Gramática e Interpretação de Texto
Gramática e Interpretação de Texto
GRAMÁTICA E
INTERPRETAÇÃO
DE TEXTO
Instituto Nacional
Transversalidade na Educação
Sustentabilidade e Inovação
ÍN DIC E
1. FONÉTICA E FONOLOGIA
1.1. Fonética e Fonologia
1.2. Ortografia
1.3. Acentuação Gráfica
2. ESTRUTURA E FORMAÇÃO DE PALAVRAS
2.1. Estrutura e formação de palavras
2.2. Substantivo
2.3 Adjetivo
2.4. Artigo
2.5. Numeral
2.6. Pronome
2.7. Verbo
2.8. Categorias Invariáveis
2.8.1. Advérbio
2.8.2. Preposição
2.8.3. Conjunção
2.8.4. Interjeição
3. ANÁLISE SINTÁTICA
3.1. Frase, Oração e Período
3.2. Termos da Oração
3.3. Tipos de Períodos
3.4. Concordâncias
3.5. Regência
3.6. Crase
3.7. Funções das palavras “que” e “se”
3.8. Pontuação
4. INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS
4.1 Os três tipos de texto
4.1.1 Dissertação
4.1.2 Narrativa
4.1.3 Descrição
4.2 Paráfrase
4.3 Perífrase
4.4 Síntese
4.5 Resumo
5. QUESTÕES DE COMPREENSÃO TEXTUAL
GABARITOS
1
FONÉTICA E FONOLOGIA
Fonologia é a parte da Gramática que estuda os fone- Anteriores: ê (perigo); é (pele); i (livro)
mas de uma língua.
Média: a (casa)
Fonema é a menor unidade sonora da linguagem ar- Posteriores: ô (bolo); ó (mole); u (pura)
ticulada capaz de estabelecer distinção entre vocábulos,
dentro de um sistema fonológico. Costuma-se transcrever Quanto ao timbre:
os fonemas entre barras oblíquas. Exemplos:
Abertas: a (pá); é (pé); ó (pó)
/p/ /a/ /t/ /a/e /b/ /a/ /t/ /a/
Fechadas: ê (você); ô (vovô)
Observe que os fonemas /p/ e /b/ marcam a diferen- a, e, o (finais átonas): casa; dente; menino.
ciação entre as duas palavras. São pronunciadas com pouca sonorida-
Os fonemas de uma língua são representados por uma Reduzidas:
de. Situam-se em posição intermediária
série de sinais gráficos denominados letras. Vale lembrar entre as abertas e as fechadas.
que os fonemas de uma língua não correspondem neces-
sariamente às letras da grafia usual, isso se deve ao fato de Quanto à intensidade:
o fonema ser de natureza acústica, enquanto a letra é a
representação gráfica do fonema. Tônicas: sozinho sólido
Numa palavra, portanto, nem sempre há correspondên-
Átonas: estojo globo
cia entre o número de letras e o de fonemas. Exemplos:
5
Tritongo: encontro de uma semivogal + vogal + semi-
boi (o vogal oral)
vogal na mesma sílaba. Os tritongos podem ser:
• Nasais: quando a vogal é nasal. Exemplo:
(/uai/; /uei/; /uou/): Paraguai; averiguei;
mãe (ã vogal nasal) Orais:
enxaguou
Observação: há palavras em que uma vogal vem se- (/uãu/; /uêi/; /uõi/): saguão; enxáguam;
Nasais:
guida de consoante nasal e sua pronúncia é a mesma da águam; enxáguem
de um ditongo. Exemplos:
Hiato: encontro de duas vogais em sílabas separadas.
nas palavras vem e bem, a letra m
representa o som de uma semivogal. Exemplo: sa – ú – de (a vogal; u vogal)
1.1.5. Dígrafos e encontros consonantais Não devemos confundir dígrafo com encontro conso-
nantal, que é a sucessão imediata de fonemas consonantais
Dígrafo é o encontro de duas letras que representam
sem intermediação de vogais.
um único fonema.
ch: chave ss: osso Exemplos: brasa; flanela; psicologia
lh: filho sc: florescer
nh: galinha qu: queijo 1.1.6. Sílaba
A sílaba é o fonema ou grupo de fonemas emitidos
rr: carro gu: guerra num só impulso de voz. Vale lembrar que a vogal é a base
da sílaba. Não há sílaba sem vogal.
Observação: também ocorre dígrafo quando uma vo-
gal seguida de consoante nasal (m/n) é pronunciada como Quanto ao número de sílabas, os vocábulos classifi-
uma vogal nasal. cam-se em:
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Sílaba tônica é aquela pronunciada com mais inten- 1.2. Ortografia
sidade.
O Português é uma língua em que um fonema pode ser
chá – ca – ra representado por mais de uma letra, como é o caso do
fonema /z/, que:
Em português, há apenas uma sílaba tônica por vocábulo.
As demais são chamadas de sílabas átonas.
• grafa-se como z em buzina;
De acordo com a posição da sílaba tônica, as palavras • grafa-se como s em casa;
classificam-se em: • grafa-se como x em exame.
• Oxítonas: quando a última sílaba é tônica.
ju – ri – ti pa – jé A maioria das grafias justifica-se apenas por razões eti-
mológicas. Assim, não é fácil serem estabelecidas regras
• Paroxítonas: quando a penúltima sílaba é tônica. completas que resolvam o problema da grafia de certas
palavras. Contudo, algumas orientações práticas e uma re-
ím – par mon – ta – nha
lação de palavras mais usadas ser-lhe-ão muito úteis.
• Proparoxítonas: quando a antepenúltima sílaba é tônica. Como vimos no capítulo anterior, para reproduzirmos,
na escrita, os sons da fala, contamos com uma série de
fú – ne – bre có – di – go sinais gráficos denominados letras. O conjunto das letras
recebe o nome de alfabeto. O nosso alfabeto constitui-se
fundamentalmente de 23 letras: As letras k, w e y devem
1.1.7. Divisão silábica
apenas ser utilizadas nos seguintes casos especiais:
A divisão silábica de uma palavra é feita pela soletração.
Convém, dessa forma, observar as seguintes regras: • Nas abreviaturas e símbolos, bem como em palavras es-
trangeiras de uso internacional.
a) Não se separam as vogais que formam os ditongos • Nos derivados portugueses de nomes próprios estran-
e os tritongos. geiros.
Pa – ra – guai co – lé – gio • No final de interjeições.
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Emprega-se também o H: canal – canalizar útil – utilizar
• No final de interjeições. Exemplo:
Observação: muitos verbos são formados pelo sufixo
Oh! Que belos versos! –ar e não por –izar. Nesse caso, observe a palavra primitiva.
• Nos dígrafos ch, lh, nh. Exemplos: Seus derivados vão continuar com o mesmo S ou Z que
possuíam no radical. Exemplos:
chave alho rainha
análise – analisar pesquisa – pesquisar
• Nos compostos em que o segundo elemento grafado
com H se une ao primeiro por hífen. Grafam-se com Z:
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1.2.6. O uso do X e do CH Grafam-se com E:
Emprega-se X Cadeado Candeeiro Cedilha Empecilho
• Em palavras de origem indígena ou africana. Exemplos: Hastear Irrequieto Paletó Penico
abacaxi oxalá Periquito Sequer Seringa
efetuar (efetue, efetues, efetue) inflação (alta dos preços) infração (violação)
• na 3a pessoa do imperativo afirmativo. Exemplos: infligir (aplicar pena) infringir (violar, desrespeitar)
Verbos terminados em –uir, –oer, –air, são grafados ratificar (confirmar) retificar (corrigir)
com I:
recrear (divertir, alegrar) recriar (criar novamente)
• nas 2a e 3a pessoas do singular do presente do indicativo.
Exemplos: sortir (abastecer) surtir (produzir efeito)
possuir (possuis, possui)
tráfego (trânsito) tráfico (comércio ilegal)
• na 2a pessoa do singular do imperativo afirmativo. Exem-
plo: vadear (atravessar a vau) vadiar (andar ociosamente)
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Homônimos são palavras que têm a mesma pronúncia, Por quê (preposição por + pronome interrogativo que)
porém apresentam significados diferentes. deve ser usado no final de orações. Exemplo:
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1.2.14. QUESTÕES DE ORTOGRAFIA 03 - Assinale a alternativa em que todas as palavras es-
tão corretamente grafadas.
a) extinção, anteontem, beneficiente;
Leia o seguinte texto para responder à questão 01.
b) crâneo, esquisito, conseqüência;
A entrada dos anos 2000 têm trazido a reversão das c) despender, engolir, quesito;
expectativas de que haveria a inauguração de tempos de d) tijela, meretíssimo, extorsão.
fraternidade, harmonia e entendimento da humanidade. Os
resultados das cúpulas mundiais alimentaram esperanças 04 - Assinale a frase em que o emprego de “senão/se
de que novos tempos trariam novas perspectivas referentes não” está errado.
a qualidade de vida e relacionamento humano em todos a) Não sabia outra coisa se não bordar;
os níveis. Contudo, o movimento que se observa em nível b) Eles eram concorrentes, se não inimigos;
mundial sinaliza perdas que ainda não podemos avaliar. O c) Isto não cabe a mim, senão a ele;
recrudescimento do conservadorismo e de práticas auto- d) Se não vierem todos, ficaremos aqui.
ritárias, efetivadas à sombra do medo, tem representado
fonte de frustração dos ideais historicamente buscados.
(FISCHMANN, Roseli. Correio Braziliense, Brasília, 26 ago. 05 - Assinale a alternativa em que “onde” está correta-
2002, com adaptações) mente empregado.
a) Fiz uma pesquisa onde comprovei isso.
b) Esta é a cidade onde morei.
01 - Para que o texto fique gramaticalmente correto, c) Ouvi o cantor no bar, onde gostei muito.
é obrigatório d) Esta é uma fase onde todos se esforçam.
I. a retirada do acento de “têm”(l.1);
II. a retirada da preposição antes de “que haveria”(l.2); 06 - Assinale a frase errada quanto ao emprego de “acer-
ca de/há cerca de/a cerca de”.
III. a inserção da preposição de diante de “que novos a) Parou há cerca de um quarteirão do bar.
tempos” (l.4); b) Falamos acerca das suas dúvidas.
IV. a inserção do sinal indicativo de crase em “a quali- c) Viajaram há cerca de dois anos.
dade” (l.5). d) Ofereceu o brinde a cerca de mil clientes.
V. a substituição da expressão “em nível mundial” (l.7)
por mundialmente; 07 - Assinale a alternativa correta quanto à grafia:
a) mal-humorado;
VI. a substituição de “efetivadas”(l.9) por efetivados;
b) mau-humorado;
VII. a inserção do acento circunflexo em “tem” (l.9). c) mal humorado;
d) mau humorado.
a) apenas I e III estão corretos.
b) apenas I, IV e V estão corretos.
08 - Assinale a alternativa em que o emprego de “por-
c) apenas II, III, IV e V estão corretos.
que/por que” está errado.
d) apenas III, IV, V, VI e VII estão corretos.
a) Ela veio porque quis.
e) todos os itens estão corretos.
b) Porque ele insistia, respondi a tudo.
c) É a razão porque não disse nada.
02 - Assinale a opção que corresponde a erro gramatical d) Por que não perguntou?
ou de grafia.
A iminência (1) de uma crise bancária é capaz de afetar
09 - A grafia de todas as palavras está correta na frase:
e contaminar todo o (2) sistema econômico, fazendo com
a) A endorfina, uma substância que tem propriedades
que (3) os titulares de ativos financeiros fujam do sistema
anesteziantes, trás consigo um risco de dependência.
financeiro e se refugiam (4), para preservar o valor do seu
b) Os maniacos por exercícios físicos estão sugeitos aos
patrimônio, em ativos móveis ou imóveis e, em casos extre-
dissabores das pessoas dependentes.
mos, em estoques crescentes de moeda estrangeira. Para
c) Apezar de haver muitos aspectos positivos nas ati-
evitar esse tipo de distorção (5), é fundamental a manu-
vidades físicas, quem delas abuza pode sofrer sérias con-
tenção da credibilidade no sistema financeiro.
sequências.
(Fonte: <[Link]>)
d) Todo viciado reinscide sempre no mesmo erro, mes-
mo consciente dos prejuísos que sofrerá.
a) 1
e) A experiência da euforia que momentaneamente
b) 4
se sente faz esquecer os malefícios que dela podem advir.
c) 3
d) 2
e) 5
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1.3. Acentuação Gráfica
1.3.1. Regras Gerais
SITUAÇÃO EXEMPLOS
árabe, árvore, exército, caríssimo,
Proparoxítonas Todas têm acento.
quilômetro, Júpiter, ótimo
Todas são acentuadas, exceto as que terminam em pólen, safári, íris, fácil, álbum, tórax,
Paroxítonas
A, E, O, EM, ENS e AM, seguidos ou não de S. vírus, órgão, mágoa, bíceps
São acentuadas as que terminam em A, E, O, EM, café, jiló, sofá, jacaré, avô, atrás,
Oxítonas
ENS, seguidos ou não de S. alguém, parabéns
São acentuadas as que terminam em A, E, O, segui-
Monossílabos Tônicos pá, fé, céu, só, dói
dos ou não de S.
SITUAÇÃO EXEMPLOS
* Essas são as únicas palavras que seguem recebendo Além disso, emprega-se também o hífen:
acento diferencial, mesmo depois da instituição do Novo
1) para separar as sílabas de uma palavra. Exemplo:
Acordo Ortográfico.
Ma-te-má-ti-ca
1.3.4. O emprego do hífen 2) para ligar pronomes oblíquos ao verbo. Exemplo:
Pode-se afirmar
Não é fácil sistematizar o uso do hífen em Português, já
que seu emprego é meramente convencional. Como regra 3) para ligar os elementos dos adjetivos compostos.
geral, o Formulário Ortográfico determina que “só se ligam Exemplo:
por hífen os elementos das palavras compostas em que econômico-financeiro
se mantém a noção de composição, isto é, os elementos 4) para ligar os sufixos -açu, -guaçu e -mirim quando a
das palavras compostas que mantêm a sua independência palavra anterior termina em vogal graficamente acentuada,
fonética, conservando cada um a sua própria acentuação, ou se a pronúncia o exigir. Exemplo:
porém formando o conjunto perfeita unidade de sentido”.
Exemplos: Cajá-mirim
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1.3.5. Hífen com Prefixos
Nomes das espécies Continuam com hífen, estejam ou não ligados louva-a-deus, bem-te-vi, joão-de-barro,
animais e vegetais por preposição ou outro elemento. cana-de-açúcar, pimenta-do-reino
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Com as formas adjetivas afro, anglo, euro,
afro-brasileiro, anglo-saxão,
franco, indo, luso, sino e assemelhadas,
Adjetivos pátrios ibero-americano, euro-asiático,
use hífen quando o segundo elemento
luso-brasileiro
é outro adjetivo pátrio
Use hífen nos compostos em que a palavra
entidade-fantasma, empresa-fantasma,
fantasma fantasma assume papel de adjetivo, sugerindo
conta-fantasma
a existência aparente, de fachada, de algo.
salário-mínimo, salário-base,
salário Use hífen, mesmo no plural.
salários-mínimos
10 - Assinale a alternativa em que todas as palavras es- c) secessão; terebentina; sabujice; pixaim;
tão corretamente grafadas. d) opróbrio; calidoscópio; mantegueiraç juízo;
a) extinção, anteontem, beneficiente; e) má-criação; manda-chuva; turíbulo; variz.
b) crâneo, esquisito, conseqüência;
c) despender, engolir, quesito; 12 - Marque o grupo com apenas uma palavra errada:
d) tijela, meretíssimo, extorsão. a) raio X; octagésima; tricentésimo; fratricida;
b) corpóreo; surdo-mudos; hieróglifo; pedicuro;
11 - Ache o grupo onde todas as palavras estão corretas: c) lesa-pátrias; víscera; noctívago; sanguinário;
a) pexote; hidravião; cardiorrespiratório; femoral; d) oleoginoso; abdôme; câimbra; pêras;
b) minissaia; caminhoneiro; abstêmio; explendor; e) maquilagem; bahiano; paço; cutâneo.
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2
ESTRUTURA E FORMAÇÃO
DE PALAVRAS
2.1. Estrutura e formação de palavras 1. prefixos: quando vêm antes do radical.
In feliz
2.1.1. Estrutura das palavras Prefixo Radical
As palavras são formadas por unidades menores e signi- 2. sufixos: quando vêm depois do radical.
ficativas chamadas morfemas. Observe: Gat/ inh/ a. Feliz mente
Radical Sufixo
2.1.2. Classificação dos morfemas
Os morfemas classificam-se em: • Vogal Temática: é a vogal que agregada ao radical pre-
para-o para receber as desinências. Nos verbos, ela indica
• Radical: funciona como “raiz”, ou seja, é a base do signifi-
a conjugação.
cado. Ele é comum nas palavras que pertencem à mesma
família (palavras cognatas). Exemplo: Cant a va
Pedr ........ a Radical Vogal Desinência
Pedr ........ eiro Temática
Pedr ........ inha A – 1ª conjugação
• Desinências: apoiam-se ao radical para marcar as flexões E – 2ª conjugação
gramaticais. Elas podem ser: I – 3ª conjugação
1. nominais: expressam gênero e o número dos nomes.
• Tema: é o radical já seguido de vogal temática.
Menin o s
Canta va
Radical Des. Gênero Des. Número
Tema desinência
2. verbais: expressam, nos verbos, flexão de tempo,
modo (modo-temporais) e pessoa e número (número-pessoais). Observação: as vogais e consoantes de ligação, por
Cantá va mos serem desprovidas de significação, não são morfemas. Elas
Des. Des. se intercalam no vocábulo simplesmente para facilitar a
pronúncia.
Modo temporal Número-pessoal
• Afixos: agregam-se ao radical a fim de formar palavras. Pau 1 ada
Eles são: Radical de ligação Consoante Sufixo
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arqueo antigo Arqueologia
auto de/por si mesmo Autobiografia
baro peso, pressão Barômetro
cardio coração Cardiologia
cloro verde Clorofila
cosmo mundo Cosmopolita
cracia governo Democracia
datilo dedo Datilografia
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2.1.4. Radicais de origem latina
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Hemi- metade Hemisfério
Hiper- excesso Hipertensão
Meta- mudança Metamorfose
Para- ao lado de Paralelo
Peri- em torno de Perímetro
Sin- simultaneidade Simpatia
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• Parassintética: prefixo + radical + sufixo acrescidos si- 2.1.11. Onomatopeias
multaneamente.
São palavras formadas a fim de reproduzir sons ou ruí-
En + trist + ecer = entristecer dos. Exemplo:
Prefixo Radical Sufixo
tique-taque zunzum
Observação: para que ocorra parassíntese, é necessário
que o prefixo e o sufixo sejam agregados simultaneamente
ao radical. Em infelizmente não há parassíntese, uma vez
que o prefixo e o sufixo não se juntam ao mesmo tempo
2.1.12. Abreviação
ao radical. Vale lembrar que, por derivação parassintética, É a redução da palavra até o seu limite sem prejudicar
formam-se principalmente verbos. a sua compreensão. Exemplo:
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alavão: de ovelhas leiteiras alcatéia: de lobos álbum: de fotografias, de selos
antologia: de trechos literários armento: de gado grande
armada: de navios de guerra
escolhidos (búfalos, elefantes, etc.)
assembleia: de parlamentares,
arquipélago: de ilhas atilho: de espigas de milho
de membros de associações
atlas: de cartas geográficas,
baixela: de objetos de mesa banca: de examinadores
de mapas
bandeira: de garimpeiros, bando: de aves, de pessoas
boana: de peixes miúdos
de exploradores de minérios em geral
cabido: de cônegos cacho: de uvas, de bananas cáfila: de camelos
cambada: de ladrões, cancioneiro: de poemas,
camarilha: de bajuladores
de caranguejos, de chaves de canções
caravana: de viajantes cardume: de peixes clero: de sacerdotes
conclave: de cardeais em
colmeia: de abelhas concílio: de bispos
reunião para eleger o papa
congregação: de professores, congresso: de parlamentares,
conselho: de ministros
de religiosos de cientistas
consistório: de cardeais sob a
constelação: de estrelas corja: de vadios
presidência do papa
elenco: de artistas enxame: de abelhas enxoval: de roupas
esquadra: de navios de guerra esquadrilha: de aviões falange: de soldados, de anjos
fauna: de animais
farândola: de maltrapilhos fato: de cabras
de uma região
feixe: de lenha, de raios frota: de navios mercantes,
flora: de vegetais de uma região
luminosos de táxis, de ônibus
horda: de invasores, de junta: de bois, de médicos,
girândola: de fogo de artifício
selvagens, de bárbaros de examinadores
legião: de anjos, de soldados,
júri: de jurados malta: de desordeiros
de demônios
manada: de bois, de elefantes matilha: de cães de caça ninhada: de pintos
nuvem: de gafanhotos,
panapaná: de borboletas pelotão: de soldados
de fumaça
plantel: de animais de raça,
penca: de bananas, de chaves pinacoteca: de pinturas
de atletas
quadrilha: de ladrões,
ramalhete: de flores rebanho: de gado em geral
de bandidos
repertório: de peças teatrais,
récua: de animais de carga réstia: de alhos, de cebolas
de músicas, de anedotas
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2.2.2. Flexão do Substantivo As cócegas As custas As férias
Gênero
As fezes As hemorroidas As núpcias
Em português, o substantivo pode ser do gênero mas-
culino ou feminino, fato que será definido pela presença Os óculos As olheiras Os parabéns
de um artigo, como em a cadeira, o lápis.
Os pêsames
Quanto ao gênero, os substantivos podem ser classi-
ficados em:
[Link]. Plural com metafonia
• Biforme: apresentam duas formas: uma para o mascu-
lino, outra para o feminino. Exemplo: aluno/ aluna; ho- Alguns substantivos, quando se pluralizam, mudam o
mem/ mulher. O fechado (ô) para o aberto (ó):
• Uniformes: apresentam uma única forma, tanto para o Olho – olhos Osso – ossos Ovo – ovos
masculino com para o feminino. Eles subdividem-se em:
21
• quando o primeiro elemento for invariável ou verbo: Há adjetivos uniformes para o masculino e feminino:
guarda-comidas; beija-flores; feliz; cortês; fácil; simples.
• palavras repetidas: reco-recos; tico-ticos. Nos adjetivos compostos, o feminino se forma variando
apenas o segundo elemento: luso-brasileira; verde-escura;
3. Varia apenas o primeiro elemento:
• elementos ligados por preposição: pés-de-moleque;
[Link]. Número
• segundo elemento é finalidade do primeiro: salários-
-família. Os adjetivos simples seguem as mesmas regras do subs-
tantivo na formação do plural: ricos; azuis; gentis.
4. Os dois elementos ficam invariáveis: Qualquer substantivo usado como adjetivo fica invariá-
• verbo + palavra invariável ou plural: os bota-fora. vel: crianças monstro; gravatas pérola; blusas laranja.
Nos adjetivos compostos, só o último elemento varia:
2.2.7. Grau clínicas médico-cirúrgicas; guerras austro-húngaras.
Quanto ao grau, um substantivo pode flexionar-se em Observação: fique atento às exceções surdo-mudo/
aumentativo ou diminutivo : casarão/ casinha surdos mudos; azul-marinho/azul marinho (invariável).
A indicação do grau do substantivo pode ser feita de Exemplo: ternos azul-marinho.
duas maneiras:
1. Analiticamente: determinando-se o substantivo por [Link]. Grau
um adjetivo que indica aumento ou diminuição. Exemplo:
1. Grau Comparativo
menino grande/menino pequeno.
De igualdade (tão...como, quanto): Rosa é tão alta quan-
2. Sinteticamente: anexando-se ao substantivo sufixos to Maria.
indicadores de grau. Exemplo: menin + ão = meninão/me- De superioridade (mais...do que): Maria é mais alta que
nin + inho = menininho. Rosa.
De inferioridade (menos...do que): Maria é menos alta
que Rosa.
2.3. Adjetivo
Adjetivo é a palavra que atribui uma qualidade, um as- 2. Grau Superlativo
pecto, uma propriedade ou um estado ao substantivo (ou
ao pronome substantivo). • Relativo
a) De superioridade (o/a mais.....; o melhor): Maria é a
mais bela da classe.
2.3.1. Adjetivos Pátrios
Os adjetivos podem se referir a países, continentes, cida- b) De inferioridade (o/a menos.......): Maria é a menos feia
des, regiões, etc, exprimindo a nacionalidade ou a origem da classe.
do ser. Veja alguns deles:
• Absoluto
Acre – acreano
Analítico (muito, bastante + adj.): Maria é muito bonita.
Bélgica – belga
Sintético (sufixo –íssimo, -ímo, -rimo): belíssimo; pau-
Buenos Aires – buenairense ou portenho pérrimo; facílimo.
Creta – cretense
Espírito Santo – capixaba
2.4. Artigo
2.3.2. Locução adjetiva Artigo é uma palavra que acompanha o substantivo a
É um conjunto de palavras que equivale a função de fim de determiná-lo. Exemplo: o livro; a caneta; um livro;
um adjetivo. Normalmente é formada de preposição mais uma caneta.
substantivo, ou preposição mais advérbio. Exemplo: dia de
sol; dor de estômago. 2.4.1. Classificação
Os artigos podem ser:
2.3.3. Flexão dos adjetivos • Definidos: determina o substantivo de modo preciso,
específico (a, o, as, os). Exemplo: A menina que tra-
[Link]. Gênero balha como modelo.
Os adjetivos simples seguem as mesmas regras do • Indefinidos: determina o substantivo de modo im-
substantivo na formação do feminino: belo/bela; rico/rica; preciso, vago (um, uma, uns, umas). Exemplo: Uma
português/ portuguesa; encantador/encantadora. menina que trabalha como modelo.
22
2.4.2. Propriedades e empregos • se o denominador for inferior ou igual a 10, ou ainda
for um número redondo, é lido como ordinal: 3/8 =
1. A anteposição do artigo deve substantivar a palavra:
três oitavos; 5/100 = cinco centésimos;
“O não deve ser dito”.
• se o denominador for superior a 10 e não constituir
2. O artigo evidencia o gênero e o número do substanti- número redondo, é lido como cardinal, seguido da
vo: o lápis (masculino/singular); os lápis (masculino/plural). palavra avos: 4/18 = quatro dezoito avos.
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2ª pessoa do singular tu e) Pronomes de tratamento
3ª pessoa do singular ele/ela Referem-se à pessoa a quem se fala, embora a sua con-
1ª pessoa do plural nós cordância deva ser feita com a terceira pessoa. Vale lembrar
que, exceção feita a você, esses pronomes são emprega-
2ª pessoa do plural vós
dos no tratamento cerimonioso. Veja a seguir alguns desses
3ª pessoa do plural eles/elas pronomes.
c) Pronomes pessoais oblíquos átonos
Funcionam como objeto direto, objeto indireto e com- Pronome Abreviatura Emprego
plemento nominal. Exemplos:
Vossa Alteza V.A. Príncipes, duques
Amo-te. (objeto direto) Vossa Eminência [Link].ª Cardeais
Obedeço-te. (objeto indireto) Altas autoridades
Vossa Excelência [Link].ª
Era-lhe possível. (complemento nominal) em geral
Vossa Reitores de
São eles: me; nos; te; vos; lhe; o; a; se; lhes, os, as. [Link].ª
Magnificência universidades
Vossa Sacerdotes em
Observações: [Link]
Reverendíssima geral
1. Os oblíquos o/a/os/as só podem funcionar como ob-
jeto direto: “Amo-a”. Vossa Santidade V.S. Papas
Funcionários gra-
2. Os oblíquos lhe/lhes funcionam como objeto indireto Vossa Senhoria V.S.ª
duados
e complemento nominal: “Obedeceu-lhe” (objeto indireto);
Vossa Majestade V.M. Reis, imperadores
“Foi-lhes útil” (complemento nominal).
3. Os oblíquos me, te, se, nos, vos podem funcionar como
objeto direto, objeto indireto e complemento nominal (ex- f) Pronomes possessivos
ceto o se): “Ama-me” (objeto direto); “Obedece-me” (objeto Os pronomes possessivos indicam posse e referem-se
indireto); “Isto foi-me útil” (complemento nominal). às pessoas gramaticais. São eles: meu, nosso, teu, vosso,
seu. Exemplo:
4. O oblíquo átono se é sempre reflexivo, fazendo a ação
recair sobre o sujeito: “Pedro machucou-se” Os oblíquos me, O meu cachorro fugiu.
te, nos, vos também podem ser reflexivos: “Ferimo-nos”; Ma-
chuquei-me”. g) Pronomes demonstrativos
5. Os oblíquos me, te, lhe, nos, vos podem equivaler a Os demonstrativos situam os substantivos em relação
pronomes possessivos: “Beijou-lhe as mãos” (lhe = suas). às pessoas do discurso. São eles:
d) Pronomes pessoais oblíquos tônicos
a) este, esta, isto: referem-se a 1ª pessoa do discurso;
Podem assumir qualquer função sintática (exceto sujei- indicam que o ser está relativamente próximo à pessoa
to e predicativo), vêm sempre preposicionados. que fala; pode ser usado em frases em que apareçam os
São eles: mim; ti; ele; ela; nós; vós; eles; elas, si (re- pronomes eu, me, mim, comigo e com advérbio de lugar
flexivo). aqui. Exemplo:
Observações:
“Esta caneta que está comigo é azul.”
1. O pronome si só pode ser reflexivo em relação a su-
jeito de 3ª pessoa.
b) Esse, essa, isso: referem-se à 2ª pessoa do discurso;
2. Os oblíquos mim, ti, si, nós, vós quando regidos pela indicam que os ser está relativamente próximo à pessoa
preposição com tomam as seguintes formas: comigo, con- com quem se fala; podem aparecer com os pronomes
tigo, conosco, convosco. tu, te, ti, contigo, você, vocês e com o advérbio de lugar “aí”.
Exemplo:
3. Cuidado: eu e tu funcionam como sujeitos, mas mim
e ti são complementos ou adjuntos: “Isto é para mim”. “Essa caneta que está comigo é azul.”
4. É errado usar o si referindo-se a sujeitos da 1ª ou 2ª
c) Aquele, aquela, aquilo: referem-se à 3ª pessoa do
pessoas: “Falei consigo” deve ser corrigido por “Falei contigo”
discurso; indicam que o ser está relativamente próximo
ou “Falei com você”.
à pessoa de quem se fala, ou distante dos interlocutores;
5. Os pronomes oblíquos tônicos ele, ela, eles, elas com- podem ser usados com os advérbios de lugar “ali” ou “lá”.
binam-se com as preposições de e em: dele, dela, nelas. Exemplo:
24
“Aquela caneta que está com o aluno j) Pronomes relativos
da outra sala é azul.” Os relativos são aqueles que, em geral, retomam um
termo anterior da oração, projetando-o numa outra oração.
Observações: Exemplo:
1. este, esta, isto revelam tempo presente, ou bastante
próximo do momento em que se fala; também são usados Eu vi a moça.
para fazer referência a alguma coisa que ainda vai ser falada. A moça é feia.
Exemplo: A moça que eu vi é feia.
Este dia está bom para ir ao clube
Espero sinceramente isto: que se Eles são:
procedam as reformas • O qual, a qual, os quais, as quais (referem-se a pessoa
ou coisa): “O livro ao qual me referi é bom”;
2. esse, essa, isso revelam tempo passado relativamente • Que (equivalente a “o qual” é considerado universal):
próximo ao momento em que se fala; também são usa- “Referi-me ao menino que saiu”;
dos para fazer referência a alguma coisa que já foi falada. • Quem (refere-se a uma pessoa): “A moça a quem me
Exemplo: referi é linda”;
• Cujo, cuja, cujos, cujas (sempre têm um substantivo
Em fevereiro, fez muito calor; nesse mês
ou equivalente a seu lado, com o qual concorda, in-
pudemos ir à praia.
dicando posse do seu antecedente): “Este é o livro
Que as reformas sejam efetuadas rapidamente; cujas páginas li ontem”;
é isso o que mais desejo. • Quanto, quanta, quantos, quantas (têm, normalmente,
por antecedente, tudo, todo/a/s ou os demonstrativos
3. aquele, aquela, aquilo revelam tempo remoto bastante o, a, os, as): “Tudo quanto sei devo a você”;
vago. Exemplo: • Onde (indica lugar): “Gosto da casa onde moro”;
Naquela época, a sociedade era mais conservadora. • Como (equivale a pelo qual, pela qual e indica modo):
“Não me agradou o modo como você falou”.
4. emprega-se este em oposição a aquele quando se
quer fazer referência a elementos já mencionados. Este se 2.6.2. Colocação Pronominal
refere ao mais próximo; aquele, ao mais distante. Exemplo: Os pronomes oblíquos átonos (o, a, os, as, lhe, lhes, me, te,
Paula e Carla não se encontram em casa: esta foi ao se, nos, vos) costumam apresentar problemas de colocação,
cinema e aquela ao cursinho. uma vez que podem assumir três diferentes posições:
a) Próclise (antes do verbo)
5. O, a, os, as são pronomes demonstrativos quando
podem ser substituídos por aquele, aquela, aquilo, isso. É obrigatória quando houver palavra atrativa.
Exemplo: • Palavras ou expressões negativas: “Nunca me infor-
maram os verdadeiros motivos”.
“Somos o que somos.” (Fernando Pessoa) • Advérbios: “Sempre me falavam sobre suas histórias”.
“Somos aquilo que somos.” • Pronomes indefinidos e pronomes demonstrativos
neutros: “Alguém me informou do problema”; “Isto me
6. Tal é pronome demonstrativo quando equivale a este, pertence”.
esse, isso. Exemplo: • Conjunções subordinativas: “Embora me dissessem a
Jamais conseguirei compreender tais justificativas. verdade, não acreditei”.
• Pronomes relativos: “A pessoa que me contou a ver-
h) Pronomes indefinidos dade desapareceu”.
Os indefinidos referem-se à 3ª pessoa, com sentido • Se houver duas palavras atraindo um mesmo prono-
vago, ou indicam quantidades indeterminadas. São eles: me, pode-se colocar o pronome entre as mesmas:
algum; certo; muito; nenhum; outro; pouco; qualquer; “É difícil entender quando se não ama”, ou, como é
quanto; tanto; todo; vácuo; vários; algo; nada; nin- mais comum “É difícil entender quando não se ama.”.
guém; outrem; tudo. • A palavra que atrai o pronome, mesmo quando su-
bentendida: “Desejo me aceitem.”.
São locuções pronominais indefinidas: cada qual; cada
um; qualquer um; quem quer que seja; seja quem for. A próclise também é obrigatória nas orações:
i) Pronomes Interrogativos • Interrogativas diretas: Quem nos dirá a verdade?
• Exclamativas: Quanto nos renderá essa venda?
Os interrogativos referem-se à 3ª pessoa e são usados
para interrogação. São eles: Quem? Qual? Que? Quanto? b) Mesóclise (meio do verbo)
25
É obrigatória com verbo no futuro do presente ou no “Estou-te amando” “Devo te levar”
futuro do pretérito, desde que antes não haja palavra atra-
tiva. Exemplo: “Estou amando-te” “Devo levar-te”
Convidar-me-ão para a festa. Neste caso, se houver palavra atrativa, coloca-se o pro-
nome antes do verbo auxiliar ou depois do verbo principal:
Convidar-me-iam para a festa.
“Não te devo levar” “Não devo levar-te”
Se houver palavra atrativa, a próclise será obrigatória.
Exemplo:
“Não me convidarão para a festa”.
2.6.4. QUESTÕES DE PRONOME
c) Ênclise (depois do verbo) O texto abaixo serve de base para a questão 13.
É obrigatória:
• com verbo no início da frase: “Convidaram-me para Mister se faz entender que o objetivo da lei, ao esta-
a festa”; belecer a obrigatoriedade de que as instituições financei-
• com verbo no imperativo afirmativo: “Alunos, com- ras também prestem informações às autoridades fiscais, é
portem-se”; (A) de lhes impor um dever de colaboração no intuito de
• com verbo no gerúndio: “Saiu, deixando-nos a sós”; auxiliar a atividade do Fisco. (B) Os dados e registros dos
• se o gerúndio vier precedido de preposição ou de quais elas detêm a posse são indispensáveis à ação fiscal
palavra atrativa, ocorrerá próclise: “Em se tratando de para que se conheçam as movimentações financeiras dos
cinema, prefiro as opiniões da Vera”; “Saiu da sala, não correntistas, sejam pessoas físicas ou jurídicas, que poderão
nos revelando os motivos”; ser relativas a operações (C) que ensejem a realização de
• com o verbo no infinitivo pessoal: “Era necessário fatos jurídicos tributários e se configurem como de inte-
ajudar-te”; se o infinitivo impessoal vier precedido resse da Administração Tributária. Em última instância, a
de palavra negativa, fica indiferente o uso da ênclise citada exigência encerra um interesse coletivo de ordem
ou da próclise: “Era necessário não te incomodar”; “Era pública, no sentido de que todos os fatos da vida real (D)
necessário não incomodar-te”; que se configurem como tributários e possam dar nasci-
• se o infinitivo impessoal vier precedido de preposição, mento a obrigações tributárias (E) deverão estar sujeitos e
fica indiferente o uso da ênclise ou da próclise: “Estou não poderão ficar ao abrigo da verificação e apuração dos
disposto a te ajudar”; “Estou disposto a ajudar-te”; agentes fiscais.
• com infinitivo pessoal precedido de preposição, ocor- (MAYA, Mary. A inexistência de sigilo bancário frente ao
re próclise: “Foram excluídas da sala por se compor- poder-dever de investigação das autoridades fiscais. Tribu-
tarem mal”. tação em Revista, jul/set. 1999)
2.6.3. Colocação de Pronomes nas Locuções 13 - Em relação aos elementos linguísticos do texto,
Verbais assinale a proposição incorreta.
Nas locuções verbais cujo verbo principal é um par- a) Proveniente do mesmo étimo latino de ministério, o
ticípio, o pronome deve ficar depois do verbo auxiliar. Se termo “Mister” (l.1), além de significar “o que é necessário e
houver palavra atrativa, deverá ficar antes do verbo auxiliar: forçoso”, assume também os sentidos de “ofício”, “profissão”,
“incumbência”, “propósito, intuito”.
“Tinha-te obedecido”; b) Uma forma de eliminar o segundo “que” (l.2) do pri-
meiro período é transformar a oração subordinada iniciada
“Não te havia obedecido”.
por ele em reduzida de infinitivo. Assim: “as instituições fi-
nanceiras também prestarem...”.
Se o auxiliar estiver no futuro do presente ou no futu-
ro do pretérito, ocorrerá a mesóclise, desde que não haja c) Devido à forma infinitiva do verbo impor, o pronome
palavra atrativa: “lhes”(l.4) poderia também figurar em posição enclítica, sem
provocar erro de colocação.
“Ter-me-iam falado a verdade, se a soubessem”. d) O pronome “se” (l.1) poderia figurar em posição en-
clítica ao infinitivo entender, e as relações sintáticas e se-
Nas locuções verbais, cujo verbo principal encontra-se mânticas do período permaneceriam inalteradas e corretas.
no infinitivo ou no gerúndio, se não houver palavra atrativa, e) Se trocássemos “a” por às na construção “relativas a
coloca-se o pronome depois do verbo auxiliar ou depois operações” (l.9), o período permaneceria gramaticalmente
do verbo principal: correto.
26
14 - Marque a opção incorreta a respeito do emprego c) Atribuiu-se-Ihes pesada tarefa na padaria.
das palavras e expressões do texto. d) Oferecer-vo-lo-ei; com carinho.
