DRGE
⇒ Incidência = 15% da população (12-15% no BR)
⇒ Bastante relacionada a obesidade
FISIOPATOLOGIA
Relaxamento transitório do EEI (> 4% em 24h)
Hipotonia do EEI (menos comum)
Alterações anatômicas da TEG (hérnia de hiato)
⇒ H pylori NÃO é fator causal de DRGE!! - tratar H pylori não parece ter efeitos
sobre os sintomas de refluxo!**
⇒ Gravidade - relacionada a tempo de exposição e pH muito ácido (< 4)
⇒ Gravidade ≠ sintomatologia!
⇒ O EEI é considerado competente quando:
2-4cm extensão
Pressão ao redor de 15-30 mmHg durante a contração
Deglutição ⇒ < 10mmHg (para permitir a passagem do alimento)
SINTOMAS
⇒ Típicos:
Pirose
Regurgitação (sensação de refluxo ácido)
⇒ Atípicos:
Esofágicos - globus, dor torácica, disfagia
DRGE 1
Pulmonares - broncoespasmo, asma, pneumonias de repetição, tosse
crônica, bronquiectasia
Otorrinolaringológicas - rouquidão, pigarro, laringite, otalgia
Orais - desgaste do esmalte dentário, halitose, hipersalivação
DIAGNÓSTICO
CLÍNICO!!
Sintomas típicos sem sinais de alarme ⇒ tratamento empírico com IBP por
4-8 semanas
SINAIS DE ALARME = EDA!
Perda de peso, disfagia, vômitos, massa palpável, icterícia, hematêmese,
câncer TGI alto em familiar 1º grau
>40 anos
Refratariedade ao tratamento clínico
ACHADOS CONFIRMATÓRIOS DE DRGE NA EDA
Esofagite C e D de Los Angeles (grau B é discutível)
Estenose péptica
Esôfago de Barret longo (> 3cm)
Úlcera (acomete a camada muscular)
obs - caso o paciente não apresente estes achados na EDA e não tenha
sintomas típicos, não está confirmado o diagnóstico de certeza de DRGE →
devemos solicitar pHmetria!!
pHMETRIA
INDICAÇÕES
Dúvida diagnóstica (sintomas + EDA normal)
DRGE 2
Sintomas atípicos
Refratariedade ao tratamento clínico
Confirmação do diagnóstico antes da cirurgia (se EDA já fez o diagnóstico,
não precisa)
Recidiva dos sintomas no pós operatório
DRGE ⇒ pH < 4 em mais de 7% do tempo
Demeester > 14.7
obs - pHmetria só identifica episódios de refluxo ÁCIDO!!! para
identificarmos refluxos não ácidos e gasosos, é necessário realizar a
impedanciometria!!! **
IMPEDANCIOPHMETRIA (PADRÃO OURO)
⇒ + caro, menos disponível
⇒ Diagnóstico de refluxo ácido e não ácido
⇒ Composição (líquido, gasoso ou líquido-gasoso) e identifica o nível de
ascensão do refluxo no esôfago
⇒ Transporte do bolo alimentar
INDICAÇÕES
Pacientes na vigência de anti-secretores que não estão respondendo bem
ao tratamento
DRGE não diagnosticada na pHmetria
Refluxo não ácido
DIAGNÓSTICO
Evidência de pH < 4 em > 7% do tempo ou
Escore de Demeester > 14.7
DRGE 3
Além disso, pode-se identificar a presença de refluxo alcalino ou
secundário a conteúdo líquido ou gasoso
É um exame completo que avalia o nível de ascensão do conteúdo gástrico
no esôfago e a mecânica do transporte do bolo alimentar
IMPORTANTE⇒ ImpedanciopHmetria de 24h é o padrão ouro para
diagnóstico de DRGE! **
MANOMETRIA
⇒ NÃO realiza diagnóstico!!
⇒ Devemos solicitar sempre antes da cirurgia para descartar distúrbio motor
do esôfago
CLASSIFICAÇÃO DE LOS ANGELES - ESOFAGITE
Grau A ⇒ uma ou mais erosões < 5mm
Grau B ⇒ uma ou mais erosões > 5mm, não contíguas
Grau C ⇒ erosões contíguas acometendo pelo menos 2 pregas, envolvendo <
75% da luz do esôfago
Grau D ⇒ erosões contíguas ocupando > 75% da luz do esôfago
⇒ A prevalência de esofagite na endoscopia de paciente com DRGE é cerca
de 90%, porém, é importante lembrar que para o diagnóstico de DRGE é
preciso uma esofagite graus C e D pela classificação de Los Angeles!!!! **
⇒ Esofagite erosiva endoscópica ocorre em 50% dos pacientes!! **
DRGE 4
CLASSIFICAÇÃO DE SAVARY-MILLER
Grau I ⇒ uma ou mais erosões lineares em uma única prega longitudinal
Grau II ⇒ muitas erosões em mais de uma prega longitudinal, confluente ou
não, mas que NÃO ocupam 100% da circunferência do esôfago
Grau III ⇒ muitas erosões em mais de uma prega longitudinal, confluentes ou
não, mas que ocupam 100% da circunferência do esôfago
Grau IV ⇒ úlcera ou estenose péptica
Grau V ⇒ esôfago de Barret
COMPLICAÇÕES DA DRGE
Estenose péptica do esôfago
Úlceras esofágicas
Complicações respiratórias (tosse, broncoaspiração, pneumonia)
Esôfago de barret
Metaplasias
Displasias
Adenocarcinoma
TRATAMENTO
NÃO FARMACOLÓGICO
Mudança de hábito alimentar
Atividade física
Emagrecimento
DRGE 5
FARMACOLÓGICO
⇒ IBP por pelo menos 4 semanas
Se refratariedade dos sintomas, ou sinais de alarme → EDA!!
