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Avaliação Nutricional na Estética

O documento discute a importância da avaliação nutricional na estética, destacando o papel do nutricionista estético na promoção da saúde e autoestima através de intervenções alimentares. A avaliação do estado nutricional é essencial para identificar distúrbios e desordens estéticas, e a anamnese é uma etapa crucial nesse processo. O texto também aborda diferentes métodos de avaliação dietética e a relevância da microbiota intestinal na saúde estética.

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Grasi Slaviero
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Avaliação Nutricional na Estética

O documento discute a importância da avaliação nutricional na estética, destacando o papel do nutricionista estético na promoção da saúde e autoestima através de intervenções alimentares. A avaliação do estado nutricional é essencial para identificar distúrbios e desordens estéticas, e a anamnese é uma etapa crucial nesse processo. O texto também aborda diferentes métodos de avaliação dietética e a relevância da microbiota intestinal na saúde estética.

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Avaliação nutricional aplicada à

estética

Autora
Juliana Gonçalves
Apresentação
De acordo com Witt e Schneider (2011), as demarcações de um corpo bonito traduzem insígnias
de uma nova ordem que se instaurou e que ganha destaque neste início de século: corpos fortes,
torneados, magros e perfeitos. A sociedade de consumo atual não os exime das exigências
quanto ao padrão de beleza que impõe, desconsiderando as inúmeras desigualdades e
diversidades existentes. A preocupação com o corpo saudável, e acima de tudo bonito, atravessa
contemporaneamente os diferentes gêneros, faixas etárias e classes sociais.

O culto ao corpo, à imagem, à beleza e à estética parece estar diretamente associado ao


aumento da insatisfação dos indivíduos com a própria aparência. O padrão de beleza é vinculado
a mensagens de sucesso, felicidade e aceitação.

O atual mercado relacionado à estética está em crescimento, o que tem impulsionado a demanda
por profissionais para atuar nessa área. O campo de atuação do profissional nutricionista tem
ganhado destaque nas últimas décadas. Esses profissionais vêm conquistando espaço e, cada
vez mais, ocupando setores e serviços diferenciados.

Cada vez mais em evidência, a Nutrição está em contínuo e crescente reconhecimento como
ciência, o que reflete no número de profissionais lançados no mercado de trabalho, que acabam
escolhendo uma linha de pesquisa, aperfeiçoamento e área de atuação específicas.

De acordo com Schneider (2009), o nutricionista estético é o profissional que aplica a ciência da
Nutrição com o objetivo de tratar ou atenuar envelhecimento cutâneo, acne, excesso de peso,
celulite, flacidez cutânea ou muscular e carências ou deficiências das unhas e cabelos, por meio
de uma alimentação específica, visando melhorar a saúde e autoestima dos indivíduos. Esse
profissional deve estar atento a todas as condições físicas do paciente para propor um plano
eficaz que vise à minimização dessas desordens estéticas.

O profissional em questão poderá otimizar os resultados estéticos priorizando a saúde global do


paciente e a mudança dos hábitos alimentares, que devem ser perpetuados ao longo da vida,
refletindo em uma beleza duradoura.

É fato que grande parte das desordens estéticas é de caráter nutricional, e há aquelas que
acabam afetando a estética do indivíduo. Entre as desordens estéticas que mais assombram as
mulheres encontra-se a hidrolipodistrofia ginoide, mais conhecida como celulite.

A busca de um corpo perfeito com a minimização dessas desordens tem se tornado assunto de
destaque em todo o mundo, mas ainda existem grandes desafios nesse ramo, que vão desde a
avaliação nutricional até a melhor conduta nutricional. Por isso, o profissional nutricionista que
deseja atuar nessa área tem que estar sempre atento às novidades e em constante atualização
para sempre oferecer as melhores opções de tratamento para seus pacientes.

Videoaula - Introdução à avaliação nutricional

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UNIDADE 1

Avaliação nutricional
A avaliação do estado nutricional tem como objetivo detectar possíveis
distúrbios e riscos nutricionais, como também identificar algumas desordens
estéticas, a fim de traçar condutas nutricionais que viabilizem a recuperação ou
manutenção da saúde de cada indivíduo. O acompanhamento do paciente por
meio da avaliação nutricional é imprescindível para monitorar os efeitos das
intervenções nutricionais e deve-se ter uma atenção especial às queixas
estéticas relatadas pelo paciente (SCHNEIDER, 2009; PUJOL, 2020).

ipe1895_22 - Como eu faço a avaliação nutricional

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Videoaula - Anamnese

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1. Anamnese
A anamnese ou avaliação clínica é uma etapa importante na avaliação nutricional de qualquer
paciente e, juntamente com a análise dos exames bioquímicos, o conhecimento dos hábitos
alimentares e as medidas antropométricas, auxilia no diagnóstico nutricional, que irá direcionar a
conduta (ROSSI et al., 2009).

O primeiro passo para uma adequada avaliação clínica é conduzir uma anamnese detalhada.
Para isso o profissional deve deixar o paciente à vontade, ouvi-lo com atenção e registrar os
dados pertinentes. Assim, a organização de uma ficha de coleta de dados, ou anamnese,
detalhada e focada nos objetivos da consulta é imprescindível.

Alguns pontos importantes que não podem faltar no registro de uma avaliação clínica em
estética são:

Rotina diária/habitual: entender as diferentes atividades realizadas pelos pacientes nas 24 horas do
dia, detalhando o máximo possível horários, duração e frequência (exemplo: horas de sono, trabalho,
atividade física).
Tabagismo e/ou drogas: tipo, frequência/quantidade, tempo de uso, se já fez uso (quanto tempo etc.).
Bebida alcoólica: tipo, frequência, quantidade, tempo de consumo, se já fez uso (quanto tempo etc.).
Ingestão hídrica: de água e outros líquidos, tipo e quantidade.
Sono: qualidade de sono (se acorda, demora para pegar no sono, dificuldades para dormir, qualidade
do despertar etc.), horas totais de sono nas 24 horas.
Intestino: formato das fezes, frequência/dia, presença de odor, dor ou desconforto. Pode-se avaliar as
fezes do paciente de acordo com a escala de Bristol, observada na Figura 1.
Figura 1 – Escala de Bristol

Tipos 1 e 2 indicam constipação. Tipos 3 e 4 são considerados ideais,


uma vez que são mais fáceis de passar na defecação. Tipos 5 a 7 estão
associados à diarreia. Fonte: adaptado de
[Link]
[[Link] .
Hábito urinário: cor, odor, presença de dor ou desconforto. Coloração da urina é um método de
simples aplicação, consistindo em uma análise qualitativa da cor da urina, que é comparada de
forma visual, como mostra a Figura 2.
Figura 2 – Tabela de coloração de urina

Tabela de referências de cores variando de 1 (um) a 8 (oito), em que 1 se


refere a uma hiper-hidratação e 8 a uma desidratação severa. Fonte:
grafikazpazurem/ [Link]. Disponível em:
[Link]
[[Link]
desidrata%C3%A7%C3%A3o-urina-cartela-de-cores-gm1177216036-
328551053] .
Mastigação e/ou deglutição: observar ausência de peças dentárias e a presença de lesões orais,
dificuldades na mastigação e deglutição.
Queixas gastrointestinais: presença de pirose, náuseas, vômito, dor/distensão abdominal (questionar
tempo e intensidade dos sintomas, assim como se há relação com a ingestão de alimentos ou
medicamentos).
Medicamentos e/ou suplementos: nome, frequência, quantidade, prescritor, e efeitos colaterais já
apresentados, entre outros.
Alergias, intolerâncias e hipersensibilidades: diagnóstico, exames, tipo de alérgeno e cuidados para
evitar crises, entre outros.
Acompanhamento com outros profissionais: especialidade, frequência das consultas, motivo, tipo de
tratamento.
Cirurgias: tipo, motivo, resultados (satisfatórios ou insatisfatórios), complicações, recuperação, há
quanto tempo realizou.
Período menstrual: intensidade do fluxo, intervalos, menarca, sintomas pré-menstrual, menopausa.
Patologias: diagnóstico, causas, tratamento, evolução, se faz acompanhamento.
Rotina de beleza: cosméticos e dermocosméticos de uso diário, tipos, quantidade e frequência.
Procedimentos e/ou tratamentos estéticos: realizados, indicação, resultado.
A microbiota intestinal desempenha papel fundamental na manutenção da saúde e prevenção de
doenças e de desordens estéticas. Quando a microbiota está em desequilíbrio, temos um quadro
de disbiose intestinal. Saiba mais acessando o link: [Link]
[[Link] .

1.1 História clínica familiar

A história familiar envolve o levantamento de dados pessoais e da família relacionados com as


necessidades biopsicossociais, crescimento e desenvolvimento, quando requerido, e alterações
decorrentes da desordem estética quando indicada. Todos as indagações a seguir referem-se às
características dos pais. Deve-se indagar quanto ao envelhecimento cutâneo dos pais (se a
idade condiz com o aspecto da pele), quanto à presença de acne na adolescência, biotipo
corporal, tipo cutâneo e todas as desordens estéticas relatadas há pouco. Verificar ainda o nível
de vaidade e tipo de cuidados com o corpo. É importante verificar qual o padrão alimentar na
infância, visando verificar a influência do tipo de alimentação sobre o paciente.

Videoaula - História Familiar

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Videoaula - Avaliação Dietética

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1.2 Avaliação dietética

Vários estudos sugerem diferentes nutrientes como coadjuvantes na prevenção e tratamento das
mais diversas desordens estéticas, informando as fontes e melhores formas de consumo para
garantir absorção desses nutrientes, garantindo assim sua eficácia. Porém o consumo alimentar
varia de indivíduo para indivíduo. Assim, a avaliação individual a respeito do consumo alimentar
é fundamental para análise da adequação dos nutrientes e, quando necessário, adaptação às
recomendações nutricionais de cada um, o que permitirá saber se há deficiência de nutrientes ou
não. Caso essa abordagem não seja o suficiente, deve-se avaliar a necessidade do uso de
suplementos (SCHNEIDER, 2009; PUJOL, 2020).

Na prática clínica, a avaliação do consumo alimentar é realizada por meio de inquéritos


dietéticos, métodos que consistem em entrevistas e questionários para determinação do
consumo alimentar. Esses métodos são os mais diversos citados na literatura, e apesar de sua
utilização parecer fácil, muitos são os fatores que interferem na precisão, na validade e na
reprodutibilidade deles. Sabemos ainda que não há um “melhor método” ou um que seja
considerado “padrão-ouro”, mas sim um método adequado a uma determinada situação.
Figura 3 – Avaliação dietética

Fonte: bymuratdeniz/[Link]

Outros objetivos da avaliação alimentar consistem nas seguintes avaliações: número e


composição das refeições; grupo e quantidade de alimentos consumidos; consumo de bebidas,
como café, chás, bebidas alcoólicas, refrigerantes e sucos; ingestão de alimentos ricos em
gorduras; consumo de doces como chocolates, uso de adoçantes; tabus, mitos, intolerâncias e
alergias e hábitos alimentares.

No entanto, todos os inquéritos dietéticos apresentam algumas desvantagens como: falta de


fidelidade (podem subestimar ou superestimar); geralmente não avaliam o consumo habitual; e a
escolha do método errado pode dificultar a avaliação. Assim, em todas as ferramentas existem
erros de mensuração.

