Heterocomposição: Meio de solução de conflito onde um terceiro imparcial decide.
Divide-se
em arbitragem e Jurisdição (processo, onde o juiz imparcial decide sobre a lide).
Arbitragem: Cabe quando tiver um direito patrimonial disponível e não envolver incapazesÉ
uma jurisdição privada, onde as partes combinam previamente (por um contrato), quem vai
decidir o conflito. Essa cláusula arbitral deve ser cumprida (pacta sunt servanda).
➔ Quem pode ser árbitro? Qualquer pessoa capaz, que tenha confiança (devendo o
árbitro ser imparcial).
➔ Vantagens: É sigiloso, mais rápido, liberdade de escolher quem vai ser o árbitro, mais
simples, quem decide entende sobre o assunto.
→ Vale lembrar que caso o assunto da arbitragem envolva uma pessoa incapaz, não pode ser
resolvido pela arbitragem;
→ Arbitragem não é gratuita.
→ Não cabe recurso contra sentença arbitral.
Obs: o que está por trás da arbitragem é diminuir a pilha de processos do poder judiciário
Convenção da Arbitragem: Cláusula compromissória (partes capazes, assumindo
previamente que, em caso de conflito, a solução se dará por meio da arbitragem) + cláusula
arbitral (acordo em que as partes assinam e decidem resolver por meio da arbitragem,
escolhendo um árbitro, em vez de recorrer à justiça).
Compromisso Arbitral: todos precisam assinar para dar início á arbitragem
Pedido de instituição da arbitragem: Quando uma das partes se recusa a submeter o
conflito à arbitragem (havendo a cláusula compromissória), não querendo assinar o
compromisso arbitral → A parte que quer deve entrar com uma ação no judiciário para forçar a
arbitragem.
Obs: A parte que não pagar as despesas da arbitragem, não terá o seu pedido apreciado.
Princípios que não podem ser violados na arbitragem:
• Isonomia
• Imparcialidade
• Contraditório
• Ampla defesa
• Devido Processo legal
Prazo para prolação da sentença Arbitral:
• Deve ser proferida no prazo estipulado pelas partes, caso não estipulem, até seis
meses.
• 5 dias para corrigir erro material, esclarecer obscuridade ou contradição.
• Expirado o prazo, tendo a parte interessada notificar o árbitro, concede-se o prazo de
10 dias para prolação e apresentação da sentença arbitral.
Na cláusula compromissória deve conter:
• Nome, profissão, informações das partes
• Nome, profissão, informações do árbitro
• Matéria a qual será objeto de arbitragem
• Local em que será proferida a sentença arbitral.
Compromisso arbitral será extinto quando:
• Quando o árbitro não quer resolver a lide e não há um substituto.
• Falecimento ou impossibilidade do árbitro dar seu voto.
• Tendo expirado o prazo de 6 meses, desde que a parte tenha comunicado o árbitro,
concedendo-lhe o prazo de 10 dias.
Requisitos obrigatórios para sentença arbitral:
• Relatório (Resumo)
• Fundamentos da decisão (análise das questões de fato e de direito).
• Dispositivo (Conclusão) – árbitros resolverão as questões que ainda não foram
resolvidas.
• Data e lugar que foi proferida.
OBS → Obrigatório que seja nessa ordem.
Hipóteses taxativas de nulidade da sentença arbitral:
• For nula a convenção de arbitragem.
• Emanou de quem não podia ser árbitro
• Não tiver os requisitos obrigatórios da sentença arbitral (relatório, fundamento [Link].)
• For proferida fora dos limites da convenção de arbitragem.
• Comprovada que houve prevaricação ou corrupção passiva.
