5.
Reações
transfusionais: tipos e
abordagens
[Link]
Ana Carolina Nascimento Moreira - CRMV MG 20241
Guilherme Henrique Costa Silva - CRMV MG 20045
Pollyana Torres Rubim Ferreira Silva - CRMV MG 20028
Introdução Por definição, uma As transfusões san-
guíneas são eventos
Por definição, uma reação transfusional é
irreversíveis com bene-
reação transfusional é qualquer efeito colateral
fícios, mas com poten-
qualquer efeito colate- indesejável resultante da
ciais riscos ao receptor.
ral indesejável resultan- administração de um
Toda transfusão, seja de
te da administração de produto sanguíneo.
sangue total ou de he-
um produto sanguíneo. mocomponente, gera
As reações são tipicamente classificadas uma reação fisiológica, mas, na maioria
como imunomediadas ou não imunome- dos casos, as reações são praticamente
diadas. Elas são ainda classificadas como imperceptíveis ou apresentam conse-
agudas (ocorrendo nas primeiras 48 horas quência clínica mínima. Entretanto, re-
da administração de um hemocomponen- ações transfusionais capazes de levar o
te) ou demoradas (PRITTIE, 2003).
84 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 98 - fevereiro 2021
animal ao óbito podem ocorrer, sendo transfusão deve ser cuidadosamente
imprescindível ao clínico responsável monitorado quanto ao desenvolvimen-
o reconhecimento dessas reações no to de reações transfusionais durante e
início de seu desenvolvimento, para após a transfusão. A temperatura basal,
que sejam tomadas medidas a fim de a frequência de pulso, a frequência res-
minimizar os danos consequentes. piratória e o tempo de enchimento ca-
As reações transfusionais são agudas pilar devem ser obtidos antes do início
ou tardias e podem ser resultantes de da transfusão. É recomendado que esses
causas imunológicas ou não imuno- parâmetros também sejam reavaliados
lógicas, ocorrendo devido à presença em 15, 30 e 60minutos no decorrer da
de antígenos de eritrócitos, leucóci- transfusão.
tos, proteínas plasmáticas e plaquetas
(ABRAMS-OGG, 2000; BRACKER 1 Reações imunológicas
e DRELLICH, 2005; SUDDOCKe agudas
CROOKSTON, 2020).
Observação cuidadosa da necessi- 1.1 Reação transfusional
dade da transfusão, seleção do melhor hemolítica aguda
hemocomponente, triagem pré-transfu- A reação transfusional hemolítica
sional completa eadequada administra- aguda representa o tipo de reação imu-
ção do hemoderivado ajudam a limitar nomediada aguda mais grave. Esse tipo
a ocorrência de reações transfusionais. de reação ocorre devido
No entanto, sempre per- à interação entre os antí-
manecerá algum risco A reação transfusional
genos eritrocitários do
associado à administra- hemolítica aguda
doador e os anticorpos
ção de hemoderivados. representa o tipo de
naturais ou adquiridos
A incidência de reações reação imunomediada
do receptor. Classifica-
de transfusionais cani- aguda mais grave. Esse
se como reação de hi-
nas foi relatada como tipo de reação ocorre
persensibilidade tipo II,
variando de 3,3% a40% devido à interação entre
quando um anticorpo
(PRITTIE, 2003). os antígenos eritrocitários
preexistente (IgG ou
O reconhecimen-
do doador e os anticorpos
IgM) se liga ao antíge-
to e o tratamento ime-
naturais ou adquiridos
no eritrocitário; esse
diato de reação a uma
do receptor.
complexo antígeno-
transfusão em curso -anticorpo ativa a cas-
são primordiais na prevenção de even- cata do complemento, resultando em
tos relacionados à transfusão que são hemólise intravascular. Além do sistema
potencialmente fatais. O receptor da complemento, o complexo antígeno-
5. Reações transfusionais: tipos e abordagens 85
-anticorpo, ativa o fator Todas essas alterações
Em cães, as principais
de coagulação XII e, agravam os danos teci-
reações são referidas
por sua vez o sistema duais, resultando em fa-
nos subtipos sanguíneos
de coagulação intrínse- lência de órgão e morte
DEA 1 e 7, uma vez que
co, contribuindo para (CAPON e SACHER,
estes são os tipos com
a formação de substân-
maior probabilidade de 1989; BRECHER
cias trombó[Link] e TASWELL,
induzir a produção de
substâncias, juntamen- 1991; BRACKER e
aloanticorpos.
te com os fosfolipíde- DRELLICH, 2005).
