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Fundamentos do Direito Internacional Privado

O documento aborda os fundamentos e a aplicação do Direito Internacional Privado, destacando sua formação através de regulamentos internos e tratados internacionais. Ele explora a regulação de conflitos de leis e a importância do elemento estrangeiro nas relações jurídicas, além de discutir a aplicação do direito estrangeiro no Brasil e as teorias que orientam essa prática. O texto enfatiza a necessidade de uma abordagem colaborativa entre sistemas jurídicos nacionais e internacionais para a efetividade do Direito Internacional Privado.
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Fundamentos do Direito Internacional Privado

O documento aborda os fundamentos e a aplicação do Direito Internacional Privado, destacando sua formação através de regulamentos internos e tratados internacionais. Ele explora a regulação de conflitos de leis e a importância do elemento estrangeiro nas relações jurídicas, além de discutir a aplicação do direito estrangeiro no Brasil e as teorias que orientam essa prática. O texto enfatiza a necessidade de uma abordagem colaborativa entre sistemas jurídicos nacionais e internacionais para a efetividade do Direito Internacional Privado.
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Direito Internacional

Privado: fundamentos
e aplicação
Autor
Celso Gomes Polaino
Objetivos
Neste conteúdo, estudaremos a formação do Direito Internacional Privado na utilização dos
regulamentos internos e tratados dos Estados. Os temas a serem tratados serão:
fundamentos; ótica do Direito Internacional Privado; aplicação, normas e princípios do Direito
estrangeiro; estrutura da norma de Direito Internacional Privado; e princípios existentes no
Direito Internacional Privado. A partir desses conceitos, serão desenvolvidas competências
com habilidades de conhecimentos e interpretações das normas e dos tratados que estão
amparados no Direito Internacional Privado.
1
Direito internacional privado:
fundamentos e aplicação
1.1 Introdução

Apresentação
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A formação do Direito Internacional Privado é compreendida por regulamentos internos dos


Estados e regras presentes em tratados internacionais. Por conseguinte, regula as
circunstâncias relativas aos conflitos de leis no espaço.

Figura - Símbolos do direito

Fonte: AmnajKhetsamtip/[Link]
Há diversos conceitos que procuram determinar esse Direito, porém, aquele tido como
adequado na atualidade, segundo a professora Maristela Basso, pertence ao professor Antonio
Boggiano: “[…] um sistema normativo destinado a realizar as soluções justas dos casos
jusprivatistas multinacionais, desde o ponto de vista de uma jurisdição estatal, de uma
pluralidade de jurisdições estatais a coordenar ou, raras vezes, da jurisdição de um tribunal
internacional” (Basso, 2011, p. 5).

Na estrutura jurídica contemporânea, o Direito Internacional Privado estuda os casos


jusprivatistas de natureza civil, fortalecendo os ramos específicos do Direito, tais
como o Direito Civil ou o Direito Empresarial. Consequentemente, entende-se que
alguns desses ramos, como o “Direito Comercial” e o “Direito do Trabalho”, receberam
autonomia no contexto do Direito Internacional Geral, já que há o “Direito
Internacional do Trabalho” e as novas fontes de soluções dos “conflitos de leis em
matéria comercial”, ambas estudadas de maneira autônoma, especialmente após a
criação da Organização Mundial do Comércio, em 1994. De tal modo, a professora
Maristela Basso compreende o Direito Internacional Privado como um solucionador
de conflitos nos casos jusprivatistas de “natureza civil” que apresentam relação de
colaboração e complementaridade com o Direito Internacional do Trabalho e com o
Direito do Comércio Internacional (Basso, 2011).

Esse Direito pode, ainda, ser conceituado como um regulador das relações jurídicas que
abrangem efeitos em mais do que um ordenamento jurídico, visando assistir a regulamentação
das relações em um contexto de organização e de fortalecimento da globalização.

Enfim, constata-se que, além das normas processuais, há as regras “diretas” (demonstram
fatos e respectivas soluções de situações no âmbito da justiça privada com objeto estrangeiro)
e as “indiretas” (não demonstram fatos nem efeitos jurídicos, mas apontam a lei pertinente à
situação concreta).

Ao observar as diferentes manifestações das relações humanas no âmbito pessoal ou negocial


(como famílias formadas pelo casamento entre indivíduos de diferentes nacionalidades;
obrigações contratuais firmadas entre pessoas jurídicas situadas em diferentes países etc.),
quando o “elemento estrangeiro” ou o “elemento de estraneidade” surgir, o Direito Internacional
Privado, por meio das suas regras, atua como regulador da correlação jurídica que se forma.

No mais, em razão de um “elemento estrangeiro” (elemento de conexão), pode ocorrer conflito


entre ordens jurídicas. Logo, as categorias de conexão podem ser:

Pessoas;
Bens ou coisas;
Fatos ou negócios;
Casamento;
Sucessão;
Processo.

Portanto, nesses casos, os “tipos de fato” podem ser classificados em: “fato comum” (regulado
exclusivamente por normas jurídicas internas), “fato estrangeiro” (regulado exclusivamente por
normas jurídicas estrangeiras) e “fato misto” (“fato comum” acrescido de um ou mais
elementos estrangeiros).

O Direito Internacional Privado estabelece a norma a ser aplicável nos casos envolvendo
“elemento estrangeiro” e “fatos mistos”. Logo, consoante Gustavo Ferraz de Campos Monaco e
Liliana Lyra Jubilut, aquele é entendido como “[…] o aspecto fático que faz com que a relação
jurídica envolva um fato misto, deixando de ser um tema a ser resolvido pelo Direito Interno e
passando a ser objeto do Direito Internacional Privado” (Monaco; Jubilut, 2012, p. 16).

Destarte, perante as diferentes ordens legais envolvidas nas relações jurídicas, aparece um
“concurso de leis” ou um “concurso de jurisdição”, que são objetos do Direito Internacional
Privado. Além disso, é imperativo destacar que a “Convenção de Direito Internacional Privado”,
mais conhecida por “Código de Bustamante” (ratificado no Brasil pelo Decreto n. 18.871/1929),
aborda as questões civis com implicações internacionais, compreendendo pessoas (por
exemplo, situações que envolvam nascimento, domicílio, pessoas jurídicas, direito de família
etc.), bens, obrigações, Direito Comercial e contratos.

O Código de Bustamante originou-se da Convenção de Havana ocorrida em 20/02/1928. Os


Estados que o subscreveram são: Brasil, Cuba, República Dominicana, Haiti, Panamá, Costa Rica,
Nicarágua, Honduras, Salvador, Guatemala, Chile, Bolívia, Equador, Peru e Venezuela. Assim, são
quinze países, dentre eles seis da América do Sul.

O Código de Bustamante, em relação à Constituição Federal de 1988 e à Lei de Introdução às


Normas do Direito Brasileiro (LINDB), oferece uma eficiência com abrangência mitigada, uma
vez que foram criados tratados específicos sobre temas privados ou relativos aos Estados.

