Posse
1. Noção de Posse
Art.º 1251
JAV: posse é o controlo material da coisa corpórea nos termos de um direito
O controlo material da coisa e a exteriorização de um direito ligado a esse
controlo são os elementos estruturantes da posse
2. A autonomia da Posse
A autonomia da posse face à propriedade radica na circunstância de a posse se poder
referir a outros direitos para além da propriedade.
A posse pode-se constituir sem que haja um direito que lhe corresponda.
A posse constitui um direito distinto exteriorizado no seu exercício. Se o possuidor tem
simultaneamente a titularidade do direito real, então na mesma esfera jurídica
reúnem-se dois direitos: a posse e o direito real a que se refere.
3. As funções da posse
Na doutrina moderna a posse tem como funções:
De proteção
o Através de ações possessórias e da ação de indemnização pela violação
da posse
o O possuidor pode reagir contra ameaças, perturbações e esbulho da
coisa e tem direito à reparação dos prejuízos
De conservação
o Demonstra-se na tutela atribuída ao possuidor contra quem constituiu o
direito a seu favor
O locatário pode usar as ações possessórias mesmo contra o
locador
o E no fortalecimento da posição do titular de direitos pessoais de gozo
A posse reforça a tutela destes direitos defronte terceiros
De publicidade
o Relacionado com a presunção da titularidade do direito associado à
posse
Segundo o professor JAV:
Atribuir provisoriamente um direito a quem tem o controlo material da coisa
corpórea
o O possuidor formal só conserva a sua posse enquanto a titularidade do
direito real de gozo não é demonstrada (art.º 1278)
o O direito real constitui uma afetação definitiva da coisa ao seu titular,
enquanto a posse confere apenas uma atribuição provisória
Garantia da paz social, através da prevenção da violência
Função publicitária
Função de conservação
o Fundamenta-se no usucapião: quando o possuidor não é titular do
direito real de gozo exteriorizado pela posse, o ordenamento faculta-lhe
a aquisição desse direito, com preterição do proprietário da coisa
3. As teorias subjetivistas e objetivistas
Teoria subjetivista (PL, OA): só pode ser possuidor o que, para além da detenção, tiver
o animus, a intenção de ser proprietário, mesmo que não o seja e o saiba
Corpus: o elemento físico da relação material entre um sujeito e uma coisa
Animus: a vontade de atuar como proprietário, ou a vontade de atuar como
titular de um direito real de gozo
Criticas: A posse pode existir mesmo contra a vontade do possuidor; A posse
pode ser negada contra quem tem o animus de possuir a coisa
Teoria objetivista (JAV):
Apenas o corpus releva
O animus encontra-se subjacente à ação do possuidor
Sempre que o sujeito tenha a coisa em seu poder, existe posse, a não ser que,
por força de uma norma legal concreta, a posse lhe seja negada
O art.º 1253 pretende afastar a posse numa situação em que normalmente ela
existiria:
Podemos considerar o CC objetivista em que o animus não constitui um dos
elementos da posse
4. Os elementos da posse
Apenas seria necessário o corpus, uma posse pode existir sem animus ou mesmo
contra ele.
O controlo material da coisa apenas ascende a uma situação de posse quando ligado
ao exercício de um direito, independentemente de o possuidor ser titular do mesmo
ou não o ser.
A posse supõe:
Corpus possessório
Exteriorização de um direito: representa o fundamento da tutela possessória, o
direito protege a posse por presumir que o possuidor é o titular do direito
exteriorizado através dela
5. Corpus possessório
Representa a possibilidade real de agir materialmente sobre a coisa: um poder de
atuação sobre a coisa.
A aquisição de um direito real por um negócio jurídico, só por si, não traduz a aquisição
da posse se não for acompanhada de algum dos modos de transmissão desta (tradição
ou constituto possessório).
Características do corpus:
Uma relação de facto com a coisa
Cognoscibilidade do controlo material sobre a coisa
Relação espacial com a coisa
Duração
6. Exteriorização de um direito
Toda a posse constitui a exteriorização de um direito:
Retira-se do art.º 1251, essa ligação inicia-se logo no momento da constituição
da posse e prolonga-se ao longo de todo o período em que em que a posse é
mantida
7. Posse e Detenção
A detenção representa a situação em que alguém se encontra por força da aplicação de
uma norma jurídica que afasta a posse (art.º 1253)
O detentor é alguém que tem a coisa consigo, atua sobre ela por conta de outra
pessoa, servindo a exteriorização de um direito desta última.
