UNIVERSIDADE SÃO TOMÁS DE MOÇAMBIQUE
FACULDADE DE CIÊNCIAS ECONÓMICAS E EMPRESÁRIAS
CURSO: GESTÃO FINANCEIRA E BANCÁRIA
DISCIPLINA:
DISCENTE:
DOCENTE
Maputo,
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Indice
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[Link]ção:
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[Link] de Bord
2.1 História
O Tableau de Bord é uma ferramenta de gestão que surgiu na França em 1932. Ele foi
criado porque os relatórios contábeis tradicionais não eram suficientes para ajudar os
gestores a tomar decisões. Seu objetivo era fornecer informações claras e frequentes
para ajudar no acompanhamento e no controle das empresas.
A partir dos anos 1950, essa ferramenta evoluiu, incluindo dados sobre orçamentos e
sendo dividida por departamentos dentro das empresas. No entanto, até os anos 1980, o
Tableau de Bord era basicamente um relatório que comparava os números reais com os
valores planeados, ajudando apenas na correção de problemas.
Segundo o autor Bugalho, apesar de ser útil, o Tableau de Bord tinha algumas
limitações, como:
Focar muito nos dados financeiros, deixando outros aspectos de lado;
Não garantir que os interesses de todos os gestores fossem levados em conta;
Apenas mostrar os resultados sem explicar suas causas;
Basear-se apenas em análises do passado, sem considerar o impacto futuro das
decisões;
Não mostrar a relação entre estratégias, decisões e ações no dia a dia da
empresa.
No final dos anos 1980 e início dos anos 1990, com a globalização e novas ideias sobre
gestão, o Tableau de Bord passou por mudanças importantes. Ele passou a considerar
fatores não financeiros, como a qualidade dos produtos, a satisfação dos clientes e a
inovação. De acordo com Hugues Jordan e outros especialistas, essa ferramenta evoluiu
para:
Ser personalizada de acordo com as necessidades de cada gestor ou
departamento;
Incluir tanto indicadores financeiros quanto não financeiros para avaliar melhor
as decisões;
Ser mais resumida, mas permitindo acessar detalhes quando necessário;
Fornecer informações variadas, como dados reais e previsões futuras;
Relacionar os objetivos dos departamentos com os objetivos gerais da empresa;
Estar sempre disponível e atualizada para ser usada na tomada de decisões.
Com essas mudanças, o Tableau de Bord se tornou uma ferramenta mais eficiente para
acompanhar e comparar a realidade da empresa com o que foi planeado. Ele ajuda a
identificar problemas, fazer diagnósticos e tomar decisões rápidas. No entanto, nem
todos os gestores sabem usar essa ferramenta corretamente, o que pode limitar seu
impacto na gestão da empresa.
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2.1Especificações e Objetivos
2.1.1Definição de Tableau de Bord
Existem múltiplas definições para o modelo, todavia e após a leitura de vários
autores, podemos descrever o Tableau de Bord como uma ferramenta de gestão
que ajuda na tomada de decisões rápidas, ela reúne informações essenciais de
forma clara e objetiva, permitindo que os gestores ajam a curto prazo.
Essa ferramenta deve ser simples e direta, focada em fatores-chave que podem
ser medidos com precisão ou estimados. O objetivo é equilibrar exatidão e
rapidez, comparando os objetivos planeados com os resultados reais e
identificando possíveis desvios. Esses desvios chamam a atenção do gestor, que
pode então analisar a situação e tomar medidas corretivas.
Além disso, o Tableau de Bord deve ser atualizado e analisado com frequência,
idealmente todo mês, para garantir que as informações sejam sempre relevantes
e úteis.
2.1.2Aplicação do modelo
O Tableau de Bord é uma ferramenta que ajuda a controlar e acompanhar os objetivos
da empresa de forma eficiente. Ele funciona em três níveis principais:
Comparação de resultados – Permite acompanhar o desempenho da empresa
ou de um setor específico. Ele destaca os fatores mais importantes e identifica
onde os resultados não saíram como esperado. Para isso, é essencial ter uma
referência que compare o que foi planejado com o que realmente aconteceu.
Facilitação da comunicação – O Tableau de Bord incentiva o diálogo entre
gestores e colaboradores, pois registra os resultados alcançados em comparação
com as metas estabelecidas. Isso garante que todos tenham acesso a informações
claras, coerentes e complementares.
