Avaliação Geriátrica Ampla: Importância e Benefícios
Avaliação Geriátrica Ampla: Importância e Benefícios
Introdução
O aumento da expectativa de vida foi uma das principais conquistas do desenvolvimento
médico, social e econômico do século XX, trazendo como consequência, quase que
invariavelmente, multimorbidade e incapacidade. Essas situações, apesar de não serem
exclusivas da velhice, têm prevalência aumentada, de forma substancial, com a idade (Banerjee,
2015).
Barnett et al. (2012) demonstraram que 65% dos indivíduos entre 65 e 84 anos e 82%
daqueles com 85 anos ou mais são portadores de multimorbidade, ou seja, de duas ou mais
doenças crônicas.
Indivíduos com multimorbidade tendem a apresentar grande complexidade e vulnerabilidade,
pois sofrem de mais problemas cognitivos, funcionais e psicossociais; têm maiores riscos de que
as suas doenças, especialmente as complicações agudas, manifestem-se de forma obscura ou
atípica, retardando o diagnóstico e o início do tratamento; e são muito mais propensos a
iatrogenia, fragilização, síndromes geriátricas, admissões e readmissões hospitalares e
institucionalização. Portanto, requerem acompanhamento constante no sistema de saúde.
A avaliação geriátrica ampla (AGA) é a resposta a essa complexidade e, geralmente, inclui a
avaliação do paciente em vários domínios, sendo mais comumente incluídos o físico (médico), o
mental, o social, o funcional e o ambiental. A condição funcional do paciente com idade
avançada é um dos parâmetros mais importantes da avaliação geriátrica. O termo funcional é
usado em seu sentido estrito, cujo significado é a habilidade do idoso de funcionar na arena da
vida diária. A evidência de declínio funcional faz pressupor a existência de doença ligada ao
quadro e que, algumas vezes, não está diagnosticada, decorrente, em geral, das manifestações
clínicas atípicas inerentes a essa faixa etária, constituindo um desafio à prática clínica (Sattar et
al., 2014).
Os princípios básicos da avaliação geriátrica surgiram há mais de 60 anos, no Reino Unido,
com a médica inglesa Marjory Warren, que, em 1936, iniciou obstinado trabalho de reabilitação
de pacientes incapacitados em um hospital londrino. Muitos deles recuperaram a mobilidade e
receberam alta. O resultado positivo deste trabalho introduziu o conceito do cuidado
interdisciplinar e a necessidade de uma avaliação ampla dos pacientes geriátricos, com o objetivo
de esquematizar um plano terapêutico. Na década de 1940, ela publicou artigo no British
Medical Journal (BMJ) intitulado “Cuidando do cronicamente doente”, no qual demonstrava a
importância da avaliação de vários domínios e da reabilitação (Costa, 2003).
Posteriormente, surgiram vários serviços geriátricos na Inglaterra que adotaram o método da
dra. Warren. Na década de 1970, o Department of Vetterans Affairs (VA) americano criou as
primeiras Unidades de Avaliação e Manuseio Geriátrico (GEM; do inglês, Geriatric Evaluation
Units) utilizando a AGA para estabelecer o prognóstico e planejar o cuidado do idoso
hospitalizado por meio de equipes interdisciplinares. Em 1990, três quartos das unidades do VA
tinham o programa GEM (Ribeiro, 2010). Atualmente, a AGA é amplamente difundida no
mundo e aplicada, além do contexto hospitalar, nas instituições de longa permanência (ILP),
emergências, ambulatórios e atendimento domiciliar.
Para facilitar a avaliação geriátrica, são usados instrumentos capazes de detectar sinais de
demência, delirium, depressão, efeitos colaterais de medicamentos, fragilidade, déficits visuais e
auditivos, bem como de grandes síndromes geriátricas e perda do equilíbrio e da capacidade
funcional. Esses instrumentos também são úteis para predizer prognóstico, tolerabilidade ao
tratamento e riscos de morte e incapacidade. O conjunto dos instrumentos de avaliação –
procedimentos, regras e técnicas – tem como meta avaliar o idoso de forma global (Sattar et al.,
2014; Costa et al., 2019).
Com a identificação das condições funcionais do paciente, associadas ou não às doenças
crônicas e às síndromes geriátricas, é possível desenvolver um plano de cuidados que vise não só
ao tratamento das doenças diagnosticadas como também retardar o aparecimento de
incapacidades, amenizá-las ou mesmo revertê-las.
Definições
A AGA é um processo diagnóstico multidimensional, geralmente interdisciplinar, para
determinar as deficiências, incapacidades e desvantagens do idoso e planejar o seu cuidado e
assistência a médio e longo prazos, tanto do ponto de vista médico como psicossocial e
funcional. A diferença da AGA para um atendimento médico habitual é que ela prioriza o estado
funcional e a qualidade de vida, utilizando instrumentos de avaliação (testes, índices e escalas),
facilitando a comunicação entre os membros da equipe interdisciplinar e a comparação evolutiva.
