Modelos de Intervenção Psicológica
Modelos Psicanalíticos e Psicodinâmicos
Autores importantes:
Sigmund Freud
Anna Freud
Mélanie Klein
Psicanálise (Sigmund Freud (1856-2939)
Objetivo: compreender o conflito que está na origem da patologia
Constituí o princípio do determinismo psíquico fundamental para compreender a
experiência do indivíduo
Possibilidade de mudança e de autorrealização
A psicanálise é uma disciplina em evolução e tem passado por várias mudanças
teóricas
3 instâncias da psique
• Inconsciente
• Pré-consciente
• Consciente
1. Inconsciente
• Ponto de entrada do aparelho psíquico;
• Forma de funcionamento regida por leis próprias, que fogem aos
entendimentos da racionalização consciente;
• É considerado: a parte mais arcaica do aparelho psíquico;
• Obscuro;
• Paixões, medos, criatividade morte.
2. Pré- consciente
• Filtro para que determinados conteúdos possam (ou não) emergir a
nível consciente;
• Entende-se que os conteúdos presentes no pré consciente estão
disponíveis ao consciente → o individuo acede ou não caso queira.
Sabemos que existe determinada memória, mas não estamos
sempre a aceder a ela;
• Manifesta-se, muitas vezes, através de lembranças;
• É a parte da mente que acumula informação suscetível para
alcançar a parte consciente.
3. Consciente
• Tudo o que está disponível na mente;
• Tudo o que sentimos, pensamos e lembramos → está no
consciente;
• Junção entre "a representação de algo" e "a representação da
palavra" →Juntamos uma lembrança a tudo aquilo que sentimos
quando experienciamos uma situação. Identificamos as emoções às
lembranças, ou seja, o objeto;
• É a parte do nosso aparelho psíquico que tem a noção da realidade
do nosso meio ambiente imediato;
• Responsável pelo contacto com o mundo exterior;
• O consciente é o que existe agora e o que está em contacto com o
mundo exterior.
Bases Teóricas
Freud concebeu um modelo de funcionamento mental que inclui uma
complexidade de processos inconscientes
A vida mental humana é regida por 3 instâncias psíquicas: o id, o ego e o
superego
Os fenómenos psíquicos resultam do conflito e da composição de forças de
origem pulsional, provenientes de 3 instâncias
Id
• Cada um de nós é dotado de uma quantidade específica de energia
psíquica que, no recém-nascido, se encontra ligada inteiramente a esta
instância
• Nesta fase primária da vida → trata-se de impulsos biológicos que
procuram ser satisfeitos e quando isso não acontece, produzem sensações
de insatisfação;
• É uma espécie de reservatório primitivo de energia, que vai entrar em
conflito com o ego e o superego;
• Princípio do prazer, que visa evitar o desprazer e proporcionar prazer,
através da descarga da excitação.
Ego
• Surge mais tarde, no desenvolvimento humano
• Torna-se responsável pelo pensamento e ação voluntária
• Organiza o contacto com o mundo externo, através dos sentidos
• É no ego que o sentido da temporalidade e de raciocínio → ganham
consciência e expressão
• Por questões de sobrevivência é necessário que o indivíduo diferencie a
fantasia de realidade
• O ego é orientado pelo "princípio do prazer" (no entanto, o ego serve o id
na busca do prazer e na redução da tensão sem deixar de considerar as
exigências da realidade)
• Segue as regras de "processo secundários" do pensamento (pensamento
adulto, lógico, orientado no tempo e diferencia realidade de irrealidade)
• Conteúdos essencialmente conscientes mas o individuo não está
consciente de todos os aspetos do funcionamento do ego: Inclui os
mecanismos de defesa, que protegem a pessoa da dor psíquica. Estas
defesas não são normalmente parte da experiência consciente
• O ego pode inibir os esforços do id → tem de satisfazer as exigências
constantes do id, enquanto permanece ligado às restrições da realidade
Superego
• Nas fases precoces, a criança só absorve padrões, valores e atitudes dos
pais ou figuras significativas;
• A sua integração, inicialmente inconsciente, reúne-se numa instância
psíquica → que dá origem ao superego;
• Os pais desempenham um papel importante na contenção e inibição dos
excessos do id, ajudando a criança a sintonizar-se com a realidade;
• As regras, os princípios morais abstratos e a imagem ideal de quem
devemos ser → podem ser concebidos como algo dentro de nós próprios,
que nos pode orientar, exigir, avaliar ou criticar → determinada satisfação
ou punição relativamente a ações ou pensamentos do próprio indivíduo;
• Tal como ego, o superego, é parcialmente consciente e parcialmente
inconsciente. Enquanto a maioria de nós tem alguma consciência das
regras morais e padrões que governam o comportamento, existem
igualmente outras pressões internas, morais ou persecutórias, sem termos
consciência disso → o que pode desencadear sofrimento mental;
• Instância psíquica que através do EGO procura controlar o ID;
• Forma-se através da personalidade dos pais (superego dos pais);
• Imposição de sanções, normas e padrões → interiorização do que não se
pode fazer;
• Representante dos preconceitos e juízos de valor;
• Tem três objetivos:
• Inibir (através de punição ou sentimento de culpa) qualquer
impulso contrário às regras e ideias por ele ditados (consciente
moral);
• Forçar o ego a comportar-se de forma moral;
• Conduzir o indivíduo à perfeição → através de gestos,
pensamentos.
• Pessoas com superego forte: forte consciência moral, maior capacidade
de autocontrolo, tendem a resistir a impulsos e desejos imediatos em prol
do que é considerado moralmente correto, responsáveis e comprometidas,
em busca do perfecionismo, mais críticas de si, tendem a respeitar as
regras e normais sociais, podem experienciar sentimentos intensos de
culpa;
• O superego forte pode trazer aspetos positivos e desafios, como:
autocrítica excessiva, perfecionismo irrealista e uma carga emocional
intensa associada ao não atendimento de padrões morais;
• Pessoas com um superego menos: mais impulsivas, ignoram normas éticas
e sociais, pode haver uma tendência a evitar responsabilidades ou
obrigações, falta de intensidade emocional associada a violações éticas;
• O superego menor, não implica sempre um comportamento negativo. Em
alguns casos, pode haver mais flexibilidade e adaptabilidade;
• O equilíbrio entre o id, o ego e o superego é um componente essencial
para uma personalidade saudável.
Bases Teóricas
• A conceção freudiana atribuiu sempre maior ênfase à busca do prazer
determinada pela descarga da pulsão;
• Ansiedade e muitos dos sintomas que os pacientes apresentam →
resultariam, principalmente, do conflito entre as várias exigências
exercidas sobre o ego pelo id e superego;
• A fonte principal de receio da criança é o sentimento de perda: perda de
um objeto do amor do objeto, por dano e culpa;
• Desta forma → a ansiedade pode ser desencadeada por perigos externos
ou internos ;
• Mélanie Klein et al. Desenvolveram com maior clareza a perspetiva da
relação de objeto na psicanálise, conhecida pela Teoria das Relações de
Objetos- uma estrutura intrapsíquica- baseada nas representação mental
do eu e desses objetos, que acabam por se exteriorizar nas situações
interpessoais;
• Num desenvolvimento saudável, esta estrutura torna-se flexíveis,
integrando novas vivências e com adaptação à realidade;
• Em casos menos harmoniosos, podem tornar-se rigidamente organizadas,
distorcendo o contato com a realidade → implicando o sofrimento do
próprio sem que ele tenha consciência da sua origem ou causa;
• O mundo interno é fruto da integração de vivências conscientes e
inconscientes → que se organizam de forma mais ou menos estável.
Objetivos
• Alívio da dor psíquica;
• Alcançar o desenvolvimento da personalidade, a auto consciência e a
autoconfiança;
• Ajudar o paciente a resolver o conflito → de forma mais saudável e
através do uso do insight e da livre escolha consciente sobre si mesmo;
• Controlar os impulsos → através do autoconhecimento;
• Ajudar o paciente a utilizar os seus próprios mecanismos mentais → de
forma mais otimizada, para que a pessoa possa por si mesma, procurar
resolver conflitos com que se vai confrontado;
• Reduzir, significativamente, os sentimentos de sofrimento → com ênfase
no autoconhecimento.
Conceitos Importantes
1. Inconsciente- Pensamentos, memórias, desejos, emoções, motivações
• Algo ao qual não temos acesso
• Ex: situações traumáticas:
• Quando estão no inconsciente- não causam sofrimento mas
podem interferir com comportamento e interações com os
outros → mecanismos de defesa
2. Repressão
• Reprimir o consciente de desejos, memórias
• O individuo vai guardando ou reprimindo experiências que causam
dor ou trauma → Para se manter funcional, vai reprimindo essas
memórias traumáticas no inconsciente
• Recusa inconscientemente reconhecer certos conteúdos mentais
• Experiências, memórias, sentimentos, pensamentos, fantasias e
motivação → São reprimidas, porque são demasiado assustadoras
ou promotoras de culpa ou desagradáveis para serem
experienciadas ou lembradas
3. Resistência
• Dificuldades que ocorrem quando o terapeuta tenta ajudar o
paciente a ultrapassar o problema ou a ter consciência → dificulta o
processo terapêutico
• Mecanismos de defesa que permitem a resistência → São
estratégias para lidar com as situações de vida, que indicam uma
limitação no desenvolvimento e na capacidade eficaz para lidar
com a realidade → mecanismos que servem para não aceder a
material inconsciente
• Faz parte do processo de mudança: Quando existe material
guardado → Existe uma razão para que, de forma menos
consciente, o paciente tente resistir a ceder à informação (por dor,
medo, etc)
• Mecanismos de defesa do Eu
• São usados na resistência;
• Processos psicológicos e inconscientes desencadeados para
integrar a nossa personalidade (ego) → Para proteger;
• Função: Proteção, manutenção do eu num grau ótimo
(permitir que a pessoa continue funcional nas diversas áreas
da sua vida);
• Visam reduzir as tensões psíquicas;
• Aparecem sob a forma de sintomas e alguns funcionam de
forma interligada;
• Têm funções adaptativas, mas quando são utilizados de
forma rígida ou estereotipada → Criam barreiras aos
estímulos, o que conduz a outros problemas;
• Barreiras para não aceder a pensamentos, emoções e
memórias que estão reprimidos no insciente.
