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Entendendo a Posse: Conceitos e Funções

O documento aborda a noção de posse, destacando sua autonomia em relação à propriedade e suas funções, como proteção, conservação e publicidade. Discute as teorias subjetivistas e objetivistas da posse, os elementos que a constituem, e as classificações de posse, como posse causal, formal, civil e interdital. Além disso, explora os factos constitutivos da posse, como o apossamento e a inversão do título da posse, enfatizando a importância do corpus possessório e a exteriorização de um direito.

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Ines Vieira
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Entendendo a Posse: Conceitos e Funções

O documento aborda a noção de posse, destacando sua autonomia em relação à propriedade e suas funções, como proteção, conservação e publicidade. Discute as teorias subjetivistas e objetivistas da posse, os elementos que a constituem, e as classificações de posse, como posse causal, formal, civil e interdital. Além disso, explora os factos constitutivos da posse, como o apossamento e a inversão do título da posse, enfatizando a importância do corpus possessório e a exteriorização de um direito.

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Posse

1. Noção de Posse
Art.º 1251
 JAV: posse é o controlo material da coisa corpórea nos termos de um direito
 O controlo material da coisa e a exteriorização de um direito ligado a esse
controlo são os elementos estruturantes da posse
2. A autonomia da Posse
A autonomia da posse face à propriedade radica na circunstância de a posse se poder
referir a outros direitos para além da propriedade.
A posse pode-se constituir sem que haja um direito que lhe corresponda.
A posse constitui um direito distinto exteriorizado no seu exercício. Se o possuidor tem
simultaneamente a titularidade do direito real, então na mesma esfera jurídica
reúnem-se dois direitos: a posse e o direito real a que se refere.
3. As funções da posse
Na doutrina moderna a posse tem como funções:
 De proteção
o Através de ações possessórias e da ação de indemnização pela violação
da posse
o O possuidor pode reagir contra ameaças, perturbações e esbulho da
coisa e tem direito à reparação dos prejuízos
 De conservação
o Demonstra-se na tutela atribuída ao possuidor contra quem constituiu o
direito a seu favor
 O locatário pode usar as ações possessórias mesmo contra o
locador
o E no fortalecimento da posição do titular de direitos pessoais de gozo
 A posse reforça a tutela destes direitos defronte terceiros
 De publicidade
o Relacionado com a presunção da titularidade do direito associado à
posse
Segundo o professor JAV:
 Atribuir provisoriamente um direito a quem tem o controlo material da coisa
corpórea
o O possuidor formal só conserva a sua posse enquanto a titularidade do
direito real de gozo não é demonstrada (art.º 1278)
o O direito real constitui uma afetação definitiva da coisa ao seu titular,
enquanto a posse confere apenas uma atribuição provisória
 Garantia da paz social, através da prevenção da violência
 Função publicitária
 Função de conservação
o Fundamenta-se no usucapião: quando o possuidor não é titular do
direito real de gozo exteriorizado pela posse, o ordenamento faculta-lhe
a aquisição desse direito, com preterição do proprietário da coisa
3. As teorias subjetivistas e objetivistas
Teoria subjetivista (PL, OA): só pode ser possuidor o que, para além da detenção, tiver
o animus, a intenção de ser proprietário, mesmo que não o seja e o saiba
 Corpus: o elemento físico da relação material entre um sujeito e uma coisa
 Animus: a vontade de atuar como proprietário, ou a vontade de atuar como
titular de um direito real de gozo
 Criticas: A posse pode existir mesmo contra a vontade do possuidor; A posse
pode ser negada contra quem tem o animus de possuir a coisa
Teoria objetivista (JAV):
 Apenas o corpus releva
 O animus encontra-se subjacente à ação do possuidor
 Sempre que o sujeito tenha a coisa em seu poder, existe posse, a não ser que,
por força de uma norma legal concreta, a posse lhe seja negada
O art.º 1253 pretende afastar a posse numa situação em que normalmente ela
existiria:
 Podemos considerar o CC objetivista em que o animus não constitui um dos
elementos da posse
4. Os elementos da posse
Apenas seria necessário o corpus, uma posse pode existir sem animus ou mesmo
contra ele.
O controlo material da coisa apenas ascende a uma situação de posse quando ligado
ao exercício de um direito, independentemente de o possuidor ser titular do mesmo
ou não o ser.
A posse supõe:
 Corpus possessório
 Exteriorização de um direito: representa o fundamento da tutela possessória, o
direito protege a posse por presumir que o possuidor é o titular do direito
exteriorizado através dela
5. Corpus possessório
Representa a possibilidade real de agir materialmente sobre a coisa: um poder de
atuação sobre a coisa.
A aquisição de um direito real por um negócio jurídico, só por si, não traduz a aquisição