É utilizada preferencialmente nos idosos frágeis e portadores de multimorbidade (Costa;
Monego, 2003; Parker et al., 2018).
A AGA é também conhecida como Avaliação Geriátrica Multidimensional (AGM) ou
Avaliação Geriátrica Global (AGG) e é considerada o padrão-ouro para a avaliação de idosos, ou
seja, é chamada de “coração e alma da medicina geriátrica” (Solomon, 2000).
Os seus objetivos principais são realizar um diagnóstico global, desenvolver um plano de
tratamento e reabilitação, gerenciando os recursos para esse fim.
Ela é capaz de identificar diminuições da capacidade, limitações das atividades e mesmo
restrições à participação (desvantagens) do paciente idoso, mas se utilizada isoladamente da
avaliação clínica tradicional não identifica as condições de saúde (distúrbios ou doenças)
responsáveis por elas. Por outro lado, se uma avaliação médica padrão obtém bons resultados em
uma população de não idosos, os resultados tendem a falhar na detecção dos problemas
prevalentes na população idosa. Esses desafios referem-se, principalmente, às síndromes
geriátricas e às doenças ocultas e/ou com manifestações atípicas, cuja identificação é
fundamental para a adequação terapêutica e para a prevenção da incapacidade nessa população.
A AGA faz parte da avaliação clínica do idoso, sendo fundamental nos pacientes portadores
de multimorbidade e em uso de vários medicamentos. Essa avaliação deve ser fundamentada em
uma anamnese criteriosa e com a observação das peculiaridades indispensáveis à boa
comunicação entre o médico e o paciente idoso. Nesses pacientes, a cura da doença pode não ser
a prioridade, mas sim a preservação da função, da independência e da qualidade de vida (High et
al., 2019).
Benefícios e evidências
Existem evidências suficientes que justificam a aplicação da AGA em pacientes idosos;
dentre elas, destacam-se (Luk et al., 2000; Wildiers et al., 2014; Costa et al., 2019):
Nos estudos clínicos em que se avalia a capacidade funcional e a qualidade de vida, a AGA
identifica populações de risco, favorece investimento em saúde, qualidade de vida e bem-estar e,
principalmente, permite o planejamento de ações e políticas de saúde (Costa; Monego, 2003).
Entre os benefícios da AGA, demonstrados em diversos estudos, encontram-se: precisão
diagnóstica, melhora do estado funcional e mental, melhora do humor, redução da mortalidade,
diminuição de internação hospitalar e de institucionalização, diminuição da necessidade de
assistência domiciliar, redução do uso de medicamentos e da iatrogenia, diminuição do uso e dos
custos do sistema de saúde, além de maior satisfação com o atendimento (Luk; Orm; Woo,
2000).
Por outro lado, ajuda a estabelecer critérios para a internação hospitalar ou em ILP; orienta
adaptações ambientais, reduzindo as hostilidades dos locais em que vivem com a colocação de
rampas, adequação de pisos, barras de apoio em corredores e banheiros etc.; avalia o grau de
comprometimento mental, motor ou psíquico; estabelece metas nutricionais e de otimização
terapêutica; além de ser elemento fundamental para a criação de políticas públicas de ação na
saúde e de destinação de recursos. Apesar de o maior benefício ser identificado entre os idosos
frágeis e os doentes, a maioria dos pacientes é beneficiada pela AGA, especialmente nos
programas que incluem a avaliação, a reabilitação e o acompanhamento a longo prazo.
A AGA também é um importante preditor de desfechos desfavoráveis, ou seja, tem valor
prognóstico, para pacientes cirúrgicos, oncológicos e ortopédicos (Puts et al., 2012; Wildiers et
al., 2014; Kim et al., 2014; Prestmo et al., 2015). Nos idosos em estágio avançado de doença
renal adquire importância para detectar fragilidades e consequentemente propor medidas para
melhoria destes pacientes (Goto et al., 2018).
A clássica metanálise publicada em 1993 por Stuck et al. incluiu 28 estudos controlados,
perfazendo um total 10 mil pacientes, e demonstrou que a maioria dos benefícios encontrados
nesses estudos apresentavam significância estatística e clínica. Foram observados redução do
risco de morte, aumento das chances de voltar a residir na comunidade, redução das readmissões
hospitalares, além de maiores chances de melhora cognitiva e funcional.
Com o objetivo de examinar os efeitos de avaliação multidimensional preventiva em visitas
domiciliares de idosos residentes na comunidade foi realizada uma metanálise na qual foram
incluídos 21 ensaios clínicos randomizados que, apesar de heterogênios, avaliaram 14.597
participantes. Os autores concluíram que a intervenção com visitas domiciliares preventivas
contando com avaliação multidimensional e exame clínico tem o potencial de reduzir a perda
funcional de idosos (Huss et al. 2008).