4. Transferência
• Fenómenos inconsciente pelo qual os pacientes revivem
experiências, sentimentos e memórias do passado como se
estivessem a ocorrer no presente
• Contratransferência:
• Processo do terapeuta para o paciente. O terapeuta transfere
memórias e interações para o paciente que tem, por
exemplo, com pessoas da sua família
• Quando um paciente me faz lembrar alguem, poderei ter a
tendência em interagir com ele da forma como iria interagir
com essa pessoa (pai, filho,…) → deixo de focar no
paciente
Mecanismos de defesa do Eu
• São estratégias inconscientes do ego perante acontecimentos e fatores que
geram sofrimento, para lidar com conflitos internos- procuram reduzir as
manifestações iminentemente desagradáveis da ansiedade, culpa e medo
• São usados na resistência:
• Sublimação: A energia de impulsos inaceitáveis (agressivos) é
redirecionada para atividades socialmente aceitáveis e
culturalmente valorizadas. (um individuo com impulsos agressivos
→ treino de desporto mais agressivos);
• Racionalização: Encontra a explicação lógica, racional, para
pensamentos/ ações inaceitáveis que causam angústia. Usada para
justificar comportamentos cujas razões para tais atos não são
recomendáveis. Bastante utilizado e difícil de alterar, sendo
necessárias várias sessões;
• Deslocamento: Desviar instintos agressivos para um outro objeto
que não o inicial, menos ameaçador e socialmente mais aceite.
(Quando existe uma memória traumática que se manifesta em algo
que não tem diretamente a ver com o comportamento. Surge em
fobias, por exemplo);
• Isolamento/Intelectualização: Isola ou bloqueia os sentimentos,
focando apenas os aspetos cognitivos. Muitas das vezes é usado em
conjunto com a racionalização- explicação cognitiva sem aceder às
emoções.
• Formação reativa: Expressar sentimentos e comportamentos
opostos ao desejo real. É um inversão normalmente inconsciente,
do verdadeiro desejo;
• Anulação: Existência de um pensamento inaceitável, que é
anulado. (Pensar: "Gostaria que algo de mal aconteça a esta
pessoa". E depois pensar "Eu não pensei isso"). Em crianças pode
surgir o pensamento mágico (Amigo imaginário nas crianças: Vai
aparecer um mostro que vai fazer mal a essa pessoa);
• Denegação: Uma forma de recusa em aceitar a realidade.
Normalmente, implica uma recusa complexa e elaborada, muitas
vezes envolvendo aspetos emocionais e cognitivos mais profundos.
(Após término de um relacionamento importante, nega a tristeza e a
perda e nega a si mesma a experiência de emoções associadas
criando uma narrativa emocionalmente distante;
• Negação: O paciente rejeita, desmente, nega determinada realidade
(No luto, em que a pessoa não acredita e nega o acontecimento. A
longo prazo, é mal-adaptativo);
• Projeção: Projetar no exterior (indivíduo ou objeto) estados
afetivos insuportáveis. (Tenho desejo sexual por alguém, mas em
vez de o dizer, refiro que a outra pessoa o tem por mim);
• Clivagem: Dividir os aspetos bons dos maus- é uma forma de
simplificar a complexidade emocional- totalmente bom ou
totalmente mau. (Perceber alguém como sendo perfeito, mas, em
momentos de desilusão, essa pessoa passa a ser considerada, de
forma repentina, como totalmente má);
• Idealização: Idealizar objetos de forma positiva, não deixando vir
ao de cima aspetos negativos. Distorcer a perceção da realidade.
Destaca apenas as qualidades positivas e negando ou minimizando
características menos desejáveis.
▪ Num relacionamento pode idealizar o parceiro, percebendo-
o como perfeito e ignorando defeitos sou aspetos negativos
que pode surgir ao longo do tempo.
▪ Idealização de si, destacando apenas as qualidades positivas
e negando ou minimizando características menos desejáveis
Principais técnicas
1. Associação Livre e Atenção Flutuante
2. A interpretação do significado inconsciente do que foi clarificado e
confrontado- primeiro no aqui e agora e depois no lá
3. A clarificação da experiência consciente e pré-consciente do paciente é
fundamenta
4. A confrontação entre o comportamento não-verbal e verbal do paciente
1. Associação Livre e Atenção Flutuante
• Dos métodos mais utilizados pela psicanálise e pelos modelos
psicodinâmicos;
• O terapeuta encoraja o paciente a expressar livremente os seus
pensamentos e emoções, sem censura ou filtragem consciente;
• O paciente faz sozinho a associação de ideias, de forma a
interpretar a causa dos seus sintomas;
• A compreensão do sujeito surge do diálogo entre o paciente e o
terapeuta (atenção por parte do terapeuta em relação a tudo o que é
dito);
• Acede ao conteúdo do inconsciente do paciente, onde estão
armazenados pensamentos, memórias e sentimentos que podem ser
desconfortáveis ou que se encontram reprimidos;
• Ao permitir que a mente do paciente flua livremente- o terapeuta
pode observar padrões, associações e temas recorrentes que podem
dar informação importante.
2. Interpretação
• A interpretação adequada nos momentos certos- permite o
reenfoque da abordagem do paciente ao conflito e reestrutura das
suas relações intrapsíquicas;
• É diferente de outras técnicas utilizadas, porque remete para algo
do qual o paciente não tem consciência;
• A interpretação apenas se refere ao paciente e não a outros da sua
vida e deve ser verdadeira e desinteressada;
• Cuidados a ter com a interpretação: quando mal utilizada favorece
as verdades feitas;
• Na interpretação, dá-se luz ao conteúdo latente do material
manifesto comunicado pelo paciente;
• A técnica nasceu como abordagem ao sonho, mas aplica-se a todas
as produções do inconsciente que chegam ao terapeuta através da
associação o livre, de atos falhados e dos sintomas;
• Ajuda o paciente a compreender o significado inconsciente do seu
discurso e ações.
BASES TEÓRICAS
Catarse
• Processo terapêutico ou emocional no qual uma pessoa expressa
intensamente emoções reprimidas, geralmente associadas a experiências
traumáticas ou dolorosas:
• Ex: Ao longo de várias sessões de terapia, o paciente começa a
expressar emoções intensas e anteriormente, reprimidas,
relacionadas a um evento traumático vivido na infância
Setting
• O setting mais tradicional é o paciente estar mais distante do terapeuta e
por vezes de costas.
• O setting psicanalítico está definido como:
• Um protocolo muito particular que não pode ser dissociado do seu
objetivo:
• Ajudar a estabelecer uma relação onde a dinâmica
transferência- contratransferência possa ser desenvolvida e
analisada nas condições ótimas.
• O uso do divã → posição de deitado, mais relaxado, favorece a regressão
indispensável, permite que o individuo fale mais espontaneamente, liberta-
o de estímulos percetivos, ajuda-o a virar-se para dentro de si próprio,
torna o terapeuta invisível, ajudando a manifestação da transferência
• O divã liberta o analista para o tipo de escuta flutuante e para a
compreensão
• Divã: quando o paciente está deitado, o tipo de pensamento é diferente e o
tipo de projetivo também:
• O paciente fantasia o que quiser;
• A pessoa fica livre;
• Não é uma posição social
• Facilita a transferência
• O terapeuta mantém-se invisível, querendo com isto dizer que--> deve-se
manter uma posição sentada, fora do ângulo de visão do cliente
(habitualmente, senta-se numa cadeira atrás da cabeceira do divã);
• A sessão pode ter duração e frequência fixas;
• Por norma, os psicanalistas fazem sessões de 45 ou 50 minutos;
• A psicanálise, poderá ter menos 3 sessões semanais, podendo ir até 5 (10
anos).
• Atitude do terapeuta: neutra
• Não é suposto existirem técnicas de autorrevelação
• Evita conselhos e julgamentos
• Evita a exposição de posições ou exposições de problemáticas referentes
ao terapeuta
• Fora do contexto psicanalítico: ausência de relações pessoais com os seus
analisandos → não contaminar o processo transferencial
Indicações para a psicanálise
• Podem ser realizadas 2 sessões para o terapeuta/ analista perceber se há ou
não indicação para a terapia
• Os fatores pré-transferenciais e transferenciais iniciais; a
contratransferência do terapeuta → são fatores preponderantes na decisão
• Ter condições financeiras e disponibilidade de tempo;
• Um adulto entre 20 e 50 anos com consciência mórbida/patologia;
• Uma forte curiosidade sobre o seu próprio funcionamento mental;
• Facilidade de expressão verbal;
• Inteligência média;
• Capacidade de insight;
• Uma vez que o tratamento normalmente é longo e penoso → terá de
conseguir afastar-se de si para se compreender, assumindo ele próprio a
função de terapeuta;
• É desejável que possua um ego suficientemente estruturado e um
afrouxamento das defesas caracteriais → para que se possa entregar à
associação livre e suportar a regressão que o processo psicanalítico
implica
• A técnica psicanalítica foi também adaptada ao trabalho com crianças de
idade muito precoce, a adolescentes e cada vez mais é usada na população
idoso
Inicialmente excluídas nas indicações
Contraindicações para a psicanálise
• Ausência de um ego razoavelmente integrado e cooperativo: psicóticos,
transtornos severos de personalidade, dependentes químicos, défice
mental
• Presença de problemas de natureza aguda e aquele que requerem solução
urgente
• Não é uma terapia de intervenção em crise.