Constitui um instrumento através do qual se afetiva o controlo material da coisa
JAV: ao contrário da maioria da doutrina prescinde do recurso ao animus para a
classificação da detenção
Não tem relevo como elemento estruturante da posse
A única menção legal decorre do art.º 1253/a
Art.º 1253/b:
Possuidor do prédio deixa o vizinho ir buscar lenha ao seu prédio:
São atos de mera tolerância:
o Pressupõe uma autorização a terceiro por parte do titular do direito real
o Não gera um direito a favor deste terceiro
Não envolvem uma exteriorização de um direito sobre a coisa
Art.º 1253/c:
Aquele que não afirma um direito sobre a coisa, não atuando sobre ela de
modo a evidenciar para os outros a titularidade respetiva, recebe o estatuto de
mero detentor, sendo-lhe negada a posse
Aqueles que atuando sobre a coisa em nome do proprietário, sendo, por
conseguinte, detentores relativamente a esse direito, são simultaneamente
possuidores nos termos possuidores nos termos de um direito próprio
Sempre que alguém retenha a coisa em seu poder com referência a um direito
real menor ou a outro direito, para o exercer, tem posse quanto a esse direito,
sendo detentor quanto à propriedade
Possuidor: apenas possível por referência à propriedade singular
Possuidor e detentor: quando a posse em nome próprio se reporta a outro direito real
menor ou a direito pessoal de gozo
Simples detentor: quando a coisa se encontra com alguém que não exterioriza
qualquer direito relativamente à coisa
8. Objeto da posse
Só pode ser uma coisa corpórea, individual, certa e determinada.
Art.º 1302 coincide inteiramente com o que respeita à posse.
A quota de uma comunhão não é suscetível de posse:
O comunheiro possui a coisa comum nos termos do seu direito, essa posse tem
a coisa integral por objeto e não qualquer parte dela, ideal ou concreta.
9. Âmbito da posse
Art.º 1251:
Apenas abrange direitos reais de gozo
10. Posse imediata e Posse com intermediação
Normalmente o possuidor pode atuar sobre a coisa que controla fisicamente.
Pode acontecer a coisa se encontrar detida por um terceiro, que age em nome do
possuidor:
Art.º 1252
O possuidor continua a ter a posse, só que exercida través da detenção de
outrem
O usufrutuário que tem a coisa em seu poder para exercer o direito, é
possuidor nos termos do usufruto e detentor nos termos da propriedade,
atuando em nome do proprietário quanto a este direito
A detenção da coisa por terceiro permite a coexistência de várias posses nos
termos de direitos diferentes, sem impossibilitar a subsistência da posse nos
termos do direito real maior quando a coisa deva estar com o titular do direito
real menor para o exercício respetivo.
11. Classificações de posse
11.1. Posse causal e Posse formal
Posse causal: quando o possuidor é simultaneamente titular do direito a que a posse se
reporta
Pode sempre invocar o seu direito real de gozo para vencer a oposição do
possuidor formal (art.º 1278/1)
Posse formal: é possuidor, sem ser titular do direito a que se reporta
Aquisição da posse através de factos aquisitivos específicos desse direito
Apenas pode invocar a sua posse contra aquele com o qual tem o conflito
11.2. Posse civil e Posse interdital
Posse civil: sobre direito reais de gozo, beneficia de todo o regime da posse
Posse interdital: sobre direitos que não são de gozo, permite a utilização da tutela
possessória apenas, mas não da usucapião
11.3. Posse efetiva e não efetiva
Posse efetiva: quando o possuidor mantém o controlo material da coisa através do
corpus
Posse não efetiva: quando o possuidor permanece com mero direito desacompanhado
do corpus (art.º 1267/d)
11.4. Posse titulada e não titulada
Art.º 1259
“Modo legítimo de adquirir”: a posse para ser titulada pressupõe que haja um
facto aquisitivo do direito
O facto a que se reporta deve ter eficácia real
