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Comportamento Alimentar na Vida Adulta

O documento explora a relação entre hábitos alimentares na vida adulta e o envelhecimento, destacando como experiências da infância influenciam escolhas alimentares na idade adulta. Aborda a importância de hábitos saudáveis e o impacto de uma alimentação desequilibrada na saúde, especialmente entre idosos. Além disso, discute a evolução do ato de cozinhar e sua relevância cultural e social na formação de comportamentos alimentares.
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Comportamento Alimentar na Vida Adulta

O documento explora a relação entre hábitos alimentares na vida adulta e o envelhecimento, destacando como experiências da infância influenciam escolhas alimentares na idade adulta. Aborda a importância de hábitos saudáveis e o impacto de uma alimentação desequilibrada na saúde, especialmente entre idosos. Além disso, discute a evolução do ato de cozinhar e sua relevância cultural e social na formação de comportamentos alimentares.
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CICLOS DA VIDA – EXPLORANDO

O COMPORTAMENTO
ALIMENTAR

UNIDADE III
VIDA ADULTA E
ENVELHECIMENTO
Elaboração
Patrícia Carneiro Gomes

Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração
SUMÁRIO

UNIDADE III

CAPÍTULO 1
HÁBITOS DE UMA VIDA INTEIRA.......................................................................................... 5
CAPÍTULO 2
RESGATE DA CULINÁRIA E A COMENSALIDADE.................................................................. 11
CAPÍTULO 3
SUPERANDO OBSTÁCULOS PARA MANTER A BOA ALIMENTAÇÃO...................................... 16
REFERÊNCIAS.........................................................................................................................23
VIDA ADULTA E UNIDADE III
ENVELHECIMENTO

Capítulo 1
HÁBITOS DE UMA VIDA INTEIRA

Figura 23. Hábitos de uma vida.

Fonte: [Link]
os-60-anos,[Link].

A prática de hábitos saudáveis de alimentação é um grande desafio da vida adulta


no mundo contemporâneo. A idade adulta tem início aos 19 anos de idade e a
independência que acompanha o início desse novo ciclo da vida dará a permissão para
se alimentar livremente, fazendo suas escolhas independentemente da alimentação do
restante da família.

Nesse momento, os reflexos da relação construída com a comida na infância e o


comportamento alimentar irão se manifestar, porém sujeitos à influência de novos
hábitos que a rotina diária irá imprimir.

Crianças que tiveram alimentação muito rigorosa e controlada, desejando alimentos que
não podiam ter acesso na infância (seja pela proibição dos pais ou pela falta de condições
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UNIDADE III | Vida adulta e envelhecimento

financeiras em adquiri-los), podem iniciar comportamento compulsivo em relação a esses


alimentos ao ter condições financeiras para o consumo (ALVARENGA et al., 2019).

Crianças que desenvolveram o hábito de comer com estímulos eletrônicos e sem se sentar
à mesa (comendo no sofá, por exemplo) reforçarão esse comportamento ou, ainda, o
terão como uma zona de conforto ao retornar para casa, ao fim de um dia de trabalho.

Um terceiro fator de importante influência da alimentação da infância para a vida adulta


(além do desejo do que não tinha acesso e do modo de comer de forma prazerosa) é o
chamado “comida de conforto”. Alimentos que confortam quando criança surgem no
desejo do adulto em momentos de estresse, numa busca inconsciente da segurança e
tranquilidade que aquilo representou em sua infância.

Os alimentos de conforto podem ser um bolo feito pela mãe ou pela avó, de forma
caseira, com ingredientes selecionados, ou um achocolatado de caixinha, em embalagem
longa vida, industrializado. Independentemente se essa memória resgata o desejo de
um alimento natural e considerado mais saudável ou ultraprocessado, é a construção do
comportamento alimentar que se manifestará nesse momento pelo consumo prazeroso
e equilibrado ou pelo consumo desordenado e compulsivo, comendo em excesso na
busca de resolver as emoções que causam desconforto (LIGUORI et al., 2020).

Você se lembra da sua infância e de ter desejado comer algo que não lhe era
acessível ou permitido? Ao entrar na vida adulta e ter condições de comer, como
foi sua experiência? Você comeu e se decepcionou, percebendo que não era
nada demais? Ou você comeu uma quantidade enorme para saciar uma vontade
guardada por anos?

