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V: O Caçador da Lua Vermelha

V, um jovem amaldiçoado, cresce em um orfanato e é expulso após começar a falar uma língua esquecida. Após ser capturado e experimentar uma fome insaciável, ele se torna um caçador sob a orientação de Rennalia, uma criatura semelhante a ele, que busca reverter sua própria maldição. Agora, V viaja por Cair Paravel, caçando segredos e buscando a cura para sua Lady e para si mesmo.

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V: O Caçador da Lua Vermelha

V, um jovem amaldiçoado, cresce em um orfanato e é expulso após começar a falar uma língua esquecida. Após ser capturado e experimentar uma fome insaciável, ele se torna um caçador sob a orientação de Rennalia, uma criatura semelhante a ele, que busca reverter sua própria maldição. Agora, V viaja por Cair Paravel, caçando segredos e buscando a cura para sua Lady e para si mesmo.

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### **V, a Sombra Predadora**

#### **O Nascimento da Maldição**

V não se lembra de muito de sua infância. Suas memórias mais antigas são os
sussurros das velhas que trançavam lã e os olhares desconfiados dos
mercadores. Ele cresceu em um orfanato em Cair Paravel, mas sua pele fria e
olhar vazio causavam desconforto.

V tinha uma vida relativamente tranquila—até seus oito anos, quando os


pesadelos começaram.

Ele sonhava com **fogo negro e ossos quebrados**, com uma criatura colossal de
asas sombrias que sussurrava um juramento em uma língua esquecida. Quando
começou a falar essa língua, os cuidadores do orfanato o chamaram de
amaldiçoado. **Algo antigo demais, profano demais, corria em suas veias.**

Foi expulso. Jogado ao mundo, sem nome e sem história.

#### **A Fome e a Maldição**

V cresceu como um andarilho, aprendendo a roubar, lutar e sobreviver nos cantos


sombrios das cidades. Mas algo estava errado. **A fome nunca cessava.**

Não importava o que comia—pão, carne de caça, peixe do litoral—nada o saciava.


Apenas uma única carne parecia verdadeira.

Seu destino se selou em uma noite tempestuosa. Pego roubando, foi capturado e
jogado em um calabouço, deixado para morrer de fome.

Três dias se passaram. **Na quarta noite, quando a luz da lua tocou sua pele, a
fome se tornou insuportável.** Seu corpo se moveu sozinho. Quando sua
consciência retornou, **o chão estava coberto de sangue e vísceras.**
E então, ele ouviu a voz:

**”Caminhe. Caminhe até o dia que o sol se torna negro. Caminhe até o dia que a
Lua Vermelha tocar as montanhas. Caminhe, pois seu sangue é meu, e minha
fome é sua.”**

Ele não sabia de onde aquilo vinha. Não sabia que sua fome, sua existência, já
haviam sido seladas desde a infância, na noite em que foi mordido por Rennalia, a
oito anos, na noite em que os sonhos começaram

Mas aquela voz não era Rennalia, era o sangue falando, era Akivel.

#### **O Preço do Sangue**

V fugiu para o lugar mais deserto que pôde, tentando resistir ao que havia dentro
dele. **Se recusava a matar, mas a fome não parava.**

Seu corpo começou a definhar—primeiro os dedos ficaram fracos, depois as


articulações falharam. Certa noite, acordou **sem os dois braços.** Apodreceram
e caíram, um preço pago pela fome insaciável.

Por meses, vagou sem esperança, esperando a morte. Até ser encontrado pelos
homens de Rennalia.

Ele tentou lutar, mas o que era um caçador sem garras?

#### **A Servidão à Noite**

Rennalia era como ele, mas de um destino ainda mais cruel. Sua pele era fria
como pedra, seus olhos, duas fendas negras. Ela já não possuía pernas nem
braços de carne—**apenas próteses forjadas de ossos e ferro** pelos melhores
artífices anões. E, diferente de V, **não podia andar sob o sol.**

Ela não queria matá-lo. **Queria usá-lo.**

Rennalia, fugitiva de Arikel, buscava uma forma de reverter sua maldição e


reconquistar a liberdade de caminhar à luz do dia. Precisava de um **cão de
caça** para buscar sua cura, e V seria essa arma.

**”Você não tem braços? Lhe darei garras.”**

Ela o equipou com próteses vivas, que respondiam quase como se tivessem
vontade própria. Rennalia ensinou a V um segredo: **se a fome fosse controlada,
a força poderia ser usada a favor.**

**E então, V caçou.**

#### **Aquele Que Caça nas Sombras**

Agora, V viaja pelo reino de Cair Paravel. Ele se move entre os vilarejos como um
sussurro, uma lenda de terror. Ele caça, investiga segredos proibidos e segue o
rastro do **sangue da Lua Vermelha**, a chave para a cura de sua Lady—e, talvez,
para a sua própria redenção.

Ele caminha, pois não há outro caminho.

**Caminhe até o dia que a Lua se torne vermelha.**

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