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Comportamento Alimentar na Infância e Adolescência

O documento aborda a importância da alimentação na infância e adolescência, destacando como os hábitos alimentares são formados desde os primeiros anos de vida e influenciam a saúde ao longo da vida. Ele discute os desafios contemporâneos da alimentação, a transição nutricional no Brasil e a necessidade de respeitar os sinais de fome e saciedade das crianças. Além disso, enfatiza a importância de um suporte adequado para mães e responsáveis na introdução alimentar e na construção de uma relação saudável com a comida.
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Comportamento Alimentar na Infância e Adolescência

O documento aborda a importância da alimentação na infância e adolescência, destacando como os hábitos alimentares são formados desde os primeiros anos de vida e influenciam a saúde ao longo da vida. Ele discute os desafios contemporâneos da alimentação, a transição nutricional no Brasil e a necessidade de respeitar os sinais de fome e saciedade das crianças. Além disso, enfatiza a importância de um suporte adequado para mães e responsáveis na introdução alimentar e na construção de uma relação saudável com a comida.
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CICLOS DA VIDA – EXPLORANDO

O COMPORTAMENTO
ALIMENTAR

UNIDADE I
INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
Elaboração
Patrícia Carneiro Gomes

Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO...........................................................................................................................4

UNIDADE I
INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA.......................................................................................................7

CAPÍTULO 1
INTRODUÇÃO ALIMENTAR E OS PRIMEIROS ANOS DE VIDA................................................. 9
CAPÍTULO 2
DESAFIOS DA ALIMENTAÇÃO NA INFÂNCIA....................................................................... 18
CAPÍTULO 3
A(O) ADOLESCENTE........................................................................................................... 26
REFERÊNCIAS.........................................................................................................................34
INTRODUÇÃO

Comer é mais do que jogar lenha na fogueira ou abastecer um carro.


Comer é mais do que escolher um alimento e dar para uma criança.
Comer e dar de comer reflete nossa atitude e relacionamento com nós
mesmos, com os outros e com as nossas histórias. Comer tem relação
com autorrespeito, nossa conexão com nossos corpos e compromissos
com a vida (ELLYN SATTER, 2007, p. S142-S153).

A alimentação é primordial à vida e à sobrevivência humana. É fato que a saúde depende


da nutrição mais do que qualquer outro fator isolado, o que faz da alimentação um
determinante de qualidade de vida de grande valor.

A prática de hábitos saudáveis de alimentação é um grande desafio na vida


contemporânea. As cidades são destoantes em suas questões sociais e estruturais;
nelas, o desafio no campo da alimentação extrapola o âmbito familiar, projetando para
a vida fora de casa, no trabalho, nas escolas, nos momentos de lazer.

No Brasil, o processo de transição alimentar conta a história de um povo que viveu a


desnutrição, carência em quantidade e qualidade de alimentos para uma sociedade atual
com mais de 50% de seu povo em condição de sobrepeso e algo que marca as gerações
que conviveram com a fome ou com a inflação nos preços: deixar comida no prato é
errado, é oneroso, ou ainda, é pecado. Assim, ensinamos nossas crianças a comerem
tudo, a rasparem o prato e, desde cedo, desconectamos nossos pequenos dos sinais
inatos de fome e saciedade que deveriam regular nossa alimentação.

As crianças recebem os valores e práticas alimentares de suas(seus) responsáveis e


na fase escolar aprendem mais sobre alimentação por projetos educativos e pelo
relacionamento com as novas pessoas que integram suas vidas. Ao atingirem a
adolescência, experimentarem a liberdade, questionam os valores enraizados e partem
para novas experiências formando seus próprios hábitos alimentares.

A vida adulta é marcada pelas particularidades de cada ciclo aliado às responsabilidades


inerentes à idade e toda carga de responsabilidade sustentada. Administrar suas práticas
alimentares no ir e vir de atividades competitivas, cercadas de deslocamentos caóticos
(mesmo a pé ou de carro, ou no transporte público), favorece a baixa prioridade e
atenção no comer e pode desordenar ou agravar a desordem trazida da juventude.

Ao sentir os impactos negativos da alimentação desordenada no corpo, buscamos na


atividade física a compensação para os excessos oriundos da comida, desenvolvendo
uma relação de punição e obrigação com o exercício e o esporte. Repensar a forma de
comer incentiva a repensar o respeito ao próprio corpo e a enxergar o movimento com

4
Introdução

outros olhos, encontrando sentido e prazer no cuidado geral com o corpo, muito além
da aparência física e estética.

Há uma parcela importante de pessoas que preza, e se esforça, manter a rotina alimentar
doméstica. Resistir aos insistentes apelos da praticidade de delivery, de reduzir o trabalho
com as compras, com o fazer comida e com o lavar as louças é uma conduta de imenso
custo-benefício com recompensas diretas para a saúde e o bem-estar.

O comportamento alimentar é construído desde a infância, mas por décadas acreditamos


na capacidade do ser humano em definir regras rígidas na conduta alimentar em prol
da saúde e demoramos a reconhecer a pouca eficácia na manutenção de resultados
físicos, bem como nos prejudiciais impactos na saúde mental. Para o ser humano comer
é uma necessidade biológica que nunca estará desassociada do prazer, socialização, e
significados.

A boa notícia é que podemos corrigir, ajustar, modelar o comportamento alimentar em


todos os ciclos da vida. Obviamente que começar certo desde a introdução alimentar
é melhor, porém esse processo educativo precisa começar no adulto para que ele seja
capaz de ensinar a criança. A capacitação nesse tema é condição base para profissionais
da área da saúde e conhecer as particularidades de cada ciclo da vida facilitará o
processo de intervenção levando saúde e bem estar ao maior público possível.

Objetivos
» Discutir as particularidades dos diversos ciclos da vida e a relação com o
comportamento alimentar.

» Estudar os processos da alimentação na infância e adolescência, e conhecer


alternativas e estratégias no manejo do comportamento alimentar.

» Fundamentar os aspectos fisiológicos na saúde da mulher e sua alimentação.

» Conhecer o impacto do comportamento alimentar na vida adulta e em idosas(os).

» Entender a relação com a atividade física como consequência da alimentação e os


prejuízos de exercício punitivo.

» Refletir sobre as vantagens em desenvolver uma relação equilibrada com a comida,


a atividade física, a saúde física e mental.

5
INFÂNCIA E
ADOLESCÊNCIA
UNIDADE I

A infância e a adolescência são fases da vida marcadas por grandes transformações.


A alimentação é um aspecto importante tanto no que se refere às necessidades nutricionais
para o crescimento físico e desenvolvimento cognitivo saudável como no que se relaciona à
construção do comportamento alimentar que guiará a relação com a comida na vida adulta.

Figura 1. Conhecendo a comida.

Fonte: [Link]
crescer_sobre_alimentao_infantil.

As últimas décadas foram marcadas pela transição nutricional, no Brasil, com uma importante
queda na prevalência de baixo peso e desnutrição em crianças e adolescentes, no entanto
o crescimento no índice de obesidade infantil, a carência de vitaminas e minerais, e
comportamentos de risco para transtornos alimentares se mostram presentes nesse público,
reforçando que os cuidados na alimentação de crianças e adolescentes vão muito além da
contagem de caloria e prescrição dietética tradicional (MONTEIRO et al., 2009).

