Cinderela: A Versão Que Você Nunca Ouviu
Era uma vez, em um reino onde as estrelas brilhavam como diamantes, uma jovem
chamada Ella. Seu nome completo era Ella de Lucena, mas todos a chamavam de Cinder-
Ella, porque vivia coberta de cinzas da lareira, limpando e cozinhando para sua
madrasta e suas meias-irmãs insuportáveis, Drizella e Anastácia.
Mas Ella não era qualquer garota submissa. Não. Por trás do avental sujo e das mãos
calejadas, havia uma mente afiada e um coração valente.
O Baile e o Plano da Liberdade
Quando o rei anunciou um grande baile para encontrar uma noiva para o príncipe, a
cidade inteira se encheu de fofocas. As irmãs de Ella ficaram histéricas, e a
madrasta, como sempre, zombou dela:
— Um baile não é lugar para criadas!
Mas Ella, determinada, não ia aceitar esse destino. Lá no fundo do jardim, uma
velha amiga apareceu: sua Fada Madrinha. Só que essa fada não era bem o que se
esperava — em vez de uma senhora doce, era uma mulher de capa escura, com um olhar
astuto e um sorriso malandro.
— Quer sair dessa vida, menina? Então segura minha varinha!
Com um estalar de dedos, Ella ganhou um vestido dourado como o sol, um penteado que
parecia obra de arte e um par de sapatos de cristal tão brilhantes que poderiam
cegar um distraído.
— Agora escute bem, Cinder-Ella — disse a fada, séria. — Essa é sua chance. Vá ao
baile, mas lembre-se: a magia some à meia-noite.
A Dança e a Fuga
No castelo, quando Ella entrou no salão, todas as cabeças se viraram. Até o
príncipe, que já dançara com dezenas de damas, parou boquiaberto.
— Quem é você? — ele perguntou, oferecendo a mão.
— Apenas uma garota que não gosta de limpar lareiras — ela respondeu, divertida.
Eles dançaram, conversaram, riram. Mas quando o relógio começou a badalar meia-
noite, Ella sentiu a magia tremendo ao redor dela.
— Preciso ir! — disse, correndo pelo salão.
— Espere! — o príncipe gritou, mas ela já descia as escadarias.
Na pressa, um dos sapatos de cristal escorregou de seu pé e ficou para trás. Antes
que o feitiço desaparecesse por completo, Ella mergulhou na noite e sumiu.
O Sapatinho e a Verdade
No dia seguinte, o príncipe ordenou que todas as moças do reino experimentassem o
sapato perdido. Drizella e Anastácia tentaram forçar seus pés inchados nele, mas
foi inútil.
Quando chegaram à casa de Ella, sua madrasta tentou trancá-la no sótão, mas a
garota já tinha um plano. Com a ajuda dos passarinhos que sempre a acompanhavam,
roubou a chave e desceu bem a tempo.
Quando experimentou o sapatinho, ele deslizou suavemente no seu pé.
O príncipe sorriu.
— Eu sabia que era você.
E assim, Ella se libertou daquela casa sombria, mas não como uma simples princesa.
Não, não. Ela se tornou uma rainha que mudaria a história do reino, dando voz aos
injustiçados e acabando com o abuso de criadas e servos.
E a madrasta? Bem... digamos que passou o resto da vida limpando lareiras.
Fim.