Apoio na tomada de decisões – O diálogo gerado pelo Tableau de Bord
também serve como uma forma de avaliação. Ele permite analisar o desempenho
dos colaboradores e verificar se as ações foram corretas e tomadas no momento
certo. Com isso, fornece informações úteis para decisões mais acertadas.
2.1.3Principais Funções e seus Destinatários
O Tableau de Bord é uma ferramenta de apoio à gestão, não um fim em si mesmo. Ele
é um documento dinâmico que auxilia os gestores na tomada de decisões, apresentando
informações de forma simples, clara e objetiva. Além disso, deve ser motivador tanto
para quem o elabora quanto para quem o utiliza.
Principais funções do Tableau de Bord:
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Reduzir a incerteza – Ajuda a melhorar a percepção dos gestores sobre o
controle da empresa. Com informações mais claras, torna-se mais fácil tomar
decisões de forma segura.
Organizar e estabilizar informações – Como as empresas estão em constante
mudança, os dados podem ser instáveis. O Tableau de Bord filtra e organiza as
informações, facilitando a tomada de decisões.
Ajudar no controle de riscos – Toda decisão envolve riscos. No entanto, um
Tableau de Bord bem estruturado fornece uma visão sólida e confiável, ajudando
a minimizar riscos e evitar erros estratégicos.
Facilitar a comunicação – Sendo utilizado por diferentes equipes, ele incentiva
a troca de ideias e perspectivas. Isso permite que todos cheguem a uma visão
mais global e fundamentem melhor suas decisões.
Estimular a análise e reflexão– Os alertas e relatórios gerados pelo Tableau de
Bord promovem análises mais aprofundadas, permitindo que a empresa aprenda
com as situações e melhore continuamente.
Personalização do Tableau de Bord, cada nível hierárquico da empresa tem
necessidades diferentes, o que exige Tableaux de Bord personalizados para cada gestor.
Para isso, é importante considerar:
O nível de responsabilidade de cada gestor dentro da empresa.
A forma como as funções e decisões são delegadas.
A frequência ideal de atualização do Tableau de Bord, garantindo que as
informações sejam sempre úteis.
A apresentação dos dados, que deve ser o mais simples possível para facilitar a
interpretação.
2.2Concepção e Elaboração do Tableau de Bord
A criação de um Tableau de Bord deve permitir uma visão rápida das atividades e dos
resultados de um setor ou da empresa como um todo. Para isso, ele precisa ser
elaborado de forma ágil, contendo apenas os dados realmente relevantes, mesmo que
estimados, e apresentados de maneira clara e [Link]ém de ser adaptado ao usuário
que vai utilizá-lo, o Tableau de Bord deve garantir que a informação seja:
Clara- Fácil de entender e interpretar.
Comparável- Permitindo analisar a evolução ao longo do tempo e em diferentes
contextos.
Necessária- Evitando excesso de dados que possam dificultar a tomada de
decisão.
Adequada- Focada nas reais necessidades da gestão. Embora os princípios
básicos sejam os mesmos, as metodologias para sua criação podem variar entre
os especialistas. Isso acontece porque o Tableau de Bord deve ser personalizado
para cada usuário.
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2.2.1Metodologia Baseada em Cinco Etapas
Para elaboração de um Tableau de Bord, definem uma metodologia baseada em
cinco etapas obrigatórias, onde os indicadores em si, não são mais que sinais
sobre se está ou não a cumprir os objetivos previamente definidos. As etapas
referidas são:
I. Visão e missão da organização;
II. Definição dos objetivos estratégicos;
III. Determinação de áreas chave de resultado;
IV. Definição de objetivos operacionais;
V. Seleção de indicadores.
[Link] Visão e Missão da Organização
A visão de uma organização representa suas aspirações para o futuro, sem detalhar
como serão alcançadas. As visões mais impactantes são aquelas que inspiram e
motivam a busca por algo maior e melhor. De forma simples, a visão funciona como
uma estrela-guia, orientando todos os membros da empresa, desde a diretoria até os
colaboradores da base.
A missão define o propósito da organização e sua direção para o futuro. Para isso, deve
responder a perguntas como:
Qual é o nosso propósito? Por que existimos?
O que torna nossa organização única ou diferente das demais?