Além disso, alguns pacientes podem ter dificuldade nas respostas aos questionamentos
relativos ao seu próprio consumo alimentar, como: falta de conhecimentos sobre os alimentos e
noção das medidas utilizadas para o consumo; desconhecimento do modo de preparo; pouco
conhecimento dos ingredientes utilizados nas preparações consumidas; falta de atenção pela
própria alimentação; e falta de tempo e interesse ao responder ao inquérito.

Os métodos de avaliação dietética são divididos em métodos retrospectivos e prospectivos,


como descrito a seguir:

Métodos retrospectivos: avaliam o consumo dietético do passado imediato ou de longo prazo. Como
vantagens, podemos citar: fácil aplicação; pouco tempo para a entrevista (entre 10 e 30 minutos); não
há intervenção no hábito alimentar; e facilidade no treinamento do entrevistador e compreensão do
entrevistado. As desvantagens são: depende da memória do entrevistado para exatidão na qualidade
das informações coletadas; dificuldade em estimar a porção consumida; e falta de padronização da
alimentação habitual.
Métodos prospectivos: registram o consumo alimentar atual. Têm como vantagens a medição do
consumo presente e a melhor avaliação do consumo individual, que não depende da memória do
paciente. Suas desvantagens são a omissão de dados pelo entrevistado e uma possível interpretação
de modificação do hábito alimentar.

1.2.1 Recordatório 24 horas (método quantitativo)

Consiste em determinar e quantificar todo o consumo alimentar de alimentos e bebidas ingeridos


no período anterior à entrevista (24 horas precedentes, ou o dia anterior). É entrevista pessoal na
qual o profissional treinado questiona o paciente sobre seu consumo alimentar do dia anterior,
como o horário e o local das refeições realizadas (HOLANDA; FILHO, 2006).

Para iniciar o recordatório, o entrevistador pode perguntar ao entrevistado: “Por gentileza, pode
me descrever todos os alimentos e bebidas que foram consumidas ontem, desde o momento que
acordou até a hora de ir dormir?”.

Importante questionar sobre o consumo de açúcares, doces, bebidas (água, chá, chimarrão, café,
bebidas alcoólicas), forma de preparo de algumas refeições (grelhado, assado, frito), tipos de
leite, adição de temperos e sal nas preparações.

O recordatório de 24 horas é um método que apresenta muitas vantagens, sendo considerado um


instrumento simples, fácil, rápido e relativamente barato e de fácil aplicação para coletar dados
alimentares, sendo muito utilizado no acompanhamento alimentar da população em geral.
Consiste na obtenção de informações verbais sobre o consumo alimentar das últimas 24 horas
anteriores à consulta, com dados sobre todos alimentos e bebidas consumidos, incluindo o
preparo e quantidade. Saiba mais acessando o link: [Link]
[[Link] .

1.2.2 História alimentar (método quantitativo)

A história alimentar consiste na descrição de todas as refeições e alimentos normalmente


consumidos pelo paciente em dias passados não consecutivos. Trata-se de um método de
avaliação da dieta usual, no qual são eliminadas as variações do dia a dia. Esse instrumento é
pouco difundido, mas, com uma boa utilização na prática clínica, permite conhecer o padrão
alimentar do indivíduo e servir de base para a definição de planos de orientação dietética. Sua
aplicação é difícil, pois a maioria dos pacientes não possui lembrança exata de suas refeições
dos dias das semanas passadas (HOLANDA; FILHO, 2006).

No início da história alimentar, o entrevistador deve perguntar ao entrevistado: “Por favor, me


descreva o que você normalmente come ao acordar. Qual a quantidade? Mais alguma coisa? E
depois?”.

1.2.3 Questionário de frequência alimentar (QFA) (método qualitativo)

O QFA é um inquérito alimentar também desenvolvido por Bertha Burke (década de 1940). Foi
criado para obtenção de informação qualitativa ou semiquantitativa sobre o padrão alimentar e a
ingestão de alimentos ou nutrientes específicos dos indivíduos (HOLANDA; FILHO, 2006).

O QFA apresenta como principais vantagens a possibilidade de ser utilizado para avaliação da
relação entre dieta e doença e do consumo habitual do indivíduo sem alterar o padrão de
consumo alimentar, além de ser um método de baixo custo. As principais desvantagens do QFA
são: depender da memória do entrevistado; necessidade de tempo (mínimo de 30 minutos); não
permitir uma avaliação da adequação do consumo alimentar em quantidade; exigir processos de
validação, calibração e reprodutibilidade para aplicação em diferentes populações; e a
necessidade de ser específico para idade e condições fisiológicas e patológicas (HOLANDA;
FILHO, 2006).

O QFA é um inquérito alimentar utilizado em investigações epidemiológicas para coletar


informações sobre consumo alimentar. Entre suas vantagens, podemos citar a avaliação da
alimentação habitual sem alterar o padrão de consumo alimentar, o baixo custo e o tempo de
preenchimento, tendo como objetivo investigar a relação entre dieta e doença. Por outro lado,
como outros métodos, também apresenta limitações, como o fato de documentar a ingestão
alimentar dentro de um determinado período, o que pode levar a relatos distorcidos pelo viés da
memória, e apresentar baixa precisão ao quantificar a dieta. Para minimizar esses erros, é
necessário seguir com rigor a metodologia apropriada, a fim de se obter instrumentos precisos e
economicamente viáveis. Saiba mais acessando os links a seguir:

[Link] [[Link] .
[Link] [[Link] .
1.2.4 Diário alimentar (método quantitativo)

O diário ou registro alimentar é um instrumento de avaliação do consumo alimentar muito


utilizado na prática clínica. Para sua realização, o próprio indivíduo entrevistado deve registrar
durante alguns dias (três, cinco ou sete) os alimentos consumidos com as respectivas
quantidades (em gramas ou medidas caseiras). O preenchimento do registro alimentar deve ser
realizado em dias não consecutivos e deve constar pelo menos um dia do fim de semana
(HOLANDA; FILHO, 2006).

Quadro 1 – Principais vantagens e desvantagens de cada método.

Positivos Negativos

Diário alimentar Pode modificar os hábitos alimentares.


Informação quantitativa. Omissão no registro de certos alimentos.
Não depende da memória. Requer maior cooperação do entrevistado.
Estimativa mais exata do consumo Necessidade de motivação.
alimentar.

Recordatório alimentar de 24 horas Erros nas estimativas das porções.


Estimativa quantitativa e qualitativa. Depende da memória.
Rápido e de fácil administração. Omissão ou esquecimento no registro de
Baixo custo. certos alimentos.
Exige pouco esforço do entrevistado. Pode não representar a ingestão habitual.

História dietética Depende da memória.


Entrevista detalhada sobre o padrão Alto custo.
alimentar. Maior tempo para a realização da entrevista.
Avaliação da ingestão habitual de todos os
nutrientes.

Questionário de frequência alimentar Lista incompleta de alimentos.


Baixo custo e fácil aplicação. Agrupamento de forma inadequada.
Caracteriza a dieta habitual. Requer memória de hábitos do passado.
Aplicação para muitas pessoas. Erros na estimativa da frequência e das
porções.

Fonte: adaptado de Holanda e Filho (2006).


Videoaula - Exame físico

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1.3 Exame físico

O exame físico irá complementar a história clínica, alimentar e nutricional do paciente e


possibilitar informações importantes para apoiar condições sobre o diagnóstico nutricional.
Inicialmente, deve-se registrar a impressão sobre o estado geral do paciente por meio da
observação e do relato deste.

Quadro 2 – Avaliação do exame físico.

Região Características em condições


examinada Características para serem avaliadas normais

Cabelo Coloração, brilho, quantidade, espessura, hidratação, Brilhantes, firmes e difíceis de


ocorrência de alopecia. arrancar. Aparência normal e
espessa, crescimento normal,
macios ao tato e coloração
adequada.

Face Estado geral, condição física. Presença de edema ou Bom estado geral, sem sinais de
depleção (sinal de chave – exposição do arco depleção ou edema.
zigomático). Apresentação de palidez, atrofia unilateral
ou bitemporal.
Fácies agudo: exausto, cansado, não consegue manter os
olhos abertos por muito tempo.
Fácies crônico: aparência deprimida, triste, pouco
diálogo.
Região Características em condições
examinada Características para serem avaliadas normais

Olhos Aspecto, cor das mucosas e membranas, sinais de Brilhantes, membranas róseas
excesso de nutrientes – xantelasma, arco córneo lipídico, e úmidas, sem manchas e boa
sinais de deficiência de nutrientes: desnutrição – olhos adaptação visual no escuro.
escavados, escuros e flacidez ao redor, hipovitaminoses –
xeroftalmia, nictalopia etc.

Lábios Coloração da mucosa, presença de lesões decorrentes de Lábios macios e sem


hipovitaminoses. inflamações.

Língua Coloração, integridade papilar, edema, espessamento. Língua vermelha e sem edema,
com superfície normal e
paladar preservado.

Gengivas Edema, porosidade e sangramento. Ausência de sangramentos e


edema.

Peças Presença de cáries, ausência de peças dentárias, uso de Arcada dentária integra, sem
dentárias prótese (bem adaptada ou não), alterações em função de ausência de peças dentárias ou
excesso ou escassez de nutrientes. uso de prótese bem adaptada –
não ocasionar
comprometimento da
mastigação.

Fonte: adaptado de Bevilacqua (1997) e Martins (2009).


Recapitulando a Unidade 1
Nesta unidade aprendemos os itens fundamentais que não podem faltar dentro de uma avaliação
nutricional. A realização de uma anamnese bem estruturada é a chave para o diagnóstico
nutricional, que irá determinar a melhor estratégia nutricional para o paciente. Vimos a
importância de avaliar alguns hábitos e estilos de vida, sinais e sintomas, história familiar e
hábitos alimentares.
UNIDADE 2

Avaliação antropométrica
Por meio da avaliação antropométrica, é possível compreender o processo de
crescimento e desenvolvimento de cada indivíduo, de acordo com sua faixa
etária, sexo, avaliando massa e composição corporal, distribuição de gordura,
possibilitando identificar alterações de saúde/nutricionais ou risco de doenças
(ROSSI et al., 2009; GUEDES, 1990; TIRAPEGUI; RIBEIRO; MELO, 2018).
A antropometria é utilizada em todas as faixas e, quando comparada a outros
métodos de diagnóstico nutricional, apresenta uma série de vantagens (ROSSI et
al., 2009; GUEDES, 1990; TIRAPEGUI; RIBEIRO; MELO, 2018):
facilidade de instrumentos e equipamentos de coleta;

rapidez e simplicidade no método de coleta e na interpretação dos resultados;

facilidade de padronização técnica;

uso de técnicas não invasivas, facilitando a aceitabilidade;

aplicação nos diferentes ciclos; e

baixo custo.
Videoaula - Avaliação antropométrica: peso, estatura, IMC

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2. Antropometria aplicada à estética
A composição corporal tem uma importância fundamental, em razão de só o peso corporal não
ser considerado um parâmetro fidedigno para a identificação do excesso ou déficit corporal
(massa gorda, massa muscular, massa óssea e massa residual) ou das alterações das
quantidades proporcionais desses componentes corporais em decorrência de um atendimento
estético (SCHNEIDER, 2009; PUJOL, 2020).

