1 e xi tal que
(6.15) f (xi ) − f (xi−1 ) = f ′ (x∗i )(xi − xi−1 ) ⇒ ∆yi = f ′ (x∗i )∆x
ou seja,
p q
|Pi−1 Pi | = (∆x)2 + (∆yi )2 = (∆x)2 + (f ′ (x∗i )∆x)2
q p q
= 1 + [f ′ (x∗i )]2 (∆x)2 = 1 + [f ′ (x∗i )]2 ∆x,
sendo assim,
n
X n q
X Z b p
(6.16) L = lim |Pi−1 Pi | = lim 1 + [f ′ (x∗i )]2 ∆x = 1 + [f ′ (x)]2 dx.
n→+∞ n→+∞ a
i=1 i=1
Portanto, temos demonstrado o seguinte teorema:
Teorema 6.1 (Fórmula do comprimento do Arco). Se f ′ é contı́nua em [a, b], então o comprimento da
curva y = f (x), a ≤ x ≤ b, é dado por
Z bp
(6.17) L= 1 + [f ′ (x)]2 dx.
a
Se a curva é descrita como x = g(y), c ≤ y ≤ d, então a fórmula para a área da superfı́cie, torna-se
Z d p
(6.20) S= 2πg(y) 1 + [g ′ (y)]2 dx.
c
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 37
6.7. Trabalho e Força de Fluidos. Na vida diária, trabalho significa uma atividade que exige um
esforço muscular ou mental. Na ciência, o termo se refere especificamente a uma força que atua sobre
um corpo (ou objeto) e ao deslocamento subsequente desse corpo. Esta seção mostrará como calcular
o trabalho. As aplicações práticas vão desde comprimir molas de vagões de trem e esvaziar tanques
subterrâneos até aproximar elétrons e lançar satélites em órbita.
Trabalho realizado por uma Força Constante
Pelo que já aprendemos em cursos de fı́sica o trabalho de uma força constante para deslocar um
objeto de uma posição para outra em linha reta é dado por
(6.24) W = F · d.
Considere o exemplo a seguir:
Exemplo: Você está dirigindo de Campina Grande para João Pessoa e um pouco depois de passar
do Riachão o seu carro começa a parar. Olhando o medidor de combustı́vel você detecta que o tanque
está vazio, mas pra sua sorte seu carro parou justamente ao lado de uma placa que indica um posto a
200 metros, você está ainda com mais sorte o caminho até lá é plano e em linha reta. Se você aplicar
uma força constante de 400 N, qual o trabalho realizado para chegar ao posto?
subdividimos o intervalo [a, b] de modo que em cada intervalo [xk−1 , xk ] a força tem uma pequena
variação, grosseiramente falando, vamos considerar ck ∈ [xk−1 , xk ] tal que
(6.25) Wk ≈ F (ck )∆xk .
Assim,
n
X
(6.26) W ≈ F (ck )∆xk ,
k=1
e, seguindo o mesmo raciocı́nio desenvolvido nas aplicações anteriores
Xn Z b
(6.27) W = lim F (ck )∆xk = F (x)dx.
n→∞ a
k=1
Definição 6.6. O trabalho realizado por uma variável força F (x) na direção do eixo x, de x = a a
x = b, é
Z b
(6.28) W = F (x)dx.
a
Exemplo: Voltando
ao exemplo inicial considere agora que a força seja dada pela função F (x) =
3 2
− x + 400 .
400
Lei de Hooke para Molas
No caso da compressão ou da distensão de uma mola, a Lei de Hooke afirma que a força é dada por
(6.29) F = kx,
onde k é a constante de elasticidade da mola. A constante k, medida em unidades de força por
comprimento unitário, é uma caracterı́stica da mola, denominada constante de força da mola (ou
constante da mola). A lei de Hooke, apresenta bons resultados, desde que a força não distorça a
estrutura da mola. Supomos, em nossos exemplos, que a forças sejam pequenas demais para que isso
seja feito.
Exemplo: Uma força de 9lb é necessária para esticar uma mola de seu comprimento natural de 6pol
até o comprimento de 8pol. Qual o trabalho realizado para esticar a mola do comprimento 7pol até o
comprimento de 9pol?
Exemplo: Uma mola exerce uma força de 5N quando esticada 1m além de seu comprimento normal.
a): Encontre a constante k da mola.
b): Quanto trabalho é necessário para esticar a mola 1, 8m além de seu comprimento natural?
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 39
Definição 7.4. A sequência {an } diverge para o infinito, se para todo M > 0 existe N ∈ N tal que
n > N ⇒ an > M,
neste caso dizemos que
lim an = ∞, ou simplismente an → ∞.
n→∞
4 − 7n6
n−1
1 5
a): − b): c): d):
n n n2 n6 + 3
a):
p
(n + 1)/n
r
1
1
e): x n , se x > 0,
x n
c): g): 1+
b): 21/n n f ): xn , se |x| < 1, n
√ xn
d): n n
h): .
n!
Definição 7.6. Uma sequência (an ) é limitada superiormente se existir M ∈ R, tal que
an ≤ M, ∀n ∈ N.
A sequência é limitada inferiormente se existir m ∈ R, tal que
an ≥ M, ∀n ∈ N.
Se a sequência é limitada superiormente e inferiormente, então (an ) é dita limitada.
A sequência an = n é limitada inferiormente (an > 0) mas não superiormente. A sequência
n
an = é limitada porque an ∈ (0, 1), para todo n.
n+1
Nem toda sequência limitada é convergente, por exemplo, a sequência an = (−1)n satisfaz an ∈
[−1, 1], mas é divergente, e que nem toda sequência monótona é convergente (an = n → ∞). Mas
42 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA
se uma sequência for limitada e monótona, então ela deve ser convergente. Intuitivamente, você pode
entender porque é verdadeiro, ver figura abaixo:
Teorema 7.5 (Convergência Monótona). Toda sequência monótona limitada é convergente.
