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Exercícios de Interpretação de Texto

O documento contém uma lista de exercícios de interpretação de texto e análise literária, abordando temas como a organização da mensagem na literatura, o uso de recursos expressivos em diferentes linguagens, e a relação entre ciência, tecnologia e sociedade. Os exercícios incluem questões sobre obras literárias, diálogos entre personagens e a análise de textos contemporâneos. Além disso, discute a intolerância e a agressividade nas interações sociais, refletindo sobre suas causas e consequências.

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Exercícios de Interpretação de Texto

O documento contém uma lista de exercícios de interpretação de texto e análise literária, abordando temas como a organização da mensagem na literatura, o uso de recursos expressivos em diferentes linguagens, e a relação entre ciência, tecnologia e sociedade. Os exercícios incluem questões sobre obras literárias, diálogos entre personagens e a análise de textos contemporâneos. Além disso, discute a intolerância e a agressividade nas interações sociais, refletindo sobre suas causas e consequências.

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Português Lista de Exercícios

Exercício 1 Exercício 2
(UNICAMP 2020) As palavras organizadas comunicam sempre (ENEM PPL 2019)
alguma coisa, que nos toca porque obedece a certa ordem.
Quando recebemos o impacto de uma produção literária, oral ou
escrita, ele é devido à fusão inextricável da mensagem com a sua
organização. Em palavras usuais: o conteúdo de uma obra literária
só atua por causa da forma.
Adaptado de Antonio Candido, “O direito à literatura”, em Vários
escritos. São Paulo: Ouro sobre azul e Duas Cidades, 2004, p.178.

No que diz respeito ao uso de recursos expressivos em diferentes


linguagens, o cartum produz humor brincando com a

a) caracterização da linguagem utilizada em uma esfera de


comunicação específica.
b) deterioração do conhecimento científico na sociedade
contemporânea.
c) impossibilidade de duas cobras conversarem sobre o universo.
d) dificuldade inerente aos textos produzidos por cientistas.
e) complexidade da reflexão presente no diálogo.

Exercício 3
(Mackenzie 2003)

Se, pela pronúncia, você está desconfiado de que a nossa palavra


"xará" surgiu de alguma expressão indígena, acertou. "Ela tem
origem em 'sa rara', um derivado de 'se rera', que significa aquele
que tem o mesmo nome, em tupi", 2diz o etimologista Cláudio
Moreno. No sul do Brasil, usa-se também a palavra "tocaio" com
o mesmo significado. Vem do espanhol "tocayo" que, 1por sua
vez, tem origem na frase ritual latina que a noiva dizia ao noivo
quando a comitiva nupcial vinha buscá-la em casa: "Ubi'tu Caius,
ibi ego Caia" (Onde fores chamado Caio, ali eu serei Caia). Por
transmitir a ideia de que a noiva, ao se casar, passava a ter o
A obra Sobrevivendo no inferno do grupo Racionais Mc’s é
mesmo nome do noivo, a palavra passou a ser usada como
composta pelas canções e pelo projeto editorial da capa e
sinônimo de xará.
contracapa do CD. Nesse projeto editorial, encontram-se
Adaptado de Rodrigo Cavalcante
elementos visuais e verbais que estabelecem um jogo de formas
e sentidos. Com base na afirmação de Antonio Candido, é correto
Sobre o trecho "Se, pela pronúncia, você está desconfiado de que
afirmar que a organização desses elementos
a nossa palavra xará surgiu de alguma expressão indígena,
a) produz uma simetria entre som e sentido, sendo que tal acertou", é correto afirmar que:
simetria indica que os símbolos religiosos são uma resposta à
a) corresponde a um trecho de diálogo real travado entre o
violência.
redator do texto e os especialistas em língua portuguesa.
b) configura um sistema de oposições, uma vez que imagens e
b) explora a função referencial da linguagem, que impõe certa
palavras estabelecem tensões materiais e espirituais,
distância entre o texto e o leitor.
constitutivas do sentido das canções.
c) exemplifica o que chamamos de discurso direto livre, já que
c) configura uma sintaxe poética de ordem espiritual. Essa sintaxe
reproduz uma pergunta do leitor, tal como foi elaborada.
espelha o caos e as injustiças vividos na periferia das grandes
d) corresponde a um trecho de diálogo entre o redator do texto e
cidades.
o leitor Cláudio Moreno.
d) produz uma lógica poética racional. Essa lógica se explicita na
e) explora o recurso de simular um diálogo entre o redator e o
vitória do crime sobre a visão de mundo presente nos versículos
leitor do texto, a fim de motivar a leitura.
bíblicos transcritos.
Exercício 4 (...)
(Unesp 2021) De maneira que, assim como a natureza faz de Sabes a que tu és afinal, Sem Medo? És um ciumento. Chego a
feras homens, matando e comendo, assim também a graça faz de pensar se não és homossexual. Tu querias-me só, cama tu. Um
feras homens, doutrinando e ensinando. Ensinastes o gentio solitária do Mayombe. (...) Desprezo-te. (...) Nunca me verás atrás
bárbaro e rude, e que cuidais que faz aquela doutrina? Mata nele de uma garrafa vazia. (...) Cada sucesso que eu tiver, será a paga
a fereza, e introduz a humanidade; mata a ignorância, e introduz o da tua bofetada, pais não serei um falhada como tu.
conhecimento; mata a bruteza, e introduz a razão; mata a
infidelidade, e introduz a fé; e deste modo, por uma conversão Pepetela, Mayombe. Adaptado.
admirável, o que era fera fica homem, o que era gentio fica
cristão, o que era despojo do pecado fica membro de Cristo e de II
S. Pedro. […] Tende-os [os escravos], cristãos, e tende muitos, mas – Peço-te perdão, Sem Medo. Não te compreendi, fui um imbecil.
tende-os de modo que eles ajudem a levar a vossa alma ao céu, e E quis igualar o inigualável.
vós as suas. Isto é o que vos desejo, isto é o que vos aconselho, Pepetela, Mayombe.
isto é o que vos procuro, isto é o que vos peço por amor de Deus
e por amor de vós, e o que quisera que leváreis deste sermão
metido na alma. Esses excertos de Mayombe referem-se a conversas entre as
personagens Comissário e Sem Medo em momentos distintos do
(Antônio Vieira. “Sermão do Espírito Santo” (1657). romance. Em I e II, as falas do Comissário revelam,
[Link] respectivamente,

a) incompatibilidade étnica entre ele e Sem Medo, por


pertencerem a linhagens diferentes, e superação de sua
O Sermão do Espírito Santo foi pregado pelo Padre Antônio Vieira
hostilidade tribal.
em São Luís do Maranhão, em 1657, e recorre

a) a metáforas, para defender a liberdade de natureza de todos os b) decepção, por Sem Medo não ter intercedido a seu favor na
animais criados por Deus. conversa com Ondina, e desespero diante do companheiro
baleado.
b) à ironia, para condenar a escravização de nativos e africanos
nas lavouras de algodão. c) suspeita de traição de Ondina e tomada de consciência de que
isso não passara de uma crise de ciúme dele.
c) a antíteses, para reconhecer a escravização dos nativos como
um caminho possível do trabalho missionário. d) forte tensão homoafetiva entre ele e Sem Medo, e aceitação da
verdadeira orientação sexual do companheiro.
d) à retórica barroca, para contestar a ideia de que os africanos e
os nativos merecem a liberdade e a salvação. e) ira, diante do anticatolicismo de Sem Medo, e culpa que o
atinge ao perceber que sua demonstração de coragem colocara o
e) à retórica clássica, para acusar os proprietários de escravos de companheiro em risco.
descuidar dos direitos humanos dos nativos.
Exercício 7
Exercício 5 (G1 - epcar (Cpcar) 2021) TEXTO I
(Famema 2021) “O criminoso pode alegar que foi o segundo eu o
autor do crime.” Agressividade is the new black
(Carlos Drummond de Andrade. O avesso das coisas, 1990.)
RUTH MANUS

Transpondo-se para a voz passiva a oração centrada na locução Para que dialogar se nós podemos jogar pedras?
verbal sublinhada, surge a forma verbal:
The new black. Expressão inglesa que designa uma nova
a) pôde ser alegado.
tendência, algo que está tão na moda que poderia até mesmo
funcionar como um pretinho básico. Adoraria que este fosse um
b) pode alegar.
texto sobre jaqueta jeans, mas não é.
“Se prepare, Ruth, a agressividade nas redes sociais é algo
c) é alegado.
que você não pode imaginar.”
Foi o que me disseram pouco antes da estreia do blog. Eu,
d) pode ser alegado.
fingindo não estar com medo, balancei a cabeça positivamente
como quem diz “tô sabendo, tô sabendo”. Mas como diria
e) foi alegado.
Compadre Washington, “sabe de nada, inocente”.
Exercício 6 No meu segundo texto, quase desisti de tudo. Eu
(Fuvest 2021) I realmente não tinha dimensão do nível sem cabimento que as
– Traiste-me, Sem Meda. Tu traíste-me.
pessoas poderiam atingir para atacar algo que na maioria das Um interessante entendimento das razões da intolerância é o da
vezes nem mesmo as provocou. antropóloga francesa Françoise Héritier (1933-2017). Segundo
Há muito tempo venho tentando digerir, mas não consigo. ela, a intolerância está associada à dificuldade de reconhecer a
Achava que a agressividade vinha só de alguns leitores meio expressão da condição humana no que nos é absolutamente
pancadas. Engano meu. Ela vem de todo lado: de quem lê, de diverso. Ser intolerante seria "restringir a definição de humano
3
quem não lê, de quem lê só o título e até de quem escreve. aos membros do grupo; os outros, sendo não humanos, podem
E eu pensava que isso acontecia porque o computador ser tratados como tais". 1Está aí uma das chaves para a
torna as pessoas intocáveis, assim como os carros e que por isso compreensão das causas do aumento da intolerância nos últimos
elas canalizavam toda sua agressividade nas redes sociais ou no tempos.
trânsito. (...)
Engano meu. Tá generalizado, como uma peste que se
espalha pelo país e ninguém faz nada para conter. Mesa de bar, (Disponível em:
fila da farmácia, ponto do ônibus. Discursos de ódio e ignorância [Link]
estão por toda parte. [Link] - Acesso em 28/08/2020)
Acho que existe um erro de conceito. As pessoas passaram
a utilizar a agressividade como um artifício para aumentar a
própria autoestima. TEXTO III
Como as pessoas se sentem politizadas? Sendo
agressivas.
Como as pessoas se sentem informadas? Sendo
agressivas.
Como as pessoas se sentem engraçadas? Sendo
agressivas.
Como as pessoas se sentem menos ignorantes? Sendo
agressivas.
Entendam: pessoas inteligentes não jogam pedras. E
pessoas equilibradas não berram, nem mesmo via caps lock.
Sempre me vem à mente aquela passagem de Sagarana,
em que Augusto Matraga diz que vai para o céu “nem que seja a
porrete”. As pessoas tentam reduzir a violência com
agressividade. Tentam melhorar o país com agressividade. Em uma coletânea intitulada Os cem menores contos brasileiros
Tentam educar seus filhos com agressividade. Tentam fazer do século, Cíntia Moscovich, ao ser convidada para produzir um
justiça amarrando pessoas em postes. conto com até cinquenta palavras, escreveu:
“Pra pedir silêncio eu berro, pra fazer barulho eu mesma
faço”. Será que um dia essa gente vai entender que o antônimo de “Uma vida inteira pela frente. O tiro veio por trás.”
agressividade não é passividade? Mas é assim que tá sendo.
Porque argumentar dá muito trabalho. Pesquisar então, Considerando os textos I, II e III apresentados nesta prova e o
nem se fala. Articular um discurso está fora de questão. Tentar microconto acima, assinale a alternativa que apresenta um
persuadir é bobagem. E tolerar... Tolerar é um verbo morto. comentário correto acerca deles.
Agressividade is the new black.
a) A narrativa trazida pelo conto é uma consequência direta da
intolerância vigente nos dias atuais, incentivada e incrementada
(Disponível em: [Link]
pelo ódio propagado nas redes sociais.
agressividade-is-the-new-black/ - Acesso em 28/08/2020)

b) A violência a que as pessoas estão submetidas e que é


retratada no conto confirma a mensagem apresentada no diálogo
TEXTO II
do texto III.

O QUE É INTOLERÂNCIA
c) “O tiro veio por trás” é uma metáfora que serve para ilustrar a
afirmativa do Texto II: “está aí uma das chaves para a
A palavra “intolerância” vem do latim intolerantia, que significa
compreensão das causas do aumento da intolerância nos últimos
impaciência, incapacidade de suportar, falta de condescendência
tempos.” (ref. 1).
e de compreensão. Também compreende o sentido de inflexível,
rígido e que não admite opinião ou posição divergente. No sentido
d) A “the new black” apresentada no Texto I, a agressividade,
oposto, “tolerância” foi definida pela Organização das Nações
pode culminar como no conto, isto é, na violência entre os seres
Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como “o
humanos.
respeito, a aceitação e o apreço da riqueza e da diversidade das
culturas de nosso mundo, de nossos modos de expressão e de Exercício 8
nossas maneiras de exprimir nossa qualidade de seres humanos”. (Unifesp 2021) Examine o cartum de Quino.
(...)
o aquecimento global, apesar de todas as evidências científicas
em contrário, são exemplos dessa descrença.
A relação entre ciência, tecnologia e sociedade é de
extrema complexidade, sem dúvida alguma. Ela passa por uma
série de questões, tais como de que forma a ciência e as novas
tecnologias afetam a qualidade de vida das pessoas e como fazer
com que seus efeitos sejam os melhores possíveis? Como ampliar
o acesso da população aos benefícios gerados pelo conhecimento
científico e tecnológico? Em que medida o progresso científico e
tecnológico contribui para mitigar ou aprofundar as
desigualdades socioeconômicas? Essas são questões cruciais
para a ciência e a tecnologia nos dias de hoje.

Disponível em: <[Link]/cts/pt/central-de-


conteudo/artigos/artigos/116-a-ciencia-e-a-tecnologiacomo-
estrategia-de-desenvolvimento>. Acesso em: 24 ago. 2020.
Adaptado.

(Fmp 2021) O autor do texto utiliza um recurso de modalização


ao empregar uma expressão de opinião em
Contribui para o efeito de humor do cartum o recurso
a) “A produção científica movida apenas por essa curiosidade tem
a) à antítese. sido capaz de abrir novas fronteiras do conhecimento” (parágrafo
1)
b) ao eufemismo.
b) “Apesar dos seus feitos extraordinários, a ciência enfrenta uma
c) à personificação. crise de legitimação social no mundo todo.” (parágrafo 3)

d) à hipérbole. c) “Como ampliar o acesso da população aos benefícios gerados


pelo conhecimento científico e tecnológico?” (parágrafo 4)
e) ao paradoxo.
d) “Por meio dos seus métodos e instrumentos, a ciência nos
Exercício 9
permite analisar o mundo ao redor e ver além do que os olhos
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
podem enxergar.” (parágrafo 2)
A ciência e a tecnologia como estratégia de desenvolvimento

e) “A relação entre ciência, tecnologia e sociedade é de extrema


Um dos principais motores do avanço da ciência é a
complexidade, sem dúvida alguma.” (parágrafo 4)
curiosidade humana, descompromissada de resultados concretos
e livre de qualquer tipo de tutela ou orientação. A produção Exercício 10
científica movida apenas por essa curiosidade tem sido capaz de TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
abrir novas fronteiras do conhecimento, de nos tornar mais sábios São Bernardo
e de, no longo prazo, gerar valor e mais qualidade de vida para o Graciliano Ramos
ser humano.
Por meio dos seus métodos e instrumentos, a ciência nos Nesse tempo eu não pensava mais nela, pensava em
permite analisar o mundo ao redor e ver além do que os olhos ganhar dinheiro.
podem enxergar. O empreendimento científico e tecnológico do De bicho na capação (falando com pouco ensino),
ser humano ao longo de sua história é o principal responsável por esperneei nas unhas do Pereira, que me levou músculo e nervo,
tudo que a humanidade construiu até aqui, desde o domínio do aquele malvado. Depois vinguei-me: hipotecou-me a propriedade
fogo até a moderna ciência da informação, passando pela e tomei-lhe tudo, deixei-o de tanga. Mas isso foi muito mais tarde.
domesticação dos animais, pelo surgimento da agricultura e da A princípio o capital se desviava de mim, e persegui-o sem
indústria modernas e, é claro, pela espetacular melhora da descanso, viajando pelo sertão, negociando com redes, gado,
qualidade de vida de toda a humanidade no último século. imagens, rosários, miudezas, ganhando aqui, perdendo ali,
Apesar dos seus feitos extraordinários, a ciência enfrenta marchando no fiado, assinando letras, realizando operações
uma crise de legitimação social no mundo todo. Existe uma embrulhadíssimas.
descrença do cidadão comum no conhecimento técnico e científico Sofri sede e fome, dormi na areia dos rios secos, briguei
e, mais do que isso, um certo orgulho da própria ignorância sobre com gente que fala aos berros e efetuei transações comerciais de
vários temas complexos. Vários fenômenos sociais recentes, armas engatilhadas. Está um exemplo. O Dr. Sampaio comprou-
como o movimento antivacinação ou mesmo a desconfiança sobre me uma boiada, e na hora da onça beber água deu-me com o
cotovelo, ficou palitando os dentes. Andei, virei, mexi, procurei
empenhos e ele duro como beira de sino.
Chorei as minhas desgraças: tinha obrigações em penca,
aquilo não era trato, e tal, enfim etc. O safado do velhaco, turuna,
homem de facão grande no município dele, passou-me um
esbregue. Não desanimei: escolhi uns rapazes em Cancalancó e
quando o doutor ia para a fazenda, caí-lhe em cima, de supetão.
Amarrei-o, meti-me com ele na capoeira, estraguei-lhe os couros
nos espinhos dos mandacarus, quipás, alastrados e rabos-de-
raposa.
– Vamos ver quem tem roupa na mochila. Agora eu lhe
mostro com quantos paus se faz uma canoa.
– O doutor, que ensinou rato a furar almotolia, sacudiu-me
a justiça e a religião.
– Que justiça! Não há justiça nem há religião. O que há é
que o senhor vai espichar aqui trinta contos e mais os juros de História das invenções
seis meses. Ou paga ou eu mando sangrá-lo devagarinho.
Dr. Sampaio escreveu um bilhete à família e entregou-me Dona Benta costumava receber livros novos, de ciências,
no mesmo dia trinta e seis contos e trezentos. Passei o recibo, de arte, de literatura. Era o tipo da velhinha novidadeira. Bem
agradeci e despedi-me: dizia o compadre Teodorico: "Dona Benta parece velha, mas não
– Obrigado, Deus o acrescente. Sinto muito ter-lhe é, tem o espírito mais moço que o de jovens de vinte anos".
causado incômodo. Adeus. E não me venha com a sua justiça, Assim foi que naquele bolorento mês de fevereiro, em que
porque se vier, eu viro cachorro doido e o senhor morre na faca era impossível botar o nariz fora de casa, de tanto que chovia,
cega. resolveu contar aos meninos um dos últimos livros chegados.
– Tenho aqui um livro de Hendrik Van Loon – disse ela –,
Disponível em: um sábio americano, autor de coisas muito interessantes. Ele sai
<[Link]
dos caminhos por onde todo mundo anda e fala das ciências dum
Acesso em: 2 out. 2020. modo que tudo vira romance, de tão atrativo. Já li para vocês a
geografia que ele escreveu e agora 1vou ler este último livro –
História das invenções do homem, o fazedor de milagres.
Era um livro grosso, de capa preta, cheio de desenhos
(Fmp 2021) O texto é marcado pela presença de metáforas, feitos pelo próprio autor. 2Desenhos não muito bons, mas que
como em
serviam para acentuar suas ideias.
a) “Naquele tempo eu não pensava mais nela, pensava em ganhar – E quando começa? – quis saber Narizinho.
dinheiro.” (parágrafo 1) – Hoje mesmo, no serão. Podemos começar logo depois do
rádio.
b) “Não desanimei: escolhi uns rapazes em Cancalancó” – Comece, vovó! – disse Pedrinho. E Dona Benta começou.
(parágrafo 5) 3– Este livro não é para crianças – disse ela; – mas se eu ler

do meu modo, vocês entenderão tudo. Não tenham receio de me


c) “E não me venha com a sua justiça, porque se vier, eu viro interromperem com perguntas, sempre que houver qualquer coisa
cachorro doido” (parágrafo 9) obscura. Aqui está o prefácio...
– Que é prefácio? – perguntou Emília.
d) “Andei, virei, mexi, procurei empenhos e ele duro como beira de – São palavras explicativas que certos autores põem no
sino.” (parágrafo 4) começo do livro para esclarecer os leitores sobre as suas
intenções. O prefácio pode ser escrito pelo próprio autor ou por
e) “Dr. Sampaio escreveu um bilhete à família e entregou-me no outra pessoa qualquer. Neste prefácio o Senhor Van Loon diz que
mesmo dia trinta e seis contos e trezentos.” (parágrafo 9) antigamente tudo era muito simples...
– Tudo o quê? – interrompeu Pedrinho. – A explicação das
Exercício 11
coisas do mundo. A Terra formava o centro do universo. O céu era
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
uma abóbada de cristal azul onde à noite os anjos abriam
buraquinhos para espiar. Esses buraquinhos formavam as
estrelas. Tudo muito simples.
4
Mas depois as coisas se complicaram. Um sábio da
Polônia, de nome Nicolau Copérnico, publicou um livro no qual
provava que a Terra não era fixa, pois girava em redor do Sol, 5e
as estrelas não eram brinquedinhos dos anjos, sim sóis imensos,
em redor dos quais giravam milhões de terras como a nossa.
Isso veio causar uma grande trapalhada nas ideias b) gostava de monopolizar as conversas.
assentes, isto é, nas ideias que estavam na cabeça de todo
mundo – e por um triz não queimaram vivo a esse homem. Afinal c) era uma idosa alheia às novidades de seu tempo.
a sua ideia venceu e hoje ninguém pensa de outra maneira.
A astronomia, que é a ciência que estuda os astros, tomou d) fazia leituras com intenção exclusivamente lúdica.
um grande desenvolvimento. Os astrônomos foram descobrindo
coisas e mais coisas, chegando à perfeição de medir a distância e) incentivava a participação desenvolta das crianças.
dum astro a outro, e pesar a massa desses astros. As distâncias
Exercício 12
entre os astros eram tão grandes que as nossas medidas comuns
se tornaram insuficientes. Foi preciso criar medidas novas – Leia a letra da canção “Bom conselho”, de Chico Buarque,
medidas astronômicas. composta em 1972.
– Por quê? – perguntou Narizinho. – Com o quilômetro a
gente pode medir qualquer distância. É só ir botando zeros e mais Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
zeros.
6– Parece, minha filha. As distâncias entre os astros são Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
tamanhas que para medi-las com quilômetros seria necessário
Ou você se cansa
usar carroçadas de zeros, de maneira que não haveria papel que
Está provado:
chegasse. E então os astrônomos inventaram o "metro
Quem espera nunca alcança
astronômico", ou a "unidade astronômica", que é como eles
dizem. Essa unidade, esse metro tinha 92.900.000 milhas.
Venha, meu amigo
– Que colosso, vovó! Eu acho que fizeram um metro grande
Deixe esse regaço
demais...
Brinque com meu fogo
– Pois está muito enganada, minha filha. As distâncias
Venha se queimar
entre a Terra e as novas estrelas que com os modernos
Faça como eu digo
telescópios foram sendo descobertas, acabaram deixando essa
Faça como eu faço
medida pequena. E então o astrônomo Michelson propôs outra
Aja duas vezes antes de pensar
medida: o ano-luz.
– Cáspite!
Corro atrás do tempo
– Pois bem, isto que os astrônomos fizeram para os astros,
Vim de não sei onde
outros homens de ciência fizeram para o contrário dos astros, isto
Devagar é que não se vai longe
é, para as moléculas e átomos, que são coisinhas infinitamente
Eu semeio vento na minha cidade
pequenas. Chegaram a medir átomos que têm o tamanhinho de
Vou pra rua e bebo a tempestade
uma trilionésima parte de milímetro.
7
– Será possível? Um milímetro já é uma isca que a gente ([Link])
mal percebe...
– Ora, neste livro o Senhor Van Loon trata de mostrar
como esse bichinho homem, que já foi peludo e andava de quatro,
(Unesp 2021) Em “Inútil dormir que a dor não passa” (1ª estrofe),
chegou a desenvolver seu cérebro a ponto de medir a distância
o termo sublinhado introduz uma oração que expressa, em
entre os astros e a calcular o tamanho dos átomos.
relação à anterior, ideia de
– Como foi isso?
– Inventando coisas. O homem é um grande inventor de a) condição.
coisas, e a história do homem na Terra não passa da história das
suas invenções com todas as consequências que elas trouxeram b) consequência.
para a vida humana. É mais ou menos isto o que Van Loon diz
neste prefácio. Vamos agora ver o capítulo número 1. c) concessão.
– Depois da pipoca, vovó! – gritou Narizinho farejando o ar.
8 d) proporção.
De fato: da cozinha vinha para a sala o cheiro das pipocas
que Tia Nastácia estava rebentando. Pipocas à noite foi coisa que
e) explicação.
nunca faltou no sítio de Dona Benta.
Exercício 13
Adaptado de: LOBATO, Monteiro. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
História das invenções. São Paulo, SP: Círculo do Livro. Leia o conto de Carlos Drummond de Andrade.

