Avaliação Nutricional na Estética
Avaliação Nutricional na Estética
estética
Autora
Juliana Gonçalves
Apresentação
De acordo com Witt e Schneider (2011), as demarcações de um corpo bonito traduzem insígnias
de uma nova ordem que se instaurou e que ganha destaque neste início de século: corpos fortes,
torneados, magros e perfeitos. A sociedade de consumo atual não os exime das exigências
quanto ao padrão de beleza que impõe, desconsiderando as inúmeras desigualdades e
diversidades existentes. A preocupação com o corpo saudável, e acima de tudo bonito, atravessa
contemporaneamente os diferentes gêneros, faixas etárias e classes sociais.
O atual mercado relacionado à estética está em crescimento, o que tem impulsionado a demanda
por profissionais para atuar nessa área. O campo de atuação do profissional nutricionista tem
ganhado destaque nas últimas décadas. Esses profissionais vêm conquistando espaço e, cada
vez mais, ocupando setores e serviços diferenciados.
Cada vez mais em evidência, a Nutrição está em contínuo e crescente reconhecimento como
ciência, o que reflete no número de profissionais lançados no mercado de trabalho, que acabam
escolhendo uma linha de pesquisa, aperfeiçoamento e área de atuação específicas.
De acordo com Schneider (2009), o nutricionista estético é o profissional que aplica a ciência da
Nutrição com o objetivo de tratar ou atenuar envelhecimento cutâneo, acne, excesso de peso,
celulite, flacidez cutânea ou muscular e carências ou deficiências das unhas e cabelos, por meio
de uma alimentação específica, visando melhorar a saúde e autoestima dos indivíduos. Esse
profissional deve estar atento a todas as condições físicas do paciente para propor um plano
eficaz que vise à minimização dessas desordens estéticas.
É fato que grande parte das desordens estéticas é de caráter nutricional, e há aquelas que
acabam afetando a estética do indivíduo. Entre as desordens estéticas que mais assombram as
mulheres encontra-se a hidrolipodistrofia ginoide, mais conhecida como celulite.
A busca de um corpo perfeito com a minimização dessas desordens tem se tornado assunto de
destaque em todo o mundo, mas ainda existem grandes desafios nesse ramo, que vão desde a
avaliação nutricional até a melhor conduta nutricional. Por isso, o profissional nutricionista que
deseja atuar nessa área tem que estar sempre atento às novidades e em constante atualização
para sempre oferecer as melhores opções de tratamento para seus pacientes.
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UNIDADE 1
Avaliação nutricional
A avaliação do estado nutricional tem como objetivo detectar possíveis
distúrbios e riscos nutricionais, como também identificar algumas desordens
estéticas, a fim de traçar condutas nutricionais que viabilizem a recuperação ou
manutenção da saúde de cada indivíduo. O acompanhamento do paciente por
meio da avaliação nutricional é imprescindível para monitorar os efeitos das
intervenções nutricionais e deve-se ter uma atenção especial às queixas
estéticas relatadas pelo paciente (SCHNEIDER, 2009; PUJOL, 2020).
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Videoaula - Anamnese
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1. Anamnese
A anamnese ou avaliação clínica é uma etapa importante na avaliação nutricional de qualquer
paciente e, juntamente com a análise dos exames bioquímicos, o conhecimento dos hábitos
alimentares e as medidas antropométricas, auxilia no diagnóstico nutricional, que irá direcionar a
conduta (ROSSI et al., 2009).
O primeiro passo para uma adequada avaliação clínica é conduzir uma anamnese detalhada.
Para isso o profissional deve deixar o paciente à vontade, ouvi-lo com atenção e registrar os
dados pertinentes. Assim, a organização de uma ficha de coleta de dados, ou anamnese,
detalhada e focada nos objetivos da consulta é imprescindível.
Alguns pontos importantes que não podem faltar no registro de uma avaliação clínica em
estética são:
Rotina diária/habitual: entender as diferentes atividades realizadas pelos pacientes nas 24 horas do
dia, detalhando o máximo possível horários, duração e frequência (exemplo: horas de sono, trabalho,
atividade física).
Tabagismo e/ou drogas: tipo, frequência/quantidade, tempo de uso, se já fez uso (quanto tempo etc.).
Bebida alcoólica: tipo, frequência, quantidade, tempo de consumo, se já fez uso (quanto tempo etc.).
Ingestão hídrica: de água e outros líquidos, tipo e quantidade.
Sono: qualidade de sono (se acorda, demora para pegar no sono, dificuldades para dormir, qualidade
do despertar etc.), horas totais de sono nas 24 horas.
Intestino: formato das fezes, frequência/dia, presença de odor, dor ou desconforto. Pode-se avaliar as
fezes do paciente de acordo com a escala de Bristol, observada na Figura 1.
Figura 1 – Escala de Bristol
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Videoaula - Avaliação Dietética
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Vários estudos sugerem diferentes nutrientes como coadjuvantes na prevenção e tratamento das
mais diversas desordens estéticas, informando as fontes e melhores formas de consumo para
garantir absorção desses nutrientes, garantindo assim sua eficácia. Porém o consumo alimentar
varia de indivíduo para indivíduo. Assim, a avaliação individual a respeito do consumo alimentar
é fundamental para análise da adequação dos nutrientes e, quando necessário, adaptação às
recomendações nutricionais de cada um, o que permitirá saber se há deficiência de nutrientes ou
não. Caso essa abordagem não seja o suficiente, deve-se avaliar a necessidade do uso de
suplementos (SCHNEIDER, 2009; PUJOL, 2020).
