DIREITO DA UNIÃO EUROPEIA
Aulas Práticas completas com toda a matéria +
Resolução de Casos Práticos
Professora Regente: Maria Luísa Duarte
Professora Assistente: Rita Curro
2º Ano - 2º Semestre
Beatriz Cerqueira Teixeira – Ano Letivo 2023/2024
Índice
DEFINIÇÕES DE DUE: ............................................................ 4
CONTEXTO HISTÓRICO DA DECLARAÇÃO DE SCHUMAN................. 5
TRATADOS ......................................................................... 11
TRATADO DE LISBOA............................................................ 16
IDEIA DE IDENTIDADE EUROPEIA: .......................................... 20
A NATUREZA JURÍDICA DA UE ................................................ 20
ESTRUTURA INSTITUCIONAL DA EU: ........................................ 22
PRINCÍPIOS DA ESTRUTURA INSTITUCIONAL E ORGANIZACIONAL .. 23
DIFERENÇA ENTRE INSTITUIÇÕES, ÓRGÃOS E ORGANISMOS: ........ 25
INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS .......................................... 26
ORGÃOS ............................................................................ 30
PARLAMENTO EUROPEU: ...................................................... 30
CONSELHO EUROPEU ........................................................... 32
CONSELHO ........................................................................ 33
COMISSÃO ......................................................................... 35
ÓRGÃOS CRIADOS PELOS TRATADOS: ....................................... 37
INSTITUIÇÕES QUE NÃO SÃO DE DECISÃO POLÍTICA: ................... 41
PROCEDIMENTOS DE DECISÃO DA EU ...................................... 41
PROCEDIMENTO DOS ATOS LEGISLATIVOS ................................ 41
PROCEDIMENTO DE ADOÇÃO DE ATOS NÃO LEGISLATIVOS: .......... 42
PROCEDIMENTO NO DOMÍNIO INTERNACIONAL ......................... 42
INICIATIVA DE CIDADANIA EUROPEIA...................................... 44
FONTES DE DUE:................................................................. 44
DIREITO PRIMÁRIO: ............................................................. 44
DIREITO DERIVADO ............................................................. 45
DIREITO INTERNACIONAL: .................................................... 48
JURISPRUDENCIA DO TJ E PROCEDENTE ATIPICO: ...................... 49
PRINCIPIOS GERAIS DE DIREITO: ............................................ 49
COSTUME: ART 340º PARAGRAFO 2 TFUE ................................... 49
DIREITO NACIONAL COMO DUE – PRINCÍPIO DO PRIMADO ............ 50
CASO COSTA E ENEL - 1964..................................................... 52
RELAÇÃO JURIDICA ENTRE AS ORDENS DOS ESTADOS MEMBROS E
ORDEM DA EU ........................................................................ 53
CASO SIMMENTHAL: ............................................................ 53
CASO ASOCIATIA: ................................................................ 54
SOLANGE I - 1964 ................................................................. 54
SOLANGE II ....................................................................... 55
LIMITES QUANTO À QUESTÃO DO PRINCÍPIO DO PRIMADO: .......... 56
EFEITO DIRETO/EFICÁCIA DIRETA: ......................................... 56
NO QUE SE TRADUZ O DIREITO DO PRIMADO E O SEU EFEITO DIRETO
PARA OS JUÍZES NACIONAIS E INTERPRETES DA LEI? ...................... 58
COMO É QUE O PRINCÍPIO DA COOPERAÇÃO LEAL TEM UMA
MANIFESTAÇÃO DIRETA NO EFEITO DIRETO EM RESPETIVO A
DECORRÊNCIA DO PRAXO DAS DIRETIVAS - ART 4N3º TFUE: .............. 58
O QUE ACONTECE SE UM ESTADO MEMBRO NÃO TRANSPÕE? ........ 59
PRIMADO SUPRACONSTITUCIONAL: ......................................... 59
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA UNIÃO EUROPEIA ............................. 60
PROTEÇÃO DE DIREITOS FUNDAMENTAIS NA UE ........................ 65
PANORAMA DA SOCIEDADE A NIVEL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS
ANTES DO TRATADO DE LISBOA: ................................................. 66
PONTO DE SITUAÇÃO DEPOIS DO TRATADO DE LISBOA:................ 66
CONVENÇÃO EUROPEIA DOS DIREITOS DO HOMEM ..................... 70
ATRIBUIÇÕES/COMPETÊNCIAS EXCLUSIVAS OU PARTILAHAS DA
UNIÃO EUROPEIA : .................................................................. 76
CASOS PRÁTICOS ................................................................ 79
DEFINIÇÕES DE DUE:
1. Definição pela positiva: o que é o DUE - designa o conjunto de regras e princípios
que regem a existência e o funcionamento da UE.
2. Perspetiva daquilo que ele não é: facto de não ser um ramo do direito, porque se
entende que o DUE é uma ordem jurídica própria e autónoma e coexiste com
outras ordens jurídica (ordem jurídica internacional e as nacionais dos estados
membros)
MLD fundamenta porque é que é uma ordem jurídica autónoma
• Sistema de fontes: regulamentos, diretivas, decisões
• Hierarquia de normas: para se perceber qual a norma que tem de prevalecer. Os
tratados institutivos juntamente com os princípios gerais tem uma dupla função,
que é equivalente a função das constituições nacionais - tem um valor reforçado.
Por isso por um lado delimitam e fundamentam a produção de normas e por outro
lado são parametros de referencia que prevalecem em caso de conflito tem de
existir uma conformidade e limite máximo das normas que são criadas na sua
esfera.
Os tratados não estabelecem critérios expresso sobre hierarquia, mas ta resulta do
art.º 263 TUE 2 paragrafo, que corresponde ao art.º 230 do TCE = traduz-se a
violação de lei no âmbito da hierarquia entre a produção normativa
• Unidade: utilizada para demonstrar que DUE é autónoma - é dividido em 3
critérios
• Unidade fundacional: assente na existência de uma norma fundamental e
esta deriva dos tratados institutivos
• Unidade valorativa: assente na ideia de direito comum, e por isso toda a
atuação tem de estar voltada para os mesmos valores = aqui sabemos os
princípios estruturantes (Ex: proteção dos direitos fundamentais - a
atuação da EU esta voltada para esta proteção)
• Unidade logico-formal: significa que o sistema jurídico tem capacidade de
prevenir ou superar os conflitos entre os regimes jurídicos (ex: critério
cronológico, hierarquia, etc. = mas para além destes temos os critérios
especiais, por exemplo o critério da competência: vai determinar a
prevalência da norma europeia e uma norma nacional - este vai dizer que
prevalece a norma europeia face a norma nacional desde que se trate de
uma matéria confiada pelos estados membros à EU = critério da entidade
que é competente para regular aquela matéria).
• Plenitude: O DUE garante uma resposta adequada às necessidades de regulação
através da repartição de competências entre decisor nacional e decisor da UE -
existem matérias que os estados membros decidem por sua vontade com respeito
das suas constituições, dando essa responsabilidade à UE - Há uma repartição de
competências entre estes dois.
• Temos a possibilidade de os estados membros se focarem em algumas matérias e
terem apoio na regulação de princípios.
Metáfora de árvore:
Raízes da arvore: valores fundamentais e identitários da UE
Estes valores resultam dos tratados institutivos
Tronco: regras e princípios aplicáveis ao funcionamento da estrutura decisória da EU. O
tronco são os princípios como existem e funcionam a estrutura da UE
Ramos: correspondem a diferentes áreas de regulação (ex: direito económico da EU,
direito da concorrência da EU).
CONTEXTO HISTÓRICO DA DECLARAÇÃO DE SCHUMAN
Depois da 2ª guerra mundial temos um ressurgimento da ideia da unidade europeia, isto
porque:
• Tínhamos a existência de problemas comuns: económicos, políticos, social,
justiça— haviam problemas comuns na europa
• Começou a surgir a consciencialização entre os responsáveis políticos de que era
necessário uma ação solidária/ comum na reconstrução da europa
Nem sempre temos uma integração de soberanias, as vezes temos uma cooperação
entre as soberanias
1º marco no âmbito da construção europeia:
Discurso de Churchill de 1946 — o ponto principal era a conciliação entre a frança e
a Alemanha — proposta de uma constituição de uma federação entre a França e
Alemanha
Apenas os esforços comuns podiam levar ao alcance da paz mundial.
2º marco:
Congresso de Haia em 1948: o objetivo era discutir a questão da unidade da europa - era
necessário uma europa unida, mas questionava se como:
• Tese federalista: pretendia a constituição imediata de uma federação política = a
forma de organização da europa seria pela federação política
• Tese unionista: via que respeitava a soberania dos estados
As vias que se discutiram no congresso de Haia eram uma via de cooperação
intergovernamental e não na via de integração de soberanias
A via seguida no congresso de Haia era diferente da via comunitária = via de
cooperação intergovernamental
Temos duas formas de olhar para a UE:
• Cooperação entre soberanias: os estados são plenamente soberanos em todas as
matérias mas entendem que é necessário alguma cooperação entre as soberanias
para alcançar um destinam comum, não perdendo a competência de regulação
dessas matérias: cooperação de soberanias em prol de objetivos comuns
• Via comunitária, com uma alocação de parcelas de soberana - não queremos uma
cooperação entre estados, mas uma integração entre estados, nomeadamente
através da transferência de poderes que pertenciam aos estados para uma entidade
supranacional
O congresso de Haia veio criar mecanismos de cooperação intergovernamental a vários
níveis:
• Nível económico: em 1948 temos o plano Marshall (pretendia ajudar económica-
financeiramente a europa)
• Nível da defesa: NATO criada em 1949
• Nível politico: conselho da europa (1949) - o principal objetivo era uma defesa ao
nível dos direitos humanos -
Conselho da europa VS conselho europeu:
o conselho europeu é uma instituição que faz parte de uma via comunitária
e de via de integração de soberania = uma instituição da união europeia, que
reúne os chefes de estado ou de governo e o presidente da comissão e, segundo
a regente, é uma superinstituição da união europeia, pois é a instituição mais
importante em termos de decisão política o conselho da europa é uma
organização que se insere no âmbito da cooperação intergovernamental, ou
seja da cooperação entre governos e não da disposição dos governos nessa
matérias em prol de uma entidade comum, ujos fins/missões são a promoção
do estado de direito e a proteção dos direitos do homem.
Até 1949, o que ocorria na UE era uma união ao nível de presunção de objetivos comuns,
mas não ao ponto de existirem a verdadeira disposição de competências numa
determinada entidade para o alcance de objetivos comuns = existia uma cooperação entre
soberanias e não uma transferência de competências
Declaração Schuman - Rompe com modelo que existia até ao momento de os estados
cooperarem através dos seus próprios meios no âmbito da execução de determinados
objetivos
3º marco: declaração Schuman de 1950
Constituiu um passo decisivo que pôs em marcha o projeto de integração europeia e por
outro lado foi conducente à criação da CECA
Foi com a declaração que se deu o primeiro passo de previsão de união de europa
= visão de integração para a via comunitária
Características da declaração:
• Objetivo imediato: reconciliação imediata entre a frança e Alemanha (esse era o
objetivo) — para essa reconciliação, a declaração propunha uma atuação
especifica: gestão comum da produção e comercialização do carvão e do aço (esta
era a maneira pela qual se alcançaria a reconciliação)
Porque que esta gestão comum do carvão e do aço era importante para a
reconciliação:
• O facto de existir um monopólio na região mineira da Alemanha que
estimulava uma posição de hegemonia face à França
• Com estas estão comum, submeter-se-ia a um controlo comum matérias
primas que alimentavam o esforço da guerra
o Por estes motivos que a gestão comum poderia ser a solução -
deixávamos de ter a Alemanha com uma hegemonia face ao
monopólio das matérias primas.
• Objetivo mediato: Criação de uma federação europeia (era mais ambicioso)
o É neste contexto que se apresenta o conceito de supranacionalidade:
consistia na existência de uma alta autoridade que era um órgão
supranacional, e cujas decisões seriam vinculativas para os países
aderentes (no caso, da CECA); seria composta por personalidades
independentes; o presidente seria escolhido por um acordo entre os
governos = uma conciliação entre várias personalidades independentes
para se ter um presidente da alta autoridade
• Objetivo da federação: havia a consciência de se criar solidariedades de facto entre os
estados, ou seja, criar interdependências entre os vários estados, nomeadamente a nível
económico, e ao nível político, ou seja, a Criação da federação estava dependente de
solidariedade de facto entre os estados membros a nível económico e político até que a
federação fosse alvo inevitável — o facto de, numa primeira fase os estados estivessem
tao independentes a nível económico, e numa segunda fase estarem dependentes a nível
politico faria com que a única solução possível seria a criação de uma federação europeia
o Era um objetivo inevitável acontecer porque já existira os laços de
solidariedade entre os vários países aderentes
Para se alcançar estes objetivos, a declaração consagra o método europeu de integração
funcionalismo:
• Integração: estamos perante a via comunitária, ou seja, o método comunitário —
existe, entre os estados membros e o órgão supranacional uma relação de
subordinação e não de mera cooperação entre soberanias e governos; existe uma
relação de subordinação e não apenas de cooperação. O facto de ser de
subordinação significa que existem limites à liberdade decisória
• Funcionalista: Tem a ver com três ideias:
o Gradualismo: a declaração consagra que a europa não se vai tornar uma
europa unida, evitar novas guerras através de um golpe, ou seja não será
um método unitário da historia que fará com que tenhamos as nações todas
unidas, e por isso, na declaração resulta de uma utopia, ou seja, algo que
não pode acontecer e por isso é necessário o método dos pequenos passos:
é necessário pequenos passos, ou seja um gradualismo para dar resposta
às situações atuais.
• Primeiro, uma integração económica porque temos uma europa
que acabou de sair da guerra, com as economias em desequilíbrio
• O gradualismo impõe que não exista um golpe que seja uma rutura
à situação anterior mas sim que se vá dando contexto e
apresentadas medidas para dar resposta às situações que vao
acontecendo
• Incrementalismo: spill over: “uma ideia trás a outra ideia” - engrenagem da
solidariedade de facto entre os factos que vai levar à irreversibilidade da criação
de uma federação europeia — é o facto de os estados estarem tao
interdependentes, tanto a nível económico e politico que a única solução possível
que pode acontecer é olhar para a atual UE como sendo uma futura federação
europeia porque isso não podia ser irreversível
• Stop and go: a declaração entende que, por vezes é necessário um recuo para um
avanço estratégico — reconhece-se que não podem existir um golpe único - deve
ser feito a nível gradual que no fundo compreendendo que deve existir uma
resposta aos problemas atuais.
o Entende-se que vão ser as solidariedades de facto que vão levar no futuro
a que este mecanismo seja irreversível; tal como se reconhece que, se em
algum momento a europa vir que está a dar um passo maior que a perna, é
normal poder recuar para depois poder avançar estrategicamente
É a primeira vez que temos o método comunitário e de integração de soberanias e, por
outro lado, o reconhecimento que não será o método unitário que leva à questão da europa
e que será necessário um gradualismo
Ouve uma reação rápida e positiva quanto à declaração Schuman - cria-se uma euforia
integracionista: não só era possível a criação de uma federação europeia, como era
inevitável
Isto levou à assinatura do tratado de paris em 1951
4º marco - assinatura do tratado de paris em 1951 - destinado a vigorar por 50 anos,
assinado pelos países que integram a CECA
Esta necessidade de uma europa mais unida, foi ainda mais demonstrada pela guerra na
coreia - havia um medo do expansionismo ideológico dos regimes comunistas da Ex
URSS
Temia-se a expansão dos regimes comunistas; a frança temia a existência de um exercito
por parta da Alemanha ocidental sem qualquer controlo europeu:
Por isso, em 1952 a proposta da criação da comunidade europeia de defesa (CED)—
visava a criação de um exercício franco-alemão = não foi bem recebido na
comunidade
Tanto os cidadãos como os representantes dos governos demonstram-se contrários à
criação da CED, por isso foi recusado
Viu-se que a europa não estava preparada para a criação de uma comunidade
europeia de defesa (eles afirmaram que queriam dar respostas às necessidades
económicas, no entanto depois decidem dar resposta quanto à defesa) - deram um
recuo estratégico - stop and go
1952 - 1954 - CED
5º passo - conferência de Messina (1955): deu origem a um comité especial que deu
origem ao relatório Spaaks — 1956
Relatório Sparks conclui:
• Necessidade da criação de duas novas comunidades, tendo as mesmas o objetivo
da criação de um mercado comum e a constituição de uma entidade dotada de
autoridade própria
Surge assim, neste contexto, a proposta de criação:
• Da CEE: comunidade económica europeia
• EURATROM
• CEC
Isto depois dará origem ao tratado de Roma em 1957
6º marco: Tratado de Roma em 1957
Estabelecia:
• Criação de uma união aduaneira
• Criação de um mercado comum
Até este momento temos uma integração a nível económica (1957) -- união económica
Havia uma certa dificuldade para a criação de uma europa política
1961 - primeira tentativa de ter-mos um projeto de união política europeia = dá
origem a uma comissão que terá dois planos :
Plano Fouchet
7º marco: Plano Fouchet
Este plano tem duas versões:
• 1961 - projeto de tratado de previa uma união indissolível (?) de estados - termos
uma união de estados ao nível político e social — este projeto foi rejeitado
• 1962: alargava o tratado à economia, bem como a existência de recursos próprios
— não foi igualmente aprovado
Ambas as propostas previstos nas duas versões baseavam-se na matriz de união de
estados de tipo confederado em que cada teria direito de veto, entre outos poderes = foi
apenas apoiado pela França
1962 - ainda não há qualquer ideia de integração política
O que está muito assente tem a sua base de integração europeia a nível
económico - a identidade da UE foi criado no âmbito de uma integração a nível
económico (era uma das prioridades de quem acabou de sair de uma guerra e que
tinha as suas economias "destruídas")
TRATADOS
Relatório Tindemans de 1976 = Dá origem ao tratado Spinel de 1984:
Propunha-se uma UE de tipo federal e um esforço do poder das instituições
Estes instrumentos influenciaram:
Ato único europeu - 1986
Foi a aprovação da primeira revisão de fundo dos tratados institutos
Em 1986 já estávamos com 30 anos de vigência dos tratados institutos, sem quaisquer
alterações estruturais, apenas alterações formais até ao momento
Nesses 30 anos, conseguiu-se na mesma evitar uma desatualização dos tratados:
Por meio do tribunal de justiça, suprimiu-se esta possibilidade de desatualização,
que criou jurisprudência criativa tendo em conta a ideia de europa.
Há muitos acórdãos entre 1960 e 1980
O ato único europeu é a primeira revisão de fundo dos tratados e até lá a forma que os
tratados instituídos não ficassem desatualizados foi através de uma jurisprudência criativa
por parte do tribunal de justiça
Características do ato único europeu:
• Teve algumas reformas a nível institucional: alargou os poderes do parlamento
europeu (mas ficou aquém das expectativas)
o Dá uma função executiva à comissão
o Cria o tribunal de primeira instancia associado ao tribunal de justiça
• Ao nível das competências da UE:
o Reforçou algumas das competências
o Atribuiu novos poderes à UE para facilitar a realização de um mercado
interno - era necessário estimular a criação desse mercado interno, era
necessário também que a UE tivesse essas competências sobre esses
domínios que possibilitassem esse reforço
• Passa a surgir um contexto no âmbito da coesão económica e social
o São criados vários fundos e instrumentos neste âmbito
• Base convencional para a cooperação intergovernamental
O que teve impacto a vários níveis
Em suma:
Reforço das competências da UE
Alargou os domínios ao âmbito, por exemplo, da coesão social -- Há uma rutura
com o panorama que existia até então.
Tratado de Maastricht — assinado em 1992
• Criação da UE com um quadro institucional único e próprio
o Conselho europeu
o Parlamento
o Comissão
o Conselho
o Tribunal de justiça
• Constata-se a necessidade de um reforço do papel do cidadão da UE
o O projeto de integração até ao momento foi fortemente criticado pelo
afastamento do cidadão europeu — era necessário reforçar este
envolvimento no âmbito do projeto de integração europeia. Isso foi feito
através:
• Criação da cidadania europeia
• Consagração expressa da proteção dos direitos fundamentais
• Reforço do papel do parlamento europeu - é a instituição que tem
uma legitimidade democrática subjacente e portanto, este reforço
seria reforçar indiretamente a participação dos cidadãos europeus
• Procedeu-se à consagração de uma nova repartição de atribuições entre as
comunidades/ UE e os estados membros
o Especialmente em matéria da união económica e monetária
• Consagração do princípio da subsidiariedade
o Aplica-se às atribuições concorrentes entre os estados membros e a UE-
só quando estamos no âmbito das competências concorrenciais entre os
estados membros e a UE é que se aplica este principio- exclui-se a
aplicação deste principio às atribuições exclusivas da EU mas também às
atribuições reservadas dos estados membros.