7.2. Séries. Se tentarmos somar os termos de uma sequência infinita (an ), obteremos uma expressão
da forma
(7.4) a1 + a2 + · · · + an + · · ·
que é denominada uma série infinita (ou apenas série) e é denotada, por simplicidade, pelo sı́mbolo
∞
X X
(7.5) an ou an .
n=1
Se a sequência das somas parciais converge para um limite S, ou seja, lim sn = S, dizemos que a série
n→∞
converge e que sua soma é S. Neste caso escrevemos
∞
X
(7.6) a1 + · · · + an + · · · = an = S.
n=1
O número S é chamado a soma da série. Se a sequência (sn ) é divergente, então a série é chamada
divergente.
∞
X
Exemplo: Suponhamos que se saiba que a soma dos primeiros n termos da série an seja
n=1
n
X 2n
(7.7) sn = a1 + · · · + an = ak = .
3n + 5
k=1
Z ∞ ∞
X
(i): Se f (x)dx for convergente, então an é convergente.
1 n=1
Z ∞ ∞
X
(ii): Se f (x)dx for divergente, então an é divergente.
1 n=1
Observação 7.3. Quando você usar o Teste da Integral lembre-se de que não é necessário começar a
série ou a integral em n = 1. Por exemplo, testando a série
∞ Z ∞
X 1 1
2
, usamos dx.
n=4
(n − 3) 4 (n − 3)2
Também não é necessário que f seja sempre decrescente. O importante é que f seja decrescente a partir
X∞
de certo ponto, isto é, decrescente para x ≥ N , onde N ∈ R. Então, an é convergente, e assim
n=N
∞
X
an é convergente.
n=1
∞
1X
Exemplo: Teste a série 2+1
quanto à convergência ou divergência.
n=1
n
∞
X 1
Exemplo: Para que valores de p a série é convergente?
n=1
np
∞
X ln n
Exemplo: Determine se a série converge ou diverge.
n=1
n
Teste da Comparação
X
Teorema 7.10 (Teste da Comparação). Seja an uma série cujos termos são não-negativos.
X X
(i): Se existir uma série convergente cn tal que an ≤ cn , para todo n ∈ N, então an converge.
X X
(ii): Se existir uma série divergente cn tal que an ≥ cn , para todo n ∈ N, então an diverge.
∞
X 1
Exemplo: Determine se a série 2 + 4n + 3
converge ou diverge.
n=1
2n
∞
X 1
Exemplo: Teste a série n−1
quanto à convergência ou divergência.
n=1
2
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 45
∞
X 2n2 + 3n
Exemplo: Determine se a √ série converge ou diverge.
n=1
5 + n5
Exemplo: Teste as séries abaixo quanto à convergência ou divergência.
∞ ∞
X 2n + 1 X 1 + n ln n
(i): (ii):
n=1
(n + 1)2 n=1
n2 + 5
7.4. Séries Alternadas. Os testes de convergência que estudamos até aqui se aplicam apenas a séries
com termos positivos. Nesta seção e na próxima aprenderemos como lidar com séries cujos termos
não são necessariamente positivos. De particular importância são as séries alternadas, cujos termos se
alternam no sinal. Uma série alternada é aquela cujos termos são alternadamente positivos e negativos.
Aqui estão dois exemplos:
∞ ∞
X 1 X n
(−1)n−1 e (−1)n .
n=1
n n=1
n+1
Vemos desses exemplos que o n−ésimo termo de uma série alternada é da forma an = (−1)n−1 bn ou
an = (−1)n bn , onde bn = |an |.
Teorema 7.12 (Teste da Série Alternada). Se a série alternada
X∞
(−1)n−1 bn , bn > 0
n=1
satisfaz
(i): bn+1 ≤ bn , para todo n ∈ N;
(ii): lim bn = 0;
n→∞
então a série é convergente.
∞
X 1
Exemplo: Determine se a série (−1)n−1 converge ou diverge.
n=1
n
∞
X 3n
Exemplo: Determine se a série (−1)n converge ou diverge.
n=1
4n − 1
∞
X n2
Exemplo: Teste a série (−1)n+1 quanto à convergência ou divergência.
n=1
n3 + 1
7.5. Convergência Absoluta e os Testes da Razão e da Raiz.
X
Definição 7.8 (Convergência Absoluta). Uma série an é dita absolutamente convergente, se a
X
série de valores absolutos |an | for convergente.
Exemplo: Verifique quanto a convergência absoluta as séries
∞ ∞ ∞
X (−1)n+1 X sin n X (−1)n+1
a): b): c):
n=1
n2 n=1
n2 n=1
np
X
Definição 7.9 (Convergência Condicional). Uma série an é chamada condicionalmente convergente
se ela for convergente, mas não for absolutamente convergente.
Teorema 7.13. Se uma série for absolutamente convergente, então ela é convergente.
Exemplo: Determine se a série
∞
X cos n
n=1
n2
é convergente ou divergente.
46 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA
an+1
Observação 7.5. A parte (iii) do Teste da Razão diz que, se lim = 1, o Teste da Razão não
X X
n→+∞ an
2
dá nenhuma informação. Compare as séries 1/n e 1/n.
Exemplo: Teste as séries quanto a convergência.
∞ ∞ ∞ ∞
X 2n + 5 X (2n)! X 4n n!n! X nn
(i): (ii): (iii): (iv):
n=1
3n n=1
n!n! n=1
(2n)! n=1
n!
Exemplo: Expresse 1/(1 + x2 ) como a soma de uma série de potências e encontre o intervalo de
convergência.
Exemplo: Encontre uma representação em série de potências para 1/(x + 2).
Exemplo: Encontre uma representação em série de potências para x3 /(x + 2).
Derivação e Integração de Séries de Potências
X
Teorema 7.17. Se a série de potências cn (x − a)n tiver um raio de convergência R > 0, então a
função f definida por
∞
X
f (x) = cn (x − a)n
n=0
é diferenciável (e portanto contı́nua) no intervalo (a − R, a + R) e
X∞
(i): f ′ (x) = ncn (x − a)n−1 ;
n=1
∞
(x − a)n+1
Z X
(ii): f (x)dx = C + cn .
n=0
n+1
Os raios de convergência das séries de potências nas Equações (i) e (ii) são ambos R.