Fonte: bymuratdeniz/[Link]
Além disso, alguns pacientes podem ter dificuldade nas respostas aos questionamentos
relativos ao seu próprio consumo alimentar, como: falta de conhecimentos sobre os alimentos e
noção das medidas utilizadas para o consumo; desconhecimento do modo de preparo; pouco
conhecimento dos ingredientes utilizados nas preparações consumidas; falta de atenção pela
própria alimentação; e falta de tempo e interesse ao responder ao inquérito.
Métodos retrospectivos: avaliam o consumo dietético do passado imediato ou de longo prazo. Como
vantagens, podemos citar: fácil aplicação; pouco tempo para a entrevista (entre 10 e 30 minutos); não
há intervenção no hábito alimentar; e facilidade no treinamento do entrevistador e compreensão do
entrevistado. As desvantagens são: depende da memória do entrevistado para exatidão na qualidade
das informações coletadas; dificuldade em estimar a porção consumida; e falta de padronização da
alimentação habitual.
Métodos prospectivos: registram o consumo alimentar atual. Têm como vantagens a medição do
consumo presente e a melhor avaliação do consumo individual, que não depende da memória do
paciente. Suas desvantagens são a omissão de dados pelo entrevistado e uma possível interpretação
de modificação do hábito alimentar.
Para iniciar o recordatório, o entrevistador pode perguntar ao entrevistado: “Por gentileza, pode
me descrever todos os alimentos e bebidas que foram consumidas ontem, desde o momento que
acordou até a hora de ir dormir?”.
Importante questionar sobre o consumo de açúcares, doces, bebidas (água, chá, chimarrão, café,
bebidas alcoólicas), forma de preparo de algumas refeições (grelhado, assado, frito), tipos de
leite, adição de temperos e sal nas preparações.
O QFA é um inquérito alimentar também desenvolvido por Bertha Burke (década de 1940). Foi
criado para obtenção de informação qualitativa ou semiquantitativa sobre o padrão alimentar e a
ingestão de alimentos ou nutrientes específicos dos indivíduos (HOLANDA; FILHO, 2006).
O QFA apresenta como principais vantagens a possibilidade de ser utilizado para avaliação da
relação entre dieta e doença e do consumo habitual do indivíduo sem alterar o padrão de
consumo alimentar, além de ser um método de baixo custo. As principais desvantagens do QFA
são: depender da memória do entrevistado; necessidade de tempo (mínimo de 30 minutos); não
permitir uma avaliação da adequação do consumo alimentar em quantidade; exigir processos de
validação, calibração e reprodutibilidade para aplicação em diferentes populações; e a
necessidade de ser específico para idade e condições fisiológicas e patológicas (HOLANDA;
FILHO, 2006).
[Link] [[Link] .
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1.2.4 Diário alimentar (método quantitativo)
Positivos Negativos
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Face Estado geral, condição física. Presença de edema ou Bom estado geral, sem sinais de
depleção (sinal de chave – exposição do arco depleção ou edema.
zigomático). Apresentação de palidez, atrofia unilateral
ou bitemporal.
Fácies agudo: exausto, cansado, não consegue manter os
olhos abertos por muito tempo.
Fácies crônico: aparência deprimida, triste, pouco
diálogo.
Região Características em condições
examinada Características para serem avaliadas normais
Olhos Aspecto, cor das mucosas e membranas, sinais de Brilhantes, membranas róseas
excesso de nutrientes – xantelasma, arco córneo lipídico, e úmidas, sem manchas e boa
sinais de deficiência de nutrientes: desnutrição – olhos adaptação visual no escuro.
escavados, escuros e flacidez ao redor, hipovitaminoses –
xeroftalmia, nictalopia etc.
Língua Coloração, integridade papilar, edema, espessamento. Língua vermelha e sem edema,
com superfície normal e
paladar preservado.
Peças Presença de cáries, ausência de peças dentárias, uso de Arcada dentária integra, sem
dentárias prótese (bem adaptada ou não), alterações em função de ausência de peças dentárias ou
excesso ou escassez de nutrientes. uso de prótese bem adaptada –
não ocasionar
comprometimento da
mastigação.
Avaliação antropométrica
Por meio da avaliação antropométrica, é possível compreender o processo de
crescimento e desenvolvimento de cada indivíduo, de acordo com sua faixa
etária, sexo, avaliando massa e composição corporal, distribuição de gordura,
possibilitando identificar alterações de saúde/nutricionais ou risco de doenças
(ROSSI et al., 2009; GUEDES, 1990; TIRAPEGUI; RIBEIRO; MELO, 2018).
A antropometria é utilizada em todas as faixas e, quando comparada a outros
métodos de diagnóstico nutricional, apresenta uma série de vantagens (ROSSI et
al., 2009; GUEDES, 1990; TIRAPEGUI; RIBEIRO; MELO, 2018):
facilidade de instrumentos e equipamentos de coleta;
baixo custo.
Videoaula - Avaliação antropométrica: peso, estatura, IMC
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2. Antropometria aplicada à estética
A composição corporal tem uma importância fundamental, em razão de só o peso corporal não
ser considerado um parâmetro fidedigno para a identificação do excesso ou déficit corporal
(massa gorda, massa muscular, massa óssea e massa residual) ou das alterações das
quantidades proporcionais desses componentes corporais em decorrência de um atendimento
estético (SCHNEIDER, 2009; PUJOL, 2020).
Corresponde ao peso aferido no momento da avaliação. Deve ser obtido em uma balança
calibrada. O paciente deve estar descalço e com roupas leves; pela manhã e após a micção. As
medidas devem ser registradas com exatidão.
É o considerado habitual quando o indivíduo está hígido, exercendo suas atividades usuais. Útil
para referência nas mudanças atuais de peso ou quando não é possível medir o peso atual.
