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Fundamentos de Cálculo Diferencial e Integral

O documento aborda o Cálculo Diferencial e Integral, destacando sua importância em várias áreas do conhecimento, como engenharias e ciências exatas. Ele serve como base para disciplinas avançadas e inclui tópicos como limites, derivadas, integrais e aplicações dessas ferramentas matemáticas. O conteúdo é estruturado em seções que detalham conceitos fundamentais e técnicas de cálculo.

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lucas Santiago03
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Fundamentos de Cálculo Diferencial e Integral

O documento aborda o Cálculo Diferencial e Integral, destacando sua importância em várias áreas do conhecimento, como engenharias e ciências exatas. Ele serve como base para disciplinas avançadas e inclui tópicos como limites, derivadas, integrais e aplicações dessas ferramentas matemáticas. O conteúdo é estruturado em seções que detalham conceitos fundamentais e técnicas de cálculo.

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CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

Resumo. O Cálculo Diferencial e Integral é uma ferramenta matemática poderosa e extremamente


importante, para diversas áreas do conhecimento em geral, tais como engenharias, biologia, fı́sica,
quı́mica, matemática, entre outras. Serve como base para muitas disciplinas avançadas dos cursos
das ciências exatas e tecnológicas. Cursos como Equações Diferenciais e Variáveis Complexas, estão
completamente baseados nos cursos de Cálculo Diferencial e Integral.

Sumário
1. Limites e Continuidade 3
1.1. Limite de uma função 3
1.2. Limites Laterais 4
1.3. Limites envolvendo infinidades 5
1.4. Funções Contı́nuas 6
2. Derivação 9
2.1. Tangentes e derivadas em um ponto 9
2.2. A derivada como função 9
2.3. Regras de Derivação 10
2.4. Derivada como taxa de variação 11
2.5. Derivadas de Funções Trigonométricas 12
2.6. A Regra da Cadeia 13
2.7. Derivação Implı́cita 13
2.8. Derivadas de Funções Inversas e Logaritmo 14
3. Aplicações das Derivadas 16
3.1. Taxas Relacionadas 16
3.2. Valores Extremos de Funções 16
3.3. Determinando Extremos 16
3.4. Teorema do Valor Médio 17
3.5. Funções Monotônicas e o Teste da Primeira Derivada 17
3.6. Concavidade e Esboço de Curvas 18
3.7. Formas Indeterminadas e Regra de L’Hôpital 19
3.8. Otimização Aplicada 20
4. Integração 21
4.1. Primitivas 21
4.2. Integrais Indefinidas 21
4.3. A Integral Definida 21
4.4. Propriedades da Integral Definida 22
4.5. O Teorema Fundamental do Cálculo 22
4.6. Área total 23
4.7. A Regra da Substituição e Área entre Curvas 23
4.8. Simetria 24
4.9. Área entre Curvas 24
5. Técnicas de Integração e Integração Imprópria 25
5.1. Integração por Partes 25
5.2. Integrais Trigonométricas 26
1
2 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

5.3. Substituições Trigonométricas 26


5.4. Integração de Funções Racionais por Frações Parciais 27
5.5. Integrais Impróprias 28
6. Aplicações das Integrais Definidas 31
6.1. Volumes por Seções Transversais 31
6.2. Sólidos de Revolução: O Método do Disco 33
6.3. Sólidos de Revolução: O Método do Anel 33
6.4. Volume por Cascas Cilı́ndricas 34
6.5. Comprimento de Arco 35
6.6. Áreas de Superfı́cies de Revolução 36
6.7. Trabalho e Força de Fluidos 37
7. Sequências e Séries Numéricas 39
7.1. Sequências 39
7.2. Séries 42
7.3. Testes de Convergência para Séries 43
7.4. Séries Alternadas 45
7.5. Convergência Absoluta e os Testes da Razão e da Raiz 45
7.6. Séries de Potências 46
7.7. Representações de Funções como Séries de Potências 47
7.8. Séries de Taylor e Maclaurin 48
8. Funções Vetoriais de Uma Variável 50
8.1. Funções Vetoriais e Curvas Espaciais 50
9. Derivadas e Integrais de Funções Vetoriais 52
9.1. Derivadas 52
9.2. Integrais 53
10. Comprimento de Arco e Curvatura 54
10.1. Comprimento de uma curva 54
10.2. Função comprimento de arco 54
10.3. Curvatura 55
10.4. Vetores Normal e Binormal 55
11. Movimento no Espaço: Velocidade e Aceleração 57
11.1. Movimento de um projétil 58
11.2. Componentes Tangencial e Normal da Aceleração 58
12. Campos Vetoriais 59
12.1. Campos Gradiente 59
13. Integrais de Linha 60
13.1. Integrais de Linha no Espaço 62
13.2. Integrais de Linha de Campos Vetoriais 63
14. O Teorema Fundamental das Integrais de Linha 65
14.1. Independência do Caminho 65
15. Teorema de Green 67
15.1. Versões estendidas do Teorema de Green 68
16. Rotacional e Divergente 70
16.1. Rotacional 70
16.2. Divergente 71
16.3. Formas Vetoriais do Teorema de Green 71
17. Superfı́cies Parametrizadas e suas Áreas 73
Referências 74
Referências Bibliográficas 74
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 3

1. Limites e Continuidade
1.1. Limite de uma função. Seja f uma função definida em um intervalo aberto em torno de x0 ,
exceto possivelmente no próprio x0 . Se f (x) ficar arbitrariamente próximo de L, a medida que os
valores de x tornam-se suficientemente próximos de x0 , dizemos que f tem limite L quando x tende a
x0 e escrevemos
lim f (x) = L.
x→x0

Exemplos: Nos exemplos abaixo calcule lim f (x) :


x→1
a): f (x) = x + 1
x2 − 1
b): f (x) =
x − 1
 x2 − 1
c): f (x) = , x ̸= 1
 1,x − 1
x = 1.
Exemplos: Uma função pode não ter limite em um dado ponto de seu domı́nio:

0, x < 0
a): f (x) =
1, x ≥ 0.
1
(
, x ̸= 0
b): f (x) = x
 0, x = 0.
 0, x≤ 0
c): f (x) = 1
 sen , x > 0.
x
Leis do Limite
Teorema 1.1. Se L, M, c e k são números reais e lim f (x) = L e lim g(x) = M , então
x→c x→c
(1) lim (f (x) ± g(x)) = L ± M ;
x→c
(2) lim (f (x) · g(x)) = L · M ;
x→c
(3) lim (k · f (x)) = k · L;
x→c
f (x) L
(4) lim = , se M ̸= 0;
x→c g(x) M
(5) Se r, s são inteiros e primos entre si com s ̸= 0 então lim (f (x))r/s = Lr/s , desde que Lr/s seja
x→c
um número real.
Lemma 1.2. Se P (x) e Q(x) são polinômios e Q(c) ̸= 0, então
P (x) P (c)
lim P (x) = P (c) e lim = .
x→c x→c Q(x) Q(c)
Exemplos:
a) lim (x2 + 4x2 − 3)
x→c
x4 + x2 − 1
b) lim
x→c p x2 + 5
c) lim 4x2 − 3
x→−2
Eliminando algebricamente denominadores nulos
Exemplos:
x2 + x − 2
a): lim
x→1 √x2 − x
x2 + 100 − 10
b): lim
x→0 x2
4 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

√ √
x− 3
c): lim
x→3
√ x − 3√
3
x− 32
d): lim
x→2 x−2
Teorema do Confronto
Teorema 1.3 (Teorema do Confronto). Suponha que, g(x) ≤ f (x) ≤ h(x) para qualquer x em um
intervalo aberto contendo c, exceto, possivelmente, em x = c. Suponha também que
lim g(x) = lim h(x) = L.
x→c x→c
Então, lim f (x) = L.
x→c

Exemplos:
x2 x2
a): Determine lim u(x), sabendo que 1 − ≤ u(x) ≤ 1 + , para qualquer x ̸= 0;
x→0 4 2
b): Determine: lim senx
x→0
c): Determine: lim (1 − cosx)
x→0
d): Se |f (x)| ≤ x2 , calcule, caso exista, lim f (x)
x→0
2 1, x ∈ Q
e): Calcule lim x g(x) em que g(x) =
x→0 −1, x ∈ /Q
Teorema 1.4. Se f (x) ≤ g(x) para todos os valores de x em um certo intervalo aberto contendo c,
exceto possivelmente no próprio x = c, e os limites de f e g existem quando x se aproxima de c, então
lim f (x) ≤ lim g(x).
x→c x→c

1.2. Limites Laterais. Intuitivamente, se f está definida em um intervalo (c, b) e os valores de f (x)
ficam arbitrariamente próximos de um número real L para valores de x suficientemente próximos de c,
dizemos que L é o limite de f (x) quando x tende a c pela direita e denotamos por
lim f (x) = L.
x→c+
Analogamente, se f está definida em um intervalo (a, c) e os valores de f (x) ficam arbitrariamente
próximos de um número real M para valores de x suficientemente próximos de c, dizemos que L é o
limite de f (x) quando x tende a c pela esquerda e denotamos por
lim f (x) = M.
x→c−
Diremos que, a função f tem limite quando x tende para c se L = M . Em verdade, temos:
lim f (x) = L se, e somente se, lim f (x) = lim f (x) = L
x→c x→c+ x→c−
Exemplos:
x
a): lim existe? Por quê?
x→0 |x|
 2
x , x<1
b): Calcule lim± f (x), sendo f (x) =
x→1 2x, x > 1

 2 − x, se x ≤ 0
c): Seja f (x) = x2 + x + 1 se 0 < x ≤ 2 . Determine se existe lim f (x) e lim f (x).
x→0 x→2
2x + 3 se x > 2

Exemplos: Calcule, caso exista. Se não existir, justifique.
|x − 1|
a) lim
x→1 + x−1

f (x) − f (1) x + 1, x ≥ 1
b) lim , em que f (x) = .
x→1 x−1 2x, x < 1
Limites que envolvem (sin θ)/θ
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 5

Teorema 1.5 (Limite fundamental).


sin θ
lim = 1, θ em radianos
θ→0 θ
Exemplos:
cosx − 1
a): lim
x→0 x
sen2x
b): lim
x→0 5x
tan t sec(2t)
c): lim
t→0 3t
1.3. Limites envolvendo infinidades. Veremos o comportamento de funções quando x → ±∞ e
também estudaremos funções que crescem ou decrescem indefinidamente quando x tende para um certo
valor.
Limites finitos quando x → ±∞
Definição 1.1.
(1) Dizemos que, f possui o limite L quando x tende ao infinito e escrevemos
lim f (x) = L,
x→+∞

quando os valores de f (x) ficam arbitrariamente próximos de L, a medida que x cresce


indefinidamente.
(2) Dizemos que, f possui o limite L, quando x tende a menos infinito e escrevemos
lim f (x) = L,
x→−∞

quando os valores de f (x) ficam arbitrariamente próximos de L a medida que x decresce


indefinidamente.
Exemplo:
a): lim 1/x
x→+∞
b): lim 1/x
x→−∞
Limites no infinito apresentam propriedades semelhantes aos limites tendendo a valores finitos.
Exemplo:
1
a): lim
x→±∞ xn
c
b): lim ,c∈R
x→±∞ xn
c): lim (5 + 1/x)
x→±∞

π 3
d): lim
x→±∞ x2
Limites no infinito de funções racionais
Exemplos:
5x2 + 8x − 3
a): lim
x→+∞ 3x2 + 2
11x + 2
b): lim
x→−∞ 2x3 − 1
Assı́ntotas Horizontais
Definição 1.2. A reta y = b é uma assı́ntota horizontal do gráfico da função y = f (x) se
lim f (x) = b ou lim f (x) = b
x→+∞ x→−∞

Exemplos:
6 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

a): f (x) = ex
 
1
b): f (x) = sin
x
 
1
c): f (x) = x sin
x
sin x
d): f (x) = 2 +
x
x3 − 2
e): f (x) =
|x|3 + 1
p
f ): f (x) = x − x2 + 16
Assı́ntotas Oblı́quas
Se o grau do numerador de uma função racional for 1 grau maior do que o grau do denominador, o
gráfico possuirá uma assı́ntota oblı́qua ou inclinada. Determinamos uma equação para a assı́ntota ao
dividirmos o numerador pelo denominador para expressar f como uma função linear mais um resto que
é igual a zero quando x → ±∞.
Exemplos:
x2 − 3
a) f (x) =
2x − 4
x3 + 1
b) f (x) =
x2
Limites infinitos
Exemplo:
(1) lim− 1/x
x→0
(2) lim+ 1/x
x→0
1
(3) lim−
x→1 x − 1
1
(4) lim
x→1+ x − 1
(5) lim 1/x2
x→0−
(6) lim 1/x2
x→0+
x−3
(7) lim+ 2−4
x→2 x
Assı́ntotas verticais
Definição 1.3. Uma reta x = a é uma assı́ntota vertical para o gráfico de uma função y = f (x) se
lim f (x) = ±∞ ou lim f (x) = ±∞
x→a+ x→a−

Exemplo:Determine as assı́ntotas verticais e horizontais das funções:


x+3
a) y =
x+2
8
b) f (x) = − 2
x −4
c) y = ln x
x−3
d) f (x) =
x+2
1.4. Funções Contı́nuas.
Definição 1.4. Seja c um número real. A função f é contı́nua em c quando
lim f (x) = f (c).
x→c
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 7

Dizemos ainda que f é contı́nua pela direita quando


lim f (x) = f (c),
x→c+
e f é contı́nua pela esquerda quando
lim f (x) = f (c).
x→c−

Observação 1.1. Se f for uma função definida em um intervalo fechado [a, b], diremos que f é contı́nua
se, para todo c ∈ (a, b), tivermos
lim f (x) = f (c),
x→c
e para as extremidades
lim f (x) = f (a) e lim− f (x) = f (b).
x→a+ x→b

Exemplos:
p
a): f (x) =  4 − x2 ;
0, x < 0
b): f (x) =
1, x ≥ 0
Teste de Continuidade
Uma função f será contı́nua em um ponto x = c se, e somente se, forem satisfeitas as seguintes condições:
(1) O número c pertence ao domı́nio da função f ;
(2) Existe o limite lim f (x);
x→c
(3) lim f (x) = f (c).
x→c
Funções Contı́nuas
Diremos que f é uma função contı́nua caso ela seja contı́nua em todos os pontos de seu domı́nio.
Exemplos:
1
a) f (x) = ;
x
b) f (x) = x.
Teorema 1.6 (Propriedades de funções contı́nuas). Se f e g são funções contı́nuas em x = c,
então as seguintes funções são contı́nuas:
(1) f ± g;
(2) f · g;
(3) k · f, para qualquer constante k ∈ R;
(4) f /g, desde que g(c) ̸= 0;
(5) f r/s desde que f r/s (c) seja um número real.
Exemplo: Funções Polinomiais
Composição de Funções Contı́nuas
Teorema 1.7 (Compostas de funções contı́nuas). Seja f uma função contı́nua em c e g contı́nua
em f (c), então g ◦ f é contı́nua em x = c.
Exemplos:
x−2
a): f (x) =
x+2
xsenx
b): f (x) = 2
x +2
Teorema 1.8 (Limites de funções contı́nuas). Se g é uma função contı́nua no ponto b e lim f (x) =
x→c
b, então  
lim g(f (x)) = g lim f (x)
x→c x→c
.
8 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

Exemplos:
 
−1 1−x
(1) lim sen ;
x→1
√ 1+x
(2) lim etan x x + 1;
x→0   

(3) lim cos 2x + sin +x
x→π/2 2
Teorema do Valor Intermediário para Funções contı́nuas
Teorema 1.9 (Teorema do Valor Intermediário). Dada uma função contı́nua f : [a, b] → R. A
função f assume todos os valores entre f (a) e f (b)
Exemplo: Mostre que a equação x3 − 15x + 1 = 0 tem três soluções no intervalo [−4, 4].
Exemplo: Mostre que há uma raiz da equação x3 − x − 1 = 0 entre 1 e 2.
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 9

2. Derivação
2.1. Tangentes e derivadas em um ponto. Determinação de uma tangente para o gráfico
de uma função
Para determinar uma tangente em uma curva arbitrária y = f (x) em um ponto P (x0 , f (x0 )),
calculamos o coeficiente angular da secante que passa por P (x0 , f (x0 )) e por um ponto próximo
Q(x0 + h, f (x0 + h)). Em seguida, investigamos o limite do coeficiente angular quando h → 0.
Se o limite existir, o chamamos de coeficiente angular da curva em P e definimos a tangente em P
como a reta que passa por P e que tem esse coeficiente angular.
Definição 2.1. O coeficiente angular da curva y = f (x) no ponto P (x0 , f (x0 )) é o número
f (x0 + h) − f (x0 )
(2.1) m = lim
h→0 h
desde que o limite exista. A reta tangente à curva em P é a que passa por P com esse coeficiente
angular.
Exemplo: Determine o coeficiente angular da curva y = 1/x em qualquer ponto x = a ̸= 0.
a) Qual é o coeficiente angular no ponto x = −1?
b) Em que ponto o coeficiente angular é −1/4?
c) O que acontece com a tangente à curva no ponto (a, 1/a) à medida que a varia?
Definição 2.2. A derivada de uma função f em um ponto x0 , denotada por f ′ (x0 ), é
f (x0 + h) − f (x0 )
(2.2) f ′ (x0 ) = lim ,
h→0 h
desde que esse limite exista.
2.2. A derivada como função.
Definição 2.3. A derivada de uma função f (x) em relação à variável x é a função f ′ , cujo valor em
x é
f (x + h) − f (x)
(2.3) f ′ (x) = lim ,
h→0 h
desde que o limites exista.
O domı́nio de f ′ é o conjunto de pontos no domı́nio de f para o quaal o limites existe, o que significa
que o domı́nio pode ser o mesmo ou menor que o domı́nio de f . Se f ′ existe em um determinado x,
dizemos que f é derivável (tem derivada) em x. Se f ′ existe em cada ponto do domı́nio de f , chamamos
f de derivável.
Observação 2.1. Se fizermos z = x + h em (2.3), então
f (z) − f (x)
(2.4) f ′ (x) = lim .
z→x z−x
Notações para derivada de y = f (x):
dy df d
(2.5) f ′ (x) = y ′ = = = f (x) = D(f )(x) = Dx f (x)
dx dx dx
Exemplo: Usando a definição de derivada:
x
(1) Determine a derivada de f (x) = .
x − 1√
(2) (a) Determine a derivada de f (x) = x para √ x > 0.
(b) Determine a reta tangente à curva y = x em x = 4.
Derivabilidade em um intervalo e Derivadas laterais
Caso f seja definida em um intervalo fechado [a, b], diremos que f é derivável, caso exista f ′ (c) para
todo c ∈ (a, b) e, além disso, existam as derivadas laterais
′ f (a + h) − f (a)
f+ (a) = lim+ (derivada à direita em a)
h→0 h
10 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

e
′ f (b + h) − f (b)
f− (b) = lim− (derivada à esquerda em b).
h→0 h
Derivadas laterais podem existir em qualquer ponto do domı́nio da função, e podemos usar esse
conceito para caracterizar uma função que é derivável em um determinado ponto do domı́nio:
′ ′ ′ ′
f é derivável em c ⇔ existem f+ (c), f− (c) e f+ (c) = f− (c) = f ′ (c).
Exemplo:
(1) f (x) = |x|

