Direito do Consumidor: Conceitos e Teorias
Direito do Consumidor: Conceitos e Teorias
Aula 01
-> Art. 1° O presente código estabelece normas de proteção e defesa do consumidor, de ordem
pública e interesse social, nos termos dos arts. 5°, inciso XXXII, 170, inciso V, da Constituição
Federal e art. 48 de suas Disposições Transitórias.
- Teoria do não retrocesso -> Direitos e Garantias Fundamentais -> O direito do consumidor
não pode ser removido ou retirado
Aula 02
- Relação de consumo
- Conceito de consumidor
Art. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como
destinatário final.
- Para o art. 2º, consumidor é pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou
serviço como destinatário final
- Consumidor no sentido estrito -> Destinação Final
Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das
necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de
seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e
harmonia das relações de consumo, atendidos os seguintes princípios: (Redação dada pela
Lei nº 9.008, de 21.3.1995)
- Teorias:
Definição de consumidor - interpretação teleológica - teoria finalista mitigada
"(...) 3. Há duas teorias acerca da definição de consumidor: a maximalista ou objetiva, que
exige apenas a existência de destinação final fática do produto ou serviço, e a finalista ou
subjetiva, mais restritiva, que exige a presença de destinação final fática e econômica. O art.
2º do CDC ao definir consumidor como 'toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza
produto ou serviço como destinatário final' adota o conceito finalista. 4. Nada obstante, a
jurisprudência do STJ, pautada em uma interpretação teleológica do dispositivo legal,
adere à teoria finalista mitigada ou aprofundada, a qual viabiliza a aplicação da lei
consumerista sobre situações em que, apesar de o produto ou serviço ser adquirido
no curso do desenvolvimento de uma atividade empresarial, haja vulnerabilidade
técnica jurídica ou fática da parte adquirente frente ao fornecedor. 5. Nessas
situações, a aplicação do Código de Defesa do Consumidor fica condicionada à
demonstração efetiva da vulnerabilidade da pessoa frente ao fornecedor. Então,
incumbe ao sujeito que pretende a incidência do diploma consumerista comprovar a sua
situação peculiar de vulnerabilidade. 6. Na hipótese dos autos, a aplicação da teoria finalista
não permite o enquadramento da recorrente como consumidora, porquanto realiza a venda
de ingressos on-line e contratou a recorrida para a prestação de serviços de intermediação
de pagamentos. Ou seja, os serviços prestados pela recorrida se destinam ao desempenho
da atividade econômica da recorrente. Ademais, a Corte de origem, com base nas provas
constantes do processo, concluiu que a recorrente não é vulnerável frente à recorrida (...)."
(grifamos) REsp 2020811/SP
- Art. 17. Para os efeitos desta Seção, equiparam-se aos consumidores todas as
vítimas do evento. (Danos causados por Art. 12. O fabricante, o produtor, o construtor,
nacional ou estrangeiro, e o importador respondem, independentemente da existência de
culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de
projeto, fabricação, construção, montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou
acondicionamento de seus produtos, bem como por informações insuficientes ou
inadequadas sobre sua utilização e riscos.)
- Vítimas de acidente de consumo são equiparados a consumidores
Aula 03
- Fornecedor: Art. 3° Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional
ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de
produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação,
distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços.
- Teoria da aparência => A doutrina conceitua a aparência de direito como "uma situação de
fato que manifesta como verdadeira uma situação jurídica não verdadeira, e que, por causa
do erro escusável de quem, de boa-fé, tomou o fenômeno real como manifestação de uma
situação jurídica verdadeira, cria um direito subjetivo novo, mesmo à custa da própria
realidade" (Álvaro Malheiros, citado pelo ministro Reynaldo Soares da Fonseca no RMS 57.740
).
- Em uma ocorrência dessa natureza, estando evidenciado que o terceiro agiu por erro
justificável e foi induzido a acreditar na relação jurídica aparente e nas suas eventuais
consequências, a qual se mostrou insubsistente, deve-se amparar na teoria da aparência
para validar os efeitos jurídicos.
