Comportamento Alimentar na Infância e Adolescência
Comportamento Alimentar na Infância e Adolescência
O COMPORTAMENTO
ALIMENTAR
UNIDADE I
INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
Elaboração
Patrícia Carneiro Gomes
Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO...........................................................................................................................4
UNIDADE I
INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA.......................................................................................................7
CAPÍTULO 1
INTRODUÇÃO ALIMENTAR E OS PRIMEIROS ANOS DE VIDA................................................. 9
CAPÍTULO 2
DESAFIOS DA ALIMENTAÇÃO NA INFÂNCIA....................................................................... 18
CAPÍTULO 3
A(O) ADOLESCENTE........................................................................................................... 26
REFERÊNCIAS.........................................................................................................................34
INTRODUÇÃO
4
Introdução
outros olhos, encontrando sentido e prazer no cuidado geral com o corpo, muito além
da aparência física e estética.
Há uma parcela importante de pessoas que preza, e se esforça, manter a rotina alimentar
doméstica. Resistir aos insistentes apelos da praticidade de delivery, de reduzir o trabalho
com as compras, com o fazer comida e com o lavar as louças é uma conduta de imenso
custo-benefício com recompensas diretas para a saúde e o bem-estar.
Objetivos
» Discutir as particularidades dos diversos ciclos da vida e a relação com o
comportamento alimentar.
5
INFÂNCIA E
ADOLESCÊNCIA
UNIDADE I
Fonte: [Link]
crescer_sobre_alimentao_infantil.
As últimas décadas foram marcadas pela transição nutricional, no Brasil, com uma importante
queda na prevalência de baixo peso e desnutrição em crianças e adolescentes, no entanto
o crescimento no índice de obesidade infantil, a carência de vitaminas e minerais, e
comportamentos de risco para transtornos alimentares se mostram presentes nesse público,
reforçando que os cuidados na alimentação de crianças e adolescentes vão muito além da
contagem de caloria e prescrição dietética tradicional (MONTEIRO et al., 2009).
7
UNIDADE I | INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
O leite humano é o alimento perfeito para recém-nascidas(os) e deve ser exclusivo até
Lactente
os seis meses de vida e complementar até os dois anos de idade. A introdução alimentar
(nascimento aos 2
complementar ocorre entre os 6 e 12 meses, evoluindo em textura e ingredientes até que
anos)
a criança se alimente com a refeição da família a partir de um ano de idade.
Pré-escolar É comum nessa fase ocorrer seletividade, redução do interesse e consumo alimentar.
(2 a 6 anos) Ganho de peso e crescimento desaceleram.
Ocorre um relevante desenvolvimento cognitivo, emocional e social que antecede as
Escolar (6 aos 10 demandas físicas e emocionais da adolescência. O aumento da gordura corporal é um
anos) processo fisiológico que prepara o corpo para o conhecido estirão de crescimento, e o
ganho de peso é maior.
Adolescência (10 Marcada pelo estirão de crescimento e aumento das necessidades nutricionais. Intenso
aos 19 anos) desenvolvimento físico, emocional, sexual e social.
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Capítulo 1
INTRODUÇÃO ALIMENTAR E OS PRIMEIROS
ANOS DE VIDA
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UNIDADE I | INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
Fonte: [Link]
No cenário em que a amamentação não está presente, o leite artificial tem papel limitado
nas experiências sensoriais do bebê já que tem sempre o mesmo sabor e textura.
Figura 3. Amamentação.
Fonte: [Link]
10
INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA | UNIDADE I
Ter certeza de que o bebê se alimentou o suficiente, o leite materno é capaz de suprir
suas necessidades, perceber se a mama oferecida já esvaziou e é hora de trocar de mama
durante a mamada, superar as dores e lesões que podem surgir no início do processo
são desafios importantes que a mãe enfrenta para alimentar sua(seu) filha(o).
É fundamental existir uma rede de apoio para que a mãe fique bem, física e
emocionalmente, e proporcione uma experiência alimentar positiva para seu filho.
Há de se considerar que muitas mulheres lactantes não dispõem de uma rede de apoio
e por isso vivenciam momentos angustiantes a cada mamada, acabando por desistir de
amamentar, introduzindo o leite artificial.
