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Números Complexos: Definições e Propriedades

O documento aborda a definição e propriedades dos números complexos, incluindo operações de adição, multiplicação, e suas representações algébrica e trigonométrica. Também discute conceitos como conjugados, módulo, raízes de números complexos e a impossibilidade de ordenação no conjunto dos números complexos. Através de axiomas e definições, estabelece-se a estrutura dos números complexos como um corpo matemático.
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Números Complexos: Definições e Propriedades

O documento aborda a definição e propriedades dos números complexos, incluindo operações de adição, multiplicação, e suas representações algébrica e trigonométrica. Também discute conceitos como conjugados, módulo, raízes de números complexos e a impossibilidade de ordenação no conjunto dos números complexos. Através de axiomas e definições, estabelece-se a estrutura dos números complexos como um corpo matemático.
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ALGA para cursos de Engenharia I Semestre 2020

Números complexos

1.1. Definição

Considere-se o conjunto R2dos pares ordenados de números reais que verifica os seguintes
axiomas:

Axioma 1.1 Igualdade (a, b) =(c, d) sse a=c, b=d.

Axioma 1.2 Adição (a, b) +(c, d) =(a + c, b + d)

Axioma 1.3 Multiplicação (a, b) x (c, d) =(a c- bd, ad + bc)

Os axiomas 1.2 adição e 1.3 multiplicação, conferem a R2a estrutura de grupo comutativo pois:

A adição é associativa, comutativa, admite o elemento neutro o par (0,0) e todo o par (a, b)
admite um simétrico (-a, -b)

A multiplicação associativa, comutativa, tem como elemento neutro o par (1,0) e todo o
 a b 
elemento (a, b)  (0,0) admite um inverso  2 , 2 2 
. E mais a multiplicação é
a b a b 
2

distributiva em relação à adição

Definição 1.1.

Chama-se corpo dos números complexos e representa-se por C ao conjunto R2 munido dos
axiomas 1.1, 1.2, e 1.3.

Nota: C é um corpo e adição e a multiplicação admitem operação inversa que se denominam


respectivamente subtracção e divisão assim expressas:

 (a, b)  (c, d )  (a  c, b  d )

 a, b  c, d    ac2  bd2 , bc2  ad2 


Sendo (c, d )  (0,0) .
c d c d 
[Link] entre R e o subconjunto C* dos números complexos da forma a,0

C* é subconjunto de C constituído pelos números complexos da forma a,0 e f aplicação de R


em C* definida pela forma f : a    f (a)  (a,0)  C *

Esta aplicação bijectiva respeita as operações adição e multiplicação definidas em R e em C:

f a  b  a  b,0  (a,0)  (b,0)  f (a)  f (b)

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f ab  (ab,0)  (a,0) x(b,0)  f (a) xf (b)

A aplicação f é um isomorfismo entre R e C*. Por isso, é possível identificar, do ponto de vist a
operatório R com C* i.e. os números reais com os números complexos da forma (a,0) e
convencionar que (a,0 )=a.

1.3. Forma algébrica dos números complexos

Em concordância com a convenção anterior o elemento neutro da multiplicação de números


complexos, (1, 0), pode representar-se simplesmente por 1,0  1 e designa-se por unidade
real de C. Além desta unidade real o corpo C possui uma outra unidade, o elemento (0, 1)
denominada unidade imaginária e representada pelo simbolo i, i.e. (0,1) =i.

Do axioma 1.3. multiplicação resulta que i 2  (0,1)  (0,1)  (1,0)  1 o que permite definir a
unidade imaginária pela forma i   1 . A unidade imaginária permite representar o número
complexo (a, b) sob a forma denominada forma algébrica fazendo

a, b  (a,0)  (0, b)  (a,0)  b,0  (0,1) Servindo-mo nos da convenção da representação
dos números complexos da forma (a,0) e unidade imaginária a expressão ficaria na forma:

a, b  a  bi . O segundo membro a  bi chama-se forma algébrica número complexo


(a,b).

Nota: A forma algébrica permite efectuar operações entre complexos tomando suas
expressões com binómios em i desde que sempre que possível se substitua i 2 por -1

Ora vejamos:

a, b  c, d   a  bi   c  di   a  c  b  d i  a  c, b  d 
a, b  c, d   a  bi   c  di   ac  bd   ad  bci  ac  bd , ad  bc
No complexo z  a  bi o número real a chama-se parte real de z e representa-se por Re (z) e
o número real b chama-se parte imaginária e rpresenta-se por Im (z).

Um complexo z  a  bi diz-se:

Número imaginário, se: (Re( z )  0 e (Im( z )  0

Número imaginário puro, se: (Re( z )  0 e (Im( z )  0

Número real se (Im( z )  0 .

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1.4. Complexos conjugados

Definição 1.2

Dois números complexos dizem-se conjugados quando têm as partes reais iguais e as partes
imaginárias simétricas. Assim o complexo. z  x  yi Tem como conjugado o z tal que
z  x  yi .