Exemplo: Expresse 1/(1 − x)2 como uma série de potências pela derivação da Equação 7.14. Qual
é o raio de convergência?
Exemplo: Encontre uma representação em série de potências para ln(1 + x) e seu raio de
convergência.
Exemplo: EncontreZ uma representação em série de potências para f (x) = arctan x.
1
Exemplo: Calcule dx como uma série de potências.
1 + x7
7.8. Séries de Taylor e Maclaurin. Na seção anterior pudemos encontrar representações para uma
certa classe restrita de funções. Aqui investigaremos problemas mais gerais: Quais as funções que têm
representações de séries de potências? Como podemos achar tais representações?
Teorema 7.18. Se f tiver uma representação (expansão) em série de potências em a, isto é, se
∞
X
f (x) = cn (x − a)n , |x − a| < R
n=0
então seus coeficientes são dados pela fórmula
f (n) (a)
cn = .
n!
Substituindo essa fórmula para cn de volta na série, vemos que, se f tiver uma expansão em série de
potências em a, então ela deve ser da seguinte forma:
∞
X f (n) (a) f ′′ (a) f (n) (a)
(7.15) f (x) = (x − a)n = f (a) + f ′ (a)(x − a) + (x − a)2 + · · · + (x − a)n + · · · .
n=0
n! 2! n!
A série na acima é chamada série de Taylor da função f em a (ou em torno de a ou centrado em
a). Para o caso especial a = 0, a série de Taylor torna-se
∞
X f (n) (0) n f ′′ (0) 2 f (n) (0) n
(7.16) f (x) = x = f (0) + f ′ (0)x + x + ··· + x + ··· .
n=0
n! 2! n!
Esse caso surge com frequência e lhe foi dado o nome especial de série de Maclaurin.
Observação 7.6. Mostramos que, se f puder ser representada como uma série de potências em torno
de a, então f é igual à soma de sua série de Taylor. Mas existem funções que não são iguais à soma
de suas séries de Taylor.
Exemplo: Encontre a série de Maclaurin da função f (x) = ex e seu raio de convergência.
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 49
Observação 7.7. Sob quais circunstâncias uma função é igual à soma de sua série de Taylor?
Teorema 7.19. Se f (x) = Tn (x) + Rn (x) onde Tn (x) é o polinômio de Taylor de n−ésimo grau de f
em a e
lim Rn (x) = 0
n→∞
para |x − a| < R, então f é igual à soma de sua série de Taylor no intervalo |x − a| < R.
Ao tentarmos mostrar que lim Rn (x) = 0 para uma função especı́fica f , geralmente usamos o
n→∞
teorema a seguir.
Teorema 7.20 (Desigualdade de Taylor). Se |f (n+1) (x)| ≤ M para |x − a| ≤ d, então o resto Rn (x)
da série de Taylor satisfaz a desigualdade
M
|Rn (x)| ≤ |x − a|n+1 , |x − a| ≤ d.
(n + 1)!
Observação 7.8. Ao aplicarmos os teoremas acima, é útil lembrar que
xn
lim = 0, ∀x ∈ R,
n→∞ n!
∞
X xn
visto que a série é convergente para todo x ∈ R.
n=0
n!
Exemplo: Demonstre que ex é igual à soma de sua série de Maclaurin.
Exemplo: Encontre a série de Taylor de f (x) = ex em a = 2.
Exemplo: Encontre a série de Maclaurin de sin x e demonstre que ela representa sin x para todo
x ∈ R.
Exemplo: Encontre a série de Maclaurin para cos x.
Exemplo: Encontre a série de Maclaurin da função f (x) = x cos x.
Exemplo: Represente f (x) = sin x como a soma de sua série de Taylor centrada em π/3.
50 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA
Observação 8.2. Temos que, r é contı́nua em a se, e somente se, suas funções componentes f , g e h
forem contı́nuas em a.
As curvas espaciais e as funções vetoriais contı́nuas estão intimamente relacionadas. Suponha que,
f , g e h sejam funções reais contı́nuas em um intervalo I. Em seguida, o conjunto
C := {(x, y, z) ∈ R3 ; x = f (t), y = g(t), z = h(t), t ∈ I}
é chamado curva espacial. As equações
x = f (t), y = g(t), z = h(t)
são denominadas equações paramétricas de C e t é conhecido como parâmetro.
Exemplo: Descreva a curva definida pela função vetorial
r(t) = (1 + t, 2 + 5t, −1 + 6t).
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 51
Teorema 9.1. Se r(t) = (f (t), g(t), h(t)) = f (t)i+g(t)j+h(t)k, onde f , g e h são funções diferenciáveis,
então
r′ (t) = (f ′ (t), g ′ (t), h′ (t)) = f ′ (t)i + g ′ (t)j + h′ (t)k.
Exemplo:
a): Determine a derivada de r(t) = (1 + t3 )i + te−t j + sin(2t)k.
b): Encontre o vetor tangente unitário no ponto onde t = 0.
√
Exemplo: Para a curva r(t) = ti + (2 − t)j, determine r′ (t) e desenhe o vetor posição r(1) e o
vetor tangente r′ (1).
Exemplo: Determine as equações paramétricas para a reta tangente à hélice com equações
paramétricas
x = 2 cos t, y = sin t, z = t
no ponto (0, 1, π/2).
Exemplo: Seja r(t) = (t2 , arctan(2t), e−t ), determine r′ (t) e r′′ (t).
Teorema 9.2 (Regras de derivação para funções vetoriais). Sejam u e v funções vetoriais deriváveis
de t, C um vetor constante, c um escalar e f uma função escalar derivável.
d
(1) C=0
dt
d
(2) [cu(t)] = cu′ (t)
dt
d
(3) [f (t)u(t)] = f ′ (t)u(t) + f (t)u′ (t)
dt
d
(4) [u(t) + v(t)] = u′ (t) + v ′ (t)
dt
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 53
d
(5) [u(t) · v(t)] = u′ (t) · v(t) + u(t) · v ′ (t)
dt
d
(6) [u(t) × v(t)] = u′ (t) × v(t) + u(t) × v ′ (t)
dt
d
(7) [u(f (t))] = f ′ (t)u′ (f (t)) (Regra da Cadeia)
dt
Exemplo: Mostre que, se |r(t)| = c (uma constante), então r′ (t) é ortogonal a r(t) para todo t.