Em relação ao modo de comer na vida adulta[…] Você conhece alguém que fora
de casa faz as refeições à mesa, porque é assim a disposição em restaurantes e
lanchonetes, mas em casa só consegue fazer as refeições no sofá e dessa maneira
se sente num momento de relaxamento e descanso?

Saiba que nossos hábitos prazerosos da infância, que trazem memórias relacionadas
ao prazer e à segurança, são mantidos na vida adulta de forma inconsciente a fim
de viver a mesma emoção, por isso uma criança que passou a infância comendo
de forma segura no sofá, assistindo à televisão, buscará esse hábito na vida adulta,
após um dia intenso de trabalho, a fim de viver a mesma sensação de bem-estar e
relaxamento. Essa é a razão pela qual a formação de hábitos saudáveis do modo
de comer na infância, associados a bons momentos, é tão importante!

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Vida adulta e envelhecimento | UNIDADE III

Figura 24. Comendo no sofá.

Fonte: [Link]

Atualmente, temos consciência de que uma alimentação desequilibrada lidera o ranking


como um fator de risco relacionado a doenças crônicas não transmissíveis no mundo.
O Ministério da Saúde afirma que a melhoria nas condições de alimentação da população
é capaz de prevenir uma em cada cinco mortes no mundo (BRASIL, 2021).

O perfil de consumo da população brasileira, segundo análises realizadas a partir


dos dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2017-2018, que examinou
minuciosamente a alimentação de uma amostra superior a 40.000 brasileiros a partir
de dez anos de idade, apontou um padrão de consumo alimentar do adulto brasileiro
caracterizado, em sua maioria, pelo consumo de alimentos in natura ou minimamente
processados, principalmente feijão e arroz, seguido de carnes.

O consumo de alimentos ultraprocessados ocupa ⅕ das calorias consumidas em um


dia. Biscoitos salgados, salgadinhos de pacotes, pães industrializados, biscoito doce,
frios e embutidos lideram essa lista.

A mesma pesquisa avaliou o padrão de consumo alimentar da pessoa idosa brasileira.


Neste público, também predomina o consumo de alimentos in natura ou minimamente
processados, principalmente feijão e arroz, seguidos de carnes e leite. No entanto, chama
atenção o consumo insuficiente de frutas, verduras e legumes.

O consumo de alimentos ultraprocessados marca presença com 15% das calorias


consumidas num dia, com destaque para bolachas salgadas e pães industrializados,
seguidos dos doces e guloseimas. Estudos desse ciclo da vida também indicam que é

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UNIDADE III | Vida adulta e envelhecimento

comum entre as pessoas idosas a troca de refeições principais, baseadas em preparações


culinárias (particularmente o jantar), por lanches, por exemplo, pães, leite, biscoitos e
outros alimentos ultraprocessados como salsichas e presunto (IBGE, 2020)

Leia mais sobre a Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018: primeiros resultados


(IBGE, 2020) no link a seguir.

[Link]

Em 2014, o Ministério da Saúde publicou o “Guia Alimentar para a População Brasileira”


(para o qual temos um capítulo inteiro dedicado na disciplina Educação e Reeducação
Alimentar) e, em 2021, lançou uma série que conta com cinco fascículos contendo
“Protocolos de Uso do Guia Alimentar para a População Brasileira”.

Os fascículos apresentam a base metodológica para a elaboração dos protocolos, as


orientações para compreensão e utilização da orientação alimentar voltado para a
população adulta, idosa, gestante, criança e adolescente.

O “Guia Alimentar para a População Brasileira” e seus fascículos estão disponíveis


na internet para acesso gratuito. Conheça por completo essa ferramenta de saúde
pública no processo de educação alimentar e nutricional (BRASIL, 2014):

[Link]
brasileira_2ed.pdf.

Os fascículos 1 e 2, “Protocolos de Uso do Guia Alimentar para a População


Brasileira na Orientação Alimentar: Bases Teóricas e Metodológicas e Protocolo
para a População Adulta” e “Protocolo de Uso do Guia Alimentar para a População
Brasileira na Orientação Alimentar da Pessoa Idosa” , respectivamente estão
disponíveis nos seguintes links:

[Link]

[Link]

Os protocolos destacam os agravos relacionados à alimentação da população brasileira,


carências, excessos e estratégias de atuação na atenção primária do Sistema Único
de Saúde. Cada vez mais, observamos o ganho de consciência no que se refere ao
comportamento alimentar e à importância de valorizar o “como comer” e não apenas
“o que comer”.

