ESTUDO DOS
EVANGELHOS – MARCOS
O Evangelho dos atos de Jesus
INTRODUÇÃO
• O Evangelho segundo escreveu Marcos é o segundo
em ordem canônica, todavia o primeiro (atestado
pela maioria dos estudiosos) em ordem cronológica.
• Quem foi Marcos? Qual o seu propósito? Qual a sua
mensagem? Características e temas apresentados na
obra.
INFORMAÇÕES BÁSICAS
• Autoria: João Marcos (primo de Barnabé – Cl 4.10)
• Data: 40~50 d.C.
• Local: Roma
• Público-alvo: leitores gentios (romanos)
• Versículos-chave: Mc 1.1; 1.11; 1.17; 10.45; 12.33; 16.15.
• Expressões-chave: “imediatamente”, “logo em seguida”, “a
seguir”, “então”.
AUTORIA
• A primeira é a identidade de Marcos descrita nas Escrituras. O
nome completo do autor desse evangelho é João Marcos, sendo
que João é seu nome hebraico e Marcos seu nome romano.
• Marcos era filho de Maria, uma cristã que hospedava cristãos em
sua casa (At 12.12)
• Marcos participou da primeira viagem missionária de Paulo e
Barnabé (At 12.25). E desistiu da viagem missionária no meio do
caminho (At 13.13). Depois foi rejeitado por Paulo em At 15.37-40.
• Esteve preso com Paulo em Roma (Cl 4.10). Tornou-se um
cooperador de Paulo (Fm 24). Depois foi chamado por Paulo
para assisti-lo no final da sal vida (2Tm 4.11)
AUTORIA
• Marcos era considerado um filho de Pedro na fé (1Pe 5.13).
Provavelmente o próprio Pedro o tenha levado a Cristo e
seja seu pai na fé.
• Marcos é apontado pela maioria dos estudiosos como o
jovem que se vestiu com um lençol para ver jesus (Mc
14.51,52).
• Na obra de Eusébio de Cesareia, História da Igreja (séc. IV),
Marcos é apontado como o intérprete de Pedro. Embora
Marcos não tenha ouvido nem acompanhado o Senhor, as
informações recebidas por Pedro foram, por ele,
registradas acuradamente sem corrupções.
PÚBLICO-ALVO E LOCAL
• Algumas evidências internas favorecem a ideia de que o
público-alvo seja os leitores romanos.
– Marcos traduziu expressões aramaicas (3.17; 5.41; 7.34; 14.36 e 15.34)
– Marcos explica expressões gregas usando equivalentes latinos (12.42;
15.16)
– A menção de Rufo em 15.21, fortalece a tese, tendo em vista que este
morava em Roma (Rm 16.13).
• Evidências externas apoiam ainda mais esse entendimento:
– A presença de Marcos em Roma (1Pe 5.13)
– Os pais da Igreja sustentam unanimemente que Marcos foi dirigido à
Roma (Itália).
PÚBLICO-ALVO E LOCAL
• Marcos escreveu como um pastor para os cristãos que já tinham
ouvido e acreditado no Evangelho (Rm 1.8).
• Marcos desejava que eles tivessem uma narrativa biográfica de Jesus
Cristo (ainda que não cronológica) como Servo do Senhor e Salvador
do mundo a fim de fortalecer a sua fé diante da perseguição severa,
e ensinar-lhes o que significava ser discípulo.
• Marcos descreve os atos de Jesus Cristo, “o Filho de Deus” (Mc 1.1),
para uma sociedade elitista e que ao mesmo tempo sofria
perseguição. Ele desenvolve uma narrativa apologética que tinha por
objetivo converter não-cristãos a despeito da vergonha da cruz.
ESTRUTURA
• Encontramos ecos de forma desconexa com que Pedro conta nas
histórias acerca de Jesus.
• Há, na verdade, uma organização “solta” dos fatos, mas que aponta
uma linha de raciocínio.
– Jesus como o Filho de Deus: Marcos apresenta Cristo como o Filho de Deus e
Filho do Homem (1.1; 2.10).
– Jesus como o Verdadeiro Israelita: a vida de Cristo demonstra a necessidade de
submissão à Palavra escrita de Deus. (8.34 – 9.1)
– O Evangelho como o Poder de Deus: a ênfase da pregação da Palavra não
apenas como verdade teológica, mas como o “poder de Deus” (12.24; cf. Rm
1.16)
– A Missão dos Gentios: O interesse de Jesus pelos gentios e a validade da missão
da Igreja para com eles (11.17; 15.39).