• Há várias atribuições: umas que apenas a UE as pode exercer por
via do facto de os estados membros terem concedido essa parcela
de soberania à UE; temos competências no âmbito das quais os
estados membros não reservaram a sua soberania e por isso são
reservadas aos mesmos; temos outra área que é concorrencial, ou
seja, que tanto os estados membros como a UE têm competência
para legislar sobre = é no ultimo que podemos aplicar o principio
da subsidiariedade -- pressupõe primeiro prévia definição das
categorias de atribuições e depois no fundo os órgãos competentes
ao nível europeu têm a obrigação de averiguar se a ação que se
pretende levar a cabo preenche o critério da suficiência do estado
o A UE intervém a legislar quando esses objetivos não possam ser
suficientemente realizados pelos estados
o Critério da eficiência- matéria em que os resultados são melhor alcançados
no caso de ser uma atuação por parte da UE
o Em suma: este critério ajuda a perceber em concreto no âmbito de matérias
de atribuições concorrentes, quem é que em concreto deve exercer essas
competências.
• Modificações no quadro institucional
o Por um lado, uma das alterações tinha como objetivo uma tentativa de
minimizar o défice democrático -- fez- se isso para existir um maior
envolvimento dos cidadãos europeus (tentativa de aumentar a sua
participação na vida política da união)= reforçou-se os poderes do
parlamento europeu e alargando o numero de casos por votação por
maioria qualificada no conselho.
o Por outro lado, houve uma alteração no tribunal de justiça, através da
consagração da legitimidade ativa e passiva do parlamento europeu e do
BCE para o recurso de anulação e para a ação de omissão
• No âmbito das competências do tribunal de justiça, temos o
alargamento do objeto do recurso de anulação
• Consagração de mecanismos de flexibilidade e diferenciação
o Sempre que tínhamos alterações a nível, p.e. de integração económica,
quando era necessário um maior aprofundamento no âmbito da integração
económica, ou quando se tentou expandir para outros contextos fora da
integração económica, nomeadamente através de políticas a nível social,
ou seja, sempre que se tentavam novos aprofundamentos por parte da UE,
víamos que nem todos os estados estavam preparados (já que não havia o
consenso entre todos) para aprofundarem e dar o passo no projeto de
integração europeia -- então essas tentativas acabam por fracassar.
Então estes mecanismos vem permitir a flexibilização ao nível desse
aprofundamento europeu: pelo tratado de Maastricht pode existir
aprofundamentos de integração (estados membros que estejam preparados
para o aprofundamento da construção europeia), podem fazê-lo em
conjunto sem o prejuízo de um ou outro estado membro não se sentir
preparado para avançar nesse projeto
• É estipulado mecanismos de integração diferenciada
• Recurso às clausulas opt-out: é literalmente o ficar de fora -
possibilidade de não participação de algum estado membro em
áreas que são fulcrais para a UE (p.e. ao Reino Unido e Dinamarca
foi garantido o direito de se quiserem e quando quiserem não
aderirem à moeda única = mecanismo de flexibilização e
diferenciação -- os estados que estavam preparados para
aprofundar o processo de integração aderindo a uma moeda única,
não ficara, prejudicados por alguns estados não estarem dispostos
de prescindirem da sua moeda) -- tem sempre a possibilidade de
depois aderir.
Tratado de Amesterdão - 1997
É uma reforma menor — aprofunda alguns pressupostos que já resultavam de outros
tratados, mas de forma a criar uma UE com um funcionamento mais eficiente.
Tem alterações no plano:
• Formal:
o Procede a uma remuneração de artigos
• Substancial:
o Criação de um alto representante, no âmbito da PESC: política externa e
segurança comum, de forma a aumentar a visibilidade externa da UE
o Aprofundamento da cidadania - através das políticas de coesão económica
e social, seja através da consagração de determinados direitos (como o
acesso a documentos do conselho, parlamento e da comissão), e a
consagração do princípio da proibição da discriminação, ainda que não
consagrada especificamente nos tratados
o Realização plena da livre circulação de pessoas
o Criação de um procedimento de tutela política, cuja violação grave e
persistente da liberdade, democracia e dos direitos fundamentais pode
levar à aplicação de sanções e à suspensão do direito de voto no conselho
- aprofundamento ao nível dos direitos fundamentais
o Cooperação reforçada e flexível - expresso reconhecimento de
modalidades de integração diferenciada.
Temos várias modificações substanciais que nada mais são do que um aprofundamento
daquilo que já decorria dos tratados anteriores, mais concretamente do tratado de
Maastricht - temos umas orientações no sentido de alteração dos tratados daquilo que
vinha a ser adotado -- há uma adaptação à própria evolução da corrente da UE
Tratado de Nice de 2001
• Alterações ao nível da estrutura institucional
o Alargamento dos poderes do parlamento europeu
o Há uma limitação do número de membros da comissão
o Composição igualitária entre os estados membros no tribunal de 1ª
instância e tribunal de justiça
• Alterações ao nível de processo de decisão:
o Substituição da exigência da regra da unanimidade para a maioria
qualificada — a probabilidade de aprofundar mais matérias é maior
• Aprofundamento dos direitos fundamentais: deixamos um pouco de ter uma UE
centrada na única e exclusiva integração económica (embora tenha sido a grande
chave do processo de construção)
• Cooperação judiciária em matéria penal
Carta dos direitos fundamentais da UE— 2000
Apesar de no início do processo de integração europeu se ter observado alguma
resistência ao reconhecimento dos direitos fundamentais por parte de alguns órgãos e
instituições, nomeadamente do tribunal de justiça a partir do ano 60, tornou-se claro que
essa posição era insustentável — era insustentável ter uma UE desligada dos valores dos
direitos fundamentais
A carta surge no contexto de formação dos direitos humanos pela UE- o facto de o tribunal
de justiça vir reiteradamente que essa posição era insustentável, a carta é inserida no
contexto de afirmação do direito das pessoas pela UE
Dentro disto, há 3 ideias:
• A carta surge no âmbito de uma convenção que lhe faltava, todavia, legitimidade
democrática, pois nem o parlamento europeu nem os membros dos parlamentos
nacionais estavam mandatados pelos seus eleitores para criarem uma carta de
direitos fundamentais que se destinasse a servir de base a uma constituição
europeia.
• Objetivo da carta: não era criar novos direitos, mas sim realçar os já existentes
para aumentar a segurança jurídica dos cidadãos, tendo-se inspirado na convenção
europeia dos direitos humanos que surge no âmbito da organização do conselho
da europa = Era realçar os direitos já existentes
• Até à entrada em vigor do tratado de Lisboa, a carta não tinha força jurídica
vinculativa, mas era invocada pela comissão e pelos advogados gerais do tribunal
de justiça o que significava que integrava-se na soft law
Tratado que estabelece uma constituição para a europa — 2004
Foi em 2004 mas não foi ratificado
Características:
• O nome: a constituição - o facto de se chamar constituição virou-se costas à
prudência semântica que era seguida até ao momento - se era uma constituição,
metia-se em causa a prudência de aprofundamento da integração
• Estabelecia determinados símbolo: bandeira, hino, lema, moeda, dia da europa
• Tínhamos a designação de atos jurídicos como sendo leis e leis-quadro: menção e
parecença com o ordenamento jurídico interno
• Enunciação expressão do principio do primado da UE (artigo 6º) sobre o direito
dos estados membros: significava que se estabelecia expressamente que, em caso
de conflito, o direito da UE prevalecia sobre o direito dos estados membros —
mas esta ideia já estava presente enquanto construção jurisprudência desde 1964,
não estava era expressa
• Existência de um ministro de negócios estrangeiros
Resultado:
• Houve um movimento anticonstitucional: demonstrou ser um exemplo dos riscos
do projeto europeu pode ter por soluções com voluntarismo politica e esvaziadas
do chamado músculo democrático
• França, polónia, República Checa, Polónia e Reino Unido não apoiaram esta ideia
TRATADO DE LISBOA
O tratado de lisboa instituiu e conforma um novo estatuto jurídico da união europeia?
Teve uma grande alteração ou não?
Depende
No fundo, podemos comparar o novo estatuto jurídico anterior ao que estava em vigor
antes da entrada em vigor do tratado de lisboa ou podemos comparar o que tinham sido
as manifestações de vontade já no tratado que estabelecia uma constituição para a europa
Temos perspetivas diferentes:
• Se comparamos no que já constava no tratado que pretendia constituir uma
constituição para a europa, temos poucas características inovadoras, no fundo o
tratado de lisboa vai retomar as ideias que já constavam nesse tratado, embora
retirasse aqueles elementos que tinham assustado os estados
• Se compararmos com o que tinha sido a ultima tentativa dos estados não há
grandes alterações
• Se comparamos com o estatuto jurídico em vigor antes do tratado de lisboa temos
muitas alterações, muito relevantes
1. Tratado de lisboa 2007
Temos dois tratados institutivos da união europeia:
• Tratado da união europeia
• Tratado sobre o funcionamento da união europeia
o Temos assim uma união, e dois tratados
2. Autonomização do conselho europeu com a consagração do cargo do presidente
- art 15 TUE
3. união europeia adquire personalidade jurídica - art 47 TUE - passa a ter uma ação
mais eficaz nas suas relações externas
4. cria o alto representante da união para a politica de segurança e para o
representante da união europeia nos negócios estrangeiros - art 18 TUE
5. Carta dos direitos fundamentais tem uma força jurídica equivalente à dos tratados
- art 6 n1 TUE - formalmente vinculada pela carta dos direitos fundamentais que
tem força jurídica equivalente à dos tratados
6. Ao nível da delimitação de competências entre a união europeia e os estados,
deram-se alterações, porque grande parte da forma como era delimitada as
competências entre estes, deixou de ser jurisprudencial e doutrinário, passando a
existir princípios relevantes: são 3 os princípios relevantes
No fundo passam a ser os tratados a estipular a forma desses princípios, deixando de ter
questões jurisprudenciais e doutrinarias, porque os próprios tratados passam a regular
ressas matérias
• Principio da competência por atribuição - art 4n1 e 5n1 TUE
• Principio da subsidiariedade que passa a estar previsto no TUE - art 5n3
• Principio da proporcionalidade - art 5n4 TUE
Ou seja, Questões que já se discutiam relativamente á delimitação de competências
entre os estados e a união, passam agora a ter uma previsão no âmbito dos tratados,
como estes 3 princípios e podemos perceber quais as cedentes que os estados
membros fizeram nesse contexto
7. Temos o alargamento do âmbito de decisão da união em grandes matérias -
significa que a união passa a aturar no âmbito de diferentes matéria que não atuava
anteriormente - turismo, politica de energia, ajuda humanitária
8. Passam a existir novas regras de co-decisão, nomeadamente no âmbito do
processo legislativo ordinário
9. Embora existem regras de revisão dos tratados, os próprios tratados permitem uma
adaptação mais rápida com as cláusulas para futuro. ex: As recuperações
reforçadas.
10. O Facto de se dizer que o tratado de lisboa pretendeu terminar com a logica dos
pilares - não foi bem assim, continua a existir uma logica de pilares ainda que
invisível ou transparente, mas ainda esta subjacente entre áreas de atuação da
união europeia, nomeadamente com a forma como os estados membros
entregaram determinadas competências à união europeia.
Logica dos pilares:
1. Ate ao tratado de lisboa temos a estrutura institucional da união europeia exposta
em 3 pilares.
Temos o frontão comum - esta tudo o que é comum aos três pilares que sustentam
esse frontão = temos os objetivos, os princípios e a estrutura institucional comuns
a esses três pilares.
2. Os três pilares são áreas de atuação da união europeia e a forma como a união
pode atuar nessas áreas é diferenciada
1 pilar: comunidade europeia:
Herdeira da CECA, CEE, EURATOM
2 pilar: PESC - politica externa e de segurança comum
3 pilar: cooperação policial e judicial em matéria penal
A forma como a união europeia atua em cada um destes pilares é diferente:
significa que no 1 pilar, temos matérias submetidas ao método comunitário de
decisão - união alfandegaria, mercado interna - matérias tipicamente mais
económicas
Para estas matérias estão submetidas ao método comunitário de decisão ou de integração.
Estamos a falar de matérias em que as instituições da união europeia, atuam em nome dos
estados membros com base nas competências que resolveram transferir, existindo uma
verdadeira integração de soberanias.
No 2 e 3 pilar, temos um método intergovernamental:
significa que são matérias em que as instituições atuam através da ação concertada
dos estados, ou seja, mediante uma mera cooperação de soberanias.
Isto tem reflexos a nível pratico:
• No método comunitário do 1 pilar, temos instituições da comissão e do
parlamento europeu com um papel decisório fundamental - a regra de deliberação
é a maioria qualificada, sendo proferidos atos comunitários, atos europeus de
caracter obrigatório, como os regulamentos e as diretivas, isto porque os estados
cederam as suas parcelas de soberania no que diz respeito aquelas matérias, por
isso a atuação da união europeia é substitutiva dos estados.
• Diferentemente do segundo pilar e terreiro, onde temos o método
intergovernamental. Os efeitos práticos é que o conselho é a instituição com maior
relevo no papel decisório.
A regra de deliberação é a unanimidade
Por outro lado se a união não esta a atuar em nome dos estados mas sim na sua ação
concertada, não pode consequentemente emitir atos de centeúdo obrigatório para os
estados - Os instrumentos que resultam do âmbito do 2 e 3 pilar são posições ou
ações comuns - integram o soft law
A intervenção do tribunal de justiça, nestas matérias, é mais residual
Porque de existirem 3 pilares na união europeia?
São diferentes áreas de atuação no âmbito das quase é diferente a aforma como os
estados decidiram alocar as suas parcelas de soberania ou prosseguir interesses
comuns de formas diferenciadas. Onde temos uma verdadeira integração é no 1
Pilar
Com o tratado de lisboa exclui-se a logica dos pilares, mas o que é certo é que ainda
existem resquícios, podemos continuar a dizer que há uma logica de pilares ainda que
invisível ou transparente, porque nos vários níveis de atuação não há uma uniformarão da
forma camo a união vai atuar, porque foi essa a as vontades dos estados membros, ou
seja, estes ate ao momento decidiram que querem integrar e alocar parcelas da sua
soberania mas ainda no âmbito do primeiro pilar.
Por isso temos determinadas matérias que tem uma sensibilidade e por isso continuam
sobre a alçada dos estados membros ainda que através de atuações se prossigam objetivos
em comum , não é então a união a prosseguir esses objetivos.
IDEIA DE IDENTIDADE EUROPEIA:
3 vetores
1. Atualmente a ideia de europa é a identidade europeia, é a existência de
determinadas semelhanças que aproximam mais os estados europeus e que conduz
à criação de certos laços de solidariedade que unem esses estados relativamente a
estados terceiros ,ou seja estados que não fazem parte da união.
2. Pressupõem a identificação dos cidadãos com certo modelo económico social e
politico
3. Implica que os estados terceiros reconheçam a união como um todo
Sabendo o que significa a união europeia pelos três vetores, quais são as manifestações
que nos remetem para esta identidade europeia:
• Art 1 -facto de ser um nova etapa no processo de criação de uma união cada vez
mais estreita entre os povos da europa
• Art 2 - conjunto de valores que fazem parte desta identidade europeia
• Preambulo - fala-nos aprofundamento dos laços de solidariedade entre os povos
da europa - que eram já importantes na declaração de Schumann porque iam
conduzir no limite, à criação de uma federação - objetivo mediato que era tornar
uma federação europeia irreversível
A NATUREZA JURÍDICA DA UE
é controvertida na doutrina
Teses:
• A UE é uma organização internacional: uma OI é uma associação de estados
constituída por tratado que prossegue fins comuns através de orgãos próprios e
com personalidade jurídica - porque que podemos dizer que a UE não é uma OI:
o Porque embora a UE tenha órgãos permanentes, vontade autónoma e
competências próprias, a sua intervenção não é esporádica ou em domínios
restritos
o Não existe nenhuma OI que apresente determinadas características que a
UE tem: a doutrina elenca 4:
• Não existe nenhuma OI que apresente objetivos tão amplos —
artigo 2º,3º e 8º e ss. TUE
• Não existe nenhuma OI que apresente um quadro institucional tão
independente dos estados-membros, incluindo um parlamento
europeu eleito por sufrágio direito e universal pelos cidadãos da
EU.
• Não existe nenhuma OI que apresente um sistema de fontes tão
completo
• Não existe nenhuma OI que apresente um sistema de fiscalização
jurisdicional também tão completo e que, inclusive, é obrigatório.
▪ Por isso, podemos argumentar que a EU não é uma OI
• A EU é uma confederação: confederação é uma associação de estados constituída
por tratado no qual se criam órgãos coletivos para exercer certas atribuições -
normalmente são associações de estados transitórias, destinadas ou a desaparecer
ou a serem transformadas em estados federados.
o Argumentos:
• As atribuições da EU são diferentes: são mais vastas em termos
económicos e mais restritas em matéria de defesa
• A EU tem uma estrutura mais complexa
• O domínio dos estados sobre a entidade comum é menor na EU
• A EU tem um sistema de controlo jurisdicional mais eficaz
▪ Por isso, podemos dizer que a EU não se enquadra no
conceito típico de confederação
• A EU é uma federação: o estado federal é um estado composto por estados
anteriormente soberanos e independentes entre si, que a dado momento decidem
unir-se sobre uma constituição comum, sendo que, por um lado, a estrutura
orgânica do estado federal tem de refletir o seu caracter estadual e tem de respeitar
as entidades que o compõem, ou seja, os estados federados, por outro lado, a
constituição federal pode ser revista por maioria simples ou qualificada.
o Argumentos:
• A EU não é um estado
• A EU não é um estado federal
• Formalmente a UE foi criada por um tratado e não por uma
constituição
• Não tem atribuições tão desenvolvidas como as do estado federal
• O TUE, só excepcionalmente pode ser revisto por maioria simples
ou qualificada
▪ Pelo menos atualmente, à luz coo a eu está construída com
as suas atribuições, não é uma federação
• A EU é uma entidade sui generis: dizer que a UE não se encaixa em nenhumas
destas situações e por isso é uma entidade de outra espécie, não podendo ser
qualificada com recurso a estes conceitos
o Esta tese é muito criticada porque não auxilia em nada, porque diz que não
é nada daquilo nem diz o que é
• Posição adotada pela MLD: a união europeia é uma união de estados soberanos,
que por via pactícia e com fundamento nas suas constituições, decidiram exercer
em comum os respetivos poderes de soberania.
o União de estados soberanos: acentua a existência de laços de solidariedade
e de coesão entre os membros.
o Estados soberanos: os estados são fundamento da EU, sendo parte
integrante, mas para além de serem o fundamento, e daí a expressão,
continuam a existir (não perdem a sua independência), não tendo sido
eliminados por conta da existência da EU - eles através desta forma pactual
e com fundamento das suas constituições (a constituição atuam como
fundamento e como limite de atuação dos estados membros), decidiram
exercer determinadas atribuições em comum.
ESTRUTURA INSTITUCIONAL DA EU:
Ponto de partida: Artigo 13º TUE:
Para além das instituições, temos outras entidades — temos 3 entidades que podem atuar
no âmbito da EU:
• Instituições: são os órgãos mais importantes que ocupam um lugar de maior
saliência, no quadro da decisão política, no controlo politico jurisdicional ou
financeiro, ou no quadro das funções exercidas. O elenco previsto no artigo 13º
está sujeito ao principio da tipicidade: é taxativo e não meramente exemplificativo
- apenas são essas as instituições que existem.
• Orgãos: os restantes entidades previstas nos textos dos tratados que não no artigo
13º
• Organismos: não estão previstos de forma expressa nos textos dos tratados, sendo
criados ou por instituições ou por órgãos - são criados porque é necessário dar
resposta às missões confiadas pelos estados membros à eu e para isso é preciso
criar serviços = podemos corresponder à administração direita ou autónoma em
termos internos. Beneficiam de personalidade jurídica.