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Vida adulta e envelhecimento | UNIDADE III

Ainda sobre a alimentação do idoso, o segundo fascículo destaca que as alterações


fisiológicas, psicológicas e sociais bem como a ocorrência de doenças crônicas, o uso
de medicações, dificuldades para comer e alterações da mobilidade exercem grande
influência sobre o estado nutricional e a motivação para se alimentar.

Figura 25. A melhor idade.

Fonte: [Link]

Características comuns nas(os) idosas(os) que impactam a maneira como se alimentam:

» Perda cognitiva ou perda da autonomia para comprar, preparar alimentos e


alimentar-se.

» Perda ou redução da capacidade olfativa, perda de apetite, diminuição da


percepção de sede e da temperatura dos alimentos.

» Perda parcial ou total da visão, o que dificulta a seleção, o preparo e o consumo


dos alimentos.

» Dificuldade de mastigação por dores nas articulações mandibulares, perda parcial


ou total dos dentes, dificuldade de adaptação de prótese dentária ou agravos que
dificultam o controle dos movimentos de mastigação e deglutição.

Além desses aspectos, é fundamental que a(o) profissional de saúde esteja atenta(o)
à vulnerabilidade social, ao contexto socioambiental, às disfunções fisiológicas e à
dependência funcional desse usuário para uma orientação alimentar mais adequada.

Ressalta-se a necessidade de avaliação, por parte das(os) profissionais de saúde, da


capacidade funcional e da rede de apoio de idosos a fim de possibilitar orientações mais

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UNIDADE III | Vida adulta e envelhecimento

próximas das necessidades e compreender qual o suporte disponível para as tarefas


que envolvem a alimentação, como planejamento, compras e preparo.

É necessário considerar ainda que alguns indivíduos podem não contar com familiares ou
cuidador(a) para auxiliar nas atividades diárias, e a alimentação pode ficar negligenciada
por passar a ser vista como uma tarefa difícil de ser desempenhada sozinha. Se a pessoa
idosa apresentar uma limitação funcional maior, as recomendações do protocolo de
cuidados devem ser feitas às(aos) cuidadoras(es) responsáveis.

Em casos de maior complexidade clínica e fragilidade funcional, é necessário envolver


uma equipe multiprofissional, como a equipe do Núcleo Ampliado de Saúde da Família
(NASF) ou equipes da atenção secundária especializada, para que o diagnóstico e a
escolha da conduta mais adequada sejam realizados na perspectiva de um cuidado
integral (BRASIL, 2021).

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Capítulo 2
RESGATE DA CULINÁRIA E A COMENSALIDADE

Nossa cultura parece estar no mínimo indecisa em relação a esse


assunto. Pesquisas de opinião confirmam que, a cada ano, cozinhamos
menos e compramos mais refeições prontas. O tempo gasto com o
preparo de refeições nos lares nos Estados Unidos caiu pela metade
desde meados dos anos 1960, quando eu assistia à minha mãe fazer o
jantar, e hoje é de apenas 27 minutos por dia. (Os americanos gastam
menos tempo cozinhando do que qualquer outro povo do mundo,
ainda que a queda seja uma tendência global.) Por outro lado, estamos
falando mais sobre culinária — e assistindo a programas de culinária,
lendo sobre o assunto e indo a restaurantes onde podemos observar
o preparo da comida em tempo real. Vivemos numa era em que
cozinheiros profissionais se tornaram celebridades, alguns deles tão
famosos quanto atletas ou estrelas de cinema. A mesma atividade que
muitas pessoas encaram como um trabalho enfadonho acabou sendo,
de alguma forma, elevada à categoria de esporte popular com público
próprio. Quando pensamos que 27 minutos é menos que o tempo
necessário para assistir a um único episódio de Top Chef ou MasterChef,
percebemos que existem hoje milhões de pessoas que passam mais
tempo vendo refeições serem preparadas na TV do que efetivamente
cozinhando. Nem preciso dizer que a comida feita na TV não é aquela
que acabamos comendo (POLLAN, 2014, p.11).