ESBOÇO DO EVANGELHO
1. Prólogo: o início do ministério de Jesus (1.1-13)
A. A natividade de Jesus (1.1)
B. O testemunho de João Batista (1.2-8)
C. O batismo de Jesus e o testemunho do Pai (1.9-11)
D. A tentação de Jesus (1.12-13)
2. O ministério público de Jesus na Galileia (1.14-6.44)
A. O ministério inicial (1.14 – 3.12)
1. A chegada à Galileia (1.14-15)
2. O chamamento dos primeiros discípulos (1.16-20)
3. Exorcismos e curas em Cafarnaum (1.21-34)
4. Ministério em toda a Galileia (1.35-45)
5. Uma cura em Cafarnaum (2.1-12)
6. O chamado de Levi/Mateus (2.13-17)
7. Controvérsias com as autoridades (2.18 – 3.17)
B. O ministério posterior (3.13-6.44)
1. O chamado dos doze (3.13-19)
2. Controvérsias em Cafarnaum (3.20-35)
3. As parábolas do reino (4.1-34)
4. A jornada em Decápolis (4.35 – 5.20)
5. Retorno à Galileia (5.21 – 6.6)
6. Missão dos doze na Galileia (6.7-30)
7. Alimento para cinco mil na Galileia (6.31-44)
3. Ministério às regiões gentias (6.45 – 9.32)
A. Visita a Genesaré (6.45 – 7.23)
B. Ministério em Tiro, Sidom e Decápolis (7.24 – 8.9)
C. Ministério Às regiões de Cesareia de Felipe(8.10 – 9.32)
4. Retorno a Cafarnaum; conclusão do ministério na Galileia (9.33-50)
5. Viagem final para a Judeia e Jerusalém (10)
A. Ensinamento a caminho de Jerusalém (10.1-45)
B. Uma cura em Jericó (10.46-52)
6. A última semana (11-15)
A. Entrada em Jerusalém/Purificação e controvérsias no pátio do templo (11.1-12.44)
B. Profecias/Unção em Betânia/Santa Ceia/Prisão/Morte e sepultamento (13-15.47)
7. A ressurreição e a comissão (16)
DETALHES LITERÁRIOS
• Dos 661 versículos de Marcos, Mateus reproduz 606. Há apenas
55 versículos de Marcos que não se encontram em Mateus, mas
Lucas utiliza 31 destes. O resultado é que há somente 24
versículos de Marcos que não se encontram em Mateus ou
Lucas. Isso parece provar que tanto Mateus quanto Lucas
usaram o evangelho de Marcos como fonte.
• Marcos é totalmente kerigmático em sua ênfase. Jesus é
apresentado nesse evangelho como pregador (1.14,15).
– Por essa mensagem deve-se dar a vida (8.35; 10.29).
– E deve ser pregada ao mundo inteiro (13.10; 14.9; 16.15)
DETALHES LITERÁRIOS
• Marcos enfatiza a popularidade do ministério de Jesus
(1.33,45; 2.2,13,15; 3.7,9,20; 4.1,36; 5.21,24,31; 6.34; 8.1;
9.15,25; 10.1,46)
• A questão da identidade de Jesus:
– Jesus como Filho de Deus
– Jesus como servo: O Messias entrou na História não para
conquistar os reinos do mundo com espada, mas para servir
os homens, aliviar suas aflições, curar enfermidades, levantar
os caídos, morrer na cruz para a remissão dos pecados.
O EVANGELHO DA AÇÃO
• Jesus é apresentado nesse evangelho como servo que está sempre em
atividade. Marcos descreve Cristo, sempre ocupado, se deslocando de
um lugar para outro, curando, libertando, pregando e ensinando as
pessoas.
• O advérbio euthys – imediatamente/logo/então, ocorre mais de 40
vezes.
• Marcos contém somente uma parábola que não é encontrada em
nenhum outro evangelho (4.26-29), enquanto Lucas tem dezoito
parábolas que lhe são peculiares.
• Entre os seis grandes discursos de Mateus, somente um, o das últimas
coisas (Mt 24 e Mc 13), acha-se igualmente relatado em Marcos, e
mesmo assim, de forma resumida.
• Marcos descreve Jesus como um rei ativo, energético, que se move
rapidamente como um conquistador vitorioso sobre as forças da
natureza, da doença, dos demônios e da morte.
A ÊNFASE DO SOFRIMENTO DE
CRISTO
• Adolf Pohl registra esse fato de forma resumida:
Jesus entra em cena de repente, sem que se diga uma só palavra
sobre sua infância, juventude e vida adulta. Já no começo do
capítulo 2 aparece a acusação de blasfêmia, cuja pena é a
morte (2.7). No começo do capítulo 3 sua morte já está decidida
(3.6). Na sequência, um grupo após o outro o condena: os
parentes (3.21), os teólogos (3.22), o povo (4.12), os gentios (5.17),
a cidade natal (6.3), o rei (6.14s.) e os religiosos (7.5). O anúncio
da própria morte de Jesus ocupa neste livro a posição central
como nenhum outro assunto (8.31; 9.31; 10.33s.) [...] Os dias finais
em Jerusalém ocupam um espaço superdimensionado (a partir
do capítulo 11), mais ou menos um terço do livro. A ressurreição é
descrita em poucos versículos (16.1-8).
O FINAL DO EVANGELHO DE
MARCOS
• A questão final de Marcos não afeta nenhuma doutrina
importante da fé cristã.
• A interpretação bíblica certamente não está em jogo, mas
simplesmente descobrir qual teria sido o texto original da Bíblia
em contraposição à acréscimos posteriores dos copistas.
• A melhor tradição textual encerra o livro em Marcos 16.8. Outras
tradições acrescentam 16.9-20, conhecido como o final longo.
• O que importa para nós é que os versículos de 9 a 20 fazem
parte do cânon sagrado e é a Palavra de Deus inspirada,
inerrante e infalível. (ex: final de Deuteronômio).
REFERÊNCIAS
• Bíblia de Estudo Arqueológica – Ed. Vida
• Introdução ao Novo Testamento – Louis Berkhof – CPAD
• Manual Bíblico – H.H. Halley – Ed. Vida Nova
• Panorama do Novo Testamento – R. Gundry – Ed. Vida Nova
• Comentário Bíblico – MARCOS: O evangelho dos milagres –
Hernandes Dias Lopes – Editora Hagnos
Prof. Adilson Junior Pontes
E-mail: ajdpontes7@[Link]