- A existência da aparência pode ser percebida em vários negócios jurídicos, sendo muito
comum nas relações de consumo, onde fornecedores ou prestadores de serviço se utilizam
de marcas conhecidas ou conceituadas para ofertar determinado produto ou serviço, como
se fossem as reais fabricantes.
- Importância no processo
- Lei 9.099 => Art. 4º É competente, para as causas previstas nesta Lei, o Juizado do foro:
I - do domicílio do réu ou, a critério do autor, do local onde aquele exerça atividades
profissionais ou econômicas ou mantenha estabelecimento, filial, agência, sucursal ou
escritório;
II - do lugar onde a obrigação deva ser satisfeita;
III - do domicílio do autor ou do local do ato ou fato, nas ações para reparação de dano de
qualquer natureza.
Parágrafo único. Em qualquer hipótese, poderá a ação ser proposta no foro previsto no inciso I
deste artigo.
- Pode ajuizar no local do exercício de atividades profissionais, o que permite que demande em
qualquer local da cadeia de produto
- ENUNCIADO 89 – A incompetência territorial pode ser reconhecida de ofício no sistema de
juizados especiais cíveis (XVI Encontro – Rio de Janeiro/RJ).
- Na relação advogado x cliente, este profissional é entendido como fornecedor para fins de
aplicação do CDC? E na relação médico x paciente?
- O vínculo em análise é regido pela Lei 8.906/1994 - Estatuto da Advocacia e da OAB - que
estabelece normas próprias e específicas para o exercício da profissão de advogado. Por se
tratar de norma específica, deve prevalecer exclusivamente sobre quaisquer outras, inclusive
o Código de Defesa do Consumidor.
- Assim, “a relação jurídica entre advogado e cliente firmada por meio de contrato de prestação
de serviços advocatícios é regida pelas normas da legislação civil e do Estatuto da OAB e
Código de Ética da OAB, sem a incidência do Código de Defesa do Consumidor” (Acórdão
1753270, 07068023220228070001, Relator(a): ANA MARIA FERREIRA DA SILVA, 3ª Turma
Cível, data de julgamento: 31/8/2023, publicado no DJE: 28/9/2023. Pág.: Sem Página
Cadastrada.).
- Do mesmo modo, “a relação entre cliente e advogado possui natureza civil, sujeita a
aplicação de legislação específica, qual seja, a Lei no 8.906/94 (Estatuto da Advocacia e da
Ordem dos Advogados do Brasil), ao Código de Ética da OAB. Jurisprudência do Superior
Tribunal de Justiça” (Acórdão 1786547, 07045147720238070001, Relator(a): CARMEN
BITTENCOURT, 8ª Turma Cível, data de julgamento: 23/11/2023, publicado no DJE:
29/11/2023. Pág.: Sem Página Cadastrada).
- "1. Os serviços médicos, estabelecidos por contrato entre médico e paciente, configuram
verdadeira relação jurídica de consumo, submetida aos ditames do Código de Defesa do
Consumidor. 2. Estando a relação jurídica estabelecida entre médico e paciente jungida
aos ditames legais do microssistema do direito do consumidor, revela-se adequada a
aplicação do prazo prescricional quinquenal previsto no art. 27 do Código de Defesa do
Consumidor." (grifamos)
Art. 3. § 1° Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial. -> TUDO,
praticamente.
AULA 04
- DIREITOS DO CONSUMIDOR.
- Rol exemplificativo do rol Art. 6 CDC:
I - a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento
de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos; -> Da Proteção à Saúde e Segurança
(relacionado 8º a 10º)
VII - o acesso aos órgãos judiciários e administrativos com vistas à prevenção ou reparação de
danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos ou difusos, assegurada a proteção Jurídica,
administrativa e técnica aos necessitados;
VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu
favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele
hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências;
XIII - a informação acerca dos preços dos produtos por unidade de medida, tal como por quilo, por
litro, por metro ou por outra unidade, conforme o caso.
Reparação Integral
Art. 6. VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais,
coletivos e difusos;
- Reparação Integral: dano moral + dano material
- Súmula 387/STJ: É lícita a cumulação das indenizações de dano estético e dano moral.
