TEORIA GERAL DO PROCESSO
ORIGEM
O Direito Processual teve seu início no Império Romano, AUTOCOMPOSIÇÃO
com este período sendo denominado de Fase Primitiva, possuindo É a busca da resolução do conflito através do diálogo entre
nele 3 estágios. as partes de forma pacífica, para que elas sozinhas cheguem a um
Vale lembrar, que em todos estes estágios existiam 3 acordo, podendo ser feita com um conciliador (que dá sugestões do
métodos de resolução de conflitos, que eram usados que ser feito as partes) em casos que não vínculo afetivo entre elas,
concomitantemente, sendo eles: ou, um mediador (que não dá sugestões do que ser feito as partes)
❖ Autotutela; quando houver um vínculo emocional entre elas. Essa medida pode
❖ Autocomposição; e, ser extraprocessual ou endoprocessual. Utilizada em causas cíveis,
❖ Heterocomposição. trabalhistas e em crimes de menor potencial ofensivo.
ESTÁGIOS *Obs. Utilização vedada por parte do Estado.
Direito Romano Arcaico - 753 aC a 130 aC
Marcado pelo início do aparelhamento Estatal, com a AUTOTUTELA
criação da Lei das XII Tábuas (451 a.C.) e o surgimento do pretor, Hoje em dia, essa prática é considerada crime, visto que se
que na época não era respeitado pela sociedade, então, a procura para trata de fazer justiça com as próprias mãos, salvo em disposição legal
seguir o processo legal e seguir a decisão deferida, não por ele mas em contrário, como nos casos de legítima defesa (Art.25, CP) e
sim pelo judex, era opcional. estado de necessidade (Art.23, I, CP). Caso a conduta não se
Neste momento o meio de resolução de conflitos mais enquadre nesses institutos, configura-se o crime de exercício
utilizado era o de autotutela, mais conhecido como “lei do mais arbitrário das próprias razões (Art.345, CP).
forte”, onde as próprias partes resolviam o problema entre si, com
base na força bruta ou intimidação, sendo muito propensa a realizar *Obs. Utilização vedada por parte do Estado.
injustiças.
Pretor: Poucas pessoas vinculadas a Roma, responsáveis JURISDIÇÃO
por fazer a subsunção do fato à norma e criar a fórmula que narrava o A palavra jurisdição vem do latim ius, iuris, com o
fato ocorrido e a norma que se aplicava, e o credor que o procurou, significado de direito, e dictio do verbo dicere, que quer dizer dicção.
levaria esta fórmula ao judex, que enfim daria a decisão. Significa, portanto, dizer o direito.
Judex: Árbitros vinculados ao Pretor, espalhados pelo É o poder do Estado (derivado do povo) de pacificar
território, escolhidos pelas partes, que decidiam baseado na fórmula conflitos com justiça, sendo que ele transfere o exercício desse
do Pretor. poder aos magistrados. Esse poder é regulado pelo processo, que
Direito Romano Clássico - 130 aC a 250 dC possui a função de limitar e garantir seu exercício de maneira correta.
O aparelhamento Estatal, se fortalece, tornando a O que comprova isso em nosso ordenamento é o princípio nulla
arbitragem agora obrigatória. Mas, não se limitando somente a poena sine judicio, que estabelece que não há pena sem processo. Ou
isso, criando novas regras com o surgimento dos legisladores, não seja, se isso vier a acontecer, a pena será nula. Esse princípio vem
sendo mais restrito às Leis das XII Tábuas, tendo força aliada a acompanhado de outros, como o devido processo legal, o
forma, com esta etapa sendo chamada de Ordo Judiciorum contraditório e a ampla defesa, entre outros.