2.1. Somos evoluídos por que cozinhamos


É indiscutível que a vida adulta contemporânea nos desconecta de um hábito milenar,
que, segundo antropólogos, é uma atividade que nos define enquanto seres humanos,
racionais e civilizados.

Richard Wrangham (2009), antropólogo e primatólogo de Harvard, publicou o livro


“Pegando fogo: por que cozinhar nos tornou humanos”, no qual argumentou que foi
essa descoberta dos nossos ancestrais – não a fabricação de ferramentas, a ingestão de
carne ou mesmo a linguagem – que nos diferenciou dos macacos e nos tornou humanos.

Segundo sua “hipótese do cozimento”, o progresso da comida cozida direcionou os


rumos da evolução humana (WRANGHAM, 2009).

Cozinhar nos proporcionou não apenas a refeição, como também a ocasião: o costume
de comermos juntos num momento e num lugar determinados. Isso representou um
fenômeno novo, já que o homem que saía em busca de alimentos crus provavelmente
se alimentava sozinho enquanto se deslocava, como todos os outros animais. O ato

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UNIDADE III | Vida adulta e envelhecimento

de nos sentarmos para fazer uma refeição em comum, olhar nos olhos uns dos outros,
compartilhar a comida e nos comportar com certo decoro, tudo isso nos fez seres
civilizados (POLLAN, 2014).

Autor do livro “Cozinhar”, Michael Pollan (2014) nos convida a fazer uma analogia
entre o homem paleolítico, que saía para caçar e comia sozinho enquanto se
deslocava, como os outros animais irracionais, e o homem civilizado, que cozinha
e come em companhia. A novidade é o olhar atual sobre o que ele chama de
“Comedor Industrial”, que belisca lanchinhos o dia todo, come enquanto dirige um
carro, ou de pé em lanchonetes ou, ainda, em frente ao computador.

Como você percebe essa analogia? Acha que o ritmo do mundo contemporâneo
pode prejudicar conquistas evolutivas tão importantes?

Figura 26. Alimentação contemporânea.

Fonte: [Link]

Importante lembrar que para desenvolvermos um comportamento alimentar equilibrado


(que permita perceber os sinais de fome e saciedade do corpo, planejar refeições com
tranquilidade e comer bem, sem proibições, sem excessos, com prazer e equilíbrio), é
necessário valorizar o ato de comer e deixar de lado a mentalidade de que comer é
uma necessidade, mas o planejamento alimentar não é prioridade.

Então não cozinhar é algo ruim? Calma, vamos analisar tudo que a liberdade de não
cozinhar em casa trouxe à civilização moderna.

Aprendemos que cozinhar ocupa um lugar central na identidade, na biologia e na cultura


do homem. Deixar de cozinhar trouxe consequências à vida moderna, mas certamente
muitas delas são positivas! A transferência de grande parte do trabalho do preparo
de alimentos para empresas liberou as mulheres da obrigação de alimentar a família

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Vida adulta e envelhecimento | UNIDADE III

que, por tradição, era exclusiva delas, possibilitando que trabalhassem fora de casa e
tivessem suas próprias carreiras.

O crescimento da indústria alimentícia também permitiu uma importante diversificação


na alimentação, fazendo com que mesmo pessoas sem habilidades culinárias e com
pouco dinheiro pudessem desfrutar um tipo completamente diferente de culinária a cada
dia. O mundo globalizado e as redes de fast food permitiram que pessoas de diferentes
classes sociais pudessem conhecer culinárias do mundo todo.

Hoje boa parte da população tem condições financeiras de comer fora de casa em
todas as refeições, mas essa realidade é diferente em regiões de periferia. Mesmo ainda
cozinhando em casa, o índice de sobrepeso e obesidade nas classes mais pobres também
cresce de forma exponencial, por isso cozinhar em casa também não é o segredo
para evitar todos os problemas de saúde e não desenvolver doenças crônicas não
transmissíveis como obesidade, diabetes, cardiopatias, câncer etc.

A proposta de retomar o hábito milenar de cozinhar deve estar diretamente associada à


construção ou a ajustes do comportamento alimentar, por meio de escolhas saudáveis,
alimentos variados e balanceados, planejamento – desde a lista de compras, o comer
em companhia e à mesa até louça lavada depois da refeição, com o envolvimento de
toda a família.

