UNIDADE 2
1. O LEITOR, O CANAL E A LINGUAGEM NA ESCRITA EFETIVA
Decodificar uma mensagem oral conta com o recurso das palavras agregadas ao conjunto de aptidões
vocais e de gesticulação, um valor edificante dentro desse tipo de linguagem. Por outro lado, vale
resgatar o ditado “palavra dita, palavra perdida”. A palavra dita voa pelo ar e atinge as pessoas de outras
formas eficazes. Porém, diversas produções comunicacionais não se encaixam na efemeridade da
linguagem oral, elas precisam ocupar espaços físicos para se materializarem, eternizarem-se e
cumprirem assim seus papéis, entre eles o de registro: “Sempre que os homens sentiram a
necessidade de conservar os instantes que a história comporta, a escrita se fez lei. Em todos os
tempos, o homem que soube escrever foi rei” (JEAN, 1998, contracapa).
O caminho para esse reinado se compõe com pontos de partida que conferem na identificação de quem
é o seu leitor, aquele que receberá qualquer texto que você produzir. Você precisa conhecer a sua
audiência!
Basicamente, ela é composta por gênero, idade, formação e carrega um repertório que te ajudará a optar
pela linguagem apropriada, técnicas e o grau de profundidade de informações e conhecimentos que
desenvolverá na sua mensagem.
O seu leitor está acostumado a ler? Por qual assunto ele tem interesse? Qual o tipo de canal mais
presente em sua rotina? Ele é especialista ou familiarizado com o assunto que você pretende abordar?
Essa pergunta traçará, por exemplo, a necessidade de explicações detalhadas, contextualizações sobre
o tema, definições de termos e outros. O seu leitor precisa receber uma informação, uma solicitação,
uma declaração, uma apresentação de resultados, uma decisão, um questionamento, uma resposta,
uma crítica, uma instrução ou um ensinamento? Qual a reação mais provável quando ele se encontrar
com o seu texto nos quesitos aceitação, resistência, incredulidade ou oposição? Considerando isso,
você pode potencializar e tomar alguns cuidados na persuasão daquilo que pretende comunicar.
Pense quem são as pessoas que mais leem o que você escreve no seu campo social e
profissional. Mapear as questões postas neste tópico afeta diretamente toda a composição da sua
comunicação escrita com elas, desde a seleção das ideias abordadas à metodologia do estilo. Tudo
pode funcionar melhor se as considerações acima forem traçadas e aplicadas nas suas próximas
relações com os leitores. A partir do perfil do leitor, você pensará no canal e na linguagem.
Do surgimento da prensa de Gutenberg até a era dos computadores com internet, pode-se notar a
amplitude de canais ilimitados que cercam escritor e leitor nos processos de comunicação escrita de
forma impressa e digital:
• Manchetes, matérias, editoriais e anúncios de jornal;
• Folhetos de supermercados e lojas;
• Correspondências de bancos e seguros;
• Contratos e negociações;
• Processos, transcrições de depoimentos, julgamentos e sentenças;
• Monografias, apostilas, artigos e livros;
• Atas, relatórios, cartas, memorandos e circulares;
• Convites e mensagens de felicitações ou pêsames;
• Bulas e manuais de instruções;
• Letras de música; Receitas culinárias;
• E-mails, chats e redes sociais;
• Aplicativos de comunicação como WhatsApp e Telegram.
Cada canal tem suas características e especificidades em relação à valorização da construção do texto.
A partir do objetivo do emissor em conjunto com o perfil já diagnosticado do leitor, aponta-se o
canal com mais adequação e o tipo de linguagem mais pertinente:
a) A linguagem coloquial (também conhecida como popular e informal): é simples, espontânea e
próxima daquela que as pessoas usam no dia a dia. A composição é um pouco mais flexível em relação
ao uso das regras gramaticais, mas essa permissividade é ponderada. É o cotidiano retratado na escrita
no qual até cabem expressões populares, gírias, estrangeirismo, abreviaturas, neologismo e outros
vícios. A escrita para internet ou aplicativos de comunicação recorre ao uso dessa informalidade
alicerçada em outros princípios que até mesmo a classificam como “internetês”, uma linguagem virtual.
b) A linguagem culta: é mais elaborada, sofisticada, formal e indica o uso contemplativo das normas, o
que é apto ao público com elevado nível de escolaridade e cultura.
Ainda, pode-se estudar outras linguagens e as constantes variações linguísticas que envolvem aspectos
históricos (época), sociais (hábitos, costumes e pertencimentos a grupos específicos reconhecidos como
tribos), geográficos (local) e outros.