Privatorum. A jurisdição também produz normas, porém de forma
Direito Romano Pós-Clássico - séc. III até os dias atuais diferente do Poder Legislativo. Entretanto, há uma distinção
O Direito Processual faz a transição de Direito privado essencial, ressaltada por uma fala de Carnelutti: “A legislação é uma
para público, ou seja, quando acontece um crime o Estado vai atrás produção do direito sub specie normativa, isto é, uma produção de
de saber o que aconteceu, não sendo necessário que alguém traga a normas jurídicas; poderíamos dizer, uma produção do preceito em
ele, sendo vedado que a justiça seja feita pelas próprias mãos, série, para casos típicos, não para casos concretos. A jurisdição,
tirando este poder do povo e puxando para si o dever de realizar a pelo contrário, produz preceitos, ministra direito para cada caso
pacificação social. singular; ousarei dizer, não trabalha para armazenar, mas por
A partir do momento que o Estado adquiriu o dever de encomenda, sob medida.
pacificar a sociedade, retirando este poder dos cidadãos, nos deu o É vedada a autotutela estatal em situações que envolvam
direito de provocá-lo para que cumpra, este direito é conhecido como direitos indisponíveis, e também é proibida a autocomposição de
Direito de Ação. acordo com a Lei nº. 12.850/13, que regula as tutelas, sendo
Com todo este aparelhamento e solidificação do Estado, o permitido somente alguns casos, como ex. para desestruturar
pretor também se consolida, agora como magistrado, sendo quem organizações criminosas.
exerce o poder de jurisdição do Estado, examinando os fatos que
chegavam a ele e realizando a subsunção, por fim, julgando visando TEORIAS
resolver os conflitos. Unitaria - Carnelutti
O Direito material e processual não se divide, tendo em
MEIOS DE RESOLUÇÃO DE CONFLITO vista, que são interdependentes entre si, com isso, o legislador
HETEROCOMPOSIÇÃO depende do juiz e vice-versa. Tratando então direito material como
Atividade realizada por um terceiro, que possui o dever de incompleto, dado que ele depende do juiz em momentos que
ser imparcial, para exercitar a jurisdição. Sua principal característica nenhuma norma presente em seu ordenamento corresponde ao caso
é a substitutividade, tendo em vista, que a decisão final do terceiro em concreto, assim dependendo de sua interpretação para “criar” uma
(Juiz - Estado ou Árbitro - Privado) irá substituir a querer das norma que regule essa situação, dessa forma fechando essa lacuna
partes, sendo esta inevitável, por fim, criando uma norma criada.
individualizada para as partes; Dualista - Chiovenda
Há uma distinção entre tais assuntos, levando em conta que
cada um possui seu local de atuação.
O Direito Objetivo, preexiste ao processo, com a finalidade O processo é um ato jurídico complexo, ou seja, um
de regrar a vida das pessoas; conjunto de atos pré-ordenados, pré-definidos para a realização de
Já o Direito Processual, apenas declara a lei no caso em um ato final.
concreto, assim não contribuindo para criação de normas. RELAÇÃO JURÍDICA COMPLEXA
Observando que dentro do processo, existem várias
EVOLUÇÃO relações, pode se considerá-lo uma relação jurídica complexa.
Sincretismo, Praxismo, Imanentismo
Nesta época o direito material reinava de forma solitária, APROXIMAÇÃO DO D. PROCESSUAL DO D.
não existindo o âmbito processual. Então, resolviam as violações dos CONSTITUCIONAL
direitos de acordo com suas predefinições e prática; A partir do neoconstitucionalismo, momento qual a CF
adquiriu força normativa no território brasileiro, todas esferas do
Processualismo, Autonomista, Conceitual Direito brasileiro se aproximaram dela.
Foi notado por doutrinadores da época, que havia uma Durante esse movimento, surgiu uma teoria chamada
relação entre as partes e o juiz, diante disso, notou-se a diferença na “Teoria dos Direitos Fundamentais”, com isso, o D. Processual
estrutura das relações processuais e materiais acabou se tornando um ramo que deve buscar proteger e
A partir deste ponto, começaram estudos que visavam implementar os direitos fundamentais presentes na CF, se houver um
sistematizar os procedimentos processuais de forma mais rigorosa; processo que não realize essas funções, esse é nulo.
