UNIDADE 3
1. A LEITURA E A ESCRITA NA INTERNET
Você já pensou que, quando liga o computador ou desbloqueia a tela do celular, inicia imediatamente
contato com a leitura e escrita? Mas não mais da forma como era antes por meio de um livro, um
caderno e uma caneta. Você mergulha em uma convergência digital, sem fronteiras, formada pelas
tecnologias de comunicação, pelas telecomunicações e pelo entrelaçamento midiático de imagens, sons
e textos.
Esse cenário permite inúmeras possibilidades ao emissor, que tem em suas mãos um dos meios mais
completos para trabalhar a mensagem junto ao seu público-alvo. Aliás, essa progressão colabora para
que o cidadão tenha poderes tão fortes nesse sentido como os dos meios de massa, quando passa a
selecionar e gerar continuamente conteúdos de seu interesse, liberto das grades de programação ou das
páginas selecionadas produzidas pelos grandes sistemas. A autora Carolina Terra (2006) observa que:
“A comunicação digital e as novas tecnologias digitais em geral proporcionam espaços de expressão
como blogs, sites, posts, mensagens instantâneas, fóruns, chats, salas de bate-papo, que permitem que
qualquer indivíduo com acesso à rede publique ou divulgue opiniões, pensamentos, ideias etc.
Entramos na era da cultura livre. Não é preciso que aceitemos tudo o que os produtores e detentores dos
grandes veículos de comunicação e as corporações nos oferecem. Temos a oportunidade e a
facilidade de comunicarmos, o que nos confere real liberdade de expressão (TERRA, 2006, p. 14).”
A real liberdade de expressão citada pela autora se fortalece, principalmente, na concepção em que a
mídia perde o monopólio da palavra. Os grandes sistemas não são mais detentores exclusivos do
poder massivo da comunicação. Hoje, a internet possibilita várias vozes expostas em polifonia.
*POLIFONIA: multiplicidade de sons; conjunto harmonioso de sons.2.música; combinação simultânea de
várias melodias.
Diante dessa real liberdade de expressão que se fortalece principalmente pela internet, você deve se
preocupar em refletir e dominar as características gerais que partem dessa comunicação e que
impactam nas suas relações: interação, velocidade, hipertexto e armazenamento.
• Interação
Você lembra da unidade 1, quando estudou os elementos dos processos de comunicação? Lá a
interação foi compreendida como a resposta e o feedback do receptor com objetivo de comprovar
a eficácia da decodificação dessa mensagem, valorizando nesse caso o trabalho bem realizado do
emissor. É um sistema mais linear e unilateral onde não se percebe a equifinalidade.
No ambiente virtual, a interação se influencia por uma troca mais igualitária e intensa entre os dois lados
que constroem mutuamente uma mensagem com diversas extensões, gerando um conceito de mão
dupla de comunicação. O fluxo entra em uma bidirecionalidade com mensagens que podem ser
retroalimentadas ilimitadamente de uma pessoa para outra, de uma pessoa para muitas ou entre
muitas pessoas para diversas outras pessoas. Primo (1998), baseado em algumas referências do
pesquisador Raymond Williams, diz que: “A questão da interatividade deveria abarcar a possibilidade
de resposta autônoma, criativa e não prevista da audiência. Dessa forma, poderia se chegar a um novo
estágio onde as figuras dos polos emissor e receptor seriam substituídas pela “ideia mais estimulante” de
agentes intercomunicadores. Tal termo nos chama a atenção para o fato de que os envolvidos na relação
interativa são agentes, isto é, ativos enquanto se comunicam. E se comunicação pressupõe troca,
comunhão, uma relação entre os comunicadores ativos é estabelecida com possibilidade de verdadeiro
diálogo, não restrito a uma pequena gama de possibilidades reativas planejadas a priori (PRIMO, 1998,
p. 69).”
*EQUIFINALIDADE: é quando um sistema atinge um estado final com condições iguais entre as partes
envolvidas, mesmo que a origem de ambas seja distinta.
*BIDIRECIONALIDADE: termo que qualifica tudo aquilo que tem duas direções.
Portanto, com a interação gerada pela comunicação digital do mundo virtual, você pode se colocar não
somente no papel de um emissor ou receptor de uma mensagem, mas em um dos agentes
colaboradores que contribuirá no mosaico de olhares que transforma essa mensagem em uma
produção coletiva.
De acordo com Jue, Marr e Kassotakis (2011, apud LUPIANHES, 2016), essa interação também
desenvolve novas competências do “saber ler”, “saber ser” e “saber fazer” que permitiram a
emergência de coletivos inteligentes, que adotaram formas de trabalho cooperativo ou ainda de trabalho
sinérgico, que criaram suas próprias ferramentas para esse uso, as plataformas colaborativas. Foi por
meio do conceito da web 2.0 que surgiram as redes como uma cibercultura, na qual os internautas são
participantes ativos e responsáveis pelo conteúdo.