O entendimento dos contos


(G1 - cmrj 2021) Sobre a personagem Dona Benta, com base na
leitura do texto, é correto afirmar que – Agora você vai me contar uma história de amor – disse o
a) tinha bagagem cultural restrita. rapaz à moça. – Quero ouvir uma história de amor em que entrem
caravelas, pedras preciosas e satélites artificiais.
– Pois não – respondeu a moça, que acabara de concluir o criaturas de menor sensibilidade e iniciativa. Os cães postam-se
mestrado de contador de histórias, e estava com a imaginação na no seu caminho, e:
ponta da língua. – Era uma vez um país onde só havia água, eram – Dona, me leva – murmuram-lhe os olhos surrados pela
águas e mais águas, e o governo como tudo mais se fazia em vida mas sempre meigos.
embarcações atracadas ou em movimento, conforme o tempo. Outro dia o cão vinha pela rua, mancando, amarrado a um
Osmundo mantinha uma grande indústria de barcos, mas não era barbante e puxado por um bêbado pobre, mas tão bêbado como
feliz, porque Sertória, objeto dos seus sonhos, se recusava a casar qualquer outro. Com o aperto do laço, o infeliz punha a alma pela
com ele. Osmundo ofereceu-lhe um belo navio embandeirado, boca. E o bêbado resmungava ameaças confusas. Minha amiga
que ela recusou. Só aceitaria uma frota de dez caravelas, para si e aproximou-se, com jeito.
para seus familiares. – Não faça assim com o pobrezinho, que ele sufoca.
Ora, ninguém sabia fazer caravelas, era um tipo de – Faço o que eu quero, ele é meu.
embarcação há muito fora de uso. Osmundo apresentou um mau – Mas é proibido maltratar os animais.
produto, que Sertória não aceitou, enumerando os defeitos, a – Eu não vou maltratar. Vou matar com duas navalhadas.
começar pelas velas latinas, que de latinas não tinham um Minha amiga pulou como Ademar Ferreira da Silva1:
centavo. Osmundo, desesperado, pensou em afogar-se, o que fez – Me dá esse cachorro.
sem êxito, pois desceu no fundo das águas e lá encontrou um – Dar, não dou, mas vendo.
cofre cheio de esmeraldas, topázios, rubis, diamantes e o mais Dez cruzeiros selaram o negócio, e, livre do barbante, o
que você imagina. Voltou à tona para oferecê-lo à rígida Sertória, cachorro embarcou no carro de minha amiga. Felizmente,
que virou o rosto. Nada a fazer, pensou Osmundo; vou anoitecia – e ela penetrou no apartamento, sem impugnação do
transformar-me em satélite artificial. Mas os satélites artificiais porteiro. Que prodígios não faz para amortecer o latido dos
ainda não tinham sido inventados. Continuou humilde satélite de hóspedes, lá dentro! (Uma vez, ante a reclamação do vizinho,
Sertória, que ultimamente passeava de uma lancha para outra, explicou que era disco de jazz.) Já havia três cães instalados, não
levando-o preso a um cordão de seda, com a inscrição “Amor cabia mais. Tratou do bicho, chamou-lhe veterinário, curou-lhe a
imortal”. Acabou. pata, deu-lhe vitamina e carinho. Só depois começou a
– Mas que significa isso? – perguntou o moço, insatisfeito. providenciar uma casa de confiança para ele. Seu método consiste
– Não entendi nada. numa conversa mole com a pessoa: tem cachorro em casa? Por
– Nem eu – respondeu a moça –, mas os contos devem ser que não tem mais? Fugiu? Morreu de velho? (Se o cão fugiu, o
contados, e não entendidos; exatamente como a vida. dono não presta.) Conforme a ficha da pessoa, minha amiga lhe
oferece o animal, ou não, e passa adiante.
(Contos plausíveis, 2012.) Desta vez o escolhido foi José, contínuo de autarquia (não
carece ser rico, mas bom, paciente, bem-humorado). José tem
crianças, espaço cercado e vocação para dedicar-se. Minha amiga
ofereceu-se para levar o cachorro ao longe subúrbio, José disse
(Unifesp 2021) No texto, a moça que não precisava, ela insistiu, ele idem. Afinal foram juntos, o
a) finge não entender o próprio conto para perturbar o rapaz. carro subiu ladeira, desceu ladeira, e no alto do morro
b) sugere que a vida, como a maioria dos contos, dificilmente desvendou-se a triste casa de José, que não era casa cercada, era
termina bem. um corredor de cabeça de porco2, com cinco crianças, mulher e
sogra de José empilhadas.
c) sugere que dificilmente o sentido da vida possa caber em um Minha amiga compreendeu. José era mais pobre do que o
conto. cachorro e sem um mínimo de dinheiro não se compra ar livre e
espaço para brincar. Seria cruel dizer a José: “Volto com o
d) acredita que a vida precisa ser decifrada, como a maioria dos cachorro”. Felizmente o animal salvou a situação, tentando
contos. morder um dos garotos que lhe fizera festa. Minha amiga
e) acredita que os contos, como a vida, prescindem de explicação. iluminou-se: “Está vendo, José? Ele não se acostuma. Vou te
trazer outro, novinho”. José, desolado, aquiesceu. Minha amiga
saiu voando para a cidade, entrou numa dessas casas onde se
Exercício 14 martirizam animais à venda, e resgatou o menor dos cachorrinhos
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: recém-nascidos, que já penava numa jaula sem água e alimento, a
Considere a crônica “Iniciativa”, de Carlos Drummond de Andrade. um sol de fogo. “Para este, qualquer coisa é negócio, e melhora a
vida.” Levou-o rápido, para José, que o recebeu de alma
É sina de minha amiga penar pela sorte do próximo, se embandeirada.
bem que seja um penar jubiloso. Explico-me. Todo sofrimento Agora, minha amiga tem dois problemas: arranjar um dono
alheio a preocupa, e acende nela o facho da ação, que a torna para o cachorro do bêbado, e dar um jeito nos cinco filhos de José.
feliz. Não distingue entre gente e bicho, quando tem de agir, mas Mas resolve, não tenham dúvida.
como há inúmeras sociedades (com verbas) para o bem dos
homens, e uma só, sem recursos, para o bem dos animais, é nesta (70 historinhas, 2016.)
última que gosta de militar. Os problemas aparecem-lhe em
cardume, e parece que a escolhem de preferência a outras
1 Ademar Ferreira da Silva: atleta brasileiro, primeiro bicampeão um objeto ou um lugar.
olímpico do país; conquistou as medalhas de ouro no salto triplo
nos Jogos de Helsinque 1952 e de Melbourne 1956. c) um ser humano irracional, o que é confirmado, no texto, pela
2 cabeça de porco: cortiço. equiparação circunstancial entre homem e cavalo.

d) um ser humano racional, que, segundo o texto, não depende


exclusivamente dos instintos para procurar um objeto ou um
(Famerp 2021) - “Os problemas aparecem-lhe em cardume, e
parece que a escolhem de preferência a outras criaturas de menor lugar.
sensibilidade e iniciativa.” (1º parágrafo)
- “Uma vez, ante a reclamação do vizinho, explicou que era disco e) um ser humano irracional, que, de acordo com o texto, depende
de jazz.” (11º parágrafo) de manter firmes suas rédeas simbólicas com a finalidade de
realizar suas tarefas.
- “Minha amiga iluminou-se: ‘Está vendo, José? Ele não se
acostuma. Vou te trazer outro, novinho’.” (13º parágrafo) Exercício 16
(Ufpr 2020) Leia o trecho abaixo, extraído de Sagarana, de João
Os termos sublinhados estão empregados, respectivamente, em
Guimarães Rosa:
sentido

a) figurado, literal e literal. Estremecem, amarelas, as flores da aroeira. Há um frêmito nos


caules rosados da erva-de-sapo. A erva-de-anum crispa as
b) figurado, figurado e literal. folhas, longas, como folhas de mangueira. Trepidam, sacudindo
as estrelinhas alaranjadas, os ramos da vassourinha. Tirita a
c) literal, literal e figurado. mamona, de folhas peludas, como o corselete de um caçununga,
brilhando em verde-azul! A pitangueira se abala, do jarrete à
d) literal, figurado e figurado. grimpa. E o açoita-cavalos derruba frutinhas fendilhadas,
entrando em convulsões.
e) figurado, literal e figurado. – Mas, meu Deus, como isto é bonito! Que lugar bonito p’r’a gente
deitar no chão e se acabar!...
Exercício 15 É o mato, todo enfeitado, tremendo também com a sezão.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Leia o texto de Mario Quintana. (GUIMARÃES ROSA. “Sarapalha”. Sagarana. Obra completa (vol.
1). Nova Aguilar, 1994. p. 295.)
Homo insapiens1
Vocês se lembram de quando a gente se perdia no campo
e soltava a rédea ao cavalo e ele voltava direitinho para casa? O trecho extraído do conto “Sarapalha”, do livro Sagarana, de
Pois até hoje, quando não me lembro de onde guardei uma coisa, Guimarães Rosa, exemplifica um aspecto que está presente em
desisto de quebrar a cabeça, afrouxo o espírito e eis que ele todos os contos do mesmo livro. Assinale a alternativa que
conduz meu passo e minha mão sonâmbula ao lugar exato. reconhece esse aspecto de forma adequada.
Quanto a saber qual dos dois, espírito e corpo, é o cavaleiro e o
a) A religiosidade cristã católica rege as decisões humanas e
cavalo, é questão acadêmica. Só sei que isso não me acontece
transforma os homens e a natureza a partir da ação direta de
agora na vastidão do campo, mas dentro de uma casa, de uma
Deus.
sala, de um móvel...

b) A ausência de aliterações e a economia de adjetivos são


(A vaca e o hipogrifo, 2012.)
recursos utilizados para representar a aridez da natureza.

c) A descrição pormenorizada do espaço físico visa a excluir a


1Homo sapiens: na classificação biológica dos seres, é o nome dimensão psicológica e mística da narrativa, para fortalecer a
científico do ser humano. Do latim, significa “homem sábio”, feição pitoresca da região.
racional. “Homo insapiens”, título do texto, é uma variação do
termo. d) A descrição do meio físico é mediada pela visão do narrador,
que apresenta a natureza como elemento tão reversível quanto a
condição humana.
(Famema 2021) A palavra “insapiens”, presente no título,
expressa a ideia de e) São narrados duelos que se travam entre o meio e o homem e
a) um ser humano racional, o que se concretiza, segundo o texto, que são vencidos apenas pelo uso da força física e da valentia.
na capacidade de o homem se valer dos instintos para resolver
Exercício 17
um problema.
(Uel 2020) Sobre as trajetórias de personagens femininas nas
obras, considere as afirmativas a seguir.
b) um ser humano irracional, que, segundo o texto, diferente do
cavalo, tem que se apoiar em um método quando quer procurar
I. Teresa, de Amor de perdição, é uma típica personagem _____2_____, azuis ou verdes, conforme o reflexo da roupa. De
romântica, perseguida por sofrimentos, enquanto Henriqueta, de que cor estariam hoje 13seus olhos?
O demônio familiar, prepara várias artimanhas para ludibriar seus Ema aprumou o corpo.
pretendentes, sem portar- -se de modo honrado. – Pensava que se nós morássemos numa casa grande,
II. Clara, em Clara dos Anjos, resolve tornar-se prostituta após ter vocês e nós...
sido abandonada grávida pelo namorado, enquanto Madama Bárbara sorriu. Também ela uma vez tivera a 14ideia. – As
Carlota, a cartomante de A hora da estrela, relata ter vivido crianças brigariam o tempo todo.
muitos infortúnios, incluindo a prostituição. 15Novamente a amiga tinha razão. 16Os filhos não se
III. Carlotinha, de O demônio familiar, é uma jovem espevitada
suportavam, discutiam por qualquer motivo, ciúme doentio de
que ousa rejeitar um pretendente indesejado, enquanto Alice, de
tudo. 17O que sombreava o relacionamento dos casais.
Quarenta dias, assume o encargo de localizar o jovem
– Pelo menos podíamos morar mais perto, então.
desaparecido, a despeito de estar numa cidade pouco conhecida.
IV. Glória, colega de trabalho de Macabéa, em A hora da estrela, Se o marido estivesse em casa, 18seria obrigada a assistir
põe seus desejos e sensualidade acima do senso de amizade, à televisão, _____3_____, ele mal chegava, ia ligando o aparelho,
enquanto Norinha, a filha de Alice, em Quarenta dias, tem um ainda que soubesse que ela detestava sentar que nem múmia
percurso individualista ao submeter a mãe a grandes alterações diante do aparelho – levantou-se, repelindo a lembrança.
de hábitos. Preparou uma jarra de limonada. _____4_____ todo aquele
interesse de Bárbara na revista? Reformulou a pergunta em voz
Assinale a alternativa correta. alta.
– Nada em especial. Uma pesquisa sobre o
a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
comportamento das crianças na escola, de como se modificam
19
as personalidades longe dos pais.
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.

Adaptado de: VAN STEEN, Edla. Intimidade. In: MORICONI, Italo


c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
(org.) Os cem melhores contos brasileiros do século. 1. ed. Rio de
Janeiro: Objetiva, 2009. p. 440-441.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.

e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.


(Ufrgs 2019) Considere as seguintes afirmações.
Exercício 18
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: I. A oração ter uma amiga experiente (ref. 3) desempenha a
A(s) questão(ões) a seguir está(ão) relacionadas ao texto abaixo. função sintática de objeto direto.
II. A expressão seus olhos (ref. 13) desempenha a função
1– Para mim esta é a melhor hora do dia – Ema disse, sintática de sujeito.
voltando do quarto dos meninos. – Com as crianças na cama, a III. A expressão as personalidades (ref. 19) desempenha a função
casa fica tão sossegada. sintática de objeto direto.
– Só que já é noite – a amiga corrigiu, sem tirar os olhos da
revista. Ema agachou-se para recolher o quebra-cabeça Quais estão corretas?
esparramado pelo chão. a) Apenas I.
– É força de expressão, sua boba. O dia acaba quando eu
vou dormir, isto é, o dia tem vinte quatro horas e a semana tem b) Apenas II.
sete dias, não está certo? – Descobriu um sapato sob a poltrona.
Pegou-o e, quase deitada no tapete, procurou, 2depois, o par c) Apenas III.
_____1_____ dos outros móveis.
Era bom 3ter uma 4amiga 5experiente. Nem precisa ser da d) Apenas I e II.
mesma idade – deixou-se cair no sofá – Bárbara, 6muito mais
e) I, II e III.
sábia. Examinou-a a ler: uma linha de luz dourada 7valorizava o
perfil privilegiado. As duas eram tão inseparáveis quanto seus Exercício 19
maridos, colegas de escritório. Até ter filhos juntas conseguiram,
8acreditasse quem quisesse. Tão gostoso, ambas no hospital. A TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
semelhança física teria 9contribuído para o perfeito A(s) questão(ões) a seguir está(ão) relacionada(s) ao texto abaixo.
entendimento? “Imaginava que fossem irmãs”, muitos diziam, o
que sempre causava satisfação. Cena 1
1
10– O que está se passando nessa cabecinha? – Bárbara Em uma madrugada 2chuvosa, um trabalhador residente em São
estranhou a amiga, só doente 11pararia quieta. Admirou-a: os Paulo 3acorda, ao 4amanhecer, às cinco 5horas, toma
12cabelos soltos, caídos no rosto, escondiam os olhos 6rapidamente o café da manhã, dirige-se até o carro, acessa a rua,

e, como de costume, faz o mesmo trajeto até o trabalho. 7Mas, em


um desses inúmeros dias, ouve pelo rádio que 8uma das avenidas
de sua habitual rota está totalmente congestionada. A partir Adaptado de: FERREIRA, Marcos César. Iniciação à análise

dessa informação e 9enquanto dirige, o trabalhador inicia um geoespacial: teoria, técnicas e exemplos para geoprocessamento.
processo mental analítico para escolher uma rota alternativa que São Paulo: Editora UNESP, 2014. p. 33-34.
o faça chegar _____1_____ empresa no horário de sempre.
10Para decidir sobre essa nova rota, ele deverá considerar11: a
(Ufrgs 2019) Considere as afirmações abaixo, sobre os sentidos
nova distância a ser percorrida, o tempo gasto no deslocamento, a
expressos pelo texto.
quantidade de cruzamentos existentes em cada rota, em qual das
rotas encontrará chuva e em quais rotas passará por áreas
I. O texto narra as dificuldades de movimentação e de habitação
sujeitas a alagamento.
de pessoas inconformadas que vivem em grandes centros
urbanos.
Cena 2
II. O texto mostra que as pessoas fazem análise geoespacial da
12Mais tarde no mesmo dia, um casal residente na mesma cidade
cidade para locomoção e para escolha de habitação.
obtém financiamento imobiliário e 13decide pela compra de um III. O texto apresenta perguntas relacionadas ao espaço
apartamento. São inúmeras opções de imóveis à venda. Para a geográfico urbano, com possibilidades de respostas via sistemas
escolha adequada do local de sua morada em São Paulo, o casal computacionais.
deverá levar em conta, além do valor do apartamento, também
outros critérios14: variação do preço dos imóveis por bairro, Quais estão corretas?
distância do apartamento até a escola dos filhos pequenos,
a) Apenas I.
tempo gasto entre o apartamento e o local de emprego do casal,
preferência por um bairro tranquilo e existência de linha de
b) Apenas II.
ônibus integrada ao metrô nas proximidades do imóvel – entre
outros critérios.
c) Apenas III.
Essas duas cenas urbanas descrevem situações comuns
_____2_____ passam diariamente muitos dos cidadãos residentes
d) Apenas II e III.
em grandes cidades. 15As 16protagonistas têm em comum a
angústia de tomar uma decisão complexa, 17escolhida dentre e) I, II e III.
várias possibilidades oferecidas pelo espaço geográfico. Além de
mostrar que a geografia é vivida no cotidiano, as duas cenas Exercício 20
mostram também que, para tomar a decisão que _____3_____ TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
A(s) questão(ões) refere(m)-se ao texto “Dizer o que se pensa não
seja mais conveniente, nossas 18protagonistas deverão realizar,
é sempre uma qualidade”
primeiramente, uma 19análise geoespacial da cidade. Em ambas
as cenas, essa análise se desencadeia a partir de um sistema
Dizer o que se pensa não é sempre uma qualidade
cerebral composto de 20informações geográficas representadas Suzana Herculano-Houzel
internamente na forma de mapas mentais que induzirão as três
protagonistas a tomar suas decisões. Em cada cena podemos
visualizar uma pergunta espacial. Na primeira, o trabalhador
pergunta: 21“qual a melhor rota a seguir, desde este ponto onde
estou até o local de meu trabalho, neste horário de segunda-
feira?” Na segunda, o questionamento seria: “qual é o lugar da
cidade que reúne todos os critérios geográficos adequados à
nossa moradia?”
22A cena 1 é um exemplo clássico de análise de redes, enquanto
1Donald Trump fala o que muitos pensam e não têm coragem de
a cena 2 é um exemplo clássico de alocação espacial – duas das
técnicas mais importantes da análise geoespacial. dizer, 2segundo seus eleitores.
23A análise geoespacial reúne um conjunto de métodos e Cheguei aos EUA em 2016 com Obama na Casa Branca e 3assisti
4boquiaberta, poucos meses depois, a uma parcela significativa
técnicas quantitativos dedicados à solução dessas e de outras
perguntas 24similares, em computador, _____4_____ respostas da nação eleger uma figura no mínimo controversa. Trump parecia
dependem da organização espacial de informações geográficas imune aos próprios atentados contra os valores americanos. A
em um determinado tempo. Dada a complexidade dos modelos, razão, louvada por tantos de seus eleitores? “Ele fala o que
muitas técnicas de análise geoespacial foram transformadas em muitos pensam e não têm coragem de dizer.”
5E 6ainda faz escola. Já ouvi o mesmo argumento de vários que
linguagem computacional e reunidas, posteriormente, em um
sistema de informação geográfica. Esse fato geotecnológico apoiam presidenciáveis brasileiros. 7Como se dizer o que se
contribuiu para a 25popularização da análise geoespacial pensa fosse, de fato, sempre algo louvável. Mas não é.
realizada em computadores26, que atualmente é simplificada Pensar besteira todo mundo faz, de chegar na mureta do mirante
pelo termo geoprocessamento. e ponderar que “é 8só passar a perna por cima e me jogar” ou
olhar para o vizinho e pensar que “se eu o empurrasse, ele teria rasa? Não catemos pedrinhas redondas para atiradeira, porque é
morte certa”. 9Evocar associações comuns, como mureta e urgente subir no morro; os sanhaços estão bicando os cajus
suicídio, é apenas natural para o cérebro, consequência inevitável maduros. É janeiro, grande mês de janeiro!
do seu aprendizado por repetição. Podemos cortar folhas de pita, ir para o outro lado do
10Da mesma forma, 11num 12ambiente em que racismo, morro e descer escorregando no capim até a beira do açude. Com
homofobia e liberdades tomadas com a vida dos outros ainda dois paus de pita, faremos uma balsa, e, como o carnaval é só no
mês que vem, vamos apanhar tabatinga para fazer formas de
imperam, 13onde se cresce ouvindo que negros e índios são isso,
máscaras. Ou então vamos jogar bola-preta: do outro lado do
gays são aquilo, e 14onde todo útero grávido é propriedade jardim tem um pé de saboneteira.
coletiva, 15insultar é o impulso mental fácil, mesmo que por Se quiser, vamos. Converta-se, bela mulher estranha,
repetição, e não por crença. numa simples menina de pernas magras e vamos passear nessa
16Pensamentos também são testes de ações mentais e suas infância de uma terra longe. É verdade que jamais comeu angu de
consequências possíveis. Mentalmente, todo mundo um dia xinga fundo de panela?
a mãe, esbofeteia o vizinho, esfaqueia o marido ou profere Bem pouca coisa eu sei: mas tudo que sei lhe ensino.
insultos racistas e homofóbicos. Estaremos debaixo da goiabeira; eu cortarei uma forquilha com o
17
Mas a grande maioria para no pensamento, 18horrorizada pela canivete. Mas não consigo imaginá-la assim; talvez se na praia
consequência que suas ações mentais teriam na vida real se ainda houver pitangueiras... Havia pitangueiras na praia? Tenho
uma ideia vaga de pitangueiras junto à praia. Iremos catar
executadas ou ditas. 19Pensamentos terríveis têm essa utilidade:
20 conchas cor-de-rosa e búzios crespos, ou armar o alçapão junto
primatas que somos, com um córtex pré-frontal expressivo,
do brejo para pegar papa-capim. Quer? Agora devem ser três
capaz de reconhecer 21más ideias e impedi-22las de vir à tona,
horas da tarde, as galinhas lá fora estão cacarejando de sono,
não precisamos chegar às vias de fato para aprender a não fazer
você gosta de fruta-pão assada com manteiga? Eu lhe vou aipim
besteira.
ainda quente com melado. Talvez você fosse como aquela menina
23
Dizer o que “todo mundo pensa mas não ousa dizer”, portanto, rica, de fora, que achou horrível nosso pobre doce de abóbora e
não é sinal de coragem, nem de honestidade, mas apenas de falta coco.
de controle pré-frontal – ou de mau caráter mesmo. Mas eu a levarei para a beira do ribeirão, na sombra fria do
bambual; ali pescarei piaus. Há rolinhas. Ou então ir descendo o
(Herculano-Houzel, Suzana [bióloga e neurocientista da rio numa canoa bem devagar e de repente dar um galope na
Universidade Vanderbilt (EUA)]. Dizer o que se pensa não é correnteza, passando rente às pedras, como se a canoa fosse um
sempre uma qualidade. Folha de São Paulo, 14/08/2010. cavalo solto. Ou nadar mar afora até não poder mais e depois
Adaptado. Disponível em: virar e ficar olhando as nuvens brancas. Bem pouca coisa eu sei;
[Link] os outros meninos riram de mim porque cortei uma iba de assa-
[Link]. Acesso em 11 ago. 2018) peixe. Lembro-me que vi o ladrão morrer afogado com os
soldados de canoa dando tiros, e havia uma mulher do outro lado
do rio gritando.
(Upf 2019) Com relação a aspectos semântico-sintáticos do Mas como eu poderia, mulher estranha, convertê-la em
texto e aos operadores argumentativos nele presentes, é correto menina para subir comigo pela capoeira? Uma vez vi uma urutu
afirmar que junto de um tronco queimado; e me lembro de muitas meninas.
a) “ainda” (ref. 6) refere-se ao tempo ao qual a situação “fazer Tinha uma que para mim uma adoração. Ah, paixão da infância,
escola” se refere. paixão que não amarga. Assim eu queria gostar de você, mulher
estranha que ora venho conhecer, homem maduro. Homem
b) “Como” (ref. 7) introduz uma dúvida, eis que é um advérbio maduro, ido e vivido; mas quando a olhei, você estava distraída,
interrogativo. meus olhos eram outra vez daquele menino feio do segundo ano
primário que quase não tinha coragem de olhar a menina um
c) “só” (ref. 8) introduz uma ideia de exclusão. pouco mais alta da ponta direita do banco.
Adoração de infância. Ao menos você conhece um
d) “segundo” (ref. 2) é uma conjunção conformativa. passarinho chamado saíra? É um passarinho miúdo: imagine uma
saíra grande que de súbito aparecesse a um menino que só
e) “onde”, na referência 13, é um advérbio e, na referência 14, um tivesse visto coleiros e curiós, ou pobres cambaxirras. Imagine um
pronome. arco-íris visto na mais remota infância, sobre os morros e o rio. O
menino da roça que pela primeira vez vê as algas do mar se
Exercício 21 balançando sob a onda clara, junto da pedra.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Ardente da mais pura paixão de beleza é a adoração da
Passeio à Infância infância. Na minha adolescência você seria uma tortura. Quero
levá-la para a meninice. Bem pouca coisa eu sei; uma vez na
Primeiro vamos lá embaixo no córrego; pegaremos dois fazenda rira: ele não sabe nem passar um barbicacho! Mas o que
pequenos carás dourados. E como faz calor, veja, os lagostins sei lhe ensino; são pequenas coisas do mato e da água, são
saem da toca. Quer ir de batelão, na ilha, comer ingás? Ou vamos humildes coisas, e você é tão bela e estranha! Inutilmente tento
ficar bestando nessa areia onde o sol dourado atravessa a água
convertê-la em menina de pernas magras, o joelho ralado, um imagens que emolduramos; imagens que compomos fisicamente,
pouco de lama seca do brejo no meio dos dedos dos pés. à mão, e imagens que se formam espontaneamente na
Linda como a areia que a onda ondeou. Saíra grande! Na imaginação; imagens de rostos, árvores, prédios, nuvens,
adolescência e torturaria; mas sou um homem maduro. Ainda paisagens, instrumentos, água, fogo e imagens daquelas imagens
assim às vezes é como um bando de sanhaços bicando os cajus – pintadas, esculpidas, encenadas... Quer descubramos nessas
de meu cajueiro, um cardume de peixes dourados avançando, imagens circundantes lembranças desbotadas de uma beleza
saltando ao sol, na piracema; um bambual com sombra fria, onde que, em outros tempos, foi nossa (como sugeriu Platão), quer elas
ouvi um silvo de cobra, e eu quisera tanto dormir. Tanto dormir! exijam de nós uma interpretação nova e original, por meio de
Preciso de um sossego de beira de rio, com remanso, com todas as possibilidades que nossa linguagem tenha a oferecer,
cigarras. Mas você é como se houvesse demasiadas cigarras somos essencialmente criaturas de imagens, de figuras.
cantando numa pobre tarde de homem.
(MANGUEL, Alberto. Lendo imagens. São Paulo: Companhia das
Julho, 1945 Letras, 2009. p. 19-20.)

Crônica extraída do livro 200 crônicas escolhidas, de Rubem


Braga (G1 - cmrj 2019) A argumentação pode ser construída por meio
de diferentes recursos, sempre visando convencer o leitor sobre a
validade de determinada tese.

(Efomm 2019) Ao longo do texto percebe-se o desejo do homem Nesse sentido, é correto afirmar que Manguel
maduro em transformar, transmutar, a mulher estranha em uma
a) prefere o diálogo com o leitor à apresentação de seus
menina. Todavia, a seguinte passagem evidencia que o seu
argumentos.
desempenho é ineficaz:

a) Converta-se, bela mulher estranha, numa simples menina de b) apresenta sua tese no primeiro parágrafo, por meio de uma
pernas magras e vamos passear nessa infância de uma terra narração.
longe. c) demonstra a pobreza da linguagem verbal, porque ela é
incapaz de verbalizar todas as imagens.
b) Talvez você fosse como aquela menina rica, de fora, que achou
horrível nosso pobre doce de abóbora e coco. d) articula, por uma condicional, argumentos de autoridade à
coletividade expressa na primeira pessoa do plural.
c) Mas como eu poderia, mulher estranha, convertê-la em menina
para subir comigo pela capoeira? e) apresenta Francis Bacon, Platão e Salomão como as únicas
autoridades no assunto, conferindo credibilidade ao texto.
d) Quero levá-la para a meninice.
Exercício 23
(Fatec 2019) Leia o texto:
e) Inutilmente tento convertê-la em menina de pernas magras, o
joelho ralado, um pouco de lama seca do brejo no meio dos dedos
A denúncia de uma crise de sentido na educação não é algo novo
dos pés.
e exclusivo do momento histórico em que vivemos. Podemos
Exercício 22 dizer que a crítica ao modelo educacional e à função social da
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: escola se constitui à medida que a própria educação se
1 institucionaliza, incorporando a responsabilidade de ser um
Eu tinha nove ou dez anos, e uma tia, que era pintora, me
convidara para ir ao seu ateliê para conhecer o local onde ela processo sistemático e intencional de formação humana.
trabalhava. O pequeno aposento estava frio e tinha um cheiro [...]
maravilhoso de terebintina e óleo; as telas armazenadas, A reflexão sobre o sentido da educação adentra o século XX. A
apoiadas uma nas outras, me pareciam livros deformados no crítica se aprofunda e há insatisfação tanto das correntes mais
sonho de alguém que soubesse vagamente o que eram livros e os liberais quanto das mais marxistas. [...] As mudanças sociais
houvesse imaginado enormes, feitos de uma única página, dura e acentuaram os problemas estruturais da instituição escola. No
grossa [...]. Brasil, por exemplo, em meados dos anos 50, apenas 30% da
Francis Bacon observou que, para os antigos, todas as imagens população brasileira vivia nas cidades. A pressão das camadas
que o mundo dispõe diante de nós já se acham encerradas em médias pelo aumento do acesso e da permanência na escola
nossa memória desde o nascimento. “Desse modo, Platão tinha a ampliou-se consideravelmente neste período, dada a relação
concepção”, escreveu ele, “de que todo conhecimento não estabelecida entre a escolarização e o direito à cidadania.
passava de recordação; do mesmo modo, Salomão proferiu sua
conclusão de que toda novidade não passa de esquecimento”. Se (ROCHA, J. Design thinking na formação de professores: novos
isso for verdade, estamos todos refletidos de algum modo nas olhares para os desafios da educação. In: Metodologias ativas
numerosas e distintas imagens que nos rodeiam, uma vez que para uma educação inovadora. Porto Alegre: Penso, 2018, p.154.)
elas já são parte daquilo que somos: imagens que criamos e
O excerto apresenta, brevemente, uma crítica ao modelo vigente Não quero morrer pois quero ver como será que deve ser
da educação na sociedade brasileira nos anos 1950. envelhecer
Eu quero é viver para ver qual é e dizer venha pra o que vai
Assinale a alternativa em que o trecho literário retrata uma acontecer
situação semelhante à abordada no texto. (...)
Pois ser eternamente adolescente nada é mais *démodé com os
a) “E ele, Clarimundo, o homem do relógio, o escravo fiel das
ralos fios de cabelo sobre a
horas, que fez nos seus quarenta e oito anos de vida? Preparou
[testa que não para de crescer
espíritos, estudou e compreendeu Einstein, escreveu artigos para
Não sei por que essa gente vira a cara pro presente e esquece de
jornais, notas sobre filosofia, matemática, física e astronomia
aprender
recreativa...”, Érico Veríssimo, Caminhos Cruzados.
Que felizmente ou infelizmente sempre o tempo vai correr.
(...)
b) “As primas já estão se acostumando no Colégio, mas Luisinha
está se queixando de dor no estômago e nós a achamos mais
[Link]/new/sec_discografia_sel.php?
magra. Diante disso eu insisti com mamãe para trazê-la para casa
id=679
para consultar com Dr. Teles. A Superiora quis fazer dúvida e
disse que não era preciso trazer Luisinha porque o médico podia ir
ao Colégio como vai sempre ver outras meninas.”, Helena Morley,
*démodé: fora de moda.
Minha Vida de Menina.

c) “Fabiano estava contente e acreditava nessa terra, porque não


1. (Epcar (Afa) 2017) Assinale a alternativa que apresenta uma
sabia como ela era nem onde era. Repetia docilmente as palavras
inferência correta.
de sinha Vitória, as palavras que sinha Vitória murmurava porque
tinha confiança nele. E andavam para o sul, metidos naquele a) A expressão “vira a cara para o presente”, no verso 8, foi
sonho. Uma cidade grande, cheia de pessoas fortes. Os meninos utilizada no sentido de encarar fixamente o presente.
em escolas, aprendendo coisas difíceis e necessárias.”, Graciliano
Ramos, Vidas Secas. b) O eu lírico destaca, nos versos de 2 a 4, apenas as perdas
físicas que caracterizam a chegada da velhice.
d) “Dirigi-me a alguns amigos, e quase todos consentiram de boa
vontade em contribuir para o desenvolvimento das letras c) Conservar os cabelos longos, quando já estão ralos devido à
nacionais. Padre Silvestre ficaria com a parte moral e as citações calvície, é uma atitude fora de moda.
latinas; João Nogueira aceitou a pontuação, a ortografia e a
sintaxe; prometi ao Arquimedes a composição tipográfica; para a d) No verso 1, é possível perceber uma alusão ao aumento da
composição literária convidei Lúcio Gomes de Azevedo Gondim, expectativa de vida na modernidade, já que envelhecer tornou-se
redator e diretor do Cruzeiro.”, Graciliano Ramos, São Bernardo. comum.
e) “Na segunda-feira, voltou o menino armado com a sua
competente pasta a tiracolo, a sua lousa de escrever e o seu Exercício 25
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
tinteiro de chifre; o padrinho o acompanhou até a porta. Logo
Quarto de Despejo
nesse dia portou-se de tal maneira que o mestre não se pôde
dispensar de lhe dar quatro bolos, o que lhe fez perder toda a
“O grito da favela que tocou a consciência do mundo inteiro”
folia com que entrara: declarou desde esse instante guerra viva à
escola.”, Manuel Antônio de Almeida, Memórias de um Sargento
2 de MAIO de 1958. Eu não sou indolente. Há tempos que eu
de Milícias.
pretendia fazer o meu diario. Mas eu pensava que não tinha valor
Exercício 24 e achei que era perder tempo.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: ...Eu fiz uma reforma para mim. Quero tratar as pessoas que eu
Leia o texto a seguir e responda à(s) questão(ões). conheço com mais atenção. Quero enviar sorriso amavel as
crianças e aos operarios.
...Recebi intimação para comparecer as 8 horas da noite na
ENVELHECER Delegacia do 12. Passei o dia catando papel. A noite os meus pés
doiam tanto que eu não podia andar.
Arnaldo Antunes/Ortinho/Marcelo Jeneci Começou chover. Eu ia na Delegacia, ia levar o José Carlos. A
intimação era para ele. O José Carlos tem 9 anos.
A coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer
A barba vai descendo e os cabelos vão caindo pra cabeça 3 de MAIO. ...Fui na feira da Rua Carlos de Campos, catar
aparecer qualquer coisa. Ganhei bastante verdura. Mas ficou sem efeito,
Os filhos vão crescendo e o tempo vai dizendo que agora é pra porque eu não tenho gordura. Os meninos estão nervosos por
valer não ter o que comer.
Os outros vão morrendo e a gente aprendendo a esquecer
6 de MAIO. De manhã não fui buscar agua. Mandei o João catar papel. Agradeço. Carolina”
carregar. Eu estava contente. Recebi outra intimação. Eu estava (...) Choveu, esfriou. É o inverno que chega. E no inverno a gente
inspirada e os versos eram bonitos e eu esqueci de ir na come mais. A Vera começou a pedir comida. E eu não tinha. Era a
Delegacia. Era 11 horas quando eu recordei do convite do ilustre reprise do espetaculo. Eu estava com dois cruzeiros. Pretendia
tenente da 12ª Delegacia. comprar um pouco de farinha para fazer um virado. Fui pedir um
...o que eu aviso aos pretendentes a política, é que o povo não pouco de banha a Dona Alice. Ela deu-me a banha e arroz. Era 9
tolera a fome. É preciso conhecer a fome para saber descrevê-la. horas da noite quando comemos.
Estão construindo um circo aqui na Rua Araguaia, Circo Theatro E assim no dia 13 de maio de 1958 eu lutava contra a escravatura
Nilo. atual – a fome!

