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Direito do Consumidor: Conceitos e Teorias

O documento aborda o Código de Defesa do Consumidor, destacando normas de proteção e defesa do consumidor, a definição de consumidor e fornecedor, e as teorias relacionadas a essas definições. Também discute os direitos do consumidor, incluindo proteção à saúde, informação clara e prevenção de danos, além de abordar a relação entre advogado e cliente e a aplicação do CDC em serviços médicos. Por fim, menciona a importância da vulnerabilidade do consumidor e a responsabilidade dos fornecedores.
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Direito do Consumidor: Conceitos e Teorias

O documento aborda o Código de Defesa do Consumidor, destacando normas de proteção e defesa do consumidor, a definição de consumidor e fornecedor, e as teorias relacionadas a essas definições. Também discute os direitos do consumidor, incluindo proteção à saúde, informação clara e prevenção de danos, além de abordar a relação entre advogado e cliente e a aplicação do CDC em serviços médicos. Por fim, menciona a importância da vulnerabilidade do consumidor e a responsabilidade dos fornecedores.
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DIREITO DO CONSUMIDOR

Aula 01

-> Art. 1° O presente código estabelece normas de proteção e defesa do consumidor, de ordem
pública e interesse social, nos termos dos arts. 5°, inciso XXXII, 170, inciso V, da Constituição
Federal e art. 48 de suas Disposições Transitórias.

- Proteção e defesa do direito do consumidor


- Norma de ordem público. Em regra, pode ser conhecida de ofício.
- A partir da Revolução Industrial, inicia a sociedade de massas e produção unilateral pelo
fornecedor
- Súmula n.º 381 do Superior Tribunal de Justiça (STJ): “Nos contratos bancários, é vedado ao
julgador conhecer, de ofício, da abusividade das cláusulas”.
É fato que o STJ editou a Súmula 381 apoiando-se no direito processual, sobretudo, no princípio
dispositivo, deixando de enfrentar questões que têm sido colocadas frequentemente pela doutrina
no âmbito do direito material: (i) o fato de o CDC não haver excepcionado qualquer direito do
consumidor, como não sendo de ordem pública; (ii) o rol das cláusulas abusivas tratar-se
propriamente de nulidades absolutas e, nos termos do art. 168, parágrafo único do Código
Civil, podem ser decretadas de ofício pelo Magistrado.

- “Interesse social”. Coletividade tem inclinação para proteção dos consumidores.


- Punitive damages
- A ACP não seria o melhor meio de tutelar?

- Teoria do não retrocesso -> Direitos e Garantias Fundamentais -> O direito do consumidor
não pode ser removido ou retirado

Aula 02

- Relação de consumo

Subjetivos Consumidor Fornecedor


Objetivo Serviço Produto

- Para ser relação de consumo, precisa preencher dois do acima e um do abaixo

- Conceito de consumidor

Art. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como
destinatário final.

Parágrafo único. Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que


indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo.
- Poderia ser pessoa jurídica de direito privado e de direito público Ex.: estatais, etc.
- Ccorrente finalista, também conhecida como subjetiva, entendem que o consumidor de um
produto ou serviço nos termos da definição trazida no art. 2º do CDC é o destinatário fático
e econômico, ou seja, não basta retirar o bem do mercado de consumo, havendo a
necessidade de o produto ou serviço ser efetivamente consumido pelo adquirente ou por
sua família

- Para o art. 2º, consumidor é pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou
serviço como destinatário final
- Consumidor no sentido estrito -> Destinação Final

Teoria Maximalista Teoria Finalista Teoria Finalista Mitigada


Objetivo Subjetivo Finalista +
- Retirou do - Relação Vulnerabilidade
mercado econômico é - Art. 4, I, do CDC
- Mais ampla relevante - STJ e Claudia
- Mais restrita Lima

- Segundo Claudia Lima Marques, qual o conceito de consumidor?


- Para Claudio Lima Marques, é correta a teoria finalista mitigada
- Por essa teoria finalista mitigada, mesmo que não seja destinatário final, é possível
reconhecer como
- a vulnerabilidade pode ser técnica (desconhecimento da operação de item), jurídica
(desconhecimento jurídico) e fática (incapacidade econômica/real)

Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das
necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de
seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e
harmonia das relações de consumo, atendidos os seguintes princípios: (Redação dada pela
Lei nº 9.008, de 21.3.1995)

I - reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado de consumo;

- Teorias:
Definição de consumidor - interpretação teleológica - teoria finalista mitigada
"(...) 3. Há duas teorias acerca da definição de consumidor: a maximalista ou objetiva, que
exige apenas a existência de destinação final fática do produto ou serviço, e a finalista ou
subjetiva, mais restritiva, que exige a presença de destinação final fática e econômica. O art.
2º do CDC ao definir consumidor como 'toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza
produto ou serviço como destinatário final' adota o conceito finalista. 4. Nada obstante, a
jurisprudência do STJ, pautada em uma interpretação teleológica do dispositivo legal,
adere à teoria finalista mitigada ou aprofundada, a qual viabiliza a aplicação da lei
consumerista sobre situações em que, apesar de o produto ou serviço ser adquirido
no curso do desenvolvimento de uma atividade empresarial, haja vulnerabilidade
técnica jurídica ou fática da parte adquirente frente ao fornecedor. 5. Nessas
situações, a aplicação do Código de Defesa do Consumidor fica condicionada à
demonstração efetiva da vulnerabilidade da pessoa frente ao fornecedor. Então,
incumbe ao sujeito que pretende a incidência do diploma consumerista comprovar a sua
situação peculiar de vulnerabilidade. 6. Na hipótese dos autos, a aplicação da teoria finalista
não permite o enquadramento da recorrente como consumidora, porquanto realiza a venda
de ingressos on-line e contratou a recorrida para a prestação de serviços de intermediação
de pagamentos. Ou seja, os serviços prestados pela recorrida se destinam ao desempenho
da atividade econômica da recorrente. Ademais, a Corte de origem, com base nas provas
constantes do processo, concluiu que a recorrente não é vulnerável frente à recorrida (...)."
(grifamos) REsp 2020811/SP

Consumidor por equiparação


- Tutela Coletiva
- Art. 2. (...) Parágrafo único. Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda
que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo.
- Art. 29. Para os fins deste Capítulo e do seguinte, equiparam-se aos consumidores
todas as pessoas determináveis ou não, expostas às práticas nele previstas.
- O mero espectador de propaganda abusiva é equiparado ao consumidor
- Art. 2 e art. 29 são casos de tutela coletiva

- Art. 17. Para os efeitos desta Seção, equiparam-se aos consumidores todas as
vítimas do evento. (Danos causados por Art. 12. O fabricante, o produtor, o construtor,
nacional ou estrangeiro, e o importador respondem, independentemente da existência de
culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de
projeto, fabricação, construção, montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou
acondicionamento de seus produtos, bem como por informações insuficientes ou
inadequadas sobre sua utilização e riscos.)
- Vítimas de acidente de consumo são equiparados a consumidores

Aula 03

- Fornecedor: Art. 3° Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional
ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de
produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação,
distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços.