• Proferida fora do prazo
• Desrespeito aos princípios
Autocomposição: Não é um terceiro que decide, e sim as próprias partes que chegam a um
consenso. Ou quando umas das partes desiste do processo, o juiz vai só homologar a decisão e
não decidir
Fonte do direito:
• Lei
• Costume
• Doutrina
• Jurisprudência
Precedente vinculante: Há uma obrigatoriedade (juiz não pode decidir contra). Precedente
vinculante vai tratar de direito e não de fato. Na esfera penal, há somente precedentes e não
precedentes vinculantes. No âmbito civil, a finalidade do precedente vinculante é uniformizar a
jurisprudência do tribunal e trazer segurança jurídica ao ordenamento jurídico.
São precedentes vinculantes:
• Acórdão/decisões do STF em controle concentrado de constitucionalidade – eficácia
erga omnes – vinculam todos.
• Enunciados de súmula vinculante: Ex: Súmula vinculante numero 55 diz que o direito
ao auxílio-alimentação não se estende aos servidores inativos.
• Acórdãos IAC e IRDR
• Acórdãos em julgamento de recurso extraordinário e especial repetitivo. Recurso
especial repetitivo: julgado pelo STJ para falar sobre lei federal. Recurso extraordinário
repetitivo: Julgado pelo STF, matéria constitucional.
• Os enunciados das súmulas do STF em matéria constitucional e do STJ em matéria
infraconstitucional (lei federal).
• A orientação do plenário ou do órgão especial aos quais tiverem vinculados.
Eficácia da norma processual: Aplicação imediata aos processos pendentes.
IMPORTANTE - As leis processuais são de efeito imediato perante os feitos pendentes, mas não
são retroativas, pois só os atos posteriores à sua entrada em vigor é que se regularão por seus
preceitos.
Princípios Constitucionais do processo
Princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional: Juiz não pode deixar de
decidir alegando lacuna ou obscuridade no ordenamento jurídico (art. 4 LINDB).
• Direito de acesso à justiça
• Arbitragem: O judiciário não fica totalmente fora.
Por que a arbitragem cumpre com o Princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional?
R: Devido a possibilidade das partes, em caso de nulidade ou algum vício na arbitragem,
recorrerem ao judiciário para resolver o conflito. Os árbitros, embora não tenham os mesmos
poderes do juiz, não afasta o poder jurisdicional do Estado. Isso porque, o árbitro tem o poder
de dizer o direito (Jurisdição).
• Recurso: Quem recorre é porque está inconformado com a decisão. (é o princípio do
duplo grau de jurisdição dentro da inafastabilidade do controle jurisdicional). Todos
possuem o direito de, ao menos 2 vezes, rever a sentença por dois órgãos distintos em
momentos distintos. Reduz o grau de inconformismo.
• Concessão de tutelas provisórias – inaudita altera parte – é uma medida judicial que
permite ao juiz decidir rapidamente sobre um pedido urgente sem ouvir a parte
contrária primeiro. É utilizada em situações onde a demora do processo pode causar
danos irreparáveis ou difíceis de reparar, onde se tem grande chance de ter razão.
Princípio da publicidade e da Fundamentação das decisões judiciais:
• Os processos em geral são públicos, no entanto, há casos em que há uma intimidade
pessoal das partes, ou há interesse público em correr em segredo de justiça.
OBS: A arbitragem é sigilosa, só haverá publicidade quando envolver o poder público.
• Só a menção do dispositivo (artigo) não é fundamentar.
• Juiz deve explicar o porquê daquela decisão.
• Juiz deve fundamentar o motivo o qual decidiu.
• Analisar todos os argumentos (entra o princípio da ampla defesa, contraditório).
A decisão judicial deve ser interpretada a partir da conjugação de todos os seus elementos e
em conformidade com a boa-fé.
Princípio do contraditório e da Ampla defesa: É um princípio dialético, um fala e o
outro tem direito a se defender. É necessário que haja a participação de todos e não somente
do polo passivo. Contraditório é comunicação, participação, não é somente defesa.