Conceitos Básicos da Teoria Cognitivo-Comportamental
Teoria Cognitivo-Comportamental
Baseia-se no estímulo-resposta, Pavlov – condicionamento clássico
Embora as primeiras terapias cognitivas tenham surgido nos anos 60 (Beck, 1963; Ellis,
1962), foi só nos anos 70 que surgiram os principais textos sobre “modificação cognitivo-
comportamental”.
1º - Surgiu no campo da terapia comportamental:
➢ Não eram as consequências ou o reforço de um comportamento que influenciavam
o comportamento do indivíduo, mas antes a perceção do indivíduo da relação
entre o seu comportamento e acontecimentos críticos.
2º - Modificação de pensamentos disfuncionais: modelo de disfunção cognitiva de Beck
e Ellis – baseando a psicoterapia no pressuposto de que a perturbação emocional surge de
pensamentos que são ilógicos, irracionais e incorretos. (Disfunção surge perante
pensamentos mal adaptativos – escuta ativa, fazer com que indivíduo seja capaz de
desconstruir o pensamento)
De forma geral, as TCC podem organizar-se em três grandes classes, segundo os
diferentes objetivos de mudança:
➢ Restruturação cognitiva (desmistificar).
➢ Treino de competências de confronto (capaz de se expor a determinada situação).
➢ Treino de resolução de problemas.
Modelo Cognitivo-Comportamental
Processo cognitivo tem um papel central neste modelo.
… porque o ser humano avalia constantemente a relevância dos acontecimentos internos
e externos (e.g., eventos stressantes, comentários ou ausência de comentários dos outros,
memórias do passado, sensações corporais…).
… e as cognições estão frequentemente associadas às reações emocionais.
➢ Exemplo:
• “Não vou saber o que dizer… Vou parecer um desajustado…”.
• Emoções e respostas psicológicas estimuladas por estas cognições mal
adaptativas geram ansiedade severa, tensão física…
Ao tratar este tipo de problemática, os terapeutas cognitivo-comportamentais podem
partir de uma série de métodos voltados para as três áreas de funcionamento patológico
identificadas no modelo básico de TCC:
1. Cognições.
2. Emoções.
3. Comportamentos.
➢ Exemplo:
• Podemos ensinar o indivíduo a reconhecer e mudar os seus pensamentos
de ansiedade
• … a utilizar o relaxamento ou a construção de imagens mentais pra reduzir
as emoções de ansiedade
• … a implementar uma hierarquia gradual para romper o padrão de
evitamento e desenvolver competências sociais.
Conceitos Básicos
Níveis de Processamento Cognitivo
Na TCC, os terapeutas incentivam o desenvolvimento e a aplicação de processos
conscientes adaptativos de pensamento, como o pensamento racional e a resolução de
problemas.
Pretende-se que o paciente reconheça e mude o pensamento patológico em 2 níveis de
processamento de informações:
1. Pensamentos automáticos.
2. Esquemas.
1. Pensamentos automáticos (surgem dos pensamentos mal
adaptativos – origem do problema))
➢ Cognições que passam rapidamente pela mente quando estamos a viver uma
situação (ou a relembrar acontecimentos).
➢ Embora possamos estar conscientes da presença de pensamentos automáticos,
normalmente essas cognições não estão sujeitas a uma análise racional cuidadosa.
2. Esquemas (lentes que colocamos nos óculos)
➢ Crenças nucleares que agem como matrizes ou regras subjacentes para o
processamento de informações.
➢ Têm função crucial, que permite ao indivíduo selecionar, filtrar, codificar e
atribuir significado às informações vindas do meio ambiente.
➢ Um esquema faz com que surjam muitos pensamentos automáticos.
TCC – técnicas destinadas a ajudar os pacientes a detetar e modificar os pensamentos —
especialmente aqueles associados a sintomas emocionais negativos, como depressão,
ansiedade ou raiva.
TCC ensina os pacientes a “pensar sobre o pensamento” para atingir a meta de trazer as
cognições (pensamentos automáticos e esquemas) à atenção e ao controlo conscientes.
Pensamentos Automáticos
➢ Um dos indícios mais importantes de estarmos na presença de pensamentos
automáticos é a existência de emoções fortes.
• Exemplo: Relação entre eventos, pensamentos automáticos e emoções —
exemplo de Eva com depressão.
➢ Por vezes os pensamentos automáticos podem ser verdadeiros e podem ser uma
perceção adequada da realidade da situação.
• Por exemplo, Eva poderia estar em risco de perder o emprego.
➢ TCC não pretende encobrir problemas reais.
➢ Contudo em pessoas com perturbações psicológicas — existe uma tendência para
estarem presentes distorções cognitivas que podem e devem ser modificadas.
Distorções Cognitivos (pensamentos intrusivos)
➢ Investigação confirma a importância das distorções cognitivas nos estilos
patológicos do processamento de informações.
➢ Exemplo: foram detetadas mais distorções cognitivas em pessoas deprimidas do
que em indivíduos não deprimidos.
Beck et al. descrevem 6 categorias principais de distorções cognitivas:
1. Abstração seletiva (ignorar evidências ou filtro mental)
➢ Chega-se a uma conclusão de examinar apenas uma pequena parte da
informação.
➢ Exemplo:
• Homem deprimido com baixa autoestima não recebe um cartão de
boas-festas de um velho amigo/quando alguém que conhecemos
passa por nós e não nos cumprimenta – ficamos logo a pensar que
ele não gosta de nós ou nos estava a ignorar e temos de pensar em
alternativas para este pensamento/outras justificações.
• Pensa “estou a perder todos os meus amigos: ninguém se importa
mais comigo”. Ignora as evidências de que recebeu cartões de
vários outros amigos e que este amigo lhe tem enviado cartões
todos os anos nos últimos 15 anos, que esse amigo pode estar
ocupado com a mudança de emprego…
2. Inferência arbitrária
➢ Chega-se a uma conclusão a partir de evidências contraditórias ou na
ausência de evidências.
➢ Exemplo:
• Pede-se a mulher com medo de andar de elevador que faça a
previsão da probabilidade de um elevador cair com ele lá dentro.
Responde que é de 10% ou mais (tiram-se conclusões “só porque
sim” – evidência científica – porque como temos medo, achamos
sempre que vai correr mal ou acontecer alguma coisa má).
• Probabilidade de um acidente catastrófico com um elevador é
mínima.
3. Supergeneralização
➢ Chega-se a conclusão sobre um acontecimento isolado, generalizando esta
conclusão de maneira ilógica a outras áreas.
➢ Exemplo:
• Universitário deprimido tira nota negativa num exame.
• Generaliza este resultado quando tem pensamentos automáticos
como: “Estou com problemas nesta UC. Estou a ficar para trás em
todas as áreas da minha vida. Não consigo fazer nada certo”. ”
(pega-se num exemplo e expande-se para tudo o resto, mesmo que
não esteja relacionado por vezes).
4. Maximização e/ou minimização
➢ A relevância de um atributo, evento ou sensação é exagerada ou
minimizada.
➢ Exemplo:
• Uma mulher com perturbação de pânico começa a sentir tonturas
durante o início de um ataque de pânico (maximizar a
sintomatologia e achar que vai ser uma catástrofe, ou minimizar).
• Ela pensa “vou desmaiar, posso ter um ataque cardíaco ou um
derrame”.
5. Personalização
➢ Eventos externos são relacionados a si próprio quando há pouco ou
nenhum fundamento para isso.
➢ Assume-se responsabilidade excessiva ou culpa por eventos negativos.
➢ Exemplo:
• “É tudo culpa minha, eu devia saber que isso iria acontecer e ter
feito alguma coisa; falhei…”
6. Pensamento absolutista (dicotomia “tudo ou nada”)
➢ Os julgamentos sobre si, as experiências pessoais ou com os outros são
separados em duas categorias (por ex. totalmente mau ou totalmente bom,
fracasso total ou sucesso, cheio de defeitos ou completamente perfeito) –
Não conseguem compreender que os erros podem e devem ser cometidos
e encaram-nos apenas com um fracasso.
➢ Exemplo:
• Rui, um homem com depressão, compara-se com Tiago, um amigo
que parece ter um bom casamento e cujos filhos têm boas notas na
escola.
• Embora o Tiago seja muito feliz, a sua vida está longe de ser
perfeita. Tiago tem problemas no trabalho, restrições financeiras e
dores físicas, entre outras dificuldades. Rui tem pensamentos
absolutistas quando diz “tudo corre bem ao Tiago, a mim nada me
corre bem”.
➢ Nas 6 categorias pode existir sobreposição de distorções cognitivas.
➢ Na redução das distorções cognitivas em TCC o objetivo mais importante é
reconhecer que existe a distorção cognitiva.
Esquemas
➢ Princípios duradouros de pensamento que começam a tomar forma no início da
infância e são influenciados por uma infinidade de experiências de vida.
➢ Incluindo a aprendizagem e o modelo dos pais, as atividades educativas formais
e informais, as experiências com os pares, os traumas e os sucessos.
➢ A maioria dos pacientes obtém grande benefício ao reconhecer o conceito geral
de que → esquemas ou crenças nucleares têm uma forte influência na autoestima
e comportamento.
Também é importante ensinar ao indivíduo que:
Todas as pessoas têm uma mistura de esquemas adaptativos (saudáveis) e crenças
nucleares mal adaptativas
O objetivo é:
Identificar e desenvolver os esquemas adaptativos e ao mesmo tempo tentar modificar ou
reduzir a influência dos esquemas mal adaptativos
Beck e colaboradores sugerem que na depressão e em outros quadros
psicopatológicos, esquemas mal adaptativos podem permanecer adormecidos até que um
evento stressante de vida ocorra e ative a crença nuclear.
Visão Geral dos Métodos da Terapia
Erro: ver a abordagem cognitivo-comportamental apenas como um conjunto de técnicas
partindo diretamente para a implementação das mesmas como o registo de pensamentos,
a programação de atividades ou a dessensibilização.