(2) f (x) = x
Teorema 2.1. Se f tem derivada em x = c, então f é contı́nua em x = c.
2.3. Regras de Derivação. Potências, multiplicações, somas e diferenças
df d
Regra 1: Se f tem o valor constante f (x) = c, então = (c) = 0.
dx dx
Exemplo:
a): f (x) = 5, ∀x ∈ R;
π
b): f (x) = , ∀x ∈ R.
2
dxn
Regra 2: Se n for inteiro positivo, então = nxn−1 .
dx
Exemplo:
a): f (x) = x3 ;
b): f (x) = x4 .
Regra da Potenciação (Versão Geral): Se n ∈ R, então
d n
x = nxn−1 ,
dx
para todo x em que as potências xn e xn−1 forem definidas.
d df
Regra 3: Se f for uma função derivável e c uma constante, então (cf ) = c .
dx dx
Exemplo:
a): f (x) = 2x3 ;
b): f (x) = −x.
Regra 4: Se f e g são duas funções deriváveis, então f + g é derivável e
d df dg
(f + g) = + .
dx dx dx
Exemplo:
1
a): f (x) = x3 + 4x;
3
b): f (x) = an xn + an−1 xn−1 + · · · + a1 x + a0 , com an , an−1 , · · · a1 , a0 constantes reais.
c): f (x) = 4x3 − 2x2 − 3.
d): Determine para que valor de x o gráfico da função y = x4 − 2x2 + 2 possui tangente horizontal.
Derivada de funções exponenciais
d x
Considerando f (x) = ax e calculando (a ), após alguns cálculos obtemos
dx
ah − 1
 
d x
(a ) = lim ax .
dx h→0 h
Note que, considerando f (x) = ax temos
ah − a0 ah − 1
f ′ (0) = lim = lim ,
h→0 h h→0 h
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 11

então
d x
(a ) = f ′ (0)ax .
dx
No estudo das integrais, é possı́vel provar que
f ′ (0) = ln a.
Sendo assim,
d x
(a ) = ln(a)ax .
dx
Desta forma, fica claro que
d x
(e ) = ex .
dx
Produtos e Quocientes
Regra 5: Se f e g são duas funções deriváveis, então f g é derivável e
d df dg
(f g) = g +f .
dx dx dx
Exemplo:
1
a): f (x) = (x2 + ex );
x
b): f (x) = 3x (3x5 + 2x);
2 7
c): Se y = uv e u(2) = 3, u′ (2) = 1, v(2) = − e v ′ (2) = − . Determine y ′ (2).
3 2
f
Regra 6: Se f e g são duas funções deriváveis em x e g(x) ̸= 0, então é derivável e
g
g df − f dg
 
d f
= dx 2 dx .
dx g g
Exemplo:
x2 − 1
a): f (x) = 2 ;
x +1
−x
b): f (x) = e ;
Derivadas de Ordem Superior
Se y = f (x) é uma função derivável, então sua derivada f ′ (x) também é uma função. Se f ′ também for
derivável, então podemos derivar f ′ para obtermos uma nova função denotada f ” = (f ′ )′ . Repetindo esse
raciocı́nio a terceira derivada de f , caso exista, denotamos f (3) = (f ”)′ , e de forma geral f (n) = (f (n−1) )′ .
Exemplo: A função y = x3 − 3x2 + 2 possui derivadas de todas as ordens.
2.4. Derivada como taxa de variação.
Definição 2.4. A taxa instantânea de variação de uma função f em um ponto x0 é a derivada
f (x0 + h) − f (x0 )
f ′ (x0 ) = lim ,
h→0 h
desde que esse limite exista.
Exemplo: A Área de um cı́rculo se relaciona com seu diâmetro pela seguinte equação:
π
A = d2 .
4
Qual a taxa de variação da área do cı́rculo quando o diâmetro é de 10m?
Movimento retilı́neo
Suponhamos que um corpo se move ao longo de um eixo coordenado, na horizontal ou vertical, e que
sua posição no decorrer do tempo é dada pela função
s = f (t).
O deslocamento do objeto no transcorrer do tempo t para t + ∆t é dado por
∆s = f (t + ∆t) − f (t).
12 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

A velocidade média do objeto no intervalo [t, t + ∆t] é dado por


∆s f (t + ∆t) − f (t)
vmed = = .
∆t ∆t
Definição 2.5 (Velocidade Instantânea). A velocidade instantânea de um corpo que tem sua posição
ao longo do tempo dada pela função s = f (t) é dada pela derivada
ds f (t + ∆t) − f (t)
v(t) = = lim .
dt ∆t→0 ∆t
A velocidade escalar (ou rapidez) é definida por
vesc = |v(t)|
Definição 2.6 (Aceleração). Se a posição de um objeto é dado no tempo t por s = f (t), definimos a
aceleração no tempo t por
dv d2 s
a(t) = = 2.
dt dt
A sobre-aceleração do objeto no tempo t é dada por
d3 s
j(t) = .
dt3
Exemplo: Considere a queda livre de uma bola pesada que parte do repouso no instante t = 0.
a) Quantos metros a bola cai nos primeiro 2s? Lembre: a equação métrica da queda livre é
s(t) = 4, 9t2 .
b) Quais são a velocidade, módulo de velocidade e a aceleração da bola quando t = 2?

2.5. Derivadas de Funções Trigonométricas. Para calcularmos as derivadas das funções seno e
cosseno usaremos as seguintes relações trigonométricas:
sin(a + b) = sin(a) cos(b) + sin(b) cos(a)
e
cos(a + b) = cos(a) cos(b) − sin(a) sin(b).
Então,usando a primeira das identidades trigonométricas listadas acima, obtemos
d(sin x) sin(x + h) − sin x
= lim = cos x.
dx h→0 h
Agora, usando a segunda das identidades,
d(cos x) cos(x + h) − cos x
= lim = − sin x.
dx h→0 h
Exemplo: Determine as derivadas:

(1) y = x2 − sin x (4) y = 5ex + cos x


(2) y = ex sin x (5) y = sin x cos x
sin x cos x
(3) y = (6) y =
x 1 − sin x

Usando as regras operacionais estudadas nas aulas anteriores podemos calcular as seguintes derivadas:
(1) f (x) = sec x
(2) f (x) = tan x
(3) f (x) = cot x.
Exemplo: Calcule a derivada das seguintes funções:
a): f (x) = x2 − sin x
3x
b): f (x) =
tan x
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 13

2.6. A Regra da Cadeia. Como derivar F (x) = sin(x2 − 4)? Essa função é a composta f ◦ g de duas
funções y = f (u) e u = g(x) = x2 − 4, que sabemos como derivar. A resposta, dada pela Regra da
Cadeia, diz que a derivada é o produto das derivadas de f e g.
Teorema 2.2 (Regra da Cadeia). Se f é uma função diferenciável em um ponto u = g(x) e g é
diferenciável em x, então a função composta f ◦ g é diferenciável em x e
(f ◦ g)′ (x) = f ′ (g(x)) · g ′ (x).
Usando a notação de Leibniz, considerando y = f (u) com u = g(x) temos
dy dy du
= · .
dx du dx
Exemplo: Verifique a validade da Regra da Cadeia para y = (3x2 + 1)2 .
Exemplo: Um objeto se desloca ao longo do eixo x, de modo que sua posição em qualquer instante
t ≥ 0 é dada por x(t) = cos(t2 + 1). Determine a velocidade do objeto em função do tempo t.
Exemplo:

(1) y = sin(x2 + ex ) (7) y = sin(x2 )


(2) y = ecos x (8) y = sin2 x
(3) y = (5x3 − x4 )7 (9) y = (2x + 1)5 (x3 − x + 1)4
1 
x−2
9
(4) y = (10) y =
3x − 2 2x + 1
sin5 x
(5) y = p (11) y = sin(cos(tan x))
(6) y = x2 + 1 (12) y = esec(3x)
1
Exemplo: Mostre que o coeficiente angular de toda reta tangente à curva y = é positivo.
(1 − 2x)3
Observação 2.2. É do nosso conhecimento que a função y = |x| não é derivável
√ em x = 0. No entanto,
tal função é derivável para todos os outros números reais. Uma vez que |x| = x2 , temos
d|x| x
= .
dx |x|
2.7. Derivação Implı́cita. Até aqui estudamos funções que são dadas explicitamente em função de x,
y = f (x). Contudo algumas vezes não conseguimos um expressão para representar y explicitamente em
função de x. Por exemplo,
x2 + y 2 = 1 e x3 + y 3 − 9xy = 0.
dy
No que segue descrevemos o processo para determinarmos quando y é dado implicitamente em
dx
relação a x.
dy
Exemplo: Determine se y 2 = x.
dx
Exemplo: Determine o coeficiente angular do cı́rculo x2 + y 2 = 25 no ponto (3, −4).
Derivando Implicitamente: Método
(1) Derive os dois lados da equação em relação a x, considerando y como uma função derivável de
x.
dy dy
(2) Agrupe os termos que contêm em um lado da equação e determine .
dx dx
dy
Exemplo: Determine para as equações:
dx
(1) y 2 = x2 + sin(xy) (4) x = tan y
(2) x2 y + xy 2 = 6
2
(5) ex y = 2x + 2y
2x − y (6) 2x3 − 3y 2 = 8
(3) x3 =
x + 3y
14 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

Exemplo: Encontre y ′′ se x4 + y 4 = 16.


2.8. Derivadas de Funções Inversas e Logaritmo. Função Inversa
Recordemos inicialmente as seguintes definições:
Definição 2.7 (Função Injetora). Uma função f : D ⊂ R → R é injetora quando f (x1 ) ̸= f (x2 )
implicar que x1 ̸= x2 .
Definição 2.8 (Função Inversa). Suponha que f é uma função injetora num domı́nio D com imagem
R. A função inversa f −1 : R → D é definida por
f −1 (a) = b ⇔ f (b) = a.
Exemplo:
(1) f (x) = 3x + 2 h π πi
(2) f (x) = sin x, x ∈ − ,
2 2
(3) f (x) = cos x, x ∈ [0, π]
A Regra da Derivada para Funções Inversas
Teorema 2.3. Se f está definida em um intervalo I e f ′ (x) existe e nunca se anula, então f −1 é
derivável em qualquer ponto de seu domı́nio e
1
(f −1 )′ (b) = ′ −1 .
f (f (b))
Exemplo:

(1) f (x) = arcsin x (2) f (x) = arccos x (3) f (x) = arctan x



Exemplo: A função f (x) = x2 , x ≥ 0, e sua inversa f −1 (x) = x possuem as derivadas f ′ (x) = 2x
1
e (f −1 )′ (x) = √ .
2 x
df −1
Exemplo: Seja f (x) = x3 − 2. Determine o valor de em x = 6 = f (2) sem determinar uma
dx
−1
fórmula para f (x).
Derivada da função logaritmo natural
Uma vez que sabemos que a função exponencial f (x) = ex é derivável em toda parte, podemos aplicar
o teorema para determinar a derivada de sua inversa f −1 (x) = ln x.
Exemplo:
d
a) ln(2x)
dx
d
b) ln(x2 + 3)
dx
d
c) ln(bx), onde b ∈ R e bx > 0.
dx
d
d) ln |x|
dx
Exemplo: Uma reta cujo coeficiente angular m passa pela origem é tangente à curva y = ln x. Qual
é o valor de m?
Derivada de ax x
Começamos com a equação ax = eln a = ex ln a , daı́
d x d x ln a d
a = e = ex ln a (x ln a) = ax ln a.
dx dx dx
Se a > 0, então
d x
a = ax ln a.
dx
Exemplo:
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 15

d x
a): 3
dx
d −x
b): 3
dx
d sin x
c): 3
dx
Derivada da função logaritmo
Vejamos, para a > 0 e a ̸= 1,
ln x
loga x =
ln a
desta forma,  
d d ln x 1 d 1
loga x = = ln x = .
dx dx ln a ln a dx x ln a
Portanto, para a > 0 e a ̸= 1,
d 1
loga x = .
dx x ln a
Derivação Logarı́tmica
Podemos usar os logaritmos para facilitar o cálculo de algumas derivadas.
dy
Exemplo: Calcule .
dx
(x2 + 1)(x + 3)1/2
(1) y = , x > 1;
r x−1
3 x(x − 2)
(2) y = .
x2 + 1
16 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

3. Aplicações das Derivadas


3.1. Taxas Relacionadas. Estratégia para problemas de taxas relacionadas:
(1) Desenhar uma figura e identificar as variáveis e as constantes. Usar t para tempo. Supor que
todas as variáveis sejam funções deriváveis de t.
(2) Anotar as informações numéricas (em termos de sı́mbolos escolhidos).
(3) Anotar aquilo que se deve determinar (geralmente uma taxa, expressa em forma de derivada).
(4) Escrever uma equação que relacione as variáveis. Talvez seja necessário combinar duas ou mais
equações para obter uma única, que relacione as variáveis cuja taxa deseja-se descobrir com as
variáveis conhecidas.
(5) Derivar em relação a t. Em seguida, expressar a taxa que queremos encontrar em termos de
taxas e variáveis cujos valores são conhecidos.
(6) Calcule. Usar os valores conhecidos para determinar a taxa desconhecida.
Exemplo: Um balão de ar quente, que sobe na vertical a partir do solo, é rastreado por um telêmetro
colocado a 500m de distância do ponto da decolagem. No momento em que o ângulo de elevação do
telêmetro é π/4, o ângulo aumenta a uma taxa de 0, 14rad/min. A que velocidade o balão sobe nesse
momento?
Exemplo: Uma viatura de polı́cia, vindo do norte e se aproximando de um cruzamento em ângulo
reto, persegue um carro em alta velocidade, que no cruzamento toma a direção leste. Quando a viatura
está a 0, 6km ao norte do cruzamento, e o carro fugitivo a 0, 8km a leste, o radar da polı́cia detecta
que a distância entre a viatura e o fugitivo aumenta a 20km/h. Se a viatura se desloca a 60km/h no
instante dessa medição, qual é a velocidade do fugitivo?
3.2. Valores Extremos de Funções.
Definição 3.1. Seja f uma função com domı́nio D. Dizemos que f tem um máximo absoluto em
um ponto a ∈ D quando
f (x) ≤ f (a), ∀x ∈ D.
Por outro lado, dizemos que f tem um mı́nimo absoluto em um ponto b ∈ D quando
f (b) ≤ f (x).
Exemplos:
(1) f (x) = x2 .
(2) f (x) = −x2 + 1.
Teorema 3.1. Se f é uma função contı́nua sobre um intervalo fechado [a, b]. Então f atinge valor
máximo M e valor mı́nimo m em [a, b]. Isto é, existem x1 , x2 ∈ [a, b] tais que f (x1 ) = M e f (x2 ) = m
e m ≤ f (x) ≤ M para todo x ∈ [a, b].
Definição 3.2. Uma função f tem um máximo local em um ponto c de seu domı́nio quando
f (x) ≤ f (c) para todo x ∈ D ∩ I, onde I é um intervalo aberto contendo c.
Uma função f tem um mı́nimo local em um ponto c de seu domı́nio quando f (x) ≥ f (c) para todo
x ∈ D ∩ I, onde I é um intervalo aberto contendo c.
3.3. Determinando Extremos.
Teorema 3.2. Se f possui um valor máximo ou mı́nimo local em um ponto c interior de seu domı́nio
e se existe f ′ em c, então
f ′ (c) = 0.
O teorema acima diz que a primeira derivada de uma função é sempre zero em um ponto interior em
que a função tenha um valor extremo local e a derivada seja definida. Assim, os únicos locais em que
uma função f pode ter valores extremos (locais ou globais) são:
(1) Pontos interiores em que f ′ = 0.
(2) Pontos interiores em que f ′ não existe.
(3) Extremidades do domı́nio de f .
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 17

Definição 3.3. Um ponto interior do domı́nio de uma função f em que f ′ é zero ou indefinida é
chamado ponto crı́tico de f .
Exemplos: Encontre os máximos absolutos das funções abaixo considerando os intervalos indicados:
a) f (x) = x2 em [−2, 1].
b) f (x) = 10x(2 − lnx) em [1, e2 ].
c) f (x) = x2/3 em [−2, 3].
3.4. Teorema do Valor Médio.
Teorema 3.3 (Teorema de Rolle). Suponha que f seja uma função contı́nua em [a, b] e derivável em
(a, b). Se f (a) = f (b) então há pelo menos um número c ∈ (a, b) tal que f ′ (c) = 0.
Exemplo: Mostre que a equação x3 + 3x + 1 = 0 tem exatamente uma solução.
Teorema 3.4 (Teorema do Valor Médio). Suponha que f seja uma função contı́nua em [a, b] e derivável
em (a, b). Então, existe pelo menos um número c em (a, b) tal que
f (b) − f (a)
f ′ (c) = .
b−a
Exemplo:[Uma interpretação fı́sica] Se um carro, acelerado a partir do repouso leva 8 segundos para
percorrer 200 metros. Qual a velocidade média desse carro? Em algum instante a velocidade média
coincide com a velocidade instantânea?
Corollary 3.5. Se f ′ (x) = 0 em todos os pontos de um intervalo aberto I = (a, b) então f é constante
nesse intervalo.
Corollary 3.6. Se f ′ (x) = g ′ (x) em todos os pontos de um intervalo aberto I = (a, b). Então, existe
uma constante C tal que f (x) = g(x) + C para todo x ∈ (a, b).
Exemplo: Determine uma função cuja derivada seja sin x e cujo gráfico passe pelo ponto (0, 2).
3.5. Funções Monotônicas e o Teste da Primeira Derivada. Uma função que cresce ou decresce
em um intervalo é chamada de monotônica no intervalo. Recordemos a definição:
Definição 3.4. Dada uma função f : I → R. Dizemos que f é crescente quando
x1 > x2 ⇒ f (x1 ) > f (x2 ).
Por outro lado, dizemos que f é decrescente quando
x1 > x2 ⇒ f (x1 ) < f (x2 ).
O próximo resultado é mais uma das consequências do Teorema do Valor Médio.
Corollary 3.7. Supondo que f é uma função contı́nua em um intervalo [a, b] e diferenciável em (a, b).
Então,
(1) f ′ (x) > 0 para cada x ∈ (a, b) ⇒ f é crescente em [a, b].
(2) f ′ (x) < 0 para cada x ∈ (a, b) ⇒ f é decrescente em [a, b].
Exemplo:
(1) Mostre que f (x) = x2 é crescente em [0, +∞) e decrescente em (−∞, 0].
(2) Determine os pontos crı́ticos de f (x) = x3 − 12x + 5 e identifique os intervalos em que a função
é crescente e decrescente.
Teste da primeira derivada para extremos locais
Se f é uma função contı́nua que tem um ponto crı́tico c e que f é derivável em um intervalo contendo
c, exceto possivelmente em c. Movendo-se nesse intervalo da esquerda para direita:
(1) Se f ′ passa de negativa para positiva em c, então f tem um mı́nimo local em c;
(2) Se f ′ passa de positiva para negativa em c, então f tem um máximo local em c;
(3) Se f ′ não troca de sinal em c, então f não tem um extremo local em c.
18 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

Exemplo: Para cada função abaixo, determine: os pontos crı́ticos, os intervalos de


crescimento/decrescimento e os valores extremos locais/absolutos de cada função.
a) f (x) = x1/3 (x − 4)
b) f (x) = (x2 − 3)ex
x2 (x − 1)
b) f (x) = , x ̸= −2
x+2
3.6. Concavidade e Esboço de Curvas. Concavidade
Definição 3.5. O gráfico de uma função derivável y = f (x) é:
a) Côncavo para cima em um intervalo aberto I, se f ′ for crescente em I;
b) Côncavo para baixo em um intervalo aberto I, se f ′ for decrescente em I.
Teste da Segunda Derivada para Concavidade: Seja y = f (x) duas vezes derivável em um
intervalo I:
a) Se f ′′ > 0 em I, o gráfico de f é côncavo para cima em I;
b) Se f ′′ < 0 em I, o gráfico de f é côncavo para baixo em I.
Exemplos:
a) y = x3
b) y = x2
c) y = 3 + sin x em [0, 2π].
Pontos de Inflexão
Definição 3.6. Seja f : D → R uma função contı́nua. Dizemos que c ∈ D é um ponto de inflexão para
f , quando existir um intervalo (a, b) com a < c < b e tal que a concavidade de f tenha comportamento
diferente nos intervalos (a, c) e (c, b).
Exemplo: Observe o gráfico e determine o ponto de inflexão da função f : [0, 2π] → R, definida por
f (x) = 3 + sin x.
Observação 3.1. Em um ponto de inflexão de f , ou f ′′ (c) = 0 ou não existe a segunda derivada de f
nesse ponto.
Exemplos:
(1) f (x) = x5/3
(2) f (x) = x4
(3) f (x) = x1/3
(4) Uma partı́cula se move ao longo de um eixo coordenado horizontal com a posição ao longo do
tempo sendo dada pela função
s(t) = 2t3 − 14t2 + 22t − 5, t ≥ 0.
Determine a velocidade e a aceleração e descreva o movimento da partı́cula.
Teste da Segunda Derivada para Extremos Locais: Suponha que f ′′ é uma função contı́nua em
um intervalo aberto contendo c.
(1) Se f ′ (c) = 0 e f ′′ (c) < 0, então f tem um máximo local em x = c;
(2) Se f ′ (c) = 0 e f ′′ (c) > 0, então f tem um mı́nimo local em x = c;
(3) Se f ′ (c) = 0 e f ′′ (c) = 0, então o teste falha.
Exemplos: Faça um esboço do gráfico da função
f (x) = x4 − 4x3 + 10
realizando as etapas a seguir:
a) Identifique onde os extremos de f ocorrem.
b) Determine os intervalos em que f é crescente/decrescente.
c) Determine onde o gráfico de f é côncavo para cima/baixo.
d) Esboce a forma geral do gráfico de f .
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 19

e) Trace alguns pontos especı́ficos, tais como os pontos de máximo e mı́nimo locais e os interceptos
dos eixos x e y. Em seguida, esboce a curva.
Estratégia para construir o gráfico de y = f (x)
(1) Identifique o domı́nio de f e qualquer simetria que a curva possa ter.
(2) Determine as derivadas y ′ e y ′′ .
(3) Determine os pontos crı́ticos de f , se houver, e identifique o comportamento da função em cada
um deles.
(4) Determine onde a curva sobe e onde ela desce.
(5) Determine os pontos de inflexão, caso haja, e a concavidade da curva.
(6) Identifique todas as assı́ntotas que possam existir.
(7) Trace os pontos mais importantes, tais como os interceptos dos eixos e aqueles encontrados nos
passos 3-5, e esboce a curva juntamente com as assı́ntotas que existirem.
Exemplos: Esboce o gráfico de cada função abaixo:

(x + 1)2 (6) f (x) = x3 − 3x + 3


(1) f (x) =
1 + x2 (7) f (x) = x + sin x
x2 + 4 (8) f (x) = ln(cos x)
(2) f (x) =
2x ln x
(3) f (x) = e2/x (9) f (x) = √
x
(4) f (x) = ln(3 − x2 ) (10) f (x) = x(ln x)2
ex
(5) f (x) =
1 + ex

3.7. Formas Indeterminadas e Regra de L’Hôpital.


Teorema 3.8 (Regra de L’Hôpital). Suponha que f e g sejam deriváveis e g ′ (x) ̸= 0 em I se x ̸= a.
Suponha que
lim f (x) = 0 e lim g(x) = 0
x→a x→a
ou que
lim f (x) = ±∞ e lim g(x) = ±∞
x→a x→a
0 ∞
(Em outras palavras, temos uma forma indeterminada do tipo ou .) Então,
0 ∞
f (x) f ′ (x)
lim = lim ′ ,
x→a g(x) x→a g (x)

supondo que o limite do lado direito dessa equação exista.