o O contrato de comodato ou de arrendamento não tem esse efeito
“Validade substancial do negócio jurídico: um negócio jurídico com erro, que
pode ser anulado, titula uma posse nos termos da propriedade, porque é um
modo legítimo de adquirir esse direito
o O vício da forma do negócio gera sempre posse não titulada
A posse titulada tem um regime mais favorecido:
Presume-se que a posse titulada é de boa fé (art.º 1260/2)
Presume-se existente desde a dada do título (art.º 1254/2)
No caso de conflito de posses prevalece a posse titulada (art.º 1278/2)
11.5. Posse de boa fé e Posse de má fé
Art.º 1260
Conceção ética de boa fé: está de boa fé o possuidor que desconhece sem culpa
que a sua posse lesa direitos alheios
11.6. Posse pacífica e Posse Violenta
Art.º 1261
O momento da apreciação deste carácter é o da aquisição
Nº2: exercida com coação física ou psicológica nos termos no art.º 255 sobre o
possuidor
Regime jurídico:
O possuidor esbulhado com violência pode interpor um procedimento cautelar
de restituição provisória da posse contra o esbulhador (art.º 1279)
o Este é condenado a restituir a coisa ao possuidor esbulhado
A posse violenta é tida como má fé, sem possibilidade de provar o contrário
(art.º 1260/3)
o Surge como sanção da violência praticada na obtenção da posse
O prazo do art.º 1267/2 não se inicia enquanto a violência não cessar
A posse não é boa para o usucapião (art.º 1297 e 1300)
11.7. Posse pública e Posse oculta
Art.º 1262
Afere-se quando a posse é exercida
Posse pública: quando é conhecida pelos interessados
o Cognoscibilidade da posse, a possibilidade efetiva de conhecimento a
partir de um comportamento normalmente diligente
o Os interessados são todos os que tiverem posse sobre a coisa e também
todos os titulares dos direitos reais de gozo
Posse oculta:
o A noção de corpus possessório nem sempre é compatível com a ideia de
falta de publicidade
o Mas é admissível quando existe um controlo material da coisa
Regime:
Quando a posse é tomada ocultamente, o prazo de um ano para a perda da
posse do possuidor esbulhado (art.º 1267/1/d) só começa a contar quando a
posse oculta se torne conhecida do último (art.º 1267/2)
o Conhecimento efetivo da posse, não a mera possibilidade de conhecer
O prazo para o usucapião não começa a contar enquanto a posse permanecer
oculta, tanto para coisas móveis (art.º 1300/1), como para coisas imóveis (art.º
1297)
A posse pública é melhor (art.º 1278/3)
12. Os factos constitutivos da posse
O apossamento
A inversão do título da posse
12.1. O Apossamento
Art.º 1263/a: É a apreensão do controlo material da coisa por aquele que até aí não a
tinha em seu poder
Requisitos:
Prática reiterada de atos materiais
Reiteração da prática de atos materiais
Publicidade dos atos materiais
12.1.1. Prática reiterada
O apossamento concretiza-se através dos atos físicos necessários à sua apreensão.
O controlo material não tem de ser exclusivo, no sentido de privar outras pessoas do
controlo material que também tenham.
Apenas tem de privar o possuidor anterior nos termos da propriedade de
acesso à coisa
12.1.2. Reiteração da prática dos atos materiais
Existem situações em que um único ato ou um número limitado de atos não repetidos,
basta para consumar a apropriação física da coisa e a tomada de controlo material
sobre ela.
JAV: decisiva será a intensidade da atuação sobre a coisa para consumar o controlo
dela
É necessário que esteja em condições de atuar duradouramente sobre a coisa,
não que se tenha que manter duradouramente, mas deve haver essa
possibilidade abstrata
12.1.3. Publicidade dos atos materiais
Pretende-se negar a posse àqueles que praticam atos materiais de aproveitamento da
coisa às escondidas do possuidor, sem que, contudo, afastem este do controlo
material.
Em todo o caso, o carácter oculto da atuação material do agente não obsta à
constituição de uma posse a favor deste.
