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Guia Completo sobre Recursos no Processo Civil

O documento aborda aspectos do Direito Processual Civil, incluindo partes, procuradores, tutelas provisórias, cumprimento de sentença, e recursos. Destaca artigos do CPC/15 e da CF/88 que foram frequentemente cobrados, além de explicar a natureza e os requisitos de diversos recursos, como apelação, agravo de instrumento e embargos de declaração. Também discute o prequestionamento e a repercussão geral em recursos extraordinários.

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Jessika Santana
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Guia Completo sobre Recursos no Processo Civil

O documento aborda aspectos do Direito Processual Civil, incluindo partes, procuradores, tutelas provisórias, cumprimento de sentença, e recursos. Destaca artigos do CPC/15 e da CF/88 que foram frequentemente cobrados, além de explicar a natureza e os requisitos de diversos recursos, como apelação, agravo de instrumento e embargos de declaração. Também discute o prequestionamento e a repercussão geral em recursos extraordinários.

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DIREITO PROCESSUAL CIVIL

Partes e procuradores
Tutela provisória
Procedimento comum (da petição inicial até o saneamento)
Cumprimento de sentença e execução (noções gerais, impugnação ao cumprimento de
sentença e embargos à execução)
Recursos

Processo Civil
Esses são os artigos que foram cobrados três vezes ou mais em
Processo Civil.

Da Sentença e Da Coisa Julgada

 Art. 485 do CPC/15

Dos Prazos

 Art. 224 do CPC/15

Tutelas de Urgência

 Art. 303 do CPC/15


 Art. 311 do CPC/15

Recursos

 Art. 105 da CF/88


 Art. 1.009 do CPC/15
 Art. 1.015 do CPC/15

Jurisdição e Competência

 Art. 5º da CF/88

Intervenção de Terceiros

 Art. 125 do CPC/15


 Art. 130 do CPC/15

Ação Civil Pública

 Art. 5º da Lei 7.247/85


Ação Rescisória

 Art. 966 do CPC/15

Tutela Provisória

 Art. 296 do CPC/15

Do Cumprimento de Sentença

 Art. 515 do CPC/15


 Art. 525 do CPC/15

Da Contestação

 Art. 337 do CPC/15


 Art. 339 do CPC/15

Embargos à Execução

 Art. 914 do CPC/15

Do Juiz e Auxiliares da Justiça

 Art. 139 do CPC/15

Dos Deveres das Partes e Procuradores

 Art. 85 do CPC/15

Recursos
Em direito, recurso é um instrumento para pedir a mudança de uma decisão da mesma
instância ou em instância superior, sobre o mesmo processo. Não havendo recurso ou
inexistindo recurso com efeito suspensivo, muitas vezes o meio adequado é ação
constitucional de mandado de segurança.
O recurso é o instrumento processual utilizado para modificar ou corrigir o curso de um
processo jurídico. Ocorre quando a própria parte, ou pessoa encarregada, quando cabível,
solicita a revisão de uma decisão judicial.

Conforme elenca o CPC são cabíveis os seguintes Recursos: Apelação, agravo de instrumento,
agravo interno, embargos de declaração, recurso ordinário, recurso especial, recurso
extraordinário, agravo em recurso especial ou extraordinário e embargos de divergência. (art.
994 do CPC).

APELAÇÃO

É recurso ordinário em sentido amplo.

Da sentença e cabível apelação e as questões resolvidas na fase de conhecimento, (decisões


interlocutórias) se a decisão a seu respeito não comportar agravo de instrumento, não são
cobertas pela preclusão e devem ser suscitadas em preliminar de apelação, eventualmente
interposta contra a decisão final, ou nas contrarrazões.

Efeito suspensivo: suspende imediatamente os efeitos da sentença até que esta seja julgada.
Exceções: sentença que homologa divisão e demarcação de território, condenação à prestação
de alimentos, de ação penal pública, etc. (casos de urgência). Requisitos:

a) Razões plausíveis.

b) Risco iminente de dano irreparável ao apelante caso não haja o efeito.

Efeito devolutivo: impede o trânsito em julgado através da remessa da causa ao Tribunal.

Extensão: só é devolvido o que foi objeto de apelação. Há a vedação da reformatio in pejus.

Profundidade: pode o Tribunal se aprofundar na causa, nos limites da extensão do efeito


devolutivo. Abrange o que foi discutido no primeiro grau (que deve ter nexo causal direto com
uma possível reforma da sentença) e as questões de ordem pública cognoscíveis de ofício. Há a
possibilidade de reformatio in pejus.

Requisitos da Apelação:

a) Os nomes e as qualificações das partes.

b) Os fundamentos de fato e de direito.

c) Pedido de nova decisão.

Custas: o pagamento deve ser comprovado no momento do protocolo da apelação, havendo


possibilidade de complementação posterior.

Recebimento do recurso
a) Revisão de admissibilidade do juízo a quo: se negado, cabe agravo que vai direto para o
Tribunal, para que a mesma instância não o recuse novamente.

b) Hipótese excepcional de rejeição do recurso pelo próprio juízo a quo quando este, com
certeza, será julgado improcedente.

c) Hipóteses excepcionais de retratação: permitem ao juízo a quo, ao receber a apelação, se


retratar ou alterar a sentença, nas ocasiões previstas em lei.

Prazo: 15 dias a contar da publicação da decisão que se pretende recorrer. O prazo é o mesmo
para as contrarrazões.

AGRAVO DE INSTRUMENTO
Cabível contra as decisões interlocutórias sobre:

tutelas provisórias;

mérito do processo;

rejeição da alegação de convenção de arbitragem;

incidente de desconsideração da personalidade jurídica;

rejeição do pedido de gratuidade da justiça ou acolhimento do pedido de sua revogação;

exibição ou posse de documento ou coisa;

exclusão de litisconsorte;

rejeição do pedido de limitação do litisconsórcio;

admissão ou não de intervenção de terceiros;

concessão, modificação ou revogação do efeito suspensivo aos embargos à execução;

redistribuição do ônus da prova e em outros casos expressamente referidos em lei.