PRINCÍPIOS DA ESTRUTURA INSTITUCIONAL E
ORGANIZACIONAL
- Explica como os órgãos se relacionam entre si:
Explicam como é que as entidades da EU se relacionam entre si, ou como se relacionam
com os estados membros:
• Princípio do equilíbrio institucional:
o A repartição de competência entre as diferentes instituições não
corresponde ao modelo clássico de separação tripartida de poderes - a
existir uma separação orgânico-funcional de poderes será um modelo
dictómico que opõem a função político-decisória assumida pelo
parlamento, conselho europeu, conselho e comissão, à função judicial
assumida pelo TJUE
o Os tratados não consagram expressamente este princípio, mas tem se
entendido que o artigo 13º/2 do TUE deve ser interpretado no sentido de
o pressupor - a doutrina também entende que embora este nº2 se refira
apenas a instituições, deve considerar-se também como se aplicando a
órgãos e organismos
o Este principio traduz a ideia do respeito pelas relações inter-institucionais,
funcionando desde logo como garantia dos poderes de participação de
cada entidade no processo de decisão : cada instituição tem uma
determinada competência e deve ser assegurar o exercício dessa
competência.
• Princípio da coerência institucional:
o Traduz a ideia de que, além das instituições não poderem invadir as
competências de uma das outras; o exercício das suas competências não
pode prejudicar nem anular o exercício das competências das outras
instituições - o principio do equilíbrio institucional diz que a cada
instituição tem as suas competências e deve atuar segundo as mesmas,
respeitar a separação de poderes, ainda que de forma diferente da que
estamos habituados; este princípio acrescenta que, não se pode permitir
que as instituições ultrapassem as barreiras de competências e atuem nas
competências das outras instituições - mas é mais do que isso - será
também respeitar a separação de poderes o facto de uma instituição não
poder atuar de forma a que, essa actuação prejudique ou anule a atuação
de outra instituição — em termos formais e materiais tem de existir esta
separação de poderes - não podem colocar em causa o exercício das
competências das outras instituições.
• Princípio da cooperação leal
Tem dois sentidos que podem ser possíveis:
• Um sentido mais amplo: este princípio não é mais do que uma exigência básica
de não contradição — principio de boa fé = principio pacta sunt servanda — os
compromissos assumidos são para cumprir
• Um sentido mais restrito e especifico no âmbito da EU:
diz respeito a dois planos:
o Aos planos e relações que as instituições estabelecem com os estados-
membros:
• Principio de caracter reciproco: tem de existir uma cooperação leal
entre as instituições e estados membros, mas o seu carácter
recíproco faz com que tenha também de existir uma cooperação
leal entre os estados membros e as instituições da EU - as
instituições da UE cooperam com as instituições dos estados
membros, tal como os estados tem de cooperar com a EU
• Para alguma doutrina, que incluiu a prof, MLD este principio é
geral: defende-se a sua extensão ao domínio das relações entre as
instituições da EU e os particulares dos EM; não é só no plano
entre UE e estados membros, bem como UE e particulares
o Plano das relações inter-instituicionais: relações entre as próprias
instituições:
Neste sentido, há duas questões que se podem colocar:
1. Existem casos em que está expressamente prevista esta cooperação entre as
instituições?
o Artigo 13º/2
o Artigo 294º TFUE - processo legislativo ordinário
o Artigo 218º TFUE: conclusão de acordos internacionais
o Artigo 314º TFUE: aprovação do orçamento
• São exemplos, fora outros, em que há uma previsão expressa nos
tratados deste principio da cooperação leal entre as instituições
2. O que acontecerá nos casos em que não está previsto, ainda assim tem de existir
uma cooperação leal?
Temos precisamente a ideia de como este princípio é geral, tal como defende MLD
Nos casos em que não está expressamente prevista esta cooperação legal,
exige-se das instituições europeias que por um lado, facilite a tomada de
decisões e que, por outro lado, torne mais eficaz a sua atuação.
Tem existido desde logo um diálogo inter-institucional entre o PE,
conselho e comissão = acordos/arranjos inter-institucionais - artigo
295º — são elaborados de forma consensual e podem introduzir
formas de equilíbrio num procedimento de decisão a propósito de
um aspecto especifico da atuação institucional
Estes acordos não podem:
• Não podem alterar as competências das instituições
• Critérios de delimitação de competência entre estados membros e EU
Acordos inter-institucionais: Artigo 295º - codifica uma questão jurisprudencial do
tribunal de justiça sobre o possível caracter vinculativo — é possível então que
tenha caracter vinculativo — a jurisprudência admite a função conformadora das
relações inter-institucionais, e estes acordos podem ter caracter vinculativo
Há ainda algumas dúvidas na jurisprudência quanto à vinculatividade jurídica
de acordos a dois — esta questão levanta-se porque o artigo 295º não fala
sobre acordos a dois :
Tem se entendido que, embora o artigo não proíba expressamente, este
artigo pressupõe ainda assim um concurso ativo entre instituições, seja
na fase de negociação ou da conclusão — portanto o objetivo desde logo
é tornar mais eficiente a regulação aplicada às 3 instituições e portanto,
a celebração de acordos entre o PE e a comissão tem suscitado desde
logo uma oposição por parte do conselho.
Em suma: o 295 consagra uma manifestação do principio da cooperação legal
ao consagrar estes acordos inter-institucionais; permite a sua força vinculativa
já que este caracter já era discutido na jurisprudência; admite estes acordos
entre 3 instituições expressamente previstas; questiona-se se pode ser apenas
por 2 instituições e quanto a isso, existem mais reservas, seja na jurisprudência
seja na doutrina, porque no fundo o facto de tornar mais eficiente o processo
de decisão implica sempre um concurso ativo entre as instituições -- o facto
de existirem acordos com duas instituições não permite alcançar o resultado
final que é diligenciado por um processo mais celebre já que são casos em que
existe manifestações de vontade das instituições.
• Deve ser entendido como um princípio geral no plano das relações inter-
institucionais:
o Este princípio, por ser geral, a sua aplicação deve ser alarga a órgãos e
organismos, e não apenas aplacável às instituições
DIFERENÇA ENTRE INSTITUIÇÕES, ÓRGÃOS E ORGANISMOS:
Instituições: presentes no artigo 13º TUE
Órgãos: todas as entidades expressamente previstas no TUE
Organismos: não estão expressamente previstas nos textos dos tratados, sendo criadas ou por órgãos
ou instituições, possuindo personalidade jurídicas.
INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS
Quanto às instituições, temos dois grandes grupos de decisões:
• Decisão política: PE, conselho europeu, conselho e comissão
• Decisão que não política cuja relevância são de outros fatores: TJUE, BCE. E
tribunal de contas
O sistema institucional possui determinados princípios que tem de ser tidos em
conta
• Principio do equilíbrio institucional: art 13 n2º TUE - pressupõe a separação de
poderes, mas não de uma forma tripartida, mas sim bipartida = é aplicado as
instituições, órgãos e organismos e basicamente o que daqui se retira é que, todas
estas entidades, possuem âmbitos de atuação que lhe são específicos, e neste
modo, apenas podem atuar nesses seus âmbitos e não ultrapassar os limites das
competências de outras entidades - portanto todas as entidades se devem respeitar
os seus limites de aplicação e execução de competências
• Principio da coerência institucional: acaba por estar relacionado com o de cima,
e esta no mesmo art, onde para além de se ter sempre em conta esta separação de
poderes, onde se devem respeitar os limites dos exercícios e competências das
entidades, não pode haver um prejuízo e consequências para as entidades
restantes, quando outras realizam as suas competências, ou seja, deve haver uma
preocupação no exercício das suas funções, para que estas não prejudiquem a
atuação de outras entidades na execução das suas.
• Principio do acervo ou adquirido comunitário: surgiu efetivamente com o
fenómeno de alargamento previsto pela cimeira de 1969 = este principio previa
que todos os estados membros quando entrassem na união europeia, ficavam
vinculados a todos os principios, valores e patrimonio juridico da união, tinha de
haver este respeito por todos os estados, orgãos, organismos e instituições.
Com o tratado da união europeia / Maastrchrit, este principio desapareceu, mas
ainda assim é vinculativo apesar de não estar presnete em nenhuma disposição.
• Principio da transparência: art 15 TFUE - entende-se que a união tem de pairar
sob uma politica de transparencia em tudo. Há duvida dessa transparencia na
PESC.
• Principio da cooperação leal: art 4 TUE entrou muitos outros
• Consiste numa ideia ampla: onde tera de existir um respeito pelo pacta sun
servanda, ou seja, tem de haver um respeito pelos acordos, onde todos tem
de cooperar entre si e respeitam-se no exercicio do cumprimento das suas
missões = dai ser o corolário da boa fé, porque há este respeito e
cooperação mutua
• Depois tem uma vertente mais restrita, porque é aplicado à
união/instituições e estados membros, ou seja, estes respeitam-se e
colaboram mutuamente.
• A MLD entende também que há uma colaboração e respeito entre os
particulares dos estados membros com a união e suas instituições.
• E ainda deve ser aplicado aos orgãos e organismos
Há situações em que o principio não esta consagrado, como é o caso do art 295 TFUE ao
consagrar estes acordos inter-institucionais - acordos a dois. Onde há a duvida se podem
ser estendidos a acordos a 3.
Pontos de legitimidade:
Fontes de legitimidade: temos em consideração o modo de designação dos membros de
cada instituição e com a repartição de poderes
• Legitimidade democrática: PE - é eleito por sufrágio direito e universal dos
cidadãos da UE desde 1979 (olhar como se fosse o represente dos cidadãos
europeus) - sendo este meramente representativo, ou seja, não tem caracter
vinculativo nem pode criar ordens
• Legitimidade intergovernamental: Conselho Europeu (representação ao mais alto
nível dos estados, pois os PR ou PM dos respetivos estados representam os seus
países) e o conselho de ministros (os PM representam os seus estados) — de certa
forma ou os seus membros tem ainda restícios estaduais no âmbito da sua
composição ou por, em ultima instância, representarem os interesses dos próprios
estados membros (seria como um representante, em última instância, os próprios
estados membros)
• Legitimidade supranacional: comissão — têm um dever de independência e de
prosseguir o interesse geral da EU - artigo 17º/1 TUE: tem o poder de representar
os interesses da própria união (como representante dos interesses da própria UE)
Poderemos aqui incluir também as outras instituições- Banco Central
Europeu, Tribunal de Contas- e os restantes órgãos comunitários (como o
Comité das Regiões e o Comité económico e social).
Composições e regulamentos das instituições
PE: politicas, legislativas, orçamentais, consultivas
CE: politica (domínio económico e no das relações externas), estatuaria (art 15n5 TUE;
art 18n1 TUE; art 50º TUE)
Conselho: legislativa e orçamental com PE, e politicas, competencias de vinculação - art
218 TFUE e de execução - art 291 TFUE
COREPER - ART 16 N7
Composto pelos representantes permanentes dos Governos dos Estados- membros em
Bruxelas e desempenha a função de preparar os trabalhos do Conselho
E ao COREPER cabe a execução dos mandatos que o Conselho lhe atribui, art. 240o/1
TFUE.
É o COREPER que assegura uma ligação constante entre os Governos dos Estados-
membros e a Comissão, a propósito dos projetos e iniciativas desta instituição
Apesar da evolução institucional que foi favorável ao reforço dos seus poderes, o
COREPER mantém a sua natureza de órgão auxiliar, de vocação burocrática e técnica
O COREPER funciona em dois níveis:
• o COREPER II, o mais importante, constituído pelos chefes das representações
permanentes (embaixadores) que prepara os trabalhos sobre matérias de maior
relevo político
• COREPER I, composto pelos representantes permanentes adjuntos, que prepara
os trabalhos das restantes formações do Conselho em que é dominante a
componente técnica das propostas em discussão.
• O COREPER examina todos os pontos constantes da ordem de trabalhos do
Conselho, elaborada pela Presidência.
• Os Estados-membros estão representados nos grupos de trabalho através de
funcionários da sua Representação Permanente (REPER) ou de funcionários da
administração nacional, enviados pelas respetivas capitais.
Comissão: art 17º TUE = existia uma tensão:
• Os defensores de uma comissão de base igualitária : defendiam que deviam estar
representados na comissão todos os estados-membros - art 17 n4º TUE
• Defensores de uma composição restrita da composição, assente num sistema de
rotação rigorosamente Igualitária entre os estados membros:
o Vantagem: ser uma instituição mais ágil, coesa e eficaz
o Esta foi a tese adotada inicialmente — artigo 17º/5 = comissão de
composição restrita.
o Mas esta teoria foi abandonada até 2019 e não é provável que se volte à
ideia de uma composição restrita
• É importante de não ter uma composição restrita é importante na medida
em que, o facto de se ter todos os estados membros na comissão faz com
que as realidades desses estados possam vir a ser levados para a comissão
Embora os membros da comissão não representam os seus estados membros,
mas transportam para a EU o conhecimento objetivo das realidades especificas
de cada estado membro
Funções politicas, orçamentais, legislativas, de revisão dos tratados, vinculação, de
controlo
Porque é que é uma instituição de controlo e por isso é guardiâ dos tratados - art 17 n1
TUE
Apesar de não ter o exclusivo do controlo dos comportamentos no seio
da união (quem tem o controlo político é o PE e o controlo financeiro
compete ao tribunal de contas); mas por força do artigo 17º/1,TUE,
exerce uma competência genérica e subsidiária de controlo e vigilância.
o Tem uma ampla competência (genérica e subsidiária) de controlo e vigilância da
aplicação dos tratados e da correta aplicação do DUE
o Para desempenhar estas competências, os tratados têm de atribuir poderes que
permitem velar pela observância dos tratados e pela aplicação do DUE:
• Tem poderes para recolher todas as informações necessárias, procedendo
a todas as verificações que necessite junto dos estados membros e dos
particulares (artigo 337 TFUE);
• Tem poderes para proteger as regras da concorrência através de
mecanismos de investigação, declarações de sanções e aplicação de multas
(artigo 103º/2a TFUE)
o Em caso de violação do DUE, tem ao seu alcance o procedimento administrativo
de incumprimento que pode levar a uma instauração de uma ação junto do TJ
contra o estado membro acusado - 260º TFUE
• Competências de Execução: estas competências são de gestão e de execução
direta e indireta
o Gestão e execução indireta: o tratado de lisboa alterou o quadro regulador
em vigor, e portanto deu mais funções à comissão, mas diminuiu os seus
podere no âmbito das competências de execução, fragilizando a sua
competência executiva --- perde o estatuto de instância vocacionada par
aprovar atos de execução, pois o exercício comum da função
administrativa europeia passa para o exercício nacional
o Gestão e execução direita - artigo 114º/10; 317º/2; 191º/2 TFUE:
• Competências em Matérias de relações externas: artigo 218º TFUE
• Em contrapartida, perde poderes de representação da UE junto de estados terceiros
e Organizações internacionais.
ORGÃOS
PARLAMENTO EUROPEU:
Artigo 14º TUE + 223º- 234º TFUE
Composição
É constituído por representantes dos cidadãos da UE- artigo 14º/2 TUE
Os membros do PE são eleitos por sufrágio universal direito, livre e secreto por um
mandato de 5 anos - artigo 14º/3 TUE
Quanto ao facto de serem eleitos, não foi aprovado nenhum processo eleitoral uniforme
— este processo de eleição é realizado de acordo com os procedimentos de direito
eleitoral vigente em cada estado- membro, podendo cada cidadão ser eleito e eleger
Regras de deliberação
A regra é a maioria dos votos expressos — artigo 231º TFUE
São previstas diferentes maiorias, umas mais outras menos exigente
• Menos exigente: p.e. a eleição do presidente a partir da terceira volta, em que a 4
volta pode ser por maioria simples
• Mais exigente: quando estamos perante situações que importa uma maior
responsabilidade política, ou quando haja uma maior sensibilidade - 294º/7b) e
234º TFUE - moção de censura
Competências
Tem três tipos de competências:
1. Controlo político
Podemos especificar 4 tipos de competências políticas:
• Poder de participação na nomeação dos membros de outras instituições ou
órgãos:
o Comissão (artigo 17º/7TUE)
o Provedor de justiça (228º/2 TFUE)
o Tribunal de contas (286º/2 TFUE)
o BCE (283º/2 TFUE)
• Moção de censura - artigo 234º TFUE - consagra uma maioria mais exigente do
que a maioria típica necessária no âmbito das deliberações do PE
o Concretiza a responsabilidade política da comissão pelo parlamento
europeu - 17º/8 do TUE — este mecanismo foi poucas vezes acionados -
teve poucas propostas e nenhuma chegou à fase de votação. Mas
corresponde a uma pressão política que faz com que a comissão apresente
um pedido de demissão —
• Serve como um mecanismo de pressão política e que tem a ver com
uma responsabilização política de uma instituição perante outro
• Questões ou debates: podem ser da comissão (230º TFUE) - ocorrem no seio da
comissão responde às questões colocadas ou pelo PE ou pelos seus membros; do
conselho, sendo que, embora os tratados não definam estas questões de debate
perante o conselho, o conselho aceita fazê-lo desde 1959 e por esse motivo alguns
autores identificam como um exemplo raro de um costume no DUE.
• Direito de petição ou de inquérito - 226º e 227º do TFUE: o PE pode, por
iniciativa própria, criar comissões de inquérito temporárias para averiguar
alegações de infrações ou de má administração na aplicação do DUE — a
comissão extingue-se apos a apresentação do relatório ao PE
o Comissão mais conhecida foi constituída para investigar a gestão da
comissão durante a chamada “doença das vacas loucas”
2. Orçamentais
São poderes muito amplos:
• Decisão orçamental - artigo 314º/1 TFUE
• Poderes na fase de execução - acompanha o exercício orçamental em curso
através de relatórios trimestrais enviados pela comissão
• Poderes de aprovação da conta de gestão orçamental
3. Decisão no processo normativo
Dentro destas competências, podemos elencar 4 poderes:
• Poder de participação no processo legislativo - por regra é um processo de co-
decisão (artigo 289º/1 TFUE) e apenas pode deliberar como autor do ato em 3
casos:
o 223º/2 do TFUE
o 226º 3º parágrafo TFUE
o 228º/4 TFUE
• Poder de participação no processo de execução das normas - artigo 290º e 291º
TFUE
• Participação no processo de vinculação internacional da UE, caso estejam em
causa determinados tipos de acordo; mesmo fora desses casos, o PE é sempre
consultado quando não participa ativamente (218º/6b) TFUE)
• Poder de aprovação prévia = poder de veto: significa que o PE pode efetivamente
vetar e barrar uma determinada solução: p.e. no âmbito da adesão de novos estados
membros - artigo 49º/1 TUE; no âmbito do acordo sobre a saída de um estado
membro - artigo 50º/2 TUE; quanto ao alargamento das competências da UE a
matérias não previstas nos tratados - artigo 352º/1 TUE; quanto ao alargamento
dos direitos da cidadania da UE - artigo 25º do TUE
o Este veto é verdadeiramente um poder de aprovar ou rejeitar -- o PE não
pode propor alterações àquilo que lhe é apresentado— pode apenas aceitar
ou rejeitar.
CONSELHO EUROPEU
Art 15 TUE + 235 TFUE a 236 TFUE
Composição
Regras de deliberação
Competências - estatutária e de impulsão politica
Antes do tratado de lisboa questionava-se se o conselho europeu era um órgão europeu,
qual eram as suas competências e formas dos atos e os seus valores. Antes do tratado não
era então claro se o conselho era uma instituição, foi então este que encerrou a
classificação do conselho jurídico como uma instituição prevendo expressamente o
conselho europeu no art 13 TUE
É por isso uma instituição e atendendo aos poderes que o tratado lhe atribuiu,
nomeadamente ao nível do controlo de outras instituições e no seu processo de revisão,
faz com que a doutrina, o conselho esta num patamar superior as outras instituições - dai
ser uma superinstituição.
Composição:
• É composto pelos chefes do estado ou de governo dos estados membros, bem
como o seu presidente e o presidente da comissão - art 15 n2 TUE
• Quanto à regra de deliberação é o consenso - art 15 n4 - acordo de todos os
membros sem recurso à votação
• Mas temos regras diferentes e especificas tendo em conta as matérias em causa:
o maioria simples - art 235 TFUE
o maioria qualificada - art 236 TFUE
Competências:
• As competências são competências essencialmente de natureza politica - art 15 n1
TUE
Tem um conjunto de poderes muito importantes cujas funções principais são:
• Estatutárias - condições de adesão ou retirada de membros da UE - art 49 n1 e art
50 n2 TUE; por outro lado participa na nomeação dos responsáveis mais
importantes, como o presidente co conselho europeu - art 15 n5 TUE, como alto
representante - art 18 n1 TUE.