2. COERÊNCIA E RECURSOS DE VOCABULÁRIO
2.1. COERÊNCIA:
Na elaboração da mensagem escrita em língua portuguesa, algumas indicações são fundamentais para
um processo de comunicação eficiente.
Nesse sentido, a coesão e a coerência são tratadas aqui, pois tudo o que você escrever precisa fazer
sentido para o leitor. Uma mensagem coesa proporciona coerência que se relaciona, com a
informação: Tanto emissor quanto receptor têm um mundo de realidades construídas e vivenciadas. Ou
com a estrutura de frases e parágrafos: A língua portuguesa disponibiliza um quadro de elementos
coesivos que funcionam justamente para gerar laços, encadeamentos entre as palavras e frases, não as
deixando em contextos isolados e com significado comprometido. Eles são responsáveis pela
progressão do seu texto e assim, maior aceitação pelo leitor.
As conjunções e os advérbios são elementos coesivos. As possibilidades disponíveis para a seleção
do seu texto são vastas, assim como a amplitude teórica desta pauta.
● Você precisa equilibrar frases soltas em ideia de continuidade? Escolha entre assim, ainda, e,
além disso, desse modo.
● As ideias são de oposição? Afine seu texto pensando em mas, todavia, entretanto, porém.
● Precisa unir ideias em conclusão? Pode ser uma opção trabalhar com o enfim, portanto, em
síntese.
● Há ainda ideias de concessão, condição, causa e consequência.
2.2. RECURSOS DE VOCABULÁRIO:
Após essa exposição sobre coesão e coerência, ainda falta discutir, aqui neste tópico, os recursos de
vocabulário que representam a diversidade e a simplicidade na apresentação do seu texto.
A diversidade está relacionada à riqueza e variações dos termos empregados. Para isso, os
pesquisadores organizaram dicionários distintos como, por exemplo, os analógicos, de regência e os
etimológicos.
● Os analógicos aglutinam os sinônimos, os antônimos e até advérbios.
● Os de regência tanto verbal como nominal.
● Os etimológicos trazem a origem das palavras e como se transformaram ao longo do tempo.
A proximidade de um emissor de mensagens escritas na consulta frequente desses livros estampa
agradabilidade ao texto. Não confunda essa indicação no sentido de trazer um tom esnobe ou suntuoso
à sua escrita, a intenção não é de impressionar o leitor com a sua sabedoria enciclopédica.
A simplicidade se respalda na opção de trocas de termos e palavras comuns que tragam fluência
e uma compreensão mais rápida ao leitor por meio da familiaridade. Ela é usada mais na linguagem
coloquial do que na culta. Consiste em ao invés de escrever “genitora”, “aeronave” e “óbito”, você usar
“mãe”, “avião” e “ morte”, por exemplo.
O jurista Rui Barbosa, também fundador da Academia Brasileira de Letras, em sua "Réplica" ao Código
Civil de Bevilacqua, declarou que “aspirar à clareza, à simplicidade e à precisão sem um bom
vocabulário e uma gramática exata, seria querer o fim sem os meios”.
3. OBJETIVIDADE E CONSISÃO
A objetividade e a concisão são relevantes na construção textual e visam a clareza e assim uma
mensagem escrita efetiva.
A objetividade se mostra quando um parágrafo segue a ordem direta, que tem início na apresentação
do sujeito, depois na ação desse sujeito representada pela demonstração do verbo que segue com
complemento e adjunto.
A concisão representa escrever o máximo de ideias usando o mínimo de palavras, sem redundâncias,
mas não omitindo nada que seja importante. A prolixidade presente nas repetições desnecessárias é o
que se opõe à concisão.
É prudente nessa procura por uma escrita coesa, simples, rica, objetiva e concisa que se controle o uso
das orações intercaladas, aquelas que surgem dentro de uma frase, separadas entre vírgulas, travessão
ou parênteses para expressar uma observação, uma opinião, uma ressalva, uma explicação ou uma
advertência. Quando curtas, ainda são aceitas no sentido de não prejudicarem a compreensão da
mensagem, mas quando longas, podem se mostrar como elementos que desconectam a construção
fluídica da mensagem.
De acordo com a unidade 2, tópico 2, a língua portuguesa disponibiliza um quadro de elementos
coesivos que funcionam justamente para gerar laços, encadeamentos entre as palavras e frases, não as
deixando em contextos isolados e com significado comprometido. Eles são responsáveis pela
progressão do seu texto e assim, maior aceitabilidade pelo leitor.
A objetividade se mostra quando um parágrafo segue a ordem direta que tem início na apresentação do
sujeito, depois na ação desse sujeito representada pela demonstração do verbo que segue com
complemento e adjunto. O conteúdo está na unidade 2, tópico 3.