Como ocorrem variações individuais, o peso ideal pode modificar na faixa de 10% abaixo e 10%
acima do peso teórico.
A perda de peso involuntária é uma informação importante para avaliação do estado nutricional,
devido à sua elevada correlação com mau prognóstico clínico. A determinação da variação de
peso é realizada por meio da fórmula:
1 mês 5 >5
6 meses 10 > 10
+ Tornozelo 1 kg
++ Joelho 3 a 4 kg
++++ Anasarca 1 a 12 kg
Leve 2,2 1
Moderado 6 5
Grave 14 10
2.2 Estatura
Reflete inadequações nutricionais de caráter crônico. O indivíduo deve estar em pé, descalço,
calcanhares juntos, costas retas e braços estendidos ao lado do corpo (BRASIL, 2004).
Figura 5 – Técnica para aferição de estatura
Vantagens: não invasivo; baixo custo operacional; fácil execução; diagnóstico rápido; alta correlação
com a massa corporal.
Desvantagem: não distingue peso associado com a massa magra e massa gorda.
Existem pontos de corte de IMC específico para cada faixa etária (adolescentes, adultos e
idosos), o que o torna mais preciso.
25 – 29,9 Sobrepeso
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2.4 Circunferências e perímetros
Tórax Esta medida é tomada no ponto meso-esternal, com os braços estendidos ao longo do
corpo.
Braço Esta medida é tomada no ponto médio entre o acrômio e o olécrano, com o braço retificado,
estendido adiante do corpo e a palma para cima.
Antebraço Esta medida é tomada no perímetro máximo ao redor do antebraço, com o braço retificado,
estendido adiante do corpo e com a palma da mão para cima.
Cintura Esta posição é tomada com o indivíduo na posição ereta, braços ao lado do corpo, pés juntos
e abdome relaxado, no ponto de menor circunferência do tronco.
Quadril Estando o indivíduo posicionado com os pés juntos, esta medida é realizada no ponto de
maior circunferência das nádegas.
Coxa Tradicionalmente realizada no ponto médio entre a prega inguinal e o bordo superior da
patela, estando o indivíduo em pé e os pés ligeiramente afastados, pode ser tomada no
ponto do terço médio superior da coxa, em alguns protocolos específicos.
Panturrilha Esta medida é tomada com o indivíduo na posição ereta e os pés ligeiramente afastados, ao
nível de maior circunferência entre o joelho e o tornozelo, perpendicular ao eixo
longitudinal.
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São medidas utilizadas para aferição da gordura subcutânea. Para descrever os procedimentos
para aferição de dobras cutâneas, pode-se utilizar os seguintes itens preconizados por Guedes
(1990):
as medidas de espessura das dobras cutâneas devem ser sempre do lado direito;
deve-se realizar uma série de três medidas sucessivas no mesmo local, considerando-se a média das
três como o valor adotado para esse ponto;
quanto à técnica de medida, o tecido celular subcutâneo deve ser diferenciado do tecido muscular
por meio do polegar e do indicador da mão esquerda (manter a dobra segura no momento da leitura),
com as pontas do compasso localizadas aproximadamente a 1 cm abaixo do ponto exato de reparo,
para que a pressão exercida pelas pontas do compasso possa produzir seu efeito total; deve-se
aguardar em torno de dois segundos para realizar a leitura do compasso;
não se deve realizar as medidas logo após exercício físico, pois a vasodilatação periférica direciona
os fluidos do corpo para a pele, podendo aumentar o tamanho da dobra. Em situações como a
obesidade mórbida e na presença de edema, as pregas não são fidedignas.
Figura 9 – Exemplos de adipômetros
Subescapular
(SB) Tomada no sentido diagonal, 1 a 2 cm abaixo do ângulo inferior da escápula.
Tríceps (TR) Tomada no sentido vertical, na linha posterior do braço, a meio caminho entre o acrômio
e o olécrano, com o braço mantido livremente ao lado do corpo.
Bíceps (BI) Tomada no sentido vertical, na linha anterior do braço, sobre o ventre do musculo bíceps,
1 cm acima do nível usado para marcar o local do tríceps.
Peitoral (PT) Tomada no sentido diagonal, na metade da distância entre a linha axilar anterior e o
mamilo (homens) e no terço superior da distância entre a linha axilar anterior e o mamilo
(mulheres).
Axilar média Tomada no sentido vertical, obtida no nível do processo xifoide e localizada na linha
(AM) axilar média.
Suprailíaca Tomada no sentido diagonal, tradicionalmente realizada no ponto médio entre o último
(SI) rebordo costal e a crista ilíaca, localizada na linha axilar anterior.
Coxa (CX) Tomada no sentido vertical, localizada no ponto médio entre a prega inguinal e a borda
superior da patela.
Katch & Mulheres jovens com DC = 1,09665 – 0,00103 (TR) - 0,00056 (SB) - 0,00054 (AB)
McArdle média de idade de 19
(1973) anos
Katch & Homens jovens com DC = 1,08347 + 0,00060 (TR) - 0,00151 (SB) - 0,00097 (CX)
McArdle média de idade de 20
(1973) anos
Weltman, Homens obesos com %C = 10,8336 – 0,31457 (CA) – 0,10969 (MC – kg)
Seip & Tran idade entre 24 e 68 anos
(1987)
Weltman et Mulheres obesas com %C = 51,03301 + 0,11077 (CA) – 0,17666 (estatura – cm) + 0,14354
al. (1988) idade entre 20 e 60 anos (massa corporal – kg)
DC = densidade corporal
%C = percentual de gordura
Log = logaritmo
MC = massa corporal
Homens Mulheres
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Para realizar o método, são posicionados dois conjuntos de eletrodos de folha de alumínio,
aplicados na superfície dorsal dos pés e mãos, metacarpo e metatarso, respectivamente, e entre
as proeminências distais do rádio e ulna e a parte médio-lateral do tornozelo; os eletrodos
externos transmitem a corrente, enquanto os internos captam a variação de voltagem
(resistência) e a resistência capacitiva (reatância), ambas medidas em ohms, secundárias à
passagem da corrente.