• Politicas- desenvolvida através de uma ação orientação geral, que se manifesta em
2 domínios: domínio económico e no das relações externas.
CONSELHO
Art 16 n2 TUE + art 237 TFUE a art 243 TFUE
Competências de decisão
De vinculação internacional
Execução
Coordenação
Composição:
Art 16 TUE
• Composto por um representante de cada estado membro ao nível ministerial, com
poderes para vincular o governo do respetivo estado membro e exercer o direito
de voto - art 16 n2 TUE
• Dentro do conselho temos varias formações, e as mais relevantes são mais
importantes devido ao tipo de decisão ou ao tipo de matérias
3 tipos de formações mais relevantes
• conselho de assuntos gerais - art 16 n6 TUE
• Conselho dos negócios estrangeiros - art 16 n6 TUE e art 18 n3 TUE
• Ecofim - assuntos económicos e financeiros - é composto pelos ministros das
finanças porque diz respeito a matéria de governação económica e de auxilio
financeiro.
Regras de deliberação: Há 3 tipos de regras de deliberação
• Maioria simples - art 238 n1 TFUE - cada estado membro tem um voto e é
aprovado quando reune o voto favorável da maioria dos estados membros = este
é o menos aplicado, é o mais residual e está previsto no art 240 ao art 242 TFUE
e no art 337 TFUE
• Maioria qualificada - art 16 n4 TUE e art 238 n2,3 TFUE - cada estado membro
tem votos de acordo com o modelo de ponderação do peso relativo dos estados
membros - tem-se aqui em atenção a extensão demográfica de cada estado
membro.
• Unanimidade - matérias de especial sensibilidade politica ou decisões com
incidência estruturada, é exigida a unanimidade - a unanimidade reflete de modo
direto o exercício da soberania e concretiza o principio da igualdade dos estados
membros, no processo de formação da vontade da UE.
Competências
• Competências de decisão: O conselho tem poderes ao nível da função legislativa,
exerce-a ou com o PE (art 16 n1 TUE) ou sozinho nos termos do art 81 n3 TUE
• Competência de vinculação internacional: O conselho tem poderes de vinculação
internacional nas varias fases do processo de vinculação = negociação art 218
n2,3,4 TFUE, na assinatura art 218 n5 TFUE e na conclusão art 218 n6 TFUE
• Competências de execução: Sendo que antes do tratado de lisboa, o conselho era
o titular deste poder de execução, mas a comissão exercia-o através de delegação.
Com o tratado de lisboa a regra alterou-se, porque o PR passou a ter o primordial
de execução dos atos da união europeia, portanto os poderes de execução são dos
estados membros, nos termos do art 291 TFUE.
Mas há duas exceções, em que os poderes de execução competem a EU:
Assim, se competem à união, vão competir a quem especificamente? À
Comissão, sobre a forma de atos delegados e de atos de execução - art 290 e art
291 TFUE
▪ Apenas em determinados casos justificados, vão competir ao
conselho - art 291 n2 TFUE - embora esta instituição também tenha
competência executiva com base em diplomas avulsos - Art 24 e
26 TUE.
• Competências de coordenação - art 16 n1 TUE - Tem dois planos:
• políticas da união
• políticas definidas pelos estados membros - coordena as politicas da união
e dos estados membros dai que havia intergovernamental desta instituição
COMISSÃO
Artigo 17º TUE e 244º a 250º TFUE
Composição:
Artigo 17º/4 e 5
Na génese da comissão tínhamos duas teorias opostas:
• Os defensores de uma comissão de base igualitária : defendiam que deviam estar
representados na comissão todos os estados-membros
• Defensores de uma composição restrita da composição, assente num sistema de
rotação rigorosamente Igualitária entre os estados membros:
o Vantagem: ser uma instituição mais ágil, coesa e eficaz
o Esta foi a tese adotada inicialmente — artigo 17º/5 = comissão de
composição restrita.
Mas esta teoria foi abandonada até 2019 e não é provável que se volte à ideia de uma
composição de composição restrita, porque se veio a ter em conta:
• O compromisso que foi assumido com a Irlanda por todos os estados membros,
sendo que a prática política da UE evidencia a importância dada aos
compromissos políticos e ao carácter vinculativo para o futuro
• Forma de garantir que se têm em conta as realidades políticas, económicas e
sociais de todos os estados
É importante de não ter uma composição restrita é importante na medida em que, o facto
de se ter todos os estados membros na comissão faz com que as realidades desses estados
possam vir a ser levados para a comissão
Embora os membros da comissão não representam os seus estados membros, mas
transportam para a EU o conhecimento objetivo das realidades especificas de cada
estado membro
Daí que se entende que a representação de todos os membros na comissão seja
importante
Competências:
• Iniciativa: tem o poder genérico de iniciativa (em amplas matérias), daí que se
diga que a comissão é o motor da integração; é responsável pelos saltos
qualitativos de integração e pelos períodos de crise.
Tem iniciativa a 4 níveis:
o Legislativa - em exclusivo nos termos do 17º/2 TUE; havendo exceções
que não têm essa iniciativa em exclusivo: 223º/2, 289-º/4, 107º/5, 111º,
219º, 76º TFUE
• A comissão tem um amplo poder de negociação no processo de
decisão, podendo funcionar ou em aliança com o PE ou como
contrapeso do poder decisório do conselho.
o Processo orçamental - 314º/2 TFUE
o Processo de vinculação internacional - 218º/3 TFUE
o Processo de revisão dos tratados - 48º/2 TUE
Controlo
É por isso que se diz que é a guardiã dos tratados - apesar de não ter o exclusivo do
controlo dos comportamentos no seio da união (quem tem o controlo político é o PE e o
controlo financeiro compete ao tribunal de contas); mas por força do artigo 17º/1,TUE,
exerce uma competência genérica e subsidiária de controlo e vigilância.
o Tem uma ampla competência (genérica e subsidiária) de controlo e
vigilância da aplicação dos tratados e da correta aplicação do DUE
o Para desempenhar estas competências, os tratados têm de atribuir poderes
que permitem velar pela observância dos tratados e pela aplicação do
DUE:
• Tem poderes para recolher todas as informações necessárias,
procedendo a todas as verificações que necessite junto dos estados
membros e dos particulares (artigo 337 TFUE);
• Tem poderes para proteger as regras da concorrência através de
mecanismos de investigação, declarações de sanções e aplicação
de multas (artigo 103º/2a TFUE)
o Em caso de violação do DUE, tem ao seu alcance o procedimento
administrativo de incumprimento que pode levar a uma instauração de
uma ação junto do TJ contra o estado membro acusado - 260º TFUE
Execução:
estas competências são de gestão e de execução direita e indireta
o Gestão e execução indireta: o tratado de lisboa alterou o quadro regulador
em vigor, e portanto deu mais funções à comissão, mas diminuiu os seus
podere no âmbito das competências de execução, fragilizando a sua
competência executiva --- perde o estatuto de instância vocacionada par
aprovar atos de execução, pois o exercício comum da função
administrativa europeia passa para o exercício nacional
o Gestão e execução direita - artigo 114º/10; 317º/2; 191º/2 TFUE:
Matérias de relações externas
Artigo 218º TFUE; em contrapartida, perde poderes de representação da UE junto de
estados terceiros e Organizações internacionais.
O tratado de Lisboa possibilitou que a UE pudesse celebrar convenções internacionais já
que consagrou que a mesma tinha personalidade jurídica, mas ao mesmo tempo a
comissão perdeu alguns poderes de representação da união junto de estados terceiros e de
OI, passando estas competências para o Alto Representante -- artigo 221º TFUE
Representação
Artigo 335º TFUE
Regra de deliberação
Maioria prevista no artigo 250º TFUE -- maioria dos seus membros
ÓRGÃOS CRIADOS PELOS TRATADOS:
• Alto representante da união para os negócios estrangeiros e a política externa
• Provedor Justiça
• Comité económico e social
• Comité das regiões
• Comité permanente
• Comité político e de segurança
• Comité de emprego
• Comité dos transportes
• Comité económico e financeiro
• Comité do fundo social europeu
• Comité especial em matéria da política comercial comum
1. Alto representante
Artigo 18º e 27º TUE -- dizem a forma da sua nomeação e as suas competências
Nomeação
Tem a influencia de mais de uma instituição: Nos termos do artigo 18º/1 TUE, ele
é nomeado pelo PE mas com o acordo do presidente da comissão -- tem uma
concordância entre duas instituições que têm uma legitimidades diferentes
(intergovernamental e supranacional)
Competências
• Conduz a política externa e de segurança da união
• Contribui, com as suas propostas, para a elaboração dessa politica, executando-a
na qualidade de mandatário do conselho
• Contribui para assegurar a unidade, coerência e eficácia da ação da UE
• Representa a UE nas matérias do âmbito da política externa e de segurança comum
- PESC
• Conduz o dialogo político com terceiros em nome da UE
• Exprime a posição da UE nas OI e em conferências internacionais
Comparando com um órgão no nosso ordenamento jurídico que tivesse estas funções seria
o ministro dos negócios estrangeiros
No tratado que estabelecia uma constituição para a UE, tentou-se criar um ministro dos
negócios estrangeiros -- isso assustou os estados membros
O tratado de Lisboa veio introduzir um ministro dos negócios estrangeiros mas com a
nomenclatura de alto representante = a nomenclatura é importante para travar
determinada ideia ou fazê-la avançar
2. Provedor de justiça
Artigo 228º TFUE
Exerce as funções com total independência, apesar de ..
É importante estar estabelecido este dever de independência porque o titular deste
órgão é eleito pelo PE (228º/1), e portanto, vem exercer as suas funções com total
independência (228º/3), embora o titular do órgão seja eleito pelo PE
Competências (Artigo 228º/1 TFUE):
Funciona como o recetor das queixas apresentadas pelos cidadãos de qualquer estado-
membro e também no âmbito de má administração na atuação de instituições, órgãos e
organismos-
(aqui neste artigo podemos ver como é feita a diferenciação entre instituições,
órgãos e organismos, o que demonstra que não se trata de uma distinção meramente
doutrinária)
Se temos na UE uma instituição que, enquanto guardiã dos tratados que vai velar pela
aplicação dos tratados, o DUE, pela observância de toda essa regulamentação, temos,
num nível a cima, o provedor de justiça que vai ele próprio velar pela observância da boa
administração das instituições, órgãos e organismos.
3. Comité económico e social
Têm em comum com o comité das regiões é o facto de serem ambos órgãos consultivos
= são exemplos em que os tratados preveem expressamente dois órgãos consultivos
Artigo 13º/4 TUE; artigo 300º/1 e 2; 301º a 304º TFUE
Artigo 13º/4: diz que o PE, conselho e comissão são assistidos pelo comité económico
social, bem como do comité das regiões
Artigo 300º: está presente no capítulo dos órgãos consultivos da União
Artigo 300º/1: repete o que está no 13º/4 TUE
Artigo 300º/2: a sua composição.
Artigo 301º e ss temos as características especificas
Artigo 301º- nº de membros que não pode ser superior a 350
O comité económico e social tem meramente uma competência consultiva, mas em
muitos casos, estas competência é obrigatórias (artigo 304º).
4. Comité das regiões
Artigo 13º/4 TUE; 301º/1 e 2; 305º a 307º TFUE
Artigo 301º: repete o que está no 13º/4 TUE
Artigo 301º/3: o composição deste comité
Artigos 305º-307º : características próprias
Artigo 305º: nº de membros - não superior a 350
A competência do comité das regiões é meramente consultiva, mas em muitos casos é
obrigatória, podendo mesmo e itir pareceres por iniciativa própria (307º 4º paragrafo),
sendo isso que o distingue do comité económico e social.
Organismo: Os estados conferem à UE determinadas missões e para isso a união deve
ter meios para as prosseguir e nomeadamente para isso tem de criar determinadas
entidades de forma a que conseguia prosseguir os seus objetivos
5. Agências independentes
São organismos e podemos ter 3 tipos:
• Agências e organismos descentralizados: destinam-se a apoiar os estados-
membros e os seus cidadãos e obedecem a um principio de descentralização
geográfica; procuram responder às necessidades de adaptação de caracter jurídico,
técnico e ou cientifico; têm personalidade jurídica.
o Ex: agência europeia do medicamento - EMA -- prossegue fins da União,
mas que são descentralizados geograficamente para melhor serem
alcançados.
• Agências de execução: organismos criados nos termos do regulamento Nº58/2003
do conselho para efeitos de atribuição de determinadas tarefas relacionada com a
gestão dos programas europeus.
o Se temos programas europeus para serem executados, temos de ter
determinadas entidades que também possam auxiliar nas tarefas de gestão
desses programas -- não a perspetiva de descentralização, mas antes de
execução.
• Agências e organismos da EURATOM: estruturas criadas para apoiar a realização
dos objetivos no tratado EURATOM
Todos estes organismos são criados como forma de facilitar a prossecução das tarefas da
UE
Pode ser a nível de execução; pode ser a nível de descentralização (porque será mais
fácil está próximas dos cidadãos e dos estados membros); para facilitar a realização
dos objetivos.
Em suma todos este sistema institutivo da UE:
Temos instituições, órgãos e organismos
Temos diferentes fontes de legitimidade: democrática, intergovernamental ou
supranacional -- variam conforme a forma de nomeação ou as competências
Temos uma diferenciação entre as instituições de decisão politicas e outras não --
artigo 13º -- as 4 primeiras são as de decisão política; as restantes não são de decisão
politica (mas mesmo assim os tratados consideram-nas como instituições, não pelo
facto de serem de decisão política, mas devido à importância das competências e
funções que desempenham).
Quem é que é o presidente da EU?
Depende das matérias:
• Se for política externa no domínio da segurança e da defesa, a presidência é
o conselho europeu;
• Se for política comercial ou matérias de saúde publica, alterações climáticas,
aí a presidência é a comissão
Pode haver lugar a sançoes politicas, por violação do art 2º TUE, por parte de um
EM = art 7º TUE
• Podem-lhe ser retirados alguns direitos - art 7 n3 TUE - incluindo direito de voto
• Nos termos do art. 354o TFUE, o membro do conselho Europeu que represente o
Estado-membro visado não participa na votação
INSTITUIÇÕES QUE NÃO SÃO DE DECISÃO POLÍTICA:
6. Tribunal de justiça da EU
Artigo 19º TUE e 251º a 281º do TFUE
▪ É constituído por dois tribunais
▪ A sua jurisdição é definitiva - duplo grau de jurisdição
7. Banco central europeu
Artigo 13º/3 TUE; 282º a 284º TFUE
8. Tribunal de contas
Artigos 13º/3 TUE; 285º a 287º do TFUE
PROCEDIMENTOS DE DECISÃO DA EU
• A nível interno
• Procedimentos de adoção de atos legislativos
• Procedimentos de adoção de atos não legislativos
• A nível externo
• domínio internacional
PROCEDIMENTO DOS ATOS LEGISLATIVOS
• Ordinários - art 289 n1 TFUE que remete para o art 294º TFUE
• Especiais - art 289 n2º TFUE - casos do art 223 n2º TFUE, art 226º 3º paragrafo
TFUE, art 228 n4º TFUE e art 308º 3º paragrafo TFUE
Art 294 - varias fases
• Primeira leitura - n3 a 6
• Segunda leitura possível - n7 ao n9
• Conciliação no n10 ate ao n12
• Terceira leitura - n13 e n14
• Disposições especificas no n15
No fundo quem decide o processo que tem de existir são os próprios tratados - é aqui que
temos a remissão para o tipo de processo
• Qual é a matéria em causa? = Ir ao índice da coletânea para perceber onde esta
tratada aquela matéria - aqui vão-nos dizer qual processo aplicar ao caso
Temos procedimentos que vão gerar atos legislativos
O que esta em causa é a forma, o procedimento que foi feito
Quando o ato é adotado pelo processo legislativo que pode ser ordinário ou especial
PROCEDIMENTO DE ADOÇÃO DE ATOS NÃO
LEGISLATIVOS:
• Atos que resultam diretamente dos tratados: podem ser atos no âmbito da PESC,
porque aqui não são adotados atos legislativos; casos da comissão no domínio da
concorrência ou das ajudas do estado (art 105 e 108 TFUE); casos do BCE no
âmbito da politica monetária, que vai adotar atos não legislativos (art 132º TFUE)
• Atos delegados: art 290 TFUE, quando um ato legislativo autoriza a comissão a
completar ou alterar certos elementos não essenciais de um ato legislativo = os
atos delegados vão complementar elementos não essenciais de um ato legislativo.
O objetivo destes atos delegados, é fazer com que o legislador se foque nos
elementos essenciais e mais importantes desta matéria, os não essenciais podem
assim ser desenvolvidos pela comissão.
• Atos de execução: art 291º TFUE - são atos de implementação da comissão ou
do conselho quando sejam necessárias condições uniformes de aplicação dos atos
juridicamente vinculativos da união europeia. No fundo esta em causa a execução
de uma legislação que exija uma aplicação uniforme na união europeia. A validade
regula de um regulamento de base onde se estabelece as regras básicas enquanto
o regulamento de execução estabelecer determinadas disposições técnicas.
PROCEDIMENTO NO DOMÍNIO INTERNACIONAL
1. Processo comum de vinculação internacional - art 218º TFUE
A UE tem a personalidade jurídica no art 47 TUE, e pode celebrar acordos
internacionais com estados terceiros ou com OI´S e pode faze-lo a diferentes
níveis - ou seja no domínio internacional não há um único processo de decisão -
há também dois níveis de processos
• O que varia é o tipo de acordo que esta em causa
No processo comum no art 218º TFUE:
• Engloba-se a maioria dos acordos que a união celebra - por regra este
processo segue o que esta disposto neste art
• Dentro deste art, engloba-se os acordoa relativos a PESC e CPJP - lógica
do 2 e 3 pilar = art 24º TUE, e art 38º TUE.
Deste art, no fundo é um processo de vinculação internacional que segue o esquema
clássico da convenção de Viena:
• Negociação
• Assinatura
• Conclusão
• Prevê ainda a intervenção de determinadas instituições, como o PE no n10 - aqui
há uma distinção por um lado o PE participa ativamente neste processo, por regra
através de parecer, ou em exceção, onde participa através de envolvimento na
própria aprovação do acordo - n6 art 218 TFUE
Há ainda a possibilidade de participação de co-celebrante:
• por exemplo nos acordos com consequências orçamentais; casos do acordo de
adesão da união à declaração dos direitos do homem
Ele é co-celebrante , por causa da importância dos acordos em causa,
exige a participação desta instituição, ou devido ao critério do
paralelismo entre o exercício interno e externo da competência de
regulação sobre certas matérias
Temos a possibilidade do PE ter de estar envolvido nestes acordos
Existe outra instituição que pode ter intervenção = TJUE
Temos um mecanismo de controlo prévio de legalidade dos acordos internacionais
a celebrar com a união, sendo que no fundo temos a questão da própria questão da
adesão da união europeia dos direitos do homem.
Este controlo pode ter dois níveis - art 218 n11 TFUE
• Sobre o grau de conformidade do projeto de acordo com as disposições materiais
dos tratados
• Pode incidir sobre saber se a união europeia tem competência para se vincular
internacionalmente sobre a matéria versada no acordo
2. Processos específicos - dois tipos que varia mediante o tipo de acordo
celebrado
• Acordos comerciais - art 207 TFUE - engloba a negociação e celebração de
acordos internacionais no domínio dos transportes (art 207 n5 TFUE)
• Acordos monetários e cambiais - art 219 TFUE
INICIATIVA DE CIDADANIA EUROPEIA
É um mecanismo que possibilita que um conjunto de cidadãos europeus de diversos
estados membros possa convidar a comissão a apresentar propostas legislativas em
domínios em que a EU tenha competência para legislar
Matéria de ambiente, agricultura ou transportes
Está previsto no artigo 11º/4 TUE e artigo 24º 1º parágrafo do TFUE + regulamento
Nº211/2011 do PE e do conselho de 16 de fevereiro de 2011
Com este mecanismo temos um reforço da democracia participativa e por outro lado uma
aproximação dos cidadãos europeus ao centro de decisão política ao nível da EU
FONTES DE DUE:
1. Direito primário/ originário
2. Direito secundário/ derivado
3. Direito internacional
4. Outras fontes
Isto não resulta dos tratados, mas de uma sistematização da regente
DIREITO PRIMÁRIO:
Uma função paramétrica: hierarquicamente superior
• Conjunto de regras e princípios que, vertidos nos Tratados institutivos (TFUE,
TUE, EURATOM)
• Protocolos e anexos que tem valor de tratado - art 51 TFUE
• Carta dos direitos fundamentais - art 6 da carta - tem valor de tratado
Os tratados podem ser vistos como uma constituição mediante o entendimento da
regente
• Em sentido formal é um tratado internacional, porque possui estados contratantes
• Em sentido material, respeita e vai de encontro com uma constituição, uma vez
que possui a garantia dos direitos fundamentais e há uma efetiva separação de
poderes, que são características fulcrais de uma constituição.