Ellis et al. (2011), em revisão sistemática e metanálise, compararam o uso da AGA com o
cuidado tradicional em idosos admitidos em hospitais. Foram avaliados 10.315 participantes em
22 ensaios clínicos randomizados realizados em seis países e a conclusão dos autores foi de que a
avaliação por meio da AGA aumenta a possibilidade de os idosos estarem vivos e em seu próprio
domicílio 12 meses depois da internação. Parker et al. (2018) buscaram revisões e metanálises,
em diversos bancos de dados, que descrevem hospitais que utilizavam AGA nos pacientes
internados, confirmando a definição de AGA como “processo multidimensional e
multidisciplinar que identifica as necessidades médicas, sociais e funcionais e o desenvolvimento
de um plano de cuidados integrados/coordenados para atender essas necessidades”, e
demonstraram que os idosos com doenças agudas eram os mais beneficiados avaliando os
desfechos de morte, deficiência e institucionalização.
A AGA também é útil nas unidades de emergência. Em estudo de coorte belga, Deschodt et
al. (2015) observaram que, dentre os indivíduos de 75 anos e mais atendidos nas unidades de
emergência que receberam alta, a capacidade para executar as atividades instrumentais da vida
diária (AIVD), a mobilidade, as condições nutricionais e a cognição eram melhores que dentre
aqueles que foram hospitalizados. Aqueles que após alta necessitavam de fisioterapia e
assistência para preparar alimentação, portanto com maior incapacidade funcional, tiveram
maiores chances de reinternação hospitalar. Os autores sugerem que a AGA tem potencial para
identificar os idosos atendidos na emergência com maiores riscos de ficarem hospitalizados, bem
como de serem readmitidos logo após a alta.
Os princípios e processos da AGA têm sido gradativamente incorporados a outras
especialidades médicas, incluindo a oncologia (Sattar et al., 2014; Wildiers et al., 2014; Kalsi et
al., 2015), cardiologia (Forman et al., 2017), ortopedia (Kim et al., 2014; Prestmo et al., 2015) e
nefrologia (Goto et al., 2018).
As evidências têm demostrado que a AGA só é eficaz se existir um processo de identificação
dos idosos que realmente possam se beneficiar de sua aplicação, se a avaliação resultar em um
plano de cuidado, e se o plano de cuidado for implementado, preferencialmente, por equipe
interdisciplinar (High et al., 2019).
As implicações clínicas desses estudos sugerem que a AGA deve se tornar um procedimento
padrão para o atendimento dos idosos e expertise clínica é necessária para implementação das
abordagens com base nesse tipo de avaliação. Geriatras devem ser treinados para utilizar a AGA
da mesma forma que utilizam testes laboratoriais e exames de imagem, pois ela tem valor
diagnóstico, prognóstico e como norteadora do tratamento (Stuck; Illif, 2011).
Estrutura e componentes
Para lidar com a complexidade dos problemas desses idosos, o profissional necessita coletar,
organizar e usar adequadamente, de forma sistemática e com objetivos definidos, uma vasta
gama de informações clínicas e funcionais relevantes. Por isso, a AGA tem que ser completa, de
modo a permitir um diagnóstico funcional, identificar os indivíduos em risco, estruturada, para
que possa servir para acompanhamento da evolução e definição do prognóstico do paciente, não
ser extensa e ter um custo razoável (Paixão; Reichenhein, 2005).
Sua estrutura pode variar dependendo da expertise da equipe que a aplicar e das
especificidades do local onde é realizada. Entretanto, apesar dessa variação, possui
características constantes como o fato de ser sempre multidimensional, utilizar instrumentos
padronizados para avaliar todos os fatores que interferem na saúde do idoso, e de avaliar no
mínimo as quatro principais dimensões, que são a capacidade funcional, as condições médicas, o
funcionamento social e a saúde mental (Costa, 2013).
Os parâmetros avaliados pela AGA são:
■ Avaliação de sarcopenia
A triagem para sarcopenia pode ser feita utilizando-se o SARC-F, um questionário de cinco
itens, de fácil aplicação, que é autorrelatado pelos pacientes. A força muscular é avaliada
principalmente pela força de pressão palmar, a mensuração da massa muscular pode ser feita por
meio de métodos antropométricos e/ou da bioimpedância e/ou da densitometria corporal total, e
o desempenho muscular é avaliado principalmente pelo teste do levantar e andar cronometrado
(Timed Up and Go Test), velocidade da marcha e pelo Short Physical Performance Battery
(SPPB) (Cruz-Jentoft et al., 2018; Cruz-Jentoft; Sayer, 2019). Para maiores informações, ver
Capítulo 91.
