A Mítica Ovelha-Negra - Vivienne Westwood
Barbara Carrizzo1, Bruna M. Lentini 1, Camila Giordani Abujaile Costa1, José
Guilherme Diniz Alves1 , Luciana Selvaggio1, Marina Bonadio 1, Júlia Baruque
Ramos2
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Graduandos; Professora Doutora; Universidade de São Paulo; Escola de Artes, Ciências e
Humanidades; Curso de Tecnologia Têxtil e da Indumentária; jbaruque@[Link]
Resumo
Vivienne Westwood sempre foi uma estilista polêmica e de criações marcantes.
Desde sua era dourada, no auge do movimento Punk, até os dias de hoje,
Vivienne tem conservado suas principais caracteristicas. Cores, formas
exageradas e extravagância sempre farão parte da vida dessa que será a
representante mor da moda underground inglesa, a mítica ovelha-negra.
Apresentação
Vivienne nasceu em 1941, em Glossop, uma cidadezinha perto de Manchester
na Inglaterra. De família de classe média, sua mãe trabalhava em uma fábrica
de algodão e o pai pertencia a uma família de fabricantes de calçados.
Aos 17 anos, mudou-se para Londres e algum tempo depois passou a dar
aulas de inglês e casou-se com Derek Westwood, diretor de uma escola de
dança, com quem teve seu primeiro filho.
Influenciada talvez pelo clima rebeldd e liberal do final dos anos 60, Vivienne
termina seu casamento. Ela conheceu Malcolm McLaren que tornou-se
rapidamente em seu segundo marido e um crítico do movimento “flower
power”, o qual considerava sem sentido e comercial.
Juntos, em 1970, buscaram nos anos 50 a inspiração para a criação de sua
primeira loja, chamada “Let It Rock” e localizada no número 430 da Kings
Road. Lá, eles vendiam objetos e roupas que lembravam Elvis Presley e o
“rock and roll” original da época. Com McLaren, a designer teve o seu segundo
filho, Joseph Corre.
A ex-professora de inglês começou então a criar suas próprias roupas,
pensando nos que vivem à margem da sociedade. Em 1972, a loja passou a
chamar-se “Too Fast to Live, Too Young to Die”. A ousadia de suas roupas
começou a se destacar em peças de couro, t-shirts com estampas eróticas,
motivos africanos, dentre outros.
Com a polêmica criada, eles chegaram a ter problemar com a Justiça e por isso
o nome da loja mudou novamente, agora para “Sex”, onde suas t-shirts
ganharam ainda mais ousadia com mensagens mais explícitas, além de
venderem objetos sadomasoquistas. Nesse período, a borracha tornou-se a
principal matéria-prima de suas criações.
Vivienne Westwood se apresentava com roupas de couro, t-shirts rasgadas
(chamadas por ela de “catalyst-shirts”) e acessórios feitos de correntes e
cadeados.
Nascia aí o conceito punk de se vestir.
O trabalho do casal começou realmente a se difundir quando Vivienne criou um
modelo novo, feito de borracha e vinil vermelhos. Muito de acordo com
momento em que viviam, a loja do casal McLaren passou a se chamar
definitivamente “World’s End”, onde o piso era inclinado, o relógio de entrada
tinha 13 horas e os ponteiros moviam-se ao contrário.
Sua primeira coleção (“Pirates”) apresentada, em um desfile que aconteceu em
1981, teve uma reação de público muito positiva. Victoria&Albert adquiriu um
vestido, um colete e um chápeu, além de mais de 30 peças da estilista para o
seu acervo.
Sua segunda coleção (“Nostalgia of Mud”) foi apresentada em 1982, em Paris
que desde Mary Quant não abria suas portas a um criador inglês. Era também
o fim do casamento e da parceria entre Vivienne e Malcolm. Em 1983, a
coleção “Witches” só trazia a assinatura da estilista.