Figura 27. Família cozinhando.

Fonte: [Link]
idioma/.

2.2. Estratégias para comer bem


Comer com regularidade e com atenção é uma premissa que favorece a digestão
dos alimentos e também evita que se coma mais que o necessário. Nosso corpo tem

13
UNIDADE III | Vida adulta e envelhecimento

mecanismos biológicos complexos que precisam de tempo para se comunicar e enviar


os sinais de saciedade, por isso comer devagar e com atenção favorece o bem-estar
físico e o consumo dentro das necessidades fisiológicas individuais.

Comer em ambientes apropriados influencia positivamente o consumo da quantidade


de alimentos, aliado ao prazer de desfrutar uma refeição calma. Locais limpos, tranquilos
e confortáveis estimulam a concentração no ato de comer e convidam ao comer sem
pressa, com atenção. Não levar o telefone celular ou outros eletrônicos à mesa é uma
estratégia importante para evitar distrações no ato de comer.

Lugares cheios, barulhentos, com iluminação ruim, com pouco conforto ao sentar ou
para comer em pé, condições de higiene ruins são situações que favorecem o comer
rápido, muitas vezes em excesso.

Esse é um cenário comum em praças de alimentação de shopping centers. Os restaurantes


e lanchonetes precisam se especializar em servir refeições de forma rápida, os cardápios
oferecem os famosos “combos”, somando comida, bebida em refil para beber à vontade,
sobremesa, porções extras e em tamanho maior por uma diferença mínima de valor
financeiro. Toda a proposta estimula que se coma muito e rápido para liberar o lugar
para o próximo cliente, de modo a garantir rotatividade e lucro!

Figura 28. Praça de alimentação.

Fonte: [Link]
alimentacao/.

14
Vida adulta e envelhecimento | UNIDADE III

Comer em companhia de familiares, amigos, colegas de trabalho ou de escola atende


a nossa necessidade enquanto ser sociável.

O dicionário “Michaelis” apresenta o significado de comensal como “cada um dos


que habitualmente comem juntos” e de comensalidade como a “cordialidade entre os
comensais”. A proposta da comensalidade na alimentação do adulto e do idoso é de
não só comerem juntos, como comensais, mas sim praticar a comensalidade como parte
integrante do processo, ou seja, todos podem participar!

Deixar o processo de compras, organização e preparo a cargo de uma única pessoa gera
sobrecarga e desmotivação em prover a alimentação daqueles a quem se quer bem.
No entanto quando as atividades são partilhadas, elas dão significado ao evento, geram
um processo educativo, troca de conhecimentos e experiências e tornam-se uma prática
bem-sucedida para a promoção de bons hábitos alimentares.

Refeições compartilhadas feitas no ambiente da casa são momentos


preciosos para cultivar e fortalecer laços entre pessoas que se gostam.
Para os casais, é um momento de encontro para saber um do outro,
para trocar opiniões sobre assuntos familiares e para planejar o futuro.
Para as crianças e adolescentes, são excelentes oportunidades para que
adquiram bons hábitos e valorizem a importância de refeições regulares
e feitas em ambientes apropriados. Para todas as idades, propiciam o
importante exercício da convivência e da partilha. Comer em companhia
quando se está fora de casa, no trabalho ou na escola ajuda colegas
e amigos a se conhecerem melhor e trocarem experiências. Facilita o
entrosamento de grupos, aumenta o senso de pertencimento e contribui
para o bom desempenho de tarefas do trabalho ou da escola (BRASIL,
2014, p. 96).

As recomendações para que pessoas adultas e idosas ajustem seus hábitos alimentares
aos comportamentos positivos (e não descarreguem suas emoções nas refeições) são
mais fáceis de serem aderidas quando em conjunto. Uma rede de apoio é interessante,
por isso é importante que a(o) profissional que lida com esse público oriente a
participação da família ou de amigas(os) nas mudanças propostas para os novos hábitos
de vida. Idosas(os) que moram sozinhas(os) podem se sentir desestimulados, por isso
é fundamental entender o contexto de cada um e guiar para que encontrem um meio
de fazer da prática culinária um momento prazeroso, prático e eficiente.