9 de MAIO. Eu cato papel, mas não gosto. Então eu penso: Faz de (DE JESUS, Carolina Maria. Quarto de Despejo.)
conta que estou sonhando.

10 de MAIO. Fui na Delegacia e falei com o Tenente. Que homem (Epcar (Afa) 2016) O título do livro “Quarto de Despejo” pode
amavel! Se eu soubesse que ele era tão amavel, eu teria ido na sugerir algumas inferências. Assinale aquela que NÃO pode ser
Delegacia na primeira intimação. comprovada pelo relato.
(...) O Tenente interessou-se pela educação dos meus filhos.
a) O ambiente onde escreve Carolina assemelha-se a um quarto
Disse-me que a favela é um ambiente propenso, que as pessoas
de despejo.
tem mais possibilidades de delinquir do que tornar-se util a patria
e ao país. Pensei: se ele sabe disso, porque não faz um relatorio e
b) Tal qual os objetos que Carolina recolhe nas ruas, ela e seus
envia para os politicos? O Senhor Janio Quadros, o Kubstchek, e o
filhos são restos ignorados pelo poder público.
Dr Adhemar de Barros? Agora falar para mim, que sou uma pobre
lixeira. Não posso resolver nem as minhas dificuldades.(...) O
c) Os relatos da vida da autora são comparados aos pertences
Brasil precisa ser dirigido por uma pessoa que já passou fome. A
deixados em um quarto de despejo.
fome tambem é professora. Quem passa fome aprende a pensar
no proximo e nas crianças.
d) Há uma alusão ao local onde vivem as pessoas que trabalham
com serviços domésticos em casas de luxo.
11 de MAIO. Dia das mães. O céu está azul e branco. Parece que
até a natureza quer homenagear as mães que atualmente se Exercício 26
sentem infeliz por não realizar os desejos de seus filhos. (...) O sol TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
vai galgando. Hoje não vai chover. Hoje é o nosso dia. (...) A D. Leia o texto abaixo para responder à(s) questão(ões) a seguir.
Teresinha veio visitar-me. Ela deu-me 15 cruzeiros. Disse-me que
era para a Vera ir no circo. Mas eu vou deixar o dinheiro para COMPUTADORES PROVOCAM ACIDENTES DO TRABALHO?
comprar pão amanhã, porque eu só tenho 4 cruzeiros.(...) Ontem
eu ganhei metade da cabeça de um porco no frigorifico. Comemos Durante muito tempo, a segurança do trabalho foi vista como um
a carne e guardei os ossos para ferver. E com o caldo fiz as tema que se relacionava apenas ao uso de capacetes, botas,
batatas. Os meus filhos estão sempre com fome. Quando eles cintos de segurança e uma série de outros equipamentos de
passam muita fome eles não são exigentes no paladar. (...) Surgiu proteção individual contra acidentes. No entanto, a evolução
a noite. As estrelas estão ocultas. O barraco está cheio de tecnológica se fez acompanhar de novos ambientes de trabalho e
pernilongos. Eu vou acender uma folha de jornal e passar pelas de riscos profissionais a eles associados. Muitos desses novos
paredes. É assim que os favelados matam mosquitos. riscos são pouco ou nada conhecidos e demandam pesquisas
cujos resultados só se apresentam após a exposição prolongada
13 de MAIO. Hoje amanheceu chovendo. É um dia simpatico para dos trabalhadores a ambientes nocivos a sua saúde e integridade
mim. É o dia da Abolição. Dia que comemoramos a libertação dos física. Hoje, o setor de segurança e saúde no trabalho é
escravos. Nas prisões os negros eram os bodes expiatorios. Mas multidisciplinar e tem como objetivo principal a prevenção dos
os brancos agora são mais cultos. E não nos trata com desprezo. riscos profissionais. O conceito de acidente é compreendido por
Que Deus ilumine os brancos para que os pretos sejam feliz. (...) um maior número de pessoas que já identificam as doenças
Continua chovendo. E eu tenho só feijão e sal. A chuva está forte. profissionais como consequências de acidentes do trabalho.
Mesmo assim, mandei os meninos para a escola. Estou A relação homem-máquina, que já trouxe enormes benefícios
escrevendo até passar a chuva para mim ir lá no Senhor Manuel para a humanidade, também trouxe um grande número de
vender os ferros. Com o dinheiro dos ferros vou comprar arroz e vítimas. Entre as máquinas das novas relações profissionais, os
linguiça. A chuva passou um pouco. Vou sair. (...) Eu tenho dó dos computadores pessoais têm uma característica ímpar: nunca, na
meus filhos. Quando eles vê as coisas de comer eles brada: Viva a história da humanidade, uma mesma máquina esteve presente na
mamãe!. A manifestação agrada-me. Mas eu já perdi o habito de vida profissional de um número tão grande e diversificado de
sorrir. Dez minutos depois eles querem mais comida. Eu mandei o trabalhadores.
João pedir um pouquinho de gordura a Dona Ida. Mandei-lhe um Diante desses fatos, muitas dúvidas têm sido levantadas sobre os
bilhete assim: riscos de acidentes no uso de computadores; entre eles,
“Dona Ida peço-te se pode me arranjar um pouquinho de gordura, destacam-se os chamados riscos ergonômicos. A Ergonomia é
para eu fazer sopa para os meninos. Hoje choveu e não pude uma ciência que estuda a adequação das condições de trabalho
às características psicofisiológicas dos trabalhadores de modo a
proporcionar o máximo de conforto, segurança e desempenho A Internet vista, unanimemente, como o território livre, a
eficiente. Entre os riscos ergonômicos, aqueles que têm maior tecnologia libertadora que, em muitos países, permitiu o
relação com o uso de computadores são: exigência de postura florescimento da cidadania, a ampliação das oportunidades de
inadequada, utilização de mobiliário impróprio, imposição de educação, o ambiente para novas empresas e novos
ritmos excessivos, trabalho em turno noturno, jornadas de empreendedores, para o trabalho colaborativo em rede.
trabalho prolongadas, monotonia e repetitividade. Graças a seu ambiente libertário, internacionalmente
A exposição do trabalhador ao risco gera o acidente, cuja ajudou a derrubar ditaduras e monopólios de mídia, o controle da
consequência, nesses casos, tem efeito mediato, ou seja, ela se informação, tanto por governos como por cartéis.
apresenta ao longo do tempo por ação cumulativa desses 1
No entanto, não se considere um modelo consolidado. Em
eventos sucessivos. É como se, a cada dia de exposição ao risco, outros momentos da história surgiram novas tecnologias,
um pequeno acidente, imperceptível, estivesse ocorrendo. As promovendo rupturas, abrindo espaço para a democratização e,
consequências dos acidentes do trabalho desse tipo são as no momento seguinte, quedaram dominadas por novos cartéis e
doenças profissionais ou ocupacionais. monopólios que se formaram.
Já para os profissionais que têm o computador como instrumento 2
Foi assim com o início da telefonia. Enquanto a Bell Co se
de um trabalho diário, a prevenção dos riscos ergonômicos
consolidava, como grande companhia nacional, surgiram
relacionados ao seu uso deverá ser motivo de atenção e interesse,
inúmeras experiências locais, como a Mesa Telephone, para
observando, entretanto, que a legislação e as normas técnicas
localidades rurais norte-americanas, de tecnologia rudimentar
estão inseridas no contexto maior de uma avaliação completa do porém útil para ligar comunidades agrícolas.
ambiente de trabalho. O bem-estar físico e psicológico dos 3
Nasceram centenas de outras companhias por todo o
trabalhadores reflete no seu desempenho profissional e é
país. Esse mesmo modelo disseminou-se pelo Brasil dos anos 40
resultado de uma política global de investimento em segurança,
em diante, com companhias municipais levando o telefone a
saúde e meio ambiente. O fundamental para os usuários de
cidades menores, em um surto de pioneirismo extraordinário.
computadores é saber que há procedimentos básicos para se
Nos Estados Unidos, o movimento dos "independentes"
evitar acidentes no trabalho, mesmo quando esse trabalho se
permitiu às comunidades rurais estreitar laços, criar amizades,
concentra em uma relação homem-máquina aparentemente
sistemas de informação, da mesma maneira que as redes sociais
amigável e isenta de riscos, desenvolvida em escritórios ou
de agora. Através do telefone desenvolveram noticiários sobre o
mesmo em casa.
clima, sobre a região, relatórios de mercado etc.
Os "independentes" chegaram a ter 3 milhões de
MATTOS, Ricardo Pereira de. Adaptado. Disponível em:
aparelhos, contra 2,5 milhões da Bell.
<[Link] Acesso em:
Com a ajuda do [Link], o mais influente banco da época, a
09 jun. 2016.
Bell reestruturou-se em torno da AT&T.
Em vez de declarar guerra aos "independentes", a nova
direção propôs um trabalho conjunto, facilitando para eles as
(G1 - ifpe 2016) Em relação à pergunta feita no título do texto
ligações de longa distância, desde que trocassem seus sistemas
“Computadores provocam acidente de trabalho?”, é possível
rústicos pelos padrões Bell. Quem não aderisse, não teria
afirmar que
ligações de longa distância.
a) podemos inferir sua resposta a partir dos argumentos Como resultado, a AT&T matou a concorrência dos
levantados pelo autor, o qual expõe vários outros fatos "independentes" e construiu o mais longevo e poderoso
causadores de acidentes de trabalho. monopólio da história, só desmembrado na década de 1980.
O mesmo processo de concentração se repetiu no rádio.
b) o autor a responde de maneira favorável ao uso dos No início, o rádio tornou-se uma ferramenta tão
computadores, defendendo que eles são, atualmente, os únicos democrática e disseminada quanto a Internet. Não havia controle
causadores dos acidentes de trabalho. e qualquer pessoa, adquirindo um kit de rádio, montava sua
estação sem fio.
c) ela não é respondida ao longo do texto, o que o deixa com uma Em 1921 havia 525 estatais transmissoras nos Estados
conclusão pouco clara e incompleta quanto ao questionamento Unidos. Até o final de 1924, mais de 2 milhões de aparelhos de
sobre o uso dos computadores no ambiente de trabalho. rádio. Segundo Tim Wu, autor do importante "Impérios da
d) não é possível fazermos a inferência de sua resposta, uma vez Comunicação", antes da Internet os rádios foram a maior mídia
que não há, no texto, as palavras “sim” e “não”, as quais aberta do século.
caracterizariam respostas prováveis. 4
Repetiu-se o mesmo processo do telefone. À medida que
aumentava o público e criava escala, o mercado libertário era
e) fica subentendido que o uso dos computadores não causa enquadrado pelo poder público e a ocupação do espaço entregue
acidentes de trabalho, embora esse uso esteja relacionado a a grupos particulares.
outros aspectos citados pelo autor. Hoje em dia, as concessões de rádio se tornaram ativos de
empresas privadas, as rádios comunitárias são criminalizadas e o
Exercício 27
exercício pessoal se restringe aos rádios amadores.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
A Internet e a neutralidade da rede
Esse é o desafio atual da Internet. Se não for garantida a Voz fina, roupas pastel, calçados rente ao chão.
neutralidade da rede - isto é, o direito de qualquer site ou pessoa Aceita encomendas de doces, contribui para a igreja, cuida dos
de ter acesso à rede, sem privilégios - em breve o grande sonho sobrinhos nos finais de semana.
libertário da Internet terá o mesmo destino do telefone e do rádio. Disponível, serena, previsível, nunca foi vista negando um favor.
11Nunca teve um chilique.
Luís Nassif. Coluna Econômica. 07/09/2013. 12
Nunca colocou os pés num show de rock.
É queridinha.
Pequeninha.
(Uece 2015) Atente ao que se diz sobre o seguinte enunciado:
Educadinha.
“No entanto, não se considere um modelo consolidado” (ref. 1). 13
Enfim, uma mulher boazinha.
Fomos boazinhas por séculos.
I. Para ser entendido, o enunciador exige a cooperação do leitor,
Engolíamos tudo e fingíamos não ver nada, ceguinhas.
que deverá, por inferência, saber de qual modelo ele fala.
Vivíamos no nosso mundinho, 14rodeadas de panelinhas e
II. Ao enunciado falta uma expressão que desempenhe o papel de
nenezinhos.
sujeito da voz passiva do verbo considerar.
A vida feminina era esse frege: bordados, paredes brancas,
III. Dependendo do contexto, a não explicitação do sujeito do
crucifixo em cima da cama, tudo certinho.
verbo considerar torna o enunciado passível de duas leituras: 1.
Passamos um tempão assim, comportadinhas, enquanto íamos
No entanto, não considere a si mesmo um modelo consolidado. 2.
No entanto, não seja considerado (o modelo da Internet) como alimentando um desejo incontrolável de virar a mesa.
15
um modelo consolidado. Quietinhas, mas inquietas.
16Até que chegou o dia em que deixamos de ser as coitadinhas.

Está correto o que se diz em Ninguém mais fala em namoradinhas do Brasil: somos atrizes,
estrelas, profissionais.
a) I, II e III.
Adolescentes não são mais brotinhos: são garotas da geração
teen.
b) II e III apenas.
Ser chamada de patricinha é ofensa mortal.
Pitchulinha é coisa de retardada.
c) I e II apenas.
Quem gosta de diminutivos, definha.
Ser boazinha não tem nada a ver com ser generosa.
d) I e III apenas.
17
Ser boa é bom, ser boazinha é péssimo.
Exercício 28 As boazinhas não têm defeitos.
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: Não têm atitude.
MULHER BOAZINHA Conformam-se com a coadjuvância.
(Martha Medeiros) PH neutro.
Ser chamada de boazinha, mesmo com a melhor das intenções, é
Qual o elogio que uma mulher adora receber 1? o pior dos desaforos.
2
Bom, se você está com tempo, pode-se listar aqui uns Mulheres bacanas, complicadas, batalhadoras, persistentes,
setecentos: mulher adora que verbalizem seus atributos, sejam ciumentas, apressadas, é 18isso que somos hoje.
eles físicos ou morais. Merecemos adjetivos velozes, produtivos, enigmáticos.
Diga que ela é uma mulher inteligente3, 4e ela irá com a sua cara. As “inhas” não moram mais aqui.
Diga que ela tem um ótimo caráter e um corpo que é uma Foram para o espaço, sozinhas.
provocação, e ela decorará o seu número.
Fale do seu olhar, da sua pele, do seu sorriso, da sua presença de (Disponível em: [Link]
espírito, da sua aura de mistério, de como ela tem classe: ela acesso em 28/03/14)
achará você muito observador e lhe dará uma cópia da chave de
casa.
5Mas não pense que o jogo está ganho6: manter o cargo vai (Epcar (Afa) 2015) Analise as assertivas feitas em relação ao que
se discute no texto e as inferências possíveis acerca dessa
depender da sua perspicácia para encontrar novas qualidades
discussão.
nessa mulher poderosa, absoluta.
7
Julgue-as como adequadas ou inadequadas. Em seguida, assinale
Diga que ela cozinha melhor que a sua mãe, que ela tem uma
a alternativa que contém apenas assertivas adequadas.
voz que faz você pensar obscenidades, que 8ela é um avião no
mundo dos negócios. I. As mulheres gostam de receber elogios e, quando os recebem,
Fale sobre sua competência, seu senso de oportunidade, seu bom aceitam-nos e ficam mais receptivas não se preocupando muito
gosto musical. com a veracidade deles.
Agora 9quer ver o mundo cair 10? II. A expressão “bom” (ref.2) é própria da linguagem oral e se
Diga que ela é muito boazinha. encontra nesse texto escrito com o objetivo de chamar o leitor
Descreva aí uma mulher boazinha. para estar mais próximo do locutor.
III. As expressões “e ela irá com a sua cara” (ref.4), “ela é um avião Disponível, serena, previsível, nunca foi vista negando um favor.
no mundo dos negócios” (ref.8) e “quer ver o mundo cair” (ref.9) 11
Nunca teve um chilique.
foram empregadas para tornar o texto acessível a todo tipo de 12Nunca colocou os pés num show de rock.
leitor, inclusive aos menos escolarizados. É queridinha.
IV. No trecho que vai do parágrafo 3 ao final do parágrafo 8, o Pequeninha.
texto se apresenta com características injuntivas, ou seja,
Educadinha.
instruem o leitor a agir de uma forma que, segundo o locutor, irá 13
Enfim, uma mulher boazinha.
causar boa impressão nas mulheres.
Fomos boazinhas por séculos.
V. “Namoradinha do Brasil” era um título concedido a
Engolíamos tudo e fingíamos não ver nada, ceguinhas.
celebridades que se encaixavam no perfil de mulher “boazinha”,
ou seja, aquela que “nunca teve um chilique” (ref.11) que “nunca Vivíamos no nosso mundinho, 14rodeadas de panelinhas e
colocou os pés num show de rock” (ref.12), que vivia “rodeada de nenezinhos.
panelinhas e nenezinhos” (ref.14) e, principalmente, conservava- A vida feminina era esse frege: bordados, paredes brancas,
crucifixo em cima da cama, tudo certinho.
se solteira para manutenção do título.
Passamos um tempão assim, comportadinhas, enquanto íamos
VI. As mulheres hoje em dia, para serem valorizadas, não podem
alimentando um desejo incontrolável de virar a mesa.
e não devem aceitar elogios que as associem às tarefas
15Quietinhas, mas inquietas.
domésticas e aos seus atributos que não sejam aqueles
16
relacionados à sua competência e ao seu novo papel na Até que chegou o dia em que deixamos de ser as coitadinhas.
sociedade moderna. Ninguém mais fala em namoradinhas do Brasil: somos atrizes,
estrelas, profissionais.
a) I, IV e VI
Adolescentes não são mais brotinhos: são garotas da geração
teen.
b) I, II, IV e V
Ser chamada de patricinha é ofensa mortal.
Pitchulinha é coisa de retardada.
c) I, II e IV
Quem gosta de diminutivos, definha.
Ser boazinha não tem nada a ver com ser generosa.
d) II, III e VI
17Ser boa é bom, ser boazinha é péssimo.

Exercício 29 As boazinhas não têm defeitos.


TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: Não têm atitude.
MULHER BOAZINHA Conformam-se com a coadjuvância.
(Martha Medeiros) PH neutro.
Ser chamada de boazinha, mesmo com a melhor das intenções, é
1 o pior dos desaforos.
Qual o elogio que uma mulher adora receber ?
2Bom, se você está com tempo, pode-se listar aqui uns Mulheres bacanas, complicadas, batalhadoras, persistentes,
setecentos: mulher adora que verbalizem seus atributos, sejam ciumentas, apressadas, é 18isso que somos hoje.
eles físicos ou morais. Merecemos adjetivos velozes, produtivos, enigmáticos.
Diga que ela é uma mulher inteligente3, 4e ela irá com a sua cara. As “inhas” não moram mais aqui.
Diga que ela tem um ótimo caráter e um corpo que é uma Foram para o espaço, sozinhas.
provocação, e ela decorará o seu número.
Fale do seu olhar, da sua pele, do seu sorriso, da sua presença de (Disponível em: [Link]
espírito, da sua aura de mistério, de como ela tem classe: ela acesso em 28/03/14)
achará você muito observador e lhe dará uma cópia da chave de
casa. (Epcar (Afa) 2015) Observe as inferências feitas a partir da
5 leitura global do texto e assinale a alternativa que contém uma
Mas não pense que o jogo está ganho6: manter o cargo vai
afirmação INCORRETA.
depender da sua perspicácia para encontrar novas qualidades
nessa mulher poderosa, absoluta. a) “Diga que ela cozinha melhor que a sua mãe” (ref. 7) é um
7Diga que ela cozinha melhor que a sua mãe, que ela tem uma argumento forte de valorização de uma mulher, já que há uma
crença de que os homens consideram suas mães sempre as
voz que faz você pensar obscenidades, que 8ela é um avião no
melhores cozinheiras de suas vidas.
mundo dos negócios.
b) Depois que o homem ganha uma mulher através dos elogios
Fale sobre sua competência, seu senso de oportunidade, seu bom
gosto musical. certos, nas horas certas e que se referem aos atributos mais
valorizados por ela, a conquista está garantida e o
Agora 9quer ver o mundo cair 10?
relacionamento está destinado ao sucesso.
Diga que ela é muito boazinha.
c) As mulheres hoje querem receber os elogios que as tratem
Descreva aí uma mulher boazinha.
como bacanas, complicadas, batalhadoras, persistentes,
Voz fina, roupas pastel, calçados rente ao chão.
ciumentas, apressadas, velozes, produtivas e enigmáticas.
Aceita encomendas de doces, contribui para a igreja, cuida dos
sobrinhos nos finais de semana.
d) Ao dizer que “as ‘inhas’ não moram mais aqui” e que “foram brasileira.
para o espaço, sozinhas”, o locutor afirma que as mulheres
boazinhas perderam seu lugar social e ainda por cima ficaram d) Não há limites para a ambição feminina que se alimenta dos
sozinhas. exemplos e das conquistas de desbravadoras como Marcelli.

Exercício 30 Exercício 31
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
ELAS QUEREM O TOPO GATES E JOBS

(Marcela Buscato) Quando as órbitas se cruzam

O sucesso de algumas mulheres pioneiras em áreas dominadas 7


Em astronomia, quando as órbitas de duas estrelas se
pelos homens mostra que elas podem chegar lá - e revela como entrecruzam por causa da interação gravitacional, tem-se um
isso anda difícil. sistema binário. Historicamente, ocorrem situações análogas
quando uma era é moldada pela relação e rivalidade de dois
O passeio preferido da brasiliense Neiriane Marcelli da Silva grandes astros orbitando: Albert Einstein e Niels Bohr na física no
Costa, quando criança, era acompanhar seu pai, suboficial da século XX, por exemplo, ou Thomas Jefferson e Alexander
Força Aérea Brasileira (FAB), nos desfiles militares. Ela gostava Hamilton na condução inicial do governo americano. Nos
de observar os aviões no céu e sonhava em estar um dia no lugar primeiros trinta anos da era do computador pessoal, a partir do
dos pilotos. 1“Eu me desiludia ao pensar que nunca poderia final dos anos 1970, o sistema estelar binário definidor foi
realizar meu sonho, porque apenas homens pilotavam aviões composto por dois indivíduos de grande energia, que largaram os
militares”, diz Marcelli, hoje com 28 anos. Até o dia em que estudos na universidade, ambos nascidos em 1955.
oficiais da FAB foram ao colégio dela para contar uma novidade: Bill Gates e Steve Jobs, apesar das ambições semelhantes no
2a partir daquele ano, 2002, as meninas também poderiam se ponto de convergência da tecnologia e dos negócios, 5tinham
inscrever no curso de oficiais aviadores. Marcelli se formou cinco origens bastante diferentes e personalidades radicalmente
anos depois na Academia da Força Aérea (AFA), integrou um distintas.
esquadrão em Belém, no Pará, e hoje ensina os cadetes da AFA, À diferença de Jobs, Gates entendia de programação e tinha uma
em Pirassununga, interior de São Paulo. O ambiente, dominado mente mais prática, mais disciplinada e com grande capacidade
3 de raciocínio analítico. Jobs era mais intuitivo, romântico, e dotado
por homens, nunca a intimidou. “Não pensei se faria alguma
diferença ser mulher. 4Era o que queria fazer.” de mais instinto para tornar a tecnologia usável, o design
agradável e as interfaces amigáveis. Com sua mania de perfeição,
A tenente Marcelli faz parte de uma geração de mulheres criadas
era extremamente exigente, além de administrar com carisma e
para pensar que o limite para elas é o mesmo que para os
homens: o céu. Algumas alcançaram essa fronteira literalmente, intensidade indiscriminada. 3Gates era mais metódico; as reuniões
como Marcelli. Outras, no sentido figurado. Nunca as mulheres para exame dos produtos tinham horário rígido, e ele chegava ao
chegaram tão longe: à Presidência da República ou da Petrobrás, cerne das questões com uma habilidade ímpar. Jobs encarava as
a maior empresa do país. As conquistas, como sempre, dão pessoas com uma intensidade cáustica e ardente; Gates às vezes
origem a novas e ainda mais ambiciosas aspirações. As mulheres não conseguia fazer contato visual, mas era essencialmente
querem permanecer na liderança e avançar em muitas áreas. Elas bondoso.
conquistaram um território dominado pelos homens. Contaram 4“Cada qual se achava mais inteligente do que o outro, mas Steve

com mudanças na sociedade (que permitiu mulheres oficiais em geral tratava Bill como alguém levemente inferior, sobretudo
5 em questões de gosto e estilo”, diz Andy Hertzfeld. “Bill
aviadoras) e com alta dose de determinação pessoal. Suas
histórias contêm lições para outras desbravadoras – e para os menosprezava Steve porque ele não sabia de fato programar.”
homens também. (...) Desde o começo da relação, 6Gates ficou fascinado por Jobs e
com uma ligeira inveja de seu efeito hipnótico sobre as pessoas.
(Época, número 823, 10 de março de 2014. Editora Globo; p.60 – Mas também o considerava “essencialmente esquisito” e
adaptado) “estranhamente falho como ser humano”, e se sentia
desconcertado com a grosseria de Jobs e sua tendência a
funcionar “ora no modo de dizer que você era um merda, ora no
(Epcar (Afa) 2015) Assinale a alternativa que apresenta uma de tentar seduzi-lo”. Jobs, por sua vez, via em Gates uma
inferência correta. estreiteza enervante.
2
a) Na geração de Marcelli, não mais são encontradas mulheres Suas diferenças de temperamento e personalidade 1iriam levá-
passivas e conformadas que se satisfazem com a coadjuvância. los para lados opostos da linha fundamental de divisão na era
digital. Jobs era um perfeccionista que adorava estar no controle e
b) A conquista de Marcelli foi possível devido somente à sua se comprazia com sua índole intransigente de artista; ele e a
grande determinação pessoal e coragem de enfrentar desafios. Apple se tornaram exemplos de uma estratégia digital que
integrava solidamente o hardware, o software e o conteúdo numa
c) As mulheres já alcançaram o topo ao ocupar os mais altos unidade indissociável. Gates era um analista inteligente,
cargos como Presidência da República e da maior empresa calculista e pragmático dos negócios e da tecnologia; dispunha-
se a licenciar o software e o sistema operacional da Microsoft Que ela era gostosa,
para um grande número de fabricantes. Que ela era bonita pra burro:
Depois de trinta anos, Gates desenvolveu um respeito relutante Não fez efeito.
por Jobs. “De fato, ele nunca entendeu muito de tecnologia, mas
tinha um instinto espantoso para saber o que funciona”, disse. Virei pirata:
Mas Jobs nunca retribuiu valorizando devidamente os pontos Dei em cima de todas as maneiras,
fortes de Gates. “Basicamente Bill é pouco imaginativo e nunca Utilizei o bonde, o automóvel, o passeio a pé,
inventou nada, e é por isso que acho que ele se sente mais à Falei de macumba, ofereci pó...
vontade agora na filantropia do que na tecnologia”, disse Jobs, À toa: não fez efeito.
com pouca justiça. “Ele só pilhava despudoradamente as ideias
dos outros.” Então banquei o sentimental:
Fiquei com olheiras,
(ISAACSON, Walter. Steve Jobs: a biografia. São Paulo: Ajoelhei,
Companhia das Letras, 2011. p. 189-191. Adaptado) Chorei,
Me rasguei todo,
Fiz versinhos,
Cantei as modinhas mais tristes do repertório do Nozinho.
Escrevi cartinhas e pra acertar a mão, li Elvira a Morta
Virgem
(Romance primoroso e por tal forma comovente que
ninguém pode lê-lo sem derramar copiosas lágrimas...)