DIREITO DERIVADO
Distinguir este direito derivado do direito primário
Direito Primário: é o direito que resulta dos tratados
VS
Direito derivado: resultante dos atos adotados pelo decisor da EU
O direito primário é hierarquicamente superior ao direito derivado = consequentemente o
direito derivado não pode contrariar o direito primário
Estabelecendo um paralelismo com o direito interno, o direito primário seria a
constituição e o direito derivado os atos legislativos infraconstitucionais
Os atos emanados pelo decisor da eu tem sempre de respeitar o que resulta dos
tratados enquanto fonte normativa da EU
Atos que podemos incluir no direito derivado:
1. Atos típicos — presentes no artigo 288º TFUE
o Diretivas
o Regulamentos
o Recomendações
o Decisão
2. Atos atípicos – presentes p.e nos artigos 295º e 234º TFUE
o Os que não estão previstos no artigo 288º, mas que estão previstos nos
tratados
3. Atos em sentido estrito: os que não têm qualquer previsão mas que resultam da
pratica institucional
o Ex: cartas administrativas, orientações, códigos de conduta
• Embora não previstos no tratados, este são o seu fundamento —
têm sempre de respeitar o principio da competência por atribuição
• Têm sempre de ter por base alguma norma que confira
competência à UE para que o decisor da UE possa adotar um ato
nesse âmbito
• Embora exista uma abertura, os tratados têm de ser o seu
fundamento
4. Regulamentos
O regulamento tem três características:
• Geral: impõem-se a todos aqueles que possam ser considerados como visados,
seja no presente seja no futuro, pela estatuição normativa, ou seja, UE, instituições
da UE, estados-membros, indivíduos, órgãos, empresas sujeitas à jurisdição da
UE
o Se o regulamento de carácter técnico, económico e social visar empresas
facilmente identificáveis, coloca-se a questão se ainda temos a presença
deste caracter geral (ou seja, se tivermos um regulamento puder ser
aplicável a um determinado nível de características técnicas, económicas
e sociais que façam com que seja facilmente as empresas ao qual ele se
aplica)
• Ele mantém o carácter geral desde que as normas estabelecidas
sejam igualmente aplicáveis a qualquer outra empresa no futuro
que venha a preencher as condições proferidas no regulamento
• O facto de atualmente ser apenas aplicável a uma empresa pelas
características técnicas, sociais e económicas que o regulamento
impõe, não deixa de ter caracter geral se puder se aplicada a outra
entidade que tenha as mesmas características
• Obrigatório: permite às instituições da UE impor autonomamente prescindir da
participação das instituições nacionais a observância do ato
• Diretamente aplicável: não necessita de um ato de transposição, vigorando na
ordem jurídica interna a partir do momento em que vigora na ordem jurídica
internacional , ou seja nos termos do artigo 297º — não é necessária a colaboração
dos órgãos estatais
o Existe um órgão do tribunal de justiça que considerou que a prática que a
Itália teve de querer escrever os regulamentos é contrário a este requisito
da aplicabilidade direita -- no fundo não se alterava nada nas existia uma
transcrição da mesma, sendo entendido como um ato de regulamento;
como os regulamentos são diretamente aplicáveis, eles não carecem de
transposição e o TJ condenou a Itália no sentido de que não poderia
proceder a estra transcrição.
Diferença entre ser aplicabilidade direta e a aplicabilidade imediata:
Nem sempre um regulamento é imediatamente aplicável — as suas normas podem não
ser exequíveis por si mesmas, e as entidades competentes têm de adotar medidas
complementares.
Essas medidas complementares ou são tomadas pelas instituições ou a nível
nacional estados membros.
• Pelas instituições podem ser adotados atos delegados ou atos de execução (290º e
291º TFUE)
• A nível nacional, o estado pode ter que aprovar portarias para definir
determinados serviços; pode ter que criar serviços para responder às exigências
do regulamento- o facto de vincular diretamente os estados membros não significa
sempre que seja imediatamente aplicável, podendo ser necessária uma adaptação,
seja a nível europeu, seja a nível nacional
Aplicabilidade direta: atribuição dos regulamentos, tendo sempre
VS
Aplicabilidade imediata: nem sempre os regulamentos têm, nomeadamente porque
carecem da adoção de medidas complementares.
Caracterizando o regulamento num só palavra podíamos dizer uniformação: eles
uniformizam o direito, já que nessa matéria o direito passa a ser igual em todos os estados
membros
5. Diretivas
Artigo 288º 3º parágrafo
Fixa os destinatários (são os poderes de autoridade) e fixam o resultado comum que
pretende alcançar, deixando ao dispor dos estados membros os meios que pretende
alcançar
Perante o regulamento é muito mais flexível = faz com que seja mais adaptado — isso
permite aos estados membros atender aos particularismos nacionais
A diretiva pretende uma harmonização do direito — o resultado a alcançar será o mesmo,
mas os meios par alcançar esse resultado e a forma como o mesmo é alcançado pode ser
diferente, o que permite uma maior flexibilidade
6. Decisão
Ato vinculativo, individual e concreto
Comparando com um ato do direito seria com o ato administrativo
7. Recomendações e pareceres
Recomendações são concedidas por iniciativa das próprias instituições
Os pareceres são solicitados
Têm em comum o facto de não serem vinculativos
DIREITO INTERNACIONAL:
1. Acordos internacionais celebrados pela EU - art 218 , porque a união pode
devido a sua P.J
• Pode ser sobre matérias que relevem da sua estrutura exclusiva ou partilhada
(art. 2o, nos 1 e 2, TUE)
• são obrigatórios para as instituições da União
• são obrigatórios para os estados-membros (art. 216o/2, TFUE) - adotando
todas as medidas necessárias à sua plena e eficaz aplicação na ordem jurídica
interna.
• TJUE pode intervir
2. Acordos internacionais celebrados pelos Estados-membros
O direito dos EM é Autónomo e o DUE é autónomo dos EM - assim os estados
membros possui o direito de celebrar tratados
• Art 351 TFUE, diz-nos que, os acordos celebrados pelos estados membros não
prejudicam a sua vigencia com a adesão à união, caso tais acordos tenham
acontecido antes dessa adesão, porem, se forem incompativeis teraõ de ser
eliminadas
• Os acordos celebrados em momento posterior à adesão, aplica-se o princípio do
primado e os seus corolários: um Estado-membro não deve celebrar um acordo
sobre matéria que integra o perímetro de atuação da UE e que viole princípios e
regras de direito substantivo da UE.
• Se o fizer, fica sujeito à instauração de uma ação por incumprimento (art.
258o TFUE), com a eventual aplicação de sanções pecuniárias se
mantiver o acordo em vigor (art. 260o TFUE)
• E se lesar direitos dos particulares - art 263 TFUE
3. Acordos mistos
Envolvem a celebração de um acordo internacional com um país terceiro ou
organização internacional por decisão paralela e autónoma da União e dos
estados- membros
No acordo misto, União e estados-membros (todos os que o celebram) são partes
contratantes e respondem na exata medida dos direitos e deveres assumidos perante
as demais partes contratantes. A opção pelo acordo misto em vez de um acordo
celebrado unicamente pela UE impõe-se nos casos em que a matéria a regular se
alarga por domínios que são já competência da UE, mas, em relação a certos
aspetos, relevam ainda da esfera própria de competência de vinculação internacional
dos estados-membros.
JURISPRUDENCIA DO TJ E PROCEDENTE ATIPICO:
• O tratado não prevê a jurisprudência do TJ como fonte de direito
• Nas décadas de 60, foi o TJ que durante 30 anos atualizou através da sua
jurisprudência os tratados, dando uma ideia de europa já que não havia essa
renovação, apenas aconteceu com o ato único europeu
• Isto traduz-se num ativismo judicial, uma vez que o Juiz do TJ porque ao juiz cabe
interpretar a norma, nos limites que resultam da sua letra, e esta tentação de
interpretação que cria jurosprudencia leva-o a querer tomar o papel de legislador
e ai alterar a norma existente ou criar uma nova norma
• Assim a jurisprudência do TJ é vinculativa e obrigatória a todos os estados
membros e ainda a todos os tribunais nacionais, orgãos e organismos
• Para além disso a jurisprudência do TJ efetua o procedente atípico, uma vez que
a sua jurisprudência é vinculativa para o caso concreyo mas também para o futuro,
todavia é visto como atípico, porque efetivamente entre o TJUE e os tribunais
nacionais apesar de haver uma vinculatividade da sua jurisprudência não há uma
hierarquia entre eles, mas sim uma separação e repartição de poderes
PRINCIPIOS GERAIS DE DIREITO:
• São através os quais a união se rege
• A relevância conformadora dos princípios gerais de Direito na ordem jurídica
eurocomunitária, que é de grau máximo, constitui um dos principais contributos
da construção jurisprudencial.
• Estes principios estão ao mesmo patamar dos principios inerentes às constituições
princípio da competência por atribuição, princípio da subsidiariedade, princípio
da proporcionalidade, princípio do respeito pela identidade nacional dos EM.
COSTUME: ART 340º PARAGRAFO 2 TFUE
• Quase não há referencia ao costume:
• Porque o DUE se rege por aprovação de atos legislativos, havendo uma
exaustividsde que é marcada pelo direito escrito não dando espaço para
algo ser esquecido, preenche-se todos os espaços juridicamente relevantes
• Porque há um controlo jurisdicional principalmente pelo TJUE que não da
espaço há criação de costume
DIREITO NACIONAL COMO DUE – PRINCÍPIO DO
PRIMADO
Como as várias ordens jurídicas dos em compatibilizam com a ordem jurídica
eurocumunitária
Qual é o maior objetivo da articulação entre estes?
É a garantia de efetividade das normas europeias e portanto em principio deste
objetivo que gera uma aplicação preferente das ordens europeias da ordem jurídica
da união europeia.
Temos no âmbito do DUE uma autonomia, é essencial - e essa é recíproca ou seja o direito
dos EM é Autónomo e o DUE é autónomo dos EM.
Diferente é o direito dos estados federados
Se há uma reciproca autonomia, a relação que se estabelece não é de esmagamento mas
sim de reconhecimento de autonomia em variados campos - autonomia processual,
institucional, constitucional
Dentro deste quadro foram surgimento princípios reconhecidos pelo TJ da União
em que o TJ garante a eficácia plena das normas europeias.
O mais importante é: este princípio da ordem jurídica da união – PRINCIPIO DO
PRIMADO - é fundamental desta ordem jurídica que garante a prevalência da norma
jurídica europeia numa situação de conflito com a norma interna
Apesar de não estar consagrada, ainda que tenha estado consagrado no art 6º
- estava consagrada na constituição europeia, mas isso assustou os EM - e
portanto é uma construção jurisprudencial enquanto um principio geral de
direito, com uma mera declaração de interesses na Declaração n17º
Embora isto, alguns autores entendem que esse primado existem em vários
artigos:
• Art 4/n3 - cooperação leal
• Art 258º a 260º TFUE - fundamento indireto do primado
• Art 7º TUE - respetivo das sanções políticas
Este princípio garante a prevalência da norma europeia, em conflito com a norma
interna - mas será que é sempre assim?
O principio do primado responde a uma regra de resolução de conflitos entre normas
de DUE e norma internas, mas tem de haver efetivamente um conflito, por isso tem
de haver uma verdadeira contradição, quando é insuscetível de ser ultrapassada
através de interpretação conforme ao DUE
Ex de regras que entram em conflito - os prazos, que não é possível a interpretação
conforme.
Por outro lado para o primado ser aplicável tem de haver um conflito entre a norma DUE
e direito interno, mas tem de ser uma norma de DUE que seja diretamente aplicada
Não basta ser apenas uma contradição, a norma de DUE e interna apenas pode ser alvo
do primado quando a norma de DUE é diretamente aplicável
Por isso há aqui o conceito de aplicabilidade direta da norma de DUE - ou sejas,
pode ser uma norma de um tratado, do regulamento, ou de uma diretiva que
tenha efeito direto
Assim o primado não pode ser aplicado de forma imediata e automática.
O fundamento de aplicação do principio do primado não pressupõe uma hierarquia
entre o DUE e o DI - assim a norma de DUE não prevalece pelo facto de ser
hierarquicamente superior a norma interna
Ela prevalece porque é materialmente competente para regular o caso concreto
e porque os estados permitiram a atribuição de competências à união
A norma DUE tem uma prioridade aplicativa
O facto de existir um exercício do primado corresponde a um exercício legitimo
da união que os estados membros confiaram a parcela de soberania à união
europeia - ao respeitar o principio do primado, não estão mais do que a respeitar o
principio do pacta sun servanda
A consequência de aplicar o principio do primado, é uma consequência de
inaplicabilidade e não de invalidade - ou seja a norma interna quando se aplica o
principio do primado, é neutralizada na sua eficácia reguladora mas não é afetada na sua
validade, ou seja, a norma de direito interno que era contrária ao DUE é desaplicada.
O principio do primado não interfere com a validade da norma interna que foi
afastada pela norma europeia, isto é um fundamento que permite afastar a união de
um sistema federal, pelo que consequentemente, se não é uma questão de invalidade
e sim de inaplicabilidade, a competência para desaplicar a norma interna é dos
tribunais nacionais dos EM
Limites ao princípio do primado:
• Nos primeiros acórdãos, num primeiro momento o TJ atribuiu a este principio um
valor absoluto, sempre que houvesse conflito automaticamente o TJ entendia que
prevalecia a norma de DUE - isto fazia com que fosse inevitavel suscitar a questão
de incompatibilidades da norma do DUE com normas previstas nas constituições
dos EM - isto foi suscitado por exemplo do caso costa y enel.
Os limites são:
1. Competência da EU:
a. Só se pode aplicar o primado quando estamos o âmbito da união europeia
2. Princípios materiais estruturante da ordem constitucional dos EM nomeadamente
o seu núcleo essencial onde se inserem os direitos fundamentais (art 6 TUE)
a. As constituições são as fontes da atuação da DUE, mas funcionam como
limite como tendo efeito limitados porque a união não pode ultrapassar
estes princípios estruturante dos estado membros quando aplica o primado
CASO COSTA E ENEL - 1964
O governo italiano entendia que o pedido era inadmissível porque o TC estava
obrigado a aplicar uma norma interna
O TJ decidiu então o que para a materialização do principio do primado:
• Entendeu que a eficácia do DUE não pode variar de um EM para outro em função
de legislação interna posterior sem provocar uma discriminação
• As obrigações assumidas nos tratados não seriam absolutas mas apenas eventuais
se pudessem ser postas em causa por posteriores atos legislativos dos EM
• O TJ entendeu que p primado do DUE não teria qualquer significado se um Em
pudesse unilateralmente anular os seus efeitos através de um ato legislativo
interno que fizesse frente ou desafiasse os textos de DUE
Nesta construção temos a legislação interna posterior não pode por em causa o que resulta
dos tratados e que é uma obrigação dos EM que possa levar a uma discriminação dos EM.
Deste acórdão resulta uma aplicação quase sem limites do principio do primado da
união europeia
Temos aqui neste caso a questão de o TJ ter defendido o DUE se os EM poderão alterar
as suas obrigações ou seja o pacta sum servanda colocam em causa o primado como
colocam em causa eficácia jurídica da união
Temos assim uma aplicação muito abrangente do próprio principio da união
RELAÇÃO JURIDICA ENTRE AS ORDENS DOS ESTADOS
MEMBROS E ORDEM DA EU
CASO SIMMENTHAL:
9 de março de 1978 tínhamos em causa uma questão prejudicial sobre o alcance do
primado e da aplicabilidade direita
Duas ideias essenciais, que tem a ver com o que o tribunal entendeu como efeitos:
• Entendeu que por força do princípio do primado, as disposições dos tratados e os
atos diretamente aplicáveis têm dois tipos de efeitos na relação entre o DUE e o
direito nacional:
o Têm como efeito tornar inaplicável qualquer norma de direito nacional
que seja contrária a uma norma de DUE em vigor.
o O facto de o principio do primado tem também como efeito impedir a
formação válida de novas normas de direito interno contrárias ao DUE
porque seriam incompatíveis com o DUE.
• Torna inaplicáveis as normas de direito interno incompatíveis com
as normas de DUE, bem como impede a validade de novas normas
de direito interno que seriam contrárias = seria uma forma de se
chegar ao mesmo objetivo do que seria aplicável ao EM e
contrariando o DUE se os estados pudessem criar novas normas
• Impede-se a aplicação de normas já existentes que fossem
contrárias, bem como a criação de novas normas que sejam
contrárias
• O tribunal realçou que o juiz nacional tem o dever de aplicar integralmente o DUE
O aplicador de tudo o que sai da UE é o juiz nacional - logo a UE é como uma criação
criativa, tendo uma materialização do DUE enquanto processos de formação normativa,
mas quem aplica tudo aquilo que resulta do DUE são os próprios órgãos internos e no
limite são os juízes nacionais = ele é um verdadeiro aplicador do DUE
CASO ASOCIATIA:
18 de maio de 2021
Tínhamos uma questão prejudicial em que temos duas ideias essenciais:
• O tribunal entendeu que, por força do principio do primado do DUE, o facto de
um EM invocar exposições de direito nacional, ainda que de ordem constitucional,
não pode prejudicar a unidade e a eficácia do DUE
o Quase que uma primeira contradição com o próprio primado
constitucional
• O princípio do primado do DUE obriga o juiz nacional a não aplicar disposições
de direito nacional, que sejam contrárias ao DUE, mas refere expressamente que
é independentemente de serem ordem legislativa ou constitucional
o Salvaguarda-se o núcleo essencial da legislação fundamental dos estados
Aqui houve uma manifestação do princípio do primado e de uma quase irrelevância da
legislação constitucional dentre de determinadas balizas que o tribunal já deve ter em
conta
Essas balizas foram muito evidenciadas pelo tribunal constitucional alemão
Tem tido um grande dialogo com o TJ quanto à consagração, manifestação e
aos limites do próprio principio do primado
Acórdão do tribunal constitucional português que faz referencia a dois casos
do tribunal constitucional alemão que foram muito importantes para balizar o
primado constitucional e que permite perceber como é que o princípio do
primado pode ser limitado e não ter caracter absoluto como inicialmente tinha
Há dois casos de direito alemão (Solange I e II)
SOLANGE I - 1964
O tribunal constitucional alemão entendeu, a propósito de direitos fundamentais,
enquanto o DUE não garantisse um nível de proteção dos direitos fundamentais
equivalente ao nível garantido pela lei fundamental, não se poderia aceitar uma projeção
do princípio do primado em termos absolutos
Isto significa que, no fundo, pela proteção dos direitos fundamentais da EU começou por
não ser uma grande prioridade
Como o grande objetivo inicial da EU era a integração a nível económica, os direitos
fundamentais não eram vistos como importantes
Indiretamente, poderia haver alguma proteção mas não pelo facto de aquele
individuo ser um ser humano e por isso ter direitos fundamentais, mas por ser
um agente económico, daí ter alguns direitos
Todos os direitos que começam por existir, têm por base a proteção de
um ente que é um ente enquanto agente económico.