1.2 Fundamentos
Constata-se que o Direito Internacional Privado existe em razão do intercâmbio de pessoas
entre os países nos mais diversos aspectos da vida humana naquilo que se refere à
globalização, ou seja, as relações jurídicas são diversificadas e ultrapassam fronteiras físicas e
humanas, bem como tangenciam os diversos tipos de bens (móveis ou imóveis, materiais ou
imateriais, fungíveis ou infungíveis etc.).

Nesse contexto de compreensão, encontram-se os entendimentos de Gustavo Ferraz de


Campos Monaco e Liliana Lyra Jubilut (Monaco; Jubilut, 2012, p. 21): “[…] o fundamento geral
do Direito Internacional Privado é a existência de uma maior aproximação entre as pessoas
que altera as tradicionais relações jurídicas, as quais passam a produzir efeitos para além das
fronteiras nacionais.”.

Existe aqui a vontade política e jurídica dos Estados que influenciam as integrações naquilo
que se refere à posição do direito estrangeiro nas relações humanas jurídicas, uma vez que as
normas do Direito Internacional Privado têm origem interna. Logo, há situações da norma
interna a motivar a aplicação de uma regra estrangeira de maneira direta ou indireta, isto é,
uma permissão para aplicação (em alguns casos) das normas de outro país, em um emprego
efetivo do “direito estrangeiro” no Brasil.

Figura - Direito estrangeiro

Fonte: baona/[Link]
Entretanto, essa “autorização” e essa “decisão interna” são condicionantes à aplicação e à
efetivação do Direito Internacional Privado. Isso é defendido por Gustavo Ferraz de Campos
Monaco e Liliana Lyra Jubilut (2012, p. 21), ao afirmarem que:

[...] tal abertura é uma precondição para a efetividade do Direito Internacional Privado, e
só irá ocorrer se os Estados se entenderem como parte de um todo, em que as pessoas
podem ter relações jurídicas com fatos mistos, e, portanto, não adotarem posturas
isolacionistas.
Com relação à “decisão interna”, tais autores enfatizam que “[…] o direito estrangeiro somente
será aplicado por decisão interna, não violando tal aplicação, desta maneira, a soberania
estatal” (Monaco; Jubilut, 2012, p. 21).

Portanto, o Direito Internacional Privado se apresenta como uma importante forma de


intercessão entre o sistema nacional (regional) e o sistema internacional
(multilateralismo), isto é, o Direito Internacional Privado considera os valores
nacionais sem esquecer dos interesses internacionais numa relação de direitos e
deveres entre os bens jurídicos envolvidos.

Assim, os objetos do Direito Internacional Privado, com fundamento na Escola Francesa, são: a
nacionalidade, a condição jurídica do estrangeiro, o conflito das leis e o conflito de jurisdições.
Mas a doutrina anglo-americana, que cognomina o Direito Internacional Privado em “conflict of
laws” (conflito de leis), restringe os objetivos aos conflitos das leis e de jurisdição.

O nome “Direito Internacional Privado”, criado por Joseph Story em “Commentaries on the Conflict
of Laws” (1834), foi aplicado por Jean-Jacques Gaspard Foelix em “Traité du Droit International
Privé ou du conflit des lois des differentes nations” (1843).

Direito internacional privado: Fundamentos e Classificação


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1.3 Ótica do Direito Internacional Privado
Nos estudos do objeto do Direito Internacional Privado, é observada uma ótica privatista ou
uma ótica publicista.

Em uma visão privatista, esse direito refere-se às hipóteses de aceitáveis soluções para as
situações de conflito de leis proporcionadas pelos ordenamentos nacionais às relações
jurídicas de natureza privada, implicando efeitos simultâneos em dois ou mais ordenamentos
jurídicos.

Ao mesmo tempo, na visão publicista, o direito internacional privado considera uma colisão de
soberanias legislativas originadas na esfera das relações privadas com ênfase na concorrência
de competências legais. Ou seja, se o Estado decidir empregar uma regra de um país
estrangeiro para resolver conflitos que tratem de relações jurídicas com elementos forasteiros,
haverá um reconhecimento formal e material de competência legislativa de outro país (Rozas;
Lorenzo, 1996).

Além disso, o Direito Internacional Privado pode abranger a “dimensão internacional” das
relações jurídicas entre titulares de Direito, originando a proteção de direitos no âmbito
internacional e no contexto extraterritorial. Logo, nessa conjuntura, o estudo de temas como
nacionalidade, condição jurídica do estrangeiro, conflitos de jurisdição e reconhecimento e
execução pela autoridade judiciária local de sentenças originadas em outros países far-se-ia
necessário (Dolinger, 2005).

A ótica do Direito Internacional Privado que deve ser considerada, em princípio, é a de


que esse Direito estabelece regras que definem, na situação de conflito de leis entre
dois ou mais sistemas legislativos, qual deles é competente para prevalecer. Isto é,
podem ser as leis nacionais ou as estrangeiras, com foco no elemento forasteiro
dominante da relação jurídica ou no elemento de vinculação que deve imperar.

Enfim, as normas de direito internacional privado são “[…] regras de aplicação, que se destinam
a indicar os casos em que normalmente se deve aplicar a lei nacional, e os que se deve julgar
normalmente competente a lei estrangeira” (Espínola, 1925, p. 337).

Assim, Maristela Basso destaca que, nessa perspectiva situada no “método clássico” ou
“contratual”, há uma sobrecarga da noção de “conflito de leis no espaço”, uma vez que o
magistrado, ao contemplar o fato ou a relação jurídica, necessitará:

[…] recorrer à aplicação de um direito material entre os ordenamentos jurídicos em


contato, escolhido de acordo com normas advindas de tratados internacionais e leis
internas (leis especiais, leis esparsas ou codificações de direito internacional privado) e
também coordenadas pela doutrina e jurisprudência (Basso, 2016, p. 17).
Fundamentos, objeto e ótica do Direito Internacional Privado
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1.4
Aplicação, normas e princípios do
direito estrangeiro

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Nas relações jurídicas entre o Direito Privado brasileiro e o Direito Internacional, há a


possibilidade de o juiz aplicar este naquele. Logo, existem três teorias aplicáveis que a doutrina
defende para essas situações:

a. O Direito estrangeiro deve ser aplicado de ofício pelo juiz. Permitem-se


esclarecimentos das partes sobre os contornos do Direito estrangeiro, como vigência,
interpretação etc.;
b. A aplicação do Direito estrangeiro depende da iniciativa das partes;
c. Compete ao juiz a decisão a favor ou contra a aplicação do Direito estrangeiro (Neves,
2012, p. 18).