Perdi meu tempo: não fez efeito.


Meu Deus que mulher durinha!
Foi um buraco na minha vida.
Mas eu mato ela na cabeça:
Vou lhe mandar uma caixinha de Minorativas,
Pastilhas purgativas:
É impossível que não faça efeito.

(Bandeira, Manuel. Estrela da vida inteira. São Paulo: Nova


Fronteira, 2007)
(Epcar (Afa) 2013) O texto I desenvolve-se basicamente pela
oposição entre Jobs e Gates. Leia as inferências abaixo.
(Insper 2011) Sobre a última estrofe, considere as seguintes
I. Reconhecia as qualidades do adversário em meio aos inúmeros inferências:
defeitos que nele apontava. I. Os versos evidenciam a última atitude tomada pelo poeta
II. A racionalidade era o elemento estruturante de sua objetivando conquistar a moça.
personalidade. II. A forma “mato ela”, embora condenada pela norma culta, não
III. Era genial, contudo arrogante e intransigente. deve ser considerada errada, pois é legitimada pelo registro
IV. Era direto, incisivo e apaixonante. coloquial predominante no texto.
V. Primava pela praticidade dos produtos que criava. III. O humor reside no emprego do termo “efeito”, que agora não
se refere apenas à indiferença da jovem.
A(s) inferência(s) que se relaciona(m) a Bill Gates é(são), apenas:
É(são) correta(s)
a) I.
a) apenas I.
b) I e II.
c) IV e V. b) apenas I e II.

d) II, III e IV. c) apenas II e III.

Exercício 32 d) I, II e III.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Dois anúncios e) apenas III.
Rondó de Efeito - para todas as combinações possíveis
Exercício 33
Olhei para ela com toda a força, TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Disse que ela era boa, (...)
As angústias dos brasileiros em relação ao português são de alimentar o corpo”. E que precisamos, bem mais do que se
duas ordens. Para uma parte da população, a que não teve acesso imagina, dessas experiências e conhecimentos que não se
a uma boa escola e, mesmo assim, conseguiu galgar posições, o traduzem em benefícios econômicos.
problema é sobretudo com a gramática. É esse o público que (2) Como nos sentimos e quais mudanças experimentamos ao
consome avidamente os fascículos e livros do professor Pasquale, mergulhar em uma história? Há um efeito transformador? Os
em que as regras básicas do idioma são apresentadas de forma protagonistas das ficções nos levam a que enxerguemos as
clara e bem-humorada. Para o segmento que teve oportunidade nossas contradições e os nossos desejos? Fazem com que nos
de estudar em bons colégios, a 1principal dificuldade é com recordemos de coisas essenciais, talvez esquecidas?
clareza. É para satisfazer a essa demanda que um novo tipo de (3) A ciência possui cada vez mais recursos para responder a
profissional surgiu: o professor de português especializado em essas perguntas. Artigos publicados em revistas especializadas
adestrar funcionários de empresas. Antigamente, os cursos dados expõem resultados de ressonâncias magnéticas que revelam a
no escritório eram de gramática básica e se destinavam alta conectividade que se estabelece no sulco central do cérebro,
principalmente a secretárias. De uns tempos para cá, eles região do motor sensorial primário, e no córtex temporal
passaram a atender primordialmente gente de nível superior. Em esquerdo, área associada à linguagem, enquanto lemos um livro e
geral, os professores que atuam em firmas são acadêmicos que depois de acabá-lo.
fazem esse tipo de trabalho esporadicamente para ganhar um (4) O estresse se reduz e a inteligência emocional sai ganhando,
dinheiro extra. "É fascinante, porque deixamos de viver a teoria assim como o desenvolvimento psicossocial, o autoconhecimento
para enfrentar a língua do mundo real", diz Antônio Suárez Abreu, e o cultivo da empatia, segundo uma equipe de neurocientistas da
livre-docente pela Universidade de São Paulo (...) Universidade de Emory, em Atlanta, que monitoraram as reações
(JOÃO GABRIEL DE LIMA. "Falar e escrever, eis a questão". VEJA, de 21 estudantes durante 19 dias seguidos. A leitura pode até
7/11/2001, nº 1725) mesmo alterar comportamentos por meio da identificação com os
protagonistas das histórias lidas, defende Keith Oatley,
romancista e professor de Psicologia Cognitiva da Universidade
de Toronto.
(Ita 2003) Aponte a alternativa que contém uma inferência que (5) “É muito custoso, para nós, colocarmo-nos no lugar do outro
NÃO pode ser feita com base nas ideias explicitadas no texto. no dia a dia, mas quantas vezes já não nos colocamos na pele de
um personagem de romance? Criamos uma empatia com ele e
a) Frequentemente, uma boa escola é uma espécie de passaporte
isso nos ajuda a compreender melhor os sinais emitidos pelos
para a ascensão.
outros”, argumenta Antonella Fayer, psicóloga e coach
especializada no desenvolvimento da liderança, para quem “as
b) O conjunto que abrange "gente de nível superior" não contém
lições sobre dilemas morais e emocionais que encontramos na
o subconjunto "secretárias".
literatura são necessárias para todas as pessoas, e, muito
especialmente, para aquelas que estão convencidas de que não
c) No âmbito da Universidade, os estudos da língua estão
têm tempo. Seria conveniente para elas se conseguissem parar
prioritariamente voltados para a prática linguística.
um pouco e fazer leituras para melhorar a sua compreensão dos
outros”, assinala Fayer, fazendo uma alusão às palavras de Alan
d) A escola de qualidade inferior não favorece o aprendizado da
Brew, ex-editor do Financial Times: “Ler os grandes autores faz
gramática.
de você uma pessoa mais bem preparada para tomar decisões
criativas, interessantes e educadas”.
e) O conhecimento gramatical não garante que as pessoas se
(6) O convencimento quanto aos benefícios gerados pela leitura é
expressem com clareza.
o que move a School of Life, um centro londrino de biblioterapia
Exercício 34 que prescreve livros para ajudar na superação de conflitos
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: (rupturas, disputas etc). Como diz o filósofo Santiago Alba Rico -
Leia o texto abaixo para responder à(s) questão(ões) a seguir. autor de “Leer con niños” (Ler com crianças), um ensaio que
estimula nos pais o prazer de compartilhar histórias com seus
LER NOS TORNA MAIS FELIZES filhos -, a leitura, como a paixão, é um “vício virtuoso”. Quando
conhecemos o bem que ela nos proporciona, não conseguimos
(1) “A leitura nos torna mais felizes e nos ajuda a enfrentar deixar de praticá-la. Voltemo-nos, portanto, para a literatura,
melhor a nossa existência. Os leitores vivem mais contentes e como convidava Cortázar, “como se vai aos encontros mais
satisfeitos do que os não leitores, e são, em geral, menos essenciais da existência, como se vai ao encontro do amor e, às
agressivos e mais otimistas”. A afirmação é dos responsáveis por vezes, da morte, sabendo que fazem parte de um todo
uma análise efetuada recentemente pela Universidade de Roma indissolúvel, e que um livro começa e termina muito antes e muito
III a partir de entrevistas com 1.100 pessoas. Aplicando índices depois de sua primeira e de sua última página”.
como o da medição da felicidade de Vennhoven e escalas como a
Diener para medir o grau de satisfação com a vida, os RODRÍGUEZ, Emma. Ler nos torna mais felizes. Disponível em:
pesquisadores chegaram a essas conclusões, que demonstram, <[Link]
como afirma Nuccio Ordine, autor do manifesto “A Utilidade do Acesso em: 19 out. 2019 (adaptado).
Inútil”, que “alimentar o espírito pode ser tão importante quanto
(S1 - ifpe 2020) O texto explicita alguns dos benefícios da
leitura. Considerando esses benefícios e outros oriundos do
hábito de ler, analise as alternativas a seguir e assinale aquela
que NÃO apresenta claramente um desses benefícios.

a)

Exercício 35
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Leia o poema e observe a imagem a seguir:

Pensem nas crianças


Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
b) Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
c) A antirrosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.

MORAES, Vinícius de. Rosa de Hiroxima. In: Antologia poética.


São Paulo: Companhia das Letras, 1992. p.196.

d)

(Ueg 2020) Tanto o poema-canção quanto a imagem


apresentados tecem, a seu modo, uma

a) denúncia de cunho social.


e)

b) reflexão de ordem metafísica.

c) elogio a um modo de vida perigoso.


d) exaltação ao caráter bélico da alma humana. Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
e) glorificação da alienação como forma de vida. Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
Exercício 36 São mensagens,
(G1 - ifsc 2019) Leia o gráfico abaixo: Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, permanência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.

ANDRADE, C. D. Disponível em: [Link]


Acesso em: 10 nov. 2011 (fragmento).

O anúncio publicitário Garoto propaganda e o poema Eu etiqueta,


Assinale a alternativa CORRETA, de acordo com o gráfico. embora pertençam a gêneros textuais diferentes, abordam a
mesma temática, com vistas a
a) O número de solicitações de refúgio concedidas no Brasil em
2017 foi menor que o número de solicitações concedidas em a) submeter à crítica do leitor a sujeição a que a sociedade é
2016. obrigada pelo mercado.

b) 2015 foi o ano em que foi concedido o maior número de b) manifestar desagrado aos anúncios-itinerantes e às etiquetas
solicitações de refúgio no Brasil. impostas pelo mercado.

c) Em 2016, o número de solicitações de refúgio recebido foi igual c) descrever minuciosamente o cotidiano do homem que anuncia
ao número de solicitações concedidas. desde seu nascimento.

d) O número de solicitações de refúgio no Brasil diminuiu a partir d) caracterizar o mercado da moda como elemento de inserção do
de 2011. homem à sociedade.

e) O número de solicitações de reconhecimento da condição de e) comparar as diversidades de etiquetas e modas existentes na


refugiado no Brasil aumentou em relação a 2011. sociedade capitalista.

Exercício 37 Exercício 38
TEXTO I TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
A um passarinho

Para que vieste


Na minha janela
Meter o nariz?
Se foi por um verso
Não sou mais poeta
Ando tão feliz!
Se é para uma prosa
Não sou Anchieta
Nem venho de Assis.
Deixa-te de histórias
Some-te daqui!

(Vinicius de Moraes)
TEXTO II

Eu etiqueta

Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,


Minha gravata e cinto e escova e pente,
c) percepção do traço infantil, valorizando representações da
infância.

d) simetria de figuras geométricas, sinalizando as dualidades da


narrativa.

Exercício 40
(Unesp 2018) Expressionismo: Termo aplicado pela crítica e pela
história da arte a toda arte em que as ideias tradicionais de
naturalismo são abandonadas em favor de distorções ou
exageros de forma e cor que expressam, de modo premente, a
emoção do artista. Neste sentido mais geral, o termo pode ser
(Espm 2019) A partir da leitura do poema e da observação da aplicado à arte de qualquer período ou lugar que conceda às
imagem, assinale a afirmação correta. reações subjetivas um lugar de maior importância que à
observação do mundo exterior.
a) Tanto no texto poético quanto na imagem fica evidente que a
fonte de inspiração para a prática literária são os elementos da
(Ian Chilvers (org.). Dicionário Oxford de arte, 2007.)
natureza.

b) Enquanto a imagem mostra a alienação de vários leitores, o


De acordo com essa definição, pode ser considerada
poema de Vinicius de Moraes sugere o engajamento do escritor
expressionista a obra:
com personagens históricas.
a)
c) O texto poético diz que a produção literá­ria é consequência da
tristeza; a imagem deixa claro que só se faz poesia com a
distração.

d) O poema de Vinicius e a imagem apre­sentam a ideia de que a


poesia é algo fu­gidio, volúvel, consequência também de um
estado de espírito.

e) A noção de que poesia e prosa são gêne­ros distintos fica


evidente no texto poético; já a imagem não discrimina qualquer
tipo de leitura literária. b)

Exercício 39
(G1 - cftmg 2018)

c)

Considerando-se que o projeto gráfico do livro busca dialogar


com a significação da obra, essa ilustração explora a

a) incompletude das formas, aludindo à ideia de falta e vazio.

b) multiplicidade de sentidos, estimulando a criatividade do leitor.

d)
Acabar brincadeira, bandeiras se desmanchando
E ela inda está sambando
Ela desatinou, viu morrer alegrias, rasgar fantasias
Os dias sem sol raiando e ela inda está sambando
Quem não inveja a infeliz, feliz
No seu mundo de cetim, assim
Debochando da dor, do pecado
Do tempo perdido, do jogo acabado.

BUARQUE, Chico. Ela desatinou. In: Todas as canções. Rio de


Janeiro: Record, 2004. p. 210.

(Ueg 2019) Em termos imagéticos tem-se, na pintura e na letra


e) da canção apresentadas, respectivamente, a representação do

a) coletivo e do individual.

b) individual e do grupal.

c) individual e pictórico.

d) pictórico e coletivo.

e) grupal e pictórico.

Exercício 42
TEXTO PARA PRÓXIMA QUESTÃO

Exercício 41
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Observe a imagem e leia o texto para responder à(s) questão(ões)
a seguir.

Ela desatinou

Ela desatinou, viu chegar quarta-feira


Acabar brincadeira, bandeiras se desmanchando
E ela inda está sambando
Ela desatinou, viu morrer alegrias, rasgar fantasias
Os dias sem sol raiando e ela inda está sambando
Ela não vê que toda gente
Já está sofrendo normalmente
Toda a cidade anda esquecida, da falsa vida, da avenida
Onde Ela desatinou, viu chegar quarta-feira
(Ueg 2018) A imagem possui elementos visuais que dialogam
com o poema por apresentarem aspectos constitutivos com
formato de

a) quadriláteros

b) retângulos

c) losangos

d) círculos

e) linhas

Exercício 44
(G1 - cftmg 2017)

A imagem integra uma adaptação em quadrinhos da obra Grande


sertão: veredas, de Guimarães Rosa. Na representação gráfica, a A leitura do infográfico indica que
inter-relação de diferentes linguagens caracteriza-se por
a) mulheres tendem a ser menos felizes do que homens.
a) romper com a linearidade das ações da narrativa literária.
b) jovens associam o envelhecimento ao aumento da dor.
b) ilustrar de modo fidedigno passagens representativas da
história. c) os fatores de felicidade são mais intensos na juventude.

c) articular a tensão do romance à desproporcionalidade das d) a percepção da felicidade é variável de acordo com a idade.
formas.
Exercício 45
d) potencializar a dramaticidade do episódio com recursos das TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
artes visuais. A 1produção em série, em escala gigantesca, impõe em
todo lado as suas pautas obrigatórias de consumo. Esta ditadura
e) desconstruir a diagramação do texto literário pelo desequilíbrio da uniformização obrigatória é mais devastadora que qualquer
da composição. ditadura do partido único: impõe, no mundo inteiro, um modo de
vida que reproduz os seres humanos como fotocópias do
Exercício 43 2consumidor exemplar.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
O sistema fala em nome de todos, dirige a todos suas
Observe a imagem e leia o poema a seguir para responder à(s)
ordens imperiosas de consumo, difunde, entre todos a febre
questão(ões).
compradora. 3A maioria, que se endivida para ter coisas, termina
por ter nada mais que dívidas para pagar dívidas, as quais geram
novas dívidas, e acaba a consumir fantasias que, por vezes, fugaz, oferecem com o máximo êxito a ilusão da segurança. Eles
materializa delinquindo. resistem fora do tempo, sem idade e 20sem raiz, sem noite e sem
4Esta civilização não deixa dormir as flores, nem as dia e sem memória, e existem fora do espaço, para além das
galinhas, nem as pessoas. Nas estufas, as flores são submetidas turbulências da perigosa realidade do mundo.
à luz contínua, para que cresçam mais depressa. Nas fábricas de 21A injustiça social não é um erro a corrigir, nem um
ovos, as galinhas também estão proibidas de ter a noite. E as defeito a superar: é uma necessidade essencial. Não há natureza
pessoas estão condenadas à insônia, pela ansiedade de comprar capaz de alimentar um shopping center do tamanho do planeta.
e pela angústia de pagar. Este modo de vida não é muito bom
para as pessoas, mas é muito bom para a indústria farmacêutica. GALEANO, Eduardo. O império do consumo. Disponível em:
5Os EUA consomem a metade dos sedativos, ansiolíticos e <http:// [Link]/economia/o-imperio-do-
demais drogas químicas que se vendem legalmente no mundo, e consumo>. Acesso em: 20 out. 2016 (passim).
mais da metade das drogas proibidas que se vendem
ilegalmente, o que não é pouca coisa se se considerar que os EUA
têm apenas cinco por cento da população mundial. (Uefs 2017) Observe a figura a seguir.
6 7
Invisível violência do mercado: a diversidade é inimiga
da 8rentabilidade e a uniformidade manda. O consumidor
exemplar é o homem 9quieto. Esta civilização, que confunde a
quantidade com a qualidade, confunde a gordura com a boa
alimentação. O país que inventou as comidas e bebidas light, os
diet food e os alimentos fat free tem a maior quantidade de
gordos do mundo. 10O consumidor exemplar só sai do automóvel
para trabalhar e para ver televisão. Sentado perante o pequeno
écran, passa quatro horas diárias a devorar comida de plástico.
As massas consumidoras recebem ordens num idioma
universal: a publicidade conseguiu o que o esperanto quis e não
pôde. 11Tempo livre, tempo prisioneiro: as casas muito pobres
não têm cama, mas têm televisor e o televisor tem a palavra.
Comprado a prazo, esse 12animalejo prova a vocação democrática
do progresso: não escuta ninguém, mas fala para todos. Pobres e
ricos conhecem, assim, as virtudes dos automóveis do último Seu conteúdo se relaciona com a seguinte assertiva do texto:
modelo, e pobres e ricos inteiram-se das vantajosas taxas de
a) “A maioria, que se endivida para ter coisas” (ref. 3).
juros que este ou aquele banco oferece.
Os peritos sabem converter as mercadorias em conjuntos
b) “a diversidade é inimiga da rentabilidade e a uniformidade
mágicos contra a solidão. As coisas têm atributos humanos:
manda.” (ref. 6).
acariciam, acompanham, compreendem, ajudam, o perfume te
beija e o automóvel é o 13amigo que nunca falha. A cultura do c) “O consumidor exemplar só sai do automóvel para trabalhar e
consumo fez da solidão o mais lucrativo dos mercados. 14A para ver televisão.” (ref. 10).
publicidade não informa acerca do produto que vende, ou raras
vezes o faz. Isso é o que menos importa. A sua função primordial d) “Tempo livre, tempo prisioneiro: as casas muito pobres não têm
consiste em compensar frustrações e alimentar fantasias. Sempre cama, mas têm televisor” (ref. 11).
ouvi dizer que o dinheiro não produz a felicidade, mas qualquer
espectador pobre de TV tem motivos de sobra para acreditar que e) “O shopping center, ou shopping mall, vitrine de todas as
o dinheiro produz algo tão parecido que a diferença é assunto vitrines, impõe a sua presença avassaladora.” (ref. 15).
para especialistas.
15O Exercício 46
shopping center, ou shopping mall, vitrine de todas as
(Upe-ssa 2 2016) Observe as imagens e relacione-as aos
vitrines, impõe a sua presença avassaladora. 16As multidões
romances de José de Alencar, conforme os temas sugeridos pelos
acorrem, em peregrinação, a este templo maior das massas do
elementos verbais e visuais.
consumo. A maioria dos 17devotos contempla, em êxtase, as
coisas que os seus bolsos não podem pagar, enquanto a minoria
compradora submete-se ao bombardeio da oferta incessante e
extenuante.
A cultura do consumo, cultura do 18efêmero, condena tudo
ao desuso mediático. Tudo muda ao ritmo vertiginoso da moda,
posta ao serviço da necessidade de vender. As coisas envelhecem
num piscar de olhos, para serem substituídas por outras coisas de
19
vida fugaz. Paradoxalmente, os shoppings centers, reinos do
Analise as afirmativas a seguir e coloque V nas Verdadeiras e F
nas Falsas.

( ) As cinco imagens se relacionam, na sequência, com os


seguintes temas desenvolvidos por José de Alencar em seus
romances: indianista, histórico, urbano, sertanista e de perfil
feminino.
( ) As imagens 4 e 5 apresentam, respectivamente, a mesma (G1 - cotuca 2020) A informalidade da linguagem usada na frase
temática dos romances Senhora e As Minas de Prata, ao passo pode ter como objetivo:
que a imagem 1 retrata os primitivos habitantes do Brasil, o que a
aproxima dos romances O Guarani, Iracema e Ubirajara.
a) alterar as características próprias do espaço onde ela foi
( ) Os temas das imagens 2 e 3 relacionam-se às histórias
registrada.
contidas nos romances urbano e sertanista ou ruralista do escritor
b) aproximar autor e leitor, para que o objetivo da frase seja
cearense, enquanto a imagem 4 não se associa a qualquer um
atingido.
dos romances de José de Alencar.
c) construir um deboche do leitor, que se sentiria feliz ao ler o
( ) Os romances Lucíola, Senhora e Diva são denominados
texto.
romances urbanos de perfis femininos. Pode-se afirmar, então,
d) satirizar frases de banheiro que trazem sentidos pejorativos.
que se relacionam às imagens 2 e 4.
e) apresentar uma linguagem mais atual, para atingir apenas os
( ) Cinco Minutos, A Viuvinha e A Pata da Gazela são textos em
jovens.
que Alencar, no seu projeto de desenvolver temas que cobrissem
toda realidade cultural nacional, traz à tona aspectos urbanos que Exercício 48
se fazem presentes nas imagens 1, 2 e 3. (G1 - cmrj 2019)

Assinale a alternativa que contém a sequência CORRETA.

a) V - V - V - F - F

b) V - F - F - V - F

c) F - V - F - V - F

d) V - V - F - F – V

e) V - V - V - F - V

Exercício 47
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Leia o texto a seguir e responda.

Entre o primeiro e último quadros, desenvolve-se uma concreta


troca afetiva.
Analisando-se os elementos não verbais, aqueles que MELHOR
representam a empatia são

a) a tesoura e o cabelo curto.


b) cortar o cabelo e ceder o boné.
c) olhar pensativamente e ficar feliz.
d) o sorriso da família e o cabelo curto. ago. 2017.
e) o olhar pensativo e o longínquo corredor. (Ueg 2018) A leitura da pintura e do poema permite que se
entreveja a importância da
Exercício 49
a) expectativa de pessoas e animais que anseiam pela construção
de um mundo melhor.
b) solidariedade e da comunicação para a construção de vínculos
e de novas realidades.
c) ênfase a sentidos que se estabelecem por meio do isolamento
individual.
d) indiferença e da informação para constituir narrativas ficcionais
de caráter social.
. (Ueg 2018) A leitura, tanto da imagem quanto do poema e) caracterização literal de figuras cujo retrato metaforiza o
apresentados, metaforiza o caráter desencontro entre os seres.

a) recorrente da existência humana. Exercício 51


b) efêmero das paixões humanas.
c) linear de tudo que compõe a vida.
d) duradouro das coisas e da vida.
e) moroso dos entusiasmos existenciais.

Exercício 50
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:

Texto II

Lucian Freud é, como ele próprio gosta de relembrar às pessoas,


um biólogo. Mais propriamente, tem querido registrar verdades
muito específicas sobre como é tomar posse deste determinado
corpo nesta situação particular, neste específico espaço de tempo.
SMEE, S. Freud. Köin: Taschen, 2010.
Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele Considerando a intencionalidade do artista, mencionada no Texto
e o lance a outro; de um outro galo II, e a ruptura da arte no século XX com o parâmetro acadêmico, a
que apanhe o grito de um galo antes obra apresentada trata do(a)
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem a) exaltação da figura masculina.
os fios de sol de seus gritos de galo, b) descrição precisa e idealizada da forma.
para que a manhã, desde uma teia tênue, c) arranjo simétrico e proporcional dos elementos.
se vá tecendo, entre todos os galos. d) representação do padrão do belo contemporâneo.
e) fidelidade à forma realista isenta do ideal de perfeição.
E se encorpando em tela, entre todos,
Exercício 52
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo que,
que, tecido, se eleva por si: luz balão.

MELO NETO, João Cabral de. Tecendo a manhã. Disponível em:


<[Link] Acesso em: 24
Exercício 54

Há entre o enunciado “não atacar é o melhor ataque” e o ditado


futebolístico “a melhor defesa é o ataque” uma relação
denominada de

a) intertextualidade
b) contextualidade
c) prolixidade O texto revela-nos, com relação ao vínculo natureza-música, que:
d) informatividade
a) a natureza produz sons como a música.
Exercício 53 b) algumas árvores produzem sons.
(Enem 2014) c) os instrumentos musicais se parecem com frutos.
d) a música nasce da natureza.

Exercício 55
(Enem PPL 2014) TEXTO I

Na criação do texto, o chargista lotti usa criativamente um


intertexto: os traços reconstroem uma cena de Guernica, painel de
Pablo Picasso que retrata os horrores e a destruição provocados
pelo bombardeio a uma pequena cidade da Espanha. Na charge,
publicada no período de carnaval, recebe destaque a figura do
carro, elemento introduzido por lotti no intertexto. Além dessa TEXTO II
figura, a linguagem verbal contribui para estabelecer um diálogo
entre a obra de Picasso e a charge, ao explorar Só Deus pode me julgar

Soldado da guerra a favor da justiça


a) uma referência ao contexto, “trânsito no feriadão”,
Igualmente por aqui é coisa fictícia
esclarecendo-se o referente tanto do texto de Iotti quanto da obra
Você ri da minha roupa, ri do meu cabelo
de Picasso.
Mas tenta me imitar se olhando no espelho
b) uma referência ao tempo presente, com o emprego da forma
Preconceito sem conceito que apodrece a nação
verbal “é”, evidenciando-se a atualidade do tema abordado tanto
Filhos do descaso mesmo pós-abolição
pelo pintor espanhol quanto pelo chargista brasileiro.
c) um termo pejorativo, “trânsito”, reforçando-se a imagem
MV BILL. Declaração de guerra. Manaus: BMG, 2002 (fragmento).
negativa de mundo caótico presente tanto em Guernica quanto na
charge.
d) uma referência temporal, “sempre”, referindo-se à permanência
O trecho do rap e o grafite evidenciam o papel social das
de tragédias retratadas tanto em Guernica quanto na charge.
manifestações artísticas e provocam a
e) uma expressão polissêmica, “quadro dramático”, remetendo-se
tanto à obra pictórica quanto ao contexto do trânsito brasileiro.
a) consciência do público sobre as razões da desigualdade social. revelou um oco no interior da cabeça de um francês de 44 anos.
Só depois de submetê-lo a exames de tomografia e ressonância
b) rejeição do público-alvo à situação representada nas obras. magnética, os médicos da Universidade do Mediterrâneo, em
c) reflexão contra a indiferença nas relações sociais de forma Marselha, perceberam que ele tinha cérebro, mas minúsculo e
contundente. alojado como uma capa rente ao crânio. Ainda assim, esse
d) ideia de que a igualdade é atingida por meio da violência. francês viveu quatro décadas sem chamar a atenção. Vinte anos
e) mobilização do público contra o preconceito racial em atrás o cérebro era visto como sendo formado por setores
contextos diferentes. estanques, cada um deles responsável por determinada
habilidade.
Exercício 56 A descoberta da neurogênese, o processo de produção de
novos neurônios ao longo da vida, em 1998, e o avanço da
tecnologia de neuroimagens revelaram uma realidade diferente.
O cérebro tem capacidade de se regenerar e de se adaptar.
Quando uma área sofre dano, outra pode muitas vezes assumir
suas funções. Oito em cada dez crianças que, para curar a
epilepsia, tiveram um hemisfério retirado vivem normalmente
com meio cérebro. “As conexões cerebrais são globais. Cada
tarefa é realizada não por uma única área, mas por uma densa
rede de neurônios”, explica Benito Damasceno, chefe do
departamento de neurologia da Faculdade de Medicina da
Unicamp. As funções vitais, como o batimento cardíaco e a
respiração, estão protegidas em áreas profundas, como o
hipotálamo e o tronco cerebral. A maior parte do cérebro é
constituída de massa encefálica, sem nenhuma função vital. Isso
explica como uma pessoa pode ter a cabeça transpassada por um
arpão e sobreviver sem sequelas. “O cérebro é mais parecido com
uma floresta do que com um relógio ou computador, como se
pensava no passado.”, diz o neurologista Mauro Muszkat, da
Universidade Federal de São Paulo.