os liberados durante Em cães, as prin-
o processo de eritrólise, favorecem a cipais reações são referidas nos sub-
ocorrência da coagulação intracelular tipos sanguíneos DEA 1 e 7, uma vez
disseminada (CID) (PRITTIE, 2003; que estes são os tipos com maior pro-
CHIARAMONTE, 2004; BRACKER babilidade de induzir a produção de
e DRELLICH, 2005; GIGER, 2010; aloanticorpos. Alguns cães com DEA
TOCCI, 2010). negativo transfundidos com sangue
Pode ocorrer, também, a forma- positivo para esse antígeno não experi-
ção de trombos, devido à liberação de mentam reações de hemólise, caso não
citocinas por monócitos ativos. Esses tenham sido realizadas transfusões an-
microtrombos podem se depositar nos teriormente. Pacientes sensibilizados
pulmões, nos rins e nos anteriormente podem
capilares intestinais, No caso dos gatos, apresentar reação trans-
podendo ser observada já são encontrados fusional grave em uma
diarreia sanguinolenta aloanticorpos segunda transfusão. No
secundária à trombose endógenos para caso dos gatos, já são
intestinal. Outra altera- antígenos eritrocitários, encontrados aloanti-
ção sistêmica observa- podendo ocorrer corpos endógenos para
da é a hipotensão, que reação de hemólise na antígenos eritrocitários,
ocorre pela liberação de primeira transfusão podendo ocorrer reação
substâncias vasoativas, incompatível. Em gatos de hemólise na primeira
como as catecolaminas, com tipo sanguíneo transfusão incompatí-
que levam à dilatação ar- A transfundidos com vel. Em gatos com tipo
teriolar e ao aumento na sangue tipo B, as reações sanguíneo A transfun-
permeabilidade capilar, podem ser fatais, com didos com sangue tipo
afetando principalmen- hemólise imediata B, as reações podem
te a circulação intestinal, ou em até duas horas ser fatais, com hemóli-
a pulmonar e a renal. pós-transfusão... se imediata ou em até
86 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 98 - fevereiro 2021
duas horas pós-transfusão (GIGER à maior resposta inflamatória associa-
e AKOL, 1990; GIGER et al., 1991; da, podendo ocorrer sinais de choque,
GIGER et al., 1995; MELZER et al., CID e síndrome da resposta inflamató-
2003; CHIARAMONTE, 2004; BEAL, ria sistêmica (SIRS) (GRIOT-WENK
2008). e GIGER, 1999; ABRAMS-OGG,
A sintomatologia associada é variá- 2000; BRACKER e DRELLICH, 2005;
vel e está relacionada com a quantidade HOHENHAUS, 2000).
de sangue incompatível transfundido e a
Tratamento
gravidade da hemólise, dependendo da
espécie. Pode ser dividida em duas fases, Ao notar qualquer alteração re-
sendo mais comuns de serem observa- lacionada com incompatibilidade, a
dos, na fase I, o decúbito, a extensão de transfusão deve ser interrompida ime-
membros, a hipotensão, a bradicardia diatamente e soluções cristaloides e/ou
e a apneia. Esses sinais podem iniciar coloides devem ser administradas para a
dois minutos após o início da transfu- manutenção da pressão arterial (PA) e
são e persistir por, aproximadamente, do débito urinário. A PA deve ser man-
cinco minutos. A taquipneia é comum tida acima de 60 ou 70mm Hg, para a
na fase II, sendo caracterizada por uma manutenção adequada da perfusão re-
fase de recuperação. As nal. Em cães e gatos, a
alterações clínicas mais Ao notar qualquer administração de anti-
observadas nos cães alteração relacionada -histamínicos e de cor-
são: hipertermia (com com incompatibilidade, ticosteroides pré-trans-
aumento de 1°C da a transfusão deve fusionais não impede
temperatura retal), ta- ser interrompida incompatibilidades e o
qui ou bradicardia, sia- imediatamente e soluções surgimento de reação
lorreia, êmese, tremo-
cristaloides e/ou coloides agudas ou tardias, po-
res, fraqueza, dispneia,
devem ser administradas rém o uso de corticoste-
hipotensão, convulsões.
para a manutenção da roide pode reduzir a li-
pressão arterial (PA) e beração de interleucina
Sinais de falência renal
do débito urinário.
aguda atribuída à hipo- 1 (IL-1), minimizando a
perfusão renal, deposi- inflamação, embora este
ção de fibrina e toxicidade tubular pela seja um benefício apenas especulativo
presença de hemoglobina livre (redução e não utilizado como padrão em medi-
do débito urinário e hemoglobinúria) cina humana. O uso de heparina pode
são fortes indícios de reação transfu- ser indicado para reduzir o estado pró-
sional hemolítica aguda. Em gatos, os -trombótico associado à inflamação gra-
sinais clínicos são mais graves, devido ve, porém não existe uma dose estabele-
5. Reações transfusionais: tipos e abordagens 87
cida. Se houver hipoxemia tado de manifesta-
Reação de
(pressão parcial de oxi- ções clínicas discretas
hipersensibilidade aguda
gênio arterial <70mmHg e anormalidades cutâ-
ou alérgica ... de tipo I,
ou pressão arterial de neas, como eritema,
mediada por IgE, embora
saturação de oxigênio da urticária, angioedema
... também ... IgG e IgA.
hemoglobina <94%), é e prurido, que são au-
... resulta da interação
indicada a suplementação tolimitantes ou de tra-
entre as imunoglobulinas
com oxigênio (ABRAMS- tamento simples (Fig.
pré-formadas com
OGG, 2000; BRACKER e 1). Podem, entretan-
mastócitos e basófilos...