Nesse contexto, no que tange à norma instrumental brasileira, ela determina que
qualquer das partes a alegar direito estrangeiro deve provar o conteúdo e a vigência,
desde que o juiz determine (Novo Código de Processo Civil, art. 376: “A parte que
alegar direito municipal, estadual, estrangeiro ou consuetudinário provar-lhe-á o teor
e a vigência, se assim o determinar o juiz”). De tal modo, o ordenamento jurídico
nacional autoriza ao juiz exigir a prova do texto e da vigência da lei estrangeira
invocada pela parte (Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, art. 14: “Não
conhecendo a lei estrangeira, poderá o juiz exigir de quem a invoca prova do texto e
da vigência”).

A doutrina majoritária que estuda o “Direito Internacional Privado” compreende, ainda, que a
norma estrangeira deverá receber a mesma interpretação conferida no país de origem,
conforme ressalta Gustavo Bregalda Neves (2012) em seus estudos. No mesmo sentido,
Maristela Basso (2016) entende que o juiz nacional deve encontrar os métodos de
interpretação no país de origem da lei estrangeira que precisa ser aplicada ao caso em análise,
pois não é admissível interpretar uma norma forasteira sem se transportar a nação de origem a
essa lei. Luiz Antônio Severo da Costa (1968, p. 35), ainda, traz o entendimento de que “[…] a
interpretação da lei estrangeira deve ser feita no estado de espírito dessa legislação, pois os
termos, os conceitos e os institutos jurídicos têm o sentido e conteúdo que ali lhe são dados”.

Logo, o entendimento majoritário na doutrina é o de que o juiz pátrio deve aplicar o


direito substancial estrangeiro como se fosse magistrado no país do qual a legislação
se trata, isto é, julgar da maneira mais adjacente possível àquela em que o juiz
estrangeiro julgaria.

Nesse sentido, o Direito nacional e o internacional são meios para se alcançar uma
mesma finalidade, que é a melhor administração da justiça (possível) dentre as
diferenças existentes.

Consequentemente, o Direito Internacional Privado colabora para que os homens de bons


anseios (juízes em decisões ou outras pessoas em decisões administrativas) concorram na
promulgação de julgamentos internacionais satisfatórios que serão aceitos em outros países
no tocante ao seu conteúdo.

Assim, para auxiliar nas efetivações desses tipos de julgamentos, ressalta-se a existência da
“Convenção Interamericana sobre Prova e Informação acerca do Direito Estrangeiro”, de 1979,
aplicável ao Brasil, visto que estabelece e permite às autoridades judiciárias ou eventualmente
outras autoridades de um Estado contratante solicitar informações sobre o texto, a vigência, o
sentido e o alcance legal do seu direito.

A cooperação internacional de que trata a Convenção Interamericana sobre Prova e Informação


acerca do Direito Estrangeiro será prestada por qualquer dos meios de prova idôneos previstos
tanto na lei do Estado requerente como na do Estado requerido. Segundo a Convenção
Interamericana sobre Prova de Informação acerca do Direito Estrangeiro (Brasil, 1996):

Serão considerados meios idôneos para os efeitos desta Convenção, entre outros, os seguintes:

1. a) a prova documental, consistente em cópias autenticadas de textos legais com indicação de


sua vigência, ou precedentes judiciais.
2. b) a prova pericial, consistente em pareceres de advogados ou de técnicos na matéria.
3. c) as informações do Estado requerido sobre o texto, a vigência, o sentido e o alcance legal do
seu direito acerca de aspectos determinados.

Essa convenção foi reiterada posteriormente, em 1992, pelo “Protocolo de Las Leñas sobre
Cooperação e Assistência Jurisdicional” em matéria civil, comercial, trabalhista e administrativa.
Contudo, apesar dessa sistemática processual, existe o direito da lex fori (lei do local onde corre a
ação judicial), que se emprega aos casos de impossibilidade de aplicação do direito alienígena em
razão da indeterminação das partes na demanda.

Por conseguinte, em uma integração entre a “ordem pública interna” (que pauta as relações
jurídicas na esfera interna de uma nação, naquilo que se refere ao Direito Privado e ao Direito
Público) e a “ordem pública internacional” (que se apresenta no plano do Direito Internacional
Privado, bem como obsta e gere a aplicação do direito estrangeiro, o reconhecimento dos atos
executados e das declarações de vontade de fatos ocorridos no exterior e a execução de
sentenças proferidas por tribunais estrangeiros), o controle deve ser realizado por juízes e
tribunais, avaliando e decidindo sobre o que é ou não contrário à ordem pública brasileira.

Nesse entendimento, é importante observar que, em alguns parâmetros de decisão que os


magistrados e as cortes nacionais terão de enfrentar (tal como se o direito estrangeiro
prescrito na norma de Direito Internacional privado brasileiro é ou não receptível no Brasil), o
ato efetivado no exterior (a declaração de vontade ou o contrato assinado no exterior) pode ou
não ter eficácia no Brasil, assim como é preciso observar se a sentença estrangeira pode ou
não ser executada no Brasil (Basso, 2011).

No Brasil, o Decreto n. 6.891, de 2 de julho de 2009, promulga o Acordo de Cooperação e


Assistência Jurisdicional em Matéria Civil, Comercial, Trabalhista e Administrativa entre os
Estados Partes do Mercosul, a República da Bolívia e a República do Chile (Brasil, 2009).
Portanto, diferentes situações, regras e princípios de ordem pública, ao serem deparados com
o direito estrangeiro, gerariam exceções deste, quando aplicado pelos magistrados pátrios,
como determinado no artigo 17 da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (“As leis,
atos e sentenças de outro país, bem como quaisquer declarações de vontade, não terão
eficácia no Brasil, quando ofenderem a soberania nacional, a ordem pública e os bons
costumes”).

Assim, devem ser estudadas as regras do Direito Internacional Privado naquilo que se refere às
normas indiretas, diretas e qualificadoras, bem como a estrutura da norma desse direito
quanto à unilateralidade, à bilateralidade e às medidas justapostas.

1.4.1 Normas do direito estrangeiro

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Na doutrina do Direito Internacional Privado, observam-se diferentes classificações


para as normas, mas, por uma questão de didática assumida neste estudo,
compreende-se como adequado abordar aquela apresentada por Jacob Dolinger.

As normas do Direito Internacional Privado são assim classificadas:

A fonte da norma pode ser legislativa, doutrinária ou jurisprudencial; [...] pode ser interna
ou internacional, conforme sejam criadas pelos órgãos internos de um Estado ou em
coordenação com outros Estados por meio de tratados e convenções. Quanto à sua
natureza [...] é geralmente conflitual, indireta, não solucionadora da questão jurídica em
si, mas indicadora do direito interno aplicável, daí ser classificada como sobredireito.
Também existem normas substanciais, diretas [...]. No plano do direito convencional,
fonte internacional, as normas podem ser indiretas quando seguem o método conflitual,
como também diretas, quando adotam regras materiais uniformes. Existem ainda as
normas conceituais ou qualificadoras, que se restringem a definir determinados
institutos do Direito Internacional Privado. Quanto a sua estrutura as normas podem ser
unilaterais ou bilaterais (Dolinger, 1997, p. 47, grifo nosso).