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UNIDADE I | INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA

A Tabela 1 apresenta características gerais do nascimento à adolescência.

Tabela 1. Características gerais do nascimento a adolescência.

O leite humano é o alimento perfeito para recém-nascidas(os) e deve ser exclusivo até
Lactente
os seis meses de vida e complementar até os dois anos de idade. A introdução alimentar
(nascimento aos 2
complementar ocorre entre os 6 e 12 meses, evoluindo em textura e ingredientes até que
anos)
a criança se alimente com a refeição da família a partir de um ano de idade.
Pré-escolar É comum nessa fase ocorrer seletividade, redução do interesse e consumo alimentar.
(2 a 6 anos) Ganho de peso e crescimento desaceleram.
Ocorre um relevante desenvolvimento cognitivo, emocional e social que antecede as
Escolar (6 aos 10 demandas físicas e emocionais da adolescência. O aumento da gordura corporal é um
anos) processo fisiológico que prepara o corpo para o conhecido estirão de crescimento, e o
ganho de peso é maior.
Adolescência (10 Marcada pelo estirão de crescimento e aumento das necessidades nutricionais. Intenso
aos 19 anos) desenvolvimento físico, emocional, sexual e social.

Fonte: Petty et al., 2008.

8
Capítulo 1
INTRODUÇÃO ALIMENTAR E OS PRIMEIROS
ANOS DE VIDA

Segundo Denise Lellis (2019, online), pediatra do Departamento de Obesidade Infantil


da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica – Abeso:

Quando o objetivo é ver o prato vazio, ou seja, fazer a criança aceitar


tudo o que está sendo oferecido, “vale tudo” para que a criança coma:
distração, trocas, barganhas, ameaças. Esse pode ser um caminho
muito inadequado porque não respeita os sinais da criança e impede
que ela desenvolva suas próprias impressões sobre os alimentos.
Quando a criança tem sua fome e saciedade respeitadas, quando tem
a oportunidade de aprender a comer sozinha e de experimentar novos
alimentos, quando a criança não é forçada a comer e aprende a comer
quando está com fome e não comer quando está satisfeita é possível
se construir uma relação mais prazerosa com as refeições e livres de
questões que estão além da nutrição infantil.

1.1. Construção dos hábitos alimentares na infância


Ainda na gestação, enquanto no útero da mãe, o bebê experimenta os primeiros sabores
por meio da alimentação materna no líquido amniótico, podendo desde então influenciar
as preferências alimentares no futuro. O período da gestação aos dois anos de idade
é chamado de janela de oportunidades com os 1.000 primeiros dias de alimentação
desse novo pequeno ser humano.

Atualmente, a ciência reconhece esse momento como uma janela de oportunidades


para intervenções que trarão benefícios para o resto da vida, reduzindo ou mesmo
prevenindo o aparecimento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e outros
problemas como os de saúde mental.

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UNIDADE I | INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA

Figura 2. Mil dias de alimentação.

Fonte: [Link]

O aleitamento materno costuma ser a primeira relação com a comida, e, na sua


impossibilidade, o consumo de fórmulas infantis ou leite em pó se faz presente na
alimentação de recém-nascidas(os). O leite materno confere sabores e nutrientes
extraídos da alimentação da mãe e proporcionam uma rica experiência sensorial ao bebê.

No cenário em que a amamentação não está presente, o leite artificial tem papel limitado
nas experiências sensoriais do bebê já que tem sempre o mesmo sabor e textura.

Figura 3. Amamentação.

Fonte: [Link]

10
INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA | UNIDADE I

Em 2020, os resultados preliminares do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição


Infantil (Enani), do Ministério da Saúde, demonstram que os índices de aleitamento
materno estão aumentando no Brasil. Ao comparar os dados com inquéritos
nacionais anteriores, com base em indicadores de amamentação propostos pela
Organização Mundial da Saúde (OMS), todos os indicadores melhoraram no Brasil.
Foram avaliadas 14.505 crianças menores de cinco anos entre fevereiro de 2019 e
março de 2020, constatando que mais da metade (53%) das crianças brasileiras
continuam sendo amamentadas no primeiro ano de vida. Entre as menores de seis
meses, o índice de amamentação exclusiva é de 45,7%. Já nas menores de quatro
meses, de 60% (BRASIL, 2020).

Analisando os dados apresentados pelo Ministério da Saúde, percebemos que


ainda é relevante o percentual de crianças não amamentadas e, por consequência,
alimentadas por leite artificial, com sabor padronizado e que não estimula o paladar
alimentar do bebê para reconhecer alimentos futuros.

No processo de alimentação do bebê (lactente), é fundamental destacar a capacidade


inata de autorregulação da ingestão alimentar. Um estudo realizado com bebês
alimentados com fórmula infantil mais concentrada em menor volume e menos
concentrada em maior volume evidenciou que os bebês consumiam o volume necessário
para atender sua fome mamando mais quando o leite estava diluído e mamando menos
quando o leite estava concentrado (FOMON, 1993).

No entanto, a alimentação do bebê acaba se tornando bem complexa quando


consideramos sua incapacidade de falar e a preocupação de mães, pais e cuidadoras(es)
em garantir que o bebê esteja alimentado. O choro do bebê é comumente acalentado
com a mamada, e desde que nascemos percebemos a comida como uma cura para
todos os desconfortos físicos e emocionais.

Ter certeza de que o bebê se alimentou o suficiente, o leite materno é capaz de suprir
suas necessidades, perceber se a mama oferecida já esvaziou e é hora de trocar de mama
durante a mamada, superar as dores e lesões que podem surgir no início do processo
são desafios importantes que a mãe enfrenta para alimentar sua(seu) filha(o).

É fundamental existir uma rede de apoio para que a mãe fique bem, física e
emocionalmente, e proporcione uma experiência alimentar positiva para seu filho.

Há de se considerar que muitas mulheres lactantes não dispõem de uma rede de apoio
e por isso vivenciam momentos angustiantes a cada mamada, acabando por desistir de
amamentar, introduzindo o leite artificial.

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UNIDADE I | INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA

A orientação profissional oferecida em bancos de leites no sistema de saúde incentiva


as mães a seguirem na amamentação, tornando o processo prazeroso e permitindo
que o binômio mãe-filha(o) seja marcado por momentos de bem-estar e tranquilidade
durante a amamentação.

Amamentar com leite materno de forma exclusiva até os seis meses e realizar a introdução
alimentar complementar a partir do sétimo mês, mantendo a amamentação até pelo
menos dois anos de idade, é a recomendação da Organização Mundial da Saúde e do
Ministério da Saúde no Brasil. Mas o cenário ideal não está presente no contexto de
muitas famílias. O período de licença-maternidade no Brasil ainda incentiva a introdução
precoce dos alimentos pelo retorno da mãe ao trabalho aos quatro meses do pós-parto,
uma vez que a licença-maternidade de seis meses ainda é opcional no segmento privado.

Figura 4. Introdução alimentar.

