Comportamento Alimentar na Vida Adulta
Comportamento Alimentar na Vida Adulta
O COMPORTAMENTO
ALIMENTAR
UNIDADE III
VIDA ADULTA E
ENVELHECIMENTO
Elaboração
Patrícia Carneiro Gomes
Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração
SUMÁRIO
UNIDADE III
CAPÍTULO 1
HÁBITOS DE UMA VIDA INTEIRA.......................................................................................... 5
CAPÍTULO 2
RESGATE DA CULINÁRIA E A COMENSALIDADE.................................................................. 11
CAPÍTULO 3
SUPERANDO OBSTÁCULOS PARA MANTER A BOA ALIMENTAÇÃO...................................... 16
REFERÊNCIAS.........................................................................................................................23
VIDA ADULTA E UNIDADE III
ENVELHECIMENTO
Capítulo 1
HÁBITOS DE UMA VIDA INTEIRA
Fonte: [Link]
os-60-anos,[Link].
Crianças que tiveram alimentação muito rigorosa e controlada, desejando alimentos que
não podiam ter acesso na infância (seja pela proibição dos pais ou pela falta de condições
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UNIDADE III | Vida adulta e envelhecimento
Crianças que desenvolveram o hábito de comer com estímulos eletrônicos e sem se sentar
à mesa (comendo no sofá, por exemplo) reforçarão esse comportamento ou, ainda, o
terão como uma zona de conforto ao retornar para casa, ao fim de um dia de trabalho.
Os alimentos de conforto podem ser um bolo feito pela mãe ou pela avó, de forma
caseira, com ingredientes selecionados, ou um achocolatado de caixinha, em embalagem
longa vida, industrializado. Independentemente se essa memória resgata o desejo de
um alimento natural e considerado mais saudável ou ultraprocessado, é a construção do
comportamento alimentar que se manifestará nesse momento pelo consumo prazeroso
e equilibrado ou pelo consumo desordenado e compulsivo, comendo em excesso na
busca de resolver as emoções que causam desconforto (LIGUORI et al., 2020).
Você se lembra da sua infância e de ter desejado comer algo que não lhe era
acessível ou permitido? Ao entrar na vida adulta e ter condições de comer, como
foi sua experiência? Você comeu e se decepcionou, percebendo que não era
nada demais? Ou você comeu uma quantidade enorme para saciar uma vontade
guardada por anos?
Em relação ao modo de comer na vida adulta[…] Você conhece alguém que fora
de casa faz as refeições à mesa, porque é assim a disposição em restaurantes e
lanchonetes, mas em casa só consegue fazer as refeições no sofá e dessa maneira
se sente num momento de relaxamento e descanso?
Saiba que nossos hábitos prazerosos da infância, que trazem memórias relacionadas
ao prazer e à segurança, são mantidos na vida adulta de forma inconsciente a fim
de viver a mesma emoção, por isso uma criança que passou a infância comendo
de forma segura no sofá, assistindo à televisão, buscará esse hábito na vida adulta,
após um dia intenso de trabalho, a fim de viver a mesma sensação de bem-estar e
relaxamento. Essa é a razão pela qual a formação de hábitos saudáveis do modo
de comer na infância, associados a bons momentos, é tão importante!
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Vida adulta e envelhecimento | UNIDADE III
Fonte: [Link]
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UNIDADE III | Vida adulta e envelhecimento
[Link]
[Link]
brasileira_2ed.pdf.
[Link]
[Link]
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Vida adulta e envelhecimento | UNIDADE III
Fonte: [Link]
Além desses aspectos, é fundamental que a(o) profissional de saúde esteja atenta(o)
à vulnerabilidade social, ao contexto socioambiental, às disfunções fisiológicas e à
dependência funcional desse usuário para uma orientação alimentar mais adequada.
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UNIDADE III | Vida adulta e envelhecimento
É necessário considerar ainda que alguns indivíduos podem não contar com familiares ou
cuidador(a) para auxiliar nas atividades diárias, e a alimentação pode ficar negligenciada
por passar a ser vista como uma tarefa difícil de ser desempenhada sozinha. Se a pessoa
idosa apresentar uma limitação funcional maior, as recomendações do protocolo de
cuidados devem ser feitas às(aos) cuidadoras(es) responsáveis.
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Capítulo 2
RESGATE DA CULINÁRIA E A COMENSALIDADE
Cozinhar nos proporcionou não apenas a refeição, como também a ocasião: o costume
de comermos juntos num momento e num lugar determinados. Isso representou um
fenômeno novo, já que o homem que saía em busca de alimentos crus provavelmente
se alimentava sozinho enquanto se deslocava, como todos os outros animais. O ato
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UNIDADE III | Vida adulta e envelhecimento
de nos sentarmos para fazer uma refeição em comum, olhar nos olhos uns dos outros,
compartilhar a comida e nos comportar com certo decoro, tudo isso nos fez seres
civilizados (POLLAN, 2014).