15
Capítulo 3
SUPERANDO OBSTÁCULOS PARA MANTER
A BOA ALIMENTAÇÃO

Muito falamos até aqui sobre estratégias para a prática de comportamentos e atitudes
alimentares que promovam saúde, bem-estar e satisfação, construindo uma boa relação
com a comida em longo prazo.

Precisamos considerar, entretanto, a existência de potenciais obstáculos que dificultam


as mudanças desejadas e podem levar à desmotivação de forma rápida, prejudicando
todo o processo de mudança desejado.

Não basta ter força, foco e fé para abandonar a mentalidade de dieta (conteúdo da
disciplina Educação e Reeducação Alimentar), deixar de ter comportamentos compulsivos
nas refeições, aprender a ouvir os sinais de fome e saciedade. Também não se muda da
noite para o dia a aceitação do próprio corpo, respeitando as características individuais e
sendo paciente para obter mudanças na composição corporal de forma efetiva, saudável,
evitando o efeito sanfona do engorda/emagrece.

Os obstáculos têm naturezas distintas e podem ser mais ou menos difíceis de superar.
Os mais complicados demandarão persistência e reflexão sobre a importância da
alimentação em nossas vidas, de modo a conceder mais valor ao processo.

Outros obstáculos vão demandar uma intervenção externa, inclusive políticas públicas e
ações regulatórias governamentais que promovam saúde e protejam as(os) cidadãs(ãos)
de propagandas enganosas.

O ”Guia Alimentar para a População Brasileira”, do Ministério da Saúde (BRASIL, 2014),


apresenta os seguintes obstáculos:

3.1. Informação
O excesso de informação sobre alimentação e saúde deixa o consumidor confuso, além
do fato de que muitas fontes não são confiáveis. Televisão, rádio, revistas, blogs, internet,
redes sociais compartilham informações sobre alimentação, historicamente lançando
moda no consumo de “superalimentos”, da mesma forma que vendem um alimento
como milagroso e, tempos depois, o mesmo alimento pode ser apresentado como vilão.

Esse modismo desvaloriza a importância de comer de forma equilibrada e variada,


inflaciona o preço do produto e prejudica práticas alimentares tradicionais. A falta de

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Vida adulta e envelhecimento | UNIDADE III

evidência científica é comum nesse tipo de divulgação, que, de forma velada, faz mais
publicidade do que promove saúde à população.

Você conhece o sal rosa do Himalaia? No Brasil, esse produto foi divulgado como
um superalimento de forma tão intensa que seu valor de compra foi inflacionado
e acabou se tornando alvo de falsificação por meio de corante alimentar cor-de-
rosa aplicado ao sal comum.

Fique atento!

3.2. Oferta
Alimentos ultraprocessados são encontrados em toda parte, sempre
acompanhados de muita propaganda, descontos e promoções, enquanto
alimentos in natura ou minimamente processados nem sempre são
comercializados em locais próximos às casas das pessoas (BRASIL, 2014,
p. 106).

A globalização nos últimos 20 anos mudou o cenário de compras de alimentos no Brasil.


A variedade de produtos ultraprocessados é imensa, e sua distribuição e comercialização
são muito eficientes em garantir presença a cada esquina. De grandes supermercados,
praças de alimentação a vendedoras(es) ambulantes e máquinas de venda automática
em saguões de shoppings, hospitais, universidades, o acesso ao alimento ultraprocessado
é simples, fácil e muitas vezes barato.

Figura 29. Oferta de ultraprocessados.

Fonte: [Link]
alimentos-ultraprocessados-aumenta-entre-familias-da-america-latina-e-do-caribe&Itemid=839.

17
UNIDADE III | Vida adulta e envelhecimento

Os alimentos naturais e minimamente processados tendem a ser adquiridos em


supermercados mais distantes, demandando mais tempo e logística para compra e
consumo, e mesmo nos supermercados competem com alimentos ultraprocessados
com rótulos carregados de informações que estimulam seu consumo, enquanto os
clássicos arroz, feijão, maçã e banana não contam com rótulo nenhum para incentivar
seu consumo. E, ainda, por serem perecíveis, estragam mais rápido e precisam ser
comprados com maior frequência.