- Súmula 37/STJ - SÃO CUMULAVEIS AS INDENIZAÇÕES POR DANO MATERIAL E
DANO MORAL ORIUNDOS DO MESMO FATO
- É possível tarifar?
- Questões das convenções de Varsóvia e Montreal
- Art. 178. A lei disporá sobre a ordenação dos transportes aéreo, aquático e terrestre,
devendo, quanto à ordenação do transporte internacional, observar os acordos firmados pela
União, atendido o princípio da reciprocidade.
Parágrafo único. Na ordenação do transporte aquático, a lei estabelecerá as condições em
que o transporte de mercadorias na cabotagem e a navegação interior poderão ser feitos
por embarcações estrangeiras.
- A extensão da limitação tarifária às indenizações por danos morais não é aceita, pois violaria
o princípio da reparação integral, previsto no art. 6º, VI, do CDC, e na Constituição Federal
(art. 5º, V e X). Os danos morais possuem natureza distinta dos danos materiais, sendo
relacionados a ofensas à dignidade, à honra e ao bem-estar psicológico do indivíduo, que
não são objetivamente quantificáveis de forma tarifada.
- Há, contudo, vertente que sustenta a violação ao princípio da reparação integral, no caso
de aplicação para danos materiais. Isso porque a Convenção de Varsóvia limita os valores
a serem indenizados.
- Contudo, a Convenção de Varsóvia prevê “declaração especial de interesse”, em que é
possível a indenização pelo total, desde que pago valor no momento de confiar o
transportador o volume.
ARTIGO 22.
(1) No transporte de pessoas, limita-se a responsabilidade do transportador, á importancia
de cento e vinte e cinco, mil francos, por passageiro. Se a indemnização, de conformidade
com a lei do tribunal que conhecer da questão, puder ser arbitrada em constituição de renda,
não poderá o respectivo capital exceder aquelle limite. Entretanto, por accordo especial com
o transportador, poderá o viajante fixar em mais o limite de responsabilidade.
(2) No transporte de mercadorias, ou de bagagem despachada, limita-se a responsabilidade
do transportador à quantia de duzentos e cincoenta francos por kilogramma, salvo
declaração especial de "interesse na entrega", feita pelo expedidor no momento de
confiar ao transportador os volumes, e mediante o pagamento de uma taxa supplementar
eventual. Neste caso, fica o transportador obrigado a pagar até a importancia da quantia
declarada, salvo se provar ser esta superior ao interesse real que o expedidor tinha entrega.
(3) Quanto aos objectos que o viajante conserve sob os guarda, limita-se a cinco mil francos
por viajante a responsabilidade do transportador.
1ª Etapa 2ª Etapa
Valor Base - Extensão do dano
- Natureza e gravidade do dano - Condição econômica - evitar
- Parâmetros da jurisprudência enriquecimento e desestimular
- Fim pedagógico
AULA 05
- Estática - Dinâmica
- Art. 36. A publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil e
imediatamente, a identifique como tal.
Parágrafo único. O fornecedor, na publicidade de seus produtos ou serviços, manterá,
em seu poder, para informação dos legítimos interessados, os dados fáticos, técnicos
e científicos que dão sustentação à mensagem.
- No caso da propaganda, a inversão do ônus da prova é automática
- Art. 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao
fornecimento de produtos e serviços que:
VI - estabeleçam inversão do ônus da prova em prejuízo do consumidor;
- A inversão do ônus da prova concedida em decisão liminar, sem prévia manifestação da parte
ré, não ofende os princípios do contraditório e da ampla defesa, desde que sejam respeitados
os valores fundamentais que regem o processo, como a celeridade, a vulnerabilidade do
consumidor e o equilíbrio na relação processual. Essa medida encontra respaldo no artigo 6º,
inciso VIII, do Código de Defesa do Consumidor, que reconhece como direito básico do
consumidor a facilitação de sua defesa, inclusive pela inversão do ônus da prova, desde que
presentes a verossimilhança das alegações ou a hipossuficiência da parte.
