Histórias do Velho Oeste Americano
Histórias do Velho Oeste Americano
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rumo à costa Oeste, ocorreram conflitos entre os
americanos invasores e os indígenas. Em contraponto, o
país apresentou avanços no campo industrial, na agricultura
e no segmento de comunicações. Para isso, foram
explorados os recursos naturais e humanos das terras
dominadas.
G u e r r a s co m f r a n ce s e s e co m n a t i v o s
Cerco de Fort Detroit durante a rebelião de Pontiac
em 1763
Os colonos no velho oeste frequentemente
conectavam incidentes isolados para indicar conspirações
indígenas para atacálos, mas estes não tinham uma
dimensão diplomática francesa depois de 1763, ou uma
conexão espanhola depois de 1820.
A maioria das fronteiras experimentou numerosos
conflitos. A Guerra FrancoIndígena eclodiu entre a Grã
Bretanha e a França, com os franceses compensando sua
pequena base populacional colonial, alistando partidos de
guerra nativos como aliados. A série de grandes guerras
decorrentes das guerras europeias terminou em uma vitória
completa para os britânicos na Guerra dos Sete Anos em
todo o mundo. No tratado de paz de 1763, a França cedeu
praticamente tudo, pois as terras a oeste do rio Mississippi,
além da Flórida e Nova Orleães, foram para a Espanha.
Caso contrário, as terras a leste do rio Mississippi e o que
hoje é o Canadá foram para a GrãBretanha.
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Pensilvânia, o que hoje é Virgínia Ocidental e áreas do País
de Ohio, Kentucky e Tennessee. Nos assentamentos do sul
através do Cumberland Gap, seu líder mais famoso foi
Daniel Boone. O jovem George Washington promoveu
assentamentos na Virgínia Ocidental em terras concedidas
a ele e seus soldados pelo governo real em pagamento por
seu serviço de guerra na milícia da Virgínia. Assentamentos
a oeste das Montanhas Apalaches foram brevemente
reduzidos pela Proclamação Real de 1763, proibindo o
assentamento nesta área. O Tratado de Fort Stanwix (1768)
reabriu a maioria das terras ocidentais para os colonos se
estabelecerem.
C u r i o s i d a d e s d o ve l h o o e s t e
De fato, muita gente acredita já estar familiarizada
com boa parte desse tema por causa dos filmes, séries e
jogos que supostamente retratam esse período histórico.
Mas, na verdade, existem algumas curiosidades sobre essa
época que são desconhecidas pela maioria das pessoas.
Confira algumas delas:
1. O oeste americano teve um pico de violência
quando os colonos passaram a forçar os nativos americanos
a saírem de suas terras. Isso levou a um colapso na lei e na
ordem, dando origem a uma luta diária em lugar perigoso
para se viver.
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comerciais por um bom tempo, até o dia em que Jesse
James foi morto por Robert Ford, um dos membros da sua
própria gangue.
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geralmente fazia serviços para “gente grande”. Ele matou
pelo menos 14 pessoas, mas alguns registros apontam que
o número pode ter chegado a 50. Ele também era
conhecido como “diácono Jim”, pois não fumava, não
bebia e frequentava a igreja praticamente todas as semanas.
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US$ 250 mil em sua vida.
S a l o o n n o ve l h o o e s t e
Hollywood costuma retratar um grande saloon no
centro da cidade. É uma mentira, mas é uma exigência
dramática, que força o mocinho a se deparar com o vilão.
Em geral, havia uma porção de saloons em cada cidade.
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Eles também não eram grandes, eram estreitos, de
preferência em uma esquina, porque assim a placa era
valorizada.
A primeira e mais óbvia coisa que você notaria seria
a fachada do saloon. Tratavase de uma frente falsa. A
fachada era a de um prédio de dois andares, mas os
saloons só tinham o térreo. Não se sabe por que os saloons
eram construídos assim. Não enganavam ninguém. Havia
janelas falsas no “andar superior” e às vezes construíam até
calhas para o andar inexistente. Era uma mentira
recorrente no Velho Oeste, todos compactuavam.
N ã o h a vi a p o r t a s d e va i vé m .
Do lado de fora, havia um poste onde se podia
amarrar o cavalo. Ao lado, havia sempre um monte de
cocô de cavalo. Não havia saneamento básico no Velho
Oeste. Você sobe na calçada e as famosas portas de vaivém
não estão lá para recebêlo. Elas são um mito. Seriam
totalmente inúteis em um ambiente cheio de poeira e com
a metade do ano fazendo frio. Na verdade, eram pesadas,
tinham dobradiças duplas e dividiam o saloon em dois
ambientes: um rico e outro pobre. O rico, sempre do lado
esquerdo, era onde ficavam as bebidas, o balcão e o
barman. O balcão era entalhado em madeira de lei e
polido à exaustão. Acima dele sempre há um grande
espelho, mantido escrupulosamente limpo, porque vale
muito dinheiro. Tem o comprimento do balcão e é o
símbolo do status do proprietário. Ele permite que as
pessoas sentadas notem qualquer um que se aproxime
delas. Também permite que vejam a figura da mulher nua
na parede onde estão as mesas e cadeiras ambiente
pobre. A postura e as rendas cobrem a parte realmente
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íntima dessa figura. Está lá para excitar o vaqueiro solitário,
que não vê uma mulher há muito tempo.
N e m m u l h e r e s r e s p e i t á ve i s , n e m p r o s t i t u t a s .
Decepção: não existiam prostitutas nos saloons. E
nem mulheres respeitáveis. Mas havia algumas mulheres
que estavam em algum lugar entre o respeitável e o
alugável. Elas falavam com você. Seguravam suas mãos.
Ouviam seus problemas e diziam todas as palavras
reconfortantes que um vaqueiro queria ouvir. Desde que
pague os drinques dela, é claro. Mas os drinques nem eram
drinques de verdade — pareciam uísque, mas eram chá
gelado. Um uísque tão falso quanto as palavras de conforto.
Mas o importante é: não eram prostitutas.
As mulheres eram "mercadoria" rara no Velho Oeste.
Tinham muito valor e sabiam disso. Por que se prostituir
quando se podia ganhar US$10 (mais de US$1.000
atualizado) por semana só conversando? Havia fachada
falsa, uísque falso e afeição falsa. Talvez houvesse um
bordel nas imediações do saloon, mas neles só entravam
quem dispunha de muitos dólares. E aí vem outro mito
construído por Hollywood: o Velho Oeste não era um
lugar de miseráveis. Era um lugar de homens, quase
exclusivamente homens, com muitos dólares no bolso.
Pobreza? Tinha ficado nas grandes cidades do litoral. No
Velho Oeste havia muito ouro e muitas vacas... e rara mão
deobra. Os salários eram o dobro ou o triplo do pago nas
cidades litorâneas.
M u i t a s a r m a s e p o u ca s b r i g a s .
As armas estavam por toda parte no Velho Oeste. Os
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assassinatos eram como na nossa fronteira com o Paraguai:
pelo menos um por dia em cada cidade. Não havia lei, mas
onde não há lei, os costumes são muito fortes. Mas as
mortes raramente ocorriam em um saloon. O costume
ditava que quando ocorriam brigas, tinham de ir até o fim,
até a morte. Também há o estado normal do bêbado. Bem
antes de querer matar, deseja amar a todos, a bebida os
deixa felizes.
M a m ã e z in h a q u e r id a .
Os homens que construíram o Velho Oeste eram
brancos e profundamente racistas. A regra é que só um
negro de cada vez podia entrar no bar. Por lei, estavam
proibidos os indígenas e os chineses. Mas também eram
sentimentais. Na falta do que fazer no saloon, a noite
terminava com cantoria, e o tema principal das músicas era
a mãe. A canção preferida deles se chamava: “O melhor
amigo de um garoto é sua mãezinha”. O segundo lugar nas
paradas de sucesso do Velho Oeste era uma música um
pouco menos sentimental: “Se o oceano fosse de uísque e
eu fosse um pato”. Não havia Uber, mas os cavalos
conheciam o caminho de casa.
W h i s k y n o v e l h o o e s t e e s u a s cu r i o s i d a d e s .
Whiskey é uma abreviação para o significado
verdadeiro dessas duas palavras em gaélico “água da vida.”
O whisky é uma das bebidas mais famosas e
consumidas do mundo, mas, embora exista há séculos,
alguns fatos ainda são desconhecidos e geram várias
dúvidas entre seus apreciadores. Sabendo disso, reunimos
a seguir as principais curiosidades que você sempre quis
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saber sobre o whisky.
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Como dissemos, os imigrantes irlandeses tiveram
forte influência nos Estados Unidos e, por causa disso, o
país se tornou um dos maiores consumidores e produtores
de whisky em todo mundo.
Como grandes apreciadores da bebida, os norte
americanos acabaram por criar a sua própria versão do
whisky, produzida originalmente no estado do Kentucky,
com ao menos 51% de grãos de milho destilados de
maneira específica e diferente da comum. Essa nova versão
é conhecida com bourbon.
Sendo assim, podemos considerar que todo o
bourbon é um whisky, mas nem todo whisky é um
bourbon.
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diferentemente de outras bebidas alcoólicas, quando
acrescentamos um pouco de água ao whisky, seu sabor e
seu aroma são liberados mais rapidamente, ficando ainda
mais potentes. Para isso, é importante acrescentar a
quantidade correta de água: cerca de um quarto da
quantidade de whisky a ser consumida.
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OS PISTOLEIROS MAIS
TEMIDOS DO VELHO OESTE
Os pistoleiros do Velho Oeste inspiraram uma
quantidade enorme de histórias, tanto por suas façanhas
quanto por seus crimes. Embora muitas dessas histórias
pertençam ao mundo da ficção, há algumas que são
pistoleiros mais temidos.
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porque se dizia que só praticava seus crimes contra os
anglosaxões e os ricos. Mas, na verdade, ele era apenas um
assassino que matava qualquer um que conseguisse roubar,
mesmo que fossem algumas moedas ou até mesmo por
diversão.