• Foco prematuro na implementação das técnicas, perde a essência da TCC;
• Antes de escolher e implementar as técnicas
• …é necessário desenvolver uma conceptualização individualizada
• …que relacione as terapias cognitivo-comportamentais à estrutura
psicológica única do paciente e à sua constelação do problema;
• A conceptualização do caso é um guia essencial para o trabalho dos
terapeutas cognitivo-comportamentais;
• Outras caraterísticas centrais da TCC incluem um relacionamento
terapêutico (RELAÇÃO TERAPÊUTICA) altamente colaborativo,
aplicação hábil de métodos de questionamento socrático e restruturação e
psicoeducação eficazes.
Duração e Foco da Terapia
TCC concentra-se primordialmente no “aqui” e “agora”.
No entanto é essencial ter uma perspetiva longitudinal
…incluindo a consideração do desenvolvimento na primeira infância, histórico familiar,
traumas, experiências evolutivas positivas e negativas, educação, história de trabalho e
influências sociais
…para entender completamente o paciente e planear o tratamento.
Reestruturação Cognitiva
Identificar pensamentos automáticos sob a forma escrita pode, muitas vezes incitar um
estilo mais racional de pensamento.
Outros métodos muito usados incluem:
➢ Identificar erros cognitivos.
➢ Examinar as evidências (análise de prós e contras).
➢ Reatribuição (modificar o estilo atributivo).
➢ Listar alternativas racionais.
➢ Ensaio cognitivo.
Ensaio cognitivo: praticar nova maneira de pensar por meio da geração de imagens
mentais ou role-play.
Estratégia geral de reestruturação cognitiva:
➢ Identificar pensamentos automáticos e esquemas nas sessões de terapia.
➢ Ensinar competências para mudar cognições.
➢ Fazer com que o cliente realize uma série de exercícios entre as sessões para
expandir o que aprendeu em terapia e utilizar em situações reais.
Modelos comportamentais
Intervenções cognitivas, se implementadas com sucesso — têm probabilidade de ter
efeitos salutares no comportamento;
Da mesma forma, mudanças positivas no comportamento — normalmente estão
associadas a uma melhor perspetiva cognitiva.
A maioria das técnicas comportamentais usadas na TCC destina-se a ajudar as pessoas:
1. Romper padrões de evitamento ou falta de esperança.
2. Enfrentar gradualmente as situações temidas.
3. Desenvolver competências de enfrentamento.
4. Reduzir emoções dolorosas.
Avaliação e Formação
Conceptualização de caso
Conceptualização do caso ou formulação do caso é um mapa de orientação para o trabalho
a realizar com o cliente. Reunir as informações do cliente para conseguirmos dar um
melhor apoio ao nosso caso e ao cliente.
Reúne informação de 7 domínios principais:
1. Diagnostico e sintomas.
2. Contribuições das experiências da infância e outras influências do
desenvolvimento (ex: vinculação, situações traumatizantes).
3. Questões situacionais e interpessoais (relações no aqui no agora, situação da
pessoa, se está em luto (mas pode nem ter vindo à consulta por esse motivo),
desempregada).
4. Fatores biológicos, genéticos e médicos (história familiar (ex: ansiedade na
família), acidentes).
5. Pontos fortes e qualidades (fatores protetores) (boa vinculação, boa relação com
os outros, insight, resiliente, que tipo de estratégias costuma utilizar).
6. Padrões típicos de pensamentos automáticos, emoções e comportamentos (se os
esquemas que a pessoa criou no passado, se são adaptativos ou não,…quais os
padrões que o indivíduo apresenta a nível mental, cognitivo e comportamental (-
leva ao ponto 7).
7. Esquemas subjacentes (daqui (de esquemas mal adaptativos) podem surgiu
pensamentos automáticos mal adaptativos).
Modificar esquemas
Psicoeducação
Dar esta informação ao cliente:
Crenças
Verdades absolutas.
Formadas desde a infância.
A partir da perceção que tivemos dos:
➢ Traumas, condições difíceis.
➢ Circunstâncias coticas, imprevisíveis.
➢ Punições, pais, escola, abuso, alcoolismo.
➢ Ausência de relações afetivas, etc.
Adultos: Vulneráveis, perfecionistas (O perfecionismo é inimigo do ser humano),
exigentes, rígidos, deprimidos, vítimas.
O terapeuta dá breves explicações, acompanhando-as com perguntas que promovam o
envolvimento do paciente no processo de aprendizagem.
Ex.: leitura de artigos científicos ou livros…
Modificar pensamentos automáticos
Criar alternativas racionais de pensamento
Descatastrofização
As previsões catastróficas sobre o futuro são muito comuns entre pessoas com
perturbação (e.g. depressão, ansiedade,…)
Essas previsões são frequentemente influenciadas pelas distorções cognitivas, mas por
vezes o medo tem razão de ser.
Assim o procedimento de descatastrofização nem sempre tenta negar o medo
catastrófico.
Ao contrário — o terapeuta pode ajudar o paciente a trabalhar maneiras de enfrentar uma
situação temida caso ela se torne real.
Exemplo:
Indivíduos com fobia social normalmente tem medo de se expor, de parecer ansiosos,
socialmente incompetentes e de que essa exposição seja insuportável.
Exemplo de questões para reduzir as previsões catastróficas na fobia social:
➢ “Qual é a pior coisa que podia acontecer se você fosse à festa?”
➢ “O que há de terrível em não ter o que dizer?”
➢ “Conseguiria aguentar isso pelo menos 15 min?”
Estas questões ajudam o paciente a desenvolver a confiança de que conseguem lidar
com situações temidas.
Muitas vezes a descatastrofização acompanha os exames de evidencias que
ajudam o cliente a adquirir competências para enfrentar a situação temida.
Reatribuição (reatribuir significado às coisas)
Três dimensões de atribuições distorcidas:
1. Interno vs. Externo
Ex.:
Pessoas deprimidas tendem a internalizar a culpa ou responsabilidade dos resultados
negativos.
Pessoas não deprimidas fazem atribuições equilibradas ou externas.
2. Geral vs. específico
Ex.:
Na depressão as atribuições serão mais provavelmente devastadoras e globais do que
especificas a um defeito, falha ou problema.
3. Invariável vs. variável
Ex.:
Pessoas deprimidas fazem atribuições que são invariáveis e preveem pouca ou
nenhuma possibilidade de mudança (“nunca mais vou encontrar o amor”).
Pessoas não deprimidas apresentam maior probabilidade de pensar “isto vai passar”.
As técnicas de questionamento socrático, o registo de pensamentos distorcidas e o
teste de evidencias podem ajudar o paciente a fazer atribuições mais saudáveis a eventos
importantes nas suas vidas.
O terapeuta pode fazer um gráfico que ajude o cliente a perceber a dimensão das suas
atribuições. Tendo em conta a resposta do cliente pode ser usado um gráfico para que o
cliente tenha uma visão multidimensional da sua descrição.
Para modificar atribuições é pedir ao cliente para fazer um brainstorm sobre os possíveis
fatores que contribuem para os resultados negativos.
Como os pacientes normalmente apresentam uma visão em túnel (focada nos próprios
defeitos) — pode ser útil fazer perguntas que os estimulem a pensar a partir de diferentes
perspetivas:
➢ “Qual a probabilidade de outras pessoas poderem influenciar a situação?”
➢ “Qual o papel da sorte ou do destino?”
➢ “Quais os fatores que podem influenciar a situação?”
Tendo em conta as respostas do cliente, pode ser usado um gráfico para que o cliente
tenha uma visão multidimensional da descrição.
Treino Cognitivo
Quando estamos a ser avaliados numa entrevista de emprego (tarefa importante),
tendemos a pensar com antecedência o que vamos dizer e fazer.
Ensaiamos pensamentos e comportamentos para aumentar a probabilidade de sucesso.
Esta técnica pode ajudar os pacientes a aprenderem a responder em situações reais.
➢ Ex: Como posso resolver um problema…
O ensaio/treino cognitivo normalmente é introduzido após o paciente já ter feito algum
trabalho com outros métodos para modificar pensamentos automáticos.
Em geral, este treino auxilia o cliente a aumentar a probabilidade de atingir objetivos.
Passos do ensaio/treino cognitivo:
1. Pensar sobre a situação com antecedência.
2. Identificar possíveis pensamentos e comportamentos automáticos.
3. Modificar os pensamentos automáticos fazendo um RPD (registo de pensamentos
disfuncionais) ou aplicando outra intervenção da TCC.
4. Ensaiar mentalmente o modo mais adaptativo de pensar e de se comportar.
5. Implementar a nova estratégia.
Cartões de enfrentamento
A utilização de cartões de enfrentamento pode ser uma maneira produtiva de ajudar os
pacientes a praticarem as principais intervenções da TCC aprendidas na terapia.
Escrever instruções que os pacientes gostariam de dar a si a mesmos--> para os ajudar a
enfrentar questões ou situações importantes.
Quando bem utilizados identificam uma situação ou um problema específico e depois
detalham sucintamente uma estratégia de enfrentamento com alguns itens que foquem os
fundamentos do plano.
Escrever as cognições adaptativas num cartão de enfrentamento e planear guardar esse
cartão na carteira de modo a poder ler esses cartões de forma frequente antes de um
acontecimento importante.
Como desenvolver os cartões de enfrentamento:
1. Escolher uma situação que seja importante para o paciente.
2. Planear intervenções na terapia com o objetivo de produzir cartões de
enfrentamento.
3. Avaliar se o paciente está pronto para implementar estratégias de um cartão de
enfrentamento. Começar por uma tarefa básica. Deixar para mais tarde o trabalho
com grandes preocupações até que o paciente esteja preparado para enfrentar
esses desafios.
4. Ser específico na definição da situação e dos passos a serem seguidos para lidar
com o problema.
5. Filtrar as instruções. Instruções facilmente memorizadas tem maior probabilidade
de se solidificar.