O direito estrangeiro deverá ser provado, desde que os fatos ocorridos tragam a necessidade de
utilização desse direito.

A concepção majoritária da doutrina do direito internacional privado caminha no entendimento


de que os fatos julgados por um magistrado que necessitem das normas do direito estrangeiro
precisarão ser provados, consoante ensinamento de Ovídio Baptista (2006, p. 302):

[…] os fatos afirmados pelas partes hão de ser suficientemente provados no processo,
não sendo legítimo que o juiz se valha de seu conhecimento privado para dispensar a
produção da prova de algum fato de cuja existência ou veracidade esteja ciente por
alguma razão particular.
Enfim, ao adotar esse procedimento, haverá um respeito mútuo entre os países por meio do
Direito Internacional Privado, uma vez que proporciona um Direito da Integração, afastando-se
a ideia de supranacionalidade e afirmando uma alma internacional entre os Estados
envolvidos.

1.4.2 Normas indiretas


Normas indiretas são normas instrumentais, ou seja, aquele que aplica a lei adotará a regra de
Direito Internacional Privado como uma forma de indicação do direito aplicável. Logo, irá
explorar neste as normas jurídicas que regularizam o caso sub judice. Por conseguinte, o
conflito é pacificado, já que isso é uma metodologia harmonizadora dos conflitos de leis.

Colaborando com essa sistemática, há convenções que


determinam a aplicação de variadas leis internas consoante a
situação concreta. De tal modo, destaca-se o artigo 263 do Código
de Direito Internacional Privado, denominado “Código de
Bustamante”, assinado em Havana, Cuba, em 18 de fevereiro de
1928, uma Convenção de Direito Internacional Privado
Uniformizado: “A forma de saque, endosso, fiança, intervenção,
aceite e protesto de uma letra de câmbio submete-se à lei do lugar
em que cada um dos ditos atos se realizar”.
Além disso, vale realçar que, na reunião de Haia, ocorrida em 4 de
maio de 1971, em específico, ao estabelecer a “Convenção sobre a
Lei Aplicável a Acidentes de Trânsito”, o artigo 3º dessa
Convenção trata da “Lei Aplicável em Matéria de Acidentes
Rodoviários”, ao destacar como importante a aplicação da lei do
país onde o fato aconteceu, ou seja, “A lei aplicável é a lei interna
do Estado onde ocorreu o acidente” (Dolinger, 2011, p. 207). Desta
forma, a nacionalidade e/ou o domicílio das pessoas envolvidas no
acidente, bem como a procedência ou o destino do respectivo
veículo, são fatores irrelevantes.

Ademais, em um contexto que envolve a “responsabilidade civil


por ato ilícito” (aplica-se a lei do país onde o ato foi cometido pelo
responsável ou a lei do país onde a vítima sofreu o dano), na
hipótese da respectiva causa ser julgada em país diverso daquele
onde ocorreu o acidente, o magistrado ou o tribunal do lugar onde
a demanda será apreciada deverá inteirar-se das normas sobre
responsabilidade civil em acidente de veículos vigentes no país
onde se deu o acidente.

Nesse sentido, atuará o juízo de qualquer um dos Estados onde a


prestação jurisdicional tenha sido solicitada e apresente
ratificação ou venha a aprovar a Convenção (Dolinger, 2011).

Assim, Jacob Dolinger aclara essas normas aquelas que

[…] não solucionam a questão jurídica propriamente dita, não dizem se a pessoa é capaz
ou incapaz, se o contrato é válido ou não, se o causador do dano a outrem é civilmente
responsável ou não, se certos colaterais herdam ou não, e assim por diante (Dolinger,
2011, p. 207).
De tal modo, vale ressaltar as características:

Tabela - Características das normas jurídicas brasileiras


Geral Aplica-se a todos ou a um grupo de pessoas, indistintamente. Comando abstrato,
impessoal.

Imperativa Impõe um dever, uma conduta.

Autorizante Autoriza e legitima o uso da faculdade de coagir (pretensão).

Permanente Salvo as normas temporárias, a norma não se exaure em uma aplicação.


Emanação Emanam de autoridades competentes, de acordo com a CF/88, o que não ocorre com
oficial as normas éticas ou morais.

Fonte: Adaptado de Espaço Jurídico (Blog, 2011)

1.4.3 Normas diretas


Também conhecidas como “substanciais”, as normas diretas conferem uma solução à questão
judicial, em uma lide concreta. De tal modo, são regras eminentemente diretas, substanciais e
sem nenhuma divergência na essência.

No ordenamento jurídico nacional, há algumas normas diretas que se relacionam com o Direito
Internacional Privado, como a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (Lei n. 12.376
de 2010, cuja antiga denominação era “Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro” e apresenta
as últimas atualizações efetivadas por meio da Lei n. 13.655 de 2018), artigo 7º, § 5º, que
possibilita ao naturalizado casado adotar o regime da comunhão parcial de bens:

§ 5º O estrangeiro casado, que se naturalizar brasileiro, pode, mediante expressa


anuência de seu cônjuge, requerer ao juiz, no ato de entrega do decreto de naturalização,
se apostile ao mesmo a adoção do regime de comunhão parcial de bens, respeitados os
direitos de terceiros e dada esta adoção ao competente registro.
Também se destaca o artigo 11, §§ 2º e 3º, quando limita o direito dos governos estrangeiros
na aquisição de bens imóveis e suscetíveis de desapropriação:

§ 2º Os Governos estrangeiros, bem como as organizações de qualquer natureza, que


eles tenham constituído, dirijam ou hajam investido de funções públicas, não poderão
adquirir no Brasil bens imóveis ou susceptíveis de desapropriação.
§ 3º Os Governos estrangeiros podem adquirir a propriedade dos prédios necessários à
sede dos representantes diplomáticos ou dos agentes consulares).
Ainda com foco nos estudos de Jacob Dolinger e indicando os decretos brasileiros, ao
observar as fontes internacionais, visualiza-se a inserção das normas materiais, substanciais
e diretas em dois exemplos, para compreensão:

1) Convenção para Unificação de Certas Regras Relativas ao Transporte Aéreo


Internacional (assinada em Varsóvia, em 12 de outubro de 1929), que regula os direitos e
obrigações do transportador, do expedidor e do destinatário (no Brasil, pelo Decreto nº
5.910/2006).
2) Convenção das Nações Unidas sobre Contratos de Compra e Venda Internacional de
Mercadorias (Firmada em Viena, em 11 de abril de 1980), que rege a formação do
contrato e das obrigações do vendedor e do comprador (no Brasil, pelo Decreto nº
8.327/2014).
Desse modo, para fixação do que seja “norma direta”, vale trazer à colação o artigo 17 da
Convenção para Unificação de Certas Regras Relativas ao Transporte Aéreo Internacional, que
aduz:

1. O transportador é responsável pelo dano causado em caso de morte ou de lesão


corporal de um passageiro, desde que o acidente que causou a morte ou a lesão haja
ocorrido a bordo da aeronave ou durante quaisquer operações de embarque ou
desembarque (Dolinger, 2011, p. 208).
Outro destaque de “norma direta” é o artigo 30 da Convenção das Nações Unidas sobre
Contratos de Compra e Venda Internacional de Mercadorias: “O vendedor estará obrigado, nas
condições previstas no contrato e na presente Convenção, a entregar as mercadorias, a
transmitir a propriedade sobre elas e, sendo o caso, a remeter os respectivos documentos”
(Dolinger, 2011, p. 208).