Exemplos: Aplique a regra de L’Hôpital para encontrar os limites abaixo.

3x − sin x ex
a) lim e) lim
x→0 x x→∞ x2
1 − cos x 1 − sin x
b) lim f) lim
x→0 x + x2 x→π/2 1 + cos(2x)
ln x ln(ln x)
c) lim g) lim
x→1 x − 1 x→∞ x
ln x ln x
d) lim h) lim
x→∞ x − 1 x→1 sin(πx)

Indeterminações 0 · ∞ e ∞ − ∞
Neste caso temos que fazer algumas manipulações algébricas para obtermos indeterminações das
formas 0/0 ou ∞/∞.
Exemplos:
20 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

 
a) lim x sin(1/x) 1 1
x→∞ d) lim+ −
b) lim+ x ln x x→1 ln x x − 1
x→0  e) lim (ex − x)
x→∞

1 1 2
c) lim − f) lim x3 e−x
x→0 sin x x x→∞

Indeterminações 1∞ , 00 e ∞0
Neste caso faremos uso da função logaritmo, para fazer com que nossa indeterminação recaia em um
dos casos anteriores.
Exemplos:
a) lim+ (1 + x)1/x
x→0
b) lim x1/x
x→+∞
c) lim+ xx
x→0

3.8. Otimização Aplicada. Resolução de problemas de otimização aplicada


(1) Leia o problema com atenção.
(2) Faça um esquema. Identifique as partes importantes.
(3) Introduza variáveis. Represente todas as relações no esquema e no problema com um equação
ou expressão algébrica; identifique a variável conhecida.
(4) Escreva uma equação para a quantidade desconhecida.
(5) Teste os pontos crı́ticos e as extremidades no domı́nio da quantidade desconhecida.
Exemplo: Uma caixa sem tampa será feita recortando-se pequenos quadrados congruentes dos
cantos de uma folha de estanho medindo 12 × 12m e dobrando-se os lados para cima. Que tamanho os
quadrados dos cantos devem ter para que a caixa tenha volume máximo?
Exemplo: Uma empresa encomendou uma lata de 1l com a forma de um cilindro reto. Que dimensões
deve ter a lata para que se use menos material?
Exemplo: Um retângulo deve ser inscrito em uma semicircunferência de raio 2. Qual a maior área
que o retângulo pode e quais suas dimensões?
Exemplo: A receita de uma certa empresa proveniente da venda de x milhares de unidades de um
certo produto é dada por r(x) = 9x, por sua vez o custo é dado por c(x) = x3 − 6x2 + 15x. Há um nı́vel
de produção que maximize o lucro?
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 21

4. Integração
4.1. Primitivas.
Definição 4.1. Uma função F é uma primitiva de f em um intervalo I quando
F ′ (x) = f (x), ∀x ∈ I.
Exemplos:
(1) y = 2x
(2) y = cos x
(3) y = sec2 x
(4) y = xn , n ∈ R \ {−1} e n = −1
Teorema 4.1. Se F é uma primitiva de f em um intervalo I, então toda função da forma
F (x) + C
com C ∈ R é uma primitiva de f .
Exemplo: Determine a primitiva de f (x) = 3x2 tal que F (1) = −1.
Exemplos: Determine as primitivas das seguintes funções:
5
(1) y = x√
(2) y = x
(3) y = sin 2x
x
(4) y = cos
√2
(5) f (x) = 2 x + sin(2x)

4.2. Integrais Indefinidas.


Definição 4.2. A coleção de todas as primitivas de f é chamada de integral indefinida de f com relação
a x e denotada por
Z
f (x)dx.

Exemplos: Determine as primitivas:


Z
(1) 2xdx
Z
(2) cos xdx
Z  
1
(3) sec2 x + √ dx
Z 2 x
(4) (x2 − 2x + 5)dx

4.3. A Integral Definida.


Definição 4.3. Se f é uma função contı́nua definida para a ≤ x ≤ b, dividimos o intervalo [a, b] em n
subintervalos de comprimento iguais ∆x = (b − a)/n. Sejam x0 (= a), x1 , · · · , xn (= b) as extremidades
desses subintervalos, e sejam x∗1 , · · · , x∗n pontos amostrais arbitrários nesses subintervalos, de forma
que x∗i esteja no i−ésimo subintervalo [xi−1 , xi ]. Então, a integral definida de f de a até b é
Z b n
X
f (x)dx = lim f (x∗i )∆x
a n→∞
i=1

desde que o limite exista e dê o mesmo valor para todas as possı́veis escolhas de pontos amostrais. Se
ele existir, dizemos que f é integrável em [a, b].
22 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

Z
Observação 4.1. O sı́mbolo foi introduzido por Leibniz e é denominado sinal de integral. Na
Z b
notação f (x)dx, f (x) é chamado integrando, a e b são ditos limites de integração, a é o
a
limite inferior, b, o limite superior. O dx simplesmente indica que a variável dependente é x.
O procedimento de calcular a integral é chamado integração.
Observação 4.2. A integral definida pode ser interpretada geometricamente, para o cálculo de áreas.
Teorema 4.2. Se f for contı́nua em [a, b], ou f tiver apenas um número finito de descontinuidades de
Z b
saltos, então f é integrável em [a, b], ou seja, a integral definida f (x)dx existe.
a
4.4. Propriedades da Integral Definida.
Lemma 4.3 (Propriedades da Integral).
Z b Z a
(1) f (x)dx = − f (x)dx.
Zaa b

(2) f (x)dx = 0.
Zab
(3) kdx = k(b − a), onde k ∈ R.
a
Z b Z b Z b
(4) [f (x) ± g(x)]dx = f (x)dx ± g(x)dx.
Zab Z b a a

(5) kf (x)dx = k f (x)dx, onde k ∈ R.


a
Z c Z b a Z b
(6) f (x)dx + f (x)dx = f (x)dx.
a c a Z b
(7) Se f (x) ≥ 0 para todo x ∈ [a, b], então f (x)dx ≥ 0.
a Z
b Z b
(8) Se f (x) ≥ g(x) para todo x ∈ [a, b], então f (x)dx ≥ g(x)dx.
a a
(9) Se m ≤ f (x) ≤ M para todo x ∈ [a, b], então
Z b
m(b − a) ≤ f (x)dx ≤ M (b − a).
a
4.5. O Teorema Fundamental do Cálculo.
Teorema 4.4 (Teorema Fundamental do Cálculo, Parte 1). Se f é contı́nua em [a, b], então F (x) =
Z x
f (t)dt é contı́nua em [a, b] e derivável em (a, b), com derivada f (x):
a
Z x
d
F ′ (x) = f (t)dt = f (x).
dx a
Exemplos: Use o Teorema Fundamental do Cálculo para determinar dy/dx se:
Z x Z x2
a) y = (t3 + 1)dt c) y = cos tdt
Za5 Z1 4
b) y = 3t sin tdt 1
d) y = t
dt
x 1+3x2 2 + e

Teorema 4.5 (Teorema Fundamental do Cálculo, Parte 2). Se f é contı́nua em [a, b], então
Z b
f (x)dx = F (b) − F (a),
a
onde F é qualquer primitiva de f , ou seja, é uma função tal que F ′ = f .
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 23

Observação 4.3. A notação usual para a diferença F (b) − F (a) é


b
F (x)]ba ou [F (x)]a .
Exemplos: Calcule as integrais:
Z 3 Z π
a) ex dx c) cos xdx
1
Z 6 Z0 3
1 1
b) dx d) dx
3 x −1 x2

4.6. Área total. Exemplo: Encontre a área sob a parábola y = x2 de 0 até 1.


Exemplo: Encontre a área sob a curva cosseno de 0 até b, onde b ∈ [0, π/2].
Exemplo: Considere as funções f (x) = x2 − 4 e g(x) = −x2 + 4. Para cada função, calcule:
a) A integral definida no intervalo [−2, 2].
b) A área entre a curva e o eixo x no intervalo [−2, 2].
Exemplo: Dada a função f (x) = sin x. Determine:
a) A integral definida de f (x) em [0, 2π].
b) A área entre o gráfico de f e o eixo x em [0, 2π].
4.7. A Regra da Substituição e Área entre Curvas.
Teorema 4.6 (Regra da Substituição). Se u = g(x) for uma função derivável cuja imagem é um
intervalo I e f for contı́nua em I, então
Z Z
f (g(x)) · g ′ (x)dx = f (u)du.

Observação 4.4. A Regra da Substituição é uma consequência da Regra da Cadeia.


Exemplos: Encontre as integrais abaixo:
Z Z
3
p
(1) 2x 1 + x2 dx (11) x2 ex dx
Z Z
dx
(2) x3 cos(x4 + 2)dx (12)
ex + e−x

Z Z
(3) 2x + 1dx (13) sec xdx

Z Z
x
(4) dx (14) x 2x + 1dx
Z 1 − 4x2 Z
2x
(5) e5x dx (15) √
3
dx
Z p Z x2 + 1
(6) 1 + x2 x5 dx (16) sin2 xdx
Z Z
(7) tan xdx (17) cos2 xdx
Z Z
(8) (x3 + x)5 (3x2 + 1)dx (18) cos(2x)dx
Z Z
(9) 5 sec2 (5x + 1)dx (19) sin(4x)dx
Z Z
ln x
(10) cos(7x + 3)dx (20) dx
x
Teorema 4.7 (Regra da Substituição para as Integrais Definidas). Se g ′ for uma função contı́nua em
[a, b] e f for contı́nua na imagem de u = g(x), então
Z b Z g(b)
f (g(x)) · g ′ (x)dx = f (u)du.
a g(a)
Exemplos: Calcule as integrais abaixo:
24 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

4 e

Z
ln x
Z
(1) 2x + 1dx (3) dx
x
Z0 2 Z1 1
dx p
(2) (4) 3x2 x3 + 1dx
1 (3 − 5x)2 −1

4.8. Simetria.
Teorema 4.8 (Integral de Funções Simétricas). Suponha que f seja contı́nua em [−a, a]. Então:
Z a Z a
a) Se f é par, então f (x)dx = 2 f (x)dx.
−a
Z a 0

b) Se f é ı́mpar, então f (x)dx = 0.


−a
Z 2
Exemplo: Calcule x6 + 1dx.
Z−2
1
Exemplo: Calcule (x4 + x3 + 2)dx
−1

4.9. Área entre Curvas.


Definição 4.4. Se f e g são funções contı́nuas com f (x) ≥ g(x) ao longo de [a, b], então a área entre
as curvas y = f (x) e y = g(x) de a até b é a integral de (f − g) de a até b:
Z b
A= [f (x) − g(x)]dx.
a

Exemplo: Determine a área da região compreendida acima da curva y = 2e−x + x, abaixo da curva
ex
y = , à esquerda por x = 0 e à direita por x = 1.
2
Exemplo: Determine a área da região compreendida entre a parábola y = 2 − x2 e a reta y = √
−x.
Exemplo: Determine a área da região do primeiro quadrante que é delimitada acima por y = x e
abaixo pelo eixo x e pela reta y = x − 2.
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 25

5. Técnicas de Integração e Integração Imprópria


5.1. Integração por Partes. A Regra do Produto (das derivadas) garante que se f e g são funções
deriváveis, então
d
(5.1) [f (x)g(x)] = f ′ (x)g(x) + f (x)g ′ (x).
dx
Integrando ambos os lados da igualdade acima, obtemos
Z
(5.2) [f ′ (x)g(x) + f (x)g ′ (x)]dx = f (x)g(x),

consequentemente,
Z Z

(5.3) f (x)g (x)dx = f (x)g(x) − f ′ (x)g(x)dx.

A fórmula acima é chamada fórmula para integração por partes. É comum considerar u = f (x) e
v = g(x). Então, du = f ′ (x)dx e dv = g ′ (x)dx e, assim, pela Regra da Substituição, a fórmula para a
integração por partes torna-se
Z Z
(5.4) udv = uv − vdu.

Exemplo: Determine as integrais abaixo:


Z Z
(1) x sin xdx (7) x2 sin xdx
Z Z
(2) x cos xdx (8) arctan xdx
Z Z
(3) x ln xdx (9) cos2 xdx
Z Z
(4) ln xdx (10) x cos(πx)dx
Z Z
(5) x2 ex dx (11) ln(x + x2 )dx
Z Z
(6) ex sin xdx (12) x(ln x)2 dx

Exemplo: Obtenha uma fórmula que expresse a integral


Z
cosn xdx

em termos de uma integral de uma potência mais baixa de cos x.


Combinando a Fórmula de Integração por partes e o Teorema Fundamental do Cálculo, obtemos uma
fórmula para calcular integrais definidas por partes:
Z b Z b
(5.5) f (x)g ′ (x)dx = f (x)g(x)]ba − f (x)g ′ (x)dx.
a a

Exemplo: Calcule as integrais abaixo:

Z 1 Z 1
(1) arctan xdx (3) ex sin xdx
Z0 2 Z0 1 √
(2) ln xdx (4) x 1 − xdx
1 0
26 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

5.2. Integrais Trigonométricas. Produtos de Potências de Senos e Cossenos


Começamos com integrais da forma:
Z
(5.6) sinm x cosn xdx,

onde m e n são inteiros não-negativos. Podemos dividir em 3 casos. A saber:


Caso 1. Se m é ı́mpar, escrevemos m como 2k + 1 e usamos a identidade sin2 x = 1 − cos2 x para
obter
(5.7) sinm x = sin2k+1 x = (sin2 x)k sin x = (1 − cos2 x)k sin x.
Caso 2. Se m é par e n é ı́mpar, escrevemos n como 2k + 1 e usamos a identidade cos2 x = 1 − sin2 x
para obter
(5.8) cosn x = cos2k+1 x = (cos2 x)k cos x = (1 − sin2 x)k cos x.
Caso 3. Se m e n são pares, substituı́mos
1 − cos(2x) 1 + cos(2x)
(5.9) sin2 x = e cos2 x = ,
2 2
com o objetivo de reduzir o integrando a outro que tenha potências mais baixas de cos(2x).
Exemplo: Determine as integrais abaixo:
Z Z
(1) sin3 x cos2 xdx (4) cos4 xdx
Z Z
(2) sin5 x cos2 xdx (5) sin2 x cos4 xdx
Z Z π
(3) cos5 xdx (6) sin2 xdx
0

Eliminação de Raı́zes Quadradas


Exemplo: Calcule
Z π/4 p
(1) 1 + cos(4x)dx
Z0 π/6 p
(2) 1 + cos(2x)dx
0

5.3. Substituições Trigonométricas. As substituições Trigonométricas mais comuns são:


Expressão Substituição Identidade Trigonométrica
p π θ
a2 − x2 x = a sin θ, − ≤ θ ≤ 1 − sin2 θ = cos2 θ
p 2π 2π
a2 + x2 x = a tan θ, − < θ < 1 + tan2 θ = sec2 θ
2 2
p π 3π
x2 − a2 x = a sec x, 0 ≤ θ < ou π ≤ θ < sec2 θ − 1 = tan2 θ
2 2
Z √ 2
9−x
Exemplo: Calcule dx.
x2
Z 2
x
Exemplo: Calcule √ dx.
Z 9 − x2
dx 2
Exemplo: Calcule √ dx, x > .
2
25x − 4 5
Exemplo: Encontre a área delimitada pela elipse
x2 y2
+ = 1.
a2 b2
Z
1
Exemplo: Encontre √ dx.
x2 x2 + 4
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 27

Z
x
Exemplo: Encontre √ dx.
2
x +4
Z
dx
Exemplo: Calcule √ dx, onde a > 0.
x − a2
2
Z 3√3/2
x3
Exemplo: Encontre dx.
Z 0 (4x2 + 9)3/2
x
Exemplo: Calcule √ dx.
3 − 2x − x2
5.4. Integração de Funções Racionais por Frações Parciais. Temos como objetivo, expressar
uma função racional (quociente de polinômios) como uma soma de frações mais simples, as chamadas
frações parciais, que são fáceis de integrar. Por exemplo, a função racional (5x − 3)/(x2 − 2x − 3) pode
ser reescrita como
5x − 3 2 3
2
= + .
x − 2x − 3 x+1 x−3
Desta forma:
5x − 3
Z Z Z
2 3
2
dx = dx + dx = 2 ln |x + 1| + 3 ln |x − 3| + C.
x − 2x − 3 x+1 x−3
O método de reescrever funções racionais como uma soma de frações mais simples é chamado de Método
de Frações Parciais.
Descrição Geral do Método
O sucesso ao escrever uma função racional f (x)/g(x) como a soma de frações parciais depende de
duas coisas:
• O grau de f (x) deve ser menor do que o grau de g(x). Isto é, a fração deve ser própria. Se não
for, divida f (x) por g(x) e trabalhe com o termo restante.
• Devemos conhecer os fatores de g(x).
Vejamos como determinar as frações parciais de uma fração própria f (x)/g(x) quando os fatores de
g são conhecidos. Um polinômio quadrático (ou fator) é irredutı́vel se não puder ser escrito como o
produto de dois fatores lineares com coeficientes reais. Isto é, o polinômio não tem raı́zes reais.
Método de Frações Parciais (f (x)/g(x) próprias)
(1) Seja x − r um fator linear de g(x). Suponha que (x − r)m seja a maior potência de x − r que
divide g(x). Então, associe a esse fator a soma de m frações parciais:
A1 Am
+ ··· + .
(x − r) (x − r)m
Faça isso para cada fator linear distinto de g(x).
(2) Seja x2 + px + q um fator irredutı́vel quadrático de g(x), de modo que x2 + px + q não tenha
raı́zes reais. Suponha que (x2 + px + q)n seja a maior potência desse fator que divide g(x).
Então, atribua a esse fator a soma de n frações parciais:
B1 x + C 1 Bn x + C n
2
+ ··· + 2 .
(x + px + q) (x + px + q)n
Faça isso para cada fator quadrático distinto de g(x).
(3) Iguale a fração original f (x)/g(x) à soma de todas essas frações parciais. Elimine as frações da
equação resultante e organize os termos em potência decrescente de x.
(4) Iguale os coeficientes das potências correspondentes de x e resolva o sistema de equações obtido
desse modo para calcular os coeficientes indeterminados.
Exemplo: Calcule as integrais abaixo:

x2 + 4x + 1 2x3 − 4x2 − x − 3
Z Z
(1) dx (3) dx
Z (x − 1)(x + 1)(x + 3) x2 − 2x − 3
−2x + 4
Z
6x + 7
(2) dx (4) dx
(x + 2)2 (x + 1)(x − 1)2
2
28 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

x3 + x
Z
dx
Z
(5) (6) dx
x(x2 + 1)2 x−1
Z b
5.5. Integrais Impróprias. Na definição e no cálculo da integral definida f (x)dx, estávamos
a
sempre supondo o intervalo [a, b] limitado e f uma função contı́nua em [a, b], ou com um número
finito de pontos de descontinuidades em [a, b], e mais, nos possı́veis pontos de descontinuidade c ∈ [a, b],
jamais tı́nhamos lim f (x) = ∞ (chamadas de descontinuidades infinitas). Ou seja, não estudamos, por
x→c
exemplo, as seguintes integrais:
(1) Integrais com intervalos de integração ilimitados:
Z ∞ Z 0 Z ∞
dx x
dx
(a) 2 (b) e dx (c) 2
1 x −∞ −∞ 1 + x