- Rol do caput é exemplificativo


- Todos que participam da cadeia de produção
- Requisitos conjuntos :Habitualidade + Profissionalismo
- não basta a profissionalidade, que é o intuito de lucro. É necessário que a atividade não seja
desempenhada esporadicamente, eventualmente. Exige-se o “desenvolver” dessa atividade.
Daí que o desenvolvimento de uma atividade pressupõe a não eventualidade, ou seja, a sua
habitualidade.46 Da conjugação da profissionalidade com a habitualidade encontra-se
juridicamente o fornecedor.
- Sem fins lucrativos

- Teoria da aparência => A doutrina conceitua a aparência de direito como "uma situação de
fato que manifesta como verdadeira uma situação jurídica não verdadeira, e que, por causa
do erro escusável de quem, de boa-fé, tomou o fenômeno real como manifestação de uma
situação jurídica verdadeira, cria um direito subjetivo novo, mesmo à custa da própria
realidade" (Álvaro Malheiros, citado pelo ministro Reynaldo Soares da Fonseca no RMS 57.740
).
- Em uma ocorrência dessa natureza, estando evidenciado que o terceiro agiu por erro
justificável e foi induzido a acreditar na relação jurídica aparente e nas suas eventuais
consequências, a qual se mostrou insubsistente, deve-se amparar na teoria da aparência
para validar os efeitos jurídicos.

- A existência da aparência pode ser percebida em vários negócios jurídicos, sendo muito
comum nas relações de consumo, onde fornecedores ou prestadores de serviço se utilizam
de marcas conhecidas ou conceituadas para ofertar determinado produto ou serviço, como
se fossem as reais fabricantes.

- Havendo comprovação de que que um prestador/fornecedor se utilizou da confiança e


segurança de uma determinada fabricante para obter vantagens no negócio, ou ainda deixou
subentendido que representava a empresa, poderá ser responsabilizado solidariamente por
todos os danos causados. Igualmente será responsabilizada a empresa que tinha ciência da
aparência e se manteve inerte.

- Pessoa física fornecedora -> Profissional liberal

- Importância no processo
- Lei 9.099 => Art. 4º É competente, para as causas previstas nesta Lei, o Juizado do foro:
I - do domicílio do réu ou, a critério do autor, do local onde aquele exerça atividades
profissionais ou econômicas ou mantenha estabelecimento, filial, agência, sucursal ou
escritório;
II - do lugar onde a obrigação deva ser satisfeita;

III - do domicílio do autor ou do local do ato ou fato, nas ações para reparação de dano de
qualquer natureza.

Parágrafo único. Em qualquer hipótese, poderá a ação ser proposta no foro previsto no inciso I
deste artigo.

- Pode ajuizar no local do exercício de atividades profissionais, o que permite que demande em
qualquer local da cadeia de produto
- ENUNCIADO 89 – A incompetência territorial pode ser reconhecida de ofício no sistema de
juizados especiais cíveis (XVI Encontro – Rio de Janeiro/RJ).

- Uber? O motorista faz parte da cadeia de consumo

- Na relação advogado x cliente, este profissional é entendido como fornecedor para fins de
aplicação do CDC? E na relação médico x paciente?

- Em outras palavras, a relação entre cliente e advogado não se caracteriza como


consumerista, pois não envolve os conceitos tradicionais de consumidor e fornecedor
estabelecidos pelo Código de Defesa do Consumidor. Em vez disso, essa relação é de
natureza peculiar, marcada por um contrato de prestação de serviços que se baseia
predominantemente na confiança mútua entre as partes.

- O vínculo em análise é regido pela Lei 8.906/1994 - Estatuto da Advocacia e da OAB - que
estabelece normas próprias e específicas para o exercício da profissão de advogado. Por se
tratar de norma específica, deve prevalecer exclusivamente sobre quaisquer outras, inclusive
o Código de Defesa do Consumidor.

- Assim, “a relação jurídica entre advogado e cliente firmada por meio de contrato de prestação
de serviços advocatícios é regida pelas normas da legislação civil e do Estatuto da OAB e
Código de Ética da OAB, sem a incidência do Código de Defesa do Consumidor” (Acórdão
1753270, 07068023220228070001, Relator(a): ANA MARIA FERREIRA DA SILVA, 3ª Turma
Cível, data de julgamento: 31/8/2023, publicado no DJE: 28/9/2023. Pág.: Sem Página
Cadastrada.).
- Do mesmo modo, “a relação entre cliente e advogado possui natureza civil, sujeita a
aplicação de legislação específica, qual seja, a Lei no 8.906/94 (Estatuto da Advocacia e da
Ordem dos Advogados do Brasil), ao Código de Ética da OAB. Jurisprudência do Superior
Tribunal de Justiça” (Acórdão 1786547, 07045147720238070001, Relator(a): CARMEN
BITTENCOURT, 8ª Turma Cível, data de julgamento: 23/11/2023, publicado no DJE:
29/11/2023. Pág.: Sem Página Cadastrada).

- "1. Os serviços médicos, estabelecidos por contrato entre médico e paciente, configuram
verdadeira relação jurídica de consumo, submetida aos ditames do Código de Defesa do
Consumidor. 2. Estando a relação jurídica estabelecida entre médico e paciente jungida
aos ditames legais do microssistema do direito do consumidor, revela-se adequada a
aplicação do prazo prescricional quinquenal previsto no art. 27 do Código de Defesa do
Consumidor." (grifamos)

Acórdão 1398843, 07337513320218070000, Relator: SIMONE LUCINDO, Primeira Turma


Cível, data de julgamento: 9/2/2022, publicado no DJe: 23/2/2022.

Art. 3. § 1° Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial. -> TUDO,
praticamente.

§ 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração,


inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das
relações de caráter trabalhista.

- A remuneração é diretamente ou indiretamente


- Isso significa que tem coisas aparentemente gratuitas, como brindes, em que o fim é lucrar,
dado que busca captar cliente. Da mesma forma, redes sociais também são relação de
consumo, na medida em que anúncios são forma de remuneração

AULA 04

- DIREITOS DO CONSUMIDOR.
- Rol exemplificativo do rol Art. 6 CDC:

I - a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento
de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos; -> Da Proteção à Saúde e Segurança
(relacionado 8º a 10º)

II - a educação e divulgação sobre o consumo adequado dos produtos e serviços, asseguradas a


liberdade de escolha e a igualdade nas contratações;
III - a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação
correta de quantidade, características, composição, qualidade, tributos incidentes e preço, bem
como sobre os riscos que apresentem;

IV - a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos comerciais coercitivos ou


desleais, bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos
e serviços;

V - a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua


revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas;

VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos;

VII - o acesso aos órgãos judiciários e administrativos com vistas à prevenção ou reparação de
danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos ou difusos, assegurada a proteção Jurídica,
administrativa e técnica aos necessitados;

VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu
favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele
hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências;

X - a adequada e eficaz prestação dos serviços públicos em geral.

XI - a garantia de práticas de crédito responsável, de educação financeira e de prevenção e


tratamento de situações de superendividamento, preservado o mínimo existencial, nos termos da
regulamentação, por meio da revisão e da repactuação da dívida, entre outras medidas;

XII - a preservação do mínimo existencial, nos termos da regulamentação, na repactuação de


dívidas e na concessão de crédito;

XIII - a informação acerca dos preços dos produtos por unidade de medida, tal como por quilo, por
litro, por metro ou por outra unidade, conforme o caso.

Lesão do Código Civil Lesão do CDC


Art. 157. Ocorre a lesão quando uma
pessoa, sob premente necessidade, ou Art. 6º São direitos básicos do
por inexperiência, se obriga a prestação consumidor:
manifestamente desproporcional ao
V - a modificação das cláusulas
valor da prestação oposta. contratuais que estabeleçam prestações
desproporcionais ou sua revisão em
§ 1 o Aprecia-se a desproporção das razão de fatos supervenientes que as
prestações segundo os valores vigentes tornem excessivamente onerosas;
ao tempo em que foi celebrado o
negócio jurídico.

