LIBRAS
UNIDADE 1
O surdo na sociedade
Para Refletir
• A disciplina de Língua Brasileira de Sinais foi idealizada para que estudantes
tenham contato relacionado a língua de sinais, a cultura surda, os preconceitos
linguísticos existentes no brasil, as abordagens de ensino para a educação de
surdos.
• Você sabia que a língua de sinais já é reconhecida como meio legal de
comunicação?
Unidade 1 | Introdução
Diante do contato com os surdos, você perceberá a cultura da comunidade e
como muitos sentem-se inseguros com a aproximação e presença de ouvintes,
por conta da incompreensão. Esse comportamento é resultado das ações de mais
de dois séculos, o que ainda perdura até hoje, porém o passado foi necessário
para chegarmos a um presente mais adequado. Entendeu? No decorrer da
unidade nos aproximaremos juntos desse universo surdo.
Unidade 1 | Objetivos
1. Compreender o processo de inclusão do surdo no sistema educacional e a luta
por garantia de direitos sociais.
2. Identificar os meandros da história da educação de surdos no Brasil e a quebra
de preconceitos sociais e educacionais no país.
3. Aplicar as legislações norteadoras das ações no entorno da Libras.
4. Refletir sobre a inserção da pessoa surda na escola regular e o contexto em que
ela ocorre na atualidade.
Contexto Histórico
• A deficiência auditiva é uma diferença de atuação na sociedade entre um
indivíduo e a sua capacidade para a retenção dos sons.
• Acomete aqueles que nascem com a audição intacta e pode acontecer por
doença que causa a inutilidade da audição ou até traumatismos e/ou lesões.
• Quadros (2004) afirma que o hemisfério esquerdo do cérebro é responsável pela
linguagem, e o direito é responsável pelo processamento da informação
espacial. Sabendo que a Libras é organizada espacialmente, por ser uma
informação visual, você acha que essa língua estaria localizada no hemisfério
direito do cérebro? Pois a resposta é não! Como a língua de sinais tem uma
organização semelhante à língua oral, sua estrutura neurológica está vinculada
ao hemisfério esquerdo do cérebro, o responsável pela linguagem.
• São pertencentes à cultura surda aqueles que não possuem audição, por isso,
para facilitar a sua vida, aprendem a língua de sinais para se expressar. Os
deficientes auditivos, que por alguma doença ou trauma em alguma situação da
vida adquiriram a surdez, aprenderão uma nova forma de interação: a língua
dos sinais. Como consequência de uma forma de expressão comum com os
surdos, surge a pertinência à comunidade surda.
Cultura Surda
• Vamos refletir juntos sobre como se dá a cultura surda?
• Para você o que é cultura? Será que ela é retratada apenas como arte?
• Não, não devemos nos prender somente a isso. Existem várias formas de
expressão e entendimento do conceito de cultura. Muitos significados indicam o
que é a cultura, mas vamos considerar como uma linha de comportamento que
traz uma percepção de um grupo social, no caso, os surdos.
A história da cultura surda já vem
de muito tempo. Eles foram
obrigados a desenvolver a língua
falada, mas a língua falada não
fazia nenhum sentido, já que o
vocabulário não remetia a
nenhum significado. A partir da
introdução da língua de sinais, foi
possível a compreensão da
linguagem e de tudo que lhe
rodeava.
Relato Solitário
• Existe relatos da solidão de pessoas surdas que enfrentaram o preconceito e
descaso. Exemplo disso é o livro chamado “O voo da gaivota”, que é uma
autobiografia deu uma autora surda chamada Emanuelle Laborit, que relata a
sua rotina solitária. Por orientação médica, foi recomendada a não se relacionar
com nenhum surdo, porque deveria ter em mente o aprendizado da língua oral.
• Mesmo fazendo uso do aparelho auditivo, as palavras expressadas oralmente
não faziam sentido: “Quero entender o que dizem. Estou enjoada de ser
prisioneira desse silêncio que eles não procuram romper. Esforço-me o tempo
todo, eles não muito. Os ouvintes não se esforçam. Queria que se esforçassem”
(LABORIT, 1994, p. 39).
