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Impacto das Receitas Não Fiscais em Metangula

A pesquisa analisa o impacto das receitas não fiscais no orçamento da autarquia de Metangula-Niassa entre 2019 e 2021, destacando a importância de arrecadar receitas próprias em um contexto de administração descentralizada. O estudo busca entender os fatores que influenciam a renda do município e propõe soluções para aumentar as receitas não tributárias, que atualmente superam as fiscais. A pesquisa utiliza metodologias qualitativas e quantitativas, abordando a evolução das autarquias em Moçambique e a necessidade de fortalecer a autonomia financeira local.
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Impacto das Receitas Não Fiscais em Metangula

A pesquisa analisa o impacto das receitas não fiscais no orçamento da autarquia de Metangula-Niassa entre 2019 e 2021, destacando a importância de arrecadar receitas próprias em um contexto de administração descentralizada. O estudo busca entender os fatores que influenciam a renda do município e propõe soluções para aumentar as receitas não tributárias, que atualmente superam as fiscais. A pesquisa utiliza metodologias qualitativas e quantitativas, abordando a evolução das autarquias em Moçambique e a necessidade de fortalecer a autonomia financeira local.
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CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO

Com a presente pesquisa procura-se analisar o impacto das receitas não fiscais no orçamento
da autarquia do distrito do Metangula-Niassa durante o período 2019-2021. Na estrutura
financeira das autarquias locais, as receitas não fiscais derivam de taxas, tarifas e multas,
sendo as outras, fiscais derivam de impostos do sistema tributário autárquico.

O estudo desta temática mostra-se de maior importância no contexto da administração


descentralizada, onde o desafio é a necessidade de arrecadar o máximo possível de receitas de
fontes próprias. O objectivo desta pesquisa é entender os factores que afectam negativa ou
positivamente o nível de renda do referido município, a fim de propor soluções alternativas
para aumentar a renda, especialmente as receitas não tributárias.

O Governo Distrital de Metangula-Niassa faz parte dos 53 estabelecidos pelo governo


moçambicano desde o início da municipalização do país em 1998. No entanto, é claro da
literatura que, tal como outros municípios do país, luta com as dificuldades de obter renda
suficiente. Para o financiamento sustentável de suas actividades.

As receitas próprias do Governo Distrital de Metangula-Niassa são constituídas por receitas


fiscais e não fiscais, as primeiras provenientes da cobrança de impostos municipais e as
segundas de outras fontes, nomeadamente taxas e tarifas decorrentes da prestação de serviços
aos cidadãos. Nesse sentido, é interessante entender até que ponto as taxas e tarifas afectam a
renda dessa comunidade.

O processo de municipalização em Moçambique começou com reformas que têm sido


centrais para a administração pública desde a independência nacional em Junho de 1975 até
hoje.

Moçambique quando ascendeu a Estado independente herdou um conjunto de práticas


administrativas coloniais que não eram as adequadas para um país africano recém
independente, pois era uma estrutura administrativa baseada no princípio da centralização,
isto é, na centralização da decisão administrativa nos órgãos superiores da administração
central (Cistac, 2001; Soiri, 1999). Consubstanciando esta ideia, Valá (2008) refere que:

Moçambique herdou um Estado centralizado, fraco e forte. Centralizadas porque as decisões


eram emanadas do centro de decisão, neste caso da capital. Fraco porque não tinha capacidade
de se implantar em todo território nacional, não se fazendo sentir na vida prática das
comunidades, e forte porque sobrepunha-se a todas as formas de organização das
comunidades (Valá, 2008).

Para atingir o objectivo deste trabalho, foi necessário combinar metodologia qualitativa e
quantitativa. Os dados analisados foram colectados por meio de pesquisa documental e
entrevistas, e sua análise foi apoiada pela teoria funcional para mostrar que os órgãos do
governo local, como cidadãos, têm alguma responsabilidade no aumento da receita do
governo local. O estudo está estruturado em quatro capítulos, dos quais o primeiro se refere
aos aspectos introdutórios, o segundo ao enquadramento teórico e conceptual; terceiro para
revisão de literatura e último para análise de dados, conclusões e recomendações.

[Link]ção

Com a Constituição da República de Moçambique de 1990, iniciou-se um conjunto de


reformas que implicou o surgimento em 1994 da Lei nº 3/94 de 13 de Setembro que
preconizava a criação gradual de municípios urbanos e rurais, todos dotados de autonomia
administrativa, financeira e patrimonial e com órgãos executivos, representativos e
legislativos eleitos directamente pela população (Sitoe & Hunguana, 2005).

Através da Lei nº 9/96 de 22 de Novembro, foram reformuladas as disposições sobre órgãos


locais do Estado e introduzido o poder local. Em 1997, a Assembleia da República aprovou
um conjunto de leis que se designou pacote autárquico com destaque para a Lei nº 2/97 de 18
de Fevereiro que cria o quadro jurídico-legal para implementação das autarquias (Pereira,
2007:12).

Nesta vertente, em 1998 foram criadas as primeiras 33 autarquias das quais vinte e três de
cidade e dez de vilas, dando assim o início da fase da implementação concreta das autarquias
em Moçambique e da sua governação com a realização das primeiras eleições autárquicas em
1998.