§ 2 o Não se decretará a anulação do


negócio, se for oferecido suplemento
suficiente, ou se a parte favorecida
concordar com a redução do proveito
-
Dolo da outra parte - Desequilíbrio contratual
-
Inexperiência ou necessidade do superveniente
lesado - Hipossuficiência do consumidor
- Prejuízo Excessivo
Tutela de Imprevisão Tutela do Rompimento da Base
- Imprevisível Objetiva
- Extraordinário - Não precisar ser imprevisível
- Consumidor enquanto vulnerável
Ex.: Guerra, pandemia.
Ex.: mudança de um plano de
assinatura

O art. 6º, inciso V, do CDC. Modificação revisional.


- Cláusulas contratuais passam a gerar lesão

Reparação Integral
Art. 6. VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais,
coletivos e difusos;
- Reparação Integral: dano moral + dano material
- Súmula 387/STJ: É lícita a cumulação das indenizações de dano estético e dano moral.
- Súmula 37/STJ - SÃO CUMULAVEIS AS INDENIZAÇÕES POR DANO MATERIAL E
DANO MORAL ORIUNDOS DO MESMO FATO

- É possível tarifar?
- Questões das convenções de Varsóvia e Montreal

- Art. 178. A lei disporá sobre a ordenação dos transportes aéreo, aquático e terrestre,
devendo, quanto à ordenação do transporte internacional, observar os acordos firmados pela
União, atendido o princípio da reciprocidade.
Parágrafo único. Na ordenação do transporte aquático, a lei estabelecerá as condições em
que o transporte de mercadorias na cabotagem e a navegação interior poderão ser feitos
por embarcações estrangeiras.

- Aplicação de tratados e convenções internacionais em matéria de transporte internacional


- O julgamento do RE 636331 (Tema 210 de Repercussão Geral) pelo STF reconheceu a
prevalência das Convenções de Varsóvia e Montreal sobre o Código de Defesa do
Consumidor (CDC) no que diz respeito à limitação da indenização por danos materiais no
transporte aéreo internacional
- Aplicação é sobre DANOS MATERIAS e NÃO MORAIS

- A extensão da limitação tarifária às indenizações por danos morais não é aceita, pois violaria
o princípio da reparação integral, previsto no art. 6º, VI, do CDC, e na Constituição Federal
(art. 5º, V e X). Os danos morais possuem natureza distinta dos danos materiais, sendo
relacionados a ofensas à dignidade, à honra e ao bem-estar psicológico do indivíduo, que
não são objetivamente quantificáveis de forma tarifada.
- Há, contudo, vertente que sustenta a violação ao princípio da reparação integral, no caso
de aplicação para danos materiais. Isso porque a Convenção de Varsóvia limita os valores
a serem indenizados.
- Contudo, a Convenção de Varsóvia prevê “declaração especial de interesse”, em que é
possível a indenização pelo total, desde que pago valor no momento de confiar o
transportador o volume.
ARTIGO 22.
(1) No transporte de pessoas, limita-se a responsabilidade do transportador, á importancia
de cento e vinte e cinco, mil francos, por passageiro. Se a indemnização, de conformidade
com a lei do tribunal que conhecer da questão, puder ser arbitrada em constituição de renda,
não poderá o respectivo capital exceder aquelle limite. Entretanto, por accordo especial com
o transportador, poderá o viajante fixar em mais o limite de responsabilidade.
(2) No transporte de mercadorias, ou de bagagem despachada, limita-se a responsabilidade
do transportador à quantia de duzentos e cincoenta francos por kilogramma, salvo
declaração especial de "interesse na entrega", feita pelo expedidor no momento de
confiar ao transportador os volumes, e mediante o pagamento de uma taxa supplementar
eventual. Neste caso, fica o transportador obrigado a pagar até a importancia da quantia
declarada, salvo se provar ser esta superior ao interesse real que o expedidor tinha entrega.
(3) Quanto aos objectos que o viajante conserve sob os guarda, limita-se a cinco mil francos
por viajante a responsabilidade do transportador.

- Dano moral “in re ipsa”. Dano, na própria essência.


- Presumível
- Basta provar o fato lesivo

Ex.: extravio de bagagem, negativa indevida.

Método Bifásico STJ

1ª Etapa 2ª Etapa
Valor Base - Extensão do dano
- Natureza e gravidade do dano - Condição econômica - evitar
- Parâmetros da jurisprudência enriquecimento e desestimular
- Fim pedagógico

AULA 05

- Art. 6º São direitos básicos do consumidor:


VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova,
a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando
for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências;
CPC CDC

- Estática - Dinâmica

- Autor prova fatos constitutivos - Redistribuição


- Réu prova fatos impeditivos, - Vulnerabilidade
extintivos e modificativos

Art. 373. O ônus da prova incumbe:

I - ao autor, quanto ao fato constitutivo


de seu direito;

II - ao réu, quanto à existência de fato


impeditivo, modificativo ou extintivo do
direito do autor.

Redistribuição Ope. Judicis Redistribuição Ope. Legis

Art. 373. § 1º Nos casos previstos em - Previsão do CDC +


lei ou diante de peculiaridades da causa Determinação Judicial
relacionadas à impossibilidade ou à
excessiva dificuldade de cumprir o Art. 6º São direitos básicos do
encargo nos termos do caput ou à maior consumidor:
facilidade de obtenção da prova do fato VIII - a facilitação da defesa de seus
contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da direitos, inclusive com a inversão do
prova de modo diverso, desde que o ônus da prova, a seu favor, no processo
faça por decisão fundamentada, caso civil, quando, a critério do juiz, for
em que deverá dar à parte a verossímil a alegação ou quando for ele
oportunidade de se desincumbir do ônus hipossuficiente, segundo as regras
que lhe foi atribuído. ordinárias de experiências;

- Momento da aplicação -> Regra - Regra de julgamento


de procedimento - Por ser uma regra de julgamento,
- Procedimento - É feita ao curso é decidido na sentença
do processo
- Em regra, na decisão de
saneamento

- Objetivo - Cooperação - Proteção do consumidor


- Equilíbrio da produção de provas

- CDC – Quem inverte é o juiz. A inversão não é automática.


- “1. A inversão do ônus da prova, mesmo nos casos que envolvam direito do consumidor,
não se opera de forma automática, dependendo do preenchimento dos seguintes requisitos:
verossimilhança das alegações ou hipossuficiência do consumidor.
2. O consumidor é a parte vulnerável na relação, conforme preceitua o artigo 4º do Código
do Consumidor, podendo o juiz inverter o ônus da prova quando há um dos dois requisitos
previstos na Lei consumeirista, sendo certo que na hipótese, encontra presente não só a
verossimilhança das alegações como a impossibilidade ou excessiva dificuldade na
obtenção da prova por parte do consumidor.
3. Tratando-se de relação de consumo, mostra-se cabível a inversão do ônus da prova, nos
termos do art. 6º, inciso VIII, do CDC.”
Acórdão 1227725, 07148439320198070000, Relator: ROBSON BARBOSA DE AZEVEDO,
Quinta Turma Cível, data de julgamento: 29/1/2020, publicado no DJE: 13/2/2020.

- Professor mencionou a inversão do ônus da prova, no CDC, ser regra de julgamento.