Esta é a história de brasileiros que enobrecem a come- e) Louve-se-te o amor que tens pelos teus filhos.
moração de 1º de Maio, o dia do Trabalho. Privilégio é uma
coisa da qual eles sempre foram privados. O que os mo- 19 - Assinale onde há erro no uso do pronome:
veu foi exatamente o contrário: a persistência para superar a) Os filhos são tais, quais os pais.
a exclusão social, maldição que se agrava com a falta de
b) Maria mesma costura as roupas dos filhos.
emprego no Brasil, onde uma em cada cinco pessoas em
idade de trabalhar está desocupada. São brasileiros que c) Não vi pessoa alguma.
representam o que há de melhor no país: sua brava gente d) As maçãs custaram um real cada.
trabalhadora, pessoas que trouxeram do berço a predesti- e) Não havia nenhumas mulheres na festa.
nação para viver sem acesso à educação, saúde, trabalho
e, por que não, felicidade, se transformaram em heróis da
persistência por uma vida melhor. 20 - Indique a colocação indevida do pronome oblíquo:
(ISTOÉ, mai. 2002, com adaptações) a) Vou-te vendo.
b) Não convidar-te-ei desta vez.
a) O emprego de “da qual” (l.3) corresponde, gramati- c) Dais-vos clemência:
calmente e textualmente, a “de que”. d) Aqui, trabalha-se.
b) O artigo definido masculino em “O que os moveu” e) Dize-lo primeiramente.
(l.3) refere-se a “brasileiros” (l.1).
c) O pronome relativo “que” (l.5) refere-se a “maldi- 21 - Sobre os pronomes de tratamento é errado dizer
ção”(l.4), que, por sua vez, refere-se a “exclusão social” (l.5). que:
d) Para que o texto respeite as regras gramaticais da a) são certas palavras e locuções que valem por verda-
norma culta, é necessário substituir o pronome relativo deiros pronomes pessoais;
“onde” (l.6) por “no qual”. b) levam o verbo para a 3ª pessoa, embora designem a
e) O pronome “sua” (l.8) está no feminino singular por- pessoa a quem se fala (isto é, a 2ª);
que deve concordar, em gênero e número, com “gente” (l.8). c) não admitem artigo (consequentemente crase), ex-
ceto “Senhor”, “Senhora” e “Senhorita”;
15 - Assinale a frase errada quanto ao uso de “eu/mim”.
d) exigem o pronome na 3ª pessoa do singular, bem
a) É fácil para mim passar lá.
como adjetivo e particípio concordando com o sexo da
b) Entre mim e você há um acordo. pessoa,
c) Este é um trabalho para eu fazer sozinho. e) deve-se empregar “Vossa” para a pessoa de quem se
d) Não deu para mim fazer isso hoje. fala, e “Sua” para a pessoa com quem se fala.
27
b) Vogal temática: é a vogal que se junta ao radical, Observe que, na primeira pessoa do singular do pre-
preparando-o para receber as desinências. A vogal temática sente do indicativo, o radical altera-se para peç-; daí a irre-
indica a que conjugação pertence o verbo. gularidade do verbo.
• vogal temática a – 1ª conjugação: amar; Observação:
• vogal temática e – 2ª conjugação: bater; Há casos em que a irregularidade do verbo se apresenta
• vogal temática i – 3ª conjugação: partir; não no radical, mas nas desinências. Analise a conjugação
Observações: do verbo estar: estou, estás, está, estamos, estais, estão.
O verbo pôr e seus derivados pertencem à segunda Anômalos: apresentam alteração no radical ao longo
conjugação. O radical, acrescido da vogal temática, recebe de sua conjugação. Exemplos: verbo ser.
o nome de tema. Presente do indicativo
c) Desinências: são elementos que se acrescentam ao sou és é somos sois são
radical (ou ao tema) para indicar as categorias gramaticais
de tempo e modo (desinência modo-temporal), e pessoa Defectivos: quando não apresentam certas formas.
e número (desinência número-pessoal). Exemplos:
verbo falir e verbo abolir.
Desinência
Vogal Desinência
Radical Número-
Temática Modo-Temporal Presente do indicativo
-Pessoal
Pessoa
AM A VA MOS falir abolir
eu ø ø
2.7.2. Classificação dos Verbos tu ø aboles
Os verbos classificam-se em: ele ø abole
nós falimos abolimos
a) Regulares: quando seguem o modelo da conjuga-
ção. vós falis abolis
eles ø abolem
Pretérito Perfeito
Presente do Indicativo
do Indicativo
Abundantes: quando possuem duas ou mais
am- o am - ei formas de idêntico valor. A abundância do verbo
am - as am - aste ocorre com maior frequência no particípio de al-
am - a am - ou guns deles, que, além da forma regular (desinência
-do), apresentam outra forma, denominada irregular.
am - amos am - amos
am - ais am - astes Particípio Particípio
Infinitivo
am - am am - aram Regular Irregular
aceitar aceitado aceito
Observe que, na conjugação do verbo amar, o radical acender acendido aceso
permaneceu o mesmo em todas as formas.
benzer benzido bento
b) Irregulares: quando se afastam do modelo da con- exprimir exprimido expresso
jugação. Para se saber se um verbo é irregular, deve-se expulsar expulsado expulso
conjugá-lo no presente do indicativo e no pretérito perfei-
enxugar enxugado enxuto
to do indicativo. Se houver qualquer irregularidade, ela se
manifestará em um desses dois tempos. prender prendido preso
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• Alguns verbos apresentam tão-somente o particípio a4) Pretérito Mais-Que-Perfeito Simples
irregular.
cantara batera partira
Infinitivo Particípio Irregular cantaras bateras partiras
dizer dito cantara batera partira
fazer feito cantáramos batêramos partíramos
escrever escrito cantáreis batíeis partíreis
abrir aberto cantaram bateram partiram
29
c2) Negativo 6. Pretérito Perfeito do Subjuntivo Composto
não cantes (tu) não batas (tu) não partas (tu) Tenha Haja
não cante (você) não bata (você) não parta (você) Tenhas Hajas
Tenha estudado Haja aprendido
não cantemos não batamos não partamos
(nós) (nós) (nós) Tenhamos Hajamos
não cantai (vós) não batais (vós) não partais (vós) Tenhais Hajais
não cantem não batam não partam Tenham Hajam
(vocês) (vocês) (vocês)
7. Pretérito Mais-Que-Perfeito do Indicativo
Composto
d) INFINITIVO
Tinha Havia
d1) Impessoal
Tinhas Havias
cantar bater partir Tinha estudado Havia aprendido
Tínhamos Havíamos
d2) Pessoal
Tínheis Havíeis
cantar bater partir
Tinham Haviam
cantares bateres partires
cantar bater partir 8. Pretérito Mais-Que-Perfeito do Subjuntivo
Composto
cantarmos batermos partirmos
Tivesse Houvesse
cantardes baterdes partirdes
Tivesses Houvesses
cantarem baterem partirem
Tivesse estudado Houvesse aprendido
e) GERÚNDIO Tivéssemos Houvéssemos
Tivésseis Houvésseis
cantando batendo partindo
Tivessem Houvessem
f) PARTICÍPIO
9. Futuro do Presente do Indicativo Composto
cantado batido partido Terei Haverei
Terás Haverás
Terá estudado Haverá aprendido
2.7.4. Conjugação dos tempos compostos
Teremos Haveremos
Os tempos compostos são locuções verbais formadas
pelos verbos auxiliares ter e haver acompanhados do ver- Tereis Havereis
bo principal no particípio. Terão Haverão
1. Presente do Indicativo Composto: (não há) 10. Futuro do Pretérito do Indicativo Composto
1ª forma:
2. Presente do Subjuntivo Composto: (não há)
Teria Haveria
3. Pretérito Imperfeito do Indicativo Composto: Terias Haverias
(não há)
Teria estudado Haveria aprendido
4. Pretérito Imperfeito do Subjuntivo Composto: Teríamos Haveríamos
(não há)
Teríeis Haveríeis
5. Pretérito Perfeito do Indicativo Composto: Teriam Haveriam
2ª forma:
Tenho Hei Tivera Houvera
Tens Hás Tiveras Houveras
Tem estudado Há aprendido Tivera estudado Houvera aprendido
Temos Havemos Tivéramos Houvéramos
Tendes Haveis Tivéreis Houvéreis
Têm Hão Tiveram Houveram
30
2.7.5. Lista de Verbos de Conjugação Curiosa Pretérito Perfeito do Indicativo: aguei, aguaste, aguou,
aguamos, aguastes, aguaram.
Segue uma lista de verbos cuja conjugação pode sus-
citar dúvidas. Assim se conjugam: desaguar, enxaguar, minguar.
31
COMERCIAR (regular) DIZER (irregular)
Presente do Indicativo: comercio, comercias, Presente do Indicativo: digo, dizes, diz, dizemos; dizeis,
comercia, comerciamos, comerciais, comerciam. dizem. Pretérito Perfeito do Indicativo: disse, disseste, disse,
Pretérito Perfeito do Indicativo: comerciei, comerciaste, co- dissemos, dissestes, disseram.
merciou, comerciamos, comerciastes, comerciaram.
Assim se conjugam os verbos terminados em -iar: anun- EXPUGNAR (regular)
ciar, evidenciar, licenciar, etc.
Presente do Indicativo: expugno, expugnas, expugna,
Observação: expugnamos, expugnais, expugnam. Pretérito Perfeito do
Há cinco verbos terminados em -iar que não seguem Indicativo: expugnei, expugnaste, expugnou, expugnamos,
o modelo acima, pois nas formas rizotônicas conjugam-se expugnastes, expugnaram.
como os verbos terminados em -ear. São os seguintes: me- Assim se conjugam: estagnar, designar, impugnar, pug-
diar, ansiar, remediar, incendiar, odiar. nar, repugnar, resignar.
32
MOBILIAR (irregular) -te, precaveu-se, precavemo-nos, precavestes-vos, preca-
Presente do Indicativo: mobílio, mobílias, mobília, mo- veram-se.
biliamos, mobiliais, mobíliam.
Pretérito Perfeito do Indicativo: mobiliei, mobiliaste, PROVER (irregular)
mobiliou, mobiliamos, mobiliastes, mobiliaram. Presente do Indicativo: provejo, provês, provê, prove-
mos, provedes, provêem.
OBSTAR (regular) Pretérito Perfeito do Indicativo: provi, proveste, proveu,
Presente do Indicativo: obsto, obstas, obsta, obstamos, provemos, provestes, proveram.
obstais, obstam.
Pretérito Perfeito do Indicativo: obstei, obstaste, obstou, QUERER (irregular)
obstamos, obstastes, obstaram. Presente do Indicativo: quero, queres, quer, queremos,
quereis, querem.
OPTAR (regular) Pretérito Perfeito do Indicativo: quis, quiseste, quis, qui-
Presente do Indicativo: opto, optas, opta, optamos, op- semos, quisestes, quiseram.
tais, optam. Pretérito Perfeito do Indicativo: optei, optaste,
optou, optamos, optastes, optaram. REAVER (defectivo)
Presente do Indicativo: reavemos, reaveis.
OUVIR (irregular) Pretérito Perfeito do Indicativo: reouve, reouveste, reou-
Presente do Indicativo: ouço, ouves, ouve, ouvimos, ve, reouvemos, reouvestes, reouveram.
ouvis, ouvem. Observação: este verbo é derivado de haver, mas só é
Pretérito Perfeito do Indicativo: ouvi, ouviste, ouviu, ou- conjugado nas formas em que haver possui a letra v.
vimos, ouvistes, ouviram.
REMIR (defectivo)
PEDIR (irregular)
Presente do Indicativo: remimos, remis.
Presente do Indicativo: peço, pedes, pede, pedimos,
Pretérito Perfeito do Indicativo: remi, remiste, remiu,
pedis, pedem.
remimos, remistes, remiram.
Pretérito Perfeito do Indicativo: pedi, pediste, pediu,
pedimos, pedistes, pediram.
REQUERER (irregular)
Assim se conjugam: despedir, expedir, medir.
Presente do Indicativo: requeiro, requeres, requer, re-
queremos, requereis, requerem:
PERDER (irregular)
Pretérito Perfeito do Indicativo: requeri, requereste, re-
Presente do Indicativo: perco, perdes, perde, perdemos, quereu, requeremos, requerestes, requereram.
perdeis, perdem.
Observação: este verbo, derivado de querer, se con-
Pretérito Perfeito do Indicativo: perdi, perdeste, perdeu, juga como ele, exceto na primeira pessoa do singular do
perdemos, perdestes, perderam. Presente do Indicativo e no Pretérito Perfeito do Indicativo
(e derivados), quando é regular.
PODER (irregular)
Presente do Indicativo: posso, podes, pode, podemos, RIR (irregular)
podeis, podem. Presente do Indicativo: rio, ris, ri, rimos, rides, riem. Pre-
Pretérito Perfeito do Indicativo: pude, pudeste, pôde, térito Perfeito do Indicativo: ri, riste, riu, rimos, ristes, riram.
pudemos, pudestes, puderam. Assim se conjuga: sorrir.
33
Pretérito Perfeito do Indicativo: saudei, saudaste, sau- Paulo foi ferido por Pedro.
dou, saudamos, saudastes, saudaram.
c) Voz reflexiva: quando o sujeito pratica e recebe a ação
SUAR (regular) verbal. Exemplo:
Presente do Indicativo: suo, suas, sua, suamos, suais, Pedro feriu-se.
suam. Pretérito Perfeito do Indicativo: suei, suaste, suou,
suamos, suastes, suaram. Também é reflexiva a reciprocidade: Pedro e Maria abra-
Assim se conjugam: atuar, continuar, habituar, indivi- çaram-se
duar, recuar, situar.
[Link]. A Voz Passiva Analítica (verbo ser + particípio)
TRAZER (irregular) Normalmente, a voz passiva analítica é uma locução
Presente do Indicativo: trago, trazes, traz, trazemos, tra- verbal formada pelo verbo “ser” acompanhado de particípio.
zeis, trazem. Exemplo:
Pretérito Perfeito do Indicativo: trouxe, trouxeste, trouxe,
Maria é amada por Paulo.
trouxemos, trouxestes, trouxeram.
A bala foi jogada pelo menino.
VALER (irregular) Regras para passar uma oração da voz ativa para a voz
Presente do Indicativo: valho, vales, vale, valemos, valeis, passiva:
valem. perfeito do indicativo: vali, valeste, valeu, valemos,
valestes, valeram. 1. o objeto direto da voz ativa passa a sujeito da voz
passiva; (portanto, só se flexionam na voz passiva os verbos
que pedem objeto direto, isto é, os transitivos diretos);
VER (irregular)
2. o verbo da voz passiva toma a forma de particípio,
presente do índicativo: vejo, vês, vê, vemos, vedes, veem.
concordando em gênero e número com o sujeito, acompa-
Pretérito Perfeito do Indicativo: vi, viste, viu, vimos, vistes, nhado do verbo “ser” no tempo e modo do verbo na voz
viram. ativa, concordando com o sujeito em número e pessoa;
Assim se conjugam seus derivados: rever, prever, an- 3. o sujeito da voz ativa passa a agente da voz pas-
tever, etc. siva, normalmente precedido da preposição “por” ou das
combinações “pelo, pela, pelos, pelas”. Exemplo:
VIAJAR (regular)
presente do indicativo: viajo, viajas, viaja, viajamos, via- Sujeito VTD Objeto Direto
jais, viajam. Pretérito Perfeito do Indicativo: viajei, viajaste, Livros foram comprados por Daniel
viajou, viajamos, viajastes, viajaram. Sujeito Loc. Verbal Agente da Passiva
Assim se conjugam: trajar, ultrajar.
Observação: outros verbos auxiliares (estar, vir, ir, etc.),
acompanhados de particípio, também formam voz passiva:
VIR (anômalo)
“A lição foi estudada por Rafael”.
Presente do Indicativo: venho, vens, vem, vimos, vindes,
vêm. Pretérito Perfeito do Indicativo: vim, vieste, veio, vie-
mos, viestes, vieram. [Link]. A Voz passiva sintética (verbo transitivo direto
+ se/ partícula apassivadora)
Assim se conjugam seus derivados: advir, convir, intervir,
provir, sobrevir, etc. A passiva sintética só ocorre com verbo transitivo dire-
to e o seu sujeito costuma vir posposto ao verbo. Exemplo:
“Leu-se o livro”.
2.7.6. Vozes Verbais
A flexão de voz diz respeito à relação entre a sujeição e
a ação verbal. Assim, temos:
2.7.7. a) QUESTÕES DE ESTRUTURA VERBAL
a) Voz ativa: quando o sujeito pratica a ação verbal.
Leia o texto a seguir para responder à questão 22.
Exemplo:
No passado, para garantir o sucesso de um filho ou de
Pedro feriu Paulo. uma filha, bastava conseguir que eles tirassem um diploma
de curso superior. Uma vez formados, seriam automatica-
b) Voz passiva: quando o sujeito recebe a ação verbal. mente chamados de “doutor” e teriam um salário de classe
Exemplo: média para o resto da vida. De uns anos para cá, essa fór-
34
mula não funciona mais. Quem pretende garantir o futuro 2.7.7. b) QUESTÕES DE VERBOS IRREGULARES
dos filhos, além do curso superior, terá de lhes arrumar um
27 - Assinale a alternativa em que o verbo “equivaler”
capital inicial. Esse capital deverá ser suficiente para o in-
está empregado erroneamente.
vestimento que gerará um emprego para seu filho. Todo
emprego requer investimentos prévios, algo óbvio mas a) Será promovido quando o seu trabalho equivaler ao
esquecido por nossos políticos e governantes. seu talento.
(KANITZ, Stephen. VEJA, jun. 2002, com adaptações) b) O preço pago equivaleu à utilidade do objeto.
c) É preciso que esta medida equivalha àquela.
22 - O texto apresenta dois grupos de formas verbais: d) Hoje, eu equivalo a ele em peso.
um expressa situações ligadas ao passado; outro, ao pre-
sente. Marque a opção em que a substituição proposta para 28 - Assinale a frase em que o verbo “ver” foi empregado
a forma verbal provoca erro gramatical ou desrespeita as de modo errado.
relações temporais do texto.
a) O quadro foi exposto para que o vejamos.
a) “seriam”(l.3) > eram
b) Embora o vissem, ninguém o chamou.
b) “teriam”(l.4) > tinham
c) Quando você ver as provas, acreditará.
c( “funciona”(l.5) > tem funcionado
d) Se você vir o chefe, avise-o.
d) “pretende”(l.6) > pretendia
e) “terá”(l.7) > tem
29 - Assinale a frase errada quanto ao emprego do ver-
bo “dispor”.
23 - No texto, predomina o uso de verbos no Presente
do Indicativo. Esse fato realça a intenção de: a) Ela não dispunha daquela quantia.
a) dar universalidade às afirmações; b) Se você se dispusesse logo, teríamos feito tudo.
b) sugerir que as observações são corretas; c) Quando eles se dispuserem, nós falaremos.
c) mostrar que o enunciador do discurso está atualizado; d) A pessoa que se dispor a isso, será premiada.
d) manter o clima da cena.
30 - Assinale a frase em que o verbo está correto.
24 – A frase entre “Os ramos de uma só árvore...” até “... de a) Isso não se adéqua ao que ele quer.
A
b) se igualam;
31 - Estão corretas as duas formas verbais sublinhadas
AN
c) se parecem;
na frase:
d) provêm.
a) Se não nos convierem os exercícios intensos, abdi-
25 – Assinale a frase correta quanto à correlação dos quemos deles.
tempos verbais. b) Quando uma experiência conter um risco, é preciso
a) Logo que me provocou o mau humor, despedir-se-á; que a evitemos.
b) Logo que me provoque o mau humor, despedir-se-á; c) Há pessoas que não se detém nem mesmo diante do
que fatalmente lhes trará malefícios.
c) Logo que me provocar o mau humor, despediu-se;
d) Para que não soframos com o excesso de ginástica,
d) Logo que me provoca o mau humor, despediu-se. é preciso que nos instruemos acerca dos riscos que repre-
sentam.
26 - Indique a oração onde o verbo aparece erradamen-
te preposicionado: e) Quando havermos de colher os frutos da nossa im-
prudência, arrepender-nos-emos.
a) As crianças se sumiram em meio à multidão de fiéis.
b) Os meus planos se goraram no dia em que perdi o
emprego. 32 - Que verbo está inadequadamente conjugado?
c) Alunos e professores se confraternizaram depois da a) Espero que compitamos dentro das regras.
festa. b) Não intervim na discussão, mas me arrependo.
d) Após a tempestade, o relógio da praça se adiantou c) As mulheres cirzem as roupas de seus filhos.
alguns minutos. d) Desejo que você reavenha o cargo que perdeu.
e) A duplicata se vence no início do mês. e) Eles remedeiam a situação sempre que podem.
35
33 - O verbo está erradamente conjugado: [Link]. Locução adverbial
a) Eles cambiam o carro erradamente. Frequentemente o advérbio não é representado por
b) As crianças entretinham a casa. uma única palavra, mas por um conjunto de palavras. A
esse conjunto de palavras, geralmente formado por pre-
c) Eu medeio uma negociação entre as partes.
posição + substantivo, adjetivo ou advérbio, dá-se o nome
d) O pacto social vigerá até o fim do ano. de locução adverbial. Exemplo:
e) Espero que eles estreem com sucesso.
Ele resolveu o problema com calma. (= calmamente)
34 - Onde há erro na conjugação dos verbos?
Observe alguns exemplos de locução adverbial: à direi-
a) bóie; bóies; bóie; boiemos; boieis; boiem.
ta, à esquerda, à frente, à vontade, de cor, em vão, por acaso,
b) pula; pulas; pula; pulamos; pulais; pulam. frente a frente, de maneira alguma, de manhã, em breve,
c) cobre; cubra; cubramos; cobri; cubram. de súbito, de propósito, de repente, ao léu, etc.
d) sue; sues; sue; suemos; sueis; suem.
e) frijo; freges; frege; fregimos; fregis; fregem. [Link]. Grau dos advérbios
São dois os graus dos advérbios:
36
[Link]. Locução prepositiva g) temporal (exprimem tempo): quando, enquanto,
Chamam-se locuções prepositivas as preposições forma- logo que, desde que, assim que, etc.
das por mais de um vocábulo: abaixo de, acerca de, a fim de, h) finais (exprimem finalidade): a fim de que, para que,
além de, ao lado de, apesar de, através de, de acordo com, que, etc.
em vez de, junto de, para com, perto de, etc. i) proporcionais (exprimem proporção): à proporção
que, à medida que, etc.
2.8.3. Conjunção j) integrantes: que, se (quando iniciam oração subor-
dinada substantiva).
Conjunção é a palavra invariável que liga duas orações
ou dois termos que exercem a mesma função sintática den-
tro de uma oração. Exemplo: 2.8.4. Interjeição
Pedro chegou atrasado e João ficou aborrecido. Interjeição é a palavra invariável através da qual expri-
Pedro e João chegaram atrasados. mimos nossas emoções. As interjeições podem expressar
sentimentos e emoções variadas:
No primeiro caso, a conjunção e liga duas orações; já • alegria: ah!, oh!, oba!
no segundo, a conjunção liga dois termos da oração que • advertência: cuidado!, atenção!
exercem a mesma função sintática (sujeito). • alívio: ufa!, arre!
• animação: coragem!, avante!, eia!
• desejo: oxalá!, tomara!
[Link]. Classificação das conjunções • dor: ail, ui!
As conjunções classificam-se em: • espanto: oh!, chil, ué!
• impaciência: hum!, hem!
1. coordenativas: quando ligam termos que exercem a • invocação: ô!, alô!, olá! etc.
mesma função sintática, ou orações independentes (coor- • silêncio: psiu!, silêncio!
denadas).
As conjunções coordenativas subdividem-se em: 2.9. a) QUESTÕES DE PREPOSIÇÕES
a) aditivas (indicam soma, adição): e, nem, mas tam-
bém, mas ainda, etc.
Leia o texto a seguir para responder à questão 35.
b) adversativas (indicam oposição, contraste): mas,
porém, todavia, contudo, entretanto, etc. Um aspecto crucial para o bom funcionamento do siste-
ma tributário é a importância estratégica da administração
c) alternativas (indicam alternância, escolha): ou, ou ... tributária. A efetividade e a eficácia do sistema tributário
ou, ora ... ora, quer ... quer, etc. dependem da administração tributária, que desempenha
d) conclusivas (indicam conclusão): pois (posposto ao um papel, fundamental e imprescindível, de instrumento
verbo), logo, portanto, então, etc. de garantia da aplicação efetiva da legislação.
e) explicativas (indicam explicação): pois (anteposto Grande parte dos problemas do sistema brasileiro não
ao verbo), porque, que, etc. poderá ser resolvida exclusivamente no plano da legislação.
Há uma relação importante entre a fragilidade dos órgãos
2. subordinativas: quando ligam duas orações sinta- da administração e determinadas deficiências do sistema
ticamente dependentes. As conjunções subordinativas tributário nacional.
subdividem-se em: Com uma administração tributária desprovida de re-
a) causais (exprimem causa, motivo): porque, visto que, cursos materiais e humanos, numa economia complexa
já que, uma vez que, como, etc. e de proporções continentais como a brasileira, o sistema
b) condicionais (exprimem condição) : se, caso, con- tributário, por mais concebido que possa ser sob o ponto
tanto que, etc. de vista da legislação, deixará fatalmente a desejar em ter-
mos de qualidade, eficácia e justiça fiscal.
c) consecutivas (exprimem resultado, consequência):-
que (precedido de tão, tal, tanto), de modo que, de maneira (Fonte: <[Link]>)
que,. etc.
d) comparativas (exprimem comparação): como, que 35 - Em relação ao texto, assinale a opção correta.
(precedido de “mais” ou “menos”), etc. a) Se a palavra “crucial” (l.1) for substituída por “decisi-
e) conformativas (exprimem conformidade): como, vo”, haverá alteração substancial na informação do texto e
conforme, segundo, etc. prejuízo semântico.
f ) concessivas (exprimem concessão): embora, se bem b) As palavras “efetividade” e “eficácia” (l.3) estão sendo
que, ainda que, mesmo que, conquanto, etc. utilizadas no texto como sinônimas.
37
c) Sem que outras alterações gramaticais se façam ne- rios - aposentados e pensionistas; _____ 26,7 milhões de
cessárias, a concordância do segundo período do texto, se contribuintes ativos, só no Sistema Geral de Previdência
feita no plural “poderão”, estaria igualmente correta. Social - o INSS; ____ 60,0 milhões de brasileiros que estão
d) Em “órgãos da administração e determinadas defi- na População Economicamente Ativa - PEA, mas excluídos
ciências” (l.09 e 10) a conjunção “e” corresponde, gramatical do INSS, entre os quais os 40 milhões da economia infor-
e semanticamente, à preposição “com”. mal; ____ 4 milhões a Previdência Complementar aberta;
______ 6,6 milhões da Previdência Complementar fechada
e) A preposição “Com” (l.12) pode ser substituída pela
- 1,7 milhões de participantes ativos, 4,4 milhões de parti-
palavra “apresentando”, sem que haja prejuízo para a cor-
cipantes dependentes e 558 mil participantes assistidos;
reção gramatical do trecho.
______ 10 milhões de servidores públicos civis e militares,
da União (1,8 milhão), de estados (4,0 milhões, em 97) e
Leia o texto para responder, em seguida, à ques- municípios (4,0 milhões, em 97), aproximadamente.
tão 36. (Fonte: <[Link]>)
Acho que a globalização tem graves problemas. Nós es-
tamos percebendo que é hora de fazer ajustes, de garantir
a) Como são informações de natureza numérica, o arti-
acesso dos países pobres aos mercados do Primeiro Mun-
go “o” masculino é obrigatório.
do. É hora de os países ricos fazerem algumas concessões.
Culturalmente falando, a globalização é um sucesso espe- b) Já que todas as informações têm a mesma função
tacular, mas do ponto de vista econômico é um fracasso. sintática, basta preencher as lacunas com o artigo feminino
Precisamos entender que a globalização não é uma força singular.
indomável da natureza. Ela é criação humana, produto de c) Devido à regência da forma verbal “diz” (l.6) todas as
instituições e governos, de regras, e pode ser alterada. lacunas devem ser preenchidas com a preposição “de”.
(BAILEY, Michel. VEJA, mai. 2002, com adaptações) d) A regência da palavra “respeito”(l.6) exige que as duas
primeiras lacunas sejam preenchidas com “em” e as seguin-
tes com “de”.
36 - Julgue os itens a respeito do emprego das estrutu-
ras linguísticas do texto e marque, a seguir, a opção correta. e) Todas as lacunas podem ser preenchidas com prepo-
sição e artigo masculino plural “aos”.
I. Preservam-se as relações semânticas entre as orações
e a correção gramatical, simplificando o período, ao substi-
tuir “que é hora” (l.2) por a hora. 38 - Depois de quase 1.400 turnos de votação ________
II. De acordo com a norma culta, não é recomendada praticamente todas as palavras do documento, a Assem-
a contração entre “de” e “os” (l.4) porque a preposição e o bleia Geral da ONU aprovou, no dia 10 de dezembro de
artigo pertencem a orações diferentes. 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Passa-
dos 53 anos, o desrespeito e o desprezo _______vida ainda
III. A substituição da preposição “de” (l.4) por que, antes
continuam mundo______ , nos massacres de periferia, nas
de “os países ricos”(l.4), e a consequente substituição de
lutas do campo ou no trabalho infantil. Os abusos estão
“fazerem”(l.4) por fizessem, mantém as relações semânticas
estampados ________ dias nos jornais. Esse fluxo de relatos
e a correção gramatical.
é em si um tributo à Declaração, _________ possibilitou
IV. As regras da norma culta permitem que a forma de discussão séria sobre o tema e incentivou forte movimento
infinitivo verbal “fazerem” (l.4) seja também empregada sem internacional pelos direitos humanos. (Almanaque Brasil,
flexão: fazer. dezembro de 2001, com adaptações)
a) Apenas I e III estão corretos. Para completar corretamente o trecho acima é neces-
sário inserir, pela ordem, os seguintes termos:
b) Apenas II está correto.
a) de - à - afora - todos - em que
c) Apenas II e IV estão corretos.
b) sobre - por a - afora - todos os - com que
d) Apenas III e IV estão corretos.
c) de - pela - a fora - todos - por que
e) Apenas IV está correto.
d) sobre - pela - afora - todos os - que
e) em - à - a fora - todos - com que
37 - Em relação às lacunas do texto, assinale a opção
correta.
A questão da Previdência Social deve ser recolocada Texto para responder a questão 39.
na sucessão presidencial. Não é possível que uma questão A indústria cultural não é simplesmente mais um ramo
dessa magnitude - o pacto entre gerações, que interessa da produção na diversificada produção capitalista, ela foi
às passadas, presentes e futuras - continue, como sempre concebida e reorganizada para preencher funções sociais
aconteceu, fora da pauta da sucessão presidencial. Uma específicas, antes preenchidas pela cultura burguesa, alie-
questão que diz respeito ______ 20 milhões de beneficiá- nada de sua base material. A nova produção cultural tem a
38
função de ocupar o espaço do lazer que resta ao operário e produtivo para consumar a delícia usurária da ciranda
e ao trabalhador assalariado depois de um longo dia de financeira global.
trabalho, a fim de recompor suas forças para voltar a traba- (FARIAS, Fátima Gondim. Reforma Tributária.
lhar no dia seguinte, sem lhe dar trégua para pensar sobre a Tributação em Revista, abr/jun. 1999)
realidade miserável em que vive. A indústria cultural, além
disso, cria a ilusão de que a felicidade não precisa ser adiada a) improdutiva – tirante – estiver afastando-se do
para o futuro, por já estar concretizada no presente – basta
b) boa – exceto – for desviada do
lembrar o caso da telenovela brasileira. E, finalmente, ela
elimina a dimensão crítica ainda presente na cultura bur- c) eficaz – se dirigida – estiver centrada no
guesa, fazendo as massas que consomem o novo produto d) justa – inclusive – continuar concentrada no
da indústria cultural esquecerem sua realidade alienada. e) distributiva – se acumula – ficar confinada ao
Com a dissolução da obra de arte e da cultura no cotidiano,
extinguem-se a remessa para o futuro e a promessa de
Leia o texto a seguir para responder à questão 41.
felicidade, inerentes à obra de arte burguesa.
A sociedade baseada na liberdade contratual será
(FREITAG, Barbara. A Teoria Crítica Ontem e Hoje. São
sempre, em grande parte, uma sociedade de classes, cuja
Paulo: Editora Brasiliense, 1986, pp.72-73, com adaptações)
estrutura é defendida em vantagem dos ricos. Cumpre
associar o indivíduo no processo de autoridade, isto é, o
39 - Julgue as afirmações a respeito do texto como trabalhador no poder industrial. A exclusão de alguém de
verdadeiras (V) ou falsas (F), para marcar a opção a seguir. uma parcela do poder é, forçosamente, a exclusão daque-
le dos benefícios deste. Todos deviam e devem, portanto,
( ) Subentende-se que a cultura burguesa não preen-
ter direito a uma parte dos resultados da vida social. E as
chia funções sociais específicas porque estava alienada de
diferenças devem existir somente quando necessárias ao
sua base material.
bem comum. Impõe-se, pois, uma igualdade econômica
( ) Pelo desenvolvimento da argumentação do texto, maior, porque os benefícios que um homem pode obter
infere-se que a cultura burguesa é mais crítica que sua su- do processo social estão aproximadamente em função de
cedânea, a indústria cultural. seu poder de consumo, o que resulta do seu poder de pro-
( ) De acordo com as ideias do texto, a preposição priedade. Assim os privilégios econômicos são contrários à
“antes” (l.4) pode ser substituída pela expressão até então, verdadeira sociedade democrática. O próprio conceito de
sem prejudicar a coerência textual ou a correção gramatical. liberdade redefine-se através dos séculos, de acordo com
( ) Pelos laços de coesão textual, o pronome “lhe” as circunstâncias históricas e o desenvolvimento das for-
(l.9) corresponde a “nova produção cultural” ( l.5), por isso ças econômicas. E a liberdade, no mundo atual, só existirá
admite a substituição por a ela. de fato quando assentada na segurança e em função da
( ) Segundo a argumentação do texto, a forma ver- igualdade. É que a verdadeira democracia, já o disse Turner,
bal de gerúndio “fazendo” (l.15) corresponde a e faz e está “é o direito do indivíduo de compartilhar as decisões que
sendo empregada com o valor de causa. respeitam a sua vida e da ação necessária à execução de tais
decisões”. Para que a liberdade realmente exista, é preciso
( ) Considerando os sentidos textuais, a preposição que a sociedade se estruture sobre cooperação e não sobre
“Com” (l.17), ao iniciar o último período sintático do texto, in- a exploração. E assim os homens serão livres.
troduz um objetivo para a ideia expressa na oração anterior.
(MANGABEIRA, João. Oração do Paraninfo, proferida
em Salvador, Bahia, 8 dez. 1944, com adaptações).
A sequência correta obtida é:
a) V, V, V, F, V, F
b) V, F, V, V, F, V 41 - Assinale a opção correta a respeito do emprego
das estruturas linguísticas no texto.
c) V, F, F, V, F, V
a) A repetição da preposição “de” (l.5), precedendo “al-
d) F, V, F, F, V, F guém” e “uma parcela do poder”, indica que os termos a
e) F, V, V, F, F, F que elas se referem admitem ser trocados sem prejuízo da
correção gramatical ou das relações semânticas do texto.
2.9. b) QUESTÕES DE CONJUNÇÕES b) A repetição do verbo dever, em “deviam e devem”
(l.07), tem o efeito de reforçar sua duração no tempo, mas
40 - Preencha os espaços do trecho, de forma a re- o emprego de apenas “devem” seria suficiente para indicar
sultar um texto que preserve a coerência de ideias e da o estado permanente e atual de “ter direito” (l.8).
direção argumentativa. Nenhuma reforma tributária será c) O valor demonstrativo do pronome o em “o que re-
____________, _________________ para os mesmos de sulta” (l.13) indica que pode haver aí a substituição pelo
sempre, enquanto cerca de metade da arrecadação fiscal pronome isso, sem prejuízo da correção gramatical ou da
_____________________ circuito do gasto público social coerência textual.
39
d) Por se tratar de emprego reflexivo, “redefine-se” (l.16) Dinheiro é a maior invenção dos últimos 700 anos. Com
não admite substituição por é redefinido. ele, você pode comprar qualquer coisa, ir para qualquer
e) A função condicional da conjunção “quando” (l.19) lugar, consolar o aleijado que bate no vidro do carro no
será preservada se substituída por se, mas a correção gra- sinal fechado, mostrar quanto você ama a mulher amada
matical do período só será preservada se o verbo que a ou comprar uma hora de amor. É o passaporte da liberdade.
precede for empregado no presente: existe. Com dinheiro, você pode xingar o ditador da época e sair
correndo para o exílio, ou financiar todos os candidatos
a presidente e comparecer aos jantares de campanha de
Leia o texto abaixo para responder à questão 42. todos. Nos tempos que estamos vivendo, dinheiro é como
O processo de globalização foi muito mais rápido no Deus na Idade Média – o sentido único e todos os sentidos
âmbito das finanças e do comércio do que no plano polí- de todas as coisas. A “remissão” de todas as coisas. O que
tico e institucional. O único caminho possível é avançar no não produz nem é dinheiro, não existe. É falso, postiço. Os
processo de transformação da ordem mundial e institucio- sábios da igreja de antigamente são os economistas de
nalizá-lo. É claro que no passado bipolar havia problemas hoje em dia. Dividem-se em dois grupos – os idólatras, para
graves, tanto no bloco sob o controle hegemônico dos Es- quem dinheiro é o pedacinho de papel, a imagem do sa-
tados Unidos quanto no dominado pela URSS. A ordem glo- grado, o santinho. Pare eles, o valor do dinheiro depende da
bal em formação tem algumas vantagens e muitos riscos, quantidade de papéis em circulação. Para os iconoclastas,
parte deles criada pelo desmoronamento das instituições dinheiro é a base das relações sociais do mundo capitalista,
multilaterais. A principal vantagem é a integração pelas co- a rede que organiza a sociedade. É um conceito, um crédito,
municações. Hoje atrocidades como as que aconteciam sob um débito. Como os sacerdotes de antigamente, econo-
a censura e o véu da impunidade hegemônica no século mistas têm a missão de explicar o inexplicável – como o
passado se tornam conhecidas em tempo real, pela opinião dinheiro é tudo e nada ao mesmo tempo, por que falta
pública mundial. É o primeiro passo para o estabelecimento dinheiro se dinheiro é papel impresso, ou se a quantidade
de limites e sanções à violação em larga escala dos direitos de santinhos muda o tamanho do milagre.
da humanidade. O horror instantâneo já não nos pode ser (SAYAD, João. Cidade de Deus. Classe: revista de bordo
sonegado. A rede global de comunicações dá novos recur- da TAM, n. 95, com adaptações)
sos aos movimentos coletivos de defesa dos direitos da paz
e compromete governantes.
(ABRANCHES, Sérgio. VEJA, 24 set. 2003, 43 - Assinale qual a alteração proposta para o texto que
com adaptações) desrespeita sua coerência ou correção gramatical.
a) Trocar a conjunção “e” (l.6) por “ou”.