Fonte: [Link]

A introdução alimentar complementar é um momento especial e sensível no qual a


criança experimentará novos sabores, aromas, texturas, utensílios, posição física e terá
a experiência de ser alimentado por outras pessoas que não sua mãe.

O momento da alimentação demanda paciência e facilmente pode se tornar cansativo


e estressante para a mãe ou cuidador(a). A criança e o clima tenso que surge podem
desencadear na criança medo de comer, por isso recomenda-se que a hora da refeição
seja um momento tranquilo e a introdução ocorra de forma gradual, com flexibilidade,
dedicação e tolerância de acordo com o tempo de adaptação da criança.

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INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA | UNIDADE I

A proposta do baby-led weaning (BLW), ou “desmame conduzido pelo bebê”, criada por
Gill Rapley, sugere que os alimentos sejam oferecidos aos bebês em pedaços e não na
forma de papinha. A proposta é que o bebê perceba o alimento, se interesse pelas cores,
textura, aromas, pegue e leve-o à boca livremente. A refeição se torna um momento
descontraído e é necessário que seja supervisionada todo o tempo, bem como o bebê
precisa ser capaz de se sentar e sustentar a cabeça.

Figura 5. BLW.

Fonte: [Link]
alimentar/.

O primeiro ano de vida desafia mães, pais e responsáveis quanto à alimentação do


bebê, e culturalmente o objetivo é fazer com que ele coma, ganhe peso e cresça.
Aprender a ouvir e respeitar os sinais de fome e saciedade demonstrados pela criança
em suas fases de crescimento é um tema ainda muito subjetivo e que profissionais
da área da saúde, envolvidas(os) na introdução alimentar (nutricionistas e pediatras),
buscam orientar as(os) responsáveis, que, por sua vez, se sentem inseguros no tema
já que estão aprendendo a se comunicar com o ser que chegou em casa. O esforço
acaba sendo dedicado para que a criança coma tudo e deixe todos tranquilos (ALMEIDA
et al., 2012).

Nesse cenário, os artifícios para distrair a criança surgem e vale de tudo para estimular
que ela abra a boca e coma tudo. Cantar, batucar, usar telas e estímulos em geral são
estratégias domésticas que desconectam a criança do alimento e faz com que ela seja
alimentada sem perceber.

O ”Guia alimentar para crianças brasileiras menores de dois anos”, publicado pelo
Ministério da Saúde, em 2019, traz orientações didáticas de como aprender a ouvir os
sinais de fome e saciedade.

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UNIDADE I | INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA

Para mostrar que não quer mais comer e que já está satisfeita, ela
mostra sinais de saciedade. Por exemplo, quando está satisfeita em
uma mamada, larga o peito ou adormece; quando está satisfeita em
uma refeição, vira o rosto ou não quer mais abrir a boca.

A partir dos 6 meses, quando começa a ser alimentada com outros


alimentos além do leite materno, a atenção e o respeito aos sinais de
fome e saciedade são fundamentais para o processo de aprendizagem da
criança em relação à alimentação e para o seu pleno desenvolvimento.
Os sinais de fome e de saciedade variam de acordo com a idade. Ao
perceber esses sinais, a pessoa que cuida da criança deve responder
de forma ativa, carinhosa e respeitosa, oferecendo o alimento à criança
quando ela demonstra sentir fome e parando de dar quando ela
demonstra que está satisfeita. Assim, se a criança demonstrar querer
comer mais, deve-se oferecer mais comida; se ela não quiser mais
comer, não se deve insistir nem forçar para que ela coma. Não se deve
forçar a criança a sempre “limpar o prato”, pois isso pode prejudicar sua
habilidade de controlar o apetite e levar ao ganho de peso excessivo.
É preciso ter atenção ao ritmo e ao comportamento da criança. Por
vezes ela pode parar de comer por algum tempo só para descansar e,
depois, voltar a comer. Ou pode se distrair com o ambiente e parar de
comer antes de estar saciada. Para diferenciar essas situações é preciso
conhecer suas reações (BRASIL, 2019, p. 95).

Culturalmente, somos a população de um país em desenvolvimento que viveu a transição


nutricional, superando a fome e a desnutrição e entrando num quadro no qual a maior
parte da população brasileira tem sobrepeso e obesidade (ALMEIDA et al., 2013). Quem
passou fome sabe o valor que o alimento tem, e o desperdício não pode acontecer.
Esse pensamento está impregnado em nosso inconsciente e, de geração em geração,
repetimos que não se pode desperdiçar. Deixar comida no prato “é pecado” ou “custa
caro” e, ao observarmos alguém íntimo deixando comida no prato, logo questionamos
se a pessoa está indisposta, doente ou se não gostou da comida.

Com isso, ensinamos nossas crianças desde cedo que não pode “ter o olho maior que a
barriga” e que se colocou no prato, vai ter de comer tudo. E tal conduta é ainda usada
como um processo “educativo” a fim de responsabilizar a criança pela quantidade de
comida servida, sendo que ela mesma ainda não conhece o tamanho de sua fome e a
proporção de alimentos que atenderá suas necessidades.

Esse é um olhar que precisa ser ensinado às mães, aos pais e cuidadoras(es).
Devemos comer até estarmos saciados de acordo com nossos sinais fisiológicos. Para ouvir
tais sinais, é necessário comer quando existe fome, comer com atenção, sem pressa, sem

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INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA | UNIDADE I

estímulos eletrônicos, e saber reconhecer os sinais de saciedade enviados pelo sistema


nervoso. Se sobrou comida no prato, ela deve ser descartada, e a cada dia, conhecendo
sua fome real, a quantidade servida será ajustada até que não ocorra desperdício.

Comer sem ansiedade e pressa dá a permissão de servir menos e caso a fome ainda
esteja presente, é possível servir um complemento. Essa forma tranquila de comer é bem
viável em ambientes domésticos. Ao considerar a alimentação realizada numa praça
de alimentação ou restaurante self-service em que existe a preocupação com o tempo,
a fila, o lugar a sentar, o mais comum é encher o prato para evitar o retrabalho, assim
a quantidade de comida servida pode ser sempre acima da real necessidade física e
nutricional.

A recusa e as preferências irão surgir e a aceitação estará sob influência de fatores


ambientais e pessoais. Doce e salgado são sabores naturalmente aceitos por um
instinto de sobrevivência humana, e alimentos de alta densidade calórica são
naturalmente percebidos como “bons” pela rápida ação em tirar o desconforto da
fome e trazer saciedade. Já os sabores azedos e amargos costumam ser rejeitados e,
com isso, precisamos estar conscientes de que as crianças estão programadas para
gostar de comidas ricas em açúcar, sal e gordura, mas precisam aprender a gostar
daquelas amargas, azedas e com baixa densidade energética, características comuns
a muitas frutas e verduras.

Neofobia alimentar é caracterizada pela resistência ou dificuldade em experimentar


novos alimentos. Um mecanismo que também funciona como proteção para evitar que
a criança coma algo tóxico, estragado ou que não seja comestível, e acaba afetando a
variedade alimentar da criança. Os pais devem receber orientação para reverter essa
tendência e ampliar a aceitação alimentar da criança.

