SLIDE: MANUAIS DE DIAGNÓSTICOS DOS TRANSTORNOS MENTAIS
Objetivos dos Manuais de Diagnóstico
Formulação de diagnóstico: Auxiliar na identificação de transtornos mentais e na
elaboração de planos de intervenção.
Comunicação entre profissionais: Facilitar a troca de informações entre
profissionais de saúde.
Garantia de direitos: Assegurar o acesso a direitos previstos em lei para os
pacientes.
Coleta de estatísticas: Apoiar a formulação de políticas públicas e na coleta de
dados para análise estatística.
Histórico dos Principais Manuais
CID (Classificação Internacional de Doenças): Instrumento oficial utilizado mundialmente
para registrar e classificar doenças, incluindo transtornos mentais.
DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais): Desenvolvido pela
Associação Americana de Psiquiatria, é amplamente utilizado nos EUA e em outros países
para o diagnóstico de transtornos mentais.
CID-11
Finalidades e usos: O CID-11 facilita o registro sistemático, análise e comparação de
dados sobre doenças e transtornos mentais, além de apoiar decisões clínicas e políticas
públicas.
Destaques:
Padrão internacional de saúde.
Em vigor desde janeiro de 2022.
Estrutura adaptada para diversas culturas e idiomas.
Integração com terminologias modernas e conhecimento científico atualizado.
Suporte digital para tomada de decisões clínicas.
Descrição dos Transtornos Mentais na CID-11
Transtornos mentais, comportamentais e do neurodesenvolvimento: Síndromes que
afetam a cognição, regulação emocional ou comportamento, resultando em sofrimento
significativo ou prejuízo funcional nas áreas pessoais, sociais, educacionais e
ocupacionais.
DSM-5-TR (Texto Revisado)
Ateórico: Não segue uma teoria específica, sendo uma ferramenta prática e objetiva.
Harmonizado com a CID: O DSM-5-TR tem critérios alinhados com a CID, facilitando a
padronização.
Principais Atualizações:
Revisões textuais em cada transtorno.
Inclusão do transtorno do luto prolongado.
Mais de 70 conjuntos de critérios foram atualizados desde a publicação original do
DSM-5.
Considerações sobre o impacto do racismo e da discriminação nos transtornos
mentais.
Novos códigos para monitoramento de comportamento suicida.
Por que Atribuir Diagnósticos e Usar Manuais?
Facilitar a comunicação em diversos contextos clínicos.
Uso de técnicas de avaliação padronizadas.
Orientar tratamentos efetivos baseados em diagnósticos precisos.
Elementos de um Diagnóstico
Critérios diagnósticos e descritores: Definições específicas para cada transtorno.
Subtipos e especificadores: Categorias que ajudam a definir melhor a
apresentação do transtorno.
Diagnóstico principal: O transtorno que mais afeta o paciente.
Diagnóstico diferencial: Método utilizado para diferenciar entre transtornos com
sintomas semelhantes, identificando o que melhor se aplica ao paciente.
Diagnóstico Diferencial
Importância: Processo essencial para que o clínico determine qual transtorno mental está
presente, evitando erros de diagnóstico e tratamentos inadequados.
SLIDE: Psicopatologia Evolução
Evolução Temporal dos Transtornos Mentais
Transformação da Personalidade: Alterações na personalidade, geralmente de
origem interna, que podem ser normais (distintos traços da personalidade) ou
anormais (transtornos de personalidade).
Desenvolvimento: Refere-se à progressão de uma personalidade, tanto normal
quanto anormal, afetada por mudanças internas psíquicas.
Fenômenos Agudos ou Subagudos
Características: Envolvem episódios que podem surgir repentinamente e
apresentar diferentes durações e impactos
Ocorrência Aguda: Surgem de forma abrupta, com base em doenças endógenas,
podendo causar danos irreversíveis. Exemplo: personagens como os do filme Uma
Mente Brilhante.
Episódios Depressivos e de Mania: São reversíveis e ocorrem em semanas ou
meses, como no caso de Lexi, da série Modern Love.
Crise ou Ataque de Pânico: Aparecem de maneira abrupta em segundos ou
minutos, como no caso de Otávio, da série Sessão de Terapia.
Registros Clínicos e Diagnósticos
Prontuário: Exemplifica a importância de documentar o histórico de atendimentos
psicológicos, registrando alterações no conteúdo do pensamento, como ideias
delirantes, sem que haja necessariamente alteração do humor.
Avaliação Psicológica: Através dos sintomas apresentados, como delírios e
alterações na percepção, são feitas hipóteses diagnósticas, como esquizofrenia.
Fatores Psicopatológicos
Fator Patogenético: Sintomas diretamente associados ao transtorno mental base.
Fator Patoplástico: Manifestação relacionada à personalidade pré-mórbida do
paciente e sua história de vida.
Fator Psicoplástico: Eventos psicossociais que afetam a evolução do transtorno,
como a perda de emprego devido a sintomas depressivos.
Evolução dos Transtornos Mentais
Recorrência e Recaída: O retorno dos sintomas pode ocorrer após uma melhora
parcial ou após um longo período de remissão.
Remissão e Recuperação: Representam a ausência dos sintomas logo após o
episódio agudo ou após um período prolongado de recuperação, sem recaídas.
Exemplos Clínicos
Exemplo de um homem de 50 anos que sofre de um episódio depressivo grave, com
sintomas patogenéticos (depressão severa), patoplásticos (história de vida e
personalidade extrovertida), e psicoplásticos (perda de emprego após meses de
sintomas).
SLIDE: Psicopatologia Limiares
Introdução à Psicopatologia Clínica
Questão dos Limiares: Trata-se da delimitação entre normalidade e patologia. É crucial
entender como diferentes fatores, como intensidade e frequência de sintomas,
determinam se um estado é considerado patológico ou não.
Normalidade e Patologia
Modelo Dimensional: A psicopatologia não vê o normal e o patológico como opostos, mas
sim em um contínuo.
EXEMPLO: um estado de ausência de sintomatologia depressiva pode progredir para:
Depressão subclínica: Quando há alguns sintomas, mas eles não são suficientes para um
diagnóstico formal.