Deve ser realizada com o indivíduo em posição horizontal, sem objeto metálico nas mãos e pés,
meias e/ou luvas e com os membros estendidos. A superfície da pele deve ser higienizada com
álcool antes de receber os eletrodos. Aplica-se, no corpo, uma corrente elétrica de baixa
amplitude e alta frequência.
É um método que apresenta inúmeras limitações para avaliar o percentual de gordura corporal. A
bioimpedância em clínicas estéticas pode ser uma ferramenta simples para evitar o erro entre os
avaliadores, de fácil manuseio e bem descrita na literatura como um método seguro para
avaliação de composição corporal. Apesar das limitações, a técnica oferece estimativas de
gordura corporal confiáveis quando comparada com outros métodos mais precisos.
Para a determinação da composição corporal por meio da BIO, algumas instruções devem ser
seguidas:
A principal limitação dessa ferramenta surge quando o paciente apresenta variações em seu
estado de hidratação; assim, a quantidade de alimentos e líquidos ingeridos, bem como o
exercício físico realizado no dia do teste, entre outros fatores, podem influenciar no resultado.
A ingestão de alimentos antes da avaliação também pode interferir nos resultados pela alteração
dos volumes de líquido intra e extracelular.
A avaliação da composição corporal tem como objetivo determinar a quantidade de massa gorda
e massa livre de gordura do corpo. Podemos classificar os métodos de avaliação da composição
corporal em: métodos diretos (mais precisos, porém não utilizados na prática clínica); métodos
indiretos (métodos mais precisos utilizados na prática clínica, porém geralmente muito caros); e
métodos duplamente indiretos (mais utilizados na prática clínica pela sua acessibilidade, porém
menos precisos, apenas dão uma estimativa). A avaliação da composição corporal é muito
utilizada na estética, principalmente para indivíduos que pretendem diminuir gordura localizada
(ROSSI et al.; 2009; GUEDES, 1990; TIRAPEGUI; RIBEIRO; MELO, 2018).
São considerados métodos indiretos os seguintes: pesagem hidrostática; Dexa (do inglês dual-
energy X-ray, densitometria radiológica de dupla energia); pletismografia; hidrometria;
ressonância magnética; tomografia. No entanto, todos esses métodos são realizados a partir de
aparelhos com custo muito alto, razão pela qual poucos lugares possuem tais métodos de
avaliação.
Os métodos duplamente indiretos, apesar de menos precisos, são os mais utilizados na prática
clínica, pelo seu baixo custo em relação aos métodos indiretos.
Recapitulando a Unidade 2
Nesta unidade aprendemos que os indicadores antropométricos são fundamentais para um
diagnóstico nutricional preciso. Nessa etapa do atendimento vamos avaliar o peso corporal e a
estatura do paciente, pois ambos já nos fornecem o índice de massa corporal (IMC).
As dobras cutâneas também fazem parte desse processo, sendo utilizadas para aferição da
gordura subcutânea. Importante ressaltar que é fundamental uma padronização dessas medidas
para que não ocorra erro na hora de realizar a aferição das dobras.
Entre outros métodos que podem ser utilizados, podemos destacar a bioimpedância elétrica, um
método potencialmente viável na estimativa da composição corporal. No entanto, para um
resultado fidedigno, deve-se seguir as orientações para realização do procedimento.
Por fim, vimos que a avaliação da composição corporal tem o objetivo de determinar a
quantidade de massa gorda e massa livre de gordura do corpo, sendo muito utilizada na estética
por pacientes indivíduos que pretendem diminuir gordura localizada. Podemos classificar os
métodos de avaliação da composição corporal em métodos diretos, indiretos e duplamente
indiretos.
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3. Avaliação laboratorial
A análise dos exames bioquímicos complementa a avaliação clínica. É uma etapa essencial para
identificar deficiências que possam estar influenciando algum resultado estético ou clínico,
assim como monitorar a adequação da terapia nutricional (SIMAS; GRANZOTI, 2021).
3.1 Hemograma
O hemograma completo é a análise das células do sangue. Para este exame utiliza-se a coleta
de sangue com coagulante no tubo. Não há necessidade de jejum apenas para hemograma, mas
como essa análise geralmente vem acompanhada de outras análises quando indicada com
antecedência para o paciente, estipula-se o tempo de jejum necessário de acordo com a
necessidade dos exames complementares.
Hemograma
Hematócrito Homens: Pode estar aumentado na desidratação, policitemia, choque. Pode estar
40% a 50% diminuído na anemia, perda sanguínea, hemólise, leucemia,
Mulheres: hipertireoidismo, cirrose, hiper-hidratação.
35% a 45%
Hemoglobina Homens: Está aumentado em queimaduras graves, policitemia, insuficiência cardíaca,
13,5 a 18 talassemia, DPOC, desidratação. Pode estar diminuído na anemia,
g/dL hipertireoidismo, cirrose, várias doenças sistêmicas.
Mulheres:
12 a 16
g/dL
Metabolismo de lipídios
LDL Ótimo: ≤ 100 Pode estar aumentado no hipotireoidismo, doença hepática, trauma
mg/dL agudo, DM, gestação. Pode estar diminuído na Aids.