A grande limitação da antropometria “convencional” consagrada na literatura para o uso na


avaliação estética está na escassez de regiões a serem medidas por região e no fato de serem
realizadas de preferência no lado direito do corpo. Em Estética, é necessário avaliar vários pontos
em um mesmo segmento e de preferência dos dois lados (SCHNEIDER, 2009; PUJOL, 2020).

O principal objetivo da avaliação da composição corporal em estética corporal é acompanhar a


evolução para avaliar a eficácia do tratamento e não apenas obter o resultado dessa avaliação
como diagnóstico ou para estudos populacionais. Para tanto, o principal aspecto a ser
considerado é a padronização dos parâmetros antropométricos que reduzam os vieses inter e
intra-avaliadores.

2.1 Peso corporal

É a somatória de todos os componentes corporais; reflete o equilíbrio proteico e energético do


indivíduo (BRASIL, 2004).
Figura 4 – Técnica de pesagem

Fonte: Instituto Phorte

2.1.1 Peso atual (PA)

Corresponde ao peso aferido no momento da avaliação. Deve ser obtido em uma balança
calibrada. O paciente deve estar descalço e com roupas leves; pela manhã e após a micção. As
medidas devem ser registradas com exatidão.

2.1.2 Peso usual

É o considerado habitual quando o indivíduo está hígido, exercendo suas atividades usuais. Útil
para referência nas mudanças atuais de peso ou quando não é possível medir o peso atual.

2.1.3 Peso ideal (PI)

Utilizado para calcular as necessidades calórico-proteicas, quando o paciente está acamado e


não se tem equipamento para se obter estatura e PA, ou como método de comparação com o PA.
O modo mais prático para o cálculo do PI é com utilização do índice de massa corporal (IMC)
médio:
Peso ideal = massa magra/0,85 (homens) e massa magra/0,75 (mulheres) ou Peso ideal = massa
magra/1 – (%G desejado / 100) ou Peso ideal para homens= 22* × altura (m)2

* Utiliza-se 22 para o cálculo do peso ideal

Peso ideal para mulheres = 21 * × altura (m)2

* Utiliza-se 21 para o cálculo do peso ideal

Como ocorrem variações individuais, o peso ideal pode modificar na faixa de 10% abaixo e 10%
acima do peso teórico.

2.1.4 Peso ajustado

É o PI corrigido para a determinação das necessidades nutricionais, quando a adequação do


peso atual for inferior a 95% ou superior a 115% do PI. Também pode ser utilizado para cálculo de
adequação em dietas.

Peso ajustado = (peso ideal - peso atual)× 0,25 + peso ideal

2.1.5 Mudança de peso

A perda de peso involuntária é uma informação importante para avaliação do estado nutricional,
devido à sua elevada correlação com mau prognóstico clínico. A determinação da variação de
peso é realizada por meio da fórmula:

Perda de peso (%)= (PU – PA)× 100/PU

Tabela 1 – Porcentagem de perda peso.


Tempo Perda significativa de peso (%) Perda grave de peso (%)

1 semana 1-2 >2

1 mês 5 >5

3 meses 7,5 > 7,5

6 meses 10 > 10

Fonte: adaptado de Blackburn e Thornton (1977).

2.1.6 Peso com edema

Característica muito comum após alguns procedimentos estéticos.

Tabela 2 – Grau de ascite/edema.


Edema Excesso de peso hídrico

+ Tornozelo 1 kg

++ Joelho 3 a 4 kg

+++ Base da coxa 5 a 6 kg

++++ Anasarca 1 a 12 kg

Grau de ascite/edema Líquido ascítico (kg) Edema periférico (kg)

Leve 2,2 1

Moderado 6 5

Grave 14 10

Fonte: adaptado de Kamimura, Sampaio e Cuppari (2009).

2.2 Estatura

Reflete inadequações nutricionais de caráter crônico. O indivíduo deve estar em pé, descalço,
calcanhares juntos, costas retas e braços estendidos ao lado do corpo (BRASIL, 2004).
Figura 5 – Técnica para aferição de estatura

Fonte: Instituto Phorte


Figura 6 – Posicionamento pelo plano de Frankfurt

Fonte: adaptado de Madden et al. (2012).

2.3 Índice de massa corporal (IMC)


O índice de massa corporal reflete a quantidade de massa por metro quadrado de um indivíduo. É
o índice mais utilizado na atualidade para avaliação do estado nutricional. Entretanto, apresenta
limitações e pode sub ou superestimar o resultado em algumas situações. A seguir, listamos as
principais vantagens e desvantagens do IMC:

Vantagens: não invasivo; baixo custo operacional; fácil execução; diagnóstico rápido; alta correlação
com a massa corporal.
Desvantagem: não distingue peso associado com a massa magra e massa gorda.

Existem pontos de corte de IMC específico para cada faixa etária (adolescentes, adultos e
idosos), o que o torna mais preciso.

Tabela 3 – Classificação IMC (kg/m2).

IMC (kg/m2) Diagnóstico nutricional

< 18,5 Baixo peso

18,5 – 24,9 Eutrófico ou adequado

25 – 29,9 Sobrepeso

> 30,0 Obesidade

Fonte: WHO (1998).

Videoaula - Circunferências e perímetros

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2.4 Circunferências e perímetros

As circunferências ou perímetros corporais indicam a junção de massa adiposa, massa muscular


e tamanho ósseo.

As circunferências são muito utilizadas na estética para medida de acompanhamento individual


de resultados. Dessa forma, é interessante analisar essas circunferências periodicamente
durante a fase de realização de um tratamento estético, pois o resultado dessas medidas
determina não apenas a eficácia do tratamento estético, mas também aponta ao nutricionista as
regiões corpóreas mais suscetíveis à dieta, como em tratamentos de gordura localizada e
emagrecimento. Além disso, na estética, recomenda-se a medida dos membros direito e
esquerdo, também para fins de comparação.

Equipamento: fita antropométrica inelástica flexível.


Técnica geral: exercer suave pressão sob a pele; cuidar para não deixar o dedo entre a fita e a pele; o
ideal é sempre realizar a medida sobre a pele nua.

Figura 7 – Exemplos/modelos de fita métrica

Fonte: Martins (2009).

Quadro 3 – Pontos anatômicos das circunferências.

Tórax Esta medida é tomada no ponto meso-esternal, com os braços estendidos ao longo do
corpo.

Braço Esta medida é tomada no ponto médio entre o acrômio e o olécrano, com o braço retificado,
estendido adiante do corpo e a palma para cima.

Antebraço Esta medida é tomada no perímetro máximo ao redor do antebraço, com o braço retificado,
estendido adiante do corpo e com a palma da mão para cima.

Cintura Esta posição é tomada com o indivíduo na posição ereta, braços ao lado do corpo, pés juntos
e abdome relaxado, no ponto de menor circunferência do tronco.

Abdômen Tradicionalmente realizada no ponto da cicatriz umbilical, a I Diretriz Brasileira de


Diagnóstico e Tratamento da Síndrome Metabólica sugere que seja tomada na metade da
distância entre a crista ilíaca e o rebordo costal inferior.

Quadril Estando o indivíduo posicionado com os pés juntos, esta medida é realizada no ponto de
maior circunferência das nádegas.
Coxa Tradicionalmente realizada no ponto médio entre a prega inguinal e o bordo superior da
patela, estando o indivíduo em pé e os pés ligeiramente afastados, pode ser tomada no
ponto do terço médio superior da coxa, em alguns protocolos específicos.

Panturrilha Esta medida é tomada com o indivíduo na posição ereta e os pés ligeiramente afastados, ao
nível de maior circunferência entre o joelho e o tornozelo, perpendicular ao eixo
longitudinal.

Fonte: Schneider (2009).

2.4.1 Circunferência da cintura/abdominal

A localização exata desta medida é bastante controversa na literatura, pois se verificam


diferentes locais e padrões para avaliar a circunferência abdominal. Pode-se realizar a medida no
maior perímetro abdominal entre a última costela e a crista ilíaca, de acordo recomendações da
OMS. Já de acordo com a I Diretriz Brasileira de Diagnóstico e Tratamento da Síndrome
Metabólica (2005), recomenda-se medir a circunferência abdominal no ponto médio entre o
rebordo costal inferior e a crista ilíaca adotando os pontos de corte da National Cholesterol
Education Program (NCEP-ATP III), sendo para homens < 102 cm, e para mulheres, < 88 cm. Para
uma padronização dessa medida no atendimento estética, sugere-se a localização e pontos de
corte definidos pela I Diretriz Brasileira de Diagnóstico e Tratamento da Síndrome Metabólica
(2005).

RCQ = Circunferência da cintura/circunferência do quadril

Figura 8 – Localização da circunferência da cintura e quadril

Fonte: Tirapegui, Ribeiro e Melo (2018)


Tabela 4 – Classificação da relação cintura/quadril.

Relação cintura/quadril Risco para doença cardiovascular

RCQ > 1 Homens

RCQ > 0,85 Mulheres

Fonte: WHO (1998).

Videoaula - Dobras cutâneas

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2.5 Dobras cutâneas

São medidas utilizadas para aferição da gordura subcutânea. Para descrever os procedimentos
para aferição de dobras cutâneas, pode-se utilizar os seguintes itens preconizados por Guedes
(1990):

as medidas de espessura das dobras cutâneas devem ser sempre do lado direito;
deve-se realizar uma série de três medidas sucessivas no mesmo local, considerando-se a média das
três como o valor adotado para esse ponto;
quanto à técnica de medida, o tecido celular subcutâneo deve ser diferenciado do tecido muscular
por meio do polegar e do indicador da mão esquerda (manter a dobra segura no momento da leitura),
com as pontas do compasso localizadas aproximadamente a 1 cm abaixo do ponto exato de reparo,
para que a pressão exercida pelas pontas do compasso possa produzir seu efeito total; deve-se
aguardar em torno de dois segundos para realizar a leitura do compasso;
não se deve realizar as medidas logo após exercício físico, pois a vasodilatação periférica direciona
os fluidos do corpo para a pele, podendo aumentar o tamanho da dobra. Em situações como a
obesidade mórbida e na presença de edema, as pregas não são fidedignas.
Figura 9 – Exemplos de adipômetros

Fonte: Martins (2009)


Figura 10 – Esquema de separação da gordura subcutânea

Fonte: Martins (2009)

Quadro 4 – Descrição dos pontos anatômicos das pregas cutâneas.

Subescapular
(SB) Tomada no sentido diagonal, 1 a 2 cm abaixo do ângulo inferior da escápula.

Tríceps (TR) Tomada no sentido vertical, na linha posterior do braço, a meio caminho entre o acrômio
e o olécrano, com o braço mantido livremente ao lado do corpo.

Bíceps (BI) Tomada no sentido vertical, na linha anterior do braço, sobre o ventre do musculo bíceps,
1 cm acima do nível usado para marcar o local do tríceps.

Peitoral (PT) Tomada no sentido diagonal, na metade da distância entre a linha axilar anterior e o
mamilo (homens) e no terço superior da distância entre a linha axilar anterior e o mamilo
(mulheres).