Episódio depressivo único: Um episódio isolado de depressão, sem recorrências.
Transtorno depressivo recorrente: A depressão que retorna repetidamente ao longo do
tempo.
O modelo dimensional considera fatores como frequência e intensidade dos sintomas.
Limiar de Normalidade
Perspectiva Não Clínica
Refere-se à ausência de sinais e sintomas que causam prejuízos significativos à vida do
indivíduo. Em outras palavras, uma pessoa sem grandes problemas cognitivos, emocionais
ou de personalidade que afete sua interação social é considerada em um estado saudável.
A fragilidade e as potencialidades individuais variam ao longo das fases do
desenvolvimento e do estado mental.
Perspectiva Subclínica
Limiar Subclínico: Quando o indivíduo apresenta sintomas em baixa intensidade e
frequência, mas que não atingem os critérios mínimos para um diagnóstico formal. São
aspectos emocionais e de humor que podem interferir na funcionalidade, mas não de
maneira grave o suficiente para serem classificados como transtorno nosológico.
Perspectiva Clínica
Limiar Clínico: O indivíduo experimenta prejuízos frequentes e crônicos em várias áreas
da vida. Esse nível de comprometimento é classificado por manuais diagnósticos, como o
CID-11 (Classificação Internacional de Doenças) e o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico
de Transtornos Mentais). Aqui, os sintomas são significativos a ponto de afetar
severamente a funcionalidade do indivíduo.
Avaliação de Prejuízos
Antes de atribuir qualquer diagnóstico, é essencial avaliar os potenciais prejuízos nas
diversas esferas da vida do indivíduo. É importante que haja um impacto significativo e
duradouro para que um diagnóstico clínico seja feito.
SLIDE:Saúde Mental e Suicídio
Conceitos Relacionados ao Suicídio
Suicídio: Comportamento que resulta em fatalidade, associado a uma intenção, mesmo
que parcial, de morrer como resultado de um ato.
Tentativa de suicídio: Comportamento onde há intenção de morrer, mas que pode não
resultar em lesão ou morte.
Atos preparatórios: Ações tomadas com a intenção de se auto infligir, mas interrompidas
antes de causar lesão.
Ideação suicida: Pensamentos, passivos ou ativos, de morrer ou se matar, sem
comportamento preparatório.
Autolesão sem intenção suicida: Ato realizado sem a intenção de morrer, geralmente para
aliviar sofrimento ou provocar mudanças no ambiente ou nos outros.
Manejo do Paciente Suicida
Fatores importantes:
Presença de transtorno mental.
Histórico pessoal e familiar de comportamento suicida.
Características da personalidade e resiliência.
Fatores estressores crônicos e recentes.
Fatores psicossociais e demográficos.
Comportamento suicida atual.
Avaliação de Risco de Suicídio
Risco Baixo: Pensamentos suicidas, mas sem plano.
Risco Médio: Pensamentos e plano, mas sem intenção imediata de suicídio.
Risco Alto: Plano definido, meios disponíveis e intenção de agir prontamente. Tentativas
recentes ou múltiplas em curto período.
Orientações aos Cuidadores
Permanência constante com o paciente.
Afastar objetos perigosos (cortantes, medicamentos, armas).
Evitar portas trancadas.
Medicamentos devem ser administrados por um cuidador.
Conversar abertamente sobre o ocorrido, sem medo.
Etapas do Plano de Segurança
Reconhecer sinais de alerta.
Usar estratégias internas de enfrentamento.
Procurar apoio social para distrair dos pensamentos suicidas.
Contatar familiares e amigos para suporte.
Procurar ajuda de profissionais de saúde.
Reduzir o acesso a meios letais.
Fatores Predisponentes ao Comportamento Suicida
Idade: Jovens tendem a tentar suicídio; idosos, a consumá-lo.
Sexo: Mulheres tentam mais; homens consumam mais.
Estado civil: Solteiros, divorciados ou viúvos são mais vulneráveis.
Ocupação: Desempregados, aposentados, policiais, médicos e dentistas estão em
maior risco.
Grupos de risco: Homossexuais, bissexuais e transexuais.
Sentimento de desesperança, isolamento social e acesso a métodos letais.
Histórico de abuso (físico, sexual, emocional), transtornos mentais ou doenças
clínicas.
Antecedentes pessoais e familiares de comportamento suicida.
Fatores Precipitantes
Ruptura de relação amorosa, separação conjugal.
Perda de emprego ou mudança no status econômico.
Rejeição social ou afetiva, medo de ser descoberto em algo inaceitável.
Gravidez indesejada ou perturbações familiares graves.
Descompensação de doenças mentais ou clínicas.
Internação psiquiátrica recente.
Fatores de Proteção
Estar empregado.
Gravidez atual ou responsabilidades familiares (filhos em casa).
Suporte social positivo.
Religiosidade ou um senso de propósito na vida.
Habilidades de enfrentamento e resolução de problemas.
Ausência de transtornos mentais graves e preservação do juízo de realidade.
Quando a Internação é Necessária
Psicose.
Transtornos psiquiátricos graves.
Tentativas de suicídio anteriores com repercussões clínicas sérias.
Falta de resposta ao tratamento ambulatorial ou incapacidade de cooperar.
Limitações na rede familiar ou social.
Dificuldades no seguimento ambulatorial, como problemas no acesso ao serviço ou
fragilidade na relação médico-paciente.
SLIDE: Transtornos Depressivos
Diferenças Entre Luto Intenso e Depressão
Luto Intenso: Humor relacionado à experiência de perda, com tristeza que tende a
diminuir com o tempo, focada na pessoa perdida.
Depressão: Humor deprimido persistente que afeta diversas áreas da vida, sem melhora
ao longo do tempo. Envolve ruminações autocríticas e pensamentos pessimistas amplos,
que podem incluir ideação suicida.