da posse se não for acompanhada de algum dos modos de transmissão desta (tradição
ou constituto possessório).
Características do corpus:
 Uma relação de facto com a coisa
 Cognoscibilidade do controlo material sobre a coisa
 Relação espacial com a coisa
 Duração
6. Exteriorização de um direito
Toda a posse constitui a exteriorização de um direito:
 Retira-se do art.º 1251, essa ligação inicia-se logo no momento da constituição
da posse e prolonga-se ao longo de todo o período em que em que a posse é
mantida
7. Posse e Detenção
A detenção representa a situação em que alguém se encontra por força da aplicação de
uma norma jurídica que afasta a posse (art.º 1253)
O detentor é alguém que tem a coisa consigo, atua sobre ela por conta de outra
pessoa, servindo a exteriorização de um direito desta última.
 Constitui um instrumento através do qual se afetiva o controlo material da coisa
JAV: ao contrário da maioria da doutrina prescinde do recurso ao animus para a
classificação da detenção
 Não tem relevo como elemento estruturante da posse
 A única menção legal decorre do art.º 1253/a
Art.º 1253/b:
 Possuidor do prédio deixa o vizinho ir buscar lenha ao seu prédio:
 São atos de mera tolerância:
o Pressupõe uma autorização a terceiro por parte do titular do direito real
o Não gera um direito a favor deste terceiro
 Não envolvem uma exteriorização de um direito sobre a coisa
Art.º 1253/c:
 Aquele que não afirma um direito sobre a coisa, não atuando sobre ela de
modo a evidenciar para os outros a titularidade respetiva, recebe o estatuto de
mero detentor, sendo-lhe negada a posse
 Aqueles que atuando sobre a coisa em nome do proprietário, sendo, por
conseguinte, detentores relativamente a esse direito, são simultaneamente
possuidores nos termos possuidores nos termos de um direito próprio
 Sempre que alguém retenha a coisa em seu poder com referência a um direito
real menor ou a outro direito, para o exercer, tem posse quanto a esse direito,
sendo detentor quanto à propriedade
Possuidor: apenas possível por referência à propriedade singular
Possuidor e detentor: quando a posse em nome próprio se reporta a outro direito real
menor ou a direito pessoal de gozo
Simples detentor: quando a coisa se encontra com alguém que não exterioriza
qualquer direito relativamente à coisa
8. Objeto da posse
Só pode ser uma coisa corpórea, individual, certa e determinada.
Art.º 1302 coincide inteiramente com o que respeita à posse.
A quota de uma comunhão não é suscetível de posse:
 O comunheiro possui a coisa comum nos termos do seu direito, essa posse tem
a coisa integral por objeto e não qualquer parte dela, ideal ou concreta.
9. Âmbito da posse
Art.º 1251:
 Apenas abrange direitos reais de gozo
10. Posse imediata e Posse com intermediação
Normalmente o possuidor pode atuar sobre a coisa que controla fisicamente.
Pode acontecer a coisa se encontrar detida por um terceiro, que age em nome do
possuidor:
 Art.º 1252
 O possuidor continua a ter a posse, só que exercida través da detenção de
outrem
 O usufrutuário que tem a coisa em seu poder para exercer o direito, é
possuidor nos termos do usufruto e detentor nos termos da propriedade,
atuando em nome do proprietário quanto a este direito
 A detenção da coisa por terceiro permite a coexistência de várias posses nos
termos de direitos diferentes, sem impossibilitar a subsistência da posse nos
termos do direito real maior quando a coisa deva estar com o titular do direito
real menor para o exercício respetivo.
11. Classificações de posse
11.1. Posse causal e Posse formal
Posse causal: quando o possuidor é simultaneamente titular do direito a que a posse se
reporta
 Pode sempre invocar o seu direito real de gozo para vencer a oposição do
possuidor formal (art.º 1278/1)
Posse formal: é possuidor, sem ser titular do direito a que se reporta
 Aquisição da posse através de factos aquisitivos específicos desse direito
 Apenas pode invocar a sua posse contra aquele com o qual tem o conflito
11.2. Posse civil e Posse interdital
Posse civil: sobre direito reais de gozo, beneficia de todo o regime da posse
Posse interdital: sobre direitos que não são de gozo, permite a utilização da tutela
possessória apenas, mas não da usucapião
11.3. Posse efetiva e não efetiva
Posse efetiva: quando o possuidor mantém o controlo material da coisa através do
corpus
Posse não efetiva: quando o possuidor permanece com mero direito desacompanhado
do corpus (art.º 1267/d)
11.4. Posse titulada e não titulada
Art.º 1259
 “Modo legítimo de adquirir”: a posse para ser titulada pressupõe que haja um
facto aquisitivo do direito
 O facto a que se reporta deve ter eficácia real
o O contrato de comodato ou de arrendamento não tem esse efeito
 “Validade substancial do negócio jurídico: um negócio jurídico com erro, que
pode ser anulado, titula uma posse nos termos da propriedade, porque é um
modo legítimo de adquirir esse direito
o O vício da forma do negócio gera sempre posse não titulada