42 - Assinale a proposta de reescritura do trecho do b) Inserir o pronome “eles” depois de “todos” (l.7).
texto que respeita as relações de sentido originais e a cor- c) Inserir a preposição “em” após “tempos” (l.9).
reção gramatical.
d) Trocar a vírgula da linha 19 pela conjunção “e”.
a) “avançar no processo de transformação da ordem e) Trocar a conjunção “Como” (l.20) por “Qual”.
mundial e institucionalizá-lo” (l.4 e 5)/avançar e institucio-
nalizar-lhe o processo de transformação da ordem mundial
b) “tanto no bloco sob controle hegemônico dos Es- 44 - Algumas conjunções e pronomes do texto, ape-
tados Unidos quanto no dominado pela URSS” (l.6-7)/seja sar de iniciarem orações afirmativas, têm também valor
no bloco dominado pela URSS seja naquele sob controle interrogativo. Assinale, nas opções abaixo, aquela a que,
hegemônico dos Estados Unidos; textualmente, é impossível associar esse valor interrogativo.
c) “sob a censura e o véu da impunidade hegemônica a) “quanto você ama a mulher amada” (l.4);
do século passado” (l.11-12)/sob o véu da impunidade e b) “para quem dinheiro é o pedacinho de papel” (l.14
censura hegemônica do século anterior; e 15);
d) “o estabelecimento de limites e sanções à violação c) “como o dinheiro é tudo” (l.21 e l.22);
em larga escala dos direitos da humanidade” (l.14-15)/es- d) “por que falta dinheiro” (l.22 e 23);
tabelece sanções em larga escala e limites à violação dos
e) “se a quantidade de santinhos muda o tamanho do
direitos da humanidade;
milagre”(l.23-24).
e) “dá novos recursos aos movimentos coletivos de defe-
sa dos direitos da paz e compromete governantes” (l.16-18)/
compromete os governantes e dá novos recursos de defesa 45 - Assinale a frase em que há falta de coerência.
dos direitos da paz aos movimentos coletivos; a) Trabalhou muito, embora estivesse cansado.
b) Olha para tudo, mas não enxerga nada.
Para responder às questões 43 e 44, leia o texto c) Como todos já chegaram, começaremos a reunião.
abaixo. d) O livro é bem volumoso, pois é muito caro.
40
2.9. c) QUESTÕES DE ELEMENTOS DE SE- I. A melhor maneira de combater o erro é libertar as
parcelas de verdade prisioneiras dentro dele.
MÂNTICA
II. Quando o erro perde a verdade que nele se esconde,
Leia o texto abaixo para responder à questão 46. deixa deter poder de sedução e consistência interior.
Em artigo publicado na década de noventa, o professor III. Deus fez a inteligência voltada para a verdade.
Paul Krugman explicava que todos aqueles países que fala- IV. Quando a inteligência adere ao erro é seduzida pela alma
vam inglês haviam tido um desempenho econômico acima de verdade que existe dentro de todo erro. A ordenação
da média de seus vizinhos e que o inglês estava se tornando correta é:
rapidamente a língua franca dos negócios, do turismo e
da internet. Assim, os processos de fusão de empresas, tão 1 2 3 4
comuns naquele tempo, só teriam sucesso se utilizassem a) I II IV III
o inglês como língua de integração das corporações. Essa b) I IV II III
visão nos preocupou quando resolvemos integrar todas
c) III IV I II
as áreas de consultoria espalhadas pela América Latina
em uma única divisão de consultoria. Mas ficou uma per- d) III II I IV
gunta no ar: “que língua oficial adotar”? O espanhol ou o e) II III I IV
português acirraria a rivalidade que já era bastante grande
no campo dos esportes. Adotar o inglês teria a vantagem
Texto para o exercício 48.
da neutralidade e da facilidade de interação com nossos
colegas de outras regiões, mas com perda significativa na Um aspecto crucial para o bom funcionamento do siste-
agilidade da comunicação e no andamento das reuniões. ma tributário é a importância estratégica da administração
Foi adotada então uma postura única: haveria três línguas tributária. A efetividade e a eficácia do sistema tributário
oficiais. Essa pequena sutileza significava, na verdade, que dependem da administração tributária, que desempenha
todos eram obrigados a entender as três línguas, mas po- um papel, fundamental e imprescindível, de instrumento
deriam se expressar no idioma em que se sentissem mais à de garantia da aplicação efetiva da legislação. Grande parte
vontade. Hoje, cinco anos depois, sentimos que essa deci- dos problemas do sistema brasileiro não poderá ser resolvi-
são foi fundamental para o nosso processo de integração, da exclusivamente no plano da legislação. Há uma relação
e a lição aprendida é que muitas vezes a criatividade local importante entre a fragilidade dos órgãos da administração
pode ser mais efetiva que verdades importadas. e determinadas deficiências do sistema tributário nacional.
Com uma administração tributária desprovida de recursos
(ROSSI, José Luiz. Integração cultural na América Lati-
materiais e humanos, numa economia complexa e de pro-
na. Classe Especial, 8 set. 2001, com adaptações)
porções continentais como a brasileira, o sistema tributário,
por mais concebido que possa ser sob o ponto de vista
46 - Marque a opção em que, de acordo com as ideias da legislação, deixará fatalmente a desejar em termos de
do texto, existe uma relação de condição do tipo “Se X, qualidade, eficácia e justiça fiscal.
então Y”: (Fonte: <[Link]>)
a) X = falássemos inglês
48 - Marque como corretos os itens que constituem
Y = teríamos desempenho econômico acima da média
continuação coesa e coerente para o texto.
b) X = adotássemos inglês como língua oficial
I. Portanto, é fundamental o fortalecimento da máquina
Y = agilizaríamos a comunicação fiscal, que torna a administração tributária mais efetiva.
c) X = empregássemos espanhol ou português II. Diante dessa evidência, hoje há um consenso quanto
Y = exacerbaríamos a rivalidade ao prescindível papel que desempenha o fortalecimento
d) X = houvesse três línguas oficiais da administração tributária como efetivo instrumento de
Y = teríamos facilidade de interação com outras regiões garantia da eficácia de todo o Sistema Tributário.
e) X = entendêssemos as três línguas III. Para que a administração tributária seja fortalecida e
efetiva, são também fundamentais o cumprimento volun-
Y = deveríamos nos expressar nas três línguas tário das obrigações tributárias e a percepção do risco de
sonegar por parte do contribuinte.
47 - Num determinado ponto do discurso de posse IV. Embora a máquina fiscal não se mostre capaz de
como Arcebispo de Olinda e Recife, Dom Hélder Câmara recuperar as obrigações tributárias descumpridas, então
faz um raciocínio baseado em quatro proposições. Ordene resta comprometida a eficácia de todo o sistema.
tais proposições, obedecendo ao esquema: 1- proposição V. Em última análise, é uma fiscalização fortalecida que
genérica; 2- proposição acidental; 3- proposição resolutiva; vai definir o limite da efetividade da administração tributá-
4- proposição consecutiva. ria, e, por consequência, do Sistema Tributário.
41
A quantidade de itens corretos é: d) conceder foros de legitimidade – jubilosa – seriam
a) 1 merecedores – desrespeito
b) 2 e) legalizar e respaldar – mais pródiga – seria possível
– penalização
c) 3
d) 4
e) 5 O texto abaixo serve de base para a questão 50.
SONEGAÇÃO
O texto abaixo serve de base para a questão 49. Receita pune cartórios
Mister se faz entender que o objetivo da lei, ao esta- A Receita Federal desencadeou uma série de ações
belecer a obrigatoriedade de que as instituições financei- fiscais nos cartórios de registros imobiliários e tabeliões.
ras também prestem informações às autoridades fiscais, é A devassa começou pelos Estados de Minas Gerais, Para-
(A) de lhes impor um dever de colaboração no intuito de ná e Rio Grande do Sul. Pelo menos 13 ações fiscais já fo-
auxiliar a atividade do Fisco. (B) Os dados e registros dos ram concluídas, revelando uma dívida com o Fisco de R$
quais elas detêm a posse são indispensáveis à ação fiscal 3,014 milhões, entre imposto devido, juros e multa sobre
para que se conheçam as movimentações financeiras dos operações do ano-calendário 1998. As ações fiscais serão
correntistas, sejam pessoas físicas ou jurídicas, que poderão estendidas para outros Estados. Muitos cartórios não de-
ser relativas a operações (C) que ensejem a realização de claram corretamente o que recebem em forma de taxas,
fatos jurídicos tributários e se configurem como de inte- emolumentos e outros serviços, segundo a Receita. Além
resse da Administração Tributária. Em última instância, a disso, outras obrigações estão sendo descumpridas, entre
citada exigência encerra um interesse coletivo de ordem elas a de informar mensalmente as operações imobiliárias.
pública, no sentido de que todos os fatos da vida real (D) Esse tipo de irregularidade faz com que a Receita perca o
que se configurem como tributários e possam dar nasci- controle sobre compra e venda de imóveis.
mento a obrigações tributárias (E) deverão estar sujeitos e (Correio Braziliense, 28 jun. 2002)
não poderão ficar ao abrigo da verificação e apuração dos
agentes fiscais.
(MAIA, Mary Elbe. A inexistência de sigilo bancário 50 - Em relação às estruturas do texto, assinale a opção
frente ao poder-dever de investigação das autoridades incorreta.
fiscais. Tributação em Revista, jul/set. 1999) a) A palavra “devassa” (l.3) está sendo empregada na
acepção de processo de investigação que revela as provas
de um ato criminoso.
49 - Assinale a opção gramaticalmente correta que
b) Infere-se do texto que mais de 12 ações fiscais já
preenche os espaços, preservando a orientação argumen-
foram concluídas.
tativa e respeitando a coerência e a coesão do texto.
c) O emprego do presente em “declaram” (l.9), “recebem”
Entendimento em contrário, no sentido de
(l.10) e “estão” (l.11) permite a inferência de que a informação
__________________ o dever-poder do Fisco de examinar
refere-se apenas aos cartórios cujas ações fiscais ainda não
as citadas operações, resultaria em tornar ______________
foram concluídas.
a ação fiscal, pois somente _____________ de exame os
valores que os contribuintes espontaneamente quisessem d) Para interpretar a expressão “entre elas a de informar”
informar em suas declarações, o que se constituiria em um (l.11 e12) subentende-se a palavra obrigação.
permissivo para se encobrir valores que os contribuintes e) Caso a expressão “Esse tipo de irregularidade” (l.13)
não quisessem declarar e resultaria em violação da igual- fosse substituída por Essas formas de irregularidade, o verbo
dade tributária, com total ________________ daqueles deveria ir para o plural – fazem – e a referência seria relativa
contribuintes que não querem, ou não podem, esconder a todas as irregularidades citadas anteriormente.
valores do crivo da tributação.
(MAIA, Mary Elbe. A inexistência de sigilo bancário 51 - Para que o texto abaixo apresente coesão, coerên-
frente ao poder-dever de investigação das autoridades cia de ideias e progressão temática, é necessária a inserção
fiscais. Tributação em Revista, jul/set. 1999) de dois dos trechos nomeados a seguir como (A), (B) e (C)
nos espaços [*] e[**].
a) abster ou restringir – ineficaz – poderiam ser passíveis Metade dos postos de trabalho com carteira assinada
–desprestígio já é preenchida por profissionais que têm, no mínimo, o
ensino médio.
b) consagrar ou fortalecer – mais hesitosa – estariam
sob ocrivo – desoneração Para os cargos mais altos, as exigências estão aumen-
tando.
c) cercear ou limitar – inoperante – seria passível –des-
consideração [*]
42
Os trabalhadores permanecem em emprego menos contratar um porteiro, é necessário construir uma guarita
qualificado durante o período em que estão estudando para alojá-lo.
e, depois de formados, sentem-se preparados para tentar b) Alguns dirão chocados: a que ponto chegamos, ter
um posto mais elevado. Essa nova leva de trabalhadores já de comprar o próprio emprego! Mas no fundo sempre foi
é conhecida como a “geração do canudo”. Educar a força assim. Todos nós precisamos de um capital inicial para co-
de trabalho constitui um dos maiores desafios de qualquer meçar a trabalhar.
país e era uma grande trava ao desenvolvimento do Brasil.
c) Se não forem os pais a investir no próprio filho, quem
[**] será? Quem comprará as máquinas, os equipamentos, o
A compensação pode ser confirmada nos contrache- escritório, os computadores para que ele possa começar
ques. Em valores reais, o salário dos executivos triplicou nas a trabalhar?
últimas décadas. d) Americanos ganham oito vezes mais que brasileiros
(VEJA ESPECIAL, mai. 2002, com adaptações) não porque trabalham oito vezes mais, mas porque inves-
tem muito mais em estoque, máquinas e equipamentos,
A. Tanto que a qualificação para as funções de alta ge- aumentando brutalmente a produtividade de seus filhos.
rência e de diretoria requer dezessete anos de estudo, dois e) Fica evidente que todos os investimentos prévios no
a mais do que era requisitado dos diretores de empresas combate à miséria devem propor um programa integrado
brasileiras no passado. de políticas sociais. Várias propostas apontam as fontes de
B. Por isso, com o desenvolvimento da economia, o recursos que, em geral, representam redirecionamentos de
que vai diferençar as pessoas, seja os operários controlan- outros pagamentos.
do máquinas pesadas, seja os altos executivos dirigindo
multinacionais, é o investimento na prática que neutraliza
as lacunas da graduação. Leia o texto a seguir para responder à questão 53.
C. Nos anos 80, a mão-de-obra tinha, em média, três A sociedade baseada na liberdade contratual será
anos de estudo. Atualmente os trabalhadores brasileiros sempre, em grande parte, uma sociedade de classes, cuja
estudam cerca de cinco anos. Continuam entre os menos estrutura é defendida em vantagem dos ricos. Cumpre
instruídos e os menos produtivos do mundo, mas a curva associar o indivíduo no processo de autoridade, isto é, o
de educação é ascendente. trabalhador no poder industrial. A exclusão de alguém de
uma parcela do poder é, forçosamente, a exclusão daque-
le dos benefícios deste. Todos deviam e devem, portanto,
Deve-se inserir, respectivamente, em [*] e [**]:
ter direito a uma parte dos resultados da vida social. E as
a) A e B diferenças devem existir somente quando necessárias ao
b) A e C bem comum. Impõe-se, pois, uma igualdade econômica
c) B e C maior, porque os benefícios que um homem pode obter
do processo social estão aproximadamente em função de
d) B e A
seu poder de consumo, o que resulta do seu poder de pro-
e) C e B priedade. Assim os privilégios econômicos são contrários à
verdadeira sociedade democrática. O próprio conceito de
Leia o texto a seguir para responder à questão 52. liberdade redefine-se através dos séculos, de acordo com
No passado, para garantir o sucesso de um filho ou de as circunstâncias históricas e o desenvolvimento das for-
uma filha, bastava conseguir que eles tirassem um diploma ças econômicas. E a liberdade, no mundo atual, só existirá
de curso superior. Uma vez formados, seriam automatica- de fato quando assentada na segurança e em função da
mente chamados de “doutor” e teriam um salário de classe igualdade. É que a verdadeira democracia, já o disse Turner,
média para o resto da vida. De uns anos para cá, essa fór- “é o direito do indivíduo de compartilhar as decisões que
mula não funciona mais. Quem pretende garantir o futuro respeitam a sua vida e da ação necessária à execução de tais
dos filhos, além do curso superior, terá de lhes arrumar um decisões”. Para que a liberdade realmente exista, é preciso
capital inicial. Esse capital deverá ser suficiente para o in- que a sociedade se estruture sobre cooperação e não sobre
vestimento que gerará um emprego para seu filho. Todo a exploração. E assim os homens serão livres.
emprego requer investimentos prévios, algo óbvio mas (MANGABEIRA, João. Oração do Paraninfo, proferida
esquecido por nossos políticos e governantes. em Salvador, Bahia, 8 dez. 1944, com adaptações)
(KANITZ, Stephen. VEJA, 5 jun. 2002, com adaptações)
53 - Assinale a opção que representa uma paráfrase
textual e gramaticalmente correta de trecho do texto.
52 - Marque a opção que não dá continuidade coerente a) Linhas 3 a 7: Cumpre associar o indivíduo ao poder
ao texto. industrial, ou seja, o trabalhador ao processo de autorida-
a) Criar um emprego não é somente oferecer um sa- de, inobstante excluir alguém de uma parcela do poder é
lário e colocar o indivíduo para trabalhar. Muito antes de forçosamente exclui-lo dos benefícios deste poder.
43
b) Linhas 7 a 14: Portanto, todos deviam e devem ter Texto para o exercício 55.
direito a uma parte dos resultados da vida social por que, Dinheiro é a maior invenção dos últimos 700 anos. Com
somente quando necessário, deve haver diferenças no bem ele, você pode comprar qualquer coisa, ir para qualquer
comum. lugar, consolar o aleijado que bate no vidro do carro no
c) Linhas 14 a 15: Os privilégios econômicos são con- sinal fechado, mostrar quanto você ama a mulher amada
trários à verdadeira sociedade democrática conquanto os ou comprar uma hora de amor. É o passaporte da liberdade.
benefícios que um homem pode obter do processo social, Com dinheiro, você pode xingar o ditador da época e sair
em função de seu poder de consumo – o que é resultado correndo para o exílio, ou financiar todos os candidatos
de seu poder de propriedade. a presidente e comparecer aos jantares de campanha de
d) Linhas 15 a 18: De acordo com as circunstâncias his- todos. Nos tempos que estamos vivendo, dinheiro é como
tóricas, o próprio conceito de liberdade redefine-se através Deus na Idade Média – o sentido único e todos os sentidos
dos séculos, segundo o desenvolvimento das forças econô- de todas as coisas. A “remissão” de todas as coisas. O que
micas, e aquela, só existirá quando baseada na segurança não produz nem é dinheiro, não existe. É falso, postiço. Os
e na igualdade. sábios da igreja de antigamente são os economistas de
hoje em dia. Dividem-se em dois grupos – os idólatras, para
e) Linhas 23 a 25: É necessário que a sociedade se es-
quem dinheiro é o pedacinho de papel, a imagem do sa-
truture não sobre a exploração, mas sobre a cooperação,
grado, o santinho. Pare eles, o valor do dinheiro depende da
a fim de que a liberdade exista realmente e os homens
quantidade de papéis em circulação. Para os iconoclastas,
sejam, de fato, livres.
dinheiro é a base das relações sociais do mundo capitalista,
a rede que organiza a sociedade. É um conceito, um crédito,
Texto para o exercício 54. um débito. Como os sacerdotes de antigamente, econo-
mistas têm a missão de explicar o inexplicável – como o
O processo de globalização foi muito mais rápido no
dinheiro é tudo e nada ao mesmo tempo, por que falta
âmbito das finanças e do comércio do que no plano polí-
dinheiro se dinheiro é papel impresso, ou se a quantidade
tico e institucional. O único caminho possível é avançar no
de santinhos muda o tamanho do milagre.
processo de transformação da ordem mundial e institucio-
nalizá-lo. É claro que no passado bipolar havia problemas (SAYAD, João. Cidade de Deus. Classe: revista de bordo
graves, tanto no bloco sob o controle hegemônico dos Es- da TAM, n. 95, com adaptações)
tados Unidos quanto no dominado pela URSS. A ordem glo-
bal em formação tem algumas vantagens e muitos riscos,
55 - Assinale a relação lógica em desacordo com a ar-
parte deles criada pelo desmoronamento das instituições
gumentação do segundo parágrafo do texto.
multilaterais. A principal vantagem é a integração pelas co-
municações. Hoje atrocidades como as que aconteciam sob a) O que não é dinheiro é falso.
a censura e o véu da impunidade hegemônica no século b) Não existe o que não produz dinheiro.
passado se tornam conhecidas em tempo real, pela opinião c) Não existe o que é postiço.
pública mundial. É o primeiro passo para o estabelecimento
d) O que não é falso produz dinheiro.
de limites e sanções à violação em larga escala dos direitos
da humanidade. O horror instantâneo já não nos pode ser e) É postiço o que não produz dinheiro.
A
com adaptações)
fraternidade, harmonia e entendimento da humanidade. Os
resultados das cúpulas mundiais alimentaram esperanças
AN
44
semânticas que se estabelecem no trecho correspondem IV – Confusão conceitual vigente no tratamento termi-
às ideias expressas pelos seguintes conectivos: nológico do tema; diferenciação dos termos.
a) X e Y mas W e Z. V – Concepção de direitos humanos diante da norma
b) X porque Y porém W logo Z. jurídica e da ordem política.
c) X mas Y e W porque Z.
d) Não só X mas também Y porque W e Z. ( ) Tendo surgido num cenário em que o pano de fun-
do era o surgimento da classe burguesa, os direitos huma-
e) Tanto X como Y e W embora Z. nos foram alvo da crítica marxista, que os acusou de serem
a manifestação dos interesses e do ideário burguês. Não
Leia o texto abaixo para responder à questão 57. sem razão, a assim chamada primeira geração dos direitos
A população sertaneja é e será monarquista por muito humanos, erigida pelo pensamento liberal, constitui-se em
tempo, porque no estágio inferior da evolução social em direitos individuais, como os direitos de participação polí-
que se acha, falece-lhe a precisa capacidade mental para tica, as garantias processuais e o direito de propriedade.
compreender e aceitar a substituição do representante con- Objetiva e efetivamente, essa primeira geração fundamen-
creto do poder pela abstração que ele encarna, pela lei. Ela ta-se em um sistema de valoração com cariz individualista.
carece instintivamente de um rei, de um chefe, de um ho- ( ) Não raras vezes, encontramos a expressão “direi-
mem que a dirija, que a conduza e, por muito tempo ainda, tos fundamentais” como sinônimo de “direitos humanos”.
o Presidente da República, os presidentes dos Estados, os Há uma tendência doutrinária em definir e denominar os
chefes políticos locais serão o seu rei, como, na sua inferio- direitos humanos como aqueles positivados nas declara-
ridade religiosa, o sacerdote e as imagens continuam a ser ções e convenções internacionais. Já a terminologia “direitos
os seus deuses. Serão monarquistas como são fetichistas, fundamentais” se aplicaria aos positivados internamente
menos por ignorância do que por um desenvolvimento por um País. Diante de tantas definições, destacamos que
intelectual, ético e religioso, insuficiente ou incompleto. os direitos humanos ultrapassam o sentido estrito de uma
(RODRIGUES, Nina Rodrigues Raimundo. As Coletivida- ordem jurídica escrita; encontram-se numa dimensão supe-
des Anormais. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1939) rior que lhes empresta validade universal e objetiva.
( ) A problemática dos direitos humanos está presente
em diversos momentos da nossa vida social contempo-
57 - Julgue se as proposições 1, 2 e 3 expressam a lei- rânea. Mobilizado em várias circunstâncias e conclamado
tura correta do texto, reproduzindo as ideias nele contidas sob as mais diversas razões, o termo “direitos humanos” tem
sem distorcer e desvirtuar a significação textual. Marque, a sido empregado sob o signo da confusão que se faz entre
seguir, a opção correta. sua dimensão conceitual e seu fundamento. Tal ocorrência,
1. Dada a situação de repúdio às relações sociais do ho- entretanto, não diminui e tampouco debilita a luta, ine-
mem sertanejo, falece-lhe a capacidade mental responsável xoravelmente séria e comprometida, a ser empreendida
pelo pensamento abstrato. quotidianamente pela sua real efetivação.
2. No aspecto religioso, a população sertaneja padece ( ) Reconhecemos que os direitos humanos assu-
da mesma inferioridade que demonstra ter em relação à mem a posição de princípios ético-normativos. Portanto,
representação política. transcendem ao normativismo-dogmático, alicerçando e
3. Menos por ingenuidade e mais por ignorância, a instituindo materialmente a juridicidade. Outrossim, confi-
população do interior adere instintivamente e se submete guram-se como elementos legitimadores da ordem política
passivamente ao ideário monarquista. e fundamentadores da normatividade jurídica. Advogamos
a) Todas as proposições estão corretas. que os direitos humanos constituem postulados éticos, for-
jados a partir da era moderna, componentes da existência
b) Todas as proposições estão incorretas.
do homem como pessoa.
c) Está correta apenas a proposição 1.
( ) Preliminarmente, temos que os direitos humanos
d) Estão incorretas as proposições 1 e 3. referem-se a uma proteção mínima que possa conduzir o
e) Estão corretas as proposições 1 e 2. ser humano a viver dignamente. Constituem uma esfera es-
sencialmente indisponível, existente em torno do indivíduo,
que objetiva o respeito mais profundo à pessoa humana.
58 - Ordene os trechos, de modo a comporem um úni-
Isso implica que toda e qualquer autoridade, todo e qual-
co texto que obedeça à seguinte ementa:
quer poder político tem a obrigatoriedade de os garantir e
I – Considerações preliminares a respeito da imprecisão adimplir. Ressalte-se, demais disso, que há de se proteger
conceitual de “direitos humanos”; necessidade da efetivação o indivíduo de qualquer tipo de arbítrio, inclusive, mas não
dos direitos humanos. II – Considerações acerca do signi- unicamente, o estatal.
ficado que se deve atribuir ao termo “direitos humanos”. (Baseado em: MELGARÉ, Plínio. Direitos humanos: uma pers-
III – A emergência dos direitos humanos e a influência pectiva contemporânea – para além dos reducionismos tradicio-
do contexto ideológico na sua caracterização. nais. Revista de informação legislativa, n. 154, v. 39, abr/jun. 2002)
45
A sequência correta é: sultar em algo semelhante. Sua prática acarreta a liberação
a) V, II, III, IV, I da endorfina, outro neurotransmissor, com propriedades
analgésicas e entorpecentes. É como se os exercícios físicos
b) II, V, I, III, IV
estimulassem a liberação de drogas do próprio organismo.
c) V, I, IV, II, III Às vezes, a ginástica funciona como uma válvula de escape
d) I, II, III, IV, V para a ansiedade, e nesses casos o prazer obtido pode ge-
e) III, V, I, II, IV rar dependência. Na década de 80, estudiosos americanos
demonstraram que, após as corridas, alguns maratonistas
sentiam euforia intensa, que os induzia a correr com mais
59 - “Eu não desgrudara o olhar e a memória daquele intensidade e frequência. Em princípio, isso seria o que
retrato.” Nessa frase, a palavra que tem significado cono- se pode considerar um vício positivo, já que o organismo
tativo é: se torna cada vez mais forte e saudável com a prática de
a) desgrudara; exercícios.
b) olhar; Mas existem dois problemas. Primeiro, a síndrome da
c) memória; abstinência: quando não tem tempo para correr, a pessoa
d) retrato. fica irritada e ansiosa. Depois, há as complicações, físicas
ou no relacionamento social, decorrentes da obsessão pela
academia. Atletas compulsivos chegam a praticar exercícios
A questão 60 refere-se ao texto que segue. mais de uma vez ao dia, mesmo sob condições adversas,
como chuva, frio ou calor intenso. E alguns se exercitam
Cuidado, isso vicia até quando lesionados.
Quem precisava de uma desculpa definitiva para fu- (VEJA, ed. 1713, 15 ago. 2001)
gir da malhação pode continuar sentadão no sofá. Uma
pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)
demonstra que, a exemplo do que ocorre com drogas 60 - Considerando-se o contexto em que ocorreu, o sentido
como o álcool e a cocaína, algumas pessoas podem tor- de uma expressão do texto está corretamente traduzido em:
nar-se dependentes de exercícios físicos. Ao se doparem, a) a exemplo do que ocorre não obstante o que acontece.
os viciados em drogas geralmente experimentam um b) ciclo de dependência ocorrência simultânea.
bem-estar, porque elas estimulam, no sistema nervoso, a
liberação da dopamina, um neurotransmissor responsável c) válvula de escape alívio definitivo.
pela sensação de prazer. A privação da substância, depois, d) decorrentes da obsessão provenientes da compulsão.
produz sintomas que levam a pessoa a reiniciar o processo, e) mesmo sob condições adversas a não ser em oca-
num ciclo de dependência. Os exercícios físicos podem re- siões propícias.
46
3
ANÁLISE SINTÁTICA
47
I. verbos que exprimem fenômenos naturais (chover, Carlos ofereceu flores a sua esposa.
ventar, anoitecer, amanhecer, relampejar, trovejar, nevar,
etc.). Exemplo: VTDI OD OI
Nevou ontem. IV. de ligação: são verbos que, não possuindo conteúdo
significativo, servem como elemento de ligação entre um
Se o verbo que exprime fenômeno natural for empre- sujeito e seu atributo (predicativo do sujeito). Exemplo:
gado em sentido figurado, então haverá sujeito. Exemplo:
A casa ficou linda.
Chovem canivetes sobre a população.
Vl predicativo do sujeito
sujeito
II. os verbos fazer, ser, estar na indicação de tempo cro- Como vimos, verbos transitivos são aqueles que exigem
nológico ou clima. Exemplo: um complemento. Ao termo da oração que completa o
sentido de um verbo transitivo, dá-se o nome de objeto.
Faz dias que não nos vemos.
a) Objeto direto é o termo da oração que completa a
III. o verbo haver no sentido de existir ou indicando tem- significação de um verbo transitivo direto sem auxílio de
po transcorrido. Exemplo: preposição obrigatória. Exemplo:
Há muitas pessoas aqui; Há dias que ele não aparece. Os meninos compraram balas.
Observação: o verbo existir não é impessoal. Sendo b) Objeto indireto é o termo da oração que completa
assim, ele possuirá sujeito expresso na oração. Os verbos a significação de um verbo transitivo indireto, sempre com
impessoais (exceção feita ao verbo ser) devem ficar sempre auxílio de uma preposição obrigatória. Exemplo:
na terceira pessoa do singular. Os meninos gostam de balas.
48
V. Não me convidaram.
OD O adjunto adnominal pode ser representado por:
• artigo: A menina chorou.
VI. Isto me convém. • numeral: Dois meninos chegaram.
OI • pronome adjetivo: Aqueles meninos chegaram.
• adjetivo: Meninos bonitos chegaram.
• locução adjetiva: Meninos de ouro chegaram.
[Link]. Objeto Direto Preposicionado
Como se pôde aprender, o objeto direto é o termo da
oração que completa o sentido de um verbo transitivo di- 3.2.6. Diferença entre adjunto adnominal e com-
reto sem ser introduzido por preposição obrigatória. Porém, plemento nominal
existem casos em que o objeto direto pode vir introduzido
por preposição, que evidentemente não será obrigatória, Quando o adjunto adnominal vem introduzido por pre-
isto é, não será exigida pelo verbo. posição, pode ser confundido com o complemento nomi-
Verifique ainda que o objeto direto preposicionado nal. Para que não haja erros, observe o seguinte:
completa sempre o sentido de um verbo transitivo dire- I. se o termo introduzido por preposição estiver ligado
to, enquanto o objeto indireto completa o sentido de um a adjetivo ou advérbio será, com certeza, complemento
verbo transitivo indireto. nominal.
Ele bebeu o vinho. Ele era favorável a reprovação.
VTD OD adjetivo CN
[Link]. Objeto Pleonástico II. Se o termo introduzido por preposição estiver ligado
a substantivo, será:
Muitas vezes, por uma questão de ênfase, antecipa-
mos o objeto, colocando-o no início da frase, e depois o • adjunto adnominal: quando tiver sentido ativo.
repetimos através de um pronome oblíquo. A esse objeto A resposta do aluno foi satisfatória.
repetido damos o nome de objeto pleonástico.
Adj. Adn.
Esses exercícios, já os fizemos. (O aluno deu a resposta: sentido ativo)
OD OD • complemento nominal: quando tiver sentido passivo.
49
• modo: Falava bem. • predicado verbo-nominal: é um predicado mis-
• instrumento: Machucou-se com a faca. to, em que a informação se concentra em dois ele-
• intensidade: Conversavam muito. mentos, no verbo significativo (transitivo ou intran-
• assunto: Falavam sobre economia. sitivo) e no predicativo (do sujeito ou do objeto).
• causa: Morreu de fome. Exemplo:
• finalidade: Estudou para o teste.
O aluno chegou atrasado para a aula.
3.2.8. Aposto
É o termo da oração que sempre se liga a um nome 3.3. Tipos de Períodos
que o antecede com a função de explicar, esclarecer esse
nome. Geralmente o aposto vem separado do nome a que Como vimos, período é a frase organizada em orações.
se refere por sinais de pontuação. Exemplo: Dependendo do número e do tipo de orações que o com-
põem, o período pode ser simples ou composto.
Desejo-lhe uma coisa: sorte.
• Predicativo do objeto: é o termo do predicado que Desejo que sejas feliz e confie em mim.
informa algo a respeito do objeto. Exemplo:
O juiz julgou o réu culpado. 3.3.3. Orações coordenadas
São aquelas que não exercem função sintática umas
[Link]. Tipos de predicado em relação às outras. São, portanto, sintaticamente inde-
O predicado é tudo aquilo que se informa a respeito do pendentes. Exemplo:
sujeito. Temos os seguintes tipos de predicado: Fui para ao clube, encontrei a Fátima
• predicado verbal: o núcleo da informação veiculada e almocei com ela.
pelo predicado está contido num verbo significativo (tran-
sitivo ou intransitivo). Exemplo: Verifique que, no exemplo acima, há três orações sinta-
ticamente independentes; cada uma delas é, do ponto de
O aluno chegou cedo. vista sintático, uma unidade autônoma. As coordenadas po-
dem vir ou não iniciadas pelas conjunções coordenativas.
• predicado nominal: o núcleo da informação veicula- • coordenadas assindéticas: quando não vêm introduzi-
da pelo predicado está contido num nome (predicativo do das por conjunção. Exemplo:
sujeito). O verbo, neste caso, funciona simplesmente como
ligação entre o sujeito e o predicativo, nada informando a Cheguei, sentei, falei.
respeito do sujeito. Exemplo:
As orações coordenadas assindéticas virão separadas
O aluno anda andoentado. por vírgula.
50
• coordenadas sindéticas: quando vêm introduzidas por 3.3.5. Orações subordinadas substantivas
conjunção. Exemplo:
a) Subjetivas: quando exercem a função de sujeito do
Leu, mas não entendeu. verbo da oração principal. Exemplo:
É conveniente que você chegue cedo.
As orações coordenadas sindéticas classificam-se, de
acordo com a conjunção que as introduz, em: Observação: as orações subordinadas substantivas
começam geralmente pelas conjunções subordinativas
a) aditivas: exprimem ideia de soma. Exemplo: integrantes (que e se).
Maria canta e dança.
b) Objetivas diretas: quando exercem a função sintática
de objeto direto do verbo da oração principal. Exemplo:
• as principais conjunções aditivas são: e, nem, mas
também, mas ainda. Espero que você consiga vencer.
b) adversativas: exprimem ideia de adversidade, oposi- c) Objetivas indiretas: quando exercem a função sintática
ção, contraste. Exemplo: de objeto indireto do verbo da oração principal. Exemplo:
Pedro estuda, mas não aprende. Gostaria de que me ajudassem.
• as principais conjunções adversativas são: mas, d) Predicativas: quando exercem a função sintática de
porém, todavia, contudo, entretanto, no entanto. predicativo do sujeito da oração principal. Exemplo:
c) alternativas: exprimem ideia de alternância, escolha. Minha esperança é que tudo isso mude.
Haverá alternância quando a ocorrência de um fato implicar
e) Completivas nominais: quando exercem a função sin-
a não ocorrência de outro. Exemplo:
tática de complemento nominal de um nome da oração
Saia agora ou será punido. principal. Exemplo:
Sou favorável a que o condenem.
• as principais conjunções alternativas são: ou, ou...
ou, ora... ora, quer... quer, já... já, seja... seja. f ) Apositivas: quando exercem a função sintática de
aposto de um nome da oração principal. Exemplo:
d) conclusivas: exprimem ideia de conclusão. Exemplo:
A verdade é esta: que você não se dedicou.
Ventou muito hoje; logo, não choverá.
51
a) Causais: exprimem uma circunstância de causa. • as principais conjunções proporcionais são: à
Exemplo: proporção que, à medida que, quanto mais, quanto menos.
Não fomos ao cinema porque estava chovendo. i) Temporais: exprimem circunstância de tempo. Exem-
plo:
• as principais conjunções causais são: porque,
visto que, já que, uma vez que, como (quando equivale a Choveu quando eram dez horas.
porque). • as principais conjunções temporais são: quando,
b) Comparativas: exprimem circunstância de compa- enquanto, logo que, desde que, assim que.
ração, que é o ato de confrontar dois elementos a fim de
se conhecer as semelhanças ou diferenças existentes entre
eles. Exemplo: 3.3.7. Orações subordinadas reduzidas
São aquelas que apresentam o verbo em uma das for-
Viveu como vive um barão. mas nominais: gerúndio, particípio, infinitivo; não vêm in-
troduzidas por conectivos (conjunções subordinativas ou
• as principais conjunções comparativas são:
pronomes relativos).
como, que (precedido de mais ou de menos).
c) Consecutivas: exprimem circunstância de consequên- As orações subordinadas reduzidas classificam-se, de
cia (resultado ou efeito de uma ação qualquer). Exemplo: acordo com a forma verbal que possuem, em:
• subordinada reduzida de gerúndio: Precisando, dispo-
Choveu tanto que o tráfego ficou impossível. nha.
• a principal conjunção consecutiva é que (prece- • subordinada reduzida de particípio: Terminada a festa,
dido de um termo intensivo: tão, tal, tanto). retiraram-se todos os convidados.
• subordinada reduzida de infinitivo: Penso estar na sala.
d) Concessivas: exprimem circunstância de concessão, o
ato de conceder, de permitir, de não negar, de admitir uma
ideia contrária. Exemplo: 3.3.8. a) Questões de período composto
61 - Indique o período capaz de preencher o espaço
Falou embora fosse proibido.
assinalado por [...] com clareza, correção gramatical, além
• as principais conjunções concessivas são: embo- de respeitar a coerência de ideias e obedecer à direção
ra, se bem que, ainda que, mesmo que, por mais que, por argumentativa do segmento transcrito.
menos que, conquanto.
[...] Isso exatamente porque esse binômio, fundamental
e) Condicionais: exprimem circunstância de condição.
para o crescimento intelectual e social do indivíduo, tem
Exemplo:
hoje a sua concepção teórica ampliada do ponto de vista
Iremos ao cinema se não chover. dos cientistas sociais e analistas de recursos humanos, ao
reconhecerem acertadamente que, além da conquista pes-
• as principais conjunções condicionais são: se, soal, a saúde e a educação representam um investimento
caso, contanto que, desde que. certo também no desenvolvimento coletivo.
f ) Conformativas: exprimem circunstância de conformi- (DE MORAES, Lourdes Maria Frazão de Moraes.
dade, isto é, de acordo, de adequação, de não contradição. Correio Braziliense, 08 jun. 2002)
Exemplo:
A reunião aconteceu conforme era previsto. a) Um sistema de saúde, para ser adequado ao aten-
dimento de saúde da população necessitada, não pode
• as principais conjunções conformativas são: con- prescindir da educação do povo assistido, tão-somente.
forme, segundo, consoante. b) Educação e saúde são valores que não mais podem
g) Finais: exprimem circunstância de finalidade. Exem- ser compreendidos, na generalidade, como bens de con-
plo: sumo pessoal, apenas.
c) Segurança no trabalho e informação acerca das
Estudou a fim de ser aprovado.
doenças e riscos a que pode submetê-lo as condições de
• as principais conjunções finais são: a fim de que, trabalho – aí está o binômio que garante a higidez do tra-
para que, que. balhador.
h) Proporcionais: exprimem circunstância de proporção. d) Investir em educação e saúde traz uma taxa de retor-
Exemplo: no cientificamente comprovada. A ignorância e a doença
andam juntas: são companheiras inseparáveis na marcha
A chuva aumentava à proporção que caminhávamos. fúnebre para o caos.