A decisão liminar que inverte o ônus da prova visa atender ao princípio da celeridade
processual, previsto no artigo 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal, pois evita a dilação
desnecessária do processo, especialmente em demandas consumeristas, nas quais a demora
pode comprometer a efetividade da tutela jurisdicional. Ainda que proferida sem ouvir
previamente a parte ré, a decisão não elimina o contraditório e a ampla defesa, mas os adia. A
parte ré terá oportunidade de se manifestar posteriormente no curso do processo, inclusive
para questionar os fundamentos que motivaram a inversão. Assim, a medida preserva o
equilíbrio entre as partes e garante o direito de defesa.
Ademais, a inversão do ônus da prova corrige o desequilíbrio inicial entre consumidor e
fornecedor, decorrente da vulnerabilidade do primeiro, buscando equalizar a relação
processual. Não se trata de antecipar um julgamento favorável ao consumidor, mas apenas
redistribuir a carga probatória, exigindo que a parte mais apta a produzir a prova o faça. Tal
redistribuição não compromete o direito de defesa da parte ré, que poderá apresentar
argumentos e provas contrários às alegações do autor.
Portanto, a inversão do ônus da prova em decisão liminar, sem prévia oitiva da parte ré, não
viola o contraditório e a ampla defesa, desde que seja assegurada a possibilidade de
contestação ao longo do processo. Essa prática está em consonância com os objetivos do
Código de Defesa do Consumidor, promovendo a proteção da parte vulnerável, assegurando a
efetividade da tutela jurisdicional e atendendo ao princípio da celeridade processual.
AULA 06
- Art. 7° Os direitos previstos neste código não excluem outros decorrentes de tratados ou
convenções internacionais de que o Brasil seja signatário, da legislação interna ordinária, de
regulamentos expedidos pelas autoridades administrativas competentes, bem como dos que
derivem dos princípios gerais do direito, analogia, costumes e eqüidade.
Parágrafo único. Tendo mais de um autor a ofensa, todos responderão solidariamente pela
reparação dos danos previstos nas normas de consumo.
- Art. 25. É vedada a estipulação contratual de cláusula que impossibilite, exonere ou atenue
a obrigação de indenizar prevista nesta e nas seções anteriores.
O recorrido ajuizou ação de compensação por danos morais contra o banco e a administradora de
cartões de crédito, alegando que pretendeu pagar despesas de hospedagem no exterior valendo-se de
seu cartão de crédito e teve a autorização indevidamente negada. Tentou resolver o problema junto ao
banco e à recorrente, não obtendo êxito. A recorrente alegou que não é parte legítima para figurar no
polo passivo da ação porque não administra cartões de crédito, que não é parte no contrato firmado
entre as partes e que não procedeu ao bloqueio do cartão. Mas a Turma negou provimento ao recurso
ao argumento de que o art. 14 do CDC estabelece regra de responsabilidade solidária entre os
fornecedores de uma mesma cadeia de serviços, razão pela qual as "bandeiras"/marcas de
cartão de crédito respondem solidariamente com os bancos e as administradoras de cartão de
crédito pelos danos decorrentes da má prestação de serviços. A recorrente alega que o valor
arbitrado em R$ 16.500,00 a título de reparação por danos morais revela-se elevado, merecendo a
devida redução. Porém, este Superior Tribunal orienta-se no sentido de que a alteração do valor fixado
a título de compensação por danos morais somente é possível, em recurso especial, nas hipóteses
em que a quantia estipulada pelo tribunal de origem seja irrisória ou exagerada. Na hipótese, não há
exagero na sua fixação, uma vez que o recorrido sujeitou-se a constrangimentos indevidos em país
estrangeiro, requereu solução para o problema e não foi atendido. Precedente citado: REsp 259.816-
RJ, DJ 27/11/2000. REsp 1.029.454-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 1º/10/2009.
Agência de turismo vendeu o pacote de viagens: possui responsabilidade solidária por vício na
prestação de serviço.
Imagine que o consumidor comprou um pacote de viagens na agência de turismo, incluindo passagem
aérea, hospedagem e translado para um período de 7 dias.