Instrumentalismo RELAÇÃO D. PROCESSUAL E D. MATERIAL
Esse capítulo da evolução do processo, retrata a sua Ambos os ramos, possuem uma relação circular, onde um
instrumentalização, ocorrida após anos de uma evolução, voltada depende do outro para sua própria existência, sendo o D. Material o
somente ao desenvolvimento de seus conceitos e categorias, que regula as condutas na sociedade e o Processual que regula o
acarretando em uma distanciação da própria realidade, causando um processo, que só ocorre por conta do D. Material, com isso o
aumento de seus custos para ser realizado, o tornando inviável e mantendo em segurança.
negligenciando sua principal função, um instrumento de
pacificação social. RELAÇÃO ENTRE A TEORIA DO DIREITO E O PROCESSO
Após constatar isso, surgiram as ondas de acesso à justiça, Teoria das fontes, é a teoria de quando surgiu o direito
princípio garantidor de acessibilidade da justiça a todos, tendo um processual.
preço acessível e gratuito a quem não pode arcar, rompendo a
barreira financeira que tinha sido imposta anteriormente, entre outras
PRINCÍPIOS
necessidades, como efetividade, tempo razoável de duração etc.
São pontos iniciais, que a partir deles como moldes, criam-se
Há autores que defendem que estamos estagnados nessa
outros princípios e normas, que visam atingir uma finalidade ou
fase até os dias atuais.
estado de coisa.
Neoprocessualismo
Veio junto ao neoconstitucionalismo, movimento que JURISPRUDÊNCIA
trouxe força normativa a Constituição Federal; 28:00 É quando há inúmeras decisões sobre o mesmo assunto, cujo
entendimento por parte dos magistrados é comum, a partir desse
POSIÇÃO TAXIONOMIA posicionamento solidificado, cria-se direito.
A posição enciclopédica é o lugar em que o D. Processual
se encontra dentro do Direito, e o D. Processual pertence ao Direito TÉCNICAS LEGISLATIVAS
Público. Tendo em vista, que todo seu conteúdo é voltado ao Direito São os enunciados normativos ou clausulas gerais, que de
Público, há exemplo a Constituição, possuindo as exceções que são a utilizam uma técnica para fazer leis, onde um texto feito de forma
conciliação e a mediação. Como dito por Sérgio Pinto, “O Direito aberta, abrange tanto uma hipótese fática quanto uma normativa, de
Processual pertence ao Direito Público, pois a maioria das normas é maneira aberta, para assim regulamentar mais situações com um
de Direito Público, como a Constituição, as leis. A exceção diz único texto, além de manter a norma atualizada por um período maior
respeito ao sistema de mediação e conciliação, que pode ser feito por de tempo.
particulares, e à arbitragem (Lei n. 9.307/96), em que o árbitro é
geralmente um particular, escolhido pelas partes para solucionar o HERMENÊUTICA JURÍDICA
conflito. É a ciência da interpretação, ou seja, quando se utiliza a
O Estado, por meio do juiz, vai se pronunciar no sentido de hermenêutica, se faz distinção entre o texto e a norma.
dirimir a controvérsia existente entre o autor e o réu quanto à Texto, nada mais é o que está escrito nos enunciados
pretensão postulada na inicial e resistida na defesa. O Poder normativos. Normas, é o que é extraído do texto, através da
Judiciário é o órgão público que tem competência para analisar essa interpretação.
questão, dando a solução ao litígio, de acordo com pronunciamento Vale ressaltar, que interpretar o texto normativo, (re)cria a
neutro e isento de qualquer interesse de ajudar ou prejudicar norma, partindo do pressuposto, que toda interpretação é criadora de
quaisquer das partes. Por exceção, as partes podem se utilizar da direito, desse modo, todo interprete (re)cria o direito.
mediação ou arbitragem, feita por particulares.”
POSTULADOS
DEFINIÇÃO DE PROCESSO Os postulados são à Proporcionalidade e a Razoabilidade, esses
TEORIA DA NORMA são utilizados para aferir a legalidade e a proporcionalidade do
Processo é considerado um meio de produção de norma, processo.
tendo em vista, que a decisão final dele é dotada de poder, com isso
gerando uma norma ao final. FONTES DO DIREITO PROCESSUAL
PROCESSO → PODER → NORMA PRIMÁRIA
Constituição Federal – art. 22, I, 24, X e XI, CF;
TEORIA DO FATO JURÍDICO Constituições Estaduais – art. 125, §1º CF;
Lei Complementar – art. 69, CF;
Lei Ordinária – art. 47, CF; Atribui uma conclusão a partir do texto em decorrência do
Lei Delegada – art. 68, CF; contexto contado.
