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Biomateriais e Metaloproteínas Essenciais

O documento aborda a importância dos biomateriais e a deficiência em elementos essenciais, como V, Mn, Fe, Co, Ni, Cu, Zn, Mo e W, na bioquímica. Ele detalha a coordenação de catiões metálicos com aminoácidos e ligandos biológicos, além de discutir cofatores e grupos prostéticos essenciais para a atividade biológica. A revisão final menciona o método HSAB para prever a afinidade entre catiões metálicos e ligandos em compostos de coordenação.

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Biomateriais e Metaloproteínas Essenciais

O documento aborda a importância dos biomateriais e a deficiência em elementos essenciais, como V, Mn, Fe, Co, Ni, Cu, Zn, Mo e W, na bioquímica. Ele detalha a coordenação de catiões metálicos com aminoácidos e ligandos biológicos, além de discutir cofatores e grupos prostéticos essenciais para a atividade biológica. A revisão final menciona o método HSAB para prever a afinidade entre catiões metálicos e ligandos em compostos de coordenação.

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CONSEQUÊNCIAS DA DEFICIÊNCIA EM ELEMNTOS ESSENCIAIS :

1
OS “BIOMETAIS”

Elementos de transição importantes em Química Bioinorgânica: V, Mn, Fe, Co, Ni, Cu, Zn, Mo,
W.

Estados de Redutores/Oxidantes Ligandos Coordenação


oxidação mais
comuns
Vanádio 2+ a 5+ (4+ é o 2+, 3+ - redutores O, N
mais estável) 5+ oxidante fraco
Manganês 0 a 7+ Mn 0 – redutor forte Átomos duros Nº de coordenação de 4-6
Mn (VII) – oxidante como O
forte Não se
coordena a S
Ferro 2+ a 5+ (2+ e 3+ Átomos duros Nº de coordenação 5 ou 6 para
(insolúvel a pH e macios (O, N, ligandos coordenados por O, N
fisiológico) mais S) (hemes)
comuns) Coordenação tetraédrica com S
Geometrias flexíveis
Cobalto 1+ a 3+ (2+ é o +1 – bom redutor N Co (I) – tetracoordenado d8
mais estável) +3 – oxidante forte Co(II)- pentacoordenado
Co (III)- hexacoordenado
Níquel 2+ (d8) +1 – bom redutor Átomos duros Ni (I) – tetracoordenado
+3 – oxidante forte e macios Ni(II) – tetracoordenado
(quadrangular plano com lig campo
forte)
Ni (III) - hexacoordenado
Cobre 1+ (d10) e 2+ (d9) Átomos duros Cu (I) – 4 a 6 (linear, TP, tetraédrica)
e macios Cu (II) – 4 a 8 (QP, octaédrica)
Zinco 2+ (d10) Átomos duros 4 – Tetraédrica
e macios (5 e 6 são possíveis)
Pequeno, grande facilidade
estrutural (entra facilmente na
hélice de DNA – dedos de zinco)
Molibdénio 4+, 5+, 6+ Átomos duros
e macios, O e S
Tungsténio 4+, 5+, 6+ Átomos duros
e macios, O e S

Estados de spin mais comuns em enzimas

Metal M2+ M3+


Mn Spin alto d5 Spin alto d4
Fe Spin baixo d6 Spin alto d5
Spin alto d6
Co Spin alto d7 Spin baixo d6
Ni NA Spin baixo d7

2
LIGANDOS BIOLÓGICOS

Classificação de Ligandos

São bases de Lewis (duros ou macios) e todos são dadores sigma de um par de eletrões.

Adicionalmente:

• Alguns são dadores π, tipicamente duros. (Cl-, OH-, OR-)


• Alguns são aceitadores π, tipicamente macios. (CO, CN-, NO+, N-anéis aromáticos)

Alguns ligam-se através de um par ligante:


Coordenação lateral (Side on)

• Usando eletrões numa ligação π: N2


• Usando eletrões numa ligação ∂: H2

A retrodoação de densidade eletrónica do metal (back bouding) estabiliza a coordenação


lateral.

LIGAÇÃO PEPTÍDICA

Os catiões de metais de transição vão estar coordenados preferencialmente a átomos de N,


O e S das cadeias laterais dos aminoácidos.
1. Coordenação às cadeias laterais da cadeia proteica que podem estar separadas por dois ou
vários aminoácidos
2. Coordenação à cadeia proteica

3
AMINOÁCIDOS

HISTIDINA (HIS) Coordena principalmente através do azoto δ


da imina, e por vezes, através do átomo de
azoto ε da imina, do anel da imidazola.

Ambos os átomos de azoto podem estar


disponíveis para coordenação após
desprotonação induzida pelo metal,
produzindo uma ponte µ-imidazolato entre
dois metais (dismutase de superóxido)

Fe, Cu e Zn
METIONINA (MET) Coordena através do átomo de enxofre δ
(neutro) do tioéter, que é um aceitador π
fraco.

Fe (II) e Cu (II)

CISTEÍNA (CYS) Após desprotonação (pKa = 8,5), contém um


centro Ƴ tiolato com carga negativa: o
cisteinato coordena-se além da ligação ∂, por
uma ligação π (dador π).

Fe, Cu e Zn

SELENOCISTEÍNA (SECYS) Após desprotonação (pKa = 5), contém um


centro selenolato com carga negativa; o
“selenocisteinato” coordena-se além da
ligação ∂, por uma ligação π (dador π).

Tal como a cisteína pode coordenar-se


mesmo estando protonada.