PL e AV:
Defendem que estes atos, só por si, não podem conduzir à posse se faltar o
animus
Se o animus não é elementos constitutivo da posse também não será
necessário para que o apossamento seja consumado
O apossamento pode se verificar mesmo sem o conhecimento daquele que se
apossa
12.2. A inversão do título da posse
Art.º 1263/d + 1265
Na inversão do título da posse, o detentor da coisa passa a exteriorizar um
direito próprio sobre ela (afirmar uma posse em nome próprio)
É irrelevante que não seja titular desse direito, a inversão não é um facto
aquisitivo de um direito real, apenas da posse
Opera sempre com um detentor que tem o corpus possessório sem que a lei
reconheça a sua posse
Pode ser realizada pelos possuidores que sejam simultaneamente detentores
nos termos de um direito próprio ou por aqueles que não afirmam nenhum
direito próprio sobre a coisa
Havendo animus a inversão do título da posse apenas ocorre:
Com oposição do detentor contra aquele em cujo nome possuía
o A oposição pode ser material ou jurídica
o A oposição pode ser judicial ou extrajudicial
o Deve ser exteriormente reconhecível pelo possuidor
Com ato de terceiro
o Consiste num negócio jurídico unilateral ou multilateral
o Deve ter eficácia real para fundar a constituição ou transmissão do
direito real em causa a favor do detentor
A lei não supõe a validade do negócio, apenas a sua idoneidade
para fundar uma posse nos termos de um direito real próprio
o O negócio tem que fundamentar a exteriorização de um direito próprio
pelo até aí detentor
o Existe a incidência de um novo título, que é constituído pelo negócio
jurídico que beneficia o detentor, este fundamenta objetivamente a
atuação do detentor nos termos do direito real a que esse título se
refere.
o Alguns autores afirmam que o terceiro pode ser o próprio possuidor
JAV: considera que a inversão é sempre contra o possuidor, o
máximo que poderia existir era tradição ou constituto
possessório
o Exemplos: compra e venda, doação, permuta, testamento, etc.
Art.º 1406/2: a inversão pode dar-se por um compossuidor contra os outros
compossuidores
Basta atuar como possuidor único nos termos de um direito, por oposição ou
por ato de terceiro, excluindo os outros da atuação material sobre a coisa
A inversão muda a situação jurídico-real da coisa (detentor passa a possuidor), mas no
que concerne à titularidade nada muda.
13. Os factos translativos da posse
A tradição
O constituto possessório
13.1. A tradição da coisa
Perda voluntária do controlo material da coisa pelo antigo possuidor mediante a
entrega desta ao novo possuidor.
Pode ser (art.º 1263/b):
Tradição material
o Entrega da coisa mão a mão
o Apenas possível com coisas móveis
Tradição simbólica
o Pode ser através da entrega de outra coisa que representa a coisa cuja
posse se transfere ou deixando a coisa livre para o adquirente
apreender
Tradição brevi manu: ocorre sempre que o detentor adquire do possuidor o
direito nos termos do qual detinha a coisa
o A proprietário, arrendou o imóvel X a B, que o goza nos termos de um
direito de arrendamento. Entretanto, A doa a B a propriedade. B adquire
a posse por tradição brevi manu
A tradição só se encontra consumada com a entrega, material e simbólica, da coisa e o
corpus possessório passa para o adquirente:
A transmissão da posse por tradição não vem a ser afetada pela invalidade (ou
ineficácia em sentido amplo) do negócio jurídico que lhe serviu de causa
13.2. O constituto possessório
No constituto possessório, o possuidor passa a detentor, continuando a ter a coisa
consigo.
Confluência de dois atos jurídicos:
Um principal, o de transmissão do direito real
Um acessório, através do qual o até aí possuidor seja considerado detentor
Requisitos:
Um negócio jurídico de transmissão de um direito real de gozo
Que o transmitente do direito real seja possuidor
Uma causa jurídica para a detenção da coisa
o A causa jurídica é um contrato
o Um comprador que celebra para além da venda um outro contrato com
o vendedor (depósito, arrendamento, etc.), no termos do qual constitui
um direito que requer a atuação material sobre a coisa
o Pode ser uma mera convenção do contrato de negociação
O constituto possessório depende da validade do facto jurídico que o desencadeia
13.3. A sucessão na posse
Art.º 1255:
Implica a deslocação do direito do transmitente para o transmissário com efeito
de um contrato jurídico translativo
A posse “continua nos seus sucessores”
o Os caracteres da posse permanecem os mesmos
Não carece de apreensão material da coisa
14. Os factos extintivos da posse
Art.º 1267/1:
Abandono
Perda ou destruição material da coisa
Colocação da coisa fora do mercado
Esbulho
A cedência (art.º 1267/1/c) liga-se a uma transmissão da posse a outrem
Não é uma enumeração taxativa, pode acontecer, por exemplo, por expropriação da
coisa.