Ocorre que o voo foi cancelado e, com isso, toda a programação feita pelo consumidor para as férias
ficou prejudicada, conforme comprovação feita nos autos.
No caso de pacote turístico, a agência assume a responsabilidade por todo o roteiro da viagem
contratada.
A agência de turismo que vende pacote de viagem é responsável solidária por qualquer vício na
prestação do serviço.
STJ. 4ª Turma. AgRg no Ag 1319480/RJ, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 18/2/2014.
Agência de turismo foi mera intermediária da compra de passagem aérea: não possui
responsabilidade solidária
Imagine agora que o consumidor comprou apenas a passagem aérea com a agência de turismo. Nessa
hipótese, a agência funciona tão somente como intermediária entre o adquirente e a companhia
aérea.
Ocorre que o voo foi cancelado e, com isso, esse consumidor perdeu um importante compromisso de
trabalho que tinha na cidade de destino, conforme foi devidamente comprovado.
Apenas a companhia aérea que será responsável pelos prejuízos causados. A agência de turismo não
possui responsabilidade solidária nesse caso.
As agências de turismo não respondem solidariamente pela má prestação dos serviços na hipótese
de simples intermediação de venda de passagens aéreas.
STJ. 3ª Turma. AgRg no REsp 1453920/CE, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 09/12/2014.
Pacote de viagem – resp. solidária x Compras de passagem aérea - sem resp. solidária.
A prática do crime de roubo no interior de estacionamento de veículos, pelo qual seja direta ou
indiretamente responsável a empresa exploradora de tal serviço, não caracteriza caso fortuito ou
motivo de força maior capaz de desonerá-la da responsabilidade pelos danos suportados por seu
cliente vitimado.
Em outras palavras, se houve roubo à mão armada ocorrido nas dependências de estacionamento
privado, cuja atividade-fim é a guarda e manutenção da integridade do veículo, a empresa
responsável pelo estacionamento terá responsabilidade civil, não havendo que se falar em caso
fortuito.
STJ. 2ª Seção. AgInt nos EREsp 1118454/RS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em
25/10/2017.
- Ação de Regresso
- Deve ser exercido em ação autônoma
- JEC. Lei 9.099/95 -> Art. 10. Não se admitirá, no processo, qualquer forma de intervenção de
terceiro nem de assistência. Admitir-se-á o litisconsórcio.
- Art. 88. Na hipótese do art. 13, parágrafo único deste código, a ação de regresso poderá ser
ajuizada em processo autônomo, facultada a possibilidade de prosseguir-se nos mesmos
autos, vedada a denunciação da lide.
(Art. 13. O comerciante é igualmente responsável, nos termos do artigo anterior, quando: I - o
fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não puderem ser identificados; II - o
produto for fornecido sem identificação clara do seu fabricante, produtor, construtor ou
importador; III - não conservar adequadamente os produtos perecíveis.)
Não cabe a denunciação da lide nas ações indenizatórias decorrentes da relação de consumo,
seja no caso de responsabilidade pelo fato do produto, seja no caso de responsabilidade pelo
fato do serviço (arts. 12 a 17 do CDC).
STJ. 3ª Turma. REsp 1165279-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 22/5/2012 (Info
498).
A vedação à denunciação da lide nas relações de consumo refere-se tanto à responsabilidade pelo
fato do serviço quanto pelo fato do produto.
STJ. 3ª Turma. AgRg no AREsp 472875/RJ, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 03/12/2015.
A vedação à denunciação da lide prevista no art. 88 do CDC não se restringe à responsabilidade de
comerciante por fato do produto (art. 13 do CDC), sendo aplicável também nas demais hipóteses de
responsabilidade civil por acidentes de consumo (arts. 12 e 14 do CDC).
STJ. 4ª Turma. AgRg no AREsp 694980/MS, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 22/09/2015.
Parágrafo único. Não importará renúncia da solidariedade a propositura de ação pelo credor
contra um ou alguns dos devedores.
- Art. 844. A transação não aproveita, nem prejudica senão aos que nela intervierem, ainda que
diga respeito a coisa indivisível.