Em busca da aproximação cada vez mais pontual dos serviços aos cidadãos decorre um
processo gradual de criação de mais municípios, sendo que em 2008, através da Lei nº 3/2008
de 2 de Maio, foram elevados a categoria de município mais dez vilas distritais,
nomeadamente:

Município de Vila de Marrupa (Niassa); Vila de Mueda (Cabo Delgado); Vila de Ribáuè
(Nampula); Vila de Alto-Molócuè (Zambézia); Vila de Ulónguè (Tete); Vila de Gondola
(Manica); Vila de Gorongosa (Sofala); Vila da Massinga (Inhambane); Vila da Macia (Gaza)
e Vila da Namaacha (província de Maputo). Obedecendo o mesmo critério de expansão dos
municípios, em 2013 mais dez vilas distritais foram elevados a categoria municipal através da
Lei n.º 11/2013, de 3 de Junho, nomeadamente: Vila de Boane (província de Maputo), vila da
Praia do Bilene (Gaza), vila de Quissico (Inhambane), vila de Nhamatanda (Sofala), vila de
Sussundenga (Manica), vila de Nhamayábuè (Tete), vila da Maganja da Costa (Zambézia),
vila de Malema (Nampula), vila de Chiúre (Cabo Delgado) e vila de Mandimba (Niassa),
totalizando até o presente momento 53 autarquias (Ilal, 2008).

[Link]ção do Tema

Este estudo foi realizado no Conselho Municipal de Metangula-Niassa porque oferece um


potencial económico para gerar mais receitas fiscais através da expansão e expansão da rede
de serviços prestados aos cidadãos. Da actividade económica ali observada nos últimos anos.

[Link]

As receitas arrecadadas pelos municípios são necessárias para financiar suas actividades, que
se baseiam em seu poder sobre os cidadãos. Se as receitas forem maiores, o princípio da
autonomia financeira dos governos locais pode ser fortalecido.

No nível municipal, as receitas próprias são compostas por receitas tributárias e receitas não
tributárias. Estas últimas resultam da prestação de serviços aos cidadãos, através da qual são
pagos determinados emolumentos e taxas.

Assim, um bom recebimento de receitas isentas de impostos pode significar a prestação de


diversos serviços ao município.

Este estudo, que visa analisar o peso das receitas isentas de impostos nos orçamentos
municipais e sobretudo na Câmara Municipal de distrito de Metangula é importante para
perceber em que medida as taxas e taxas municipais afectam a estrutura financeira dos
municípios. Do ponto de vista académico, este estudo é um material bibliográfico disponível
para pesquisadores e estudantes de administração pública e outras áreas relacionadas ao
estudo do assunto.
[Link]ção

A promoção do desenvolvimento local e, em particular, a melhoria das condições de vida da


população urbana é da responsabilidade dos municípios, o que implica gerir, dentro da sua
autonomia financeira, os recursos financeiros para a satisfação das necessidades locais. O
nível de resposta às demandas locais também depende do nível de recursos das transferências
fiscais do estado para os municípios (Comiche, 2008).

As receitas arrecadadas pelas autoridades municipais em sua área consistem em receitas


fiscais (impostos comunitários) e receitas não tributárias (provenientes de taxas, tarifas,
multas). Segundo muitos autores, as receitas fiscais são a principal base de financiamento das
actividades do governo local.

Assim, o que se levanta como problema nesta pesquisa é o facto das receitas fiscais, que
deviam ser a base principal revelarem-se muito ínfimas em comparação com as receitas não
fiscais, apesar de que estas últimas deviam ser secundárias. Vários estudos mostram com dada
esta problemática, se não vejamos:

De acordo com o diagnóstico feito em 2019, estima-se que apenas 35% das despesas totais
das 53 autarquias eram financiadas pelas receitas próprias, sendo que as receitas fiscais
representam cerca de 10% da receita total, o que ilustra que parte significativa das receitas
próprias provém das taxas, com destaque as do mercado” (ANAMM, 2019 citado por
Nguenha, António e Muianga, 2020).

As autarquias locais apresentam uma débil situação financeira, devido à fraca base económica
e tributária, que condiciona o nível de arrecadação de receitas, principalmente as fiscais (Ilal,
2009). Diante desta situação problemática, a presente monografia procura fazer análise em
torno da seguinte pergunta de partida:

Qual foi o impacto das receitas não fiscais nos orçamentos do Conselho Municipal de
distrito do Metangula-Niassa no período de 2019-2021?
[Link]
1.5.1. Objectivo geral
Analisar o impacto das receitas não fiscais nos orçamentos do Conselho Municipal de
distrito do Metangula-Niassa durante o período 2019-2019.
1.5.2. Objectivos específicos
Identificar as fontes de receita não fiscal do Conselho Municipal de distrito do
Metangula-Niassa.
Confrontar o peso da receita fiscal e da receita não fiscal nos orçamentos do Conselho
Municipal de distrito do Metangula-Niassa.
Averiguar a tendência da receita não fiscal no Conselho Municipal distrito do
Metangula-Niassa.
[Link]óteses

H0. O impacto das receitas não fiscais foi negativo nos orçamentos do Conselho Municipal de
distrito do Metangula-Niassa, pois, as taxas, tarifas e licenças geram recursos pouco
significativos neste município.

H1. O impacto das receitas não fiscais foi positivo nos orçamentos do Conselho Municipal de
distrito do Metangula-Niassa, pois, maior parte da receita própria deste município é
proveniente de taxas, tarifas e licenças.

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