6. Ser pratico. Sugerir estratégias que tenham alta probabilidade de sucesso.
7. Defender o uso frequente do cartão de enfrentamento em situações da vida real.
Exemplo de cartão de enfrentamento
Situação
Os chefes da empresa estão a chegar para fazer um levamento dos problemas de produção
Estratégias de enfrentamento
Lembrar-me que:
- Estamos muito próximos de atingir a nossa meta de produção
- Outros grupos de trabalho da minha fábrica estão muito piores do que nós
- Eles não estão preocupados comigo. A pressão cairá sobre os meus superiores.
- Eles vão apenas fazer uma ou duas perguntas. Eles não me vão fazer um interrogatório
Técnica da Seta descendente
Exemplo
Paciente: Descreve os seus pensamentos automáticos sobre terminar a relação. "Eu
estraguei tudo. Não faço nada correto. Nunca vou conseguir ficar com ninguém."
Terapeuta: "E se isso acontecer?"
P: "Vou estragar tudo. Não vou ser capaz de ter uma relação no futuro".
T: "E se isso for verdade".
P: "Não sou bom em nada.. Sou inútil e cheio de defeitos.”
T: "E se por acaso isso for verdade o que é que isso significa em relação ao futuro?".
P: “Não vou ser capaz de fazer nada corretamente. Vou acabar sozinho”.
Questionamento socrático
O processo de questionamento é crucial nas intervenções cognitivas para mudar
pensamentos disfuncional,
Benefícios da sua utilização:
➢ Intensificação da relação terapêutica (porque a pessoa compreende que estamos a
compreende-la).
➢ Estimulação da investigação (pensar sobre si próprio e sobre o seu pensamento).
➢ Melhor entendimento de cognições e comportamentos importantes.
➢ Promoção do envolvimento ativo do paciente na terapia (não é apenas o terapeuta
a trabalhar no processo terapeuta.
O estilo de questionamento usado na TCC baseia-se numa relação colaborativa e tem o
objetivo de ajudar o paciente a reconhecer e modificar o pensamento mal adaptativo.
Consiste em fazer perguntas ao paciente que estimulem a curiosidade e o desejo de
adquirir.
Em vez de uma apresentação didática dos conceitos da terapia, o terapeuta tenta fazer com que o
cliente se envolva no processo de aprendizagem.
Uma forma especial de questionamento socrático é a descoberta guiada, por meio, da qual o
terapeuta faz uma série de perguntas indutivas para revelar padrões disfuncionais de pensamento
ou comportamento.
Revisão de evidências que confirmem ou não as hipóteses negativas do paciente.
Exemplo:
➢ Quais as evidências de que o que passa pela minha cabeça ou de que os meus medos têm
algum fundamento?
➢ E que evidências são contrárias?
➢ Existe uma explicação alternativa para isso? (de que eu tenho uma perturbação, por
exemplo)
➢ Os meus medos são baseados em alguma prova real ou ocorrem porque eu tenho uma
perturbação?
➢ O que é que é mais provável?
➢ …
Modelo Cognitivo-Comportamental
Resolução de Problemas
Muitas vezes, quando estamos perante uma perturbação, o indivíduo apresenta
dificuldade na resolução de problemas.
Pessoas com estes défices de competências podem ser incapazes de analisar a natureza de
um problema e parecem não conseguir chegar a ideias reais/concretas para a resolução de
problemas
→ treino de competências para a resolução de problemas.
Obstáculos à efetiva
resolução de problema
Comprometimento cognitivo Baixa concentração, pensamento lento, tomada de decisão
comprometida
Sobrecarga emocional Sentir-se sobrecarregado, disfórico, ansioso
Distorções cognitivas Pensamentos automáticos negativos, erros cognitivos (e.g.
catastrofização, pensamento do tipo “tudo ou nada”,
maximização), falta de esperança, autocritica
Evitamento Procrastinação, esquecimento
Fatores socais Conselhos contraditórios dos outros, críticas falta de apoio
Problemas práticos Tempo insuficiente, recursos limitados, o problema está além
do controlo
Fatores estratégicos Tentar encontrar a solução perfeita, procurar uma solução
geral que resolva vários problemas relacionados
Trabalhar a Resolução de Problemas
A capacidade de resolução de problemas normalmente é adquirida durante a infância e
aprimorada durante o início da idade adulta.
O cliente pode desenvolver autoconfiança perante resoluções bem sucedidas no passado
ou através da aprendizagem social.
Uma forma útil de ajudar o paciente a adquirir essas competências é mostrar o modelo de
estratégias de solução de problemas nas sessões.
Modelo de etapas de resolução de problemas
1. Acalme-se e tente discernir (avaliar calmamente e perceber de forma clara.
2. Escolha um alvo.
3. Defina o problema.
4. Gere soluções.
5. Selecione a solução mais razoável.
6. Implemente o plano.
7. Avalie o resultado e repita as etapas se necessário.
Técnica da prevenção da resposta
Esta técnica tem sido utilizada principalmente no tratamento da perturbação obsessivo-
compulsiva.
Expõe-se o paciente aos estímulos que causam o pensamento obsessivo, a ansiedade e o
comportamento compulsivo.
Evita-se que o paciente se entregue ao comportamento ritualizado, — o que inicialmente
provoca um aumento da ansiedade e do comportamento obsessivo.
Após algumas sessões — a ansiedade e as obsessões costumam reduzir gradualmente.
Uma variação desta técnica é a construção de uma hierarquia — de modo que o paciente
se exponha inicialmente a estímulos que provoquem menos ansiedade e aprenda a
enfrentar baixos níveis de ansiedade, antes de passar aos estímulos que constituem o
núcleo do problema.
Técnica do sistema de fichas
Este é o sistema de reforço no qual se administram fichas como reforço imediato
(condicionamento operante).
Treino de autoinstrução
Técnica cognitiva de mudança de comportamento — na qual se modificam as auto-
verbalizações (verbalizações internas ou pensamentos) que um sujeito faz perante
qualquer tarefa ou problema — substituindo-as por outras que, em geral, são mais úteis
para realizar a tarefa.
Estas novas instruções, que o próprio sujeito dá a si mesmo — coincidem em grande parte
com a sequência de perguntas da técnica de resolução de problemas
Inclui instruções de autorreforço para todas as respostas que tende à solução do
problema, ou autoinstruções de enfrentamento perante o fracasso.
O objetivo é que o sujeito introduza inicialmente, uma mudança nas suas
autoverbalizações para — modificar o comportamento manifesto.
i.e. — para que alcance melhoria no seu nível de competência numa tarefa:
Aumente o nível de autocontrolo do seu comportamento.
Ou chegue à solução de um problema.
Ativação Comportamental
O paciente deve:
Anotar os pensamentos automático (pressupõem que já tem ocorrido trabalho).
Modifica-los.
Anotar os pensamentos automáticos.
Antes de iniciar o exercício comportamental.
Quando decidem aderir à terapia os pacientes normalmente estão interessados em
fazer mudanças — procura orientações nesse sentido
Portanto quando o terapeuta sugere a mudança de ação
…normalmente a sugestão é bem recebida
Como sinal de que são capazes de trabalhar juntamente com o terapeuta para obter
mais ganhos e para resolver problemas.
A Ativação comportamental não é uma técnica sofisticada ou complicada — mas pode
ajudar o cliente a começar a romper os padrões de isolamento ou inatividade (e.g. ligar a
um amigo para sair) — mostrando que é possível fazer progressos na recuperação.
Aumento das competências e do prazer
Fazer um brainstorm de atividades que dão prazer ao indivíduo — produzir um lista/plano
de atividades a realizar.
Em seguida, de maneira colaborativa, determinam-se as atividades a acrescentar ao dia-
a-dia do cliente.
Selecionam-se as horas específicas (evitar inércia) e anotam-se na programação.
Programa Semanal de Atividades
Anote as atividades que realizou para cada hora e classifique-as numa escala 0-10 no grau
de prazer e realização.
Monitorizar o tipo de atividades que produzem maior perceção de competência e prazer.
Pode-se recomendar que o cliente continue as atividades existentes que tem altos scores
de competência e prazer ou alterar as que apresentam valores menos elevados.
Pode ser adicionada uma coluna com o valor do esforço e competência percecionados.
Avaliam-se os pensamentos automáticos negativos.
Por vezes, é essencial preparar estratégias para superar possíveis obstáculos à adesão.
O plano deve ser revisto nas sessões seguintes e modificado de acordo com a necessidade.
Planeamento de Tarefas Graduais
O planeamento de tarefas graduais (PTG) é um método a realizar com tarefas complexas
— de forma a parecerem mais facilmente realizáveis.
Exemplo de tarefas que requerem esforços continuados:
➢ Ficar em forma.
➢ Receber um certificado de licenciatura,..
Caso a magnitude das tarefas estejam a impedir o cliente e as realizar com sucesso — o
PTG pode funcionar.
O PTG consiste em fazer uma lista das partes de uma tarefa e depois colocá-las numa
ordem lógica.
Elogiar o cliente quando este relata progressos nas sessões — O que estas ações o fizeram
sentir a respeito de si mesmo?
Reforçar a ideia de que as mudanças positivas na ação:
➢ Ajudam a melhor o humor.
➢ Fortalecem a autoestima.
➢ Criam otimo em relação a esforços futuros (os pensamentos positivos ajudam a
diminuir o stress e ansiedade).
Após a realização dos primeiros itens do PTG com sucesso — alguns clientes já se sentem
capacitados para completar as outras tarefas sem o auxílio do terapeuta.
À medida que os níveis de energia e a motivação forem voltando à norma — a tarefa
gradual pode não ser necessária.
Diretrizes para a elaboração do plano comportamental:
1. Verificar a capacidade do cliente para realizar a atividade.
2. Praticar as competências comportamentais.
3. Dar feedback ao cliente.
4. Identificar possíveis obstáculos.
5. Treinar o cliente para garantir que o plano tenha sucesso.
Exemplo de intervenção cognitivo-comportamental para sintomas de
ansiedade
1º - avaliação de sintomas, “gatilhos” e estratégias de enfrentamento
Ao avaliar perturbações de ansiedade, é importante delinear claramente:
1. Os eventos (ou memórias de eventos ou fluxos de cognições) que servem como
gatilhos para a resposta de ansiedade.