Por sua vez, o STJ entende que a inversão do ônus da prova é regra de instrução, e
que deve ser decido em despacho saneador:
- A inversão do ônus da prova prevista no art. 6º, VIII, do Código de Defesa do
Consumidor é regra de instrução e não regra de julgamento, motivo pelo qual a
decisão judicial que a determina deve ocorrer antes da etapa instrutória ou, quando
proferida em momento posterior, há que se garantir à parte a quem foi imposto o
ônus a oportunidade de apresentar suas provas, sob pena de absoluto cerceamento
de defesa.
STJ. 4ª Turma. REsp 1286273-SP, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 08/06/2021 (Info
701).
CRITÉRIOS:
1-) VERSOSSIMILHANÇA DAS ALEGAÇÕES
Ou
2-) HIPOSSUFICIÊNCIA (≠ Vulnerabilidade)
- No aspecto material, todo consumidor é vulnerável
- Mas nem todo consumidor é hipossuficiente para produzir provas
- Gratuidade: dispensa pagamento de custas, honorários sucumbenciais e periciais

- Art. 36. A publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil e
imediatamente, a identifique como tal.
Parágrafo único. O fornecedor, na publicidade de seus produtos ou serviços, manterá,
em seu poder, para informação dos legítimos interessados, os dados fáticos, técnicos
e científicos que dão sustentação à mensagem.
- No caso da propaganda, a inversão do ônus da prova é automática

- Art. 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao
fornecimento de produtos e serviços que:
VI - estabeleçam inversão do ônus da prova em prejuízo do consumidor;

- A inversão do ônus da prova concedida em decisão liminar, sem prévia manifestação da parte
ré, não ofende os princípios do contraditório e da ampla defesa, desde que sejam respeitados
os valores fundamentais que regem o processo, como a celeridade, a vulnerabilidade do
consumidor e o equilíbrio na relação processual. Essa medida encontra respaldo no artigo 6º,
inciso VIII, do Código de Defesa do Consumidor, que reconhece como direito básico do
consumidor a facilitação de sua defesa, inclusive pela inversão do ônus da prova, desde que
presentes a verossimilhança das alegações ou a hipossuficiência da parte.
A decisão liminar que inverte o ônus da prova visa atender ao princípio da celeridade
processual, previsto no artigo 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal, pois evita a dilação
desnecessária do processo, especialmente em demandas consumeristas, nas quais a demora
pode comprometer a efetividade da tutela jurisdicional. Ainda que proferida sem ouvir
previamente a parte ré, a decisão não elimina o contraditório e a ampla defesa, mas os adia. A
parte ré terá oportunidade de se manifestar posteriormente no curso do processo, inclusive
para questionar os fundamentos que motivaram a inversão. Assim, a medida preserva o
equilíbrio entre as partes e garante o direito de defesa.
Ademais, a inversão do ônus da prova corrige o desequilíbrio inicial entre consumidor e
fornecedor, decorrente da vulnerabilidade do primeiro, buscando equalizar a relação
processual. Não se trata de antecipar um julgamento favorável ao consumidor, mas apenas
redistribuir a carga probatória, exigindo que a parte mais apta a produzir a prova o faça. Tal
redistribuição não compromete o direito de defesa da parte ré, que poderá apresentar
argumentos e provas contrários às alegações do autor.
Portanto, a inversão do ônus da prova em decisão liminar, sem prévia oitiva da parte ré, não
viola o contraditório e a ampla defesa, desde que seja assegurada a possibilidade de
contestação ao longo do processo. Essa prática está em consonância com os objetivos do
Código de Defesa do Consumidor, promovendo a proteção da parte vulnerável, assegurando a
efetividade da tutela jurisdicional e atendendo ao princípio da celeridade processual.

AULA 06

- A responsabilidade solidária no CDC

- Art. 7° Os direitos previstos neste código não excluem outros decorrentes de tratados ou
convenções internacionais de que o Brasil seja signatário, da legislação interna ordinária, de
regulamentos expedidos pelas autoridades administrativas competentes, bem como dos que
derivem dos princípios gerais do direito, analogia, costumes e eqüidade.

Parágrafo único. Tendo mais de um autor a ofensa, todos responderão solidariamente pela
reparação dos danos previstos nas normas de consumo.
- Art. 25. É vedada a estipulação contratual de cláusula que impossibilite, exonere ou atenue
a obrigação de indenizar prevista nesta e nas seções anteriores.

- § 1° Havendo mais de um responsável pela causação do dano, todos responderão


solidariamente pela reparação prevista nesta e nas seções anteriores.

- § 2° Sendo o dano causado por componente ou peça incorporada ao produto ou serviço,


são responsáveis solidários seu fabricante, construtor ou importador e o que realizou a
incorporação.

- OBJETIVO da norma: Preocupa-se em reparar o consumidor. Depois faz o regresso.


- EX.:

DANOS MORAIS. SOLIDARIEDADE. BANCO. CARTÃO. CRÉDITO.

O recorrido ajuizou ação de compensação por danos morais contra o banco e a administradora de
cartões de crédito, alegando que pretendeu pagar despesas de hospedagem no exterior valendo-se de
seu cartão de crédito e teve a autorização indevidamente negada. Tentou resolver o problema junto ao
banco e à recorrente, não obtendo êxito. A recorrente alegou que não é parte legítima para figurar no
polo passivo da ação porque não administra cartões de crédito, que não é parte no contrato firmado
entre as partes e que não procedeu ao bloqueio do cartão. Mas a Turma negou provimento ao recurso
ao argumento de que o art. 14 do CDC estabelece regra de responsabilidade solidária entre os
fornecedores de uma mesma cadeia de serviços, razão pela qual as "bandeiras"/marcas de
cartão de crédito respondem solidariamente com os bancos e as administradoras de cartão de
crédito pelos danos decorrentes da má prestação de serviços. A recorrente alega que o valor
arbitrado em R$ 16.500,00 a título de reparação por danos morais revela-se elevado, merecendo a
devida redução. Porém, este Superior Tribunal orienta-se no sentido de que a alteração do valor fixado
a título de compensação por danos morais somente é possível, em recurso especial, nas hipóteses
em que a quantia estipulada pelo tribunal de origem seja irrisória ou exagerada. Na hipótese, não há
exagero na sua fixação, uma vez que o recorrido sujeitou-se a constrangimentos indevidos em país
estrangeiro, requereu solução para o problema e não foi atendido. Precedente citado: REsp 259.816-
RJ, DJ 27/11/2000. REsp 1.029.454-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 1º/10/2009.

Responsabilidade solidária: a) “bandeiras”/marcas de cartão de crédito + b) bancos e administradora


do cartão de crédito.

Agência de turismo vendeu o pacote de viagens: possui responsabilidade solidária por vício na
prestação de serviço.
Imagine que o consumidor comprou um pacote de viagens na agência de turismo, incluindo passagem
aérea, hospedagem e translado para um período de 7 dias.

Ocorre que o voo foi cancelado e, com isso, toda a programação feita pelo consumidor para as férias
ficou prejudicada, conforme comprovação feita nos autos.

A agência de turismo possui responsabilidade solidária pelos prejuízos causados.

No caso de pacote turístico, a agência assume a responsabilidade por todo o roteiro da viagem
contratada.

A agência de turismo que vende pacote de viagem é responsável solidária por qualquer vício na
prestação do serviço.

STJ. 4ª Turma. AgRg no Ag 1319480/RJ, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 18/2/2014.