(2) Integrais com descontinuidades infinitas nos intervalos de integração:


Z 3 Z 2 Z π
dx dx
(a) (b) (c) tan xdx
2
−3 x 1 x−1 0

(3) Integrais com intervalos de integração ilimitados e descontinuidades infinitas:


Z ∞ Z ∞ Z ∞
dx dx
(a) √ (b) 2
(c) sec xdx
0 x −∞ x − 9 1

Nesta seção, estudaremos estes tipos de integrais, as quais são uma extensão dos casos anteriormente
estudados. Tais integrais são chamadas de integrais impróprias.
Caso 1: Intervalos Ilimitados
Considere a região ilimitada S que está sob a curva y = 1/x2 , acima do eixo x e à direita da reta
x = 1. É natural pensar que a área de S é infinita. Porém, considere a área da parte de S que está à
esquerda da reta x = t (A(t)), temos
Z t  t
1 1 1
(5.10) A(t) = 2
dx = − =1− .
1 x x 1 t
Claramente, temos que A(t) < 1 independente do valor de t. Também, podemos observar que
 
1
(5.11) lim A(t) = lim 1 − = 1.
t→∞ t→∞ t
Assim, dizemos que a área da região S é 1 e escrevemos
Z ∞ Z t  
1 1 1
(5.12) A(S) = dx = lim dx = lim 1 − = 1.
1 x2 t→∞ 1 x2 t→∞ t
Definição 5.1. Integral Imprópria do Caso 1:
Z t
a): Se f (x)dx existe para cada número t ≥ a, então
a
Z ∞ Z t
f (x)dx = lim f (x)dx
a t→+∞ a
desde que o limite exista.
Z b
b): Se f (x)dx existe para cada número t ≤ b, então
t
Z b Z b
f (x)dx = lim f (x)dx
−∞ t→−∞ t
desde que o limite exista.
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 29

Z ∞ Z b
As integrais impróprias f (x)dx e f (x)dx são chamadas convergentes se os limites
a −∞
correspondentes existem e divergentes se os limites não existem.
Z ∞ Z a
c): Se ambas f (x)dx e f (x)dx são convergentes, então definimos
a −∞
Z ∞ Z a Z ∞
f (x)dx = f (x)dx + f (x)dx.
−∞ −∞ a

Neste caso, qualquer número a ∈ R pode ser utilizado.


Observação 5.1. Qualquer umas das integrais impróprias pode ser interpretada como uma área, desde
que f seja uma função positiva.
Z ∞
1
Exemplo: Determine se a integral dx é convergente ou divergente.
1 x
ln x
Exemplo: A área sob a curva y = 2 de x = 1 à x = ∞ é finita? Se sim, qual é o seu valor?
x
Exemplo: Calcule as integrais:

0
Z ∞
1
Z
x b): dx
a): xe dx
−∞ −∞ 1 + x2

Exemplo: Para quais valores de p a integral


Z ∞
1
(5.13) dx
1 xp
é convergente?
Caso 2: Integrandos Descontı́nuos
Suponha que f seja uma função contı́nua positiva em um intervalo limitado [a, b), mas tenha uma
assı́ntota vertical em b. Seja S a região delimitada sob o gráfico de f e acima do eixo x entre a e b. A
área da parte de S entre a e t, t < b, é dada por
Z t
(5.14) A(t) = f (x)dx.
a

Se acontecer de A(t) se aproximar de um número A quando t → b− , então dizemos que a área da região
S é A, e escrevemos
Z b Z t
(5.15) A(S) = f (x)dx = lim− f (x)dx.
a t→b a

Definição 5.2. Integral Imprópria do Caso 2:


a): Se f é contı́nua em [a, b) e descontı́nua em b, então
Z b Z t
f (x)dx = lim f (x)dx
a t→b− a

desde que o limite exista.


b): Se f é contı́nua (a, b] e descontı́nua em a, então
Z b Z b
f (x)dx = lim+ f (x)dx
a t→a t

desde que o limite exista.


Z b
A integral imprópria f (x)dx é chamada convergente se o limite correspondente existir e divergente
a
se o limite não existir.
30 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

Z c
c): Se f tiver uma descontinuidade em c ∈ (a, b), e ambas as integrais impróprias f (x)dx e
Z b a

f (x)dx forem convergentes, então definimos


c
Z b Z c Z b
f (x)dx = f (x)dx + f (x)dx.
a a c
Z 5
1
Exemplo: Encontre √ dx.
2 x−2
Z π/2
Exemplo: Determine se sec xdx converge ou diverge.
Z 3 0
dx
Exemplo: Calcule , se for possı́vel.
x−1
Z0 1
Exemplo: Calcule ln xdx.
0
Um Teste de Comparação para Integrais Impróprias
Algumas vezes é impossı́vel encontrar o valor exato de uma integral imprópria, mas ainda assim é
importante saber se ela é convergente ou divergente. Nesses casos, o teorema seguinte é importantı́ssimo.
Teorema 5.1 (Teste de Comparação Direta). Suponha que, f e g sejam funções contı́nuas com
f (x) ≥ g(x) ≥ 0, para x ≥ a.
Z ∞ Z ∞
a): Se f (x)dx é convergente, então g(x)dx é convergente.
Za ∞ Z ∞a

b): Se g(x)dx é divergente, então f (x)dx é divergente.


a a
Observação 5.2. Um resultado análogo para integrais impróprias do Caso 2 é válido.
Z ∞
2
Exemplo: Mostre que e−x dx é convergente.
0 Z ∞
1 + e−x
Exemplo: Prove que a integral dx é divergente.
1 x
Exemplo: Teste a possı́vel convergência das integrais:
Z ∞
sin2 x
a): 2
dx
Z1 ∞ x
1
b): √ dx
2
x −π
1

Teorema 5.2 (Teste de Comparação no Limite). Se as funções f e g são contı́nuas em [a, +∞) e se
f (x)
(5.16) lim = L, 0 < L < ∞
x→∞ g(x)
então
Z ∞ Z ∞
(5.17) f (x)dx e g(x)dx
a a
são ambas convergentes ou ambas divergentes.
Z ∞
1 − e−x
Exemplo: Investigue a convergência de dx.
1 x
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 31

6. Aplicações das Integrais Definidas


Já vimos em capı́tulos anteriores, algumas aplicações básicas de integral. Neste, ampliaremos as
aplicações das integrais definidas para determinar volumes, comprimentos de curvas planas e áreas de
superfı́cies de revolução. Além disso, abordaremos aplicações que envolvem o trabalho realizado por
uma força, a força de fluido contra uma parede bidimensional e a localização do centro de massa de um
objeto.
6.1. Volumes por Seções Transversais. Nesta seção, definiremos volumes de sólidos utilizando as
áreas de suas seções transversais. Uma seção transversal de um sólido S é a região plana formada
pela interseção de S com um plano. Ver figura abaixo. Apresentaremos três métodos diferentes para a

Figura 1. Seção Transversal

obtenção das seções transversais apropriadas para determinar o volume de um sólido em particular: o
método do fatiamento, o método do disco e o método do anel.
O Método do Fatiamento
Para determinarmos o volume de um sólido S como o da figura 1, iniciamos estendendo a definição
do volume de um cilindro para um sólido cilı́ndrico de base arbitrária. Se o sólido tem uma base de
área A e altura h, então o volume do sólido cilı́ndrico é dado por
(6.1) V = A · h.

Figura 2. Sólido Cilı́ndrico

Se a seção transversal de um sólido S em cada ponto x no intervalo [a, b] é uma região R(x) de área
A(x), onde A é uma função contı́nua de x. Podemos calcular o volume do sólido S como uma integral
definida.
32 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

Figura 3. Sólido S

Dividimos [a, b] em n subintervalos de largura ∆xk , ver figura 3. Aproximamos a fatia situada entre
os planos em xk−1 e em xk usando um sólido cilı́ndrico com área de base A(xk ) e altura ∆xk = xk −xk−1 .
Volume da k−ésima fatia ≈ Vk = A(xk )∆xk .

Figura 4. Cilindro de volume Vk

Então,
n
X Z b
(6.2) V = lim A(xk )∆xk = A(x)dx
n→+∞ a
k=1

Definição 6.1. O Volume de um sólido de área de seção transversal integrável A(x) de x = a até x = b
é a integral de A de a até b, ou seja,
Z b
(6.3) V = A(x)dx.
a
Passos a serem seguidos, para calcular o volume do sólido:
(1) Esboce o sólido e uma seção transversal tı́pica.
(2) Determine uma fórmula para A(x), a área de uma seção transversal tı́pica.
(3) Determine os limites de integração.
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 33

(4) Integre A(x) para determinar o volume.


Exemplo: Uma pirâmide de 3 metros de altura tem uma base quadrada de 3 metros de lado. A
seção transversal da pirâmide, perpendicular a altura e a x metros abaixo do vértice, é um quadrado
de x metros de lado. Determine o volume da pirâmide.
Exemplo: O sólido situa-se entre planos perpendiculares ao eixo x em x = −1 e x = 1. As seções
transversais perpendiculares ao eixo são discos circulares cujos diâmetros vão da parábola y = x2 à
parábola y = 2 − x2 . Determine o volume do sólido.
4
Exemplo: Mostre que o volume de uma esfera de raio r é V = πr3 .
3
6.2. Sólidos de Revolução: O Método do Disco. O sólido obtido com a rotação (ou revolução) de
uma região plana em torno de um eixo em seu plano é chamado de sólido de revolução. No caso de
um sólido de revolução, a área da seção transversal A(x) é a área do cı́rculo de raio R(x), ou seja,
(6.4) A(x) = π[R(x)]2
Assim, obtém-se a definição do volume, nesse caso
Definição 6.2 (Volume pelos discos de rotação em torno do eixo x).
Z b Z b
(6.5) V = A(x)dx = π[R(x)]2 dx
a a

Exemplo: A região entre a curva y = x, 0 ≤ x ≤ 4 e o eixo x gira em torno desse eixo para gerar
um sólido. Determine seu volume.
Exemplo: O cı́rculo
x2 + y 2 = a2
é girado em torno do eixo x para gerar uma esfera. Determine seu volume.
Exemplo: Determine
√ o volume do sólido obtido com a rotação, em torno da reta y = 1, da região
definida por y = x e pelas retas y = 1 e x = 4.
Para determinar o volume de um sólido obtido com a rotação, em torno do eixo y, de uma curva
compreendida entre o eixo y e uma curva x = R(y), c ≤ y ≤ d, consideramos a área da seção transversal
circular
(6.6) A(y) = π[R(y)]2
e obtém-se a definição de volume
Definição 6.3 (Volume pelos discos de rotação em torno do eixo y).
Z d Z d
(6.7) V = A(y)dy = π[R(y)]2 dy.
c c

Exemplo: Determine o volume do sólido obtido com a rotação, em torno do eixo y, da região
compreendida entre o eixo y e a curva x = 2/y, 1 ≤ y ≤ 4.
Exemplo: Determine o volume do sólido obtido com a rotação, em torno da reta x = 3, da região
compreendida entre a parábola x = y 2 + 1 e a reta x = 3.
6.3. Sólidos de Revolução: O Método do Anel. Se a região que giramos para gerar um sólido não
atingir ou cruzar o eixo de revolução, o sólido resultante terá um orifı́cio no meio. As seções transversais
perpendiculares ao eixo de revolução são anéis, e não discos. As dimensões de um anel tı́pico são: Raio
Externo R(x) e Raio Interno r(x). A área do anel é
(6.8) A(x) = π[(R(x))2 − (r(x))2 ].
Assim, obtém-se a definição do volume, nesse caso
Definição 6.4 (Volume pelos anéis de rotação em torno do eixo x).
Z b Z b
(6.9) V = A(x)dx = π[(R(x))2 − (r(x))2 ]dx.
a a
34 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

Figura 5. Sólido de revolução

Esse método para calcular o volume de um sólido de revolução é chamado de método do anel, pois
a fatia é um anel circular de raio exterior R(x) e raio interior r(x).
Exemplo: A região limitada pela curva y = x2 + 1 e pela reta y = −x + 3 é girada em torno do eixo
x para gerar um sólido. Determine o volume do sólido.
Exemplo: A região compreendida entre a parábola y = x2 e a reta y = 2x no primeiro quadrante
gira em torno do eixo y para gerar um sólido. Determine o volume do sólido.

6.4. Volume por Cascas Cilı́ndricas. Vamos agora apresentar uma técnica para calcular o volume
de um sólido quando tivermos dificuldade de determinar a área da seção transversal ou caso a integral
seja difı́cil de se calcular.
Método da Casca
Suponha que a região limitada pelo gráfico de uma função contı́nua não-negativa y = f (x) e pelo eixo
x ao longo do intervalo fechado finito [a, b] fique à direita da reta vertical x = L. Veja a figura abaixo.
Supomos que a ≥ L, portanto a reta vertical pode tocar a região, mas não atravessá-la. Geramos um

Figura 6. Cascas Cilı́ndricas

sólido S ao girar essa região em torno da reta vertical L.


Seja P uma partição do intervalo [a, b] formada pelos seguintes pontos: a = x0 < x1 < · · · < xn = b,
e seja ck o ponto médio do k−ésimo subintervalo [xk−1 , xk ]. O retângulo tı́pico para aproximação tem
altura f (ck ) e largura ∆xk = xk − xk−1 . Se ele for girado em torno da reta vertical x = L, então será
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 35

gerada uma casca, como na Figura 6. Uma fórmula da geometria nos diz que o volume da casca gerada
pelo retângulo é
(6.10) ∆Vk = 2π × raio médio da casca × altura da casca × espessura = 2π · (ck − L) · f (ck ) · ∆xk .
Aproximamos o volume do sólido S pela soma dos volumes das cascas geradas pelos n retângulos
com base em P :
n
X
(6.11) V ≈ ∆Vk .
k=1

O limite dessa soma de Riemann quando ∆xk → 0 e n → ∞, fornece o volume do sólido como uma
integral definida:
Z b
V = lim ∆xk = 2π(raio da casca)(altura da casca)dx
n→+∞ a
Z b
= 2π(x − L)f (x)dx.
a

Definição 6.5 (Fórmula da casca para a revolução em torno de uma reta vertical). O volume do sólido
obtido com a rotação da região entre o eixo x e o gráfico de uma função contı́nua y = f (x) ≥ 0,
L ≤ a ≤ x ≤ b, em torno de uma reta vertical x = L é
Z b
(6.12) V = 2π(raio da casca)(altura da casca)dx.
a

Exemplo: A região limitada pela curva y = x, pelo eixo x e pela reta x = 4 gira em torno do eixo
y. Determine o volume do sólido obtido. √
Exemplo: A região limitada pela curva y = x, pelo eixo x e pela reta x = 4 gira em torno do eixo
x. Determine o volume do sólido obtido.
Exemplo: A região limitada pelas curvas y = x e y = x2 gira em torno do eixo y. Determine o
volume do sólido obtido.
Resumo do Método da Casca
Independentemente da posição do eixo de revolução (horizontal ou vertical), os passos para
implementar o método da casca são os seguintes:
(1) Desenhe a região e esboce um segmento de reta que a atravesse paralelamente ao eixo de
revolução. Nomeie a altura ou o comprimento do segmento (altura da casca) e a distância
do eixo de revolução (raio da casca).
(2) Determine os limites de integração para a variável espessura.
(3) Integre o produto 2π(raio da casca)(altura da casca) em relação à variável espessura (x ou y)
para determinar o volume.

6.5. Comprimento de Arco. Seja C uma curva de definida pela equação y = f (x), onde f é contı́nua
e a ≤ x ≤ b. Obtemos uma aproximação poligonal para C dividindo o intervalo [a, b] em n subintervalos
com extremidades x0 , x1 , · · · , xn com larguras iguais a ∆x. Se yi = f (xi ), então o ponto Pi (xi , yi ) está
em C e a poligonal com vértices P0 , P1 , · · · , Pn , ilustrada abaixo.
O comprimento L de C é aproximadamente o mesmo dessa poligonal e a aproximação fica melhor
quando n aumenta. Desta forma, definimos o comprimento L da curva C com equação y = f (x),
a ≤ x ≤ b, como o limite dos comprimentos dessas poligonais inscritas (se o limite existir):
n
X
(6.13) L = lim |Pi−1 Pi |.
n→+∞
i=1

Considerando ∆yi = yi − yi−1 , então


p p
(6.14) |Pi−1 Pi | = (xi − xi−1 )2 + (yi − yi−1 )2 = (∆x)2 + (∆yi )2 .
36 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

Figura 7. Aproximação Poligonal

Aplicando o Teorema do Valor Médio para f no intervalo [xi−1 , xi ], descobrimos que existe um número
x∗i entre xi−1 e xi tal que
(6.15) f (xi ) − f (xi−1 ) = f ′ (x∗i )(xi − xi−1 ) ⇒ ∆yi = f ′ (x∗i )∆x
ou seja,
p q
|Pi−1 Pi | = (∆x)2 + (∆yi )2 = (∆x)2 + (f ′ (x∗i )∆x)2
q p q
= 1 + [f ′ (x∗i )]2 (∆x)2 = 1 + [f ′ (x∗i )]2 ∆x,
sendo assim,
n
X n q
X Z b p
(6.16) L = lim |Pi−1 Pi | = lim 1 + [f ′ (x∗i )]2 ∆x = 1 + [f ′ (x)]2 dx.
n→+∞ n→+∞ a
i=1 i=1
Portanto, temos demonstrado o seguinte teorema:
Teorema 6.1 (Fórmula do comprimento do Arco). Se f ′ é contı́nua em [a, b], então o comprimento da
curva y = f (x), a ≤ x ≤ b, é dado por
Z bp
(6.17) L= 1 + [f ′ (x)]2 dx.
a

Exemplo: Calcule o comprimento de arco da parábola semicúbica y 2 = x3 entre os pontos (1, 1) e


(4, 8).
1
Exemplo: Determine o comprimento da curva y = (ex + e−x ), 0 ≤ x ≤ 2.
2
6.6. Áreas de Superfı́cies de Revolução. Usando um método de aproximação, semelhante ao usado
em seções anteriores, se tomarmos f positiva com derivada contı́nua, definimos a área da superfı́cie
obtida pela rotação da curva y = f (x), a ≤ x ≤ b, em torno do eixo x como
Z b p
(6.18) S= 2πf (x) 1 + [f ′ (x)]2 dx.
a
Usando a notação de comprimento de arco, temos que
Z
(6.19) S = 2πyds.

Se a curva é descrita como x = g(y), c ≤ y ≤ d, então a fórmula para a área da superfı́cie, torna-se
Z d p
(6.20) S= 2πg(y) 1 + [g ′ (y)]2 dx.
c
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 37

Usando a notação de comprimento de arco, temos que


Z
(6.21) S = 2πxds.