Além disso, nessa convenção, pode ser sublinhado o artigo 53, ao regulamentar que “O
comprador deverá pagar o preço das mercadorias e recebê-las nas condições estabelecidas
no contrato e na presente Convenção” (Dolinger, 2011, p. 208).

Assim, como um último destaque, existem as normas diretas ou imediatas presentes no


ordenamento jurídico brasileiro que se relacionam com o Direito Internacional Privado. São
normas que solucionam conflitos. Como exemplos, estude o artigo 7º, §5º e o artigo 11, §§ 2º
e 3º; todos na LINDB.

1.4.4 Normas qualificadoras


As normas qualificadoras são aquelas conceituais (ou qualificadoras), isto é, não destinadas
ao litígio em si nem são substanciais. Logo, a definição do domicílio pertence a esse tipo de
norma que atua como acessória na aplicação das normas destinadas ao conflito. Nesse
sentido, Jacob Dolinger define a “norma qualificadora” como não sendo de conflito, nem como
substancial, isto é, “[…] é uma regra definidora, qualificadora, que colabora com a norma
conflitual que indica a lei do domicílio para reger determinadas matérias” (Dolinger, 2011, p.
209).

Portanto, para maior compreensão do que é “norma qualificadora”, destaca-se no Direito


Internacional Privado do artigo 7º, § 7º, da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro,
ao especificar o alcance do domicílio do chefe de família ao outro cônjuge e aos filhos não
emancipados, tal como o do tutor ou do curador aos incapazes sob sua responsabilidade (“Art.
7º, § 7º Salvo o caso de abandono, o domicílio do chefe da família estende-se ao outro cônjuge
e aos filhos não emancipados, e o do tutor ou curador aos incapazes sob sua guarda”). Porém,
deve-se tomar cuidado com esse parágrafo, pois, com a emancipação da mulher casada, parte
dessa norma está ultrapassada (Dolinger, 2011, p. 209).

Finalmente, um último exemplo é o artigo 2º da Convenção Interamericana sobre Domicílio das


Pessoas Físicas no Direito Internacional Privado (Montevidéu, 1979), que estabelece a
determinação do domicílio da pessoa física que deverá obedecer às seguintes circunstâncias:

1) pelo lugar da residência habitual; 2) pelo lugar do centro principal dos seus negócios;
3) na ausência dessas circunstâncias, considerar-se-á como domicílio o lugar da
simples residência; 4) em sua falta, se não houver simples residência, o lugar onde se
encontrar” (Dolinger, 2011, p. 209).
1.5
Estrutura da norma de Direito
Internacional Privado
1.5.1 Normas unilaterais x normas multilaterais

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"[Link]

As normas unilaterais também são conhecidas como normas “incompletas”, classificando-se


como tal em razão da sua estrutura. Aqui, há uma visão de concentração nas leis de diversos
países e nos seus conflitos, com fins a consagrar a lex fori ou “direito do foro” (lei do local onde
corre a ação judicial).

Isto é, a lex fori é definida como o direito do país a que pertence o tribunal suscitado para o
julgamento de determinada causa ou sob cuja perspectiva se analisa uma situação
internacional. De tal modo, ocorre uma aplicação da própria lei nacional quando há um conflito
de normas, com fins a obter uma solução presente na diversidade.

Em seguida, as normas multilaterais (multilateralista) transportam o conflito da lei a uma


decisão com juízo crítico de maior objetividade e maior capacidade de universalização, já que
estão direcionadas ao fato jurídico e à análise de suas especialidades e detalhes. Para melhor
elucidar essa diferenciação, vale trazer o exemplo elaborado por Jacob Dolinger (2011, p. 210):

Comparemos duas normas clássicas de DIP para apreender a distinção entre as normas
unilaterais e as bilaterais.
O Código de Napoleão, de 1804, prescreve em seu art. 3º, alínea 3ª:
As leis concernentes ao estado e à capacidade das pessoas regem os franceses,
mesmo residentes em país estrangeiro.
O art. 20 da lei italiana de 1995 manteve o princípio da nacionalidade como reguladora
da capacidade civil das pessoas em seu art. 20, com a seguinte redação:
A capacidade jurídica da pessoa física é regida por sua lei nacional.
Nessa disputa, houve uma globalização da norma, já que todas as pessoas humanas devem
obedecer às leis do seu país observando a nacionalidade. Logo, a outra regra concentra a
aplicação da lei para os pátrios.

Por conseguinte, segundo esse doutrinador, a regra unilateral se manifesta na norma


francesa, ao passo que o teor multilateral é apresentado na lei italiana. A norma
francesa, nesse contexto, engloba seu território nacional; contudo, as regras do
estado e da capacidade das pessoas se fazem presentes na lei italiana. A norma da
nacionalidade das pessoas, enfim, faz-se presente nesses dois regramentos.

Essa distinção pode ser demonstrada em um último exemplo, igualmente apresentado por
Jacob Dolinger, pela comparação entre uma regra italiana de 1942 e uma regra alemã de 1900,
conforme demonstrado:

A regra italiana, no art. 19, dispunha:

As relações patrimoniais entre cônjuges são reguladas pela lei nacional do marido ao
tempo da celebração do casamento (Dolinger, 2011, p. 210).
A regra germânica, no art. 15, estabelecia:

O regime matrimonial de bens será regulado de acordo com as leis alemãs quando o
marido, ao tempo da celebração do casamento, for alemão (Dolinger, 2011, p. 210).
Afinal, essas regras utilizam técnicas legislativas diferentes, mesmo com iguais princípios: a
italiana responde à pergunta “Que lei se aplica?”, ao passo que a alemã responde à pergunta
“Quando se aplica a lei alemã?”. Todavia, mesmo com a técnica desigual e a essência
uniforme, essas regras também se destacam por apresentar o mesmo efeito, uma vez que os
tribunais expediram em toda parte as normas multilaterais, em contrapartida às regras
unilaterais tidas no conjunto de preceitos (Kahn-Freund, 1976, p. 88).
h31.5.2 Posicionamentos doutrinários (divergências)

Nesse tópico, há o objetivo de esclarecer ao aluno a existência de defesas distintas,


em que ambas são amparadas por conceitos lógicos e racionais, porém com
aplicabilidade diferenciada em razão da natureza do conflito de lei a ser decidido.