Como será nosso negócio em 3 ou 5 anos?
Quem são, ou deveriam ser, nossos principais clientes ou mercados?
Quais são nossos principais produtos hoje? E quais serão no futuro?
Quais são nossas principais preocupações econômicas?
Quais são nossos valores, aspirações e princípios?
Uma missão bem definida traz vários benefícios:
Orienta a estratégia – Ajuda a definir os limites e direções da empresa.
Estabelece padrões de desempenho – Cria critérios para medir o sucesso da
organização.
Define padrões éticos – Garante que as ações e decisões da equipe estejam
alinhadas com os valores da empresa.
Quando a visão e a missão estão claramente definidas e compreendidas por todos,
fica muito mais fácil estabelecer objetivos e unir os esforços da equipe em busca dos
mesmos resultados.
[Link] Definição dos Objetivos Estratégicos,Áreas-Chave e Objetivos Operacionais
Aformulação da estratégia surge da análise do ambiente externo e das competências
internas da organização. A partir da visão de futuro, são definidos a missão, os objetivos
e a estratégia global da empresa para o médio e longo prazo.
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[Link] Scorecard
3.1História
Antes dos anos 80, os Sistemas de Controle de Gestão (SCG) usavam principalmente
indicadores financeiros, como os sistemas de planeamento e controle orçamentário. A
atenção estava focada em aspectos que podiam ser medidos em dinheiro, como a
redução de custos, e não em variáveis que se tornaram essenciais para competir em uma
economia global e mais competitiva. Isso inclui fatores como a qualidade dos produtos,
o prazo de entrega, o serviço pós-venda, a satisfação dos clientes e colaboradores, entre
outros indicadores não financeiros.
Com o tempo, os SCGs passaram a incluir também indicadores não financeiros. Essa
necessidade de combinar indicadores financeiros e não financeiros levou ao
desenvolvimento do BSC (Balanced Scorecard, ou Quadro de Indicadores
Balanceados).
O principal objetivo do BSC é apresentar um conjunto de indicadores financeiros e não
financeiros de forma clara e organizada, r: os objetivos e estratégias da organização e os
fatores que influenciam o sucesso da organização. O BSC busca equilibrar:
Objetivos de curto e longo prazo: Focar demais no curto prazo pode diminuir o
valor da empresa, pois pode levar os gestores a não investir em atividades que
aumentariam o valor da empresa no longo prazo, mesmo que tragam impactos
negativos nos resultados imediatos. Este é um dos problemas dos sistemas de
controle tradicionais.
Indicadores que medem o progresso em relação aos objetivos e indicadores
que mostram o que precisa ser feito para alcançar esses objetivos.
Indicadores financeiros e não financeiros.
Todos os stakeholders da organização (clientes, fornecedores, acionistas e
credores).
O BSC (Balanced Scorecard) organiza os objetivos, estratégias e fatores de sucesso da
organização em quatro áreas principais:
1. Perspectiva financeira: Como os acionistas veem a empresa?
2. Perspectiva dos clientes: Como os clientes veem a empresa?
[Link] dos processos internos: Onde a empresa precisa melhorar?
4. Perspectiva de aprendizagem e crescimento: Quais habilidades e capacidades a
empresa precisa desenvolver para continuar gerando valor?
Para cada uma dessas áreas, são definidos objetivos, indicadores e ações para alcançar
os objetivos.
O BSC é uma metodologia que equilibra diferentes tipos de indicadores para avaliar o
desempenho de uma organização. Ele combina:
-Indicadores financeiros(exemplo: lucro e faturamento)
-Indicadores operacionais(exemplo: qualidade dos processos e satisfação do cliente)
-Indicadores de curto, médio e longo prazo
Em vez de focar apenas em números financeiros, o BSC analisa várias áreas da
empresa, ajudando a alinhar as ações do dia a dia com a estratégia geral. As principais
vantagens do BSC são:
- Clarificar os objetivos e estratégias da organização.
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- Identificar os fatores que levam ao sucesso.
- Comunicar e conectar objetivos, estratégias e indicadores.
Idealmente, depois de entender os grandes objetivos e estratégias, os membros da
organização devem definir metas e ações locais que ajudem a atingir esses grandes
objetivos. Além disso, o BSC também ajuda no planeamento e definição de metas e
permite, através de feedback e aprendizagem, monitorar e ajustar tanto a implementação
da estratégia quanto a própria estratégia.