TIROSINA (TYR) Coordena através do átomo de oxigénio do


fenolato carregado negativamente, após
desprotonação, do tirosinato rico em
eletrões ∂ e π (pKa = 10).

A ligação ao metal também pode ocorrer


através da forma fenólica neutra, ou de
espécies desprotonadas e simultaneamente
oxidados, isto é, do radical tirosilo.

4
GLUTAMATO (GLU) E ASPARTATO (ASP) Coordenam-se através das funções
carboxilato carregadas negativamente
(pKa=4,5). Os carboxilatos podem atuar como
ligandos terminais (η1), quelantes (η2) ou
ligandos em ponte (µ-η1 : η1).
A coordenação η2 envolvendo anéis
quelantes de quatro lados é encontrada
principalmente em complexos com iões
metálicos de grandes dimensões, por
exemplo, proteínas que contêm Ca2+.

A coordenação múltipla µ-η1 : η1 de glutamato


ou aspartato tem sido observada em dímeros
de ferro e manganês, onde os centros
metálicos estão, muitas vezes,
adicionalmente, ligados por pontes µ-oxo ou
µ-hidroxo.

COFATORES (GRUPOS PROSTÉTICOS )

Um grupo prostético é um componente de natureza não-proteica de proteínas conjugadas que


é essencial para a atividade biológica dessas proteínas.

Mg2+, Fe2+, Ni2+ e Co2+: Embora o equilíbrio de formação do complexo seja favorável, a energia
de ativação para a dissociação destes iões pode ser tão pequena que reações de substituição
são frequentes. Esta situação seria má para o funcionamento normal de uma metaloenzima e
por isso os ligandos quelatos macrocíclicos conseguem essa estabilização. Os tetrapirroles, na
sua forma desprotonada, conseguem ligar-se bem até a iões metálicos lábeis.

Porfina

A porfirina é o composto químico original para tipos de compostos bioquimicamente


significativos chamados porfirinas.
O facto de ser aromático contribui para a
labilidade.

Como consequência da extensa


conjugação π, os ligandos e os seus Muitas ligações conjugadas duplas
complexos metálicos apresentam conferem alguma “rigidez” o que os
uma grande absorção na zona do torna muito seletivos no que diz respeito
visível  pigmentos. ao tamanho do ião coordenado.

Também apresentam comportamento


redox.

5
Porfirina (uma porfina substituída)

Os macrociclos tetrapirrólicos preferem um arranjo aproximadamente planar em torno do


centro metálico. Com o nº de coordenação 6 e uma geometria aproximadamente octaédrica,
existem dois locais de coordenação axiais, X e Y, disponíveis no centro metálico. Um serve para
a ligação do substrato e outro para a regulação da atividade catalítica.

É o mais aromático, o que faz deste


anel mais macio e portanto tem
tendência a ligar-se a iões macios
(Fe(II)).

Hemos

O heme é um complexo de coordenação que consiste num ião de ferro coordenado a uma
porfirina atuando como um ligando tetradentado, e com um ou dois ligantes axiais. Muitas
metaloproteínas contendo porfirinas têm o heme como o seu grupo protético; estas são
conhecidas como hemoproteínas. Os heme são reconhecidos como componentes da
hemoglobina, o pigmento vermelho no sangue, mas também são encontrados em várias
outras hemoproteínas biologicamente importantes, como mioglobina, citocromos, catalases,
heme peroxidase e óxido nítrico sintase endotelial. Estão envolvidos em coordenação e
transporte de oxigénio, reações redox e transferência de eletrões.

Outros ligandos tetrapirrólicos: Clorinas

6
Outros ligandos tetrapirrólicos: Corrina

O que a torna mais “favorável” O que a torna mais dura.


para iões metálicos mais pequenos
como o cobalto3+.

Vitamina B12  cobalto + corrina


(sistema π parcialmente conjugado)

A ESFERA DE COORDENAÇÃO É IMPOSTA PELA PROTEÍNA

• Os catiões dos metais de transição apresentam frequentemente uma esfera de


coordenação insaturada no que diz respeito à ligação por cadeias laterais de
aminoácidos.
• Uma posição de coordenação livre é essencial na atividade catalítica para coordenar o
substrato.
• Na maioria dos casos, a posição de coordenação potencialmente aberta está ocupada
temporariamente no “estado de repouso” por um ligando facilmente substituível
(lábil), como H2O.
• Quando os ligandos coordenados (ex. cadeias de aa) são diferentes, é de esperar uma
ligeira distorção estrutural.
• As esferas de coordenação de complexos de metais de transição ligados a proteína são
muito irregulares e impostas pela estrutura terciária da proteína e apresentam desvios
significativos relativamente à geometria ideal.
• Normalmente apenas um tipo de ião de metal pode complexar num local
determinado.
• O esqueleto da proteína também ajusta a esfera de coordenação secundária em torno
do ião de metal – isso define o papel que o ião de metal vai desempenhar.

7
ESTADO ENTÁTICO

A eficiência catalítica pode


ser explicada por uma pré-
formação de um estado de
transição, ou seja, o centro
ativo da enzima aqui já
possui a geometria
necessária (complementar)
para alcançar o alto estado
de transição do substrato (a
energia).

REVISÃO

HSAB: método de classificação de catiões metálicos e ligandos em compostos de coordenação


que permite prever quais os ligandos com mais afinidade para o metal. Estas interações são
explicadas pelo facto de haver maior “afinidade” para centros do mesmo tipo.

Duro-duro: ligações iónicas

Macio-macio: ligações covalentes

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