Axilar média Tomada no sentido vertical, obtida no nível do processo xifoide e localizada na linha
(AM) axilar média.

Suprailíaca Tomada no sentido diagonal, tradicionalmente realizada no ponto médio entre o último
(SI) rebordo costal e a crista ilíaca, localizada na linha axilar anterior.

Abdominal Tomada no sentido vertical, a 2 cm da cicatriz umbilical.


(AB)

Coxa (CX) Tomada no sentido vertical, localizada no ponto médio entre a prega inguinal e a borda
superior da patela.

Panturrilha Tomada no sentido vertical, medialmente no ponto da maior circunferência da perna.


(PT)

Fonte: Schneider (2009).

Tabela 5 – Fórmulas para estimativa de densidade corporal e percentual de gordura.


Autor Grupo populacional Equação proposta

Guedes Mulheres brancas com DC = 1,1665 – 0,0706× log (SB+SI+CX)


(1994) idade entre 18 e 30 anos

Guedes Homens brancos com DC = 1,1714 – 0,0671× log (TR+SI+AB)


(1994) idade entre 18 e 30 anos

Petroski Mulheres brancas com DC = 1,19547130 – 0,07513507× log (AM+SI+CX+PT) =


(1995) idade entre 18 e 51 anos 0,00041072 (idade)

Petroski Homens brancos com DC = 1,10726863 – 0,00081201× log (SB+TR+SI+PT) = 0,00000212


(1995) idade entre 18 e 51 anos (SB+TR+SI+PT)² - 0,00041761 (idade)

Jackson, Mulheres brancas com DC = 1,0994921 – 0,0009929 (TR+SI+CX) - 0,0000023


Pollock e idade entre 18 e 55 anos (TR+SI+CX)² - 0,0001392 (idade)
Ward (1980)

Jackson, Homens brancos com DC = 1,10938 – 0,0008267 (TR+AB+CX) - 0,0000016


Pollock e idade 18 e 61 anos (PT+AB+CX)² - 0,0002574 (idade)
Ward (1980)

Katch & Mulheres jovens com DC = 1,09665 – 0,00103 (TR) - 0,00056 (SB) - 0,00054 (AB)
McArdle média de idade de 19
(1973) anos

Katch & Homens jovens com DC = 1,08347 + 0,00060 (TR) - 0,00151 (SB) - 0,00097 (CX)
McArdle média de idade de 20
(1973) anos

Weltman, Homens obesos com %C = 10,8336 – 0,31457 (CA) – 0,10969 (MC – kg)
Seip & Tran idade entre 24 e 68 anos
(1987)

Weltman et Mulheres obesas com %C = 51,03301 + 0,11077 (CA) – 0,17666 (estatura – cm) + 0,14354
al. (1988) idade entre 20 e 60 anos (massa corporal – kg)

Jackson e Homens fisicamente DC = 1.11200000 – [0,00043499 (SE + AM + TR + CX + SI + AB +


Pollock ativos com idade entre 18 PT) + 0,00000055 (SE + AM + TR + CX + SI + AB + PT)²] –
(1978) e 60 anos [0,0002882 (idade)]

Jackson e Mulheres fisicamente DC = 1,0960950 – 0,0006952 (TR+CX+SI+AB) – 0,0000011


Pollock ativas com idade entre 18 (TR+CX+SI+AB)² - 0,000714 (idade)
(1978) e 55 anos

Lohman Meninas e moças com %C = 0,735 (TR + PT) + 5,1


(1987) menos de 18 anos

Lohman Meninos e rapazes com %C = 0,735 (TR + PT) + 1,0


(1987) menos de 18 anos

Aniteli et al. Mulheres idosas com %C = 17,366 + 0,448 * (SI+BI+TR)


(2006) osteopenia e osteoporose
Autor Grupo populacional Equação proposta

DC = densidade corporal
%C = percentual de gordura
Log = logaritmo
MC = massa corporal

Fonte: adaptado de Schneider (2009).

Tabela 6 – Padrão de percentual de gordura para adultos.

Homens Mulheres

Abaixo do normal Até 12% Até 16%

Normal 12 a 18% 16 a 25%

Acima do normal 18 a 25% 25 a 33%

Tendência à obesidade > 25% > 33%

Fonte: adaptado de Schneider (2009).

Videoaula - Bioimpedância elétrica e composição corporal

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2.6 Bioimpedância elétrica

Atualmente, a bioimpedância (BIO) é um método potencialmente viável na estimativa da


composição corporal, por ser uma técnica não invasiva, de fácil operação, de boa portabilidade e
que exige o mínimo de colaboração possível por parte do avaliado, além de ser um método ágil
para a interpretação dos resultados.
A bioimpedância elétrica baseia-se na medida da água extracelular, avaliando-se indiretamente a
porcentagem de gordura corporal total. No corpo humano, os tecidos magros são
demasiadamente condutivos, por conterem elevada quantidade de água e eletrólitos e
apresentarem baixa resistência elétrica. Por outro lado, a gordura e o osso são baixos
condutores, com quantidade inferior de fluidos e eletrólitos e maior resistência elétrica.

Para realizar o método, são posicionados dois conjuntos de eletrodos de folha de alumínio,
aplicados na superfície dorsal dos pés e mãos, metacarpo e metatarso, respectivamente, e entre
as proeminências distais do rádio e ulna e a parte médio-lateral do tornozelo; os eletrodos
externos transmitem a corrente, enquanto os internos captam a variação de voltagem
(resistência) e a resistência capacitiva (reatância), ambas medidas em ohms, secundárias à
passagem da corrente.

Deve ser realizada com o indivíduo em posição horizontal, sem objeto metálico nas mãos e pés,
meias e/ou luvas e com os membros estendidos. A superfície da pele deve ser higienizada com
álcool antes de receber os eletrodos. Aplica-se, no corpo, uma corrente elétrica de baixa
amplitude e alta frequência.

É um método que apresenta inúmeras limitações para avaliar o percentual de gordura corporal. A
bioimpedância em clínicas estéticas pode ser uma ferramenta simples para evitar o erro entre os
avaliadores, de fácil manuseio e bem descrita na literatura como um método seguro para
avaliação de composição corporal. Apesar das limitações, a técnica oferece estimativas de
gordura corporal confiáveis quando comparada com outros métodos mais precisos.

Ao realizar a bioimpedância elétrica, os segmentos corporais são colocados em uma posição


linear para serem conectados em séries. Em decorrência de seu formato geométrico, as
extremidades (braços e pernas) contribuem com aproximadamente 90% da impedância do corpo
todo. Grande parte da impedância é contada pelos segmentos distais dos membros superiores e
inferiores, como resultado de uma baixa área seccional. Assim, a adução ou o cruzamento dos
membros levaria a um curto-circuito elétrico; nesse sentido, os erros podem chegar a 18% por
contato entre as pernas e a 43 % por contato das mãos com a cintura. Ambos são erros que
ocorrem por contato de pele com pele (SCHNEIDER, 2009; PUJOL, 2020).
Figura 11 – Exemplo de folha de resultados da bioimpedância

Fonte: Ottoboni (2016)

Para a determinação da composição corporal por meio da BIO, algumas instruções devem ser
seguidas:

jejum total de 4 horas;


não realizar atividade física 12 horas antes;
urinar 30 minutos antes;
não consumir nenhum tipo de bebida alcoólica nas 48 horas anteriores ao exame;
não fazer uso de diuréticos nos 7 dias anteriores ao exame;
mulheres no período menstrual não devem realizar o procedimento; e
contraindicação para portadores de marca-passo e gestantes.

A principal limitação dessa ferramenta surge quando o paciente apresenta variações em seu
estado de hidratação; assim, a quantidade de alimentos e líquidos ingeridos, bem como o
exercício físico realizado no dia do teste, entre outros fatores, podem influenciar no resultado.

A ingestão de alimentos antes da avaliação também pode interferir nos resultados pela alteração
dos volumes de líquido intra e extracelular.

Para a análise da composição corporal por meio da BIO, a participação do avaliado é


fundamental, devendo seguir as orientações antes do teste. Sem essas orientações, poderá
comprometer seu resultado.

Outros fatores podem interferir na avaliação, como período pré-menstrual ou menstrual e


presença de adornos metalizados. O paciente deverá ser orientado a seguir os padrões para a
realização do exame. Essa orientação que precede a avaliação deve ser realizada com
antecedência.

2.7 Composição corporal

A avaliação da composição corporal tem como objetivo determinar a quantidade de massa gorda
e massa livre de gordura do corpo. Podemos classificar os métodos de avaliação da composição
corporal em: métodos diretos (mais precisos, porém não utilizados na prática clínica); métodos
indiretos (métodos mais precisos utilizados na prática clínica, porém geralmente muito caros); e
métodos duplamente indiretos (mais utilizados na prática clínica pela sua acessibilidade, porém
menos precisos, apenas dão uma estimativa). A avaliação da composição corporal é muito
utilizada na estética, principalmente para indivíduos que pretendem diminuir gordura localizada
(ROSSI et al.; 2009; GUEDES, 1990; TIRAPEGUI; RIBEIRO; MELO, 2018).

2.7.1 Métodos diretos

Consistem em separar todos os órgãos e analisar a gordura de cada compartimento. De acordo


com Costa (2001), a dissecção de cadáveres é a única metodologia considerada direta.

2.7.2 Métodos indiretos

São considerados métodos indiretos os seguintes: pesagem hidrostática; Dexa (do inglês dual-
energy X-ray, densitometria radiológica de dupla energia); pletismografia; hidrometria;
ressonância magnética; tomografia. No entanto, todos esses métodos são realizados a partir de
aparelhos com custo muito alto, razão pela qual poucos lugares possuem tais métodos de
avaliação.

2.7.3 Métodos duplamente indiretos

Os métodos duplamente indiretos, apesar de menos precisos, são os mais utilizados na prática
clínica, pelo seu baixo custo em relação aos métodos indiretos.
Recapitulando a Unidade 2
Nesta unidade aprendemos que os indicadores antropométricos são fundamentais para um
diagnóstico nutricional preciso. Nessa etapa do atendimento vamos avaliar o peso corporal e a
estatura do paciente, pois ambos já nos fornecem o índice de massa corporal (IMC).

Podemos completar essa avaliação com a aferição das circunferências e perímetros,


principalmente as circunferências abdominal e do quadril, que podem nos trazer o risco do
desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

As dobras cutâneas também fazem parte desse processo, sendo utilizadas para aferição da
gordura subcutânea. Importante ressaltar que é fundamental uma padronização dessas medidas
para que não ocorra erro na hora de realizar a aferição das dobras.

Os valores coletados de circunferências e dobras cutâneas podem ser utilizados em fórmulas


para estimativa de densidade corporal e percentual de gordura para avaliação do estado
nutricional.

Entre outros métodos que podem ser utilizados, podemos destacar a bioimpedância elétrica, um
método potencialmente viável na estimativa da composição corporal. No entanto, para um
resultado fidedigno, deve-se seguir as orientações para realização do procedimento.

Por fim, vimos que a avaliação da composição corporal tem o objetivo de determinar a
quantidade de massa gorda e massa livre de gordura do corpo, sendo muito utilizada na estética
por pacientes indivíduos que pretendem diminuir gordura localizada. Podemos classificar os
métodos de avaliação da composição corporal em métodos diretos, indiretos e duplamente
indiretos.