Quando a criança recusa os alimentos ou a refeição, uma ansiedade surge nas mães e
nos pais pelo receio da desnutrição e perda de peso e com frequência acabam ofertando
um alimento do agrado da criança, assim a seletividade é reforçada, podendo se tornar
um problema ainda maior na fase pré-escolar e escolar.

Continuar oferecendo os alimentos com cortes, texturas e apresentações diferentes, além


de manter o consumo da família na presença da criança, são estratégias importantes
que trará familiaridade e segurança para que a criança aceite e goste do novo alimento.
A disponibilidade frequente e acessível de frutas, verduras e legumes está associada à
maior aceitação e ao consumo pelas crianças (JONES et al., 2010).

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UNIDADE I | INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA

Figura 6. Família à mesa.

Fonte: [Link]

Você sabia que a preferência por certos alimentos é adquirida quando eles são
consumidos em momentos agradáveis?

Realizar refeições em momentos tranquilos e em família, ou seja, comendo todos


juntos, criam memórias afetivas na criança em relação aos alimentos consumidos. Por
isso, é interessante que o bebê e a criança sejam alimentados no mesmo momento
em que a família faz suas refeições, trazendo o cadeirão à mesa, permitindo que
ele observe e vivencie um momento de harmonia com pessoas que ele confia.

O ambiente doméstico e a atitude dos familiares de fato influenciam a formação de


hábitos alimentares da criança. Por isso, a janela de oportunidade dos 1.000 primeiros
dias de alimentação é essencial para desenvolver o gosto por comida natural, e a oferta
de ultraprocessados deve ser evitada. Priorizar frutas, verduras, legumes, arroz, feijão,
carnes, leite e derivados, ovos, cereais e preparações caseiras de alimentos culturais e
regionais deve ocorrer nessa fase.

Mas e quando a família não tem esses hábitos alimentares? Como alimentar um bebê
com alimentos naturais se eles não estão presentes no lar, na alimentação dos adultos?

Essa é uma realidade de muitas famílias que procuram atendimento nutricional para seus
filhos, alegando que eles não comem nada e, na primeira investigação pela anamnese

16
INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA | UNIDADE I

clínica, observa-se que a restrição alimentar está nos pais, que não comem o que
desejam que seus filhos comam.

Por isso o atendimento clínico a bebês e crianças deve considerar o contexto familiar,
e mães e pais precisam ser conscientizadas(os) de que suas condutas têm influência
maior do que exercer pressão para que a criança coma (mais do que a pressão importa
a criança). Em resumo, ensinar pelo exemplo é mais efetivo do que dizer que comer
frutas é mais saudável.

17
Capítulo 2
DESAFIOS DA ALIMENTAÇÃO NA INFÂNCIA

Os estudos descobriram que cerca de 50% das crianças de 2 anos de


idade foram descritas como consumidores exigentes ou mimados por
parte dos pais. Uma parte desse comportamento pode ser atribuída
ao estágio de desenvolvimento. Entre 2 e 3 anos de idade as crianças
simplesmente não gostam de coisas novas. Eles têm medo do que é
estranho, por isso rejeitam novos alimentos – um medo real conhecido
como neofobia alimentar. Além disso, o desejo de independência e
controle é tão forte que a seletividade pode ser um jogo de poder”.
Sharon Donovan, professora de nutrição e pesquisadora na Universidade
de Illinois, Estados Unidos (DONOVAN, 2018, p.90).

A alimentação da criança em idade pré-escolar (2 a 6 anos) é marcada pela seletividade


alimentar, desaceleração do crescimento e ganho de peso. A criança conhece os
alimentos e a conduta de seus cuidadores, e passa a manifestar mais claramente suas
preferências e aversões.

A diminuição do apetite pode estar relacionada ao fato de a criança estar descobrindo


o mundo e outras coisas tornam-se mais interessantes do que comer. Um processo que
poderia ser natural e passageiro pode se tornar muito problemático quando a criança
percebe que sua recusa alimentar lhe gera atenção e recompensas.

Katja Rowell (2012) apresentou o ciclo da recusa alimentar quando mães, pais e
cuidadoras(es) se angustiam pela resistência da criança a comer e passam a ceder
aos alimentos preferidos na intenção de garantir que ela esteja alimentada. A criança
rapidamente aprende que ao recusar o que não quer, ela ganhará o que quer.

Figura 7. O ciclo da recusa alimentar.

Dificuldade na
alimentação =
Mais pressão
Criança não
come

Resistência
Preocupação
por parte da
dos pais
criança

Pressão ou
prática
alimentares
não
produtivas
Fonte: Elaborada pela autora.

18
INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA | UNIDADE I

Segundo Katja, grande parte das crianças que apresentam dificuldades na alimentação
passou por algum desafio como nascimento prematuro, alimentação dolorosa ou
difícil, trauma, desafios sensoriais, pressão e medo em torno do peso ou da nutrição.
As mães e os pais sofrem por se sentirem responsáveis, sobrecarregados ou culpados
por não conseguirem ajudar seus filhos a se alimentarem. Isso se agrava com a falta de
apoio de familiares e até da área médica (despreparada para orientá-las(los) na recusa
e seletividade alimentar).

Surge o desafio alimentar: por não conseguirem perceber o gatilho que levou à mudança
na alimentação, é comum mães e pais relatarem que a criança comia de tudo, mas parou
de comer de repente. Fatos atuais na vida da criança como uma doença, nascimento
de dentes, mudança de rotina doméstica, adaptação em creche ou escola são fatores
que podem agravar a recusa.

A angústia gerada por esse comportamento leva os pais a substituírem as refeições


por leite, mamadeiras, lanches preferidos, normalmente com sabores adocicados por
trazerem rápida sensação de satisfação e saciedade.

Ao mesmo tempo, ocorre a busca por ajuda com familiares, amigos, internet e
profissionais da área da saúde despreparados para lidar com esse cenário. Condutas
inadequadas surgem para que essa criança coma a qualquer custo, tais como: “tem que
fazer essa criança comer”, ou “nenhuma criança morre de fome” então “deixe- a com
fome pra ver se não come”, ou “se ela não come essa comida, dê a ela o que ela come”,
ou “não permita que ela coma doces”, “tranque os armários”.

Pressão, ameaça, barganha, recompensas são condutas que reforçam a resistência


da criança.

A coerção dos pais para que a criança coma aquilo que é “bom” e não coma o que
é “ruim” acaba produzindo o efeito inverso, e uma mensagem conflitante é passada
quando alimentos são apontados como “ruins”, porém são associados a momentos
especiais e agradáveis como festas, finais de semana e férias.

Assim como dizer que o alimento deve ser ingerido porque o deixará forte e saudável,
rapidamente é associado pela criança a alimentos de sabor duvidoso. É comum ouvirmos
de crianças em consultório nutricional que se a mãe diz que o alimento faz bem é porque
é não é gostoso (PETTY, 2013).

Estudos apontaram que a oferta de doce como prêmio por consumir um alimento
específico aumentou a preferência pelo doce e não pelo alimento que deveria ser
consumido. Não é difícil entender o ponto de vista da criança[...] Se ela precisa ganhar
um prêmio para comer algo, é porque tal alimento não deve ser bom (BIRCH et al., 1982).