■ Velocidade de marcha
É medida pelo tempo, em segundos e milésimos de segundo, que o indivíduo leva para
percorrer 4 metros. O cálculo é feito pela média de três tentativas (normal > 0,8 m/s) e avalia o
desempenho muscular (ver Capítulo 91).
■ Circunferência da panturrilha
É a medida antropométrica mais sensível e mais utilizada para avaliação da massa muscular
em idosos (normal ≥ 31 cm). A técnica para realizar esta medida é descrita no tópico “Estado e
risco nutricional” neste mesmo capítulo.
Memória Nomear três objetos e pedir ao paciente que repita: “carro, 3 pontos
imediata vaso, tijolo”
Se ele não conseguir, ensinar até aprender, no máximo até 6
vezes
Atenção e cálculo Pedir que o paciente diminua 7 de 100 (5 vezes sucessivas) 5 pontos
Alternativa: soletrar a palavra “mundo” na ordem inversa
Pedir que repita: “nem aqui, nem ali, nem lá” 1 ponto
Interpretação: pontuação mínima de acordo com a escolaridade – analfabetos, 20 pontos; 1 a 4 anos de estudo, 25 pontos; 5 a 8
anos de estudo, 26 pontos; 9 a 11 anos de estudo, 28 pontos; superior a 11 anos de estudo, 29 pontos. (Fonte: Folstein et al., 1975;
modificada por Bertollucci et al., 1994 e Brucki et al., 2003.)
6 Uso inapropriado dos ponteiros (uso de mostrador digital ou circulação de números, apesar de
repetidas instruções)
4 Distorção da sequência numérica, números faltando ou colocados fora dos limites do relógio
2 Alguma evidência de ter entendido as instruções, mas o desenho apresenta vaga semelhança
com um relógio
A despeito da realização dos testes tanto para detecção de demência quanto para depressão, é
bom lembrar que eles têm caráter de rastreio e não de diagnóstico, devendo-se, então, utilizar os
critérios da Classificação Internacional de Doenças (CID) e/ou do Manual Diagnóstico e
Estatístico de Transtornos Mentais (DSM). É possível encaminhar o paciente para testes
neuropsicológicos mais elaborados para confirmar um diagnóstico.
Deficiências sensoriais
Os déficits sensoriais relacionados a visão e audição aumentam muito com o avançar da
idade, tornando-se empecilho para a realização das atividades da vida diária (AVD).
Idosos com deficiência visual têm sua saúde e bem-estar comprometidos, pois podem perder
sua carteira de motorista e sua independência, isolar-se socialmente, apresentar depressão,
quedas com consequente redução da sua qualidade de vida.
A perda auditiva subdiagnosticada e, consequentemente, subtratada interfere na validade e na
confiabilidade das avaliações funcionais, pois reduz pontos em testes de avaliação cognitiva,
colocando pacientes em faixa de deficiência cognitiva e até demência. Além disso, essa perda
está associada a maiores taxas de hospitalização, readmissão e eventos clínicos diversos,
inclusive declínio cognitivo (High et al., 2019).
15. Você sente que a maioria das pessoas está melhor do que você? 1 0
(10)
Total ___ pontos
Interpretação: > 5 pontos, sugestiva de depressão. Nota: as indicações 10, 4 e 1 que aparecem ao lado das questões indicam os
itens incluídos na GDS-10 (10 itens),GDS-4 (4 itens) e GDS-1 (1 item). (Fonte: Yesavage; Brink, 1983; Almeida; Almeida,
1999a,b.)
Continência Urinária
Fecal
Fonte: Costa et al., (2019).
■ TABELA 9.5 Avaliação das atividades básicas de vida diária (ABVD) – Escala de Katz.
2. Vestir-se (pega roupa, inclusive peças íntimas, nos armários e gavetas, e manuseia fecho, inclusive os
de órteses e próteses, quando forem utilizadas).
( ) Pega as roupas e veste-se completamente, sem ajuda. (I)
( ) Pega as roupas e veste-se sem ajuda, exceto para amarrar os sapatos. (I)
( ) Recebe ajuda para pegar as roupas ou vestir-se, ou permanece parcial ou completamente sem roupa.
