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Variação Linguística na Crônica "Pechada"

O texto 'Pechada' de Luís Fernando Veríssimo narra a experiência de um aluno gaúcho em uma nova escola, onde seu sotaque e expressões geram curiosidade e risadas entre os colegas. A professora tenta explicar as variações da língua portuguesa, enquanto o aluno enfrenta mal-entendidos, especialmente com a palavra 'pechar', que resulta em seu novo apelido. A história destaca a riqueza das diferenças linguísticas no Brasil e a adaptação cultural.

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Variação Linguística na Crônica "Pechada"

O texto 'Pechada' de Luís Fernando Veríssimo narra a experiência de um aluno gaúcho em uma nova escola, onde seu sotaque e expressões geram curiosidade e risadas entre os colegas. A professora tenta explicar as variações da língua portuguesa, enquanto o aluno enfrenta mal-entendidos, especialmente com a palavra 'pechar', que resulta em seu novo apelido. A história destaca a riqueza das diferenças linguísticas no Brasil e a adaptação cultural.

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Atividades de Língua Portuguesa - 7º ano

(Semana de 01 a 05 de março)
Leia o texto para responder às questões abaixo.

PECHADA (Luís Fernando Veríssimo)

O apelido foi instantâneo. No primeiro dia de aula, o aluno novo já estava sendo chamado de
"Gaúcho". Porque era gaúcho. Recém-chegado do Rio Grande do Sul, com um sotaque carregado.

– Aí, Gaúcho!
– Fala, Gaúcho!

Perguntaram para a professora por que o Gaúcho falava diferente. A professora explicou que cada
região tinha seu idioma, mas que as diferenças não eram tão grandes assim. Afinal, todos falavam
português. Variava a pronúncia, mas a língua era uma só. E os alunos não achavam formidável que num
país do tamanho do Brasil todos falassem a mesma língua, só com pequenas variações?

– Mas o Gaúcho fala "tu"! – disse o gordo Jorge, que era quem mais implicava com o novato.
– E fala certo - disse a professora. – Pode-se dizer "tu" e pode-se dizer "você". Os dois estão certos.
Os dois são português.

O gordo Jorge fez cara de quem não se entregara.

Um dia o Gaúcho chegou tarde na aula e explicou para a professora o que acontecera.

– O pai atravessou a sinaleira e pechou.


– O quê?
– O pai. Atravessou a sinaleira e pechou.

A professora sorriu. Depois achou que não era caso para sorrir. Afinal, o pai do menino atravessara
uma sinaleira e pechara. Podia estar, naquele momento, em algum hospital. Gravemente pechado. Com
pedaços de sinaleira sendo retirados do seu corpo.

– O que foi que ele disse, tia? – quis saber o gordo Jorge.
– Que o pai dele atravessou uma sinaleira e pechou.
– E o que é isso?
– Gaúcho... Quer dizer, Rodrigo: explique para a classe o que aconteceu.
– Nós vinha...
– Nós vínhamos.
– Nós vínhamos de auto, o pai não viu a sinaleira fechada, passou no vermelho e deu uma pechada
noutro auto.

A professora varreu a classe com seu sorriso. Estava claro o que acontecera! Ao mesmo tempo,
procurava uma tradução para o relato do gaúcho. Não podia admitir que não o entendera. Não com o gordo
Jorge rindo daquele jeito.
"Sinaleira", obviamente, era sinal, semáforo. "Auto" era automóvel, carro. Mas "pechar" o que era?
Bater, claro. Mas de onde viera aquela estranha palavra? Só muitos dias depois a professora descobriu que
"pechar" vinha do espanhol e queria dizer bater com o peito, e até lá teve que se esforçar para convencer o
gordo Jorge de que era mesmo brasileiro o que falava o novato. Que já ganhara outro apelido: Pechada.
– Aí, Pechada!
– Fala, Pechada!

Atividades

1) Na primeira linha do texto, encontramos o adjetivo instantâneo. Qual é o significado dessa palavra?
Explique por que o apelido dado ao menino foi instantâneo.

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2) Onde se passam as ações narradas? Indique palavras ou expressões que comprovam sua resposta.
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3) Diante do questionamento dos alunos sobre a fala diferente do gaúcho, qual foi a posição da
professora?
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4) Observe a fala de Jorge: “Mas o Gaúcho fala ‘tu’!” Considerando o contexto em que foi empregada,
qual era a posição de Jorge a respeito do uso desse pronome?
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5) Por que o menino chegou tarde em um determinado dia?


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6) O motivo do atraso do menino ficou imediatamente claro para a professora e para os colegas?
Explique.
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7) Cite algumas palavras que foram de “difícil tradução” por serem usadas apenas no RS.
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8) O que a professora descobriu sobre a origem da palavra responsável pelo novo apelido do Gaúcho?
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