Agência de turismo foi mera intermediária da compra de passagem aérea: não possui
responsabilidade solidária

Imagine agora que o consumidor comprou apenas a passagem aérea com a agência de turismo. Nessa
hipótese, a agência funciona tão somente como intermediária entre o adquirente e a companhia
aérea.

Ocorre que o voo foi cancelado e, com isso, esse consumidor perdeu um importante compromisso de
trabalho que tinha na cidade de destino, conforme foi devidamente comprovado.

Apenas a companhia aérea que será responsável pelos prejuízos causados. A agência de turismo não
possui responsabilidade solidária nesse caso.

As agências de turismo não respondem solidariamente pela má prestação dos serviços na hipótese
de simples intermediação de venda de passagens aéreas.

STJ. 3ª Turma. AgRg no REsp 1453920/CE, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 09/12/2014.

Pacote de viagem – resp. solidária x Compras de passagem aérea - sem resp. solidária.

A prática do crime de roubo no interior de estacionamento de veículos, pelo qual seja direta ou
indiretamente responsável a empresa exploradora de tal serviço, não caracteriza caso fortuito ou
motivo de força maior capaz de desonerá-la da responsabilidade pelos danos suportados por seu
cliente vitimado.
Em outras palavras, se houve roubo à mão armada ocorrido nas dependências de estacionamento
privado, cuja atividade-fim é a guarda e manutenção da integridade do veículo, a empresa
responsável pelo estacionamento terá responsabilidade civil, não havendo que se falar em caso
fortuito.

STJ. 2ª Seção. AgInt nos EREsp 1118454/RS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em
25/10/2017.

- Ação de Regresso
- Deve ser exercido em ação autônoma

- JEC. Lei 9.099/95 -> Art. 10. Não se admitirá, no processo, qualquer forma de intervenção de
terceiro nem de assistência. Admitir-se-á o litisconsórcio.

- Art. 88. Na hipótese do art. 13, parágrafo único deste código, a ação de regresso poderá ser
ajuizada em processo autônomo, facultada a possibilidade de prosseguir-se nos mesmos
autos, vedada a denunciação da lide.
(Art. 13. O comerciante é igualmente responsável, nos termos do artigo anterior, quando: I - o
fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não puderem ser identificados; II - o
produto for fornecido sem identificação clara do seu fabricante, produtor, construtor ou
importador; III - não conservar adequadamente os produtos perecíveis.)

Vedação a derivação da lide

Objetivo: celeridade processual

Não cabe a denunciação da lide nas ações indenizatórias decorrentes da relação de consumo,
seja no caso de responsabilidade pelo fato do produto, seja no caso de responsabilidade pelo
fato do serviço (arts. 12 a 17 do CDC).

STJ. 3ª Turma. REsp 1165279-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 22/5/2012 (Info
498).

A vedação à denunciação da lide nas relações de consumo refere-se tanto à responsabilidade pelo
fato do serviço quanto pelo fato do produto.

STJ. 3ª Turma. AgRg no AREsp 472875/RJ, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 03/12/2015.
A vedação à denunciação da lide prevista no art. 88 do CDC não se restringe à responsabilidade de
comerciante por fato do produto (art. 13 do CDC), sendo aplicável também nas demais hipóteses de
responsabilidade civil por acidentes de consumo (arts. 12 e 14 do CDC).

STJ. 4ª Turma. AgRg no AREsp 694980/MS, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 22/09/2015.

- Da hipótese de acordo com um dos devedores solidários


- Art. 275. O credor tem direito a exigir e receber de um ou de alguns dos devedores, parcial ou
totalmente, a dívida comum; se o pagamento tiver sido parcial, todos os demais devedores
continuam obrigados solidariamente pelo resto.

Parágrafo único. Não importará renúncia da solidariedade a propositura de ação pelo credor
contra um ou alguns dos devedores.

- Art. 844. A transação não aproveita, nem prejudica senão aos que nela intervierem, ainda que
diga respeito a coisa indivisível.

§ 1 o Se for concluída entre o credor e o devedor, desobrigará o fiador.

§ 2 o Se entre um dos credores solidários e o devedor, extingue a obrigação deste para com os
outros credores.

§ 3 o Se entre um dos devedores solidários e seu credor, extingue a dívida em relação aos co-
devedores.

- Enunciado 349 do CEJ: Com a renúncia da solidariedade quanto a apenas um dos devedores
solidários, o credor só poderá cobrar do beneficiado a sua quota na dívida; permanecendo a
solidariedade quanto aos demais devedores, abatida do débito a parte correspondente aos
beneficiados pela renúncia.

- É possível a desistência em relação a um dos requeridos?


Litisconsórcio facultativo.
Anuência do corresponsável? Não.

Na responsabilidade solidária, o credor escolhe contra quem entrar, bem assim quem
desistir.

- Caso Hipotético:
- Ana é cliente de uma operadora de telefonia, “ConectaMais”, com quem possui um contrato
de prestação de serviços no valor mensal de R$ 100,00. Devido a dificuldades financeiras, Ana
atrasou o pagamento de duas faturas.

A empresa credora, “ConectaMais”, contratou a empresa de telemarketing “CobrançaFácil”


para realizar as cobranças. A partir de então, Ana começou a receber dezenas de ligações por
dia, incluindo em horários inapropriados, como durante a madrugada e fins de semana. Apesar
de solicitar a interrupção das ligações, as cobranças persistiram por semanas, causando-lhe
grande constrangimento e abalo emocional.

Ana ingressou com uma ação judicial contra “ConectaMais” e “CobrançaFácil”, pedindo:
1. Danos morais: R$ 10.000,00, devido ao abuso no número de ligações e ao
descumprimento do Código de Defesa do Consumidor.

Durante o processo, Ana e “ConectaMais” celebraram um acordo judicial. A operadora


concordou em pagar R$ 3.000,00 a título de danos morais e suspender todas as cobranças. O
acordo foi homologado com cláusula expressa de continuidade da ação contra a
“CobrançaFácil” para discutir o valor remanescente dos danos morais (R$ 7.000,00).

Questão Jurídica:

O aluno, no papel de juiz, deve decidir se o processo pode prosseguir contra a “CobrançaFácil”
para discutir o valor remanescente dos danos morais.

R: Nos termos do art. 844, do Código Civil, a transação não aproveita ou prejudica quem dela não tenha
tomado parte. Ocorre que o §3º, do artigo citado, prevê que a extinção de crédito aproveita ao co-
devedor solidário.

Dessa feita, a celebração de acordo judicial de Ana com a empresa “ConectaMais” extende seu efeito
quanto a empresa “CobrançaFácil”, no que diz respeito aos 3 mil extinto, de forma que deverá
prosseguir a demanda em relação ao demais.

Contrário fosse, haveria Ana usufruiria de indenização em dobro pelos 3 mil reais.

Deve haver cláusula expressa de plena quitação e retirada do polo passivo.

- Isso não impede que no futuro os devedores se resolvam entre si com ação de regresso

RESPONSABILIDADE OBJETIVA RESPONSABILIDADE SUBJETIVA


Independente de CULPA Depende da comprovação de culpa
(dolo, negligência, imprudência e
imperícia)

Teoria do Risco do Empreendimento Teoria da Culpa

Cabe ao fornecedor prova excludente O consumidor deve provar a culpa do


profissional

SEÇÃO II

Da Responsabilidade pelo Fato do Produto e do Serviço

Art. 12. O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador


respondem, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos
consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem, fórmulas,
manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como por informações
insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos.