Optar por comprar alimentos naturais em feiras livres, de produtoras(es) rurais ou nos
conhecidos “sacolões” ou “varejões” incentiva a pequena produção rural e a agricultura
familiar, evitando a competição com as gôndolas de ultraprocessados tentadores no
supermercado.

3.3. Custo
Embora legumes, verduras e frutas possam ter preço superior ao de
alguns alimentos ultraprocessados, o custo total de uma alimentação
baseada em alimentos in natura ou minimamente processados ainda
é menor no Brasil do que o custo de uma alimentação baseada em
alimentos ultraprocessados (BRASIL, 2014, p. 110).

Criamos a ideia de que alimentação saudável é cara e isso se deve, em boa parte, ao
marketing relacionado aos alimentos que entram na moda e sofrem reajuste de preço
pela alta procura.

Nesse aspecto, os alimentos ultraprocessados são enriquecidos com vitaminas, minerais


e outros nutrientes, e aparentemente deixam de ser apenas uma guloseima e passam a
contribuir com a saúde do ser humano. Na mesma linha de produtos, observamos uma
variação de preço, custando mais caro aquele que informa nutrientes a mais no rótulo.

Ocorre que os nutrientes sintéticos adicionados aos produtos ultraprocessados não são tão
bem aproveitados por nosso corpo como os mesmos nutrientes disponíveis em alimentos
naturais (frutas, verduras, legumes, carnes, leites, ovos, leguminosas, sementes etc.).

Uma importante forma de economizar comendo comida de verdade é estarmos


atentas(os) aos seguintes pontos:

» Prefira frutas e verduras da estação. Por estarem em seu tempo natural de safra,
existe maior oferta no mercado, os preços caem e são especialmente mais saborosas
e nutritivas, uma vez que foram germinadas em seu tempo natural.

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Vida adulta e envelhecimento | UNIDADE III

» Realizar as compras em feiras e sacolões próximos à moradia. Os alimentos no


supermercado podem ter demandado maior logística de deslocamento, vindo
de outros estados ou países e por isso terem esse custo embutido no preço final.

» Cozinhar em casa e levar sua refeição para almoçar no trabalho voltou a ser uma
alternativa nos tempos modernos.

3.4. Habilidades culinárias


“O enfraquecimento da transmissão de habilidades culinárias entre
gerações favorece o consumo de alimentos ultraprocessados” (BRASIL,
2014, p. 112).

Então você foi à feira, comprou alimentos naturais da safra, mais baratos e
saborosos... É agora? Precisa higienizar, refrigerar, preparar, consumir, congelar
para não estragar....

Não devemos “romantizar” o processo, pois ele é, sim, trabalhoso, por isso é tão
importante que exista um valor maior que estimule o indivíduo a fazer de sua
alimentação um ato de amor, respeito e bem-estar consigo mesmo.

Muitos obstáculos surgirão nesse processo, e profissionais de saúde que atuam


nessa área precisam conhecê-los para saber orientar a manutenção do processo.

O processo de transmissão das habilidades culinárias perdeu muita força nas últimas
décadas, e hoje conhecemos (ou somos) adultos que nunca cozinharam uma refeição
completa em casa. A falta de interesse, de confiança e autonomia em realizar essa tarefa
é um grande obstáculo para a adoção de hábitos saudáveis.

O ato de preparar as refeições foi desvalorizado ao longo dos anos, e o preparo de


alimentos em casa se torna cada vez menos atraente. Aqui cabe nos lembrarmos da
importância desse processo nas fases da infância e adolescência, como estudado na
Unidade I, pois essa consciência na educação alimentar e nutricional de crianças e
adolescentes leva mães e pais para a cozinha e, em família, construirão novos hábitos,
memórias afetivas e uma relação saudável com a família.

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UNIDADE III | Vida adulta e envelhecimento

Figura 30. Curso de culinária em casa.

Fonte: [Link]
[Link].

Devemos estimular quem tem habilidades culinárias a desenvolver e compartilhar,


especialmente com crianças, estimulando meninas e meninos a cozinharem. As pessoas
que não têm habilidades culinárias precisam ser incentivadas a adquiri-las. Compartilhar
receitas, fazer cursos de culinárias e colocar em prática são formas de superar esse
obstáculo e desenvolver essa competência.