(D)
3. Uso do vaso sanitário (ida ao banheiro ou local equivalente para evacuar e urinar; higiene íntima e
arrumação das roupas)
( ) Vai ao banheiro ou lugar equivalente, limpa-se e ajeita as roupas sem ajuda (pode usar objetos para
apoio como bengala, andador ou cadeira de rodas e pode usar comadre ou urinol à noite, esvaziando-
o de manhã). (I)
( ) Recebe ajuda para ir ao banheiro ou local equivalente, ou para se limpar ou para ajeitar as roupas após
evacuação ou micção, ou para usar a comadre ou urinol à noite. (D)
( ) Não vai ao banheiro ou equivalente para eliminação fisiológica. (D)
4. Transferências
( ) Deita-se e sai da cama, senta-se e levanta-se da cadeira sem ajuda (pode estar usando objeto para
apoio como bengala, andador). (I)
( ) Deita-se e sai da cama e/ou senta-se e levanta-se da cadeira com ajuda. (D)
( ) Não sai da cama. (D)
5. Continência
( ) Controla inteiramente a micção e a evacuação. (I)
( ) Tem “acidentes” ocasionais. (D)
( ) Necessita de ajuda para manter o controle da micção e evacuação; usa cateter ou é incontinente. (D)
6. Alimentação
( ) Alimenta-se sem ajuda. (I)
( ) Alimenta-se sozinho, mas recebe ajuda para cortar carne ou passar manteiga no pão. (I)
( ) Recebe ajuda para alimentar-se, ou é alimentado parcialmente ou completamente pelo uso de cateteres
ou fluidos intravenosos. (D)
Instruções: para cada área de funcionamento listada, assinale a descrição que se aplica (a palavra “ajuda” significa supervisão,
orientação ou auxílio pessoal): I – independente; D – dependente. Interpretação: 0 – independente em todas as seis funções; 1 –
independente em cinco funções e dependente em uma função; 2 – independente em quatro funções e dependente em duas
funções; 3 – independente em três funções e dependente em três funções; 4 – independente em duas funções e dependente em
quatro funções; 5 – independente em uma função e dependente em cinco funções; 6 – dependente em todas as seis funções.
(Fonte: Katz et al., 1963; Katz; Akpom, 1976; Lino et al., 2008.)
Para uma vida independente e ativa na comunidade, executando as atividades rotineiras do
dia a dia, o idoso deve usar os recursos disponíveis no meio ambiente. O conjunto dessas
atividades foi denominado AIVD (Tabela 9.7). Estão relacionadas com a realização de tarefas
mais complexas, como arrumar a casa, telefonar, viajar, fazer compras, preparar os alimentos,
controlar e tomar os remédios e administrar as finanças. De acordo com a capacidade de realizar
essas atividades, é possível determinar se o indivíduo pode ou não viver sozinho sem supervisão.
■ TABELA 9.6 Avaliação das atividades básicas de vida diária (ABVD) – Índice de Barthel.
Pontuação Atividade
1. Alimentação
5 pontos Ajuda: necessita de ajuda para passar manteiga, usar sal e pimenta etc.
2. Banho
3. Vestuário
5 pontos Ajuda: necessita de ajuda, mas realiza pelo menos 1/2 das tarefas em tempo razoável
4. Higiene pessoal
5 pontos Independente: capaz de lavar as mãos e o rosto, escovar os dentes e barbear-se, sem
ajuda
0 ponto Dependente: necessita de ajuda de outra pessoa em qualquer das atividades do item
anterior
5. Evacuações
10 pontos Continente: não apresenta incontinência, consegue usar supositórios ou enemas, sozinho
10 pontos Continente: não apresenta incontinência; quando necessário é capaz de lidar sozinho com
sonda vesical ou outro dispositivo
10 pontos Independente: usa o vaso sanitário ou urinol. Senta-se e levanta-se sem ajuda, mesmo
que use barras de apoio. Limpa-se e veste-se sem ajuda
0 ponto Dependente: recebe auxílio direto de outra pessoa ou não desempenha a função
8. Passagem cadeira-cama
15 pontos Independente: não necessita de ajuda na transferência. Se utiliza cadeira de rodas, faz
tudo sozinho
5 pontos Grande ajuda: capaz de sentar, mas necessita de assistência total para passagem
9. Deambulação
15 pontos Independente: capaz de caminhar sem ajuda pelo menos 50 metros, mesmo com
bengalas, muletas, prótese ou andador
10 pontos Ajuda: capaz de caminhar pelo menos 50 metros, mas necessita de ajuda ou supervisão
10. Escadas
10 pontos Independente: capaz de subir ou descer escadas sem ajuda ou supervisão, mesmo com
muletas, bengalas ou apoio no corrimão
Usar o telefone
A escala de Lawton é uma das mais utilizadas para avaliação das AIVD e foi desenvolvida
avaliando idosos da comunidade em 1969. Em algumas circunstâncias, deve ser relevada a
incapacidade de uma pessoa realizar tarefas para as quais não tenha habilidade, como cozinhar,
por exemplo, prejudicando a análise de sua independência. Esta escala não está validada em
nosso meio, além de apresentar várias versões de traduções livres (Lawton; Brody, 1969;
Lawton, 1971). Há uma versão disponível na Tabela A.3 do Apêndice on-line.