§ 1° O produto é defeituoso quando não oferece a segurança que dele legitimamente se espera,
levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais:

I - sua apresentação;

II - o uso e os riscos que razoavelmente dele se esperam;

III - a época em que foi colocado em circulação.

§ 2º O produto não é considerado defeituoso pelo fato de outro de melhor qualidade ter sido colocado
no mercado.

§ 3° O fabricante, o construtor, o produtor ou importador só não será responsabilizado quando provar:

I - que não colocou o produto no mercado;

II - que, embora haja colocado o produto no mercado, o defeito inexiste;

III - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.

Art. 13. O comerciante é igualmente responsável, nos termos do artigo anterior, quando:
I - o fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não puderem ser identificados;

II - o produto for fornecido sem identificação clara do seu fabricante, produtor, construtor ou
importado

III - não conservar adequadamente os produtos perecíveis.

Parágrafo único. Aquele que efetivar o pagamento ao prejudicado poderá exercer o direito de regresso
contra os demais responsáveis, segundo sua participação na causação do evento danoso.

Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela


reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços,
bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.

§ 1° O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o consumidor dele pode esperar,
levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais:

I - o modo de seu fornecimento;

II - o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam.

III - a época em que foi fornecido.

§ 2º O serviço não é considerado defeituoso pela adoção de novas técnicas.

§ 3° O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar:

I - que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste;

II - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.

§ 4° A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a verificação


de culpa.

"1. Estabelecida a relação de consumo, a responsabilidade do fornecedor de serviços é objetiva,


exigindo-se para sua configuração apenas a comprovação da existência do fato, do dano e do nexo
causal entre ambos, independentemente de culpa (CDC, art. 14, caput).”
Acórdão 1901849, 07288062920238070001, Relator(a): ANA MARIA FERREIRA DA SILVA, 3ª Turma
Cível, data de julgamento: 1/8/2024, publicado no DJE: 15/8/2024.

Ex. De Responsabilidade Objetiva:

A instituição financeira responde objetivamente por falha na prestação de serviços bancários ao


permitir a contratação de empréstimo por estelionatário

Caso adaptado: João, residente em Brasília, é correntista do Banco do Brasil há muitos anos. Durante
esse período, ele nunca fez qualquer empréstimo. Determinado dia, João recebeu uma ligação do
telefone 4003-3001. O interlocutor se identificou como gerente do Banco e disse que o correntista
deveria ir a um caixa eletrônico para aumentar o limite de transações, afirmando que a conta ficaria
bloqueada caso o procedimento não fosse realizado. Confiando que a ligação era, de fato, do Banco
do Brasil, uma vez que o número era usado pela instituição financeira, João realizou todos os
procedimentos solicitados. Vale ressaltar que, em momento algum, ele forneceu sua senha bancária
ao suposto gerente. Para a sua surpresa, no dia seguinte, o correntista recebeu uma ligação do Banco
do Brasil, informando que haviam sido realizadas transações atípicas em sua conta corrente e que
havia sido contratado um empréstimo de grande valor, bem como efetuados pagamentos que ele não
reconhecia e que eram relacionados com alguém localizado em São Paulo.

O STJ declarou a inexigibilidade das transações bancárias não reconhecidas pelo consumidor e
condenou o banco a restituir o montante previamente existente na conta bancária, devidamente
atualizado.

STJ. 3ª Turma. REsp 2.052.228-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 12/9/2023 (Info 788)

O pix tem regras próprias de devolução de valor. Transação fora do padrão.

AULA 07

Responsabilidade pelo Fato do Produto/Serviço

- Responsabilidade decorrente de acidentes de consumo que causam danos externos ao


produto/serviço
- Fato do produto é o decorrente do fato consumo
- EXTERNO ao produto
- Assim, são os produtos que atingiram fisicamente/psicologicamente
- Ex.: celular que explode,
- Objetivo: prevenção a incolumidade do consumidor
Art. 12. O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador
respondem, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados
aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem,
fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como por
informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos.

§ 1° O produto é defeituoso quando não oferece a segurança que dele legitimamente se


espera, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais:

I - sua apresentação;

II - o uso e os riscos que razoavelmente dele se esperam;

III - a época em que foi colocado em circulação.

§ 2º O produto não é considerado defeituoso pelo fato de outro de melhor qualidade ter sido
colocado no mercado.

§ 3° O fabricante, o construtor, o produtor ou importador só não será responsabilizado


quando provar:

I - que não colocou o produto no mercado;

II - que, embora haja colocado o produto no mercado, o defeito inexiste;

III - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.

Art. 13. O comerciante é igualmente responsável, nos termos do artigo anterior, quando:

I - o fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não puderem ser identificados;

II - o produto for fornecido sem identificação clara do seu fabricante, produtor, construtor ou
importador;

III - não conservar adequadamente os produtos perecíveis.


Parágrafo único. Aquele que efetivar o pagamento ao prejudicado poderá exercer o direito
de regresso contra os demais responsáveis, segundo sua participação na causação do evento
danoso.

Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa,


pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos
serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.

§ 1° O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o consumidor dele pode
esperar, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais:

I - o modo de seu fornecimento;

II - o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam;

III - a época em que foi fornecido.

§ 2º O serviço não é considerado defeituoso pela adoção de novas técnicas.

§ 3° O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar:

I - que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste;

II - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.

§ 4° A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a verificação


de culpa.

Responsabilidade pelos Vícios do Produto/Serviço

- Decorrente de defeitos intrínsecos que comprometam a qualidade do produto/serviço


- INTRÍNSECO o produto
- Em alguns casos, é possível ser vício e ser fato
- Objetivo: proteção da função econômica do bem

Art. 18. Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis respondem


solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade que os tornem impróprios ou
inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles
decorrentes da disparidade, com a indicações constantes do recipiente, da embalagem,
rotulagem ou mensagem publicitária, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza,
podendo o consumidor exigir a substituição das partes viciadas.
§ 1° Não sendo o vício sanado no prazo máximo de trinta dias, pode o consumidor exigir,
alternativamente e à sua escolha:

I - a substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso;

II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais


perdas e danos;

III - o abatimento proporcional do preço.

§ 2° Poderão as partes convencionar a redução ou ampliação do prazo previsto no parágrafo


anterior, não podendo ser inferior a sete nem superior a cento e oitenta dias. Nos contratos de
adesão, a cláusula de prazo deverá ser convencionada em separado, por meio de manifestação
expressa do consumidor.

§ 3° O consumidor poderá fazer uso imediato das alternativas do § 1° deste artigo sempre que, em
razão da extensão do vício, a substituição das partes viciadas puder comprometer a qualidade
ou características do produto, diminuir-lhe o valor ou se tratar de produto essencial.

§ 4° Tendo o consumidor optado pela alternativa do inciso I do § 1° deste artigo, e não sendo
possível a substituição do bem, poderá haver substituição por outro de espécie, marca ou
modelo diversos, mediante complementação ou restituição de eventual diferença de preço,
sem prejuízo do disposto nos incisos II e III do § 1° deste artigo.

§ 5° No caso de fornecimento de produtos in natura, será responsável perante o consumidor o


fornecedor imediato, exceto quando identificado claramente seu produtor.

§ 6° São impróprios ao uso e consumo:

I - os produtos cujos prazos de validade estejam vencidos;

II - os produtos deteriorados, alterados, adulterados, avariados, falsificados, corrompidos,


fraudados, nocivos à vida ou à saúde, perigosos ou, ainda, aqueles em desacordo com as
normas regulamentares de fabricação, distribuição ou apresentação;

III - os produtos que, por qualquer motivo, se revelem inadequados ao fim a que se destinam.