3.5. Tempo
“Para muitas pessoas, as recomendações de cozinhar podem implicar a
dedicação de mais tempo à alimentação” (BRASIL, 2014, p. 114).

O investimento de tempo para desenvolver um estilo alimentar equilibrado pode ser um


importante obstáculo que impeça o processo e estimule o consumo de comida pronta
em ambientes não favoráveis ao comportamento alimentar saudável.

É muito importante não fazer das recomendações do resgate à culinária um peso para
aqueles que desejam ter uma melhor relação com a comida. Nenhuma mudança imposta
de forma radical em relação à alimentação tem boas chances de serem aderidas.

Cozinhar demanda habilidades culinárias, técnicas, planejamento de compras,


organização, espaço para armazenar, utensílios, preparo e consumo para não estragar
e desperdiçar. Além disso, estamos em constante influência da mídia, do marketing,
das ofertas e cupons de desconto para delivery de comida em casa.

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Vida adulta e envelhecimento | UNIDADE III

Mudar hábitos alimentares não é simples nem fácil. Trabalhar o comportamento alimentar
por meio de abordagens terapêuticas, no âmbito da psicologia e da nutrição, convida
o indivíduo a ter um novo olhar para a comida (todo tipo de comida) e para o próprio
copo de forma equilibrada, prazerosa e saudável!

3.6. Publicidade
“A publicidade de alimentos ultraprocessados domina s anúncios
comerciais de alimentos, frequentemente veicula informações incorretas
ou incompletas sobre alimentação e atinge, sobretudo, crianças e jovens”
(BRASIL, 2014, p. 117).

Diariamente, somos expostos às estratégias utilizadas pelo marketing, no segmento de


alimentos e bebidas, para a divulgação de seus produtos.

» Comerciais na TV e rádio.

» Anúncios de jornais e revistas.

» Matérias na internet.

» Amostra grátis de produtos.

» Oferta de brindes.

» Descontos e promoções.

» Rótulos com informações relacionadas a nutrientes e benefícios em geral.

» Influenciadoras(es) digitais.

A maioria dos anúncios é dirigida a crianças e adolescentes com o estímulo para o


consumo de produtos e marcas que objetivam manter essa criança como um cliente
consumidor por toda vida, ao educar seu paladar desde cedo.

A propaganda é convincente para adultos e crianças e leva a crer, muitas vezes, que o
produto ultraprocessado é superior a um alimento natural em virtude da tecnologia
empregada e dos nutrientes adicionados. Não se pode culpar a população de forma
isolada pelo consumo exagerado de ultraprocessados quando ela é influenciada a crer de
forma tão convincente, desde cedo, que está fazendo as melhores escolhas alimentares
para suas vidas e suas famílias.

21
UNIDADE III | Vida adulta e envelhecimento

É fato que a tecnologia dos alimentos traz inúmeros benefícios à população em termos
de praticidade, qualidade, prazo de validade, variedade e sabor, porém muitos produtos
são pobres e hipercalóricos do ponto de vista nutricional, estimulam o consumo
exagerado pelo tamanho das embalagens, preço acessível e pela pouca saciedade,
sendo uma das causas do crescimento da obesidade e seus agravos em todo o mundo.

É preciso educar a população sobre a função da publicidade (que é essencialmente


incentivar a venda do produto) e limitar a quantidade de tempo que as crianças são
expostas a propagandas. Para que isso seja possível de forma geral, fazem-se necessárias
políticas públicas e regulatórias do Estado em relação à indústria.

Sobre a influência da publicidade na alimentação do brasileiro, saiba mais assistindo


ao documentário “Muito Além do Peso”, do Instituto Alana, disponível no Youtube
pelo link a seguir: [Link]

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REFERÊNCIAS

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ESTADO DE MINAS. Coronavírus e isolamento atividades físicas podem e devem ser feitas. Disponível em:
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Figura 33: Malhando por obrigação.

VIVA BEM UOL. Não vai à academia nem que te paguem? Estudo aponta que você não está só. Disponível
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Figura 35: Exercício intuitivo.

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EU VEJO. O exercício é uma forma de se punir pelo que você comeu? Disponível em: [Link]
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Figura 36: Lesão por excesso.

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Figura 38: Lian Gong.

PREFEITURA DE SUZANO. Suzano será sede do 5° Encontro Regional de Lian Gong.

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