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Mulheres no Velho
Oeste
“No Velho Oeste, os homens eram vaqueiros ou iam
para o garimpo; muitas mulheres ficaram sozinhas e cabia a
elas defenderem a si próprias.” Além disso, muitas
mulheres que iam para o Oeste queriam escapar de seu
passado, outras fugiam das restrições da sociedade do
Leste.
A CORRIDA DO OURO
Até meados do século 19, apenas um quarto do atual
território dos Estados Unidos, na Costa Leste, havia sido
ocupado. Em 1840, a teoria de que os norteamericanos
tinham o direito divino de colonizar novas terras tornouse
um mote expansionista. A descoberta de ouro em Sutter’s
Mill, no território de Serra Nevada, na Califórnia, deu um
novo impulso ao avanço para o Oeste. Em três anos, mais
de 200 mil pessoas migraram para lá, buscando riquezas.
O Velho Oeste não era tão violento quanto se
imagina. Os cowboys eram mais peões do que pistoleiros e
passavam longas semanas longe de casa. Os rebanhos eram
enormes e a terra árida tornava necessário percorrer
grandes distâncias em busca de pasto e água. De dia na
sela, à noite dormindo sob as estrelas. Se a vida no Oeste
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não tinha tanto glamour, para Martha “Calamity Jane”
(Jane Calamidade) Cannary a dureza era um preço
pequeno a se pagar pela liberdade.
C a la m it y J a n e
Martha viajou para o Oeste com 13 anos,
acompanhada dos pais. Gostava da companhia de cowboys
e caçadores. Perambulou pelo país e imortalizou suas
aventuras em uma autobiografia, A Vida e Aventuras de
Calamity Jane. Sua história foi narrada, já que nunca
aprendeu a ler e escrever. Falava de aventuras,
emboscadas, tiros, lutas contra os índios. Sua lista de
ocupações menos emocionantes incluía os ofícios de
cozinheira e lavadeira. Contase que foi esposa do famoso
Wild Bill Hickok e trabalhou como batedora.
E foi como batedora que ela serviu na campanha do
General Custer em 1872. Nessa época é que ela passou a
se autodenominar Calamity Jane. Depois, trabalhou um
tempo como prostituta e assim conheceu Wild Bill
Hickok, com quem teria se casado e, segundo ela, era o pai
de sua filha Jane, que teria nascido em 1873. A criança
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depois foi adotada. Em 1941 foi encontrado um registro do
casamento de 25 de setembro de 1873, em Benson’s
Landing, Montana, que aparentemente confirma a história.
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ANNIE OAKLEY, A MAIOR ATIRADORA DO
OESTE
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BELLE STARR, A RAINHA DOS BANDIDOS
O WILD BUNCH
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Cassidy e Sundance Kid e se juntou ao grupo. Foi nesse
bando que ela conheceu seu grande amor, o também
ladrão de bancos Ben Kilpatrick.
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PEARL HART, A POLÊMICA FEMINISTA
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20 filmes de faroeste para
assistir
1. Três Homens em Conflito (1966)
Dirigido por: Sergio Leone
Disponível em: Google Play Filmes
Apontado como um dos filmes de faroeste mais
influentes de todos os tempos, este é um longametragem
de spaghetti western, um subgênero com produção italiana
que esteve em voga entre as décadas de 60 e 70.
Com Clint Eastwood, Eli Wallach e Lee Van Cleef
nos papéis principais, o enredo acompanha três pistoleiros
que batalham por um tesouro que foi enterrado durante o
período da Confederação norteamericana.
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autoridades, mesmo estando ferido por uma bala. Pelo
caminho, encontra um homem indígena que o auxilia e se
apresenta como "Ninguém".
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Baseado no romance homônimo de Patrick deWitt,
o enredo de crime e faroeste é passado em 1851. A história
segue o destino dos irmãos Charlie e Eli Sisters, que
ganham a vida como pistoleiros.
Quando são contratados para matar Hermann
Warm, um negociante poderoso, começam a perseguilo
ao longo do deserto. É então que o milionário resolve
propor um negócio aos bandidos e tenta convencêlos a
mudar a rota da sua missão.
6. Amor Fora da Lei (2013)
Dirigido por: David Lowery
Disponível em: Amazon Prime Video
Uma história ao estilo Bonnie e Clyde, célebres
criminosos norteamericanos, o filme de romance policial
tem como cenário o Texas na década de 70.
Os protagonistas, Ruth e Bob, são um casal
apaixonado que comete assaltos e pequenos crimes. No
entanto, seus destinos são alterados quando ele é preso. A
esposa, que descobre que está grávida, promete que irá
esperar pelo seu regresso.
7. Os Imperdoáveis (1992)
Dirigido por: Clint Eastwood
Disponível em: Google Play Filmes
Encarado como um filme essencial para os amantes
do gênero, Unforgiven, no título original, venceu inúmeras
premiações, incluindo o Óscar de Melhor Filme e Melhor
Diretor.
Na narrativa, que procura desconstruir alguns
estereótipos deste estilo cinematográfico, conhecemos
William e Ned, dois pistoleiros que aceitam um último
trabalho. Acompanhados por um jovem bandido, eles
passam a caçar dois homens.
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8. O Dia de Ira (1967)
Dirigido por: Tonino Valerii
A produção italiana e alemã é um verdadeiro clássico
entre os filmes de faroeste e conta a história de Scott, um
adolescente órfão que é maltratado pela população da sua
cidade.
Tudo se altera com a chegada do perigoso Frank
Talby, que surge para cobrar uma dívida naquele local e
resolve iniciar Scott na sua profissão arriscada e violenta.
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vários crimes para sobreviver.
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fazenda isolada no deserto.
Alfred, Tristan e Samuel são três irmãos com
personalidades bastante distintas. Quando o mais novo
encontra uma noiva, Susannah, que se muda para o local,
inicia uma grande rivalidade familiar que pode terminar em
tragédia.
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Dirigido por: John Maclean
A produção britânica e neozelandesa, que marcou o
começo da carreira do diretor, tem como cenário o século
XIX. O protagonista é Jay Cavendish, um jovem com uma
difícil missão: atravessar os Estados Unidos em busca da
mulher que ama.
Durante a jornada, ele conhece Silas Selleck, um
homem irlandês bastante experiente, que passa a ajudálo
nessa aventura repleta de riscos.
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serviços de Rooster Cogburn, um antigo xerife que tem
problemas com o álcool.
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Soraya Brito
(também com pseudônimo de Janaína Brito).
Nascida em 30/04/1982 na cidade de Duque de Caxias/ RJ.
Mora atualmente na cidade de Aracaju / SE. Mãe de Yago
Said e Yoshi Louise. Começou sua trajetória na escrita aos
12 anos sendo sempre incentivada por sua mãe Rocélia, é
estudante de Letras e História, tendo como paixão esse
magnifico universo. Atualmente autora e antologista:
(Livros) Magia das Bruxas, Guerreira Amazona e A
Princesa Cigana. (Contos) Quando o espírito do Natal nos
aquece, Um café para começar, Sedução perigosa poção e
a Maldição do Barba Negra e É Natal ..., Mafiosas
Vingança de uma assassina, Pirim, Pim, Pim. A magia dos
contos de fada. Uma volta no tempo. Vincent e os três
Mosqueteiros. Um brinde de Natal. Um amor de Pet.
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Bela e Fatal
Quando fecho meus olhos posso sentir bem
claramente o vento sob minha pele. Os campos verdes da
Irlanda me fascinavam. A vida simples de criadores de
cabras não era o suficiente para nos alimentar, com toda
certeza não conseguiríamos sobreviver ao longo inverno,
alguns de nossos vizinhos haviam partido para a América
atrás de novas oportunidades.
Mesmo com 12 anos de idade eu me lembrava de
cada detalhe.
Vendemos os poucos bens que possuíamos e
compramos as passagens de navio. Ao embarcarmos a
viagem não foi exatamente um sonho, os porões dos navios
eram escuros e úmidos, o cheiro forte do mofo e a
presença constante dos ratos a nossa volta. O único jeito
era se acostumar. Enquanto dormíamos minha mãe
chorava escondida, ela se fazia de forte na nossa frente,
meu irmãozinho não entendia a gravidade da situação e eu
me sentia na obrigação de protegêlo.
Depois de um mês no mar finalmente
desembarcamos em solo Americano, uma terra estranha,
pessoas nada amistosas. Os rostos sujos e infelizes daquelas
pessoas só demonstrava frustração e sofrimento. Quando
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subimos numa carroça para a cidade percebemos que
nossos poucos pertences haviam sido roubados. Não eram
exatamente coisas valiosas mas nos faria falta. Graças a
inteligência do meu pai, as poucas moedas que tínhamos
eram divididas entre nós quatro, cada um escondia suas
moedas dentro do sapato, tínhamos que economizar.
Comíamos uma vez por dia até nossos pais encontrar
emprego — eu e meu irmão ficávamos trancados num
quarto minúsculo atrás de estabulo, o cheiro de urina e
fezes dos cavalos fazia arder nossas narinas mas nos
mantínhamos sempre calados e conformados. Apenas
tínhamos fé, como bons católicos, de que dias melhores
viriam.
O tempo passava, eu e meu irmão já éramos mais
velhos. Como não gostávamos de ficar de braços cruzados,
encontramos um emprego na cozinha do humilde hotel da
cidade, como lavadores de pratos. Pelo menos era um
ambiente respeitável e me deixava fora do radar dos
olhares maliciosos dos cafetões. A vida de uma prostituta
não era exatamente uma vida, muitas acabavam mortas
pela doença ou estranguladas em algum beco. Muitas delas
eram enterradas como indigentes e os seus assassinos saiam
impunes. Era injusto, mas numa terra sem lei nada é justo.
Imersa e envolvida em meus pensamentos eu temia
por minha própria segurança. O primeiro passo era
aprender a me defender, meus pais jamais concordariam
com a minha atitude, eles preferiam fechar os olhos e não
tomar partido com toda a violência, era o inferno na terra.
Não havia um dia em que eu não sentisse saudade dos
campos floridos da minha amada Irlanda.