52
e) A assistência à saúde assegurada pelo Estado e a co- d) À época da independência fervilha de figuras re-
bertura dos seguros de saúde privados são os dois termos presentativas, cujas atitudes refletem o ideário político do
do binômio que sustenta o desenvolvimento individual e momento.
coletivo. e) A época da independência fervilha de figuras repre-
sentativas, em cujas atitudes delas se reflete o ideário po-
62 - Assinale o período gramaticalmente correto. lítico do momento.
a) Importância especial têm os princípios gerais do di-
reito no suprimento das chamadas lacunas (se é que as
64 - Nos trechos adaptados de VEJA, 24/04/2002, dois
hão) de direito. Ferrara, por exemplo, rechaçava a ideia de
períodos sintáticos foram transformados em apenas um
lacunas de direito, posto que, a seu sentir, não há lacunas
período. Assinale a opção em que essa transformação está
e, sim, defeitos da lei.
gramaticalmente correta e textualmente coerente.
b) De outra parte, tenha-se que, devido ao simples fato
a) Acaba de ser concluído um dos maiores estudos so-
do caráter abstrato da norma a existência de lacunas (em
bre estresse no trabalho. Coordenado por uma instituição
face de situações concretas) é algo implícito.
americana, um grupo de pesquisadores ouviu 1000 exe-
c) Todavia, se se trata de ausência irresgatável da norma, cutivos em vários países, inclusive o Brasil. / Coordenado
já não se pode falar em lacuna até por que (consigne-se o por uma instituição americana, acaba de ser concluído um
óbvio) não há como supri-la ou como remediá-la. dos maiores estudos sobre estresse no trabalho, que foram
d) Na realidade, na aplicação da lei, têm-se situações ouvidos 1000 executivos de vários países, dentre eles no
que preciso é buscar-se suprimento nos princípios gerais Brasil, por um grupo de pesquisadores.
de direito para colmatar o que, por vezes, se designa (não
b) Uma das conclusões é que os brasileiros estão entre
sem críticas) lacunas da lei.
os que mais sofrem com as pressões do dia-a-dia. Segundo
e) Quanto aos princípios gerais propriamente ditos, o estudo, eles estão à beira de uma exaustão severa. / Se-
têm-se os de domínio comum às ordens jurídicas internas gundo uma das conclusões do estudo, é que os brasileiros
e ao direito internacional, é dizer-se, aqueles que são do estão entre os que mais sofrem com as pressões cotidianas,
direito das gentes, mais particularmente. pois estão prestes a uma exaustão severa.
c) Os nossos executivos lideram a lista dos que dedicam
63 - Indique a paráfrase correta do primeiro período mais horas ao trabalho, mas esse não é o fator determinante
do texto. para deixá-los tão nervosos. O que falta aos brasileiros, re-
vela a pesquisa, é principalmente confiança em si próprio.
A época da independência fervilha de figuras represen-
/ Apesar de os nossos executivos liderarem a lista dos que
tativas, em cujas atitudes o ideário político do momento se
dedicam mais horas ao trabalho, não é esse o fator deter-
reflete. Figuras cujos perfis se recortam sobre um fundo um
minante para deixa-los tão nervosos, pois a pesquisa revela
tanto confuso: novidades emancipacionistas, remanescên-
é principalmente a falta de confiança em si próprio.
cias coloniais, antagonismos de tendências que puxavam a
vida brasileira para posições diferentes. Época sem dúvida d) Não importa o país, o trabalho é naturalmente um
tumultuosa, ocupada por várias transições superpostas: ambiente de estresse. Hoje, no entanto, a pressão é maior
a da dependência para a independência, a do agrarismo do que há vinte anos, a partir de quando as grandes em-
para os modos urbanos, a do quase silêncio para o falató- presas sofreram cirurgias profundas em sua estrutura. / No
rio – um falatório crescente –, a dos particularismos para a entanto, hoje a pressão no trabalho é maior que a vinte
consciência nacional. Agora, estabelecida a existência oficial anos atrás, quando as grandes empresas sofreram profun-
de um Brasil declarado estado autônomo, a liquidação dos das cirurgias em suas estruturas, onde naturalmente um
obstáculos restantes caberia a esses homens. ambiente de trabalho é de estresse natural, não importan-
(SALDANHA, Nelson Nogueira. História das ideias políti- do o país.
cas no Brasil. Brasília: Senado Federal, 2001. p. 97) e) Elas estão menos verticalizadas, divididas que estão
em unidades menores. Nesse novo tipo de organização, é
comum o executivo receber ordens de pessoas diferentes,
a) A época da independência fervilha de figuras repre- muitas vezes contraditórias. / Nesse novo tipo de organiza-
sentativas, e em suas atitudes se reflete o ideário político ção, em que as empresas – divididas em unidades menores
do momento. – estão menos verticalizadas, é comum o executivo receber
b) A época da independência fervilha de figuras repre- ordens, muitas vezes contraditórias, de pessoas diferentes.
sentativas, nas quais atitudes o ideário político do momento
se reflete.
c) À época da independência, fervilham figuras repre- 65 - Observe, nos gráficos abaixo, as principais causas
sentativas, nas atitudes das quais o ideário político do mo- de estresse no trabalho e o ranking dos países onde elas são
mento se reflete. mais ou menos severas no universo pesquisado.
53
Confliro Falta de confian- teresses brasileiros no exterior (inclusive a manutenção da
Exaustão física e paz e da segurança internacionais).
entre chefes e ça no próprio
emocional: C
subordinados desempenho
+França +Alemanha +Japão Por isso, o livro de defesa de que o Brasil carece deverá ir
Brasil além da política de defesa nacional. Deverá dar indicações
China França
claras das unidades militares, distribuição territorial, equipa-
Japão Brasil China mentos bélicos e estratégias de defesa que, até o momento,
Estados Unidos Japão Etados Unidos são conhecidos por públicos muito restritos.
Alemanha Estados Unidos Alemanha D
Brasil Israel França Em relação aos nossos interesses nacionais, definidos
Israel China Israel na Constituição, o livro de defesa nacional, que se encontra
em fase de atualização, será, ao mesmo tempo, um instru-
mento de poder, de diálogo e de confiança. Até porque a
Assinale a opção que dá redação coerente e correta a defesa nacional é (e deve ser cada vez mais) um tema de
respeito das informações acima. toda a sociedade.
a) Embora a falta de confiança no próprio desempenho (DE OLIVEIRA, Eliézer Rizzo. Correio Braziliense, 13 jul.
deixe a França atrás da Alemanha é no conflito entre chefes 2002, com adaptações)
e subordinados que o Brasil perde para ambas.
b) Sabendo-se que não é tão afetado pelo conflito entre
chefes e subordinados com a exaustão física e emocional a) A
em alto grau os Estados Unidos apresente sempre menos
b) B
pressão trabalhista que aquele país.
c) C
c) Entre a exaustão física e emocional e o conflito entre
chefes e subordinados, os Estados Unidos perdem para eles d) D
mesmo com a falta de confiança no próprio desempenho. e) E
d) Entre os países considerados, exceto a China quanto
à falta de confiança no próprio desempenho, Israel apresen-
ta os mais baixos níveis de pressão no trabalho, enquanto 67 - Os trechos abaixo constituem um texto, mas es-
França, Alemanha e Japão apresentam os mais altos. tão desordenados. Ordene-os e assinale, entre as opções
abaixo, a sequência que recompõe o texto, com coesão e
e) Para o Brasil superar o conflito entre chefes e subordi-
coerência.
nados, com a falta de confiança no próprio desempenho e
a exaustão física e emocional, o nosso país fica pouco acima ( ) Por este sistema, chamado de Emissão de Cupom
da média quanto à confiança no próprio desempenho. Fiscal (ECF), o cliente recebe a nota fiscal imediatamente e,
ao mesmo tempo, o aparelho mantém em seus arquivos os
valores das compras, que são informados posteriormente
66 - Marque onde deve ser inserido o trecho abaixo aos órgãos responsáveis pela arrecadação nos estados.
para que o texto a seguir apresente coesão e coerência. ( ) Além disso, reduz a burocracia que existe atual-
“Elas contêm definições sobre a dimensão estratégica mente para que os estados tenham acesso a essas informa-
do país e sua relação com os marcos internacionais. Impor- ções. Os dados serão mantidos em meio eletrônico pelas
ta-lhes indicar os principais interesses nacionais e desenhar administrações estaduais e compartilhados com a Receita
a defesa externa, sendo imprescindível o seu compromisso Federal em uma rede interna.
com os regimes democráticos dos quais decorrem.” ( ) Por determinação das secretarias de Fazenda dos
estados, lojas de todo o país estão instalando máquinas que
já emitem o boleto do cartão em uma fatura com efeito
O livro de defesa nacional
de nota fiscal.
A
( ) Para a fiscalização da Receita, a vantagem será con-
As políticas de defesa nacional são políticas de Estado tar com mais subsídios para fazer o cruzamento de dados
que dependem da legitimidade democrática, não se limi- das empresas e dos contribuintes. O Fisco terá acesso às
tando a um mandato nem ao estrito jogo parlamentar, não informações declaradas pelos contribuintes, pelas adminis-
raro com o apoio das oposições. tradoras de cartão e pelo comércio no Imposto de Renda.
B ( ) Essa modernização do sistema de arrecadação do
E o Brasil, por meio da política de defesa nacional, ob- ICMS estadual reduz ainda a antiga preocupação com a
jetiva preservar a soberania e a integridade territorial (além emissão de notas fiscais falsas por parte das empresas, por-
do patrimônio e interesses nacionais), o Estado de Direito que a mesma nota que está sendo emitida para o cliente
e suas instituições, além de vislumbrar a promoção dos in- já tem valor fiscal.
54
(Adaptado de: OSWALD, Vivian. Sistema eletrônico ternacional é a mais eficiente ferramenta de produção de
para facilitar a arrecadação. O Globo, 29 jul. 2002) riqueza. Desse ponto de vista, é um equívoco comemorar
como vitória o impasse do encontro.
a) 1, 4, 5, 3, 2 e) O Brasil saiu como líder do chamado G22, grupo de
b) 2, 5, 4, 3, 1 países que apôs resistência às propostas dos países ricos.
c) 2, 4, 1, 5, 3 É uma posição de destaque. Não é, porém uma posição
confortável, pois aos líderes não bastam levantar obstáculos
d) 3, 5, 4, 2, 1
à maus acordos. Líderes têm que produzir condições para
e) 5, 1, 4, 2, 3 que as negociações cheguem à bom termo.
68 - No texto abaixo, assinale o trecho transcrito de for- 70 - Um trecho do texto Brasil, um crescimento difícil,
ma gramaticalmente correta. de Luiz Gonzaga Belluzzo, foi adaptado e fragmentado em
a) Na perspectiva da política econômica, cabe conside- quatro partes com duas possibilidades de redação cada
rarem à interação de dois conjuntos distintos: as políticas uma. Julgue a correção gramatical e o emprego dos me-
estruturais e as macroeconômicas. canismos de coesão e coerência de cada um dos seguin-
b) No contexto da crescente liberalização ou desregu- tes pares para, a seguir, marcar a opção que torna o texto
lação, as primeiras possuem três dimensões essenciais: a correto e coerente.
abertura financeira, a abertura comercial e a reformulação (Adaptado de: BELLUZZO, Luiz Gonzaga; CARNEIRO,
do papel do Estado na economia, de cujas as privatizações Ricardo. Globalização e Inserção Passiva. Revista Política
constituem o aspecto dominante. Democrática, n. 6, p. 21)
c) O segundo conjunto diz respeito às combinações
particulares entre políticas macroeconômicas, vale dizer, (A – 1) Dada a desigualdade distributiva vigente no país,
monetária, cambial e fiscal. o desejo de combinar crescimento elevado e aumento do
d) A interação entre as políticas estruturais e macroe- saldo comercial só pode ser satisfeito se houver:
conômicas constitue elemento de grande força explicativa (A – 2) Considerando a desigualdade distributiva vi-
para a trajetória da economia brasileira na última década. gente no país, o desejo de combinar crescimento elevado
e) Com a abertura financeira, não há registro, na história com aumento do saldo comercial só poderá ser satisfeito
econômica contemporânea do país de uma modificação se houverem três condições:
tão significativa no marco regulatório das relações finan- (B – 1) Uma política, muito agressiva, de exportações,
ceiras com o exterior. (B – 2) uma política muito agressiva de exportações,
(C – 1) uma mudança na composição da demanda do-
méstica(estimulando a construção civil e a produção de
69 - O texto “A riqueza ensurdece” (VEJA, 23 set. 2003) foi bens populares com baixo conteúdo importado) e
adaptado para compor as opções abaixo. Assinale aquela
(C – 2) uma mudança, para a composição da demanda
em que a transcrição respeitou as regras gramaticais da
doméstica– e estímulo a construção civil e ao consumo de
norma culta.
bens populares de baixo conteúdo importado – e
a) Os países ricos saíram da reunião da Organização
(D – 1) uma política tributária e de gasto público capaz
Mundial do Comércio (OMC), no México, sem ouvir os plei-
de moderara expansão do consumo das camadas de alta
tos dos países emergentes. A surdez dos ricos redundou
renda na mesma proporção em que permite o crescimento
no fracasso do encontro em que havia esperança de, pela
da renda dos mais pobres.
primeira vez se produzir, um acordo global de comércio
com benefícios para todos. (D – 2) uma política tributária e de gasto público capa-
zes de moderar a expansão do consumo das camadas de
b) A reunião foi encerrada sem que os países em de-
alta renda em proporção ao que permite o crescimento de
senvolvimento conseguirem a mais vaga promessa de
renda dos mais pobres.
diminuição do subsídio anual – de cerca de 350 bilhões
de dólares – com o quê os países europeus e os Estados Obtém-se um texto coerente e gramaticalmente corre-
Unidos adubam sua agricultura. to com a seguinte sequência:
c) Por não conseguirem enxergar além dos interesses,
de seus próprios agricultores os países desenvolvidos tam- a) ( A – 1) , ( B – 2) , ( C – 2) , ( D – 1)
bém não avançaram o que queriam: regras claras e trans- b) ( A – 1) , ( B – 1) , ( C – 2) , ( D – 1)
parência para investimentos, concorrências e compras c) ( A – 2) , ( B – 2) , ( C – 1) , ( D – 2)
governamentais. Os dois lados saíram perdendo.
d) ( A – 2) , ( B – 1) , ( C – 2) , ( D – 2)
d) Como sempre, a banda pobre do mundo perdeu
mais, pois está provada que a aceleração do comércio in- e) ( A – 1) , ( B – 2) , ( C – 1) , ( D – 1)
55
71 - Analise as paráfrases propostas para o período abai- d) O peso da Previdência é muito grande em 2.500 das
xo e assinale a opção em que se preservam as relações cidades, ou seja, quase a metade dos municípios brasileiros,
semânticas e a correção gramatical. nos quais a renda da Previdência é maior do que as receitas
próprias e as transferências. / A renda da Previdência é
maior que as receitas próprias e as transferências em 2.500
“Não denunciamos com eficácia o desemprego e o das cidades, ou seja, em quase a metade dos municípios
desleixo com que tratamos metade da população urbana brasileiros o peso da Previdência é muito grande.
brasileira que vive em condições subumanas.”
e) Muitos desconhecem que a Previdência Social, há
(SAYAD, João Sayad. Crime e Castigo. Revista Classe, n. 80 anos, paga rigorosamente em dia suas obrigações, que
87, 2002, com adaptações) seus serviços servem de subsídios ao planejamento go-
vernamental e que sua automatização tem permitido o
a) Não denunciamos com eficácia o desemprego e o combate à fraude na concessão de benefícios. / A Previ-
desleixo que metade da população urbana é, por nós, tra- dência Social, há 80 anos, paga rigorosamente em dia suas
tada e que vive em condições subumanas. obrigações, seus serviços servem de subsídios ao planeja-
mento governamental e sua automatização tem permitido
b) Tratamos com o desemprego e o desleixo metade
o combate à fraude na concessão de benefícios, porém,
da população urbana brasileira vivendo em condições su-
esses fatos que muitos desconhecem.
bumanas; não a denunciamos com eficácia.
c) Não somos eficazes ao denunciar nem o desemprego
nem o desleixo com que tratamos metade da população O texto abaixo serve de base para a questão 73.
urbana brasileira que vive em condições subumanas. O processo de reestruturação da economia brasileira
d) Metade da população urbana brasileira que vive alterou radicalmente o cenário _____1_______ atuavam
em condições subumanas não é denunciada com eficácia as instituições financeiras.
quanto ao desemprego e o desleixo em que a tratamos. A abertura da economia, _____2_______ incremento
e) Não denunciamos metade da população urbana das importações e exportações, além de exigir o desen-
brasileira –que vive em condições subumanas – devido à volvimento de produtos e serviços ágeis no mercado de
nossa ineficácia e o desleixo que tratamos o desemprego. câmbio, revelou o grau de ineficiência de alguns setores in-
dustriais e comerciais domésticos, com baixa lucratividade e
deseconomias, ______3______ refletir-se na incapacidade
72 - Assinale o trecho em que uma das formas de reda- de recuperação de empréstimos concedidos pelos bancos.
ção transgride a norma culta. ______4______, atuou o corte de subsídios a alguns seto-
a) O regime previdenciário brasileiro, que completará res econômicos, aumentando o grau de inadimplência para
80 anos em 2003, inserido por Eloy Chaves no sistema de com o sistema bancário. Além disso, as políticas monetária
repartição simples, em que os trabalhadores de hoje pagam e fiscal restritivas adotadas a partir da implementação do
os trabalhadores de ontem - está longe de se esgotar. / In- Plano Real contribuíam adicionalmente para as dificulda-
serido por Eloy Chaves no sistema de repartição simples, em des creditícias enfrentadas por alguns setores da economia,
que os trabalhadores de hoje pagam os trabalhadores de ____5_____ forma passageira.
ontem, está longe de seu esgotamento o regime previden- (Disponível em: <[Link]>)
ciário brasileiro que, em 2003, estará completando 80 anos.
b) Ele poderá ser recuperado e fortalecido, mesmo que
73 - Assinale a opção que não dá continuidade ao texto,
o país não tenha taxa anual de crescimento de 5% e que
de forma coesa, coerente e gramaticalmente correta.
não se alterem o nível de emprego, a formalização e a mas-
sa salarial. / Mesmo que o país não tenha taxa anual de a) Todos esses fatos, conjugados com o desaparecimen-
crescimento de 5% e que o nível de emprego, a formaliza- to do “imposto inflacionário”, após a estabilização da econo-
ção e a massa salarial não sejam alterados, o regime pre- mia, evidenciou-se uma relativa incapacidade de algumas
videnciário brasileiro poderá ser recuperado e fortalecido. instituições financeiras promoverem, espontânea e tempes-
tivamente, os ajustes necessários para sua sobrevivência no
c) As dificuldades estruturais da Previdência Social, mal
novo ambiente econômico.
equacionadas nos últimos 20 anos com o aumento das
contribuições e o achatamento dos benefícios, agravaram- b) Conjugado ao desaparecimento do “imposto inflacio-
-se pela sonegação consentida de 40%, pela fraude, pela nário”, após a estabilização da economia, esse conjunto de
evasão, pela elisão, pelas brechas legais e pela corrupção. fatores evidenciou uma relativa incapacidade de algumas
/ Nos últimos 20 anos, com o aumento das contribuições instituições financeiras promoverem, espontânea e tempes-
e o achatamento dos benefícios, as dificuldades estruturais tivamente, os ajustes necessários para sua sobrevivência no
da Previdência Social foram mal equacionadas e, pela so- novo ambiente econômico.
negação consentida de 40%, pela fraude, pela evasão, pela c) O que evidenciou uma relativa incapacidade de al-
elisão, pelas brechas legais, pela corrupção, agravaram- se. gumas instituições financeiras promoverem, espontânea
56
e tempestivamente, os ajustes necessários para sua sobre- d) 1º, 5º, 4º, 2º, 3º
vivência no novo ambiente econômico foi a conjugação e) 4º, 3º, 5º, 1º, 2º
desses fatos anteriormente enumerados ao desapareci-
mento do “imposto inflacionário”, após a estabilização da
economia. 75 - Ache o período inteiramente correto:
d) Associada ao desaparecimento do “imposto inflacio- a) Antes de mais nada, mil reais não dá para comprar
nário”, após a estabilização da economia, essa conjuntura este quebra-noz de ouro.
evidenciou uma relativa incapacidade de algumas institui- b) Adquiri um TV a cores para o meu cabelereiro.
ções financeiras promoverem, espontânea e tempestiva- c) As hemorróides de Manuel pioraram nos anos ses-
mente, os ajustes necessários para sua sobrevivência no sentas quando ele era o lateral-direito do time.
novo ambiente econômico. d) Todo mundo sabe que a obrigação do pagamento
e) Uma relativa incapacidade de algumas instituições dos Monza e dos Golf ainda vigia.
financeiras promoverem, espontânea e tempestivamente, e) Após exame apurado do caso, vimos que os animais
os ajustes necessários para sua sobrevivência no novo am- morreram de epidemia.
biente econômico foi evidenciada em razão da conjugação
desses fatos ao desaparecimento do “imposto inflacionário”
ocorrido após a estabilização da economia.
3.3.8. b) QUESTÕES DE ORAÇÕES SUBORDI-
NADAS
74 - Os trechos abaixo constituem um texto, mas estão
desordenados. Ordene-os e assinale a opção que apresenta
a sequencia que organiza o texto de forma coesa e coe- O texto abaixo serve de base para a questão 76.
rente. A reforma tributária não pode ser realizada, na verdade,
( ) O sucesso está baseado em alguns outros pilares, para livrar o orçamento da sangria dos juros exorbitantes,
entre os quais está o atendimento sem privilégios, que embora enfeitada com os argumentos apelativos, tanto da
rompe com a cultura do clientelismo e da intermediação. simplificação fiscal para todo o empresariado quanto do
milagre fiscal da multiplicação dos empregos para os mais
( ) Entre 98% e 99% dos usuários classificaram os ser-
despossuídos. Trata-se do contrário. Os de baixo vão, de
viços oferecidos nessas centrais como bons ou muito bons
fato, pagar mais e não há garantia nenhuma da boa teoria
nas unidades de funcionamento, que reúnem, num mesmo
econômica de que o emprego possa crescer sem o planeja-
espaço, diversos órgãos públicos de diferentes esferas de
mento de um projeto nacional digno do nome, que defina
governo, iniciativa privada, concessionários de serviços pú-
e articule todas as potencialidades existentes para tanto.
blicos, associações e entidades da sociedade civil.
(FARIAS, Fátima Gondim. Reforma Tributária.
( ) A expressão “trata-se de um serviço de primeiro
Tributação em Revista, abr/jun. 1999, com adaptações)
mundo” se tornou comum após a criação das centrais
de atendimento ao cidadão em todo o país, por diversos
governos estaduais e municipais, com os mais diferentes 76 - Identifique a asserção incorreta, a respeito dos ele-
nomes. mentos linguísticos do texto.
( ) Esse funcionamento eficiente e contínuo da cen- a) As expressões “na verdade” (l.1) e “de fato” (l.6) figuram
tral requer um treinamento especializado dos servidores, no texto entre vírgulas por compartilharem ambas de tra-
a rapidez na confecção de documentos e a ausência de ços morfossintáticos e semânticos comuns.
exigências burocráticas como os velhos formulários de b) Se, no mesmo contexto sintático de “defina e articule”
papel comprados nas papelarias, agora substituídos pelo (l.9) estivessem os verbos arguir e averiguar, a expressão
preenchimento direto dos dados nas telas de computador. correta (deixando-se de lado os ajustes de sentido) seria
( ) O acesso direto a tais serviços – que funcionam “argua e averigúe”.
ininterruptamente durante 12 horas por dia de segunda c) A oração concessiva do primeiro período manteria
a sexta, e seis horas aos sábados – diminui o tempo e os a correção e não ficaria alterado o sentido geral do texto
custos para o cidadão. se estivesse assim redigida: a despeito de vir envolta em
(Gestão empreendedora: inovar para ven- argumentos apelativos.
cer as dificuldades, 09 ago. 2002. Disponível em: d) Constitui estratégia de leitura lícita e legítima o leitor
<[Link]>) evocar o fato bíblico do milagre da multiplicação dos pães
diante da expressão “milagre fiscal da multiplicação dos
empregos” (l.4 e 5).
a) 2º, 1º, 4º, 5º, 3º
e) Dado o caráter negativo presente no prefixo des-,
b) 5º, 2º, 1º, 4º, 3º constitui pleonasmo vicioso empregar a expressão super-
c) 3º, 5º, 2º, 1º, 4º lativa “os mais despossuídos” (l.6).
57
77 - Assinale a opção que, ao preencher a lacuna, torna c) que deem causa à concretização de fatos jurídicos
o texto incoerente. tributários e se revelem significativos para a Administração
O princípio da igualdade tributária deve ser realizado Tributária.
por meio de um critério estabelecido pela própria Consti- d) suspeitos de tributação e dos quais possa se originar
tuição brasileira – a capacidade contributiva –, que con- obrigações tributárias
siste em graduar os tributos de acordo com a riqueza de e) deverão se sujeitar e ficar ao amparo das autorida-
cada contribuinte, de modo que os ricos paguem mais, des do Fisco, não podendo abrigar-se na investigação e
e os pobres paguem menos. Em outros termos, a capaci- no apuro fiscais. 79- Marque a opção correta a respeito do
dade contributiva é a ferramenta que fornece a medida emprego das palavras e expressões do texto.
para comparações, isto é, para distinguir os iguais e os de-
siguais. _______________________ não é legítimo que
pessoas com a mesma capacidade contributiva (mesma O texto abaixo serve de base para a questão 79.
renda) sejam tributadas de forma distinta, com alíquotas A absorção dos jovens pelo mercado de trabalho tam-
diferenciadas em função da natureza da renda ou do local bém comporta oscilações no último decênio, em seus
em que esta foi produzida. momentos de maior recessão. Portadora de índices de es-
(Disponível em: <[Link]>) colaridade mais altos do que seus pais, essa população, ao
apresentar credenciais escolares valorizadas pelo jogo de
mercado, pode estar mais protegida do desemprego no
a) Ela é necessária conquanto momento das crises, que atingiram, de forma mais inten-
b) Esse critério reforça a ideia de que sa, a população adulta. Mesmo assim, torna-se importante
c) Tal instrumento fundamenta-se no consenso de que considerar que o fantasma do desemprego não deixa de
estar presente, embora suas consequências sejam mais ate-
d) Justifica-se sua adoção porquanto nuadas sobre a mão-de-obra juvenil. Em termos gerais, a
e) Para a consolidação desse critério partiu-se da cons- estreiteza do mercado de trabalho – pela escassa oferta de
tatação de que novos postos – e a baixa remuneração, expressa na perda
crescente do poder aquisitivo dos salários, afetam as expec-
tativas e comportamentos desta faixa etária.
O texto abaixo serve de base para a questão 78.
(SPOSITO, Marília P. A sociabilidade juvenil e a rua:
Mister se faz entender que o objetivo da lei, ao esta- novos conflitos e ação coletiva na cidade. Tempo Social
belecer a obrigatoriedade de que as instituições financei- - Revista de Sociologia da USP. São Paulo, n. 5, v. 1-2, p.
ras também prestem informações às autoridades fiscais, é 161-78 )
(A) de lhes impor um dever de colaboração no intuito de
79 - Assinale a opção que corresponde ao texto.
auxiliar a atividade do Fisco. (B) Os dados e registros dos
quais elas detêm a posse são indispensáveis à ação fiscal a) A oração subordinada reduzida de infinitivo iniciada
para que se conheçam as movimentações financeiras dos por “ao apresentar…” (l.4) tem, textualmente, valor de uma
correntistas, sejam pessoas físicas ou jurídicas, que poderão subordinada causal.
ser relativas a operações (C) que ensejem a realização de b) Mantém-se a correção gramatical do período e a
fatos jurídicos tributários e se configurem como de inte- coerência textual ao substituir a expressão substantiva
resse da Administração Tributária. Em última instância, a que inicia o texto pela forma oracional correspondente: O
citada exigência encerra um interesse coletivo de ordem mercado de trabalho absorve os jovens...
pública, no sentido de que todos os fatos da vida real (D) c) A negativa na expressão “não deixa de estar presente”
que se configurem como tributários e possam dar nasci- (l.10) corresponde semanticamente a deixa de não estar
mento a obrigações tributárias (E) deverão estar sujeitos e ausente.
não poderão ficar ao abrigo da verificação e apuração dos
d) Mantém-se a correção gramatical e as ideias do texto
agentes fiscais.
ao se substituir a concessiva “embora” (l.10) por apesar de
(MAIA, Mary Elbe. A inexistência de sigilo bancário ou conquanto.
frente ao poder-dever de investigação das autoridades
e) A forma verbal “afetam” (l.14) está empregada no plu-
fiscais. Tributação em Revista, jul/set. 1999)
ral por exigência das regras de concordância com “salários”
(l.13).
78 - Assinale a substituição proposta para os segmen-
tos sublinhados do texto (identificados com as respectivas 80 - Assinale a opção na qual a expressão sublinhada
letras das opções) que esteja construída com correção está erradamente empregada.
gramatical e que preserve as relações de sentido do texto.
a) O governo quer mudar o imposto sobre a renda da
a) sujeitar-lhes a uma posição de auxiliares do Fisco, no pessoa física para reduzir as deduções de gastos com edu-
intuito de colaborar com a atividade fiscalizatória. cação e saúde, mas se esquece de que o poder do gover-
b) Os dados e registros de cuja posse elas detêm nante não é absoluto.
58
b) É o Congresso, quem cabe transformar a vontade a) O papel do governo, cujas três esferas de atuação
governamental em lei, que tem a obrigação de proteger são responsáveis por 10.000 programas sociais, tem sido
os contribuintes. fundamental no terreno da assistência social.
c) A nova mordida do Leão parece decorrer de docu- b) Embora se calcule que as ONGs estejam melhoran-
mento fazendário, em que se avalia que as deduções das do a vida de 9 milhões de pessoas, os números ligados ao
despesas com educação e saúde só beneficiam as “pessoas governo são incomparavelmente maiores.
abastadas”. c) Se apenas a aposentadoria do INSS já beneficia 0
d) A Constituição exige a observância do critério da milhões de cidadãos, então conclui-se que os números do
“universalidade”, cujo significado é o de que todo tipo de governo são muito maiores que os das ONGs.
rendimento será tributável. d) Aos 20 milhões de cidadãos beneficiados pela apo-
e) Economia fiscal verdadeira seria a eliminação ou a sentadoria do INSS, some-se os 50 milhões de crianças das
redução do bueiro em que se esvai o volume incalculável escolas públicas e os 100 milhões de pessoas sob a prote-
de recursos públicos chamada renúncia fiscal da União. ção do sistema de saúde do governo.
e) Mesmo que filantropia e assistencialismo jamais pos-
81- No texto a seguir, assinale o trecho transcrito cor- sam resolver os problemas de pobreza e má distribuição
retamente. de renda, trabalho voluntário e vigilância do governo pelos
a) Pesquisadores do Banco Mundial revelam que, a “glo- cidadãos podem minimizar as mazelas sociais.
balização reduz a pobreza, mas não em todos os lugares”.
b) Embora muitas nações globalizadas procurem acom- 83 - Os trechos abaixo constituem um texto, mas estão
panhar o ritmo das mais opulentas, grande parte do mundo desordenados. Ordene-os e assinale a opção que apresenta
em desenvolvimento estão se tornando marginalizados. a sequência que organiza o texto de forma coesa e coe-
c) Na América Latina, por exemplo, “a integração global rente.
aumentou ainda mais as desigualdades salariais”, e há uma
( ) Por isso, foi apresentado à Mesa da Câmara o Pro-
preocupação generalizada que o processo esteja levando
jeto de Lei 6680/02, que obriga o chefe do Executivo a en-
uma maior desigualdade no próprio interior dos países. Essa
caminhar anualmente ao Congresso Nacional, como parte
desigualdade já alcançou os Estados em suas relações as-
integrante da Prestação de Contas de que trata a Constitui-
simétricas.
ção, o mapa da exclusão social brasileira.
d) Embora Marx não estava pensando em escala global
( ) O projeto já está na comissão de Seguridade Social
quando falou da distância, que separa os ricos dos pobres
e Família, onde o relator apresentará seu parecer no retorno
de forma crescente, essas previsões nunca pareceram tão
dos trabalhos parlamentares, após as eleições. Depois, será
verdadeiras quanto hoje.
votado conclusivamente pela comissão de Desenvolvimen-
e) A inversão é apenas metodológica: trata-se do re- to Urbano e Interior, pela comissão de Constituição, Justiça
lacionamento entre o primeiro e o terceiro mundo, com e Redação.
os ricos ficando cada vez mais ricos e os pobres cada vez
( ) Tal proposta é classificada pelo seu autor como Lei
mais pobres.
de Responsabilidade Social, em comparação com a Lei de
Responsabilidade Fiscal - que impõe ao Governo determi-
Leia o texto para responder a questão 82:
nadas medidas visando atingir metas financeiras.
O papel do Estado tem sido fundamental no terreno da
( ) Para comprovar essa responsabilidade social, o
assistência social. As três esferas do governo são respon-
mapa deverá fazer um diagnóstico da exclusão por região
sáveis por 10 mil programas sociais. Calcula-se que ONGs
e estados, com base nos indicadores sociais referentes à
melhorem a vida de 9 milhões de pessoas. Os números
expectativa de vida, renda, desemprego, educação, saúde,
ligados ao governo são incomparavelmente maiores. A
saneamento básico, habitação, população em situação de
aposentadoria do INSS beneficia 20 milhões de cidadãos. As
risco nas ruas, reforma agrária e segurança.
escolas públicas educam 50 milhões de crianças e o sistema
de saúde do governo está aberto para 100 milhões de pes- ( ) O principal problema que o País enfrenta na hora
soas. A filantropia e o assistencialismo jamais vão resolver de definir um planejamento estratégico de combate à
os problemas da pobreza e da má distribuição de renda. exclusão social é a falta de divulgação de informações e
estatísticas oficiais sobre a nossa realidade social.
Mas o trabalho voluntário e a vigilância da sociedade
sobre a ação do governo nesse campo podem diminuir a ( ) Os dados de cada item serão comparados com os
dor dos menos favorecidos. do ano anterior, a fim de avaliar a ação do governo em cada
(VEJA ESPECIAL, mai. 2002, p. 59, com adaptações) área. (Adaptado de Agência Câmara)
a) 1º, 3º, 5º, 2º, 4º, 6º
82 - Escolha a opção abaixo que, tendo sofrido altera-
ções de ordem sintático-semântica, não representa mais o b) 2º, 1º, 4º, 5º, 6º, 3º
conteúdo do texto ou contém erro gramatical. c) 2º, 6º, 3º, 4º, 1º, 5º
59
d) 3º, 4º, 1º, 6º, 2º, 5º b) “o que compensou” (l.10) - compensadas;
e) 6º, 3º, 4º, 5º, 1º, 2º c) “possibilitou às instituições financeiras ganhos”(l.8) -
permitiu que as instituições financeiras ganhassem;
O texto abaixo serve de base para a questão 84. d) “como os depósitos a vista” (l.9) - como, também, os
depósitos a vista;
O processo de reestruturação da economia brasilei-
ra alterou radicalmente o cenário _____1_______ atua- e) “Contudo, o desenvolvimento desse imenso comple-
vam as instituições financeiras. A abertura da economia, xo” (l.4) – O desenvolvimento de tal sistema, todavia,
_____2_______ incremento das importações e expor-
tações, além de exigir o desenvolvimento de produtos 86 - Está clara e correta a redação da seguinte frase:
e serviços ágeis no mercado de câmbio, revelou o grau
a) É como uma válvula de escape fazer ginástica por
de ineficiência de alguns setores industriais e comerciais
causa da ansiedade, que aliás costumam causar depen-
domésticos, com baixa lucratividade e deseconomias,
dências.
______3______ refletir-se na incapacidade de recuperação
de empréstimos concedidos pelos bancos. ______4______, b) Assim como os efeitos provocados pela droga, o
atuou o corte de subsídios a alguns setores econômicos, excesso de exercícios físicos nos dependentes costumam
aumentando o grau de inadimplência para com o sistema gerar praticamente os mesmos.
bancário. Além disso, as políticas monetária e fiscal restri- c) Muito embora lesionados, há quem pratique exercí-
tivas adotadas a partir da implementação do Plano Real cios físicos, cujas as consequências nesses casos tornam-se
contribuíam adicionalmente para as dificuldades creditícias agravadas.
enfrentadas por alguns setores da economia, ____5_____ d) A síndrome de abstinência caracteriza-se onde a pes-
forma passageira. soa sem tempo para correr fica meia deprimida, graças ao
(Disponível em: <[Link]>) grau desta sua dependência.
e) A euforia intensa que sentem os maratonistas leva-
84 - Assinale a opção em que uma das sugestões não -os a querer correr ainda mais, o que revela um ciclo de
preenche a lacuna com coesão e coerência. dependência.
a) 1 - em que / no qual
b) 2 - acompanhada do consequente / seguida natu- 87 - O sentido da frase “Ao se doparem, os viciados em
ralmente do drogas geralmente experimentam um bem-estar” não so-
frerá alteração ao se substituir a expressão sublinhada por
c) 5 - mesmo que de / apesar de
a) Quando se dopam.
d) 4 - No mesmo sentido / Com a mesma orientação
b) Para se doparem.
e) 3 - que passou a / o que veio a
c) A menos que se dopem.
Texto para o exercício 85. d) A fim de que se dopem.
O Brasil tem o maior e mais complexo sistema financeiro e) Ainda quando se dopam.
da América Latina, com 208 bancos, que se distribuem por
mais de 17 mil agências e aproximadamente 15 mil postos
de atendimento adicionais. Contudo, o desenvolvimento 3.4. Concordâncias
desse imenso complexo, nos últimos trinta anos foi pro- Concordância é o mecanismo através do qual as pala-
fundamente marcado pelo crônico processo inflacionário vras alteram suas terminações para se adequarem harmo-
que predominou, nesse período, na economia brasileira. nicamente na frase.
A longa convivência com a inflação possibilitou às insti-
tuições financeiras ganhos proporcionados pelos passivos
não-remunerados, como os depósitos a vista e os recursos 3.4.1. CONCORDÂNCIA VERBAL
em trânsito, o que compensou ineficiências administrativas O verbo altera suas desinências para ajustar-se em pes-
e perdas decorrentes de concessões de créditos que foram soa e número com o seu sujeito.
se revelando, ao longo do tempo, de difícil liquidação.
Regra geral: o verbo concorda em número e pessoa
(Disponível em: <[Link]>)
com o seu sujeito.
60
Concordância de nomes que só se usam no plural No entanto, quando não está expresso na frase quem
Quando o sujeito é um nome que só se usa no plural deu as horas, o sujeito passa a ser as horas dadas. Deram
e não vem precedido de artigo, o verbo fica no singular. quatro horas no relógio.
Caso venha antecipado de artigo, o verbo concordará com
o artigo. Exemplo: Concordância do verbo com índice de indetermi-
nação do sujeito
Minas Gerais produz muito leite. Quando o verbo vier acompanhado pelo índice de in-
As Minas Gerais produzem muito leite determinação do sujeito “se”, ficará obrigatoriamente no
singular. Exemplo:
O sujeito é um pronome de tratamento
Precisa-se de empregados.
Quando o sujeito é um pronome de tratamento, o ver-
bo fica sempre na terceira pessoa. Vossa Alteza sabe o lugar. Concordância do verbo com partícula apassivadora
Sujeito constituído pelo pronome relativo “que” Quando vier acompanhado pela partícula apassivadora
“se”, o verbo concordará normalmente com o sujeito ex-
Quando o sujeito é um pronome relativo que, o verbo
presso na oração.
concorda com o antecedente do pronome relativo. Fui eu
que paguei a conta. Vende-se casa.
sujeito
Sujeito constituído pelo pronome relativo “quem”
Vendem-se casas.
Quando o sujeito é um pronome relativo quem o ver-
bo deve ficar na terceira pessoa do singular. Fui eu quem sujeito
pagou a conta.