Observando que, uma função comprimento de arco é dada por


Z xp
(6.22) s(x) = 1 + [f ′ (t)]2 dt
a
e, consequentemente, temos
p
(6.23) ds = 1 + [f ′ (x)]2 dx.
p
Exemplo: A curva y = 4 − x2 , −1 ≤ x ≤ 1, é um arco do cı́rculo x2 + y 2 = 4. Calcule a área da
superfı́cie obtida pela rotação da curva em torno do eixo x.
Exemplo: O arco da parábola y = x2 de (1, 1) a (2, 4) é girado em torno do eixo y. Calcule a área
da superfı́cie resultante. √
Exemplo: Determine a área da superfı́cie gerada com a rotação da curva y = 2 x, 1 ≤ x ≤ 2, em
torno do eixo x.
Exemplo: O segmento de reta x = 1 − y, 0 ≤ y ≤ 1, é girado em torno do eixo y, gerando um cone.
Determine sua área de superfı́cie lateral (o que exclui a área de base).

6.7. Trabalho e Força de Fluidos. Na vida diária, trabalho significa uma atividade que exige um
esforço muscular ou mental. Na ciência, o termo se refere especificamente a uma força que atua sobre
um corpo (ou objeto) e ao deslocamento subsequente desse corpo. Esta seção mostrará como calcular
o trabalho. As aplicações práticas vão desde comprimir molas de vagões de trem e esvaziar tanques
subterrâneos até aproximar elétrons e lançar satélites em órbita.
Trabalho realizado por uma Força Constante
Pelo que já aprendemos em cursos de fı́sica o trabalho de uma força constante para deslocar um
objeto de uma posição para outra em linha reta é dado por
(6.24) W = F · d.
Considere o exemplo a seguir:
Exemplo: Você está dirigindo de Campina Grande para João Pessoa e um pouco depois de passar
do Riachão o seu carro começa a parar. Olhando o medidor de combustı́vel você detecta que o tanque
está vazio, mas pra sua sorte seu carro parou justamente ao lado de uma placa que indica um posto a
200 metros, você está ainda com mais sorte o caminho até lá é plano e em linha reta. Se você aplicar
uma força constante de 400 N, qual o trabalho realizado para chegar ao posto?

Figura 8. Trabalho por uma força constante

Trabalho realizado por uma Força Variável


Agora, consideraremos o trabalho necessário para mover um corpo de um ponto a para um ponto b
considerando que a força varia no decorrer do caminho F = F (x). Para calcular o trabalho realizado,
38 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

subdividimos o intervalo [a, b] de modo que em cada intervalo [xk−1 , xk ] a força tem uma pequena
variação, grosseiramente falando, vamos considerar ck ∈ [xk−1 , xk ] tal que
(6.25) Wk ≈ F (ck )∆xk .
Assim,
n
X
(6.26) W ≈ F (ck )∆xk ,
k=1
e, seguindo o mesmo raciocı́nio desenvolvido nas aplicações anteriores
Xn Z b
(6.27) W = lim F (ck )∆xk = F (x)dx.
n→∞ a
k=1

Definição 6.6. O trabalho realizado por uma variável força F (x) na direção do eixo x, de x = a a
x = b, é
Z b
(6.28) W = F (x)dx.
a

 Exemplo: Voltando
 ao exemplo inicial considere agora que a força seja dada pela função F (x) =
3 2
− x + 400 .
400
Lei de Hooke para Molas
No caso da compressão ou da distensão de uma mola, a Lei de Hooke afirma que a força é dada por
(6.29) F = kx,
onde k é a constante de elasticidade da mola. A constante k, medida em unidades de força por
comprimento unitário, é uma caracterı́stica da mola, denominada constante de força da mola (ou
constante da mola). A lei de Hooke, apresenta bons resultados, desde que a força não distorça a
estrutura da mola. Supomos, em nossos exemplos, que a forças sejam pequenas demais para que isso
seja feito.
Exemplo: Uma força de 9lb é necessária para esticar uma mola de seu comprimento natural de 6pol
até o comprimento de 8pol. Qual o trabalho realizado para esticar a mola do comprimento 7pol até o
comprimento de 9pol?
Exemplo: Uma mola exerce uma força de 5N quando esticada 1m além de seu comprimento normal.
a): Encontre a constante k da mola.
b): Quanto trabalho é necessário para esticar a mola 1, 8m além de seu comprimento natural?
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 39

7. Sequências e Séries Numéricas


7.1. Sequências. Pode-se pensar numa sequência como uma lista de números escritos em uma ordem
definida:
(7.1) a1 , a2 , · · · , an , · · ·
O número a1 é chamado primeiro termo, a2 é o segundo termo e, em geral, an é o n-ésimo termo.
Uma sequência é definida formalmente, como abaixo:
Definição 7.1. Uma sequência infinita é uma função f : N → R tal que
(7.2) a1 = f (1), a2 = f (2), · · · , an = f (n), · · ·
Observação 7.1. As sequências {a1 , a2 , · · · , an , · · · }, também podem ser escritas nas formas:
(an ), {an } e {an }∞
n=1 .

Exemplo: Exemplos de sequências:


  ∞ √  
n (2) {cos(nπ)}n=0 (3) ( n) n 1
(1) (4) (−1)
n+1 n

Exemplo: Encontre uma fórmula para o termo geral an da sequência:


 
3 4 4 6 7
,− , ,− , ,··· .
5 25 125 625 3125
Definição 7.2. Uma sequência (an ) tem limite L e escrevemos
(7.3) lim an = L ou an → L, quando n → ∞
n→∞
se pudermos tornar os termos an tão próximos de L quanto quisermos ao fazer n suficientemente grande.
Se lim an existir, dizemos que a sequência converge (ou é convergente). Caso contrário, dizemos
n→∞
que a sequência diverge (ou é divergente).

Figura 9. Convergência de Maneira Intuitiva

Uma versão formal da definição acima, está logo abaixo:


Definição 7.3. A sequência (an ) converge para um número L, se para todo ε > 0 existe um inteiro
N ∈ N tal que
n ≥ N ⇒ |an − L| < ε.
Neste caso dizemos que
lim an = L.
n→∞
Caso esse número L não exista dizemos que a sequência diverge.
Pelas definições acima, observa-se que a única diferença entre lim an = L e lim f (x) = L é que n
n→∞ x→∞
precisa ser um número natural. Daı́,
40 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

Figura 10. Convergência de Maneira Formal

Figura 11. Resultado de Convergência

Teorema 7.1. Se lim f (x) = L e f (n) = an quando n ∈ N, então lim an = L.


x→∞ n→∞

Exemplo: Estude a convergência das seguintes sequências


a): {1/n}
b): {an } com an = k para todo n ∈ N
c): {(−1)n+1 }
Se an tiver um comportamento ”explosivo”, ou seja, aumentar indefinidamente quando n aumentar,
usaremos a notação lim an = ∞.
n→∞

Definição 7.4. A sequência {an } diverge para o infinito, se para todo M > 0 existe N ∈ N tal que
n > N ⇒ an > M,
neste caso dizemos que
lim an = ∞, ou simplismente an → ∞.
n→∞

Exemplo: {n2 } é uma sequência divergente ao infinito.


Teorema 7.2. Sejam {an } e {bn } sequências de números reais, A e B números reais tais que
lim an = A e lim bn = B.
n→∞ n→∞
(1) lim (an + bn ) = A + B
n→∞
(2) lim (an − bn ) = A − B
n→∞
(3) lim (an · bn ) = AB
n→∞
(4) lim (kan ) = kA, ∀k ∈ R
n→∞
an A
(5) lim = , desde que B ̸= 0
n→∞ bn B
Exemplo: Determine o limite de cada sequência abaixo:
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 41

4 − 7n6
     
n−1
 
1 5
a): − b): c): d):
n n n2 n6 + 3

Temos uma adaptação do Teorema do Confronto:


Teorema 7.3. Sejam {an },{bn } e {cn } sequência de números reais. Se an ≤ bn ≤ cn , para todo n ≥ N ,
e se lim an = lim cn = L, então lim bn = L.
n→∞ n→∞ n→∞

Exemplo: Se lim |an | = 0, mostre que lim an = 0


n→∞ n→∞
Exemplo: Calcule os limites das seguintes sequências, caso existam:
n cosn o    
a): n1 ln n
c): (−1) e):
 n n n
1  
b): n
2n d):
n+1
n
Exemplo: A sequência an = √ é convergente ou divergente?
10 + n
Teorema 7.4. Seja {an } uma sequência de números reais. Se an → L e se f for uma função contı́nua
em L e definida para todo an , então f (an ) → f (L).
Exemplo: Determine os limites das sequências.

a):
p
(n + 1)/n
r
1
1
e): x n , se x > 0,
 x n
c): g): 1+
b): 21/n n f ): xn , se |x| < 1, n
√ xn
d): n n
h): .
n!

Exemplo: Encontre lim sin(π/n).


n→∞
Exemplo: Discuta a convergência da sequência an = n!/nn .
Exemplo: Para que valores de r a sequência (rn ) é convergente?
Definição 7.5. Uma sequência (an ) é chamada não-decrescente se an ≤ an+1 , para todo n ∈ N,
se a desigualdade for estrita dizemos que a sequência é crescente. A sequência é não-crescente se
an ≥ an+1 , para todo n ∈ N, se a desigualdade for estrita dizemos que a sequência é decrescente. Uma
sequência é dita monótona se satisfizer algumas das desigualdade para todo n ∈ N.
Exemplo: Verifique se as sequências abaixo são monótonas, especificando qual tipo de
monotonicidade.
     
3 1 1 g): {k},
a): c): e): (−1)n  k∈ R
n + 5 n n ln n
d): (−1)n h):
f ): {n2 }
 
n n
b):
n2 + 1

Definição 7.6. Uma sequência (an ) é limitada superiormente se existir M ∈ R, tal que
an ≤ M, ∀n ∈ N.
A sequência é limitada inferiormente se existir m ∈ R, tal que
an ≥ M, ∀n ∈ N.
Se a sequência é limitada superiormente e inferiormente, então (an ) é dita limitada.
A sequência an = n é limitada inferiormente (an > 0) mas não superiormente. A sequência
n
an = é limitada porque an ∈ (0, 1), para todo n.
n+1
Nem toda sequência limitada é convergente, por exemplo, a sequência an = (−1)n satisfaz an ∈
[−1, 1], mas é divergente, e que nem toda sequência monótona é convergente (an = n → ∞). Mas
42 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

Figura 12. Convergência Monótona

se uma sequência for limitada e monótona, então ela deve ser convergente. Intuitivamente, você pode
entender porque é verdadeiro, ver figura abaixo:
Teorema 7.5 (Convergência Monótona). Toda sequência monótona limitada é convergente.
7.2. Séries. Se tentarmos somar os termos de uma sequência infinita (an ), obteremos uma expressão
da forma
(7.4) a1 + a2 + · · · + an + · · ·
que é denominada uma série infinita (ou apenas série) e é denotada, por simplicidade, pelo sı́mbolo

X X
(7.5) an ou an .
n=1

Faz sentido falar sobre a soma de uma quantidade infinita de termos?



X
Definição 7.7. Dada uma série an , denote por sn sua n−ésima soma parcial:
n=1
n
X
sn = ak = a1 + · · · + an
k=1

Se a sequência das somas parciais converge para um limite S, ou seja, lim sn = S, dizemos que a série
n→∞
converge e que sua soma é S. Neste caso escrevemos

X
(7.6) a1 + · · · + an + · · · = an = S.
n=1

O número S é chamado a soma da série. Se a sequência (sn ) é divergente, então a série é chamada
divergente.

X
Exemplo: Suponhamos que se saiba que a soma dos primeiros n termos da série an seja
n=1
n
X 2n
(7.7) sn = a1 + · · · + an = ak = .
3n + 5
k=1

Em seguida, a soma da série é o limite da sequência (sn ):



X
(7.8) an = lim sn .
n→∞
n=1
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 43

Um exemplo importante de uma série infinita é a série geométrica:


X∞
(7.9) a + ar + ar2 + · · · + arn−1 + · · · = arn−1 , a ̸= 0.
n=1
Cada termo é obtido a partir do anterior, multiplicando-se pela razão comum r.
Teorema 7.6 (Série Geométrica). A série geométrica
X∞
(7.10) arn−1 = a + ar + ar2 + · · · + arn−1 + · · ·
n=1
é convergente se |r| < 1 e sua soma é

X a
(7.11) arn−1 = , |r| < 1.
n=1
1−r
Se |r| ≥ 1, a série geométrica é divergente.
Exemplo: Encontre a soma da série geométrica
10 20 40
5− + − + ··· .
3 9 27

X
Exemplo: A série 22n 31−n é convergente ou divergente?
n=1
Exemplo: Escreva o número 2, 317 = 2, 317171717 · · · como uma razão de inteiros.

X
Exemplo: Encontre a soma da série xn , onde |x| < 1.
n=0

X 1
Exemplo: Mostre que a série é convergente e calcule sua soma.
n=1
n(n + 1)

X
Teorema 7.7. Se a série an for convergente, então lim an = 0.
n→∞
n=1

X 1
Observação 7.2. A série é divergente.
n=1
n

X n2
Exemplo: Mostre que a série diverge.
n=1
5n2+4
X X
Teorema 7.8. Se an = A e bn = B forem séries convergentes, então
X X X
a) (an + bn ) = an + bn = A + B;
X X X
b) (an − bn ) = an − bn = A − B;
X X
c) kan = k an = kA.
∞  
X 3 1
Exemplo: Calcule a soma da série + n .
n=1
n(n + 1) 2

7.3. Testes de Convergência para Séries. Teste da Integral


Teorema 7.9 (Teste da Integral). Suponha que f seja uma função contı́nua, positiva e decrescente
X∞
em [1, ∞) e seja an = f (n). Então a série an é convergente se, e somente se, integral imprópria
Z ∞ n=1

f (x)dx for convergente. Em outras palavras:


1
44 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

Z ∞ ∞
X
(i): Se f (x)dx for convergente, então an é convergente.
1 n=1
Z ∞ ∞
X
(ii): Se f (x)dx for divergente, então an é divergente.
1 n=1

Observação 7.3. Quando você usar o Teste da Integral lembre-se de que não é necessário começar a
série ou a integral em n = 1. Por exemplo, testando a série
∞ Z ∞
X 1 1
2
, usamos dx.
n=4
(n − 3) 4 (n − 3)2
Também não é necessário que f seja sempre decrescente. O importante é que f seja decrescente a partir
X∞
de certo ponto, isto é, decrescente para x ≥ N , onde N ∈ R. Então, an é convergente, e assim
n=N

X
an é convergente.
n=1

1X
Exemplo: Teste a série 2+1
quanto à convergência ou divergência.
n=1
n

X 1
Exemplo: Para que valores de p a série é convergente?
n=1
np

X ln n
Exemplo: Determine se a série converge ou diverge.
n=1
n
Teste da Comparação
X
Teorema 7.10 (Teste da Comparação). Seja an uma série cujos termos são não-negativos.
X X
(i): Se existir uma série convergente cn tal que an ≤ cn , para todo n ∈ N, então an converge.
X X
(ii): Se existir uma série divergente cn tal que an ≥ cn , para todo n ∈ N, então an diverge.

X 1
Exemplo: Determine se a série 2 + 4n + 3
converge ou diverge.
n=1
2n

Observação 7.4. Embora a condição an ≤ cn ou an ≥ cn no Teste de Comparação seja dada para


todo n ∈ N, precisamos verificar apenas que ela vale para n ≥ N , onde N é algum inteiro fixo, porque a
convergência de uma série não é afetada por um número finito de termos. Isso é ilustrado no próximo
exemplo.

X ln n
Exemplo: Teste a série quanto à convergência ou divergência.
n=1
n
Teste da Comparação no Limite
Teorema 7.11 (Teste da Comparação no Limite). Suponha que an , bn > 0 para todo n ≥ N , sendo N
um inteiro positivo.
an X X
(i): Se lim = c > 0, então ambas as séries an e bn convergem, ou ambas divergem.
n→∞ bn
an X X
(ii): Se lim =0e bn converge, então an converge.
n→∞ bn
an X X
(iii): Se lim =∞e bn diverge, então an diverge.
n→∞ bn


X 1
Exemplo: Teste a série n−1
quanto à convergência ou divergência.
n=1
2
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 45


X 2n2 + 3n
Exemplo: Determine se a √ série converge ou diverge.
n=1
5 + n5
Exemplo: Teste as séries abaixo quanto à convergência ou divergência.
∞ ∞
X 2n + 1 X 1 + n ln n
(i): (ii):
n=1
(n + 1)2 n=1
n2 + 5

7.4. Séries Alternadas. Os testes de convergência que estudamos até aqui se aplicam apenas a séries
com termos positivos. Nesta seção e na próxima aprenderemos como lidar com séries cujos termos
não são necessariamente positivos. De particular importância são as séries alternadas, cujos termos se
alternam no sinal. Uma série alternada é aquela cujos termos são alternadamente positivos e negativos.
Aqui estão dois exemplos:
∞ ∞
X 1 X n
(−1)n−1 e (−1)n .
n=1
n n=1
n+1
Vemos desses exemplos que o n−ésimo termo de uma série alternada é da forma an = (−1)n−1 bn ou
an = (−1)n bn , onde bn = |an |.
Teorema 7.12 (Teste da Série Alternada). Se a série alternada
X∞
(−1)n−1 bn , bn > 0
n=1
satisfaz
(i): bn+1 ≤ bn , para todo n ∈ N;
(ii): lim bn = 0;
n→∞
então a série é convergente.

X 1
Exemplo: Determine se a série (−1)n−1 converge ou diverge.
n=1
n

X 3n
Exemplo: Determine se a série (−1)n converge ou diverge.
n=1
4n − 1

X n2
Exemplo: Teste a série (−1)n+1 quanto à convergência ou divergência.
n=1
n3 + 1
7.5. Convergência Absoluta e os Testes da Razão e da Raiz.
X
Definição 7.8 (Convergência Absoluta). Uma série an é dita absolutamente convergente, se a
X
série de valores absolutos |an | for convergente.
Exemplo: Verifique quanto a convergência absoluta as séries
∞ ∞ ∞
X (−1)n+1 X sin n X (−1)n+1
a): b): c):
n=1
n2 n=1
n2 n=1
np
X
Definição 7.9 (Convergência Condicional). Uma série an é chamada condicionalmente convergente
se ela for convergente, mas não for absolutamente convergente.
Teorema 7.13. Se uma série for absolutamente convergente, então ela é convergente.
Exemplo: Determine se a série

X cos n
n=1
n2
é convergente ou divergente.
46 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

Teorema 7.14 (Teste da Razão).



an+1 X
(i): Se lim = L < 1, então a série an é absolutamente convergente (e, portanto,
n→+∞ an n=1
convergente).

an+1 an+1 X
(ii): Se lim = L > 1 ou lim = ∞, então a série an é divergente.
n→+∞ an n→+∞ an n=1
an+1
(iii): Se lim = 1, o Teste da Razão é inconclusivo, ou seja, nenhuma conclusão pode ser
n→+∞ an
X∞
tirada sobre a convergência ou divergência de an .
n=1

an+1
Observação 7.5. A parte (iii) do Teste da Razão diz que, se lim = 1, o Teste da Razão não
X X
n→+∞ an
2
dá nenhuma informação. Compare as séries 1/n e 1/n.
Exemplo: Teste as séries quanto a convergência.
∞ ∞ ∞ ∞
X 2n + 5 X (2n)! X 4n n!n! X nn
(i): (ii): (iii): (iv):
n=1
3n n=1
n!n! n=1
(2n)! n=1
n!

Teorema 7.15 (Teste da Raiz).


p ∞
X
(i): Se lim n |an | = L < 1, então a série an é absolutamente convergente (e, portanto,
n→+∞
n=1
convergente).
p p X∞
(ii): Se lim n |an | = L > 1 ou lim n |an | = ∞, então a série an é divergente.
n→+∞ n→+∞
p n=1
(iii): Se lim n |an | = 1, o Teste da Razão é inconclusivo, ou seja, nenhuma conclusão pode ser tirada
n→+∞

X
sobre a convergência ou divergência de an .
n=1

Exemplo: Teste as séries quanto a convergência.