Exemplo: Seja r uma função vetorial de R em R3 , derivável até a ordem 2. Prove que, se
r(t) × r′ (t) = c (c é constante real) para todo t ∈ R, então r(t) × r′′ (t) = 0 em R.
9.2. Integrais. A integral definida de uma função vetorial contı́nua r(t) pode ser definida da mesma
forma que para a função real, exceto que a integral resulta em um vetor. Mas podemos expressar a
integral de r como a integral de suas funções componentes f , g e h como segue.
! ! !
Z b Z Z b Z b b
r(t)dt = f (t)dt i + g(t)dt j + h(t)dt k.
a a a a
Podemos estender o Teorema Fundamental do Cálculo para as funções vetoriais contı́nuas como segue:
Z b
r(t)dt = R(t)|ba = R(b) − R(a)
a
Z
onde R é uma primitiva de r, ou seja, R′ (t) = r(t). Usaremos a notação r(t)dt para as integrais
indefinidas (primitivas).
Exemplo: Determine a primitiva da função vetorial r(t) = (2 cos t)i + (sin t)j + (2t)k.
Z 1
Exemplo: Calcule [ti + 4j + t2 k]dt.
0
Exemplo: Seja F (t) = (t, 1, et ) e G(t) = i + j + k. Calcule:
Z 1 Z 1
(a): F (t) × G(t)dt (b): F (t) · G(t)dt
0 0
Z t
2
Exemplo: Se F : [a, b] → R contı́nua e seja G(t) = F (s)ds, t ∈ [a, b]. Prove que, para todo
0
t ∈ [a, b]
dG
(t) = F (t).
dt
54 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA
10.2. Função comprimento de arco. Suponhamos agora que C seja uma curva dada pela função
vetorial
r(t) = f (t)i + g(t)j + h(t)k, a ≤ t ≤ b
onde r′ é contı́nua e C é percorrida exatamente uma vez à medida que t aumenta de a para b. Definimos
sua função de comprimento de arco s por
Z t
(10.5) s(t) = |r′ (u)|du.
a
10.3. Curvatura. Uma parametrização r(t) é chamada suave em um intervalo I se r′ for contı́nua e
r′ (t) ̸= 0 em I. Uma curva é chamada de suave se tiver uma parametrização suave. Uma curva suave
não tem quebras abruptas ou cúspides; quando seu vetor tangente gira, ele o faz continuamente.
Se C for uma curva suave definida por uma função vetorial r, lembre-se de que o vetor tangente
unitário T (t) será dado por
r′ (t)
(10.6) T (t) =
|r′ (t)|
e indica a direção da curva.
A curvatura de C em um dado ponto é a medida de quão rapidamente a curva muda de direção no
ponto. Especificamente:
Definição 10.1 (Curvatura). A curvatura de uma curva é
dT
(10.7) k(t) =
ds
onde T é o vetor tangente unitário.
A curvatura é mais simples de calcular se expressa em termos do parâmetro t em vez de s. Vejamos,
dT dT ds dT dT /dt
= e k(t) = =
dt ds dt ds ds/dt
ou seja,
|T ′ (t)|
(10.8) k(t) = ′ .
|r (t)|
Exemplo: Mostre que a curvatura de um cı́rculo de raio a é 1/a.
Exemplo: Seja r : I → R3 uma curva parametrizada com |r′ (t)| = r0 ∈ R para todo t ∈ I.
|r′′ (t)|
(a): Verifique que, para todo t ∈ I, k(t) = .
r02
(b): Prove que, se k(t) = 0 para todo t, então r é uma reta.
Teorema 10.1. A curvatura de uma curva dada pela função vetorial r é
|r′ (t) × r′′ (t)|
k(t) = .
|r′ (t)|3
Exemplo: Determine a curvatura da cúbica retorcida r(t) = (t, t2 , t3 ) em um ponto genérico e em
(0, 0, 0).
Para o caso especial de uma curva plana com a equação y = f (x), escolhemos x como parâmetro e
escrevemos r(x) = xi + f (x)j. Então, r′ (x) = i + f ′ (x)j e r′′ (x) = fp
′′
(x)j. Como i × j = k e j × j = 0,
′ ′′ ′′ ′
segue que r (x) × r (x) = f (x)k. Além disso, temos que |r (x)| = 1 + [f ′ (x)]2 e, consequentemente,
|f ′′ (x)|
(10.9) k(x) = .
[1 + (f ′ (x))2 ]3/2
Exemplo: Encontre a curvatura da parábola y = x2 nos pontos (0, 0), (1, 1) e (2, 4).
10.4. Vetores Normal e Binormal. Em um ponto dado de uma curva suave r(t), existem muitos
vetores que são ortogonais ao vetor tangente unitário T (t). Escolhemos um observando que, como
|T (t)| = 1 para todo t, temos T (t) · T ′ (t) = 0, de modo que T ′ (t) é ortogonal a T (t). No entanto,
T ′ (t) não é necessariamente unitário. Agora, em todo ponto que k ̸= 0 podemos definir vetor normal
unitário principal N (t) (ou simplesmente normal unitário) como
T ′ (t)
(10.10) N (t) = .
|T ′ (t)|
Podemos pensar no vetor normal unitário como uma indicação da direção na qual a curva está virando
em cada ponto. O vetor B(t) = T (t) × N (t) é chamado vetor binormal. Ele é perpendicular a ambos
T e N e também é unitário.
56 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA
r(t + h) − r(t)
(11.2) v(t) = lim = r′ (t).
h→0 h
Portanto, o vetor velocidade é também o vetor tangente e tem a direção da reta tangente à curva.