Art. 19. Os fornecedores respondem solidariamente pelos vícios de quantidade do produto sempre
que, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, seu conteúdo líquido for inferior às
indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou de mensagem publicitária,
podendo o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha:

I - o abatimento proporcional do preço;

II - complementação do peso ou medida;

III - a substituição do produto por outro da mesma espécie, marca ou modelo, sem os aludidos
vícios;
IV - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais
perdas e danos.

§ 1° Aplica-se a este artigo o disposto no § 4° do artigo anterior.

§ 2° O fornecedor imediato será responsável quando fizer a pesagem ou a medição e o instrumento


utilizado não estiver aferido segundo os padrões oficiais.

Art. 20. O fornecedor de serviços responde pelos vícios de qualidade que os tornem impróprios ao
consumo ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade com
as indicações constantes da oferta ou mensagem publicitária, podendo o consumidor exigir,
alternativamente e à sua escolha:

I - a reexecução dos serviços, sem custo adicional e quando cabível;

II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais


perdas e danos;

III - o abatimento proporcional do preço.

§ 1° A reexecução dos serviços poderá ser confiada a terceiros devidamente capacitados, por conta
e risco do fornecedor.

§ 2° São impróprios os serviços que se mostrem inadequados para os fins que razoavelmente deles
se esperam, bem como aqueles que não atendam as normas regulamentares de
prestabilidade.

PRESCRIÇÃO DECADÊNCIA

5 ANOS Vício de bem não durável - 30 dias


Vício de bem durável - 90 dias
Art. 27. Prescreve em cinco anos a
pretensão à reparação pelos danos
causados por fato do produto ou do
serviço prevista na Seção II deste - Interrupção: contato/reclamação
Capítulo, iniciando-se a contagem do
prazo a partir do conhecimento do dano
e de sua autoria. “Garantia legal”
Prazo de 5 anos para o consumidor
reclamar reparação dos danos
decorrentes dos chamados acidentes
de consumo (fato do produto ou do
serviço).
- No caso de ACIDENTE DE CONSUMO, começa a fluir do efetivo conhecimento: do dano + de
sua autoria

- No caso do VÍCIO OCULTO, começa a contagem da decadência da ciência/aparecimento

- No caso de VÍCIO APARENTE, começa a contagem da decadência da compra do produto

- O CDC apenas dispôs acerca do prazo de 5 anos para a Ação de Responsabilidade Civil pelo
Fato do Produto ou do Serviço, não prevendo, assim, prazos prescricionais para todas as
demandas e reclamações possíveis do consumidor.
Nos casos de Ações de Responsabilidade Civil pelo Vício do Produto ou do Serviço, o STJ
decidiu que se aplica o prazo prescricional do Código Civil, lançando mão do diálogo de fontes
(art. 7º, CDC).

a) Qual é a relação entre o descaso do fornecedor e o reconhecimento de danos morais em casos de


vício oculto?

R: É possível concessão de danos morais, dado que há frustação das expectativas do consumidor.

b) Qual é o prazo prescricional aplicável para pleitear danos morais decorrentes de vícios do
produto/serviço e para fato do produto/serviço?

R: Fato do produto/serviço -> Prazo de 5 anos. Vejamos: “Art. 27. Prescreve em cinco anos a pretensão
à reparação pelos danos causados por fato do produto ou do serviço prevista na Seção II deste
Capítulo, iniciando-se a contagem do prazo a partir do conhecimento do dano e de sua autoria.”

Vício do produto/serviço -> Prescrição de 3 anos. Aplica o CC.

Em certos casos, é possível ultrapassar a barreira do vício e se tornar fato, por exemplo no caso de
perda do tempo útil para resolução de problema envolvendo vício. Nesse caso, o prazo é de 5 anos.

AULA 08

ABUSO DE DIREITO DO CONSUMIDOR


- Ocorre quando o fornecedor exerce um direito de forma prejudicial ao consumidor

CONSEQUÊNCIAS GERAIS DO ABUSO


- Efeitos civis - Indenização moral e material
- Nulidades cláusulas abusivas (art. 51 do CDC)
- Rescisão do contrato (art. 18, § 1º do CDC)
- Efeitos administrativos (art. 56 do CDC)
Procon: multa, apreensão de objetos, imposição de contrapropaganda, suspensão do
fornecimento...
- Efeitos penais

PRÁTICAS ABUSIVAS
1-) Venda Casada

Condicionar o consumidor a aquisição de um produto a compra de outro

Ex.: financiamento + seguro

Gera a nulidade da cláusula

2-) Recusa Injustificada da vedna


Fornecedor que se nega a vender produtos disponíveis em estoque
Salvo em situações justificáveis -> FRAUDE

3-) Envio de produto e serviço sem solicitação

SÚMULA n. 532

Constitui prática comercial abusiva o envio de cartão de crédito sem prévia e

expressa solicitação do consumidor, configurando-se ato ilícito indenizável e

sujeito à aplicação de multa administrativa.

4-) Exploração da vulnerabilidade do consumidor


Do fornecedor não pode se valer da falta de conhecimento ou condição social do consumidor
para impor um negócio desvantajoso

“Colchão magnético” -> Promessa falsa

“Garantia estendida” -> Omitir informação

5-) Prestação de serviço sem orçamento prévio

O serviço somente serve se prestado com a aprovação do consumidor

Casos em que realizam serviço sem antes ter consentimento


6-) Divulgação de informação depreciativa + abuso na cobrança de dívidas

Negativação somente pelos órgãos de proteção ao crédito

Ex.: mesmo após pagamento da dívida, permanecem negando créditos, etc. Isto porque
informações são repassadas clandestinamente

Abuso na cobrança: ligações repetidamente

Seja porque já pagou, ou ,mesmo quando devido, quando há cobrança vexatória e exagerada

7-) Tabelamento de preços

Trata-se dos casos em que o Estado estabelece parâmetros para valor cobrado e o fornecedor
descumpre

O cartel é tratado pela lei antitruste. É caso à parte.

Ex.: Lei 9.870/99, em que as mensalidades das escolas particulares precisam demonstrar
lisura, publicidade, etc.

8-) Colocar produtos ou serviços irregulares no mercado

Inmetro

Quando não observa parâmetros físicos, etc

9-) Recusa da venda injustificável

Dinheiro e cartão

Não aceita certos pagamentos

Todavia, é aceitável recusar vender no crédito

10-) Elevação de preço sem justa causa

Ocorreu na pandemia e na greve dos caminhoneiros, quando empresas se aproveitaram para


aumentar demasiadamente o preço

11-) Deixar de estipular prazo ou termo judicial para cumprir a obrigação


12-) Repetição do indébito

Cobrança/ má-fé

Em tese, a indenização em dobro pode ser pela mera cobrança

Todavia, na prática do dia a dia, é mais comum a indenização em dobro, nos casos de
pagamento indevido

AULA 09

- Infrações penais e o direito do consumidor


- CDC –Art. 61 e ss., da Lei 8.078/90 - Normal penal extravagante
- Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre
iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça
social, observados os seguintes princípios:
V - defesa do consumidor;
- Lei 8.137/90 (Crime contra ordem tributária) - Art. 7, V e IX
- Código penal – art. 175, 272 e 273

CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA - Lei 8.137/90

- Aumento abusivo de preços


- Venda de produtos impróprios para consumo

CODIGO PENAL

Fraude no comércio

Art. 175 - Enganar, no exercício de atividade comercial, o adquirente ou consumidor:

I - vendendo, como verdadeira ou perfeita, mercadoria falsificada ou deteriorada;

(produtos piratas, réplicas...)