Desejável:
100-129
mg/dL
Limítrofe: 130-
159 mg/dL
Elevado: 160-
189 mg/dL
Muito
elevado: ≥ 189
mg/dL
HDL Baixo: < 40 Pode estar aumentado no exercício extenuante e regular, terapia com
mg/dL estrogênio ou insulina, consumo moderado de álcool. Pode estar
Alto: > 60 diminuído no jejum prolongado, obesidade, doença hepática, DM,
mg/dL hipertireoidismo, fumo e Aids.
Metabolismo de lipídios
Metabolismo de carboidratos
Glicemia Até Utilizada para diagnóstico de diabetes mellitus, pode estar aumentada no DM,
100 síndrome de Cushing, deficiência de tiamina, disfunção hepática crônica,
mg/dl infecções severas, hipertireoidismo, pancreatite, inatividade física prolongada,
desnutrição crônica e deficiência de potássio. Pode estar diminuída quando
administradas doses altas de insulina, hipotireoidismo, doença de reserva de
glicogênio, abuso de álcool, privação alimentar prolongada e exercício
extenuante.
Hemoglobina 3,6% a Avalia o controle glicêmico de diabéticos em longo prazo. Reflete a média das
glicosilada 5,3% glicemias durante os últimos dois meses. É um teste menos sensível que a curva
glicêmica para o diagnóstico do diabetes mellitus. Pode estar aumentado no DM
descompensado, na talassemia e deficiência de ferro. Pode estar diminuído na
anemia falciforme e outras anemias hemolíticas.
As proteínas viscerais são produzidas pelo fígado e participam de funções, como transporte e
processo inflamatório.
Metabolismo de proteínas
Albumina Eutrofia: > Útil na avaliação do estado nutricional e capacidade de síntese hepática.
3,5 g/dL
Desnutrição
proteica
leve: 3,0 –
3,4 g/dL
Moderada:
2,1-3,0 g/dL
Grave: < 2,1
g/dL
Creatina Homens: Útil na avaliação da função renal. Aumenta conforme diminui o ritmo de
0,8-1,2 filtração glomerular e vice-versa. Sofre menos influência da dieta do que a
mg/dL ureia. Reflete a soma da ingestão de alimentos ricos em creatina e em
Mulheres: creatinina (músculo esquelético).
0,6-1,0
mg/dL
Ferritina Homens: 36 Importante no diagnóstico diferencial de anemias e no acompanhamento
a 262 g/L das alterações de armazenamento de ferro. Pode estar aumentada nas
Mulheres: doenças inflamatórias, insuficiência renal crônica (IRC), hepatite e
Menarca: 10 sobrecarga de ferro. Pode estar diminuída na anemia por deficiência de
a 64 g/L ferro.
Pós-
menopausa:
24 a 155 g/L
Proteína C- < 0,8 mg/dL Fator de risco para evento cardiovascular. Pode estar aumentada na
reativa inflamação arterial, infecções bacterianas, câncer, doença de Crohn, infarto
(PCR) de miocárdio, pancreatite, febre reumática, artrite reumatoide e obesidade.
Transferrina 200-400 Pode estar aumentada nas reservas inadequadas de ferro, anemia
mg/dL ferropriva, hepatite aguda, policitemia, uso de contraceptivos orais e
gestação. Pode estar diminuída nas anemias perniciosa e falciforme,
infecção, câncer, doença hepática, desnutrição, síndrome nefrótica e
talassemia.
Antiperoxidase >10 É o marcador mais sensível para a tireoide autoimune (Hashimoto), com
tireoidiana U/mL sensibilidade e especificidade de 91,9% a 92,7%, respectivamente. Seus
(Anti-TPO) níveis refletem a gravidade da infiltração linfocítica na glândula tireoidiana.
TSH 0,4 a 4 O TSH é um hormônio que regula a produção dos hormônios tireoidianos
mU/mL (T3 e T4); quando a produção desses hormônios está alta, o nível de TSH
diminui, e quando está baixa, o nível de TSH aumenta para estimular a
produção dos hormônios tireoidianos.
T3 Livre 1,5 a 4,1 Quando o hipertireoidismo se desenvolve, seus valores estão acima do
mU/mL normal.
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Função hepática
AST (aspartato Homens: Útil no diagnóstico não só de função hepática, mas de muitas
aminotransferase) 14 a 20 patologias. Encontra-se aumentada nas seguintes situações:
U/L Grande elevação: infarto agudo do miocárdio; choque; pancreatite
Mulheres: aguda.
Elevação moderada: arritmias cardíacas; isquemia miocárdica; Lesões
10 a 36
de músculos esqueléticos.
U/l
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A acne é um processo multifatorial. Entretanto, sabe-se que a alteração hormonal pode estar
relacionada ao processo. Os hormônios envolvidos com o processo da acne são os hormônios
esteroides sexuais. Além dos hormônios, a dosagem de zinco e selênio deve ser realizada para
garantir que não haja carência desses minerais, assim como os exames de glicemia em jejum,
insulina em jejum, cortisol, PCR, perfil lipídico, vitaminas A, E, C e B1 e homocisteína (valores de
referência citados há pouco). Os hormônios que devem ser investigados e respectivos valores de
referência estão discriminados na tabela a seguir (SIMAS; GRANZOTI, 2021).
Fonte: [Link]
[[Link] .
Alopecia pode ser entendida como diminuição/alteração no número de fios de cabelo ou até
mesmo a sua ausência na região do couro cabeludo, sendo um distúrbio estético de causas
multifatoriais. Existem vários tipos de alopecia, sendo que as principais são: eflúvio telógeno,
alopecia areata e alopecia androgenética (SIMAS; GRANZOTI, 2021).