Também caberá agravo de instrumento contra decisões interlocutórias proferidas na fase de


liquidação de sentença ou de cumprimento de sentença, no processo de execução e no
processo de inventário.

Se faltar cópia ou houver outro vício que comprometa a admissão do recurso, o relator
concederá prazo de 5 dias para o recorrente sanar a falha.

Em regra, possuem apenas o efeito devolutivo, mas é possível requerer que se conceda efeito
suspensivo sob a alegação de plausibilidade do recurso e perigo de danos irreparáveis.

Efeito ativo: pede-se uma providência do Tribunal através do agravo, uma tutela antecipada
recursal, por exemplo. Mero efeito suspensivo não conseguiria esse resultado.
É remetido junto à decisão por ele recorrida e aos documentos necessários, diretamente ao
Tribunal.

É julgado enquanto o processo em primeiro grau corre.

É cabível contra solução de mérito em liquidação de sentença.

Prazo: 15 dias.

Retratação: quando a parte entrar com o agravo, deve comunicar ao juiz que o fez. Quando
comunicado, o juiz pode se retratar da decisão interlocutória e mudá-la, prejudicando o objeto
do agravo.

AGRAVO REGIMENTAL (INTERNO)


Quando há uma decisão monocrática em Tribunal (segundo o regimento deste), e a parte
considera que este entendimento não é o mesmo que seria dado pelo órgão completo.

A parte entra com o agravo regimental para que a sua causa seja analisada pelo colegiado.

Prazo: 15 dias.

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Serve para sanar obscuridades, contradições e/ou omissões na decisão.

Cabível contra qualquer decisão.

Não tem o poder de modificar a decisão, mas, às vezes, além de cumprir sua função principal,
a decisão acaba por ser alterada. (Efeitos Infringentes)

Hipóteses em que são autorizados os efeitos infringentes (modificativos) nos embargos de


declaração.

a) Correção de erro material claro.

b) Questão de ordem pública cognoscível de ofício.

c) Questão alegada anteriormente no processo, sobre a qual o juiz disse que iria se pronunciar,
mas não o fez.

Mesmo não havendo obscuridade, contradição ou omissão, os embargos de declaração são


admitidos nos casos em que não há nenhum outro recurso possível e ainda há elementos a
serem discutidos no processo (Ex.: necessidade de se prequestionar).

Há a interrupção dos prazos para outros recursos para todos os partícipes do processo.
Não há intimação ao embargado, salvo quando os embargos tiverem efeitos infringentes.

Quando meramente protelatórios, aplica-se multa ao embargante, mas os prazos para os


demais recursos, ainda assim, são interrompidos.

Quando é interposta apelação sem o conhecimento de que a outra parte entrou com os
embargos, esta deve ser ratificada posteriormente. (a ratificação é uma peça requerendo o
julgamento da apelação)

Erro material e matemático não se confunde com obscuridade/omissão/contradição, pois


pode ser corrigido qualquer tempo no processo.

Prazo: 5 dias.

RECURSO ORDINÁRIO STRICTU SENSU


Cabe contra as decisões de casos de competência originária de Tribunal

Segue o mesmo regime da apelação, podendo se discutir questões de fato e de direito e


analisar provas.

Vai para o STF ou STJ, a depender da competência destes.

Prazo: 15 dias.

Hipóteses de cabimento:

a) STF: remédios constitucionais de competência originária do STJ quando a decisão for


desfavorável ao impetrante.

b) STJ: mandado de segurança de competência originária de TJ ou TRF quando a decisão for


desfavorável ao impetrante ou nos casos em que forem partes: de um lado, um Estado
Estrangeiro ou Órgão Internacional, e de outro, um particular ou município brasileiro.

RECURSO ESPECIAL (STJ)


Cabe quando for contrariado tratado ou lei federal, ou quando a decisão negar-lhes vigência.

Negar vigência: desconsiderar, esquecer-se de aplicar.

Contrariar: aplicar mal.

Cabe contra decisão que julgar válido ato de governo local contestado por lei federal.

Cabe quando houver dissídio jurisprudencial, não bastando a alegação de divergência,


devendo ser explicado onde e porque elas divergem.
→ Recurso Extraordinário (STF)

Cabe contra decisão que contrariar dispositivo constitucional.

Cabe contra decisão de inconstitucionalidade de tratado ou lei federal.

Cabe contra decisão que declarar a constitucionalidade, quando esta contrariar a CF.

Cabe contra decisão que julgar válido ato de governo local contestado em face da CF.

Prequestionamento

Essencial para o cabimento do REsp ou RExt.

O prequestionamento se dá quando, enfrentando a questão, ela foi aplicada de maneira


errônea pelo juiz, e isso será posteriormente discutido em sede recursal.

Pode ter sido enfrentada em qualquer tempo do processo, mas, preferencialmente, deve ter
sido incluída na Petição Inicial.

No STJ o prequestionamento deve vir do juiz, no STF, deve vir das partes.

Questão de ordem pública também precisa ser prequestionada, podendo ser feio no
julgamento da apelação.

Prequestionamento implícito: enfrentamento da questão mesmo que não se cite o número do


artigo, mas que fique claro de qual regra se trate.

→ Simultaneidade de REsp e RExt: uma decisão com fundamentos independentes, nos quais
haja questão constitucional e questão de lei federal, deve se interpor ambos os recursos,
sendo que o REsp será julgado antes.

→ Recursos Repetitivos: grande quantidade de recursos versando sobre causa idêntica: se


afeta um, para que, quando julgado, o teor da decisão seja estendido para todos os outros. A
afetação implica a suspensão dos demais recursos.

→ Repercussão Geral (STF)

Filtro: a questão constitucional deve ser relevante para a sociedade (econômica, social ou
politicamente).

Há a presunção de repercussão geral, sendo que a declaração do STF será a de não existência
desta.

O julgamento será feito pelos 11 ministros do STF e será realizado no plenário virtual para que
não seja necessário reunir todos os ministros para decidir todas essas causas que vão para o
Tribunal.

O mérito (passado o juízo sobre repercussão geral) é julgado por uma turma menor, em um
primeiro momento.