Autor do livro “Cozinhar”, Michael Pollan (2014) nos convida a fazer uma analogia
entre o homem paleolítico, que saía para caçar e comia sozinho enquanto se
deslocava, como os outros animais irracionais, e o homem civilizado, que cozinha
e come em companhia. A novidade é o olhar atual sobre o que ele chama de
“Comedor Industrial”, que belisca lanchinhos o dia todo, come enquanto dirige um
carro, ou de pé em lanchonetes ou, ainda, em frente ao computador.
Como você percebe essa analogia? Acha que o ritmo do mundo contemporâneo
pode prejudicar conquistas evolutivas tão importantes?
Fonte: [Link]
Então não cozinhar é algo ruim? Calma, vamos analisar tudo que a liberdade de não
cozinhar em casa trouxe à civilização moderna.
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Vida adulta e envelhecimento | UNIDADE III
que, por tradição, era exclusiva delas, possibilitando que trabalhassem fora de casa e
tivessem suas próprias carreiras.
Hoje boa parte da população tem condições financeiras de comer fora de casa em
todas as refeições, mas essa realidade é diferente em regiões de periferia. Mesmo ainda
cozinhando em casa, o índice de sobrepeso e obesidade nas classes mais pobres também
cresce de forma exponencial, por isso cozinhar em casa também não é o segredo
para evitar todos os problemas de saúde e não desenvolver doenças crônicas não
transmissíveis como obesidade, diabetes, cardiopatias, câncer etc.
Fonte: [Link]
idioma/.
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UNIDADE III | Vida adulta e envelhecimento
Lugares cheios, barulhentos, com iluminação ruim, com pouco conforto ao sentar ou
para comer em pé, condições de higiene ruins são situações que favorecem o comer
rápido, muitas vezes em excesso.
Fonte: [Link]
alimentacao/.
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Vida adulta e envelhecimento | UNIDADE III
Deixar o processo de compras, organização e preparo a cargo de uma única pessoa gera
sobrecarga e desmotivação em prover a alimentação daqueles a quem se quer bem.
No entanto quando as atividades são partilhadas, elas dão significado ao evento, geram
um processo educativo, troca de conhecimentos e experiências e tornam-se uma prática
bem-sucedida para a promoção de bons hábitos alimentares.
As recomendações para que pessoas adultas e idosas ajustem seus hábitos alimentares
aos comportamentos positivos (e não descarreguem suas emoções nas refeições) são
mais fáceis de serem aderidas quando em conjunto. Uma rede de apoio é interessante,
por isso é importante que a(o) profissional que lida com esse público oriente a
participação da família ou de amigas(os) nas mudanças propostas para os novos hábitos
de vida. Idosas(os) que moram sozinhas(os) podem se sentir desestimulados, por isso
é fundamental entender o contexto de cada um e guiar para que encontrem um meio
de fazer da prática culinária um momento prazeroso, prático e eficiente.
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Capítulo 3
SUPERANDO OBSTÁCULOS PARA MANTER
A BOA ALIMENTAÇÃO
Muito falamos até aqui sobre estratégias para a prática de comportamentos e atitudes
alimentares que promovam saúde, bem-estar e satisfação, construindo uma boa relação
com a comida em longo prazo.
Não basta ter força, foco e fé para abandonar a mentalidade de dieta (conteúdo da
disciplina Educação e Reeducação Alimentar), deixar de ter comportamentos compulsivos
nas refeições, aprender a ouvir os sinais de fome e saciedade. Também não se muda da
noite para o dia a aceitação do próprio corpo, respeitando as características individuais e
sendo paciente para obter mudanças na composição corporal de forma efetiva, saudável,
evitando o efeito sanfona do engorda/emagrece.
Os obstáculos têm naturezas distintas e podem ser mais ou menos difíceis de superar.
Os mais complicados demandarão persistência e reflexão sobre a importância da
alimentação em nossas vidas, de modo a conceder mais valor ao processo.
Outros obstáculos vão demandar uma intervenção externa, inclusive políticas públicas e
ações regulatórias governamentais que promovam saúde e protejam as(os) cidadãs(ãos)
de propagandas enganosas.
3.1. Informação
O excesso de informação sobre alimentação e saúde deixa o consumidor confuso, além
do fato de que muitas fontes não são confiáveis. Televisão, rádio, revistas, blogs, internet,
redes sociais compartilham informações sobre alimentação, historicamente lançando
moda no consumo de “superalimentos”, da mesma forma que vendem um alimento
como milagroso e, tempos depois, o mesmo alimento pode ser apresentado como vilão.
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Vida adulta e envelhecimento | UNIDADE III
evidência científica é comum nesse tipo de divulgação, que, de forma velada, faz mais
publicidade do que promove saúde à população.
Você conhece o sal rosa do Himalaia? No Brasil, esse produto foi divulgado como
um superalimento de forma tão intensa que seu valor de compra foi inflacionado
e acabou se tornando alvo de falsificação por meio de corante alimentar cor-de-
rosa aplicado ao sal comum.
Fique atento!