∞ ∞ ∞  n ∞  n
X n2 X 2n X 1 X 2n + 3
(i): (ii): (iii): (iv):
n=1
2n n=1
n2 n=1
1+n n=1
3n + 2

7.6. Séries de Potências. Uma série de potências é uma série da forma


X∞
(7.12) cn xn = c0 + c1 x + · · · + cn xn + · · ·
n=0
onde x é uma variável e cn são constantes chamadas coeficientes da série. Para cada x fixado, a série é
uma série de constantes que podemos testar quanto a convergência ou divergência. A soma da série é
uma função
(7.13) f (x) = c0 + c1 x + · · · + cn xn + · · ·
cujo domı́nio é o conjunto de todos os x para os quais a série converge. Observe que, f se assemelha a
um polinômio. A única diferença é que f tem infinitos termos.
Por exemplo, se tomarmos cn = 1, para todo n ∈ N, a série de potências se torna a série geométrica
X∞
xn = 1 + x + · · · + xn + · · ·
n=0
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 47

que converge quando −1 < x < 1 e diverge quando |x| ≥ 1.


Em geral, a série da forma
X∞
cn (x − a)n = c0 + c1 (x − a) + · · · + cn (x − a)n + · · ·
n=0
é chamada uma série de potências em (x − a) ou uma série de potências centrada em a ou uma
série de potências em torno de a.

X
Exemplo: Para quais valores de x a série n!xn é convergente?
n=0

X (x − 3)n
Exemplo: Para quais valores de x a série converge?
n=1
n

X
Teorema 7.16. Para dada série de potências cn (x − a)n , existem apenas três possibilidades:
n=0
(i): A série converge apenas quando x = a.
(ii): A série converge para todo x ∈ R.
(iii): Existe R > 0, tal que a série converge se |x − a| < R e diverge se |x − a| > R.
O número R no caso (iii) é chamado raio de convergência da série de potências. Por convenção, o
raio de convergência é R = 0 no caso (i) e R = ∞ no caso (ii). O intervalo de convergência de uma
série de potências é aquele que consiste em todos os valores de x para os quais a série converge.
Quando x é uma extremidade do intervalo, isto é, x = a ± R, qualquer coisa pode acontecer - a série
pode convergir em uma ou ambas as extremidades ou divergir em ambas as extremidades. Então, no
caso (iii) existem quatro possibilidades para o intervalo de convergência: (a − R, a + R), [a − R, a + R),
(a − R, a + R] ou [a − R, a + R]. Veja a ilustração abaixo:

Figura 13. Raio de Convergência

Exemplo: Encontre o raio de convergência e o intervalo de convergência da série



X (−3)n xn
√ .
n=0
n+1
Exemplo: Encontre o raio de convergência e o intervalo de convergência da série

X n(x + 2)n
.
n=0
3n+1
7.7. Representações de Funções como Séries de Potências. Aprenderemos como representar
certos tipos de funções como somas de séries de potências pela manipulação de séries geométricas ou
pela derivação ou integração de tais séries. É natural se perguntar por que queremos expressar uma
função conhecida como uma soma infinita de termos. Veremos que essa estratégia é útil para integrar
funções que não têm antiderivadas elementares, para resolver as equações diferenciais e para aproximar
funções por polinômios.
Um exemplo já visto:

1 X
(7.14) = 1 + x + x2 + · · · + xn + · · · = xn , |x| < 1.
1−x n=0
48 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

Exemplo: Expresse 1/(1 + x2 ) como a soma de uma série de potências e encontre o intervalo de
convergência.
Exemplo: Encontre uma representação em série de potências para 1/(x + 2).
Exemplo: Encontre uma representação em série de potências para x3 /(x + 2).
Derivação e Integração de Séries de Potências
X
Teorema 7.17. Se a série de potências cn (x − a)n tiver um raio de convergência R > 0, então a
função f definida por

X
f (x) = cn (x − a)n
n=0
é diferenciável (e portanto contı́nua) no intervalo (a − R, a + R) e
X∞
(i): f ′ (x) = ncn (x − a)n−1 ;
n=1

(x − a)n+1
Z X
(ii): f (x)dx = C + cn .
n=0
n+1
Os raios de convergência das séries de potências nas Equações (i) e (ii) são ambos R.
Exemplo: Expresse 1/(1 − x)2 como uma série de potências pela derivação da Equação 7.14. Qual
é o raio de convergência?
Exemplo: Encontre uma representação em série de potências para ln(1 + x) e seu raio de
convergência.
Exemplo: EncontreZ uma representação em série de potências para f (x) = arctan x.
1
Exemplo: Calcule dx como uma série de potências.
1 + x7
7.8. Séries de Taylor e Maclaurin. Na seção anterior pudemos encontrar representações para uma
certa classe restrita de funções. Aqui investigaremos problemas mais gerais: Quais as funções que têm
representações de séries de potências? Como podemos achar tais representações?
Teorema 7.18. Se f tiver uma representação (expansão) em série de potências em a, isto é, se

X
f (x) = cn (x − a)n , |x − a| < R
n=0
então seus coeficientes são dados pela fórmula
f (n) (a)
cn = .
n!
Substituindo essa fórmula para cn de volta na série, vemos que, se f tiver uma expansão em série de
potências em a, então ela deve ser da seguinte forma:

X f (n) (a) f ′′ (a) f (n) (a)
(7.15) f (x) = (x − a)n = f (a) + f ′ (a)(x − a) + (x − a)2 + · · · + (x − a)n + · · · .
n=0
n! 2! n!
A série na acima é chamada série de Taylor da função f em a (ou em torno de a ou centrado em
a). Para o caso especial a = 0, a série de Taylor torna-se

X f (n) (0) n f ′′ (0) 2 f (n) (0) n
(7.16) f (x) = x = f (0) + f ′ (0)x + x + ··· + x + ··· .
n=0
n! 2! n!
Esse caso surge com frequência e lhe foi dado o nome especial de série de Maclaurin.
Observação 7.6. Mostramos que, se f puder ser representada como uma série de potências em torno
de a, então f é igual à soma de sua série de Taylor. Mas existem funções que não são iguais à soma
de suas séries de Taylor.
Exemplo: Encontre a série de Maclaurin da função f (x) = ex e seu raio de convergência.
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 49

Observação 7.7. Sob quais circunstâncias uma função é igual à soma de sua série de Taylor?
Teorema 7.19. Se f (x) = Tn (x) + Rn (x) onde Tn (x) é o polinômio de Taylor de n−ésimo grau de f
em a e
lim Rn (x) = 0
n→∞
para |x − a| < R, então f é igual à soma de sua série de Taylor no intervalo |x − a| < R.
Ao tentarmos mostrar que lim Rn (x) = 0 para uma função especı́fica f , geralmente usamos o
n→∞
teorema a seguir.
Teorema 7.20 (Desigualdade de Taylor). Se |f (n+1) (x)| ≤ M para |x − a| ≤ d, então o resto Rn (x)
da série de Taylor satisfaz a desigualdade
M
|Rn (x)| ≤ |x − a|n+1 , |x − a| ≤ d.
(n + 1)!
Observação 7.8. Ao aplicarmos os teoremas acima, é útil lembrar que
xn
lim = 0, ∀x ∈ R,
n→∞ n!

X xn
visto que a série é convergente para todo x ∈ R.
n=0
n!
Exemplo: Demonstre que ex é igual à soma de sua série de Maclaurin.
Exemplo: Encontre a série de Taylor de f (x) = ex em a = 2.
Exemplo: Encontre a série de Maclaurin de sin x e demonstre que ela representa sin x para todo
x ∈ R.
Exemplo: Encontre a série de Maclaurin para cos x.
Exemplo: Encontre a série de Maclaurin da função f (x) = x cos x.
Exemplo: Represente f (x) = sin x como a soma de sua série de Taylor centrada em π/3.
50 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

8. Funções Vetoriais de Uma Variável


8.1. Funções Vetoriais e Curvas Espaciais. Uma função é uma regra que associa a cada elemento
de seu domı́nio um elemento de sua imagem. Uma função vetorial, ou função a valores vetoriais, é
uma função cujo domı́nio é um conjunto de números reais e cuja imagem é um conjunto de vetores.
Estamos particularmente interessados em funções vetoriais r cujos valores são vetores tridimensionais.
Isso significa que, para todo número t no domı́nio de r existe um único vetor de R3 denotado por r(t).
Se f (t), g(t) e h(t) são as componentes do vetor r(t), então f , g e h são funções a valores reais chamadas
funções componentes de r e podemos escrever
(8.1) r(t) = (f (t), g(t), h(t)) = f (t)i + g(t)j + h(t)k.
A letra t é normalmente usada para denotar a variável independente, pois ela representa o tempo na
maioria das aplicações de funções vetoriais.
Exemplo: Dada as funções vetoriais

(a): r(t) = (t3 , ln(3p− t), t)
(b): r(t) = (ln t, t, 1 − t2 ) 
cos t √
(c): r(t) = , |t − 1|, t
t
Determine seus, respectivos, domı́nios e suas funções componentes.
O limite de uma função vetorial r é definido tomando-se os limites de suas funções componentes
como a seguir.
Definição 8.1 (Limite). Se r(t) = (f (t), g(t), h(t)), dizemos que
 
lim r(t) = lim f (t), lim g(t), lim h(t)
t→a t→a t→a t→a
desde que os limites das funções componentes existam.
Observação 8.1. Os limites de funções vetoriais obedecem às mesmas regras que os limites de funções
reais.
Exemplo: Determine os limites abaixo:
sin t
(a): lim r(t), onde r(t) = (1 + t3 )i + te−t j + k.
t→0 t
(b): lim r(t), onde r(t) = (cos t)i + (sin t)j + tk.
t→π/4
(c): lim r(t), onde r(t) = (tt , t1/t , sin t).
t→0+    
sin t 1
(d): lim r(t), onde r(t) = , t sin , t ln t .
t→+∞ et t
Definição 8.2 (Continuidade). Dizemos que r é contı́nua em a se
lim r(t) = r(a).
t→a

Observação 8.2. Temos que, r é contı́nua em a se, e somente se, suas funções componentes f , g e h
forem contı́nuas em a.
As curvas espaciais e as funções vetoriais contı́nuas estão intimamente relacionadas. Suponha que,
f , g e h sejam funções reais contı́nuas em um intervalo I. Em seguida, o conjunto
C := {(x, y, z) ∈ R3 ; x = f (t), y = g(t), z = h(t), t ∈ I}
é chamado curva espacial. As equações
x = f (t), y = g(t), z = h(t)
são denominadas equações paramétricas de C e t é conhecido como parâmetro.
Exemplo: Descreva a curva definida pela função vetorial
r(t) = (1 + t, 2 + 5t, −1 + 6t).
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 51

Exemplo: Esboce a curva cuja equação vetorial é dada por


r(t) = (cos t)i + (sin t)j + tk.
Exemplo: Determine uma equação vetorial e as equações paramétricas para o segmento de reta
ligando o ponto P (1, 3, −2) ao ponto Q(2, −1, 3).
Exemplo: Determine uma equação vetorial que represente a curva obtida pela interseção do cilindro
x2 + y 2 = 1 com o plano y + z = 2.
52 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

9. Derivadas e Integrais de Funções Vetoriais


9.1. Derivadas. A derivada r′ de uma função vetorial r é definida do mesmo modo como foi feito para
as funções a valores reais:
dr r(t + h) − r(t)
= r′ (t) = lim
dt h→0 h
se este limite existir. O vetor r′ (t) é chamado o vetor tangente à curva definida por r no ponto P ,
desde que r′ (t) exista e r′ (t) ̸= 0. A reta tangente a C em P é definida como a reta que passa por
P e é paralela ao vetor r′ (t). Teremos ocasião de considerar o vetor tangente unitário, dado por
r′ (t)
T (t) = ′ .
|r (t)|

Figura 14. Vetor Tangente

Teorema 9.1. Se r(t) = (f (t), g(t), h(t)) = f (t)i+g(t)j+h(t)k, onde f , g e h são funções diferenciáveis,
então
r′ (t) = (f ′ (t), g ′ (t), h′ (t)) = f ′ (t)i + g ′ (t)j + h′ (t)k.
Exemplo:
a): Determine a derivada de r(t) = (1 + t3 )i + te−t j + sin(2t)k.
b): Encontre o vetor tangente unitário no ponto onde t = 0.

Exemplo: Para a curva r(t) = ti + (2 − t)j, determine r′ (t) e desenhe o vetor posição r(1) e o
vetor tangente r′ (1).
Exemplo: Determine as equações paramétricas para a reta tangente à hélice com equações
paramétricas
x = 2 cos t, y = sin t, z = t
no ponto (0, 1, π/2).
Exemplo: Seja r(t) = (t2 , arctan(2t), e−t ), determine r′ (t) e r′′ (t).
Teorema 9.2 (Regras de derivação para funções vetoriais). Sejam u e v funções vetoriais deriváveis
de t, C um vetor constante, c um escalar e f uma função escalar derivável.
d
(1) C=0
dt
d
(2) [cu(t)] = cu′ (t)
dt
d
(3) [f (t)u(t)] = f ′ (t)u(t) + f (t)u′ (t)
dt
d
(4) [u(t) + v(t)] = u′ (t) + v ′ (t)
dt
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 53

d
(5) [u(t) · v(t)] = u′ (t) · v(t) + u(t) · v ′ (t)
dt
d
(6) [u(t) × v(t)] = u′ (t) × v(t) + u(t) × v ′ (t)
dt
d
(7) [u(f (t))] = f ′ (t)u′ (f (t)) (Regra da Cadeia)
dt
Exemplo: Mostre que, se |r(t)| = c (uma constante), então r′ (t) é ortogonal a r(t) para todo t.
Exemplo: Seja r uma função vetorial de R em R3 , derivável até a ordem 2. Prove que, se
r(t) × r′ (t) = c (c é constante real) para todo t ∈ R, então r(t) × r′′ (t) = 0 em R.
9.2. Integrais. A integral definida de uma função vetorial contı́nua r(t) pode ser definida da mesma
forma que para a função real, exceto que a integral resulta em um vetor. Mas podemos expressar a
integral de r como a integral de suas funções componentes f , g e h como segue.
! ! !
Z b Z Z b Z b b
r(t)dt = f (t)dt i + g(t)dt j + h(t)dt k.
a a a a
Podemos estender o Teorema Fundamental do Cálculo para as funções vetoriais contı́nuas como segue:
Z b
r(t)dt = R(t)|ba = R(b) − R(a)
a
Z
onde R é uma primitiva de r, ou seja, R′ (t) = r(t). Usaremos a notação r(t)dt para as integrais
indefinidas (primitivas).
Exemplo: Determine a primitiva da função vetorial r(t) = (2 cos t)i + (sin t)j + (2t)k.
Z 1
Exemplo: Calcule [ti + 4j + t2 k]dt.
0
Exemplo: Seja F (t) = (t, 1, et ) e G(t) = i + j + k. Calcule:
Z 1 Z 1
(a): F (t) × G(t)dt (b): F (t) · G(t)dt
0 0
Z t
2
Exemplo: Se F : [a, b] → R contı́nua e seja G(t) = F (s)ds, t ∈ [a, b]. Prove que, para todo
0
t ∈ [a, b]
dG
(t) = F (t).
dt
54 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

10. Comprimento de Arco e Curvatura


10.1. Comprimento de uma curva. Suponha que a curva tenha equação vetorial r(t) =
(f (t), g(t), h(t)), a ≤ t ≤ b, ou, o que é equivalente, equações paramétricas x = f (t), y = g(t), z = h(t),
onde f ′ , g ′ e h′ são funções contı́nuas. Se a curva é percorrida exatamente uma vez à medida que t
cresce, a partir de a para b, é possı́vel mostrar que
s
Z bp Z b  2  2  2
dx dy dz
(10.1) L= [f ′ (t)]2 + [g ′ (t)]2 + [h′ (t)]2 dt = + + .
a a dt dt dt
Observe que, o comprimento de arcos de curvas dados pelas Fórmulas acima, podem ser escritos de
forma mais compacta
Z b
(10.2) L= |r′ (t)|dt.
a

Exemplo: Calcule o comprimento do arco das curvas:


(a): hélice circular de equação r(t) = (cos t)i + (sin t)j + tk do ponto (1, 0, 0) ao ponto (1, 0, 2π);
(b): r(t) = (1, sin t), t ∈ [0, π];
(c): r(t) = (2t − 1, t + 1), t ∈ [1, 2].
Uma única curva C pode ser representada por mais de uma função vetorial. Por exemplo, a cúbica
retorcida
(10.3) r1 (t) = (t, t2 , t3 ), 1≤t≤2
poderia ser representada também pela função
(10.4) r2 (t) = (eu , e2u , e3u ), 0 ≤ u ≤ ln 2
onde a relação entre os parâmetros t e u é dada por t = eu . Ou seja, a mesma curva C tem essas duas
parametrizações. Uma pergunta natural agora, seria se o comprimento de arco é independente dessas
parametrizações. Em verdade, pode ser mostrado que, quando a equação 10.2 é usada para calcular o
comprimento do arco, a resposta é independente da parametrização que é usada.

10.2. Função comprimento de arco. Suponhamos agora que C seja uma curva dada pela função
vetorial
r(t) = f (t)i + g(t)j + h(t)k, a ≤ t ≤ b
onde r′ é contı́nua e C é percorrida exatamente uma vez à medida que t aumenta de a para b. Definimos
sua função de comprimento de arco s por
Z t
(10.5) s(t) = |r′ (u)|du.
a

Então, s(t) é o comprimento da parte de C entre r(a) e r(t).


É útil parametrizar uma curva em relação ao comprimento do arco, pois o comprimento
de arco aparece naturalmente a partir da forma da curva e não depende do sistema de coordenadas
utilizado. Se uma curva r(t) já está dada em termos de um parâmetro t e s(t) é a função comprimento
de arco dada pela equação 10.5, podemos ser capazes de escrever t como uma função de s: t = t(s).
Em seguida, a curva pode ser reparametrizada em termos de s substituindo por t: r = r(t(s)). Assim,
se s = 3, por exemplo, r(t(3)) é a posição do ponto que está a três unidades de comprimento do inı́cio
da curva.
Exemplo: Reparametrize a hélice circular r(t) = (cos t)i + (sin t)j + tk utilizando o comprimento de
arco medido a partir de (1, 0, 0) na direção de crescimento de t.
Exemplo: Reparametrize as curvas com relação ao comprimento de arco medido a partir do ponto
onde t = 0 na direção crescente de t.
(a): r(t) = (2t, 1 − 3t, 5 + 4t)
(b): r(t) = (e2t cos(2t), 2, e2t sin(2t))
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 55

10.3. Curvatura. Uma parametrização r(t) é chamada suave em um intervalo I se r′ for contı́nua e
r′ (t) ̸= 0 em I. Uma curva é chamada de suave se tiver uma parametrização suave. Uma curva suave
não tem quebras abruptas ou cúspides; quando seu vetor tangente gira, ele o faz continuamente.
Se C for uma curva suave definida por uma função vetorial r, lembre-se de que o vetor tangente
unitário T (t) será dado por
r′ (t)
(10.6) T (t) =
|r′ (t)|
e indica a direção da curva.
A curvatura de C em um dado ponto é a medida de quão rapidamente a curva muda de direção no
ponto. Especificamente:
Definição 10.1 (Curvatura). A curvatura de uma curva é
dT
(10.7) k(t) =
ds
onde T é o vetor tangente unitário.
A curvatura é mais simples de calcular se expressa em termos do parâmetro t em vez de s. Vejamos,
dT dT ds dT dT /dt
= e k(t) = =
dt ds dt ds ds/dt
ou seja,
|T ′ (t)|
(10.8) k(t) = ′ .
|r (t)|
Exemplo: Mostre que a curvatura de um cı́rculo de raio a é 1/a.
Exemplo: Seja r : I → R3 uma curva parametrizada com |r′ (t)| = r0 ∈ R para todo t ∈ I.
|r′′ (t)|
(a): Verifique que, para todo t ∈ I, k(t) = .
r02
(b): Prove que, se k(t) = 0 para todo t, então r é uma reta.
Teorema 10.1. A curvatura de uma curva dada pela função vetorial r é
|r′ (t) × r′′ (t)|
k(t) = .
|r′ (t)|3
Exemplo: Determine a curvatura da cúbica retorcida r(t) = (t, t2 , t3 ) em um ponto genérico e em
(0, 0, 0).
Para o caso especial de uma curva plana com a equação y = f (x), escolhemos x como parâmetro e
escrevemos r(x) = xi + f (x)j. Então, r′ (x) = i + f ′ (x)j e r′′ (x) = fp
′′
(x)j. Como i × j = k e j × j = 0,
′ ′′ ′′ ′
segue que r (x) × r (x) = f (x)k. Além disso, temos que |r (x)| = 1 + [f ′ (x)]2 e, consequentemente,
|f ′′ (x)|
(10.9) k(x) = .
[1 + (f ′ (x))2 ]3/2
Exemplo: Encontre a curvatura da parábola y = x2 nos pontos (0, 0), (1, 1) e (2, 4).
10.4. Vetores Normal e Binormal. Em um ponto dado de uma curva suave r(t), existem muitos
vetores que são ortogonais ao vetor tangente unitário T (t). Escolhemos um observando que, como
|T (t)| = 1 para todo t, temos T (t) · T ′ (t) = 0, de modo que T ′ (t) é ortogonal a T (t). No entanto,
T ′ (t) não é necessariamente unitário. Agora, em todo ponto que k ̸= 0 podemos definir vetor normal
unitário principal N (t) (ou simplesmente normal unitário) como
T ′ (t)
(10.10) N (t) = .
|T ′ (t)|
Podemos pensar no vetor normal unitário como uma indicação da direção na qual a curva está virando
em cada ponto. O vetor B(t) = T (t) × N (t) é chamado vetor binormal. Ele é perpendicular a ambos
T e N e também é unitário.
56 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

Exemplo: Determine os vetores normal e binormal da hélice circular


r(t) = (cos t)i + (sin t)j + tk.
O plano determinado pelos vetores normal e binormal N e B num ponto P sobre uma curva C é
chamado plano normal de C em P . E constituı́da por todas as linhas que são ortogonais ao vetor
tangente T . O plano determinado pelos vetores T e N é chamado plano osculador de C a P .
O cı́rculo que está no plano osculador de C em P , tem a mesma tangente que C em P , fica do lado
côncavo de C (na direção em que N aponta) e tem raio ρ = 1/k (o recı́proco da curvatura) é conhecido
como cı́rculo osculador (ou cı́rculo da curvatura) de C em P . É o cı́rculo que melhor descreve
como C se comporta perto de P ; que compartilha a mesma tangente, normal e curvatura P .
Exemplo: Determine as equações do plano normal e do plano osculador da hélice circular do exemplo
anterior no ponto P (0, 1, π/2).
Exemplo: Determine e desenhe o cı́rculo osculador da parábola y = x2 na origem.
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 57

11. Movimento no Espaço: Velocidade e Aceleração


Suponha que uma partı́cula se mova no espaço de forma que seu vetor posição no instante t é r(t).
Observe que, para pequenos valores de h, o vetor
r(t + h) − r(t)
(11.1)
h
se aproxima da direção de movimento da partı́cula que se move ao longo da curva r(t). Seu módulo
mede o tamanho do vetor deslocamento por unidade de tempo. O vetor fornece a velocidade média no
intervalo de tempo de comprimento h e seu limite é o vetor velocidade v(t) no instante t:

r(t + h) − r(t)
(11.2) v(t) = lim = r′ (t).
h→0 h
Portanto, o vetor velocidade é também o vetor tangente e tem a direção da reta tangente à curva.