DRELLICH, 2005). to, ocorrer reações
liberação de histamina,
anafiláticas ou anafi-
1.2 Reação de prostaglandinas,
lactoides significati-
hipersensibilidade leucotrienos, serotonina
aguda ou alérgica vas, incluindo emese,
e proteases, substâncias
diarreia, dispneia, hi-
Este tipo de reação é vasoativas.
potensão, taquicardia,
considerado uma reação broncoconstrição, as-
de hipersensibilidade tipo I, mediada cite, efusão pleural, edema pulmonar e
por IgE, embora a resposta anafilática choque. As reações anafiláticas e as res-
também possa induzir a liberação de IgG postas anafilactoides são indistinguíveis
e IgA. A reação de hipersensibilidade clinicamente, mas diferem em patogê-
resulta da interação entre as imunoglo- nese, sendo a última uma degranulação
bulinas pré-formadas com mastócitos e de mastócitos ou basófilos não mediada
basófilos. Essa interação é responsável por IgE, e sim causada pela presença
pela liberação de histamina, prostaglan- de anafilatoxinas derivadas do sistema
dinas, leucotrienos, serotonina e prote- complemento (C3a, C4a, C5a). Como
ases, substâncias vasoativas. As reações as reações de hipersensibilidade agudas
de hipersensibilidade alérgicas ocorrem podem ser semelhantes à reação hemo-
devido à exposição a uma lítica aguda, deve ser
determinada substância, descartada a possibi-
um alérgeno, normalmen- As reações de
hipersensibilidade lidade de hemólise.
te uma gamaglobulina, Indícios de hemoglo-
presente no plasma do se desenvolvem
principalmente em binemia ou hemoglo-
doador (PRITTIE, 2003; binúria sugerem rea-
CHIARAMONTE, 2004; transfusões de plasma
e plaquetas, sendo a ção hemolítica aguda
BRACKER e DRELLICH, (ABR AMS -OGG,
2005; TOCCI, 2010; gravidade da reação
relacionada com o 2000; PRITTIE,
WEINSTEIN, 2010). 2003; HALDANE et
A maior parte é resul- volume transfundido.
88 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 98 - fevereiro 2021
al., 2004; BRACKER aumentam o risco de re-
A transfusão deve
e DRELLICH, 2005; ações graves (PRITTIE,
ser interrompida
TOCCI, 2010; 2003; BRACKER e
imediatamente nos
WEINSTEIN, 2010). DRELLICH, 2005).
casos de manifestação
As reações de hiper-
de qualquer sinal Tratamento
sensibilidade se desen-
clínico. É preconizado
volvem principalmente A transfusão deve
o uso imediato de
em transfusões de plas- ser interrompida ime-
difenidramina (2mg/kg
ma e plaquetas, sendo diatamente nos casos de
IM) ou dexametasona
a gravidade da reação
(0,5-1mg/kg IV ou SC) manifestação de qual-
relacionada com o volu- quer sinal clínico (Fig.
...
me transfundido. Casos 1). É preconizado o uso
de múltiplas transfusões imediato de difenidra-
ou de transfusões em que o paciente te- mina (2mg/kg IM) ou dexametasona
nha apresentado anteriormente reação (0,5-1mg/kg IV ou SC); casos os sinais
Figura 1 - Reação transfusional de hipersensibilidade aguda após administração de plasma, caracteri-
zada por edema de face.
Fonte: HEMOVET, 2009.
5. Reações transfusionais: tipos e abordagens 89
cessem após a medica- interação antígeno-
A TRALI é a reação
ção, a transfusão pode -anticorpo que pode
transfusional de
ser continuada de ma- levar ao edema pul-
mais rara ocorrência,
neira mais lenta. Se hou- monar, à hipotensão, à
podendo se desenvolver
ver suspeita de reação taquicardia, à dispneia
de seis a 72 horas
anafilática, a transfusão e à febre, sendo clini-
após a transfusão,
deve ser interrompida e camente semelhante à
principalmente em
devem ser administra- síndrome do descon-
transfusões ricas em
das doses elevadas de forto respiratório agudo
plasma.
dexametasona (4-6mg/ (SDRA) (BRACKER
kg IV) e epinefrina e DRELLICH, 2005;
(0,01 a 0,02mg/kg SC, IM ou IV) para CHO, 2020).
evitar broncoconstrição e hipotensão. A Mais documentada em humanos,
suplementação de oxigênio e a adminis- principalmente pacientes politrans-
tração de fluidoterapia e de vasopresso- fundidos, essa reação ocorre quando
res podem ser indicadas anticorpos anti-leuco-
dependendo da gravi- TRALI ... duas hipóteses citários do plasma do
dade dos sinais clíni- ... já [presentes] níveis doador reagem com
cos (ABRAMS-OGG, elevados de IL-8, leucócitos do receptor.