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UNIDADE I | INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
Amamentar com leite materno de forma exclusiva até os seis meses e realizar a introdução
alimentar complementar a partir do sétimo mês, mantendo a amamentação até pelo
menos dois anos de idade, é a recomendação da Organização Mundial da Saúde e do
Ministério da Saúde no Brasil. Mas o cenário ideal não está presente no contexto de
muitas famílias. O período de licença-maternidade no Brasil ainda incentiva a introdução
precoce dos alimentos pelo retorno da mãe ao trabalho aos quatro meses do pós-parto,
uma vez que a licença-maternidade de seis meses ainda é opcional no segmento privado.
Fonte: [Link]
12
INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA | UNIDADE I
A proposta do baby-led weaning (BLW), ou “desmame conduzido pelo bebê”, criada por
Gill Rapley, sugere que os alimentos sejam oferecidos aos bebês em pedaços e não na
forma de papinha. A proposta é que o bebê perceba o alimento, se interesse pelas cores,
textura, aromas, pegue e leve-o à boca livremente. A refeição se torna um momento
descontraído e é necessário que seja supervisionada todo o tempo, bem como o bebê
precisa ser capaz de se sentar e sustentar a cabeça.
Figura 5. BLW.
Fonte: [Link]
alimentar/.
Nesse cenário, os artifícios para distrair a criança surgem e vale de tudo para estimular
que ela abra a boca e coma tudo. Cantar, batucar, usar telas e estímulos em geral são
estratégias domésticas que desconectam a criança do alimento e faz com que ela seja
alimentada sem perceber.
O ”Guia alimentar para crianças brasileiras menores de dois anos”, publicado pelo
Ministério da Saúde, em 2019, traz orientações didáticas de como aprender a ouvir os
sinais de fome e saciedade.
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UNIDADE I | INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
Para mostrar que não quer mais comer e que já está satisfeita, ela
mostra sinais de saciedade. Por exemplo, quando está satisfeita em
uma mamada, larga o peito ou adormece; quando está satisfeita em
uma refeição, vira o rosto ou não quer mais abrir a boca.
Com isso, ensinamos nossas crianças desde cedo que não pode “ter o olho maior que a
barriga” e que se colocou no prato, vai ter de comer tudo. E tal conduta é ainda usada
como um processo “educativo” a fim de responsabilizar a criança pela quantidade de
comida servida, sendo que ela mesma ainda não conhece o tamanho de sua fome e a
proporção de alimentos que atenderá suas necessidades.
Esse é um olhar que precisa ser ensinado às mães, aos pais e cuidadoras(es).
Devemos comer até estarmos saciados de acordo com nossos sinais fisiológicos. Para ouvir
tais sinais, é necessário comer quando existe fome, comer com atenção, sem pressa, sem
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INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA | UNIDADE I
Comer sem ansiedade e pressa dá a permissão de servir menos e caso a fome ainda
esteja presente, é possível servir um complemento. Essa forma tranquila de comer é bem
viável em ambientes domésticos. Ao considerar a alimentação realizada numa praça
de alimentação ou restaurante self-service em que existe a preocupação com o tempo,
a fila, o lugar a sentar, o mais comum é encher o prato para evitar o retrabalho, assim
a quantidade de comida servida pode ser sempre acima da real necessidade física e
nutricional.
Quando a criança recusa os alimentos ou a refeição, uma ansiedade surge nas mães e
nos pais pelo receio da desnutrição e perda de peso e com frequência acabam ofertando
um alimento do agrado da criança, assim a seletividade é reforçada, podendo se tornar
um problema ainda maior na fase pré-escolar e escolar.
15
UNIDADE I | INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
Fonte: [Link]
Você sabia que a preferência por certos alimentos é adquirida quando eles são
consumidos em momentos agradáveis?
Mas e quando a família não tem esses hábitos alimentares? Como alimentar um bebê
com alimentos naturais se eles não estão presentes no lar, na alimentação dos adultos?
Essa é uma realidade de muitas famílias que procuram atendimento nutricional para seus
filhos, alegando que eles não comem nada e, na primeira investigação pela anamnese
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INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA | UNIDADE I
clínica, observa-se que a restrição alimentar está nos pais, que não comem o que
desejam que seus filhos comam.
Por isso o atendimento clínico a bebês e crianças deve considerar o contexto familiar,
e mães e pais precisam ser conscientizadas(os) de que suas condutas têm influência
maior do que exercer pressão para que a criança coma (mais do que a pressão importa
a criança). Em resumo, ensinar pelo exemplo é mais efetivo do que dizer que comer
frutas é mais saudável.