II - entregando uma mercadoria por outra:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa.

§ 1º - Alterar em obra que lhe é encomendada a qualidade ou o peso de metal ou substituir, no


mesmo caso, pedra verdadeira por falsa ou por outra de menor valor; vender pedra falsa por
verdadeira; vender, como precioso, metal de ou outra qualidade:

Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa.

§ 2º - É aplicável o disposto no art. 155, § 2º.

Falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de substância ou produtos alimentícios.


Art. 272 - Corromper, adulterar, falsificar ou alterar substância ou produto alimentício destinado a
consumo, tornando-o nociva à saúde ou reduzindo-lhe o valor nutritivo:

Falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos


ou medicinais.

Art. 273 - Falsificar, corromper, adulterar ou alterar produto destinado a fins terapêuticos ou
medicinais

ECRIAD

- Venda produto que causem dependência à menores


- Fornecimento de produto impróprio ou perigoso para criança
- Divulgação de propaganda não recomendada para menores

CDC

- Objetivo jurídico: proteção das relações de consumo

- Bem jurídico violado: relação de consumo

- Objeto material: produto/serviço afetado pela conduta ilícita

- Sujeito ativo: fornecedor, conforme art. 3º, do CDC


- E a pessoa jurídica? CF. Art. 173. § 5º A lei, sem prejuízo da responsabilidade individual dos
dirigentes da pessoa jurídica, estabelecerá a responsabilidade desta, sujeitando-a às
punições compatíveis com sua natureza, nos atos praticados contra a ordem econômica e
financeira e contra a economia popular.
- Art. 225. § 3º. § 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente
sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas,
independentemente da obrigação de reparar os danos causados.
- Ambiental e administração pública: PJ + PF podem ser responsabilizadas
- Consumidor: PF é responsabilizada, com dificuldade de se indentificar

- Sujeito passivo: a coletividade e/ou a pessoa diretamente atingida

- Consumação do crime: maioria são formais ou de mera conduta não depende do resulta
naturalístico. Não cabendo forma tentada.

- Quanto à pena: todas não são puníveis com pena superior a 2 anos de detenção e/ou multa
- Em regra, competência é do JECRIM, dado que a pena é menor de dois anos
- Todavia, caso haja concurso formal, material ou crime continuado, a competência é
deslocada ao juízo normal

- Art. 82. Para os fins do art. 81, parágrafo único, são legitimados concorrentemente:
I - o Ministério Público, -> LEGITIMADO PARA CRIMES DO CDC. Ação Penal Pública
Incondicionada.
II - a União, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal;
III - as entidades e órgãos da Administração Pública, direta ou indireta, ainda que sem
personalidade jurídica, especificamente destinados à defesa dos interesses e direitos
protegidos por este código;
IV - as associações legalmente constituídas há pelo menos um ano e que incluam entre
seus fins institucionais a defesa dos interesses e direitos protegidos por este código,
dispensada a autorização assemblear.

- CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES dos crimes tipificados neste código:


I - serem cometidos em época de grave crise econômica ou por ocasião de calamidade;

II - ocasionarem grave dano individual ou coletivo;

III - dissimular-se a natureza ilícita do procedimento;

V - quando cometidos:

a) por servidor público, ou por pessoa cuja condição econômico-social seja manifestamente
superior à da vítima;
b) em detrimento de operário ou rurícola; de menor de dezoito ou maior de sessenta anos
ou de pessoas portadoras de deficiência mental interditadas ou não;

V - serem praticados em operações que envolvam alimentos, medicamentos ou quaisquer outros


produtos ou serviços essenciais

Art. 63. Omitir dizeres ou sinais ostensivos sobre a nocividade ou periculosidade de produtos, nas
embalagens, nos invólucros, recipientes ou publicidade:

Pena - Detenção de seis meses a dois anos e multa.

§ 1° Incorrerá nas mesmas penas quem deixar de alertar, mediante recomendações escritas
ostensivas, sobre a periculosidade do serviço a ser prestado.

2° Se o crime é culposo:

Pena Detenção de um a seis meses ou multa


Art. 64. Deixar de comunicar à autoridade competente e aos consumidores a nocividade ou
periculosidade de produtos cujo conhecimento seja posterior à sua colocação no mercado:

Pena - Detenção de seis meses a dois anos e multa.

Parágrafo único. Incorrerá nas mesmas penas quem deixar de retirar do mercado, imediatamente
quando determinado pela autoridade competente, os produtos nocivos ou perigosos, na forma
deste artigo.

Art. 65. Executar serviço de alto grau de periculosidade, contrariando determinação de autoridade
competente:

Pena Detenção de seis meses a dois anos e multa.

§ 1º As penas deste artigo são aplicáveis sem prejuízo das correspondentes à lesão corporal e à
morte.

§ 2º A prática do disposto no inciso XIV do art. 39 desta Lei também caracteriza o crime previsto
no caput deste artigo. -> A prática de permitir o ingresso em estabelecimentos comerciais ou de
serviços de um número maior de consumidores que o fixado pela autoridade administrativa como
máximo.

- Mudança legislativa do § 2º, após o desastra da boate Kiss


- Esse crime se dá sem prejuízo dos demais

Art. 66. Fazer afirmação falsa ou enganosa, ou omitir informação relevante sobre a natureza,
característica, qualidade, quantidade, segurança, desempenho, durabilidade, preço ou garantia de
produtos ou serviços:

Pena - Detenção de três meses a um ano e multa.

§ 1º Incorrerá nas mesmas penas quem patrocinar a oferta.

§ 2º Se o crime é culposo: (único caso de crime culposo)

Pena - Detenção de um a seis meses ou multa.

Art. 67. Fazer ou promover publicidade que sabe ou deveria saber ser enganosa ou abusiva:

Pena Detenção de três meses a um ano e multa.


Art. 68. Fazer ou promover publicidade que sabe ou deveria saber ser capaz de induzir o
consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa a sua saúde ou segurança:

Pena - Detenção de seis meses a dois anos e multa:

Art. 69. Deixar de organizar dados fáticos, técnicos e científicos que dão base à publicidade:

Pena Detenção de um a seis meses ou multa.

Art. 70. Empregar na reparação de produtos, peça ou componentes de reposição usados, sem
autorização do consumidor:

Pena Detenção de três meses a um ano e multa.

Art. 71. Utilizar, na cobrança de dívidas, de ameaça, coação, constrangimento físico ou moral,
afirmações falsas incorretas ou enganosas ou de qualquer outro procedimento que exponha o
consumidor, injustificadamente, a ridículo ou interfira com seu trabalho, descanso ou lazer:

Pena Detenção de três meses a um ano e multa.

Art. 72. Impedir ou dificultar o acesso do consumidor às informações que sobre ele constem em
cadastros, banco de dados, fichas e registros:

Pena Detenção de seis meses a um ano ou multa.

Art. 73. Deixar de corrigir imediatamente informação sobre consumidor constante de cadastro,
banco de dados, fichas ou registros que sabe ou deveria saber ser inexata:

Pena Detenção de um a seis meses ou multa.

Art. 74. Deixar de entregar ao consumidor o termo de garantia adequadamente preenchido e com
especificação clara de seu conteúdo;

Pena Detenção de um a seis meses ou multa.

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