Concordância dos verbos haver e fazer impessoais
Mais de um/mais de dois O verbo “haver” (no sentido de “existir”, ou indicando
Quando o sujeito é formado por expressões mais de tempo) e o verbo “fazer” (indicando tempo) são impessoais.
um/mais de dois, o verbo concorda com o numeral de tais Devem, portanto, ficar na terceira pessoa do singular. Exem-
expressões. Exemplo: plos:
61
Os meninos e as meninas faltaram. II. se a conjunção ou não tiver valor exclusivo, o verbo
irá para o plural. Exemplo:
Observação: se o sujeito composto vier posposto, Roma ou Rio são excelentes locais para
o verbo poderá concordar com o núcleo mais próximo. as próximas Olimpíadas.
Exemplo:
Chegou o presente, a encomenda. Observações: as expressões “um ou outro” e “nem um
nem outro” exigem verbo no singular. Exemplo:
No entanto, há casos em que o sujeito composto, mes- Um ou outro secretário resolverá a questão.
mo anteposto, admite o verbo no singular:
Nem um nem outro aluno fez o exercício.
I. Com núcleos sinônimos ou quase sinônimos. Exem-
Com a expressão “um e outro”, o verbo pode ir para o
plo:
plural (construção preferível) ou ficar no singular. Exemplo:
“A dor e a tristeza deixou-o perplexo.”.
Um e outro comentário incomodam-me
(ou incomoda-me).
II. Núcleos dispostos em gradação. Exemplo:
“Uma indignação, uma raiva profunda, Sujeitos ligados por “com”
um ódio mortal dominava-o.”. Quando os núcleos do sujeito estiverem ligados por
“com”, o verbo irá para o plural. Exemplo:
III. Sujeito formado por dois infinitivos. Exemplo:
Eu com outros amigos fomos ao casamento.
“Trabalhar e estudar fazia dela uma mulher feliz”.
Verbo parecer + infinitivo
Observação: caso os infinitivos exprimam ideias opos-
Com o verbo “parecer” seguido de um infinitivo, flexio-
tas, ocorrerá o plural. Exemplo:
na-se ou este verbo ou o infinitivo. Exemplo:
Rir e chorar se alternam.
Os alunos pareciam entender.
Os alunos parecia entenderem.
Sujeito composto resumido por um pronome in-
definido “Haja vista”
Quando o sujeito composto vier resumido por palavras Com a expressão “haja vista”, há três construções pos-
como tudo, nada, ninguém, o verbo concordará obrigato- síveis:
riamente com a palavra resumitiva. Exemplo:
Diretores, gerentes e secretários ninguém faltou. Haja vista os problemas.
Haja vista aos problemas.
Sujeito composto formado de pessoas diferentes Hajam vista os problemas.
Quando o sujeito composto é formado de pessoas di-
ferentes e, entre elas, há primeira pessoa, o verbo irá obri- Observe que o substantivo vista fica sempre no femi-
gatoriamente para a primeira pessoa do plural. Exemplo: nino, como nas expressões “ponto de vista” e “tenham em
vista”.
Eu, tu e ele resolvemos o problema.
Concordância do verbo “ser”
No caso de o sujeito composto ser formado de segunda Não é fácil sistematizar a concordância do verbo ser,
e terceira pessoas, o verbo poderá ir para a segunda ou uma vez que, muitas vezes, ele pode concordar com o su-
terceira pessoa do plural. jeito ou com o predicativo. Vejamos os casos mais comuns:
Tu e teu colega fostes ao cinema. I. O verbo ser concordará obrigatoriamente com o pre-
Tu e teu colega chegaram cedo. dicativo quando o sujeito for um dos pronomes interroga-
tivos: “quem” ou “que”. Exemplo:
Núcleos do sujeito ligados por “ou” Quem foram os convidados?
Quando os núcleos do sujeito vierem ligados pela con-
junção “ou”, vamos considerar dois casos: II. O verbo ser concordará obrigatoriamente com o pre-
I. se a conjunção ou tiver valor exclusivo, o verbo ficará dicativo quando indicar tempo, data ou distância. Exemplo:
no singular. Exemplo: É uma hora.
Roma ou Rio será a sede das próximas Olimpíadas. São duas horas.
62
Observação: na indicação de data, há duas ocorrências Outros casos
possíveis: a) Um único adjetivo referindo-se a mais de um substantivo
1. O verbo “ser” concorda com o predicativo. Exemplo: Quando temos um só adjetivo qualificando mais de um
São 10 de maio. substantivo, vamos distinguir dois casos:
1. Quando o adjetivo vem antes dos substantivos a que
2. O verbo “ser” concorda com a palavra dia que fica se refere, deverá concordar com o substantivo mais próxi-
subentendida. Exemplo: mo. Exemplo:
Aqueles dois meninos estudiosos leram Entretanto, se o sujeito vier antecipado de artigo (ou
os livros antigos. equivalente), a concordância será obrigatória. Exemplo:
63
A cerveja é necessária. A menina estava só.
Eles estavam sós.
Verifique este exemplo clássico:
Observação: a locução adverbial “a sós” é invariável.
É proibido entrada de estranhos. Exemplo:
É proibida a entrada de estranhos.
Eles precisavam conversar a sós.
Anexo/Incluso Substantivo com função de adjetivo
“Anexo” e “incluso” são palavras adjetivas; devem, por- Um substantivo empregado como adjetivo (derivação
tanto, concordar com o nome a que se referem. Exemplo: imprópria) não varia. mulher monstro / mulheres monstro.
Segue anexo o documento.
“Possível”
Seguem anexos os documentos.
A palavra “possível”, quando acompanha expressões su-
Incluem-se nesta regra as seguintes palavras: “mesmo”, perlativas tais como “o mais”, “o menos”, “o melhor”, “a pior”,
“próprio”, “obrigado”, “agradecido”, “grato”, “apenso”, “quite”, “os maiores”, “as menores”, varia conforme o artigo que in-
“leso”. Exemplo: tegra essas expressões. Exemplo:
Ele mesmo falou: obrigado. Quero uma calça a mais bonita possível.
Ela mesma falou: obrigada. Particípios
Ele próprio disse: agradecido. Os particípios concordam normalmente com o subs-
Ela própria disse: agradecida. tantivo a que se referem. Exemplo:
Iniciado o trabalho, todos saíram.
Menos/Alerta/Pseudo
As palavras “menos”, “alerta” e o “prefixo” pseudo- são
sempre invariáveis. Exemplo:
3.4.3. QUESTÕES DE CONCORDÂNCIA
Havia menos alunos na sala.
88 - Considerando que os trechos abaixo consti-
O guarda estava alerta. tuem um texto retirado – com adaptações – de ÉPOCA,
17/12/2001, assinale o item que foi transcrito com erro de
Bastante/Bastantes natureza gramatical.
“Bastante” pode funcionar como palavra adjetiva ou a) Nesta quarta-feira, o Presidente Fernando Henrique
como advérbio. Quando palavra adjetiva (estará ligado a Cardoso anuncia um pacote com a política federal de cotas
um substantivo), concordará normalmente com o substan- para negros. O pacote é composto de três medidas:
tivo a que se refere. Quando advérbio (estará ligado a um
b) empresas que prestam serviço ao Ministério da Jus-
verbo, adjetivo ou advérbio), nunca varia. Exemplo:
tiça ficam obrigados a manter 20% de funcionários negros;
Bastantes alunos compareceram à aula. para os outros ministérios, a medida é estimulada, mas não
Eles falam bastante. obrigatória.
c) cria-se um programa especial para auxiliar os negros
a seguir carreira diplomática;
Nesta regra, podemos incluir ainda as seguintes pala-
vras: “meio”, “muito”, “pouco”, “caro”, “acato”, “longe”. d) 20% dos cargos sem concurso da Administração Fe-
deral ficam reservados para negros;
Pronomes de tratamento e) Há razões para que as medidas sejam bem recebidas.
Os pronomes de tratamento concordam sempre em Elas certamente abrirão espaço para que o Brasil debata
terceira pessoa. Exemplo: uma questão necessária.
64
nado, o que ___________ retribuição bem superior ______ aos verbos: produzir, equidar, sustentar, redistribuir e au-
de seu cargo efetivo. topromover.
(FILHO, Hugo Melo. Correio Braziliense, 29 jul. 2002, c) O emprego do pronome “se” em “impõe-se” (l.11)
com adaptações) indica que esse verbo está sendo empregado de forma
reflexiva; não como se emprega no seguinte exemplo: A
situação impõe novas regras.
a) Conta-se / sejam / permaneça / por que / lhe garante
/à d) Embora se subentenda a ideia de Estado como
agente de “não abrir mão” (l.14), a palavra “Estado” (l.14) aí
b) Contam-se / sejam / permaneçam / por que / ga-
explicitada tem a função de completar sintática e seman-
rante-lhes / ao
ticamente “Cumpre” (l.13).
c) Conta-se / seja / permanecem / por que / garante-
e) Subentendem-se as expressões o mundo empresarial
-lhe / a
cabe diante de “atuar” (l.18), no sentido diante de “melhoria”
d) Contam-se / seja / permanece / porque / garante- (l.20) e cabem diante de “contribuir” (l.23).
-lhes / ao
e) Contam-se / sejam / permanecem / porque / lhes
garante / à Leia o texto abaixo para responder à questão 91.
Pode até mesmo parecer um pouco antagônica a con-
Leia o texto para responder às questões 90. jugação dos termos “tecnologia” e “política”, mas a prática
A incorporação dos direitos humanos como eixo sus- – e sua intensidade – com que se desenvolve o processo
tentador e medida de progresso no campo do desenvol- de convencimento popular em tempos atuais, com toda
vimento permitiu a construção do conceito de desenvol- a “sofisticação” de recursos – não necessariamente técni-
vimento sustentável como um processo capaz de integrar cos – que se possa imaginar, nos leva a admitir a absoluta
dimensões como produtividade, equidade, sustentabilida- compatibilidade entre aqueles termos, ao ponto em que
de, participação nas decisões, segurança e cooperação. O imaginar-se uma candidatura sem o arrojo dos “avanços”
grande desafio do Brasil é assegurar a estabilização eco- estratégicos políticos é o mesmo que se predispor à mais
nômica conquistada na segunda metade dos anos 90 e, a imprevisível das aventuras. Segundo dados da ONU, dois
partir dela, instalar uma tendência irreversível em direção terços da população mundial não se sente representada
à elevação do nosso Índice de Desenvolvimento Huma- por seus governos e tem uma péssima opinião sobre a
no. Diante desse quadro, impõe-se, de forma inarredável honestidade e sentido público dos políticos, muitas vezes
e urgente, a adoção de uma ética de corresponsabilidade sendo o voto uma manifestação “mais contra o que se teme,
entre os três grandes setores da vida nacional. Cumpre ao do que a favor do que se espera”.
Estado não abrir mão de seus fins universais e se empenhar
na construção de políticas públicas efetivamente redistri- (DE OLIVEIRA, Alexandre Vidigal. Tecnologia política
butivas e autopromotoras. e a globalização da crise de representatividade. Correio
Braziliense, 14 out. 2002, com adaptações)
Ao mundo empresarial cabe identificar aspectos re-
levantes do desenvolvimento social brasileiro e atuar de
forma complementar ao poder público, no sentido do
91 - Marque a opção correta a respeito do emprego das
aumento e da melhoria das ações no foco eleito. Por fim,
expressões do texto.
às organizações sem fins lucrativos, com sua sensibilidade,
espírito de luta e criatividade pessoal, institucional e comu- a) Preserva-se a correção gramatical da oração ao em-
nitária, contribuir para a expansão dos limites do possível, pregar, alternativamente, sentem em lugar de “sente” (l.11).
através da produção de ideias e iniciativas que se mostrem b) A conjunção “e” (l.13), além de ter o valor semântico
capazes de promover a alteração das ações do governo e de adicionar uma ideia a outra, tem, no texto, também o va-
das empresas, no que diz respeito ao bem comum. lor de introduzir uma consequência para a oração anterior.
(SENNA, Viviane. Desenvolvimento Humano. Folha de c) A coerência textual e a correção gramatical permitem
São Paulo, 25 ago. 2002, com adaptações) a retirada da contração com a preposição “do” após “teme,”
(l.14).
90 - Marque a opção correta a respeito do emprego das d) A estruturação sintática do período admite que a
palavras e expressões do texto. vírgula após “políticos” (l.13) seja substituída por ponto fi-
a) De acordo com a norma culta, o sujeito da oração em nal sem que isso prejudique a correção gramatical ou a
que ocorre a forma verbal “permitiu” (l.2) admite também o coerência do texto.
emprego no plural: permitiram. e) Mantém-se a coerência textual ao empregar a ex-
b) Os substantivos “produtividade” (l.5), “equidade” (l.5) pressão a maioria da população, em lugar de “dois terços
e “sustentabilidade” (l.5) e os adjetivos “redistributivas” (l.15) da população” (l.11), mas para manter a correção gramatical
e “autopromotoras” (l.16) correspondem, respectivamente, é necessário substituir “tem” (l.12) por têm.
65
92 - Julgue as afirmações a respeito do emprego das a) Será que ele reaveu seus pertences?
estruturas linguísticas do texto para, a seguir, marcar a op- b) Eles irão quando reaverem seus pertences.
ção correta.
c) Ontem eu reouve meus pertences.
Do ponto de vista do “pai de família pobre” da década de
d) Espero que você reaja seus pertences.
20 ou 30, o Estado aparece como aquele que deve prover
os cidadãos do conforto material mínimo à sobrevivência,
na forma de emprego ou de outras condições mais diretas, 95 - Assinale a frase correta quanto à concordância
como moradia, saúde ou educação. Não se trata de emitir nominal.
um juízo de valor sobre esta concepção, mas de constatar a) Ela mesmo disse isso.
sua existência. Necessário, porém, confrontar isso com o b) Já ouvi isso bastantes vezes.
reverso da medalha, ou seja, a política estatal em relação a
c) A remessa chegou meia atrasada.
esse tipo de reivindicação, especialmente para o período
que antecede 1930 e que surge para a historiografia como d) Será cobrado este mês a nova taxa.
domínio exclusivo das oligarquias.
(RODRIGUES, Jaime. Crise da primeira república: clas- 96 - Assinale a frase errada quanto à concordância
ses médias e Estado na década de 20. Ciência e Cultura verbal.
(SBPC), São Paulo, v. 41, n. 2, p. 146-157, com adaptações) a) Compraram-se várias utilidades.
b) Precisa-se de outras contribuições.
I. De acordo com as regras de regência da norma culta, c) Vai fazer três horas que estamos aqui.
a estrutura “prover os cidadãos do conforto” (l.3 e 4) admite d) Já fazem duas semanas que saíram.
a substituição por assegurar aos cidadãos o conforto.
II. O infinitivo verbal “emitir” (l.5) não admite emprego na 97 - As normas de concordância verbal estão inteira-
flexão plural por concordar com “um juízo”(l.6). mente respeitadas na frase:
III. O pronome “isso” (l.7), de acordo com os sentidos do a) O pessoal que não quiserem malhar tem agora mais
texto, refere-se à mesma ideia expressa por “emitir um juízo razões para ficar acomodado num sofá.
de valor”(l.5 e 6). b) Comprovaram-se que os efeitos dos exercícios físicos
IV. A substituição de “esse tipo de reivindicação” (l.9) por e das drogas têm algo em comum.
essa reivindicação preservaria a coerência textual, mas, para c) A privação de endorfina e dopamina podem levar a
manter a correção gramatical da oração, seria necessário estados depressivos.
empregar o sinal indicativo de crase no “a” que antecede
a expressão. d) Existem, além das complicações físicas, a possibilida-
de de alterações no plano social.
V. O estilo do autor elimina o verbo flexionado no início
do último período sintático do texto, mas as regras gra- e) Sempre haverá atletas compulsivos, pois sempre exis-
maticais da norma culta e a coerência textual deixam aí tirão pessoas ansiosas.
subentendida a forma verbal É.
98 - O verbo indicado entre parênteses adotará obriga-
toriamente uma forma do plural para preencher de modo
Estão corretos apenas os itens: correto a lacuna da frase:
a) II e IV a) Foi nos anos 80 que ...... (ocorrer) a pesquisa dos es-
b) I, II e V tudiosos americanos.
c) II, III e IV b) ...... (resultar) do excesso de exercícios algumas com-
d) I e V plicações para a nossa vida.
e) III, IV e V c) Mesmo quando ...... (prejudicar-se) com os excessos,
o atleta compulsivo os comete.
93 - Assinale a frase correta quanto ao uso do verbo d) ...... (acarretar) uma série de malefícios essa ginástica
“haver”. feita de modo compulsivo.
a) Não haverão, no universo, duas coisas iguais. e) Quando ...... (praticar) tantos exercícios, o atleta com-
pulsivo não avalia os efeitos.
b) Não havia, no universo, duas coisas iguais.
c) Não haviam, no universo, duas coisas iguais.
99 - Identifique o erro:
d) Não haveriam, no universo, duas coisas iguais.
a) os habite-se agílimos;
94 - Assinale a frase correta quanto ao uso do verbo b) os boas-noites sagradíssimos;
“reaver”. c) as poucas-vergonhas publicíssimas;
66
d) os social-democratas reacionariíssimos; e) Namorar - O verbo “namorar” exige complemento
e) os anos-luz velocíssimos; sem preposição. Exemplo:
João namora Maria.
100 - Indique onde há erro:
a) os fora-da·lei chileno-colombianos f ) Obedecer - Exige complemento com a preposição
b) os puxa-sacos catalãos “a”. Exemplo:
c) as sinhás-rnoças mandrionas O filho obedece ao pai.
d) os pára-choques furta-cores
e) os sofás-camas azul-celeste g) Preferir - Na linguagem culta, exige dois complemen-
tos: um sem, outro com a preposição “a”. Exemplo:
Prefiro estudar a trabalhar.
3.5. Regência
Regência é a parte da Gramática que trata das relações h) Simpatizar - O verbo “simpatizar” exige a preposição
entre os termos de uma oração, verificando se um termo “com”. Exemplo:
pede ou não complemento. Simpatizei com aquela pessoa.
Observe:
I. Nós amamos Maria. i) Aspirar
II. Nós gostamos de Maria. I. No sentido de “inspirar”, “sorver”, exige complemento
sem preposição. Exemplo:
No exemplo, I, notamos que o verbo amar exige com-
plementos sem preposição; já no exemplo II, verificamos Ela aspirou o aroma das flores.
que o verbo gostar exige a preposição de antes do comple-
mento. Quando o termo regente é um nome, dizemos que II. No sentido de “almejar”, “pretender”, exige comple-
se trata de regência nominal. Quando o termo regente é mento com a preposição “a”. Exemplo:
um verbo, dizemos que se trata de regência verbal. A funcionária aspirava ao cargo de chefia.
j) Assistir
3.5.1. Regência Verbal I. No sentido de “dar assistência”, “dar ajuda”, é utilizado,
a) Chegar - exige a preposição “a”, e não a preposição de preferência, com complemento sem preposição. Exem-
“em”. Exemplo: plo:
Chegamos finalmente a São Paulo. Uma junta médica assistiu o paciente.
O verbo “ir” segue a mesma regência de chegar. Exem- II. No sentido de “ver”, “presenciar”, exige a preposição
plo: “a” mais complemento. Exemplo:
Iremos a São Paulo. Assistimos a um filme.
b) Custar - No sentido de “ser custoso”, “ser difícil”, o ver- II. No sentido de “caber”, “pertencer”, exige a preposição
bo pede objeto indireto com a preposição “a” seguida de “a”. Exemplo:
oração infinitiva. Exemplo:
É um direito que assiste ao trabalhador.
Custou ao aluno aceitar o fato.
III. No sentido de “morar”, “residir”, exige a preposição
c) Implicar - No sentido de “acarretar”, exige complemen- “em”. Exemplo:
to sem preposição. Exemplo:
O presidente assiste em Brasília.
Sua atitude implicará punição.
k) Chamar
d) Morar - O verbo exige a preposição “em”. Exemplo:
I. No sentido de “convocar”, “mandar vir”, exige comple-
Ele mora em São Paulo. mento sem preposição. Exemplo:
O técnico chamou os jogadores.
A regência do verbo morar vale também para o verbo
“residir”. Exemplo:
II. No sentido de “dar nome”, exige, indiferentemente,
Ele reside em São Paulo. complemento com ou sem a preposição “a” e predicativo
67
com ou sem a preposição “de”. Daí admitir quatro constru- n) Pagar/Perdoar - Os verbos “pagar” e “perdoar”, quando
ções diferentes: têm por complemento uma palavra que denote coisa, não
exigem preposição. Quando têm por complemento uma
Chamei Paulo de tolo.
palavra que denote pessoa, exigem a preposição.
Chamei a Paulo de tolo.
Paguei o livro. (coisa)
Chamei Paulo tolo.
Paguei ao livreiro. (pessoa)
Chamei a Paulo tolo.
Paguei o livro ao livreiro.
l) Esquecer/Lembrar o) Querer
I. Quando não pronominais, os verbos esquecer e lem- I. No sentido de desejar, exige complemento sem pre-
brar exigem complemento sem preposição. Exemplo: posição. Exemplo:
Ele esqueceu o caderno. Eu quero uma casa no campo.
II. Quando pronominais, tais verbos exigem comple- II. No sentido de estimar, ter afeto, exige complemento
mento com a preposição “de”. Exemplo: com a preposição “a”. Exemplo:
Ele se esqueceu do caderno. Quero a meus pais.
68
3.5.3. QUESTÕES DE REGÊNCIA quanto a sua necessidade, a discussão não avança. Desde
1995, quando o governo encaminhou sua primeira pro-
posta ao Legislativo, o tema é debatido e não se chega a
Leia o texto abaixo para responder à questão 101. uma conclusão. Todos concordam que o sistema tributá-
Em artigo publicado na década de noventa, o professor rio brasileiro é repleto de distorções e deficiências, porém,
Paul Krugman explicava que todos aqueles países que fala- quando se aprofunda o debate, os conflitos de interesses
vam inglês haviam tido um desempenho econômico acima aparecem, dificultando a aprovação do projeto.
da média de seus vizinhos e que o inglês estava se tornando (Disponível em: <[Link]>)
rapidamente a língua franca dos negócios, do turismo e
da internet. Assim, os processos de fusão de empresas, tão
comuns naquele tempo, só teriam sucesso se utilizassem 102 - Em relação aos elementos que estruturam o texto,
o inglês como língua de integração das corporações. Essa assinale a opção incorreta.
visão nos preocupou quando resolvemos integrar todas a) A expressão “vem sendo considerada” (l.1 e 2), pode-
as áreas de consultoria espalhadas pela América Latina ria, sem prejuízo para a correção gramatical do período, ser
em uma única divisão de consultoria. Mas ficou uma per- substituída por tem sido considerada.
gunta no ar: “que língua oficial adotar”? O espanhol ou o b) A presença da preposição em “a um eterno projeto”
português acirraria a rivalidade que já era bastante grande (l.3) é exigida pela regência da palavra “condenada” (l.3).
no campo dos esportes. Adotar o inglês teria a vantagem
c) Em “quanto a sua” (l.4) o uso do sinal indicativo de
da neutralidade e da facilidade de interação com nossos
crase é opcional.
colegas de outras regiões, mas com perda significativa na
agilidade da comunicação e no andamento das reuniões. d) Tanto em “se chega” (l.6) como em “se aprofunda” (l.8),
Foi adotada então uma postura única: haveria três línguas o “se” indica indeterminação do sujeito.
oficiais. Essa pequena sutileza significava, na verdade, que e) Uma forma opcional de redação para o trecho seria
todos eram obrigados a entender as três línguas, mas po- a substituição da forma “dificultando” (l.10) por causando
deriam se expressar no idioma em que se sentissem mais à dificuldades para.
vontade. Hoje, cinco anos depois, sentimos que essa deci-
são foi fundamental para o nosso processo de integração,
Leia o texto abaixo para responder à questão 103.
e a lição aprendida é que muitas vezes a criatividade local
pode ser mais efetiva que verdades importadas. O processo de globalização foi muito mais rápido no
âmbito das finanças e do comércio do que no plano polí-
(ROSSI, José Luiz. Integração cultural na América Lati-
tico e institucional. O único caminho possível é avançar no
na. Classe Especial, 8 set. 2001, com adaptações).
processo de transformação da ordem mundial e institucio-
nalizá-lo. É claro que no passado bipolar havia problemas
101 - Marque a opção incorreta a respeito do emprego graves, tanto no bloco sob o controle hegemônico dos Es-
das estruturas linguísticas do texto. tados Unidos quanto no dominado pela URSS. A ordem glo-
a) As duas ocorrências da conjunção “que” (l.2) têm a bal em formação tem algumas vantagens e muitos riscos,
função de demarcar o início das duas orações ligadas por “e” parte deles criada pelo desmoronamento das instituições
(l.4), mas, sintaticamente, o segundo que pode ser omitido. multilaterais. A principal vantagem é a integração pelas co-
municações. Hoje atrocidades como as que aconteciam sob
b) A preposição “em” (l.11), exigida pelas regras de re-
a censura e o véu da impunidade hegemônica no século
gência do verbo “integrar” (l.9), pode sofrer contração com
passado se tornam conhecidas em tempo real, pela opinião
o artigo que a segue, sem prejudicar a correção e as ideias
pública mundial. É o primeiro passo para o estabelecimento
do texto.
de limites e sanções à violação em larga escala dos direitos
c) Para preservar a correção gramatical, se fosse usada a da humanidade. O horror instantâneo já não nos pode ser
expressão Ao se adotar, em lugar de somente “Adotar” (l.14), sonegado. A rede global de comunicações dá novos recur-
seria obrigatória a mudança de “teria” (l.14) para haveria. sos aos movimentos coletivos de defesa dos direitos da paz
d) Preserva-se a correção gramatical do texto e o sen- e compromete governantes.
tido do adjetivo da estrutura “com perda significativa” (l.16) (ABRANCHES, Sérgio. VEJA, 24 set. 2003,
ao substituí-la por significaria perder. com adaptações)
e) Mantém-se a estrutura sintática de voz passiva e a
ideia de passividade ao empregar “Adotou-se” em lugar de
103 - Assinale a opção em que ficam preservadas as
“Foi adotada” (l.18).
relações semânticas e a correção gramatical do texto ao
se acrescentar a complementação respectiva para as duas
Considere o texto para responder à questão 102. expressões abaixo. “O único caminho possível” (l.3) “A prin-
Há muitos anos a Reforma Tributária brasileira vem sen- cipal vantagem” (l.10):
do considerada como uma prioridade nacional, mas parece a) no plano político e institucional das instituições mul-
condenada a um eterno projeto. Apesar de haver consenso tilaterais
69
b) para o âmbito das finanças e do comércio da ordem 108 - Identifique onde não há erro de regência nominal:
global em formação a) Houve uma invasão à China no século passado.
c) para o processo de globalização dessa ordem global b) Há, dentro do próprio governo, uma corrente não
em formação engajada à candidatura oficial.
d) em âmbito das finanças e do comércio Com institui- c) Nota-se total desinteresse das autoridades para com
ções multilaterais as crianças.
e) no processo de globalização do desmoronamento d) Não aceito certas liberdades para comigo.
das instituições multilaterais
e) Estou curioso por saber quem é o novo Reitor.
70
3.6.2. Sempre ocorre crase b) Nunca ocorre crase diante dos pronomes relativos
“quem” e “cuja”. Exemplo:
• na indicação do número de horas, desde que, se tro-
cando este número por “meio-dia”, obtenha- se “ao Esta é a mulher a quem obedeço. Este é o autor a cuja
meio-dia”. Exemplo: Chegou à uma hora em ponto. obra me refiro.
(Chegou ao meio-dia em ponto.)
• Diante da palavra “moda” da expressão “à moda de”,
3.6.7. Crase diante do pronome relativo “que”
mesmo que a palavra moda fique subentendida.
Exemplo: Fez um gol à Sócrates. Diante do pronome relativo “que”, normalmente não há
• Nas expressões adverbiais femininas. Exemplo: Che- crase, uma vez que esse pronome repele o artigo. Exemplo:
garam à noite. Esta é a faculdade a que aspiro.
Observações:
Ocorrerá, no entanto, crase antes do pronome relativo
• Nas expressões adverbiais femininas, muitas vezes “que” quando antes dele aparecer o pronome demonstra-
ocorre acento grave sem que haja crase (fusão). Exem- tivo “a” ou “as” (= aquela, aquelas). Exemplo:
plo: Vendi à vista o relógio que ganhei.
• Nas expressões adverbiais femininas de instrumento, Sua blusa era igual à que comprei.
não se costuma usar acento grave. Exemplo: Eles es-
creveram a máquina.
3.6.8. QUESTÕES DE CRASE
109 - Assinale a opção que preenche de forma correta
3.6.3. Pode ou não ocorrer crase (crase facul- as lacunas do texto.
tativa) Está em exame na Casa Civil anteprojeto de lei que insti-
• diante de nomes de pessoas do sexo feminino. Exem- tuirá um sistema de incentivo _(1)__redução dos acidentes
plo: Ele fez referência a (à) Vera. e de punição das empresas que submetem seus trabalha-
• diante de pronomes possessivos femininos Exemplo: dores _(2)__risco. __(3)__ intenção é reduzir pela metade
Obedeço a (à) minha mãe. ou dobrar _(4)__ alíquotas de contribuição para cobertura
• depois da preposição “até”. Exemplo: Fomos até a (à) de acidentes trabalhistas, dependendo do caso. Uma em-
igreja. presa que esteja abaixo da média nacional de acidentes,
por exemplo, pode vir _(5)__ pagar menos. O contrário
3.6.4. Crase com as palavras “casa” e “terra” acontecerá __(6)__ empresa que tiver registrado número
de acidentes muito acima da média do seu setor. Ela poderá
Não ocorre crase diante das palavras “casa” (no sentido
ter _(7)__ alíquota duplicada.
de lar, moradia) e “terra” (no sentido de “chão firme”), a me-
nos que venham especificadas. Exemplo: (O Estado de São Paulo)
71
111 - O ingresso dos bancos na era digital não se fez, Ele tem um quê de mistério.
obviamente, sem grandes e continuados investimentos. Só-
lida infraestrutura, bom trabalho de orientação, as experiên- • preposição: quando vem ligando dois verbos de
cias bem-sucedidas de quem não vê maiores dificuldades uma locução verbal. Equivalerá a “de”. Exemplo:
na operação eletrônica vão dissipando _____resistências
dos ainda não-digitalizados. Os clientes adaptam-se ___ Tenho que chegar mais cedo.
novas tecnologias de modos muito distintos. _____ seg-
mentos de pessoas maduras, com mais de 60 anos, nos • interjeição: quando exprime espanto, admiração,
quais a utilização da Internet é maior do que em segmen- surpresa. Neste caso, será acentuada e seguida de
tos jovens, com menos de 30 anos. Procura-se fornecer o ponto de exclamação. Usa-se também a variação “o
maior número de informações aos clientes, ajudando-os quê!”. Exemplo:
___ superar as primeiras dificuldades e demonstrando Quê! Você ainda não terminou a limpeza do quarto?!
que, nos meios eletrônicos, “o índice de falhas sistêmicas é
mínimo”. Embora metade da população economicamente • partícula expletiva ou de realce: quando pode ser
ativa brasileira esteja fora do sistema bancário – e este é tirada da frase, sem prejuízo algum ao sentido. Como
um novo território ainda ___ conquistar –, ___ marcha da partícula expletiva, aparece também na expressão é
digitalização para os que já estão dentro do sistema é um que. Exemplo:
caminho que não tem volta.
Quase que não consigo terminar o trabalho.
(Adaptado de: <[Link]/edi-
ção/especial/ bancos>) • advérbio: quando modifica um adjetivo ou um ad-
vérbio. Equivalerá a “quão”. Exemplo:
Indique a opção cujos itens completam corretamente
as lacunas do texto acima. Que lindas são aquelas moças!
a) as às Há a a a
• pronome: enquanto pronome, a palavra “que” pode
b) as as Há a a à
ser:
c) às as A à a a
d) às às Há a à a 1. pronome relativo: quando retoma um termo da ora-
e) as às A à à a ção antecedente, projetando-o na oração consequente.
Equivalerá a “o qual” e flexões. Exemplo:
112 - Assinale a alternativa correta quanto ao emprego Não encontramos as pessoas que esperávamos.
do sinal indicativo da crase.
a) Essas atividades obedecem às normas legais; 2. pronome indefinido: como pronome indefinido, o
b) Dou meus parabéns à você; “que” pode ser:
c) Graças à Deus, tudo acabou bem; a) pronome substantivo indefinido: equivale a “que coisa”.
Exemplo:
d) Agradeço à V.Sª. o deferimento do pedido.
Que houve com você?
113- Onde é facultativo o uso do sinal da crase? b) pronome adjetivo indefinido: quando vem determi-
a) Estiveram na minha casa às duas horas da madru- nando um substantivo. Exemplo:
gada.
Que vida é essa?
b) Meu amor aumenta à medida que o tempo passa.
c) Eles foram até à cidade comprar mantimentos. • conjunção: quando relaciona entre si duas orações.
d) Fiz uma redação à Machado de Assis: Neste caso, não exerce função sintática.
e) Na próxima semana irei à Olinda dos saudosos car-
navais. Enquanto conjunção, a palavra “que” pode relacionar
tanto as orações coordenadas quanto as subordinadas,
daí classificar-se em conjunção coordenativa e conjunção
subordinativa. Exemplo:
3.7. Funções das palavras “que” e “se”
Venha logo, que é tarde.
(conjunção coordenativa explicativa)
3.7.1. Funções da palavra “que”
A palavra “que”, em Português, pode ser:
substantivo: quando equivale a alguma coisa. Neste 3.7.2. Funções da palavra se
caso, virá sempre determinada e acentuada. Exemplo: A palavra “se”, em Português, pode ser:
72
• conjunção: quando relaciona entre si duas orações. Denota entusiasmo, alegria, dor, surpresa, espanto, ordem,
Neste caso, não exerce função sintática. Exemplo: etc. Exemplo:
Se todos tivessem estudado, as notas seriam altas. Olá!
• partícula apassivadora: quando ligada a verbo que 3.8.4. Vírgula no interior da oração
pede objeto direto, torna a oração passiva. É também cha-
mada, neste caso, de pronome apassivador. Exemplo: Em Português, a ordem normal dos termos na frase é
a seguinte: sujeito - verbo - complementos do verbo - ad-
Vendem-se casas.
juntos adverbiais. Quando os termos da oração se dispõem
nessa ordem, dizemos que ocorreu ordem direta (ou ordem
• índice de indeterminação do sujeito: quando vem
lógica). Exemplo:
ligada a um verbo que não é transitivo direto, tornando o
sujeito indeterminado. Exemplo:
Muitos alunos estudaram a matéria da
Trabalha-se de dia. prova com afinco.
1. marcar intercalações
É utilizado para encerrar qualquer tipo de período, ex-
ceto os terminados por orações interrogativas ou exclama- a) o aposto intercalado. Exemplo: Sócrates, ex-jogador
tivas. É um dos sinais que indica maior pausa. Exemplo: Eu do Corinthians, atualmente joga na Ponte Preta.
sou estudante. b) expressões de caráter explicativo ou corretivo. Exem-
plo: A sua atitude, isto é, o seu comportamento na aula
O ponto é também usado para indicar abreviação de merece elogios.
palavras. c) conjunções coordenativas intercaladas. Exemplo: A
Observação: o ponto de interrogação é usado no fim sua atitude, no entanto, causou sérios desentendimentos.
de orações interrogativas diretas. Nunca é colocado no fim d) adjuntos adverbiais intercalados. Exemplo: Os candi-
de uma oração interrogativa indireta. Exemplo: datos, naquele dia, receberam a imprensa
Entendeu?
Observação: se o adjunto adverbial intercalado for de
pequena extensão (um simples advérbio, por exemplo),
3.8.2. Ponto de exclamação não se usa a vírgula, uma vez que não houve quebra da
sequência lógica do enunciado. Exemplo:
É colocado após determinadas palavras, como as inter-
jeições, e orações enunciadas com entoação exclamativa. Olá!
73
Os candidatos sempre receberam a imprensa. (advér- Eles se esforçaram muito, porém não obtiveram o
bio) resultado desejado.
2. marcar termos deslocados 5. orações intercaladas são sempre separadas por vír-
a) o adjunto adverbial anteposto. Exemplo: gulas (ou duplo travessão, equivalente a “elas”). Exemplo:
Naquele dia, os candidatos receberam a imprensa. Eu, disse o orador, não concordo.
4. As orações coordenadas (exceto as iniciadas pela con- Já dizia o poeta: “A vida é a arte do encontro...”
junção aditiva “e”) separam-se por vírgula. Exemplo: (Eça de Queirós - Os Maias)
74
b) dar início a uma sequência que explica, esclarece, a) Em 5 de outubro de 1988, os representantes do povo
identifica, desenvolve ou discrimina uma ideia anterior. brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte
Exemplos: promulgaram, entre outros, a igualdade e a justiça como
valores supremos da sociedade brasileira, figurando no
Descobri a grande razão da minha vida: você.
preâmbulo da nossa Constituição.
Já lhe dei tudo: amor, carinho, compreensão, apoio. b) Naquela data, os representantes do povo estabelece-
Tivemos uma ótima ideia: abandonar a sala. ram, também os fundamentos e os objetivos da República
O resultado não se fez esperar: fomos Federativa do Brasil, entre os quais figuram: a cidadania; a
chamados à diretoria. dignidade da pessoa humana; a construção de uma so-
ciedade livre, justa e solidária; a erradicação da pobreza e
da marginalização; a redução das desigualdades sociais e
regionais.
3.8.8. QUESTÕES DE PONTUAÇÃO c) Para que alcançamos tais objetivos, é indispensável
que o Sistema Tributário Nacional seja utilizado como ins-
trumento de distribuição de renda e redistribuição de rique-
114 - Analise as propostas e assinale a opção que indica za, com o apoio de outros mecanismos auxiliares.
alterações corretas para o trecho abaixo. d) A essência do direito é a sua aplicação prática – dever
É importante mencionar que em 99,99% dos casos em das autoridades públicas. Os princípios constitucionais não
que as autoridades fiscais têm acesso às movimentações podem ser meras declarações de boas intenções, embora a
bancárias dos contribuintes, e lhes é permitida a tão re- regra jurídica existe para agir sobre à realidade social.
ferenciada quebra do sigilo bancário, são apuradas irre- e) Portanto, já não basta à igualdade formal. É tempo
gularidades. Entretanto, somente exsurge a lide tributária de concretizar os direitos fundamentais estabelecidos pela
que exige o contraditório e ampla defesa quando após a Constituição. É preciso buscar a igualdade material, na sua
formalização do lançamento o contribuinte, inconformado, acepção ideal, humanista, que significa acesso a bens da
tempestivamente apresenta impugnação ou defesa contra vida. (Adaptado de [Link])
o ato administrativo por meio do qual se exterioriza a exi-
gência do crédito tributário (...).
(MAIA, Mary Elbe. A inexistência de sigilo ban- 116 - Assinale a opção em que o trecho apresenta-se
cário frente ao poder-dever de investigação das au- coeso, coerente e gramaticalmente correto.
toridades fiscais. Tributação em Revista, jul/set. 1999 a) O problema atual dos direitos do homem não é mais
(sinais de pontuação suprimidos)) justificar-lhes ou enunciá-los, mas protegê-los, buscar as
condições, os meios para realizá-los e, efetivamente, des-
frutá-los. Trata-se, portanto, de passar a ação, ou seja, de
Propostas:
um problema político.