Sempre fui uma pessoa calada e fechada, mas muito
observadora e as armas de fogo me fascinavam. Sugerir
tocar em uma, para minha família, era um verdadeiro
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sacrilégio. Com o meu próprio dinheiro comprei uma
arma e quando tinha um tempo livre, sumia para poder
aprender a atirar. Eu a escondia embaixo da pia numa
tabua solta.
Meu turno no hotel não era alternado, eu não
retornava para casa à noite, para não correr o risco de ser
atacada por coiotes e lobos. O que eu não esperava era que
enquanto eu lavava os pratos o cozinheiro me agarrasse
pelas costas — as suas intenções eram sujas. Mordi com
toda a minha força fazendo o braço dele sangrar. Ao ver o
sangue ele me arremessou contra a parede — o barulho
pode ser ouvido no salão — fazendo a dona do hotel correr
até a cozinha. Minha última lembrança antes de desmaiar,
era dela falando que tudo ficaria bem. Minha atitude
consequentemente me causaria graves dores de cabeça.
Quando despertei estava deitada num banco duro no
canto da cozinha, a única coisa que havia sob minha cabeça
era um pano velho molhado. O sol havia raiado no
horizonte e a dona havia me dispensado, me permitindo ir
para casa. Até eu chegar em casa, caminhava meia hora de
relógio, enquanto eu me aproximava do nosso pequeno e
modesto casebre — fruto do nosso trabalho suado —,
naquela manhã, achei estranho pois tudo estava quieto
demais. Meu irmão sempre me esperava e, quando por
fim, abri a porta a visão do horror penetrou em meus olhos
me fazendo cair no chão. Meu consciente e subconsciente
não conseguiam acreditar na monstruosidade cometida:
meu pai, minha mãe e meu irmão haviam sido
assassinados, suas gargantas haviam sido cortadas enquanto
eles dormiam. Eles nem tiveram a chance de se defender.
O único vestígio deixado na cena do crime era a maldita
faca — o desgraçado havia deixado o seu recado. Não pude
conter minhas lágrimas, mas meu corpo ainda era fraco,
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então lembrei das palavras do meu pai: “Seja racional e
nunca aja por impulso.”
A despedida nunca é fácil. Cobri seus cadáveres com
os lençóis e comecei a fazer uma pequena trouxa com
alguns pertences e o pouco dinheiro que possuíamos. Este
ficava escondido no pé solto da cama dos meus pais, era
pouco mas me levaria para bem longe do Texas. Um dia
eu retornaria e teria a minha vingança — aquele era o pior
dia de toda a minha vida. Espalhei um pouco de querosene
pelo casebre e ateei fogo, não prolonguei meu sofrimento e
não olhei para trás. Eu agora estava por minha própria
conta e risco.
Esse não era o futuro que eu imaginava.
Depareime sozinha e uma parte de mim havia
morrido junto com a minha família, nunca mais seria a
mesma. Caminhei pela estrada sozinha e desorientada, eu
nem mesmo havia percebido a carroça se aproximar e o
velho senhor perguntar:
— Quer uma carona, mocinha? – ele me perguntou.
— Obrigada. – Não recusei a carona.
O senhor não me fez nenhum tipo de pergunta, mas
eu estava preparada. Se ele tentasse algo, o mataria.
Todos os valores que julguei importante não existiam
mais, meu único objetivo era me vingar. Depois de descer
daquela carroça parecia que os anos não haviam se
passado.
Meus pais não se orgulhariam de me ver bêbada e
tentava constantemente me curar das feridas do passado,
que não haviam cicatrizado. As lembranças daquele
fatídico dia sempre me assombravam, me fazendo ter
sérios ataques de fúria. Minha aparência de moça frágil e
ingênua me rendia uma boa grana, virei uma especialista
em assaltos.
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Mas uma vida de fora da lei é instável. Cartazes de
“procurado” estavam espalhados por todos os cantos. Meu
crime: assalto a bancos e assassinato. Nunca imaginei que a
história da minha vida fosse um verdadeiro fracasso.
Das poucas vezes que rezei pedi perdão aos meus
pais.
Dez anos haviam se passado e meu coração sentia
que era hora de retornar ao Texas. Minha mentora, Jane
Calamidade, me ensinou a superar qualquer tipo de
situação, então, apenas subi em minha montaria. Não era
nenhuma novidade enfrentar os perigos existentes pela
estrada, o maior deles era de ser capturada pelos indígenas
e ser escalpelada. Era compreensível que eles tivessem um
ódio mortal de gente branca.
O mais prudente da minha parte era me manter na
defensiva e alerta. Nesse ramo a gente aprende a atirar
primeiro e a perguntar depois. Não pode haver piedade no
coração de uma pistoleira. Na primeira noite de viagem
juntei os gravetos e fiz uma fogueira para me aquecer e
afastar os coiotes. Não consegui dormir naquela noite, pois
só pensava nas várias formas de trucidar aquele verme. A
noite se passou tão rápido que eu nem mesma me dei
conta de que o sol nascia no horizonte. Desde que perdi
meus entes queridos me senti várias vezes deslocada no
mundo, minhas reflexões eram sempre voltadas aos meus
pais, de como eles sempre tentavam nos manter bem longe
das preocupações e nos deixava aproveitar a inocência da
infância.
Naquela manhã enquanto cavalgava, presenciei um
ataque de uma diligência e nela havia uma mãe com uma
menininha. O que me revoltou foi a covardia dos
malfeitores, passei por eles e ao ver meu revólver na
cintura não ousaram falar nada, pensei rápido e mas na
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frente desci do cavalo e retornei a pé, mirei minha pistola
na cabeça daquele infeliz que segurava a menininha com
violência. Com um deles abatido no chão os outros dois
haviam se escondido do lado da carroça. Eles tentavam ver
de onde vinha o tiro, até um deles gritar:
— Vou cortar a garganta dessa vadia. — O bandido
não tinha nada a perder.
Me movi bem lentamente e surpreendi um deles na
parte de trás carroça. Fui rápida e silenciosa com a faca
cortando a garganta dele. Mas foi triste ver que a
menininha presenciava toda aquela situação. Levei o dedo
indicador até os meus lábios e pedi silêncio. O objetivo era
resgatar a pobre mulher com vida, já que o miserável a
fazia de escudo.
— Patético! Seja homem só uma vez em sua vida!
Tem mesmo medo de uma pobre moça frágil? – Eu sabia
me fazer de vítima como ninguém.
A inteligência não era exatamente uma das virtudes
dele. Não vendo nenhuma utilidade em sua vítima ele a
jogou no chão, vindo para cima de mim feito um touro
bravo para me atacar. As suas intenções estavam bem
nítidas em suas expressões faciais. Não me movi nenhum
centímetro e deixei ele pensar que poderia me dominar.
Quando por fim ele se aproximou, me esquivei e o
apunhalei várias vezes nas costas. Pensei que ele cairia de
imediato, mas ele se virou e me olhou fixamente nos olhos.
Ele tentava falar mas da sua boca só escorria sangue, ele
não esperava morrer daquela maneira. Uma cena triste
mas o remorso não fazia parte de mim. Minha boa ação
havia sido feita, mesmo sabendo que minha alma estava
condenada ao inferno. Com as duas bem assustadas a fiz
subirem em um cavalo e as deixaria em segurança na
próxima cidade — as duas se mantiveram caladas durante
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toda a viagem. O silencio não me incomodava, muito pelo
contrário, me ajudava a raciocinar com total clareza. Tanta
loucura e várias mortes levava muitos homens a perderem
a sanidade. Chegamos a cidade umas 16;00 horas da tarde
— deduzi pela posição do sol — desci do meu cavalo que se
encontrava sedento de água. Ajudeias a descer do cavalo,
até a senhora falar:
— Obrigada por salvar nossas vidas. – Ela era sincera
em suas palavras comigo.
— Não me agradeça, agora vocês estão por sua
própria conta. – Dei meu adeus, segurando no meu
chapéu.
Passar a noite numa cidade estranha nunca era fácil
por conta dos assaltos. Era muito mais seguro dormir ao ar
livre com as cobras e os coiotes — pelo menos os animais
atacam para se defender.
Preferi passar a noite no saloon, precisava me manter
vigilante em todos e não cairia na bebedeira como era do
meu costume. Não era tola para revelar minha fraqueza.
Sem que eu desse a mínima importância os cowboys
iniciavam uma briga no saloon por causa de um jogo de
cartas, observei tudo no canto de cabeça baixa mas com a
mão sempre na pistola. Caso fosse afrontada, minha
tolerância a imbecis sempre foi zero, aquela noite em
particular estava sendo um verdadeiro tédio. Quando
pensei que teria uma colher de chá, um cowboy se
aproximou e disse:
— E ai, gracinha! – ele foi bem debochado.
— Não estou para conversa. – Levantei meu olhar em
sua direção.
O cansaço me deixava bem irritada e meus olhos se
encontravam bem vermelhos pela falta de sono.
— Não se faça de difícil; Você é como qualquer outra
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vadia. – Ele foi bem rude.
Tentei me manter invisível, mas era inevitável. A
insolência dele havia me tirado do sério.
— Tem minha atenção, seu porco. O que vai fazer
agora? — Me levantei e ficamos frente a frente.
— A vadia tem culhões. – Ele ria enquanto zombava
de mim.
Canalizei minha paciência, apenas aguardei que ele
baixasse a guardar e se virasse. Aprendi a jogar o mesmo
jogo hostil e trapaceiro, como mulher eu não ganharia de
um homem com o dobro do meu tamanho seria o meu
fim, apenas confiei na minha velha amiga gravidade já que
ele mal se mantinha em pé por causa da bebedeira. Sem
que ele percebesse peguei uma garrafa na mesa e o golpeei
na cabeça, deixandoo meio tonto, em seguida lhe dei uma
rasteira. Todos que se encontravam ali riam dele, por estar
apanhando de uma mulher, não prolonguei aquela situação
apenas dei um tiro na cabeça do infeliz. Depois do
acontecido não se ouvia mas nenhuma risada, o dono do
saloon mesmo assustado falou:
— Dona, acho melhor se retirar. – Essas foram as
palavras dele para mim.