A junção de todos esses protocolos na avaliação antropométrica vai oferecer ao profissional


nutricional um diagnóstico nutricional mais preciso.
Videoaula - Exames laboratoriais: hemograma, metabolismo
lipídico, carboidratos e proteínas

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3. Avaliação laboratorial
A análise dos exames bioquímicos complementa a avaliação clínica. É uma etapa essencial para
identificar deficiências que possam estar influenciando algum resultado estético ou clínico,
assim como monitorar a adequação da terapia nutricional (SIMAS; GRANZOTI, 2021).

De acordo com a Resolução do Conselho Federal de Nutricionistas (CFN) nº 306/2003 e com a


Lei nº 8.234, de 17 de setembro de 1991, o nutricionista pode solicitar exames bioquímicos
necessários à avaliação, à prescrição e ao acompanhamento da evolução nutricional do
paciente. Porém, segundo o CFN, o nutricionista deverá considerar o paciente individualmente,
respeitando suas condições clínicas, socioeconômicas e religiosas, desenvolvendo a assistência
integrada junto à equipe multiprofissional; considerar diagnósticos, laudos e pareceres dos
demais membros da equipe, definindo com estes, sempre que pertinente, outros exames
laboratoriais; atuar considerando o paciente e respeitando os princípios da bioética; e solicitar
exames laboratoriais cujos métodos e técnicas tenham sido aprovados cientificamente.

Nem sempre os valores apresentados em um intervalo de referência representam valores ideais.


Muitos estudos determinam valores distintos de vários marcadores bioquímicos para diferentes
patologias, mesmo estando o indivíduo dentro dos valores apresentados como de referência
(SIMAS; GRANZOTI, 2021).

3.1 Hemograma

O hemograma completo é a análise das células do sangue. Para este exame utiliza-se a coleta
de sangue com coagulante no tubo. Não há necessidade de jejum apenas para hemograma, mas
como essa análise geralmente vem acompanhada de outras análises quando indicada com
antecedência para o paciente, estipula-se o tempo de jejum necessário de acordo com a
necessidade dos exames complementares.

Tabela 7 – Valores de referência para hemograma.

Hemograma

Hematócrito Homens: Pode estar aumentado na desidratação, policitemia, choque. Pode estar
40% a 50% diminuído na anemia, perda sanguínea, hemólise, leucemia,
Mulheres: hipertireoidismo, cirrose, hiper-hidratação.
35% a 45%
Hemoglobina Homens: Está aumentado em queimaduras graves, policitemia, insuficiência cardíaca,
13,5 a 18 talassemia, DPOC, desidratação. Pode estar diminuído na anemia,
g/dL hipertireoidismo, cirrose, várias doenças sistêmicas.
Mulheres:
12 a 16
g/dL

Fonte: adaptado de Simas e Granzoti (2021).

3.2 Exames relacionados ao metabolismo de lipídios

A avaliação bioquímica de lipídios séricos está relacionada diretamente com o diagnóstico ou


risco para doenças cardiovasculares (DCV) e dislipidemias.

Tabela 8 – Valores de referência metabolismo de lipídios.

Metabolismo de lipídios

Colesterol Desejável: < Usado frequentemente na avaliação de risco de doença coronariana.


total 200 mg/dL Altos níveis estão associados com processo aterosclerótico.
Limítrofe:
200-239
mg/dL
Elevado: > 239
mg/dL

LDL Ótimo: ≤ 100 Pode estar aumentado no hipotireoidismo, doença hepática, trauma
mg/dL agudo, DM, gestação. Pode estar diminuído na Aids.
Desejável:
100-129
mg/dL
Limítrofe: 130-
159 mg/dL
Elevado: 160-
189 mg/dL
Muito
elevado: ≥ 189
mg/dL

HDL Baixo: < 40 Pode estar aumentado no exercício extenuante e regular, terapia com
mg/dL estrogênio ou insulina, consumo moderado de álcool. Pode estar
Alto: > 60 diminuído no jejum prolongado, obesidade, doença hepática, DM,
mg/dL hipertireoidismo, fumo e Aids.
Metabolismo de lipídios

Triglicerídeos Desejável: < Importante na avaliação do metabolismo de lipídios. Pode estar


150 mg/dL aumentado nas hiperlipidemias, doença hepática, pancreatite, diabetes
Limítrofe: 150- descompensada, hipotireoidismo, infarto do miocárdio, alcoolismo,
200 mg/dL ingestão alta de açúcar e/ou gordura e Aids. Pode estar diminuído na
Elevado: 201- desnutrição, síndrome de má absorção, hipertireoidismo, DPOC.
499 mg/dL
Muito
elevado: > 499
mg/dL

Fonte: adaptado de Simas e Granzoti (2021).

3.3 Exames relacionados ao metabolismo de carboidratos

Os exames relacionados ao metabolismo de carboidratos incluem dosagens sanguíneas de


glicose, hemoglobina glicosilada e insulina e são utilizados na detecção de diabetes, resistência
à insulina e doenças relacionadas ao metabolismo da glicose.

Tabela 9 – Valores de referência para o metabolismo de carboidratos.

Metabolismo de carboidratos

Glicemia Até Utilizada para diagnóstico de diabetes mellitus, pode estar aumentada no DM,
100 síndrome de Cushing, deficiência de tiamina, disfunção hepática crônica,
mg/dl infecções severas, hipertireoidismo, pancreatite, inatividade física prolongada,
desnutrição crônica e deficiência de potássio. Pode estar diminuída quando
administradas doses altas de insulina, hipotireoidismo, doença de reserva de
glicogênio, abuso de álcool, privação alimentar prolongada e exercício
extenuante.

Hemoglobina 3,6% a Avalia o controle glicêmico de diabéticos em longo prazo. Reflete a média das
glicosilada 5,3% glicemias durante os últimos dois meses. É um teste menos sensível que a curva
glicêmica para o diagnóstico do diabetes mellitus. Pode estar aumentado no DM
descompensado, na talassemia e deficiência de ferro. Pode estar diminuído na
anemia falciforme e outras anemias hemolíticas.

Fonte: adaptado de Simas e Granzoti (2021).

3.4 Exames relacionados ao metabolismo de proteínas

O estado nutricional de proteínas é definido em termos de deficiência proteica ou depleção, em


que podemos considerar:

Deficiência: nutriente está insuficiente na dieta.


Depleção: nutriente está insuficiente no organismo.

O estado nutricional de proteínas reflete a capacidade do organismo em sintetizar aminoácidos


não essenciais e de absorver e utilizar os aminoácidos essenciais. Dessa forma, dividimos os
exames bioquímicos relacionados ao estado nutricional de proteínas em proteínas viscerais ou
somáticas.

3.4.1 Proteínas viscerais

As proteínas viscerais são produzidas pelo fígado e participam de funções, como transporte e
processo inflamatório.

3.4.2 Proteínas somáticas

A avaliação de proteínas somáticas é realizada para verificação do estado nutricional de


proteínas em relação às proteínas musculares. Normalmente essa alteração ocorre nos estados
de desnutrição energético-proteica, o que é diferente das viscerais, que são alteradas pela
desnutrição proteica. Isso ocorre pois, quando há falta de apenas proteínas, a insulina liberada
pelo consumo de carboidratos evita a degradação proteica muscular, levando a uma degradação
maior de proteínas viscerais. Esse é o caso da desnutrição conhecida como Kwashiorkor. Na
desnutrição energético-proteica, a diminuição da liberação da insulina pela falta de ingestão de
carboidratos e o aumento da liberação do cortisol levam a um aumento da proteólise muscular,
diminuindo as proteínas somáticas. Esse é o caso da desnutrição do tipo marasmo.

As proteínas somáticas são avaliadas na urina. Os exames realizados para detecção de


desnutrição energético-proteica são: creatinina; índice creatinina/altura e balanço nitrogenado.

Tabela 10 – Valores de referência metabolismo de proteínas.

Metabolismo de proteínas

Albumina Eutrofia: > Útil na avaliação do estado nutricional e capacidade de síntese hepática.
3,5 g/dL
Desnutrição
proteica
leve: 3,0 –
3,4 g/dL
Moderada:
2,1-3,0 g/dL
Grave: < 2,1
g/dL

Creatina Homens: Útil na avaliação da função renal. Aumenta conforme diminui o ritmo de
0,8-1,2 filtração glomerular e vice-versa. Sofre menos influência da dieta do que a
mg/dL ureia. Reflete a soma da ingestão de alimentos ricos em creatina e em
Mulheres: creatinina (músculo esquelético).
0,6-1,0
mg/dL
Ferritina Homens: 36 Importante no diagnóstico diferencial de anemias e no acompanhamento
a 262 g/L das alterações de armazenamento de ferro. Pode estar aumentada nas
Mulheres: doenças inflamatórias, insuficiência renal crônica (IRC), hepatite e
Menarca: 10 sobrecarga de ferro. Pode estar diminuída na anemia por deficiência de
a 64 g/L ferro.
Pós-
menopausa:
24 a 155 g/L

Proteína C- < 0,8 mg/dL Fator de risco para evento cardiovascular. Pode estar aumentada na
reativa inflamação arterial, infecções bacterianas, câncer, doença de Crohn, infarto
(PCR) de miocárdio, pancreatite, febre reumática, artrite reumatoide e obesidade.

Transferrina 200-400 Pode estar aumentada nas reservas inadequadas de ferro, anemia
mg/dL ferropriva, hepatite aguda, policitemia, uso de contraceptivos orais e
gestação. Pode estar diminuída nas anemias perniciosa e falciforme,
infecção, câncer, doença hepática, desnutrição, síndrome nefrótica e
talassemia.

Fonte: adaptado de Simas e Granzoti (2021).

3.5 Dosagem hormonal para avaliação da tireoide

Para determinação de hipotireoidismo e hipertireoidismo, deve-se avaliar a concentração dos


hormônios tireoidianos no sangue.

Tabela 11 – Valores de referência para avaliação da tireoide.


Avaliação da tireoide

Antiperoxidase >10 É o marcador mais sensível para a tireoide autoimune (Hashimoto), com
tireoidiana U/mL sensibilidade e especificidade de 91,9% a 92,7%, respectivamente. Seus
(Anti-TPO) níveis refletem a gravidade da infiltração linfocítica na glândula tireoidiana.

TSH 0,4 a 4 O TSH é um hormônio que regula a produção dos hormônios tireoidianos
mU/mL (T3 e T4); quando a produção desses hormônios está alta, o nível de TSH
diminui, e quando está baixa, o nível de TSH aumenta para estimular a
produção dos hormônios tireoidianos.

T3 Livre 1,5 a 4,1 Quando o hipertireoidismo se desenvolve, seus valores estão acima do
mU/mL normal.

T3 70 a Circula ligada a proteínas. Está aumentada em terapia com hormônio da


(Triiodotironina) 100 tireoide. Pode estar diminuído em doenças graves em geral, pós-operatório,
μg/dL jejum, uso de propranolol, amiodarona, corticosteroides ou pessoas muito
idosas.