Regimento interno dos tribunais (questões internas
corporis – art. 96, I, “a” da CF). Sistemática
Leva em conta o conjunto de texto sobre aquele assunto
(sobre determinada Relação Jurídica);
*Obs. Medida Provisória não é uma fonte primária do direito
processual. A MP é um instrumento normativo do Poder Executivo, Teleológica
que tem força de lei, mas não é uma lei. Ela busca a finalidade social do texto (uma destinação
Social), ex. Regra de vagas (para idosos, cadeirantes);
SECÚNDARIA
Costume; Histórica
Jurisprudência – súmulas; Leva em conta a evolução da matéria ao longo do tempo,
Negócio jurídico → Art.190 do CPC; ex. Decisão liquida (antes ela tinha outras funções) e Direitos
humanos;
Princípios;
Doutrina.
Comparada
Leva em consideração tratados estrangeiros, Leis
APLICAÇÃO DA LEI NO ESPAÇO estrangeiras, ex. Direito Comparado;
Utiliza-se o Princípio da Territorialidade, fundamentado
no CPC e no CPP nos seguintes artigos: Conforme a Constituição
Leva em conta a da lei estar de acordo com a CF.
CPC
Art. 16, CPC: “A jurisdição civil é exercida pelos juízes e QUANTO AOS RESULTADOS
pelos tribunais em todo território nacional, conforme disposições Restritiva
deste Código.” Ela é limitada, não pode se extender (leva em conta o caso
CPP concreto), ex. Art.114, Doação Interpreta-se estritamente. Estou
Art. 1º, CPP: “O processo penal reger-se-á, em todo o doando uma casa, não posso interpretar que os moveis vem junto
território brasileiro, por este Código, ressalvados: com a doação;
I - Os tratados, as convenções e regras de direito internacional;
II - As prerrogativas constitucionais do Presidente da República, dos Extensiva
ministros de Estado, nos crimes conexos com os do Presidente da Amplia o conteúdo, o texto permite ampliação, ex. Motivo
República, e dos ministros do Supremo Tribunal Federal, nos crimes torpe;
de responsabilidade;
III - Os processos da competência da Justiça Militar; Declarativa
IV - Os processos da competência do tribunal especial; Somente o que está no texto;
V - Os processos por crimes de imprensa.
Parágrafo único. Aplicar-se-á, entretanto, este Código aos QUANTO AOS SUJEITOS
processos referidos nos IV e V, quando as leis especiais que os Legal
regulam não dispuserem de modo diverso. A interpretação autêntica é aquela realizada pelo próprio
texto legal, realizada pelo próprio legislador.
APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO
Utiliza-se o Princípio da Aplicação Imediata (tempus regit Judicial
actum), fundamentado no CPC e no CPP nos seguintes artigos: A interpretação judicial é realizada por juízes e tribunais,
que aplicam a lei no caso concreto.
CPC
Art. 1.046, CPC: “Ao entrar em vigor este Código, suas Doutrinária
disposições se aplicarão desde logo aos processos pendentes, ficando A interpretação doutrinária é realizada por juristas,
revogada a Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973. advogados e especialistas do Direito.
CPP
Art. 2º, CPP: “A lei processual penal aplicar-se-á desde
logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da
lei anterior.”
EFICÁCIA
Baseia-se no Princípio da Irretroatividade, que impede que
lei nova modifique: Ato jurídico perfeito, coisa julgada e direito
adquirido. Este princípio se fundamenta nos art.5, XXXVI da CF e
no art.6 da LINDB.
O surgimento de direitos e recursos afeta todo os
processos em andamento, independente da fase que se encontrar.
Podendo assim, mudar totalmente o rumo do processo.
INTERPRETAÇÃO
QUANTO AOS ELEMENTOS
Gramatical ou literal
Interpretarão mais crua muito usado em textos que São
fechado (a última que deve ser usada);
Lógica
PRINCÍPIOS
CONCEITO IGUALDADE
São normas que possuem um fim a ser atingido, um estado Está no art.5, caput da CF, todos são iguais perante a lei.
de coisa a ser alcançado, impondo certos comportamentos. Porém, esse princípio também trata de questões como o acesso a
justiça sem discriminação, a redução de desigualdades processuais
EFICÁCIA (ex. financeira) e entre outras.