§ 2 o Se entre um dos credores solidários e o devedor, extingue a obrigação deste para com os
outros credores.
§ 3 o Se entre um dos devedores solidários e seu credor, extingue a dívida em relação aos co-
devedores.
- Enunciado 349 do CEJ: Com a renúncia da solidariedade quanto a apenas um dos devedores
solidários, o credor só poderá cobrar do beneficiado a sua quota na dívida; permanecendo a
solidariedade quanto aos demais devedores, abatida do débito a parte correspondente aos
beneficiados pela renúncia.
Na responsabilidade solidária, o credor escolhe contra quem entrar, bem assim quem
desistir.
- Caso Hipotético:
- Ana é cliente de uma operadora de telefonia, “ConectaMais”, com quem possui um contrato
de prestação de serviços no valor mensal de R$ 100,00. Devido a dificuldades financeiras, Ana
atrasou o pagamento de duas faturas.
Ana ingressou com uma ação judicial contra “ConectaMais” e “CobrançaFácil”, pedindo:
1. Danos morais: R$ 10.000,00, devido ao abuso no número de ligações e ao
descumprimento do Código de Defesa do Consumidor.
Questão Jurídica:
O aluno, no papel de juiz, deve decidir se o processo pode prosseguir contra a “CobrançaFácil”
para discutir o valor remanescente dos danos morais.
R: Nos termos do art. 844, do Código Civil, a transação não aproveita ou prejudica quem dela não tenha
tomado parte. Ocorre que o §3º, do artigo citado, prevê que a extinção de crédito aproveita ao co-
devedor solidário.
Dessa feita, a celebração de acordo judicial de Ana com a empresa “ConectaMais” extende seu efeito
quanto a empresa “CobrançaFácil”, no que diz respeito aos 3 mil extinto, de forma que deverá
prosseguir a demanda em relação ao demais.
Contrário fosse, haveria Ana usufruiria de indenização em dobro pelos 3 mil reais.
- Isso não impede que no futuro os devedores se resolvam entre si com ação de regresso
SEÇÃO II
§ 1° O produto é defeituoso quando não oferece a segurança que dele legitimamente se espera,
levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais:
I - sua apresentação;
§ 2º O produto não é considerado defeituoso pelo fato de outro de melhor qualidade ter sido colocado
no mercado.
Art. 13. O comerciante é igualmente responsável, nos termos do artigo anterior, quando:
I - o fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não puderem ser identificados;
II - o produto for fornecido sem identificação clara do seu fabricante, produtor, construtor ou
importado
Parágrafo único. Aquele que efetivar o pagamento ao prejudicado poderá exercer o direito de regresso
contra os demais responsáveis, segundo sua participação na causação do evento danoso.
§ 1° O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o consumidor dele pode esperar,
levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais:
Caso adaptado: João, residente em Brasília, é correntista do Banco do Brasil há muitos anos. Durante
esse período, ele nunca fez qualquer empréstimo. Determinado dia, João recebeu uma ligação do
telefone 4003-3001. O interlocutor se identificou como gerente do Banco e disse que o correntista
deveria ir a um caixa eletrônico para aumentar o limite de transações, afirmando que a conta ficaria
bloqueada caso o procedimento não fosse realizado. Confiando que a ligação era, de fato, do Banco
do Brasil, uma vez que o número era usado pela instituição financeira, João realizou todos os
procedimentos solicitados. Vale ressaltar que, em momento algum, ele forneceu sua senha bancária
ao suposto gerente. Para a sua surpresa, no dia seguinte, o correntista recebeu uma ligação do Banco
do Brasil, informando que haviam sido realizadas transações atípicas em sua conta corrente e que
havia sido contratado um empréstimo de grande valor, bem como efetuados pagamentos que ele não
reconhecia e que eram relacionados com alguém localizado em São Paulo.
O STJ declarou a inexigibilidade das transações bancárias não reconhecidas pelo consumidor e
condenou o banco a restituir o montante previamente existente na conta bancária, devidamente
atualizado.