Não era uma propriedade em termos iniciais para a EU, apesar de haver algumas
referencias (como a declaração Schuman) que já podia evidenciar de alguma
proteção dos direitos fundamentais, os tratados institutivos não contemplavam os
direitos fundamentais - não existia uma adesão a instrumentos europeus que
consagrasse esta proteção
A proteção dos direitos fundamentais não era elevada, ao contrário do que
ocorria na legislação dos EM - já que existia o conselho da europa que visava
a proteção dos direitos fundamentais
Os EM, nas suas constituições tinham uma proteção mais elevada dos direitos
fundamentais do que a UE
O primado veio dizer que, entre uma norma de direitos fundamentais que dê uma proteção
maior a determinados direitos que é contrário à do DUE, vai prevalecer a do DUE = isto
significava que, a norma que era mais protetora dos direitos fundamentais, se fosse uma
norma interna consequentemente o principio do primado faria com que se prevalecesse a
norma que iria proteger menos os particular
O caso de Solange I veio dizer que, enquanto o DUE não garantisse o nível de proteção
equivalente ao nível de proteção garantido nas leis fundamentais dos estados, então não
podia haver uma prevalência absoluta do principio do primado
Este caso veio reforçar a ideia de que, para haver o principio do primado absoluto, a UE
teria de garantir da mesma forma os direitos fundamentais como ocorria nos direitos
nacional.
SOLANGE II
O tribunal veio reconhecer uma evolução favorável ao DUE, porque 1964 e 1966 (entre
estes casos de Solange I e II), existiu toda uma evolução jurisprudencial que veio
consolidar estes direitos fundamentais no âmbito da UE
Neste caso Solange II, o tribunal constitucional alemão veio evidenciar a evolução
favorável do DUE em que se reconhece que, das decisões do TJ, ou seja das decisões
jurisprudenciais, verifica-se um nível de proteção dos direitos fundamentais muito
semelhante ao nível de proteção resultante da lei fundamental alemã
Estes dois acórdãos permitiu que o tribunal constitucional alemão veio alertar a UE para
o facto de que o princípio do primado não podia ser aplicado de forma absoluta , sendo
necessário a existência de garantias, nomeadamente quanto aos direitos
fundamentais para que o princípio do primado pudesse ser aplicado nesses domínios,
sem haver um prejuízo dos direitos dos particulares.
LIMITES QUANTO À QUESTÃO DO PRINCÍPIO DO
PRIMADO:
• competências: os EM podem retirar competências à UE e nesse contexto a UE não
tem primado
• Identidade constitucional dos estados membros -- o princípio do primado não
pode ser aplicado -- pode-se discutir o que integra a identidade constitucional -
neste caso, os direitos fundamentais foram um dos casos
EFEITO DIRETO/EFICÁCIA DIRETA:
É a suscetibilidade de uma norma ser invocado pelo particular junto dos tribunais
europeus no âmbito de um litigio que os envolva - quando se fala dos tribunais europeus
estamos a falar não só dos da união europeia mas também dos nacionais, uma vez que os
juízes nacionais são os principais ditadores da união europeia - os tribunais nacionais são
também, tribunais europeus
Este efeito traduz-se:
• Na aplicação direta das normas comunitárias nas ordens jurídicas dos EM
enquanto correspondente a uma obrigação que recai sobre as entidades nacionais
• Traduz-se no reconhecimento aos particulares de direitos subjetivos suscetíveis
de invocação junto dos tribunais nacionais
• Para os tribunais nacionais traduz-se numa obrigação de garantir o exercício dos
direitos individuais, ou seja, o efeito direto corresponde a uma manifestação do
principio da aplicação imediata dos direitos liberdades e garantias previstos no art
18º n1 CRP.
Significa isto que o efeito direto cria obrigações na ordem jurídica dos EM,
para todos.
Cria obrigações para as entidades nacionais de cumprirem o que resulta de
poder ser suscetível invocado pelos particulares.
Cria obrigações para os tribunais de garantir o exercido de direito dos
particulares
E cria para os particulares direitos subjetivos.
Temos vários tipos de efeito direto:
• Efeito direto vertical e horizontal
• Efeito direto pleno ou limitado - esta relacionado com questão de existir sempre
esta aplicabilidade direta
Os instrumentos com efeito direto pleno, e por isso tem sempre efeito direto:
• Regulamentos e as normas dos tratados - significa que a norma europeia é fonte
direta de direitos e obrigações para os particulares, ou seja, uma norma que esta
num tratado ou regulamento é aplicado diretamente aos particulares.
Ato de direito derivado com efeito limitado:
• diretivas - as diretivas tem um efeito direto limitado porque a norma europeia
apena cria direitos subjetivos, não cria objetivações, e não é fonte autónoma de
deveres para os particulares, e consequentemente não se aplicando ao nivel
horizontal
Nível vertical:
• Relação entre particulares e poderes públicos. Mas é uma relação reciproca ou
apenas de um ato?
O efeito direto vertical é apenas vertical ascendente, significa que no fundo é
nas relações entre os particulares e os poderes públicos, ou seja, aplicável
apenas de forma ascendente , e quando falamos num efeito direto ascendente,
falamos na aplicabilidade a qualquer entidade que se enquadre no conceito
amplo de estado - ex: ANACOM - para efeito da jurisprudência entra para
efeitos deste efeito vertical.
Desde logo os pressupostos desenvolvidos, foram no acordo Marshall do
TJUE em que se entendeu que as diretivas - quando não há efeito direto
pleno - tem de ter determinados pressupostos para que possa ter este efeito
direto vertical.
Pressupostos para que uma diretiva tenha um efeito direto vertical:
Dois tipos:
1. relativamente as normas:
• Clara - contraria a norma ter um sentido dúbio porque pode ter mais do
que uma interpretação
• Precisa - não exige medidas complementares ao nível nacional ou
europeu
• Incondicional - não pode ter exceções ou condições
2. Pressupostos relativamente ao prazo:
• Decorrência do prazo de transposição
Quando estão preenchidos estes dois tipos de pressupostos é que uma norma de uma
diretiva pode ser aplicada com este efeito direto vertical
Efeito direto horizontal:
Traduz-se na possibilidade de um particular invocar normas de uma diretiva contra o
outro particular.
A jurisprudência do TJ, rejeita este efeito direto horizontal nas diretivas.
Por isso a solução que tem sido criada pelo TJ é a interpretação conforme ao DUE, ou
seja sem caso de litigio não pode invocar a norma de uma diretiva contra outro particular
e por isso é através da interpretação conforme que se resolve este litígio
Esta interpretação ocorre quando há margem de ambiguidade interpretativa, por
exemplo em caso de conceitos indeterminados.
NO QUE SE TRADUZ O DIREITO DO PRIMADO E O SEU
EFEITO DIRETO PARA OS JUÍZES NACIONAIS E
INTERPRETES DA LEI?
Há um dever de interpretar a lei nacional de acordo com o DUE, em concreto de acordo
com a diretiva.
Embora que no caso das diretivas as normas que emanam destes instrumentos não possam
ser invocados entre particulares , o juiz nacional devem no fundo interpretar as normas
da lei nacional que sejam contrarias a diretiva através de uma interpretação conforme ao
DUE quando há ambiguidade interpretativa.
Isto corresponde a umas forma de não atuar o efeito direto horizontal nas diretivas.
COMO É QUE O PRINCÍPIO DA COOPERAÇÃO LEAL TEM
UMA MANIFESTAÇÃO DIRETA NO EFEITO DIRETO EM
RESPETIVO A DECORRÊNCIA DO PRAXO DAS DIRETIVAS
- ART 4N3º TFUE:
Durante o prazo de transposição os estados membros devem abster-se de adotar
disposições suscetíveis de comprometer o resultado da diretiva.
Portanto um caso pratico em que um estado membro tenha adotado uma lei nacional
que é patentemente contraria ao objetivo de uma diretiva e o prazo de transposição
ainda não passou, ou seja, o estado não está ainda vinculado aquela obrigação de
resultado .
Mas num período de 3 meses de transposição, o estado podia adotar uma legislação
que pusesse em causa essa finalidade? Imagine-se que há uma diretiva que pretende
diminuir a questão dos combustíveis fosseis, será que os estados membros podem
adotar legislação contraria a essa finalidade?
Não, ainda que não esteja formalmente vinculado, o principio da cooperação leal
impede que os estados membros possam por em causa o resultado das diretivas.
• Se os estados membros adotarem, a regente entende que por um lado os estados
podem exigir aos tribunais a desaplicação daquela norma.
• Por outro o estado pode ter uma responsabilidade que possa gerar indemnização
pela violação do principio da confiança. Existe já jurisprudência do TJ pela
indemnização da violação do principio da confiança, uma vez que no fundo o
resultado continua a ser comum e é previsível de vir a acontecer e por isso existe
uma obrigação de não prejudicar esse resultado.
O QUE ACONTECE SE UM ESTADO MEMBRO NÃO
TRANSPÕE?
Imagine-se que tem um prazo de transposição de 3 meses e passam mais do que 6 meses.
E um particular é lesado pela ausência dessa transposição?.
Aplica-se o principio da responsabilidade civil extracontratual dos estados membros
e por isso os estados que não transpõe diretivas devem ser responsabilizados pelos
danos patrimoniais e existe já a jurisprudência do acórdão seda do TJUE, onde a
falta de transposição quando possa lesar o particular leva a uma responsabilidade e
consequentemente uma indemnização destes estados membros.
PRIMADO SUPRACONSTITUCIONAL:
• A nossa CRP tem característica de ser aberta e cosmopolita
• É mediante o art 8n4 CRP, onde esta previsto o primado, há uma receção plena as
normas comunitárias
• Este art Sem referir a palavra primado na verdade consagra essa ideia da aplicação
interna – prevalecente – das normas eurocomunitarias
• No entanto há sempre a ressalva de que não pode existir o primado, quando estiver
em causa a identidade constitucional dos direitos fundamentais ou direitos
democráticos portugueses - ai há um travão do primado
• Neste sentido, por esta lógica pode haver primado, e aplicar-se normas
comunitárias que são inconstitucionais na visão da CRP portuguesa - havendo
exceções ao 204 e 267º CRP - so não há esta aplicação interna, esta aplicabilidade
direta
• Quanto as barreiras quando se fala de direitos fundamentais, falamos em
situaçoes onde para a regente se deve ter em conta - eparação de poderes,
a estrutura organizativa fundamental do estado português e os direitos
fundamentais, por exemplo, no sentido de não permitir de não legitimar a
aplicação interna de normas Eurocomunitárias que envolvam uma garantia
menos favorável de determinados direitos daquela que esta enunciada na
CRP. Numa situação de conflito entre norma constitucional de direitos
fundamentais e norma de DUE sobre esse direito em concreto, tem de
prevalecer a norma constitucional porque consagra uma garantia de valor
mais favorável e elevado.
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA UNIÃO EUROPEIA
• Instituição nos termos do art 13 TUE
• Art 19º n1 - é composto por dois tribunais - TJ e TG
• Art 251 e art 281 TFUE
Enquadramento detalhado:
• Questão de que este surge como instituição no art 13 TUE
• É composto pelos tribunais de justiça e tribunal geral - art 19 TUE - ainda que
preveja a existências de tribunais especializados (mas não estão em
funcionamento deste o tribunal da função publica em 2015)
• O TJ é composto por um juiz de cada estado membro assistido por advogados
gerais e o tribunal geral é composto por pelo menos um juiz de cada estado
membro
• A função dos juízes dos estados membros não é representar os estados membros
respetivos, mas é muito importante enquanto representante de um sistema jurídico
na conceção de dar a conhecer ou de permitir a identificação dos princípios gerais
comuns aos estados membros, porque são fundamento de decisão jurisdicional
nos termos do art 340 TFUE.
1. Como temos a repartição de competências entre os dois tribunais?
o Resulta ou dos tratados - art 256 TFUE
o Ou do estatuto do TJUE
o Sendo que as competências ditas estão no art 19 n3 TUE
2. Quanto à natureza da jurisdição:
o É de duplo grau: significa que o TJ funciona como instancia de recurso
por um lado, e por outro como tribunal de competência exclusiva sobre
matérias ou litígios mais importantes.
o É exclusiva: o facto disto resulta do art 344º TFUE, que exclui o recurso a
tribunais internacionais ou tribunais arbitrais como alternativa ao tribunal
de justiça
o E de ultima instancia: significa que os acórdãos e despachos do TJ são
definitivos e não são passiveis de recurso, exceto nos casos de recurso
extraordinário a decidir por formação do TJ sobre a forma de reapreciação.
3. Mecanismos processuais: 5 principais vias processuais
1. Reenvio prejudicial: art 267 TFUE
a. Significa que para garantir uma aplicação garantida e homogenia da
legislação da união e evitar qualquer interpretação divergente os juízes
nacionais, podem e algumas vezes devem dirigir-se ao TJ afim de lhe pedir
que esclareça um ponto de interpretação do DUE para poderem por
exemplo para verificar a conformidade da respetiva legislação nacional
com este direito.
b. O pedido de decisão prejudicial pode também ter como finalidade a
fiscalização da legalidade de um ato de DUE
c. O TJ responde não através de um simples parecer, mas mediante um
acórdão ou despacho fundamental
d. O TJ nacional destinatário fica vinculado pela interpretação
e. O acórdão do TJ vincula também outros órgãos jurisdicionais nacionais a
que seja submetido um problema idêntico
i. O Acórdão da associação sindical relativamente ao estado
português relativamente a este reenvio prejudicial - 27 de fevereiro
de 2018.
ii. Estavam em causa medidas de redução temporária do montante de
remuneração do setor publico tendo em conta determinados
imperativos ligados ao défice orçamental excessivo do estado
português e de um programa da união.
iii. Nesse acórdão temos um mecanismo do reenvio prejudicial do art
267, sendo que é um mecanismo que em se verifica um espirito de
Cooperação, e por outro lado tem sido visto como um mecanismo
de dialogo entre os tribunais nacionais e o TJ e tem sido
desenvolvidos alguns requisitos para aferir o órgão jurisdicional.
iv. Temos um órgãos jurisdicional quando, através do mecanismo do
reenvio prejudicial? - temos de ter em conta 6 requisitos:
1. A origem legal do órgão
2. A sua permanência
3. O caracter vinculativo da sua jurisdição
4. A natureza contraditória do seu processo
5. A aplicação de regras de direito
6. A sua independência
f. O reenvio prejudicial pode ser feito a qualquer momento do processo levando
apenas a suspensão da instancia perante o tribunal nacional.
i. Pode então o juiz nacional dizer que não pode proceder ao reenvio
prejudicial por estar eminente a decisão naquele tribunal ? Não, pode ser
feito a qualquer momento, leva é a suspensão daquela instancia no tribunal
nacional.
g. Quem pode proceder a este reenvio? O juiz nacional, significado que não compete
as partes em litigio proceder a esse reenvio prejudicial embora estas possam
propor que seja feito esse reenvio, mas em ultima analise quem vai decidir e
avaliar essa necessidade é sempre o juiz nacional = é o órgão de reenvio e
jurisdicional tendo em conta os requisitos acima mencionados.
i. Qual é o alcance do reenvio prejudicial?
Pode servir tanto para a interpretação de uma norma de direito da união
europeia, como para a apreciação da validade de atos de direito derivado.
Significa isto, que pode o juiz nacional pretender ver esclarecida a
interpretação de uma norma da união e esta em caso de interpretação pode ser
uma noma de um tratado ou de atos de direito derivado - pode querer saber
como se interpreta uma norma de um tratado ou de ato derivado.
No entanto, para a apreciação da validade apenas pode ser aferida esta
apreciação de validade de atos de direito derivado, significa que não se pode
pedir a apreciação de validade de normas que estejam nos tratados a titulo
interpretativo e não a titulo de validade.
Porque? Os tratados vinculam os estados membros portanto estes já
estão subordinados assim como a união a estes tratados, e por isso não
esta no seu dispor apreciar a sua validade, portanto as normas dos
tratados são normas constitutivas que se impõem ao tribunal de justiça e
aos estados membros.
• Por isso o juiz nacional pode querer saber como se interpreta uma norma de
tratado oi norma de qualquer ato da união europeia, no entanto, em termos de
apreciação da validade apenas podem ser atos de direito derivado e não de atos de
direito originário destes tratados porque já vinculam a vontade dos estados
membros.
J. Este mecanismo não obrigatório?
Diferença entre os parágrafos 2 e 3 do art 267
2 paragrafo - menção a quando pode
3 paragrafo - expressão de que é obrigado
Significa que neste 3 paragrafo existe essa obrigação, no entanto o TJ tem
utilizado o critério funcional para interpretar este 3 paragrafo. Isto significa
que não tem apenas em conta os tribunais superiores, ou seja, que proferem
decisões definitivas, mas qualquer tribunal em que das suas decisões não caiba
recurso.
• Significa para a pergunta de ser obrigatório, é sempre obrigatório quando das suas
decisões, de determinado tribunal não caiba recurso - nestes casos o juiz nacional
esta obrigado a recorrer ao reenvio prejudicial.
H. A decisão proferida pelo TJ é vinculativa para o juiz nacional , no fundo é uma
decisão que vincula todos os juízes nacionais.
I. É um mecanismo de diálogo e de jurisprudência entre os tribunais nacionais
0. Ação por incumprimento:
Base legal: art 258 a 260 TFUE
• Esta ação permite ao TJ fiscalizar o cumprimento pelos estados membros das
obrigações que lhe cabe, por força do DUE
• O recurso ao TJ é procedido de um procedimento prévio desencadeado pela
comissão e que consubstancia em dar ao estado membro a oportunidade de
responder a imputações que são feitas
• Se esse procedimento não levar o EM a por termo ao incumprimento pode ser
intentada uma ação por violação do DUE no TJ - essa ação pode ser intentada pela
comissão ou por um EM - o caso mais frequente é ser pela comissão.
• Se o TJ declarar o incumprimento, se durante a ação se verificar esse
incumprimento, o EM tem de por termo a esse incumprimento
• Se após a propositura de uma nova ação pela comissão o TJ declarar que o EM
não deu cumprimento ao seu acórdão pode condena-lo no pagamento de um
montante fixo ou de uma sanção pecuniária compulsória. Sendo que no caso de
não comunicação das medidas de transposição de uma diretiva à comissão o TJ
pode sobre proposta da comissão aplicar uma sanção pecuniária ao estado
membro logo na fase do primeiro acórdão de incumprimento.
1. Recurso de anulação:
Base legal: art 263º TFUE
• O que se pede através deste tipo de recurso: o recorrente pede a anulação de um
ato de uma instituição de um órgão ou de um organismo da EU, ou seja, d um
regulamento, diretiva ou decisão.
• Diferenciação do TJ e TG:
• TRIBUNAL DE JUSTIÇA: Recursos interpostos por um EM contra o
parlamento europeu e ou o conselho exceto no caso de algumas matérias
especificas como de auxilio de estado e de competências de execução. Para
alem destes é também da competência do TJ os recursos interpostos por
uma instituição da união, de um ato de outra instituição
• TRIUNAL GERAL: Isto significa que o TG é competente para reconhecer
em primeira instância de todos os outros tipos de recursos de anulação
designadamente dos interpostos pelos particulares
2. Ação por omissão:
Base legal: art 265 TFUE
• Permite fiscalizar a legalidade da inação das instituições, órgãos ou organismos
da união.
• Este tipo de ação só poe ser intentado depois da instituição, órgão ou organismo
ter sido convidada a agir, só vamos fiscalizar uma inação depois de convidarmos
essa entidade a agir
• Quando a ilegalidade da ação for declarada compete a instituição, órgão ou
organismo por termo ao incumprimento através de medidas adequadas
• Matérias da competência do TJ e TG é partilhada entre estes dois segundo os
critérios aplicáveis aos recursos de anulação = é a mesma lógica do art 263º TFUE.