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Capítulo 2
DESAFIOS DA ALIMENTAÇÃO NA INFÂNCIA
Katja Rowell (2012) apresentou o ciclo da recusa alimentar quando mães, pais e
cuidadoras(es) se angustiam pela resistência da criança a comer e passam a ceder
aos alimentos preferidos na intenção de garantir que ela esteja alimentada. A criança
rapidamente aprende que ao recusar o que não quer, ela ganhará o que quer.
Dificuldade na
alimentação =
Mais pressão
Criança não
come
Resistência
Preocupação
por parte da
dos pais
criança
Pressão ou
prática
alimentares
não
produtivas
Fonte: Elaborada pela autora.
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INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA | UNIDADE I
Segundo Katja, grande parte das crianças que apresentam dificuldades na alimentação
passou por algum desafio como nascimento prematuro, alimentação dolorosa ou
difícil, trauma, desafios sensoriais, pressão e medo em torno do peso ou da nutrição.
As mães e os pais sofrem por se sentirem responsáveis, sobrecarregados ou culpados
por não conseguirem ajudar seus filhos a se alimentarem. Isso se agrava com a falta de
apoio de familiares e até da área médica (despreparada para orientá-las(los) na recusa
e seletividade alimentar).
Surge o desafio alimentar: por não conseguirem perceber o gatilho que levou à mudança
na alimentação, é comum mães e pais relatarem que a criança comia de tudo, mas parou
de comer de repente. Fatos atuais na vida da criança como uma doença, nascimento
de dentes, mudança de rotina doméstica, adaptação em creche ou escola são fatores
que podem agravar a recusa.
Ao mesmo tempo, ocorre a busca por ajuda com familiares, amigos, internet e
profissionais da área da saúde despreparados para lidar com esse cenário. Condutas
inadequadas surgem para que essa criança coma a qualquer custo, tais como: “tem que
fazer essa criança comer”, ou “nenhuma criança morre de fome” então “deixe- a com
fome pra ver se não come”, ou “se ela não come essa comida, dê a ela o que ela come”,
ou “não permita que ela coma doces”, “tranque os armários”.
A coerção dos pais para que a criança coma aquilo que é “bom” e não coma o que
é “ruim” acaba produzindo o efeito inverso, e uma mensagem conflitante é passada
quando alimentos são apontados como “ruins”, porém são associados a momentos
especiais e agradáveis como festas, finais de semana e férias.
Assim como dizer que o alimento deve ser ingerido porque o deixará forte e saudável,
rapidamente é associado pela criança a alimentos de sabor duvidoso. É comum ouvirmos
de crianças em consultório nutricional que se a mãe diz que o alimento faz bem é porque
é não é gostoso (PETTY, 2013).
Estudos apontaram que a oferta de doce como prêmio por consumir um alimento
específico aumentou a preferência pelo doce e não pelo alimento que deveria ser
consumido. Não é difícil entender o ponto de vista da criança[...] Se ela precisa ganhar
um prêmio para comer algo, é porque tal alimento não deve ser bom (BIRCH et al., 1982).
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UNIDADE I | INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
Ao mesmo tempo, alguns estudos que usaram recompensas não associadas à comida,
como passeios ou adesivos, encontraram aumento do consumo de hortaliças (HENDY
et al., 2005).
Se te disserem que uma comida faz bem, você come? Só por isso?
O artigo If it’s Useful and You Know it, Do You Eat? Preschoolers Refrain from
Instrumental Food (tradução livre: Se for útil e você souber, você come? Crianças
em idade pré-escolar se abstêm de alimentos instrumentais), dos pesquisadores
Michel Maimaran e Ayelet Fishbach (2014), avaliou o quanto apresentar um alimento
com uma função “intrumental” para uma criança promoveria adesão ao conteúdo.
Crianças que receberam cenouras sugerindo que seu consumo as “deixariam mais
fortes” consumiram em menor quantidade do que crianças que simplesmente
receberam a cenoura para consumo na refeição.
[Link]
Preschoolers_Refrain_from_Instrumental_Food.
A seguir, conheça estratégias do que fazer e do que não fazer para incentivar crianças
(e até adolescentes) a aceitarem novos alimentos (PETTY et al., 2018).