• Necessidade de diálogo e proibição de decisão surpresa: “não se proferirá decisão
contra uma das partes sem que ela seja previamente ouvida.” → Contraditório
Há algumas exceções, como tutela provisória inaudita altera parte:
• Tutela provisória de urgência: Finalidade de evitar a demora do processo, será
concedida quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e
perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo (tem urgência). Ex: Pessoa
precisa de uma cirurgia de urgência, caso demore muito ela possa morrer, e o Estado
ou plano de saúde não quer cobrir – juiz concede essa tutela.
• Tutela provisória de Evidencia: Não é uma situação de urgência, mas é de caráter
provisório, o direito é tão evidente, tão claro, a probabilidade do autor ganhar a ação é
tão grande, que não seria razoável fazer ele esperar até o final do processo.
→OBS: Não fere o princípio do contraditório e da ampla defesa, porque o contraditório (onde a
parte vai se defender) vai ser apenas adiado\diferido
Contraditório efetivo – Exige que as partes sejam cientificadas de tudo que ocorre no decorrer
do processo, para que haja possibilidade de manifestação sobre provas e argumentos para que
de alguma forma influencie a decisão do juiz.
Contraditório substancial/isonomia processual: Igualdade de condições entre as partes –
“paridade de armas” – garantindo que nenhuma delas tenha vantagem processual sobre a outra.
Preservando a justiça e a equidade no andamento do processo
Princípio da vedação de provas ilícitas: São inadmissíveis, no processo, as provas
obtidas por meios ilícitos. É excepcionalmente admitida se não houver outro meio de prova e o
direito for relevante. Ex: Discussões relacionadas ao menor – prevalece o direito do menor em
relação a prova ilícita.
Princípio do acesso à Justiça: O Estado prestará assistência integral e gratuita aos que
comprovarem insuficiência de recursos (gratuidade da justiça, defensoria pública ou jus
postulandi, no JEC, justiça do trabalho, HC.
• Gratuidade da justiça – formulado na petição inicial; juiz só poderá indeferir o pedido se
tiver elementos que evidenciem a falta de pressupostos legais para concessão da
gratuidade. O juiz deve determinar que a parte que pediu a gratuidade da justiça
comprove os requisitos legais. Presume-se verdadeira a alegação de insuficiência
deduzida exclusivamente por pessoa natural (ou seja, a PF não precisa comprovar a
gratuidade desde o início, somente se o juiz ou a outra parte contestar)
Para PJ é mais difícil conseguir a gratuidade, pois precisa comprovar desde o início.
Princípio da duração razoável do processo: Assegura que as partes envolvidas em um
litígio tenham seus casos resolvidos em um tempo adequado, evitando a morosidade judicial.
Incentivando as partes a todo momento a optarem pela autocomposição (conciliação,
mediação) ou a arbitragem para diminuir pilha de processos no poder judiciário
Princípio da presunção da inocência: Exclusivamente penal – “Ninguém será
considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”
Princípio do Juiz natural: O Juiz deve surgir naturalmente o processo – o juiz não tem
direito de escolher o processo e eu não tenho direito de escolher o juiz para o processo. Além
de competente, o magistrado deve ser imparcial, não pode ser impedido ou suspeito para
decidir.
JUIZ NATURAL x ARBITRAGEM → Na arbitragem, as partes podem escolher o árbitro, o que
difere do sistema judicial, onde não é permitido escolher o juiz.
Princípio do devido processo legal: É como um supraprincípio que servia de inspiração
para os demais princípios do direito processual – Originou da magna carta – “– Rei João sem-
terra Art. 5º, LIV, CF - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido
processo legal”
Visa proteger o réu contra a atuação ilegal do Estado, que somente poderá privá-lo de sua
liberdade ou de seus bens após o processo obediente aos meios processuais adequados.
Boa-fé: As partes possuem o dever de agir com base em valores éticos e morais da
sociedade. "Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportar-se de acordo
com a boa-fé”