2000; BRACKER e IL-6 e alfa-1 anti- Acredita-se em algumas
DRELLICH, 2005). tripsina, que promovem hipóteses para o desen-
o recrutamento de volvimento da TRALI.
1.3 Lesão
pulmonar aguda neutrófilos para os vasos A primeira delas é a de
relacionada pulmonares, e a alteração que o paciente a ser
à transfusão de conformação de transfundido já apre-
(TRALI) integrinas beta-2 [e] .. sente níveis elevados
neutrófilos [de] maior de IL-8, IL-6 e alfa-1
A TRALI (transfu- anti-tripsina, que pro-
sion-related acute lung aderência aos capilares
pulmonares. movem o recrutamento
injury) é a reação trans- de neutrófilos para os
fusional de mais rara ... anticorpos e lipídeos
... ativam neutrófilos, vasos pulmonares, e a
ocorrência, podendo alteração de conforma-
se desenvolver de seis resultando em
extravasamento de ção de integrinas beta-2
a 72 horas após a trans-
fusão, principalmente proteases e elastases que possibilita aos neutrófi-
em transfusões ricas em promovem a ativação de los maior aderência aos
plasma. Essa reação é NADPH e a ocorrência capilares pulmonares.
caracterizada por uma de edema [pulmonar]... Outra hipótese é a de
90 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 98 - fevereiro 2021
que anticorpos e lipídeos bioativos de circulantes sequestrando-os nos tecidos
produtos sanguíneos ativam neutrófilos, pulmonares e ativando-os, ocasionando
resultando em extravasamento de prote- lesão ao endotélio pulmonar e tornan-
ases e elastases que promovem a ativa- do-o susceptível às citocinas e aos lipí-
ção de NADPH e a ocorrência de edema deos presentes em produtos sanguíneos
(Fig. 2). Porém, a lesão pulmonar pode estocados. A transfusão sanguínea é,
ocorrer em pacientes saudáveis trans- então, o segundo evento necessário para
fundidos com plasma rico em anticor- desencadear a TRALI, de acordo com
pos cujo neutrófilo fora anteriormente essa teoria (SILLIMAN et al.,2005).
ativado (MARIK, 2008; LANGEREIS, Deve ser considerada associando-se
2013; CHO, 2020; ROSSAINT, 2013). ao histórico e quando outras causas de
Relata-se também a TRALI não edema pulmonar (edema de origem car-
imunomediada, que pode ser iniciada a diogênica ou sobrecarga de volume) fo-
partir de dois eventos independentes. O rem descartadas. Assim como em outros
primeiro diz respeito à condição clínica casos de edema pulmonar não cardiogê-
do paciente (sepse, cirurgia, trauma), nico, o líquido pulmonar apresenta vis-
que aumenta o número de neutrófilos cosidade aumentada, sendo a proporção
igura r nsito pu onar de neutr os atra s de api ares pu onares e ondições sio gi as
e e es o pu onar aguda re a ionada transfus o R .
onte: daptado de et al., 2005.
5. Reações transfusionais: tipos e abordagens 91
de proteínas do líquido de sensibilidade leuco-
Reação transfusional
superior a 0,7, que não é citária ou plaquetária, é
febril não hemolítica
eliminada com a terapia caracterizado pela ele-
(RFNH)
diurética, e esse trata- vação de 1°C na tempe-
Este tipo de reação
mento pode ser preju- transfusional ... reação de ratura corporal durante
dicial devido ao volume sensibilidade leucocitária ou após uma transfusão,
intravascular diminuído. quando outros fatores
ou plaquetária, é
O diagnóstico é basi- desencadeantes de hi-
caracterizada pela
camente clínico, pois não elevação de 1°C na pertermia são descar-
há teste específico para temperatura corporal tados. Trata-se de uma
TRALI. As alterações durante ou após uma das complicações mais
clínicas podem estar re- transfusão. comuns na medicina
lacionadas com dispneia, humana, geralmente
hipoxemia, edema pulmonar, febre, hipo- autolimitantes e com pouco significa-
tensão, cianose e taquicardia. Ao primei- do clínico (BRACKER e DRELLICH,
ro sinal de alteração respiratória, a trans- 2005; TOCCI, 2010).