Casos que não configuram repercussão geral vinculam os próximos casos idênticos.
A redação do RExt deve conter um tópico específico para comprovar repercussão geral.

RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS LATU SENSU


Não se discutem os fatos, mas questões atinentes à aplicação e interpretação da lei federal ou
da Constituição.

Fundamentação Vinculada: no recurso ao STJ (Recurso Especial), deve-se invocar desrespeito a


lei federal; no recurso ao STF (Recurso Exraordinário Strictu Sensu), deve-se invocar
desrespeito à CF.

Cabimento:

a) REsp ao STJ: contra decisões do TJ ou TRF.

b) RExt ao STF: contra causas decididas em única ou última instância.

Tanto o REsp quanto o RExt só cabem quando a decisão recorrida for da última instância
possível (deve ter havido o exaurimento das instâncias ordinárias.

Não inclui os casos de competência originária, nos quais não há efetivamente o RExt.

Não cabe REsp ou RExt contra decisão que defere ou indefere medida urgente, pois ainda não
houve sentença.

A questão referente à admissibilidade deve se limitar a uma possível ofensa à lei federal/CF, e
não que efetivamente ela exista, pois isso será julgado no mérito do recurso.

A admissibilidade pode ser negada quando a ofensa a lei federal é impossível. (Ex.: alegação de
ofensa a lei municipal).

Inadmissibilidade de ambos (hipóteses indiscutíveis):

a) Interpretação de cláusula contratual.

b) Lei local por si própria.

c) Questão de fato.

AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL OU EXTRAORDINÁRIO


O Agravo em Recurso Especial ou Extraordinário, previsto no rol dos recursos do artigo 994 do
Código de Processo Civil, é cabível da decisão do Presidente ou Vice-Presidente do Tribunal de
Justiça ou Tribunal Regional que inadmite, em juízo prévio de admissibilidade, recurso especial
ou extraordinário.
Com o atual Código de processo civil, alterado pela lei 13.256 de 4 de fevereiro de 2016, os
Recursos Especiais e os Recursos Extraordinários permaneceram a se submeter a um duplo
juízo de admissibilidade. No entanto, apenas o juízo negativo de admissibilidade é recorrível,
visto que, na hipótese de admissão, os autos serão remetidos à respectiva Corte Superior,
onde ocorrerá o juízo definitivo de admissibilidade.

Diante da interposição de recurso especial ou extraordinário perante o Presidente ou Vice-


Presidente do Tribunal local, a parte contrária, depois de intimada, terá o prazo de 15 (quinze)
dias, conforme art. 1.030, caput, do CPC, para oferecer contrarrazões. Oferecidas as
contrarrazões ou findo o prazo, o Presidente ou Vice-Presidente do tribunal de origem
procederá ao juízo provisório de admissibilidade, de acordo com o art. 1.030, V, do CPC.

Caso o juízo de admissibilidade do recurso especial ou extraordinário seja negativo, cabe a


interposição de agravo. Interposto o agravo, o recorrido será intimado para apresentar suas
contrarrazões no prazo de 15 (quinze) dias, conforme dispõe o art. 1.042, § 3º, do CPC. Após a
apresentação, ou não, das contrarrazões ao agravo, o Presidente ou Vice-Presidente poderá
retratar-se e desfazer a decisão de inadmissibilidade, determinando seja o recurso especial ou
extraordinário encaminhado ao tribunal superior.

Não exercida a retratação, a decisão mantém-se, com a remessa dos autos ao tribunal
superior, uma vez que não há no agravo em recurso especial ou extraordinário, duplo juízo de
admissibilidade. Cabe ao presidente ou vice-presidente do tribunal de origem apenas
processar o agravo, remetendo os autos ao STF ou STJ, conforme o caso, para que lá seja
examinado.

Ocorrendo interposição tanto de recurso especial quanto de recurso extraordinário, sendo


ambos forem inadmitidos, cabe agravo para cada recurso não admitido. Porém, nos casos de
inadmissão por motivo de aplicação de precedente de recurso especial repetitivo ou de
repercussão geral, o veículo adequado será Agravo Interno para o tribunal de origem, com o
intuito de individualizar e distinguir o caso em apreço, para que não haja aplicação de
precedente de inadmissão.

Interpostos dois agravos, um para cada Corte Superior, como o agravo de recurso especial e
extraordinário não é instrumentalizado e independe de preparo, os próprios autos são
remetidos, primeiramente para o Superior Tribunal de Justiça e, concluído o julgamento do
agravo pelo STJ, os autos, sem necessidade de requerimento, serão encaminhados para o
Supremo Tribunal de Federal, exceto se o mesmo restar prejudicado, nos moldes do art. 1.042,
§ 8º, do CPC.

Ressalte-se que o julgamento do agravo em recurso especial ou extraordinário será conjunto


ao próprio recurso especial ou extraordinário, caso aquele seja provido.

O julgamento do agravo em recurso especial ou extraordinário, realizado pelo relator em


decisão monocrática, que não conhecer do agravo, negar-lhe provimento ou decidir, desde
logo, o recurso não admitido na origem, caberá agravo interno para a turma, no prazo de
quinze dias. Caso o relator conheça do agravo em recurso especial ou extraordinário, o recurso
especial ou extraordinário será processado, na forma do Regimento interno do Tribunal, e
julgado pelo colegiado, admitindo-se a sustentação oral.

EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA
STJ: cabe contra acórdão que divirja de julgamento de outra turma, seção ou corte especial do
mesmo tribunal.

STF: cabe contra acórdão em RExt que divirja de outra turma ou do plenário do mesmo
tribunal.

Servem para que se faça jus à necessidade de uniformização da jurisprudência nos tribunais
superiores.

E o que é o recurso? O recurso nada mais é que o meio impugnante que a parte pode utilizar
para pedir o reexame da decisão que foi preferida no processo ainda em curso, que a mesma
faz parte. A reanalise da ação (acima referida) poderá ocorrer de duas formas, pela mesma
autoridade judiciária que julgou a ação ou por outra hierarquicamente superior, visando
sempre obter esclarecimento, reforma ou invalidação da sentença.