(Carolina Romanini – Revista Veja, 21 de outubro de 2009 p.103)

(Unirio 2009) “Dois anos atrás, uma radiografia de rotina revelou


um oco no interior da cabeça de um francês de 44 anos. Só depois
de submetê-lo a exames de tomografia e ressonância magnética,
os médicos da Universidade do Mediterrâneo, em Marselha,
perceberam que ele tinha cérebro, mas minúsculo e alojado como
uma capa rente ao crânio. Ainda assim, esse francês viveu quatro
décadas sem chamar a atenção.”
A partir da leitura atenta do acima, é CORRETO afirmar que a
LIBRAS
Assinale a alternativa que apresenta uma reescrita adequada
a) é uma derivação da língua francesa. para o excerto acima, com relação ao aspecto construção, coesão
b) é apenas uma entre as diversas línguas de sinais existentes no e coerência textuais.
mundo.
c) constitui-se a partir da combinação de mímicas.
a) “Dois anos atrás, depois de submetê-lo a exames de
d) é reconhecida como língua oficial brasileira desde 1857,
tomografia e ressonância magnética, uma radiografia de rotina
quando foi criada a primeira escola para surdos no Brasil.
revelou um oco no interior da cabeça de um francês de 44 anos.
e) é bem compreendida por 70% dos surdos brasileiros que têm
Só os médicos da Universidade do Mediterrâneo, em Marselha,
dificuldade de compreender a língua portuguesa.
perceberam que ele tinha cérebro, mas minúsculo e alojado como
Exercício 57 uma capa rente ao crânio. Ainda assim, esse francês viveu quatro
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: décadas sem chamar a atenção.”
Enigma do cérebro avariado
b) “Os médicos da Universidade do Mediterrâneo, em Marselha,
Enquanto cientistas tentam entender a genialidade de perceberam que um francês de 44 anos tinha o cérebro minúsculo
Albert Einstein, a medicina se surpreende com circunstâncias e alojado como uma capa rente ao crânio. Uma radiografia de
absolutamente opostas: das pessoas que vivem bem com apenas rotina revelou, dois anos atrás, um oco no interior da sua cabeça.
parte do cérebro. Dois anos atrás, uma radiografia de rotina Isso só foi notado depois de submetê-lo a exames de tomografia
e ressonância magnética. Ainda assim, esse francês viveu quatro independente Amplitude.
décadas sem chamar a atenção.”
d) Outro grupo brasileiro que está próximo dos palcos
c) “Um francês viveu quatro décadas sem chamar a atenção. Dois estrangeiros é o paulistano Hurtmold - este lançado pelo selo
anos atrás, uma radiografia de rotina revelou um oco no interior Submarine e escalado para tocar no Sónar de Barcelona.
da cabeça dele que tinha 44 anos. Só depois de perceberem que
ele tinha cérebro, mas minúsculo e alojado como uma capa rente e) O que motivou o nascimento da gravadora, há um ano, foi a
ao crânio, submeteram-no a exames de tomografia e ressonância premissa de criar um circuito de distribuição 100% independente.
magnética. Isso permite vender discos e divulgá-los sem precisar atender a
grandes interesses comerciais.
d) “Só depois de submeter um francês de 44 anos a exames de
tomografia e ressonância magnética, os médicos da Universidade Exercício 59
do Mediterrâneo, em Marselha, perceberam que ele tinha cérebro, TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
O QUE É INTOLERÂNCIA
mas minúsculo e alojado como uma capa. Dois anos atrás, uma
radiografia de rotina revelou um oco rente ao crânio no interior da
1A palavra “intolerância” vem do latim intolerantia, que significa
cabeça dele. Ainda assim, esse francês viveu quatro décadas sem
chamar a atenção.” impaciência, incapacidade de suportar, falta de condescendência
e de compreensão. 2Também compreende o sentido de inflexível,
e) “Ainda assim, um francês de 44 anos viveu quatro décadas sem rígido e que não admite opinião ou posição divergente. No sentido
chamar a atenção: dois anos atrás, exames de tomografia e oposto, “tolerância” foi definida pela Organização das Nações
ressonância magnética, revelaram um oco no interior da cabeça Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como “o
dele. Só depois de submetê-lo a uma radiografia de rotina, os respeito, a aceitação e o apreço da riqueza e da diversidade das
médicos da Universidade do Mediterrâneo, em Marselha, culturas de nosso mundo, de nossos modos de expressão e de
perceberam que ele tinha cérebro, mas minúsculo e alojado como nossas maneiras de exprimir nossa qualidade de seres humanos”.
uma capa rente ao crânio.” (...)
Um interessante entendimento das razões da intolerância é o da
Exercício 58 antropóloga francesa Françoise Héritier (1933-2017). Segundo
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
ela, a intolerância está associada à dificuldade de 3reconhecer a
De maneira geral, o termo "experimental" se aplica a obras que
expressão da condição humana no que nos é absolutamente
buscam alargar fronteiras e definições de gênero. No caso da
diverso. Ser intolerante seria "restringir a definição de humano
música, é aquela livre e inovadora, sem regras, improvisada, com
estrutura e ritmos estranhos. Tradicionalmente associado ao aos membros do grupo; 4os outros, sendo não humanos, podem
erudito, indo das composições de Arnold Schoenberg a Philip ser tratados como tais". 5Está aí uma das chaves para a
Glass, por exemplo, o experimentalismo encontrou espaço em compreensão das causas do aumento da intolerância nos últimos
outros gêneros, como o jazz e a música eletrônica. Com o rock não tempos.
é diferente. E nem é preciso ir a Londres ou Nova York para ver o (...)
que há de novo: algumas das experiências mais originais no Brasil
estão sendo feitas, inclusive, fora do eixo Rio-São Paulo. É o caso (Disponível em:
do duo Lacertae, surgido no distante Campo do Crioulo, pequeno [Link]
povoado de Lagarto, interior de Sergipe; o SOL, de Porto Alegre; [Link] - Acesso em 28/08/2020)
o PexbaA, de Belo Horizonte; e o Satanique Samba Trio, de
Brasília.
(Texto e alternativas adaptados de Bravo, julho/2005, p. 65) (G1 - epcar (Cpcar) 2021) Assinale a alternativa cuja palavra em
destaque NÃO foi utilizada como elemento anafórico e de coesão
no texto.

(G1 - cftpr 2006) Assinale a alternativa que pode continuar o a) “Também compreende o sentido de inflexível, rígido e que não
texto de referência com coesão e coerência. admite opinião ou posição divergente...” (ref. 2).

a) Também ouvem o trabalho inventivo da banda inglesa b) “...os outros, sendo não humanos, podem ser tratados como
progressiva Henry Cow e da alemã Can, bem como as tais”. (ref. 4).
composições minimalistas de Glass.
c) “...reconhecer a expressão da condição humana no que nos é
b) O disco lançado pela Amplitude foi quase todo composto em absolutamente diverso.” (ref. 3).
um só dia, o que não impediu que o jazz rock atonal e improvisado
desses mineiros ganhasse destaque na revista britânica "Wire". d) “Está aí uma das chaves para a compreensão das causas do
aumento da intolerância...” (ref. 5).
c) Antes desconhecida, a música desses grupos pode ser
Exercício 60
conferida numa bela coleção de Cds lançada pela gravadora
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: mas a prova de que a culpa não era minha, é que nunca segui o
Um caso de burro cocheiro na fuga; deixava-me estar aguardando autoridade.”
Machado de Assis “Passando à ordem mais elevada de ações, não acho em
mim a menor lembrança de haver pensado sequer na perturbação
Quinta-feira à tarde, pouco mais de três horas, vi uma da paz pública. Além de ser a minha índole contrária a arruaças, a
coisa tão interessante, que determinei logo de começar por ela própria reflexão me diz que, não havendo nenhuma revolução
esta crônica. Agora, porém, no momento de pegar na pena, receio declarado os direitos do burro, tais direitos não existem. Nenhum
achar no leitor menor gosto que eu para um espetáculo, que lhe golpe de estado foi dado em favor dele; nenhuma coroa os
parecerá vulgar, e porventura torpe. Releve a importância; os obrigou. Monarquia, democracia, oligarquia, nenhuma forma de
gostos não são iguais. governo, teve em conta os interesses da minha espécie. Qualquer
Entre a grade do jardim da Praça Quinze de Novembro e o que seja o regime, ronca o pau. O pau é a minha instituição um
lugar onde era o antigo passadiço, ao pé dos trilhos de bondes, pouco temperada pela teima que é, em resumo, o meu único
estava um burro deitado. O lugar não era próprio para remanso defeito. Quando não teimava, mordia o freio dando assim um
de burros, donde concluí que não estaria deitado, mas caído. bonito exemplo de submissão e conformidade. Nunca perguntei
Instantes depois, vimos (eu ia com um amigo), vimos o burro por sóis nem chuvas; bastava sentir o freguês no tílburi ou o apito
levantar a cabeça e meio corpo. Os ossos furavam-lhe a pele, os do bonde, para sair logo. Até aqui os males que não fiz; vejamos
olhos meio mortos fechavam-se de quando em quando. O infeliz os bens que pratiquei.”
cabeceava, mais tão frouxamente, que parecia estar próximo do “A mais de uma aventura amorosa terei servido, levando
fim. depressa o tílburi e o namorado à casa da namorada – ou
Diante do animal havia algum capim espalhado e uma lata simplesmente empacando em lugar onde o moço que ia ao bonde
com água. Logo, não foi abandonado inteiramente; alguma podia mirar a moça que estava na janela. Não poucos devedores
piedade houve no dono ou quem quer que seja que o deixou na terei conduzido para longe de um credor importuno. Ensinei
praça, com essa última refeição à vista. Não foi pequena ação. Se filosofia a muita gente, esta filosofia que consiste na gravidade do
o autor dela é homem que leia crônicas, e acaso ler esta, receba porte e na quietação dos sentidos. Quando algum homem, desses
daqui um aperto de mão. O burro não comeu do capim, nem que chamam patuscos, queria fazer rir os amigos, fui sempre em
bebeu da água; estava já para outros capins e outras águas, em auxílio deles, deixando que me dessem tapas e punhadas na cara.
campos mais largos e eternos. Meia dúzia de curiosos tinha Em fim…”
parado ao pé do animal. Um deles, menino de dez anos, Não percebi o resto, e fui andando, não menos alvoroçado
empunhava uma vara, e se não sentia o desejo de dar com ela na que pesaroso. Contente da descoberta, não podia furtar-me à
anca do burro para espertá-lo, então eu não sei conhecer tristeza de ver que um burro tão bom pensador ia morrer. A
meninos, porque ele não estava do lado do pescoço, mas consideração, porém, de que todos os burros devem ter os
justamente do lado da anca. Diga-se a verdade; não o fez – ao mesmos dotes principais, fez-me ver que os que ficavam não
menos enquanto ali estive, que foram poucos minutos. Esses seriam menos exemplares do que esse. Por que se não
poucos minutos, porém, valeram por uma hora ou duas. Se há investigará mais profundamente o moral do burro? Da abelha já
justiça na Terra valerão por um século, tal foi a descoberta que se escreveu que é superior ao homem, e da formiga também,
me pareceu fazer, e aqui deixo recomendada aos estudiosos. coletivamente falando, isto é, que as suas instituições políticas
O que me pareceu, é que o burro fazia exame de são superiores às nossas, mais racionais. Por que não sucederá o
consciência. Indiferente aos curiosos, como ao capim e à água, mesmo ao burro, que é maior?
tinha no olhar a expressão dos meditativos. Era um trabalho Sexta-feira, passando pela Praça Quinze de Novembro,
interior e profundo. Este remoque popular: por pensar morreu um achei o animal já morto.
burro mostra que o fenômeno foi mal entendido dos que a Dois meninos, parados, contemplavam o cadáver,
princípio o viram; o pensamento não é a causa da morte, a morte espetáculo repugnante; mas a infância, como a ciência, é curiosa
é que o torna necessário. Quanto à matéria do pensamento, não sem asco. De tarde já não havia cadáver nem nada. Assim
há dúvidas que é o exame da consciência. Agora, qual foi o exame passam os trabalhos deste mundo. Sem exagerar o mérito do
da consciência daquele burro, é o que presumo ter lido no finado, força é dizer que, se ele não inventou a pólvora, também
escasso tempo que ali gastei. Sou outro Champollion, porventura não inventou a dinamite. Já é alguma coisa neste final de século.
maior; não decifrei palavras escritas, mas ideias íntimas de Requiescat in pace.
criatura que não podia exprimi-las verbalmente.
E diria o burro consigo:
“Por mais que vasculhe a consciência, não acho pecado (Efomm 2021) Assinale a opção em que o termo sublinhado é
que mereça remorso. Não furtei, não menti, não matei, não um elemento de coesão, sem cumprir função sintática.
caluniei, não ofendi nenhuma pessoa. Em toda a minha vida, se
dei três coices, foi o mais, isso mesmo antes haver aprendido
a) “Quinta-feira à tarde, pouco mais de três horas, vi uma coisa
maneiras de cidade e de saber o destino do verdadeiro burro, que
tão interessante, que determinei logo de começar por ela esta
é apanhar e calar. Quando ao zurro, usei dele como linguagem.
crônica.”
Ultimamente é que percebi que me não entendiam, e continuei a
zurrar por ser costume velho, não com ideia de agravar ninguém.
b) “Se o autor dela é homem que leia crônicas, e acaso ler esta,
Nunca dei com homem no chão. Quando passei do tílburi ao
receba daqui um aperto de mão.”
bonde, houve algumas vezes homem morto ou pisado na rua,
bilhões. No mesmo ano, o orçamento do Instituto Chico Mendes
c) “Por mais que vasculhe a consciência, não acho pecado que de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) foi de USD 142,6
mereça remorso.” milhões (em reais, 791 milhões), para administrar uma área cinco
vezes maior (se considerarmos unidades de conservação
d) “Agora, qual foi o exame da consciência daquele burro, é o que terrestres e marinhas).
presumo ter lido no 17Tudo isso se reflete nas condições de visitação e no
escasso tempo que ali gastei.” uso público dos parques brasileiros. 18Mais da metade declara
não contar com infraestrutura básica para receber visitantes −
e) “[...] ou simplesmente empacando em lugar onde o moço que ia como banheiros e estacionamento, por exemplo. E, entre as
no bonde podia mirar a moça que estava na janela.” unidades que receberam visitantes em 2019 (79%), apenas 7%

Exercício 61 afirmam contar com uma estrutura que garante plenamente as


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: necessidades básicas de visitação, enquanto somente 11%
No país da biodiversidade, faltam recursos para gerir os nossos consideram que a manutenção das estruturas está em excelente
parques estado.
19Esses dados evidenciam uma triste contradição: 20se,

1Quem já visitou 2algum 3parque brasileiro certamente por um lado, nossos parques possuem belezas naturais únicas,
equipes altamente qualificadas e experientes, além de um
se surpreendeu com 4tamanha exuberância cênica 5desses locais.
potencial turístico promissor, por outro, tudo isso se arrefece com
6
Não por acaso, 7nossos parques conservam uma rica a precariedade observada na implementação e manutenção das
biodiversidade − uma das maiores do mundo − cuja atividades de uso público na maioria deles. Basta pensar que, em
excepcionalidade projetou algumas 8dessas áreas ao patamar de 2019, o Brasil foi listado pelo Fórum Econômico Mundial como 2º
patrimônio natural da humanidade. 9Enquanto a natureza nos dá lugar em recursos naturais, mas figura somente na 32ª colocação
motivos de sobra para enaltecer nossos parques, 10a realidade de do ranking global de competitividade turística.
escassez e limitação de recursos para a gestão e manutenção 21Alcançar um patamar condizente à altura do nosso

dessas áreas tem comprometido grande parte do seu potencial capital natural é mais do que possível. 22Para isso, faz-se
gerador de desenvolvimento, saúde e bem-estar − para não necessário fortalecer os órgãos gestores dessas áreas e avançar
mencionar a vulnerabilidade a que sua fauna e flora ficam numa agenda mais moderna, empreendedora e sustentável
expostas. voltada à gestão desses espaços. E, nesse sentido, as parcerias e
11Esse retrato de limitações foi capturado na edição concessões podem ser uma alternativa possível − já
recém-lançada da pesquisa Diagnóstico de Uso Público em experimentadas em alguns parques brasileiros
Parques Brasileiros: A Perspectiva da Gestão, produzida pelo internacionalmente reconhecidos como Igraçu e Chapada dos
Instituto Semeia junto a equipes gestoras de 370 parques de Veadeiros, por exemplo − para apoiar as equipes gestoras a
todas as regiões, biomas e níveis governamentais do país. 12O potencializar a visitação, o turismo e a conservação. 23Afinal de
sinal de alerta dessa escassez foi declarado por 67% dos contas, quanto mais os brasileiros conhecerem o seu patrimônio
respondentes, que afirmaram não contar com subsídios − natural, maior será a conscientização sobre o valor e a
humanos e financeiros − necessários para a realização de suas necessidade de cuidar dessas áreas.
atividades no parque.
13 (HADDAD, Mariana (Coordenadora de Conhecimento do Instituto
Ainda de acordo com a pesquisa, grande parte (49%)
das equipes que administram essas áreas conta somente com até Semeia e responsável pela pesquisa); REZENDE, Aline
10 funcionários, ao passo que 9% possuem apenas um (Coordenadora de Comunicação do Instituto Semeia). No país da
colaborador. Na prática, isso quer dizer que, no caso dos parques biodiversidade, faltam recursos para gerir os nossos parques.
nacionais, há um único responsável, em média, por quase 11 mil Publicado em Exame de 27 de abril de 2021. Disponível em:
hectares − o que equivale a cerca de 11 mil campos de futebol. [Link]
14Já na esfera estadual, seria um funcionário para, faltam-recursos-para-gerir-os-nossos-parques/. Acesso em 02 de
aproximadamente, 2 mil hectares e, na municipal, um funcionário maio de 2021). Texto adaptado para esta prova.
para 58 hectares.
15Quando o assunto é a gestão financeira desses

espaços, além da escassez de recursos, o cenário é também de


(Upf 2021) Sabemos que a coesão nominal se manifesta pelo
falta de informação: 40% dos respondentes declaram não ter
uso de artigos, pronomes e expressões associadas entre si. Ao
acesso aos dados orçamentários das unidades em que atuam.
retomar informações, tal fator de textualidade pode categorizá-
Entre os que têm acesso a esses números, seja de forma parcial
las e avaliá-las, expressando o ponto de vista do locutor em
ou total, o valor médio do orçamento em 2019 para os parques
relação ao que é dito. Considerando os seguintes casos de coesão
federais foi de R$ 790 mil, para os municipais, de R$ 800 mil, e os
nominal no texto:
estaduais, R$ 9,6 milhões.
16Para se ter uma ideia, o
National Park Service (órgão I. No primeiro parágrafo do texto, a coesão nominal é garantida
norte-americano responsável por 421 unidades distribuídas em pelo uso de pronomes demonstrativos, como se verifica em
34 milhões de hectares) teve em 2019 um orçamento de USD 2,4 "desses locais" (ref. 5), que retoma "algum parque brasileiro" (ref.
2), e também em "dessas áreas" (ref. 8), que retoma "nossos pelo testamento a sucessão dos bens, acostumam-se à ideia.
parques" (ref. 7). Alguns recorrem à religião, acreditando em outra vida. No caso de
II. Os parágrafos 2, 6 e 7 do texto são introduzidos por a morte acontecer numa guerra, ela adquire a significação de que
expressões anafóricas, a saber: "Esse retrato de limitações" (ref. o indivíduo é membro de uma comunidade, sendo assim
11), "Tudo isso" (ref.17) e "Esses dados" (ref. 19). Tais expressões compreendida pelo Estado e pelos seus próximos. No momento,
formadas com pronomes demonstrativos retomam, porém, em que a redução do ciclo natural se dá sob a forma de
respectivamente, informações contidas nos parágrafos uma doença coletiva, é como se o sem sentido ganhasse a forma
antecedentes. do absurdo.
III. A expressão "tamanha exuberância cênica" (ref. 4), ao referir- Uma significação que surge no contexto de pandemia é a
se a "parque brasileiro" (ref. 3), não expressa nenhum ponto de de a pessoa sentir-se abandonada pela vida, abandonada por
visto do locutor e, portanto, configura-se como uma expressão aqueles que com ela conviviam, salvo os que terminam
totalmente neutra de avaliações. compartilhando a mesma reclusão. 14Uma expressão do
abandono é a solitude e a introspecção. 15O mundo torna-se uma
Está correto o que se afirma em:
ameaça. Há formas de mitigação, como o telefone e as redes
sociais, que tornam viável um modo de substituição da presença
a) I, apenas. física. Mas há algo aqui que faz enorme diferença: a presença
física do outro, o olhar, o toque, a expressão física do sentimento.
b) II, apenas. O beijo e o abraço desaparecem.
16As pessoas reclusas sentem necessidade dos seus.

c) I e II, apenas. Algumas ficam mais vulneráveis por viverem sozinhas, outras se
agrupam em seus núcleos familiares mais próximos, em todo
d) III, apenas. caso o seu número deve ser necessariamente reduzido. Outras
que vivem na miséria têm esses sentimentos ainda mais
e) I, II e III. potencializados. 17O contato presencial das pessoas, para além
desses núcleos, é rompido. Em seu lugar surgem outros
Exercício 62
instrumentos de comunicação, as redes sociais obtendo aí
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
A pandemia, o sentido da vida e a política protagonismo maior. 18Acontece, 19contudo, que 20a
comunicação virtual entre as pessoas passa a ser mediada por
1A pandemia, o isolamento e o medo põem questões que outro tipo de comunicação, a social/digital, que se faz por notícias
e informações.
vão mais além das relativas a como levar uma vida “normal”, por
Do ponto de vista da informação, tudo vale nas redes
produzirem indagações sobre o próprio sentido da vida.
2Em situações normais, as pessoas estão preocupadas sociais, notícias verídicas como falsas. 21As redes podem,
22assim, tornar-se instrumentos poderosos de desinformação,
com as atividades profissionais e domésticas, tal 3como
divulgando o que se denomina fakenews, tendo como objetivo
acontecem no dia a dia. 4Preocupações básicas são as que regem
aumentar a insegurança das pessoas, tornando-as ainda mais
este tipo de condição: 5a renda, a escola das crianças, a vulneráveis. O descontrole pode adquirir uma conotação política,
sociabilidade profissional e a familiar, o amor, a amizade, o ir às alheia à saúde pública.
compras. 6Já em situações como esta que estamos vivendo, as 23
A faceta política do medo da morte e do abandono
7
preocupações são de outra ordem: a doença, o medo da morte, a consiste numa presença maior do Estado como provedor da
possível falta de mantimentos, a manutenção do emprego, a segurança perdida, enquanto possível solução de uma morte
redução da renda, o isolamento, a pergunta pelo amanhã. prematura e do abandono. 24Numa situação de epidemia, as
Uma analogia possível é com a condição de 8guerra. pessoas tendem a pedir a intervenção do Estado, fornecendo-lhes
9Nesta, a saída abrupta da normalidade é imediatamente sentida: condições de existência. Na guerra, o Estado toma a decisão de
a existência humana é mostrada em sua fragilidade, a emergência atacar outro país ou de se defender; na epidemia, a sociedade é
toma conta do dia a dia. A morte abrupta surge para cada um atacada por um inimigo invisível, sem que o Estado nada tenha
como uma realidade, seja ela militar, seja civil. 10No entanto, os podido fazer.
sentimentos e emoções daí resultantes não são necessariamente O 25coronavírus, nova versão, é um inimigo que se
os mesmos, pois as pessoas não se isolam, mas vêm a cumprir expande, se infiltra e ameaça a vida de cada um. 26Desconhece
uma função social junto ao Estado, sob a forma da defesa da fronteiras e não aceita nenhum controle estatal. Não tem medo
pátria. 11A morte ganha, nesse aspecto, sentido. de nada, 27embora faça medo a todos. 28Tem a forma do
A 12morte é uma questão existencial primeira da condição invisível, que só é sentido quando toma conta do corpo das
humana, 13essa que coloca o homem diante do nada, do limite da pessoas. 29Palavras não têm sobre ele nenhum efeito, apenas
condição humana. Ela é o horizonte de cada um, por mais que medidas concretas.
pensemos nela ou não. A significação da morte no fim da vida faz 30Eis por que discursos demagógicos não têm sobre ele

com que as pessoas se preparem para isso, tanto individual nenhum efeito, tampouco sobre os cidadãos, que sentem a sua
quanto familiarmente. Retiram-se progressivamente, planejam ameaça próxima. Leem e escutam sobre o número crescente de
mortos, de infectados, e se perguntam se não serão eles os
próximos. 31Não podem, evidentemente, compreender que se
possa tratar de uma “histeria”, de uma “fantasia”, pois a presença
do inimigo invisível é real. Discursos técnicos, sensatos, de
combate à doença tomam o lugar da demagogia, por serem
eficazes nesta luta, os cidadãos podendo neles se reconhecer.

(ROSENFIELD, Denis Lerrer. A pandemia, o sentido da vida e a


política. Publicado em O Estado de S. Paulo de 30 de março de
2020. Disponível
em:[Link]
pandemia-o-sentido-da-vida-e-a-politica,70003252502). Acesso
em 30 de março de 2020.

(Upf 2021) No que diz respeito à constituição dos sentidos do


texto, está incorreto o que se afirma em:

a) Depois de enumerar preocupações básicas que regem as Na charge acima, o efeito de humor é conseguido por meio
situações normais de vida (ref. 4), Rosenfield apresenta
preocupações que ele mesmo poderia tê-las qualificado como
anormais (ref. 6), caso quisesse estabelecer explicitamente uma a) da alteração do sentido de termos estrangeiros.
relação semântica de antonímia.
b) da utilização de um texto construído em português castiço.
b) No desenvolvimento do terceiro parágrafo − "No entanto, os
sentimentos e emoções daí resultantes não são necessariamente c) da incoerência entre o conteúdo da fala e a escolha lexical.
os mesmos, pois as pessoas não se isolam, mas vêm a cumprir
uma função social junto ao Estado, sob a forma da defesa da d) de uma escolha lexical que evidencia a erudição linguística.
pátria" (ref. 10) −, o autor deixa pressuposta a seguinte
informação: "na situação atual de vida, as pessoas estão e) de uma postura preconceituosa em relação ao uso de
isoladas". coloquialismos.