Transtorno de Luto Prolongado:Caracteriza-se pela presença de sintomas graves, como
desejo intenso de estar com o falecido, dormência emocional e dor intensa, por pelo
menos 12 meses (6 meses em crianças e adolescentes). Ocorre evitação de lembretes da
morte, sensação de falta de sentido na vida, e dificuldades em retomar atividades
normais.
Transtornos Depressivos: Conceito, Prevalência e Impactos
Conceito: Transtorno de humor marcado por tristeza e desânimo desproporcionalmente
intensos e duradouros.
Prevalência: Afeta 16,2% da população mundial e 17% no Brasil.
Impactos: Afeta a saúde física e mental, qualidade de vida, e aumenta o risco de suicídio.
Tipos de Transtornos Depressivo
Transtorno Disruptivo de Desregulação do Humor.
Transtorno Depressivo Maior
Transtorno Depressivo Persistente (Distimia)
Transtorno Disfórico Pré-Menstrual
Transtorno Depressivo Induzido por Substâncias/Medicamentos
Principais Funções Psíquicas Alteradas nos Transtornos Depressivos
Afetividade e Humor
Tristeza
desesperança
choro
irritabilidade
tédio
apatia.
Pensamento
Ideias de morte
pessimismo
ruminações
culpa
ideação suicida.
Volição e Psicomotricidade
Desânimo
lentificação psicomotora
diminuição da fala
mutismo.
Funções Neurovegetativas
Fadiga
insônia
alterações no apetite
libido
Autovaloração
Sentimento de insuficiência
autodepreciação
autoestima diminuída.
Cognitivas
Déficits de atenção
concentração e memória
dificuldade em tomar decisões
pseudodemência depressiva.
Pontos Importantes
Causas Subjacentes
É essencial descartar:
o uso de substâncias
medicamentos
condições clínicas subjacentes como causas da depressão.
Recorrência: Mais de 50% dos pacientes com episódio de depressão maior terão
recorrências.
Tratamento: O sucesso do tratamento está relacionado à combinação de ações clínicas e
multiprofissionais.
SLIDE:Transtorno Bipolar
Definições e Tipos
Transtorno Bipolar I:
Caracterizado por episódios maníacos completos (humor elevado ou irritável, aumento de
energia ou atividade por pelo menos 7 dias) que podem ser graves o suficiente para
requerer hospitalização ou causar psicose.
Transtorno Bipolar II: Apresenta episódios de depressão e hipomania (sintomas menos
graves que a mania), sem episódios maníacos completos.
Ciclagem rápida: Definido pela ocorrência de pelo menos quatro episódios de alteração
de humor em um ano.
Diferenças Entre Transtorno Bipolar Tipo I e II
Episódios Maníacos: Presente no Bipolar I, ausente no Bipolar II.
Episódios Hipomaníacos: Necessários para diagnóstico de Bipolar II; menos graves,
duram pelo menos 4 dias e não causam disfunção severa.
Episódios Depressivos Maiores: Necessários no diagnóstico de Bipolar II, mas não
obrigatório no Bipolar I.
Fases Clínicas
Fase Maníaca
Caracterizada por:
humor elevado
aumento de autoestima
atividade motora exacerbada
redução da necessidade de sono
fala ininterrupta
aumento da libido
falta de consciência sobre a morbidade
Comportamentos de risco são comuns
Fase Depressiva
humor deprimido
baixa autoestima
cansaço constante
perda de interesse
alteração do sono.
Fatores de Risco
Biológicos: Disfunções em sistemas de neurotransmissores.
Genéticos: A História familiar aumenta o risco.
Psicossociais: Características de personalidade podem influenciar.
Risco de Suicídio:Pacientes com Transtorno Bipolar têm 15 vezes mais chance de
suicídio em comparação à população geral, sendo responsáveis por um quarto de todos os
suicídios.
Diagnóstico Diferencial
Transtorno Depressivo Maior:
Diferença entre depressão unipolar e bipolar
presença de episódios maníacos ou hipomaníacos.
Transtornos de Ansiedade: Evitar confusão entre ruminações ansiosas e pensamentos
acelerados.
Transtorno Bipolar Induzido por Substância/Medicamento
Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH)
Tratamento
Farmacoterapia: Uso de estabilizadores de humor, como o lítio.
Psicoterapia: Foco em psicoeducação e suporte familiar.
Antipsicóticos: Podem ser necessários durante episódios maníacos.
Considerações Finais
Pacientes em episódios maníacos frequentemente apresentam irritabilidade e pouca
percepção sobre sua condição, dificultando a adesão ao tratamento. Nos casos agudos, a
combinação de antipsicóticos e estabilizadores de humor é recomendada.
Resumo texto: Do sintoma à Síndrome - Dalgalarrondo
Transfundo e Sintomas Emergentes nas Vivências Psicopatológicas
Conceito de Transfundo: Proposto por Hans Jörg Weitbrecht, o transfundo é o contexto geral
ou "palco" onde as vivências psicopatológicas ocorrem. Serve como base para os
sintomas emergentes, influenciando seu sentido, direção e qualidade.
Tipos de Transfundo
Transfundos Estáveis:
Personalidade: Influencia como o indivíduo vivencia os sintomas. Pessoas passivas
tendem a experimentar sintomas de forma mais passiva; indivíduos reativos podem
apresentar sintomas mais intensos.
Inteligência: Determina a profundidade e a riqueza dos sintomas. Indivíduos mais
inteligentes podem apresentar delírios mais complexos e detalhados.
Transfundos Mutáveis:
Nível de Consciência e Atenção: Afetam a clareza dos sintomas. Um estado de
consciência turvo pode levar a experiências confusas ou nebulosas.
Humor e Estado Afetivo de Fundo: Influenciam o desencadeamento e o colorido
dos sintomas. Por exemplo, um estado ansioso pode intensificar certas vivências.
Sintomas Emergentes
São vivências pontuais que ocorrem sobre o transfundo, incluindo:
alucinações
delírios
sentimentos específicos
alterações da memória
linguagem
vontade
Componentes do Surgimento, Constituição e Manifestação dos
Transtornos Mentais
História de Vida e Eventos Vitais: A trajetória única de cada indivíduo, incluindo seu
contexto socioeconômico, cultural e histórico, influencia o surgimento de sintomas e
transtornos mentais.