O recurso atende as garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa, sendo assim,


este remédio é de extrema importância para o processo e também para os litigantes, pois, a
utilização de tal impugnação quando necessária, afasta a insegurança jurídica da ação, além de
garantir as partes uma decisão mais “justa” já que o processo não será decido
monocraticamente.

Recursos
Ademais é importante salientar que no Novo
CPC houve a unificação dos prazos para recursos, ou
seja, o prazo é de 15 (quinze) dias a contar da data da
publicação, com exceção aos Embargos de declaração
que permaneceu o prazo de oposição de 5 (cinco) dias.
No entanto houve importante alteração no novo
CPC que trata da contagem dos prazos, serão
computados apenas os dias úteis. (art. 219 do CPC).
Conforme elenca o novo CPC são cabíveis os
seguintes Recursos.
Apelação, agravo de instrumento, agravo interno,
embargos de declaração, recurso ordinário, recurso
especial, recurso extraordinário, agravo em recurso
especial ou extraordinário e embargos de divergência.
(art. 994 do CPC).
Os recursos não impedem a eficácia da decisão, salvo
disposição legal ou decisão judicial em sentido
diverso. (art. 995 do CPC)

Do cabimento da Apelação- Da sentença e cabível


apelação e as questões resolvidas na fase de
conhecimento, (decisões interlocutórias) se a decisão
a seu respeito não comportar agravo de instrumento,
não são cobertas pela preclusão e devem ser
suscitadas em preliminar de apelação, eventualmente
interposta contra a decisão final, ou nas contrarrazões
Do cabimento do Agravo de Instrumento- O
Agravo de Instrumento tem cabimento restrito ao que
a Lei Disciplina sua função e impugnar decisões
interlocutórias.
Artigo 1015. Cabe agravo de instrumento contra as
decisões interlocutórias que versarem sobre:

I-Tutelas provisórias;II - mérito do processo;III -


rejeição da alegação de convenção de arbitragem;IV -
incidente de desconsideração da personalidade
jurídica;V - rejeição do pedido de gratuidade da justiça
ou acolhimento do pedido de sua revogação;VI -
exibição ou posse de documento ou coisa;VII -
exclusão de litisconsorte;VIII - rejeição do pedido de
limitação do litisconsórcio;IX - admissão ou
inadmissão de intervenção de terceiros;X - concessão,
modificação ou revogação do efeito suspensivo aos
embargos à execução;XI - redistribuição do ônus da
prova nos termos do art. 373, § 1o;XII - (VETADO);XIII
- outros casos expressamente referidos em lei.
Parágrafo único. Também caberá agravo de
instrumento contra decisões interlocutórias proferidas
na fase de liquidação de sentença ou de cumprimento
de sentença, no processo de execução e no processo
de inventário.
Do cabimento do Agravo Interno- O Agravo Interno
se presta a impugnar decisões Monocráticas do
Relator.
Art. 1.021. Contra decisão proferida pelo relator
caberá agravo interno para o respectivo órgão
colegiado, observadas, quanto ao processamento, as
regras do regimento interno do tribunal.

Do cabimento do Embargo de Declaração –


No novo CPC houve a ampliação das hipóteses de
cabimento, qual seja, correção de erro material. Pelo
Princípio da Fungibilidade o novo CPC permitiu que o
relator transforme os embargos de declaração em
agravo interno no Tribunal, condicionado à intimação
do recorrente, previamente, para regularizar a peça.
Art. 1.022. Cabem embargos de declaração contra
qualquer decisão judicial para:I - esclarecer
obscuridade ou eliminar contradição;II - suprir
omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se
pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento;III -
corrigir erro material.

Parágrafo único. Considera-se omissa a decisão que:I -


deixe de se manifestar sobre tese firmada em
julgamento de casos repetitivos ou em incidente de
assunção de competência aplicável ao caso sob
julgamento;II - incorra em qualquer das condutas
descritas no art. 489, § 1o.

Dos Recursos para o Supremo


Tribunal Federal e para o Superior
Tribunal de Justiça
Recurso Ordinário- Serão julgados em recurso
ordinário. (art. 1027 do novo CPC)
I - pelo Supremo Tribunal Federal, os mandados de
segurança, os habeas data e os mandados de injunção
decididos em única instância pelos tribunais
superiores, quando denegatória a decisão;

II - pelo Superior Tribunal de Justiça:

a) os mandados de segurança decididos em única


instância pelos tribunais regionais federais ou pelos
tribunais de justiça dos Estados e do Distrito Federal e
Territórios, quando denegatória a decisão;

b) os processos em que forem partes, de um lado,


Estado estrangeiro ou organismo internacional e, de
outro, Município ou pessoa residente ou domiciliada
no País.

§ 1o Nos processos referidos no inciso II, alínea b,


contra as decisões interlocutórias caberá agravo de
instrumento dirigido ao Superior Tribunal de Justiça,
nas hipóteses do art. 1.015.
§ 2o Aplica-se ao recurso ordinário o disposto nos arts.
1.013, § 3o, e 1.029, § 5o.

Do recurso Extraordinário e do Recurso Especial-


Em se tratando de recurso especial e extraordinário,
o NCPC permite que o STJ e o STF desconsiderem
vício formal e admitam um recurso tempestivo, desde
que não o repute grave.
Art. 1.029. O recurso extraordinário e o recurso
especial, nos casos previstos na Constituição Federal,
serão interpostos perante o presidente ou o vice-
presidente do tribunal recorrido, em petições
distintas.

Do Agravo em Recurso Especial e em Recurso


Extraordinário-
O Agravo se presta a impugnar a decisão que inadmite
o recurso especial ou extraordinário em certas
situações, exemplo de intempestividade. Não tem
recolhimento de custas, desde que seja assegurada a
sustentação oral é permitido que seja julgado o agravo
com os demais recursos na sessão.