3. Recurso de decisões do TG para o TJ
Base legal: art 56 e ss do estatuto do tribunal de justiça da união europeia
• Pode ser interpostos no TJ o recurso limitada a questões de direito no prazo e 2
meses do acórdãos e despachos do tribunal geral
• Se o recurso for admissível e procedente o TJ anula a decisão do TG
• Caso o processo esteja em condições de ser julgado o TJ pode decidir
definitivamente o litigio
• Caso o processo não esteja em condições de ser julgado o TJ deve remeter o
processo ao TG que fica vinculado pela decisão proferida sobre o recurso
PROTEÇÃO DE DIREITOS FUNDAMENTAIS NA UE
A proteção dos direitos fundamentais na europa opera a três níveis diferentes:
• Nível nacional: através das normas e das instituições constitucionais de cada
estado membro salvaguardam os direitos fundamentais
• Nível da UE: temos três fases da jurisprudência do TJ
o Fase inicial de recusa: nesta fase de jurisprudência temos s ideia segundo
a qual o direito interno não prevalecia sobre o direito europeu e portanto,
significava que se existia um primado do direito europeu sobre o direito
interno, esse primado também existia quanto a normas relativas a direitos
fundamentais
o Fase de aceitação: passou a existir a consciência que a transferencia de
soberania para a UE não poderia corresponder a uma diminuição dos
direitos dos particulares, pelo que foi necessário encontrar uma forma de
proteção desses direitos fundamentais, e portanto, deixar que os direitos
fundamentais apenas tivessem valor estadual, para passarem a ter também
valor comunitário ou europeu. Passamos para esta fase com o Acórdão de
12 de novembro de 1969 — o tribunal de justiça aceita a integração dos
direitos fundamentais nos princípios gerais de direito, cujo respeito o TJ
deve assegurar
• O tribunal procurou legitimar autonomamente os direitos
fundamentais— Os direitos fundamentais nesta fase de aceitação
não prevalecem por estarem nas constituições dos estados-
membros, mas por resultarem dos próprios princípios gerais da
EU
o Fase de internacionalização: resulta não só de fontes jurídicas, como
também e fontes não jurídicas
• Fontes jurídicas: princípios comunitários retirados do direito
escrito; tradições constitucionais comuns aos estado membros;
instrumentos relativos a direitos fundamentais que foram
subscritos pelos estados-membros; o próprio direito originário
tiveram alterações
• Fontes não jurídicas: declarações políticas no sentido do
alargamento e do aprofundamento da tutela dos direitos
fundamentais.
• Nível internacional: temos a convenção europeia dos direitos do homem que
também protegem os direitos fundamentais na europa
As alterações introduzidas pelo Tratado de Lisboa em matéria de direitos fundamentais
e, nesse contexto, analisaremos a Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia e
jurisprudência relevante para a compreensão do seu âmbito de aplicação, em especial, os
casos Sigarusa, Pfleger e Melloni, que vos envio, em anexo.
Também a propósito das alterações introduzidas pelo Tratado de Lisboa,
analisaremos o Parecer 2/13, que também vos envio neste e-mail.
PANORAMA DA SOCIEDADE A NIVEL DOS DIREITOS
FUNDAMENTAIS ANTES DO TRATADO DE LISBOA:
• Os direitos fundamentais constituíam uma das bases axiológicas da EU - já faziam
parte dos valores da UE
• Continuava a não existir um catalogo de direitos fundamentais próprio da EU
• A UE não tinha competência para aderir à convenção europeia dos direitos do
homem, reforçado no parecer de 2/94 de 28 de março de 1996
PONTO DE SITUAÇÃO DEPOIS DO TRATADO DE LISBOA:
Temos duas inovações muito importante no quadro dos direitos fundamentais:
• Artigo 6º/1 TUE: equipara o valor jurídico da carta dos direitos fundamentais ao
valor jurídico dos tratados
o Quando equipara o valor jurídico ao valor dos tratados, a doutrina fala aqui
do principio da equiparação: equipara o valor jurídico ao valor jurídico
dos tratados
o Mas este princípio não é absolto: ele tem vários limites - mais
concretamente 3:
• Limites de atribuição de competências: artigo 6º/2 última parte:
são os tratados que regem a repartição de atribuições entre a UE e
os seus estados membros - a carta não pode alterar a repartição de
competências entre a união e os estados membros - apenas os
tratados podem alterar essas competências; embora se estabeleça
no 6º/1 a questão de que existe o principio da equiparação entre a
carta e os tratados, depois refere-se que esse principio tem aqui um
limite quanto à atribuição de competências, sendo as mesmas
unicamente alteradas pelos tratados.
• Limites de interpretação: de o facto de existirem limites
heterógenos e exógenos: existem determinados limites em que no
fundo temos de ter em atenção, não só a interpretação da carta bem
como às anotações à carta - temos limites heterógenos nos artigo
51º a 54º da carta e temos limites exógenos no artigo 52º/7 da carta
que diz respeito às anotações à carta — este artigo 52/7 significa
que, quando o juiz interpreta a carta, tem a possibilidade de dar
maior relevância se assim intender - o juiz tem uma maior margem
interpretação e de relevo daquilo que resulta da própria carta
• Limites de aplicação a certos estados-membros: resulta de
algum estatuto especial que uns estados membros relativamente à
carta (caso da Polónia e do reino unido — o protocolo nº30
confere-lhes um estatuto especial e que clarifica o conteúdo da
carta)
• A doutrina tem entendido que se tem de interpretar protocolo no
sentido em que este se limita a clarificar e determinar este conteúdo
da carta, não alargando nem a competência do tribunal e justiça
nem a dos tribunais internos no que diz respeito aos direitos e
liberdades da carta — Significa que certos direitos não são direta
e imediatamente aplicáveis
• Artigo 6º/2 TUE: atribuiu competência à UE para aderir à convenção europeia dos
direitos do homem
Para se perceber o âmbito de aplicação da carta, é feito tendo em conta o artigo 51º da
carta: ficamos a perceber, com base no mesmo, quando é que a carta se aplica:
O artigo vem dispor que apenas aplicamos a carta quando os destinatários apliquem
o DUE.
Qual é que é o conceito de aplicação de DUE - Ou seja, quais e que têm sido os elementos
que a jurisprudência tem entendido que permitem apreciar a existência de uma medida
nacional de aplicação dos DUE
O que o artigo 51º da carta nos diz é que se aplica a carta quando estamos perante
uma medida nacional de aplicação do DUE
E a jurisprudência tem desenvolvido dois critérios, que resultam de dois
acórdãos:
• Quando o DUE impõem aos estados membros obrigações específicas ou a
situação nacional é abrangida por uma regulamentação específica do DUE — este
primeiro grupo de casos foi desenvolvido no acórdão Siragura de 6 de março de
2014 = O TJ entendeu que:
o O conceito de aplicação do DUE exige um certo grau de conexão entre as
matérias
o Tem de se averiguar se a disposição da carta dos direitos fundamentais
impõem alguma obrigação aos estados membros
o Tem de se averiguar se os objetivos pretendidos por essa norma da carta e
a regulamentação nacional em causa prosseguem os mesmos objetivos
• Verificados estes requisitos, nos temos o âmbito de aplicação do
artigo 51º para se poder utilizar a norma da carta
• Quando se verifique um entrave ou restrição a um direito da EU ou privação da
sua fruição efetiva
o Este critério foi desenvolvido no acórdão Pfleger de 30 de abril de 2014 =
aqui entendeu-se que, se uma regulamentação nacional é suscetível de
entravar o exercício de liberdades fundamentais garantidas pelo DUE, a
questão de averiguar a conformidade da regulamentação com o DUE já
corresponde a uma aplicação do DUE
• Ex: temos uma determinada regulamentação nacional. No fundo
aquela legislação nacional está a por em causa direitos e liberdades
garantidas pelo DUE- só esta operação mentar para perceber se
existe alguma compatibilidade entre aquela norma nacional e a
norma europeia que é garantístico de liberdades fundamentais, já
um fundamento para dizer que estamos a aplicar o DUE =
apreciamos a compatibilidade daquelas normas, logo já estamos a
aplicar o DUE
▪ Se estamos perante um entrave ou uma restrição a um
direito da UE já temos o segundo grupo de casos em que se
aplica o artigo 51º da carta
Artigo 53º da carta:
Nenhuma disposição da carta deve ser interpretada no sentido de restinguir as
liberdades que já são garantidas por outros instrumentos europeus ou internacionais
= no sentido de um princípio de máxima proteção
Caso Melloni que analisou a comparabilidade do DUE com o artigo 53º da carta:
Tínhamos uma questão prejudicial apresentada pelo tribunal constitucional espanhol
(dialogo que se estabelece entre os tribunais nacionais e o TJ) e estava em causa saber:
• Se um estado membro pode recusar um mandato de detenção europeu com o
fundamento no artigo 53º da carta
• Se o estado membro pode recusar o mandato de detenção com fundamento no
artigo 53º por violação dos direitos fundamentais garantidos pela constituição
espanhola
o Saber se ele pode recusar com base no artigo 53º que garante a máxima
proteção, por violação de direitos fundamentais garantidos pela
constituição espanhola
O TJ entendeu que o artigo 53º da carta permite que os órgãos nacionais apliquem os
padrões nacionais de proteção dos direitos fundamentais, desde que essa aplicação não
comprometa o principio do primado da UE
Vimos que, efetivamente tem existido ao longo do tempo uma alteração no que diz
respeito à proteção e garantia dos direitos fundamentais no seio da UE
Era temas inicialmente, ainda que pudesse decorrer de algumas declarações,
como a declaração Schumann, a proteção dos direitos fundamentais não eram
uma prioridade no âmbito do DUE
Tínhamos a questão da proteção dos cidadãos como meros agentes
económicos e pouco mais do que isso = não era protegido pela condição
de ser um ser humano
Ao longo dos tempo foi sendo verificada uma alteração de consciência por parte dos
tribunais e que foi refletida nos próprios tratados = conciliação com a carta dos
direitos fundamentais e até com estas alterações do tratado de lisboa mais recente
que vem acautelar uma maior garantia dos direitos fundamentais
No entanto, apesar disso, ainda verificamos, como vimos no caso Melloni, casos em que
o TJ dá um passo atrás e a recuar nomeadamente quando está em causa o princípio do
primado
O principio do primado continua aqui a fazer fricção entre uma tutela mais garantístico
dos direitos fundamentais, que a UE pretende salvaguardar, já fazendo aqui parte da ideia
de europa, mas a UE continua a ser cautelosa e muitas vezes a ponderar em beneficio do
princípio do primado quando existe um conflito entre este tipo de principio: o principio
da máxima proteção e o princípio do primado
CONVENÇÃO EUROPEIA DOS DIREITOS DO HOMEM
História da adesão da união à CEDH:
Antes do tratado de lisboa, tínhamos opiniões divergentes sobre a competência ou falta
de tal da União para aderir à convenção
Tendo em conta as opiniões divergentes, a presidência belga submeteu a questão ao
TJ:
Havia duvidas se a união podia ou não aderir — por isso vem-se esclarecer essa questão
ao TJ. Isso resultou no parecer do TJ 2/94 de 28 de março de 1996 = primeiro de dois
pareceres quanto a esta matéria
O TJ entendeu que a união não tinha competência para aderir à CEDH porque não havia
base jurídica adequada, uma vez que a adesão não constituía um dos objetivos da UE,
logo a solução implicaria uma revisão dos tratados.
A UE só pode fazer aquilo para o qual existe uma base jurídica = no caso especifico
da UE, para o qual os estados membros a mandataram
A UE não tem vontade própria e não pode exercer uma liberdade no âmbito
da sua autonomia = ela pode atuar nas matérias que os estados membros
concederam competências para isso
Se a UE não tinha como um dos objetivos a adesão à CEDH, consequentemente não
tinha uma base juridica, uma base legal que possibilita-se essa adesão = daí o TJ
dizer que, para poder aderir no futuro, tem de haver uma revisão dos tratados, sendo
que os estados-membros têm de conceder essa base legal à UE -- dizer que a UE
terá competência para aderir
Com o tratado de lisboa, temos a introdução do artigo 6º/2 que diz que a EU adere à
convenção
O artigo consubstancia a base jurídica que o tribunal de justiça em 1996 tinha dito
que não existia
São os estados a dizer que autorização e delegam na URE a possibilidade de
esta aderir à CEDH
No entanto, isso não foi suficiente para resolver o problema
Apensar de já ter a base juridica, veio toda uma questão à volta das condições
de adesão
Ela pode aderir tendo uma base legal para isso, mas quais são as condições para a adesão?
Temos algumas características do processo de adesão:
Quatro condições que pareciam essenciais para a que a adesão pudesse acontecer:
• O âmbito material da adesão é muito restrito : não é uma adesão total - não se
adere à CEDH num todo porque não abrange a adesão a todos os protocolos em
vigor = a UE só adere aos protocolos que os estados-membros já faziam parte
(juntava-se todos os protocolos que os EM faziam parte, não sendo necessário que
todos tivessem aderido ao mesmo, bastando que um deles fizesse parte; os que
não estivessem vinculados aos devidos pressupostos, passariam a estar pelo facto
de a UE passar a estar) - temos um denominador comum: tentar encontrar um
denominador comum entre os vários estados membros de modo a que os estados
não ficassem vinculados extraordinariamente àquilo que inicialmente não tinham
de cumprir = acaba por não acrescentar nada
o Não seria uma adesão total, mas ter de existir um denominador comum
dos protocolos que os estados-membros já cumpriam de qualquer forma
• A adesão não poderia implicar qualquer afetação das competências ou das
atribuições da UE
• Era necessárias alterações técnicas para adotar expressões que se coagulassem
com as especificidades da UE (na convenção haviam várias expressões como
estado, país, território nacional - isto não se aplica à UR, daí a necessidade de
fazer as alterações que adaptassem essas especificidades à UE)
• Preservação das características especificas da EU
Quatro temáticas polémicas:
• Questão da responsabilidade extracontratual da UE por violação da convenção
(artigo 1º/3 e 4 do projeto de acordo)
• Mecanismo de compensabilidade previsto no artigo 3º
• Processo de apreciação prévia - artigo 3º/6 do projeto de acordo
• Matéria relativa às queixas entre as partes
Eram temáticas em que exista uma polémica quanto à sua consagração e até legitimidade
para existir essa concretização
Este foi o levantamento feito pela advogada geral que ficou encarregue por este processo:
ela fez um levantamento das condições que tinham de estar reunidas para que pudesse
existir esta adesão e das matérias particularmente polémicas
Mas entende-se que este levantamento consubstanciou uma critica construtiva pelo
facto de que a advogada na analise do processo se deparou com entraves e alargou
para aspetos que deviam ser clarificados, aditados ou alterados
Ela não propõe por iniciativa própria um parecer negativo = ela faz esta critica construtiva
já que faz o levantamento e faz sugestões de como os mecanismos pudessem ser
ultrapassados, mas não propõem ao TJ que desse um parecer negativo
Este levantamento e as criticas construtivas não foram refletivas no parecer do TJ (O
2/13) e o TJ concedeu novamente um parecer negativo
Este parecer tem 5 efeitos ao nível desta materia de adesão da UE à convenção
Efeito imediato:
• Este parecer inviabilizou a adesão da UE à CEDH
• Teve um grande significado político e jurídico: porque dificultou a procura por
soluções no futuro
o Já havia um parecer negativo nos anos 90 quanto à questão da base juridica
- os estados fazem a revisão dos tratados para colmatar essa questão;
voltamos a ter um parecer negativo com outros fundamentos que faz com
que, ao nível das relações internacionais, porque o que possibilita a UE
aderir à CEDH é a sua personalidade juridica e o facto de poder estabelecer
estas relações internacionais -- mas isto acaba pro desgastar as relações na
medida em que, para cada novo parecer, existe um novo argumento para
dizer que a UE não têm competência para aderir à CEDH = tem significado
igualmente político, que dificulta que no futuro possa arranjar-se outros
fundamentos.
• Este parecer negativo manteve a linha de raciocínio típica de quando o TJ já foi
confrontado, através de convenções internacionais de tribunais com jurisdição
sobre a UE ou sobre os seus estados membros
o Quando TJ é confrontado com a possibilidade de outra jurisdições
poderem exercer jurisdição sobre a UE ou os seus estados membros, o
tribunal justiça tem sido relutante em possibilitar repartir esse monopólio
de competência exclusiva
• O TJ pareceu manter intacta a ordem juridica da UE após a adesão, vendo
inclusive problemas que não existia - equacionou problemas que não existiam
nem era espectável existirem
o O TJ quis dizer que até podiam aderir, mas que não ia alterar nada, tendo
o TJ continuar a ser o responsável pela jurisdição da UE, tem de continuar
tudo igual -- a adesão à CEDH, não so transpõem o leque de direitos
fundamentais, como submete os estados membros e a UE ao controlo do
tribunal que está que está encarregue de fiscalizar a observância que é o
TEDH - só por ai nunca poderia a competência do TJ manter-se
completamente igual = seria um paradoxo dizer que, até podia-se aderir
mas nada alterar (o fundamento é alargar a possibilidade de os particulares
e a UE quererem responderem sobre o maior leque de direito e sobre outra
jurisdição encarregue de defender esses direitos)
• O tribunal revelou desconfiança a dois níveis: quanto à CEDH e ao TEDH (como
se este tribunal ia passar a ter o monopólio de tudo e o TJ passava a ter uma
competência residual) e ainda quanto à forma como todos se iriam comportar
depois da adesão (ficou com receio de perder o monopólio e que todo o paradigma
mudasse a partir daí)
O TJ entendeu que a EU, com o tratado de Lisboa, efetivamente dispõem de uma base
juridica par a adesão (artigo 6º/2TUE), mas entendeu que se verifica a lesão de
características especificas da UE e da sua autonomia
Diferença entre este raciocínio e o que foi feito pela advogada geral:
A advogada veio dizer que uma das características que teria de existir seria a
salvaguarda desta autonomia das características do DUE e da UE enquanto
ordem jurídica - o TJ entendia que já se verificada essa lesão das
características especificas e da autonomia, daí o parecer negativo
Pontos exemplificativos deste entendimento do TJ, ou seja os argumentos para emitir o
parecer negativo:
• Entendeu que não havia cooperação entre o artigo 53º da carta co o artigo 53º da
CEDH, sendo que quanto a este artigo da CEDH, o TJ entende que a faculdade
que é atribuída aos estados membros atribuída por este artigo devia permanecer
limitada no que diz respeito aos direitos reconhecidos na carta e na CEDH (e que
devia ser restringido este artigo)
• Esta adesão põe em causa o principio da confiança mutua entre os estados
membros da UE, pois ao impor que a EU e os estados membros sejam partes
contratantes das suas relações reciprocas, corresponde a exigir que o estado
membro verifica-se o respeito pelos direitos fundamentais de outro estado
membro, e a UE não exige isso
o Ou seja, significava que cada estado membro passa ele próprio um
vigilante de que o outro estado membro cumpria os direitos fundamentais
e a UE não exige isso e isso poderia meter em causa a confiança mutoa
que se estabelece entre os EM da UE
• Entendeu que esta adesão põe em causa características especificas da UE.
Exemplos:
o A questão do processo de questões prejudiciais - artigo 267º TFUE
o Fiscalização jurisdicional em matéria de PESC (é um pilar em que o TJ
não se intermete muito - o tribunal vem dizer que com a adesão iria se
meter em causa esta fiscalização)
o Apreciação das normas relativas à repartição de competências entre a UE
e EM no âmbito do mecanismo do corresponsável
o A adesão metia em causa a exclusividade que resulta do 344º do TFUE:
Os estados membros por este artigo conferem ao TJ uma jurisdição
exclusiva - eles comprometem-se a não submeter qualquer referendo ao
nível da interpretação ou validade de atos a outro tribunal que não seja um
tribunal europeu, mais concretamente o TJ
• O TJ entende que, esta adesão faz com que, implicitamente, o TJ
fique adstrita à jurisdição do TEDH, ia meter em causa a
exclusividade que resulta do artigo 3444º TFUE
• O artigo 33º da CEDH: ele confere a possibilidade de a UE ou os
seus EM submeterem ao tribunal europeu dos direitos do homem
um pedido com o objeto de uma alegada violação da CEDH - de
uma matéria que é ainda, de certa forma, do âmbito europeu
No futuro, questiona-se se pode haver esta adesão à CEDH
Há a dificuldade quanto a pontos estruturais - mesmo a questão da exclusividade,
demonstra que estamos perante um problema estrutural - é o facto de o TJ ter uma
exclusividade de jurisdição e a adesão à CEDH ir alterar essa exclusividade
Pode é haver uma revisão dos tratados = os EM podem alterar esta questão da
jurisdição exclusiva
Contrariamente com o que verificámos no parecer de 1996, neste parecer vemos muitas
questões estruturais
A partir do momento em que se diz que se lesa as características essenciais da UE
inviabiliza-se muito o próprio dialogo político e jurídico que possibilita essa adesão
Daí que se tem vindo dizer que é mais dificil e parece ser cada vez mais
longínqua existir esta adesão à CEDH
Será que o facto de a EU não estar vinculara à CEDH impede que os EM sejam
demandados no âmbito do TEDH?