Exemplo: Um objeto de massa m que se move em uma trajetória circular com velocidade angular
constante w tem vetor posição dado por r(t) = a cos(wt)i + a sin(wt)j. Determine a força que age sobre
o objeto e mostre que sua direção e sentido são dados pela reta que passa pela origem, apontando em
direção à origem.
58 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA
ponto qualquer Pi∗ (x∗i , yi∗ ) no i−ésimo subarco. (Isto corresponde a um ponto t∗i em [ti−1 , ti ].) Agora,
se f for uma função de duas variáveis cujo domı́nio inclui a curva C, calculamos f no ponto (x∗i , yi∗ ),
multiplicamos pelo comprimento ∆si do subarco e somamos
n
X
f (x∗i , yi∗ )∆si
i=1
que é semelhante à soma de Riemann. Em seguida, tomamos o limite dessa soma e fazemos a seguinte
definição, por analogia com a integral unidimensional:
Definição 13.1. Se f é definida sobre uma curva suave C dada pelas equações 13.1, então a integral
de linha de f sobre C é
Z n
X
(13.2) f (x, y)ds = lim f (x∗i , yi∗ )∆si
C n→∞
i=1
Z Z Z
(13.4) f (x, y)ds = f (x, y)ds + · · · + f (x, y)ds.
C C1 Cn
Z
Exemplo: Calcule 2xds, onde C é formada pelo arco C1 da parábola y = x2 de (0, 0) a (1, 1)
C
seguido pelo segmento de reta vertical C2 de (1, 1) a (1, 2). Z
Qualquer interpretação fı́sica de uma integral de linha f (x, y)ds depende da interpretação fı́sica
C
da função f . Suponhamos que ρ(x, y) represente a densidade linear de um ponto de (x, y) de um fio
fino com a forma de uma curva C. Então, a massa da parte X do fio a partir de Pi−1 até Pi é de cerca de
ρ(x∗i , yi∗ )∆si e assim a massa total do fio é de cerca de ρ(x∗i , yi∗ )∆si . Tomando cada vez mais pontos
sobre a curva, obtemos o valor da massa m do fio como o valor limite dessas aproximações:
X n Z
∗ ∗
(13.5) m = lim f (xi , yi )∆si = ρ(x, y)ds.
n→∞ C
i=1
O centro de massa do fio com a função densidade ρ encontra-se no ponto (x, y), onde
Z Z
1 1
(13.6) x= xρ(x, y)ds e y = yρ(x, y)ds.
m C m C
Exemplo: Um arame tem o formato de um semicı́rculo x2 + y 2 = 1, y ≥ 0, é mais grosso perto
da base do que perto do topo. Ache o centro de massa desse arame se a função densidade linear em
qualquer ponto for proporcional à sua distância à reta y = 1.
Duas outras integrais de linha são obtidas trocando-se ∆si por ∆xi = xi − xi−1 ou ∆yi = yi − yi−1 na
Definição 13.1. Elas são chamadas, respectivamente, integrais de linha de f ao longo de C com relação
a x e y:
Z X n Z n
X
(13.7) f (x, y)dx = lim f (x∗i , yi∗ )∆xi f (x, y)dy = lim f (x∗i , yi∗ )∆yi
C n→∞ C n→∞
i=1 i=1
62 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA
Z
Quando queremos distinguir a integral de linha original f (x, y)ds das equações cima, esta é chamada
C
de integral de linha com relação ao comprimento do arco.
As fórmulas seguintes dizem que as integrais de linha com relação a x e y podem ser calculadas
escrevendo-se tudo em termos de t: x = x(t), y = y(t), dx = x′ (t)dt, dy = y ′ (t)dt.
Z Z b Z Z b
(13.8) f (x, y)dx = f (x(t), y(t))x′ (t)dt f (x, y)dy = f (x(t), y(t))y ′ (t)dt.
C a C a
Frequentemente acontece de as integrais de linha com relação a x e y ocorrerem em conjunto. Quando
isso acontece, é costume abreviar escrevendo
Z Z Z
P (x, y)dx + Q(x, y)dy = P (x, y)dx + Q(x, y)dy
C C C
Z
Exemplo: Calcule y 2 dx + xdy, onde (a) C = C1 é o segmento de reta de (−5, −3) a (0, 2) e (b)
C
C = C2 é o arco da parábola x = 4 − y 2 de (−5, −3) a (0, 2).
Em geral, dada a parametrização x = x(t), y = y(t), a ≤ t ≤ b, esta determina-se uma orientação da
curva C, com a orientação positiva correspondendo aos valores crescentes do parâmetro t.
Se −C denota a curva constituı́da pelos mesmos pontos que C, mas com orientação contrária, então
temos Z Z Z Z
f (x, y)dx = − f (x, y)dx f (x, y)dy = − f (x, y)dy
−C C −C C
Mas, se integrarmos em relação ao comprimento de arco, o valor da integral de linha não se altera ao
revertermos a orientação da curva:
Z Z
f (x, y)ds = f (x, y)ds
−C C
Isso ocorre porque ∆si é sempre positivo, enquanto ∆xi e ∆yi mudam de sinal quando invertemos a
orientação de C.
13.1. Integrais de Linha no Espaço. Suponhamos que C seja uma curva espacial suave dada pelas
equações paramétricas
(13.9) x = x(t), y = y(t), z = z(t) t ∈ [a, b]
ou, o que é equivalente, pela equação vetorial r(t) = (x(t), y(t), z(t)). Se f é uma função de três variáveis
que é contı́nua em alguma região contendo C, então definimos a integral de linha de f ao longo de C
(com relação ao comprimento de arco) de modo semelhante ao feito nas curvas planas:
Z Xn
(13.10) f (x, y, z)ds = lim f (x∗i , yi∗ , zi∗ )∆si .
C n→∞
i=1
Z
Exemplo: Calcule y sin zds, onde C é a hélice circular dada pelas equações x = cost, y = sin t,
C
z = t, 0 ≤ t ≤ 2π. Z
Exemplo: Calcule ydx + zdy + xdz, onde C consiste no segmento de reta C1 de (2, 0, 0) a (3, 4, 5),
C
seguido pelo segmento de reta vertical C2 de (3, 4, 5) a (3, 4, 0).