O eflúvio telógeno é o tipo mais comum de queda capilar no público feminino, sendo
caracterizado pela queda difusa do cabelo, e uma porcentagem maior dos folículos no couro
cabeludo encontra-se na fase telógena. Basicamente, esse fenômeno inicia-se de 3 a 6 meses
após algum evento-gatilho e, uma vez identificada a causa, esse tipo de queda torna-se
reversível. Assim, o estresse é um fator importante. As causas mais comuns são atribuídas à
deficiência de ferro e disfunções tireoidianas, além da deficiência de zinco, que corresponde a
aproximadamente 10% dos casos (SIMAS; GRANZOTI, 2021).
A alopecia areata consiste em uma perda reversível do folículo piloso e que acomete regiões
específicas ou placas no couro cabeludo. Inúmeros relatos associam esse tipo de alopecia com
doenças autoimunes, principalmente vitiligo, lúpus eritematosos e doenças autoimunes da
tireoide. Não existem exames laboratoriais específicos para alopecia areata, no entanto, sugere-
se avaliar funcionamento tireoidiano (TSH, Anti-TPO e T4 livre); a vitamina D também exerce um
papel regulador do sistema imune (SIMAS; GRANZOTI, 2021).
Fonte: [Link]
[[Link] .
Assim, os principais marcadores bioquímicos a serem solicitados para avaliação dos pacientes
com alopecia seriam: ferro, ferritina, hemograma, TSH, T4, zinco, cortisol, testosterona, DHT,
SHBG, anti-TPO e vitamina D (todos os exames apresentam valores de referência citados
anteriormente) (SIMAS; GRANZOTI, 2021).
Os níveis de insulina podem contribuir para o desenvolvimento dessa desordem estética. Níveis
elevados desse hormônio (hiperinsulinemia) têm forte relação com o aumento da adiposidade
corporal, tanto em nível visceral quanto subcutâneo. Níveis de insulina elevada também são
responsáveis pelo aumento da retenção de líquido, pois no rim a insulina promove a reabsorção
de sódio, ocasionando o edema (SIMAS; GRANZOTI, 2021).
Ácido úrico também é um bom parâmetro para ser avaliado na celulite. As concentrações de
ácido úrico podem relacionar-se com o consumo inadequado de carboidratos, principalmente
glicose e frutose/sacarose. Níveis elevados de ácido úrico também elevam as chances de
disfunção endotelial, do estresse oxidativo e da adiposidade corporal que, na celulite, já podem
se apresentar alterados. Os valores de referência para ácido úrico vão de 2,8 a 7,8 mg/dL, no
entanto, seus valores ideais variam entre 4 a 6 mg/dL (SIMAS; GRANZOTI, 2021).
Parâmetros bioquímicos relacionados ao ferro e que predizem uma possível anemia também
devem ser avaliados. Níveis adequados de ferro são fundamentais para síntese de
hemeproteínas, entre elas a hemoglobina, que transporta oxigênio aos tecidos e cuja redução de
concentração pode levar a um quadro de hipoxia tecidual. Na celulite esse quadro pode agravar
os mecanismos que induzem a inflamação e, consequentemente, a formação de fibrose (SIMAS;
GRANZOTI, 2021).
Os principais exames bioquímicos a serem solicitados nos pacientes com celulite são ferro,
ferritina, hemograma, testosterona, estradiol, insulina e ácido úrico (todos exames com valores
de referências já citados anteriormente) (SIMAS; GRANZOTI, 2021).
A pele é uma estrutura complexa e, por ter íntima relação com o ambiente externo, suas funções
se organizam para proteger o organismo. Assim, responde de forma dinâmica aos diferentes
estímulos (extrínseco e intrínseco), que em curto ou longo prazo alteram seu percurso.
Os principais marcadores bioquímicos que podem ser solicitados em pacientes com flacidez são
estrogênio, insulina, hemoglobina glicada, cortisol, vitamina C, ferro, ferritina e hemograma
(valores de referência citados anteriormente) (SIMAS; GRANZOTI, 2021).
Recapitulando a Unidade 3
O nutricionista é um profissional legalmente habilitado a solicitar exames bioquímicos
necessários à avaliação, à prescrição e ao acompanhamento da evolução nutricional do
paciente. A análise dos exames bioquímicos complementa a avaliação clínica. É uma etapa
essencial para identificar deficiências que possam estar influenciando algum resultado estético
ou clínico, assim como monitorar a adequação da terapia nutricional.
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4. Avaliação nutricional aplicada à estética
O conhecimento sobre o procedimento estético que o paciente já realizou ou que está realizando
é de fundamental importância para a atuação do nutricionista estético, uma vez que se pode
modular a alimentação com o objetivo de potencializar os resultados do procedimento. Nesse
sentido é fundamental a interação com a equipe multidisciplinar devido à possível necessidade
de informações complementares do médico dermatologista, cirurgião plástico, fisioterapeuta ou
massoterapeuta.
Para a verificação da imagem corporal, é utilizada a escala proposta por Stunkard et al. (1983).
A avaliação da cor da pele do paciente é fundamental no atendimento estético, para que se possa
determinar a melhor estratégia de prevenção e tratamento para fotoenvelhecimento,
fotoproteção e melasma, entre outros.
Para essa classificação utilizamos a escala Fitzpatrick, uma ferramenta de classificação
numérica para cor da pele criada por Thomas B. Fitzpatrick em 1975 na Escola de Medicina da
Universidade de Harvard.