A eficácia de um princípio é a maneira como ele atua
sobre as outras normas do ordenamento. ESFERAS
Direta Formal
É utilizado sem uma norma intermediária, ou seja, atua Todos são iguais perante alei, não havendo distinção entre
por si só, ex. Contraditório. as pessoas perante o direito, logo todos recebem o mesmo
tratamento.
Indireta
Necessita de uma norma ou outro princípio, para sua real Processual
aplicação no caso em concreto. Apesar de todos deverem possuir os mesmos direitos, o
Direito deve tratar os desiguais de maneira desigual, na medida de
Subprincípios nada mais é que um princípio auxiliar do sua desigualdade. Exemplos:
principal, ou seja, do princípio que deve ser aplicado no caso em
concreto, ex. Contraditório pode ser um subprincípio do Devido I. Processo Penal;
Processo Legal. Favor Rei, com todo o poder que o Estado possui dentro
Porém, isso não passa de uma técnica de colocação, tendo de uma ação penal, se ele não for capaz de provar e assim não
em vista, que os princípios não possuem pretensão de exclusividade. mostrar efetivamente a justa causa, pela qual o réu deve ser
condenado, ocorrerá o in dubio pro reu. (Arts. 396, 609, 623 do
DEVIDO PROCESSO LEGAL (DIREITO FUNDAMENTAL) CPP)
Previsto no art.5, LIV da CF, tem como objetivo frear e
ir contra a tirania estatal, assim, limitando o poder do Estado. É uma II. Processo Civil;
cláusula geral. As partes estão em paridades de armas, ou seja, possuem o
Deve ser de conhecimento que este princípio não se aplica mesmo poder ou meios de provas. (Arts.7, 72, 139 e 1048 do CPC)
somente aos processos jurisdicionais, mas sim a todos as espécies de
processo, com isso, todo o ordenamento jurídico é afetado por esse CONTRÁDITÓRIO E AMPLA DEFESA
princípio. São princípios diferente, porém ambos estão no art.5, LV
da CF, sendo inerentes a qualquer processo.
ESFERAS
CONTRADITÓRIO
Formal Garante a parte participar do processo, podendo saber o
Dentro da esfera formal do Princípio do Devido Processo que está sendo dito e expor seus pensamentos, posicionamento e
Legal, se encontra o complexo de direitos, levando em consideração, razões, vigorando assim o nemo inauditus damnari potest.
que ao exercer esse princípio, se aplica vários outros que estão
subjugados a este. Dimensões
Princípio esses que são:
I. Formal;
Contraditório; A parte pode participar do processo através de falar no
Ampla Defesa; processo, ouvir e ver o que está sendo dito e ser comunicado e poder
Duração Razoável; contestar. (Arts.7 e 261 do CPC e Art.150 do CPP)
Tratamento Paritário;
Publicidade; II. Substancial;
Proibição de Prova Ilícita; A decisão do juiz é formulada ao decorrer do processo, a
Motivação; partir deste princípio, a parte detém o poder de influenciar a decisão
Juiz Natural; e, do juiz.
Acesso à Justiça. Esse princípio também veda a decisão surpresa, tendo em
vista que o juiz só pode decidir com base no que foi apresentado e
Substantivo discutido pelas partes, ou seja, o magistrado só poderá em levar
Essa camada abrange os postulados que regem esse em consideração na sua decisão o que passou pelo contraditório.
princípio, sendo eles: (Arts.9 e 10 do CPC)
I. Proporcionalidade; AMPLA DEFESA
Utilizado para medir se o meio para alcançar um fim é Meios para alcançar sua defesa, amplitudes das provas que
abusivo ou não; o acusado poderá produzir em seu favor, para comprovar sua
inocência.
II. Razoabilidade;
Aplicado no momento da interpretação do ato normativo, Provas
para verificar se é razoável ou não. O art.155 do CPP, traz alguns tipos de provas, sendo elas:
Cautelares (urgência na realização), Irrepetíveis (risco de
perecimento da prova) e Antecipadas (por alguma razão não podem
ser produzidas no tempo oportuno).
segurança jurídica e um conformismo maior, por conta da segunda
DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA decisão ter sido proferida por membros mais experientes.
