Conceito
O poder normativo é a prerrogativa dada à Administração direta e indireta de criar normas gerais
e abstratas, complementares à lei. É a prerrogativa do poder público de editar atos necessários à
consecução dos fins da Administração Pública.
Como se trata de um poder complementar à lei em sentido estrito, ou seja, aquela lei emanada
do Poder Legislativo, as normas produzidas pela Administração devem respeitar os ditames da
lei, sob pena de serem consideradas inválidas.
São exemplos de manifestação do poder normativo os decretos regulamentares, as instruções
normativas, as portarias e as resoluções.
O ato normativo mais importante que estudamos nesse tema é o Decreto, que é a materialização
do poder normativo concedida ao Chefe do Poder Executivo, de seu uso privativo.
Decretos
Os decretos podem se subdividir em duas espécies: autônomo e regulamentar.
O decreto regulamentar (ou executivo) tem como finalidade dar fiel execução a uma lei. Esse
decreto não inova na ordem jurídica, uma vez que ele simplesmente detalha como se deve dar a
aplicação de uma lei já existente. Por esse mesmo motivo, trata-se de um ato normativo
secundário que não admite delegação para que outro agente público o produza. Esse tipo de
decreto está previsto no art. 84, IV, da CF/88:
Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:
IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e
regulamentos para sua fiel execução;
O decreto autônomo é um regulamento que substitui a lei, podendo, portanto, inovar no
ordenamento jurídico. O decreto autônomo é aquele que existe independentemente de lei
anterior. Assim, o chefe do executivo pratica ato sobre um assunto que a lei não abordou. Trata-
se de ato normativo passível de delegação e primário, retirando seu fundamento de validade
diretamente da Constituição Federal, nos termos do art. 84, VI:
Art. 84. VI. Dispor, mediante decreto, sobre:
a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento
de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos
b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos;
Parágrafo único. O Presidente da República poderá delegar as atribuições mencionadas
nos incisos VI, XII e XXV, primeira parte, aos Ministros de Estado, ao Procurador-Geral
da República ou ao Advogado-Geral da União, que observarão os limites traçados nas
respectivas delegações.
Caso o Poder Executivo exorbite os limites do exercício do Poder Regulamentar, o Congresso
Nacional pode realizar o controle direto desse ato, inclusive suspendendo tais excessos:
CF/88
Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:
(...) V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder
regulamentar ou dos limites de delegação legislativa.
Esse controle realizado pelo Congresso Nacional é, para além de um controle de legalidade, um
controle de constitucionalidade repressivo realizado pelo Poder Legislativo.
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