fusão deve ser interrompida e a terapia A maioria das RFNH é causada por
envolve o suporte com fluidoterapia com antígenos leucocitários e de plaquetas
soluções cristaloides e suplementação do doador que reagem com anticorpos
de oxigênio. Nas alterações radiográficas no plasma do receptor. Durante o ar-
são notadas características de infiltrado mazenamento, leucócitos e plaquetas
alveolar e intersticial bilateral, condizen- liberam IL-1β, IL-6, IL-8 E TNF- α,
tes com edema pulmonar (BRACKER citocinas pirogênicas que se acumulam
no sangue armazenado, logo, para redu-
e DRELLICH,
zir a possibilidade desse
2005; WEBERT e A maioria das RFNH é tipo de reação, pode ser
BLAJCHMAN, 2005; causada por antígenos realizada leucorredução
TOCCI, 2010). leucocitários e de (remoção de leucóci-
plaquetas do doador que tos) antes do armazena-
1.4 Reação reagem com anticorpos mento e da transfusão.
transfusional no plasma do receptor. Este é um procedimen-
febril não ... to comum em medici-
hemolítica Durante o na humana que parece
(RFNH) armazenamento, ser eficaz em pacientes
leucócitos e plaquetas veterinários. É provável
Este tipo de reação liberam IL-1β, IL-6, que transfusões com
transfusional, também IL-8 E TNF- α, citocinas
compostos plaquetários
conhecida como reação pirogênicas...
92 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 98 - fevereiro 2021
aumentem a ocorrência de RFNH, mas 2.1 Reações hemolíticas
qualquer produto sanguíneo que conte- tardias
nha plaquetas, leucócitos ou fragmen-
São reações em que a evidência
tos de suas membranas podem induzir
clínica e sorológica de hemólise não é
as reações (BRACKER e DRELLICH,
perceptível até alguns dias após a ocor-
2005; TOCCI, 2010).
rência da transfusão. Esse tipo de reação
A hipertermia geralmente se inicia
ocorre quando os eritrócitos do doador
nos primeiros 30 minu-
possuem um antígeno
tos de transfusão, po-
As reações hemolíticas ao qual o receptor já
dendo persistir por até
tardias ... são reações sofreu exposição imu-
12 horas. Outras ma-
em que a evidência nológica, quer seja du-
nifestações clínicas são
clínica e sorológica rante a gestação, quer
tremores musculares,
de hemólise não é seja na transfusão san-
taquipneia e emese, e,
perceptível até alguns guínea prévia. Ao longo
caso essas alterações de-
dias após a ocorrência da do tempo, tal antígeno
monstrem alteração no
transfusão... desapareceu da circula-
bem-estar do paciente
... quando os eritrócitos ção ou sua concentração
ou este apresente au-
do doador possuem caiu a níveis que não são
mento significativo de
um antígeno ao qual mais detectáveis. Por
temperatura, a transfu-
o receptor já sofreu esse motivo, os testes
são deve ser interrom-
exposição imunológica ... rotineiros de compatibi-
pida temporariamente
lidade não demonstram
e podem ser administrados AINES ou
sinais de incompatibilidade entre os eri-
anti-histamínicos, além de antipiréticos
trócitos do doador e o soro do receptor
(HARRELL, 1997; HEDDLE, 1999;
(PEARL, 1984).
ABRAMS-OGG, 2000; PRITTIE, 2003;
O sangue transfundido, então, pro-
CHIARAMONTE, 2004; BRACKER
voca um segundo estímulo, gerando
e DRELLICH, 2005; WEINSTEIN,
uma resposta imunológica e o rápido
2010).
reaparecimento, dentro de alguns dias,
de anticorpos suficientes para causarem
2. Reações imunológicas hemólise. Os anticorpos envolvidos em
tardias reações tardias são virtualmente sem-
São aquelas que se iniciam após 48 pre os da classe das imunoglobulinas
horas da transfusão de um hemocom- G (IgG), com consequente desenvol-
ponente e ocorrem devido à resposta vimento de hemólise extravascular
imune de memória induzida portrans- (MOORE, 1980).
fusão prévia. A reação hemolítica tardia à trans-
5. Reações transfusionais: tipos e abordagens 93
fusão ocorre como re- risco de reações pós-
A prova cruzada objetiva
sultado de hemólise -transfusionais hemo-
detectar anticorpos
extravascular que pode líticas. Essas reações
preexistentes no sangue
ser visível dentro de três
de doadores ou receptores incluem redução no
a 21 dias após a trans- tempo de vida das cé-
e é um excelente teste
fusão. (PICHLER & lulas recebidas devido
de rastreamento
TURNWALD, 1985; à formação de anticor-
para documentar
HOHENHAUS, 1992). pos contra os glóbu-
incompatibilidades que
A hemólise resulta de los vermelhos, sensi-
podem levar a reações
opsonização pelas mo- bilização do receptor
transfusionais...
léculas de IgG dos eri- para subsequentes
trócitos recebidos, com transfusões não universais, risco de
subsequente destruição dessas células reações hemolíticas imediatas em um
no fígado ou no baço (BRECHER, animal sensibilizado e doença he-
1991). molítica em filhotes recém-nascidos
Como essas reações tendem a ser (GREENBERGER, 1991).