Fatores Predisponentes e Precipitantes
Fatores Predisponentes:
vulnerabilidade genética
experiências emocionais na infância,
eventos traumáticos precoces.
Tornam o indivíduo mais suscetível a desenvolver transtornos mentais.
Fatores Precipitantes:
Eventos estressantes que ocorrem próximos ao início do transtorno como:
perdas significativas
desemprego
mudanças drásticas na vida
Resiliência: Capacidade do indivíduo de lidar com os fatores precipitantes, influenciando
o processo saúde-doença em psicopatologia.
Manifestações dos Transtornos Mentais: Patogenia, Patoplastia e
Psicoplastia
Karl Birnbaum propôs três fatores envolvidos nas manifestações das doenças mentais:
Fator Patogenético (Patogênese): Relacionado aos sintomas diretamente produzidos pelo
transtorno mental de base exemplo: humor triste na depressão, alucinações na
esquizofrenia.
Fator Patoplástico (Patoplastia): Envolve a personalidade pré-mórbida, história de vida e
padrões culturais do paciente, influenciando a forma como o transtorno se manifesta.
Fator Psicoplástico (Psicoplastia): Refere-se às reações do indivíduo e do meio após o
adoecimento, incluindo conflitos familiares e perdas sociais.
Evolução Temporal dos Transtornos Mentais
Processo: Transformação lenta e insidiosa da personalidade, psicologicamente
incompreensível, de natureza endógena e irreversível (exemplo: esquizofrenia de
evolução insidiosa).
Desenvolvimento: Evolução psicologicamente compreensível da personalidade, podendo
ser normal ou anormal (exemplo: desenvolvimento de transtornos de personalidade).
Fenômenos Agudos ou Subagudos
Crise ou Ataque: Surgimento e término abruptos, com duração de segundos a minutos,
raramente horas (exemplo: crises epilépticas, ataques de pânico).
Reação Vivencial Anormal: Resposta intensa e prolongada a eventos vitais
significativos, psicologicamente compreensível (exemplo: sintomas depressivos após
perda significativa).
Fase: Períodos de depressão ou mania nos transtornos afetivos. Após a fase, o indivíduo
retorna ao estado prévio sem sequelas duradouras.
Surto: Ocorrência aguda que desencadeia uma doença endógena, deixando sequelas
irreversíveis na personalidade ou cognição (exemplo: surto esquizofrênico).
Terminologia Temporal
Remissão: Retorno ao estado normal após o episódio agudo.
Recuperação: Manutenção do estado normal por um período prolongado (geralmente um
ano).
Recaída: Retorno dos sintomas logo após uma melhora parcial.
Recorrência: Novo episódio após um período de recuperação.
Contextualização do Sintoma em Relação à Origem Neurobiológica ou
Sociocultural
Níveis Sintomáticos:
Primeiro Nível (Neurológico):
Características: Sintomas sensitivo-motores clássicos (exemplo: sinal de Babinski, cegueira
cortical).
Dependência Cerebral: Altamente dependentes de alterações biológicas, com pouca
influência cultural.
Segundo Nível (Neuropsicológico):
Características: Afasias, agnosias, apraxias, sintomas deficitários em delirium ou
demências.
Dependência Cerebral: Fortemente ligados ao cérebro, mas já influenciados pela cultura e
biografia.
Terceiro Nível (Psicopatológico Primário):
Características: Delírios, alucinações, obsessões, afetos primários como depressão e
ansiedade.
Dependência Cerebral e Cultural: Equilíbrio entre fatores biológicos e culturais.
Quarto Nível (Psicopatológico Secundário):
Características: Sintomas afetivos secundários, conflitos emocionais, aspectos da
personalidade.
Dependência Cultural: Fortemente influenciados pela biografia e cultura, com menor
determinação biológica.
Influência da Cultura e Biografia: Os sintomas psicopatológicos são moldados pela
história de vida e contexto cultural do indivíduo, determinando sua expressão e
significado.
Terminologia Adequada e Importância Clínica
Uso Correto dos Termos:
Evitar Confusões: É incorreto usar termos como "surto maníaco" ou "fase
esquizofrênica" indevidamente.
Termos Neutros: Na dúvida, utilizar "episódio" para descrever fenômenos sem
diagnóstico preciso.
Personalidade Pré-Mórbida e Sinais Prodrômicos
Personalidade Pré-Mórbida: Características identificadas antes do surgimento do
transtorno.
Sinais Prodrômicos: Sintomas iniciais que indicam o início do adoecimento.
Importância da Compreensão Temporal
Curso do Transtorno: Entender se o transtorno segue um processo ou desenvolvimento
auxilia no prognóstico e tratamento.
Episódios Agudos: Identificar crises, reações, fases e surtos é crucial para intervenções
adequadas.
Considerações Finais
Interação Dinâmica: Há uma relação dialética entre o transfundo e os sintomas
emergentes, onde um influencia o outro.
Abordagem Integral: A compreensão dos transtornos mentais exige considerar
fatores biológicos, psicológicos e socioculturais, bem como a história de vida e o
projeto existencial do indivíduo.
Aplicação Clínica: Conhecer os diferentes níveis de influência nos sintomas
permite uma avaliação mais precisa e um tratamento mais eficaz.
Resumo texto: Síndromes Depressivas
Histórico da Depressão
A depressão é um transtorno amplamente reconhecido desde a antiguidade, com relatos
desde a Grécia Antiga. No decorrer da história, a melancolia (nome antigo da depressão)
atravessou diferentes épocas, como a Idade Média e o Renascimento, mantendo sua
relevância no entendimento do sofrimento humano.
Prevalência e Impacto
Estima-se que a prevalência global da depressão maior seja de 4,4% a 4,7%. No Brasil,
estudos indicam prevalência de 17% em São Paulo e 19,9% no Rio de Janeiro. A
depressão é uma das principais causas de incapacidades no mundo, associada a anos
perdidos de vida produtiva e a um aumento significativo no risco de suicídio,
especialmente em casos graves.