19
UNIDADE I | INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA

Ao mesmo tempo, alguns estudos que usaram recompensas não associadas à comida,
como passeios ou adesivos, encontraram aumento do consumo de hortaliças (HENDY
et al., 2005).

Se te disserem que uma comida faz bem, você come? Só por isso?

E quando esse argumento é usado com crianças, na educação alimentar? Será


que funciona?

O artigo If it’s Useful and You Know it, Do You Eat? Preschoolers Refrain from
Instrumental Food (tradução livre: Se for útil e você souber, você come? Crianças
em idade pré-escolar se abstêm de alimentos instrumentais), dos pesquisadores
Michel Maimaran e Ayelet Fishbach (2014), avaliou o quanto apresentar um alimento
com uma função “intrumental” para uma criança promoveria adesão ao conteúdo.

Crianças que receberam cenouras sugerindo que seu consumo as “deixariam mais
fortes” consumiram em menor quantidade do que crianças que simplesmente
receberam a cenoura para consumo na refeição.

O mesmo ocorreu com biscoitos quando ofertados e associados à função de


deixar mais forte. O consumo foi menor do que quando ofertados sem nenhuma
justificativa especial.

Em resumo, a justificativa para que a criança coma algo (verdura ou guloseima,


nesse caso) baseada em saúde não promoveu maior consumo do alimento!

Conheça o estudo completo no link a seguir:

[Link]
Preschoolers_Refrain_from_Instrumental_Food.

A seguir, conheça estratégias do que fazer e do que não fazer para incentivar crianças
(e até adolescentes) a aceitarem novos alimentos (PETTY et al., 2018).

O que fazer:

» Comer o que é oferecido às crianças e adolescentes e ensinar pelo exemplo.

» Incluir alimentos que deseje o consumo (frutas, legumes e verduras ou outros


menos aceitos) com alimentos preferidos. Por exemplo, fazer um sorvete caseiro
de frutas congeladas, ou incluir vegetais numa pizza feita em casa.

20
INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA | UNIDADE I

» Deixar a comida alvo acessível, ou seja, frutas e vegetais lavados, prontos para o
consumo e visíveis a todos, na cozinha, na geladeira e na hora das refeições.

» Levar as crianças às compras em feiras, mercados, sacolões e estimular que


participem das escolhas e seleção dos alimentos.

» De forma segura e supervisionada, levar a criança para a cozinha e permitir que


prepare pratos, saladas, bolos etc.

» Incluir alimentos menos aceitos em momentos agradáveis com a família (festas,


viagens, passeios). Levar petiscos de vegetais, frutas, castanhas, tortas salgadas
caseiras para passeios ao ar livre, fazer piquenique. É preciso incentivar os pais a
investir tempo nessa fase para terem tranquilidade no futuro.

» Proporcionar refeições em família o máximo possível. Comer a mesma comida


juntos, à mesa, é algo que desenvolve vínculo afetivo e cria hábitos saudáveis.

» Oferecer o mesmo alimento rejeitado em momentos e versões diferentes. São


necessárias várias exposições ao alimento para que a criança passe a aceitar. Não
desistir na primeira recusa.

» Orientar a criança a ter atitude neutra. Não dizer que não gosta, nem fazer cara
feia para a comida, além de ter curiosidade antes de provar um novo alimento.

» Os pais devem entender que haverá momentos em que a criança estará sem fome
ou indisposta para comer ou aceitar variações na quantidade de costume.

» Em restaurantes, oferecer para a criança o mesmo cardápio dos adultos. É comum


haver um prato infantil composto por uma pequena variedade (arroz, carne, batata
frita e farofa) em cardápios, o que impede a criança de conhecer variedades
consumidas pelos pais.

O que não fazer:

» Obrigar ou forçar a criança a comer ou fazer da hora de comer um campo de


guerra.

» Substituir o alimento recusado por outro que a criança prefere após poucas
tentativas. Se a criança não aceitou o peixe, evite substituir rapidamente por um
bife, pois, mesmo sendo nutricionalmente equivalentes, ela manterá a rejeição
pelo novo e desenvolverá paladar restrito para o bife. A nutrição recomenda que

21
UNIDADE I | INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA

um alimento seja oferecido no mínimo 10 vezes (em formas, apresentações e


momentos distintos) para a criança, antes de se considerar que ela realmente não
gosta.

» Negociar com prêmios. Se a criança não comer tudo, não ganhará sobremesa. Ou
se a criança comer a couve, ganhará a sobremesa.

» Escolher sempre o menu infantil em restaurantes para evitar conflito e ter maior
aceitação. De forma geral, o menu infantil é restrito e monótono e impede a criança
de experimentar pratos diferentes que são consumidos pelos pais.

» Desistir de oferecer o alimento após poucas tentativas e sem tentar novas formas
de apresentá-lo (por exemplo, a cenoura pode ser apresentada ralada, cortada em
rodelas, em palitos, ou cozida, na carne, no arroz, em purê, no bolo, no recheio
do sanduíche etc.).

» Categorizar os alimentos em bons e ruins, saudáveis ou não saudáveis, proibidos


ou permitidos. É preciso ensinar desde cedo a ter uma relação equilibrada com os
alimentos, evitando compensações ou compulsões no futuro.

» Se a criança estiver sem apetite, oferecer lanches que não compõem uma refeição
(pão, biscoitos, sucos).

» Receber as rejeições como algo pessoal. Muitas vezes, os pais preparam uma nova
receita e a criança não se interessa em provar. É preciso continuar estimulando e
praticando, por isso quanto mais o cozinhar for hábito da família, melhor a chances
de as crianças terem seu tempo necessário para experimentar as novas preparações.

A dicotomia do bom e ruim em relação aos alimentos é muito forte e difícil de ser
evitada uma vez que vivemos numa sociedade que desenvolveu o culto ao corpo
magro, a dieta como algo necessário e obrigatório e o prazer de comer associado
ao ganho de peso e à falta de força de vontade.

Para educar as crianças e quebrarmos esse ciclo, é necessário que as mães e os


pais percebam suas relações com o próprio corpo e a comida e percam o medo
dos alimentos.

Ensinar que pizza, sorvete, brigadeiro e lasanha são ruins, proibidos – mas usá-los
como prêmios ou como refeições para momentos especiais – criará um conflito na
cabeça da criança e um desejo de ter mais contato com aquele alimento, por isso

22
INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA | UNIDADE I

a postura neutra, que não supervalorize nem desabone um alimento, é uma forma
de separar o alimento da emoção e educar essa criança de uma forma diferente
do que fomos educados.

Mas como promover bons comportamentos alimentares na infância?

A nutrição comportamental tem se mostrado uma abordagem inovadora no manejo


do comportamento alimentar de mães, pais de filhos. Já aprendemos que restringir e
proibir não é educativo e pode ainda levar a movimentos compulsivos e ganho de peso
excessivo.