2. Os pensamentos automáticos, erros cognitivos e esquemas subjacentes envolvidos
na reação exagerada ao estímulo temido.
3. As respostas emocionais e fisiológicas.
4. Os comportamentos habituais, como sintomas de pânico ou evitamento e também
aqueles que funcionam como reforço positivo.
2º - Identificar os alvos de intervenção
É preferível começar por um sintoma ou meta que seja mais facilmente realizável, de
modo a que o paciente possa construir confiança ao obter sucesso logo de início.
3º - Treino de competências básicas
Relaxamento e Respiração
1. Explicar a linha de raciocínio do treino de relaxamento.
2. Ensinar os pacientes a classificarem a tensão muscular e a ansiedade (0-100).
3. Explorar a amplitude da tensão muscular (tentar apertar uma mão ao nível
máximo).
4. Ensinar ao paciente métodos para reduzir a tensão muscular
➢ Começar pelas mãos – procurar ajudar o paciente a alcançar um estado de
relaxamento total.
5. Ajudar o paciente a relaxar sistematicamente cada um dos grupos musculares do
corpo.
6. Sugerir imagens mentais que possam ajudar no relaxamento.
7. Treino regular.
3º - Treino de competências básicas
Paragem de pensamento
Interrupção do processo de pensamento negativo e a substituição por pensamentos mais
positivos ou adaptativos.
Procedimentos para a paragem de pensamentos:
1. Reconhecer que está ativo um processo de pensamento disfuncional.
2. Dar um auto-comando para interromper o pensamento – “pare!”. O comando pode
ser um pensamento interno ou ser falado em voz alta.
3. Evocar uma imagem...
4. Mudar a imagem de um sinal de “pare” para um cenário agradável/relaxante.
➢ A imagem deve ser criada na mente (e.g. lembrança de umas férias, o rosto
de uma pessoa agradável).
➢ A imagem positiva pode ser ampliada pelo relaxamento muscular
profundo e pelo embelezamento da imagem com detalhes como a hora do
dia, as condições do tempo….
Distração
A técnica de criação de imagens mentais paragem de pensamentos é um método de
distração da TCC.
Outras distrações:
➢ Ler.
➢ Ir ao cinema.
➢ Envolver-se num hobby ou trabalhos manuais.
➢ Socializar com amigos.
➢ Usar a internet.
➢ Ter o cuidado para que estas situações não sejam usadas para evitar as situações
temidas ou para escapar de métodos baseados na exposição.
• O uso eficaz da distração deve facilitar a participação na exposição e
noutras intervenções comportamentais àao reduzir a frequência ou
intensidade de pensamentos automáticos e diminuir a tensão física e
angústia.
4º - Exposição
Desenvolver hierarquias para a exposição gradual
1. Ser específico
Ajudar o paciente a colocar no papel descrições claras e definitivas dos estímulos para
cada etapa na hierarquia.
Exemplos de etapas excessivamente gerais ou mal definidas: “aprender a conduzir
novamente” “parar de ter medo de ir a festas” “sentir-me confortável na multidão”.
Exemplos de etapas específicas bem delineadas: “conduzir 1 km até a loja da esquina pelo
menos 3 vezes por semana” “ficar 20 minutos na festa de aniversário da amiga” “ir ao
shopping 10 minutos ao domingo de manhã, quando ainda há pouco movimento”.
2. Classifica as etapas por grau de dificuldade ou quantidade de ansiedade esperada
Utilizar uma escala de 0 a 100, na qual 100 represente a maior dificuldade ou ansiedade.
Estas classificações servem para selecionar as etapas em cada sessão e medir a progressão
na hierarquia.
Desenvolver hierarquias para a exposição gradual.
3. Desenvolver uma hierarquia que tenha múltiplas etapas de graus variados de
dificuldade
Fazer uma lista com etapas que abranjam todos os níveis de dificuldades.
4. Escolher as etapas de maneira colaborativa:
Trabalhar em conjunto.
Terapia Narrativa de Re-Autoria
Modelo narrativo de re-autoria de White e Epston (1990)
➢ (Como é que este pensamento a faz sentir/sentir-se)
➢ Utiliza muitas técnicas da TCC, mas de um ponto de vista diferente;
➢ Na TCC nós identificamos pensamentos (ex: psicoeducação) e perguntamos ao
individuo como é que se sente (se eu me sinto, sou eu, está dentro de mim então
estou triste, sou triste)- as narrativas perguntam o que é que esse pensamento a faz
sentir-se como é que este pensamento a faz sentir, não e como é que me sinto
➢ Porque consideramos determinada situação como sendo um problema?
➢ Um problema para nós é um problema para o nosso colega?
➢ Um problema para nós hoje → já era um problema quando tínhamos 6 anos de
idade?
Pressupostos:
1º Pressuposto
➢ Inscreve-se num conjunto de abordagens teóricas que advogam que:
o As experiências so adquirem significado e coerência a partir dos seus
enquadramentos em narrativas.
o A forma como damos sentido ao mundo a nós próprios faz-se a partir da
construção e desconstrução de histórias.
➢ Neste sentido, mais do que meros protagonistas nestes argumentos → somos
coautores das identidades que construímos narrativamente → sendo estas
reescritas constantemente.
➢ Estas narrativas orientam:
➢ Exemplo segundo esta perspetiva:
o O impacto de qualquer experiência abusiva → será inevitavelmente,
medido pela construção de significados → realizada em torno do evento e
pelo modo como este é integrado na história de vida da pessoa e de outros
significativos.
2º Pressuposto
➢ Importância atribuída ao contexto social e cultural.
➢ As histórias narradas são construídas a partir dos recursos sociais e culturais
disponíveis para o sujeito → estes recursos desempenham um papel
simultaneamente organizador e constrangedor na sua vida.
➢ O enquadramento narrativo e os discursos disponíveis na nossa cultura ajudam a
dar sentido e a organizar a nossa experiência → mas também constrangem pelas
limitações discursivas que impõem:
➢ Representa o leque de significados disponíveis para que os sujeitos interpretem e
deem sentido às suas experiências de vida;
➢ Do mesmo modo, estas construções são influenciadas:
o Quer pelas narrativas previas construídas pelos sujeitos a partir destes
recursos culturais, para dar sentido às suas diferentes experiências de vida;
o Quer pelas narrativas que os seus outros significativos constroem e
comunicam ao sujeito acerca de si próprio e/ou das experiências análogas
às do sujeito.
3º Pressuposto
➢ Caráter multipotencial das experiências.
➢ Nenhuma experiência de vida tem uma única interpretação viável e nenhuma
trajetória de vida obedece a um padrão de conduta linear;
➢ Este pressuposto está intimamente ligado ao anterior
o Na medida em que esta multipotencialidade decorre da própria
complexidade e diversidade dos discursos culturais disponíveis para
interpretar uma experiência;
➢ O sujeito pode “escolher” (frequentemente este processo não é totalmente
consciente) quais as grelhas disponíveis na cultura que fazem mais sentido para
si, nas quais mais se revê ou com as quais mais se identifica → para dar sentido à
sua experiência.
➢ Esta abertura e multipotencialidade existente na cultura que permite → a
multipotencialidade e possibilidade de mudança nas formas como os sujeitos
constroem a sua realidade experiencial (narrativa adaptativa facilita a mudança).
➢ Mais especificamente, este pressuposto implica que cada sujeito, para uma dada
experiência, construa (ensaie) diversas possibilidades de significado:
o A alternativa que é escolhida é influenciada pela compatibilidade com a
interpretação do sujeito;
o Pelas narrativas de vida prévias desenvolvidas pelo sujeito;
o Pela dominância dessa interpretação na cultura em que está imerso.
o Pela validação social (aceitação, reconhecimento, encorajamento) dos
outros significativos (dessa forma de interpretar e responder ao
acontecimento em causa)
➢ As experiências só adquirem significado e coerência a partir do seu
enquadramento em narrativas
➢ Importância atribuída ao contexto social e cultural
➢ Caracter multipotencial das experiências
➢ Aplicando o modelo aos casos em que existe patologia ou nos quais uma
experiência de vida adversa parece dominar o sistema de significados do sujeito
(e.g. jovens abusados):
o O individuo tende a centrar-se repetitivamente em narrativas que mantêm
o problema dominante e reforçam os significados de desvalorização
construídas em torno dele.
Explicacao segundo o 3º pressuposto
➢ Nestas situações, há uma clara dificuldade do indivíduo em aceder às narrativas
alternativas disponíveis:
o Porque estas são ténues no seu enquadramento social e cultural;
o Porque a sua narrativa dominante obstrui o seu acesso;
o Porque falha a validação social destas alternativas
➢ Dificuldade em desenvolver narrativas e formas de vida preferenciais e mais
satisfatórias
➢ Por sua vez, os momentos de exceção, em que o cliente consegue comportar-se u
pensar de forma diferente da imposta pelo problema – designados na literatura da
área por “resultados únicos” (White, & Epston, 1990) OU “momentos de
inovação” (Gonçalves, Matos, & Santos, 2009)
➢ ... habitualmente são ignorados ou minimizados pelo sujeito.
Processo de mudança e relevância dos “momentos de inovação”
➢ Partindo da premissa de que a construção de significado atua narrativamente, esta
abordagem assim que os problemas:
➢ Não existem “dentro” das pessoas, mas num espaço discursivo que os legitima e
os sustenta.
➢ Assim, esta perspetiva contraria a internalização do problema como um defeito e
a e a subsequente patologização do indivíduo.
➢ Esta metáfora narrativa abre a possibilidade de situar os problemas nos contextos
de vida dos sujeitos, sendo passiveis de serem desafiados, contra-argumentados e
re-significados.