A posse titulada tem um regime mais favorecido:


 Presume-se que a posse titulada é de boa fé (art.º 1260/2)
 Presume-se existente desde a dada do título (art.º 1254/2)
 No caso de conflito de posses prevalece a posse titulada (art.º 1278/2)
11.5. Posse de boa fé e Posse de má fé
Art.º 1260
 Conceção ética de boa fé: está de boa fé o possuidor que desconhece sem culpa
que a sua posse lesa direitos alheios
11.6. Posse pacífica e Posse Violenta
Art.º 1261
 O momento da apreciação deste carácter é o da aquisição
 Nº2: exercida com coação física ou psicológica nos termos no art.º 255 sobre o
possuidor
Regime jurídico:
 O possuidor esbulhado com violência pode interpor um procedimento cautelar
de restituição provisória da posse contra o esbulhador (art.º 1279)
o Este é condenado a restituir a coisa ao possuidor esbulhado
 A posse violenta é tida como má fé, sem possibilidade de provar o contrário
(art.º 1260/3)
o Surge como sanção da violência praticada na obtenção da posse
 O prazo do art.º 1267/2 não se inicia enquanto a violência não cessar
 A posse não é boa para o usucapião (art.º 1297 e 1300)
11.7. Posse pública e Posse oculta
Art.º 1262
 Afere-se quando a posse é exercida
 Posse pública: quando é conhecida pelos interessados
o Cognoscibilidade da posse, a possibilidade efetiva de conhecimento a
partir de um comportamento normalmente diligente
o Os interessados são todos os que tiverem posse sobre a coisa e também
todos os titulares dos direitos reais de gozo
 Posse oculta:
o A noção de corpus possessório nem sempre é compatível com a ideia de
falta de publicidade
o Mas é admissível quando existe um controlo material da coisa