Outra escala muito utilizada para avaliação das atividades instrumentais é o Questionário de
Pfeffer para as Atividades Funcionais. Proposto em 1982, comparou idosos sadios com os que
possuíam déficit cognitivo; portanto, tem grande importância no diagnóstico e acompanhamento
das demências. Há uma adaptação e validação em andamento, já tendo sua primeira fase
publicada (Sanches et al., 2011). A escala é muito utilizada em nosso meio para avaliar se o
déficit cognitivo é acompanhado de limitações funcionais. A versão mais utilizada em nosso
meio é a que foi empregada no Projeto SABE, disponível na Tabela 9.8 (Pfeffer et al., 1982;
Lebrão; Laurenti, 2005).
Perguntas Pontos
9. Ele(a) é capaz de andar pela vizinhança e encontrar o caminho de volta para casa?
Triagem Pontos
C. Mobilidade
0 = Restrito ao leito ou à cadeira de rodas
1 = Deambula, mas não é capaz de sair de casa
2 = Normal
D. Passou por algum estresse psicológico ou doença aguda nos últimos 3 meses?
0 = Sim
2 = Não
E. Problemas neuropsicológicos
0 = Demência ou depressão grave
1 = Demência leve
2 = Sem problemas neuropsicológicos
Está satisfeito e pode contar com seus familiares (amigos) para resolver seus 0 − Raramente
problemas? 1 − Ocasionalmente
2 − Frequentemente
Está satisfeito com a forma com que seus familiares (amigos) conversam e 0 − Raramente
compartilham os problemas com você? 1 − Ocasionalmente
2 − Frequentemente
Está satisfeito com a forma com que seus familiares (amigos) acatam e apoiam 0 − Raramente
suas vontades e decisões? 1 − Ocasionalmente
2 − Frequentemente
Está satisfeito com a forma com que seus familiares (amigos) expressam 0 − Raramente
afeição e respondem às suas emoções, como raiva, sentimentos de culpa, 1 − Ocasionalmente
medo, afeto?
2 − Frequentemente
Está satisfeito com a forma com que você e seus familiares (amigos) 0 − Raramente
compartilham o tempo juntos? 1 − Ocasionalmente
2 − Frequentemente
Pontue a escala para os familiares e para os amigos separado. Escore: < 3 pontos, acentuada disfunção nas relações familiares e
de amizade; 4 a 6 pontos, moderada disfunção nas relações familiares e de amizade; > 6 pontos, disfunção leve ou ausente.
(Fonte: Smilkstein et al., 1982; Meiner 2011.)
Solicitar no agendamento da consulta que o paciente ou acompanhante traga uma sacola com todos os
medicamentos em uso pelo paciente
Mostrar cada medicamento e perguntar a posologia, há quanto tempo usa e para que foi indicado
Perguntar sobre outros medicamentos utilizados recentemente (último mês) e sobre a suspensão ou
mudança de dosagem de algum medicamento
Perguntar sobre o uso de medicação injetável, tópica ou aerossóis, de remédios naturais, fitoterápicos,
vitaminas e sobre automedicação
Perguntar sobre a relação entre introdução, aumento ou redução de dose e suspensão de algum
medicamento com: declínio funcional, confusão mental, quedas, incontinência
Fonte: Costa et al., (2019).
Comorbidades e multimorbidade
Comorbidade e multimorbidade têm sido, com frequência, utilizadas como sinônimos. No
entanto, comorbidade é atualmente usada para descrever os efeitos combinados de doenças
adicionais sobre uma “doença índice” (condição principal apresentada pelo paciente), como é
caso das comorbidades em um paciente com câncer. Multimorbidade é a ocorrência em um
mesmo indivíduo de duas ou mais doenças crônicas (Fabbri et al., 2015). No idoso, o que mais
se observa é a presença de multimorbidade, pois a prevalência de doenças crônicas aumenta com
a idade e, na maioria das vezes, é difícil estabelecer qual seria a doença principal já que elas
interagem entre si para determinarem o quadro clínico e todas contribuem para aumentar os
riscos de desfechos desfavoráveis como perda funcional, fragilidade, síndromes geriátricas e
morte.
Entender por que várias doenças podem coexistir em um mesmo indivíduo é complicado e
existem inúmeras razões, incluindo efeitos do acaso, fatores de risco ou mecanismos
fisiopatológicos comuns e complexidades iatrogênicas (Fabbri et al., 2015).
Entretanto, se um idoso com múltiplas doenças crônicas (multimorbidade) é internado com
pneumonia ou fratura de fêmur ou recebe o diagnóstico de câncer e vai iniciar o tratamento
quimioterápico, essas situações passam a ser a “doença índice” e avaliar as comorbidades é de
extrema importância, pois influenciam a expectativa de vida, a tolerância a intervenções
diagnósticas e terapêuticas, no prognóstico funcional e a qualidade de vida. Por isso, índices de
comorbidades devem ser incluídos na AGA, principalmente de pacientes hospitalizados, com
condições agudas, ou com diagnóstico de doença que demandará intervenções terapêuticas mais
invasivas, como é o caso daqueles com doença oncológica.