1) Colocar uma vírgula após o verbo “mencionar”.
b) Pelo princípio da igualdade material o Estado tem
2) Colocar aspas na expressão “quebra do sigilo ban- obrigação de intervim e retificar a ordem social, a fim de re-
cário”. mover as mais profundas e perturbadoras injustiças sociais.
3) Separar com duplo travessão a oração “que exige o c) A igualdade e a justiça são a base para a justiça fiscal
contraditório e ampla defesa”. que são componentes da justiça social.
4) Manter separada por dupla vírgula a expressão “após d) Diante desse preceito maior, a distribuição dos gas-
a formalização do lançamento”. tos para a manutenção do Estado, ou seja, a parcela com
5) Colocar entre parênteses o segmento “ou defesa con- que cada indivíduo vai contribuir para essas despesas, deve
tra o ato administrativo”. alcançar a todos os cidadãos que se acham na mesma si-
tuação jurídica, sem privilegiar indivíduos ou classes sociais.
e) Portanto, o princípio da igualdade leva ao princípio
Estão corretas as propostas:
da generalidade da tributação, pois o sacrifício econômico
a) 1, 2 e 4 e financeiro que o contribuinte deve suportar precisam ser
b) 1, 3 e 4 iguais para todos os que se encontram na mesma situação.
c) 1, 4 e 5 A lei tributária deve ser igual para todos e a todos deve ser
d) 2, 3 e 5 aplicada com igualdade.
e) 2, 3 e 4
117- Julgue os itens a respeito do emprego das pala-
115 - Assinale a opção em que o trecho está gramati- vras e dos sinais de pontuação do texto, para, em seguida,
calmente correto. marcar a opção correta.
75
A secular luta da mulher pela realização profissional Leia o texto a seguir para responder à questão 119.
enfrenta também, a negligência do registro histórico de A sociedade baseada na liberdade contratual será
suas conquistas, por muitos historiadores. Sob esse aspecto, sempre, em grande parte, uma sociedade de classes, cuja
não apenas as realizações das mulheres, mas também as estrutura é defendida em vantagem dos ricos. Cumpre
de qualquer grupo menos privilegiado, acabem sempre associar o indivíduo no processo de autoridade, isto é, o
sepultadas no silêncio da história ou, o que é pior, na sua trabalhador no poder industrial. A exclusão de alguém de
má versão. uma parcela do poder é, forçosamente, a exclusão daque-
Quantos de nós conhecem a história de seu próprio le dos benefícios deste. Todos deviam e devem, portanto,
povo escrita sob a visão dos menos privilegiados ou mesmo ter direito a uma parte dos resultados da vida social. E as
dos vencidos? No particular da mulher, cuja discriminação diferenças devem existir somente quando necessárias ao
é de âmbito quase universal, são também raras as interpre- bem comum. Impõe-se, pois, uma igualdade econômica
tações de libertação. maior, porque os benefícios que um homem pode obter
(AZEVEDO, Eliane; FORTUNA, Cristina Fortuna. Ciência do processo social estão aproximadamente em função de
e Cultura. Revista da SBPC, nov. 1989, com adaptações) seu poder de consumo, o que resulta do seu poder de pro-
priedade. Assim os privilégios econômicos são contrários à
Para que o texto fique gramaticalmente correto, é obri- verdadeira sociedade democrática. O próprio conceito de
gatória a seguinte alteração: liberdade redefine-se através dos séculos, de acordo com
as circunstâncias históricas e o desenvolvimento das for-
I. a vírgula após “também“ (l.2) deve ser retirada.
ças econômicas. E a liberdade, no mundo atual, só existirá
II. a forma verbal “acabem” (l.5) deve ser substituída por de fato quando assentada na segurança e em função da
“acabam”. igualdade. É que a verdadeira democracia, já o disse Turner,
III. a forma verbal “conhecem” (l.7) deve ser substituída “é o direito do indivíduo de compartilhar as decisões que
por “conhecemos”. respeitam a sua vida e da ação necessária à execução de tais
IV. o ponto de interrogação (l.8) deve ser substituído decisões”. Para que a liberdade realmente exista, é preciso
por vírgula. V. deve ser inserida a preposição “de” antes do que a sociedade se estruture sobre cooperação e não sobre
pronome “cuja” (l.9). a exploração. E assim os homens serão livres.
(MANGABEIRA, João. Oração do Paraninfo. Salvador,
Estão corretos apenas os itens Bahia, 8 dez. 1944, com adaptações).
a) I e II
b) I, II e III 119 - Analise as seguintes afirmações a respeito do uso
c) II e III dos sinais de pontuação no texto.
d) II, III e V I. O emprego da vírgula depois de “classes” (l.2) é opcio-
nal e, por isso, sua retirada não causa prejuízo gramatical
e) III, IV e V
ao texto.
II. Devido ao valor explicativo do período iniciado por
118 - Assinale a opção que corresponde ao emprego “A exclusão” (l.5), as regras gramaticais permitem trocar o
incorreto do sinal de pontuação. ponto final que o antecede pelo sinal de dois pontos, desde
O Fisco terá acesso às informações declaradas tanto pe- que se empregue o artigo com letra minúscula.
los contribuintes, como pelas administradoras de cartão de III. Apesar de não ser obrigatório o emprego da vírgula
crédito e pelo comércio no Imposto de Renda, e, também, depois de “Assim” (l.13), o valor conclusivo do advérbio re-
por meio do novo sistema eletrônico, (1) às informações comenda que aí seja inserida.
da movimentação real. Um contribuinte que, (2) não tenha
capacidade econômica, ou seja, (3) que tenha um salário IV. Por se tratar de uma citação, as regras gramaticais
baixo e que, em um mês, (4) gaste no cartão de crédito R$ admitem que o período entre aspas (l.19-21) seja precedido
100 mil, por exemplo, (5) poderá ser investigado. As novas do sinal de dois pontos, em lugar de vírgula; e, nesse caso,
máquinas estão sendo implantadas em todos os estados. as aspas podem ser retiradas.
Entre os mais adiantados estão a Bahia e o Distrito Federal.
a) todos os itens estão corretos.
(Adaptado de: OSWALD, Vivian. Sistema eletrônico
para facilitar a arrecadação. O Globo, 29 jun. 2002) b) nenhum item está correto.
c) apenas o item II está correto.
a) 1 d) apenas os itens II e III estão corretos.
b) 2 e) apenas os itens II, III e IV estão corretos.
c) 3
d) 4 120 - No texto abaixo, assinale o trecho transcrito com
e) 5 erro de pontuação.
76
a) À margem do circuito “virtuoso” estão os países que d) No texto, a conjunção “e” (l.8) coordena os dois fatos
cederam às pressões para empreender, de forma impru- que podem prejudicar a segurança jurídica dos documen-
dente, a abertura da conta de capital. tos eletrônicos: o fato de o cidadão não poder escolher
b) Nos dias de hoje — tal como nas três últimas décadas os aplicativos e o uso de formatos particulares que dão
do século XIX — a abertura e a descompressão financei- segurança ao documento.
ras nos países da periferia inverteram as determinações do e) Com a aplicação correta da Medida Provisória 2200,
balanço de pagamentos. a segurança jurídica na esfera virtual será afinal, garantida.
c) Diante dos movimentos especulativos e de arbitra-
gem das massas de capital monetário, os países da periferia
122 - Assinale a única frase que contém erro de pon-
— dotados de moedas frágeis, com desprezível participa-
tuação, ortografia ou concordância.
ção nas transações internacionais — encontram-se diante
dos riscos da valorização indesejada da moeda local, de a) Toda a discussão gira em torno de se saber se o se-
operações de esterilização dos efeitos monetários da ex- nhor Fulano ou Beltrano, eleito, pode ou não colocar em
pansão das reservas (explosão da dívida pública), dos dé- risco esses bens supremos. Na primeira hipótese, ele é um
ficits insustentáveis em conta corrente e, finalmente, das perigoso comunista; na segunda, um admirável democrata.
crises cambiais e financeiras. b) Claro: não importando quanto de dinheiro você te-
d) A instabilidade dessas políticas macroeconômicas — nha no bolso, a superioridade intelectual, mesmo pequena,
permanentemente submetidas às tensões que derivam das tem sobre você uma força e uma autoridade intrínsicas.
avaliações dos agentes nos mercados financeiros e de capi- c) Hegemonia é pautar o discurso dos adversários, in-
tais — não permite a execução de políticas de crescimento. duzindo-os a formular seus pensamentos e seus desejos,
e) Evidentemente, a estrita dependência dos humores, segundo um quadro de categorias mentais pré-calculado,
e dos julgamentos dos mercados financeiros internacio- para amarrá-los com a própria corda.
nais impede qualquer política verdadeiramente ativa de d) Que é que pode o pragmatismo grosso de quem
produção e de investimento, porquanto, são precárias as mede o mundo pelo saldo de caixa, comparado ao com-
informações adequadas para a tomada de decisões empre- plexo maquiavelismo da “revolução cultural?”
sariais na esfera do investimento. e) “O senhor pretende usar de discursos contra o “po-
der unipolar” para alinhar o Brasil com o polo oriental e
A questão 121 está baseada no seguinte texto: comunista cuja existência e crescimento essa retórica se
destina a encobrir?”
A Medida Provisória 2200 institui a Infraestrutura de
Chaves Públicas Brasileira –ICP. As entidades prestadoras de (Excertos da Revista Época, 26 ago.2002, p. 22, com
serviço, denominadas autoridades certificadoras, deverão alterações)
garantir a autenticidade e a integridade de documentos
mesmo ao tratar de documentos, em forma eletrônica. Se
123 - Assinale a opção incorreta quanto ao emprego
o cidadão for impedido de escolher livremente os “aplica-
dos sinais de pontuação.
tivos de suporte e habilitados” para os padrões e formatos
supostamente públicos que a constituem, a exemplo do a) O governo conseguiu uma vitória importante na área
que ocorre na Inglaterra e com alguns serviços do órgão dos acidentes de trabalho: o Programa Nacional de Redu-
público brasileiro, e ao mesmo tempo impedido de usar a ção dos Acidentes Fatais do Trabalho reduziu em 34,27% o
alternativa de tinta e papel, a exemplo de alguns serviços número de mortes entre 1999 e 2001.
de recolhimento de tributos do INSS, a segurança jurídica b) Os ministros comemoraram a redução que só foi pos-
na esfera virtual será natimorta. sível, devido à ação integrada desenvolvida pelo governo, e
amparada no engajamento de toda a sociedade.
(DE REZENDE, Pedro Antonio Dourado. Observatório c) O governo continuará agindo para reduzir ainda mais
da Imprensa, 13 mar. 2002) o número de acidentes e de mortes. Um decreto já en-
caminhado para exame do Presidente da República, por
exemplo, reclassifica os 593 setores da economia de acordo
121 - A única asserção redigida corretamente e que com o grau de risco que oferecem aos trabalhadores.
representa alguma ideia ou característica do texto é: d) Hoje as empresas contribuem com alíquotas de 1%
a) Os documentos em forma eletrônica deverão ter ga- a 3%sobre a folha de salários para o custeio do acidente
rantida, sua autenticidade e integridade, pela ICP. de trabalho, de acordo com a atividade que desenvolvem.
b) Na situação hipotética de o cidadão não ter liberdade e) Ao analisar os dados dos últimos quatro anos, a Pre-
de escolha dos aplicativos que a constituem, a segurança vidência constatou que muitos segmentos estão classifica-
jurídica dos documentos em forma eletrônica correrá risco. dos erradamente, ou seja, são responsáveis por um grande
c) O pronome a, em “que a constituem”(l.7 e 8), não tem número de acidentes, mas estão listados, por exemplo, na
referente nesse excerto. área de menor risco, com alíquota mínima.
77
124 - Assinale a opção gramaticalmente correta. 125 - Assinale a alternativa correta quanto ao uso da
a) Está a pleno e rápido andamento uma revolução nas vírgula.
relações entre bancos e clientes, alinhada com à própria a) A prestimosa secretária, fez a ligação solicitada.
velocidade da implantação de sistemas, equipamentos e b) Vejam por exemplo, o acidente de ontem.
processos que caracterizam a tecnologia da informação, ou
c) Os assessores designaram, na ocasião, os grupos de
seja, da informática e das telecomunicações.
trabalho.
b) Há ações públicas ou governamentais inteiramente
d) Os gerentes devem promover, o bom convívio, entre
eletrônicas que, em muitos casos, independe da posse de
os operários.
computador na casa das pessoas: licenciamento de veí-
culos, declaração do imposto de renda, eleições, urnas e
apuração, por exemplo.
126 - Está inteiramente correta a pontuação da seguinte
c) Já estão informatizadas 73% das operações bancárias
frase:
e já existe 15 milhões de correntistas agindo de alguma for-
ma conectados a rede. É verdade que os incluídos na era di- a) Faça chuva ou, faça um sol escaldante, sempre haverá
gital ainda são minoria na sociedade brasileira: estimam-se quem se entregue, com ansiedade à prática de intensos
que de 10% a 11% da população tenha acesso à Internet. exercícios físicos.
d) Esse quadro, porém, demonstra pelo menos duas b) Faça chuva ou faça um sol, escaldante sempre haverá
faces: a) os já incluídos têm à sua disposição um leque de quem se entregue com ansiedade à prática, de intensos
possibilidades igual ou mais amplo do que em muitos paí- exercícios físicos.
ses do primeiro mundo; b) no campo dos excluídos, há um c) Faça chuva, ou faça um sol escaldante sempre haverá
enorme espaço à conquistar. quem se entregue com ansiedade, à prática de intensos
e) De um lado, o sistema bancário investe continua- exercícios físicos.
mente em infraestrutura, lança novos produtos e serviços d) Faça chuva ou faça um sol escaldante, sempre haverá
e reduz custos. De outro, o cliente vai aderindo progressi- quem se entregue com ansiedade à prática de intensos
vamente a essas maravilhas da modernidade, comprando exercícios físicos.
computadores (e aprendendo a viver com eles) e vencendo e) Faça chuva, ou faça um sol escaldante, sempre haverá
resistências culturais seja em casa, seja no trabalho. quem se entregue com ansiedade, à prática de intensos
(Itens adaptados de: <[Link]/ exercícios físicos.
edição/ especial/bancos>)
78
4
INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS
79
Até os anos 50, waris e kaxinawás comiam pedaços dos cor- Se observarmos o jornal Folha de S. Paulo, teremos, junto
pos dos seus mortos. Ainda hoje, os ianomâmis misturam aos editoriais e a dois artigos sobre política ou economia,
as cinzas dos amigos no purê de banana. Ao observar esses uma crônica de Carlos Heitor Cony, descolada da realidade,
rituais, a Antropologia aprendeu que, na antropografia que se assim lhe aprouver (Cony, muitas vezes, produz artigos,
chegou ao século XX, o que há é um ato amoroso e religio- discutindo algo da realidade objetiva). O jornal busca, dessa
so, destinado a ajudar a alma do morto a alcançar o céu. A maneira, arejar essa página tão sisuda. A crônica é isso: uma
SUPER, ao contar toda a história a você, pretende superar janela aberta ao mar. Vale lembrar que o jornalismo, ao seu
os olhares preconceituosos, ampliar o conhecimento que início, era confundido com Literatura. Um texto sobre um
os brasileiros têm do Brasil e estimular o respeito às culturas assassinato, por exemplo, poderia começar assim: “ Chovia
indígenas. Você vai ver que o canibalismo, para os índios, é muito, e raios luminosos atiravam-se à terra. Num desses
tão digno quanto a eucaristia para os católicos. É sagrado. clarões, uma faca surge das trevas...” Dá-se o nome de nariz
(Adaptado de: Superinteressante, ago. 1997, p.4) de cera a essas matérias empoladas, muito comuns nos
tempos heroicos do jornalismo.
Sobre a crônica, há alguns dados interessantes. Conside-
rada por muito tempo como gênero menor da Literatura,
As Notícias nunca teve status ou maiores reconhecimentos por parte
Aqui temos outro gênero, bem diverso. As notícias são da crítica. Muitos autores famosos, romancistas, contistas
autorais, isto é, produzidas por um jornalista claramente ou poetas, produziram excelentes crônicas, mas não são co-
identificado na matéria. Possuem uma estrutura bem fecha- nhecidos por isso. Carlos Drummond de Andrade é um belo
da, na qual, no primeiro parágrafo (também chamado de exemplo. Pela grandeza de sua poesia, o grande cronista do
lide), o autor deve responder às cinco perguntinhas básicas cotidiano do Rio de Janeiro foi abafado. O mesmo pode-se
do jornalismo: Quem? Quando? Onde? Como? E por quê? falar de Olavo Bilac, que, no início do século passado, pas-
sou a produzir crônicas num jornal carioca, em substituição
Essa maneira de fazer texto atende a uma regra do
a outro grande escritor, Machado de Assis.
jornalismo moderno: facilitar a leitura. Se o leitor/receptor
desejar mais informações sobre a notícia, que vá adiante Essa divisão dos textos da imprensa é didática e objeti-
no texto. Fato é que, lendo apenas o parágrafo inicial, terá va esclarecer um pouco mais o vestibulando. No entanto,
as informações básicas do assunto. A grande diferença em é importante assinalar que os autores modernos fundem
relação ao artigo e ao editorial está no objetivo. O autor essa divisão, fazendo um trabalho misto. É o caso de Luis
quer apenas “passar” a informação, quer dizer, não busca Fernando Veríssimo, que ora trabalha uma crônica, com os
convencer o leitor/receptor de nada. É aquele texto que personagens conversando em um bar, terminando por um
os jornalistas chamam de objetivo ou isento, despido de artigo, no qual faz críticas ao poder central, por exemplo.
subjetividade e de intencionalidade. Martha Medeiros, por seu turno, produz, muitas vezes, um
artigo, revelando a alma feminina. Em outros momentos,
Exemplo de Notícia faz uma crônica sobre o quotidiano.
“O juiz aposentado Nicolau dos Santos Neto, ex-pre-
sidente do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, Exemplo de Crônica
negou-se a responder ontem à CPI do judiciário todas as “Quando Rubem Braga não tinha assunto, ele abria a
perguntas sobre sua evolução patrimonial. Ele invocou janela e encontrava um. Quando não encontrava, dava no
a Constituição para permanecer calado sempre que era mesmo, ele abria a janela, olhava o mundo e comunicava
questionado sobre seus bens ou sobre contas no exterior.” que não havia assunto. Fazia isso com tanto engenho e
(Folha de São Paulo, 05 mai. 99) arte que também dava no mesmo: a crônica estava feita.
Não tenho nem o engenho nem a arte de Rubem, mas
tenho a varanda aberta sobre a Lagoa - posso não ver me-
lhor, mas vejo mais. Otto Maria Carpeaux não gostava do
As Crônicas gênero “crônica”, nem adiantava argumentar contra, dizer,
Estamos diante da Literatura. Os cronistas não possuem por exemplo, que os cronistas, uns pelos outros, escre-
compromisso com a realidade objetiva. Eles retratam a rea- viam bem. Carpeaux lembrava então que escrever é verbo
lidade subjetiva. Dessa maneira, Rubem Braga, cronista, jor- transitivo, pede objeto direto: escrever o quê? Maldade do
nalista, produziu, por exemplo, um texto abordando a flor Carpeaux. (...)
que nasceu no seu jardim. Não importa o mundo com suas Nelson Rodrigues não tinha problemas. Quando não
tragédias constantes, mas sim o universo interior do cronis- havia assunto, ele inventava. Uma tarde, estacionei ilegal-
ta, que nada mais é do que um fotógrafo de sua cidade. É mente o Sinca-Chambord na calçada do jornal. Ele estava
interessante verificar que essas características fundamentais com o papel na máquina e provisoriamente sem assunto.
da crônica vão desaparecendo com o tempo. Não há, por Inventou que eu descia de um reluzente Rolls Royce com
exemplo, um cronista de Porto Alegre (talvez o último deles uma loura suspeita, mas equivalente à suntuosidade do car-
tenha sido Sérgio da Costa Franco). ro. Um guarda nos deteve, eu tentei subornar a autoridade
80
com dinheiro, o guarda não aceitou o dinheiro, preferiu a (RELAÑO, Emílio. Historia del linguage. Barcelona:
loura. Eu fiquei sem a multa e sem a mulher. Nelson não Salvat. Editora, 1958. P. 8 – 10)
ficou sem assunto.”
(CONY, Carlos Heitor Cony.
“A natureza social do homem exige a linguagem. E o
Folha de São Paulo, 02 jan. /98)
homem deve ter inventado antes mesmo do fogo e das
outras mais primitivas invenções.”
A interpretação serve para Química! (VENDRYES, Joseph. Le linguage. Paris: Edit. Albisa
Responda rápido a uma pergunta: O que há em comum Michel, 1950. p. 12)
entre os vestibulandos aprovados nos primeiros lugares?
Será que possuem semelhanças? Sim, de fato, o que os
A linguagem é “la manifestacion Del espiritu tenida por
identifica é a leitura e a curiosidade pelo mundo que os
más digna de admiración a lo largo de los tiempos.”
cerca. Eles leem bastante, e leem de tudo um pouco. As
instituições de ensino superior não querem mais aquele (THOMSEN, Guillermo. Historia de la lingüística.
aluno que decora regrinhas. Elas buscam o cidadão que Barcelona: Edit. Labor S.A, 1945. p. 11)
possui leitura e conhecimento de mundo. Nesse aspecto,
as questões, inclusive das provas de exatas, muitas vezes O homem é um animal comunicativo. Sua linguagem
pedem criticidade e compreensão de enunciados. Quantas mais importante é a verbal, falada ou escrita. (verbum =
vezes você, caro vestibulando, não errou uma questão de palavra). Aqui o adjetivo verbal é usado com o seu sentido
Física ou de Biologia por não entender o que foi pedido. etimológico. Verbal se refere a palavra). Só um sentido aná-
Pois estamos falando de interpretação de textos. A leitura logo é que se fala em linguagem de animais e de coisas. A
e a interpretação tornam-se, dessa maneira, exigência de palavra humana não é apenas sons que ferem os ouvidos,
todas as disciplinas. E não pense que essa capacidade crítica letras que ferem os olhos, mas sinais a que se atribuem valo-
de entender o texto escrito (e até falado) é exclusividade do res simbólicos que podem variar ao infinito, por convenção.
vestibular. Quando você for buscar uma vaga no mercado
de trabalho, a criticidade, a capacidade de comunicação e “C’est autre chose d’être frappé du son ou de la parole
de compreensão do mundo serão atributos importantes en tant qu’elle agite l’air et ensuite les orlilles et le cervean :
nessa concorrência. Lembre-se disso na hora de planejar autre chose de la regarder comme un signe dont les hom-
os estudos para os próximos vestibulares. mes sont convenns et rappeler en son esprit les choses
qu’elle signifie. Ce dernier c’est ce qui s’appelle entendre
le lenguage ; et il n’y en dans les animaux aucun vestige.”
Instruções Gerais (VENDRYES, Joseph. Le linguage. Paris: Edit. Albisa
Em primeiro lugar, você deve ter em mente que inter- Michel, 1950. p. 14)
pretação de textos em testes de múltipla escolha pressupõe
armadilhas da banca. Isso significa dizer que as questões
Tradução: “Uma coisa é ser tocado pelo som ou pela
são montadas de modo a induzir o incauto e sofrido vesti-
palavra enquanto agita o ar e, em seguida, os ouvidos e o
bulando ao erro. Nesse sentido, é importante observar os
cérebro; outra coisa, olhá-la como um sinal que os homens
comandos da questão (de acordo com o texto, conforme
convencionaram e relembraram; na mente, as coisas que a
o texto, segundo o autor...). Se forem esses os comandos,
palavra significam. Isto é o que se chama entender a lingua-
você deve-se limitar à realidade do texto. Muitas vezes, as
gem e dela não há vestígio algum nos animais.”
alternativas extrapolam as verdades do texto; ou ainda di-
minuem essas mesmas verdades; ou fazem afirmações que É evidente que da linguagem primitiva à moderna me-
nem de longe estão no texto. diaram muitas peripécias e muitos mistérios. A linguagem
verbal se entranhou no homem de tal modo que embora
teoricamente se possa pensar sem palavras, na realidade
ninguém o faz. É o instrumento necessário das ideias, não
só para exprimi-las, mas ainda para recebê-las.
INTERPRETAÇÃO DE TEXTO
Para se fazer uma interpretação é necessário termos um
Existem várias teorias da origem da linguagem. Sinte-
conhecimento de LINGUAGEM – LÍNGUA – DIALETO – GÍRIA
tizando-as, temos:
Sabemos que a linguagem é um sistema de sinais de que
o homem se serve para comunicar- se. É um meio organi- a) Para Max Müller o homem tem uma faculdade de
zado que tem por finalidade a expressão de ideias e juízos. expressão, um instante criado da linguagem, e nota nele.
Sua origem deve reencontrar as origens do homem: b) Para Spencer a linguagem, com as outras capacida-
sendo ele um animal social, é também por natureza um des do homem, nasceu da evolução do animal.
animal que fala. “Puede decirse el lenguage constituye algo c) Já o Hovelacque faz a distinção entre “energueia” e
esencial en el hombre, sin el cual no lo sería realmente.” “ergon”: a faculdade é natural; o uso é que é artificial.
81
Há mais uma teoria e é a que defendo: o homem nas- 4. Certificação das respostas
ce com faculdades criadoras, todos os meios de viver em Uma vez escolhida a opção, tente verificar se nenhuma
sociedade, de comunicar- se. outra poderia ser aceita. Tente ser isento nesta análise.
Paulatinamente, em elaboração lenta, vai adquirindo Lembre- se de que, às vezes, uma vírgula é suficien-
meios cada vez mais perfeitos. A linguagem é um instru- te para modificar completamente a significação de uma
mento, uma invenção da inteligência humana, inicialmente frase. Sempre tenha em mente que o texto literário é, por
primária e depois complexa e perfeita. excelência, plurissignificativo, o que significa dizer que, sua
O homem tem em si o poder criador de meios para significação extrapola uma simples leitura técnica. Para en-
realizar a sua natureza de “politikón zóon” (= animal social). tendê-lo, é preciso, como dito anteriormente, decodificar
Sem dúvida que a linguagem é um dos meios mais pode- as figuras de linguagem.
rosos de convivência.
O problema da origem da linguagem não é moderno:
veja Demócrito, grego, julga que a linguagem é uma cria-
ção arbitrária (Thesei); Platão, criação natural (Physei) segun- COMO FAZER ISSO?
do a solução de Crátilo, personagem do diálogo platônico. Procure perceber o vocábulo em seu sentido denotativo
(isto é, real) a partir daí, veja se, naquele contexto, o vocá-
Atenção: antes de mais nada, é importante entender bulo está assumindo uma outra significação, ou seja, se
que a interpretação de um texto, qualquer que seja ele, está sendo utilizado em seu sentido conotativo. Relacione
precisa ser considerada a partir de seus próprios elementos este vocábulo aos demais que estão a sua volta, na frase,
internos, o que significa dizer que não existe o que nor- até que como na montagem de um quebra-cabeça, todas
malmente se costuma chamar de “uma verdadeira viagem.” as peças possam se encaixar devidamente. Não é um pro-
A dificuldade está centrada, portanto, em um ponto cesso fácil, mas com prática constante se consegue atingir
básico: conseguir perceber, dentro de um senso comum o ótimos resultados.
que o texto está sugerindo. Não só os alunos afirmam gratuitamente que a inter-
pretação depende de cada um. Na realidade, isto é para
Para isso, é importante que qualquer estudante, pessoa fugir a um problema que não é de difícil solução por meio
disposta a interpretar o texto literário tenha, antes de mais de sofisma (= argumento aparentemente válido, mas, na
nada, boa vontade e paciência. realidade, não conclusivo, e que supõe má fé por parte de
1. A leitura do texto deve ser silenciosa. Várias vezes, quem o apresenta).
duas, três, quatro... Tantas quantas vezes precisar. Geralmen- Podemos, tranquilamente, ser bem-sucedidos numa
te, bastam três. Evidentemente não dispomos de muito interpretação de um texto.
tempo. Diante do fator tempo, leia com o máximo de aten-
ção, procurando identificar a temática central.
Função fática, metalinguística e poética
2. Identificar o que o enunciado solicita. É muito comum Função Fática (ou de contato): está ligada no contato,
o estudante, candidato errarem a resposta de uma questão visando estabelecer prolongar ou interromper a comuni-
por não ter percebido com exatidão, o que o enunciado cação, testando para verificar a eficiência do canal, ou seja,
deseja saber. Assim sendo, concentre-se em todas as pala- estabelecendo e mantendo contato com o interlocutor.
vras presentes no enunciado. Um ponto muito importante Exemplo:
é observar se o enunciado da questão está abordando o
texto como um todo ou se faz referência a apenas uma Sabe, meu irmão, que o cursinho do colégio Salesiano
parte do texto de Vitória vai fechar?
Alô, alô, não desligue, não, ouviu?
3. A escolha da melhor opção, em se tratando de uma
prova de múltipla escolha.
Função Metalinguística: ligada diretamente no código,
Chegamos ao ponto mais problemático de todos: a op- trazendo sempre uma explicação, procurando definir o que
ção correta. É muito comum os candidatos se queixarem de não está claro. Verificando se o emissor e o receptor estão
que chegam a duas opções e sempre acabam marcando usando o mesmo repertório. Exemplos:
a opção errada. A lua é o satélite da terra.
Calma!!! Muita calma!!! Atenção!!! Eu digo o seguinte: O que é a saudade? É a presença do ausente.
Se você conseguiu eliminar três das opções, chegou a
O que é o amor? É o despertador do coração.
duas e marcou a errada, mas uma delas estava certa, você
estava no caminho certo. O que faltou foi um pouco mais
de atenção, ou talvez quem sabe, um pouco mais de habili- Função Poética: ligada na própria mensagem, valorizan-
dade para conseguir perceber as minúcias das duas opções. do a informação pela forma. A mensagem é mais fim do
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que meio. É uma verdadeira oposição à função referencial fugir a um problema que não é de difícil solução por meio
porque nela predomina a conotação e o subjetivismo. de sofisma (= argumento aparentemente válido, mas, na
É a função do belo, do estético, mas não é exclusiva da realidade, não conclusivo, e – que supõe má fé por parte
poesia, podendo existir também na prosa. Exemplos: de quem o apresenta).
“... a lua era um desparrame de prata” (Jorge Amado) Podemos, tranquilamente, ser bem-sucedidos numa
“Quem cabritos vende, e cabras não tem, de algum interpretação de um texto
lugar lhe vêm.” (provérbio)
Para isso, devemos observar o seguinte:
Observação: não se esqueça de que numa mensagem 1. Ler todo o texto, procurando ter uma visão geral do
podemos encontrar duas ou mais funções, porém, sempre assunto.
com predominância de uma delas.
Segundo o austríaco Karl Bühler, que foi o primeiro a 2. Se encontrar palavras desconhecidas, não interrompa
estabelecer as funções da linguagem, podemos limitar uma a leitura, vá até o fim, ininterruptamente.
relação tríplice com:
3. Ler, ler bem, ler profundamente, ou seja, ler o texto
1 – o emissor / 1ª pessoa pelo menos umas três vezes ou mais.
2 – o receptor / 2ª pessoa
4. Voltar ao texto tantas quantas vezes precisar.
3 – as coisas sobre as quais se fala / 3ª pessoa
5. Esclarecer o vocabulário.
Neste esquema, encontrou Bühler três funções da lin-
guagem: a) expressiva; b) apelativa; c) representativa. 6. Entender o vocabulário.
Lembrando que foi Roman Jakobson quem ampliou 7. Viver a história.
para seis funções, incluindo os três últimos tipos.
8. Não permitir que prevaleçam suas ideias sobre as do
Função Referencial (ou denotativa ou cognitiva) infor- autor.
mativa ou cognitiva: podemos dizer que é a comunicação
9. Interpretar o que o autor escreveu e não o que você
pura e simples, ou seja, aponta para o sentido real das coisas
pensa.
e dos seres. A maior preocupação, neste caso, é a mensa-
gem; e o emissor apenas se limita a informar. Exemplos: 10. Partir o texto em pedaços (parágrafos, partes) do
O Espírito Santo é um estado devedor. texto correspondente.
À noite, vemos as estrelas no céu. 11. Centralizar cada questão ao pedaço (parágrafos,
O sol é uma estrela de quinta grandeza. partes) do texto correspondente.
Não só os alunos afirmam gratuitamente que a inter- 19. Não se deve preocupar com a arrumação das letras
pretação depende de cada um. Na realidade, isto é para nas alternativas.
83
20. As perguntas são fáceis, dependendo de quem lê o Quando se pede a alguém que disserte por escrito so-
texto ou como o leu. bre um determinado tema, espera-se um texto em que
sejam expostos e analisados, de forma coerente, alguns dos
21. Cuidado com as opiniões pessoais, elas não existem aspectos e argumentos envolvidos na questão tematizada.
nesse contexto. Não há escrita sem leitura, sem reflexão, sem a adoção de
22. Sentir, perceber a mensagem do autor. um ponto de vista e, pode-se mesmo dizer, sem um desejo,
por parte de quem escreve, de se manifestar a respeito de
23. Cuidado com a exatidão das questões em relação um determinado tema. Assim, é especialmente importante
ao texto. que, em uma dissertação, sejam apresentados e discutidos
fatos, dados e pontos de vista acerca da questão proposta.
24. Cuidado com as questões voltadas para dados su-
Ora, para que você consiga desincumbir-se dessa tarefa de
perficiais.
forma adequada (especialmente em uma situação como
25. Não se deve procurar a verdade exata dentro da a de um exame vestibular em que há uma certa tensão, o
resposta, mas a opção que melhor enquadre no sentido tempo é controlado...), a Unicamp coloca à sua disposição,
do texto. sob a forma de uma coletânea, diversos elementos que
devem ser levados em conta para a discussão do tema pro-
26. Às vezes, a etimologia ou a semelhança das palavras posto. Garantimos, assim, que você não tenha de “partir da
denuncia a resposta. estaca zero” para construir sua redação. Essa é uma função
importante da coletânea de textos que acompanha o tema
27. Descobrir o assunto e procurar pensar sobre ele.
para dissertação. (Essa coletânea, como vimos no capítulo
28. Procurar estabelecer quais foram as opiniões expos- anterior, tem também o objetivo de avaliar a sua capaci-
tas pelo autor, definindo o tema e a mensagem. dade de leitura, interpretação e seleção de informações).
Do que foi dito acima, você deveria concluir imedia-
29. O autor defende ideias, e você deve percebê-las.
tamente que escrever um texto dissertativo não é apenas
30. Os adjuntos adverbiais e os predicativos do sujeito tecer comentários impessoais sobre determinado assunto,
são importantíssimos na interpretação do texto. tampouco limitar-se a apresentar aspectos favoráveis e con-
trários e/ou positivos e negativos da questão.
Exemplo:
Mas vamos tentar ajudá-lo um pouco mais, uma vez que
Ele morreu de fome. tal conclusão pode não ser tão imediata assim. Considere-
de fome: adjunto adverbial de causa, determina a cau- mos duas instruções que muito frequentemente acompa-
sa na realização do fato (= a causa da morte dele) nham “definições” de dissertação: (1) que nela não se deve
“falar” em 1ª pessoa; (2) que devem, em um texto disserta-
tivo, ser apresentados argumentos favoráveis e contrários
Ele morreu faminto à(s) ideia(s) sobre a(s) qual(is) se está escrevendo.
faminto: predicativo do sujeito, é o estado em que A primeira das “instruções” é, de fato, pertinente, mas
“ele” se encontrava quando morreu. costuma-se exagerar o seu valor – esse cuidado não é su-
ficiente para garantir que se está, realmente, dissertando.
Sempre será verdade que enfraquecem a força do texto
31. Todos os termos da análise sintática, cada termo tem
dissertativo expressões como “eu acho que” e “na minha opi-
seu valor, sua importância.
nião”, mas o problema está muito mais no caráter opinativo
32. As orações coordenadas não têm oração principal, e no “achismo” nelas contido do que no uso da 1ª pessoa
apenas as ideias estão coordenadas entre si. do singular. Contudo, saiba que a postura mais adequada
para se dissertar é mesmo escrever impessoalmente, como
33. Todas as orações subordinadas têm oração principal se autor daquele texto fosse o próprio bom senso, a própria
e as ideias se completam. lógica, a razão, ou ainda, a verdade. Da mesma forma, uma
dissertação não se dirige a um interlocutor específico ou a
34. Os adjetivos ligados a um substantivo vão dar a ele
um grupo deles; dirige-se, isto sim, a um “leitor universal”,
maior clareza de expressão, aumentando-lhe ou determi-
algo que poderia ser definido como: todos os seres huma-
nando-lhe o significado.
nos alfabetizados e dotados de raciocínio.
Quanto à segunda “instrução”, essa sim é um completo
equívoco. Em uma dissertação, deve-se defender uma tese,
4.1 Os três tipos de texto ou seja: organizar dados, fatos, ideias, enfim, argumentos,
em torno de um ponto de vista definido sobre o assunto
em questão. Uma dissertação deve, na medida do possível,
4.1.1 Dissertação concluir algo. Portanto, não tem cabimento ficar simples-
Característica do texto dissertativo mente elencando argumentos favoráveis ou contrários a
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determinada ideia. Só se trazem ao texto argumentos con- Da mesma forma é igualmente importante atentar para
trários à tese defendida para destruí-los, para anulá-los... E, as decorrências da escolha de um narrador. Quer ele seja
mesmo isso, somente quando for pertinente fazê-lo. fixado previamente pela proposta da banca, quer ele seja
escolhido por você, há que se tomar muito cuidado com as
consequências dessa determinação. Por exemplo, o grau de
consciência que esse narrador pode ter das características
4.1.2 Narrativa (no caso, de personagens ou de cenário), ações, motivações
“Quando eu era jovem, desprezava-se o elemento nar- etc., envolvidas na trama. Como você já sabe, esse grau de
rativo, chamando-o de ‘historinha’ e esquecendo-se que a consciência depende muito de qual dos dois tipos de foco
poesia começou como narrativa; nas raízes da poesia está narrativo for adotado: narrador em 1ª ou 3ª pessoa. Se for
a épica, e a épica é o gênero poético primordial – e narra- em 3ª, ele pode saber tudo, se for em 1ª, depende da sua
tivo. Na épica encontra-se o tempo; ela tem um antes, um atuação dentro do enredo.
durante e um depois.”
