A Festa da Independência da Bahia ou Desfile do Dois de Julho como é chamado pelos
soteropolitanos, é uma festa de caráter cívico, comemorativa da independência do
Brasil em terras baianas e um de seus pricipais simbolo é o caboclo.
Caboco ou coboclo é o mestiço de branco com índio. Também era a antiga designação
do indígena brasileiro. Pode, também, ser sinônimo de caipira. O mestiço de branco
com caboclo é o cariboca ou curiboca sendo denominação utilizada também pelos
filhos de brancos e índios.
O cortejo que leva a imagem do caboclo, símbolo da independência da Bahia, acontece
todos os anos no dia 2 de julho na cidade de Salvador, Bahia, tendo seu início no
Largo da Lapinha no Memorial Pavilhão Dois de Julho ao lado da Paróquia da Lapinha.
Depois da expulsão das tropas portuguesas da Bahia, em julho de 1823, a população
passou a fazer o desfile para manter viva a memória das batalhas de libertação.
Com um grande desfile popular juntamente com as imagens do caboclo e da cabocla,
reverenciando a força na força nativa sobre as tropas lusitanas derrotadas em 1823,
percorre por várias ruas históricas até o seu apogeu no largo do Campo Grande ou
praça Dois de Julho. O retorno das imagens ocorre dia 5 do mesmo mês com outra
grande fanfarra, geralmente à noite e regido por grandes orquestras, estudantes,
músicos, instituições, charanga e batucadas.
Presente nas comemorações da Independência da Bahia desde 1824, o caboclo é a
imagem do índio Caramuru, sentado em seu cavalo, ele representa a vitória nas
guerras de Independência e o surgimento da nova nação. A fim de relembrar a entrada
do exército pacificador em Salvador, a população enfeitou uma carreta, tomada do
inimigo na batalha de Pirajá, puseram sobre ela um idoso de descendência indígena e
levaram-na, em cortejo, da Lapinha ao Terreiro de Jesus.
O ritual se repetiu no ano seguinte e, em 1826, foi esculpida a imagem do caboclo
que circula nas ruas até os dias de hoje . Vinte anos depois, em 1846, a imagem da
cabocla representa a índia Paraguaçu, esposa de Caramuru, ela foi inserida no
cortejo por sugestão do tenente general José de Andrade, português naturalizado
brasileiro, para representar os laços entre brasileiros e portugueses e atenuar o
sentimento de revolta lusitano.
O historiador e professor Marcos Varjão destacou que a estátua da cabocla não foi
criada para celebrar as mulheres que tiveram participação fundamental nas lutas
pela Independência, mas sim para substituir o caboclo original. Eles viam essa
figura como uma atitude heroica e guerreira, mas também como violenta e agressiva,
que incitava a rebeldia antilusitana. A essa altura pós-vitória, essa ideia poderia
se tornar uma atitude revolucionária contra as elites da época".