suaves, tratamentos específicos, fre- A prova cruzada objetiva detectar
quentemente, não são necessários; anticorpos preexistentes no sangue
utiliza-se tratamento sintomático para de doadores ou receptores e é um
febre e anorexia. As reações graves de- excelente teste de rastreamento para
vem ser tratadas como
documentar incompa-
as reações hemolíticas A púrpura pós- tibilidades que podem
agudas. O efeito mais transfusional é levar a reações trans-
importante da reação caracterizada por uma fusionais (HARREL,
tardia é o agravamento trombocitopenia aguda 1995). Esse teste está
da anemia preexisten- que ocorre uma semana contemplado em ou-
te. Isso pode resultar após a transfusão ... tro capítulo deste
na necessidade de re- em que a fisiopatologia caderno.
alização de uma nova seja anamnéstica por
transfusão, o que pode natureza e devido ao 2.2 Púrpura
aumentar os riscos de desenvolvimento de A púrpura pós-
outra reação imunoló- anticorpos específicos -transfusional é carac-
gica (BRECHER, 1991; para plaquetas terizada por uma trom-
COTTER, 1991). circulantes que destroem bocitopenia aguda que
A utilização de do- ... também as plaquetas ocorre uma semana
adores positivos DEA autólogas (self) do
1 e DEA 7 aumenta o após a transfusão e é
paciente ... visualizada como uma
94 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 98 - fevereiro 2021
complicação rara de procedimentos 2.3 Isoeritrólise neonatal
transfusionais. Acredita-se que a fisio-
A doença hemolítica de filhotes
patologia seja anamnéstica por natu-
recém-nascidos ocorre como resultado
reza e devido ao desenvolvimento de da sensibilização de cadelas reprodu-
anticorpos específicos para plaquetas toras devido à transfusão prévia de he-
circulantes que destroem não apenas mácias incompatíveis. As cadelas DEA
as plaquetas transfundidas, mas tam- 1 negativas, quando recebem sangue
bém atacam as plaquetas autólogas do positivo para DEA 1, desenvolvem an-
paciente (LAU, 1980). A trombocito- ticorpos para esses tipos sanguíneos.
penia pode persistir por 10 dias a dois Assim, filhotes DEA 1 positivos nasci-
meses (HARREL, 1985). dos consomem grandes quantidades
Contagens plaquetárias seriadas, de anticorpos anti-DEA 1 no colostro
juntamente com sinais clínicos de nas primeiras 24 horas de vida e esses
trombocitopenia, como petéquias, he- anticorpos têm a capacidade de causar
morragia escleral e aural, e hematúria hemólise grave. Fraqueza, incapacidade
são sugestivas de púrpura pós-trans- de prosperar e hemoglobinúria podem
fusão, sendo importante descartar ser os primeiros sinais observados pelos
outras causas de trombocitopenia re- tutores desses filhotes.
lacionadas ao processo Os sinais clínicos e
primário da doença Isoeritrólise neonatal laboratoriais de hemóli-
ou às reações medica- A doença hemolítica de se, um teste de Coombs
mentosas (HARREL, filhotes recém-nascidos positivo e uma cadela
1985).
ocorre como resultado da com histórico de reali-
A púrpura pós-
sensibilização de cadelas zação de transfusão san-
reprodutoras, devido guínea prévia propor-
-transfusão geralmente
à transfusão prévia de cionam diagnóstico de
é uma doença autoli-
hemácias incompatíveis. isoeritrólise neonatal.
mitada, tratando-se de Causas tóxicas e infec-
uma complicação pós-transfusional ciosas de hemólise também devem ser
rara.A transfusão de plaquetas pode descartadas. A isoeritrólise neonatal é
ser ineficaz devido à destruição rápida uma complicação evitável da transfusão.
e resultar em reações febris. A terapia As cadelas reprodutoras, ao serem trans-
padrão para trombocitopenia imu- fundidas, devem receber apenas sangue
nomediada pode ser indicada, como compatível. Se houver suspeita de que
uso de glicocorticoides com predni- uma cadela tenha aloanticorpos resul-
solona ou dexametasona (LAU, 1980; tantes de uma transfusão anterior ou
PEARL, 1984). de uma ninhada anterior exibindo iso-
5. Reações transfusionais: tipos e abordagens 95
eritrólise neonatal, os e GIGER, 1993).
Em gatos, todos os do
filhotes não devem ter A placenta felina é
tipo B [reagem] contra
acesso a ela por até 72 do tipo endotelocorial
células do tipo A,
horas. Filhotes acometi- e permite apenas pe-
enquanto os gatos do
dos podem exibir sinais quenas e insignificantes
tipo A possuem baixos
clínicos leves a graves passagem de anticorpos
de títulos de anticorpos
de hemólise (HARREL, anti-B ... Tais anticorpos maternos. Se o gato é
1995). ocorrem naturalmente, do A ou AB e a gata tem
Em gatos, todos os ... presentes sem tipo B, os anticorpos
do tipo B têm hema- sensibilização prévia colostrais se ligam e li-
glutinina hemolisina ... até mesmo fêmeas sam os glóbulos verme-
contra células do tipo primíparas possuem o lhos no recém-nascido
A, enquanto os gatos do risco de terem ninhadas (BUCHELER, 1990).