Da mesma forma que a lista de medicamentos usados, a lista de doenças deve ser obtida
durante a anamnese no exame clínico tradicional do qual a AGA não deve ser dissociada. Índices
de comorbidades, no entanto, não são simplesmente lista de doenças, mas escalas nas quais o
paciente recebe ponto por cada doença que apresente e essa pontuação é relacionada a
prognósticos, principalmente a risco de morte.
Um dos mais utilizados é o índice de comorbidade de Charlson que inclui 19 condições
clínicas selecionadas, registradas como diagnóstico secundário, por seu poder de associação à
mortalidade. As condições clínicas mais frequentes na coorte de pacientes estudados foram
incluídas na escala, sendo estabelecidos pesos para cada uma delas, a partir dos valores dos
riscos relativos de mortalidade em 1 ano na população estudada (Charlson et al., 1987).
Posteriormente, os próprios Charlson et al., validaram a escala acrescendo um ponto para cada
década acima dos 50 anos, sendo esse valor somado ao escore obtido na escala de Charlson
original. Eles concluíram que a escala combinada era um bom preditor do prognóstico e ela
passou a ser chamada de índice comorbidade-idade de Charlson (ICIC) (Charlson et al., 1994).
Apesar de muito utilizado no Brasil em vários estudos de mortalidade hospitalar, não existe
nenhum estudo de validação no país. Iucif e Rocha (2004) avaliaram mais de 20 mil egressos de
internações hospitalares na cidade de Ribeirão Preto (SP) e evidenciaram que o Índice de
Comorbidade de Charlson tem correlação com a mortalidade hospitalar. A Tabela 9.12 mostra o
ICIC e os riscos de morte em 1 ano conforme a pontuação.
1 Infarto do miocárdio
Insuficiência cardíaca congestiva
Doença vascular periférica
Demência
Doença cerebrovascular
Doença pulmonar crônica
Doença do tecido conjuntivo
Diabetes melito leve, sem complicação
Úlcera péptica
2 Hemiplegia
Doença renal grave ou moderada
Diabetes melito com complicação
Tumor
Leucemia
Linfoma
Ponderação da idade
0 a 49 0
50 a 59 1
60 a 69 2
70 a 79 3
80 a 89 4
90 a 99 5
Escore: mortalidade em 1 ano – 0 ponto (12%); 1 a 2 pontos (26%); 3 a 4 pontos (52%); ≥ 5 pontos (85%). (Fonte: Iucif; Rocha,
2004.)
Existem outros índices, inclusive mais específicos para a população idosa; porém, todos
também não foram validados no Brasil e convém ressaltar que instrumentos exclusivos de
avaliação de comorbidades podem não ter a acurácia esperada na população idosa para predizer
desfechos desfavoráveis, sendo melhor associá-los a outros componentes da AGA,
principalmente às avaliações da capacidade funcional, cognitiva e nutricional.
Um estudo realizado para avaliar mortalidade comparou componentes da AGA, como o
índice de Barthel para AVD e o Miniexame do Estado Mental, com dois instrumentos de
avaliação de prognóstico e cinco de avaliação de comorbidades, inclusive o Índice de
Comorbidade de Charlson, e a conclusão foi de que nenhum desses instrumentos foi superior a
alguns componentes da AGA para predizer mortalidade em 5 anos de idosos hospitalizados. Os
resultados desse estudo também demonstraram que nenhum dos instrumentos usados melhorou a
acurácia prognóstica da AGA em predizer a sobrevivência e, portanto, agrega mais às crescentes
evidências de que a AGA é melhor preditor do que a avaliação exclusiva de comorbidades. A sua
utilização como componente da AGA, portanto, fica mais restrita a situações específicas como
no caso de internações por doenças agudas e em pacientes que iniciarão tratamento oncológico
(Martínez-Velilla et al., 2014).
Outros parâmetros
Um parâmetro importante é a autoavaliação da saúde do indivíduo, a qual tem sido muito
utilizada em trabalhos populacionais, pois há uma relação direta entre autoavaliação de saúde e
indicadores da capacidade funcional. Uma sugestão é perguntar ao paciente o que ele acha de sua
saúde e mostrar as seguintes opções: muito boa, boa, regular, ruim, muito ruim e sem condições
(quando o paciente não tem condições de responder).
Outro parâmetro de igual importância é a presença ou não de maus-tratos. A avaliação e o
tratamento de maus-tratos em idosos apresentam vários desafios: as vítimas podem esconder o
fato ou ser incapazes de relatá-los devido ao comprometimento cognitivo; a alta carga de
doenças crônicas predispõe a resultados tanto falso-negativos (p. ex., fraturas atribuídas a
osteoporose), como falso-positivos (hematomas espontâneos decorrentes de fragilidade capilar);
barreiras culturais e linguísticas podem impedir divulgação de maus-tratos e um diagnóstico
definitivo de que o fato está ocorrendo pode levar semanas ou meses, fazendo com que os
médicos intervenham antes da confirmação, o que não é conduta normalmente utilizada no
tratamento de doenças médicas. Por essas e outras razões, o rastreio para maus-tratos não é
recomendado rotineiramente pela U.S. Preventive Services Task Force. Porém, a presença de
qualquer sinal de maus-tratos deve conduzir a uma avaliação pormenorizada pela equipe
interdisciplinar envolvida no atendimento ao paciente (ver Capítulo 7).