➢ Este processo de externalização do problema (White & Epston, 1990) é um
ingrediente essencial na ótica narrativa:
o É facilitado por uma atitude discursiva interpessoal (terapêutica) que
sistematicamente diferencia o indivíduo da sua história problemática;
o “O que é que o problema quer para a sua vida?” vs “Quando se sente mais
deprimido?”;
➢ Esta gramática externalizadora:
o ... constitui-se como uma ferramenta essencial no processo de
desconstrução do problema
o Etapa considerada fundamental para a sua compreensão e para o
reposicionamento do sujeito enquanto autor da própria historia.
➢ Na prática terapêutica, a externalização:
o Funciona como um recurso discursivo que incentiva a pensar e a falar
sobre o problema e os seus efeitos (e.g., depressão, culpa, perfeccionismo)
como objetos “personificados” distintos da sua identidade.
Exemplo de Externalização:
T: Como é que este problema tem ganho poder na sua vida? (externalização)
P: O problema faz-me não relativizar as coisas, não relativizar o fracasso. É a minha
maneira perfecionista de ser. (eu sou perfecionista- ainda está na internalização)
T: Como é que o perfecionismo se foi desenvolvendo?
P: A minha mãe também é perfecionista (internalização). Acho que foi influência do
meu pai, que é muito preocupado e exigente. (Interno)
T: Esta influência do seu pai foi um terreno fértil que permitiu ao perfecionismo
desenvolver-se? (houve condições que permitiram que o perfecionismo se instalasse,
externalização)
P: Sim… acho que sim
T: Mas as coisas pioraram na Universidade?
P: Reprovei 2 anos e depois achei que a minha vida não podia continuar assim. Comecei
a esforçar-me e acho que foi aí que o perfecionismo começou a aparecer com mais força.
T: O perfecionismo foi um aliado nessa altura. Permitiu tornar-se boa aluna? (a questão
dos aliados é muito importante- o aliado permite perceber como é que a problemática
aumente)
P: Lembro-me de um professor que me disse que se continuasse assim, perfecionista, iria
ter muito sucesso na vida. (o perfecionismo (neste caso) é um aliado para eu ter boas notas
mas é aliado para eu aumentar os meus níveis)
T: Este continua a ser um poderoso argumento do perfecionismo: “Eu perfecionismo
permito que tenhas sucesso na vida”? (colocar palavras na boca do perfecionismo)
P: Sim. Seguramente, esse talvez seja o argumento + poderoso. Sem ele, acho que a minha
vida seria um fracasso e ficaria em dificuldades. (forma internalizada de resposta)
T: Porquê?
P: Penso que teria muitas dificuldades por exemplo, em ter sucesso no meu trabalho. É
como se a minha forma perfecionista de ser me ajudasse a ultrapassar as dificuldades.
T: Enquanto a ouvia estava a pensar se o perfecionismo lhe diz que tem mais limitações
do que os outros?
P: Sim, acho que sim.
T: Diga alto como é que o perfecionismo lhe diz isto (procurar forçar a externalização).
P: Tu tens limitações e tens que te esforçar mais.
T: Que limitações é que o perfecionismo lhe diz que a A. tem? Diga como se fosse o
perfecionismo.
P: O teu curso não é o mais apropriado para o teu emprego e falta-te vocação para a área
em que trabalhas.
T: Com o seu filho, o perfecionismo diz que tem limitações?
P: Diz que eu tenho falta de paciência (começa a emergir a compreensão externalizadora)
T: E do seu marido?
P: Diz que eu tenho que me esforçar mais, porque descarrego nele as dificuldades que
tenho.
T: Curioso, se pensarmos que parte destas dificuldades têm a ver com o domínio do
perfecionismo na sua vida… Preso por ter cão e por não ter.
P: Exatamente. É mesmo isso
T: De que é que o perfecionismo mais a acusa?
P: De falta de paciência para com a minha família. É que o perfecionismo não está só
voltado para mim, mas também para os outros. A minha mãe chama-lhe falta de caridade
T: Deixe ver se eu percebo: o perfecionismo fá-la ter pouca paciência na relação com a
sua família e depois acusa-a de ter pouca paciência. É isso?
P: É exatamente isso. É curioso as voltas que dá.
T: Se usarmos a expressão da sua mãe, podemos dizer que o efeito central do
perfecionismo na sua vida é fazer com que se maltrate a si e aos outros?
P: Na relação com o meu filho é complicado… É como se o perfecionismo me fizesse
esperar que ele fosse perfeito”
T: O que diz o perfecionismo nessas alturas?
P: O meu filho não é perfeito ou um filho ideal não se comporta assim
T: Como é que isso a faz sentir?
P: Irritada
T: E como a faz sentir essa irritação?
P: Desiludida, porque fico a pensar que se fosse uma boa mãe, não me irritava tanto
T: Este circuito é muito parecido com os anteriores, não é? O perfecionismo fá-la olhar
para o seu filho como se ele tivesse defeitos, o que a irrita… e depois o perfecionismo só
tem de voltar com as suas acusações preferidas: se fosses uma boa mãe não te irritavas
tanto. É isso?
P: É, é isso mesmo.
T: O que é quer o perfecionismo para a sua vida?
P: Quer que eu tenha uma vida sem erros, uma vida impossível. É curioso que o
perfecionismo torna difícil tirar partido das coisas que eu mais aprecio no meu filho, a
sua determinação, a sua energia.
T: O que faria o seu filho ao perfecionismo se lhe pudesse fazer alguma coisa?
P: Se o perfecionismo fosse uma massa viável, dava-lhe um pontapé
T: E a A.? O que lhe faria?
P: Eu acho que tenho medo de que sem o perfecionismo, a minha vida, sobretudo a
profissional, fique um caos (emerge aqui uma clara ambivalência entre o problema, que
deverá ser trabalhada em sessões seguintes)
Terapia Narrativa de Re-Autoria
Processos de mudança e relevância dos “momentos de inovação”
Terapeuta narrativo
Adota essencialmente uma postura de curiosidade.
Procura explorar as crenças, os padrões de interação, as expectativas e as práticas
culturais que sustem a história dominante.
“O que existe no seu meio que dá poder ao pessimismo?”
“Quem são os aliados do pessimismo?”
Procura explorar a história da relação do indivíduo com o problema,
nomeadamente a sua influência, manifestações e objetivos
“De que forma é que o pessimismo foi tomando conta da sua vida?”
“O que é que o pessimismo diz sobre si?”
“O que é que o pessimismo o faz pensar/sentir?”
“O que é que o pessimismo quer para a sua vida?”
Neste contexto de curiosidade, e para abrir “a porta” a significados e
comportamentos do indivíduo que se situem fora da lógica do problema:
Incentiva-se o sujeito a refletir acerca das suas interpretações:
➢ " Alguma vez foi capaz de pensar se o pessimismo não tivesse razão sobre si?"
➢ "Como seria a sua vida se o pessimismo não fizesse parte de si?"
Competências e soluções
➢ “Existiu alguma altura em que o pessimismo entrou na sua vida e conseguiu
resistir?"
➢ “Como é que conseguiu fazer isso?”
➢ “O que é que há em si que o levou a ser capaz de fazer isso?”
Sendo estes elementos comummente silenciados pela problemática dominante.
Estes momentos que resistem à influência do problema e que contradizem as prescrições
problemáticas são designados por “resultados únicos”. – (criação de novas narrativas
mais adaptativas - percecionadas pelo indivíduo e pelos outros mais significativos)
• (A externalização pode ser um resultado único, recurso discursivo,
incentiva a falar, e pensar de uma forma diferente)
Estes “resultados únicos” ou “momentos de inovação” podem assumir-se como:
➢ Ações.
➢ Cognições.
➢ Desejos/expectativas.
➢ … Percecionadas pelo próprio ou pelos seus outros significativos
Podem ocorrer no plano da concretização ou da imaginação e em diferentes dimensões
temporais (passado, presente, futuro).
Os “momentos de inovação” são os elementos facilitadores de novos significados e de
narrativas alternativas mais congruentes com os desejos e expectativas da pessoa.
Este modelo postula que o processo de mudança ocorre através:
➢ Da identificação minuciosa;
➢ Da elaboração narrativa;
➢ Da expansão (no tempo, na frequência, na intensidade e na diversidade) destes
momentos de inovação.
Ao elaborar mais este modelo White e Epston (1990) na sequência da proposta de Bruner
(1986)
sugerem que o processo de Re-autoria só é viabilizado se for elaborado a dois níveis
distintos de significado:
➢ Na “paisagem da consciência” (o que é cognição).
➢ Na “paisagem de ação” (o que é comportamental).
Deste processo resultará, segundo este modelo, “uma fase em que o cliente começa
a ensaiar novas formas de se relacionar com o problema”
dando origem à emergência e progressiva consolidação de uma nova narrativa
da sua identidade.
A consolidação da mudança ocorre também pela validação do próprio, dos outros
significativos e da cultura através de discursos ou comportamentos.
White (2004)
➢ Refere que este processo de validação social da nova historia é um alicerce
essencial para a mudança.
➢ Designou-o de “autenticação” no sentido em que a nova forma de “ser” apenas é
viabilizada e expendida se for legitimada pelas audiências privilegiadas da vida
do indivíduo.
Terapia narrativa da ansiedade em crianças
Avaliação clínica e preparação do cliente – Sessão 1 e 2
Objetivos:
1. Avaliar as queixas e definir os problemas a resolver;
2. Avaliar o funcionamento da criança e família;
3. História pessoal da criança e família;
4. Negociar os objetivos do processo terapêutico;
5. Negociar a estrutura do processo terapêutico.
Processo:
1) Queixas principais, levantamento das principais preocupações, problemas e
dificuldades, centrando-se nas seguintes dimensões
➢ Natureza do problema;
➢ Origens do problema;
➢ Evolução do problema;
➢ Avaliação instrumental (CBCL, YSR, TRF).