13.2. Integrais de Linha de Campos Vetoriais. Suponha agora que F = P i + Qj + Rk seja um
campo de força contı́nuo em R3 . Queremos calcular o trabalho exercido por essa força ao mover uma
partı́cula ao longo de uma curva suave C.
Dividimos C em subarcos Pi−1 1Pi com comprimentos ∆si através da divisão de intervalos de
parâmetros [a, b] em subintervalos de igual largura. Escolha um ponto Pi∗ (x∗i , yi∗ , zi∗ ) no i−ésimo subarco
correspondente ao valor do parâmetro t∗i . Se ∆si é pequeno, o movimento da partı́cula de Pi−1 para Pi
na curva ocorre aproximadamente na direção de T (t∗i ), vetor tangente unitário a Pi∗ . Então, o trabalho
feito pela força F para mover a partı́cula de Pi−1 para Pi é aproximadamente
F (x∗i , yi∗ , zi∗ ) · [∆si T (t∗i )] = [F (x∗i , yi∗ , zi∗ ) · T (t∗i )]∆si
e o trabalho total executado para mover a partı́cula ao longo de C é aproximadamente
n
X
[F (x∗i , yi∗ , zi∗ ) · T (x∗i , yi∗ , zi∗ )]∆si
i=1
onde T (x, y, z) é o vetor tangente unitário no ponto (x, y, z) em C. Intuitivamente, vemos que estas
aproximações devem se tornar melhor quando n torna-se maior. Portanto, definimos o trabalho W feito
por um campo de força F como o limite da soma de Riemann, ou seja,
Z Z
(13.12) W = F (x, y, z) · T (x, y, z)ds = F · T ds.
C C
A equação acima nos diz que o trabalho é a integral com relação ao comprimento do arco da componente
tangencial da força.
r′ (t)
Se a curva C é dada pela equação vetorial r(t) = (x(t), y(t), z(t)), então T (t) = ′ , podemos
|r (t)|
reescrever a Equação (13.12) como
Z b Z b
r′ (t)
Z
W = F (r(t)) · ′ |r′ (t)|dt = F (r(t)) · r′ (t)dt =: F · dr.
a |r (t)| a C
Definição 13.2. Seja F um campo vetorial contı́nuo definido sobre uma curva suave C dada pela função
vetorial r(t), a ≤ t ≤ b. Então, a integral de linha de F ao longo de C é
Z Z b Z
F · dr = F (r(t)) · r′ (t)dt = F · T ds.
C a C
64 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA
Exemplo: Determine o trabalho feito pelo campo de força F (x, y) = (x2 , −xy) ao se mover uma
π
partı́cula ao longo de um quarto de cı́rculo r(t) = (cos t, sin t), 0 ≤ t ≤ .
Z 2
Exemplo: Calcule F ·dr, onde F (x, y, z) = (xy, yz, xz) e C é a cúbica retorcida, dada por x(t) = t,
C
y(t) = t2 e z(t) = t3 , com t ∈ [0, 1].
Finalmente, observamos a relação entre as integrais de linha de campos vetoriais e as integrais de
linha de campos escalares. Suponha que o campo vetorial F em R3 seja dado na forma de componente,
a equação F = P i + Qj + Rk. Usamos a Definição 13.2 para calcular a sua integral de linha ao longo
de C:
Z Z b
F · dr = F (r(t)) · r′ (t)dt
C a
Z b
= (P i + Qj + Rk) · (x′ (t)i + y ′ (t)j + z ′ (t)k)dt
a
Z b
= [P (x(t), y(t), z(t))x′ (t) + Q(x(t), y(t), z(t))y ′ (t) + R(x(t), y(t), z(t))z ′ (t)]dt
a
Z
= P dx + Qdy + Rdz.
C
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 65
onde F ′ é contı́nua em [a, b]. Se consideramos o vetor gradiente ∇f de uma função f de duas ou três
variáveis como uma espécie de derivada de f , então o teorema seguinte pode ser visto como uma versão
do Teorema Fundamental do Cálculo para as integrais de linha.
Teorema 14.1. Seja C uma curva suave dada pela função vetorial r(t), a ≤ t ≤ b. Seja f uma função
diferenciável de duas ou três variáveis cujo vetor gradiente ∇f é contı́nuo em C. Então
Z
∇f · dr = f (r(b)) − f (r(a)).
C
14.1. Independência do Caminho. Suponha que C1 e C2 sejam curvas suaves por partes
(denominadasZ caminhos) Zque têm o mesmo ponto inicial A e o mesmo ponto final B. Em geral, já
sabemos que F · dr ̸= F · dr. Mas uma decorrência do teorema anterior é que
C1 C2
Z Z
∇f · dr = ∇f · dr
C1 C2
sempre que ∇f for contı́nua. Em outras palavras, a integral de linha de um campo vetorial conservativo
depende somente das extremidades da curva. Em geral, se F for um campo vetorial contı́nuo com
domı́nio D, dizemos que a integral de linha é independente do caminho se para quaisquer dois caminhos
C1 e C2 em D que tenham os mesmos pontos iniciais e finais. Com essa terminologia, podemos dizer que
as integrais de linha de campos vetoriais conservativos são independentes do caminho.
Uma curva é denominada fechada se seu ponto final coincide com seu ponto inicial, ou seja,
r(b) = r(a). Com essa definição, temos o seguinte resultado:
Z Z
Teorema 14.2. Se F · dr é independente do caminho D se, e somente se, F · dr = 0 para todo
C C
caminho fechado C em D.
O teorema a seguir diz que todos os campos vetoriais independentes do caminho são conservativos.
Ele foi enunciado e demonstrado para curvas planas, mas existe uma versão espacial desse teorema.
Admita que D seja aberto, o que significa que para todo ponto P em D existirá uma bola aberta com
centro em P inteiramente contida em D. (Portanto, D não tem nenhum ponto de sua fronteira.) Além
disso, vamos supor que D seja conexo por caminhos: isso significa que quaisquer dois pontos em D
podem ser ligados por um caminho que se encontra em D.