Características Psicopatológicas das Síndromes Depressivas
As síndromes depressivas envolvem sintomas afetivos, volitivos, instintivos e
cognitivos. Esses sintomas podem incluir:
Afetivos: Tristeza persistente, apatia, irritabilidade e melancolia.
Volitivos e Psicomotores: Desânimo, anedonia (incapacidade de sentir prazer), lentificação
psicomotora ou, em casos graves, estupor e catatonia.
Ideativos: Pessimismo, culpa, pensamentos negativos, ideação suicida.
Instintivos e Neurovegetativos: Alterações no apetite, sono, fadiga e disfunções sexuais.
Psicóticos (em casos graves): Delírios e alucinações de conteúdo depressivo, como delírio
de ruína ou culpa.
Diferença entre Luto e Depressão
O luto e a depressão compartilham algumas semelhanças, mas no luto a tristeza está
relacionada à perda específica e tende a melhorar com o tempo, enquanto na depressão o
humor deprimido persiste e não melhora espontaneamente.
Subtipos de Depressão
Os subtipos mais comuns incluem:
Depressão Maior: Caracterizada por humor deprimido ou perda de interesse por pelo
menos duas semanas, com impactos significativos na vida diária.
Transtorno Depressivo Persistente (Distimia): Depressão crônica de intensidade
moderada, durando dois anos ou mais(ADULTOS).
Depressão Atípica: Inclui sintomas como ganho de peso, hipersonia e
sensibilidade à rejeição.
Depressão Melancólica: Sintomas endógenos, como anedonia profunda e insônia
terminal.
Depressão Psicótica: Presença de delírios e alucinações congruentes com o
humor depressivo.
Depressão Catatônica: Estado grave com catalepsia, mutismo e risco de
desidratação.
Depressão Ansiosa: Marcada por sintomas de ansiedade e agitação, com risco
aumentado de suicídio.
Depressão Secundária ou Orgânica: A depressão pode ser causada por condições
médicas, como doenças neurológicas (AVC, Parkinson), doenças endócrinas
(hipotireoidismo), ou ainda ser induzida por substâncias e medicamentos.
Depressão em Crianças, Adolescentes e Idosos
A depressão pode afetar todas as idades, com diferentes manifestações.
Crianças e adolescentes: é comum que a depressão esteja associada a comportamentos
disruptivos e dificuldades escolares.
Idosos:a depressão se associa a solidão, perda de apetite, descuido com a saúde, e risco
aumentado de mortalidade.
Personalidade e Depressão
Estudos indicam que pessoas com altos níveis de neuroticismo (instabilidade emocional) e
baixos níveis de extroversão são mais propensas a desenvolver episódios depressivos.
Transtornos de personalidade, como borderline e obsessivo-compulsivo, também estão
frequentemente associados à depressão.
Diagnóstico e Avaliação
O diagnóstico da depressão é feito através de critérios estabelecidos pelo DSM-5, que incluem
pelo menos cinco sintomas de uma lista, com duração mínima de duas semanas. Instrumentos
padronizados, como a Escala de Hamilton para Depressão, são utilizados para avaliação da
gravidade.
COMPLEMENTAÇÕES REFERENTES AOS DOIS CASOS CLÍNICOS
-REVISÃO PROVA:
CASO CLÍNICO 1: Um homem de 27 anos é levado ao setor de emergência pelos
amigos e pelo colega de quarto. Eles relatam que o paciente não tem dormido nas últimas
3 ou 4 semanas e que perceberam que ele fica acordado à noite, limpando o apartamento.
Adquiriu um novo computador e um Iphone 16, embora o colega de quarto afirme que ele
não tem dinheiro para comprar esse tipo de coisa. O paciente também tem se vangloriado
para os amigos de que dormiu com três mulheres diferentes na última semana, mas esse
não é seu comportamento habitual, e tem estado muito irritável e explosivo. Tem bebido
“um monte de álcool” nas duas últimas semanas, o que não é característico. Os amigos
referem não tê-lo visto usar drogas e acreditam que não tenha problema de saúde nem
tome qualquer medicamento que precise de receita. Não estão a par da história familiar
de distúrbios clínicos nem de transtornos psiquiátricos. Informam que ele é estudante de
serviço social. Em um exame do estado mental, o paciente se mostra alternadamente
irritável e exaltado. Está usando uma camisa laranja forte e uma calça vermelha, e suas
meias não formam par. Fica caminhando pela sala e recusa-se a sentar quando
convidado pelo examinador. Sua fala é rápida e alta, e é difícil interrompê-lo. Diz que seu
humor está “ótimo” e está muito zangado com os amigos por tê-lo o obrigado a vir ao
setor de emergência. Fala que eles provavelmente tenham insistido porque “estão com
inveja do meu sucesso com as mulheres”. Afirma que está destinado a algo grandioso.
Seus processos de pensamento são tangenciais. Nega qualquer ideação suicida ou
homicida, alucinações ou delírios.
1 Realize o registro em prontuário.
1.2 Qual a sua conduta após o atendimento.
RESPOSTA CORRETA:
Paciente compareceu ao atendimento psicológico acompanhado por amigos. Os
acompanhantes relataram que o paciente, estudante de Serviço Social, apresenta
alterações comportamentais nas últimas 3-4 semanas, incluindo insônia, comportamento
impulsivo, irritabilidade e aumento no consumo de álcool. Durante o atendimento, o
paciente demonstrou agitação psicomotora, caminhando pela sala e recusando-se a sentar.
A aparência também demonstra alterações, podendo ser caracterizada como excêntrica.
Foi observado um quadro de logorreia (fala excessiva e acelerada). Quanto à afetividade,
constatou-se exaltação afetiva, marcada por irritabilidade. O humor estava
predominantemente irritado, e o paciente expressou insatisfação tanto com o
atendimento quanto com os amigos, relatando sentir-se obrigado a comparecer. Além
disso, evidenciou-se aceleração do pensamento, caracterizada por fuga de ideias e ideias
sobrevalorizadas. Não foram observados delírios ou alucinações, e o paciente negou
ideação suicida ou homicida. Não há informações sobre sua história pregressa. Diante do
quadro apresentado, o paciente foi encaminhado para avaliação psiquiátrica no CERSAM
de referência, com hipótese diagnóstica de Transtorno Bipolar, Tipo I, após o caso ter sido
referenciado à equipe responsável.