Inicialmente foi desenvolvida baseada na cor da pele para medir a dose correta de radiação
ultravioleta para terapia psolareno + UVA (PUVA). O teste inicial era apenas com a cor dos olhos
e cabelo, que resultou em doses muito elevadas de UVA para algumas pessoas, e foi modificado
para avaliação de acordo com os relatos dos indivíduos de como sua pele corresponde aos raios
solares.
von
Fitzpatrick Luschan Cor Queimadura Bronzeamento
Fonte: [Link]
[[Link]
[Link]] .
Figura 19 – Escala de Fitzpatrick e câncer de pele
Fonte: [Link]
[[Link]
n_cancer_risk.png] .
ipe1895_21 - Retratos da Real Beleza
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Videoaula - Avaliação nutricional estética: acne
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4.3 Acne
Não existe uma classificação universal para acne vulgar. Normalmente se utiliza uma
classificação com base nas lesões encontradas, que define três tipos de acne: comedônica,
pápulo-pustulosa e nódulo-cística, ou apenas nodular.
O diagnóstico da acne é clínico, o que facilita distinguir suas diferentes formas. No entanto, em
algumas situações especificas podem aparecer dificuldades, sendo necessário levar em
consideração alguns diferenciais para diagnósticos (DIEPGEN et al., 2021).
Figura 20 – Classificação da acne
Acne grau I: apenas cravos, sem lesões inflamatórias (espinhas). Acne grau II:
cravos e espinhas pequenas, com pequenas lesões inflamadas e pontos
amarelos de pus (pústulas). Acne grau III: cravos, espinhas pequenas e lesões
maiores, mais profundas, dolorosas, avermelhadas e bem inflamadas (cistos).
Acne grau IV: cravos, espinhas pequenas e grandes lesões císticas, múltiplos
abscessos interconectados e cicatrizes irregulares resultando em
deformidade da área afetada. Fonte: [Link]
[[Link] .
4.4 Celulite
Novos métodos de tratamento para celulite requerem escalas globalmente aceitas para
pesquisas estéticas e avaliação do paciente.
Os graus de celulite podem ser avaliados por meio da escala de avaliação validada para celulite
nas nádegas e coxas em pacientes do sexo feminino, um método desenvolvido pelas
dermatologistas brasileiras Hexsel et al. (2019). Essa escala tem duas classificações para
celulite em repouso e celulite dinâmica.
Figura 21 – Classificação da celulite em repouso
Após a puberdade, a maioria das mulheres desenvolve algum grau de celulite. O aumento do
número de consultas relacionadas ao tratamento da celulite demandou compreensão mais ampla
de características, desejos e expectativas desses pacientes com relação à qualidade de vida. Para
essa avaliação temos questionários de avaliação da qualidade de vida em pacientes do sexo
feminino que apresentaram queixas de celulite. Acesse o questionário no link:
[Link] [[Link] .
Videoaula - Avaliação nutricional estética: celulite
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4.5 Flacidez
Não é um método antropométrico, mas pode ser um instrumento para comparação dos
resultados antes e após tratamento se houver padrão no registro fotográfico.
Muitos profissionais utilizam fotografias para ilustrar os casos clínicos que executam, algumas
vezes para registro de resultados ou até mesmo para convencimento de clientes.
Deve-se estar atento para a necessidade de autorização do paciente para que essa divulgação
possa ser feita, uma vez que o paciente fotografado talvez não deseje ter a fotografia de seu caso
clínico divulgada. Apenas permite-se a divulgação de suas imagens ou seus dados com o
consentimento do paciente.
O cliente tem o direito de manter o sigilo dos seus dados, sendo fundamental sua concordância
para a utilização do que lhe é privado, mais até quando há reconhecimento da pessoa na foto, e
um termo de consentimento para fotografia. Esse termo deve utilizar uma linguagem clara e
acessível, evitando o uso de termos técnicos de difícil entendimento. Deve também conter
informações sobre o procedimento, os objetivos, efeitos e as reações ao tratamento.
Informações incorretas podem invalidar o documento.
Para que haja precisão no registro fotográfico, são necessários alguns parâmetros:
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Recapitulando a Unidade 4
Nesta unidade aprendemos como realizar uma avaliação nutricional com ênfase no atendimento
estético, uma vez que se pode usar a alimentação com o objetivo de potencializar os resultados
dos diferentes procedimentos estéticos. Portanto, é fundamental o trabalho em equipe
multidisciplinar.
Com o auxílio do profissional, o paciente pode realizar sua autoavaliação estética, tanto corporal
como facial, por meio de ferramentas válidas que podem ser preenchidas pelo próprio paciente,
indicando suas desordens com setas e marcações indicando o local e qual a desordem.
Conhecer o tipo de pele do paciente é fundamental para determinar a melhor estratégia para
prevenir o envelhecimento cutâneo e o melasma e aumentar a fotoproteção. Para tal
classificação, usa-se a escala de Fitzpatrick, desenvolvida em 1975.
Avaliar o grau de acne também é fundamental para uma estratégia nutricional fidedigna.
Infelizmente, não existe uma classificação universal para classificação da acne vulgar, sendo
utilizada uma classificação com base nas lesões encontradas. No entanto, em algumas
situações específicas podem surgir dificuldades, devendo ser levados em consideração alguns
diagnósticos diferenciais.
Por fim, importante destacar que a classificação da flacidez ainda carece de estudos científicos
para uma classificação mais precisa. Nesta unidade aprendemos uma escala de graduação para
a avaliação objetiva da flacidez da pele, proposta por Kaminer et al. (2019).
O registro fotográfico não é considerado um método para avaliação nutricional, mas pode ser um
instrumento muito útil para comparação dos resultados antes e após tratamentos estéticos.