Durante os anos 80, ela passou a criar roupas cada vez mais ligadas à história
de outras épocas, rejeitando por completo o estilo yuppie, principal referência
da chamada década perdida. Suas roupas tornaram-se exuberantes, caras,
com cores fortes e formas exageradas.
Em 1984, ela apresentou crinolinas mini, enchimento nos seios e nos quadris,
além de enormes sapatos plataforma.
Em 1987, começou a criar espartilhos, que se tornaram ícones de sua marca.
Em 1990, na coleção “Portrait”, surgiram os mais célebres modelos de
espartilho que viria a criar, estampado com cenas do quadro “Um Pastor
Observa uma Pastora Adormecida” de François Boucher.
Nesse mesmo ano, ela apresentou sua primeira linha de roupas masculinas em
Florença. Seu desejo era que o homem se vestisse de forma atraente e erótica.
Em sua coleção de 1994, “Erotic Zones”, surgiram peças que deixavam as
nádegas das modelos à mostra e, em 1997, ironizando o traje típico escocês
masculino, criou roupas femininas sensuais e coquetes.
Seu interesse pelo estilo escocês a fez criar um padrão que se tornou
reconhecido oficialmente e tem o nome de Marc Andréas, nome de seu atual
marido, o qual conheceu quando dava aulas na Academia de Artes Aplicadas
de Viena no final dos anos 80.
Ao longo de sua carreira como estilista, Vivienne Westwood ganhou diversos
prêmios, entre eles o de designer do ano da Grã-Bretanha em 1990 e 1991,
além de ter sido nomeada membro de honra do Royal College of Art.
Em sua última coleção em Paris, mostrou um mix de peles, xadrez, botas,
malhas, muitas amarrações e sobreposições com influências étnicas. Por
essas razões Vivienne Westwood sempre foi considerada uma estilista
polêmica.
A moda de Vivienne surgiu junto com o movimento punk. Com seu estilo
excêntrico e irreverente, tornou-se um ícone da moda punk na Inglaterra das
décadas de 70 e 80, representando a união entre música (punk) e moda.
Suas roupas caracterizavam-se pela presença de grandes alfinetes, correntes,
tecido esfarrapado e predominância da cor preta. Dessa forma, quebrou tabus
e realizou um desconstrucionismo fashion, expressando bem o espírito
libertário e inovador da época. Outra inovação foi o penteado moicano
idealizado por ela. Sua moda ganhou alcance também no mundo da música.
Seu marido Malcolm era o produtor da banda punk mais influente da época, os
Sex Pistols, vestidos pela sua loja Sex.
Daí o fato de ser chamada de estilista punk até hoje. Ela mesma afirma: “Na
época, não me via como estilista. Procurávamos motivos de rebelião para
provocar o stablishment. O resultado dessa procura foi a estética punk”.
A moda de Vivienne ganhou grande expressividade por ter ousado ao utilizar
materiais novos e irreverentes para a época, como por exemplo: peças de
couro; estampas eróticas; motivos étnicos, africanos e indígenas; borracha;
roupas rasgadas; acessórios de metal como correntes, cadeados e alfinetes;
sapatos plataforma e espartilhos.
Excêntrica, provocativa e irreverente, a estilista Vivienne Westwood ficou
popularmente conhecida como a estilista punk, aquela que levou, das ruas de
Londres para as botiques, a estética do movimento transformando o punk em
moda.
Dessa forma, inspirou fortemente toda uma geração de jovens idealistas e de
idéias liberais e inovadoras, e sua influência pode ser observada até os dias
atuais entre os punks.
Referências Bibliográficas
Garcia, Cláudia. Vivienne Westwood, agente provocateur, extraído de
[Link]
Rogar, Silvia. A celebração da primeira rebelde. In: Revista Veja. São Paulo,
2004.
Jornal A Folha de São Paulo, Caderno Mais
Revista Veja, Edição especial Mulher, pág. 54-57.