Por conseguinte, aqueles que defendem o “unilateralismo” apoiam que o legislador é


competente apenas para aplicação de suas próprias regras, não lhe incumbindo atribuir
competência à lei de outro legislador, porque somente este proferirá o alcance da lei. Portanto,
essa escola defende que o legislador exclusivamente determine quando se empregará sua
própria legalidade (Dolinger, 2011, p. 213).
Além desse posicionamento, há outra vertente do “unilateralismo”
contrária a essa “bilateralização”, ou seja, a lei estrangeira tão-só
poderá ser aplicada se ela se declarar competente.

De tal modo, por exemplo, constata-se que, na França, um cidadão


alemão será regido pela lei alemã, de sua nacionalidade, visto que
o Direito Internacional Privado alemão determina essa regra para o
estado e a capacidade do alemão.

Em contrapartida, a legislação da Inglaterra não adota a norma da


nacionalidade, mas a do domicílio, isto é, não será aplicada ao
inglês, na França, a lei de sua nacionalidade, já que a competência
não é admitida nessa circunstância (Dolinger, 2011).

Esta corrente é criticada de maneira impositiva, pois dela decorrem


duas situações: “lacuna”, se nenhuma outra lei se considerar
competente na essência, como no exemplo anterior, e “acúmulo”,
se mais de uma lei estrangeira se considerar competente.

Enfim, autores alemães como Von Bar e Schnell, acompanhados por Niboyet na França,
compreendem que o Direito Internacional Público veda a um Estado atribuir ou negar
competência à lei de outro Estado, isto é, a imposição de competência a quem não a deseja
implica tratá-lo como um desigual, uma vez que não deve existir competência imposta em um
âmbito de Estados iguais obrigados a se respeitarem (Mayer, 1977).

Outra postura existente é a da escola defensora do bilateralismo ou do multilateralismo, ao


apoiar que a competência não é atribuída a um país ao aplicar a sua lei, pois no universo
jurídico há a possibilidade dessa norma ser utilizada por um ou mais tribunais de diferentes
Estados (Mayer, 1977).

Por fim, consoante Jacob Dolinger, há as normas convencionais de natureza conflitual


multilaterais por natureza, assinalando a lei do Estado mais ligado ao fato, em uma ótica
concentrada na hipótese jurídica, pertencendo desse modo ao método multilateral e à
categoria das normas bilaterais (Dolinger, 2011).

Assim, nesse contexto de “normas”, destaca-se que há uma relação cooperativa


incorporada por meio do Direito Internacional Privado entre os países, já que existe o
elemento “nacional” frente ao regionalismo e o elemento “internacional” na vanguarda
do multilateralismo. Na teoria do Direito Internacional Privado, há convivências de
ordenamentos jurídicos independentes (multilateralismo) com o relacionamento
regional sem perder a identidade.

Estrutura da Norma de Direito Internacional Privado


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1.6
Princípios existentes no Direito
Internacional Privado

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Neste tópico, podemos verificar os princípios gerais aplicados ao Direito Internacional Privado
que, ao longo dos tempos, estão demonstrados nos tratados e nos costumes.
A doutrina, contudo, ressalta a boa-fé, a probidade, o direito adquirido, a segurança jurídica,
entre outros. Logo, há princípios capitais com finalidades de cooperação e assistência
jurisdicional essenciais ao Direito Internacional Privado, como o Protocolo de Las Leñas sobre
Cooperação e Assistência Jurisdicional em Matéria Civil, Comercial, Trabalhista e
Administrativa, de 27 de junho de 1992, consagrador dos princípios básicos da cooperação e
assistência jurisdicional.

Esse documento fundamental de auxílio e amparo jurisdicional alcança os países integrantes


do Mercosul e vigora de maneira contemporânea entre eles, pois se observa que o Congresso
Nacional Brasileiro o aprovou por meio do Decreto Legislativo n. 55, de 19 de abril de 1995,
com a promulgação do Decreto n. 2.067, de 12 de novembro de 1996, pelo Congresso Nacional.

Acesse a página na internet do Ministério da Justiça e Segurança Pública para conhecer e estudar
o Protocolo de Las Leñas, e ter acesso a ele pelo link: [Link]
[[Link]
internacional-em-materia-civil/arquivos/protocolo-las-lenhas/view] .

Por conseguinte, manifesta-se nesse protocolo o princípio da aplicação, uma vez que o âmbito
de emprego é a cooperação e a assistência jurisdicional em matéria civil, comercial, trabalhista
e administrativa entre os integrantes do Mercosul.

A assistência jurisdicional também se desdobra aos


procedimentos administrativos em que se aceitam recursos ante
os tribunais, isto é, o contencioso administrativo. São abarcadas
por esse texto, ainda, as sentenças em tema de reparação de
danos e restituição de bens ditadas no setor penal em seu
reconhecimento e sua execução em outro Estado-parte do
Mercosul (Rechsteiner, 2008).

Assim, encontra-se o princípio da equidade regulando o


tratamento processual dos cidadãos e residentes permanentes no
Mercosul, garantindo-lhe o princípio do livre acesso à justiça, com
o objetivo de defesa dos seus direitos e interesses de forma
apropriada.
Consequentemente, a uniformização de regras processuais
contribuirá à consolidação do princípio da segurança jurídica no
âmbito do Mercosul, com a preservação da soberania nacional de
cada Estado-parte (Rechsteiner, 2008).

Contudo, nas relações entre os países, seja membro do Mercosul ou não, a comunicação
oficial/legal se faz por meio da carta rogatória (instrumento jurídico de cooperação entre dois
países). Ressalta-se a inexistência da obrigação legal de constituir um advogado no
estrangeiro para acompanhar essa carta, já que vigora o princípio da isenção de custas quanto
ao seu cumprimento.

Figura - Mercosul

Fonte: mtcurado/iStock
No contexto da interação entre os Estados, naquilo que se refere ao reconhecimento e à
execução de sentença e laudos arbitrais, os procedimentos que determinam a aplicação da
competência dos respectivos órgãos jurisdicionais, com fim ao reconhecimento e à execução
das sentenças ou dos laudos arbitrais, serão regidos pela lei do Estado requerido, consagrando
o princípio da execução de sentença no âmbito das conexões entre as justiças dos diferentes
povos.

Logo, constata-se que, no Brasil, a competência exclusiva para a homologação de


sentenças e laudos arbitrais estrangeiros é do Superior Tribunal de Justiça (STJ),
mesmo quando se versa sobre decisões oriundas de Estado-parte do Mercosul.
Portanto, uma sentença ou um laudo arbitral pronunciado em um país-parte do
Mercosul não terá eficácia jurídica no Estado sem a correta homologação do Superior
Tribunal de Justiça (STJ) (Rechsteiner, 2008, p. 374).