O que fazer:
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INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA | UNIDADE I
» Deixar a comida alvo acessível, ou seja, frutas e vegetais lavados, prontos para o
consumo e visíveis a todos, na cozinha, na geladeira e na hora das refeições.
» Orientar a criança a ter atitude neutra. Não dizer que não gosta, nem fazer cara
feia para a comida, além de ter curiosidade antes de provar um novo alimento.
» Os pais devem entender que haverá momentos em que a criança estará sem fome
ou indisposta para comer ou aceitar variações na quantidade de costume.
» Substituir o alimento recusado por outro que a criança prefere após poucas
tentativas. Se a criança não aceitou o peixe, evite substituir rapidamente por um
bife, pois, mesmo sendo nutricionalmente equivalentes, ela manterá a rejeição
pelo novo e desenvolverá paladar restrito para o bife. A nutrição recomenda que
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UNIDADE I | INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
» Negociar com prêmios. Se a criança não comer tudo, não ganhará sobremesa. Ou
se a criança comer a couve, ganhará a sobremesa.
» Escolher sempre o menu infantil em restaurantes para evitar conflito e ter maior
aceitação. De forma geral, o menu infantil é restrito e monótono e impede a criança
de experimentar pratos diferentes que são consumidos pelos pais.
» Desistir de oferecer o alimento após poucas tentativas e sem tentar novas formas
de apresentá-lo (por exemplo, a cenoura pode ser apresentada ralada, cortada em
rodelas, em palitos, ou cozida, na carne, no arroz, em purê, no bolo, no recheio
do sanduíche etc.).
» Se a criança estiver sem apetite, oferecer lanches que não compõem uma refeição
(pão, biscoitos, sucos).
» Receber as rejeições como algo pessoal. Muitas vezes, os pais preparam uma nova
receita e a criança não se interessa em provar. É preciso continuar estimulando e
praticando, por isso quanto mais o cozinhar for hábito da família, melhor a chances
de as crianças terem seu tempo necessário para experimentar as novas preparações.
A dicotomia do bom e ruim em relação aos alimentos é muito forte e difícil de ser
evitada uma vez que vivemos numa sociedade que desenvolveu o culto ao corpo
magro, a dieta como algo necessário e obrigatório e o prazer de comer associado
ao ganho de peso e à falta de força de vontade.
Ensinar que pizza, sorvete, brigadeiro e lasanha são ruins, proibidos – mas usá-los
como prêmios ou como refeições para momentos especiais – criará um conflito na
cabeça da criança e um desejo de ter mais contato com aquele alimento, por isso
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INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA | UNIDADE I
a postura neutra, que não supervalorize nem desabone um alimento, é uma forma
de separar o alimento da emoção e educar essa criança de uma forma diferente
do que fomos educados.
Outro ponto importante é que a insistência para que a criança coma é uma conduta
comum e que põe em conflito o sistema de autorregulação da criança, que cresce
entendendo que sua sensação interna de fome e saciedade não é relevante e o que
importa é comer na hora definida e na quantidade imposta.
De acordo com essa proposta, mães, pais e filhos têm papéis definidos na
alimentação da criança, sendo mães e pais responsáveis em oferecer um ambiente
alimentar adequado, com variedade, organizar horários regulares e exclusivos para
alimentação, e as crianças são responsáveis pela decisão de quanto e se vão comer
os alimentos oferecidos pelos pais. É um grande desafio, pois gera a sensação de
perda de autoridade dos pais e a transferência de poder à criança/adolescente que,
teoricamente, não teria capacidade para se responsabilizar quanto a se alimentar bem
e suficiente.
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UNIDADE I | INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
Fonte: [Link]
Evelyn Tribole e Elyse Resch (2012) criaram o conceito do comer intuitivo (intuitiv eating),
que incentiva a relação saudável com a comida e reforça que todas(os) nós somos experts
em nossos corpos e por isso precisamos confiar em nossa habilidade de distinguir
sensações físicas e emocionais para atender nossas necessidades.
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INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA | UNIDADE I
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Capítulo 3
A(O) ADOLESCENTE
Figura 9. Adolescentes.
Fonte: [Link]
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INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA | UNIDADE I
Ao mesmo tempo em que a liberdade pode levar a excessos, a cobrança pela cultura
do corpo perfeito assombra os jovens que desejam estar atraentes fisicamente pelo
despertar da sexualidade. O conflito entre a liberdade para comer e o desejo do corpo
magro pode ser fator crucial para comportamentos de risco para transtornos alimentares.