STJ. 3ª Turma. REsp 2.052.228-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 12/9/2023 (Info 788)
AULA 07
I - sua apresentação;
§ 2º O produto não é considerado defeituoso pelo fato de outro de melhor qualidade ter sido
colocado no mercado.
Art. 13. O comerciante é igualmente responsável, nos termos do artigo anterior, quando:
II - o produto for fornecido sem identificação clara do seu fabricante, produtor, construtor ou
importador;
§ 1° O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o consumidor dele pode
esperar, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais:
§ 3° O consumidor poderá fazer uso imediato das alternativas do § 1° deste artigo sempre que, em
razão da extensão do vício, a substituição das partes viciadas puder comprometer a qualidade
ou características do produto, diminuir-lhe o valor ou se tratar de produto essencial.
§ 4° Tendo o consumidor optado pela alternativa do inciso I do § 1° deste artigo, e não sendo
possível a substituição do bem, poderá haver substituição por outro de espécie, marca ou
modelo diversos, mediante complementação ou restituição de eventual diferença de preço,
sem prejuízo do disposto nos incisos II e III do § 1° deste artigo.
III - os produtos que, por qualquer motivo, se revelem inadequados ao fim a que se destinam.
Art. 19. Os fornecedores respondem solidariamente pelos vícios de quantidade do produto sempre
que, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, seu conteúdo líquido for inferior às
indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou de mensagem publicitária,
podendo o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha:
III - a substituição do produto por outro da mesma espécie, marca ou modelo, sem os aludidos
vícios;
IV - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais
perdas e danos.
Art. 20. O fornecedor de serviços responde pelos vícios de qualidade que os tornem impróprios ao
consumo ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade com
as indicações constantes da oferta ou mensagem publicitária, podendo o consumidor exigir,
alternativamente e à sua escolha:
§ 1° A reexecução dos serviços poderá ser confiada a terceiros devidamente capacitados, por conta
e risco do fornecedor.
§ 2° São impróprios os serviços que se mostrem inadequados para os fins que razoavelmente deles
se esperam, bem como aqueles que não atendam as normas regulamentares de
prestabilidade.
PRESCRIÇÃO DECADÊNCIA
- O CDC apenas dispôs acerca do prazo de 5 anos para a Ação de Responsabilidade Civil pelo
Fato do Produto ou do Serviço, não prevendo, assim, prazos prescricionais para todas as
demandas e reclamações possíveis do consumidor.
Nos casos de Ações de Responsabilidade Civil pelo Vício do Produto ou do Serviço, o STJ
decidiu que se aplica o prazo prescricional do Código Civil, lançando mão do diálogo de fontes
(art. 7º, CDC).
R: É possível concessão de danos morais, dado que há frustação das expectativas do consumidor.
b) Qual é o prazo prescricional aplicável para pleitear danos morais decorrentes de vícios do
produto/serviço e para fato do produto/serviço?
R: Fato do produto/serviço -> Prazo de 5 anos. Vejamos: “Art. 27. Prescreve em cinco anos a pretensão
à reparação pelos danos causados por fato do produto ou do serviço prevista na Seção II deste
Capítulo, iniciando-se a contagem do prazo a partir do conhecimento do dano e de sua autoria.”
Em certos casos, é possível ultrapassar a barreira do vício e se tornar fato, por exemplo no caso de
perda do tempo útil para resolução de problema envolvendo vício. Nesse caso, o prazo é de 5 anos.
AULA 08
PRÁTICAS ABUSIVAS
1-) Venda Casada
SÚMULA n. 532
Ex.: mesmo após pagamento da dívida, permanecem negando créditos, etc. Isto porque
informações são repassadas clandestinamente
Seja porque já pagou, ou ,mesmo quando devido, quando há cobrança vexatória e exagerada
Trata-se dos casos em que o Estado estabelece parâmetros para valor cobrado e o fornecedor
descumpre
Ex.: Lei 9.870/99, em que as mensalidades das escolas particulares precisam demonstrar
lisura, publicidade, etc.