Não tive outra opção, sai dali e subi no meu cavalo,
segui a estrada com uma lamparina, que iluminava meu
caminho — melhor na estrada do que ser linchada, não era
uma forma honrosa de morrer. O que eu desejava era ter
um boa noite de sono, não era a minha primeira vez que
eu espreitava na noite, enquanto cavalgava minha
consciência me torturava, eu só desejava acabar com a
minha dor, quando dei por mim os lindos raios de sol
saiam por trás das montanhas do Texas. O tom do céu
alaranjado contrastava bem com toda aquela aridez,
finalmente eu estava em solo texano. Os portões do meu
48
inferno pessoal estavam próximo, eu revivia o dia em que
chegávamos nesse lugar maldito.
Minha entrada na cidade despertava curiosidade nas
pessoas que me olhavam e cochichavam, o hotel não
existia mais, o local havia se transformado em um saloon,
bem conveniente já que os quartos eram alugados para as
meretrizes trabalharem. Desci da minha montaria com as
pernas anestesiada e segui até o saloon, meu corpo
precisava de descanso, dei graças aos céus, ninguém havia
me reconhecido, o que me dava uma ligeira vantagem.
Com a minha chegada na cidade os espiões do Jhonny
pistola o haviam comunicado, eu só estava ali para
conseguir um quarto, o barman não me tratou com
cortesia, ele me tratou como uma meretriz, o que me fez ir
para traz do balcão e lhe dar uma boa surra. Com o velho
caído no chão eu disse:
— A sua falta de educação te levou a essa situação. –
Eu justificava minha ação.
Peguei uma chave embaixo do balcão e deixei o
dinheiro, dei a volta no balcão e subi as escadas para o
quarto, ao abrir a porta, olhei tudo a minha volta, era um
habito, sempre procurar uma rota de fuga se algo desse
errado. Entrei e coloquei uma cadeira na maçaneta da
porta, tirei minhas botas, coloquei no canto, arrumei a
cama com travesseiros e cobri com os lençóis e na cabeça,
coloquei meu chapéu, por mais que eu tentasse a desgraça
sempre me perseguia, meu vacilo teria consequência, não
era nenhuma novidade para mim. Forrei um cobertor
embaixo da cama e esperaria, dificilmente minha intuição
falhava, com o cansaço não me importei com os gemidos e
gritos que vinham do quarto ao lado, com alguns minutos
de sossego tirei um bom cochilo, quando despertei, dois
homens haviam arrombado a porta do meu quarto, eles
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atiravam nos travesseiros em cima da cama. Esperei eles
esvaziarem o tambor de suas armas, atirei em suas pernas,
fazendoos cair no chão e atirei em suas cabeças.
— Que droga, tinha que deixar um furo de bala no
meu chapéu. – Eu limpava meu chapéu com carinho.
Me retirei dali, desci as escadas e como se nada
tivesse acontecido, todos que se encontravam no saloon
não esperava me ver linda e plena. Alguns homens até se
engasgavam com a bebida. Meu estilo nunca foi de me
esconder como uma covarde, me sentei no bar, logo seria
manhã eu aguardaria ansiosa uma boa caneca de café,
enquanto eu bocejava um homem que eu não conhecia
entrou no saloon, a metade dos homens que se
encontravam ali, saíram correndo, sendo prestativo o
barman perguntou:
— O de sempre, senhor Jhonny. – falou ele
enchendo o copo com o whisky.
Não direcionei meu olhar para ele em nenhum
momento, com minha cabeça baixa eu podia ver suas
botas.
— É verdade que tem uma forasteira na cidade? –
Jhonny fez sua pergunta ao barman.
— Sim, ela está bem do seu lado, senhor. – Ele
correu para trás do balcão.
— Quer mesmo entrar em briga de cachorro grande,
moça? – Essas foram essas palavras que o Jhonny me
direcionou.
A intimidação dele foi bem clara e a afronta dele
fazia meu sangue ferver, então falei:
— Não me importo com a sua maldita cidade,
senhor, irei logo embora. – Não mencionaria minhas
intenções para ele.
Aquele homem me observava com luxuria e de certa
50
forma, me deixava bem desconfortável.
— Uma bela mulher como você não deveria estar
nesse mundo sozinha. – Ele foi malicioso.
Jhonny pistola era um homem bem atraente mas não
fazia o meu tipo, as outras mulheres disputavam entre si
para obter a atenção dele, meu coração era um território
seco e incapaz de amar. Mas se precisasse eu usaria meu
corpo para conseguir meu objetivo, mesmo estando lado a
lado, não éramos de conversar.
— Uma mulher sóbria essa hora da manhã é um
verdadeiro milagre. – Jhonny pistola zombava de mim.
— Nem todos são alcoólatras, senhor. – Me
justifiquei, bebendo meu café.
— Você é bem corajosa. Matou dois dos meus
homens, cobra caninana. – Ele comentava com desdém.
O bandido mandava e desmandava, todos que ali
viviam acatava suas ordens, se ele quisesse me matar já teria
feito.
— Se pretender ficar na cidade espero que trabalhe
para mim. – Ele me oferecia trabalho, enquanto bebia.
— Bem tentadora a sua oferta, mas não estou
procurando trabalho. – Fui cautelosa para não o ofender. –
Desejo uma informação sobre uma pessoa da cidade.
— Quem você procura? – consegui a atenção dele.
— Procuro um homem que trabalhava na cozinha do
hotel, um gordo repulsivo. – Eu o descrevi como eu me
lembrava.
— O que eu ganho se eu lhe der tal informação? –
Ele batia o dedo na lateral do copo.
— O que o senhor deseja? – Perguntei sem nenhuma
delonga.
— Se tal informação for preciosa, você terá que fazer
um trabalho para mim antes. – O sorriso dele era de
51
provocação para mim.
Cada fibra do corpo dele, anunciava uma sentença
de morte, o preço teria que ser pago, para não inflamar o
ego machista dele, me coloquei no meu devido lugar
temporariamente.
— Quem devo matar? – falei sem receio.
Quando minhas palavras foram mencionadas, não o
deixou surpreso, ele sabia que eu não era apenas um rosto
bonito, percebi que era uma prova de vida, então ele disse:
— O indivíduo que eu quero morto é o meu irmão, o
nome dele é James “mão de visgo”, alguns homens foram
enviados, mas não tiveram sucesso. – Ele esperava que eu
fracassasse.
Não mencionei nada, mas nunca duvide do poder de
persuasão de uma mulher.
O Jhonny me escreveu num papel as coordenadas de
onde o seu irmão se encontrava. Aquela família de
assassinos era bem problemática, a rivalidade entre
território e dinheiro, o que ambos não possuíam era
coragem de se matarem. Me levantei e sai do saloon,
coloquei os dois dedos na boca e assoviei chamando meu
cavalo, subi na sela e cavalguei duas horas, até chegar numa
cidadezinha, onde era o ponto de encontro de assassinos e
ladrões. Desci da minha montaria cumprimentei a todos
com um leve toque do meu chapéu, os dois revolveres em
minha cintura deixava bem claro que eu não era uma boa
menina. Todos os meus planos eram meticulosamente
estudados, naquela noite eu precisava impressionar, as
mulheres daquele ambiente não era exatamente um poço
de boa saúde. Fiz um acordo com o dono do saloon para
trabalhar ali por uma noite, sai dali para comprar um belo
vestido, me banhei em água de rosas, me maquiei, coisa
que eu nunca havia feito, soltei os meus cabelos, que
52
pareciam uma bela cascata de ouro, quando me olhei no
espelho eu nem mesmo me reconhecia e esperava que o
disfarce desse certo.
A hora D havia chegado, respirei fundo e entrei no
saloon, completamente deslumbrante, os homens que se
encontravam ali eram repulsivos e não conseguiam manter
sua luxuria dentro das calças. Todos me pagavam uma
bebida, mas não ousavam me tocar, já que a preferência
era do James, momentos de sexo eu considerava pavoroso
e infeliz, ninguém chegava perto do James sem ser
revistado, não encontraram nada, o James foi um
cavalheiro, puxou uma cadeira para me sentar, riamos e
bebíamos, o entorpece o máximo que pude. O levei para o
quarto e o deitei na cama, subi em cima dele, fiz um
carinho nele e ao segura o pescoço dele com minhas mãos
quebrei o pescoço do James, minha missão havia sido
cumprida. Tirei aquela maldita anágua, abri a janela do
quarto e pulei em cima do feno, assoviei para o meu
cavalo, aquele animal era mais fiel a mim do que qualquer
homem.
Todos só notariam a morte do James pela manhã e
eu estaria bem longe dali a viagem de volta havia sido bem
tranquila, usei a estrada alternativa dos comerciantes,
depois daquela noite minha cabeça estaria a prêmio.
Cheguei no saloon e mandei o barman comunicar ao
Jhonny do meu retorno, eu não me encontrava
devidamente apresentável, me sentia ridícula com aquelas
roupas de mulherzinha. Peguei a chave de um quarto,
enquanto eu trocava de roupa, ouvi as batidas na minha
porta, não respondi, com as pontas dos pés corri para trás
da porta, com a arma nas mãos, a maçaneta girou, o
homem entrou e eu só vi o chapéu e disse:
— Parado aí, se não quiser os seus miolos espalhados
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pelo chão. – falei com o revolver na cabeça dele.
— Calma mulher sou eu: o Jhonny. – disse ele com a
guarda baixa.
Baixei minha arma e o fiz sentar com ato de boafé.
— O James está morto e o senhor me deve minha
informação. – Eu só queria minha resposta.
— Garota você provou o seu valor, palavra é palavra,
seis anos atrás o Bulk, o cozinheiro era um maldito
estuprador e estripador de crianças, a cidade não aguentava
mais aquele desgraçado, então eu mesmo o enforquei. —
Me falava me olhando nos olhos.
A linguagem corporal dele parecia sincera, o
desgraçado estava morto finalmente, a justiça divina havia
sido feita, com o Jhonny pistola no meu quarto, peguei o
meu cantil, o abri e bebi um gole do velho e bom Whisky
e o ofereci ao meu convidado e disse:
— Obrigada pela informação e me desculpe. — Me
senti leve.