Figura 15. Vetor Velocidade

A velocidade escalar da partı́cula no instante t é a magnitude do vetor velocidade, ou seja, |v(t)|.


Como no caso de movimento unidimensional, a aceleração da partı́cula é definida como a derivada
da velocidade:
a(t) = v ′ (t) = r′′ (t).
Exemplo: O vetor posição de um objeto em movimento em um plano é dado por r(t) = t3 i + t2 j.
Determine a sua velocidade, a velocidade escalar e a aceleração, quando t = 1. Ilustre geometricamente.
Exemplo: Determine a velocidade, a aceleração e a velocidade escalar de uma partı́cula com vetor
posição r(t) = (t2 , et , tet ).
Exemplo: Uma partı́cula movendo-se começa numa posição inicial r(0) = (1, 0, 0) com uma
velocidade inicial v(0) = i − j + k. Sua aceleração é a(t) = 4ti + 6tj + k. Determine a sua velocidade e
posição no momento t.
Se a força que age sobre a partı́cula é conhecida, então a aceleração pode ser determinada a partir
da Segunda Lei de Newton para o Movimento. A versão vetorial dessa lei nos diz que, se em
qualquer instante de tempo t, uma força F (t) age sobre um objeto m produzindo uma aceleração a(t),
então

(11.3) F (t) = ma(t).

Exemplo: Um objeto de massa m que se move em uma trajetória circular com velocidade angular
constante w tem vetor posição dado por r(t) = a cos(wt)i + a sin(wt)j. Determine a força que age sobre
o objeto e mostre que sua direção e sentido são dados pela reta que passa pela origem, apontando em
direção à origem.
58 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

Figura 16. Projétil

11.1. Movimento de um projétil. Exemplo: Um projétil é disparado com ângulo de elevação α e


velocidade inicial v0 . Assumindo que a resistência do ar seja desprezı́vel e que a única força externa seja
devida à gravidade, determine a função posição r(t) do projétil. Para qual valor de α obtemos maior
alcance (distância horizontal percorrida)?
Exemplo: Um projétil é lançado com velocidade de disparo de 150m/s e ângulo de elevação de
π/4 de um ponto 10m acima do nı́vel do solo. Onde o projétil vai atingir o solo e com que velocidade
escalar?
11.2. Componentes Tangencial e Normal da Aceleração. Quando estudamos o movimento de
uma partı́cula, é frequentemente útil decompor a aceleração em duas componentes, uma na direção da
tangente e outra na direção da normal. Se escrevemos d = |v| para a velocidade escalar da partı́cula,
então
r′ (t) v(t) v(t)
T (t) = ′ = = ⇒ v(t) = d(t)T (t).
|r (t)| |v(t)| d(t)
Se derivarmos ambos os lados em relação a t, obteremos
(11.4) a = v ′ = d′ T + dT ′ .
Se usarmos a expressão da curvatura, temos
|T ′ | |T ′ |
(11.5) k= ′ = ⇒ |T ′ | = kd.
|r | d
O vetor normal unitário foi definido na seção anterior como N = T ′ /|T ′ |, então
T ′ = |T ′ |N = kdN
e assim,
(11.6) a = d′ T + kd2 N.
Escrevendo aT e aN para as componentes tangencial e normal da aceleração, temos
a = aT T + aN N
onde
(11.7) aT = d′ e aN = kd2 .
Ou ainda,
v·a r′ (t) · r′′ (t)
(11.8) aT = d′ = =
d |r′ (t)|
e
|r′ (t) × r′′ (t)| ′ 2 |r′ (t) × r′′ (t)|
(11.9) aN = kd2 = |r (t)| = .
|r′ (t)|3 |r′ (t)|
Exemplo: Uma partı́cula se move com função posição r(t) = (t2 , t2 , t3 ). Determine as componentes
tangencial e normal da aceleração.
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 59

Figura 17. Componentes dos Vetores

12. Campos Vetoriais


Definição 12.1. Seja D um conjunto em R2 (uma região plana). Um campo vetorial em R2 é uma
função F que associa a cada ponto (x, y) em D um vetor bidimensional F (x, y).
A maneira mais comum de observar um campo vetorial é desenhar a seta representando o vetor
F (x, y) começando no ponto (x, y). É claro que é impossı́vel fazer isso para todos os pontos (x, y), mas
podemos visualizar F fazendo isso para alguns pontos representativos em D. Uma vez que F (x, y) é
um vetor bidimensional, podemos escrevê-lo em termos de suas funções componentes P e Q da seguinte
forma:
F (x, y) = P (x, y)i + Q(x, y)j = (P (x, y), Q(x, y))
ou, de forma mais compacta F = P i + Qj. Observe que P e Q são funções escalares de duas variáveis
e são chamadas, algumas vezes, campos escalares, para distingui-los dos campos vetoriais.
Definição 12.2. Seja E um subconjunto de R3 . Um campo vetorial em R3 é uma função F que associa
a cada ponto (x, y, z) em E um vetor tridimensional F (x, y, z).
Com as mesmas justificativas do campo vetorial em R2 , podemos escrevê-lo em termos das funções
componentes P , Q e R, ou seja
F (x, y, z) = P (x, y, z)i + Q(x, y, z)j + R(x, y, z)k = (P (x, y, z), Q(x, y, z), R(x, y, z))
ou, de forma mais compacta F = P i + Qj + Rk.
Exemplo: Um campo vetorial em R2 é definido por F (x, y) = −yi + xj. Descreva F esboçando
alguns dos vetores F (x, y).
Exemplo: Esboce o campo vetorial em R3 dado por F (x, y, z) = zk.
12.1. Campos Gradiente. Se f é uma função escalar de duas variáveis, sabemos que seu gradiente
∇f (ou gradf ) é definido por
∇f (x, y) = fx (x, y)i + fy (x, y)j.
Portanto, f é realmente um campo vetorial em R2 e é denominado campo vetorial gradiente. Da mesma
forma, se f for uma função escalar de três variáveis, seu gradiente é um campo vetorial em R3 dado por
∇f (x, y, z) = fx (x, y, z)i + fy (x, y, z)j + fz (x, y, z)k.
Um campo vetorial F é chamado campo vetorial conservativo se ele for o gradiente de alguma função
escalar, ou seja, se existir uma função f tal que F = ∇f . Nessa situação, f é denominada função
potencial de F .
Exemplo: Determine o campo vetorial gradiente de f (x, y) = x2 y − y 3
60 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

13. Integrais de Linha


Nesta seção, definiremos uma integral que é semelhante à integral unidimensional, exceto que, ao
invés de integrarmos sobre um intervalo [a, b], integraremos sobre uma curva C. Tais integrais são
chamadas integrais de linha. Começamos com uma curva plana C dada pelas equações paramétricas
(13.1) x = x(t), y = y(t), t ∈ [a, b]
ou, o que é equivalente, pela equação vetorial r(t) = (x(t), y(t)), e supomos que C seja uma curva suave.
[Isso significa que r′ (t) é contı́nua e r′ (t) ̸= 0 em [a, b]] Se dividirmos o intervalo do parâmetro [a, b]
em n subintervalos [ti−1 , ti ] de igual tamanho e se fizermos xi = x(ti ) e yi = y(ti ), então os pontos
correspondentes Pi (xi , yi ) dividem C em n subarcos de comprimentos ∆s1 , · · · , ∆sn . Escolhemos um

Figura 18. Partição da Integral de Linha

ponto qualquer Pi∗ (x∗i , yi∗ ) no i−ésimo subarco. (Isto corresponde a um ponto t∗i em [ti−1 , ti ].) Agora,
se f for uma função de duas variáveis cujo domı́nio inclui a curva C, calculamos f no ponto (x∗i , yi∗ ),
multiplicamos pelo comprimento ∆si do subarco e somamos
n
X
f (x∗i , yi∗ )∆si
i=1

que é semelhante à soma de Riemann. Em seguida, tomamos o limite dessa soma e fazemos a seguinte
definição, por analogia com a integral unidimensional:
Definição 13.1. Se f é definida sobre uma curva suave C dada pelas equações 13.1, então a integral
de linha de f sobre C é
Z n
X
(13.2) f (x, y)ds = lim f (x∗i , yi∗ )∆si
C n→∞
i=1

se esse limite existir.


Se f é uma função contı́nua, então o limite na definição acima sempre existe e a fórmula seguinte
pode ser empregada para calcular a integral de linha:
s 
Z Z b 2  2
dx dy
(13.3) f (x, y)ds = f (x(t), y(t)) + dt.
C a dt dt
O valor da integral de linha não depende da parametrização da curva, desde que a curva seja percorrida
uma única vez quando t cresce de a para b.
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 61

Assim como para as integrais unidimensionais, podemos


Z interpretar a integral de linha de uma função
positiva como uma área. De fato, se f (x, y) ≥ 0, f (x, y)ds representa a área da ’cerca’ ou ’cortina’,
C
cuja base é C e cuja altura
Z acima do ponto (x, y) é f (x, y).
Exemplo: Calcule (2 + x2 y)ds, onde C é a metade superior do cı́rculo unitário x2 + y 2 = 1.
ZC
Exemplo: Calcule (x2 + y 2 )ds, onde C é a curva γ(t) = (t, t), para t ∈ [−1, 1].
C
Suponha agora que C seja uma curva suave por partes, ou seja, C é a união de um número finito de
curvas suaves C1 , · · · , Cn onde, como ilustrado na figura abaixo, o ponto inicial de Ci+1 é o ponto final
de Ci . Nesse caso, definimos a integral de f ao longo de C como a soma das integrais de f ao longo de
cada parte suave de C:

Figura 19. Curva Suave por Partes

Z Z Z
(13.4) f (x, y)ds = f (x, y)ds + · · · + f (x, y)ds.
C C1 Cn
Z
Exemplo: Calcule 2xds, onde C é formada pelo arco C1 da parábola y = x2 de (0, 0) a (1, 1)
C
seguido pelo segmento de reta vertical C2 de (1, 1) a (1, 2). Z
Qualquer interpretação fı́sica de uma integral de linha f (x, y)ds depende da interpretação fı́sica
C
da função f . Suponhamos que ρ(x, y) represente a densidade linear de um ponto de (x, y) de um fio
fino com a forma de uma curva C. Então, a massa da parte X do fio a partir de Pi−1 até Pi é de cerca de
ρ(x∗i , yi∗ )∆si e assim a massa total do fio é de cerca de ρ(x∗i , yi∗ )∆si . Tomando cada vez mais pontos
sobre a curva, obtemos o valor da massa m do fio como o valor limite dessas aproximações:
X n Z
∗ ∗
(13.5) m = lim f (xi , yi )∆si = ρ(x, y)ds.
n→∞ C
i=1

O centro de massa do fio com a função densidade ρ encontra-se no ponto (x, y), onde
Z Z
1 1
(13.6) x= xρ(x, y)ds e y = yρ(x, y)ds.
m C m C
Exemplo: Um arame tem o formato de um semicı́rculo x2 + y 2 = 1, y ≥ 0, é mais grosso perto
da base do que perto do topo. Ache o centro de massa desse arame se a função densidade linear em
qualquer ponto for proporcional à sua distância à reta y = 1.
Duas outras integrais de linha são obtidas trocando-se ∆si por ∆xi = xi − xi−1 ou ∆yi = yi − yi−1 na
Definição 13.1. Elas são chamadas, respectivamente, integrais de linha de f ao longo de C com relação
a x e y:
Z X n Z n
X
(13.7) f (x, y)dx = lim f (x∗i , yi∗ )∆xi f (x, y)dy = lim f (x∗i , yi∗ )∆yi
C n→∞ C n→∞
i=1 i=1
62 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

Z
Quando queremos distinguir a integral de linha original f (x, y)ds das equações cima, esta é chamada
C
de integral de linha com relação ao comprimento do arco.
As fórmulas seguintes dizem que as integrais de linha com relação a x e y podem ser calculadas
escrevendo-se tudo em termos de t: x = x(t), y = y(t), dx = x′ (t)dt, dy = y ′ (t)dt.
Z Z b Z Z b
(13.8) f (x, y)dx = f (x(t), y(t))x′ (t)dt f (x, y)dy = f (x(t), y(t))y ′ (t)dt.
C a C a
Frequentemente acontece de as integrais de linha com relação a x e y ocorrerem em conjunto. Quando
isso acontece, é costume abreviar escrevendo
Z Z Z
P (x, y)dx + Q(x, y)dy = P (x, y)dx + Q(x, y)dy
C C C
Z
Exemplo: Calcule y 2 dx + xdy, onde (a) C = C1 é o segmento de reta de (−5, −3) a (0, 2) e (b)
C
C = C2 é o arco da parábola x = 4 − y 2 de (−5, −3) a (0, 2).
Em geral, dada a parametrização x = x(t), y = y(t), a ≤ t ≤ b, esta determina-se uma orientação da
curva C, com a orientação positiva correspondendo aos valores crescentes do parâmetro t.
Se −C denota a curva constituı́da pelos mesmos pontos que C, mas com orientação contrária, então
temos Z Z Z Z
f (x, y)dx = − f (x, y)dx f (x, y)dy = − f (x, y)dy
−C C −C C
Mas, se integrarmos em relação ao comprimento de arco, o valor da integral de linha não se altera ao
revertermos a orientação da curva:
Z Z
f (x, y)ds = f (x, y)ds
−C C

Isso ocorre porque ∆si é sempre positivo, enquanto ∆xi e ∆yi mudam de sinal quando invertemos a
orientação de C.

13.1. Integrais de Linha no Espaço. Suponhamos que C seja uma curva espacial suave dada pelas
equações paramétricas
(13.9) x = x(t), y = y(t), z = z(t) t ∈ [a, b]
ou, o que é equivalente, pela equação vetorial r(t) = (x(t), y(t), z(t)). Se f é uma função de três variáveis
que é contı́nua em alguma região contendo C, então definimos a integral de linha de f ao longo de C
(com relação ao comprimento de arco) de modo semelhante ao feito nas curvas planas:
Z Xn
(13.10) f (x, y, z)ds = lim f (x∗i , yi∗ , zi∗ )∆si .
C n→∞
i=1

Se f é uma função contı́nua, para calcular a integral de linha, usaremos:


s 
Z Z b 2  2  2
dx dy dz
(13.11) f (x, y, z)ds = f (x(t), y(t), z(t)) + + dt.
C a dt dt dt
Observe que as integrais das Equações 13.3 e 13.11 podem ser escritas de modo mais compacto pela
notação vetorial
Z b
f (r(t))|r′ (t)|dt.
a
Para o caso especial em que f (x, y, z) = 1, temos
Z Z b
ds = |r′ (t)|dt = L
C a
onde L é o comprimento da curva C.
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 63

Z
Exemplo: Calcule y sin zds, onde C é a hélice circular dada pelas equações x = cost, y = sin t,
C
z = t, 0 ≤ t ≤ 2π. Z
Exemplo: Calcule ydx + zdy + xdz, onde C consiste no segmento de reta C1 de (2, 0, 0) a (3, 4, 5),
C
seguido pelo segmento de reta vertical C2 de (3, 4, 5) a (3, 4, 0).
13.2. Integrais de Linha de Campos Vetoriais. Suponha agora que F = P i + Qj + Rk seja um
campo de força contı́nuo em R3 . Queremos calcular o trabalho exercido por essa força ao mover uma
partı́cula ao longo de uma curva suave C.
Dividimos C em subarcos Pi−1 1Pi com comprimentos ∆si através da divisão de intervalos de
parâmetros [a, b] em subintervalos de igual largura. Escolha um ponto Pi∗ (x∗i , yi∗ , zi∗ ) no i−ésimo subarco
correspondente ao valor do parâmetro t∗i . Se ∆si é pequeno, o movimento da partı́cula de Pi−1 para Pi
na curva ocorre aproximadamente na direção de T (t∗i ), vetor tangente unitário a Pi∗ . Então, o trabalho
feito pela força F para mover a partı́cula de Pi−1 para Pi é aproximadamente
F (x∗i , yi∗ , zi∗ ) · [∆si T (t∗i )] = [F (x∗i , yi∗ , zi∗ ) · T (t∗i )]∆si
e o trabalho total executado para mover a partı́cula ao longo de C é aproximadamente
n
X
[F (x∗i , yi∗ , zi∗ ) · T (x∗i , yi∗ , zi∗ )]∆si
i=1

onde T (x, y, z) é o vetor tangente unitário no ponto (x, y, z) em C. Intuitivamente, vemos que estas

Figura 20. Integral sobre Campo Vetorial

aproximações devem se tornar melhor quando n torna-se maior. Portanto, definimos o trabalho W feito
por um campo de força F como o limite da soma de Riemann, ou seja,
Z Z
(13.12) W = F (x, y, z) · T (x, y, z)ds = F · T ds.
C C
A equação acima nos diz que o trabalho é a integral com relação ao comprimento do arco da componente
tangencial da força.
r′ (t)
Se a curva C é dada pela equação vetorial r(t) = (x(t), y(t), z(t)), então T (t) = ′ , podemos
|r (t)|
reescrever a Equação (13.12) como
Z b Z b
r′ (t)
 Z
W = F (r(t)) · ′ |r′ (t)|dt = F (r(t)) · r′ (t)dt =: F · dr.
a |r (t)| a C

Definição 13.2. Seja F um campo vetorial contı́nuo definido sobre uma curva suave C dada pela função
vetorial r(t), a ≤ t ≤ b. Então, a integral de linha de F ao longo de C é
Z Z b Z
F · dr = F (r(t)) · r′ (t)dt = F · T ds.
C a C
64 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

Exemplo: Determine o trabalho feito pelo campo de força F (x, y) = (x2 , −xy) ao se mover uma
π
partı́cula ao longo de um quarto de cı́rculo r(t) = (cos t, sin t), 0 ≤ t ≤ .
Z 2
Exemplo: Calcule F ·dr, onde F (x, y, z) = (xy, yz, xz) e C é a cúbica retorcida, dada por x(t) = t,
C
y(t) = t2 e z(t) = t3 , com t ∈ [0, 1].
Finalmente, observamos a relação entre as integrais de linha de campos vetoriais e as integrais de
linha de campos escalares. Suponha que o campo vetorial F em R3 seja dado na forma de componente,
a equação F = P i + Qj + Rk. Usamos a Definição 13.2 para calcular a sua integral de linha ao longo
de C:
Z Z b
F · dr = F (r(t)) · r′ (t)dt
C a
Z b
= (P i + Qj + Rk) · (x′ (t)i + y ′ (t)j + z ′ (t)k)dt
a
Z b
= [P (x(t), y(t), z(t))x′ (t) + Q(x(t), y(t), z(t))y ′ (t) + R(x(t), y(t), z(t))z ′ (t)]dt
a
Z
= P dx + Qdy + Rdz.
C
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 65

14. O Teorema Fundamental das Integrais de Linha


O Teorema Fundamental do Cálculo pode ser escrita como
Z b
F ′ (x)dx = F (b) − F (a)
a

onde F ′ é contı́nua em [a, b]. Se consideramos o vetor gradiente ∇f de uma função f de duas ou três
variáveis como uma espécie de derivada de f , então o teorema seguinte pode ser visto como uma versão
do Teorema Fundamental do Cálculo para as integrais de linha.
Teorema 14.1. Seja C uma curva suave dada pela função vetorial r(t), a ≤ t ≤ b. Seja f uma função
diferenciável de duas ou três variáveis cujo vetor gradiente ∇f é contı́nuo em C. Então
Z
∇f · dr = f (r(b)) − f (r(a)).
C

Demonstração. Temos que,


Z Z b
∇f · dr = ∇f (r(t)) · r′ (t)dt
C a
Z b  
∂f dx ∂f dy ∂f dz
= + + dt
a ∂x dt ∂y dt ∂z dt
Z b
d
= f (r(t))dt
a dt
= f (r(b)) − f (r(a)).
O último passo segue do Teorema Fundamental do Cálculo. □
Apesar de termos demonstrado o teorema acima para curvas suaves, ele também vale para curvas
suaves por partes. Isso pode ser confirmado subdividindo C em um número finito de curvas suaves e
somando as integrais resultantes.