No entanto, permitir não significa incentivar, ser permissivo ou pouco envolvido,


deixando as crianças comerem o que quiserem. As mães e os pais têm papel responsável
em estabelecer limites em relação à quantidade de guloseimas a ser consumida e
ofertar todos os grupos alimentares, além de não ser exemplo do consumo exagerado
de alimentos ultraprocessados e sem valor nutricional.

Outro ponto importante é que a insistência para que a criança coma é uma conduta
comum e que põe em conflito o sistema de autorregulação da criança, que cresce
entendendo que sua sensação interna de fome e saciedade não é relevante e o que
importa é comer na hora definida e na quantidade imposta.

A proposta de divisão de responsabilidades, de Ellyn Satter, é sugerida pela nutrição


comportamental no sentido de ajudar as mães e os pais a preservarem os sinais de fome
e saciedade de seus filhos (ALVARENGA et al., 2018).

De acordo com essa proposta, mães, pais e filhos têm papéis definidos na
alimentação da criança, sendo mães e pais responsáveis em oferecer um ambiente
alimentar adequado, com variedade, organizar horários regulares e exclusivos para
alimentação, e as crianças são responsáveis pela decisão de quanto e se vão comer
os alimentos oferecidos pelos pais. É um grande desafio, pois gera a sensação de
perda de autoridade dos pais e a transferência de poder à criança/adolescente que,
teoricamente, não teria capacidade para se responsabilizar quanto a se alimentar bem
e suficiente.

Tabela 2. Divisão de responsabilidade para mães, pais e filhas(os).

Responsabilidade das mães e dos pais Responsabilidade das(os) filhas(os)


Decidir o que, quando e onde será oferecida a Decidir o quanto vão comer e se vão comer os
comida. Escolher e preparar a refeição. alimentos oferecidos pelos pais.
Garantir refeições e lanches regulares e adequados, e
Comer a quantidade que precisam.
promover momentos agradáveis.

23
UNIDADE I | INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA

Responsabilidade das mães e dos pais Responsabilidade das(os) filhas(os)


Ensinar as(os) filhas(os) o que precisam aprender
sobre a comida e o comportamento alimentar. Ensinar Aprender a comer o que as mães e os pais comem.
a se comportar nas refeições.
Ser exemplo para a(o) filha(o) sobre o que e como
comer. Evitar que os filhos “belisquem” e bebam Aceitar que estão crescendo conforme o esperado.
(exceto água) entre as refeições.
Não categorizar alimentos que a(o) filha(o) gosta e Aprender a se comportar nas refeições. Comer à
não gosta. Aceitar que os filhos cresçam de acordo mesa, usar talheres, mastigar de boca fechada, não
com seu biótipo. falar enquanto comem.

Fonte: Adaptada de Satter, 1986.

Figura 8. Criança se servindo.

Fonte: [Link]

Evelyn Tribole e Elyse Resch (2012) criaram o conceito do comer intuitivo (intuitiv eating),
que incentiva a relação saudável com a comida e reforça que todas(os) nós somos experts
em nossos corpos e por isso precisamos confiar em nossa habilidade de distinguir
sensações físicas e emocionais para atender nossas necessidades.

Nascemos regulados e comemos de forma intuitiva e ainda na fase pré-escolar esse


domínio vai se perdendo pelos desafios de mães, pais e cuidadoras(es) alimentarem
suas crianças. A Tabela 3 contém sugestões da proposta do comer intuitivo a serem
praticadas por mães, pais e filhas(os) a fim de preservar os sinais de fome e saciedade
da criança e do adolescente.

24
INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA | UNIDADE I

Tabela 3. Comer intuitivo entre pais e filhos.

O que fazer O que não fazer


Ajudar as(os) filhas(os) a perceberem suas motivações
para comer (fome física ou medo, ansiedade, tristeza, Restringir a quantidade ou o tipo de alimento.
tédio?)
Permitir que as(os) filhas(os) montem seus próprios
pratos, sob supervisão. Incentivar as(os) filhas(os) a Classificar alimentos em bons/ruins, saudáveis/não
soltarem os talheres enquanto se alimentam e que saudáveis, permitidos/proibidos.
terminem de engolir antes de outra colherada.
Sugerir uma pausa no meio da refeição e pedir que a
Substituir alimentos por versões diet, light, zero, fit.
criança perceba como evolui sua satisfação.
Garantir refeições com rotina organizada e horários Permitir recursos que distraiam. TV, celular, tablet,
regulares. computador, jogos etc.
Conversar com as crianças sobre as diferentes
Obrigar a criança a terminar o prato quando ele não
situações que envolvem o comer: necessidades físicas,
quer mais ou não permitir que repita quando pede
culturais, sociais, comemorações, e o que é adequado
mais.
em cada situação.

Fonte: Petty et al., 2008.

25
Capítulo 3
A(O) ADOLESCENTE

As(Os) adolescentes são a população adulta de amanhã, e sua saúde e bem-estar


são cruciais. O interesse na saúde de adolescentes é relativamente novo, e o foco na
nutrição e no comportamento alimentar é ainda mais recente (exceção da gravidez na
adolescência). Crescem, com base em evidências, as recomendações dirigidas ao setor
de saúde para melhorar a contribuição dos profissionais à saúde física, nutricional e
mental dos adolescentes, principalmente nos países em desenvolvimento.

Figura 9. Adolescentes.

Fonte: [Link]

Intenso crescimento e desenvolvimento físico, alterações emocionais e de humor,


rebeldia, independência e autonomia marcam essa fase tão especial da vida e, muitas
vezes, a baixa autoestima associada às mudanças no corpo e na autoimagem é motivo de
mudanças no padrão alimentar, levando a ganho ou à perda de peso de forma excessiva.

A interação social e a mídia ganham espaço na influência dos hábitos alimentares de


adolescente; e a imagem corporal passa a ser foco, reagindo às escolhas alimentares.
A insatisfação corporal está associada a sintomas depressivos, estresse, baixa autoestima,
restrição alimentar e resistência em praticar atividade física para não expor o corpo.

A maneira que adolescentes se relacionam com a comida (como se sentem, pensam


e se comportam em relação aos alimentos) será reflexo de sua infância. O momento
ideal de intervenção para um comportamento alimentar saudável é na infância, mas,
considerando que isso não tenha ocorrido, existem estratégias importantes a serem
conhecidas nessa fase.

A alimentação não é mais imposta pela família, como na infância, e a autonomia de


quando e o que vão comer vai demonstrar se a infância construiu um comportamento
alimentar equilibrado ou não. É característico dessa fase adotar uma rotina alimentar
diferente da família, pular refeições, comer sozinho e usando eletrônicos, comer de

26
INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA | UNIDADE I

madrugada e aumentar o consumo de lanches e alimentos hipercalóricos, fast food e


ultraprocessados, de fácil preparo e acesso.

Ao mesmo tempo em que a liberdade pode levar a excessos, a cobrança pela cultura
do corpo perfeito assombra os jovens que desejam estar atraentes fisicamente pelo
despertar da sexualidade. O conflito entre a liberdade para comer e o desejo do corpo
magro pode ser fator crucial para comportamentos de risco para transtornos alimentares.

