RELATÓRIO DE ATENDIMENTO TERAPIA OCUPACIONAL
1. IDENTIFICAÇÃO
Nome: Nicolas Cardoso Yano
Data de Nascimento: 01/12/2020 Idade: 3 anos 3 meses
Filiação: Willian Karlos Yano
Produtora do relatório: Agatha de Oliveira Chaves
2. DESCRIÇÃO DA DEMANDA E OBJETIVOS
Nicolas Cardoso Yano deu início ao acompanhamento de Terapia
Ocupacional em 10 de outubro de 2023 devido o encaminhamento por
Transtorno do Espectro de Autista – TEA (CID 10 - F. 84).
Inicialmente foi observado que, em fatores voltados a comportamentos
sociais, o atraso da fala, irritabilidade, interesses restritos, pouco contato visual,
seletividade alimentar e estereotipias.
3. PROCEDIMENTO
Utiliza-se intervenções da Análise do Comportamento Aplicada (ABA),
com encontros semanais e individuais com a duração de 60 minutos realizados
em domicilio.
Primeiramente foi realizado conversa inicial com o responsável, a fim de
compreender a demanda e rotina da criança bem como suas habilidades e
dificuldades de desenvolvimento junto ao mesmo a aplicação de duas avaliações
PEDI e COPM.
Através da aplicação do Inventário de Avaliação Pediátrica de
Incapacidade – PEDI que tem como propósito avaliar as capacidades funcionais
e o desempenho típico em crianças jovens com limitações funcionais. Ele avalia
crianças com idade cronológica de 6 meses a 7 anos e 6 meses, porém pode
ser utilizada apesar da idade cronológica ser superior, com objetivo de
acompanhamento evolutivo da criança.
A PEDI é realizada através de uma entrevista estruturada com os pais ou
responsáveis pelas crianças ou através das observações do profissional. O perfil
documentado pelo PEDI informa três aspectos importantes do desenvolvimento
funcional: as habilidades presentes no repertório da criança a (parte I), a
independência no desempenho de atividades diárias ou a influência do cuidador
(parte II) e as modificações do ambiente utilizadas para facilitar o desempenho
funcional (parte III). Ela avalia áreas de autocuidado, mobilidade e função social.
A pontuação na primeira parte da avaliação sendo 0 para o que a criança é
incapaz de fazer e 1 para o que ela é capaz de fazer. Enquanto na segunda parte
de assistência do cuidador, qual o nível de assistência que o cuidador presta, é
de 1 (ajuda máxima) a 5 (independente). Na terceira parte de modificações do
ambiente tem N (nenhuma), C (modificações na criança), R (Reabilitação) e E
(extensiva).
A aplicação também da Medida Canadense de Terapia Ocupacional –
COPM, uma medida individual da autoperceção do cliente, sobre os problemas
encontrados no seu próprio desempenho ocupacional, no caso de Nicolas sendo
a percepção do responsável. Nessa avaliação o cliente poderá selecionar até 10
atividades, dentro de três áreas do desempenho ocupacional: atividades de
autocuidado, atividades produtivas e atividades de lazer, atribuindo um grau de
importância para as mesmas, que varia numa escala de 1 a 10, de forma
crescente. Dentre essas, são selecionadas as cinco principais, onde o sujeito
deve auto avaliar seu desempenho e satisfação por meio de duas escalas de
variação de 1 a 10 pontos para as respectivas atividades.
Após o período de observação e avaliações, foram concluídas que a
demanda inicial apresentada pela família seria de dificuldades na área de
desempenho de autocuidado (comer com independência com a colher, segurar
a escova para escovar os dentes, ao lavar as mãos); na função social devido ao
baixo interesse, baixo limiar a frustração; Seletividade alimentar a alimentos
salgados.
4. ANÁLISE
Ocorreu o total de 23 sessões de uma hora, semanalmente, entre elas
sendo sessões de avaliação, orientação familiar e intervenção.
Inicialmente Nicolas demonstrou baixo contato visual, comportamentos
auto agressivos, estereotipias (flapping) e baixa permanência, não apresentava
brincar funcional e sempre se mantinha com objetos de apego nas mãos sendo
principalmente lápis de escrever. Ao decorrer das sessões, foi utilizado o brincar,
músicas e terapias embasadas na ciência ABA, para a construção de vinculo e
intervenção e mudanças de comportamento.
Atualmente Nicolas demonstra maior contato visual com a terapeuta e
com os familiares, maior independência em suas atividades de autocuidado,
onde sempre procurava o outro como meio para realizar atividades como comer,
beber água, consegue despir a própria roupa e auxilia ao colocar peças inferiores
e superiores além de manter menor quantidade de objetos de apego e maior
variedade de temas. A família relata aumento no repertório alimentar para
comidas salgadas e diversas texturas, além de maior permanecia em atividades.
Dentro das sessões a criança demonstra maior receptividade a terapeuta,
entretanto ainda não aceita atividades propostas e demonstra comportamentos
de controle. O mesmo demonstra maior interesse em novos objetos aceitando
atividades com massinha, tintas e texturas variadas, ainda demonstra buscas
sensoriais vestibulares para a modulação durante os atendimentos, porém em
menor frequência. O mesmo demonstra melhora no repertorio do brincar, dando
função aos brinquedos e realizando imitações ao observar outras pessoas, se
mostra mais receptivos a novas pessoas dentro de seu ambiente.
Nicolas no momento se encontra em processo de desfralde, e ainda
apresenta diversas demandas em seu brincar e demandas comportamentais,
apesar da menor frequência de comportamentos auto agressivos, demonstra
buscas orais por estimulação proprioceptiva (mordidas).
Dentro do processo terapêutico, Nicolas passou um mês no lar materno,
ocorrendo a quebra da rotina, onde o mesmo demonstrou regredir em diversos
comportamentos e habilidades conquistas, após o retorno ao lar paterno e a
estruturação da rotina em sua nova escola o mesmo continua demonstrando
diversas evoluções.
5. CONCLUSÃO
Apesar da grande evolução dos fatores apontados no item 4, Nicolas
ainda apresenta pouca funcionalidade em seu brincar, atraso na fala esperado
para a idade e interesses restritos, apresenta também demandas
comportamentais, também demonstra diversas demandas de hiper-reatividade
sensoriais e dificuldades em produzir respostas adaptativas esperadas. Durante
os seis meses de acompanhamento, a evolução de Nicolas é visível sendo o
principal em sua autonomia e independência. A família neste processo se
mostrou essencial, como foram realizadas diversas orientações familiares no
processo e a mesma se mostrou participativa e colaborativa, demonstrando
assim a grande evolução do Nicolas.
Considerando que, sua programação terapêutica está baseada em seus
potenciais de desenvolvimento objetivando uma melhor qualidade de vida,
estimulando e auxiliando sua autonomia, aprendizagem, aumento de repertório
comportamental, aspectos cognitivos entre outros. Sugiro a continuidade das
terapias ABA, visto que a mesma tem seu foco em estimular a criança portadora
do Autismo, para que ela possa evoluir e se aproximar ao máximo da atual
realidade e assim viver em sociedade. E devido as claras demandas
comportamentais e sensoriais, a inclusão em terapia ocupacional no método de
Integração sensorial e psicologia.
Coloco-me à disposição para quaisquer esclarecimentos.
Curitiba, 09 de março de 2023.