Exercício 64
c) A afirmação "A morte ganha, nesse aspecto, sentido" (ref. 11)
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
constitui a conclusão do terceiro parágrafo do texto. Por essa A primeira publicação do conto O Alienista, de Machado de Assis,
razão, é preciso compreender, em especial, tudo o que está posto ocorreu como folhetim na revista carioca A Estação, entre os anos
no parágrafo mencionado, para que se possa atribuir coerência a de 1881 e 1882. Nessa mesma época, uma grande reforma
esse enunciado assertivo. educacional efetuou-se no Brasil, criando, dentre outras, a cadeira
de Clínica Psiquiátrica. É nesse contexto de uma psiquiatria ainda
d) Conforme fica evidente na conclusão do texto − "Eis por que embrionária que Machado propõe sua crítica ácida, reveladora da
discursos demagógicos não têm sobre ele nenhum efeito, escassez de conhecimento científico e da abundância de vaidades,
tampouco sobre os cidadãos, que sentem a sua ameaça próxima" concomitantemente. A obra deixa ver as relações promíscuas
(ref. 30) −, a pandemia e o sentido da vida são dois temas dos entre o poder médico que se pretendia baluarte da ciência e o
quais o autor se serve com o objetivo único de criticar a política poder político tal como era exercido em Itaguaí, então uma vila,
brasileira. distante apenas alguns quilômetros da capital Rio de Janeiro. O
conto se desenvolve em treze breves capítulos, ao longo dos
e) Ao afirmar que "Desconhece fronteiras e não aceita nenhum quais o alienista vai fazendo suas experimentações cientificistas
controle estatal. Não tem medo de nada, embora faça medo a até que ele mesmo conclua pela necessidade de seu isolamento,
todos. Tem a forma do invisível, que só é sentido quando toma
visto que reconhece em si mesmo a única pessoa cujas
conta do corpo das pessoas. Palavras não têm sobre ele nenhum
faculdades mentais encontram-se equilibradas, sendo ele,
efeito, apenas medidas concretas" (ref. 26), o autor está fazendo
portanto, aquele que destoa dos demais, devendo, por isso,
uso de relações sintático-semânticas típicas do discurso ficcional.
alienar-se.
No caso em questão, entretanto, ele as utiliza apenas para
discorrer sobre uma realidade: a Covid-19.
Capítulo IV
Exercício 63 UMA TEORIA NOVA
(Simulado 2020)
1Ao passo que D. Evarista, em lágrimas, vinha buscando o Rio de

Janeiro, Simão Bacamarte estudava por todos os lados uma certa


ideia arrojada e nova, própria a alargar as bases da psicologia.
2
Todo o tempo que lhe sobrava dos cuidados da Casa Verde era entusiasmo; 18declarou-a sublime e verdadeira, e acrescentou
pouco para andar na rua, ou de casa em casa, conversando as que era “caso de matraca”. Esta expressão não tem equivalente
gentes, sobre trinta mil assuntos, e virgulando as falas de um no estilo moderno. 19Naquele tempo, Itaguaí, que como as
olhar que metia medo aos mais heroicos. demais vilas, arraiais e povoações da colônia, não dispunha de
Um dia de manhã, – eram passadas três semanas, – estando imprensa, tinha dois modos de divulgar uma notícia: ou por meio
Crispim Soares ocupado em temperar um medicamento, vieram de cartazes manuscritos e pregados na porta da Câmara, e da
dizer-lhe que o alienista o mandava chamar. matriz; – ou por meio de matraca.
– Tratava-se de negócio importante, segundo ele me disse, Eis em que consistia este segundo uso. 20Contratava-se um
acrescentou o portador. 3Crispim empalideceu. Que negócio homem, por um ou mais dias, 21para andar as ruas do povoado,
importante podia ser, se não alguma notícia da comitiva, e com uma matraca na mão.
especialmente da mulher? 4Porque este tópico deve ficar
De quando em quando tocava a matraca, reunia-se gente, 22e ele
claramente definido, visto insistirem nele os cronistas; Crispim
anunciava o que lhe incumbiam, – um remédio para sezões, umas
amava a mulher, e, desde trinta anos, nunca estiveram separados
terras lavradias, um soneto, um donativo eclesiástico, a melhor
um só dia. 5Assim se explicam os monólogos que fazia agora, e tesoura da vila, o mais belo discurso do ano etc. O sistema tinha
que os fâmulos lhe ouviam muita vez: – “Anda, bem feito, quem te inconvenientes para a paz pública; mas era conservado pela
mandou consentir na viagem de Cesária? Bajulador, torpe grande energia de divulgação que possuía. Por exemplo, um dos
bajulador! Só para adular ao Dr Bacamarte. Pois agora aguenta- vereadores, – aquele justamente que mais se opusera à criação da
te; anda; aguenta-te, alma de lacaio, fracalhão, vil, miserável. Casa Verde, – desfrutava a reputação de perfeito educador de
Dizes amém a tudo, não é? Aí tens o lucro, biltre!”. – E muitos cobras e macacos, e aliás nunca domesticara um só desses
outros nomes feios, que um homem não deve dizer aos outros, bichos; mas, tinha o cuidado de fazer trabalhar a matraca todos
quanto mais a si mesmo. Daqui a imaginar o efeito do recado é os meses. 23E dizem as crônicas que algumas pessoas afirmavam
um nada. 6Tão depressa ele o recebeu como abriu mão das ter visto cascavéis dançando no peito do vereador; afirmação
drogas e voou à Casa Verde. perfeitamente falsa, mas só devida à absoluta confiança no
7Simão Bacamarte recebeu-o com a alegria própria de um sábio,
sistema. 24Verdade, verdade, nem todas as instituições do antigo
uma alegria abotoada de circunspeção até o pescoço. regime mereciam o desprezo do nosso século.
– Estou muito contente, disse ele. – Há melhor do que anunciar a minha ideia, é praticá-la,
8
– Notícias do nosso povo?, perguntou o boticário com a voz respondeu o alienista à insinuação do boticário.
trêmula. E o boticário, não divergindo sensivelmente deste modo de ver,
O alienista fez um gesto magnífico, e respondeu: disse-lhe que sim, que era melhor começar pela execução.
9– Trata-se de coisa mais alta, trata-se de uma experiência 25– Sempre haverá tempo de a dar à matraca, concluiu ele.

científica. 10Digo experiência, porque não me atrevo a assegurar Simão Bacamarte refletiu ainda um instante, e disse:
desde já a minha ideia; nem a ciência é outra coisa, Sr. Soares, – Suponho o espírito humano uma vasta concha, o meu fim, Sr.
senão uma investigação constante. Trata-se, pois, de uma Soares, é ver se posso extrair a pérola, que é a razão; por outros
experiência, mas uma experiência que vai mudar a face da terra. A termos, demarquemos definitivamente os limites da razão e da
loucura, objeto dos meus estudos, era até agora uma ilha perdida loucura. A razão é o perfeito equilíbrio de todas as faculdades;
no oceano da razão; começo a suspeitar que é um continente. fora daí insânia, insânia e só insânia.
11 O Vigário Lopes, a quem ele confiou a nova teoria, declarou
Disse isto, e calou-se, para ruminar o pasmo do boticário.
12Depois explicou compridamente a sua ideia. No conceito dele a lisamente que não 26chegava a entendê-la, que era uma obra
insânia abrangia uma vasta superfície de cérebros; e desenvolveu absurda, e, se não era absurda, era de tal modo colossal que não
isto com grande cópia de raciocínios, de textos, de exemplos. merecia princípio de execução.
13Os exemplos achou-os na história e em Itaguaí mas, como um – Com a definição atual, que é a de todos os tempos, acrescentou,
a loucura e a razão estão perfeitamente delimitadas. Sabe-se
raro espírito que era, 14reconheceu o perigo de citar todos os
onde uma acaba e onde a outra começa. Para que transpor a
casos de Itaguaí e refugiou-se na história. Assim, apontou com
cerca?
especialidade alguns célebres, Sócrates, que tinha um demônio 27Sobre o lábio fino e discreto do alienista roçou a vaga sombra
familiar, Pascal, que via um abismo à esquerda, Maomé, Caracala,
de uma intenção de riso, em que o desdém vinha casado à
Domiciano, Calígula etc., uma enfiada de casos e pessoas, em que
28comiseração; mas nenhuma palavra saiu de suas egrégias
de mistura vinham entidades odiosas, e entidades ridículas. 15E
entranhas.
porque o boticário se admirasse de uma tal promiscuidade, o
A ciência contentou-se em estender a mão à teologia, – com tal
alienista disse-lhe que era tudo a mesma coisa, e até acrescentou
segurança, que a teologia não soube enfim se devia crer em si ou
sentenciosamente:
na outra. Itaguaí e o universo à beira de uma revolução.
16– A ferocidade, Sr. Soares, é o grotesco a sério.

– Gracioso, muito gracioso!, exclamou Crispim Soares levantando


ASSIS, Machado de. O Alienista. Biblioteca Virtual do Estudante
as mãos ao céu.
Brasileiro / USP. Disponível em:
17Quanto à ideia de ampliar o território da loucura, achou-a o
<[Link]
boticário extravagante; mas a modéstia, principal adorno de seu select_action=&co_obra=1939>. Acesso em: 12/08/2019.
espírito, não lhe sofreu confessar outra coisa além de um nobre
constava nos meus livros didáticos como o “rio mais seco do
mundo”. 12Desculpa aí, hoje só 13venho 14com as grandezas.
(Ime 2020) Com a finalidade de preservar a coerência e a Hoje, se eu pudesse, faria você também refletir com um discurso
correção gramatical do texto, constata-se, no trecho abaixo, o uso na linha do David Foster Wallace (1962-2008). Aquela sua fala
de um elemento coesivo cuja função é anafórica. como paraninfo de uma turma de formandos americanos do
Kenyon College, em 2005, Gambier, Ohio. Ele escreveu uma
“Assim se explicam os monólogos que ele fazia agora, e que os
singularíssima fábula sobre — 15repare só! — dois peixinhos e a
fâmulos lhe ouviam muita vez: – “Anda, bem feito, quem te água. Recomendo a leitura. O texto está no livro Ficando longe do
mandou consentir na viagem de Cesária? Bajulador, torpe
fato de já estar meio que longe de 16tudo (Companhia das
bajulador! Só para adular ao Dr. Bacamarte. Pois agora aguenta-
Letras).
te; anda, aguenta-te, alma de lacaio, fracalhão, vil, miserável.”
De Ohio ao Cariri. Além da URCA, em 2013 conquistamos (nada
(ref. 5)
é de graça) a UFCA, a brava Universidade Federal do Cariri. 17Era
um facho, uma fogueira, era um candeeiro, era uma lamparina, era
Podemos afirmar que o vocábulo “te” em negrito faz referência
uma luminária a gás butano, fez-se a luz, pardon matriz
ao(à)
iluminista, perdão Paris, mas o mundo e o futuro 18será de um
certo Cariri que peleja, aprende a preservar e estuda, somos a
a) Dr. Bacamarte.
própria ideia viva de Patrimônio Universal da Humanidade, só
falta o referendo da Unesco — escuto os mestres do Reizado ao
b) leitor.
fundo, que batuque afro-indígena-futurista.
[...]
c) boticário.
Só deixo o meu Cariri, no último pau-de-arara. Qual o quê, corri
léguas rodoviárias, rumo ao Recife, a bordo da viação Princesa do
d) D. Evarista.
Agreste, ainda no comecinho dos anos 1980. Espírito beatnik, por
desejo e necessidade, deixei Juazeiro — onde morava —, o Crato
e) Vigário Lopes.
de nascença, a Santana (Sítio das Cobras) afetiva de infância e a
Exercício 65 Nova Olinda das primeiras letras. Seria o primeiro representante
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: do clã (risos rurais amarcodianos) dos Sá-Menezes-Freire-Novais,
Leia o texto abaixo para responder à(s) questão(ões) a seguir. família meio pernambucana meio cearense, a chegar ao ensino
superior. Um Xicobrás, diria, 100% escolha pública, do primário
Só o ensino superior salva ao campus da UFPE. Hoje tenho uma penca de primos a cada
nova formatura, sem precisar sequer sair dos arredores de casa.
Sou do tipo que chora. Batizado, casamento*, mas principalmente E pensar que não havia a 19ideia de universidade no meu terreiro.
formatura. Como é bonita a chance e o cumprimento do estudo. Nada disso do que hoje comemoro com os formandos da URCA e
Pra todo mundo, universal mesmo. 1Imagina a oportunidade a UFCA. [...].
quem só poderia se formar em escola pública. De arrepiar. Por Só nos resta defender [...]. Sem sequer o direito ao 20VAR (olho
isso comemoro aqui o diploma de mais 423 alunos da URCA, a no lance) da história. 21jmmmmmmmmmmmkk kkll l
Universidade Regional do Cariri, conforme leio no site “Miséria”, o çnçççlllçlxsp. Eita, desculpa, caro leitor, pela incompreensão da
jornal da minha aldeia universalíssima. A festa foi nesta quinta escrita, é que minha filha Irene invadiu esta crônica — tentando
(08/08) e haja 2orgulho na gente de pequenas cidades e da roça ver a Pepa Pig — e dedilhou involuntariamente estas mal-
nos arredores da Chapada do Araripe. São 12,5 mil alunos nesta traçadas linhas. [...]
escola mantida pelo governo cearense.
Sou do tipo que chora com o ensino público e gratuito e a chance Texto adaptado de Xico Sá, publicado em 10 ago. 2019.
3
para quem vem lá do mato. Na formatura da URCA, haja primos, Disponível em:
4pense num povo metido, né, 5ave palavra, que orgulho [Link]
Acesso em: 14 ago. 2019
enquadrado na parede. Pense numa “balbúrdia”, 6esse povo “lá
de nós”, como na bendita 7linguagem caririense, 8formada em
Artes Visuais, Biologia, Ciências Econômicas, Ciências Sociais, * Os termos sublinhados neste texto representam hyperlinks no
Direito, Enfermagem, Educação Física, Engenharia de Produção, texto original publicado no sítio eletrônico do jornal El País.
Física, Geografia, História, Letras, Matemática, Pedagogia, Teatro Conforme o dicionário Michaelis, hyperlink é, “no contexto da
e Tecnologia da Construção Civil. Pense! hipermídia e do hipertexto, endereço que aparece em destaque
E mais orgulhosamente ainda 9vos digo: a URCA, segundo o (geralmente sublinhado ou apresentado em uma cor diferente) e
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio que, a um clique no mouse, permite a conexão com outro site”.
Teixeira (Inep), 10viva o gênio Anísio Teixeira, tem a menor taxa
de evasão universitária do Brasil, apenas 4,47%. Como a turma
dá valor ao candeeiro iluminista sertões adentro. Choro um Orós (S1 - ifsul 2020) Analise as afirmativas a seguir e marque (V),
inteiro e ainda derramo minhas lágrimas no Jaguaribe, rio 11que para as Verdadeiras e (F), para as Falsas.
d) o poema possui coerência e coesão, as quais são obtidas
( ) A enumeração de substantivos presente entre as linhas através da semântica das palavras.
referência 17 representa uma gradação, que culmina com o
substantivo luz, cujo sentido remete ao conhecimento. Exercício 67
( ) A expressão “orgulho enquadrado na parede” (referência 2) TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
constitui uma metáfora que representa positivamente a conquista Leia o texto abaixo e, com base nele, responda à(s) questão(ões)
do diploma de graduação. a seguir.
( ) O termo Xicobrás constitui um neologismo que pode ser
utilizado para fazer referência a todo brasileiro que tenha cursado Quando alguém visita uma cidade pela primeira vez e se hospeda
o ensino superior seja público ou privado. num hotel, depois das formalidades que o hóspede tem de
atender, recebe do funcionário da recepção um mapa da cidade.
( ) A sequência de letras tecladas aleatoriamente na referência
Dessa forma o visitante rapidamente toma conhecimento das
21 interfere na progressão temática, comprometendo a totalidade
ruas, avenidas e praças próximas e afastadas do hotel,
do texto quanto à coesão e à coerência.
habilitando-se com mais eficiência e rapidez a desfrutar dos
pontos mais atrativos que a cidade lhe oferecerá.
A sequência correta, de cima para baixo, é
A leitura de uma gramática para quem quer conhecer uma língua
será tão proveitosa quanto foi para o nosso visitante a leitura do
a) F – V – F – V. mapa da cidade. Isto porque a gramática procura mostrar como os
elementos que compõem uma língua se estruturam e se
b) V – V – F – F. organizam para a elaboração de textos, pelos quais as pessoas se
comunicam umas com as outras.
c) F – F – V – V. Está claro que o visitante da cidade, no nosso primeiro exemplo,
desprezando a consulta ao mapa, poderá chegar a conhecer a
d) V – F – V – F. cidade; mas, se assim proceder, levará mais tempo, e, nas suas
andanças, sentirá mais dificuldade de orientação, podendo
Exercício 66
perder-se muitas vezes, ao querer retornar ao hotel.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Assim também, a pessoa que desejar aprender ou se mostrar
Spine poetry, ou poesia de lombada, é a arte – pelo menos no
mais eficiente no manejo da língua poderá dispensar a leitura
sentido travesso da palavra – de empilhar livros de tal forma que
reflexiva da gramática, e a aprender somente ouvindo e repetindo
os títulos formem um todo inteligível.
como falam as pessoas instruídas, ou lendo artigos e livros bem
escritos. Mas este caminho lhe exigirá, com certeza, mais tempo e
O país do carnaval
Toda terça-feira esforço.
O amor acaba [...]
Um passeio pela cidade do Rio
de Janeiro (BECHARA, Evanildo. Gramática fácil. Rio de Janeiro: Nova
Cidade de Deus Fronteira, 2014, p. 14)
Inferno
Asfalto selvagem
Onde estivestes de noite
(G1 - ifal 2018) No texto, as ligações adequadas entre as partes
No shopping
que o constituem são fundamentais para garantir a ele coerência.
Depois que acabou
Abraçado ao meu rancor Tais ligações podem dar-se por meio de processos de referência a
Um beijo de Colombina termos já mencionados no texto ou que nele ainda vão aparecer,
Disponível em: <[Link] retomando-se ou antecipando-se as ideias.
lombada-muito-prazer/>.
Acesso em: 28 de ago de 2018. No excerto “Mas este caminho lhe exigirá, com certeza, mais
tempo e esforço.”, o pronome grifado:

a) retoma “a pessoa que desejar aprender ou se mostrar mais


(G1 - ifsul 2019) Sobre o poema produzido por Sérgio Rodrigues,
eficiente no manejo da língua”.
é correto afirmar que

b) foi mal empregado, haja vista que a concordância no singular


a) as palavras foram dispostas de forma aleatória, visando à gera ambiguidade quanto ao seu referente.
construção de um texto coerente.
c) refere-se textualmente a “a leitura reflexiva da gramática”.
b) o texto apresenta coerência, no entanto não possui coesão.
d) pode referir-se tanto a “a leitura reflexiva da gramática” quanto
c) a coesão é estabelecida através dos nexos oracionais. a “artigos e livros bem escritos”, pois são as ideias mais próximas
do pronome em questão.
e) estabelece uma coesão com um elemento externo ao texto: a) Os numerais “três” e “duas”, no primeiro verso, concordam,
seus possíveis leitores. respectivamente, com os substantivos que acompanham,
funcionando como quantificadores destes; entretanto, no que toca
Exercício 68 à flexão de gênero, apenas o segundo é variável.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
b) No poema, a articulação entre as palavras, com predominância
de substantivos, estabelece uma coerência que o torna inteligível
e constrói um significado para o título “Família”, definindo-a em
moldes patriarcais.

c) Considerando-se, não apenas a questão sintática, mas


(G1 - cftrj 2017) No último quadrinho da tirinha, lemos a principalmente o contexto, a conjunção “e”, no último verso de
seguinte fala “Mas o computador é campeão: destrói uma vida cada estrofe, pode sugerir outras relações semânticas que não a
inteira com a velocidade do pensamento”. Se, em vez de dois de mera adição.
pontos, houvesse um conectivo ligando as duas orações, dentre
as opções a seguir, a única que cumpre tal papel com coerência é d) O adjetivo “contentes”, que modifica o substantivo “dentes”, na
segunda estrofe, traduz a felicidade do homem, satisfeito em suas
necessidades pessoais, como o descanso, o erotismo, o prazer do
a) visto que.
fumo, o trabalho, a religiosidade e o alimento.
e) A conjunção “mas”, na terceira estrofe, é um conectivo que
b) portanto.
estabelece uma oposição entre “o bilhete todas as semanas
branco” e “a esperança sempre verde”, ligando os substantivos
c) no entanto.
“bilhete” e “esperança”, que se opõem entre si.

d) conforme.
Exercício 70
Exercício 69
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Passeio à Infância
Considere o texto seguinte para responder à(s) questão(ões).

Primeiro vamos lá embaixo no córrego; pegaremos dois


Família
pequenos carás dourados. E como faz calor, veja, os lagostins
saem da toca. Quer ir de batelão, na ilha, comer ingás? Ou vamos
Três meninos e duas meninas,
ficar bestando nessa areia onde o sol dourado atravessa a água
sendo uma ainda de colo.
rasa? Não catemos pedrinhas redondas para atiradeira, porque é
A cozinheira preta, a copeira mulata,
urgente subir no morro; os sanhaços estão bicando os cajus
o papagaio, o gato, o cachorro,
maduros. É janeiro, grande mês de janeiro!
as galinhas gordas no palmo de horta
Podemos cortar folhas de pita, ir para o outro lado do
e a mulher que trata de tudo.
morro e descer escorregando no capim até a beira do açude. Com
dois paus de pita, faremos uma balsa, e, como o carnaval é só no
A espreguiçadeira, a cama, a gangorra,
mês que vem, vamos apanhar tabatinga para fazer formas de
o cigarro, o trabalho, a reza,
máscaras. Ou então vamos jogar bola-preta: do outro lado do
a goiabada na sobremesa de domingo,
jardim tem um pé de saboneteira.
o palito nos dentes contentes,
Se quiser, vamos. Converta-se, bela mulher estranha,
o gramofone rouco toda noite
numa simples menina de pernas magras e vamos passear nessa
e a mulher que trata de tudo.
infância de uma terra longe. É verdade que jamais comeu angu de
fundo de panela?
O agiota, o leiteiro, o turco,
Bem pouca coisa eu sei: mas tudo que sei lhe ensino.
o médico uma vez por mês,
Estaremos debaixo da goiabeira; eu cortarei uma forquilha com o
o bilhete todas as semanas
canivete. Mas não consigo imaginá-la assim; talvez se na praia
branco! mas a esperança sempre verde.
ainda houver pitangueiras... Havia pitangueiras na praia? Tenho
A mulher que trata de tudo
uma ideia vaga de pitangueiras junto à praia. Iremos catar
e a felicidade.
conchas cor-de-rosa e búzios crespos, ou armar o alçapão junto
do brejo para pegar papa-capim. Quer? Agora devem ser três
Carlos Drummond de Andrade. Sentimento do Mundo. Rio de
horas da tarde, as galinhas lá fora estão cacarejando de sono,
Janeiro: Record, 1999.
você gosta de fruta-pão assada com manteiga? Eu lhe vou aipim
ainda quente com melado. Talvez você fosse como aquela menina
rica, de fora, que achou horrível nosso pobre doce de abóbora e
(G1 - ifal 2017) Assinale a alternativa falsa quanto às relações
coco.
de coerência textual estabelecidas no poema.
Mas eu a levarei para a beira do ribeirão, na sombra fria do a) (...) e, como o carnaval é no mês que vem, vamos apanhar
bambual; ali pescarei piaus. Há rolinhas. Ou então ir descendo o tabatinga para fazer formas de máscaras.
rio numa canoa bem devagar e de repente dar um galope na
correnteza, passando rente às pedras, como se a canoa fosse um b) É verdade que jamais comeu angu de fundo de panela?
cavalo solto. Ou nadar mar afora até não poder mais e depois
virar e ficar olhando as nuvens brancas. Bem pouca coisa eu sei; c) Talvez você fosse como aquela menina rica, de fora, que achou
os outros meninos riram de mim porque cortei uma iba de assa- horrível nosso pobre doce de abóbora e coco.
peixe. Lembro-me que vi o ladrão morrer afogado com os
soldados de canoa dando tiros, e havia uma mulher do outro lado d) (...) daquele menino feio do segundo ano primário que quase
do rio gritando. não tinha coragem de olhar a menina um pouco mais alta da
Mas como eu poderia, mulher estranha, convertê-la em ponta direita do banco.
menina para subir comigo pela capoeira? Uma vez vi uma urutu
junto de um tronco queimado; e me lembro de muitas meninas. Exercício 71
Tinha uma que para mim uma adoração. Ah, paixão da infância, (Upf 2018) Tem gente que não entendeu a campanha de
paixão que não amarga. Assim eu queria gostar de você, mulher camisinha com Pabllo Vittar

estranha que ora venho conhecer, homem maduro. Homem


maduro, ido e vivido; mas quando a olhei, você estava distraída,
meus olhos eram outra vez daquele menino feio do segundo ano
primário que quase não tinha coragem de olhar a menina um
pouco mais alta da ponta direita do banco.
Adoração de infância. Ao menos você conhece um
passarinho chamado saíra? É um passarinho miúdo: imagine uma
saíra grande que de súbito aparecesse a um menino que só
tivesse visto coleiros e curiós, ou pobres cambaxirras. Imagine um
arco-íris visto na mais remota infância, sobre os morros e o rio. O
menino da roça que pela primeira vez vê as algas do mar se
balançando sob a onda clara, junto da pedra.
"1Para que usar camisinha 2se a Pabllo não engravida?" é o tom
Ardente da mais pura paixão de beleza é a adoração da
de diversos comentários nas redes sociais do novo clipe de Pabllo
infância. Na minha adolescência você seria uma tortura. Quero
Vittar no Youtube. No vídeo de "Corpo Sensual", a cantora drag
levá-la para a meninice. Bem pouca coisa eu sei; uma vez na
queen aparece dançando e seduzindo Mateus Carrillo, até que
fazenda rira: ele não sabe nem passar um barbicacho! Mas o que
entram em um carro e Pabllo pega uma camisinha.
sei lhe ensino; são pequenas coisas do mato e da água, são
Feito em parceria com o Ministério da Saúde, o vídeo foi pensado
humildes coisas, e você é tão bela e estranha! Inutilmente tento
para lembrar o público da importância do uso do preservativo
convertê-la em menina de pernas magras, o joelho ralado, um
quando o clima esquenta. No entanto, nem todos os internautas
pouco de lama seca do brejo no meio dos dedos dos pés.
entenderam a mensagem.
Linda como a areia que a onda ondeou. Saíra grande! Na
adolescência e torturaria; mas sou um homem maduro. Ainda
(UOL. 08/09/2017. Disponível em:
assim às vezes é como um bando de sanhaços bicando os cajus
[Link]
de meu cajueiro, um cardume de peixes dourados avançando,
gente-que-nao-entendeu-a-campanha-de-camisinha-com-
saltando ao sol, na piracema; um bambual com sombra fria, onde
[Link]. Adaptado. Acesso em: 9 set. 2017)
ouvi um silvo de cobra, e eu quisera tanto dormir. Tanto dormir!
Preciso de um sossego de beira de rio, com remanso, com
cigarras. Mas você é como se houvesse demasiadas cigarras
A apropriada relação entre diferentes partes de um texto é
cantando numa pobre tarde de homem.
garantida pela coesão textual. Analisando os trechos “Para que
usar camisinha” (referência 1) e “se a Pabllo não engravida”
Julho, 1945
(referência 2), verifica-se que a segunda oração estabelece com a
primeira uma relação de
Crônica extraída do livro 200 crônicas escolhidas, de Rubem
Braga
a) causa, uma vez que uma das causas de uma gravidez pode ser
a nãoutilização de preservativos.

(Efomm 2019) Existem mecanismos de coesão que servem para b) oposição, visto que, no texto, fica inferida uma oposição entre
retomar o termo anterior como referência e outros que as concepções de homem e mulher no que, biologicamente, diz
possibilitam a conexão estabelecendo a coesão sequencial. respeito à capacidade de engravidar.

Assinale a opção em que o termo sublinhado funciona como c) finalidade, uma vez que, na concepção dos internautas que se
elemento de conexão. manifestaram, o uso da camisinha tem a contracepção como
finalidade exclusiva.
precisamente isso que aconteceu. A pipoca, milho mirrado, grãos
d) condição, porque a biologia feminina é condição para a redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem,
gravidez e, portanto, para esse grupo específico de internautas, o brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas ou
uso da camisinha na relação sugerida no clipe justifica o psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma
questionamento sobre essa escolha. paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha
mente aconteceu. Minhas ideias começaram a estourar como
e) concessão, uma vez que é possível inferir, pelo contexto, que o pipoca. Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato
uso da camisinha seria uma exigência para o consentimento de de pensar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que
uma relação íntima. estoura, de forma inesperada e imprevisível. A pipoca se revelou
a mim, então, como um extraordinário objeto poético. Poético
Exercício 72 porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a
(G1 - ifal 2017) A senhora, uma dona de casa, estava na feira, no dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma
caminhão que vende galinhas. O vendedor ofereceu a ela uma panela.
galinha. Ela olhou para a galinha, passou a mão embaixo das Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido
asas da galinha, apalpou o peito da galinha, alisou as coxas da religioso? Pois tem. Para os cristãos, religiosos são o pão e o
galinha, depois tornou a colocar a galinha na banca e disse para o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de
vendedor: “Não presta!”. Aí o vendedor olhou para ela e disse: vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida...). Pão
“Também, madame, num exame assim nem a senhora passava.” e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir
juntas. Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella,
FERNANDES, Millôr.
sábia poderosa do candomblé baiano: que a pipoca é a comida
sagrada do candomblé...
A pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido. Fosse eu
No texto, observa-se que o autor faz uso repetidas vezes do
agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos
vocábulo “galinha”. Com esse mecanismo de coesão referencial, a
aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria
sua intenção é de
de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista do
tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos
a) demonstrar pobreza vocabular. normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve
alguém que teve a ideia de debulhar as espigas e colocá-las
b) usar a repetição para cansar o leitor. numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos
amolecessem e pudessem ser comidos. Havendo fracassado a
c) possibilitar comicidade ao texto. experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu,
ninguém jamais poderia ter imaginado. Repentinamente os grãos
d) propiciar a aliteração no texto. começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme
barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os
e) manter a unidade temática do texto. grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas
e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das
Exercício 73 pipocas se transformou, então, de uma simples operação
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de
Leia o texto abaixo e responda à(s) questão(ões). todos, especialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro
das pipocas!
A PIPOCA E o que é que isso tem a ver com o candomblé? É que a
Rubem Alves transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da
grande transformação porque devem passar os homens para que
A culinária me fascina. De vez em quando eu até me até atrevo a eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o
cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com as palavras que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro.
que com as panelas. Por isso tenho mais escrito sobre comidas O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios
que cozinhado. Dedico-me a algo que poderia ter o nome de para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos
“culinária literária”. Já escrevi sobre as mais variadas entidades do transformar em outra coisa − voltar a ser crianças!
mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nóbis, picadinho de carne Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de
com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos. pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca,
Cheguei mesmo a dedicar metade de um livro poético-filosófico a para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes
uma meditação sobre o filme A festa de Babette, que é uma transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem
celebração da comida como ritual de feitiçaria. Sabedor das não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São
minhas limitações e competências, nunca escrevi como chef. pessoas de uma mesmice e dureza assombrosas. Só que elas não
Escrevi como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo – porque a percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.
culinária estimula todas essas funções do pensamento. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança
As comidas, para mim, são entidades oníricas. Provocam a minha numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora:
capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um
um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo,
ansiedade, depressão – sofrimentos cujas causas ignoramos. Há a) Dedico-me a algo que poderia ter o nome de "culinária
sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o literária".
sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande
transformação. b) Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro pipoca iria me fazer sonhar.
ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai
morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela c) Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de
não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a forma inesperada e imprevisível.
transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina
aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do d) Para os cristãos, religiosos são o pão e o vinho, que simbolizam
fogo, a grande transformação acontece: pum! − e ela aparece o corpo e o sangue de Cristo (...)
como uma outra coisa, completamente diferente, que ela mesma
nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do e) Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro.
casulo como borboleta voante.
Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está Exercício 74
(Ebmsp 2018) Preconceitos fazem parte de uma vida infeliz. É
representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é
o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito verdade que eles fazem parte da vida na qual há preconceitos de
todo tipo, sempre desproporcionais em relação às diferenças, à
para ser de outro. “Morre e transforma-te!” − dizia Goethe.
Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os singularidade. Uma vida que se autoquestiona eticamente é

piruás com os paulistas descobri que eles ignoram o que seja. aquela que tenta entender e superar preconceitos. Em geral,
Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é nessa superação, encontramos com a novidade da singularidade.

palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio É ela, essa condição diferente e única própria de cada pessoa, que
para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de devemos respeitar universalmente. Em um aspecto profundo é o

pipoca que se recusa a estourar. Meu amigo William, autoquestionamento ético que, ao nos ajudar a superar
extraordinário professor-pesquisador da Unicamp, especializou- preconceitos, nos leva à felicidade.

se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do


estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica TIBURI, Márcia. Infelicidades contemporâneas. Disponível em:

para os piruás. Mas, no mundo da poesia as explicações <[Link]


científicas não valem. Por exemplo: em Minas “piruá” é o nome Acesso em: ago. 2017.

que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima,


passada dos quarenta, lamentava: “Fiquei piruá!” Mas acho que o
poder metafórico dos piruás é muito maior. Piruás são aquelas Considerando-se os aspectos coesivos que mantêm a progressão
temática do texto, é correto afirmar:
pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar.
Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o
jeito delas serem. Ignoram o dito de Jesus: “Quem preservar a sua a) O conectivo “que”, em “É verdade que eles fazem parte da
vida perdê-la-á.” A sua presunção e o seu medo são a dura casca vida”, dá continuidade às ideias do texto, ao introduzir a oração
do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras que funciona como sujeito de “É verdade”.
a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não
vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da b) O pronome pessoal “eles”, em “É verdade que eles fazem parte
pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para da vida”, faz uma referência catafórica ao termo “preconceitos de
nada. Seu destino é o lixo. Quanto às pipocas que estouraram, todo tipo”, prenunciando uma reflexão sobre um viés temático
são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é ainda não apresentado e tratado a seguir.
uma grande brincadeira...
c) O relativo “[n]a qual”, em “fazem parte da vida na qual há
Disponível em [Link] preconceitos”, resgata a palavra “parte”, caracterizando-a a partir
Acessado em 31 de mai. 2016. de um aspecto que lhe é inerente.

d) O demonstrativo “aquela”, em “Uma vida que se autoquestiona


Obs.: O texto foi adaptado às regras do Novo Acordo Ortográfico. eticamente é aquela que tenta entender”, retoma a expressão
“vida infeliz”, a fim de caracterizá-la como uma prática incessante
de autoconhecimento.

e) O elemento coesivo pronominal “ela”, em “É ela, essa condição


(Efomm 2017) Analisando os mecanismos de coesão, assinale a diferente e única própria de cada pessoa”, refere-se ao vocábulo
opção em que o termo sublinhado NÃO retoma o termo “superação”, recuperando-o para ressaltar a única condição de
antecedente, mas funciona como elemento sequencial ou de uma existência feliz.
conexão.
Exercício 75
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Leia o texto abaixo para responder à(s) questão(ões) a seguir. e) A conjunção “mas” (ref. 16) introduz uma informação contrária,
rejeitando a afirmação anterior sobre a importância da solidão no
Um dos maiores problemas das cidades grandes é a solidão. cotidiano das pessoas que vivem na cidade grande.
1Quanto maior a cidade, 2maior o isolamento das 3pessoas de
Exercício 76
todas as idades, principalmente as idosas, 4cujos filhos ou TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
parentes partiram em busca de suas 5próprias 6vidas. Os filhos
casam, os parceiros viajam antes do tempo normal, 7ocorrem
divórcios e 8separações 9pelo desgaste dos relacionamentos, e
assim por diante. Percebendo ou não, sofrendo ou não, um dia 10a
gente se surpreende morando só.
Todos conhecem as vantagens e desvantagens da solidão. A
liberdade, o direito de escolher o livro, o programa de televisão, o
filme, o que fazer nas horas vagas, sem o inconveniente de outras
pessoas exercendo também o mesmo direito, num mesmo
ambiente, atrapalhando nosso desfrute. As desvantagens são
incontáveis, talvez em maior número. Não ter com quem dividir os
sentimentos é o mais premente.
Uma colega de trabalho me relatou que o maior sonho de sua
vida 11seria 12alugar alguns filmes e passar uns três dias em
casa. Marido e filha não permitem. Fiz a experiência, 13ou melhor,
tentei. Uma coisa é ver um filme no cinema, em casa não tem
graça. E quando tentei a solidão experimental, permanecendo um
fim de semana em casa, foi também a pior experiência. Caiu de
vez a 14tese 15que tentava defender que a gente pode viver bem,
sem depender de ninguém. Na verdade, a solidão é boa em
algumas circunstâncias, ruim em outras. Num determinado
momento pode ser conveniente, 16mas já me convenci de que não
deve ser adotada como estilo de vida.