2)Funcionamento geral – explorar o funcionamento global do cliente nas suas diferentes
áreas:
➢ Rotinas diárias e autonomia da criança;
➢ Constituição do agregado familiar e rotinas semanais da família;
➢ Qualidade do relacionamento da criança com cada elemento da família;
➢ Sucesso e dificuldades na realização escolar;
➢ Atividades preferidas da criança e desempenho em atividades extracurriculares;
➢ Características do relacionamento da criança com os adultos e pares.
3)História pessoal – explorar a evolução histórica do cliente em várias áreas:
➢ História da Gravidez e parto;
➢ Idade das 1ªs aquisições;
➢ História do sono e alimentação;
➢ História da Adaptação e novos contextos de socialização;
➢ História escolar;
➢ História Médica: Aspetos da história familiar considerados relevantes (pais,
divórcios).
4)Definição dos objetivos centrais do processo terapêutico:
➢ O enunciado explícito de um problema;
➢ O enunciado das Expectativas positivas dos pais quanto à possibilidade de a
criança ser protagonista da mudança;
➢ Envolvimento ativos dos pais;
➢ Proporcionar aos pais tempo para se adaptarem à ideia da mudança e partilharem
a convicção de que estes resultados serão benéficos para o filho.
• Ex: o filho não precisar que a mãe o vá adormecer, conseguir dormir em
casa de outras pessoas…
➢ Definição conjunta dos problemas a resolver:
• Definir uma hierarquia com base na frequência e gravidade (AXEXO 1).
• O terapeuta pode partilhar com a familiar a sua proposta.
• O terapeuta pode partilhar com a familiar a sua proposta.
5)Terapeuta negoceia os aspetos centrais do processo terapêutico:
➢ Periocidade das sessões (1 sessão por semana);
➢ Necessidade de envolvimento dos pais na realização de algumas atividades;
➢ Apresentação da externalização: enquanto discurso que pretende diferenciar a
criança do seu problema – enfatizando as competências da criança para lidar com
as dificuldades que o problema lhe cria (livro: Pôr o medo a fugir).
Relativização da experiência de medo e identificação dos medos-
problema – Sessão 3
Objetivos:
1. Explorar o impacto da criança na leitura: Pôr o medo a fugir e iniciar a elaboração
de um projeto para o cliente;
2. Refletir sobre a natureza universal do medo;
3. Identificar e avaliar os medos da criança;
4. Introduzir um medidor de medos.
Processo:
1)Explorar o impacto da criança na leitura do livro: Pôr o medo a fugir e iniciar a
elaboração de um projeto para o cliente
➢ “Já leste ou queres ler agora uma parte do livro da Joana? O que achaste do livro?
De que parte gostaste mais? Aprendeste alguma coisa de novo com o livro? O que
mais te impressionou? Houve alguma coisa nova que tenhas aprendido?”
➢ Propor à criança a construção de um livro sobre as aventuras contra o medo.
➢ Apresentar o bloco de atividades
2)Refletir sobre a natureza universal do medo
➢ “Será que toda a gente tem medo? Para que servem os medos? Por exemplo, se
tu não tivesses medo de ser atropelado, como é que atravessarias a rua? Dás-me
alguns exemplos de medos que toda a gente tenha? E de um medo que tu sempre
tenhas tido e que não te tenha afligido muito?”
➢ Dar exemplos (seus e de outras crianças).
➢ "Será que a Joana nunca mais teve medo? Ou será que começou a mandar nos
seus medos e eles continuam a existir, mas sem a ameaçarem a todo o momento?"
3)Identificar e avaliar os medos da criança
➢ Pedir para a criança dizer/escrever os seus medos.
➢ Se ela banalizar a existência dos medos: “Muitas vezes apetece-nos mesmo
esquecer os medos, não pensar neles…”.
4)Introduzir um medidor de medos
➢ “Será que os medos são todos iguais e têm todos a mesma força?”
➢ “Como é que nós poderíamos medir os medos...”
➢ Aplicar o medómetro.
Início da externalização – Sessão 4
Objetivo 1: Explorar os efeitos do medo na criança nos vários domínios da sua
vida
Início do trabalho de externalização dos medos
➢ Questionar sobre os efeitos dos medos.
• “O que o medo de “perder” te faz? O que é que ele te obriga a fazer quando
(especificar uma situação difícil)”?
➢ Compreender que imagens o medo cria na criança.
• “O que é que os medos te dizem sobre ti? O que é que te fazem pensar
sobre ti?”
➢ Explorar a imagem que os medos lhe têm criado acerca dos pais, professores e
amigos.
• “O que é que te dize da tua mãe? E do teu pai?...”
➢ Utilizar estratégias lúdicas com crianças mais jovens--> utilizar teatro para
concretização das personagens
Objetivo 2: Explorar os objetivos do medo
Compreender os objetivos do problema para a vida da criança;
➢ Procurar que a criança antecipe o que o aquele problema deseja para si e para a
sua vida (e.g. "nunca me afastar da minha mãe")
➢ … e se confronte com a discrepância do que poderia vir a acontecer se o medo
dominasse totalmente o que ela deseja de si
Questionar o que o medo quer de si
➢ “Como é que os medos querem que a tua vida seja? Como seria a tua vida se o
medo mandasse sempre em ti?”
➢ Elaborar registos das respostas da criança- por escrito, em desenhos,…
Explorar os objetivos do medo
Objetivo 3: Identificação de uma metáfora de domínio sobre o medo
Partir do discurso da própria criança suscitar a emergência de uma metáfora para a
precessão de confronto com o medo
➢ Explorar expectativas da criança relativamente ao domínio dos medos
• "O que é que tu gostarias que acontecesse? Se tu tivesses direito a um
desejo mágico o que gostarias que acontecesse aos medos? O que é que
achas que lhes podes fazer?"
➢ Definição conjunta da metáfora- a partir das respostas anteriores.
• "As tuas aventuras contra o medo vão ser de luta?
• Ou serão uma disputa de campeões em que vais tentar marcar mais golos"
Objetivo 4: Caracterização do medo
Contribuir mais uma vez para a separação entre a criança e o medo
Diminuir o evitamento da criança quando fala do medo
➢ Apresentar à criança a importância de conhecer bem o medo para ser mais forte e
para o dominar – Bilhete de Identidade – com o máximo de características físicas
e psicológicas
Descrever o medo- colagens, desenho, plasticina,…
Pede-se à criança para iniciar a espionagem ao medo- procurando ao longo da semana
seguinte saber quais foram os momentos em que ele apareceu e como atuou
Pode ser interessante no final da sessão partilhar com os pais, na presença da criança, o
trabalho realizado- forma de valorização social
➢ Saltar esta etapa caso os pais valorizem mais o problema em função da sua
resolução.
➢ Reunir apenas com os pais casos os pais estejam demasiados ansiosos com as
mudanças.
Continuação da externalização – Sessão 5
Objetivo 1: Compreender os efeitos corporais gerados pelo problema
Identificar as sensações físicas:
➢ "Com a Joana, uma das coisas más que o medo lhe fazia era pôr o seu corpo a
sentir-se mal, como se estivesse doente. Vamos ver o que é que ele faz ao teu
corpo. Quando o medo te domina como é que o teu corpo se sente?"
A criança pode desenhar, pode escrever,..
Aprofundar essas sensações
➢ Repara bem como está o teu corpo e diz-me como é que o medo te faz sentir.
Como é que o medo faz com que sintas as tuas mãos e os teus braços, a cara, a
temperatura,…"
Reforçar a consciencialização das sensações físicas:
➢ Desenhar o seu corpo nesse estado com uma legenda a indicar como se sente e
onde se sente pior.
Objetivo 2: Compreender os efeitos emocionais gerados pelo problema
Identificar as emoções
➢ “Acontece-te a ti o mesmo que aconteceria à Joana? Lembras-te que os seus
medos lhe faziam ter outros sentimentos maus como vergonha, culpa, tristeza…?”
“Como é que o medo te obriga a sentir?”
Aprofundar emoções, fazendo-as surgir das sensações físicas- dar um exemplo de
situação em que o medo existiu para enquadrar as sensações corporais
➢ "E quando por exemplo as pernas tremem muito, o que é que o medo te faz sentir"
Objetivo 3: Compreender os efeitos cognitivos gerados pelo problema
Identificar as cognições
➢ "Aconteceu-te a ti o mesmo que aconteceu à Joana? Lembras-te o que os medos
a faziam pensar? O que é que o medo a faz pensar? Em que coisas é que o medo
te obriga a pensar quando te está a dominar? Quais são so pensamentos que eles
te enfiam na cabeça nos piores momentos? O que é que eles te dizem que vai
acontecer?”
Aprofundar cognições, fazendo-as emergir das emoções
➢ "E então aí o que é que o medo te faz/fez pensar?"
➢ Pode ser usado o role-play em que a criança interprete o medo e o terapeuta a
criança. (a criança personaliza o medo)
Objetivo 4: Explorar a experiência de medos adaptativos
Explorar a ideia de que o medo pode um efeito benéfico
➢ "Tu achas que há medos bons? Achas que os medos podem ser bons quando nos
ajudam a afastar das coisas perigosas e nós os conseguimos dominar? Será que
os medos são menos bons quando nos controlam, dominam e fazem sofrer? Quais
são os teus medos maus que não prestam que gostarias de ditar fora? E quais são
os medos bons que vale a pensa manter?"
Associar os medos desejados ao rótulo externalizador que a criança atribui ao seu medo
➢ "Tu achas que os teus medos maus sãos os medos X (rótulo dado pela criança)?"
Explorar o efeito dos medos desajustados Vs efeitos dos medos ajustados/adaptativos
➢ "Pensa no que distingue os medos bons dos medos maus na tua vida. Agora
explica o que seria a tua vida sem os medos maus."
Reforçar a projeção da criança numa vida sem medos
➢ "Vou te pedir para imaginares que estás a entrar numa máquina em que podes voar
através do tempo e então, estar no futuro já tiveres dominados os medos X.
Procura explicar como é então a tua vida. Em que aspeto é diferente do que é
agora?"