Está presente no art.1, III da CF e no art.8 do CPC, é o Dá para se afirmar a existência de uma natureza política
princípio que direciona o direito processual, onde o juiz tem o dever neste princípio, tendo em vista o controle da atividade jurisdicional
de protegê-lo e promovê-lo no âmbito processual. imposto, onde através dos recursos as decisões são revistas e se
Dessa forma, ele possui uma eficácia vertical, para coibir a necessário reformadas por órgãos superiores.
tirania estatal, com isso, falar desse processo também é falar sobre o A remessa necessária está prevista no art.496 do CPC,
devido processo legal. onde em certos assuntos, para as decisões proferidas contra a
Situações que podem servir de exemplos de proteção da Fazenda Pública gozarem de eficácia, é necessário a remessa
dignidade da pessoa humana, podem ser a impenhorabilidade de necessária a segundo grau, para se após a análise feita por órgão
bens de família (Lei nº. 8.009/90) e os bens impenhoráveis (Art.833 hierarquicamente superior, a decisão não for reformada, gozará está
do CPC). de eficácia.
Os Tribunais Especiais também possuem duplo grau de
LEGALIDADE jurisdição, sendo esse chamado de Colégio Recursal.
Se encontra no art.5, II da CF e no art.8 do CPC,
possuindo duas formas. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO
Está presente no art.5, LXXVIII da CF e arts.4, 6 e 139,
FORMAL II do CPC. Buscando atingir o fim e o resultado do processo dentro
O juiz ao conduzir o processo, deve se lembrar das regras de um tempo razoável, para que sua decisão não se torne ineficaz.
que ditam o passo a passo a ordem dos atos processuais, sob pena de
nulidade processual em caso de não cumprimento. CRITÉRIOS
1. Complexidade da Causa;
MATERIAL Devendo ser analisada a complexidade da ação, não sendo
O juiz deve levar em consideração todo o ordenamento plausível uma ação de um cheque dure 4/5 anos no juizado especial,
jurídico, ou seja, levar em consideração não só as leis, mas também entretanto a ação penal do mensalão não só pode como deve se
princípios, precedentes vinculantes, costumes, negócios jurídicos e estender mais do que o comum, tendo em vista sua tamanha
jurisprudência. complexidade.
Levando tudo isso em consideração, o juiz deve decidir de
acordo com o Direito. 2. Estrutura do Órgão Judiciário;
Como exemplo uma comarca com poucos funcionários,
IMPARCIALIDADE que não está estruturada da maneira que deveria, é plausível sua
Garante as partes um julgamento por alguém alheio ao maior demora para resolução das ações por conta da alta demanda
que está sendo apresentado no processo, logo, o juiz não deve do órgão judiciário e a pouca estrutura que se torna incapaz de
possuir interesse no resultado da demanda, com isso tornando o juiz corresponder a altura.
subjetivamente capaz.
As garantias do magistrado estão presentes no art.95, I a 3. Comportamento do Juiz;
III da CF. As vedações estão listadas no p.ú. de art. Deve ser analisado se o juiz realmente fez tudo que se é
supramencionado. necessário para o processo andar.
Há casos em que o juiz pode ser dado como impedido ou
suspenso do processo, por sua imparcialidade ter sido contaminada. 4. Comportamento das Partes;
O impedimento se é mais fácil de ser provado, pois é Há a necessidade de ver se as partes praticam atos
possível ver “pegadas” do juiz no processo, já que em algum procrastinatórios, ou seja, atos que possuem como único objetivo
momento ele participou desse processo. (Art.144, I ao IX do CPC) retardar o andamento do processo.
A hipótese de suspensão é mais difícil de ser provada, pois
não há certeza de sua ligação. (Art.145, I ao IV do CPC) CONSEQUÊNCIAS
Se uma das partes vier a sofrer danos, aplica-se os
art.186 c.c. 927 do CC, todo aquele que causa dano prática ato
JUIZ NATURAL
ilícito e todo aquele que prática um ato ilícito tem o dever de repará-
Está listado no art.5, XXXVII E LIII da CF, ninguém
lo, ou seja, a primeira a consequência é a reparação civil.
pode ser julgado por tribunal de exceção, ou seja, por órgão post
A segunda consequência, de acordo com o art.93, II, “e”
factum, o órgão julgador deve existir previamente a realização do
da CF, é o impedimento de promoção do juiz que reter
fato. Juiz é aquele investido de jurisdição, a qual a sua competência
injustificadamente os autos em seu poder além do prazo legal.
está previamente defina pela.