TINÉ, Flávio. Solidão experimental. Disponível em:


<[Link] 12/solidao-
[Link]>. Acesso em: 25 ago. 2015. Adaptado.

(Ebmsp 2016) Considerando-se os elementos que garantem a


progressão textual, é correto afirmar: (Uepb 2014) Em “Juntos, grudados, colados/dois, duas/Mais
um/Mais três! Mais[...]”, pode-se afirmar que há um caso de:

a) O conectivo presente em “Quanto maior a cidade” (ref. 1)


introduz uma ideia de comparação, que será concluída no ( ) Gradação, tendo em vista a progressão temática ocasionada
fragmento “maior o isolamento das pessoas de todas as idades.” por termos que garantem a continuidade de sentidos do texto.

(ref. 2). ( ) Repetição de ideias de um mesmo campo semântico,


estabelecendo relações discursivas.

b) O pronome relativo “cujos”, em “cujos filhos” (ref. 4), retoma a ( ) Sequenciação de termos, por meio de marcas linguísticas de
expressão “pessoas de todas as idades” (ref. 3), estabelecendo um mesmo item lexical.

uma ideia de posse.


Analise as proposições e assinale ( V ) para as verdadeiras e ( F )

c) A expressão “ou melhor” (ref. 13) dá progressão temática ao para as falsas.


texto, indicando uma justificativa do que foi declarado Marque a alternativa correta.

anteriormente.
a) F – V – F
d) O elemento coesivo “que”, nas duas ocorrências, em “que
tentava defender que a gente pode viver bem” (ref. 15), é um b) V – V – F
termo que apresenta diferentes funções, na medida em que o
primeiro retoma o substantivo “tese” (ref. 14), e o segundo c) V – F – F
introduz um complemento verbal, permitindo concluir que as
classes gramaticais a que um e outro pertencem são distintas. d) F – F – V
e) V – F – V 10% restantes, segundo a pesquisa, são referentes a
circunstâncias como beleza, dinheiro, fama e prestígio, tão
Exercício 77 desejadas pela maioria das pessoas.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Susan Andrews, psicóloga e antropologa formada pela
Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado, Universidade de Harvard e coordenadora do FIB no Brasil
Da vossa alta piedade me despido, ([Link]), sintetiza a questão:
Porque, quanto mais tenho delinquido, 5“Estamos vivendo numa época única da história. 4Temos prédios
Vos tenho a perdoar mais empenhado.
mais altos, mas ‘pavios mais curtos’; mais conveniências, porém
menos tempo. Compramos mais, mas desfrutamos menos.
Gregório de Matos, “A Jesus Cristo Nosso Senhor”
Estamos conectados por satélites e internet, mas nos sentimos
mais solitários do que nunca. E as pessoas estão sentindo esse
Observação:
doloroso paradoxo nas suas vidas pessoais. O Brasil está se
hei pecado = tenho pecado
tornando uma potência mundial. É a hora de refletir: Qual o
delinquido = agido de modo errado
caminho que o nosso país deveria seguir? Seria o curso traçado
pelos EUA, onde o PIB aumentou três vezes desde os anos 1950,
mas onde a felicidade das pessoas de fato declinou? Onde uma
(Mackenzie 2012) É traço relevante na caracterização do estilo
em quatro pessoas é infeliz ou deprimida? Onde durante esse
de época a que pertence o texto:
mesmo período quando o PIB triplicou, o número de divórcios
duplicou, o de suicídios entre adolescentes triplicou, o de crimes
a) a progressão temática que constrói forças de tensão entre violentos quadruplicou, e a população carcerária quintuplicou? Os
pecado e salvação. americanos aumentaram sua riqueza dramaticamente, mas no
processo perderam algo muito mais precioso 1– seu sentido de
b) a linguagem musical que sugere os enigmas do mundo onírico
comunidade. E é exatamente 2isso que as pesquisas psicológicas
do poeta.
constatam ser a verdadeira e duradoura fonte de felicidade: laços
harmoniosos e amorosos entre as pessoas. Será que o Brasil
c) os aspectos formais, como métrica, cadência e esquema rímico,
deveria perseguir o “Sonho Americano”, que agora com 3essa
que refletem o desequilíbrio emocional do eu lírico.
crise está se tornando um pesadelo? Ou será que poderíamos
optar por um caminho de desenvolvimento holístico e integrado
d) a fé incondicional nos desígnios de Deus, única via para o
como esse que o FIB representa, e mostrar um novo modelo para
conhecimento verdadeiro e redentor.
o mundo? Acredito que a hora para decidir isso é agora”.

e) a força argumentativa de uma poesia com marcas exclusivas de


Editorial - Extraclasse, ano 14, n. 138, out. 2009, pág. 2.
ideais antropocêntricos.

Exercício 78
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: (Unisc 2012) No quarto parágrafo (ref. 4 e 5) é empregado um
FELICIDADE INTERNA BRUTA recurso linguístico responsável pelo encadeamento de funções
sintáticas idênticas, cujo objetivo é facilitar a progressão temática,
E se fosse possível medir o nível de felicidade das pessoas? Foi o a leitura do enunciado e a clareza da expressão. Esse recurso
que fez o rei do Butão, pequeno país do Himalaia, questionando gramatical é denominado
se o Produto Interno Bruto seria o melhor índice para designar o
desenvolvimento de uma nação. O conceito de Felicidade Interna a) polissíndeto.
Bruta (FIB) nasceu em 1972 e atraiu a atenção do mundo como
uma nova fórmula para o cálculo de riqueza de um país que b) elipse do sujeito de terceira pessoa.
considera aspectos como a conservação do meio ambiente e a
qualidade de vida das pessoas. O FIB tem quatro pilares: c) articulador coesivo de referência.
economia, cultura, meio ambiente e boa governança.
Em uma pesquisa de 2005 no Butão, 97% da população disse d) elemento de coesão lexical.
estar entre ‘Feliz’ e ‘Muito Feliz’. Ao passar a aferir os índices do
FIB e criar políticas públicas para atacar os problemas e) paralelismo sintático.
encontrados, o país conseguiu dar um salto em seus indicadores
sociais e chamar a atenção do mundo para essa experiência Exercício 79
inovadora. (Fuvest 2019) Considere os textos para responder à questão.
A felicidade também foi motivo de pesquisa em duas revistas
internacionais. A Journal of Reserch in Personality e o Journal of I. A tônica é que os pequenos jogadores da equipe de futebol
Hapiness Studies apontaram em 2008 que dois fatores são Javalis Selvagens estão tranquilos e até confortáveis, bem
determinantes para o nível de felicidade do ser humano: a cuidados na caverna pela numerosa equipe internacional que
genética, responsável por 50% desse sentimento, e o tenta retirá-los dali, e que têm muita vontade de voltar a comer
comportamento positivo diante da vida, que equivale a 40%. Já os seus pratos favoritos quando voltarem para casa.
[Link]
de dois a oito anos, e multa, além da pena correspondente
Adaptado. à violência.
[Link]
II. Bem, minha vida mudou muito nos últimos dois anos. O mundo
que explorei mudou muito. Eu vi muitas paisagens diferentes
durante as turnês, e é realmente inspirador ver o quão grande é o a) Explique a relaçãoo de sentido entre os trechos (I) “Escravidão
mundo. Eu quero explorar e experimentar diferentes partes da no Brasil não ‫ י‬analogia” e (II) “Reduzir alguém a condição
natureza, mas eu não gosto do deserto, sinto muito pelas plantas! análoga à de escravo”.
Ou talvez eu goste disso… te deixa com sede de olhar para ele… b) Qual a relaçãoo entre o uso da imagem sobre um fundo escuro
[Link]
e o texto do anúncio?
III.
Exercício 81
(Ufpr 2020)
Diverti-me imensamente com a história dos imbecis da web. Para
quem não acompanhou, ¹foi publicado em alguns jornais e
também on-line que ²no curso de uma chamada ³lectio
magistralis em Turim eu teria dito que a web está cheia de
imbecis. ⁴É falso. A lectio era sobre um tema completamente
diferente, mas isso mostra como as notícias circulam e se
deformam entre os jornais e a web. A história dos imbecis surgiu
numa conferência de imprensa durante a qual, respondendo a
uma pergunta que não me lembro mais, fiz uma observação de
puro bom senso. Admitindo que em 7 bilhões de habitantes
exista uma taxa inevitável de imbecis, muitíssimos deles
costumavam comunicar seus delírios aos íntimos ou aos amigos
do bar – e assim suas opiniões permaneciam limitadas a um
a) Quanto ao sentido, a palavra “bem”, destacada nos três textos, círculo restrito. Hoje uma parte consistente dessas pessoas tem a
desempenha a mesma função em cada um deles? Justifique. possibilidade de expressar as próprias opiniões nas redes sociais
b) Reescreva o trecho “Eu quero explorar e experimentar e, portanto, tais opiniões alcançam audiências altíssimas e se
diferentes partes da natureza, mas eu não gosto do deserto, sinto misturam com tantas outras ideias expressas por pessoas
muito pelas plantas!”, empregando o discurso indireto e fazendo razoáveis.
as adaptações necessárias. Comece o período com “Ela disse [...]
que”. É justo que a rede permita que mesmo quem não diz coisas
sensatas se expresse, mas o excesso de besteira congestiona as
Exercício 80 linhas. E algumas reações descompensadas que vi na internet
Examine o an‫ת‬ncio e leia o texto. confirmam minha razoabilíssima tese. Alguém chegou a dizer que,
para mim, as opiniões de um tolo e aquelas de um ganhador do
I. prêmio Nobel têm a mesma evidência e não demorou para que se
difundisse 5viralmente uma inútil discussão sobre o fato de eu ter
ou não recebido um prêmio Nobel – sem que ninguém
consultasse sequer a Wikipédia.
(Umberto Eco – Os imbecis e a imprensa responsável, 2017.)
A questão central apontada pelo autor no texto pode ser
corretamente sintetizada no fato de que:

a) ele tenha se divertido com os comentários a respeito da


presença dos imbecis na web.
b) na web, as opiniões atingem audiências altíssimas por
expressarem ideias absurdas.
c) a opinião de um ganhador do prêmio Nobel e a de um imbecil
têm o mesmo peso na web.
d) as notícias sofrem distorções durante o processo de circulação
entre as diferentes mídias.
e) os navegadores da web não conferiram a informação sobre ele
ter recebido ou não um prêmio Nobel.
II. Art. 149 Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer
Exercício 82
submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer
(Ufpr 2016) Leia o seguinte diálogo entre os personagens Simei e
sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer
Colonna, no romance Número Zero, de Umberto Eco:
restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de
dúvida contraída com o empregador ou preposto: Pena - reclusão,
– Colonna, exemplifique para os nossos amigos como é que se
pode seguir, ou dar mostras de seguir, um princípio fundamental – Colonna, exemplifique para os nossos amigos como é que se
do jornalismo democrático: fatos separados de opiniões. Opiniões pode seguir, ou dar mostras de seguir, um princípio fundamental
no Amanhã [nome do jornal] haverá inúmeras, e evidenciadas do jornalismo democrático: fatos separados de opiniões. Opiniões
como tais, mas como é que se demonstra que em outros artigos no Amanhã [nome do jornal] haverá inúmeras, e evidenciadas
são citados apenas fatos? como tais, mas como é que se demonstra que em outros artigos
– Muito simples – disse eu. – Observem os grandes jornais de são citados apenas fatos?
língua inglesa. Quando falam, sei lá, de um incêndio ou de um – Muito simples – disse eu. – Observem os grandes jornais de
acidente de carro, evidentemente não podem dizer o que acham língua inglesa. Quando falam, sei lá, de um incêndio ou de um
daquilo. Então inserem no artigo, entre aspas, as declarações de acidente de carro, evidentemente não podem dizer o que acham
uma testemunha, um homem comum, um representante da daquilo. Então inserem no artigo, entre aspas, as declarações de
opinião pública. Pondo-se aspas, essas afirmações se tornam uma testemunha, um homem comum, um representante da
fatos, ou seja, é um fato que aquele sujeito tenha expressado tal opinião pública. Pondo-se aspas, essas afirmações se tornam
opinião. Mas seria possível supor que o jornalista tivesse dado a fatos, ou seja, é um fato que aquele sujeito tenha expressado tal
palavra somente a quem pensasse como ele. Portanto, haverá opinião. Mas seria possível supor que o jornalista tivesse dado a
duas declarações discordantes entre si, para mostrar que é fato palavra somente a quem pensasse como ele. Portanto, haverá
que há opiniões diferentes sobre um caso, e o jornal expõe esse duas declarações discordantes entre si, para mostrar que é fato
fato irretorquível. A esperteza está em pôr antes entre aspas uma que há opiniões diferentes sobre um caso, e o jornal expõe esse
opinião banal e depois outra opinião, mais racional, que se fato irretorquível. A esperteza está em pôr antes entre aspas uma
assemelhe muito à opinião do jornalista. Assim o leitor tem a opinião banal e depois outra opinião, mais racional, que se
impressão de estar sendo informado de dois fatos, mas é induzido assemelhe muito à opinião do jornalista. Assim o leitor tem a
a aceitar uma única opinião como a mais convincente. Vamos ver impressão de estar sendo informado de dois fatos, mas é induzido
um exemplo. Um viaduto desmoronou, um caminhão caiu e o a aceitar uma única opinião como a mais convincente. Vamos ver
motorista morreu. O texto, depois de relatar rigorosamente o fato, um exemplo. Um viaduto desmoronou, um caminhão caiu e o
dirá: Ouvimos o senhor Rossi, 42 anos, que tem uma banca de motorista morreu. O texto, depois de relatar rigorosamente o fato,
jornal na esquina. Fazer o quê, foi uma fatalidade, disse ele, sinto dirá: Ouvimos o senhor Rossi, 42 anos, que tem uma banca de
pena desse coitado, mas destino é destino. Logo depois um jornal na esquina. Fazer o quê, foi uma fatalidade, disse ele, sinto
senhor Bianchi, 34 anos, pedreiro que estava trabalhando numa pena desse coitado, mas destino é destino. Logo depois um
obra ao lado, dirá: É culpa da prefeitura, que esse viaduto estava senhor Bianchi, 34 anos, pedreiro que estava trabalhando numa
com problemas eu já sabia há muito tempo. Com quem o leitor se obra ao lado, dirá: É culpa da prefeitura, que esse viaduto estava
identificará? Com quem culpa alguém ou alguma coisa, com quem com problemas eu já sabia há muito tempo. Com quem o leitor se
aponta responsabilidade. Está claro? O problema é no quê e como identificará? Com quem culpa alguém ou alguma coisa, com quem
pôr aspas. aponta responsabilidade. Está claro? O problema é no quê e como
ECO, Umberto. Número Zero. Rio de Janeiro: Record, 2015, p. 55- pôr aspas.
6. ECO, Umberto. Número Zero. Rio de Janeiro: Record, 2015, p. 55-
Assinale a alternativa correta sobre afirmações encontradas no 6.
texto.
Segundo o texto, são estratégias utilizadas pelos jornais ao fazer
a) Ao mencionar “um princípio fundamental do jornalismo
citações:
democrático: fatos separados de opiniões”, Simei destaca que os
1. Escolher criteriosamente as citações das testemunhas para
jornais seguem rigorosamente esse princípio.
contemplar pontos de vista divergentes sobre um mesmo fato.
b) Ao dizer que “o leitor tem a impressão de estar sendo
2. Salientar os pontos de vista que mais interessam ao jornalista.
informado de dois fatos, mas é induzido a aceitar uma única
3. Redigir as notícias de tal forma que as opiniões sejam
opinião”, Colonna explicita uma forma de manipulação da opinião
apresentadas como fatos.
do leitor.
4. Citar em primeiro lugar as palavras da testemunha que faz uma
c) Na primeira linha do texto, Simei faz uma retificação (“... seguir,
análise mais racional dos acontecimentos.
ou dar mostras de seguir...”) para deixar claro que o jornalista
deve não só separar fatos de opiniões como indicar isso
Estão de acordo com o texto as estratégias:
explicitamente nos artigos.
d) Ao afirmar que “é fato que há opiniões diferentes sobre um a) 1 e 2 apenas.
caso, e o jornal expõe esse fato irretorquível”, Colonna destaca a b) 1 e 4 apenas.
imparcialidade do jornal ao incluir nos artigos opiniões c) 1, 2 e 3 apenas.
divergentes. d) 1, 3 e 4 apenas.
e) Ao afirmar, no final do texto, que “o problema é no quê e como e) 2, 3 e 4 apenas.
pôr aspas”, Colonna enfatiza a importância da fidelidade na
citação das palavras das testemunhas de cada fato noticiado. Exercício 84
Um poema de Vinicius de Moraes
Exercício 83
(Ufpr 2016) Leia o seguinte diálogo entre os personagens Simei e 1A flutuação do gosto em relação aos poetas é normal, como é
Colonna, no romance Número Zero, de Umberto Eco: normal a sucessão dos modos de fazer poesia. Pelo visto,
Vinicius de Moraes anda em baixa acentuada. Talvez o seu palavra tende a ser objeto autônomo, portador de maneira
prestígio tenha diminuído porque se tornou cantor e isolada (ou quase) do significado poético.
compositor, levando a opinião a considerá-lo mais letrista do
que poeta. Mas deve ter sido também porque encarnou um tipo Na história da literatura brasileira ele é um poeta de
de poesia oposto a certas modalidades para as quais cada continuidades, não de rupturas; e o nosso é um tempo que
palavra tende a ser objeto autônomo, portador de maneira tende à ruptura, ao triunfo do ritmo e mesmo do ruído sobre a
isolada (ou quase) do significado poético. melodia, assim como tende a suprimir as manifestações da
afetividade. Ora, Vinicius é melodioso e não tem medo de
Na história da literatura brasileira ele é um poeta de manifestar sentimentos, com uma naturalidade que deve
continuidades, não de rupturas; e o nosso é um tempo que desgostar as poéticas de choque. Por vezes, ele chega mesmo a
tende à ruptura, ao triunfo do ritmo e mesmo do ruído sobre a cometer o pecado maior para o nosso tempo: o
melodia, assim como tende a suprimir as manifestações da sentimentalismo. Isso lhe permitiu dar estatuto de poesia a
afetividade. Ora, Vinicius é melodioso e não tem medo de coisas, sentimentos e palavras extraídos do mais singelo
manifestar sentimentos, com uma naturalidade que deve cotidiano, do coloquial mais familiar e até piegas, de maneira a
desgostar as poéticas de choque. Por vezes, ele chega mesmo a parecer muitas vezes um seresteiro milagrosamente
cometer o pecado maior para o nosso tempo: o transformado em poeta maior. João Cabral disse mais de uma
sentimentalismo. Isso lhe permitiu dar estatuto de poesia a vez que sua própria poesia remava contra a maré da tradição
coisas, sentimentos e palavras extraídos do mais singelo lírica de língua portuguesa. Vinicius seria, ao contrário, alguém
cotidiano, do coloquial mais familiar e até piegas, de maneira a integrado no fluxo da sua corrente, porque se dispôs a
parecer muitas vezes um seresteiro milagrosamente atualizar a tradição. Isso foi possível devido à maestria com que
transformado em poeta maior. João Cabral disse mais de uma dominou o verso, jogando com todas as suas possibilidades.
vez que sua própria poesia remava contra a maré da tradição
lírica de língua portuguesa. Vinicius seria, ao contrário, alguém Ele consegue ser moderno usando metrificação e cultivando a
integrado no fluxo da sua corrente, porque se dispôs a melodia, com uma imaginação renovadora e uma liberdade que
atualizar a tradição. Isso foi possível devido à maestria com que quebram as convenções e conseguem preservar os valores
dominou o verso, jogando com todas as suas possibilidades. coloquiais. Rigoroso como Olavo Bilac, fluido como o Manuel
Bandeira dos versos regulares, terra a terra como os poemas
Ele consegue ser moderno usando metrificação e cultivando a conversados de Mário de Andrade, esse mestre do soneto e da
melodia, com uma imaginação renovadora e uma liberdade que crônica é um 2raro malabarista.
quebram as convenções e conseguem preservar os valores
coloquiais. Rigoroso como Olavo Bilac, fluido como o Manuel ANTONIO CANDIDO. Adaptado de Teoria e debate, nº 49. São
Bandeira dos versos regulares, terra a terra como os poemas Paulo: Fundação Perseu Abramo, out-dez, 2001.
conversados de Mário de Andrade, esse mestre do soneto e da
crônica é um 2raro malabarista.
(Uerj 2019) A flutuação do gosto em relação aos poetas é
ANTONIO CANDIDO. Adaptado de Teoria e debate, nº 49. São normal, como é normal a sucessão dos modos de fazer poesia.
Paulo: Fundação Perseu Abramo, out-dez, 2001. (ref. 1)