tipo A possuem baixos com isoeritrólise A hemólise pode ocor-
de títulos de anticorpos neonatal. rer por via intravascular
anti-B (BUCHELER e extravascular e pode
e GIGER, 1993). Tais causar anemia, nefropa-
anticorpos ocorrem tia e falência de outros
naturalmente, isto é,
A hipervolemia pode órgãos, além de coa-
resultar da transfusão gulação intravascular
esses anticorpos estão
de sangue total ou da disseminada (GIGER,
presentes sem sensibili-
administração rápida de 1990, 1991).
zação prévia por trans-
componentes sanguíneos
fusão ou gravidez, ao Para se prevenir a
para pacientes
contrário do que ocor- ocorrência da isoeritróli-
normovolêmicos.
re nos cães. Assim, até se neonatal, recomenda-
mesmo fêmeas primípa- -se evitar acasalamentos
ras possuem o risco de terem ninhadas incompatíveis entre fêmeas do tipo B e
com isoeritrólise neonatal. machos do tipo A, sendo aconselhável a
Os filhotes de gato adquirem os realização de tipagem sanguínea de todos
anticorpos maternos através do colos- os gatos em gatis (BOOTHE, 2001)
tro durante os dois primeiros dias de
vida (CASAL et al., 1996; GIGER e 3. Reações não
CASAL,1997). Entre seis e oito sema- imunológicas agudas
nas de idade, começam a produzir seus
próprios aloanticorpos, e os títulos de 3.1 Sobrecarga de volume
aloanticorpos atingem seu nível máximo A hipervolemia pode resultar da
em alguns meses de idade (BUCHELER transfusão de sangue total ou da ad-
96 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 98 - fevereiro 2021
ministração rápida de componentes transfusão, pois o citrato é rapidamente
sanguíneos para pacientes normovolê- metabolizado pelo fígado. Entretanto,
micos. Pacientes com anemia crônica o metabolismo do citrato pode ocor-
podem se apresentar em rer mais lentamente em
um estado euvolêmico O citrato é utilizado pacientes com doença
compensado; portanto, como anticoagulante hepática ou hipotermia.
transfusão rápida pode nas bolsas de sangue e ... O tratamento é geral-
resultar em hipervole- pode ocorrer toxicidade mente indicado apenas
mia. Além disso, ani- ... por [ligação] ao cálcio em pacientes com sinais
mais com comprometi- ionizado, causando clínicos de hipocalce-
mento cardíaco ou renal sinais de hipocalcemia. mia, como hipotensão,
concomitante podem tremores musculares
estar em risco de sobrecarga de volume. ou arritmias, e ocorre por meio da ad-
Os sinais clínicos dessa sobrecarga in- ministração de cloreto ou gluconato
cluem dispneia, cianose, ortopneia, au- de cálcio (MEIKLE e MILNE, 2000;
mento da pressão venosa central, edema CORAZZA e HRANCHOOK, 2000;
pulmonar e distensão venosa pulmonar JUTKOWITZ et al., 2002)
nas radiografias torácicas. O tratamento
3.3 Hipotermia
envolve a interrupção da transfusão, diu-
réticos e oxigenioterapia (BRACKER e Produtos derivados de sangue que
DRELLICH, 2005; TOCCI, 2010). foram refrigerados ou congelados de-
vem ser aquecidos à temperatura próxi-
3.2 Toxicidade por citrato ma à corporal antes da administração. A
O citrato é utilizado como anticoa- infusão de grandes volumes de sangue
gulante nas bolsas de sangue e, quando ou de seus derivados frios pode gerar ar-
grandes volumes de plasma fresco con- ritmias clinicamente significativas e co-
gelado, de sangue total ou de plaquetas agulopatias induzidas por hipotermia.
são transfundidos, pode ocorrer toxi- O sangue deve ser aquecido a 37 °C,
cidade por essa substância. Os níveis com auxílio de dispositivos próprios,
de citrato plasmático para evitar superaque-
aumentam e se ligam Produtos derivados cimento. A temperatura
ao cálcio ionizado, cau- de sangue que foram não deve ser superior a
sando sinais de hipocal- refrigerados ou 37 °C, porque tempe-
cemia (TOCCI, 2010). congelados devem ser raturas mais altas cau-
Geralmente os aquecidos à temperatura sam lise de eritrócitos e
níveis de cálcio são próxima à corporal antes inativação de fatores de
restabelecidos após a da administração. coagulação (BRACKER
5. Reações transfusionais: tipos e abordagens 97
e DRELLICH, 2005; armazenamento. A mera
... as bactérias
KUMAR, 2017). presença de bactérias em
responsáveis pela
O sangue total e o uma unidade de sangue
contaminação da bolsa
concentrado de hemá- é menos importante do
de sangue e de seus
cias devem descansar na que sua capacidade de
derivados se originem
temperatura ambiente replicação, o que pode
com maior frequência
por cerca de 30 minutos; induzir complicações
a partir do doador,
o plasma fresco congela- sépticas graves. Devido
... do local da punção
do e o plasma congelado à gravidade da doença
venosa, [ou] devido a
devem ser aquecidos subjacente do paciente e
uma bacteremia não
em banho-maria entre à variabilidade na apre-
identificada.