Alguns minutos depois o Jhonny começava a
espumar pela boca, eu sempre colocava um pouco de
veneno na bebida, meu corpo já era imune aos efeitos, mas
para os estranhos era morte certa.
— Sua desgraçada, filha de uma cadela. — Falava com
dificuldade.
— Como dizem uma vez cobra, sempre cobra. —
Falei para ele enquanto ele se contorcia de dor,
Com ambos os rivais mortos, a cidade poderia voltar
a ter uma nova chance de ser um lugar melhor para
aqueles que ali viviam, minha decisão foi de retornar para
minha amada Irlanda.
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55
Carlos Koelho
Tem por passatempo a escrita. Tem dez títulos
publicados pela editora UICLAP, e outros em andamento,
sendo eles: “As Belas & Os Lambretas (três volumes), “O
Segredo do Casarão Amarelo”, Querido Cupido”, “O
Detetive Adamo Sumbane – O Crime do Hotel Astúrias”,
“Anastásia”, “Romance à Moda Italiana”, “Pequenas
Histórias & Pequenas Histórias Assustadoras” e “Um
Romance Para Papai”. Lidera o projeto “Alunos
Escritores”, com três livros publicados.
56
NAT STORM
A cidade de Sherman estava enlutada. James Logan,
o quarto xerife eleito da cidade, acabava de ser sepultado.
Um balaço no coração havia tirado a vida do homem da
lei, e o responsável por sua morte havia sido o pesadelo de
todo o Texas: o criminoso Johnny H. Huston, ou, como
era vulgarmente conhecido, Johnny Pistola.
O fato se deu no Saloon San Antônio, onde o
famigerado Johnny Pistola, já tomado pelo uísque, havia
atirado várias vezes contra a estante de bebidas, o que era
motivo das gargalhadas de seus dois companheiros, Louis
Breaking Bones e Gavin Sad Face.
Assim o xerife Logan ouvindo a algazarra que vinha
do San Antônio resolveu intervir, dando voz de prisão ao
desordeiro.
Johnny Pistola, que estava sentado em uma das
mesas de pôquer, pareceu não notar a presença do xerife,
despejando o copo cheio de uísque garganta abaixo.
Depois se voltou para um de seus companheiros, em tom
de deboche, perguntando:
— Ouviu alguma coisa sobre eu estar preso ou coisa
assim?
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Breaking Bones apenas sorriu, mostrando uma fileira
de dentes podres.
— Sim, ouviu alguma coisa assim!
— Levantese, Johnny, não tenho o dia todo! —
retrucou o xerife, que mantinha a mão pousada sobre o
cabo do Colt.
— Bem, então só me resta me entregar, não é
mesmo? Ou…
O Xerife Logan mal tivera tempo de tirar o revólver
do coldre, já recebendo um balaço da arma fumegante de
Johnny Pistola, caindo sobre uma das mesas.
O medo já se espalhava em Sherman, uma vez que,
ninguém se aventurava a se candidatar à vaga deixada por
James Logan. Quase ninguém, senão os mais próximos ao
falecido, compareceram em seu enterro, tal era o estado de
ânimo dos cidadãos da cidade.
Como, até aquele momento, Sherman havia se
tornado uma cidade sem lei, sem qualquer perspectiva para
interromper a vida de crimes de Johnny Pistola e de seus
cúmplices, o próprio criminoso se declarou xerife da
cidade, nomeando seus dois companheiros como
auxiliares.
Assim, os desmandos de Johnny Pistola, agora com
uma estrela de xerife pendurada no colete, haviam se
multiplicado. As extorsões, prisões e enforcamentos se
tornaram parte da rotina da cidade. Os cidadãos,
aterrorizados, preferiam se manter em suas casas,
trancafiados.
Assim, cansados daquela situação, alguns
representantes da cidade se reuniram na igreja. Lá era o
unico lugar onde os bandidos não pisavam senão para
extorquir o pastor, o único com quem Johnny evitava
qualquer confronto, já que acreditava que matar religiosos
58
podia lhe trazer azar. O que não significava que não os
podia extorquir e ameaçar.
O Sr. Smith tomou lugar no púlpito para presidir a
reunião, enquanto um voluntário ficava vigiando na torre
da igreja sendo incumbido de avisar em caso de avistar
Johnny Pistola e seus homens.
— Precisamos contratar um pistoleiro! — sugeriu ele.
— Tal situação já se estendeu muito, e não podemos ser
reféns desse verme para sempre!
— Acha que alguém aceitaria? — disse o Sr. Miller,
que contorcia as mãos devido o nervosismo. — Pelo menos
três xerifes mortos por Johnny Pistola eram pistoleiros no
passado, e não tiveram a menor chance.
— Talvez fosse preciso contratar vários! Ou alguém
capaz de liderar uma força tarefa.
Houve um burburinho dos presentes.
— Não vamos arriscar nossas peles contra assassinos
cruéis! — declarou o amedrontado Sr. Wilson. — Posso
contribuir com meu dinheiro suado para contratar quantos
pistoleiros forem preciso para parar Johnny Pistola, mas
não pegarei em armas para combatêlo!
Diante de uma discussão que se iniciou nos bancos
da igreja, o Pastor Brent tomou a palavra.
— Estou decepcionado com vocês! Um bando de
covardes que não se dispõe em defender suas famílias!
Vocês são uma vergonha!
— Fala isso porque Johnny Pistola não costuma matar
religiosos! — defendeuse o Sr. Wilson.
— Falo isso por ser pastor dessa comunidade! Minha
missão é a de levar os homens ao TodoPoderoso, mas
estou disposto a arriscar minha vida para varrer o mal de
nossa cidade!
— Acalmemse, cavalheiros! — disse o Sr. Smith,
59
batendo com o punho no púlpito, a fim de chamar a
atenção dos presentes. — Ficarmos aqui discutindo não nos
levará a nada! Precisamos decidir o que faremos, ou vamos
nos tornar reféns de um bandoleiro para o resto de nossas
vidas!
Um dos presentes, o Sr. Jonathan Owens, levantou a
mão.
— Conheço um homem que poderia nos ajudar! —
disse ele, que passou a ser o centro das atenções de todos.
— Então, desembucha logo! — disse o Sr. Jones, com
impaciência.
— Na verdade, ele chegará na diligência de amanhã.
Virá para comprar minhas terras.
O Sr. Jones o encarou, com desdém.
— Um rancheiro? Quer dizer que um rancheiro será
uma solução para nossos problemas?
— Não é um rancheiro qualquer, é Nathan Walton,
um xerife aposentado de Dodge City!
— Xerife aposentado? Em que um xerife aposentado
poderá nos ajudar? Nos aconselhando a trancarmos nossas
casas e nos escondermos debaixo da cama?
— Não seja tolo, Sr. Jones! Nathan Walton é uma
lenda em Dodge City!
— Uma lenda! Uma lenda! Deus do céu, estamos
perdendo nosso tempo!
— Deixe seu pessimismo em outro lugar, Sr. Jones. —
Interrompeu o pastor Brent. — Conheço o Sr. Walton
pessoalmente, e posso garantir que, se alguém pode
enfrentar Johnny Pistola é esse homem! Porém, tenho
dúvidas se ele queira se envolver nisso.
— Nesse caso, poderia falar com ele? — disse o Sr.
Smith. — Podemos formar uma comissão para recebêlo
amanhã.
60
***
61
desanimados, enquanto entrava no hotel.
***
62
— Temos um engraçadinho aqui! — disse ele, se
dirigindo aos dois capangas. Depois, ficou sério, se
dirigindo a Nathan.
— Sou xerife nesta cidade, e é minha obrigação avisar
aos forasteiros que, caso infrinjam as leis, se verão com a
justiça!
— Bem, agora que me informou, posso voltar ao meu
jogo?
Por alguma razão, a firmeza com que aquele homem
de quase dois metros de altura falava, acabaram por deixar
o bandoleiro ressabiado.
— Venham, rapazes, vamos voltar para nossa mesa!
Afastaramse, enquanto Nathan, que já tinha o Colt
preparado para uma emergência, na altura da barriga,
voltou a pegar as cartas.
***
63
um corte em seu supercílio, que começou a sangrar muito.
A sessão de espancamento continuou, até que
Breaking Bones lembrou ao companheiro que Johnny
Pistola não queria que matassem o reverendo, pois queria
apenas mandar um aviso aos rebeldes.
— Eu, por mim, metia um balaço nesse velho! — disse
Gavin Sad Face, desferindo um último chute nas costelas
do pároco, que soltou um gemido, desmaiando em
seguida.
Antes de deixarem a casa, quebraram parte dos
móveis, louças e objetos que o reverendo Brent guardava
como recordação de sua falecida esposa.
Na cidade, a notícia do estado grave do reverendo
William Brent já chegava ao hotel onde Nathan Walton
havia se hospedado. O exxerife havia sido informado por
um dos hóspedes.
Nathan, então, decidiu fazer uma visita ao pároco,
que havia sido levado para uma pensão nas proximidades
de Sherman, pertencente à viúva Stone.
Cavalgou durante meia hora, chegando a um
pequeno vilarejo, logo localizando a pensão Stone, que
tinha uma placa pendurada logo na entrada.
Bateu à porta, onde uma mulher de pouco mais de
cinquenta anos abriu parcialmente a porta, portando uma
espingarda de dois canos, que apontou para Nathan.
— Pode abaixar a espingarda, madame! Meu nome é
Nathan Walton, amigo do reverendo Brent. Vim visitálo.
A viúva, então, abaixou a arma, abrindo a porta para
dar passagem ao homem, que tirou o chapéu.
— O deixaram em um estado lastimável! — disse ela,
enquanto colocava a arma em um suporte sobre a lareira.
— Não se preocupe, madame, quem fez isso não
ficará impune.
64
— Tenho certeza de que foi o demônio do Johnny
Pistola e seus comparsas. O reverendo chegou aqui
desmaiado, e não está falando coisa com coisa, por delirar,
mas tenho certeza de que falou o nome de Sad Face.
Porém, apagou antes que eu confirmasse.
— Johnny Pistola tem certa superstição de não matar
religiosos, madame. Porém, não sei se seus companheiros
seriam capazes disso.