66 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA
Teorema 14.3. ZSuponha que F seja um campo vetorial contı́nuo em uma região aberta conexa por
caminhos D. Se F ·dr for independente do caminho em D, então F é um campo vetorial conservativo
C
em D, ou seja, existe uma função f tal que ∇f = F .
A questão permanece: como é possı́vel saber se um campo vetorial F é conservativo ou não?
Teorema 14.4. Se F (x, y) = P (x, y)i + Q(x, y)j é um campo vetorial conservativo, onde P e Q têm
derivadas parciais de primeira ordem contı́nuas em um domı́nio D, então em todos os pontos de D,
temos
∂P ∂Q
= .
∂y ∂x
A recı́proca do Teorema 14.4 só é verdadeira para um tipo especial de região. Para explicarmos isso,
precisamos do conceito de curva simples, que é uma curva que não se autointercepta em nenhum ponto
entre as extremidades.
No Teorema 14.3 precisamos de região conexa por caminhos. Para o próximo teorema, precisaremos
de uma condição mais forte. Uma região simplesmente conexa no plano é uma região conexa por
caminhos D tal que toda curva fechada simples em D inclui apenas os pontos que estão em D.
Teorema 14.5. Seja F (x, y) = P (x, y)i + Q(x, y)j é um campo vetorial em uma região aberta
simplesmente conexa D. Suponha que P e Q tenham derivadas contı́nuas de primeira ordem e que
∂P ∂Q
=
∂y ∂x
em todo conjunto D. Então, F é conservativo.
Exemplo: Determine se os campos vetoriais abaixo são conservativos:
(a): F (x, y) = (x − y, x − 2);
(b): F (x, y) = (3 + 2xy, x2 − 3y 2 ).
Exemplo:
(a): Se F (x, y) = (3 + 2xy, x2 −Z3y 2 ), encontre uma função f tal que F = ∇f .
(b): Calcule a integral de linha F · dr, onde C é a curva dada por
C
r(t) = et sin ti + et cos tj, 0 ≤ t ≤ π.
2 3z 3z
Exemplo: Se F (x, y, z) = (y , 2xy + e , 3ye ), encontre uma função f tal que ∇f = F .
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 67
Teorema 15.1 (Teorema de Green). Seja C uma curva plana simples, fechada, contı́nua por partes,
orientada positivamente, e seja D a região delimitada por C. Se P e Q têm derivadas parciais de
primeira ordem contı́nuas sobre uma região aberta que contenha D, então
I ZZ
∂Q ∂P
P dx + Qdy = − dA.
C D ∂x ∂y
I
Observação 15.1. A notação P dx + Qdy é normalmente utilizada para indicar que a integral de
C
linha está sendo calculada usando a orientação positiva da curva fechada C.
I
Exemplo: Calcule x2 dx + xydy, onde C é a curva triangular constituı́da pelos segmentos de reta
C
de (0, 0) a (1, 0), de (1,I0) a (0, 1), e de (0, 1) a (0, 0).
p
Exemplo: Calcule (3y − esin x )dx + (7x + y 4 + 1)dy, onde C é o cı́rculo x2 + y 2 = 9.
C
Uma aplicaçãoZ Zda direção inversa do Teorema de Green está no cálculo de áreas. Como a área de
uma região D é 1dA, desejamos escolher P e Q tais que
D
∂Q ∂P
− = 1.
∂x ∂y
68 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA
1
Existem várias possibilidades: P (x, y) = 0 e Q(x, y) = x, P (x, y) = −y e Q(x, y) = 0, P (x, y) = − y e
2
1
Q(x, y) = x. Assim, o Teorema de Green dá as seguintes fórmulas para a área de D:
2
I I I
1
A= xdy = − ydx = xdy − ydx
C C 2 C
x2 y2
Exemplo: Determine a área delimitada pela elipse + = 1.
a2 b2
15.1. Versões estendidas do Teorema de Green. É possı́vel estender o Teorema de Green para o
caso em que D é a união finita de regiões simples. Por exemplo, se D é uma região como na figura abaixo,
então podemos escrever D = D1 ∪ D2 , onde D1 e D2 são ambas simples. A fronteira de D1 é C1 ∪ C3 e
a fronteira de D2 é C2 ∪ (−C3 ); portanto, aplicando o Teorema de Green em D1 e D2 separadamente,
obtemos
I ZZ
∂Q ∂P
P dx + Qdy = − dA.
C1 ∪C3 D1 ∂x ∂y
e I ZZ
∂Q ∂P
P dx + Qdy = − dA.
C2 ∪(−C3 ) D2 ∂x ∂y
Se somarmos essas duas equações, as integrais de linha sobre C3 e −C3 se cancelam e obtemos
I ZZ
∂Q ∂P
P dx + Qdy = − dA.
C1 ∪C2 D ∂x ∂y
que é o Teorema de Green para D = D1 ∪ D2 uma vez que sua fronteira é C = C1 ∪ C2 . O mesmo tipo de
argumentação nos permite estabelecer o Teorema de Green para qualquer união finita de regiões simples
que não se sobreponham.
I
Exemplo: Calcule y 2 dx + 3xydy, onde C é o limite da região semianular D contida no semiplano
C
superior entre os cı́rculos x2 + y 2 = 1 e x2 + y 2 = 4.