T4 4,5 a Pode estar aumentado no hipertireoidismo, anorexia nervosa, hiperemese


(Tiroxina) 12,5 gravídica, uso de amiodarona e propranolol. Está diminuído no
μg/dL hipotireoidismo, pré-eclâmpsia, IRC.

Fonte: adaptado de Simas e Granzoti (2021).


Videoaula - Exames laboratoriais: tireoide a função hepática

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Videoaula - Exames laboratoriais: Vitaminas e minerais

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3.6 Detecção laboratorial de função hepática

Para determinação de prova de função hepática, utiliza-se a concentração de algumas enzimas


hepáticas. Essas enzimas, quando encontradas no sangue em quantidades acima dos valores de
referência, demonstram lesão hepática com extravasamento do conteúdo intracelular no sangue.
As duas aminotransferases, ALT (antigamente denominada TGP) e AST (antigamente
denominada TGO), são excelentes indicadores de lesão hepática provocada por inflamações,
doenças hepáticas e outras patologias.

Tabela 12 – Valores de referência da função hepática.

Função hepática

ALT (alanina Homens: Útil no diagnóstico de hepatopatias e monitoramento do tratamento


aminotransferase) 10 a 40 das hepatites. A concentração aumentada de ALT é encontrada, além
U/L de hepatopatias, em pancreatite, cardiopatias, traumatismo muscular,
Mulheres: queimaduras graves e choque.
7 a 35 U/L

AST (aspartato Homens: Útil no diagnóstico não só de função hepática, mas de muitas
aminotransferase) 14 a 20 patologias. Encontra-se aumentada nas seguintes situações:
U/L Grande elevação: infarto agudo do miocárdio; choque; pancreatite
Mulheres: aguda.
Elevação moderada: arritmias cardíacas; isquemia miocárdica; Lesões
10 a 36
de músculos esqueléticos.
U/l

Gama- Homens: Importante marcador de função hepática, é aumentada em situações


glutamiltransferase 7 a 47 U/L como icterícia, hepatites, cirrose, câncer hepático, colestase e
Mulheres: hepatopatias alcóolicas, entre outros. Também se encontra alterada
5 a 25 U/L nas seguintes condições: pancreatites, carcinomas prostáticos, câncer
de mama e pulmão, lúpus sistêmicos e hipertireoidismo. Pode estar
diminuída no hipotireoidismo.

Fonte: adaptado de Simas e Granzoti (2021).

3.7 Detecção laboratorial de vitaminas e minerais

Os exames laboratoriais relativos às vitaminas têm a função, em sua maioria, de confirmar o


estado nutricional relativo a elas, podendo apontar deficiências ou toxicidades. Alguns desses
exames também têm a função de confirmar doenças relacionadas à alteração do metabolismo e
à ingestão dessas vitaminas. Contudo, a maioria não tem precisão nos resultados, pois muitas
vezes analisam apenas a deficiência, e não a carência desses micronutrientes. Além disso,
podem nos fornecer dados não fidedignos em relação ao estado nutricional das vitaminas, uma
vez que a maioria delas tem metabolismo rápido, diminuindo sua concentração sanguínea
rapidamente e não são estocadas no organismo. Dessa forma, a maioria desses exames serve
apenas como confirmação de uma carência suspeita. Dificilmente são realizados todos os
exames, pois isso confere um fator de custo alto aos laboratórios ou paciente e, em sua maioria,
não representam resultados fiéis se não forem associados a exames clínicos e à investigação
alimentar.
Os exames laboratoriais relativos aos minerais têm a função de confirmar o estado nutricional
relativo a eles, podendo apontar deficiências ou toxicidades. Alguns desses exames também
auxiliam a confirmar doenças relacionadas à alteração do metabolismo, como doenças renais.
Dessa forma, as mesmas observações feitas em relação aos exames de vitaminas são válidas
para os de minerais. A utilização desses exames como avaliação do estado nutricional pode não
ser fidedigna. Nesse sentido, a avaliação nutricional completa é a ferramenta mais importante
para confirmação do estado nutricional. O melhor modo de se investigar uma carência deve ser
por inquéritos alimentares, sinais clínicos e avaliação nutricional completa, podendo utilizar
exames quando houver suspeita de deficiência nutricional.

Tabela 13 – Valores de referência para vitaminas e minerais.


Vitaminas e minerais

Marcador Intervalo de referência Valores ideais

Ácido fólico 3 a 17 ng/mL 11 a 17 ng/mL

Ferro 30 a 160 µg/dL 60 a 150 µg/dL

Vitamina A 1,2 a 4,2 µmol/L 60 a 70 µg/dL (2,898 µmol/l a 3,381 µmol/L)

Vitamina E 5 a 20 mg/L 7,8 a 12,5 mg/L

Vitamina B12 Acima de 400 pg/mL

Vitamina C 0,4 a 1,5 mg/dL (35,3 a 132,6 µmol/L) 45 a 50 µmol/L

Vitamina D 20 a 76 ng/mL 50 a 60 ng/mL

Zinco 70 a 150 µg/dL 84 a 150 µg/dL

Fonte: adaptado de Simas e Granzoti (2021).


Videoaula - Exames laboratoriais nas desordens estéticas

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3.8 Exames bioquímicos específicos na estética

A avaliação bioquímica é de extrema importância na nutrição estética. Dadas as anormalidades


laboratoriais, a conduta clínica diante das queixas estéticas se torna mais fácil e assertiva. Essa
avaliação ainda pode ser utilizada para monitoramento do tratamento e na adesão de cuidados
nutricionais estéticos, além de ser um critério decisivo para submeter ou não o paciente a um
procedimento estético, uma vez que deficiências nutricionais ou alterações podem interferir
diretamente no resultado do tratamento (PUJOL, 2020; SIMAS; GRANZOTI, 2021).

3.8.1 Avaliação bioquímica para indivíduos com acne

A acne é um processo multifatorial. Entretanto, sabe-se que a alteração hormonal pode estar
relacionada ao processo. Os hormônios envolvidos com o processo da acne são os hormônios
esteroides sexuais. Além dos hormônios, a dosagem de zinco e selênio deve ser realizada para
garantir que não haja carência desses minerais, assim como os exames de glicemia em jejum,
insulina em jejum, cortisol, PCR, perfil lipídico, vitaminas A, E, C e B1 e homocisteína (valores de
referência citados há pouco). Os hormônios que devem ser investigados e respectivos valores de
referência estão discriminados na tabela a seguir (SIMAS; GRANZOTI, 2021).

Tabela 14 – Valores de referência de exames para acne


Marcador Intervalo de referência Valores ideais
Marcador Intervalo de referência Valores ideais

Testosterona total 240 a 1100 ng/dL 700 ng/dL


Homem 15 a 70 ng/dL 35 ng/dL
Mulher

Testosterona livre 50 s 200 pg/mL 25 a 35 pg/dL


Homem 2 a 15 pg/mL 8 pg/mL
Mulher

Dihidrostestosterona 300 a 1000 pg/mL 700 pg/mL


Homem 80 a 350 pg/mL 250 pg/mL
Mulher

Sulfato de Dehidroepiandroterona 200 a 310 µg/dL 400 µg/dL


Homem 80 a 480 µg/dL 280 µg/dL
Mulher

Globulina transportadora de hormônios sexuais (SHBG) 20 a 55 pmol/L 25 a 30 pmol/L


Homem 41 a 79 pmol/L 64 pmol/L
Mulher

Fonte: adaptado de Simas e Granzoti (2021).

3.8.2 Avaliação bioquímica para indivíduos com melasma

Figura 12 – Melasma na face

Fonte: [Link]
[[Link] .

O melasma é uma discromia associada à hiperpigmentação melanogênica, especialmente em


mulheres em período fértil. Além da exposição ao sol, o uso de contraceptivos orais e outros
esteroides, além de alguns alimentos, entre outros, podem desencadear esse distúrbio estético
(SIMAS; GRANZOTI, 2021).
Os hormônios sexuais têm forte atividade melanogênica, principalmente o estradiol, e disfunções
tireoidianas podem estar relacionadas com fisiopatologia do melasma. A avaliação laboratorial
de micronutrientes também pode ser uma forma efetiva de entender os mecanismos que levam
ao desenvolvimento do melasma, e a carência de vitaminas e minerais pode ser um dos fatores
relacionados a esse distúrbio (SIMAS; GRANZOTI, 2021).

Principais marcadores bioquímicos a serem solicitados para pacientes com melasma:


estrogênio, cortisol, TSH, T4 livre, zinco, ferro, ferritina, hemograma, vitaminas C e B12,
homocisteína e capacidade total antioxidante (SIMAS; GRANZOTI, 2021).

Tabela 15 – Valores de referência de exames para melasma.

Marcador Intervalo de referência Valores ideais

Estrogênio (mulher) Fase folicular: 18,9 a 246,7 pg/mL


Pico ovulatório: 35,5 a 570 pg/mL
Fase lútea: 22,4 a 256 pg/mL

Cortisol 3 a 19 µg/dL 14 µg/dL

Capacidade total antioxidante 560 mcmol/L a 1.120 mcmol/L

Fonte: adaptado de Simas e Granzoti (2021).

3.8.3 Avaliação bioquímica para indivíduos com alopecia

Alopecia pode ser entendida como diminuição/alteração no número de fios de cabelo ou até
mesmo a sua ausência na região do couro cabeludo, sendo um distúrbio estético de causas
multifatoriais. Existem vários tipos de alopecia, sendo que as principais são: eflúvio telógeno,
alopecia areata e alopecia androgenética (SIMAS; GRANZOTI, 2021).

O eflúvio telógeno é o tipo mais comum de queda capilar no público feminino, sendo
caracterizado pela queda difusa do cabelo, e uma porcentagem maior dos folículos no couro
cabeludo encontra-se na fase telógena. Basicamente, esse fenômeno inicia-se de 3 a 6 meses
após algum evento-gatilho e, uma vez identificada a causa, esse tipo de queda torna-se
reversível. Assim, o estresse é um fator importante. As causas mais comuns são atribuídas à
deficiência de ferro e disfunções tireoidianas, além da deficiência de zinco, que corresponde a
aproximadamente 10% dos casos (SIMAS; GRANZOTI, 2021).

A alopecia areata consiste em uma perda reversível do folículo piloso e que acomete regiões
específicas ou placas no couro cabeludo. Inúmeros relatos associam esse tipo de alopecia com
doenças autoimunes, principalmente vitiligo, lúpus eritematosos e doenças autoimunes da
tireoide. Não existem exames laboratoriais específicos para alopecia areata, no entanto, sugere-
se avaliar funcionamento tireoidiano (TSH, Anti-TPO e T4 livre); a vitamina D também exerce um
papel regulador do sistema imune (SIMAS; GRANZOTI, 2021).

Figura 13 – Alopecia areata

Fonte: [Link]
[[Link] .

Já a alopecia androgenética é a principal causa de queda de cabelo em homens, em que dois


hormônios androgênicos estão envolvidos na fisiopatologia: testosterona e dihidrotestosterona
(DHT) (SIMAS; GRANZOTI, 2021).

Assim, os principais marcadores bioquímicos a serem solicitados para avaliação dos pacientes
com alopecia seriam: ferro, ferritina, hemograma, TSH, T4, zinco, cortisol, testosterona, DHT,
SHBG, anti-TPO e vitamina D (todos os exames apresentam valores de referência citados
anteriormente) (SIMAS; GRANZOTI, 2021).