Art. 1.042. Cabe agravo contra decisão do presidente


ou do vice-presidente do tribunal recorrido que
inadmitir recurso extraordinário ou recurso especial,
salvo quando fundada na aplicação de entendimento
firmado em regime de repercussão geral ou em
julgamento de recursos repetitivos

Dos Embargos de Divergência


Os Embargos de Divergência no Novo CPC tiveram
ampliadas as hipótese de cabimento alem disso e
cabível a interposição quando a divergência tiver sido
no mesmo órgão, condicionada à alteração de mais da
metade de seus membros, quando os mesmos são
interpostos no STJ, interrompem o prazo para
interposição do recurso Extraordinário.
Art. 1.043. É embargável o acórdão de órgão
fracionário que:

I - em recurso extraordinário ou em recurso especial,


divergir do julgamento de qualquer outro órgão do
mesmo tribunal, sendo os acórdãos, embargado e
paradigma, de mérito;

II-(Revogado pela Lei nº 13.256, de 2016)


III - em recurso extraordinário ou em recurso especial,
divergir do julgamento de qualquer outro órgão do
mesmo tribunal, sendo um acórdão de mérito e outro
que não tenha conhecido do recurso, embora tenha
apreciado a controvérsia;
IV-(Revogado pela Lei nº 13.256, de 2016)
§ 1o Poderão ser confrontadas teses jurídicas contidas
em julgamentos de recursos e de ações de
competência originária.

§ 2o A divergência que autoriza a interposição de


embargos de divergência pode verificar-se na
aplicação do direito material ou do direito processual.

§ 3o Cabem embargos de divergência quando o


acórdão paradigma for da mesma turma que proferiu
a decisão embargada, desde que sua composição
tenha sofrido alteração em mais da metade de seus
membros.

§ 4o O recorrente provará a divergência com certidão,


cópia ou citação de repositório oficial ou credenciado
de jurisprudência, inclusive em mídia eletrônica, onde
foi publicado o acórdão divergente, ou com a
reprodução de julgado disponível na rede mundial de
computadores, indicando a respectiva fonte, e
mencionará as circunstâncias que identificam ou
assemelham os casos confrontados".

 Cumprimento de sentença e execução


(noções gerais, impugnação ao cumprimento
de sentença e embargos à execução)
O rito executório é informado pelo princípio do
desfecho único e comporta uma dualidade básica de
posições. De um lado, o credor busca obter
materialmente o bem da vida garantido pelo titulo
executivo judicial ou extrajudicial em razão do
inadimplemento. Do outro, o devedor executado, cuja
pretensão se limita a se defender ou impedir o êxito
do exequente.
O executado possui a priori duas formas de defesa a
depender da natureza da execução. Contra o título
executivo judicial em cumprimento de sentença cabe
a impugnação do art. 525 do CPC (art. 535, no caso
da Fazenda Pública), ao passo que cabem embargos à
execução para resistir ao rito executório de um título
executivo extrajudicial conforme o
art. 914 do CPC (art. 910 do CPC no caso da Fazenda
Pública).
IMPUGNAÇÃO
A impugnação é apresentada nos mesmos autos de
um cumprimento de um título judicial (previstos no
art. 515, do CPC), por simples petição. Não se cria
novo processo incidental, tampouco se formam novos
autos. Seu julgamento se dá por decisão interlocutória
caso mantenha a execução ainda que parcialmente, e
por sentença, em caso de extinção da execução
(art. 203, § 1º, parte final, e art. 924, do CPC).
Tem lugar na defesa do cumprimento de sentença de
título executivo judicial para pagamento de quantia
certa. Todavia, será cabível, no que couber, com
relação à obrigação de fazer ou de dar coisa
(art. 536, § 4º, e art. 538, § 3º, do CPC).
Com base no caput dos art. 523 e 525 do CPC, o
executado será intimado e terá o prazo de 30 (trinta)
dias úteis (art. 219, do CPC) para apresentar a sua
impugnação. É que os primeiros 15 dias serão para
realizar o pagamento voluntário (art. 523) e, não o
fazendo, posteriormente terá início automático, sem
nova intimação, de um novo prazo de 15 dias para
impugnar. Esses prazos contam-se
independentemente de penhora ou garantia (art. 525)
e em dias úteis. Nada impede que o executado já
apresente a impugnação no prazo do pagamento
voluntário - já que ainda não iniciado o da impugnação
- porque art. 218, § 4º, do CPC, diz que é tempestivo o
ato praticado antes do termo inicial do prazo.
Para se compreender o alcance da impugnação,
deve-se partir da ideia de que na fase cognitiva o
contraditório foi amplo, culminando-se em sentença
prolatada pelo judiciário contra a qual foram cabíveis
diversos recursos. O que se deve ter em mente é que o
título judicial posteriormente executado formou-se em
cognição exauriente após debates na fase de
conhecimento. Então, a impugnação possui um
campo limitado de discussões, já que o núcleo
duro dos questionamentos no judiciário já
ocorreu na fase anterior à execução. Vejamos os
temas alegáveis na impugnação conforme se extrai do
art. 525, § 1º, do CPC:
§ 1º Na impugnação, o executado poderá alegar:

I - falta ou nulidade da citação se, na fase de


conhecimento, o processo correu à revelia;

II - ilegitimidade de parte;

III - inexequibilidade do título ou inexigibilidade da


obrigação;

IV - penhora incorreta ou avaliação errônea;

V - excesso de execução ou cumulação indevida de


execuções;

VI - incompetência absoluta ou relativa do juízo da


execução;

VII - qualquer causa modificativa ou extintiva da


obrigação, como pagamento, novação, compensação,
transação ou prescrição, desde que supervenientes à
sentença.

O inciso I, que trata da nulidade de citação quando o


processo na fase de conhecimento correu à revelia,
constitui exceção à regra de que, ainda que no módulo
de conhecimento tenha havido nulidades absolutas,
não poderiam ser arguidas em via de impugnação
porque sobre as mesmas já pesa a autoridade da coisa
julgada.[1] Ou seja, constitui a única situação
expressa em que poder-se-ía questionar a higidez do
próprio título judicial por meio da impugnação por se
tratar de vício transrescisório.
E ressalvada a hipótese do primeiro inciso, todas as
demais alegações dizem respeito a situações ocorridas
após o trânsito em julgado, ou seja, pontuais falhas
surgidas ou apreciáveis apenas quanto ao próprio
modo de conduta do Credor no rito executório. Na
impugnação não há uma nova oportunidade de se
debater acerca da obrigação constituída em sentença,
e tampouco haveria como novamente questionar o
conteúdo do título judicial.