3.2. Oferta
Alimentos ultraprocessados são encontrados em toda parte, sempre
acompanhados de muita propaganda, descontos e promoções, enquanto
alimentos in natura ou minimamente processados nem sempre são
comercializados em locais próximos às casas das pessoas (BRASIL, 2014,
p. 106).
Fonte: [Link]
alimentos-ultraprocessados-aumenta-entre-familias-da-america-latina-e-do-caribe&Itemid=839.
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UNIDADE III | Vida adulta e envelhecimento
Optar por comprar alimentos naturais em feiras livres, de produtoras(es) rurais ou nos
conhecidos “sacolões” ou “varejões” incentiva a pequena produção rural e a agricultura
familiar, evitando a competição com as gôndolas de ultraprocessados tentadores no
supermercado.
3.3. Custo
Embora legumes, verduras e frutas possam ter preço superior ao de
alguns alimentos ultraprocessados, o custo total de uma alimentação
baseada em alimentos in natura ou minimamente processados ainda
é menor no Brasil do que o custo de uma alimentação baseada em
alimentos ultraprocessados (BRASIL, 2014, p. 110).
Criamos a ideia de que alimentação saudável é cara e isso se deve, em boa parte, ao
marketing relacionado aos alimentos que entram na moda e sofrem reajuste de preço
pela alta procura.
Ocorre que os nutrientes sintéticos adicionados aos produtos ultraprocessados não são tão
bem aproveitados por nosso corpo como os mesmos nutrientes disponíveis em alimentos
naturais (frutas, verduras, legumes, carnes, leites, ovos, leguminosas, sementes etc.).
» Prefira frutas e verduras da estação. Por estarem em seu tempo natural de safra,
existe maior oferta no mercado, os preços caem e são especialmente mais saborosas
e nutritivas, uma vez que foram germinadas em seu tempo natural.
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Vida adulta e envelhecimento | UNIDADE III
» Cozinhar em casa e levar sua refeição para almoçar no trabalho voltou a ser uma
alternativa nos tempos modernos.
Então você foi à feira, comprou alimentos naturais da safra, mais baratos e
saborosos... É agora? Precisa higienizar, refrigerar, preparar, consumir, congelar
para não estragar....
Não devemos “romantizar” o processo, pois ele é, sim, trabalhoso, por isso é tão
importante que exista um valor maior que estimule o indivíduo a fazer de sua
alimentação um ato de amor, respeito e bem-estar consigo mesmo.
O processo de transmissão das habilidades culinárias perdeu muita força nas últimas
décadas, e hoje conhecemos (ou somos) adultos que nunca cozinharam uma refeição
completa em casa. A falta de interesse, de confiança e autonomia em realizar essa tarefa
é um grande obstáculo para a adoção de hábitos saudáveis.
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UNIDADE III | Vida adulta e envelhecimento
Fonte: [Link]
[Link].
3.5. Tempo
“Para muitas pessoas, as recomendações de cozinhar podem implicar a
dedicação de mais tempo à alimentação” (BRASIL, 2014, p. 114).
É muito importante não fazer das recomendações do resgate à culinária um peso para
aqueles que desejam ter uma melhor relação com a comida. Nenhuma mudança imposta
de forma radical em relação à alimentação tem boas chances de serem aderidas.
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Vida adulta e envelhecimento | UNIDADE III
Mudar hábitos alimentares não é simples nem fácil. Trabalhar o comportamento alimentar
por meio de abordagens terapêuticas, no âmbito da psicologia e da nutrição, convida
o indivíduo a ter um novo olhar para a comida (todo tipo de comida) e para o próprio
copo de forma equilibrada, prazerosa e saudável!
3.6. Publicidade
“A publicidade de alimentos ultraprocessados domina s anúncios
comerciais de alimentos, frequentemente veicula informações incorretas
ou incompletas sobre alimentação e atinge, sobretudo, crianças e jovens”
(BRASIL, 2014, p. 117).
» Comerciais na TV e rádio.
» Matérias na internet.
» Oferta de brindes.
» Descontos e promoções.
» Influenciadoras(es) digitais.
A propaganda é convincente para adultos e crianças e leva a crer, muitas vezes, que o
produto ultraprocessado é superior a um alimento natural em virtude da tecnologia
empregada e dos nutrientes adicionados. Não se pode culpar a população de forma
isolada pelo consumo exagerado de ultraprocessados quando ela é influenciada a crer de
forma tão convincente, desde cedo, que está fazendo as melhores escolhas alimentares
para suas vidas e suas famílias.
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UNIDADE III | Vida adulta e envelhecimento
É fato que a tecnologia dos alimentos traz inúmeros benefícios à população em termos
de praticidade, qualidade, prazo de validade, variedade e sabor, porém muitos produtos
são pobres e hipercalóricos do ponto de vista nutricional, estimulam o consumo
exagerado pelo tamanho das embalagens, preço acessível e pela pouca saciedade,
sendo uma das causas do crescimento da obesidade e seus agravos em todo o mundo.
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