Dobrar dose de IBP
Cirurgia
INDICAÇÕES DE CIRURGIA NA DRGE
Estenose
Barret (principalmente o longo)
ATENÇÃO: a cirurgia não faz regressão da metaplasia, no máximo, ela
impede, diminui a progressão da doença, por diminuir o refluxo
gastroesofágico*
Úlcera (lembrar de úlcera de Cameron em hérnia de hiato)
Piora dos sintomas após suspensão do IBP
Ausência de melhora dos sintomas com IBP
Dependência de IBP (boa resposta a longo prazo)
Hérnia de hiato (com alteração estrutural importante) + DRGE sem melhora
CONTRAINDICAÇÕES À CIRURGIA
IMC >28 (ou 30) - aumento da pressão abdominal = fator de risco!
Se IMC > 35 ⇒ bypass
Distúrbio motor esofágio = fazer manometria pré-operatória!
Aumento da pressão abdominal (abdominoplastia)
PARÂMETROS PREDITIVOS DE BONS RESULTADOS DO TRATAMENTO
CIRÚRGICO DA DRGE
Refluxo ácido patológico (DeMeester alterado)
Sintomas típicos
Boa resposta ao tratamento clínico com IBP
DRGE 6
Alterações anatômicas importantes com hipotonia do EEI
PARÂMETROS PREDITIVOS DE MAUS RESULTADOS DO TRATAMENTO
CIRÚRGICO DA DRGE
Baixa resposta ao IBP
Obesidade
Sexo feminino
Sintomas extraesofágicos
CIRURGIA ⇒ HIATOPLASTIA + FUNDOPLICATURA
⇒ Tipos de fundoplicatura:
Total (360º) ⇒ Nissen (+ USADA)
Lind (180º, via posterior)
Toupet (270º, via posterior)
Dor (180º, via ANTERIOR) - preserva as fixações posteriores do esôfago
obs - para pacientes com esôfago curto - preferir gastroplastia de Collis com
fundoplicatura (tem como objetivo prolongar o esôfago através da confecção
de um neoesôfago, aliada a realização de uma válvula anti-refluxo através de
fundoplicatura)
⇒ NISSEN
A dissecção do pilar direito é realizada abrindo-se o pequeno omento e
mobilizando até a membrana frenoesofágica direita
Após a mobilização do fundo gástrico, a reflexão peritoneal do hiato e a
membrana frenoesofágica são incisados anteriormente ao pilar esquerdo
para evitar lesão do esôfago e do nervo vago posterior
Válvula - 5-6cm; fio INABSORVÍVEL
na técnica de Nissen, é realizada a liberação dos vasos gástricos curtos
para manipulação do fundo e confecção da válvula**
DRGE 7
⇒ pacientes que realizam a fundoplicatura à Nissen são incapazes de vomitar
depois de um procedimento efetivo
DISFAGIA PRECOCE
⇒ Causas
Migração da válvula (aumento súbito de pressão abdominal - tosse, vômito,
ruptura da rafia do hiato)
Fundoplicatura/válvula apertada
Hiatoplastia justa
Erro na indicação (Acalásia incipiente) ⇒ realizar manometria no pré-op!!!
⇒ Tratamento = cirurgia!!
OBS ⇒ a disfagia é o sintoma mais frequente no pós operatório (11% dos
pacientes), podendo durar de 2-12 semanas e necessitando de uma dieta
modificada com líquidos nesse período***
A persistência do quadro de disfagia além de 12 semanas requer avaliação
com EED
Inicialmente avaliaremos a posição e possível migração da fundoplicatura,
podendo essa ser a causa do sintoma de disfagia
Pacientes que apresentam sintomas de DRGE também devem ser
submetidos a pHmetria, EDA e manometria
Durante o EED podemos avaliar o calibre para determinar se o tratamento
deverá ser cirúrgico ou se podemos iniciar com dilatação endoscópica
Dilatação ⇒ pacientes com motilidade pré-op normal e com passagem
lenta de tablete de bário de 13mm
Reabordagem cx ⇒ fundoplicatura 360º → fundoplicatura 270º
DRGE 8
COMPLICAÇÕES PÓS-OPERATÓRIAS
⇒ Migração da válvula
Precoce ⇒ aumento súbito da pressão abdominal no pós-operatório (tosse,
vômito, hiato alargado)
Sintomas - disfagia
Tratamento = reoperação
Tardia ⇒ normalmente relacionada com hiato alargado; tentativa clínica de
controle dos sintomas
⇒ Fundoplicatura apertada
Diafagia no pós-operatório precoce
Conduta ⇒ tratamento endoscópico ou reoperação
⇒ Hiatoplastia apertada
Disfagia no pós-operatório precoce
Conduta ⇒ reoperação
⇒ Desgarramento da válvula
Normalmente tardio
Conduta = tentativa clínica de controle dos sintomas de refluxo
Se não houver melhora = cirurgia
OBS ⇒ uma outra causa de disfagia precoce é o erro de indicação (Acalásia
incipiente ou outro distúrbio motor do esôfago) - que são muito agravados com
a confecção de uma válvula, por isso realizamos manometria em todos os
pacientes no pré-op!!
⇒ a principal falha após cirurgia para o tratamento de DRGE como indicação
para reoperação é a própria recidiva do refluxo!!
DRGE 9
CLASSIFICAÇÃO DE VISICK
⇒ Usada para avalia desfecho clínico e mensurar o sucesso de gastrectomias
para úlceras e, mais atualmente, fundoplicaturas para DRGE
I - assintomáticos
II - sintomas leves
III - sintomas moderados, sem melhora
IV - sintomas intensos, com piora após o procedimento
DRGE 10