— Talvez ache que isso impedirá que vá para o
inferno, o hipócrita! — disse a mulher, apanhando uma
lamparina e pedindo para Nathan a seguir.
O pároco estava em uma cama, e transpirava muito,
enquanto delirava devido à febre.
— Tenho tentado baixar a febre com compressas,
mas ainda não cedeu. O Dr. Foster virá vêlo mais tarde.
Nathan, então, se aproximou do referendo,
sussurrando em seu ouvido:
— Sou eu, reverendo, Nathan Walton. Pode me dizer
quem fez isso com você?
O pároco resmungou algo, porém só Nathan só
compreendeu a palavra “dente”.
— Dente… o que ele quis dizer com isso? —
perguntou a mulher, trocando a compressa da testa do
reverendo.
— Não tenho a menor ideia, mas pretendo descobrir.
Voltou para a cidade, indo diretamente para o
Saloon. Estranhou que, ao invés das pessoas que
costumavam frequentar o local, só estava o dono do
saloon, Johnny Pistola e seus dois companheiros.
— O saloon está fechado, forasteiro! — disse Breaking
Bones, colocando a mão no peito de Nathan.
— Gosta de sua mão? — disse Nathan, o encarando.
— Por que pergunta? — respondeu Breaking Bones,
65
rindo.
— Porque pretendo quebrála se não a retirar agora
mesmo.
Breaking Bones, em um acesso de raiva, quis pegar
Nathan pelo colarinho, mas este lhe torceu o braço, o
atirando sobre uma mesa. Depois, antes que Johnny Pistola
sacasse o Colt, já apontava sua Remmington para o
bandido, que desistiu do saque.
— Somos três, forasteiro! Vai atirar nos três ao
mesmo tempo?
Ao dizer isso, Sad Face levou a mão ao cabo do Colt,
mas recebeu um balaço no peito, caindo sem vida.
— Bem, agora são só dois. Ou seja, um e meio, pois
o outro está com algum problema na mão, e acho que,
pelo menos no momento, não poderá usála.
— Sou o xerife dessa cidade, e acabou de matar um
de meus ajudantes! Será enforcado por isso!
Nathan não respondeu. Aproximouse do corpo de
Sad Face, retirando de seu pescoço um colar indígena com
alguns dentes humanos.
— Retire a estrela do peito, Johnny, ou eu a
arrancarei com um tiro!
Johnny, que geralmente tinha o sanguefrio, agora
tremia, pois sabia que o adversário que tinha à frente não
era um homem comum, pelo modo com o qual manejava
a arma.
— O que cogita fazer… seja qual for o seu maldito
nome…
— Nathan Walton é o meu nome. Mas, também,
pode me chamar pelo antigo: Nat Storm.
Ao ouvir aquele nome, Johnny entendeu que, o
homem que apontava a arma em sua direção, significava o
seu fim. Seus olhos esbugalhados denunciavam o pavor
66
que estava sentindo.
Nathan colocou a arma no coldre, o encarando.
— Vou te dar duas escolhas, Johnny Pistola: a forca
ou um duelo. Você morrerá de uma forma ou de outra.
Não permitirei que um rato como você conviva com as
pessoas decentes dessa cidade.
Johnny o encarou. Sabia que não o poderia encarar
de igual para igual. Porém, tinha uma chance. Trapacearia.
Aceiraria o duelo, e quando Nathan se virasse para sair do
saloon, atiraria em suas costas.
— Duelarei com você! — disse Johnny, se levantando
lentamente de onde estava sentado.
Nathan se voltou a Breaking Bones, que se contorcia
com a dor violenta de sua mão moída.
— É melhor você não sair daqui até terminarmos, ou
irei encontrálo e meterei uma bala em sua testa.
Afastouse até a porta, dando passagem para Johnny
Pistola, que contava com um vacilo de Nathan, mas ele já
foi advertindo:
— Não pense que sou louco de te dar as costas,
Johnny! Você vai na frente.
— Está certo disso, Nat Storm? — disse ele, enquanto
se posicionava para o duelo.
— Eu estava disposto em não me meter. Mas, seus
ratos tiveram o azar de mexer com um velho amigo.
— O pastor?
— Quase o mataram, Johnny! Espancaram meu
amigo, arrebentaram suas pernas e quebraram sua casa. O
dente que seu capanga trazia ao pescoço me deu a certeza
de que você foi o mandante.
— Todos sabem que eu jamais matei ou mandei
matar um religioso, Nat. Não eu!
— Os pais pagam pelos pecados dos filhos, Johnny!
67
Você pagará! A sua herança, Johnny, será o inferno, e te
darei a passagem para lá entrar.
Johnny Pistola, que já estava posicionado,
desabotoou o cinto, jogandoo ao chão.
— Mudei de ideia, Nat, quero ser enforcado. Um
julgamento justo.
Então, Nathan se aproximou de seu cavalo para
pegar uma corda. Amarraria Johnny e seu capanga e os
levaria até a cadeia.
Porém, percebeu que Johnny Pistola tinha uma
Derringer, que tentava apanhar em um dos punhos, a qual
apontou.
O tiro, por sorte, apenas lhe raspou o braço direito,
o que não impediu o revide, pois, rapidamente, Nathan
sacou o revólver, atirando no coração de Johnny, que caiu,
fulminado.
No dia seguinte, com a chegada do Juiz Williamson,
Louis Breaking Bones foi enforcado, e a cidade de
Sherman voltou a sua paz relativa.
Uma comissão de cidadãos tentou fazer de Nathan
Walton o novo xerife de Sherman, mas ele se voltou ao
reverendo Brent, que já se recuperava do espancamento.
— Me aposentei! Agora sou apenas um simples
rancheiro!
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69
Pricila Coelho
Amante dos livros e do cinema, buscando na escrita
o conhecimento do mundo e da mente das pessoas, em
evolução a cada ano, sempre superando meus próprios
limites, autora do livro " As crônicas de entre nós O anjo " e
participante em diversas coletâneas e antologias, buscando
nas minhas viagens por pessoas que precisam ser
eternizadas em páginas.
70
Yuri o andante
Diziam que lá ninguém entrava e ninguém se atrevia
a mandar, pois ele o fora da lei mais perigoso do qual já
andou por aquelas bandas. Mandava e dominava tudo.
Eu não tinha medo de nada nem de ninguém, mas
confesso que ele colocava medo até mesmo em mim.
Os últimos xerifes tinham sido mortos por ele e seus
capangas. O ano era 1865 e o Texas estava em pânico por
causa de Jhonny Pistola. Não que ele fosse exatamente
cruel, mas era inteligente e rápido no gatilho — sua
habilidade era inquestionável.
Eu também era habilidoso, mas tinha mais uma
versatilidade em enganar as pessoas para fazer o que eu
queria que elas fizessem. Estava fora da cidade quando ele
chegou, e quando voltei o estrago já estava feito.
Eu era um charlatão, era sim, mas a vida me ensinou
desse jeito. Vez ou outra escutava comentários de que eu
poderia acabar com Jhonny, mas eu não faria isso a troco
de nada.
Não costumava cobrar caro pelos meus serviços, mas
em um caso assim era outro esquema. Eu precisaria
brincar com ele e estudar bem o caso, estava escovando
meu cavalo e conversando com um grande amigo.
71
Sem certezas de como prosseguir, e do que faria para
acabar com Jhonny, meu amigo sugeriu que eu me fizesse
de amigo dele, seu fiel companheiro, mas fiquei pensativo.
Acho que ele não precisava de um amigo assim, ele tinha
seu bando que obedeciam às suas ordens e às vezes
serviam de isca para outros combates que ele não estava
com vontade de participar.
Eu precisava me aproximar aos poucos, ele tinha um
ponto fraco que ninguém sabia qual era, mas eu
descobriria. Todos têm seus pontos fracos, então, comecei
a planejar uma abordagem em um bar onde apenas
homens frequentavam. As brigas eram frequentes e a
bebedeira praticamente sem fim.
O sol estava escaldante lá fora, quando passei pela
porta não chamei a atenção. Todos estavam em sua
própria essência: jogando cartas, dados, ou somente
disputando uma queda de braço enquanto gargalhavam.
Em uma mesa mais afastada estava ele: o temido Jhonny
Pistola, junto de seus homens. Eles olhavam para todos no
bar fazendo suas coisas, mas não estavam incomodando
ninguém, não até serem incomodados.
Decidi que o observaria a partir daquele instante, e,
então, todos os dias no mesmo horário eu ia para o bar e
ficava observando disfarçadamente. Em alguns dias eu o
seguia até o lugar que ele ficava. A estalagem era boa e
tinha moças bonitas oferecendo seus serviços — ele tinha
ao seu lado uma diferente a cada dia.
Mas não acontecia nada de que pudesse tirar
proveito. Fiquei por dias observando até que algo chamou
minha atenção: ele sabia que eu o observava pois por
diversas vezes vi que ele me olhava de volta, até mesmo me
convidava com o olhar a me juntar a ele. Ele queria dizer
algo ou estava me desafiando?
72
Ele não era do tipo de homem que faz isso. Se
quisesse mesmo um embate comigo ele já teria me
desafiado sem pensar muito, mas eu não tinha certeza do
que estava acontecendo.
Duas semanas depois, por algum motivo, ele não
apareceu no bar por três dias, todos já estavam
comentando que algo deveria ter acontecido, ou que ele
tinha ido embora para atazanar outro lugar. Ou até mesmo
que alguém tinha o matado. Mas ele voltou como se nada
tivesse acontecido, deixando a todos sem palavras.
Enquanto ia se aproximando do local onde eu estava
sentado — ele não foi para mesa de sempre e se sentou ao
meu lado, me encarando, e já sendo servido de cerveja em
uma caneca grande trazida diretamente pelo dono do bar,
ele fazia questão de ser servido pelo dono.
Depois de entornar a caneca ele me olhou nos olhos
e eu não desviei o olhar como todos costumavam fazer, ele
achou isso uma afronta e já colocou a mão em seu revólver
me convocando para um duelo, eu sorri e entornei minha
bebida também. Mas sem pressa, passando com clareza
que eu tinha tempo e que ele poderia beber mais. Um
grande duelo não servia de nada sem uma grande plateia
para prestigiar. Alguns homens já nos rodeavam enquanto
eu e Jhonny apenas nos encarávamos.