Não, por exemplo se existir um particular que é lesão, pode instaurar uma ação
no TEDH contra todos os estado-membros da UE - nos aqui não estaremos
perante um caso de atuação contra a UE mas antes contra todos os estados-
membros, quase que como individualizado
É claro que isto não é muito fácil
Ainda que possam existir mecanismos paralelos que alargam a possibilidade de os direitos
dos particulares serem preservados, acabam por subsistir em maiores encargos, maiores
custos para os próprios lesados, fazendo com que acabe por não ser uma solução muito
viável.
Daí que esta grande alteração do tratado de lisboa que consubstanciar a possibilidade de
a UR aderir à CEDH, ainda não o fez e não se sabe até quando é que se manterá esta
posição
Quando à expressão do "adere" no artigo 6º/2 e não o "pode aderir":
Foi discutido se o "pode aderir" podia ficar como duvidoso se haveria mesmo
competência = parece que devia haver uma atuação por parte dos estados para que
a UE efetivamente aderir-se
Foi tudo quase em torno de uma técnica logística = para dizer que
efetivamente pode aderir não dependendo de nada
ATRIBUIÇÕES/COMPETÊNCIAS EXCLUSIVAS OU
PARTILAHAS DA UNIÃO EUROPEIA :
1. Existem várias categorias de atribuições /competências
• Art 2 a 6 do TFUE
Há 3 categorias de atribuições, ou seja, a união tem competências exclusivas,
partilhadas e de apoio ou complementares
1. Competências exclusivas da união europeia:
Há dois grupos: por natureza e as por exercício
• Por natureza: conjugação dos art 2 n1º e art 3º TFUE
• Por exercício: art 2 n2º, ultima parte TFUE = significa que determinadas matérias
sendo inicialmente de competência partilhada se a união for a primeira atuar no
âmbito desta matérias, legislou numa determinada matéria, cristaliza o facto de
ser a primeira a atuar = principio da preempção - faz com que os estados membros
já não possa atuar a não ser que a união deixe de atuar (através de atos de
revogação) = a competência tronou-se exclusiva por ter sido a união a ser a
primeira a atuar.
2. Competências partilhadas :_ art 2 n2º TFUE e art 4 TFUE
Se existe uma competência partilhada tanto a união como os EM podem
legislar nesses domínios
Relembrar que se aplica o principio da preempção. Se a união legisla primeiro
essa competência cristaliza-se e não pode o EM atuar na mesma matéria a não
ser que a união revogue
Exceções ao princípio da preempção: não impede que os estados membros atuem
mesmo que a união atue em primeiro lugar - não exclui a competência dos EM para
atuar nestas matérias.
• Art 4 n3 e n4º TFUE
Neste âmbito de matérias partilhadas há um principio fulcral que deve ser sempre
referido:
• Principio da subsidiariedade - art 2º n2 TFUE + art 5º n3 TUE + protocolo n2º =
só se aplica o principio da subsidiariedade se estivermos a falar de competências
partilhadas porque tanto a união como EM tem competências, este principio vem
tentar dizer quem tem competências para atuar
o Critério da proximidade: privilegia-se a maior proximidade a realidade,
por isso nas matérias de competência partilhada quem tem mais
proximidade os estamos membros estarão em melhores condições para
resolver os determinados casos
o Critério da eficiência: imagine-se que no âmbito invés de ser cada um dos
estados a atuar é mais eficiente que seja a própria união a atuar para
uniformizar os vários estados membros.
Este princípio faz atuar ambos os critérios
o No âmbito das competências exclusivas não se aplica este princípio, porque a
questão esta resolvida, ou seja, são os próprios tratados que por via da própria
vontade dos estados membros regularam se aquela matéria é exclusiva da
competência ou da união ou se não foi delegada e é dos EM.
3. Competências de apoio ou complementares: art 6 TFUE
A união tem competência para desenvolver ações para apoiar ou complementar à
atuação dos EM.
4. Quanto as matérias de cidadania:
• Art 20 n1 TFUE
• É cidadão europeu da união qualquer pessoa que tenha - critério de titularidade de
cidadania da união europeia é o critério da nacionalidade - quando tivermos um
cidadãos nacional de um estado membro. Uma pessoa é cidadã europeia quando
tenha cidadania de um EM.
o Existiam outro que era o critério da residência
• Acresce a cidadania nacional e não substituiu - a cidadania da união é uma
cidadania de sobreposição: uma pessoa portuguesa é cidadão português e cidadão
europeu - não deixa de ser um por causa de outro. Dai acrescer à cidadania
nacional e não substituição.
Quem define os pressupostos de atribuição de cidadania europeia são os estados
membros porque são eles que definem os pressupostos da sua própria cidadania
Portanto a nacionalidade é definida por cada um dos estados membros.
Isto significa também que no fundo o único critério que temos é o critério da
nacionalidade
Ex: imagine-se que um EM impunha como condição para além da nacionalidade,
ter também uma residência num estado membro = isto não seria válido porque o art
20 n1 TFUE não prevê tal coisa.
Um EM da união não pode fazer depender esse reconhecimento através de outra
condição para além da nacionalidade.
Há varias categorias de atribuições: exclusivas, partilhadas e orientação
Há competências subsidiarias ou teoria dos poderes implícitos
• Art 352 TFUE : permite a união adotar um ato necessário para alcançar os
objetivos previstos pelos tratados sempre que estes não prevejam os poderes
necessários para atingir os referidos objetivos.
o Competência por atribuição, a união so pode atuar em tudo que vá ao
encontro nas competências que lhe foram atribuídas pelos EM e portanto
tem de existir bases legais. Podem existir situações em que os estados
deram um objetivo a união mas não lhe cederam as competências para
alcançar esse objetivo, não lhe cederam bases legais. Aqui a doutrina
nestas situações, que se não tiverem concedido as competências
especificas para esse objetivo, podemos ter aqui uma competência
subsidiária pela teoria dos poderes implícitos
Há 3 recursos para que se aplique:
• Ação prevista tem de ser necessária para atingir no quadro das politicas definidas
pelos tratados, um dos objetivos da união, com exceção da PESC - n4
• Nenhuma disposição do tratado já tinha regulado ou previsto poderes de ação para
a realização deste objetivo
• A ação considerada não deve alargar as competências da união para alem daquilo
que esta previsto pelos tratados.
Sempre que não há base legal, não há competência, temos de pensar se ainda é um
objetivo da união.
Como funciona esta competência:
• Sob proposta da comissão, o conselho adota atos com base no art 352 TFUE,
deliberando por unanimidade após a aprovação do PE.
o Aqui temos a conjugação dos três tipos de legitimidade: democrática,
intergovernamental e supranacional = isto legitima esta competência
subsidiária.
CASOS PRÁTICOS
CASO 1
Imagine que, em 1 de fevereiro de 2023, deliberando de acordo com o processo legislativo
ordinário, o Parlamento Europeu e o Conselho Europeu aprovaram a Diretiva n.º X/2023,
que altera o regime jurídico relativo à promoção da utilização de energia, impondo um
prazo de 3 meses para a sua transposição.
Até ao momento presente, o Estado Francês ainda não transpôs a Diretiva, por considerar,
entre outros fundamentos, que o Conselho Europeu não tem competência legislativa.
Pronuncie-se sobre este fundamento invocado pelo Estado Francês.
RESPOSTA:
• Tanto o PE como o CE, são instituições da União europeia, estando previstas no
art 13º TUE.
Quanto ao procedimento:
• Tendo em conta que estamos a falar de uma diretiva que se aplicou no âmbito da
politica de energia - então, segundo o art 194 n2 TFUE, aplica-se o processo
legislativo ordinário a esta diretiva.
• Estamos no âmbito do processo legislativo ordinário - art 114 TFUE, art 294
TFUE
• A diretiva esta definida no art 288, 3º paragrafo TFUE - Por isso esta vincula todos
os estados membros destinatários, ou seja, neste caso, vincularia todos os estados
membros que fossem afetados com alteração do regime jurídico da utilização de
energia - mas também vincularia os particulares de acordo com a jurisprudência
do TJ.
• A diretiva não tem aplicabilidade direta. Os estados- membros estão sempre
obrigados a proceder à sua transposição para o direito interno, nos termos
definidos pela sua Constituição
• A diretiva é um ato legislativo - art 289º TFUE - estando o processo definido pelo
art 294 TFUE
• Segundo o art 297ºn1 TFUE, estes atos legislativos são assinados pelo PR PE e
PR Conselho
• São ainda publicados no Jornal oficial d união europeia - art 297 n2 TFUE.
• No entanto, o art 289º n1 TFUE, diz-nos que a adoção de uma diretiva é feita
conjuntamente pelo PE e pelo Conselho (de ministros) - uma vez que ambos tem
poderes de competência legislativa, art 14º n1 TUE e art 16 n1 TUE - sob proposta
da comissão, art 17 n2 TUE.
o O que se verifica no caso concreto, é que a diretiva foi aprovada pelo PE
e pelo CE, que no seu art 15 n1 TUE, indica que esta instituição, não possui
poderes legislativos, por isso nunca poderia aprovar um ato legislativo.
• O estado membro França, tinha 3 meses como prazo limite para transpor a
diretiva, uma vez que esta não vigora diretamente no direito interno. No entanto,
por considerar que o CE não tem competência para aprovar diretivas, ainda não
transpôs.
• Assim, a França, segundo o art 263º, 3 paragrafo TFUE poderia interpor ao TJUE
que fiscalizasse esta questão, uma vez que este é competente para fiscalizar a
legalidade dos atos legislativos.
• Poderia fazer esta interposição no prazo de dois meses a contar da publicação do
ato ou do conhecimento.
• Neste caso, se o TJUE entendesse que esse recurso tivesse fundamento,
considerava o ato nulo - art 264 TFUE
• Pode-se considerar a violação do Princípio da coerência institucional: não se pode
permitir que as instituições ultrapassem as barreiras de competências e atuem nas
competências das outras instituições - mas é mais do que isso - será também
respeitar a separação de poderes o facto de uma instituição não poder atuar de
forma a que, essa atuação prejudique ou anule a atuação de outra instituição
• E ainda violação do principio dos limites das atribuições - art 13 n2 TUE
CORREÇÃO:
• Identificar a matéria em causa = aqui no caso a diretiva era sobre a energia - art
194 n2 TFUE
o A regulação deve ser realizada na sequencia de processo legislativo
ordinário
• Breve explicação do processo legislativo ordinário - art 289 e art 294 TFUE
CASO 2
Imagine que o Parlamento Europeu e o Conselho adotam em conjunto um Regulamento
que altera o Regulamento (CE) n.º 2018/848 do Parlamento Europeu e do Conselho, de
30 de maio de 2018, relativo à produção biológica e à rotulagem dos produtos biológicos.
Após a adoção do Regulamento, o Estado Português suscita algumas questões quanto ao
ato, tomando inclusive a seguinte posição: não procederia à transposição do
Regulamento, tendo em conta vícios invocados.
Pronuncie-se sobre a tomada de posição do Estado Português.
RESPOSTA:
• Tanto o PE como o Conselho, são instituições da União europeia, estando
previstas no art 13º TUE.
Quanto ao procedimento:
• Estamos no âmbito do processo legislativo ordinário - art 114 TFUE, art 294
TFUE - uma vez que o regulamento esta a ser aprovado pelo PE e conselho - art
289º n1 TFUE - ambos tem poderes de competência legislativa, art 14º n1 TUE e
art 16 n1 TUE - sob proposta da comissão, art 17 n2 TUE.
• estando o procedimento no art 294 TFUE.
• O regulamento esta definido no art 288, 2º paragrafo TFUE - é um conjunto de
normas que tem generalidade e abstração e tem como destinatários todos os
sujeitos de direito – os estados, os cidadãos da união, os que não são cidadãos da
união, mas que esta sujeitos a estas normas.
• E é diretamente aplicado - ou seja, não são necessários atos de receção e
transposição, eventualmente precisara de atos de execução
• O estado português não poderia invocar tal argumentação, uma vez que, os
regulamentos não necessitam de transposição - estes vigoram diretamente na
ordem juridica portuguesa, mediante o art 8º CRP.
• Não há obrigação de publicação do regulamento.
CORREÇÃO:
Traz de novo as matérias de direito derivado
Regulamento é um ato típico nos termos do art 288, 2º paragrafo TFUE
Explicar as características do regulamento
Era questionado a aplicabilidade direta - o estado português não ia proceder a essa
aplicabilidade = por isso fazer uma explicação do conceito de aplicabilidade direta
Ia-se concluir pela desnecessidade e pela inadmissibilidade de transcrições ou receção
explicita ou implicita de regulamentos para a ordem jurídica interna.
CASO 3
Imagine que, há 2 meses, o Parlamento Europeu e o Conselho aprovaram a Diretiva n.º
Y/2023, que altera o regime jurídico da conservação da natureza e da biodiversidade,
impondo um prazo de 3 meses para a sua transposição.
Até ao momento presente, o Estado Espanhol ainda não transpôs a Diretiva, pois, por ter
conteúdo vinculativo quanto a todos os seus aspetos, não se deveria tratar de uma
Diretiva, mas, sim, de um ato legislativo.
Pronuncie-se sobre este fundamento invocado pelo Estado Espanhol.
RESPOSTA:
• Tanto o PE como o CE, são instituições da União europeia, estando previstas no
art 13º TUE.
Quanto ao procedimento:
• Por estarmos no ambito de uma diretiva que se aplica na regulação da materia do
ambiente (art 191 TFUE), percebemos que segundo os termos do art 192º TFUE
estamos no âmbito do processo legislativo ordinário - art 114 TFUE, art 294
TFUE - uma vez que a diretiva esta a ser aprovado pelo PE e conselho - art 289º
n1 TFUE - onde ambos tem poderes de competência legislativa, art 14º n1 TUE e
art 16 n1 TUE - sob proposta da comissão, art 17 n2 TUE.
• A diretiva esta definida no art 288, 3º paragrafo TFUE - Por isso esta vincula todos
os estados membros destinatários mas também vincularia os particulares de
acordo com a jurisprudência do TJ
• A diretiva não tem aplicabilidade direta. Os estados- membros estão sempre
obrigados a proceder à sua transposição para o direito interno, nos termos
definidos pela sua Constituição
• Segundo o art 297ºn1 TFUE, estes atos legislativos são assinados pelo PR PE e
PR Conselho
• São ainda publicados no Jornal oficial d união europeia - art 297 n2 TFUE.
• Ate ao momento espanha não quis transpor porque entende que esta diretiva, devia
ser antes um ato legislativo
• No entanto, as diretivas podem ser atos legislativos, ou seja, neste caso
como esta a ser aprovada pelo PE e Conselho, é um ato legislativo
Qual é a consequência de não transpor no prazo que deveria?
CORREÇÃO:
• Identificar o ato em causa e a sua caracterização: uma diretiva - art 288º TFUE -
É UM ATO TIPICO
• O estado espanhol emite uma confusão entre conceitos:
• Distinção do critério de identificação e diretivas = critério material nos termos do
art 288º TFUE - tem a ver com a substancia do determinado ato
• E o critério de identificação de atos legislativos que é critério procedimental- art
289 n3 e ss quando referia que estamos perante um ato legislativo quando é
seguido um processo legislativo
CASO 4
Imagine que, em 1 de fevereiro de 2023, o Parlamento Europeu e o Conselho aprovaram
a Diretiva n.º X/2023, que altera o regime jurídico relativo à promoção da utilização de
energia, impondo um prazo de 3 meses para a sua transposição.
Até ao momento presente, o Estado Francês ainda não transpôs a Diretiva, por considerar,
entre outros fundamentos, que a União Europeia não tem competência nessa matéria,
centrando-se a competência da União Europeia na definição dos pressupostos que visam
conferir a titularidade da cidadania europeia.
Pronuncie-se sobre este fundamento invocado pelo Estado Francês.
RESPOSTA:
• Tanto o PE como o CE, são instituições da União europeia, estando previstas no
art 13º TUE.
• Tendo em conta que estamos a falar de uma diretiva que se aplicou no âmbito da
politica de energia - então, segundo o art 194 n2 TFUE, aplica-se o processo
legislativo ordinário a esta diretiva.
• Estamos no âmbito do processo legislativo ordinário - art 114 TFUE, art 294
TFUE
• A diretiva esta definida no art 288, 3º paragrafo TFUE - Por isso esta vincula todos
os estados membros destinatários, ou seja, neste caso, vincularia todos os estados
membros que fossem afetados com alteração do regime jurídico da utilização de
energia - mas também vincularia os particulares de acordo com a jurisprudência
do TJ.
• A diretiva não tem aplicabilidade direta. Os estados- membros estão sempre
obrigados a proceder à sua transposição para o direito interno, nos termos
definidos pela sua Constituição
• A diretiva é um ato legislativo - art 289º TFUE
• Segundo o art 297ºn1 TFUE, estes atos legislativos são assinados pelo PR PE e
PR Conselho
• São ainda publicados no Jornal oficial d união europeia - art 297 n2 TFUE.
• A diretiva previa um prazo de 3 meses para a sua transposição, tendo de ser
transposta pela França nesse período
• O que de facto acontece é que ainda não o fez por considerar que não é da
competência da EU alterar o regime jurídico relativo à promoção da utilização de
energia, todavia, esta afirmação da França está errada, uma vez que de acordo com
o art 4º TFUE n2/i a EU tem competência partilhada com os EM nestas matérias
- art 2n2 tanto a EU como EM podem atuar nestas matérias
• Para alem de que a afirmação de que a competência da União Europeia só esta
presente na titularidade da cidadania europeia, é errada, já que as competências
previstas no art 3º do TFUE abrange outras matérias. Para além de que as
competências da união europeia quanto a matéria de cidadania estão previstas no
art 20 n1 TFUE e entende-se que esta previsto o critério da nacionalidade, ou seja,
há um cidadão europeu quando este possui nacionalidade de qualquer EM da
união, deste modo, há uma cidadania de sobreposição e não de exclusão de uma a
favor de outra.
• Neste sentido, à frança será aplicado o principio da responsabilidade civil
extracontratual por não ter transposto a diretiva nos 3 meses de prazo e será
responsabilizada pelos danos patrimoniais, podendo ser alvo de sanções
pecuniárias.
CORREÇÃO:
• Matéria em causa - matéria de energia - art 2º a 6º e ela aparece no art 4º =
competência partilhada da união europeia com os EM - art 4 n2/ i + art 194 TFUE.
• Principio da subsidiariedade - art 2º n2 TFUE + art 5º n3 TUE + protocolo n2º
• Quanto a argumentação da cidadania europeia da França - Art 20 n1 TFUE:
o Conceito de cidadania europeia e ligação à nacionalidade atribuída por um
EM
o A referencia à cidadania europeia como uma cidadania de sobreposição
CASO 5
Imagine que o Parlamento Europeu e o Conselho adotam em conjunto um Regulamento
que altera o Regulamento (CE) n.º 2018/848 do Parlamento Europeu e do Conselho, de
30 de maio de 2018, relativo à produção biológica e à rotulagem dos produtos biológicos.
Após a adoção do Regulamento, o Estado Português suscita algumas questões quanto ao
ato, tomando inclusive a seguinte posição: a União Europeia não tem competência quanto
a essa matéria.
Pronuncie-se sobre a tomada de posição do Estado Português.
RESPOSTA:
• Tanto o PE como o CE, são instituições da União europeia, estando previstas no
art 13º TUE.
CORREÇÃO:
• Matéria do regulamento é de agricultura
• Competência partilhada entre a EU e EM - art 4 n2 alínea d + art 43 TFUE
• Referir o principio da subsidiariedade: art 2n2 TFUE + art 5n3 TUE + Protocolo
n2
• Poderíamos abrir a questão do principio da proporcionalidade porque poderia ter
sido adotada uma diretiva e não regulamento
CASO 6
Imagine que, há 2 meses, o Parlamento Europeu e o Conselho aprovaram a Diretiva n.º
Y/2023, que altera o regime jurídico da conservação da natureza e da biodiversidade,
impondo um prazo de 3 meses para a sua transposição.
Até ao momento presente, o Estado Espanhol ainda não transpôs a Diretiva, por
considerar, além de outros motivos, que a União Europeia não tem competência nessa
matéria.
Pronuncie-se sobre este fundamento invocado pelo Estado Espanhol.
CORREÇÃO:
• Matéria em causa: conservação da natureza e biodiversidade - matéria relativa ao
ambiente
• Competência partilhada entre a união e EM - art 4n2 alínea e TFUE + 192 n1
TFUE
• Referir o principio da subsidiariedade: art 2n2 TFUE + art 5n3 TUE + Protocolo
n2