Lembre o que diz Orlandi (2000, p. 101): “Não é só quem escreve que significa; quem lê também
produz sentidos”.
• Velocidade
A comunicação que chega ou parte de você com o uso da internet se sustenta cada vez mais no tempo
real, com construções de mensagens simultâneas e instantâneas. Simultâneas porque todos os
envolvidos estão em sincronia. Instantâneas porque se pauta no imediatismo.
• Hipertexto
A leitura e a escrita no ambiente virtual são estruturadas pelo hipertexto, que altera as formas
mais tradicionais de comunicação pelo caráter não linear, onde a mensagem matriz se ramifica
por meio de links com assuntos correlatos ao fio condutor. Capparelli (2002) colabora na afirmação
de que: “O hipertexto é uma série de blocos de textos, conectados entre si, que possibilitam ao
leitor diversos caminhos de leitura. Esses blocos de texto podem ser constituídos por pedaços de
texto parciais que contextualizam determinado fato ou fragmento do fato, registrando seu início ou sua
análise no tempo (CAPPARELLI, 2002, p. 20).”
A não linearidade gera múltiplas possibilidades de desmembramentos da leitura e da escrita. O emissor
e o receptor percorrem com cliques pelas associações advindas da mensagem inicial, arquitetadas em
opções de novos textos, fotografias, vídeos, sons e outros.
Neste exemplo as palavras sublinhadas como abre, clica, segue, entra, acessa, perguntando,
pesquisa e compra representam a teia que você construiu como agente dessa comunicação, no tempo
que desejou, por meio de uma possível elaboração de hipertexto. Para Snyder (1997, p. 46), não se
trata de uma destituição absoluta de sequencialidade, até porque a inteligibilidade de qualquer linguagem
demanda alguma forma de continuidade que pode ser representada por uma palavra, frase ou parágrafo.
Souza (2001) ainda observa sobre a fragmentação: “Por ser uma tecnologia de escrita em processo, o
hipertexto rompe com a hierarquia canônica de começo, meio e fim predefinidos. O ponto de
partida de uma leitura hipertextual feita por um leitor x pode se transformar em ponto de chegada
realizada por um leitor y. No texto eletrônico, as fronteiras estão sempre abertas e vulneráveis a
desvios, fugas e retornos do leitor que tem o controle para sua "navegação" pelo oceano
informacional, ancorando, muitas vezes, em certos portos-links de passagem motivado pela mera
curiosidade (SOUZA, 2001, p. 58).”
• Armazenamento
Você já pensou que se encontra em uma biblioteca infinita, com atualização constante de
conteúdo do qual você colabora? Com alcance irrestrito? Com acesso em qualquer tempo? Todas
essas questões levam à reflexão sobre a potencialidade do armazenamento dessa comunicação
gerada pelo mundo virtual. Trata-se de um espaço sem fronteiras para quem tem interesse não
somente pelas informações, mas sobretudo pelo conhecimento.
2. AS REDES SOCIAIS COMO COMUNICAÇÃO
Dentro das principais possibilidades geradas pela internet, as redes sociais têm conduzido e influenciado
o comportamento comunicacional do cidadão. Segundo o relatório Digital in 2019, publicado pela agência
We Are Social e a plataforma de mídia Hootsuite, mais de 140 milhões de brasileiros, 66% da
população nacional, são usuários ativos das redes sociais. Estes passam 9 horas e 29 minutos por
dia na internet, 41% acima da média global (BENEZ, 2019).
Para uma gestão efetiva da sua comunicação interpessoal é fundamental analisar a história e os
impactos, refletir sobre as potencialidades e conhecer a realidade dessa imersão de comunidades
conectadas onde você está inserido.
Lévy (2008, p. 201) considera que as redes virtuais onde se alocam as sociais:
• Favorecem as comunicações transversais;
• Valorizam as competências disponíveis;
• Iniciam novas formas de cooperação;
• Encorajam o acesso de todos à expressão pública;
• Implementam sistemas de “memória” que estimulam o acúmulo e compartilhamento de experiências
nos âmbitos pessoais e profissionais.
Castells (1999, p. 498) pesquisa as redes sociais como conjunto de nós interconectados, como
expansões ilimitadas, integrando novos nós desde que consigam se comunicar dentro da rede, ou seja,
desde que compartilhem os mesmos códigos de comunicação.
Visibilidade: No mundo real, ninguém pode ser notado e visitado por tantos outros ao mesmo tempo e a
qualquer instante como nas redes sociais.