Regime:
 Quando a posse é tomada ocultamente, o prazo de um ano para a perda da
posse do possuidor esbulhado (art.º 1267/1/d) só começa a contar quando a
posse oculta se torne conhecida do último (art.º 1267/2)
o Conhecimento efetivo da posse, não a mera possibilidade de conhecer
 O prazo para o usucapião não começa a contar enquanto a posse permanecer
oculta, tanto para coisas móveis (art.º 1300/1), como para coisas imóveis (art.º
1297)
 A posse pública é melhor (art.º 1278/3)
12. Os factos constitutivos da posse
 O apossamento
 A inversão do título da posse
12.1. O Apossamento
Art.º 1263/a: É a apreensão do controlo material da coisa por aquele que até aí não a
tinha em seu poder
Requisitos:
 Prática reiterada de atos materiais
 Reiteração da prática de atos materiais
 Publicidade dos atos materiais
12.1.1. Prática reiterada
O apossamento concretiza-se através dos atos físicos necessários à sua apreensão.
O controlo material não tem de ser exclusivo, no sentido de privar outras pessoas do
controlo material que também tenham.
 Apenas tem de privar o possuidor anterior nos termos da propriedade de
acesso à coisa
12.1.2. Reiteração da prática dos atos materiais
Existem situações em que um único ato ou um número limitado de atos não repetidos,
basta para consumar a apropriação física da coisa e a tomada de controlo material
sobre ela.
JAV: decisiva será a intensidade da atuação sobre a coisa para consumar o controlo
dela
 É necessário que esteja em condições de atuar duradouramente sobre a coisa,
não que se tenha que manter duradouramente, mas deve haver essa
possibilidade abstrata
12.1.3. Publicidade dos atos materiais
Pretende-se negar a posse àqueles que praticam atos materiais de aproveitamento da
coisa às escondidas do possuidor, sem que, contudo, afastem este do controlo
material.
Em todo o caso, o carácter oculto da atuação material do agente não obsta à
constituição de uma posse a favor deste.
PL e AV:
 Defendem que estes atos, só por si, não podem conduzir à posse se faltar o
animus
 Se o animus não é elementos constitutivo da posse também não será
necessário para que o apossamento seja consumado
 O apossamento pode se verificar mesmo sem o conhecimento daquele que se
apossa
12.2. A inversão do título da posse
Art.º 1263/d + 1265
 Na inversão do título da posse, o detentor da coisa passa a exteriorizar um
direito próprio sobre ela (afirmar uma posse em nome próprio)
 É irrelevante que não seja titular desse direito, a inversão não é um facto
aquisitivo de um direito real, apenas da posse
 Opera sempre com um detentor que tem o corpus possessório sem que a lei
reconheça a sua posse
 Pode ser realizada pelos possuidores que sejam simultaneamente detentores
nos termos de um direito próprio ou por aqueles que não afirmam nenhum
direito próprio sobre a coisa
Havendo animus a inversão do título da posse apenas ocorre:
 Com oposição do detentor contra aquele em cujo nome possuía
o A oposição pode ser material ou jurídica
o A oposição pode ser judicial ou extrajudicial
o Deve ser exteriormente reconhecível pelo possuidor
 Com ato de terceiro
o Consiste num negócio jurídico unilateral ou multilateral
o Deve ter eficácia real para fundar a constituição ou transmissão do
direito real em causa a favor do detentor
 A lei não supõe a validade do negócio, apenas a sua idoneidade
para fundar uma posse nos termos de um direito real próprio
o O negócio tem que fundamentar a exteriorização de um direito próprio
pelo até aí detentor
o Existe a incidência de um novo título, que é constituído pelo negócio
jurídico que beneficia o detentor, este fundamenta objetivamente a
atuação do detentor nos termos do direito real a que esse título se
refere.
o Alguns autores afirmam que o terceiro pode ser o próprio possuidor
 JAV: considera que a inversão é sempre contra o possuidor, o
máximo que poderia existir era tradição ou constituto
possessório
o Exemplos: compra e venda, doação, permuta, testamento, etc.

Art.º 1406/2: a inversão pode dar-se por um compossuidor contra os outros


compossuidores
 Basta atuar como possuidor único nos termos de um direito, por oposição ou
por ato de terceiro, excluindo os outros da atuação material sobre a coisa
A inversão muda a situação jurídico-real da coisa (detentor passa a possuidor), mas no
que concerne à titularidade nada muda.
13. Os factos translativos da posse
 A tradição
 O constituto possessório
13.1. A tradição da coisa
Perda voluntária do controlo material da coisa pelo antigo possuidor mediante a
entrega desta ao novo possuidor.
Pode ser (art.º 1263/b):
 Tradição material
o Entrega da coisa mão a mão
o Apenas possível com coisas móveis
 Tradição simbólica
o Pode ser através da entrega de outra coisa que representa a coisa cuja
posse se transfere ou deixando a coisa livre para o adquirente
apreender
 Tradição brevi manu: ocorre sempre que o detentor adquire do possuidor o
direito nos termos do qual detinha a coisa
o A proprietário, arrendou o imóvel X a B, que o goza nos termos de um
direito de arrendamento. Entretanto, A doa a B a propriedade. B adquire
a posse por tradição brevi manu
A tradição só se encontra consumada com a entrega, material e simbólica, da coisa e o
corpus possessório passa para o adquirente:
 A transmissão da posse por tradição não vem a ser afetada pela invalidade (ou
ineficácia em sentido amplo) do negócio jurídico que lhe serviu de causa
13.2. O constituto possessório
No constituto possessório, o possuidor passa a detentor, continuando a ter a coisa
consigo.
Confluência de dois atos jurídicos:
 Um principal, o de transmissão do direito real
 Um acessório, através do qual o até aí possuidor seja considerado detentor
Requisitos:
 Um negócio jurídico de transmissão de um direito real de gozo
 Que o transmitente do direito real seja possuidor
 Uma causa jurídica para a detenção da coisa
o A causa jurídica é um contrato
o Um comprador que celebra para além da venda um outro contrato com
o vendedor (depósito, arrendamento, etc.), no termos do qual constitui
um direito que requer a atuação material sobre a coisa
o Pode ser uma mera convenção do contrato de negociação