É por isso que se diz que a impugnação ao


cumprimento de sentença não pode combater o mérito
da condenação, limitando-se ao âmbito das
preliminares e pressupostos processuais e condições
rito executivo ou, ainda, o mérito da própria cobrança
executiva, como um excesso de execução, por
exemplo. Tudo que tangenciar o mérito da condenação
somente poderá dizer respeito a fatos posteriores que
possam abalar a sentença e a dívida reconhecida,
como pagamento, compensação, prescrição da
execução, repise-se, sempre ocorridas de forma
superveniente. Há uma restrição em seu alcance,
justificada pelos motivos acima.

EMBARGOS À EXECUÇÃO
No caso da execução de título
executivo extrajudicial (previstos no art. 784, do
CPC), a "defesa" será por meio dos embargos à
execução.
Estes embargos à execução possuem natureza de
ação judicial e devem ser distribuídos em apenso, por
dependência, conforme art. 914 e § 1º, do CPC,
devendo ser apresentados em 15 (quinze) dias úteis
desde a citação. Em regra, não possuem efeito
suspensivo nem exigem garantia do juízo (art. 919).
Por outro lado, nos termos do § 1º poderá o juiz
conceder efeito suspensivo se a parte garantir o juízo
e demonstrar estarem presentes os requisitos da
tutela provisória. Em outras palavras, o efeito
suspensivo é ope judicis.
Podem ser apresentados contra qualquer execução
de título executivo extrajudicial. Seu julgamento se dá
por sentença e comporta juízo de procedência ou
improcedência, a fim de se desconstituir o título
executivo extrajudicial combatido.

Mas a amplitude dos embargos à execução


em muito supera a da impugnação.
É que ainda que o legislador atribua presunção de
certeza, liquidez e exigibilidade ao título executivo
extrajudicial, também é garantido ao executado o
amplo direito de discutir em juízo a higidez do
título, observando, assim, os princípios
constitucionais do contraditório e da ampla defesa
previstos no art. 5º, LV, da Constituição Federal[2].
Além de refletir algumas matérias também alegáveis
na impugnação, os embargos permitem uma discussão
maior. Esta conclusão é extraída da leitura do disposto
no art. e 917, VI, do CPC:
Art. 917. Nos embargos à execução, o executado
poderá alegar:

VI - qualquer matéria que lhe seria lícito deduzir


como defesa em processo de conhecimento.

Diferentemente da execução de título judicial, em


que a impugnação possui cognição limitada em razão
de já ter havido prévia discussão e acertamento
judicial da lide, os embargos à execução de título
extrajudicial permitem ampla cognição por
constituírem verdadeira ação de conhecimento.
Afinal, é a partir dos embargos que se inaugura o
debate em juízo até então inédito, podendo
assim rediscutir a própria formação do título.
Nesse sentido é a lição da doutrina do prof.
Humberto Theodoro Júnior:

Embora o título extrajudicial goze de força


executiva igual à da sentença, não se apresenta
revestido da imutabilidade e indiscutibilidade
próprias do título judicial passado em julgado.
Daí porque, ao regular os embargos manejáveis contra
a execução de títulos extrajudiciais, a Lei permite ao
executado arguir tanto questões ligadas aos
pressupostos e condições da execução forçada
como quaisquer outras defesas que lhe seria lícito
opor ao credor, caso sua pretensão tivesse sido
manifestada em processo de conhecimento.
(Theodoro Júnior, Humberto. Processo de Execução e
Cumprimento da Sentença. 25ª ED. rev. ampl. atual.
São Paulo. LIV. e ED. Universitária de Direito, 2008,
pág. 426)

É o mesmo posicionamento de Luiz Guilherme


Marinoni:

Daí a razão fundamental da segunda diferença entre a


execução dos títulos judiciais e dos extrajudiciais. A
defesa do executado, na execução de títulos
extrajudiciais, não se faz mediante simples
impugnação, oferecida no seio do procedimento
executivo. Como já dito, aqui a defesa se realiza por
meio da propositura de novo processo, que veiculará
uma ação de conhecimento autônoma e incidente ao
processo de execução, que objetiva discutir
aspectos da execução, do título e do próprio
crédito demandado. O executado se tornará autor de
uma ação que tem por objetivo desconstituir o título
ou o direito demandado ou ainda inviabilizar o
processo de execução. Este processo de
conhecimento incidente ao de execução é de
cognição plena e exauriente. Permite a discussão
de qualquer tema (vinculado, obviamente, ao
direito postulado na execução) e sua sentença é
apta a tornar-se imutável pela coisa
julgada. (MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, et
al. Novo Curso de Processo Civil: Tutela dos direitos
mediante procedimentos diferenciados. V.3. 3 ed. São
Paulo: Revista dos Tribunais, 2017, v. d., p. 34-35)

O tratamento que a resposta do devedor dá à


execução do título extrajudicial corresponde a uma
verdadeira transformação da execução em ação
ordinária de cobrança, pelo menos enquanto
estiverem pendentes os embargos opostos pelo
executado. O crédito passa a ser objeto de ampla
indagação e de completo acertamento, tanto positivo
como negativo[3].
É por isso que se diz que o juízo cognitivo dos
embargos é amplo e pode atingir tanto os fatos
anteriores à formação do título (a própria causa
debendi) como os posteriores, que possam
provocar a modificação ou extinção do crédito ou o
impedimento à sua exigibilidade. Fala-se, nesse
sentido, que na execução do título extrajudicial
ocorreria “execução adiantada”, com “inversão da
ordem das atividades jurisdicionais”[4].
Comparando-se com a defesa na execução de título
judicial, não há dentre os temas alegáveis na
impugnação ao cumprimento de sentença um
inciso semelhante ao VI do art. 917, que amplia a
discussão para “qualquer matéria” alegável na
fase de conhecimento. Isso se dá por um motivo:
tais alegações do executado-impugnante deveriam ter
sido feitas na fase de conhecimento, não inaugurando
a impugnação nova oportunidade, o que se dá também
em atenção ao art. 508 do CPC:
Art. 508. Transitada em julgado a decisão de mérito,
considerar-se-ão deduzidas e repelidas todas as
alegações e as defesas que a parte poderia opor tanto
ao acolhimento quanto à rejeição do pedido.