A relação que se estabelece entre essa declaração inicial do


(Uerj 2019) A articulação do primeiro com o segundo crítico Antonio Candido e o restante de seu texto pode ser
parágrafo revela o seguinte eixo principal da argumentação do definida pela seguinte sequência:
crítico:
a) problema – solução
a) valorização de versos coloquiais b) abstração – realidade
c) pressuposição – asserção
b) descrição de uma poética singular d) generalização – particularização
c) contestação de artistas modernos
d) exaltação de uma obra convencional Exercício 86
(Unesp 2016) Nenhum dos filmes que vi, e me divertiram tanto,
Exercício 85 me ajudou a compreender o labirinto da psicologia humana como
Um poema de Vinicius de Moraes os romances de Dostoievski – ou os mecanismos da vida social
como os livros de Tolstói e de Balzac, ou os abismos e os pontos
1A flutuação do gosto em relação aos poetas é normal, como é altos que podem coexistir no ser humano, como me ensinaram as
normal a sucessão dos modos de fazer poesia. Pelo visto, sagas literárias de um Thomas Mann, um Faulkner, um Kafka, um
Vinicius de Moraes anda em baixa acentuada. Talvez o seu Joyce ou um Proust. As ficções apresentadas nas telas são
prestígio tenha diminuído porque se tornou cantor e intensas por seu imediatismo e efêmeras por seus resultados.
compositor, levando a opinião a considerá-lo mais letrista do Prendem-nos e nos desencarceram quase de imediato, mas das
que poeta. Mas deve ter sido também porque encarnou um tipo ficções literárias nos tornamos prisioneiros pela vida toda. Ao
de poesia oposto a certas modalidades para as quais cada menos é o que acontece comigo, porque, sem elas, para o bem ou
para o mal, eu não seria como sou, não acreditaria no que acredito prescinde do acontecimento. Mas, ao contrário deste, ele “paira”
nem teria as dúvidas e as certezas que me fazem viver. sobre os fatos, “fazendo com que se destaque no texto o enfoque
(Mario Vargas Llosa. “Dinossauros em tempos difíceis”. pessoal (onde entram juízos implícitos e explícitos) do autor”. Por
[Link]. O Estado de S. Paulo, 1996. Adaptado.) outro lado, o editorial difere da crônica, pelo fato de que, nesta, o
juízo de valor se confunde com os próprios fatos expostos, sem o
Segundo o autor, sobre cinema e literatura é correto afirmar que dogmatismo do editorial, no qual a opinião do autor
(representando a opinião da empresa jornalística) constitui o eixo
a) a ficção literária é considerada qualitativamente superior
do texto.
devido a seu maior elitismo intelectual.
(Dicionário de comunicação, 1978.)
b) suas diferenças estão relacionadas, sobretudo, às modalidades
de público que visam atingir.
(Unesp 2016) O termo “dogmatismo”, no contexto do verbete,
c) as obras literárias desencadeiam processos intelectualmente e
significa
esteticamente formativos.
d) a escrita literária apresenta maior afinidade com os padrões da a) desprezo aos acontecimentos da atualidade.
sociedade do espetáculo. b) obediência à constituição e às leis do país.
e) as duas formas de arte mobilizam processos mentais imediatos c) ausência de ideologia nas manifestações de opinião.
e limitados ao entretenimento. d) opiniões assumidas como verdadeiras e imutáveis.
e) conjunto de verdades religiosas.
Exercício 87
(Unesp 2016) Sob o ponto de vista individual, a corrupção pode Exercício 89
ser vista como uma escolha racional, baseada em uma TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:
ponderação dos custos e dos benefícios dos comportamentos Leia o trecho inicial do artigo “Artifícios da inteligência”, do físico
honesto e corrupto. No tocante às empresas, punir apenas as brasileiro Marcelo Gleiser (1959- ), para responder à(s)
pessoas, ignorando as entidades, implica adotar, nesse âmbito, a questão(ões).
teoria da maçã podre, como se a corrupção fosse um vício dos Considere a seguinte situação: você acorda atrasado para o
indivíduos que as praticaram no seio empresarial. O que trabalho e, na pressa, esquece o celular em casa. Só quando
constatamos é bem diferente disso. A corrupção era, para as engavetado no tráfego ou amassado no metrô você se dá conta. E
empresas envolvidas na operação Lava Jato, um modelo de agora é tarde para voltar. Olhando em volta, você vê pessoas com
negócio que majorava o lucro em benefício de todos. celular em punho conversando, mandando mensagens,
navegando na internet. Aos poucos, você vai sendo possuído por
(Entrevista com Deltan Martinazzo Dallagnol [procurador uma sensação de perda, de desconexão. Sem o seu celular, você
público].O Estado de [Link], 18.03.2015. Adaptado.) não é mais você.
A junção do humano com a máquina é conhecida como
A corrupção é abordada no texto como um problema que pode “transumanismo”. Tema de vários livros e filmes de ficção
ser explicado sob um ponto de vista científica, hoje é um tópico essencial na pesquisa de muitos
cientistas e filósofos. A questão que nos interessa aqui é até que
a) ético, devido ao comportamento irracionalista que é assumido
ponto essa junção pode ocorrer e o que isso significa para o
pelos indivíduos.
futuro da nossa espécie.
b) moral, pois o fenômeno é abordado como resultado de
Será que, ao inventarmos tecnologias que nos permitam ampliar
comportamentos desregrados.
nossas capacidades físicas e mentais, ou mesmo máquinas
c) pragmático, pois é considerada, sobretudo, a avaliação dos
pensantes, estaremos decretando nosso próprio fim? Será esse
efeitos práticos das ações.
nosso destino evolucionário, criar uma nova espécie além do
d) jurídico, pois é necessária uma legislação mais rigorosa para
humano?
coibir o fenômeno
É bom começar distinguindo tecnologias transumanas daquelas
e) materialista, pois suas causas relacionam-se com a estrutura
que são apenas corretivas, como óculos ou aparelhos para surdez.
do sistema capitalista.
Tecnologias corretivas não têm como função ampliar nossa
Exercício 88 capacidade cognitiva: só regularizam alguma deficiência
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 4 QUESTÕES: existente.
Para responder às questões a seguir, leia o seguinte verbete do A diferença ocorre quando uma tecnologia não apenas corrige
Dicionário de comunicação de Carlos Alberto Rabaça e Gustavo uma deficiência como leva seu portador a um novo patamar, além
Barbosa: da capacidade normal da espécie humana. Por exemplo, braços
Crônica robóticos que permitem que uma pessoa levante 300 quilos, ou
Texto jornalístico desenvolvido de forma livre e pessoal, a partir óculos com lentes que dotam o usuário de visão no infravermelho.
de fatos e acontecimentos da atualidade, com teor literário, No caso de atletas com deficiência física, a questão se torna bem
político, esportivo, artístico, de amenidades etc. Segundo Muniz interessante: a partir de que ponto uma prótese como uma perna
Sodré e Maria Helena Ferrari, a crônica é um meio-termo entre o artificial de fibra de carbono cria condições além da capacidade
jornalismo e a literatura: “do primeiro, aproveita o interesse pela humana? Nesse caso, será que é justo que esses atletas
atualidade informativa, da segunda imita o projeto de ultrapassar compitam com humanos sem próteses?
os simples fatos”. O ponto comum entre a crônica e a notícia ou a Poderia parecer que esse tipo de hibridização entre tecnologia e
reportagem é que o cronista, assim como o repórter, não biologia é coisa de um futuro distante. Ledo engano. Como no
caso do celular, está acontecendo agora. Estamos redefinindo a biologia é coisa de um futuro distante. Ledo engano. Como no
espécie humana através da interação – na maior parte ainda caso do celular, está acontecendo agora. Estamos redefinindo a
externa – com tecnologias que ampliam nossa capacidade. espécie humana através da interação – na maior parte ainda
Sem nossos aparelhos digitais – celulares, tabletes, laptops – já externa – com tecnologias que ampliam nossa capacidade.
não somos os mesmos. Criamos personalidades virtuais, ativas Sem nossos aparelhos digitais – celulares, tabletes, laptops – já
apenas na internet, outros eus que interagem em redes sociais não somos os mesmos. Criamos personalidades virtuais, ativas
com selfies arranjados para impressionar; criações remotas, apenas na internet, outros eus que interagem em redes sociais
onipresentes. Cientistas e engenheiros usam computadores para com selfies arranjados para impressionar; criações remotas,
ampliar sua habilidade cerebral, enfrentando problemas que, há onipresentes. Cientistas e engenheiros usam computadores para
apenas algumas décadas, eram considerados impossíveis. Como ampliar sua habilidade cerebral, enfrentando problemas que, há
resultado, a cada dia surgem questões que antes nem podíamos apenas algumas décadas, eram considerados impossíveis. Como
contemplar. resultado, a cada dia surgem questões que antes nem podíamos
(Folha de [Link], 01.02.2015. Adaptado.) contemplar.
(Folha de [Link], 01.02.2015. Adaptado.)
(Unesp 2018)
a) Para o físico Marcelo Gleiser, o que distingue as tecnologias (Unesp 2018)
transumanas daquelas apenas corretivas? Justifique sua resposta. a) De acordo com o físico, nós já podemos ser considerados
b) Cite dois termos empregados em sentido figurado no primeiro transumanos? Justifique sua resposta.
parágrafo do artigo. b) Dêiticos: expressões linguísticas cuja interpretação depende da
pessoa, do lugar e do momento em que são enunciadas. Por
Exercício 90 exemplo: “eu” designa a pessoa que fala “eu”.
Leia o trecho inicial do artigo “Artifícios da inteligência”, do físico (Ernani Terra. Leitura do texto literário, 2014.)
brasileiro Marcelo Gleiser (1959- ), para responder à(s) Cite dois dêiticos empregados nos dois primeiros parágrafos do
questão(ões). texto.
Considere a seguinte situação: você acorda atrasado para o
trabalho e, na pressa, esquece o celular em casa. Só quando Exercício 91
engavetado no tráfego ou amassado no metrô você se dá conta. E Leia o trecho do livro A solidão dos moribundos, do sociólogo
agora é tarde para voltar. Olhando em volta, você vê pessoas com alemão Norbert Elias.
celular em punho conversando, mandando mensagens, Não mais consideramos um entretenimento de domingo assistir
navegando na internet. Aos poucos, você vai sendo possuído por a enforcamentos, esquartejamentos e suplícios na roda.
uma sensação de perda, de desconexão. Sem o seu celular, você Assistimos ao futebol, e não aos gladiadores na arena. Se
não é mais você. comparados aos da Antiguidade, nossa identificação com outras
A junção do humano com a máquina é conhecida como pessoas e nosso compartilhamento de seus sofrimentos e morte
“transumanismo”. Tema de vários livros e filmes de ficção aumentaram. Assistir a tigres e leões famintos devorando
científica, hoje é um tópico essencial na pesquisa de muitos pessoas vivas pedaço a pedaço, ou a gladiadores, por astúcia e
cientistas e filósofos. A questão que nos interessa aqui é até que engano, mutuamente se ferindo e matando, dificilmente
ponto essa junção pode ocorrer e o que isso significa para o constituiria uma diversão para a qual nos prepararíamos com o
futuro da nossa espécie. mesmo prazer que os senadores ou o povo romano. Tudo indica
Será que, ao inventarmos tecnologias que nos permitam ampliar que nenhum sentimento de identidade unia esses espectadores
nossas capacidades físicas e mentais, ou mesmo máquinas àqueles que, na arena, lutavam por suas vidas. Como sabemos, os
pensantes, estaremos decretando nosso próprio fim? Será esse gladiadores saudavam o imperador ao entrar com as palavras
nosso destino evolucionário, criar uma nova espécie além do “Morituri te salutant” (Os que vão morrer te saúdam). Alguns dos
humano? imperadores sem dúvida se acreditavam imortais. De todo modo,
É bom começar distinguindo tecnologias transumanas daquelas teria sido mais apropriado se os gladiadores dissessem “Morituri
que são apenas corretivas, como óculos ou aparelhos para surdez. moriturum salutant” (Os que vão morrer saúdam aquele que vai
Tecnologias corretivas não têm como função ampliar nossa morrer). Porém, numa sociedade em que tivesse sido possível
capacidade cognitiva: só regularizam alguma deficiência dizer isso, provavelmente não haveria gladiadores ou
existente. imperadores. A possibilidade de se dizer isso aos dominadores –
A diferença ocorre quando uma tecnologia não apenas corrige alguns dos quais mesmo hoje têm poder de vida e morte sobre
uma deficiência como leva seu portador a um novo patamar, além um sem-número de seus semelhantes – requer uma
da capacidade normal da espécie humana. Por exemplo, braços desmitologização da morte mais ampla do que a que temos hoje,
robóticos que permitem que uma pessoa levante 300 quilos, ou e uma consciência muito mais clara de que a espécie humana é
óculos com lentes que dotam o usuário de visão no infravermelho. uma comunidade de mortais e de que as pessoas necessitadas só
No caso de atletas com deficiência física, a questão se torna bem podem esperar ajuda de outras pessoas. O problema social da
interessante: a partir de que ponto uma prótese como uma perna morte é especialmente difícil de resolver porque os vivos acham
artificial de fibra de carbono cria condições além da capacidade difícil identificar-se com os moribundos.
humana? Nesse caso, será que é justo que esses atletas A morte é um problema dos vivos. Os mortos não têm
compitam com humanos sem próteses? problemas. Entre as muitas criaturas que morrem na Terra, a
Poderia parecer que esse tipo de hibridização entre tecnologia e morte constitui um problema só para os seres humanos. Embora
compartilhem o nascimento, a doença, a juventude, a maturidade, Exercício 93
a velhice e a morte com os animais, apenas eles, dentre todos os (Unicamp 2023) Você provavelmente já encontrou pelas redes
vivos, sabem que morrerão; apenas eles podem prever seu sociais o famigerado #sqn, aquele jeito telegráfico de dizer que tal
próprio fim, estando cientes de que pode ocorrer a qualquer coisa é muito legal, “só que não”. Agora, imagine uma língua
momento e tomando precauções especiais – como indivíduos e diferente do português que tenha incorporado um conceito
como grupos – para proteger-se contra a ameaça da aniquilação. parecido na própria estrutura das palavras, criando o que foi
(A solidão dos moribundos, 2001.) apelidado de “sufixo frustrativo”. Bom, é assim no kotiria, um
idioma da família linguística tukano falado por indígenas do Alto
(Unesp 2022) De acordo com o autor, Rio Negro, na fronteira do Brasil com a Colômbia. Para exprimir a
função “frustrativa”, o kotiria usa um sufixo com a forma -ma.
a) a antecipação da própria morte tornou-se fonte de problemas
Você quer dizer que foi até um lugar sem conseguir o que queria
para os seres humanos.
indo até lá? Basta pegar o verbo ir, que é wa’a em kotiria, e
b) o reconhecimento da própria finitude conduziria o ser humano a
acrescentar o sufixo: wa’ama, “ir em vão”.
uma existência verdadeira.
(Adaptado de: LOPES, R. J. L. A sofisticação das línguas
c) os seres humanos acabaram por se afastar da ideia da
indígenas. Superinteressante, 18/11/2021.)
inevitabilidade da morte.
d) a morte tornou-se, em razão do processo de aniquilação da
O excerto, retirado de uma revista de jornalismo científico,
natureza, um problema para a humanidade.
exemplifica um processo de formação de palavras na língua
e) os animais, a exemplo dos seres humanos, também seriam
indígena kotiria e o compara com o uso da hashtag #sqn. É
confrontados com a experiência da própria finitude.
correto afirmar que essa comparação
Exercício 92 a) cria uma falsa equivalência, pois os processos morfológicos em
(Unicamp 2023) Texto 1 kotiria e em português são diferentes.
b) enfatiza a construção de efeitos de sentido parecidos por meio
de processos distintos em kotiria e no português de internet.
c) permite compreender processos idênticos de formação de
palavras nas línguas portuguesa e kotiria.
d) ressalta as diferenças no uso dos sufixos –ma, em kotiria, e
#sqn, no português usado na internet.

Exercício 94
(Unicamp 2023) Papo Preto: Vamos falar sobre transfeminismo?
Neste episódio do podcast Papo Preto, o apresentador Yago
Rodrigues e a cinegrafista Débora Oliveira recebem Jarda Maria,
que se tornou símbolo da luta pelos direitos das transexuais em
Recife após ingressar na Universidade Federal de Pernambuco.
Texto 2
Ela fala sobre os desafios de ocupar e se manter no ambiente
Cracolândia vive 30 anos de eterno retorno
acadêmico e da importância de compreender o que é o
Repressão à droga não faz mais do que dispersar usuários;
transfeminismo.
especialistas cobram articulação de políticas
Jarda explica que o conceito de transfeminismo ou feminismo
Ela surgiu na Santa Efigênia, nos cruzamentos da rua dos
trans surge nos EUA quando foi percebido que as pautas
Gusmões com as pequenas ruas dos Protestantes e do Triunfo,
discutidas no feminismo não abarcavam a situação das mulheres
logo atrás da Estação Ferroviária da Luz, no centro de São Paulo.
trans e travestis. Ela diz que há muita cobrança em cima da
E há quase 30 anos, migra de um quarteirão para outro, em modo
comunidade de transexuais e travestis sobre os motivos e as
constante, se esparramando pelos bairros vizinhos.
causas da violência que sofrem todos os dias, mas as respostas
A itinerância da maior cena aberta de uso de crack e outras
devem partir da sociedade, que deve praticar a não violência e dar
drogas do país, batizada de cracolândia nos anos 1990, é fruto
exemplos.
ora de um jogo de esconde-esconde, a partir do mando do crime
“Nós já estamos preocupadas em pensar esses meios de
organizado, ora do empurra-empurra das operações policiais que
sobrevivência, que as pessoas que movimentam a transfobia
incidem sobre ela, onde quer que esteja.
pensem os movimentos de enfrentamento. A transfobia e a
(Adaptado de MENA, Fernanda, Cracolândia vive 30 anos de
travestifobia são problemáticas cisgêneras e não nossa. Nós
eterno retorno. Folha de São Paulo, 4 jun. 2022, p. B4.)
somos vítimas desse processo”, afirma Jarda.
(PAPO PRETO 69: Vamos falar sobre transfeminismo? [Locução
Indique a alternativa que apresenta palavras ou termos do Texto
de] Yago Rodrigues. S. I. Ecoa Produções, 09/03/2020. Podcast.
2 diretamente relacionados a elementos representados na charge
Disponível em [Link]
(Texto 1).
[Link]. Acesso em
a) “articulação de políticas” e “esconde-esconde” 20/10/2022.)
b) “empurra-empurra” e “eterno retorno”
c) “itinerância” e “crime organizado” Sobre as ocorrências do item trans no texto, podemos afirmar
d) “repressão à droga” e “bairros vizinhos” que
a) introduzem termos como transfeminismo e transfobia, que efeitos de sentido distintos. Explique-os.
servem para conceituar tipos de violência contra mulheres trans. b) Na última oração do texto, são utilizados dois elementos
b) o seu emprego em transfeminismo indica que a pauta feminista coesivos: “eles” e “à qual”. Aponte a que se refere,
já se estende às mulheres trans, mas ainda exclui as travestis. respectivamente, cada um desses elementos.
c) é empregado como antônimo do prefixo cis- para indicar que a
transfobia e a travestifobia devem preocupar apenas as pessoas Exercício 96
cisgêneras. (Unicamp 2022) No conjunto de seus diferentes usos, a palavra

d) remete a transexuais e travestis no termo feminismo trans, que “cultura” pode significar um valor individual do sujeito que “tem
é sinônimo de transfeminismo e abrange grupos não incluídos na cultura”; um valor coletivo de povos, etnias e grupos sociais que

pauta feminista. produzem bens culturais que podem tornar-se propriedade de


alguns; um valor de produto comercializado, como um livro, um
Exercício 95 quadro, uma peça teatral. O controle da circulação de bens
(Unicamp 2017) Leia o excerto abaixo, adaptado do ensaio “Para começa com a invenção da imprensa no século XV, seguida da
que servem as humanidades?”, de Leyla Perrone-Moisés. regulação dos direitos autorais e de reprodução. Hoje, a expansão
As humanidades servem para pensar a finalidade e a qualidade da tecnologia digital, o compartilhamento nas redes e seu
da existência humana, para além do simples alongamento de sua monopólio resultam em condições ainda mais complexas de
duração ou do bem-estar baseado no consumo. Servem para produção, circulação e comercialização de bens culturais. Além
estudar os problemas de nosso país e do mundo, para humanizar disso, tradições milenares no Extremo Oriente e em alguns povos
a globalização. Tendo por objeto e objetivo o homem, a originários da América Latina mostram que o mundo não é só o
capacidade que este tem de entender, de imaginar e de criar, que chamamos de Ocidente e que as noções de cópia, original,
esses estudos servem à vida tanto quanto a pesquisa sobre o livre e coletivo diferem entre culturas diversas. Nesse contexto,
genoma. Num mundo informatizado, servem para preservar, de pergunta o autor, como defender uma cultura livre?
forma articulada, o saber acumulado por nossa cultura e por (Adaptado de Leonardo Foleto, Introdução ao livro A cultura é
outras, estilhaçado no imediatismo da mídia e das redes. Em livre: uma história da resistência antipropriedade. Disponível em
tempos de informação excessiva e superficial, servem para [Link]
produzir conhecimento; para “agregar valor”, como se diz no significados-e-sualibertacao/. Acessado em 10/04/2021.)
jargão mercadológico. Os cursos de humanidades são um espaço
de pensamento livre, de busca desinteressada do saber, de Com base no que afirma o autor, a defesa de uma cultura livre
cultivo de valores, sem os quais a própria ideia de universidade dependeria
perde sentido. Por isso merecem o apoio firme das autoridades
a) da produção e circulação de bens culturais por grupos sociais.
universitárias e da sociedade, que eles estudam e à qual servem.
b) da atenção dada aos valores individuais e aos direitos autorais.
Adaptado de Leyla Perrone-Moisés, Para que servem as
humanidades? Folha de São Paulo, São Paulo, 30 jun. 2002,
c) da consideração de experiências e valores de outras culturas.
Caderno Mais!.
d) do compartilhamento de bens culturais via tecnologia digital.

a) As expressões “agregar valor” e “cultivo de valores”, embora


aparentemente próximas pelo uso da mesma palavra, produzem

GABARITO
c) a antíteses, para reconhecer a escravização dos nativos
Exercício 1
como um caminho possível do trabalho missionário.
b) configura um sistema de oposições, uma vez que imagens e
palavras estabelecem tensões materiais e espirituais,
Exercício 5
constitutivas do sentido das canções.
d) pode ser alegado.
Exercício 2

a) caracterização da linguagem utilizada em uma esfera de


Exercício 6
comunicação específica.
b) decepção, por Sem Medo não ter intercedido a seu favor na
Exercício 3 conversa com Ondina, e desespero diante do companheiro
e) explora o recurso de simular um diálogo entre o redator e o baleado.
leitor do texto, a fim de motivar a leitura.

Exercício 4 Exercício 7
d) A “the new black” apresentada no Texto I, a agressividade, e) Inutilmente tento convertê-la em menina de pernas magras,
pode culminar como no conto, isto é, na violência entre os o joelho ralado, um pouco de lama seca do brejo no meio dos
seres humanos. dedos dos pés.

Exercício 8 Exercício 22

e) ao paradoxo. d) articula, por uma condicional, argumentos de autoridade à


coletividade expressa na primeira pessoa do plural.
Exercício 9

e) “A relação entre ciência, tecnologia e sociedade é de


Exercício 23
extrema complexidade, sem dúvida alguma.” (parágrafo 4)
c) “Fabiano estava contente e acreditava nessa terra, porque
Exercício 10 não sabia como ela era nem onde era. Repetia docilmente as
c) “E não me venha com a sua justiça, porque se vier, eu viro palavras de sinha Vitória, as palavras que sinha Vitória
cachorro doido” (parágrafo 9) murmurava porque tinha confiança nele. E andavam para o sul,
metidos naquele sonho. Uma cidade grande, cheia de pessoas
fortes. Os meninos em escolas, aprendendo coisas difíceis e
Exercício 11 necessárias.”, Graciliano Ramos, Vidas Secas.
e) incentivava a participação desenvolta das crianças.

Exercício 12 Exercício 24

e) explicação. d) No verso 1, é possível perceber uma alusão ao aumento da


expectativa de vida na modernidade, já que envelhecer
Exercício 13 tornou-se comum.

e) acredita que os contos, como a vida, prescindem de Exercício 25


explicação.
d) Há uma alusão ao local onde vivem as pessoas que
Exercício 14 trabalham com serviços domésticos em casas de luxo.

e) figurado, literal e figurado. Exercício 26

Exercício 15 a) podemos inferir sua resposta a partir dos argumentos


c) um ser humano irracional, o que é confirmado, no texto, pela levantados pelo autor, o qual expõe vários outros fatos

equiparação circunstancial entre homem e cavalo. causadores de acidentes de trabalho.

Exercício 16 Exercício 27

d) A descrição do meio físico é mediada pela visão do narrador, a) I, II e III.


que apresenta a natureza como elemento tão reversível
quanto a condição humana. Exercício 28

c) I, II e IV
Exercício 17

c) Somente as afirmativas III e IV são corretas. Exercício 29

b) Depois que o homem ganha uma mulher através dos


Exercício 18 elogios certos, nas horas certas e que se referem aos atributos
b) Apenas II. mais valorizados por ela, a conquista está garantida e o
relacionamento está destinado ao sucesso.

Exercício 19 Exercício 30

d) Apenas II e III. d) Não há limites para a ambição feminina que se alimenta dos
exemplos e das conquistas de desbravadoras como Marcelli.

Exercício 20 Exercício 31

b) I e II.
d) “segundo” (ref. 2) é uma conjunção conformativa.
Exercício 32

Exercício 21 c) apenas II e III.


Exercício 33

c) No âmbito da Universidade, os estudos da língua estão


prioritariamente voltados para a prática linguística.

Exercício 34

a)

Exercício 41

a) coletivo e do individual.

Exercício 42
Exercício 35
d) potencializar a dramaticidade do episódio com recursos das
a) denúncia de cunho social.
artes visuais.

Exercício 36
Exercício 43
e) O número de solicitações de reconhecimento da condição de
d) círculos
refugiado no Brasil aumentou em relação a 2011.

Exercício 37
Exercício 44
a) submeter à crítica do leitor a sujeição a que a sociedade é
d) a percepção da felicidade é variável de acordo com a idade.
obrigada pelo mercado.
Exercício 45

Exercício 38 b) “a diversidade é inimiga da rentabilidade e a uniformidade


manda.” (ref. 6).
d) O poema de Vinicius e a imagem apre­sentam a ideia de que
a poesia é algo fu­gidio, volúvel, consequência também de um
estado de espírito. Exercício 46

c) F - V - F - V - F
Exercício 39

a) incompletude das formas, aludindo à ideia de falta e vazio. Exercício 47

b) aproximar autor e leitor, para que o objetivo da frase seja


atingido.
Exercício 40
Exercício 48
e)
b) cortar o cabelo e ceder o boné.

Exercício 49

a) recorrente da existência humana.

Exercício 50

b) solidariedade e da comunicação para a construção de


vínculos e de novas realidades.

Exercício 51

e) fidelidade à forma realista isenta do ideal de perfeição.

Exercício 52
a) intertextualidade Exercício 63

Exercício 53 c) da incoerência entre o conteúdo da fala e a escolha lexical.

e) uma expressão polissêmica, “quadro dramático”,


remetendo-se tanto à obra pictórica quanto ao contexto do Exercício 64
trânsito brasileiro.
c) boticário.
Exercício 54

a) a natureza produz sons como a música. Exercício 65

Exercício 55 b) V – V – F – F.

c) reflexão contra a indiferença nas relações sociais de forma


contundente. Exercício 66

Exercício 56 d) o poema possui coerência e coesão, as quais são obtidas


através da semântica das palavras.
b) é apenas uma entre as diversas línguas de sinais existentes
no mundo. Exercício 67

Exercício 57 a) retoma “a pessoa que desejar aprender ou se mostrar mais


eficiente no manejo da língua”.
b) “Os médicos da Universidade do Mediterrâneo, em
Marselha, perceberam que um francês de 44 anos tinha o
cérebro minúsculo e alojado como uma capa rente ao crânio. Exercício 68
Uma radiografia de rotina revelou, dois anos atrás, um oco no
a) visto que.
interior da sua cabeça. Isso só foi notado depois de submetê-lo
a exames de tomografia e ressonância magnética. Ainda
assim, esse francês viveu quatro décadas sem chamar a Exercício 69
atenção.”
e) A conjunção “mas”, na terceira estrofe, é um conectivo que
estabelece uma oposição entre “o bilhete todas as semanas
Exercício 58 branco” e “a esperança sempre verde”, ligando os substantivos
“bilhete” e “esperança”, que se opõem entre si.
c) Antes desconhecida, a música desses grupos pode ser
conferida numa bela coleção de Cds lançada pela gravadora
independente Amplitude. Exercício 70

b) É verdade que jamais comeu angu de fundo de panela?


Exercício 59

c) “...reconhecer a expressão da condição humana no que nos é Exercício 71


absolutamente diverso.” (ref. 3).
d) condição, porque a biologia feminina é condição para a
gravidez e, portanto, para esse grupo específico de
Exercício 60 internautas, o uso da camisinha na relação sugerida no clipe
justifica o questionamento sobre essa escolha.
a) “Quinta-feira à tarde, pouco mais de três horas, vi uma coisa
tão interessante, que determinei logo de começar por ela esta
crônica.” Exercício 72

c) possibilitar comicidade ao texto.


Exercício 61

c) I e II, apenas. Exercício 73

b) Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a


Exercício 62 pipoca iria me fazer sonhar.

d) Conforme fica evidente na conclusão do texto − "Eis por que


discursos demagógicos não têm sobre ele nenhum efeito, Exercício 74
tampouco sobre os cidadãos, que sentem a sua ameaça
a) O conectivo “que”, em “É verdade que eles fazem parte da
próxima" (ref. 30) −, a pandemia e o sentido da vida são dois
vida”, dá continuidade às ideias do texto, ao introduzir a oração
temas dos quais o autor se serve com o objetivo único de
que funciona como sujeito de “É verdade”.
criticar a política brasileira.
Exercício 75 b) Ao dizer que “o leitor tem a impressão de estar sendo
informado de dois fatos, mas é induzido a aceitar uma única
d) O elemento coesivo “que”, nas duas ocorrências, em “que
opinião”, Colonna explicita uma forma de manipulação da
tentava defender que a gente pode viver bem” (ref. 15), é um
opinião do leitor.
termo que apresenta diferentes funções, na medida em que o
primeiro retoma o substantivo “tese” (ref. 14), e o segundo Exercício 83
introduz um complemento verbal, permitindo concluir que as
classes gramaticais a que um e outro pertencem são distintas. c) 1, 2 e 3 apenas.

Exercício 84

b) descrição de uma poética singular


Exercício 76
Exercício 85
b) V – V – F
d) generalização – particularização

Exercício 77 Exercício 86

a) a progressão temática que constrói forças de tensão entre c) as obras literárias desencadeiam processos
pecado e salvação. intelectualmente e esteticamente formativos.

Exercício 87
Exercício 78 c) pragmático, pois é considerada, sobretudo, a avaliação dos
e) paralelismo sintático. efeitos práticos das ações.

Exercício 79 Exercício 88

a) Não, a palavra “bem” adquire sentidos diferentes e d) opiniões assumidas como verdadeiras e imutáveis.
desempenha funções distintas também em cada um deles. No
Exercício 89
texto I, apresenta noção de muito, bastante, com função de
advérbio ligado ao adjetivo “ligados”. No II, é marcador a) Marcelo Gleiser faz uma distinção entre tecnologias
linguístico de pausa antes de introdução da fala, com função transumanas e corretivas. Enquanto estas “regularizam
de interjeição. Em III, é substantivo com função de vocativo. alguma deficiência existente”, aquelas têm como função
ampliar a capacidade cognitiva levando seu portador a um
b) Empregando o discurso indireto, a frase apresentaria a novo patamar, “além da capacidade normal da espécie
seguinte configuração: Ela disse que queria explorar e humana”. Assim, óculos e aparelhos de surdez pertenceriam
experimentar diferentes partes da natureza, mas ela não ao grupo das tecnologias corretivas e braços robóticos e
gostava do deserto, sentia muito pelas plantas! óculos com lentes que captam imagens no infravermelho às
transumanas.
Exercício 80 b) Termos como “engavetado”, “amassado” e “navegando” são
a) Ao contrapor a frase “Escravidão no Brasil não é analogia” usados conotativamente e transmitem, no contexto, a noção
ao segmento “é realidade”, subentende-se que a palavra de “imobilizado no trânsito”, “comprimido no metrô” e
“analogia” traduz um conceito abstrato, utópico ou teórico. Já, “acessando a internet”, respectivamente.
no Texto II, o adjetivo adquire noção de “semelhante”, “igual”,
Exercício 90
abrangendo todos os que são sujeitos a trabalhos forçados,
jornada exaustiva, condições degradantes de trabalho ou a) Sim, segundo o autor, os recursos tecnológicos mais
restrição de locomoção por dívidas contraídas com a entidade sofisticados e especializados já estão presentes no nosso
patronal. cotidiano como celulares, tabletes e laptops.
b) Se a definição de dêitico se aplica a elementos linguísticos
b) A imagem de duas mãos amarradas sobre fundo escuro que fazem referência ao momento da enunciação, ao contexto
sugere que o conceito sobre a condição de escravatura situacional, ao próprio discurso ou aos atores do discurso.
abrange setores sociais que, na sociedade contemporânea, são todas as ocorrências do pronome “você” no primeiro parágrafo
excluídos de direitos de cidadania, constituído por indivíduos e “nos” e “seu”, no segundo, constituem exemplos de dêiticos.
de qualquer raça, ou seja, por todos os que são vítimas de um
sistema opressor que os marginaliza.
Exercício 91
Exercício 81
a) a antecipação da própria morte tornou-se fonte de
d) as notícias sofrem distorções durante o processo de problemas para os seres humanos.
circulação entre as diferentes mídias.
Exercício 92
Exercício 82 b) “empurra-empurra” e “eterno retorno”
Exercício 93 a) A expressão “agregar valores” é usada no sentido
mercadológico, conferindo aos bens materiais a importância de
b) enfatiza a construção de efeitos de sentido parecidos por
bens econômicos que contribuem para a qualidade de vida do
meio de processos distintos em kotiria e no português de
ser humano. Já a expressão “cultivo de valores” está ligada a
internet.
conceitos morais e éticos adquiridos em determinado contexto
Exercício 94 social e que, ao serem difundidos e aplicados por cada um,
beneficiam a sociedade como um todo.
d) remete a transexuais e travestis no termo feminismo trans,
b) Os pronomes “eles” e “à qual” referem-se a “cursos de
que é sinônimo de transfeminismo e abrange grupos não
humanidades” e “sociedade”, respectivamente.
incluídos na pauta feminista.
Exercício 96
Exercício 95
c) da consideração de experiências e valores de outras
culturas.

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