Outro parâmetro relevante é a estimativa de risco cardiovascular, pois a prevalência de
doenças cardiovasculares na população idosa é muito alta e a conduta de muitos tratamentos irá
variar de acordo com risco cardiovascular (ver Capítulos 31, 33 e 36).
A AGA deverá fornecer também informações específicas relativas ao grupo a que pertence o
idoso, por exemplo, idosos institucionalizados, idosos com neoplasias etc.
Aplicação
A AGA pode ser feita pelo médico em seu consultório, no entanto, é mais bem realizada por
uma equipe interdisciplinar, nos diferentes locais de atendimento ao idoso, como pronto-socorro,
enfermaria, centro de reabilitação, ambulatório, clínicas de outras especialidades e em programas
de atendimento domiciliar.
No Brasil, atualmente a AGA se encontra no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde
2016, que define algumas orientações para a realização da AGA na medicina suplementar. Essas
orientações podem ser aplicadas em todas as outras situações, em uma tentativa de uma
padronização (ANS, 2016).
O uso de testes de triagem é muito útil em unidades não geriátricas como os serviços de
ortopedia e oncologia e nas unidades básicas de saúde. Já nas unidades geriátricas, todos os
pacientes devem ser submetidos a uma avaliação ampla. Entretanto, muitos dos testes de triagem
foram desenvolvidos e validados para pacientes oncológicos ou estão em processo de adaptação
transcultural e validação em nosso meio. Dentre eles convém citar:
Esses instrumentos são úteis nos serviços de atenção básica e se o rastreio indicar a presença
de risco ou de vulnerabilidade, o idoso deverá ser submetido à avaliação geriátrica. Caso
contrário, recomenda-se acompanhamento na rede básica com rastreios periódicos.
■ TABELA 9.13 Versão final do Vulnerable Elders Survey (VES-13) adaptada para o português.
1. Idade _________
2. Em geral, comparando com outras pessoas de sua idade, você diria que sua saúde é: ruim, regular, boa,
muito boa ou excelente
Escrever ou manusear ou
segurar pequenos objetos?
4. Por causa de sua saúde ou restrição física, você tem alguma dificuldade para:
( ) Não
( ) Não faço compras – isso acontece por causa da sua idade? Sim Não
( ) Sim – você recebe ajuda para lidar com dinheiro? Sim Não
( ) Não
( ) Não lido com dinheiro – isso acontece por causa da sua idade? Sim Não
( ) Não
( ) Não ando – isso acontece por causa da sua idade? Sim Não
( ) Sim – você recebe ajuda para realizar tarefas leves? Sim Não
( ) Não
( ) Não faço tarefas domésticas leves – isso acontece por causa da sua idade? Sim Não
( ) Não
( ) Não tomo banho de chuveiro ou banheira – isso acontece por causa da Sim Não
sua idade?
Considerações finais
O idoso deve ser avaliado globalmente e parâmetros como capacidade funcional e aspectos
cognitivos, sociais, psicológicos e culturais nunca devem ser deixados para o segundo plano. A
dificuldade é como fazer a avaliação de tantos dados de forma estruturada, sistemática e dentro
de um tempo razoável. Apesar de nem sempre os protocolos permitirem que esses quesitos sejam
cumpridos, atualmente, com os conhecimentos e estudos que demonstram eficácia e as
limitações da AGA, ela ainda permanece como instrumento de grande importância na assistência
ao idoso, pois é capaz de detectar incapacidades, condições clínicas ocultas, riscos de
fragilização, limitações das atividades e mesmo restrições à participação (desvantagens). Além
de ser ferramenta fundamental para o planejamento terapêutico a médio e a longo prazos e
continua sendo parte essencial da abordagem interdisciplinar ao paciente geriátrico. Convém
ressaltar que os instrumentos de avaliação, como relatado anteriormente, são fundamentais no
balizamento da rotina e dos protocolos de aplicação.
A AGA introduz o conceito da promoção de vida saudável para o idoso, por meio de uma
abordagem diagnóstica multifacetada dos problemas físicos, psicológicos e funcionais,
focalizando a preservação e/ou a recuperação funcional, ao contrário da tradicional medicina
curativa. E mesmo que com pequenas modificações entre os diversos grupos, precisa ser
incorporada como rotina na moderna prática clínica, possibilitando uma ação preventiva e de
reabilitação, contribuindo para uma expectativa de vida saudável e maior.