Limitações do Balanced Scorecard
Como qualquer modelo, o Balanced Scorecard (BSC) também possui limitações. A
seguir, são apresentadas as principais limitações identificadas na literatura.
Limitação 1
O BSC foca muito na definição de indicadores, mas diz pouco sobre
como esses indicadores devem ser relacionados aos Sistemas de Apoio à Decisão
(SAD). Na prática, a implementação do BSC envolve criar muitos indicadores.
Por exemplo, o banco Wells Fargo Online Financial Services desenvolveu um BSC
com cerca de 25 indicadores. Isso levanta duas questões importantes:
quais indicadores devem estar conectados aos SAD? e qual o peso de cada
indicador?
Limitação 2
O BSC geralmente envolve entre 10 e 20 indicadores que precisam ser maximizados.
No entanto, é difícil ou até impossível maximizar todas essas variáveis ao mesmo
tempo.
Por exemplo, se uma empresa quer aumentar seus lucros e sua participação no mercado,
ela pode enfrentar desafios ao tentar maximizar essas duas variáveis ao mesmo tempo,
pois muitas vezes melhorar uma pode impactar negativamente a outra.
[Link]ção entre Tableau de Bord e Balanced Scorecard
Característica Tableau de Bord Balanced Scorecard
Origem França, início do séc XX EUA, anos 1990
Foco Operacional e de curto prazo Estratégico e de longo prazo
Estrutura Flexível, personalizada Metodologia padronizada
com 4 perspectivas
Indicadores Definidos conform a Alinhamento à estratégia
necessidade da empresa organizacional
Monitoramento e controle Execução e monitoramento
Objetivo gerencial da estratégia
[Link]ísticas de Tableau de Bord e BSC
Essa comparação entre o Tabelau de Bord e o BSC, demonstrando que são duas
ferramentas de gestão complementares, que não substituem a necessidade de
liderança e de equipas devidamente qualificadas. No entanto, o BSC distingue-se
pela ênfase colocada na aprendizagem organizacional e no alinhamento de
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objetivos/referenciais com a estratégia.
Características de Tableau Balanced Scorecard
Personalizado por gestor ou centro de Focaliza a gestão na estratégia da
responsabilidade em função das suas empresa/organização, tendo beneficiado da
necessidades e objetivos específicos. pouca divulgação e adesão do Tableau de
Bord.
Inclui indicadores financeiros e não Traduz a estratégia em objetivos,
financeiros para avaliar o impacto das iniciativas e indicadores.
decisões operacionais (elaboração de
diagnósticos e tomada de decisões no
curto prazo).
Ferramenta sintética (inclui a informação Além da dimensão financeira, considera a
relevante para a tomada de decisões com dimensão de clientes, processos,
possibilidade de desagregação da mesma). aprendizagem e crescimento.
Inclui informação diversificada e Gestão de fatores intangíveis.
possibilita a comparação da realidade com
as previsões, determinando os desvios.
Convergência de objetivos. Promove a comunicação, a participação e o
alinhamento das pessoas, assim como a
atribuição de recursos em função da
estratégia definida.
Instrumento de informação rápida, em Considera as relações de causa-efeito entre
tempo útil, frequente e regular. as distintas perspetivas, garantindo o
feedback, a revisão da estratégia e a
aprendizagem.
Fonte: elaboração própria a partir de Russo (2005, p. 57-58).
Referncias:
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RUSSO, J. Balanced scorecard para PME e pequenas e medias instituições.
Lisboa: Lidel Edições Técnicas, 2009.
RUSSO, João; “Balanced Scorecard para PME”; Lisboa; Lidel – Edições Técnicas; 3ª Edição;
2006
BUGALHO, António Fernando Peliquito; “O Balanced Scorecard nas Empresas de
Construção Civil e Obras Públicas com Actividades no Estrangeiro”; Lisboa; Tese de
Mestrado em Gestão; ISEG – Universidade Técnica de Lisboa
Conclusão:
O Balanced Scorecard não é uma solução única para todas as empresas, mas um modelo
flexível que deve ser adaptado conforme a necessidade de cada organização. Ele ajuda a
transformar a estratégia em ações práticas e aumenta as chances de sucesso no mercado.
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