14.1. Independência do Caminho. Suponha que C1 e C2 sejam curvas suaves por partes
(denominadasZ caminhos) Zque têm o mesmo ponto inicial A e o mesmo ponto final B. Em geral, já
sabemos que F · dr ̸= F · dr. Mas uma decorrência do teorema anterior é que
C1 C2
Z Z
∇f · dr = ∇f · dr
C1 C2

sempre que ∇f for contı́nua. Em outras palavras, a integral de linha de um campo vetorial conservativo
depende somente das extremidades da curva. Em geral, se F for um campo vetorial contı́nuo com
domı́nio D, dizemos que a integral de linha é independente do caminho se para quaisquer dois caminhos
C1 e C2 em D que tenham os mesmos pontos iniciais e finais. Com essa terminologia, podemos dizer que
as integrais de linha de campos vetoriais conservativos são independentes do caminho.
Uma curva é denominada fechada se seu ponto final coincide com seu ponto inicial, ou seja,
r(b) = r(a). Com essa definição, temos o seguinte resultado:
Z Z
Teorema 14.2. Se F · dr é independente do caminho D se, e somente se, F · dr = 0 para todo
C C
caminho fechado C em D.
O teorema a seguir diz que todos os campos vetoriais independentes do caminho são conservativos.
Ele foi enunciado e demonstrado para curvas planas, mas existe uma versão espacial desse teorema.
Admita que D seja aberto, o que significa que para todo ponto P em D existirá uma bola aberta com
centro em P inteiramente contida em D. (Portanto, D não tem nenhum ponto de sua fronteira.) Além
disso, vamos supor que D seja conexo por caminhos: isso significa que quaisquer dois pontos em D
podem ser ligados por um caminho que se encontra em D.
66 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

Figura 21. Tipos de Curva e Regiões

Teorema 14.3. ZSuponha que F seja um campo vetorial contı́nuo em uma região aberta conexa por
caminhos D. Se F ·dr for independente do caminho em D, então F é um campo vetorial conservativo
C
em D, ou seja, existe uma função f tal que ∇f = F .
A questão permanece: como é possı́vel saber se um campo vetorial F é conservativo ou não?
Teorema 14.4. Se F (x, y) = P (x, y)i + Q(x, y)j é um campo vetorial conservativo, onde P e Q têm
derivadas parciais de primeira ordem contı́nuas em um domı́nio D, então em todos os pontos de D,
temos
∂P ∂Q
= .
∂y ∂x
A recı́proca do Teorema 14.4 só é verdadeira para um tipo especial de região. Para explicarmos isso,
precisamos do conceito de curva simples, que é uma curva que não se autointercepta em nenhum ponto
entre as extremidades.
No Teorema 14.3 precisamos de região conexa por caminhos. Para o próximo teorema, precisaremos
de uma condição mais forte. Uma região simplesmente conexa no plano é uma região conexa por
caminhos D tal que toda curva fechada simples em D inclui apenas os pontos que estão em D.
Teorema 14.5. Seja F (x, y) = P (x, y)i + Q(x, y)j é um campo vetorial em uma região aberta
simplesmente conexa D. Suponha que P e Q tenham derivadas contı́nuas de primeira ordem e que
∂P ∂Q
=
∂y ∂x
em todo conjunto D. Então, F é conservativo.
Exemplo: Determine se os campos vetoriais abaixo são conservativos:
(a): F (x, y) = (x − y, x − 2);
(b): F (x, y) = (3 + 2xy, x2 − 3y 2 ).
Exemplo:
(a): Se F (x, y) = (3 + 2xy, x2 −Z3y 2 ), encontre uma função f tal que F = ∇f .
(b): Calcule a integral de linha F · dr, onde C é a curva dada por
C
r(t) = et sin ti + et cos tj, 0 ≤ t ≤ π.
2 3z 3z
Exemplo: Se F (x, y, z) = (y , 2xy + e , 3ye ), encontre uma função f tal que ∇f = F .
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 67

Figura 22. Curva Fechada Simples e Orientação Positiva

15. Teorema de Green


O Teorema de Green fornece a relação entre uma integral de linha ao redor de uma curva fechada
simples C e uma integral dupla sobre a região do plano D delimitada por C. Assumimos que D é
constituı́do por todos os pontos dentro de C, bem como todos os pontos de C. Ao enunciarmos o
Teorema de Green, usamos a convenção de que a orientação positiva de uma curva fechada simples C
refere-se ao sentido anti-horário de C, percorrido uma só vez. Assim, se C é dada pela função vetorial
r(t), com a ≤ t ≤ b, então a região D está sempre do lado esquerdo quando r(t) percorre C.

Teorema 15.1 (Teorema de Green). Seja C uma curva plana simples, fechada, contı́nua por partes,
orientada positivamente, e seja D a região delimitada por C. Se P e Q têm derivadas parciais de
primeira ordem contı́nuas sobre uma região aberta que contenha D, então
I ZZ  
∂Q ∂P
P dx + Qdy = − dA.
C D ∂x ∂y
I
Observação 15.1. A notação P dx + Qdy é normalmente utilizada para indicar que a integral de
C
linha está sendo calculada usando a orientação positiva da curva fechada C.
I
Exemplo: Calcule x2 dx + xydy, onde C é a curva triangular constituı́da pelos segmentos de reta
C
de (0, 0) a (1, 0), de (1,I0) a (0, 1), e de (0, 1) a (0, 0).
p
Exemplo: Calcule (3y − esin x )dx + (7x + y 4 + 1)dy, onde C é o cı́rculo x2 + y 2 = 9.
C
Uma aplicaçãoZ Zda direção inversa do Teorema de Green está no cálculo de áreas. Como a área de
uma região D é 1dA, desejamos escolher P e Q tais que
D

∂Q ∂P
− = 1.
∂x ∂y
68 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

Figura 23. Teorema de Green estendido

1
Existem várias possibilidades: P (x, y) = 0 e Q(x, y) = x, P (x, y) = −y e Q(x, y) = 0, P (x, y) = − y e
2
1
Q(x, y) = x. Assim, o Teorema de Green dá as seguintes fórmulas para a área de D:
2
I I I
1
A= xdy = − ydx = xdy − ydx
C C 2 C
x2 y2
Exemplo: Determine a área delimitada pela elipse + = 1.
a2 b2
15.1. Versões estendidas do Teorema de Green. É possı́vel estender o Teorema de Green para o
caso em que D é a união finita de regiões simples. Por exemplo, se D é uma região como na figura abaixo,
então podemos escrever D = D1 ∪ D2 , onde D1 e D2 são ambas simples. A fronteira de D1 é C1 ∪ C3 e
a fronteira de D2 é C2 ∪ (−C3 ); portanto, aplicando o Teorema de Green em D1 e D2 separadamente,
obtemos
I ZZ  
∂Q ∂P
P dx + Qdy = − dA.
C1 ∪C3 D1 ∂x ∂y
e I ZZ  
∂Q ∂P
P dx + Qdy = − dA.
C2 ∪(−C3 ) D2 ∂x ∂y
Se somarmos essas duas equações, as integrais de linha sobre C3 e −C3 se cancelam e obtemos
I ZZ  
∂Q ∂P
P dx + Qdy = − dA.
C1 ∪C2 D ∂x ∂y
que é o Teorema de Green para D = D1 ∪ D2 uma vez que sua fronteira é C = C1 ∪ C2 . O mesmo tipo de
argumentação nos permite estabelecer o Teorema de Green para qualquer união finita de regiões simples
que não se sobreponham.
I
Exemplo: Calcule y 2 dx + 3xydy, onde C é o limite da região semianular D contida no semiplano
C
superior entre os cı́rculos x2 + y 2 = 1 e x2 + y 2 = 4.
O Teorema de Green também pode ser aplicado para regiões com furos, ou seja, regiões que não são
simplesmente conexas. Observe que a fronteira C da região D na figura abaixo é constituı́da por duas
curvas fechadas simples C1 e C2 . Assumimos que estas curvas de contorno são orientadas de modo que a
região D está sempre do lado esquerdo enquanto a curva C é percorrida. Assim, o sentido anti-horário
é positivo para a curva exterior C1 , mas no sentido horário para o interior da curva C2 . Se dividirmos D
em duas regiões D′ e D′′ , pela introdução das retas mostradas na figura, e então aplicarmos o Teorema
de Green a cada uma das regiões D′ e D′′ , obteremos
ZZ   ZZ   ZZ  
∂Q ∂P ∂Q ∂P ∂Q ∂P
− dA = − dA + − dA
D ∂x ∂y D′ ∂x ∂y D ′′ ∂x ∂y
I I
= P dx + Qdy + P dx + Qdy
∂D ′ ∂D ′′
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 69

Figura 24. Teorema de Green em regiões com furos

Como as integrais de linha sobre a fronteira comum são em sentidos opostos, elas se cancelam e
obtemos
ZZ   I I I
∂Q ∂P
− dA = P dx + Qdy + P dx + Qdy = P dx + Qdy
D ∂x ∂y C1 C2 C
que é o Teorema de Green para a região D. I
Exemplo: Se F (x, y) = (−yi + xj)/(x2 + y 2 ), mostre que F · dr = 2π para todo caminho fechado
simples que circunde a origem.
70 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

16. Rotacional e Divergente


Nesta seção, definiremos duas operações que podem ser realizadas com campos vetoriais e que são
essenciais nas aplicações de cálculo vetorial em mecânica dos fluidos e em eletricidade e magnetismo.
Cada operação lembra uma derivação, mas uma produz um campo vetorial enquanto a outra gera um
campo escalar.

16.1. Rotacional. Se F = P i + Qj + Rk é um campo vetorial em R3 e as derivadas parciais de P , Q


e R existem, então o rotacional de F é o campo vetorial em R3 definido por
     
∂R ∂Q ∂P ∂R ∂Q ∂P
(16.1) rotF = − i+ − j+ − k
∂y ∂z ∂z ∂x ∂x ∂y
Para auxiliarmos na memorização, vamos reescrever a equação acima usando notação de operadores.
Introduziremos o operador diferencial vetorial ∇ como
∂ ∂ ∂
∇= i+ j+ k
∂x ∂y ∂z
Quando ele opera sobre uma função escalar, produz o gradiente de f :
∂f ∂f ∂f
∇f = i+ j+ k
∂x ∂y ∂z
∂ ∂ ∂
Se pensarmos em ∇ como um vetor de componentes , e k, podemos também considerar o
∂x ∂y ∂z
produto vetorial formal de ∇ pelo campo vetorial F como segue:
i j k      
∂ ∂ ∂ ∂R ∂Q ∂P ∂R ∂Q ∂P
∇×F = = − i+ − j+ − k = rotF
∂x ∂y ∂z ∂y ∂z ∂z ∂x ∂x ∂y
P Q R
Assim, o modo mais fácil de lembrar a Definição 1 é pela expressão simbólica
(16.2) rotF = ∇ × F.
Exemplo: Se F (x, y, z) = xzi + xyzj − y 2 k, determine rotF .
Teorema 16.1. Se f é uma função de três variáveis que tem derivadas parciais de segunda ordem
contı́nuas, então
rot(∇f ) = 0.
Como um campo vetorial conservativo é da forma F = ∇f , o resultado acima pode ser reescrito como
segue: Se F é conservativo, então rotF = 0. E assim obtemos um modo de verificar que um campo
vetorial não é conservativo.
Exemplo: Mostre que o campo vetorial F (x, y, z) = xzi + xyzj − y 2 k, não é conservativo.
Em geral, a recı́proca do teorema acima não é verdadeira, mas o próximo teorema afirma que, se F
for definido em todo o espaço, a recı́proca vale.
Teorema 16.2. Se F for um campo vetorial definido sobre todo R3 cujas funções componentes tenham
derivadas parciais de segunda ordem contı́nuas e rotF = 0, F será um campo vetorial conservativo.
Exemplo:
(a): Mostre que
F (x, y, z) = y 2 z 3 i + 2xyz 3 j + 3xy 2 z 2 k
é um campo vetorial conservativo.
(b): Determine uma função f tal que ∇f = F .
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 71

∂ ∂ ∂
16.2. Divergente. Se F = P i + Qj + Rk é um campo vetorial em R3 e , e k existem, então
∂x ∂y ∂z
o divergente de F é a função de três variáveis definida por
∂P ∂Q ∂R
(16.3) divF = + +
∂x ∂y ∂z
Observe que rotF é um campo vetorial, mas divF é um campo escalar. Em termos do operador gradiente
∂ ∂ ∂
∇= i+ j+ k, o divergente de F pode ser escrito simbolicamente como o produto escalar de
∂x ∂y ∂z
∇ e F:
(16.4) divF = ∇ · F
2
Exemplo: Se F (x, y, z) = xzi + xyzj − y k, determine divF .
Se F é um campo vetorial sobre R3 , então rotF também é um campo vetorial sobre R3 . Como tal,
podemos calcular seu divergente. O próximo teorema mostra que o resultado é 0.
Teorema 16.3. Se F = P i + Qj + Rk é um campo vetorial sobre R3 e P , Q e R têm derivadas parciais
de segunda ordem contı́nuas, então
div(rotF ) = 0.
Exemplo: Mostre que o campo vetorial F (x, y, z) = xzi + xyzj − y 2 k não pode ser escrito como o
rotacional de outro campo vetorial, ou seja, F ̸= rotG.
Outro operador diferencial aparece quando calculamos o divergente do gradiente de um campo vetorial
∇f . Se f é uma função de três variáveis, temos
∂2f ∂2f ∂2f
div(∇f ) = ∇ · ∇f = + +
∂x2 ∂y 2 ∂z 2
e essa expressão aparece tão frequentemente que vamos abreviá-la como ∇2 f . Esse operador ∇2 = ∇ · ∇
é chamado operador de Laplace por sua relação com a equação de Laplace
∂2f ∂2f ∂2f
∆f := ∇2 f = + + = 0.
∂x2 ∂y 2 ∂z 2
Podemos também aplicar o laplaciano ∆ a um campo vetorial
F = P i + Qj + Rk
em termos de suas componentes:
∆F = ∆P i + ∆Qj + ∆Rk
16.3. Formas Vetoriais do Teorema de Green. Os operadores divergente e rotacional nos permitem
escrever o Teorema de Green em uma versão que será útil futuramente. Consideramos uma região plana
D, sua curva fronteira C e funções P e Q que satisfaçam as hipóteses do Teorema de Green. Em seguida,
consideramos o campo vetorial F = P i + Qj. A sua integral de linha é
I I
F · dr = P dx + Qdy
C C

e, considerando F como um campo vetorial em R3 com terceira componente nula, temos


i j k  
∂ ∂ ∂ ∂Q ∂P
rotF = = − k.
∂x ∂y ∂z ∂x ∂y
P Q 0
Portanto,    
∂Q ∂P ∂Q ∂P
(rotF ) · k = − k·k = −
∂x ∂y ∂x ∂y
e podemos reescrever a equação do Teorema de Green na forma vetorial
I ZZ
(16.5) F · dr = (rotF ) · kdA.
C D
72 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

Figura 25. Teorema de Green

A equação acima expressa a integral de linha da componente tangencial de F ao longo de C como uma
integral dupla da componente vertical rotacional F sobre a região D delimitada por C. Vamos deduzir,
agora, uma fórmula semelhante, envolvendo a componente normal de F .
Se C é dada pela equação vetorial
r(t) = x(t)i + y(t)j, t ∈ [a, b]
então o vetor tangente unitário é
x′ (t) y ′ (t)
T (t) = i + j.
|r′ (t)| |r′ (t)|
É possı́vel verificar que o vetor normal unitário externo a C é dado por
y ′ (t) x′ (t)
η(t) = ′ i− ′ j.
|r (t)| |r (t)|
Dessa forma,
I Z b
F · ηds = (F · η)(t)|r′ (t)|dt
C a
b
P (x(t), y(t))y ′ (t) Q(x(t), y(t))x′ (t)
Z  
= − |r′ (t)|dt
a |r′ (t)| |r′ (t)|
Z b
= P (x(t), y(t))y ′ (t)dt − Q(x(t), y(t))x′ (t)dt
a
I ZZ  
∂P ∂Q
= P dy − Qdx = + dA
C D ∂x ∂y
pelo Teorema de Green. Mas o integrando na integral dupla é o divergente de F . Logo, temos uma
segunda forma vetorial do Teorema de Green:
I ZZ
(16.6) F · ηds = divF (x, y)dA.
C D
Essa versão diz que a integral de linha da componente normal de F ao longo de C é igual à integral
dupla do divergente de F na região D delimitada por C.
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 73

17. Superfı́cies Parametrizadas e suas Áreas


74 ROMILDO N. DE LIMA & ALÂNNIO B. NÓBREGA

Referências
[1] ANTON, H., BIVENS, I. e DAVIS, S., Cálculo, Vols. 1 e 2, 10ª ed. Porto Alegre: Bookman, 2014.
[2] FLEMMING, D. M. e GONÇALVES, M. B., CÁLCULO A, 6ª ed. São Paulo: Pearson, 2006.
[3] FLEMMING, D. M. e GONÇALVES, M. B., CÁLCULO B, 6ª ed. São Paulo: Pearson, 2006.
[4] GUIDORIZZI, H. L., Um Curso de Cálculo, Vols. 1, 2, 3 e 4, 5ª ed. Rio de Janeiro: LTC, 2016.
[5] LEITHOLD, L., O Cálculo com Geometria Analı́tica, Vols. 1 e 2, 3ª ed. São Paulo: HARBRA, 2016.
[6] STEWART, J., Cálculo, Vols. 1 e 2, 8ª ed. São Paulo: CENGAGE, 2016.
[7] THOMAS, G. B., WEIR, M. D. e HASS,J., Cálculo, Vols. 1 e 2, 12ª ed. São Paulo: Pearson, 2012.

(Romildo N. de Lima & Alânnio B. Nóbrega)


Unidade Acadêmica de Matemática
Universidade Federal de Campina Grande
58429-970, Campina Grande - PB, Brazil
Email address: romildo@[Link]

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