O Teorema de Green também pode ser aplicado para regiões com furos, ou seja, regiões que não são
simplesmente conexas. Observe que a fronteira C da região D na figura abaixo é constituı́da por duas
curvas fechadas simples C1 e C2 . Assumimos que estas curvas de contorno são orientadas de modo que a
região D está sempre do lado esquerdo enquanto a curva C é percorrida. Assim, o sentido anti-horário
é positivo para a curva exterior C1 , mas no sentido horário para o interior da curva C2 . Se dividirmos D
em duas regiões D′ e D′′ , pela introdução das retas mostradas na figura, e então aplicarmos o Teorema
de Green a cada uma das regiões D′ e D′′ , obteremos
ZZ ZZ ZZ
∂Q ∂P ∂Q ∂P ∂Q ∂P
− dA = − dA + − dA
D ∂x ∂y D′ ∂x ∂y D ′′ ∂x ∂y
I I
= P dx + Qdy + P dx + Qdy
∂D ′ ∂D ′′
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 69
Como as integrais de linha sobre a fronteira comum são em sentidos opostos, elas se cancelam e
obtemos
ZZ I I I
∂Q ∂P
− dA = P dx + Qdy + P dx + Qdy = P dx + Qdy
D ∂x ∂y C1 C2 C
que é o Teorema de Green para a região D. I
Exemplo: Se F (x, y) = (−yi + xj)/(x2 + y 2 ), mostre que F · dr = 2π para todo caminho fechado
simples que circunde a origem.
70 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA
∂ ∂ ∂
16.2. Divergente. Se F = P i + Qj + Rk é um campo vetorial em R3 e , e k existem, então
∂x ∂y ∂z
o divergente de F é a função de três variáveis definida por
∂P ∂Q ∂R
(16.3) divF = + +
∂x ∂y ∂z
Observe que rotF é um campo vetorial, mas divF é um campo escalar. Em termos do operador gradiente
∂ ∂ ∂
∇= i+ j+ k, o divergente de F pode ser escrito simbolicamente como o produto escalar de
∂x ∂y ∂z
∇ e F:
(16.4) divF = ∇ · F
2
Exemplo: Se F (x, y, z) = xzi + xyzj − y k, determine divF .
Se F é um campo vetorial sobre R3 , então rotF também é um campo vetorial sobre R3 . Como tal,
podemos calcular seu divergente. O próximo teorema mostra que o resultado é 0.
Teorema 16.3. Se F = P i + Qj + Rk é um campo vetorial sobre R3 e P , Q e R têm derivadas parciais
de segunda ordem contı́nuas, então
div(rotF ) = 0.
Exemplo: Mostre que o campo vetorial F (x, y, z) = xzi + xyzj − y 2 k não pode ser escrito como o
rotacional de outro campo vetorial, ou seja, F ̸= rotG.
Outro operador diferencial aparece quando calculamos o divergente do gradiente de um campo vetorial
∇f . Se f é uma função de três variáveis, temos
∂2f ∂2f ∂2f
div(∇f ) = ∇ · ∇f = + +
∂x2 ∂y 2 ∂z 2
e essa expressão aparece tão frequentemente que vamos abreviá-la como ∇2 f . Esse operador ∇2 = ∇ · ∇
é chamado operador de Laplace por sua relação com a equação de Laplace
∂2f ∂2f ∂2f
∆f := ∇2 f = + + = 0.
∂x2 ∂y 2 ∂z 2
Podemos também aplicar o laplaciano ∆ a um campo vetorial
F = P i + Qj + Rk
em termos de suas componentes:
∆F = ∆P i + ∆Qj + ∆Rk
16.3. Formas Vetoriais do Teorema de Green. Os operadores divergente e rotacional nos permitem
escrever o Teorema de Green em uma versão que será útil futuramente. Consideramos uma região plana
D, sua curva fronteira C e funções P e Q que satisfaçam as hipóteses do Teorema de Green. Em seguida,
consideramos o campo vetorial F = P i + Qj. A sua integral de linha é
I I
F · dr = P dx + Qdy
C C
A equação acima expressa a integral de linha da componente tangencial de F ao longo de C como uma
integral dupla da componente vertical rotacional F sobre a região D delimitada por C. Vamos deduzir,
agora, uma fórmula semelhante, envolvendo a componente normal de F .
Se C é dada pela equação vetorial
r(t) = x(t)i + y(t)j, t ∈ [a, b]
então o vetor tangente unitário é
x′ (t) y ′ (t)
T (t) = i + j.
|r′ (t)| |r′ (t)|
É possı́vel verificar que o vetor normal unitário externo a C é dado por
y ′ (t) x′ (t)
η(t) = ′ i− ′ j.
|r (t)| |r (t)|
Dessa forma,
I Z b
F · ηds = (F · η)(t)|r′ (t)|dt
C a
b
P (x(t), y(t))y ′ (t) Q(x(t), y(t))x′ (t)
Z
= − |r′ (t)|dt
a |r′ (t)| |r′ (t)|
Z b
= P (x(t), y(t))y ′ (t)dt − Q(x(t), y(t))x′ (t)dt
a
I ZZ
∂P ∂Q
= P dy − Qdx = + dA
C D ∂x ∂y
pelo Teorema de Green. Mas o integrando na integral dupla é o divergente de F . Logo, temos uma
segunda forma vetorial do Teorema de Green:
I ZZ
(16.6) F · ηds = divF (x, y)dA.
C D
Essa versão diz que a integral de linha da componente normal de F ao longo de C é igual à integral
dupla do divergente de F na região D delimitada por C.
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 73
Referências
[1] ANTON, H., BIVENS, I. e DAVIS, S., Cálculo, Vols. 1 e 2, 10ª ed. Porto Alegre: Bookman, 2014.
[2] FLEMMING, D. M. e GONÇALVES, M. B., CÁLCULO A, 6ª ed. São Paulo: Pearson, 2006.
[3] FLEMMING, D. M. e GONÇALVES, M. B., CÁLCULO B, 6ª ed. São Paulo: Pearson, 2006.
[4] GUIDORIZZI, H. L., Um Curso de Cálculo, Vols. 1, 2, 3 e 4, 5ª ed. Rio de Janeiro: LTC, 2016.
[5] LEITHOLD, L., O Cálculo com Geometria Analı́tica, Vols. 1 e 2, 3ª ed. São Paulo: HARBRA, 2016.
[6] STEWART, J., Cálculo, Vols. 1 e 2, 8ª ed. São Paulo: CENGAGE, 2016.
[7] THOMAS, G. B., WEIR, M. D. e HASS,J., Cálculo, Vols. 1 e 2, 12ª ed. São Paulo: Pearson, 2012.