Fonte: [Link]
[Link].
Relembre sua adolescência e seus ídolos. Como eles eram fisicamente, como se
vestiam, com quem se relacionavam? Reflita o quanto isso a(o) influenciou no seu
desejo de se vestir, arrumar o cabelo, músicas que ouvia e a quem você desejava
impressionar...
Quanto da sua forma de se apresentar hoje ainda é influenciada por aqueles que
você admira? Agora, na sua vida adulta, reflita sobre quem são suas(seus) atuais
influenciadoras(es). Revise suas redes sociais, suas páginas de internet favoritas e
analise as pessoas que você acompanha e admira. São perfis que inspiram uma
vida real ou estimulam mudanças fora da sua realidade?
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UNIDADE I | INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
Essa fase deve ser tratada de forma criteriosa e cuidadosa, pois um processo fisiológico e
que tende a estabilizar na adolescência pode acabar desencadeando problemas maiores
pela imposição de rótulos, críticas, pressão familiar quanto à conduta alimentar da(o)
adolescente. Percebem-se casos em que a(o) jovem procura comer sozinha(o) para
evitar críticas e controles das mães e dos pais quanto à maneira que se alimenta e à
qualidade dos alimentos.
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INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA | UNIDADE I
Fonte: [Link]
html.
Questões importantes sobre a orientação às mães e aos pais quanto ao corpo de crianças
e adolescentes (PETTY et al., 2018):
» Ser honesto e realista, porém sem julgamentos e críticas sobre o peso e o tamanho.
» Evitar falar sobre seu próprio corpo de forma crítica na presença das(os) filhas(os).
Comentários depreciativos sobre o próprio corpo ensinam o julgamento negativo
e incentivam a insatisfação corporal.
Também é papel da(o) profissional alertar mães e pais para as falhas do método
tradicional de dieta restritiva para promover a perda de peso e auxiliá-las(os) na mudança
de comportamento alimentar e no incentivo à atividade física recreativa e prazerosa.
29
UNIDADE I | INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
Fonte:[Link]
a-ser-obrigatoria-nas-escolas.
30
INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA | UNIDADE I
As escolas podem promover oficinas culinárias nas quais a criança participe da escolha
da receita, separação, higienização e manipulação dos ingredientes, aprendendo sobre
sua origem, propriedades organolépticas, outras formas de consumo e ser incentivada
a provar a receita finalizada (PETTY, 2014).
O cultivo de hortas culinárias no ambiente escolar também deve ser incentivado, estendendo
a prática para o lar e permitindo que as crianças levem mudas e sementes para casa.
Fonte: [Link]
alunos/.
A(O) nutricionista com atuação escolar pode ainda incentivar a Direção a envolver mães
e pais das(os) alunas(o)s ao oferecer atividades em família. As(Os) filhas(os) podem ser
agentes de mudança e de conteúdo no ambiente doméstico, mas é necessário conhecer
e respeitar as particularidades de cada comunidade para adequar o trabalho de forma
que seja acessível aos familiares em casa.
O papel de mães e pais como responsáveis pela alimentação da criança nem sempre é
percebido por elas(es), que muitas vezes responsabilizam a criança pelas dificuldades
vivenciadas. Ainda é muito comum mães e pais não terem os hábitos que exigem das
crianças e não proporcionarem as condições recomendadas para as mudanças desejadas.
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UNIDADE I | INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
Maria Luiza Petty et al. (2018), no livro “Nutrição Comportamental”, apresentam sugestão
de perguntas para entrevista motivacional (Tabela 4) que abordam a mudança de
comportamento para mães, pais e filhas(os).
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INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA | UNIDADE I
Você sabia que realizar as refeições em família está associado com um melhor perfil
de variedade e qualidade alimentar em crianças e adolescentes do que aquelas(es)
que não comem com sua família?
Leia mais no estudo: Family dinner and diet quality among older children and
adolescents.
GILLMAN, M.W. et al. Family dinner and diet quality among older children and
adolescents. Arch Fam Med, v. 9, pp. 235-40, 2000.
33
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Figura 3: Amamentação.
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Figura 5: BLW
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Figura 9: Adolescentes
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