Informações adicionais para estudo
O caso clínico apresenta sinais muito sugestivos de um episódio maníaco, possivelmente
associado ao Transtorno Bipolar tipo I. Os sintomas relatados incluem:
1. Diminuição da necessidade de sono: o paciente não tem dormido nas últimas 3-4
semanas, um dos sinais clássicos da mania.
2. Comportamento impulsivo e excessivo: fez compras de alto valor sem ter recursos
financeiros suficientes e relatou comportamentos sexuais fora de seu padrão usual.
3. Comportamento irritável e explosivo: além de estar irritável no exame clínico, os
amigos também notaram esse comportamento recentemente.
4. Aumento da auto-estima ou grandiosidade: ele acredita estar destinado a algo
grandioso e atribui a preocupação dos amigos à inveja.
5. Aumento na atividade dirigida a objetivos ou agitação psicomotora: ele tem estado
muito ativo, tanto fisicamente (limpando o apartamento à noite) quanto verbalmente (fala
rápida e difícil de interromper).
6. Uso excessivo de álcool: o aumento no consumo de álcool, que não é característico
dele, pode estar relacionado ao episódio maníaco.
7. Não há informações sobre a história pregressa: deste modo, não se pode verificar a
presença de episódio de transtorno depressivo.
CASO CLÍNICO 2: Cora é uma menina de 11 anos que foi levada pelos pais ao
pediatra devido a preocupações com seu humor triste e retraído, baixa tolerância à
frustração e “ataques de fúria”, durante os quais ela berra, destrói trabalhos escolares e
bijuterias favoritas ou bate em si mesma. Cora, há muito tempo, tem dificuldades com
pares em consequência de sua fraca habilidade de comunicação social e humor negativo,
e seus ataques de fúria são exacerbados ainda mais devido à rejeição social de seus
pares. Em sala de aula, Cora é descrita como triste e retraída de modo geral, fala pouco e
não interage com outros. Segundo os professores de Cora, quando seus pares caçoam
dela ou quando não consegue completar tarefas a contento, rasga o papel, corre para
fora da sala de aula, chora alto ou grita na frente dos colegas que a provocaram. Esses
rompantes ocorrem em média três vezes por semana e resultam em perturbação
considerável na sala de aula. Os pais de Cora relatam conflitos semelhantes em casa e
acrescentam que, se ela está trabalhando em uma atividade de artes que não sai do modo
que queria, ela frequentemente desata a chorar até ficar em posição fetal no chão, se
debatendo, batendo em si mesma e dizendo que é burra. Na tentativa de intervir, ela os
agride verbalmente. O início ocorreu no ano anterior. Não há mudanças evidentes em
apetite, sono ou concentração associadas aos sintomas de Cora, embora ela confirme
baixa autoestima.
2 Qual a hipótese diagnóstica?
2.1 Quais as funções psíquicas alteradas?
RESPOSTA CORRETA:
A partir da informação do caso pode-se inferir as seguintes alterações comportamentais acerca
do caso de Cora. Cora, menina de 11 anos, acompanhada pelos pais por apresentar
humor triste e retraído, baixa tolerância à frustração e episódios de raiva.
Comportamento e humor: Cora apresenta um padrão de tristeza e retraimento que se
reflete nas suas interações sociais. Ela é descrita como tendo dificuldades de
comunicação social e humor negativo, resultando em problemas com seus pares.
Ataques de fúria: Durante os ataques de fúria, que ocorrem em média três vezes por
semana, Cora berra, destroi trabalhos escolares e bijuterias, ou até bate em si mesma.
Esses episódios são frequentemente provocados por rejeição social, caçoada de colegas
ou frustrações em tarefas escolares.
Reações em sala de aula: Na escola, é percebida como uma criança triste e pouco
interativa, com falas limitadas e baixa socialização. Quando provocada ou diante de
desafios, sua reação é explosiva, levando-a a rasgar papéis, correr para fora da sala,
chorar alto ou gritar. Esses comportamentos geram perturbação significativa no ambiente
escolar.
Comportamento em casa: Os pais relatam que Cora também manifesta explosões
emocionais em casa. Durante atividades como artes, se não alcançar o resultado desejado,
entra em crises emocionais intensas, frequentemente se debatendo, assumindo uma
posição fetal no chão e verbalizando auto desprezo, afirmando ser "burra". As tentativas
dos pais de intervir geram agressões verbais da parte dela. Cora não apresenta
alterações significativas em apetite, sono ou concentração. No entanto, a baixa
autoestima é um ponto destacado por ela mesma.
Hipótese Diagnóstica O quadro sugere um possível Transtorno de Desregulação do
Humor, dado o padrão de irritabilidade persistente, explosões de raiva, dificuldades em
regular emoções e interações sociais problemáticas. A baixa autoestima e a frequência
dos episódios são relevantes para a avaliação diagnóstica.
Qual é a relevância dos seguintes conceitos para os diversos
transtornos depressivos?
Especifique o tipo do transtorno:
1. Anedonia
Relevância: A anedonia refere-se à incapacidade de sentir prazer em atividades que antes
eram consideradas agradáveis. É um dos principais sintomas da depressão, impactando
diretamente a motivação e a qualidade de vida do [Link]: Comum em
Transtorno Depressivo Maior (TDM), a anedonia pode ser um indicador de gravidade da
condição e está relacionada ao comprometimento funcional do indivíduo.
2. Labilidade do humor
Relevância: A labilidade do humor é caracterizada por mudanças emocionais. Isso pode ser
confuso tanto para o paciente quanto para aqueles ao seu redor, impactando os
relacionamentos e a capacidade de enfrentar situações diá[Link]: É
frequentemente observada em Transtorno Depressivo Persistente (Distimia) e Transtorno
Depressivo Maior. A labilidade pode acentuar o sofrimento emocional e dificultar a
recuperação.