Inmetro
Dinheiro e cartão
Cobrança/ má-fé
Todavia, na prática do dia a dia, é mais comum a indenização em dobro, nos casos de
pagamento indevido
AULA 09
CODIGO PENAL
Fraude no comércio
Art. 273 - Falsificar, corromper, adulterar ou alterar produto destinado a fins terapêuticos ou
medicinais
ECRIAD
CDC
- Consumação do crime: maioria são formais ou de mera conduta não depende do resulta
naturalístico. Não cabendo forma tentada.
- Quanto à pena: todas não são puníveis com pena superior a 2 anos de detenção e/ou multa
- Em regra, competência é do JECRIM, dado que a pena é menor de dois anos
- Todavia, caso haja concurso formal, material ou crime continuado, a competência é
deslocada ao juízo normal
- Art. 82. Para os fins do art. 81, parágrafo único, são legitimados concorrentemente:
I - o Ministério Público, -> LEGITIMADO PARA CRIMES DO CDC. Ação Penal Pública
Incondicionada.
II - a União, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal;
III - as entidades e órgãos da Administração Pública, direta ou indireta, ainda que sem
personalidade jurídica, especificamente destinados à defesa dos interesses e direitos
protegidos por este código;
IV - as associações legalmente constituídas há pelo menos um ano e que incluam entre
seus fins institucionais a defesa dos interesses e direitos protegidos por este código,
dispensada a autorização assemblear.
V - quando cometidos:
a) por servidor público, ou por pessoa cuja condição econômico-social seja manifestamente
superior à da vítima;
b) em detrimento de operário ou rurícola; de menor de dezoito ou maior de sessenta anos
ou de pessoas portadoras de deficiência mental interditadas ou não;
Art. 63. Omitir dizeres ou sinais ostensivos sobre a nocividade ou periculosidade de produtos, nas
embalagens, nos invólucros, recipientes ou publicidade:
§ 1° Incorrerá nas mesmas penas quem deixar de alertar, mediante recomendações escritas
ostensivas, sobre a periculosidade do serviço a ser prestado.
2° Se o crime é culposo:
Parágrafo único. Incorrerá nas mesmas penas quem deixar de retirar do mercado, imediatamente
quando determinado pela autoridade competente, os produtos nocivos ou perigosos, na forma
deste artigo.
Art. 65. Executar serviço de alto grau de periculosidade, contrariando determinação de autoridade
competente:
§ 1º As penas deste artigo são aplicáveis sem prejuízo das correspondentes à lesão corporal e à
morte.
§ 2º A prática do disposto no inciso XIV do art. 39 desta Lei também caracteriza o crime previsto
no caput deste artigo. -> A prática de permitir o ingresso em estabelecimentos comerciais ou de
serviços de um número maior de consumidores que o fixado pela autoridade administrativa como
máximo.
Art. 66. Fazer afirmação falsa ou enganosa, ou omitir informação relevante sobre a natureza,
característica, qualidade, quantidade, segurança, desempenho, durabilidade, preço ou garantia de
produtos ou serviços:
Art. 67. Fazer ou promover publicidade que sabe ou deveria saber ser enganosa ou abusiva:
Art. 69. Deixar de organizar dados fáticos, técnicos e científicos que dão base à publicidade:
Art. 70. Empregar na reparação de produtos, peça ou componentes de reposição usados, sem
autorização do consumidor:
Art. 71. Utilizar, na cobrança de dívidas, de ameaça, coação, constrangimento físico ou moral,
afirmações falsas incorretas ou enganosas ou de qualquer outro procedimento que exponha o
consumidor, injustificadamente, a ridículo ou interfira com seu trabalho, descanso ou lazer:
Art. 72. Impedir ou dificultar o acesso do consumidor às informações que sobre ele constem em
cadastros, banco de dados, fichas e registros:
Art. 73. Deixar de corrigir imediatamente informação sobre consumidor constante de cadastro,
banco de dados, fichas ou registros que sabe ou deveria saber ser inexata:
Art. 74. Deixar de entregar ao consumidor o termo de garantia adequadamente preenchido e com
especificação clara de seu conteúdo;