Embora existam inúmeras outras diferenças, neste


ensaio pretendeu-se apenas destacar alguns breves
pontos práticos que merecem atenção dos advogados,
especialmente no tocante às formalidades de
peticionamento e à relevante diferença quanto ao
alcance e matérias alegáveis, bem como as razões
destas distinções.

 Procedimento comum (da petição inicial até o


saneamento)

1. Propositura da demanda.
O processo civil tem início com a propositura da ação.
O protocolo da petição inicial demanda a observância
dos requisitos explicitados no art. 319 do Código de
Processo Civil.

Confira-se:

Art. 319. A petição inicial indicará:

I - o juízo a que é dirigida;

II - os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência


de união estável, a profissão, o número de inscrição no
Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional
da Pessoa Jurídica, o endereço eletrônico, o domicílio
e a residência do autor e do réu;

III - o fato e os fundamentos jurídicos do pedido;

IV - o pedido com as suas especificações;

V - o valor da causa;

VI - as provas com que o autor pretende demonstrar a


verdade dos fatos alegados;

VII - a opção do autor pela realização ou não de


audiência de conciliação ou de mediação.

Além disso, a petição inicial deverá acompanhar todos


os documentos indispensáveis às comprovações fáticas
do quanto alegado (art. 320). É de se observar que, de
regra, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto a
fatos constitutivos de seu direito (art. 373, I, do CPC).
2. Vícios na petição inicial.
Estando faltante qualquer requisito de admissibilidade
da petição inicial, o juiz deverá determinar a
intimação da parte autora para corrigir o vício, no
prazo de 15 (quinze) dias, sob pena de extinção da
demanda sem apreciação de seu mérito.

Calha notar que o magistrado deverá indicar com


precisão o vício que reputa estar presente na petição
inicial, consoante preconiza o art. 321 do CPC.
3. Marcação de audiência de conciliação.
Estando presentes os requisitos de admissibilidade da
petição inicial, e não sendo hipótese de improcedência
liminar do pedido, o magistrado deverá determinar a
marcação de audiência de conciliação ou de mediação
com antecedência mínima de 30 (trinta) dias, devendo
ser citado o réu com pelo menos 20 (vinte) dias de
antecedência (art. 334 do CPC).
A referida audiência apenas não acontecerá se ambas
as partes informarem, expressamente, o desinteresse
na realização da sobredita audiência, ou quando o
direito objeto da tutela jurisdicional não for passível
de autocomposição.

4. Oferecimento da contestação e contagem de


prazo.
Realizada a audiência de conciliação (e não havendo
conciliação), a parte ré disporá de 15 (quinze) dias
para oferta da peça contestatória, contados da própria
audiência conciliatória (art. 335, inciso I, CPC).
Não havendo audiência por expressa disposição de
vontade das partes, o prazo contestatório correrá da
data do protocolo do pedido de cancelamento da
audiência de conciliação apresentado pelo réu
(art. 335, II, CPC).
Quando o direito versado não admitir autocomposição,
de sua vez, o prazo para oferecimento de contestação
observará as normas gerais de contagem de prazos
processuais, expostas no art. 231 do Código de
Processo Civil.

5. Réplica.
Apresentada a peça contestatória, deve-se analisar se
a mesma trouxe consigo fatos ou documentos novos.
Havendo fatos ou documentos novos na peça de
defesa, deverá ser aberto o prazo de 15 (quinze) dias
para a parte autora se manifestar (art. 350-351
c/c 437, § 1º do CPC).
6. Saneamento e Instrução.
Apresentada ou não a réplica (a depender do caso) o
magistrado procederá à fase de saneamento ou fase
de ordenamento do processo. Trata-se de fase voltada
a adoção de providências para que o processo reste
apto para que nele seja proferida uma decisão, com
correção de eventuais irregularidades.[1]
Neste momento será possível, inclusive, que o
magistrado proceda ao julgamento antecipado da lide,
caso, estando regular o feito, a parte ré tenha sido
revel ou a causa não demande a produção de outras
provas (art. 355 do CPC).
Será possível, ainda, o julgamento parcial de mérito,
caso em que o magistrado procederá a análise parcial
da demanda, desde que incontroversa a parcela
julgada e em condições de julgamento
(art. 356 do CPC). Da decisão que julga parcialmente
o mérito cabe o recurso de Agravo de Instrumento
(art. 356, § 5º, do CPC).
Não havendo julgamento antecipado ou parcial de
mérito, o juiz proferirá decisão de saneamento e
organização do processo, na qual deverá delimitar as
questões de fato sobre as quais recairá a atividade
probatória, especificando os meios de prova
admitidos; definirá a distribuição do ônus da prova;
delimitará as questões de direito relevantes para a
decisão de mérito e designará, se necessário, a
audiência de instrução e julgamento, consoante
preconiza o art. 357 do CPC.
7. Sentença.
Procedida a fase instrutória, com realização de
perícia, audiência ou outros meios de prova, se
necessários, o magistrado deverá proferir sentença
extintiva da etapa cognitiva do procedimento
processual.

Essa sentença poderá ser terminativa, isto é, sem


apreciação do mérito exposto na lide, caso constatado
algum defeito de natureza insuperável, que impeça a
apreciação do mérito da lide, ou resolutiva de mérito,
caso em que o magistrado compõe a lide e resolve a
contenda apresentada pelas partes.

Da sentença cabem os recursos de embargos de


declaração e apelação, a serem interpostos no prazo
de 5 (cinco) e 15 (quinze) dias, respectivamente.
Partes e procuradores art 70 a 112

Tutela provisória
No artigo 294 do CPC/2015, a tutela provisória encontra-se prevista
como gênero que contempla as seguintes espécies: (i) tutelas de
urgência; (ii) tutelas de evidência.