3. Culpa excessiva ou inapropriada
Relevância: A culpa excessiva é um sintoma característico da depressão e pode ser
disfuncional, levando o indivíduo a uma autoavaliação negativa constante, contribuindo
para a manutenção do estado [Link]: Comum em Transtorno Depressivo
Maior, a culpa inapropriada pode estar relacionada a traumas passados e pode aumentar o
risco de ideação suicida.
4. Irritabilidade persistente grave
Relevância: A irritabilidade grave pode afetar a vida social e profissional do paciente,
gerando conflitos e aumentando a sensação de [Link]: Pode ser
observada em Transtorno Depressivo Maior, especialmente em adolescentes, e é um
sintoma distintivo no Transtorno Depressivo Disruptivo da Regulação do Humor, que se
caracteriza por irritabilidade crônica e explosões de raiva
5. Pensamentos recorrentes de morte/ideação suicida
Relevância: A presença de pensamentos recorrentes de morte ou ideação suicida é um sinal
crítico e deve ser avaliada cuidadosamente, pois representa um risco significativo à vida
do [Link]: presente no Transtorno Depressivo Maior.
RESUMO DSM5-TR
Transtorno de Humor
Introdução
HUMOR
Tônus afetivo basal e difuso em que se encontra uma pessoa em determinado
momento.
É um estado de espírito e facilita o ânimo da pessoa.
O humor se torna patológico quando há prejuízo na rotina do paciente e daqueles que
o cercam.
As variações de tonalidade nos estados afetivos que manifestam transições entre
sensações de bem estar e mal estar são normais.
ALTERAÇÕES DO HUMOR
Eutímico:Sem alteração do humor.
Elado (expansão do eu)Grandiosidade de si próprio.
Autoestima extremamente elevada. Se acha acima de todos.
Pode ou não estar associado com delírio.
Há delírio quando está associado com alguma mentira, alguma coisa que ele não é (ex. dizer
que é um rei e acreditar nisso).
Exaltado, eufórico (hipertimia) :Paciente inquieto, sem exaustão. Não se cansa com nada.
Deprimido (Hipotimia): Paciente com extrema tristeza, sem vontade fazer nada.
Qualitativamente :Irritado, disfórico (inquietação extrema), alegre, triste.
Transtorno Depressivo Maior (TDM)
FATORES DE RISCO
Idade: Comum entre 20 e 50 anos
Sexo feminino:Maior prevalência em mulheres, sendo 3 casos a cada 1 homem.
Estado civil
Genética
Socioeconômicos
Estresse ambiental
Personalidade
QUADRO CLÍNICO
Paciente com TDM precisa apresentar obrigatoriamente um dos sintomas:
Humor deprimido: tristeza e choro fácil, labilidade. Tristeza patológica.
Perda de interesse (anedonia) por coisas que antes eram prazerosas.
Angústia e/ou ansiedade
Insônia: Principalmente intermediária ou terminal.
Sensação de vazio
Desesperança e/ou culpa
Irritabilidade
Prejuízo na concentração
Lentificação ou agitação psicomotora
Sintomas físicos
Ideações suicidas
Diminuição do apetite
Sintomas psicóticos:Principalmente delírios (de perda, de culpa, de morte e etc.) e/ou
alucinações (auditivas).
Sintomas físicos - Somatização: fadiga, cansaço, dores, sensação de moleza.
Obs:Para ser diagnosticado com TDM precisa ter os dois sintomas iniciais ou ter pelo
menos um dos sintomas iniciais e 4 dos outros sintomas restantes.
DIAGNÓSTICO - DSM V
A. 5 ou mais sintomas, com duração mínima de duas semanas → Sendo obrigatório
apresentar Humor deprimido ou Perda de interesse.
B. Os sintomas provocam sofrimento clínico e prejuízo da funcionalidade social
C. Excluir outras causas (substâncias, condições médicas)
D. Nunca ter tido um episódio maníaco ou hipomaníaco → Caso haja, o diagnóstico
muda para Transtorno Bipolar.
(Episódio maníaco do transtorno bipolar.)
ESPECIFICADORES DO TDM
Episódio único ou recorrente → O paciente pode apresentar TDM apenas uma vez na vida
ou pode acontecer mais vezes.
Gravidade: leve, moderada ou grave
Sintomas ansiosos: TDM pode cursar com sintomas de ansiedade.
Características melancólicas: Fator de prognóstico desfavorável (grave).
Precisa apresentar pelo menos 4 sintomas melancólicos:
Perda de prazer;
falta de reatividade;
desespero,
prostração profunda
humor vazio;
despertar muito cedo;
piora do humor pela manhã;
agitação ou retardo psicomotor;
anorexia ou perda acentuada;
culpa excessiva.
Características atípicas :Quando está em desacordo com quadro clínico.
Ex: Hipersonia, agitação motora, apetite exagerado (compulsão), etc.
Características psicóticas:
Delirium e alucinações humor congruentes
Catatonia:Alterações psicomotoras predominantes. Ex.: flexibilidade de cera (se manter
numa posição por horas, por vontade própria ou por comando), assume posições,
movimentos repetitivos, ticks, imitar movimentos de outras pessoas.
Início no periparto:“Depressão pósparto”, os sintomas aparecem durante a gravidez e
principalmente no puerpério.
Curso: em remissão parcial ou completa :A remissão só é completa quando o paciente
passa mais de 3 meses sem apresentar sintomas do TDM.
Obs.: Sempre acrescentar os especificadores do TDM no diagnóstico: Se é com episódios
melancólicos, se é com catatonia, se é com ansiedade.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
Transtorno de humor devido a outra condição médica
Transtorno depressivo induzido por substância ou medicamento
Episódio maníaco ou misto com humor irritável
Transtorno de adaptação com humor deprimido
Transtorno do déficit da atenção (TDAH) e hiperatividade
Distimia, tristeza ou luto.
EXAMES COMPLEMENTARES
Solicitado para descartar outras causas e definir um tratamento.