Falatórios sobre Yuri, o andante, vulgo eu, já faziam
barulhos nos meus ouvidos, apostas começariam logo mais.
Eu era conhecido literalmente por andar por muitos
lugares, eu gostava de ficar um tempo aqui outro ali, mas
gostava muito daquela região então sempre acabava
voltando.
A seca era vasta e o local não era fértil, mas eu me
virava bem, e tinha o que precisava Os cactos e a poeira
faziam da região um lugar perfeito para gravar filmes de
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diretores excêntricos e atores famosos, embora eles não
interagissem muito conosco sempre nos cruzávamos.
Apesar do sol lá fora, nada era mais quente do que
nossos nervos, combinamos na frente de todos o nosso
duelo, não tinha muita coisa mais para falar, os outros
homens ali já se encarregaram de espalhar a notícia pela
cidade, mas eu ainda sentia que tinha algo para se
descobrir sobre ele, e eu continuaria investigando até o
último momento.
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vezes intencionalmente, para que ele pulasse e dançasse.
Ele estava apavorado, e visivelmente todos perceberam que
eu estava me dando bem.
Quando Jhonny percebeu já era tarde demais para
ele retomar a pose de durão que demonstrava.
E assim expulsei para sempre Jhonny daquelas terras,
se ele conseguiu ser ou não ator eu não sei, mas ele saiu da
cidade com o riso de todos, isso sim foi um grande feito, e
foi muito satisfatório.
Como paga pelo meu serviço fui nomeado como o
benfeitor da cidade e me ofereceram até mesmo o cargo de
novo xerife, mas eu ainda era um andante então de
momento recusei, mas disse que a cidade sempre podia
contar comigo para qualquer coisa.
Então festejamos até o amanhecer, a cidade estava
em paz e livre de um aproveitador, que de malvado não
tinha nada, mas soube muito bem como aproveitar a
oportunidade enquanto teve.
Mas nunca se sabe o que se espera de um novo
morador, ou até mesmo de um andante, até logo, Yuri, o
andante.
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Mércia Souza
Nasci no interior do ES, aos 12 anos me apaixonei
pela leitura e escrita, quando li meu primeiro livro.
Autora dos livros Iacina e Uma pérola na lama.
Atualmente com meus três filhos em Cachoeiro de
ItapemirimES.
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A queda de Jhonny
Pistola
Em 1865 a cidade do Texas protagonizava seu
período mais sombrio da história, seus moradores e alguns
imigrantes que deixaram suas terras vivenciaram um terror.
Jhonny Pistola, um fora da lei violento, assustava a todos.
Quem se atrevesse a olhálo era castigado, se ousasse
desafiálo? Forca.
O medo assolava a cidade. Os xerifes, todos mortos,
numa terra triste, sem lei, conduzida pelos desmandos de
Jhonny Pistola. O único bar da cidade vivia lotado por
arruaceiros fora da lei que às vezes pagavam a conta no fim
da noite, mas se decidissem ir embora sem pagar, ao
coitado do proprietário só restava engolir quieto.
Naquela tarde quente, o bar estava lotado: homens
sujos, não se importavam com a aparência, machos bravos,
com seus coldres na cintura pesando pelas armas, facas na
bainha da bota, carregados com armas por todo o corpo.
Bebiam, se encaravam, batiam com o copo na mesa
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pedindo mais uma rodada, enquanto o dono e o seu
ajudante os serviam cautelosos e cabisbaixos, evitando uma
daquelas confusões que resultavam com o estabelecimento
todo quebrado e trocas de tiros, na maioria das vezes com
alguns corpos pelo chão.
Naquela tarde quente de sábado a confusão começou
do lado de fora, na rua. Em meio a poeira que subia a
gritaria aumentava, as pessoas corriam de um lado a outro
buscando esconderijo, amedrontadas. Dois cavalos a
galope atravessaram a rua parando em pontos opostos, de
um lado o assustador Jhonny Pistola, do outro um
forasteiro desconhecido.
Acostumados com o terror causado pelo famoso
pistoleiro, os moradores já haviam desaparecidos
completamente deixando a rua vazia, os famigerados fora
da lei que bebiam no bar, saíram prontos para um novo
duelo ou um enforcamento. De um lado o forasteiro, um
estranho, trazia apenas uma arma na cintura, de pé e
confiante, já havia saltado do cavalo, e com olhar fico
encarava seu inimigo, a mão direita pronta para sacar sua
arma. Jhonny Pistola, bravo, o encarava como a um animal
para o abate. O dono do bar, temendo mais uma
quebradeira e algumas mortes, tentou se aproximar. O
padre, vendo o restinho de coragem do homem, ciente de
que todos os xerifes da cidade estavam mortos e que não
havia ninguém por eles naquela terra sem lei, se arriscou a
negociar a paz, mas desistiu logo que os olhos de Jhonny
Pistola se viraram em sua direção. O forasteiro
desconhecido, vendo os dois homens assustados e
inocente, gritou:
— Farei a ti um desafio: se eu vencer ninguém morre
hoje e a cidade terá uma trégua, uma noite segura.
Confiante na sua vitória, Jhonny Pistola aceitou ouvir
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o desafio.
— Fale! Gritou
— Você tem várias armas e eu tenho apenas uma. A
cada arma que você sacar, vou atirar nelas, derrubando
todas, até não restar nenhuma. Se eu vencer, se você não
conseguir atirar em mim, teremos uma trégua.
Conhecido por sua agilidade de sacar sua pistola
Jhonny aceitou o desafio. Os homens loucos por sangue,
por mais uma morte, começaram a gritar.
— Dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três,
dois… Bang! Bang! — Jhonny Pistola sacou duas armas
antes da contagem se encerrar, recebendo imediatamente
um tiro em cada uma delas. Vendoas caindo com a
pressão do tiro certeiro, sacou outra e outra, e uma a uma,
foi ao chão. Envergonhado se dirigiu ao bar, após perder
pela primeira vez um duelo e ainda sair vivo, não tinha
humilhação maior para um fora da lei, como ele. Os
homens se entreolhavam curiosos. O forasteiro não era
exatamente um fora da lei, era educado, tranquilo, mas
tinham tanto medo de que ninguém se arriscava a fazer
nenhum comentário.
O dono do bar percebeu algo estranho no olhar de
Jhonny Pistola, curioso e cuidadoso, afinal não queria
acabar com uma corda no pescoço, perguntou:
— O que levou vocês dois ao duelo? — Todos
silenciaram curiosos à espera da resposta. O forasteiro
olhou a todos, encarou seu inimigo, esperando de Jhonny
Pistola, que, envergonhado, tomava sua cerveja com a
mesma cara de mau costumeira. Uma resposta que não
veio.
— Também não sei. Nos conhecemos há três anos
em um bar num pequeno povoado, bebemos juntos e nos
tornamos amigos até um dia ele começou uma briga, e
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desde então vem me perseguindo até hoje. Quando nos
encontramos, enquanto ele batia em um coitado, um
agricultor sem uma semente para plantar, não pude
permitir tão violência e acabamos aqui.
O forasteiro virou toda a cerveja em uma única
golada, os homens continuavam em silêncio, enquanto o
forasteiro desaparecia porta afora, a vista de todos. Os
homens se entreolhavam curiosos e em silêncio, até que
um bêbado disse:
— É, está pegando fogo no faroeste. — E foi assim
que a fofoca de que o homem mais bravo e violento do
Texas estava apaixonado por um homem, se espalhou pela
cidade, desmoralizandoo, afinal, ele se deixou vencer por
uma pistola, uma paixão, não teve coragem de atirar no
homem, menos ainda de assumir seu amor. Sem coragem
para matálo, acabaram seus dias como qualquer outro
mortal indefeso, morrendo dia a dia, assassinado aos
poucos pela saudade e arrependimento.
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Apollo Souza
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DUELO AO MEIODIA
A ferrovia chegou trazendo consigo os novos ares do
progresso, em pouco tempo nosso pequeno condado já
estava repleto de engenhocas movidas a vapor, carroças. Já
não usavam mais os arreios dos cavalos, em vez disso um
pequeno motor de combustão interna queimava fazendo a
carruagem se mover três vezes mais rápido que os cavalos,
e isso acelerou o crescimento. Além da própria grande
máquina vaporenta que cruza todo o condado sobre os
trilhos, trazendo consigo novos moradores.
Este avanço tornou possível a chegada das grandes
fábricas que usavam da mão de obra local para produzir
cada vez mais engenhocas, tornandoas indispensáveis em
nossas vidas. Em pouco tempo as casas rústicas eram
abocanhadas pelas grandes edificações, que se misturavam
ao tilintar das esporas, o bater das botas e os arreios dos
cavalos.
Nossa vida era um tanto pacata, o Roy Bean Saloon
era o mais famoso ponto de encontro da cidade e ali o juiz
Roy recebia a todos os viajantes com uma bela caneca de
chope. Aquele era um lugar de diversão e sempre havia
música e dançarinas bailando no palco central com suas
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roupas extravagantes. Vez ou outra uma pequena briga
esquentava os ânimos por causa de apostas não pagas ou
por causa de homens bêbados que começavam a causar
problemas por não aceitarem a negativa de alguma moça.
Nesses casos eu era chamado para apaziguar as coisas.
Como xerife do lugar é minha responsabilidade zelar pela
ordem e pelos bons costumes.
Sempre fui respeitado por todos, o que facilitava
muito o meu trabalho, e para casos como estes, uma noite
na cadeia faria o responsável pela baderna esfriar a cabeça.
Volta e meia lá estava eu visitando a estação de trem
para escoltar algum figurão especialista em protótipos
extensores de força, alguma outra engenhoca ou
implementar um novo invento. Na maioria das vezes eram
contratados pelos senhores de escravos para implantar ou
ajustar algum membro realçador em seus escravos o que
permitiu mais renda ao proprietário. Tais ferramentas
dobravam e até quintuplicavam o valor do escravo na hora
da venda, pois prometiam diminuir os custos e aumentar o
lucro. Muitas das vezes os membros eram simplesmente
arrancados e no lugar eram implantadas peças definitivas.