Em relação à abordagem para ajustes do comportamento alimentar, é essencial que


a(o) adolescente seja envolvida(o) nas escolhas e preparos dos alimentos. Apesar de
serem capazes, muitos jovens sequer preparam o café da manhã e é papel do terapeuta
nutricional incentivar tais práticas aliadas Às orientações gerais sobre a abordagem
comportamental, valorizar todo formato de corpo, debater sobre as dietas da moda e
conhecer os termos e a linguagem desse público.

É preciso conhecer as referências de “modelos” que o jovem admira e segue em redes


sociais (famosos, influenciadores, atletas etc.) não só para falar na mesma linguagem,
mas também para apresentar conteúdos novos e que agreguem saúde física e mental.

Figura 10. Adolescente e seus ídolos.

Fonte: [Link]
[Link].

Relembre sua adolescência e seus ídolos. Como eles eram fisicamente, como se
vestiam, com quem se relacionavam? Reflita o quanto isso a(o) influenciou no seu
desejo de se vestir, arrumar o cabelo, músicas que ouvia e a quem você desejava
impressionar...
Quanto da sua forma de se apresentar hoje ainda é influenciada por aqueles que
você admira? Agora, na sua vida adulta, reflita sobre quem são suas(seus) atuais
influenciadoras(es). Revise suas redes sociais, suas páginas de internet favoritas e
analise as pessoas que você acompanha e admira. São perfis que inspiram uma
vida real ou estimulam mudanças fora da sua realidade?

27
UNIDADE I | INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA

3.1.1. O ganho de peso

O ganho de peso na adolescência é comum, com destaque para as meninas, em virtude


do estirão do crescimento da pré-adolescência pelo preparo do corpo para a produção
hormonal que marca a puberdade e a menarca.

O aumento do apetite nessa idade é percebido e associado à liberdade e independência


de comer. Mães e pais, muitas vezes, se preocupam com o ganho de peso e buscam
ajuda profissional de endocrinologistas, nutricionistas ou, ainda, implementam dietas
e restrições alimentares, vivendo altos e baixos. Esvaziam armários, proíbem alimentos
considerados “engordativos”, sendo esse um ciclo cansativo, e logo surge a flexibilidade
para atender à vontade da(o) jovem e aliviar o cansaço de mães e pais.

Essa fase deve ser tratada de forma criteriosa e cuidadosa, pois um processo fisiológico e
que tende a estabilizar na adolescência pode acabar desencadeando problemas maiores
pela imposição de rótulos, críticas, pressão familiar quanto à conduta alimentar da(o)
adolescente. Percebem-se casos em que a(o) jovem procura comer sozinha(o) para
evitar críticas e controles das mães e dos pais quanto à maneira que se alimenta e à
qualidade dos alimentos.

O ganho de peso, levando a quadros crônicos de sobrepeso e obesidade, tem se elevado


nesse público, associado ao estilo de vida sedentário, consumo elevado de alimentos
ultraprocessados, comer emocional (tédio, ansiedade, tristeza), comer de forma desatenta
sem perceber sinais de fome e saciedade. O estigma da obesidade pode ser muito
prejudicial e deve ser desencorajado pela família.

É necessário evitar rótulos da criança/adolescente (gordinha, cheinha, fortinha, comilona,


etc.) e comparações com outras crianças em relação ao porte físico, cabelo, altura, ainda
que soe de forma carinhosa, pois, no fim, é uma conduta julgadora e emocionalmente
prejudicial à criança.

28
INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA | UNIDADE I

Figura 11. Comparando crianças.

Fonte: [Link]
html.

Questões importantes sobre a orientação às mães e aos pais quanto ao corpo de crianças
e adolescentes (PETTY et al., 2018):

» Aceitar a forma e o peso corporal da(o) sua(seu) filha(o). As crianças conseguem


lidar melhor com o seu tamanho e forma quando mães e pais as aceitam mesmo
acima do peso.

» Auxiliar as(os) filhas(os) a entenderem que a beleza existe em diversos tamanhos


e formas.

» Estimular as(os) filhas(os) a serem fisicamente ativas(os) e encontrarem uma


atividade física em que se sintam confortáveis e seguras(os).

» Ser honesto e realista, porém sem julgamentos e críticas sobre o peso e o tamanho.

» Evitar falar sobre seu próprio corpo de forma crítica na presença das(os) filhas(os).
Comentários depreciativos sobre o próprio corpo ensinam o julgamento negativo
e incentivam a insatisfação corporal.

O aconselhamento nutricional para mudança de comportamento alimentar em crianças e


adolescentes não é diferente do que é oferecido às crianças de peso normal, uma vez que
o foco da nutrição comportamental não é o peso, mas sim os hábitos, comportamentos e
atitudes alimentares (ALVARENGA et al., 2018). A permissão para comer, a não proibição
de alimentos e a conexão com os sinais de fome e saciedade são estratégias a serem
adotadas com obesos e não obesos.

Também é papel da(o) profissional alertar mães e pais para as falhas do método
tradicional de dieta restritiva para promover a perda de peso e auxiliá-las(os) na mudança
de comportamento alimentar e no incentivo à atividade física recreativa e prazerosa.

29
UNIDADE I | INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA

3.1.2. O papel da escola

A educação alimentar e nutricional – EAN nas escolas desempenha um papel importante


na transmissão de conhecimento sobre a relação dos alimentos com a saúde, no
entanto, estudos apontam que a disponibilidade alimentar e a preferência sensorial
pelos alimentos têm maior influência nas escolhas das crianças e adolescentes.

EAN é um campo de conhecimento e de prática contínua e permanente,


transdisciplinar, intersetorial e multiprofissional que visa promover a prática
autônoma e voluntária de hábitos alimentares saudáveis. A prática da EAN deve
fazer uso de abordagens e recursos educacionais problematizadores e ativos que
favoreçam o diálogo entre indivíduos e grupos populacionais, considerando todas
as fases do curso da vida, etapas do sistema alimentar e as interações e significados
que compõem o comportamento alimentar. (BRASIL, 2012, p. 23)

As atividades educativas na escola podem abordar aspectos que despertem a preferência


sensorial pelos alimentos e aumente a familiaridade da criança por meio de atividades
que promovam o contato regular com o alimento como manipulação, preparo de
receitas, cultivo de hortas, dentre outros.

Figura 12. EAN nas escolas.

Fonte:[Link]
a-ser-obrigatoria-nas-escolas.

30
INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA | UNIDADE I

As escolas podem promover oficinas culinárias nas quais a criança participe da escolha
da receita, separação, higienização e manipulação dos ingredientes, aprendendo sobre
sua origem, propriedades organolépticas, outras formas de consumo e ser incentivada
a provar a receita finalizada (PETTY, 2014).

O cultivo de hortas culinárias no ambiente escolar também deve ser incentivado, estendendo
a prática para o lar e permitindo que as crianças levem mudas e sementes para casa.

Figura 13. Horta na escola.

Fonte: [Link]
alunos/.

A(O) nutricionista com atuação escolar pode ainda incentivar a Direção a envolver mães
e pais das(os) alunas(o)s ao oferecer atividades em família. As(Os) filhas(os) podem ser
agentes de mudança e de conteúdo no ambiente doméstico, mas é necessário conhecer
e respeitar as particularidades de cada comunidade para adequar o trabalho de forma
que seja acessível aos familiares em casa.