30-37°C e utilizados sentação e no tempo, a
em até quatro horas, o sepse resultante de bolsas contaminadas
crioprecipitado deve ser descongelado com bactérias pode não ser reconhecida.
em banho-maria também entre 30-37 ºC (BRECHER e HAY, 2005).
e utilizado até oito horas, e as plaquetas Os produtos sanguíneos geralmen-
devem ser aquecidas na
te são inspecionados
temperatura ambiente,
Durante a estocagem visualmente antes da
por agitação, e repousar
de sangue total administração e deve-se
por 15 minutos antes da
ou concentrado suspeitar de contamina-
transfusão (LUCAS et
de eritrócitos, ção bacteriana quando
al., 2004).
ocorre aumento da houver uma mudança
3.4 concentração de amônia óbvia de cor, hemólise
Contaminação devido à deaminação de logo acima da massa de
bacteriana proteínas plasmáticas glóbulos vermelhos ou
Acredita-se que as intraeritrocitárias, ou da coágulos visíveis. Com
bactérias responsáveis adenina, um aditivo ... qualquer um desses
pela contaminação da em algumas bolsas. achados, a cultura bacte-
bolsa de sangue e de riológica deve ser reali-
seus derivados se originem com mais zada para determinar se a contaminação
frequência a partir do doador, seja de- ocorreu ou não e a unidade não deve,
vido ao local da punção venosa, seja de- portanto, ser administrada (MIGLIO et
vido a uma bacteremia não identificada al., 2016).
(TOCCI, 2010).
As propriedades dos microrganis-
3.5 Hiperamonemia
mos contaminantes determinam sua Durante a estocagem de sangue
capacidade de crescer em condições de total ou concentrado de eritrócitos,
98 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 98 - fevereiro 2021
ocorre aumento da con- sangue (HOWARD,
Em medicina humana,
centração de amônia 1992). Normalmente,
a causa mais comum de
devido à deaminação de
fatalidades relacionadas os agentes infecciosos
proteínas plasmáticas com maior risco de
ao processo de
intraeritrocitárias, ou
transfusão sanguínea é a transmissão apresen-
da adenina, um aditivo tam longos períodos de
transmissão de doenças
presente em algumas
infecciosas. Apesar disso, incubação, são estáveis
bolsas. Pacientes com
uma parcela considerável no sangue armazenado
disfunção hepática ou e têm a capacidade de
de clínicas não realiza
aqueles que recebe- persistirem subclinica-
a pesquisa de agentes
mtransfusões massivas
infecciosos em pacientes mente em cães saudá-
podem desenvolver
utilizados como doadores veis por períodos pro-
hiperamonemia e con- longados (COTTER,
de sangue.
seqüente encefalopa- 1991). Atualmente,
tia hepática, podendo recomenda-se que os
apresentar ataxia, alteração do estado de cães doadores sejam rastreados quan-
consciênciae sintomas como head press, to a doenças com base na prevalência
head tilt e convulsões (MOLLISON et geográfica específica de doenças in-
al.,1993). fecciosas, tais como brucelose, diro-
filariose babesiose, erliquiose e leish-
4. Reações não maniose (TURNWALD e PICHLER,
imunológicas tardias 1985; COTTER, 1991; BUCHELER e
COTTER, 1991).
4.1 Transmissão de doenças
infecciosas 4.2 Hemossiderose
Em medicina humana, a causa mais A hemossiderose é uma rara com-
comum de fatalidades relacionadas plicação relacionada à sobrecarga de
ao processo de trans- ferro,que pode ocor-
rer quando o animal é
fusão sanguínea é a A hemossiderose é
submetido a múltiplas
transmissão de doen- uma rara complicação
ças infecciosas. Apesar relacionada à sobrecarga transfusões sem apresen-
tar quadro hemorrágico
disso, uma parcela con- de ferro, que pode
(COTTER, 1991). O
siderável de clínicas ocorrer quando o
excesso de ferro é inicial-
não realiza a pesquisa animal é submetido a
mente vinculado à trans-
de agentes infecciosos múltiplas transfusões
em pacientes utiliza- sem apresentar quadro ferrina. Quando a trans-
dos como doadores de hemorrágico. ferrina é saturada, o ferro
5. Reações transfusionais: tipos e abordagens 99
excedente é armazenado no fígado, o que dissertation]. Berlin, Free University of Berlin
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pode resultar em danos hepáticos. A tera-
pia com hemocomponentes apropriada 9. BUCHELER, J., GIGER, U. Alloantibodies
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pode reduzir o risco de desenvolvimento Immunopathol, v. 38:283, 1993.
do quadro de hemossiderose, sendo, por- 10. CAPON, S. M., SACHER, R. A. Hemolytic
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