3.8.4 Avaliação bioquímica para indivíduos com celulite

É um distúrbio metabólico localizado no tecido adiposo subcutâneo que causa alterações no


contorno corporal. A etiopatologia é multifatorial e mostra ter uma forte relação com diferentes
hormônios, muitos dos quais participam ativamente da sua fisiopatologia, como no caso do
estrogênio. Esse hormônio exerce papel fundamental sobre o tecido adiposo, especialmente o
subcutâneo (TAS) (PUJOL, 2020).

Os níveis de insulina podem contribuir para o desenvolvimento dessa desordem estética. Níveis
elevados desse hormônio (hiperinsulinemia) têm forte relação com o aumento da adiposidade
corporal, tanto em nível visceral quanto subcutâneo. Níveis de insulina elevada também são
responsáveis pelo aumento da retenção de líquido, pois no rim a insulina promove a reabsorção
de sódio, ocasionando o edema (SIMAS; GRANZOTI, 2021).

Ácido úrico também é um bom parâmetro para ser avaliado na celulite. As concentrações de
ácido úrico podem relacionar-se com o consumo inadequado de carboidratos, principalmente
glicose e frutose/sacarose. Níveis elevados de ácido úrico também elevam as chances de
disfunção endotelial, do estresse oxidativo e da adiposidade corporal que, na celulite, já podem
se apresentar alterados. Os valores de referência para ácido úrico vão de 2,8 a 7,8 mg/dL, no
entanto, seus valores ideais variam entre 4 a 6 mg/dL (SIMAS; GRANZOTI, 2021).

Parâmetros bioquímicos relacionados ao ferro e que predizem uma possível anemia também
devem ser avaliados. Níveis adequados de ferro são fundamentais para síntese de
hemeproteínas, entre elas a hemoglobina, que transporta oxigênio aos tecidos e cuja redução de
concentração pode levar a um quadro de hipoxia tecidual. Na celulite esse quadro pode agravar
os mecanismos que induzem a inflamação e, consequentemente, a formação de fibrose (SIMAS;
GRANZOTI, 2021).

Os principais exames bioquímicos a serem solicitados nos pacientes com celulite são ferro,
ferritina, hemograma, testosterona, estradiol, insulina e ácido úrico (todos exames com valores
de referências já citados anteriormente) (SIMAS; GRANZOTI, 2021).

3.8.5 Avaliação bioquímica para indivíduos com flacidez e envelhecimento


cutâneo

A pele é uma estrutura complexa e, por ter íntima relação com o ambiente externo, suas funções
se organizam para proteger o organismo. Assim, responde de forma dinâmica aos diferentes
estímulos (extrínseco e intrínseco), que em curto ou longo prazo alteram seu percurso.

A flacidez do tecido cutâneo é um acontecimento lento e progressivo, em que a fisiopatologia


está fortemente associada com a diminuição da produção de fibras de colágeno e elásticas da
pele. Naturalmente, esse processo se inicia aos 25 anos de idade e pode ser agravado por
diferentes fatores, como hormonais, nutricionais, radiação solar e patologias, entre outros.
A pele é diretamente afetada pelo processo de envelhecimento e pela menopausa, em que ocorre
um cessamento da produção de hormônios ovarianos. Assim, o metabolismo celular dérmico é
influenciado pelo estado hipoestrogênico da menopausa, levando a alterações no conteúdo de
colágeno, elastina e de glicosaminoglicanas.

Hiperglicemia crônica também é um fator associado à flacidez. Excesso de glicose plasmático é


responsável pelo aumento da síntese endógeno dos produtos finais de glicação avançada
(AGEs). Condições de estresse são outro fator que exerce influência sobre a pele, principalmente
por meio do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), como o cortisol (SIMAS; GRANZOTI, 2021).

A vitamina C é extremamente importante para o tecido cutâneo. Na derme, especialmente nos


fibroblastos, participa ativamente nas reações de hidroxilação. Sua deficiência pode levar a uma
redução nas concentrações de hidroxiprolina, e consequentemente, a uma redução na síntese de
colágeno. O ferro, juntamente com a vitamina C, participa da síntese de colágeno, sendo
importante para a proliferação dos fibroblastos (SIMAS; GRANZOTI, 2021).

Os principais marcadores bioquímicos que podem ser solicitados em pacientes com flacidez são
estrogênio, insulina, hemoglobina glicada, cortisol, vitamina C, ferro, ferritina e hemograma
(valores de referência citados anteriormente) (SIMAS; GRANZOTI, 2021).
Recapitulando a Unidade 3
O nutricionista é um profissional legalmente habilitado a solicitar exames bioquímicos
necessários à avaliação, à prescrição e ao acompanhamento da evolução nutricional do
paciente. A análise dos exames bioquímicos complementa a avaliação clínica. É uma etapa
essencial para identificar deficiências que possam estar influenciando algum resultado estético
ou clínico, assim como monitorar a adequação da terapia nutricional.

Os exames rotineiramente mais solicitados na prática clínica são hemograma, exames


relacionados ao metabolismo lipídico, carboidratos e proteínas, dosagem hormonal para
avaliação da tireoide, detecção laboratorial da função hepática e avaliações de vitaminas e
minerais.

No atendimento estético, a avaliação bioquímica é de extrema importância, pois podemos


monitorar o tratamento e a adesão de cuidados nutricionais estéticos. Também pode ser um
critério decisivo para submeter ou não o paciente a um procedimento estético, uma vez que
deficiências nutricionais ou alterações podem interferir diretamente no resultado do tratamento.
Por meio da avaliação laboratorial, podemos avaliar desordens estéticas como alopecia, acne,
celulite, melasma, envelhecimento cutâneo e flacidez.

Videoaula - Avaliação nutricional estética

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4. Avaliação nutricional aplicada à estética
O conhecimento sobre o procedimento estético que o paciente já realizou ou que está realizando
é de fundamental importância para a atuação do nutricionista estético, uma vez que se pode
modular a alimentação com o objetivo de potencializar os resultados do procedimento. Nesse
sentido é fundamental a interação com a equipe multidisciplinar devido à possível necessidade
de informações complementares do médico dermatologista, cirurgião plástico, fisioterapeuta ou
massoterapeuta.

4.1 Avaliação da imagem corporal e facial

4.1.1 Autoavaliação das desordens estéticas

Utilizada como auxílio na conduta nutricional estética, a autoavaliação normalmente é


preenchida pelo próprio paciente fora do ambiente de consulta, em que ele próprio aponta suas
desordens com setas e marcações indicando o local e qual a desordem (celulite, varizes, estrias,
gordura localizada, flacidez etc.).

Figura 14 – Autoavaliação facial

Fonte: acervo da autora


Figura 15 – Autoavaliação corporal

Fonte: acervo da autora

4.1.2 Escalas de silhuetas

Para a verificação da imagem corporal, é utilizada a escala proposta por Stunkard et al. (1983).

Figura 16 – Escala de silhuetas

Fonte: adaptado de Stunkard et al. (1983).

4.2 Tipos de pele

A avaliação da cor da pele do paciente é fundamental no atendimento estético, para que se possa
determinar a melhor estratégia de prevenção e tratamento para fotoenvelhecimento,
fotoproteção e melasma, entre outros.
Para essa classificação utilizamos a escala Fitzpatrick, uma ferramenta de classificação
numérica para cor da pele criada por Thomas B. Fitzpatrick em 1975 na Escola de Medicina da
Universidade de Harvard.

Inicialmente foi desenvolvida baseada na cor da pele para medir a dose correta de radiação
ultravioleta para terapia psolareno + UVA (PUVA). O teste inicial era apenas com a cor dos olhos
e cabelo, que resultou em doses muito elevadas de UVA para algumas pessoas, e foi modificado
para avaliação de acordo com os relatos dos indivíduos de como sua pele corresponde aos raios
solares.

Quadro 5 – Categorias da escala de Fitzpatrick.

von
Fitzpatrick Luschan Cor Queimadura Bronzeamento

Tipo I 0-6 Branca pálida Queima facilmente Não se bronzeia

Tipo II 7-13 Branca Queima facilmente Bronzeia-se com


dificuldade

Tipo III 14-20 Branca Pode queimar Bronzeia-se facilmente


inicialmente

Tipo IV 21-27 Castanha- Dificilmente queima Bronzeia-se facilmente


clara/oliva

Tipo V 28-34 Parda Habitualmente não se Bronzeia-se facilmente


queima

Tipo VI 35-36 Negra Não queima Torna-se mais escura

Fonte: adaptado de Fitzpatrick (1975).

Figura 17 – Escala de Fitzpatrick

Fonte: adaptado de Fitzpatrick (1975)


Figura 18 – Escala cromática de von Luschan

Fonte: [Link]
[[Link]
[Link]] .
Figura 19 – Escala de Fitzpatrick e câncer de pele

Fonte: [Link]
[[Link]
n_cancer_risk.png] .
ipe1895_21 - Retratos da Real Beleza

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Videoaula - Avaliação nutricional estética: tipos de pele

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Videoaula - Avaliação nutricional estética: acne

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4.3 Acne

Não existe uma classificação universal para acne vulgar. Normalmente se utiliza uma
classificação com base nas lesões encontradas, que define três tipos de acne: comedônica,
pápulo-pustulosa e nódulo-cística, ou apenas nodular.

O diagnóstico da acne é clínico, o que facilita distinguir suas diferentes formas. No entanto, em
algumas situações especificas podem aparecer dificuldades, sendo necessário levar em
consideração alguns diferenciais para diagnósticos (DIEPGEN et al., 2021).
Figura 20 – Classificação da acne

Acne grau I: apenas cravos, sem lesões inflamatórias (espinhas). Acne grau II:
cravos e espinhas pequenas, com pequenas lesões inflamadas e pontos
amarelos de pus (pústulas). Acne grau III: cravos, espinhas pequenas e lesões
maiores, mais profundas, dolorosas, avermelhadas e bem inflamadas (cistos).
Acne grau IV: cravos, espinhas pequenas e grandes lesões císticas, múltiplos
abscessos interconectados e cicatrizes irregulares resultando em
deformidade da área afetada. Fonte: [Link]
[[Link] .

4.4 Celulite

Novos métodos de tratamento para celulite requerem escalas globalmente aceitas para
pesquisas estéticas e avaliação do paciente.

Os graus de celulite podem ser avaliados por meio da escala de avaliação validada para celulite
nas nádegas e coxas em pacientes do sexo feminino, um método desenvolvido pelas
dermatologistas brasileiras Hexsel et al. (2019). Essa escala tem duas classificações para
celulite em repouso e celulite dinâmica.
Figura 21 – Classificação da celulite em repouso

A celulite pode ser dividida em quatro graus. Grau 1: sem ondulações ou


irregularidades. Ao comprimir a pele, surgem pequenas ondulações e
“furinhos”. Grau 2: ondulações e “furinhos” já são percebidos sem comprimir
a pele. Grau 3: nódulos claramente perceptíveis. Grau 4: vários nódulos,
celulite “dura”. Há inchaço, comprometimento da circulação de retorno, pele
com aspecto acolchoado. Fonte: Hexsel et al. (2019, p. S5).