Sobre as personagens, é muito importante pensar no
(Jorge Luis Borges) que significa caracterizá-las, de fato. Você certamente já
imaginou fisicamente algumas delas (altura, cor dos cabe-
los, dos olhos, etc.), mas uma boa caraterização de perso-
Características do texto narrativo nagens não pode levar em consideração apenas aspectos
Quando se solicita uma narrativa em um contexto de físicos. Elas têm de ser pensadas como representações de
exame vestibular, espera-se uma redação em que apareçam pessoas, e por isso sua caraterização é bem mais complexa,
de forma articulada os elementos constitutivos desse tipo devendo levar em conta também aspectos psicológicos
de texto. Isso porque construir um texto narrativo, como de tipos humanos. E isso, por sua vez, deverá estar sempre
dissemos no Capítulo II, não é meramente relatar um acon- presente na sua cabeça quando você for trabalhar as ações
tecimento ou, em outras palavras, não é apenas encarar das personagens dentro da trama que está criando. Ou seja,
fatos, produzindo uma história. Você já sabe que sua tarefa como acontece com as pessoas, o comportamento delas
não será somente a de construir uma narrativa, mas de fazê- é em grande parte determinado por tais características
-lo para atender à solicitação de um exame vestibular como psicológicas.
o da Unicamp, em que habilidades específicas – tais como
capacidade para selecionar e interpretar dados e fatos, de A presença obrigatória de elementos de cenário dentro
estabelecer relações e elaborar hipóteses – estarão sendo de um texto narrativo não tem função de testar a capaci-
avaliadas. Sendo assim, ao ocupar-se da caracterização dos dade do candidato de produzir trechos descritivos, descri-
elementos constitutivos desse tipo de texto, você terá de tivizados, ou sabe-se lá quais outras preciosidades de no-
levar em conta algumas exigências/informações da banca menclatura criadas a esse respeito. Na verdade, os cenários
que determinam em parte esses elementos e que já são for- em uma narrativa devem ter uma função determinada no
necidas na apresentação da proposta. Em suma, a proposta texto, ou seja, devem manter com a trama uma relação
da Unicamp não é somente um estímulo para a criação de significativa. Explicando: o cenário não é apenas um palco
um texto narrativo; ela é, isto sim constituída por um con- onde as ações se desenrolam, mas deve integrar-se aos
junto de exigências/informação que devem ser articuladas demais elementos da narrativa, por exemplo ao sustentar
às caracterizações e desenvolvimentos que o candidato a presença de personagens, ao motivar ações específicas,
pretende das às categorias do texto narrativo na hora de ao fornecer indícios (pistas) sobre determinados aconteci-
produzir sua redação. É exatamente pelo fato de que a pro- mentos etc.
posta delimita espaços autorizados para a criação ficcional Assim como as personagens representam pessoas e os
que os textos narrativos podem ser avaliados segundo cri- cenários, espaços físicos (naturais, ambientais, geográficos
térios objetivos como se faz no Vestibular da Unicamp. A etc.), o tempo numa narrativa representa, justamente... O
esta altura você ainda sabe de que categorias narrativas tempo. Óbvio? Deveria ser, mas grande parte dos proble-
nós estamos falando? Claro que sabe, mas sempre é bom mas de verossimilhança dentro de textos narrativos são
recordar: narrador, personagem, enredo, cenário e tempo. derivados da maneira como frequentemente se lida com
Agora o importante é você refletir um pouco sobre o que essa categoria, tempo. É muito comum, nas redações de
significa caracterizar e desenvolver essas categorias narra- vestibular ou não, o autor perder de vista o fato de que ele
tivas. Vamos tentar ajudá-lo nesta tarefa. deveria estar, ficcionalmente, representando o transcurso
Comecemos pelo narrador. A afirmação mais óbvia de existência, de ações possíveis, no tempo. E ações e exis-
que se pode fazer a respeito desta categoria é a de que tências “consomem” tempo, na vida real. Portanto, por que
toda história precisa ser contada por “alguém”; esse “alguém” não o fariam também no espaço ficcional? A orientação
que conta a história em um texto narrativo é chamado de aqui, para se dar uma, é bastante simples: atenção para a
narrador. Ao se dizer que é o narrador quem conta a his- maneira como os fatos, acontecimentos e ações das per-
tória em um texto narrativo, se está dizendo que é através sonagens se articulam no plano temporal, ou, em termos
dele que tomamos conhecimento do enredo, das carac- mais simples, atenção para o fato de que acontecimentos
terísticas das personagens, da descrição dos cenários etc. e ações têm, necessariamente, uma duração.
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Pulamos o enredo? Na verdade, não. Apenas deixamos O que é um texto descritivo
para comentá-lo no final – e de passagem –, por um lado
Segundo Othon M. Garcia (1973), “Descrição é a repre-
porque é dele que você certamente tem a ideia mais bem
sentação verbal de um objeto sensível (ser, coisa, paisagem),
formada (o enredo é a própria história); por outro, porque
através da indicação dos seus aspectos mais característicos,
ele simplesmente não existe sem a caraterização e o de-
dos pormenores que o individualizam, que o distinguem.”
senvolvimento dos outros quatro elementos: o enredo é
resultado da atuação das personagens em determinados Descrever não é enumerar o maior número possível
cenários, durante certos períodos de tempo, tudo isso con- de detalhes, mas assinalar os traços mais singulares, mais
tado, para o leitor, por um narrador. salientes; é fazer ressaltar do conjunto uma impressão do-
minante e singular. Dependendo da intenção do autor, varia
o grau de exatidão e minúcia na descrição.
Diferentemente da narração, que faz uma história pro-
4.1.3. DESCRIÇÃO gredir, a descrição faz interrupções na história, para apre-
sentar melhor um personagem, um lugar, um objeto, enfim,
Apresentação o que o autor julgar necessário para dar mais consistência
Vamos abordar o texto descritivo, sob o ponto de vista ao texto. Pode também ter a finalidade de ambientar a
da sua produção e funcionamento discursivo, com base na história, mostrando primeiro o cenário, como acontece no
ideia de que um texto se define pela sua finalidade situa- texto abaixo:
cional - todo o ato de linguagem tem uma intencionalida- “Ao lado do meu prédio construíram um enorme edi-
de e submete-se a condições particulares de produção, o fício de apartamentos. Onde antes eram cinco românticas
que exige do falante da língua determinadas estratégias casinhas geminadas, hoje instalaram-se mais de 20 anda-
de construção textual. Em cada texto, portanto, podem res. Da minha sala vejo a varandas (estilo mediterrâneo) do
combinar-se diferentes recursos (narrativos, descritivos, novo monstro. Devem distar uns 30 metros, não mais. E foi
dissertativos), em função do tipo de interação que se es- numa dessas varandas que o facto se deu.”
tabelece entre os interlocutores. Nesse contexto teórico,
o texto descritivo identifica-se por ter a descrição como A descrição tem sido normalmente considerada como
estratégia predominante. uma expansão da narrativa. Sob esse ponto de vista, uma
descrição resulta frequentemente da combinação de um
Inserindo-se numa abordagem mais geral sobre os me- ou vários personagens com um cenário, um meio, uma pai-
canismos de elaboração textual, com base nos conceitos sagem, uma coleção de objetos. Esse cenário desencadeia
de coesão e coerência, o trabalho pedagógico de leitura e o aparecimento de uma série de subtemas, de unidades
produção do texto de base descritiva deve partir dos se- constitutivas que estão em relação metonímica de inclusão:
guintes pontos: a descrição de um jardim (tema principal introdutor) pode
a) o texto de base descritiva tem como objetivo oferecer desencadear a enumeração das diversas flores, canteiros,
ao leitor /ouvinte a oportunidade de visualizar o cenário árvores, utensílios, etc., que constituem esse jardim. Cada
onde uma ação se desenvolve e as personagens que dela subtema pode igualmente dar lugar a um maior detalhe
participam; (os diferentes tipos de flor, as suas cores, a sua beleza, o
b) a descrição está presente no nosso dia-a-dia, tanto na seu perfume...).
ficção (nos romances, nas novelas, nos contos, nos poemas) Em trabalho recente, Hamon (1981) mostra que o des-
como em outros tipos de textos (nas obras técnico-cien- critivo tem características próprias e não apenas a função
tíficas, nas enciclopédias, nas propagandas, nos textos de de auxiliar a narrativa, chegando a apontar aspectos linguís-
jornais e revistas); ticos da descrição: frequência de imagens, de analogias,
c) a descrição pode ter uma finalidade subsidiária na adjetivos, formas adjetivas do verbo, termos técnicos... Além
construção de outros tipos de texto, funcionando como um disso, o autor ressalta a função utilitária desempenhada pela
plano de fundo, o que explica e situa a ação (na narração) descrição face a qualquer tipo de texto do qual faz parte:
ou que comenta e justifica a argumentação; “descrever para completar, descrever para ensinar, descrever
d) existem características linguísticas próprias do texto para significar, descrever para arquivar, descrever para classi-
de base descritiva, que o diferenciam de outros tipos de ficar, descrever para prestar contas, descrever para explicar.”
textos; No texto dissertativo, por exemplo, a descrição funciona
e) os advérbios de lugar são elementos essenciais para como uma maneira de comentar ou detalhar os argumen-
a coesão e a coerência do texto de base descritiva, permi- tos contra ou a favor de determinada tese defendida pelo
tindo a localização espacial dos cenários e personagens autor. Assim, para analisar o problema da evasão escolar,
descritos; podemos utilizar como estratégia argumentativa a descri-
ção detalhada de salas vazias, corredores vazios, estudantes
f ) O texto descritivo detém-se sobre objetos e seres
desmotivados, repetência.
considerados na sua simultaneidade, e os tempos verbais
mais frequentes são o Presente do Indicativo no comentário Numa descrição, quer literária, quer técnica, o ponto de
e o pretérito imperfeito do indicativo no relato. vista do autor interfere na produção do texto. O ponto de
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vista consiste não apenas na posição física do observador, plo, ao usar o adjetivo “horrorosa”, para falar da televisão e
mas também na sua atitude, na sua predisposição afetiva “pintadinha”, no diminutivo, referindo-se com carinho à sua
em face do objeto a ser descrito. Desta forma, existe o ponto sala de estar e de jantar.
de vista físico e o ponto de vista mental.
b) Ponto de vista mental ou psicológico
a) Ponto de vista físico A descrição pode ser apresentada de modo a manifes-
É a perspectiva que o observador tem do objeto; pode tar uma impressão pessoal, uma interpretação do objeto.
determinar a ordem na enumeração dos pormenores signi- A simpatia ou antipatia do observador pode resultar em
ficativos. Enquanto uma fotografia ou uma tela apresentam imagens bastante diferenciadas do mesmo objeto. Deste
o objeto de uma só vez, a descrição apresenta-o progressi- ponto de vista, dois tipos de descrição podem ocorrer: a
vamente, detalhe por detalhe, levando o leitor a combinar objetiva e a subjetiva.
impressões isoladas para formar uma imagem unificada. A descrição objetiva, também chamada realista, é a
Por esse motivo, os detalhes não são todos apresentados descrição exata, dimensional. Os detalhes não se diluem,
num único período, mas pouco a pouco, para que o leitor, pelo contrário, destacam-se nítidos em forma, cor, peso,
associando-os, interligando-os, possa compor a imagem tamanho, cheiro, etc. Este tipo de descrição pode ser encon-
que faz do objeto da descrição. trado em textos literários de intenção realista (por exem-
plo, em Euclides da Cunha, Eça de Queiroz, Flaubert, Zola),
Observamos e percebemos com todos os sentidos, enquanto em textos não-literários (técnicos e científicos),
não apenas com os olhos. Por isso, informações a respeito a descrição subjetiva reflete o estado de espírito do obser-
de ruídos, cheiros, sensações tácteis são importantes num vador, as suas preferências. Isto faz com que veja apenas o
texto descritivo, dependendo da intenção comunicativa. que quer ou pensa ver e não o que está para ser visto. O
resultado dessa descrição é uma imagem vaga, diluída, ne-
Outro fator importante diz respeito à ordem de apre- bulosa, como os quadros impressionistas do fim do século
sentação dos detalhes. passado. É uma descrição em que predomina a conotação.
Ao descrever um determinado ser, tendemos sempre a
Texto - Trecho de conversa informal (entrevista) acentuar alguns aspectos, de acordo com a reação que esse
“Vamos ver. Bom, a sala tem forma de ele, apesar de ser provoca em nós. Ao enfatizar tais aspectos, corremos o
não ser grande, né, dá dois ambientes perfeitamente se- risco de acentuar qualidades negativas ou positivas. Mesmo
parados. O primeiro ambiente da sala de estar tem um usando a linguagem científica, que é imparcial, a tarefa de
sofá forrado de couro, uma forração verde, as almofadas descrever objetivamente é bastante difícil.
verdes, ladeado com duas mesinhas de mármore, abajur, Apesar dessa dificuldade, podemos atingir um grau sa-
um quadro, reprodução de Van Gogh. Em frente tem uma tisfatório de imparcialidade se nos tornarmos conscientes
mesinha de mármore e em frente a esta mesa e, portanto, dos sentimentos favoráveis ou desfavoráveis que as coisas
defronte do sofá tem um estrado com almofadas areia, o podem provocar em nós. A consciência disso habilitar-nos-
aparelho de som, um baú preto. À esquerda desse estrado -á a confrontar e equilibrar os julgamentos favoráveis ou
há uma televisão enorme, horrorosa, depois há em frente desfavoráveis.
à televisão duas poltroninhas vermelhas de jacarandá e aí Um bom exercício consiste em fazer dois levantamen-
termina o primeiro ambiente. Depois então no outro, no tos sobre a coisa que queremos descrever: o primeiro,
alongamento da sala há uma mesa grande com seis cadei- contendo características tendentes a enfatizar aspectos
ras com um abajur em cima, um abajur vermelho. A sala é positivos; o segundo, a enfatizar aspectos negativos.
toda pintadinha de branco ...”
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Há, ainda, ênfase na adjetivação para melhor caracteri- tos podem colher. Continue o observador: entre na casa,
zar o que é descrito. examine a primeira peça, a posição dos móveis, a claridade
ou obscuridade do ambiente, destaque o que lhe chame
Exemplo: de pronto a atenção (um móvel antigo, uma goteira, um
“Era alto, magro, vestido todo de preto, com o pescoço vão de parede, uma massa no reboco, um cão sonolento...).
entalado num colarinho direito. O rosto aguçado no quei- Continue assim gradativamente. Seria absurdo começar
xo ia-se alargando até à calva, vasta e polida, um pouco pela fachada, passar à cozinha, voltar à sala de visitas, sair
amolgado no alto; tingia os cabelos que de uma orelha para o quintal, regressar a um dos quartos, olhar depois
à outra lhe faziam colar por trás da nuca - e aquele preto para o telhado, ou notar que as paredes de fora estão des-
lustroso dava, pelo contraste, mais brilho à calva; mas não cascadas. Quase sempre a direção em que se caminha, ou
tingia o bigode; tinha-o grisalho, farto, caído aos cantos se poderia normalmente caminhar rumo ao objeto serve
da boca. Era muito pálido; nunca tirava as lunetas escuras. de roteiro, impõe uma ordem natural para a indicação dos
Tinha uma covinha no queixo, e as orelhas grandes muito seus pormenores.”
despegadas do crânio. “ Fica evidente que esse “passeio” pelo cenário, feito como
O Primo Basílio (Eça de Queiroz) se tivéssemos nas mãos uma câmara cinematográfica, re-
gistando os detalhes e compondo com eles um todo, deve
obedecer a um roteiro coerente, evitando idas e vindas des-
Também é possível o emprego de figuras (metáforas,
conexas, que certamente perturbam a organização espacial
metonímias, comparações, sinestesias).
e prejudicam a coerência do texto descritivo.
Exemplo:
“Era o Sr. Lemos um velho de pequena estatura, não Textos descritivos
muito gordo, mas rolho e bojudo como um vaso chinês. Conforme o objetivo a alcançar, a descrição pode ser
Apesar de seu corpo rechonchudo, tinha certa vivacidade não-literária ou literária. Na descrição não-literária, há maior
buliçosa e saltitante que lhe dava petulância de rapaz e preocupação com a exatidão dos detalhes e a precisão vo-
casava perfeitamente com os olhinhos de azougue.” cabular. Por ser objetiva, há predominância da denotação.
Senhora (José de Alencar)
Textos descritivos não-literários
Há, também, o uso de advérbios de localização espacial. A descrição técnica é um tipo de descrição objetiva: ela
recria o objeto usando uma linguagem científica, precisa.
Exemplo: Esse tipo de texto é usado para descrever aparelhos, o seu
“Até os onze anos, eu morei numa casa, uma casa velha, funcionamento, as peças que os compõem, para descrever
e essa casa era assim: na frente, uma grade de ferro; depois experiências, processos, etc.
você entrava tinha um jardinzinho; no final tinha uma es-
cadinha que devia ter uns cinco degraus; aí você entrava Texto - Folheto de propaganda de carro
na sala da frente; dali tinha um corredor comprido de onde “Conforto interno - É impossível falar de conforto sem
saíam três portas; no final do corredor tinha a cozinha, de- incluir o espaço interno. Os seus interiores são amplos,
pois tinha uma escadinha que ia dar no quintal e atrás ainda acomodando tranquilamente passageiros e bagagens. O
tinha um galpão, que era o lugar da bagunça ...” Passat e o Passat Variant possuem direção hidráulica e ar
(Entrevista gravada para o Projeto NURC/RJ) condicionado de elevada capacidade, proporcionando a
climatização perfeita do ambiente.
“A ordem dos detalhes é, pois, muito importante. Não se Porta-malas - O compartimento de bagagens possui
faz a descrição de uma casa de maneira desordenada; po- capacidade de 465 litros, que pode ser ampliada para até
nha-se o autor na posição de quem dela se aproxima pela 1500 litros, com o encosto do banco traseiro rebaixado.
primeira vez; comece de fora para dentro à medida que vai Tanque - O tanque de combustível é confeccionado em
caminhando na sua direção e percebendo pouco a pouco plástico reciclável e posicionado entre as rodas traseiras,
os seus traços mais característicos com um simples correr para evitar a deformação em caso de colisão.”
d’olhos: primeiro, a visão do conjunto, depois a fachada, a
cor das paredes, as janelas e portas, anotando alguma sin-
gularidade expressiva, algo que dê ao leitor uma ideia do Textos descritivos literários
seu estilo, da época da construção. Mas não se esqueça de Na descrição literária predomina o aspecto subjetivo,
que percebemos ou observamos com todos os sentidos, com ênfase no conjunto de associações conotativas que
e não apenas com os olhos. Haverá sons, ruídos, cheiros, podem ser exploradas a partir de descrições de pessoas;
sensações de calor, vultos que passam, mil acidentes, en- cenários, paisagens, espaço; ambientes; situações e coisas.
fim, que evitarão que se torne a descrição uma fotografia Vale lembrar que textos descritivos também podem ocorrer
pálida daquela riqueza de impressões que os sentidos aten- tanto em prosa como em verso.
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Descrição de pessoas dados, como comportamentos, traços físicos, opiniões, que
A descrição de personagem pode ser feita na primei- vão sendo indicados passo a passo, ao longo da narrativa.
ra ou terceira pessoa. No primeiro caso, fica claro que o
personagem faz parte da história; no segundo, a descrição Texto - Trecho de “A Relíquia” (Eça de Queiroz)
é feita pelo narrador, que, ele próprio, pode fazer ou não “Estávamos sobre a pedra do Calvário.
parte da história.
Em torno, a capela que a abriga, resplandecia com um
luxo sensual e pagão. No tecto azul-ferrete brilhavam sóis
Texto – “Retrato de Mónica” de prata, signos do Zodíaco, estrelas, asas de anjos, flores de
“Mónica é uma pessoa tão extraordinária que consegue púrpura; e, dentre este fausto sideral, pendiam de correntes
simultaneamente: ser boa mãe de família, ser chiquíssima, de pérolas os velhos símbolos da fecundidade, os ovos de
ser dirigente da “Liga Internacional das Mulheres Inúteis”, avestruz, ovos sacros de Astarté e Baco de ouro. [...] Globos
ajudar o marido nos negócios, fazer ginástica todas as ma- espelhados, pousando sobre peanhas de ébano, reflectiam
nhãs, ser pontual, ter imensos amigos, dar muitos jantares, as jóias dos retábulos, a refulgência das paredes revestidas
ir a muitos jantares, não fumar, não envelhecer, gostar de de jaspe, de nácar e de ágata. E no chão, no meio deste
toda gente, toda gente gostar dela, colecionar colheres do clarão, precioso de pedraria e luz, emergindo dentre as lajes
século XVII, jogar golfe, deitar-se tarde, levantar-se cedo, de mármore branco, destacava um bocado de rocha bruta e
comer iogurte, fazer ioga, gostar de pintura abstrata, ser brava, com uma fenda alargada e polida por longos séculos
sócia de todas as sociedades musicais, estar sempre diver- de beijos e afagos beatos.”
tida, ser um belo exemplo de virtudes, ter muito sucesso
e ser muito séria. Considerações Finais
Tenho conhecido na vida muitas pessoas parecidas com Um enunciado descritivo, portanto, é um enunciado
a Mónica. Mas são só a sua caricatura. Esquecem-se sempre de ser. A descrição não é um objeto literário por princípio,
do ioga ou da pintura abstrata. embora esteja sempre presente nos textos de ficção, ela
Por trás de tudo isto há um trabalho severo e sem tré- encontra-se nos dicionários, na publicidade, nos textos
guas e uma disciplina rigorosa e contente. Pode-se dizer científicos.
que Mónica trabalha de sol a sol. Há autores que apresentam a definição como um tipo
De facto, para conquistar todo o sucesso e todos os de texto descritivo. Para Othon M. Garcia (1973), “a definição
gloriosos bens que possui, Mónica teve de renunciar a três é uma fórmula verbal através da qual se exprime a essên-
coisas: à poesia, ao amor e à santidade.” cia de uma coisa (ser, objeto, ideia)”, enquanto “a descrição
consiste na enumeração de caracteres próprios dos seres
Texto – “Calisto Elói” (animados e inanimados), coisas, cenários, ambientes e
costumes sociais; de ruídos, odores, sabores e impressões
“Calisto Elói, naquele tempo, orçava por quarenta e
tácteis.” Enquanto a definição generaliza, a descrição indi-
quatro anos. Não era desajeitado de sua pessoa. Tinha
vidualiza, isto porque, quando definimos, estamos a tratar
poucas carnes e compleição, como dizem, afidalgada. A
de classes, de espécies e, quando descrevemos, estamos a
sensível e dissimétrica saliência do abdómen devia-se ao
detalhar indivíduos de uma espécie.
uso destemperado da carne de porcos e outros alimentos
intumescentes. Pés e mãos justificavam a raça que as ge-
rações vieram adelgaçando de carnes. Tinha o nariz algum Definições de futebol
tanto estragado das invasões do rapé e torceduras do lenço
Texto extraído de uma publicidade
de algodão vermelho. A dilatação das ventas e o escarlate
das cartilagens não eram assim mesmo coisa de repulsão.” “Futebol é bola na rede. Festa. Grito de golo. Não só.
Não mais. No Brasil de hoje, futebol é a reunião da família,
A queda dum anjo (Camilo Castelo Branco,)
a redenção da Pátria, a união dos povos. Futebol é saúde,
amizade, solidariedade, saber vencer. Futebol é arte, cultura,
Comentário sobre a descrição de pessoas educação. Futebol é balé, samba, capoeira. Futebol é fonte
A descrição de pessoas pode ser feita a partir das carac- de riqueza. Futebol é competição leal. Esta é a profissão de
terísticas físicas, com predomínio da objetividade, ou das fé da ***. Porque a *** tem o compromisso de estar ao lado
características psicológicas, com predomínio da subjetivi- do torcedor e do cidadão brasileiro. Sempre.”
dade. Muitas vezes, o autor, propositadamente, faz uma ca-
ricatura do personagem, acentuando os seus traços físicos Texto extraído da Enciclopédia e do Dicionário Koogan/
ou comportamentais. Houaiss
Os personagens podem ser apresentados diretamente, “Desporto no qual 22 jogadores, divididos em dois con-
isto é, num determinado momento da história, e neste caso juntos, se esforçam por fazer entrar uma bola de couro na
a narrativa é momentaneamente interrompida. Podem, por baliza do conjunto contrário, sem intervenção das mãos.
outro lado, ser apresentados indiretamente, por meio de (As primeiras regras foram elaboradas em 1860).”
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RESUMO DE INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS b) Narrador: é aquele que narra a história. O foco nar-
rativo (ponto de vista do narrador), pode-se apresentar de
duas formas:
TIPOLOGIAS TEXTUAIS 1. narrador em 1ª pessoa: é aquele que participa
da história, não sendo necessariamente o protagonista. O
a) Descrição: consiste em descrever as características narrador em 1ª pessoa condiciona o leitor a entender e a
que compõem um determinado objeto, ambiente, pai- interpretar todos os elementos da narrativa a partir da visão
sagem ou pessoa, lembrando que, esta última pode ser de mundo de quem a estruturou;
descrita/caracterizada, pelo seu lado físico, psicológico ou 2. narrador em 3ª pessoa: não participa da his-
por suas ações. tória, sendo portanto, neutro, pois não toma partido de
É difícil separar descrição de narração, pois o que é nenhuma personagem. Este tipo de narrador relata os fatos
narrado se desenvolve em um espaço que possui uma com objetividade, não julgando diretamente esta ou aquela
funcionalidade e que, por sua vez, envolve personagens personagem.
devidamente caracterizadas. A descrição do espaço e das • Narrador onisciente: aquele que tudo sabe, que co-
personagens nele envolvidas constituem uma forma nar- nhece o interior das personagens, pode explicar seu
rativa. Dizemos isto, porque é comum, que características passado e adiantar o que farão no futuro.
opostas das personagens revelem o conflito de uma narra- • Narrador observador: aquele que se limita a contar o
tiva, bem como, a descrição do espaço pode revelar traços que pode ser testemunhado de fora.
psicológicos das personagens.
c) Personagem: é aquele que participa da história de
b) Narração: consiste em contarmos um ou mais fa- forma direta ou indireta. Pode ser classificado em:
tos, reais ou imaginários, que ocorreram em determinado I. A protagonista é o personagem principal. Essa cate-
tempo e lugar, envolvendo certas personagens. O processo goria se divide em:
narrativo é dinâmico, pois está sujeito a transformações, I.I) herói: apresenta características superiores às de
expressas em equilíbrios e desequilíbrios. seu grupo;
Os elementos básicos são: enredo, narrador, persona- [Link]) anti-herói: é o protagonista que apresenta ca-
gens, tempo, espaço e conflito. racterísticas iguais ou inferiores às de seu grupo, mas que
por algum motivo está na posição de herói, só que sem
Observação: toda narrativa possui introdução, desen- competência para tanto.
volvimento e conclusão.
II. antagonista: é aquele que se opõe ao protagonista.
É o vilão da história.
c) Dissertação: consiste na exposição de nossas ideias,
nossas opiniões, nossos pontos de vista, seguidos de argu- III. personagens secundários: exercem papel secundário
mentos que os comprovem. na história, aparecendo com menor frequência. Servem de
ajudantes ou de confidentes do protagonista.
Para se escrever um texto dissertativo é necessário ter
conhecimento sobre o assunto e assim, tomar uma posição d) Tempo: é quando o fato ocorreu. Pode ser cronológi-
crítica com relação a ele. Para a formação de nossa opi- co ou psicológico. O tempo cronológico é mensurável em
nião, precisamos nos munir de dados, informações, ideias horas, dias, meses e anos. Já o tempo psicológico obedece
e, também, opiniões de pessoas relacionadas diretamente ao fluxo de consciência de que narra, ou seja, obedece a
com assunto. ordem determinada pelo desejo ou imaginação.
A estrutura básica da dissertação se apresenta da se-
guinte forma: e) Espaço: é o local onde se desenrola os fatos.
1. Introdução: apresentação do assunto e das questões f ) Conflito: situação de tensão, de suspense.
referentes a ele;
2. Desenvolvimento: momento em que ideias, concei-
tos e informações serão desenvolvidos; NARRAÇÃO
3. Conclusão: retomada do assunto associado a uma 1) Cria-se uma EXPECTATIVA para as personagens e para
avaliação final. o leitor.
2) A expectativa contém ÍNDICES do conflito.
ELEMENTOS DA NARRATIVA 3) QUEBRA da expectativa.
4) Explode o CONFLITO (principal característica).
a) Enredo: é a história em si, que começa a ser narrada a 5) Busca-se a SOLUÇÃO do conflito.
partir deum fato, e que se desenrola pela ação do tempo, 6) O conflito pode ou não ser solucionado- as persona-
do espaço, dos personagens, dando-se a conclusão. gens resolvem ou tentam resolver o conflito.
90
7) A partir da “solução” do conflito, conhece-se a INTEN- pode ser percebida diretamente ou com a ajuda de outras
ÇÃO do narrador. palavras que a substituem. O segundo passo é identificar,
nos diversos parágrafos, as ideias secundárias.
MERO RELATO
3. Contexto
1) Cria-se uma expectativa sem objetivo definido.
Qualquer texto deve estar baseado no conhecimento
2) Surgem ou não índices do conflito. do mundo real dos falantes. Essa é uma condição cuja fi-
3) A expectativa se mantém ou é substituída por outra. nalidade é contribuir para sua significação global. No con-
4) Ausência de conflito: o conflito não surge, ou é sim- texto, deve-se ter em mente os elementos que influenciam
plesmente insinuado. a mensagem:
5) Os fatos e as caracterizações se acumulam inexpres- a) Verbos implicativos são os que envolvem o leitor, tais
sivamente. como “conseguir”, “evitar”, “concordar”. Exemplo:
6) Já que não há conflito, qualquer final - pretensa so- O monitor não evitou que as crianças se machucassem.
lução - pode ser apresentado como fecho para o texto.
(As crianças machucaram-se)
7) Não se sabe com que intenção a “história” foi relatada.
b) Verbos factivos, como “lamentar”, “perceber”, e ideias
Texto e Contexto preconceituosas que o falante expressa inconscientemente.
Exemplo:
O QUE É TEXTO E CONTEXTO? Daniela hoje não chegou tarde aos ensaios. (Daniela
habitualmente chega tarde)
O texto é uma unidade global de comunicação que
expressa uma ideia ou trata de um assunto determinado,
4. Mecanismos de coesão
tendo como referência a situação comunicativa concreta
em que foi produzido, ou seja, o contexto. Nas frases e parágrafos que constituem o texto, devem
aparecer elementos linguísticos. Esses elementos linguís-
ticos têm a função de relacionar os parágrafos, as frases e
O texto pode ser uma única frase de sentido completo: as palavras:
“Os edifícios de São Paulo têm uma arquitetura mo-
derna”. Enlaces fraseológicos:
O texto também está em obras maiores, formadas por “Como ia te dizendo...”
orações e parágrafos: crônicas, reportagens jornalísticas e “Tendo em vista o que aconteceu...”
romances de fôlego, como Grande Sertão: Veredas, de Gui-
marães Rosa. Enlaces entre parágrafos:
Quando escrevemos ou falamos, lançamos mão de me- “Primeiramente...” (em geral no início do discurso); “Final-
canismos de coerência e coesão para conseguirmos formar mente...”; “Concluindo...”; “Por um lado...”; “Acima de tudo...”;
uma mensagem compreensível e instigante. “No fundo...”.
1. Linguística do texto Outros enlaces têm caráter temporal, comparativo, cau-
Descreve as regras básicas para a elaboração de frases sal, consecutivo, explicativo.
corretas e interessantes. Sua finalidade é tornar compreen-
sível o que é ouvido ou lido. Para que um texto tenha coe- Enlaces entre orações: conjunções que relacionam ora-
rência, não basta que ele trate somente de um assunto. É ções coordenadas ou subordinadas.
preciso também que os seus parágrafos estejam relaciona-
dos e não apresentem contradições. Finalmente, ele deve Enlaces léxicos: repetição de termos no texto, uso de
oferecer ao leitor ou ao ouvinte uma mensagem completa, sinônimos e de antônimos.
superior à simples reunião de orações e períodos.
Enlaces por repetição: anáfora – repetição de um ter-
2. Fatores internos ou significativos mo que apareceu anteriormente; catáfora – quando um
O parágrafo geralmente é a primeira unidade dos textos elemento remete a outro posterior; elementos dêiticos ou
corridos e em prosa. Formado por um número variável de substitutos – pronomes, advérbios, verbos e substantivos
frases encadeadas, lógica e linguisticamente, ele é finaliza- com ampla significação (“isto”, “aquilo”, “fazer”, “pegar”, “pes-
do graficamente por um ponto final, de interrogação ou de soa”, “coisa”).
exclamação. Ao ler um texto, devemos em primeiro lugar,
prestar atenção em seu conteúdo informativo fundamental, 5. Contexto/Situação
ao qual se subordinam, de modo articulado, vários enun- São dois os fatores básicos que interferem na significa-
ciados. A maioria das frases possui uma palavra-chave, que ção das palavras:
91
Contexto linguístico: toda palavra aparece, habitual- conexão entre partes do texto. São muitos os mecanismos
mente, rodeada de outras palavras, em frases orais ou es- de coesão textual, mas vamos citar três deles:
critas. São elas que ajudam a definir o exato significado da
palavra. Exemplo: 1 – A retomada ou a antecipação de termos
Este café é muito doce. “André e Pedro são ambos fanáticos torcedores de fute-
bol. Apesar disso, são diferentes. Este não briga com quem
Nesta frase, doce significa “açucarado”, significado dife- torce para outro time; aquele o faz.”
rente do que apresenta nesta outra frase: “Uma doce me-
lodia preenchia o ambiente.” O termo “isso” retoma o predicado “são ambos fanáti-
cos torcedores de futebol”, “este” retoma o termo “Pedro”;
A situação, ou contexto extralinguístico, e tudo mais “aquele”, a palavra “André”; “o faz”, “briga com quem torce
que possa estar relacionado ao ato da comunicação, como para outro time”. Todos os termos que servem para retomar
época, lugar, hábitos linguísticos, grupo social, cultural ou outros são chamados anafóricos. Quando esses mesmos
etário dos falantes. Exemplo: termos antecipam outro (por exemplo, na frase “Meu pai
me disse isto: vá deitar cedo”, onde “isto” antecipa “vá deitar
Fogo! cedo”) são chamados catafóricos.
c) combinação de termos compatíveis. Por exemplo, No primeiro exemplo, o conectivo “e “liga duas palavras;
uma “pedra não vê o lago”, porque o verbo “ver” exige su- no segundo, o conectivo “mas” liga duas orações.
jeito humano, no entanto; se considerarmos uma pedra Os conectivos dividem-se em duas classes: coordena-
em sentido metafórico de “pessoa rígida, pesada e imóvel”, tivos e subordinativos.
o pequeno texto passa a ganhar coerência porque passa a
existir compatibilidade entre “pedra” e “ver”. I. Coordenativos: ligam orações coordenadas com con-
junções coordenativas.
d) não contradição de argumentos. Por exemplo, não aditivas: “e”;
posso ser a favor da pena de morte por ser contra tirar a
adversativas: “mas”;
vida de alguém.
alternativas: “ou”;
e) combinação de atos de fala adequados. Não posso conclusivas: “logo”;
responder a uma “pergunta” com outra; um pedido com
explicativas: “pois”.
algo que nada tem que ver com ele. Não posso perguntar
“Você me traz o dinheiro?” e ter como resposta “A professora
nova é bonita. II. Subordinativos: subordinam orações dependentes às
principais com conjunções subordinativas.
f ) presença de elementos semânticos logicamente pres- causais: “porque”;
supostos entre si. Por exemplo, X não pode ser casado e não
ter esposa; Y não pode estar saciado e não ter comido nada. comparativas: “como”;
concessivas: “embora”;
Coesão: é a ligação, a relação, a conexão entre as pala- condicionais: “se”;
vras, expressões ou frases do texto. A coesão é manifestada conformativas: “conforme”;
por elementos formais. Os elementos coesivos assinalam a consecutivas: “[tão] que”;
92
finais: “para que”; pação direta nos destinos da cidade, ‘elegendo livremente
proporcionais: “à medida que”; o seu prefeito’, e não aceitando as promessas ‘eleitoreiras’
de alteração da legislação relativa a tombamentos. A de-
temporais: “quando”;
fesa e utilização do patrimônio ambiental urbano, dizem
os manifestantes, ‘deve ser produto da participação ativa e
- INICIAM ORAÇÕES ADVERBIAIS: conjunções subordi- democrática de toda a população’.”
nativas adverbiais “enquanto”, “quando”, “desde que”, “sempre
(Jornal da Tarde, 1 jul. 1982).
que”, “assim que”, “agora que”, “antes que”, “depois que”, “logo
que”, etc.
Eis a paráfrase:
- INICIAM ORAÇÕES SUBSTANTIVAS: conjunções inte- “Que vida levam os trabalhadores brasileiros!
grantes “que” e “se”;
Até mesmo as horas de lazer e descanso têm de pas-
- INICIAM ORAÇÕES ADJETIVAS: pronomes relativos sá-las para defender o pouco que lhes resta: o patrimônio
“que”, “quem”, “cujo”, “cuja”, “o qual”, “a qual”, etc. histórico da cidade. E diga-se, a bem da verdade, um patri-
mônio que já não é lá tão patrimônio...Pouco resta do nosso
passado, de nossas tradições, da passagem de tantos imi-
3 – Presença de todos os termos necessários ao sentido grantes por nossa terra, do esplendor econômico do café.
da oração e do período
A revolta é com a destruição dos casarões da Paulista,
A escrita não exige que os períodos sejam longos, mas que um a um, vão sendo destruídos, vítima da ganância
que sejam completos e que as partes estejam absoluta- das imobiliárias. É mais um retrato do capitalismo selvagem,
mente conectadas entre si. Se faltam partes, não pode que entre nós tem encontrado terra tão fértil.
haver coesão. E ao lado de tudo isso o silêncio das autoridades, a in-
Progressão: um bom texto implica progressão, isto é, coerência, a falta de energia na defesa de nossas constru-
que cada segmento que se sucede vá acrescentando infor- ções mais significativas, como é o caso do casarão de estilo
mações novas aos enunciados anteriores. Cada segmento mourisco, recentemente destruído. É doloroso verificar a
que ocorre deve acrescentar um dado novo ao anterior, nossa realidade: quase quinhentos anos de descobrimento,
se a repetição de dados for funcional, acrescentará dados e resta-nos quase nada de memória, excetuando alguns
novos ao texto e se justificará. As repetições sem função exemplares que sobreviveram de teimosia...sem nenhum
desqualificam o texto. cuidado, e pouco interesse de nossos representantes gover-
namentais. E ao lado das destruições quer ecológica quer
arquitetônica, vão-se erguendo construções vergonho-
4.2 PARÁFRASE sas...é que o governo deixou de ser manifestação do povo.”
Conceito: consiste em desenvolver ou abreviar um tex-
to. É um exercício de escrever em cima de um texto, recrian-
do-o. Não se deve esquecer nada de essencial, nem utilizar
4.3 PERÍFRASE
palavra alguma do autor. O novo texto deverá evidenciar Conceito: perífrase é a substituição de um nome co-
que se entendeu perfeitamente o texto original. mum ou próprio por uma expressão que a caracterize.
Exemplo: “Aproveitando o horário de almoço, cem ma- Nada mais é do que um circunlóquio, isto é, um rodeio de
nifestantes – moradores, trabalhadores na avenida Paulista, palavras. Exemplo:
além de representantes de onze entidades de classe – reali- O povo lusitano foi bastante satirizado por Gil Vicente.
zaram ontem uma manifestação de protesto contra a onda
de demolições que, na semana passada, vitimou quatro Utilizou-se a expressão “povo lusitano” para substituir
velhos palacetes daquela avenida. Nas grades de ferro tor- “os portugueses”. Esse rodeio de palavras que substituiu
neado e nos tapumes que cercam os restos da antiga casa um nome comum ou próprio é que se chama perífrase.
mourisca do número 867 foram afixados os cartazes de pro-
Outros exemplos:
testo: ‘A especulação imobiliária está destruindo a cidade’ e
‘Basta de demagogia governamental. Chega de demolições.’ última flor do Lácio
astro rei (Sol)
Foi divulgado um ‘Manifesto à População’ – lido em (língua portuguesa)
uníssono pelos manifestantes – onde responsabilizam ‘as Rainha da Borborema
mesmas mãos que transformam o patrimônio público em Cidade Luz (Paris)
(Campina Grande)
um escombro monumental’ como sendo aquelas mãos
Cidade Maravilhosa (Rio de Janeiro)
que construíam minhocões, prometeram uma nova Capital,
faraônica, impuseram nova lei de zoneamento, acabaram
de lotear as regiões dos mananciais da Grande São Paulo, Observação: existe também um tipo especial de perí-
devastam a Serra da Cantareira, a Serra do Mar e da Manti- frase que se refere somente a pessoas. Tal figura de estilo
queira’. Os manifestantes reivindicam também uma partici- é chamada de antonomásia e baseia-se nas qualidades ou
93
ações notórias do indivíduo ou da entidade a que a expres- 4.5 RESUMO
são se refere. Exemplos:
Conceito: resumo é a condensação de um texto feita
com as próprias palavras do leitor. Quem o faz deve ser
A rainha do mar = (Iemanjá) capaz de:
O poeta dos escravos = (Castro Alves) 1) Compreender claramente o conteúdo, de modo a
O criador do teatro português = (Gil Vicente) poder fazer escolhas: deixar de lado os detalhes e ficar com
as ideias principais.