Nos casos de extinção da posse o corpus foi perdido ou a lei interveio, dispondo a
extinção da mesma.
14.1. Abandono
O possuidor quebra o controlo material que tinha sobre a coisa, deixando de o exercer
por opção própria
MC: o abandono deve ter o “mínimo” de publicidade, de modo a poder ser conhecido
pelos seus interessados; JAV: não concorda porque nada na lei deixa isso implícito
A falta de animus também não é suficiente se continuar a existir a apreensão material
do bem, tem de haver uma quebra no domínio fáctico da coisa.
14.2. A perda da coisa
Quando, involuntariamente, a coisa deixa de estar no controlo material, sem que tal se
deva a um ato de terceiro
MC: apenas existe perda quando o possuidor está impossibilitado de encontrar
a coisa
14.3. A destruição material da coisa
Por força de facto humano ou de natureza, a coisa se destruir na totalidade, a posse
extingue-se.
14.4. A colocação da coisa fora do comércio
A apropriação de coisas é apenas possível dentro do comércio (art.º 202/2).
Se for colocada no domínio público
14.5. O esbulho
Consiste na privação da coisa por ato de terceiro contra a vontade do possuidor.
O esbulhador toma o controlo material da coisa
Pode ser por:
Apossamento
Inversão do título da posse
O possuidor esbulhado só perde a posse um ano após o esbulho (art.º 1267/d)
Durante esse ano, o esbulhado permanece possuidor, coexistindo a sua posse
com a nova posse do esbulhador
Ao possuidor deve ser dada a possibilidade de reagir judicialmente contra o
esbulhador
o Dá-se através de ações possessórias, que excecionalmente permitem a
defesa de uma posse
14.6. Pretensos factos extintivos da posse
OA: o regime da posse pode ser aproximado do regime de outros direitos reais de gozo
como ao do não uso
A omissão da prática de atos possessórios conduz à extinção da posse
MC concorda com o facto da posse poder se extinguir por não uso
JAV: não concorda
A posse encontra-se com quem tem a coisa e exerce o poder de facto
MC: o art.º 1281/2 critica a solução legal que não se harmoniza com o princípio “posse
vale título”
Permitiria pelo adquirente de boa fé a aquisição da propriedade e o
acolhimento de uma proteção meramente possessória a ele
JAV: não concorda
Se a posse da coisa esbulhada é transmitida a um terceiro de boa fé está a lesar
o direito do possuidor esbulhado, este não pode fazer valer a sua posse
mediante a ação de restituição (art.º 1281/2)
15. O conteúdo da posse
Poder de usar a coisa
o OA: apenas o uso do possuidor de boa fé é lícito e não gera dever de
indemnizar; parece que o possuidor de má fé, que conhece e ignora
culposamente a violação do direito de outrem, é ilícito e gera um dever
de indemnizar
o JAV: é possível haver posse de má fé, nunca poderia ser ilícita, quando
muito poderia dizer-se que o possuidor de má fé não tem o uso da coisa
Poder de fruir a coisa (possuidor de boa fé)
o Art.º 1270: extingue-se quando souber que está a lesar o direito de
outrem
Tem de restituir os frutos gerados pela coisa após a cessação da
boa fé
Art.º 1270/2: possuidor pode ser indemnizado pelas despesas
que suportou
Art.º 1270/3: possuidor formal de boa fé tem legitimidade para
alienar os frutos a terceiro antes da colheita
Quando o direito real de gozo nos termos do qual a posse surge
exteriorizada não atribui a fruição ao titular, o possuidor não tem
o poder de fruição (caso da superfície ou da servidão)
o Ao possuidor de má fé não tem um poder de fruição e está sujeito a
restituir os frutos gerados pela coisa e indemnizar o titular do direito
real (art.º 1271)
Poder de indemnização por benfeitorias feitas na coisa
o A lei não faz distinção entre o possuidor de boa ou de má fé, apenas no
que toca às benfeitorias voluptuárias (art.º 1275)
o Possuidor tem o direito a ser indemnizado pelas benfeitorias necessárias
(art.º 1273/1, 1º parte)