Pode-se também uma terceira consequência, sendo ela,
nos termos do art.235, §1º do CPC, onde qualquer parte do
DU´LO GRAU DE JURISDIÇÃO processo, pode pedir a substituição do juiz da causa, que
Toda pessoa possui o direito de pelo menos um recurso a injustificadamente exceder os prazos previstos em lei.
ser interposto a decisão judicial. Este está implícito em nosso E a quarta e última consequência, é a expedição de
sistema, não possuindo um art. específico, mas sim enraizado na mandado de segurança para que seja expedida uma ordem, para que
estrutura do nosso sistema dentro do poder judiciário. enfim o juiz decida.
Esse princípio possui fundamentos que o sustentam, sendo
eles a o ser humano não aceita ser contrariado e a falibilidade PUBLICIDADE
humana, tendo em vista que o juiz também é humano e suscetível a
Esta presente nos arts.5, LX e 93, IX da CF, tem como
erro como todos outros.
objetivo impedir a criação de processos ou procedimentos secretos
Quando temos a possibilidade de uma segunda decisão,
vindos do Estado, com isso, garantindo a transparência e regulação
proferida por um órgão hierarquicamente superior, isso faz com que
do poder estatal.
o juiz de primeiro grau se cerque de cuidados para que sua decisão
Este princípio possui duas faces, sendo elas a publicidade
não seja recorrida.
interna (relacionada as partes) e a externa (sociedade).
Entretanto após dada a decisão por um órgão
hierarquicamente superior, as partes terão o sentimento de maior
INTERNA
As partes do processo devem ter ciência sobre tudo que
ocorre no processo, e nunca podendo essa publicidade ser
mitigada/ceifada.
EXTERNA
Está para conhecimento social, ou seja, para aqueles que
não figuram como parte do processo, essa publicidade sim pode ser
mitigada, em casos em que ela ofereça riscos a intimidade das
partes. (art.189 do CPC, art.20 do CPP, Lei nº. 12.850/13 – art.5
e 7 e Lei nº. 9.296/96 – arts.8 e 9)
EFICIÊNCIA
Listado no arts.37, da CF, também conhecido como
economia processual, falar nesse princípio é falar sobre gestão,
gestão essa que sempre busca atingir os melhores resultados com os
menores custos.
Possui duas faces, sendo a primeira a administrativa, que
corresponde ao CNJ, criado para um melhor gestão e administração
do poder judiciário como um todo.
A segunda, é a face processual, voltada ao juiz, que deve
ter uma gestão do processo que busca atingir o resultado mais
satisfatório ao caso em concreto com o menor custo e tempo.
Questões que servem de exemplo¸ se houver 30 processos
que dependem da mesma perícia, o juiz pode optar por fazer uma
única perícia e aplicá-la em todos os processos, ou em caso do juiz
puder dar duas decisões, ele optará pela menos onerosa e eficiente.
Dentro desse princípio, há outro que se chama princípio
da instrumentalidade da forma, que faz com que um ato praticado
equivocado/falho seja validado, desde que atingido sua finalidade.
EFETIVIDADE
Este princípio não se confunde em nada com o de
eficiência, pois aqui não há mais discussão se o direito existe ou
não, aqui o direito já foi conquistado, nesse princípio buscamos a
materialização do direito, ou seja, trazer para realidade um direito
(abstrato) já adquirido. (art.6 do CPC)
BOA-FÉ
SUBJETIVA
Baseada na crença da pessoa, ainda que viole o direito de
alguma forma, essa pessoa acredita estar agindo em conformidade
com o direito, está prevista no art.1.214 do CC.
OBJETIVA
Essa sim é um princípio do processo, que impõe
comportamentos as partes, sendo esses atos cobertos de ética e
honestidade, mas não somente os particulares devem agir de acordo
com a boa-fé, como previsto no art.5 do CPC, todas as partes, isso
inclui o juiz, devem agir de acordo com esse princípio.
Esse princípio é vedado o comportamento contraditório de
qualquer seja a parte que participa do processo, assim vigorando o
nemo potest venire contra factum proprium. (Art.486, §3º do CPC)