Após a puberdade, a maioria das mulheres desenvolve algum grau de celulite. O aumento do
número de consultas relacionadas ao tratamento da celulite demandou compreensão mais ampla
de características, desejos e expectativas desses pacientes com relação à qualidade de vida. Para
essa avaliação temos questionários de avaliação da qualidade de vida em pacientes do sexo
feminino que apresentaram queixas de celulite. Acesse o questionário no link:
[Link] [[Link] .
Videoaula - Avaliação nutricional estética: celulite

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Videoaula - Avaliação nutricional estética: Flacidez

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4.5 Flacidez

É um processo da atrofia tecidular associado ao envelhecimento fisiológico, em que se observa


perda progressiva de massa muscular, sendo substituída pelo tecido adiposo. Esse processo do
envelhecimento fisiológico pode ser acelerado quando associado a diversos fatores, como raios
ultravioleta, tabagismo, sedentarismo, distúrbios hormonais, gravidez, obesidade, perda de peso
rápida, entre outros (PUJOL, 2020). Atualmente, é grande a procura por tratamentos,
procedimentos e produtos que possam agir de forma eficiente no tratamento e da prevenção da
flacidez. Assim, Kaminer et al. (2019), desenvolveram um conjunto de escalas de graduação para
a avaliação objetiva da flacidez da pele.

Figura 22 – Classificação da flacidez

Fonte: Kaminer et al. (2019, p. S14).

4.6 Registro fotográfico

Não é um método antropométrico, mas pode ser um instrumento para comparação dos
resultados antes e após tratamento se houver padrão no registro fotográfico.

Muitos profissionais utilizam fotografias para ilustrar os casos clínicos que executam, algumas
vezes para registro de resultados ou até mesmo para convencimento de clientes.

Deve-se estar atento para a necessidade de autorização do paciente para que essa divulgação
possa ser feita, uma vez que o paciente fotografado talvez não deseje ter a fotografia de seu caso
clínico divulgada. Apenas permite-se a divulgação de suas imagens ou seus dados com o
consentimento do paciente.

O cliente tem o direito de manter o sigilo dos seus dados, sendo fundamental sua concordância
para a utilização do que lhe é privado, mais até quando há reconhecimento da pessoa na foto, e
um termo de consentimento para fotografia. Esse termo deve utilizar uma linguagem clara e
acessível, evitando o uso de termos técnicos de difícil entendimento. Deve também conter
informações sobre o procedimento, os objetivos, efeitos e as reações ao tratamento.
Informações incorretas podem invalidar o documento.

Na estética, a fotografia devidamente autorizada por meio de um documento específico ajuda o


profissional não só a mostrar ao paciente a evolução e os resultados do tratamento como
resguardá-lo de possíveis questionamentos posteriores. O registro fotográfico, associado à
antropometria, ilustra e registra se os resultados foram alcançados de forma objetiva.

Para que haja precisão no registro fotográfico, são necessários alguns parâmetros:

manter-se à distância de dois metros do cliente;


registrar a data e o horário da fotografia;
utilizar a mesma regulagem da máquina e distância do cliente na primeira avaliação e nas
consecutivas;
fotografar sempre no mesmo ambiente e sob a mesma iluminação;
padronizar a roupa (avental, calcinha descartável entregue pelo avaliador); e
caso necessite utilizar outros parâmetros, registrar no protocolo de avaliação.

Videoaula - Avaliação nutricional estética: registro fotográfico

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Recapitulando a Unidade 4
Nesta unidade aprendemos como realizar uma avaliação nutricional com ênfase no atendimento
estético, uma vez que se pode usar a alimentação com o objetivo de potencializar os resultados
dos diferentes procedimentos estéticos. Portanto, é fundamental o trabalho em equipe
multidisciplinar.

Com o auxílio do profissional, o paciente pode realizar sua autoavaliação estética, tanto corporal
como facial, por meio de ferramentas válidas que podem ser preenchidas pelo próprio paciente,
indicando suas desordens com setas e marcações indicando o local e qual a desordem.

Conhecer o tipo de pele do paciente é fundamental para determinar a melhor estratégia para
prevenir o envelhecimento cutâneo e o melasma e aumentar a fotoproteção. Para tal
classificação, usa-se a escala de Fitzpatrick, desenvolvida em 1975.

Avaliar o grau de acne também é fundamental para uma estratégia nutricional fidedigna.
Infelizmente, não existe uma classificação universal para classificação da acne vulgar, sendo
utilizada uma classificação com base nas lesões encontradas. No entanto, em algumas
situações específicas podem surgir dificuldades, devendo ser levados em consideração alguns
diagnósticos diferenciais.

Determinar o grau de celulite também é um desafio para os profissionais. Existem diferentes


protocolos para se avaliar os diferentes graus de celulite. Novos métodos de tratamento
requerem escalas globalmente aceitas para pesquisas estéticas e avaliação do paciente. Nesta
unidade utilizamos uma escala de avaliação validada para celulite nas nádegas e coxas em
pacientes do sexo feminino, desenvolvido pelas dermatologistas brasileiras Hexsel et al (2019).

Por fim, importante destacar que a classificação da flacidez ainda carece de estudos científicos
para uma classificação mais precisa. Nesta unidade aprendemos uma escala de graduação para
a avaliação objetiva da flacidez da pele, proposta por Kaminer et al. (2019).

O registro fotográfico não é considerado um método para avaliação nutricional, mas pode ser um
instrumento muito útil para comparação dos resultados antes e após tratamentos estéticos.
Para tal registro, o profissional deve se atentar a alguns pontos de extrema importância, como ter
a autorização do paciente e seguir o entendimento do código de ética em vigor da profissão,
além de uma padronização no registro fotográfico para que haja melhor precisão para avaliação
do antes e depois.
Videoaula - Considerações finais

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Considerações finais
Atualmente percebemos uma preocupação excessiva com a beleza, principalmente pelo público
feminino. Esse processo pode ter um impacto negativo sobre a imagem corporal. As alterações
em relação à estética e à imagem corporal estão em constante evolução, necessitando assim de
maior atenção nutricional.

O atendimento nutricional é mais do que oferecer uma simples informação. O nutricionista


estético atua na reeducação alimentar, priorizando uma melhora no estilo de vida. Assim, cuidar
da alimentação é cuidar da vida. Para o profissional que atua diretamente com essa clientela, é
fundamental estabelecer junto com seu paciente objetivos possíveis de serem alcançados.

Portanto, a nutrição estética vai além das dietas para perda de peso. O nutricionista atua na
promoção da saúde buscando bons hábitos alimentares para uma melhor qualidade de vida,
advertindo sobre as crenças e as condutas equivocadas a respeito da alimentação.
Autoria
Juliana Gonçalves
Autora
Nutricionista. Doutorado e mestrado em Ciências da Saúde pelo Instituto de Cardiologia do Rio
Grande do Sul. Presidente da Associação Brasileira de Fitoterapia Regional Sul (2016/2019).
Membro da Associação Brasileira de Fitoterapia (ABFIT). Especialista em Nutrição Clínica pela
Associação Brasileira de Nutrição (Asbran). Especialização em Nutrição Clínica, Fitoterapia
Clínica e Nutrição Aplicada à Estética. Habilitação em Prescrição de Fitoterápicos. Coordenadora
do curso de Nutrição – Faculdade Estácio. Autora dos livros Manual de prescrição de
fitoterápicos pelo nutricionista (2019) e Manual de atendimento em nutrição estética (2011).
Coautora dos livros Estratégias low carb, cetogênica & jejum intermitente (2021), Nutrição
aplicada à estética (2020), Estratégias low carb (2017), Fitoterapia em nutrição clínica (2017) e
Atendimento nutricional em cirurgia plástica - uma abordagem multidisciplinar (2013).
Glossário
Flacidez

Estado do que é mole, ou flácido: a flacidez das carnes, dos tecidos. Fonte:
[Link] [[Link] .

Edema

A palavra “edema” tem origem no grego oidema, que significa “inchaço”. É o excesso de líquido
acumulado no espaço intersticial, ou seja, entre os tecidos do corpo. O acúmulo desse líquido,
composto por água, sais e proteínas plasmáticas pode ser localizado ou generalizado
(anasarca). O edema é provocado pela quebra dos mecanismos que regulam a distribuição do
volume de líquido no espaço intersticial, fazendo com que a quantidade de líquido que sai do
capilar seja maior que aquela que retorna à circulação. Fonte:
[Link] [[Link] .

Avaliação do estado nutricional

É a análise de dados diretos (fisiológicos, clínicos, bioquímicos, antropométricos, outros métodos


reconhecidos pelo Sistema CFN/CRN e doenças preexistentes) e indiretos (consumo alimentar,
condições socioeconômicas e disponibilidade de alimentos, entre outros) que têm como
conclusão o diagnóstico de nutrição do indivíduo ou de uma população. Fonte:
[Link]
[[Link] .

Acne

Afecção da pele em que os poros, ou pequenas aberturas das glândulas sebáceas, são
obstruídos. Fonte: [Link] [[Link] .

Alopecia

Doença que provoca a queda dos cabelos ou dos pelos, podendo se manifestar de modo
temporário ou permanente; falacrose, calvície. Fonte: [Link]
[[Link] .

Celulite

Inflamação do tecido celular, em especial do tecido adiposo subcutâneo, geralmente na zona das
coxas e nádegas das mulheres, que apresenta um aspecto ondulado, semelhante à casca da
laranja. Fonte: [Link] [[Link] .

Estética
Palavra de origem grega, do termo aisthetiké, que significa “aquele que nota, que percebe”.
Estética é conhecida como a filosofia da arte, ou estudo do que é belo nas manifestações
artísticas e naturais. É uma ciência que remete para a beleza e aborda o sentimento que alguma
coisa bela desperta dentro de cada indivíduo. Fonte: [Link]
[[Link] .

Imagem corporal

É a imagem mental que uma pessoa tem de seu corpo, é a forma que a pessoa se percebe e se
imagina. Fonte: [Link]
[[Link] .

Melasma

Mancha escura na pele que surge geralmente no rosto de mulheres, associada à gravidez, à
menopausa ou ao uso de anticoncepcionais orais. Fonte:
[Link] [[Link] .

Perímetro

Linha de contorno de uma figura geométrica; soma dos lados de um polígono ou figura. Contorno
que limita ou circunda qualquer espaço. Fonte: [Link]
[[Link] .
Bibliografia
Bibliografia Clássica

ARMSTRONG, L. et al. Urinary indices of hydration status. International Journal of Sport Nutrition,
n. 4, v. 3, p. 265-279, 1994. Disponível em: [Link]
[[Link] . Acesso em: 12 fev. 2022.

BEVILACQUA, F. Manual do exame clínico. 11. ed. Rio de Janeiro: Cultura Médica, 1997. 475 p.

BLACKBURN, G. L.; THORNTON, P. A. Nutritional assessment of the hospitalized patient. Medical


Clinics of North America, [s. l.], n. 63, v. 5, p. 11103-11115, 1979. Disponível:
[Link] [[Link] . Acesso
em: 12 fev. 2022.

BRASIL. Conselho Federal de Nutricionistas (CFN). Resolução CFN n° 306 de 2003. Dispõe sobre
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