Estes eram conhecidos como boots e se concentravam
entre a ferrovia e as fazendas, levando e trazendo as
grandes cargas para seus senhores.
Além disso era comum o uso de tais peças para
homens e mulheres cujo teor do trabalho havia lhe
causado a perda dos membros ou causado danos
irreparáveis. A cidade acabou se dividindo e alguns ainda
se mantinham fiéis aos velhos costumes, havia aqueles que
eram a favor das peças definitivas e outros eram a favor das
peças moveis.
O avanço e a modernidade agora faziam parte de
nossas vidas, muitos homens e mulheres faziam uso de
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partes mecânicas para lhes auxiliar no trabalho pesado. O
uso de encaixes biônicos de aumento de força era cada vez
mais comum entre os trabalhadores braçais. Com eles a
força de um homem dobrava de tamanho o que cortava
pela metade os custos com mão de obra para as lavouras e
a manutenção com os trilhos da ferrovia.
A modernidade trouxe consigo os temores de uma
guerra contra a escravidão — escravidão esta que ainda
mantinha nossa economia de pé, nossas lavouras e gado.
A máquina a vapor tinha um horário rígido: as nove
horas da manhã seu apito anunciava a parada obrigatória e
a chegada de novas encomendas. Trabalhadores
aguardavam prontos para descarregar os vagões com
mantimentos, postagens e utensílios vindos da coroa e
carregálos novamente com as provisões de nossa
província. Homens, mulheres e crianças corriam de um
lado para outro realizando todos os tipos de tarefas na
esperança de levar para casa alguma coisa que caísse das
provisões ou com sorte algum vintém, fruto de seu trabalho
no fim do dia.
Andei pela estação de trem indo em direção ao
balcão de passagens, lá o jovem McCoy sorriu ao me ver
chegar.
— Bom dia, Xerife Wyatt! — saudoume ele,
revirando alguns pacotes.
— Bom dia, Rudolph, alguma coisa pra mim?
— Aqui, senhor — disse ele, entregandome um
pacote com um emblema do condado vizinho.
Rasguei ali mesmo o envelope e as notícias não eram
das melhores. Ali havia um cartaz de procurado com o
desenho de Jhony Pistola impresso, e os dizeres:
procurado – vivo ou morto – recompensa US$150.000.00.
Uma carta acompanhava o cartaz nos avisando da onda de
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crismes cometidos pelo bando do Jhony.
A recomendação era de que nosso condado se
preparasse, pois o bandido havia fugido com seu bando e
tomado o caminho da ferrovia e logo estariam na cidade
para uma nova onda de assaltos em massa.
— Algum problema? — perguntoume Rudolph.
— Por favor preciso que anuncie nesse seu trambolho
tecnológico uma reunião de emergência para daqui duas
horas no Saloon da cidade, depois feche tudo e vá para
casa. Busque suas armas e retorne ao saloon.
— O que aconteceu, Xerife?
— Apenas faça o que eu digo!
Rudolph dirigiuse a parte de trás da cabine e ligou
uma espécie de caixa, girando uma pequena manivela que
acionou uma pequena lâmpada no topo da máquina. A
geringonça iniciou um chiado estático e o homem puxouo
para si encostando a boca no cano de entrada, conectado a
caixa, e assim iniciou a transmissão.
“Atenção, atenção! Iniciando transmissão: o xerife
Kane solicita a presença de todos logo mais no Roy Bean
Saloon para comunicado importante! Fim de transmissão.
O estranho aparelho estava conectado por canos
metálicos que interligavam outras caixas, igualmente
espalhadas por toda a cidade em locais estratégicos, sendo
eles: o Saloon do Roy, a delegacia, o banco, o complexo de
fábricas e o posto médico. Assim as informações relevantes
seriam repassadas de forma.
Despedime agradecendo o homem, sai da estação,
montei em meu cavalo e disparei em direção a delegacia,
precisava pegar minha espingarda e o velho revólver, para
só então parar no Saloon.
Ao entrar no Saloon o velho Roy me deu um aceno
de cabeça. Todos os presentes me observavam caminhar
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em direção ao bar. Tirando o chapéu dei uma olhada em
volta antes de pedir uma caneca gelada de chope, que
rapidamente me foi servida.
— Aconteceu alguma coisa, Xerife? — perguntou Roy,
ao perceber minha expressão.
— Pendure isto em um local que todos possam ver! —
disse, entregando a ele o cartaz que veio no malote.
Roy observou o cartaz dirigindose a área de avisos
pregouo na parede e em seguida os poucos homens no
lugar levantaramse e foram conferir folheto.
Não demorou muito para que todos eles estivessem
ao meu lado me enchendo de perguntas sobre o homem e
se nossa cidade estava em perigo. Confirmei e pedi que
todos mantivessem a calma, pois precisaria da ajuda do
maior número de pessoas possível. Como previsto todos os
homens ali se ofereceram para ajudar no que fosse preciso.
Solicitei que se armassem com qualquer coisa e estivessem
prontos para o que viria a seguir.
A notícia havia se espalhado e pouco tempo depois o
Saloon estava abarrotado de gente esperando pelo meu
pronunciamento. Mesmo aqueles que moravam mais
afastados, para além da estação de trem compareceram,
todos estavam armados e com seus realçadores de força.
— Esta manhã recebi um postal do condado vizinho e
as notícias não são das melhores. Um alerta foi emitido: o
bando do temido Jhony Pistola vem saqueando os
condados do norte. A mensagem informou um ataque ao
condado vizinho e que nossa cidade é a próxima parada do
bando do Jhony.
— O que faremos, Xerife? — perguntou um dos
fazendeiros.
— Eu pretendo estar preparado para qualquer
eventualidade. Antes mesmo desta reunião começar alguns
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homens já se ofereceram para ajudar no embate que esta
por vir. — Apontei para os homens armados a frente do
grupo. — Patrulharemos as fronteiras em grupos de três ou
quatro homens. Usaremos o sinal de ondas da estação para
enviar um sinal de alerta.
— O senhor quer que enfrentemos Jhony pistola e
seu bando?
— Quero que todos estejam preparados para o caso
de invadirem o nosso condado. A prioridade é retirar
mulheres, crianças, idosos e os doentes da linha de frente.
Precisamos pensar em uma rota segura antes de qualquer
outra coisa. Formaremos trincheiras nos limites da cidade.
— E depois? — questionou alguém no meio da
multidão.
— Tenho ordens de prender esses homens e leválos
diretamente a corte para que sejam severamente punidos
por seus crimes contra vossa majestade.
— O que vai acontecer conosco se este homem
conseguir entrar no condado?
— Precisarei de homens defendendo a cidade e foi
por isso que convoquei esta reunião. Sei que temos
desavenças políticas mas isso está a cima de qualquer outra
coisa e preciso da ajuda de todos.
Passei o olhar por todo o Saloon e percebi que o
medo tomava conta de todos, mas havia neles certa
coragem para lutar. Era disso que eu precisava, pessoas
dispostas a proteger o nosso lar. Nós não tínhamos muito
tempo até que o bando de Jhony Pistola estivesse nas
redondezas e precisávamos agir o quanto antes.
— Médicos, engenheiros, construtores e qualquer um
que entenda das peças mecânicas que possam nos ajudar
com os novos aparatos, preciso que vocês construam
alguma coisa que nos ajude a proteger este lugar. Armas e
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munição em massa seriam de grande ajuda.
— As fábricas têm todo esse material, Xerife! —
informou um dos homens. — Os senhores podem se
encaminhar para lá, em alguns minutos podemos trazer
tudo até aqui.
— Ótimo! Levem as carroças a vapor e tragam tudo
para cá, o Saloon será nosso ponto de apoio. Depressa,
não temos muito tempo!
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tomando a rota para as minas de carvão e lá deveriam ficar
até receberem uma mensagem para que pudessem voltar a
salvo.
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“Acredito que seja o cabeça desta operação, não é
mesmo, Xerife? Eu sou o maior pistoleiro que o mundo já
viu. Jhony Pistola é o meu nome.”
“O que você e seu bando querem aqui?” perguntei.
“Entreguese e prometo que seremos misericordiosos com
vocês.
“Não seja tolo, nós somos renegados e não teremos
misericórdia pois lutamos por nossa liberdade, Xerife!
Lutamos contra a opressão da coroa e tudo de ruim que
ela representa. Você é um mero brinquedo no meio de
tudo isso.”
“Você pode pôr um fim a isso tudo!”
“Acha mesmo que se eu me entregar a luta acaba, o
sistema quer que você acredite que eu estou do lado errado
da lei, mas eu não sou o vilão desta história, Xerife,
ninguém precisa morrer para que isso acabe.”
“Do que você está falando?”
Pude ouvir pela rede de transmissão o som de tiros
abafados.
“Saia da cidade! Seja homem e me enfrente quando
o sol estiver a pino e veja sua amada cidade perecer no
processo!”
Nós já estávamos sob ataque. O grupo de
reconhecimento lutou bravamente desferindo contra o
bando disparos na tentativa de afastálos. Nesse processo
muitos homens caíram. Antes que pudéssemos dar conta o
bando de Jhony pistola já se encontrava em nossos portões.
Um grupo de Boots já estavam a posto com suas pistolas
apontadas na direção do portal de entrada. Vários disparos
foram ouvidos.
Pelo rádio pedi que todos os homens abandonassem
seus postos dizendo que eu cuidaria daquilo, um cavaleiro
surgiu em meio ao bando, aquele era Jhony Pistola.
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— Saia, Xerife, e me enfrente ou veja sua cidade
morrer, ao meiodia me encontre na estação de trem para
um duelo, vença e nós deixaremos sua cidade!
— Que assim seja!
Lá estávamos nós, um na frente do outro de armas
em punho, prontos para um único disparo que daria fim
aquela contenda. Damos as costas e iniciamos a contagem
1..., 2..., 3..., ...10.
O som de disparos rompeu o silêncio, aquele era o
fim.
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