Esses procedimentos têm por essência o princípio da garantia processual, ou seja, em nossa
pátria, há o artigo 5º, incisos XXXV, LIV e LV da Constituição Federal de 1988, que garante o
livre acesso à justiça para as pessoas para obter as execuções/efetivações (ou prestação
jurisdicional) dos seus direitos perante os tribunais brasileiros:

XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;
LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal;
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são
assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes.
No campo mundial, os mesmos direitos de acesso e de garantia são assegurados pelo Pacto
Internacional sobre Direitos Civis e Políticos (1966), aprovado pela Organização das Nações
Unidas e pela Convenção Americana de Direitos Humanos de San José da Costa Rica (1969)
(Rechsteiner, 2008). Por conseguinte, há o princípio do instrumento público, que garante a
liberdade de um Estado-membro (por exemplo, do Mercosul) para expedir regras que
determinem a validade probante de atos ou de fatos jurídicos em outros países como se
tivesse ocorrido nos mesmos domínios territoriais desse Estado.

De tal modo, esse acondicionamento é de ampla valia prática, mas não escusa
automaticamente a legalização do documento, segundo as normas do país no qual será
oferecido. A imunidade de toda legalização, certificação ou formalidade análoga, entretanto,
está prevista pelo protocolo apenas para os documentos, “[…] como as escrituras públicas e os
documentos que certifiquem a validade, a data e a veracidade da assinatura ou a conformidade
com o original, e que sejam tramitados por intermédio da Autoridade Central” (Rechsteiner,
2008, p. 380).

Nesse sentido, constata-se que as normas de Direito Internacional Privado apontam a


lei a ser aplicada em uma relação jurídica de Direito Privado com junções
equivalentes. Portanto, a carência desse requisito processual impede o juiz, o tribunal
ou outro órgão de conhecer e pronunciar-se com relação ao mérito da causa em
análise. Contudo, a aplicação das normas de Direito Internacional é concretizada
atendendo ao princípio fundamental da lex fori (lei do lugar onde se desenvolve o
processo), com o apoio da doutrina e da jurisprudência que o reconhecem como uma
essência básica do processo.

A Europa recebeu de maneira efetiva a Conferência de Haia de Direito Internacional Privado em


um contexto de uniformidade de direitos consagrados por meio do processo civil internacional,
apresentando-se como máximo desafio a elaboração de uma convenção sobre competência
internacional, reconhecimento e execução de sentenças estrangeiras em matéria de direito civil
e comercial com aplicação em nível mundial (Bucher, 2000).

Consequentemente, a necessidade de harmonização e de unificação do direito privado em um


cenário de leis internacionais levou à aprovação dos princípios do processo civil transnacional
(principles of transnational civil procedure), visando equilibrar e aproximar as normas
nacionais essenciais sobre o processo civil internacional (Bueno, 2005).

Uma referência importante foi a elaboração da 37ª Convenção sobre Acordos de Eleição de Foro,
originada na Conferência de Haia de Direito Internacional Privado em 30 de junho de 2005
([Link] um marco ao convênio
sobre acordos de eleição de foro da Comunidade, em 26 de fevereiro de 2009 ([Link]
[Link]/ [[Link] ).

O maior destaque contemporâneo é a Conferência Especializada Interamericana de Direito


Internacional Privado, no âmbito da evolução do Direito Processual Civil internacional na
América Latina, em que o Brasil aquiesceu a essa e a outras nos anos noventa, tais como a
Convenção Interamericana sobre Arbitragem Comercial Internacional (30/1/1975), a
Convenção Interamericana sobre Cartas Rogatórias (30/1/1975), o Protocolo Adicional à
Convenção Interamericana sobre Cartas Rogatórias (8/5/1979), a Convenção Interamericana
sobre Prova e Informação acerca do Direito Estrangeiro (8/5/1979) e a Convenção
Interamericana sobre Eficácia Extraterritorial das Sentenças e Laudos Arbitrais Estrangeiros
(8/5/1979).

Dentre os tratados, o Brasil celebrou vários acordos bilaterais com outros países,
especialmente na área da cooperação judiciária em matéria civil, comercial,
trabalhista e administrativa. De tal modo, estão em vigor tratados desse gênero com
todos os parceiros do Mercosul, com a Espanha, com a Itália e com a França.

1.6.1 Tratados com o Mercosul


Conheceremos, agora, alguns dos principais tratados com o Mercosul:

Acordo de Cooperação: Brasil e Argentina


Acordo de Cooperação Judiciária em Matéria Civil, Comercial, Trabalhista e Administrativa
entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República Argentina, de 20
de agosto de 1991, aprovado no Congresso Nacional pelo Decreto Legislativo n. 47, de 10 de
abril de 1995, e promulgado pelo Presidente da República mediante o Decreto n. 1.560, de 18
de julho de 1995.

Acordo de Cooperação: Brasil e Uruguai


Acordo de Cooperação Judiciária em Matéria Civil, Comercial, Trabalhista e Administrativa
entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República Oriental do
Uruguai, de 28 de dezembro de 1992, aprovado no Congresso Nacional pelo Decreto Legislativo
n. 77, de 9 de maio de 1995, e promulgado pelo Presidente da República mediante o Decreto n.
1.850, de 10 de abril de 1996.

Acordo de procedimentos: Brasil e Paraguai


Acordo que define procedimentos para a restituição de veículos roubados ou furtados no Brasil
ou no Paraguai e localizados no território da outra parte, celebrados entre os Governos da
República Federativa do Brasil e da República do Paraguai, aprovado no Congresso Nacional
pelo Decreto Legislativo n. 73, de 2 de dezembro de 1988, e promulgado pelo Presidente da
República mediante o Decreto n. 97.560, de 8 de março de 1989.

1.6.2 Tratado com a Espanha

Convênio de Cooperação Judiciária em Matéria Civil entre o Governo da República


Federativa do Brasil e o Reino da Espanha, de 13 de abril de 1989, aprovado no
Congresso Nacional pelo Decreto Legislativo n. 31, de 16 de outubro de 1990, e
promulgado pelo Presidente da República mediante o Decreto n. 166, de 3 de julho de
1991.
1.6.3 Tratado com a Itália

Tratado relativo à Cooperação Judiciária e ao Reconhecimento e Execução de


Sentenças em Matéria Civil entre a República Federativa do Brasil e a República
Italiana, de 17 de outubro de 1989, aprovado no Congresso Nacional pelo Decreto
Legislativo nº 78, de 20 de novembro de 1992, promulgado pelo Presidente da
República mediante o Decreto nº 1.476, de 2 de maio de 1995, e publicado no Diário
Oficial da União de 3 de maio de 1995.

1.6.4 Tratado com a França

Acordo de Cooperação em Matéria Civil, de 28 de maio de 1996, aprovado pelo


Decreto Legislativo n. 163, de 3 de agosto de 2000, e promulgado pelo Decreto n.
3.598, de 12 de setembro de 2000, com publicação no Diário Oficial da União de 13 de
setembro de 2000.