Reputação: Quando outros constroem as impressões sobre você a partir do conjunto de informações
das redes sobre quem você é, quais são suas preferências, de que forma se expressa, quais lugares
frequenta e que resultados obtém do seu dia de trabalho.
Popularidade: É a relação com a sua audiência, com medição quantitativa e qualitativa daqueles que
têm interesse em te acompanhar nessa comunicação de rede.
Influência: Após bem trabalhada a visibilidade, a reputação e a popularidade, a influência se dá pelo
engajamento de nichos, monetizando imagem e ideias de um emissor de conteúdo.
3. CONTEXTOS DO YOUTUBE, FACEBOOK E WHATSAPP
A principal finalidade do YouTube visa fortalecer e popularizar a linguagem audiovisual por
compartilhamento de vídeos produzidos, ou não, pelos usuários. Não há restrições: do caseiro ao
profissional, capturados pela câmera de um simples smartphone ou pelas RED Dragon e ARRI ALEXA
que são as preferidas de Hollywood. Há permissão para exploração dos variados gêneros e formatos já
catalogados pelos pesquisadores da área ou ainda outros híbridos criados por qualquer um de nós. Já
conta com a opção de games, streaming de música e outros.
Quando você pensou que poderia se comunicar com tanta gente, por meio de um vídeo, que não
estivesse apenas dentro das grades de programação de uma emissora de televisão? A empresa
estampa por missão “dar a todos uma voz e revelar o mundo”. Entre os valores estão a liberdade de
expressão, o direito à informação, o direito à oportunidade e a liberdade para pertencer.
Liberdade de expressão: Pessoas capazes de se expressar livremente, compartilhar opiniões,
promover o diálogo aberto e liberdade criativa para o surgimento de novas vozes, formatos e
possibilidades.
Direito à informação: Todos com acesso livre e fácil às informações. O vídeo tem grande influência na
educação, na construção do entendimento e na transmissão de informações sobre acontecimentos no
mundo, sejam eles grandes ou pequenos.
Direito à oportunidade: Todos com a oportunidade de ser descobertos, montar um negócio e alcançar o
sucesso de acordo com o próprio ponto de vista e que as pessoas comuns, não os influenciadores,
decidem o que está em alta.
Liberdade para pertencer: Todos capazes de encontrar comunidades de suporte, eliminar obstáculos,
ultrapassar as fronteiras e reunir-se em torno de interesses e paixões compartilhadas.
O Facebook foi fundado em 2004 e é a rede social com segundo lugar de maior navegação no Brasil,
conforme relatório Digital in 2019. Segundo Mark Zuckerberg, o CEO, a missão da empresa é "dar às
pessoas o poder de criar comunidades e aproximar o mundo", por meio da criação de perfis com
fotos, listas de interesses pessoais e trocas de mensagens privadas ou públicas com grupos
selecionados pelos usuários ou grupos maiores.
Hoje, o Brasil está entre os três países com maior número de perfis, 150 milhões, sendo
ultrapassado pelos EUA com 210 milhões e a Índia com 300 milhões de usuários, segundo o site
de notícias R7 (2019).
O WhatsApp, terceiro maior acesso do país em comunicação de rede social, trabalha com as
mensagens instantâneas de texto, voz e imagem. Lançado em 2009, por ele é possível fazer ligações,
chamadas de vídeo, repostas direcionadas, formatação de texto, exibição de status, identificação de
localização e outros. Embora tenha sido criado como aplicativo, tem sua versão web e hoje conta com
mais de 1 bilhão de pessoas, em mais de 180 países, segundo pesquisa da própria plataforma.
A real liberdade de expressão proporcionada pela comunicação digital na internet se fortalece,
principalmente: Na concepção em que a mídia perde o monopólio da palavra. Os grandes sistemas não
são mais detentores exclusivos do poder massivo da comunicação. Hoje, a internet possibilita várias
vozes expostas em polifonia. O conteúdo está na unidade 3, tópico 1.
Trata-se da relação com a audiência nas redes sociais, com medição quantitativa e qualitativa
daqueles que têm interesse em acompanhar alguém na comunicação de rede: Popularidade. A
popularidade se relaciona com o número e perfil do público que te acompanha. O conteúdo está na
unidade 3, tópico 2.
O YouTube entende que todos são capazes de encontrar comunidades de suporte, eliminar
obstáculos, ultrapassar as fronteiras e reunir-se em torno de interesses e paixões
compartilhadas. Esse valor indica: Liberdade para pertencer. Compartilhar em comunidade por meio
de rede social para o YouTube está relacionado ao pertencimento. O conteúdo está na unidade 3, tópico
3.