Tutela provisória de urgência


A tutela provisória de urgência é o instrumento processual que
possibilita à parte pleitear a antecipação do pedido de mérito com
fundamento na urgência. Essa espécie de tutela provisória se subdivide
em duas subespécies: (i.1) tutela provisória de urgência antecipada; (i.2)
tutela provisória de urgência cautelar, sendo que ambas podem ser
requeridas de forma antecedente ou incidente.

Embora a versão promulgada do CPC/2015 não faça referência à


distinção conceitual entre as subespécies das tutelas de urgência
(antecipatórias e cautelares), Cássio Scarpinella Bueno[1] esclarece que
a versão do anteprojeto do Senado trazia a questão de forma elucidativa
no artigo 269, mais precisamente nos parágrafos 1º e 2º. Segundo o
autor, cuja conclusão nos parece correta, as tutelas antecipadas têm por
objeto assegurar e antecipar à parte autora o próprio direito material,
enquanto as tutelas cautelares conferem à parte a possibilidade de obter,
mediante provimento de urgência, ferramentas para assegurá-lo.

Nesse ponto, o CPC/2015 perdeu a oportunidade de encerrar, de uma vez


por todas, a longa discussão acerca do que seria satisfazer (“antecipada”)
e o que seria assegurar (“cautelar”), tendo em vista que o mais
importante sempre foi o fato de que as tutelas, sejam elas antecipadas ou
cautelares, possuem a urgência como o elemento principal para assegurar
a pretensão da parte litigante. De todo modo, o próprio CPC/2015
reconhece que a distinção entre as tutelas é mais nominal do que prática
e, por esta razão, estabeleceu a fungibilidade entre as medidas no
parágrafo único do artigo 305.

Tutela provisória de urgência antecipada


É interessante notar que, com as alterações trazidas pelo CPC/2015, caso
o risco seja contemporâneo à propositura da ação, a parte poderá
preparar a inicial de forma simplificada, indicando como fundamento a
tutela provisória de urgência antecipada em caráter antecedente (artigo
303, caput, CPC/2015). Nessa hipótese, concedida a tutela, caso a parte
autora tenha optado pela petição simplificada, deverá aditá-la com a
complementação dos fatos e fundamentos e a juntada de novos
documentos, além de ratificar o pedido principal dentro do prazo mínimo
de 15 dias (artigo 303, parágrafo 1º, inciso I, CPC/2015), sob pena de
extinção da ação sem a apreciação do mérito. Caso a tutela seja
indeferida, a parte autora será intimada para emendar a inicial, mas no
prazo máximo de cinco dias (artigo 303, parágrafo 6º, CPC/2015).

Outro ponto de relevante destaque é a possibilidade de os efeitos da


tutela de urgência antecipada se tornarem estáveis. Segundo o artigo 304
do CPC/2015, a tutela de urgência antecipada — seja ela em caráter
antecedente ou incidente — deixará de ser provisória e se tornará estável
caso não seja interposto o respectivo recurso pela parte contrária,
extinguindo-se o processo sem resolução do mérito e sem a formação da
coisa julgada material (artigo 304, parágrafos 1º e 6º, do CPC/2015). A
estabilidade da decisão poderá ser revista dentro de dois anos, mediante
o ajuizamento de ação própria em que seja proferida decisão de mérito
reformando ou anulando a tutela concedida anteriormente (artigo 304,
parágrafo 2º ao 6º, do CPC/2015).

É interessante notar que essa estabilidade poderá gerar grande


controvérsia doutrinária e jurisprudencial sobre os efeitos que a decisão
concessiva da tutela terá quando houver a preclusão do direito da parte
contrária de impugná-la. Isso porque, decorrido o prazo sem
impugnação, as partes terão de conviver com uma decisão que, a
despeito de não transitar em julgado (artigo 304, parágrafo 1º e 6º, do
CPC/2015), não será suscetível de reforma por ato judicial.

Tutela de urgência cautelar


Trata-se do mecanismo que permite à parte obter um provimento
acautelatório que preserve o direito material almejado. Em outras
palavras, as tutelas de urgência cautelares têm caráter instrumental. Elas
não recaem sobre o mérito em si, mas sobre os instrumentos que
asseguram a efetividade do mérito e do processo. É o caso, por exemplo,
do provimento jurisdicional que confere à parte o direito de acesso a
provas documentais necessárias à discussão de mérito que estejam em
poder de terceiros.

A tutela de urgência cautelar também poderá ser conferida em caráter


antecedente ou incidente. Caso seja deferida na modalidade antecedente,
a parte autora também poderá lançar mão da petição simplificada (artigo
305, do CPC/2015), mas deverá aditá-la dentro de 30 dias, de modo a
indicar o pedido principal (artigo 308, do CPC/2015).

Tutela de evidência
Prevista no artigo 311 do CPC/2015, a tutela de evidência pode ser
requerida independentemente da comprovação do perigo de dano ou de
risco ao resultado útil do processo, levando em consideração a evidência
do direito. Nessa modalidade de tutela, o CPC/2015 privilegia a boa-fé
processual e os casos em que a plausibilidade do direito é patente. São
quatro hipóteses: (i) abuso do direito de defesa ou o manifesto propósito
protelatório da parte; (ii) alegações de fato passíveis de comprovação
apenas documentalmente e se houver tese firmada em julgamento de
casos repetitivos (incluindo o Incidente de Resolução de Demandas
Repetitivas) ou em súmula vinculante; (iii) pedido reipersecutório
fundado em prova documental adequada do contrato de depósito, caso
em que será decretada a ordem de entrega do objeto custodiado, sob
pena de multa; (iv) petição inicial instruída com prova documental
suficiente dos fatos constitutivos do direito do autor, a que o réu não
oponha prova capaz de gerar dúvida razoável.

Apenas as hipóteses (ii) e (iii) podem ser requeridas liminarmente (artigo


311, parágrafo único, CPC/2015). Nos demais casos, a concessão da
tutela fica restrita a momento posterior à oitiva da parte contrária.

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