Da mesma forma, para que a escola se torne um ambiente de promoção a hábitos


e comportamentos alimentares saudáveis, as(os) profissionais (diretoras(es),
professoras(es), merendeiras(os), cozinheiras(os), donas(os) de cantinas e lanchonetes)
devem ser envolvidas(os) e capacitadas(os) em relação à conduta e ao discurso ideais
sobre a alimentação na escola e o respeito pelas diferenças na estrutura física.

3.1.3. O ambiente familiar

O papel de mães e pais como responsáveis pela alimentação da criança nem sempre é
percebido por elas(es), que muitas vezes responsabilizam a criança pelas dificuldades
vivenciadas. Ainda é muito comum mães e pais não terem os hábitos que exigem das
crianças e não proporcionarem as condições recomendadas para as mudanças desejadas.

31
UNIDADE I | INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA

Maria Luiza Petty et al. (2018), no livro “Nutrição Comportamental”, apresentam sugestão
de perguntas para entrevista motivacional (Tabela 4) que abordam a mudança de
comportamento para mães, pais e filhas(os).

Tabela 4. Perguntas para entrevista motivacional com mães e pais.

Comportamento alimentar Pergunta da entrevista motivacional


Como você acha que sua(seu) filha(o) se sente quando é
pressionada(o) a comer uma comida da qual não gosta?
Como você classificaria os momentos das refeições em casa? Mais
Não se interessar por comer
tensos ou relaxados?
Você se recorda de alguma estratégia usada com você para tentar
convencê-la(o) a comer algo e que produziu o efeito contrário?
Como você sente que o ambiente alimentar de casa (o conteúdo
dos armários, geladeiras e as refeições preparadas) pode
contribuir para que sua(seu) filha(o) goste de uma pequena
Gostar de pequena variedade de variedade de alimentos?
alimentos
Você se lembra de alguma estratégia usada por sua mãe e seu
pai que contribuiu para que você gostasse de uma variedade de
alimentos diferentes?
Para mães e pais que não gostam de hortaliças: como você
imagina que seria para sua(seu) filha(o) comer um alimento de
Não gostar de hortaliças difícil aceitação que ninguém em casa come?
Para mães e pais que comem hortaliças: na sua infância, você se
lembra de como passou a gostar de legumes?
Como você acredita que poderia fazer sua(seu) filha(o) comer
Comer rapidamente
melhor?
O que você acha que teria de positivo em sentar-se com
Comer em família
suas(seus) filhas(os) para comer?
Você já notou em que momento sua(seu) filha(o) come de
maneira compulsiva?
Comer compulsivamente
Existem alguns alimentos que ela(e) sempre come dessa maneira?
O que será que sua(seu) filha(o) sente quando come assim?
Como você acha que seriam as refeições em família sem a
Comer com a TV ligada
presença da TV ligada?
Crença Pergunta da entrevista motivacional
Se eu não deixar minha(meu) filha(o) Qual motivo você considera ser mais importante para um(a)
levar biscoito recheado de lanche para a professor(a) exigir que os(as) alunos(as) estudem: ser maldoso ou
escola todos os dias, ela(e) não vai gostar querer que os alunos aprendam?
mais de mim e me considerará uma mãe Se você visse sua(seu) filha(o) brincando na rua perigosa e pedisse
maldosa para ele sair de lá, você se sentiria uma boa mãe ou maldosa?
Provavelmente, quando sua(seu) filha(o) ganha um brinquedo
novo, ela(e) quer brincar bastante com ele, mas depois se cansa
e se interessa por outras atividades. Será que a vontade que
Se eu permitir que minha(meu) filha(o) sua(seu) filha(o) sente de comer doce é tão grande porque ela(e)
coma um doce, ela(e) vai querer comer o nunca pode “matá-la”?
tempo inteiro
Será que passar vontade não contribuiu para que a vontade
aumente e sua(seu) filha(o) precise de muito doce para
compensá-la?

Fonte: Adaptado de Petty et al. (2018, p. 456).

32
INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA | UNIDADE I

Você sabia que realizar as refeições em família está associado com um melhor perfil
de variedade e qualidade alimentar em crianças e adolescentes do que aquelas(es)
que não comem com sua família?

Leia mais no estudo: Family dinner and diet quality among older children and
adolescents.

GILLMAN, M.W. et al. Family dinner and diet quality among older children and
adolescents. Arch Fam Med, v. 9, pp. 235-40, 2000.

A dedicação ao processo educativo de mães, pais, filhos e escola é fundamental


para a saúde, hábitos e comportamentos alimentares de crianças e adolescentes.
Nesse contexto, a perspectiva biopsicossociocultural sugere estratégias que ampliem
a atuação de terapeutas para enfrentar os desafios dessa fase tão importante da vida.

33
REFERÊNCIAS

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Figura 3: Amamentação.

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Figura 6: Família à mesa

BATATA FRITA PODE? Regras da Comida: Regra 54: Só coma à mesa. Disponível em: [Link]
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Figura 8: Criança se servindo.

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Figura 9: Adolescentes

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Figura 10: Adolescente e seus ídolos

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Figura 11: Comparando crianças

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Figura 12: EAN nas escolas

TRIBUNA DE JUNDIAÍ. Educação alimentar e nutricional passa a ser obrigatória nas escolas. Disponível
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Figura 13: Horta na escola

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Figura 14: Fases da vida da mulher

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Referências

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Figura 15: Humores na TPM

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Figura 16: Compulsão na TPM

CATRACA LIVRE: Compulsão alimentar: saiba identificar e como controlar. Disponível em: https://
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Figura 17: Gravidez e atividade física

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Figura 18: O peso na gravidez.

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Figura 19: O corpo que coloca outro corpo no mundo

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Figura 22: Ondas Vitamina E alivia sintomas da menopausa de calor.

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Figura 23: Hábitos de uma vida.

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Figura 24: Comendo no sofá.

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Figura 26: Alimentação contemporânea.

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Figura 27: Família cozinhando.

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Figura 28: Praça de alimentação.

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Figura 30: Curso de culinária em casa.

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Figura 31: Atividade física prazerosa.

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Figura 32: Yoga em casa.

ESTADO DE MINAS. Coronavírus e isolamento atividades físicas podem e devem ser feitas. Disponível em:
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Figura 33: Malhando por obrigação.

VIVA BEM UOL. Não vai à academia nem que te paguem? Estudo aponta que você não está só. Disponível
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Figura 35: Exercício intuitivo.

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Referências

EU VEJO. O exercício é uma forma de se punir pelo que você comeu? Disponível em: [Link]
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Figura 36: Lesão por excesso.

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Figura 37: Professora e aluna.

KAUFFER PILATES. 5 saias justas que todo professor de pilates já viveu pelo menos uma vez. Disponível
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Figura 38: Lian Gong.

PREFEITURA DE SUZANO. Suzano será sede do 5° Encontro Regional de Lian Gong.

Disponível em: [Link]


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Figura 39: Aula de dança infantil.

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