o As benfeitorias úteis só podem ser realizadas pelo possuidor, contando
que não impliquem uma deterioração da coisa (art.º 1273/1, 2º parte),
o possuidor é indemnizador segundo as regras do enriquecimento sem
causa (art.º 1273/2)
o As benfeitorias voluptuárias não podem deteriorar a coisa (art.º 1275)
Poder de indemnização por violação da posse
o A violação ilícita da posse sujeita o infrator à responsabilidade civil pelos
danos causados (art.º 1284)
o O possuidor pode ser indemnizado
Poder de usucapião
o Tem o poder de usucapir o direito real de gozo a que a sua posse se
reporta
Poder de acessão na posse
o Poder que a lei faculta ao possuidor de juntar o seu tempo de posse ao
tempo de posse do possuidor do qual ela foi adquirida (art.º 1256)
Poder de defesa na posse (tutela possessória)
o A tutela da posse é realizada através de ações possessórias
Dever de pagamento dos encargos com a coisa (possuidor de boa fé)
o Art.º 1272: o possuidor tem o dever de pagamento dos encargos
gerados pela coisa na proporção do seu poder de fruição
o Liga-se ao poder de fruição, estando apenas relacionado com o
possuidor de boa fé
Dever de restituir os frutos (possuidor de má fé)
o Não tendo poder de fruição tem de restituir a titular do direito real de
gozo os frutos, naturais ou civis, gerados pela coisa
Dever de indemnizar o titular do direito real em caso de perda ou deterioração
da coisa
o O possuidor de má fé fica sujeito à responsabilidade civil, ele responde
pelos danos, tenha ou não culpa na produção do facto danoso (art.º
1269)
o Critica relativamente à inversão do risco de perecimento da coisa cria
relativamente a casos em que o dano ocorreria mesmo que ela se
encontrasse com o titular do direito real
16. Os meios de defesa da posse
Ações possessórias:
Ação de prevenção da posse (art.º 1276)
o Destina-se a prevenir a prática de factos de turbação ou esbulho de
terceiros
o O seu escopo é unicamente evitar que esta perturbação venha a ter
lugar, obtendo-se a condenação judicial do autor da ameaça
o É necessário a prova dos indícios que sustentem a convicção do julgador
que a violação da posse se afigura como uma possibilidade real
Ação de manutenção da posse (art.º 1278)
o Supõe que um terceiro concretizou uma ação de violação da posse,
através da prática de atos de turbação
o Pressupõe que o possuidor mantém a coisa consigo, não tendo sido
consumado o apossamento
Ação de restituição da posse (art.º 1278)
o Quando o possuidor foi privado da coisa pelo esbulho
o É retirado o corpus possessório
O procedimento cautelar é uma restituição provisória da posse (art.º 1279)
Três requisitos:
o Existência de uma posse
o Ato de esbulho da coisa
o Violência no esbulho
Segundo o art.º 1260/2
Os embargos de terceiros são um meio judicial de defesa da posse em processo de
execução (art.º 1285)
Um possuidor que veja a coisa por si possuída ser objeto de penhora no âmbito
de uma execução em que não é o executado, pode defender-se deduzindo
embargos
O fundamento da tutela possessória é a própria posse
Só o possuidor pode defender a posse com recurso a ação possessória, não o
detentor.
16.1. Legitimidade
Legitimidade ativa:
Art.º 1281/1: ação de manutenção
Art.º 1281/2: ação de reivindicação
Analogicamente para a ação de prevenção
Apenas o titular da posse e os seus herdeiros
Legitimidade passiva:
Ação de prevenção: contra o autor das ameaças
Art.º 1281/1: ação de manutenção, apenas contra o autor
o Não terem sido os herdeiros a praticar os atos de perturbação
Art.º 1281/2: ação de restituição
o Contra o esbulhador
o Contra os seus herdeiros
o Contra o terceiro a quem foi transmitida a coisa do esbulhada, apenas
no caso do possuidor de má fé
o No caso do possuidor de boa fé, a posse não lhe é oponível
17. Caducidade das ações possessórias
Ações de manutenção e de restituição devem ser intentadas no prazo de um ano (art.º
1282)