Após a leitura e conhecimento
desse relato, podemos nos
conscientizar e atestar que a
língua de sinais traz um novo
sentido para a pessoa surda, abre
os caminhos para a comunicação
e compreensão daquilo que
ainda era desconhecido,
possibilitando a comunicação.
Acesso ao conhecimento
• É comum ouvirmos que o termo “cultura” não está relacionado diretamente à
língua de sinais, como se a cultura fosse formada apenas pela representação
linguística.
• A língua de sinais foi uma estratégia de relacionamento, interação com o
mundo, ajudou a tirá-lo do isolamento, da falta de comunicação que o cercava.
• A cultura para o surdo é a comunidade onde ele está inserido, onde se comunica
e desenvolve as expressões e interações na sua língua.
• Esse reconhecimento traz uma bagagem de perseverança, lutas contra o
preconceito e conquista pelo respeito à língua dos sinais.
• A pessoa surda que se reconhece tem consciência da sua identidade, pessoas
surdas também têm uma identidade diferente de pessoas ouvintes. Há uma
identidade para o surdo e ela se difere da do ouvinte, assim como há diferença
entre os próprios surdos. Como pontua Perlin (1998), há 5 possibilidades de
identidade para o surdo:
Identidades
• Identidade surda híbrida;
• Identidade de transição;
• Identidade surda incompleta;
• Identidade flutuante.
Surdez no conceito clínico
A língua de sinais não é uma
mímica, uma gesticulação,
incapaz de apresentar coisas
abstratas.
Surdez no conceito antropológico
• A sociedade não aceitou positivamente a introdução da língua de sinais.
Impedimentos na aceitação por parte da socidade pressionava o surdo e suas
famílias, que eram impedidas de se articular com gestos e eram punidas e
obrigadas a se expressar oralmente.
• Há a ideia equivocada da leitura labial, que motiva o surdo a comunicar-se de
forma oral com uma pessoa ouvinte. Há o mito de que os surdos só ouvem o
que querem.
ASPECTOS FILOSÓFICO E LEGAL NA
EDUCAÇÃO DO SURDO
• O contato da criança com a língua de sinais influencia na capacidade da
formação de pensamento, e o ambiente em que ela está inserida deverá
proporcionar o servir dessa língua.
O Bilinguismo na Educação dos Surdos
• Libras - Língua de Sinais Brasileira
• Língua Portuguesa escrita
• Os surdos precisam e devem ter acesso a uma educação bilíngue, que dê ênfase
à língua de sinais como sua língua natural, bem como o aprendizado da língua
portuguesa, como segunda língua” (BRASIL, 2006, p. 71).
• Em 2012, o município de ensino da cidade de São Bernardo do Campo, na
grande São Paulo, criou as Escolas Polo para priorizar a educação de alunos
surdos.
• Denominam-se escolas de educação bilíngue aquelas em que a Libras e a
modalidade escrita da Língua Portuguesa são línguas de instrução inseridas na
construção de todo o processo educativo.
A educação bilíngue, segundo o Decreto Federal (Brasil, 2005), está dividida em:
• Ensino infantil e nos anos iniciais do fundamental;
• Anos finais do ensino fundamental, no médio e no profissional.
• A educação bilíngue definida no decreto coloca um ponto central do processo
pedagógico a Libras. Isso fica claro com a afirmação de que se deve “ofertar,
obrigatoriamente, desde a educação infantil, o ensino da Libras e também da
Língua Portuguesa, como segunda língua para alunos surdos” (Brasil, 2005).
• É necessário que se pense em formas peculiares de avaliação, tanto para o
ensino de Libras como língua materna e Língua Portuguesa como segunda
língua.
“[...] adotar mecanismos de avaliação coerentes com aprendizado de segunda
língua, na correção das provas escritas, valorizando o aspecto semântico e
reconhecendo a singularidade linguística manifestada no aspecto formal da
Língua Portuguesa; desenvolver e adotar mecanismos alternativos para a
avaliação de conhecimentos expressos em Libras, desde que devidamente
registrados em vídeo ou em outros meios eletrônicos e tecnológicos” (Brasil, 2005).