Assim, nesse contexto de tratados que regulam temas e assuntos de interesses internacionais
entre Países para evitar conflitos, ressalta-se que nos Direitos envolvidos o Direito
Internacional Privado proporciona meios de se alcançar uma boa administração da justiça
frente aos empenhos de homens de boas pretensões para se conquistar decisões
internacionais razoáveis e suficientes.

Para refletir
Imagine que ocorreu insuficiência de prova do direito estrangeiro em um determinado processo
judicial que envolva o Direito Internacional Privado.

Assim, como deve o magistrado proceder nessa situação?


Recapitulando
No texto, abordou-se que, na formação do Direito Internacional Privado, é essencial a utilização
dos regulamentos internos dos Estados, bem como a utilização de tratados internacionais.

Com relação ao conceito desse direito, observa-se que se trata de um regulador das relações
jurídicas com efeitos em diferentes ordenamentos jurídicos, mas sempre visando amparar as
regulamentações das relações, em um âmbito de organização e fortalecimento da
globalização.

Logo, há Direito Internacional Privado porque existem intercâmbios de pessoas entre os mais
diferentes Estados e nas mais múltiplas perspectivas da vida humana. Ou seja, as relações
jurídicas são diferentes e extrapolam fronteiras físicas e humanas. O direito internacional
privado também abrange a “dimensão internacional” das diferentes relações jurídicas, sempre
com foco na proteção de direitos no âmbito internacional e no contexto extraterritorial.

No ordenamento jurídico brasileiro há uma determinação de que qualquer das partes que
alegar direito estrangeiro deve provar o conteúdo e a vigência, desde que o juiz determine.
Nesse sentido, a doutrina majoritária do direito internacional privado entende que a norma
estrangeira deverá receber a mesma interpretação conferida no país de origem em território
brasileiro. O entendimento majoritário da doutrina brasileira caminha no entrosamento de que
os fatos julgados por um magistrado que necessitem das normas do direito estrangeiro
precisarão ser provados.
Autoria
Celso Gomes Polaino
Autor
Mestre em Ciências, na área Direito Penal, pela Faculdade de Direito da Universidade de São
Paulo (FDUSP), com orientação do professor titular Vicente Greco Filho. MBA em Gestão
Empresarial, na área Administração de Empresas, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Cursou
especialização lato sensu em Processo e Procedimento Eletrônico na Universidade Católica
Dom Bosco (UCDB), no Departamento de Direito Civil e Direito Processual Civil, e
especialização lato sensu em Direito Penal e Processo Penal na Universidade Gama Filho
(UGF). Estudou no Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM). Integrou o Instituto dos
Advogados de São Paulo (IASP: Comissão dos Jovens Advogados). É funcionário do Banco do
Brasil S.A. e professor de cursos de pós-graduação em Direito Processual Penal e Direito
Internacional Privado no Instituto Phorte e na Central de Cursos (São Paulo/SP). Foi consultor
jurídico do Centro de Estudos e Pesquisas da Administração Municipal (Cepam). Lecionou
como professor assistente e substituto em Direito Processual Civil juntamente com o ex-
docente titular e atual Ministro do Superior Tribunal de Justiça-STJ Paulo Sérgio Domingues
na Faculdade de Direito de Sorocaba (Fadi). Advogado regularmente inscrito na Ordem dos
Advogados do Brasil do Estado de São Paulo (OAB/SP). Bacharel pela Faculdade de Direito de
Sorocaba (FADI).

Currículo Lattes: [Link]


[[Link] .
Glossário
Contemporâneo
Aquilo que é do tempo atual, ou seja, que pertence ao mesmo tempo. Fonte: Diniz (2005, p.
1.008).

Elementos
No contexto jurídico, “elementos” podem se referir a diferentes conceitos, dependendo do
contexto: a) Noção fundamental ou que compõe uma doutrina, como, por exemplo, a doutrina
dos elementos da razão pura de Kant; b) princípio de uma ciência; c) expressão de uma
realidade na qual se encontra um conceito, como, por exemplo, o conceito do elemento
negativo de Hegel; d) tudo que entra na formação de um ato, de um fato ou coisa; cada uma
das partes mais simples do todo composto, que pode ser identificado em qualquer ramo ou
instituto do direito material ou do direito formal; daí falar-se em elementos do direito, elemento
do negócio jurídico etc. Fonte: Diniz (2005, p. 328).

Jus Privatum (jusprivatistas)


Locução latina que significa “direito privado”. No contexto do Direito, refere-se ao direito dos
particulares entre si, também conhecido como direito civil.

Fonte: Diniz (2005, p. 38).


Bibliografia
Bibliografia Clássica
BASSO, M. Curso de Direito Internacional Privado. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2011.

BASSO, M. Curso de Direito Internacional Privado. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2016.

BAPTISTA, O. Teoria Geral do Processo Civil. 4. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006.

BUCHER, E. Vers une convention mondiale sur la compétence et les jugements étrangers. La
Semaine Judiciaire, n. 2, p. 77-133, 2000.

BUENO, C. S. Os princípios do processo civil transnacional e o Código de Processo Civil


brasileiro. RP, v. 122, p. 167-86, 2005.

DINIZ, M. H. Dicionário Jurídico. 2. ed. rev. atual. e aum. São Paulo: Saraiva, 2005.

DOLINGER, J. Direito Internacional Privado: parte geral. 4. ed. atualizada. Rio de Janeiro:
Renovar, 1997.

DOLINGER, J. Direito Internacional Privado: parte geral. 8. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2005.

DOLINGER, J. Direito Internacional Privado: parte geral. 10. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2011.

ESPÍNOLA, E. Elementos de Direito Internacional Privado. Rio de Janeiro: J. Ribeiro dos Santos,
1925.

KAHN-FREUND, O. General problems of private international. Leyden: Sijthoff, 1976.

MAYER, P. Droit international privé. Paris: Montchrestien, 1977.

MONACO, G. F. C.; JUBILUT, L. L. Direito Internacional Privado. São Paulo: Saraiva, 2012. p. 16.
(Coleção Saberes do Direito, 56).

NEVES, G. B. Direito Internacional - 11. 4. ed. São Paulo: Saraiva 2012. (Coleção OAB nacional -
1ª fase).

RECHSTEINER, B. W. Direito Internacional Privado: teoria e prática. 11. ed. rev. e atual. São
Paulo: Saraiva, 2008.

ROZAS, J. C. F.; LORENZO, S. S. Curso de derecho internacional privado. 3. ed. Madrid: Civitas,
1996.

Bibliografia Geral
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Decreto n.
6.891, de 2 de julho de 2009. Promulga o Acordo de Cooperação e Assistência Jurisdicional em
Matéria Civil, Comercial, Trabalhista e Administrativa entre os Estados Partes do Mercosul, a
República da Bolívia e a República do Chile. Diário Oficial da União, Brasília, 3 jul. 2009.
Disponível em: [Link]
[[Link] . Acesso em:
14 maio 2021.

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