Propriedades do conjugado

P1: O conjugado do conjugado de z é o próprio z i.e. z  z

P2: O conjugado da soma é igual à soma dos conjugados das parcelas: z  w  z  w

P3: O conjugado do produto é igual ao produto dos conjugados dos factores: z  w  z  w

z z
P4: O conjugado do quociente é igual ao quociente dos conjugados:   
 w w

zz zz
P5: Re( z )  e Im( z )  .
2 2i

1.5. Módulo de um complexo

Definição 1.3

Chama-se módulo (ou valor absoluto) de um número complexo z  x  yi e representa-se por


|z| ao número real definido por z  x 2  y 2 . Da definição ocorre que:

a) z  z

z  z.z
2
b)
c) Re( z )  Re( z )  z
d) Im( z )  Im( z )  z

Além disso o módulo goza das seguintes propriedades:

P1: O módulo do produto de dois complexos z e w é igual ao produto dos módulos dos factores,
i.e. z.w  z . w .

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P2: O módulo da soma de dois complexos z e w é menor ou igual à soma dos módulos das
parcelas, i.e.: z  w  z  w

P3: O módulo da diferença de dois complexos z e w é maior ou igual à diferença dos seus
módulos, i.e.: z  w  z  w .

P4: O módulo do quociente de dois complexos z e w é igual aoquociente dos seus módulos, i.e.
z z
 .
w w

1.6. Representação geométrica. Plano complexo

Números complexos definidos como pares ordenados de números reais fornecem a


possibilidade de representá-los geometricamente no plano cartesiano R2. Todo o complexo
z= (x,y) corresponde a P  R 2 de abscissa x e ordenada y: z  x, y   x  yi sendo ponto P
do plano R2 de coordenadas x e y. Este plano chama-se plano complexo que tem o eixo real
(abcissas) e eixo imaginário (onde se representam os imaginários puros).

Definição 1.4

Chama-se argumento do número complexo z  x  yi à amplitude do ângulo  que faz a


direcção positiva do eixo das abcissas com o vector OP definido pela origem O das
coordenadas e pela imagem P do complexo.

Obs: considera-se argumento dum número complexo tanto o ângulo  como qualquer dos
ângulos que lhe seja côngruos módulo 2 , i.e. ângulo da forma   2k , com k  Z ,
contudo, importa destacar dois:

 O argumento (ou determinação) principal que é o ângulo que satisfaz a condição


    
 O argumento positivo mínimo que corresponde ao ângulo  que verifica a condição
0    2 .

O complexo nulo nao tem argumento (ou tem argumento indeterminado).

1.7. Forma trigonométrica ou polar dos complexos

Dado o complexo z  x, y   x  yi de argumento positivo mínimo  , toma P como imagem


no plano deste complexo. O módulo de z interpreta-se como comprimento do vector OP do
triângulo OPQ, obtém-se x  z cos  , y  z sen . Desta forma pode-se escrever o complexo
z  x, y   x  yi na forma z  z cos   z seni

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z  z .(cos   isen ) Denominada forma trigonométrica (ou forma polar) do complexo.

Sendo z um comprimento pode colocar como z =r e abrevia-se cos   isen  cis o que
permite escrever a forma polar assim z  rcis .

Proposição 1.5. O produto de dois números complexos é um complexo cujo módulo é igual
ao produto dos módulos e cujo argumento é igual à soma dos argumentos dos factores.

Demonstração:

z  rcis e w  Rcis  e o produto é z.w  rRcis (   ) o que prova que zw  z . w e


arg( zw)  arg( z)  arg( w)

Fórmula de Moivre – cálculo de um expoente natural de um número complexo

z n  r n (cos n  isenn ), n  1,2,.....

Exemplo1: Seja z  1  i 3 , calcule z 3


Resolução: z  2 e arg( z )  , a expressão do complexo na forma trigonométrica é
3

z  2(cis ) então z 3  8(cos   isen )  8
3

[Link] de um número complexo

Chama-se raiz de índice n ( n  2 ) de um número complexo z a todo o número w que


verifique a condição wn  z escrevendo-se w  n z .

Seja z  r (cos   isen ) número dado e supõe-se que w  R(cos   isen ) . Por definição
wn  z e usando a fórmula de Moivre tem-se R n (cos n  isenn )  r (cos   isen ) portanto
deverá ser:

Rn  r ,

n    2k , k  Z

  2k
ou seja R  n r (a raiz positiva de indice n de r) e  
n
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Conclusão: As raizes de índice n do número complexo z  r (cos   isen ) são dadas pela
expressão

   2k   2k 
z  n r  cos
n
 isen , k  Z esta expressão é uma generalização da
 n n 
fórmula de Moivre.

Exemplo 1.2: Determinar as raízes de índices 4 de z= -1

Resolução: Como z  1 e arg( z )   as raízes serão dadas por

  2k   2k
4
 1  cos  isen e fazendo k=0, 1, 2, 3 obtêm-se as raízes
4 4


2
1  i  e 
2
1  i 
2 2

1.9. Impossibilidade de ordenação de C

No corpo dos números complexos não é possivel definir a relação de ordem que permita
ordenar o conjunto. Para que fosse possivel estabelecer relação de ordem seria necessário
verificar os axiomas:

Axioma 1.4 (Tricotomia): Dados x e y verifica-se sempre uma e uma só das relações x=y,
x<y ou x>y.

Axioma 1.5 (Transitividade): Se x<y e y<z então x<z

Axioma 1.6: Se x<y então para qualquer z, x + z < y + z.

Axioma 1.7: Se 0 < x e 0 < y então 0 < xy

Os axiomas não são satisfeitos, bastaria pegar o axioma 1.4 e analisar o seguinte:

Já que i  0 então ou i <0 ou i> 0

Seja i >0 e toma-se x = y = i e do axioma 1.4 ter-se-ia i2 > 0 ou seja – 1 > 0 (Falso).

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