2) Organizar as ideias fundamentais do texto num dis-
curso coeso e coerente.
4.4 SÍNTESE
3) Ser fiel às ideias do autor, não acrescentando infor-
Conceito: é o resultado final do pensamento dialético. É mações subsidiárias.
o resultado do processo de tese e antítese e se expressa em
uma ideia que mantém o que há de correto ou legítimo en- 4) Usar nível padrão de linguagem, com vocabulário
tre as proposições opostas. A síntese é a união dos opostos. próprio, sem copiar frases ou expressões (a não ser as ab-
Tese – É uma colocação inicial, uma ideia que se apre- solutamente necessárias).
senta, uma proposição. Observação: as condições necessárias para a elabora-
ção de um resumo são competência em leitura e redação. O
Antítese – É a proposição contrária à tese. Revela um me-
entendimento do texto original, em sua totalidade, é o que
canismo de oposição, é uma ideia que se contrapõe à tese.
permite ao leitor detectar o menos e o mais importante.
Técnicas de resumo
MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO 1) Apagar detalhes e informações redundantes.
A análise – Consiste na decomposição de um todo em
2) Supraordenação (de elementos ou de ações pelo
suas partes. É o que acontece quando um químico faz ex-
nome da categoria supraordenada). ***
periências para descobrir os elementos que compõem uma
substância ou quando um professor de Português mostra 3) Seleção (dos tópicos frasais).
aos alunos as diversas funções literárias num texto. Nesses
dois exemplos, a análise está sendo colocada em prática. 4) Invenção (de sentenças-tópico não explícitas). ***
A síntese – É o oposto da análise. É um método em que Fases do processo de resumo: compreensão do texto
se vai da parte para o todo, das causas para os efeitos. Exem- original e elaboração de novo texto.
plos: o químico misturando elementos para obter determi-
nada substância; o médico perguntando o que o paciente Métodos
sente para fazer o diagnóstico; um aluno fazendo uma série 1) Método analítico – resumir parágrafo por parágrafo,
de operações para chegar à resposta de um problema de seguindo a estrutura do texto original (é para quem não
Matemática. Nesses casos, está sendo colocada em prática a conhece quase nada do assunto).
síntese. Nas ciências, esses dois métodos, embora opostos,
são complementares. 2) Método comparativo – é o leitor que religa ao texto
O raciocínio ligado à análise é chamado dedutivo e o em estudo as informações memorizadas e o seu conheci-
relacionado à síntese chama-se indutivo. mento de mundo (é para quem conhece o assunto).
Tipos de Resumos
1) Resumo indicativo: indica apenas os itens principais
TESE tratados no texto original. Fornece apenas um esqueleto do
Preposição texto, um levantamento dos tópicos neles contidos.
1._________________________________________
1.1.____________________________________
1.2.____________________________________
Pensamento 2._________________________________________
ANTÍTESE DIALÉTICO SÍNTESE 2.1.____________________________________
Oposição Conclusão 2.2.____________________________________
2.3.____________________________________
e assim por diante...
94
Resumo informativo: é a criação, a partir do original, de seção, secção: divisão, repartição
um texto mais curto, contendo somente as informações sessão: reunião
mais importantes.
cessão: ato de ceder
Resumo interpretativo e crítico: resumo em que o leitor
atribui sentidos e avalia o texto. 3 - Sinonímia: é o fato de haver mais de um vocábulo
com a mesma ou quase a mesma significação (sinônimos).
Exemplo: casa, lar, morada, residência, mansão.
Ele ficou pálido ao receber a notícia / Ele ficou lívido ratificar: confirmar
ao receber a notícia. - As duas palavras grifadas têm o retificar: corrigir
mesmo significado, porém dois significantes diferentes.
O significado pode ter origem na monossemia ou na descrição: ato de descrever
polissemia.
discrição: qualidade de quem é discreto
95
Conceitos importantes: sentido próprio e sentido figu- caminho (faixa de terreno destinada
rado. Exemplo: ao trânsito, estrada, trilho).
Construí um muro de pedra. (sentido próprio).
7 - Conotação: refere-se ao conjunto de significados
Ênio tem um coração de pedra. (sentido figurado).
subjetivos, afetivos, que vão se acrescentando a uma pa-
lavra, e que dependem de uma interpretação. Exemplo:
A água pingava da torneira (sentido próprio).
caminho (pode significar destino, futuro,
As horas iam pingando lentamente (sentido figurado).
orientação), como em “A humanidade não
encontra o seu caminho”.
6 - Denotação: é o conjunto de significados de uma
palavra por si mesma. É o valor objetivo, original da palavra
(sentido de dicionário). Exemplo:
96
5
QUESTÕES DE COMPREENSÃO TEXTUAL
O trecho abaixo serve de base às questões 127 d) A preservação dos direitos fundamentais de priva-
e 128. cidade dos contribuintes frente ao crédito tributário e ao
Questão velha, polêmica e controvertida, que constitui Fisco deve ser colocada na discussão da questão do sigilo
obstáculo à ação das autoridades administrativo-tributárias, bancário.
mas que sempre viva e exacerbadamente atual, é a do “si- e) Na tarefa de cumprir os objetivos de aferir a capacida-
gilo bancário”, pois frente ao crédito tributário e ao Fisco, de contributiva, arrecadar tributos e promover a igualdade
aquele como um bem público relevante e indisponível e e a justiça fiscal, o Fisco deve preservar e garantir a questão
este na busca de cumprir os objetivos a que se destina do sigilo bancário dos contribuintes.
de aferir a real capacidade contributiva, arrecadar tributos,
promover a igualdade e a justiça fiscal, colocam-se a pre- 129 - Julgue as proposições a respeito do texto como
servação e a garantia dos direitos fundamentais invioláveis verdadeiras (V) ou falsas (F) para, em seguida, marcar a op-
de privacidade e intimidade inerentes às pessoas dos con- ção correta.
tribuintes.
Desde que cheguei a Brasília me intriga o panorama da
(ELBE, Mary Elbe. A inexistência de sigilo bancário economia do Distrito Federal. É que a permanência das en-
frente ao poder-dever de investigação das autoridades tão futuras gerações de brasilienses na sua terra dependeria
fiscais. Tributação em Revista, jul/set. 1999) das condições de atração do mercado de trabalho local
para fixação da crescente oferta de mão-de-obra em geral.
127 - Assinale a opção que dá continuidade ao trecho, A configuração da cidade administrativa, onde tudo gira em
preservando a coerência, a coesão e a progressão das ideias. função do majoritário segmento da classe média de buro-
a) No seu âmago, o que exsurge é a discussão acerca cratas federais e locais, com a completa ausência de vida
dos interesses públicos frente aos interesses privados e qual industrial, poderia não sobreviver ao esgotamento natural
deles deverá prevalecer. do modelo de economia estatal. Desde o início, tratava-se,
como se trata ainda, de uma economia do contra-cheque.
b) No cerne da questão, desponta a dicotomia entre
Essa característica, aliada à da Brasília centro de decisões,
um sistema fortemente estatal e o poder fiscalizador da
provavelmente a tenha marcado, fantasiosamente, como
sociedade organizada.
uma ilha da fantasia.
c) Em suma: trata-se de questionar até que ponto a que-
(Edgard Proença, Correio Braziliense, 15/07/2002,
bra do sigilo bancário vai contribuir para revelar elisão fiscal
com adaptações)
e evasão de divisas.
d) Torna-se, assim, fundamental discutir sob o manto
da ética a questão da inexistência de sigilo bancário em ( ) O autor demonstra, pela argumentação do texto,
estados democráticos de direito. não estar muito de acordo com aqueles que chamam Bra-
sília de “ilha da fantasia”.
e) A despeito disso, não basta conceder às autoridades
fiscais o poder-dever de investigação, se não se lhes faculta ( ) A expressão “panorama da economia do Distrito
o direito fundamental inviolável de privacidade. Federal” (l.1 e 2) representa, num esquema de tópicos e
subtópicos, o tópico superior ao qual se vinculam os argu-
mentos do autor.
128 - Assinale a proposição nuclear do texto, aquela
( ) Pelo emprego da forma verbal “dependeria” (l.3), o
que contém a ideia-síntese em torno da qual se desenvolve
autor sugere que sua ideia inicial não se concretizou, como
sintática e semanticamente o parágrafo.
demonstra no final do texto.
a) Questão velha, polêmica e controvertida é a do sigilo
( ) O advérbio “então” (l.2) situa temporalmente as
bancário frente ao crédito tributário e ao Fisco.
“futuras gerações” (l.2 e 3) em referência ao tempo em que
b) Frente ao crédito tributário e ao Fisco, coloca-se a o autor chegou a Brasília.
questão do sigilo bancário como um obstáculo à ação das
A sequência correta é:
autoridades administrativo-tributárias.
a) V, V, F, V
c) Por ser um bem público relevante e indisponível, o
crédito tributário deve preservar e garantir o direito de pri- b) V, F, V, F
vacidade do contribuinte. c) F, V, F, V
97
d) F, F, V, V (SALDANHA, Nelson Nogueira. História das ideias
e) V, V, V, V políticas no Brasil. Brasília, 2001. p. 97)
130 - Assinale a opção que não constitui uma inferência 131 - Na mesma linha de raciocínio do autor, várias tran-
das ideias do trecho abaixo. sições se superpõem à época da independência, exceto
uma. Aponte-a.
Na tentativa de explicar a ocorrência de fome nos países
subdesenvolvidos, surge, após a Segunda Guerra Mundial, a a) do rural para o urbano
teoria demográfica neomalthusiana, logo perfilhada pelos b) do individualismo para o coletivo
países desenvolvidos e pelas elites dos países subdesenvol- c) do desimpedimento para os obstáculos
vidos. Segundo essa teoria, uma população jovem numero-
d) do atrelamento para a emancipação
sa, resultante das elevadas taxas de natalidade verificadas
em quase todos os países subdesenvolvidos, exige grandes e) da dependência para a autonomia
investimentos sociais em educação e saúde. Com isso, di-
minuem os investimentos produtivos nos setores agrícola O texto abaixo serve de base para a questão 132.
e industrial, o que impede o pleno desenvolvimento das A reforma tributária não pode ser realizada, na verdade,
atividades econômicas e, portanto, da melhoria das condi- para livrar o orçamento da sangria dos juros exorbitantes,
ções de vida da população. Ainda segundo os neomalthu- embora enfeitada com os argumentos apelativos, tanto da
sianos, quanto maior o número de habitantes de um país, simplificação fiscal para todo o empresariado quanto do
menor a renda per capita e a disponibilidade de capital a milagre fiscal da multiplicação dos empregos para os mais
ser distribuído pelos agentes econômicos. despossuídos. Trata-se do contrário. Os de baixo vão, de
(DE SENE, Eustáquio; MOREIRA, João Carlos. fato, pagar mais e não há garantia nenhuma da boa teoria
Geografia geral e do Brasil: espaço geográfico e globalização. econômica de que o emprego possa crescer sem o planeja-
São Paulo: Scipione, 2010) mento de um projeto nacional digno do nome, que defina
e articule todas as potencialidades existentes para tanto.
a) O crescimento populacional é o responsável pela (FARIAS, Fátima Gondim. Reforma Tributária. Tributa-
ocorrência da miséria. ção em Revista, abr/jun. 1999, com adaptações)
b) Em consequência das elevadas taxas de natalidade,
os países subdesenvolvidos veem-se impedidos de alcançar 132 - Em relação às ideias do texto, assinale a opção
o pleno desenvolvimento das atividades econômicas. incorreta.
c) Sem programas efetivos de controle de natalidade a) Os argumentos arrolados para justificar a vinculação
acessíveis às camadas mais pobres, toda política de redis- da reforma tributária ao pagamento e juros não se susten-
tribuição de renda tenderá ao fracasso. tam, aos olhos da autora.
d) Uma população numerosa condena muitos jovens a b) O atrelamento da reforma tributária à sangria dos
engrossar o enorme contingente de mão-de-obra desqua- juros é, para a autora, uma argumentação apelativa engen-
lificada que ingressa anualmente no mercado de trabalho. drada pelos empresários e desempregados.
e) À medida que as famílias obtêm condições condig- c) A reforma tributária vai onerar os pequenos e mi-
nas de vida, tendem a diminuir o número de filhos para croempresários, sobre os quais vai recair o encargo de pagar
não comprometerem o acesso de seus dependentes aos mais imposto.
sistemas públicos de educação e saúde. d) Pela boa teoria econômica não é possível engen-
drar o milagre da multiplicação de empregos para os de-
O texto abaixo serve de base para a questão 131. sempregados, sem o respaldo de uma política nacional de
A época da independência fervilha de figuras represen- emprego.
tativas, em cujas atitudes o ideário político do momento se e) Imputar à reforma tributária o propósito de livrar o or-
reflete. Figuras cujos perfis se recortam sobre um fundo um çamento da sangria de juros escorchantes é, para a autora,
tanto confuso: novidades emancipacionistas, remanescên- um argumento apelativo, pois não desonera as empresas
cias coloniais, antagonismos de tendências que puxavam a nem gera mais empregos.
vida brasileira para posições diferentes. Época sem dúvida
tumultuosa, ocupada por várias transições superpostas: Leia o texto abaixo para responder às questões 133
a da dependência para a independência, a do agrarismo e 134.
para os modos urbanos, a do quase silêncio para o falató-
rio – um falatório crescente –, a dos particularismos para a Índio quer voltar a ser índio
consciência nacional. Agora, estabelecida a existência oficial Depois da gripe, tribos indígenas costumam assimilar
de um Brasil declarado estado autônomo, a liquidação dos da cultura urbana as roupas, o apego ao dinheiro e hábitos
obstáculos restantes caberia a esses homens. alimentares não exatamente saudáveis. Com o tempo, sub-
98
mergem outros elementos característicos, como crenças, c) De acordo com os sentidos do texto, os “elementos
idioma e até formas de organização social. Em boa parte característicos” (l.4) restringem-se a crenças, idiomas e for-
dos casos, resta, passados alguns anos, uma comunidade mas de organização social.
pobre, mal assistida, marginalizada, sem identidade e por d) A simples retirada da expressão “indígenas” (l.10), sem
vezes dispersa. Muitos desses grupos estão descobrindo qualquer outra alteração gramatical, mantém a estrutura
agora que é mais negócio retomar o comportamento de gramaticalmente correta e o texto coerente.
índios. Desde o fim dos anos 80, além de uma constituição
e) O emprego da preposição “até” (l.10) indica que “par-
que deu a comunidades indígenas até participação na ex-
ticipação na exploração de recursos naturais” (l.11) não foi
ploração de recursos naturais, surgiram centenas de ONGs
a única, mas foi uma das mais difíceis e importantes con-
para dar assistência material às tribos, a Funai passou a ter
quistas dos índios na Constituição de 88.
uma ação mais evidente na defesa dos grupos culturalmen-
te preservados e o governo avançou muito na demarcação
das terras. Mas esses benefícios só existem para índios que Para responder à questão 135, leia o texto abaixo.
sejam reconhecidos como índios. Dinheiro é a maior invenção dos últimos 700 anos. Com
(VEJA, 17 set. 2003, com adaptações) ele, você pode comprar qualquer coisa, ir para qualquer
lugar, consolar o aleijado que bate no vidro do carro no
sinal fechado, mostrar quanto você ama a mulher amada
133 - Analise as seguintes possibilidades de continui- ou comprar uma hora de amor. É o passaporte da liberdade.
dade para o texto. Com dinheiro, você pode xingar o ditador da época e sair
I. Por isso, existem grupos que estão mesmo fazendo correndo para o exílio, ou financiar todos os candidatos
cursos para recuperar tradições e hábitos silvícolas e, só no a presidente e comparecer aos jantares de campanha de
Nordeste, o número de grupos que se declararam indígenas todos. Nos tempos que estamos vivendo, dinheiro é como
passou de dezesseis para 47. Deus na Idade Média – o sentido único e todos os sentidos
II. Com isso, entre os potiguaras, que deixaram de fa- de todas as coisas. A “remissão” de todas as coisas. O que
lar o tupi há mais de 300 anos, 1500 crianças estão agora não produz nem é dinheiro, não existe. É falso, postiço. Os
estudando a língua dos antepassados – e uma porção de sábios da igreja de antigamente são os economistas de
adultos também. hoje em dia. Dividem-se em dois grupos – os idólatras, para
quem dinheiro é o pedacinho de papel, a imagem do sa-
III. Assim, comprova-se que, para certas etnias, o caso é
grado, o santinho. Pare eles, o valor do dinheiro depende da
de mera encenação para fins de sobrevivência. De dia, eles
quantidade de papéis em circulação. Para os iconoclastas,
se vestem de índio para vender artesanato; de noite vão
dinheiro é a base das relações sociais do mundo capitalista,
tomar cerveja e acompanhar a novela. Vestidos.
a rede que organiza a sociedade. É um conceito, um crédito,
IV. No entanto, há quem veja alguns exageros nessa um débito. Como os sacerdotes de antigamente, econo-
volta às etnias; principalmente quando é o caso de uma mistas têm a missão de explicar o inexplicável – como o
busca do retorno à forma mais pura do índio brasileiro. dinheiro é tudo e nada ao mesmo tempo, por que falta
dinheiro se dinheiro é papel impresso, ou se a quantidade
de santinhos muda o tamanho do milagre.
Constituem uma continuidade coerente e gramatical-
mente correta para o texto: (SAYAD, João Sayad. Cidade de Deus. Classe: revista de
bordo da TAM, n. 95, com adaptações)
a) apenas I, II e IV
b) apenas I, III e IV
135 - Assinale como verdadeiras (V) ou falsas (F) as se-
c) apenas II e III guintes inferências para o texto. A seguir, assinale a opção
d) apenas II, III e IV correta.
e) todos os itens ( ) Os sábios da igreja de antigamente são identi-
ficados aos idólatras; os economista de hoje em dia, aos
iconoclastas.
134 - Assinale a opção incorreta a respeito da organi-
( ) Hoje em dia, o dinheiro representa um deus, porque
zação das ideias do texto.
remete ao sentido de todas as coisas.
a) Ao longo do texto, a expressão “tribos indígenas” (l.1)
( ) Considerar dinheiro como um pedacinho de papel
é retomada, com variações na amplitude de sentido, como
retira dele o valor sagrado com que é reverenciado nos
“grupos” (l.8), “comunidades indígenas” (l.10), “tribos” (l.12)
dias de hoje.
“grupos culturalmente preservados” (l.13 e 14) e “índios”
(l.16). ( ) O valor do dinheiro para os iconoclastas está ligado
ao simbólico, ao conceito, como crédito ou débito.
b) O deslocamento da expressão adverbial “da cultura
urbana” (l.1 e 2) para antes de “tribos” (l.1) mantém a coe- ( ) É “inexplicável” dizer que dinheiro é tudo e nada ao
rência e a correção gramatical do texto. mesmo tempo porque se trata de uma realidade paradoxal.
99
a) V, V, F, V, F a) Os governos Vargas e JK & os governos militares
b) V, F, V, F, F b) A iniciativa privada no desenvolvimento econômico
c) F, V, F, V, V c) O papel da Confederação Nacional da Indústria no
d) F, V, V, V, F governo JK
e) F, F, V, F, V d) Os sistemas híbridos dos governos militares
e) O estatismo de Vargas a JK
136 - Foi publicado na seção Painel do Leitor, da Folha
de S. Paulo (15/11/2003), o seguinte trecho de correspon- 138 - Considerando as ideias do texto, assinale as in-
dência enviada ao jornal por um leitor: ferências como verdadeiras (V) ou falsas (F) e marque a
“Revoltante o editorial ‘Maioridade penal’. Quer dizer correta opção em seguida.
que este jornal, que tanto apregoa a democracia, ignora a
opinião de 89% da população a favor da redução da maio- Li que a espécie humana é um sucesso sem preceden-
ridade penal e quer impor-nos a visão de ‘meia dúzia’ de tes. Nenhuma outra com uma proporção parecida de peso
intelectuais? É essa a ideia de democracia que o jornal que e volume se iguala à nossa em termos de sobrevivência e
tanto admiro apregoa?” proliferação. E tudo se deve à agricultura. Como controla-
mos a produção do nosso próprio alimento, somos a pri-
meira espécie na história do planeta a poder viver fora de
Aponte a única dedução correta extraída do trecho lido. seu ecossistema de nascença. Isso nos deu mobilidade e
a) O editorial a que se refere o missivista deve ter refuta- a sociabilidade que nos salvaram do processo de seleção,
do atese da imputabilidade penal para menores de 18 anos. que limitou outros bichos de tamanho equivalente. É por
b) O corpo editorial da Folha de S. Paulo é composto isso que não temos mudado muito, mas também não nos
por um grupo reduzido de representantes da elite nacional extinguimos.
que se acha no direito de impor sua opinião. (VERÍSSIMO, Luiz Fernando. Recursos Humanos.
c) O missivista está revoltado com a Folha de S. Paulo In: ROITMAN, Ari (Org.). O Desafio Ético. Rio de Janeiro:
por ela ter descumprido o compromisso público com seus Garamond, 2003, com adaptações)
leitores de veicular apenas a verdade dos fatos.
d) Discordando da visão exposta no referido editorial, ( ) Mede-se o sucesso pela capacidade de sobrevi-
o missivista se alia aos 89% da população que manifestou vência e proliferação.
adesão à tese da redução da maioridade penal. ( ) Se a espécie humana tivesse outro peso e volume
e) O missivista questiona a democracia da informação não teria sobrevivido.
apregoada pela Folha de S. Paulo, pois só um dos lados ( ) Viver fora do ecossistema de nascença depende da
da questão – o da manutenção da maioridade penal – foi capacidade de criar o próprio alimento.
combatido no editorial. ( ) O processo de seleção das espécies é que limita a
mobilidade e a sociabilidade.
137 - Assinale o título sugerido para o texto que corres- ( ) A história da espécie humana poderia ser outra se
ponde à sua ideia principal. não houvesse agricultura.
Vale lembrar que nos governos Vargas e JK e os gover- ( ) Poucas mudanças trazem como consequência a
nos do ciclo militar, apesar da preponderância do estatismo, não-extinção da espécie.
as empresas ocuparam posição central. Vargas governou
com os empresários ao seu lado. Dificilmente dava um pas- A sequência correta é:
so importante sem antes ouvir a Confederação Nacional da
Indústria. Juscelino fez do capital privado um trunfo. Basta a) V, V, V, F, F, V
citar o caso emblemático da produção automobilística que b) V, F, F, V, V, F
fez a imprensa mundial comparar São Paulo a uma nova c) F, F, V, V, F, V
Detroit. Os militares criaram sistemas híbridos, a exemplo d) F, V, F, V, V, F
da petroquímica, associando o Estado e iniciativa privada.
e) V, F, V, F, V, F
A iniciativa privada foi o pulmão do desenvolvimento na
época do estatismo e terá ainda maior relevância na econo-
mia contemporânea. Um modelo de desenvolvimento que Leia o texto para responder, em seguida, à questão
não leve esta evidente nuança em consideração é como 139.
se fosse um dinossauro, muito bom para as primeiras eras Acho que a globalização tem graves problemas. Nós es-
geológicas e muito distante da era atual. tamos percebendo que é hora de fazer ajustes, de garantir
(KAPAZ, Emerson Kapaz. Dedos cruzados. Revista acesso dos países pobres aos mercados do Primeiro Mun-
Política Democrática, n. 6, p. 41) do. É hora de os países ricos fazerem algumas concessões.
100
Culturalmente falando, a globalização é um sucesso espe- 140 - De acordo com a argumentação do texto, assinale
tacular, mas do ponto de vista econômico é um fracasso. a opção incorreta.
Precisamos entender que a globalização não é uma força a) O “quadro” (l.10) a que o segundo parágrafo se refere
indomável da natureza. Ela é criação humana, produto de está resumido na última oração do parágrafo anterior: “ins-
instituições e governos, de regras, e pode ser alterada. talar uma tendência irreversível em direção à elevação do
(BAILEY, Michel. VEJA, 22 mai. 2002, com adaptações) nosso Índice de Desenvolvimento Humano”.
b) Os “três grandes setores” (l.12) a que se refere o texto
139 - Assinale a opção, gramaticalmente correta, que são: o Estado, o mundo empresarial e as organizações sem
corresponde a um argumento contrário à tese do texto. fins lucrativos.
a) Para que os problemas do mundo do trabalho e os c) Infere-se do texto que ações voltadas para o bem
do mundo da pobreza sejam equacionados, urge-se uma comum, tanto do Estado quanto das empresas, devem ser
mudança radical nas relações mundiais do trabalho. sensíveis à influência das organizações não-governamen-
tais.
b) Em geral, os especialistas reconhecemos que, com
a atual configuração de forças políticas e econômicas no d) A argumentação do texto admite como parágrafo
mundo, é inescapável a alternativa para a globalização. introdutório: O resgate de nosso passivo social deverá ser
empreendido pela convergência e complementariedade
c) O mundo das grandes e médias empresas estão em
de três setores responsáveis pelo equilíbrio entre transfor-
transição para uma inserção internacional, como implan-
mação produtiva e equidade social.
tação inevitável do modelo de distribuição de riqueza que
vivemos. e) O desenvolvimento do texto admite como parágrafo
conclusivo: Essa nova ótica e essa nova ética precisam ser
d) Não se podem pedir os mesmos acordos que bene-
instaladas na consciência social do nosso tempo.
ficiam nações mais desfavorecidas nas relações comerciais
com os países ricos, para os países do Terceiro mundo.
e) Até a segunda grande guerra, nenhum homem, ne- A questão 141 está baseada no seguinte texto:
nhum país nesta terra haviam conhecido as tensões e as
contradições dialéticas que passou a nortear as relações Época – Na economia globalizada, expectativa, confian-
internacionais desde então. ça e credibilidade são moedas de grande valor. Do peque-
no poupador interno ao grande investidor externo, tudo é
Leia o texto para responder à questão 140. questão de acreditar. Como fazer crescer a economia num
A incorporação dos direitos humanos como eixo sus- país com escândalos de corrupção e falta de credibilidade
tentador e medida de progresso no campo do desenvol- nas instituições públicas?
vimento permitiu a construção do conceito de desenvolvi- Langoni – O novo governo terá de dar um choque de
mento sustentável como um processo capaz de integrar di- credibilidade. Escolher pessoas competentes e confiáveis. E
mensões como produtividade, equidade, sustentabilidade, não adiar medidas imprescindíveis. Eu apontaria três princi-
participação nas decisões, segurança e cooperação. O gran- pais: reforma tributária que estimule a poupança, novo am-
de desafio do Brasil é assegurar a estabilização econômica biente para crescimento das exportações e o Banco Central
conquistada na segunda metade dos anos 90 e, a partir independente. Só o crescimento contínuo gera empregos
dela, instalar uma tendência irreversível em direção à eleva- e aumento real da renda. Com 5%, 6% ao ano por dez anos,
ção do nosso Índice de Desenvolvimento Humano. Diante duplicamos a renda per capita. E daí combater a pobreza
desse quadro, impõe-se, de forma inarredável e urgente, a fica mais fácil.
adoção de uma ética de corresponsabilidade entre os três
(Entrevista com Carlos Langoni. Revista Época, 26 ago.
grandes setores da vida nacional. Cumpre ao Estado não
2002, p. 17)
abrir mão de seus fins universais e se empenhar na cons-
trução de políticas públicas efetivamente redistributivas e
autopromotoras. Ao mundo empresarial cabe identificar 141 - Indique a única opção abaixo cujo conteúdo vai
aspectos relevantes do desenvolvimento social brasileiro e de encontro às ideias contidas na entrevista.
atuar de forma complementar ao poder público, no sentido
a) A estrutura de impostos do Brasil, embora arraste
do aumento e da melhoria das ações no foco eleito. Por fim,
multidões para a informalidade, precisa continuar.
às organizações sem fins lucrativos, com sua sensibilidade,
espírito de luta e criatividade pessoal, institucional e comu- b) Precisamos dar ao comércio exterior um novo status
nitária, contribuir para a expansão dos limites do possível, e poder político para traçar estratégias.
através da produção de ideias e iniciativas que se mostrem c) Na economia globalizada, o Brasil precisa ter acesso
capazes de promover a alteração das ações do governo e aos megamercados mundiais para fazer a economia crescer.
das empresas, no que diz respeito ao bem comum. d) Hoje a carga tributária do Brasil é de 36% do PIB,
(SENNA, Viviane. Desenvolvimento Humano, Folha de índice de país desenvolvido, mas os serviços sociais são de
São Paulo, 25 ago. 2002, com adaptações) Terceiro Mundo.
101
e) A informalidade é um mundo de baixa produtivida- - Revista de Sociologia da USP. São Paulo, n. 5, v. 1-2, p.
de, só capaz de competir em preços por deixar de pagar 161-78, com adaptações)
as contas.
I. As relações entre as classes, a dinâmica das gerações e
142 - Assinale a opção que está de acordo com as ideias dos grupos de idade caracterizam-se por ritmos desiguais
do texto. espelhados nos usos diferenciais do espaço.
O principal problema brasileiro, que consiste na reto- II. A produção, a socialização, o consumo e as práticas
mada da confiança para possibilitar o crescimento, só terá culturais relacionam-se com os ciclos de vida no trabalho
solução possível a partir do momento em que houver um e no lazer tentando preservar as formas homogêneas dos
quadro favorável a uma redução substancial dos juros bá- espaços em que se distribuem.
sicos da economia. Para isso, as reformas tributária e pre- III. O espaço urbano expressa conflitos multifacetados e
videnciária são pré-condições estratégicas. A tributária é abriga um conjunto intenso de relações, que, embora dife-
fundamental para desonerar a indústria e elevar o poder renciadas, projetam a influência de diversas temporalidades
aquisitivo dos salários, proporcionando escala e competi- em um tempo presente.
tividade que ajudarão na substituição das importações e
no crescimento consistente dos saldos positivos na balança
a) Todos os itens estão corretos.
comercial. A previdenciária é imperiosa para construir um
sistema autossustentável de seguridade social, que conco- b) Apenas I e II estão corretos.
mitantemente invista um grande volume de poupança em c) Apenas I e III estão corretos.
projetos produtivos de longo prazo. d) Apenas II e III estão corretos.
(KAPAZ, Emerson Kapaz. Para reverter o pessimismo. e) Nenhum item está correto.
Folha de São Paulo, 31 jul. 2002)
Leia o texto abaixo para responder à questão 144.
a) Os juros básicos da economia, se reduzidos, impulsio- A população sertaneja é e será monarquista por muito
nariam as reformas tributária e previdenciária. tempo, porque no estádio inferior da evolução social em
b) Um sistema autossustentável de seguridade social que se acha, falece-lhe a precisa capacidade mental para
traria as condições para que o crescimento permita a re- compreender e aceitar a substituição do representante con-
dução dos juros. creto do poder pela abstração que ele encarna, pela lei. Ela
carece instintivamente de um rei, de um chefe, de um ho-
c) A retomada da confiança para possibilitar o cresci-
mem que a dirija, que a conduza e, por muito tempo ainda,
mento contribui para promover a elevação dos salários.
o Presidente da República, os presidentes dos Estados, os
d) Com a desoneração da indústria e com a elevação chefes políticos locais serão o seu rei, como, na sua inferio-
dos salários, há condições estratégicas para a reforma tri- ridade religiosa, o sacerdote e as imagens continuam a ser
butária e para investimentos em projetos produtivos de os seus deuses. Serão monarquistas como são fetichistas,
longo prazo. menos por ignorância do que por um desenvolvimento
e) As reformas tributária e previdenciária são o passo intelectual, ético e religioso, insuficiente ou incompleto.
prévio para favorecer a redução dos juros básicos da econo- (RODRIGUES, Nina. As Coletividades Anormais. Brasília:
mia, e, consequentemente, a retomada da confiança para Senado Federal, Conselho Editorial, 2006)
que haja crescimento.
102
c) Todas as grandes instituições que, na civilização des- traços da polpa de um dedo humano, as gotas do mesmo
te fim de século, garantem a liberdade individual e dão o fluido, os argueiros do mesmo pó, as raias do espectro de
cunho da igualdade dos cidadãos perante a lei são mal um só raio solar ou estelar. A regra da igualdade não con-
compreendidas, sofismadas e anuladas por essa gente. siste senão em quinhoar desigualmente os desiguais, na
d) Seria ingênuo esperar que pudesse ser outro o senti- medida em que se desigualam. Nesta desigualdade social,
mento político do sertanejo; seria preciso negar a evolução proporcionada à desigualdade natural é que se acha a ver-
política e admitir que os povos mais atrasados e incultos dadeira lei da igualdade. O mais são desvarios da inveja, do
podem, sem maior preparo, compreender, aceitar e praticar orgulho ou da loucura. Tratar com desigualdade a iguais,
as formas de governo mais liberais e complicadas. ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante,
e não igualdade real. Os apetites humanos conceberam
e) O que não se pode exigir delas é que perfilem entre
inverter a norma universal da criação, pretendendo não
os que estão de posse do poder e os que disputam essa
dar a cada um na razão do que vale, mas atribuir o mesmo
posse, capitaneados por verdadeiros régulos de que os ja-
a todos, como se todos se equivalessem.
gunços representavam apenas o exército, a força material.
Esta blasfêmia contra a razão e a fé, contra a civilização
e a humanidade, é a filosofia da miséria, proclamada em
Leia o texto abaixo para responder à questão 145.
nome dos direitos do trabalho; e, executada, não faria senão
Pode até mesmo parecer um pouco antagônica a con- inaugurar, em vez da supremacia do trabalho, a organiza-
jugação dos termos “tecnologia” e “política”, mas a prática ção da miséria. Mas, se a sociedade não pode igualar os
– e sua intensidade – com que se desenvolve o processo que a natureza criou desiguais, cada um, nos limites da sua
de convencimento popular em tempos atuais, com toda energia moral, pode reagir sobre as desigualdades nativas,
a “sofisticação” de recursos – não necessariamente técni- pela educação, atividade e perseverança. Tal a missão do
cos – que se possa imaginar, nos leva a admitir a absoluta trabalho.
compatibilidade entre aqueles termos, ao ponto em que
Oração aos moços (Rui Barbosa)
imaginar-se uma candidatura sem o arrojo dos “avanços”
estratégicos políticos é o mesmo que se predispor à mais
imprevisível das aventuras. Segundo dados da ONU, dois 146 - Basicamente, o texto interpreta e analisa dados
terços da população mundial não se sente representada da realidade por meio de:
por seus governos e tem uma péssima opinião sobre a a) aspectos simultâneos de um objeto;
honestidade e sentido público dos políticos, muitas vezes
b) mudanças de estado das personagens;
sendo o voto uma manifestação “mais contra o que se teme,
do que a favor do que se espera”. c) conceitos abstratos;
(DE OLIVEIRA, Alexandre Vidigal. Tecnologia política d) ações progressivas.
e a globalização da crise de representatividade. Correio
Braziliense, 14 out. 2002, com adaptações) 147 - No texto, o enunciador não se destaca porque
pretende:
145 - Considerando que as opções a seguir constituem, a) ocultar a sua opinião;
no conjunto, uma reescritura para o primeiro parágrafo do
b) neutralizar as informações;
texto, assinale o trecho que apresenta erro gramatical ou
desrespeita as ideias do texto. c) enfatizar as ideias expostas;
a) A intensidade da prática, no entanto, nos leva a admi- d) diluir o impacto da sua opinião.
tir a absoluta compatibilidade entre aqueles termos.
b) Esses “avanços” estratégicos são, portanto, o mesmo 148 - Quando o autor declara: “O mais são desvarios da
que se predispor à mais imprevisível das aventuras. inveja, do orgulho ou da loucura”, visa a:
c) Tal processo apresenta toda a sofisticação de recursos a) ampliar a argumentação;
que se possa imaginar; recursos estes não necessariamente b) restringir a validade dos seus argumentos;
técnicos.
c) dar consistência à argumentação;
d) Isso leva ao ponto de não mais se imaginar uma
d) desacreditar opiniões contrárias às suas.
candidatura desprovida dos avanços estratégicos políticos.
e) O processo de convencimento popular em tempos
atuais se desenvolve com a prática. 149 - O texto declara que, em relação à regra de igual-
dade social, a verdadeira igualdade consiste em:
a) dar diferentemente a iguais entre si;
TEXTO para as cinco questões abaixo – 146 a 150.
b) dar a cada um na razão do que vale;
Não há, no universo, duas coisas iguais. Muitas se pa-
recem umas às outras. Mas todas entre si diversificam. Os c) dar igualmente aos diferentes entre si;
ramos de uma só árvore, as folhas da mesma planta, os d) dar igualmente a todos.
103
150 - Segundo o texto, a impotência da sociedade para 151 - Considere as seguintes afirmações:
compensar as diferenças naturais pode ser suprida: I. A comparação entre exercícios físicos e utilização de
a) pela ação do direito; drogas é possível porque, em ambos os casos, a dependên-
b) pela distribuição de bens; cia é causada tão-somente por fatores psicológicos.
c) pela ambição pessoal; II. A dopamina e a endorfina são neurotransmissores
que, de modo combinado, fazem com que algumas pes-
d) pelo trabalho de cada um.
soas se tornem dependentes de exercícios físicos.
III. Nosso organismo, estimulado pela prática de exer-
As questões de números 151 a 153 referem-se ao cícios físicos, libera a endorfina, um neurotransmissor que
texto que segue. pode causar dependência comparável à causada pelas
drogas.
104
GABARITO
1-A 2-B 3-C 4-A 5-B 6-A 7-A 8-C
9 -E 10 - C 11 - E 12 - B 13 - D 14 - B 15 - D 16 - C
17 - B 18 - D 19 - E 20 - B 21 - E 22 - D 23 - A 24 - *
25 - B 26 - E 27 - D 28 - C 29 - D 30 - B 31 - A 32 - D
33 - E 34 - E 35 - E 36 - B 37 - E 38 - D 39 - E 40 - B
41 - E 42 - B 43 - A 44 - E 45 - D 46 - E 47 - C 48 - B
49 - A 50 - C 51 - B 52 - E 53 - E 54 - * 55 - D 56 - A
57 - D 58 - E 59 - A 60 - D 61 - B 62 - A 63 - A 64 - E
65 - D 66 - A 67 - C 68 - C 69 - D 70 - E 71 - E 72 - A
73 - A 74 - B 75 - D 76 - E 77 - A 78 - A 79 - D 80 - B
81 - E 82 - D 83 - C 84 - C 85 - E 86 - E 87 - A 88 - B
89 - E 90 - D 91 - C 92 - D 93 - B 94 - B 95 - B 96 - D
97 - E 98 - B 99 - B 100 - B 101 - D 102 - D 103 - D 104 - C
105 - B 106 - C 107 - E 108 - A 109 - D 110 - C 111 - A 112 - A
113 - C 114 - E 115 - B 116 - D 117 - A 118 - B 119 - D 120 - E
121 - B 122 - B 123 - B 124 - E 125 - C 126 - D 127 - A 128 - D
129 - A 130 - E 131 - C 132 - B 133 - A 134 - C 135 - C 136 - D
137 - B 138 - E 139 - B 140 - A 141 - A 142 - A 143 - C 144 - A
145 - B 146 - C 147 - B 148 - D 149 - B 150 - D 151 - A 152 - A
153 - B
105