Hemograma
Eletrólitos
TSH e T4 livre
Colesterol total e frações
Glicemia de jejum
Ureia e creatinina
Vitamina D e B12
Ácido úrico
PROGNÓSTICO
Recuperação começa de 3 meses a 1 ano, em 80% dos casos.
Risco de recorrência maior em jovens e menor se a remissão for prolongada
Pode evoluir para o transtorno bipolar
Gravidade dos sintomas
Episódio atual longo
Ansiedade predominante
Características psicóticas
Múltiplos episódios e cronicidade
Transtorno Depressivo Persistente (Distimia)
Humor deprimido por 2 ANOS no mínimo.
Humor deprimido na maior parte do dia, na maioria dos dias.
Deve apresentar, enquanto deprimido, pelo menos dois dos sintomas:
Baixa energia ou fadiga
Apetite diminuído ou em excesso
Insônia ou hipersonia
Concentração pobre ou dificuldade em tomar decisão
Autoestima baixa o Sentimentos de desesperança
O paciente não deve ficar sem apresentar os critérios acima por mais de 2 anos.
Obs.: A remissão só ocorre após 2 meses sem a presença de sintomas e, caso volte a
apresentar os sintomas, deve-se esperar mais 2 dois para fechar diagnóstico novamente
de distimia.
Obs.: Não é TDM persistente. Mas, o paciente com distimia pode apresentar TDM, o que é
chamado de depressão dupla pois apresenta os dois tipos de depressão.
Tratamento
Fase aguda:Compreende os 2/3 meses iniciais, em que se espera que o paciente obtenha
resposta clínica.
Fase de continuação: Período de 6/9 meses que se segue à fase aguda. Seu objetivo é
manter a melhora e prevenir recaídas. Pode manter as doses ou tentar diminuir.
Fase de manutenção: Visa evitar novos episódios. A duração depende da probabilidade de
recorrência.
Transtorno Disfórico Pré-Menstrual
Antes do início da menstruação e na maioria dos ciclos menstruais.
Sintomas mínimos ou ausentes na semana pós-menstrual;
Deve apresentar pelo menos 5 sintomas:
Labilidade afetiva acentuada o Instabilidade ou raiva acentuada ou aumento nos
conflitos interpessoais
Humor deprimido acentuado, sentimentos de desesperança
Interesse diminuído pelas atividades habituais
Sentimento subjetivo de dificuldade na concentração
Transtorno Afetivo Bipolar
Início precoce apresenta pior prognóstico
Comorbidades: Ansiedade e TUS (Transtorno por uso de substâncias)
Maior risco de suicídio
Grande herdabilidade: familiares de 1º grau.
História de traumas
MANIA/HIPOMANIA
Manifestações do humor hipertímico
Humor exaltado
Aumento da energia
Taquipsiquismo (aceleração do ritmo do pensamento)
Taquilalia (curso rápido da fala)
Hipersexualização
Grandiosidade
Bem-estar
Irritabilidade
Redução da necessidade de sono
Esses sintomas estão presentes tanto na mania quanto na hipomania, o que difere um
do outro é a intensidade, a frequência e o prejuízo na rotina. Pacientes em quadro de
mania, na maioria das vezes, necessitam de internação.
TAB Tipo 1: Apresenta obrigatoriamente quadro de mania.
TAB Tipo 2: Apresenta hipomania e depressã[Link] apresentar mania vira tipo 1.
DIAGNÓSTICO
Quadros de Mania
Duração mínima de 1 semana
Apresentar no mínimo 5 sintomas, sendo obrigatório a presença de humor
exaltado e aumento da energia.
Provocar prejuízo funcional
Pode necessitar de hospitalização
Sintomas psicóticos → Presente apenas na mania.
Hipomania
Duração mínima de 4 dias
Menor intensidade dos sintomas
Mudança na funcionalidade (menor prejuizo)
Não apresenta quadros psicóticos, se houver é caracterizado como mania.
CLASSIFICAÇÃO
Transtorno bipolar tipo I:
É caracterizado pela apresentação da mania.
Apresenta episódios maníacos.
Pode ser precedido ou antecedido de episódios hipomaníacos ou depressão.
A presença de pelo menos um episódio maníaco já é classificado como bipolar tipo I.
Mesmo se apresentar apenas um episódio de mania durante toda a vida e o resto de
hipomania é tipo I.
Obs.: Quando o paciente apresenta um episódio maníaco com características psicóticas,
há maior probabilidade de os episódios maníacos subsequentes incluírem
características psicóticas
Transtorno bipolar tipo II:
É caracterizado pela ausência de quadros maníacos.
Apresenta apenas episódios de hipomania associado com depressão.
FATORES DE RISCO
Genética:Recorrência de até 80%
Epigenética:Estressores ambientais e Metilação
Fatores ambientais
CURSO E PROGNÓSTICO
Média de início nos 18 anos, podendo ocorrer até os 70 anos.
Episódio maníaco: Na maior parte dos casos é seguido de episódio depressivo maior.
Característica psicóticas: maior probabilidade de presença nos episódios
subsequentes; e remissão incompleta se incongruentes com o humor.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
Outros transtornos bipolares
Transtorno ciclotímico
Esquizofrenia e outros transtornos psicóticos
Transtorno depressivo maior
Transtorno por uso de substâncias
Crises de pânico e outras ansiedades
Transtornos da personalidade
TDAH
TRANSTORNO CICLOTÍMICO
Diagnóstico: Vários períodos de sintomas hipomaníacos e vários períodos de sintomas
depressivos, durante 2 anos, com intervalos menores que 2 meses.
Os sintomas não satisfazem episódio de TDM, maníaco ou hipomaníaco - Ou seja, não
preenche os critérios diagnósticos para esses transtornos.
Prejuízo significativo social, profissional ou em área importante.
Durante o período de dois anos (um ano em crianças e adolescentes),
Os períodos hipomaníaco e depressivo estiveram presentes por pelo menos metade do
tempo, e o indivíduo não permaneceu sem os sintomas por mais que dois meses
consecutivos.
A oscilação de humor é crônica e e frequente, porém o paciente nunca faz episódios de
mania, TDM ou hipomania.