Para tal registro, o profissional deve se atentar a alguns pontos de extrema importância, como ter
a autorização do paciente e seguir o entendimento do código de ética em vigor da profissão,
além de uma padronização no registro fotográfico para que haja melhor precisão para avaliação
do antes e depois.
Videoaula - Considerações finais
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Considerações finais
Atualmente percebemos uma preocupação excessiva com a beleza, principalmente pelo público
feminino. Esse processo pode ter um impacto negativo sobre a imagem corporal. As alterações
em relação à estética e à imagem corporal estão em constante evolução, necessitando assim de
maior atenção nutricional.
Portanto, a nutrição estética vai além das dietas para perda de peso. O nutricionista atua na
promoção da saúde buscando bons hábitos alimentares para uma melhor qualidade de vida,
advertindo sobre as crenças e as condutas equivocadas a respeito da alimentação.
Autoria
Juliana Gonçalves
Autora
Nutricionista. Doutorado e mestrado em Ciências da Saúde pelo Instituto de Cardiologia do Rio
Grande do Sul. Presidente da Associação Brasileira de Fitoterapia Regional Sul (2016/2019).
Membro da Associação Brasileira de Fitoterapia (ABFIT). Especialista em Nutrição Clínica pela
Associação Brasileira de Nutrição (Asbran). Especialização em Nutrição Clínica, Fitoterapia
Clínica e Nutrição Aplicada à Estética. Habilitação em Prescrição de Fitoterápicos. Coordenadora
do curso de Nutrição – Faculdade Estácio. Autora dos livros Manual de prescrição de
fitoterápicos pelo nutricionista (2019) e Manual de atendimento em nutrição estética (2011).
Coautora dos livros Estratégias low carb, cetogênica & jejum intermitente (2021), Nutrição
aplicada à estética (2020), Estratégias low carb (2017), Fitoterapia em nutrição clínica (2017) e
Atendimento nutricional em cirurgia plástica - uma abordagem multidisciplinar (2013).
Glossário
Flacidez
Estado do que é mole, ou flácido: a flacidez das carnes, dos tecidos. Fonte:
[Link] [[Link] .
Edema
A palavra “edema” tem origem no grego oidema, que significa “inchaço”. É o excesso de líquido
acumulado no espaço intersticial, ou seja, entre os tecidos do corpo. O acúmulo desse líquido,
composto por água, sais e proteínas plasmáticas pode ser localizado ou generalizado
(anasarca). O edema é provocado pela quebra dos mecanismos que regulam a distribuição do
volume de líquido no espaço intersticial, fazendo com que a quantidade de líquido que sai do
capilar seja maior que aquela que retorna à circulação. Fonte:
[Link] [[Link] .
Acne
Afecção da pele em que os poros, ou pequenas aberturas das glândulas sebáceas, são
obstruídos. Fonte: [Link] [[Link] .
Alopecia
Doença que provoca a queda dos cabelos ou dos pelos, podendo se manifestar de modo
temporário ou permanente; falacrose, calvície. Fonte: [Link]
[[Link] .
Celulite
Inflamação do tecido celular, em especial do tecido adiposo subcutâneo, geralmente na zona das
coxas e nádegas das mulheres, que apresenta um aspecto ondulado, semelhante à casca da
laranja. Fonte: [Link] [[Link] .
Estética
Palavra de origem grega, do termo aisthetiké, que significa “aquele que nota, que percebe”.
Estética é conhecida como a filosofia da arte, ou estudo do que é belo nas manifestações
artísticas e naturais. É uma ciência que remete para a beleza e aborda o sentimento que alguma
coisa bela desperta dentro de cada indivíduo. Fonte: [Link]
[[Link] .
Imagem corporal
É a imagem mental que uma pessoa tem de seu corpo, é a forma que a pessoa se percebe e se
imagina. Fonte: [Link]
[[Link] .
Melasma
Mancha escura na pele que surge geralmente no rosto de mulheres, associada à gravidez, à
menopausa ou ao uso de anticoncepcionais orais. Fonte:
[Link] [[Link] .
Perímetro
Linha de contorno de uma figura geométrica; soma dos lados de um polígono ou figura. Contorno
que limita ou circunda qualquer espaço. Fonte: [Link]
[[Link] .
Bibliografia
Bibliografia Clássica
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BEVILACQUA, F. Manual do exame clínico. 11. ed. Rio de Janeiro: Cultura Médica, 1997. 475 p.
BRASIL. Conselho Federal de Nutricionistas (CFN). Resolução CFN n° 306 de 2003. Dispõe sobre
solicitação de exames laboratoriais na área de Nutrição Clínica, revoga a Resolução CFN nº 236,
de 2000 e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 2003. Disponível em:
[Link]
[[Link] . Acesso em: 12
fev. 2022.
D’Orazio, J. et al. UV radiation and the skin. International Journal of Molecular Sciences, [s. l.], v.
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MADDEN, A. M. et al. The estimation of body height from ulna length in healthy adults from
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VON LUSCHAN, F. Beiträge zur Völkerkunde der Deutschen Schutzgebieten. Berlin: Deutsche
Buchgemeinschaft, 1897.
Bibliografia Geral
HEXSEL, D. et al. Validated assessment scales for cellulite dimples on the buttocks and thighs in
female patients. Dermatologic Surgery, [s. l.], v. 45, p. S2-S11, 2019. Disponível:
[Link] [[Link] .
Acesso em: 12 fev. 2022.
MUSTAFÁ, S.; MARQUES, N.; PASCHOAL, V. Nutrição funcional na estética: beleza além da pele. 1.
ed. São Paulo: VP Editora, 2021.