O constituto possessório depende da validade do facto jurídico que o desencadeia


13.3. A sucessão na posse
Art.º 1255:
 Implica a deslocação do direito do transmitente para o transmissário com efeito
de um contrato jurídico translativo
 A posse “continua nos seus sucessores”
o Os caracteres da posse permanecem os mesmos
 Não carece de apreensão material da coisa
14. Os factos extintivos da posse
Art.º 1267/1:
 Abandono
 Perda ou destruição material da coisa
 Colocação da coisa fora do mercado
 Esbulho
A cedência (art.º 1267/1/c) liga-se a uma transmissão da posse a outrem
Não é uma enumeração taxativa, pode acontecer, por exemplo, por expropriação da
coisa.
Nos casos de extinção da posse o corpus foi perdido ou a lei interveio, dispondo a
extinção da mesma.
14.1. Abandono
O possuidor quebra o controlo material que tinha sobre a coisa, deixando de o exercer
por opção própria
MC: o abandono deve ter o “mínimo” de publicidade, de modo a poder ser conhecido
pelos seus interessados; JAV: não concorda porque nada na lei deixa isso implícito
A falta de animus também não é suficiente se continuar a existir a apreensão material
do bem, tem de haver uma quebra no domínio fáctico da coisa.
14.2. A perda da coisa
Quando, involuntariamente, a coisa deixa de estar no controlo material, sem que tal se
deva a um ato de terceiro
 MC: apenas existe perda quando o possuidor está impossibilitado de encontrar
a coisa
14.3. A destruição material da coisa
Por força de facto humano ou de natureza, a coisa se destruir na totalidade, a posse
extingue-se.
14.4. A colocação da coisa fora do comércio
A apropriação de coisas é apenas possível dentro do comércio (art.º 202/2).
 Se for colocada no domínio público
14.5. O esbulho
Consiste na privação da coisa por ato de terceiro contra a vontade do possuidor.
 O esbulhador toma o controlo material da coisa
Pode ser por:
 Apossamento
 Inversão do título da posse
O possuidor esbulhado só perde a posse um ano após o esbulho (art.º 1267/d)
 Durante esse ano, o esbulhado permanece possuidor, coexistindo a sua posse
com a nova posse do esbulhador
 Ao possuidor deve ser dada a possibilidade de reagir judicialmente contra o
esbulhador
o Dá-se através de ações possessórias, que excecionalmente permitem a
defesa de uma posse
14.6. Pretensos factos extintivos da posse
OA: o regime da posse pode ser aproximado do regime de outros direitos reais de gozo
como ao do não uso
 A omissão da prática de atos possessórios conduz à extinção da posse
 MC concorda com o facto da posse poder se extinguir por não uso
JAV: não concorda
 A posse encontra-se com quem tem a coisa e exerce o poder de facto
MC: o art.º 1281/2 critica a solução legal que não se harmoniza com o princípio “posse
vale título”
 Permitiria pelo adquirente de boa fé a aquisição da propriedade e o
acolhimento de uma proteção meramente possessória a ele
JAV: não concorda
 Se a posse da coisa esbulhada é transmitida a um terceiro de boa fé está a lesar
o direito do possuidor esbulhado, este não pode fazer valer a sua posse
mediante a ação de restituição (art.º 1281/2)
15. O conteúdo da posse
 Poder de usar a coisa
o OA: apenas o uso do possuidor de boa fé é lícito e não gera dever de
indemnizar; parece que o possuidor de má fé, que conhece e ignora
culposamente a violação do direito de outrem, é ilícito e gera um dever
de indemnizar
o JAV: é possível haver posse de má fé, nunca poderia ser ilícita, quando
muito poderia dizer-se que o possuidor de má fé não tem o uso da coisa
 Poder de fruir a coisa (possuidor de boa fé)
o Art.º 1270: extingue-se quando souber que está a lesar o direito de
outrem
 Tem de restituir os frutos gerados pela coisa após a cessação da
boa fé
 Art.º 1270/2: possuidor pode ser indemnizado pelas despesas
que suportou
 Art.º 1270/3: possuidor formal de boa fé tem legitimidade para
alienar os frutos a terceiro antes da colheita
 Quando o direito real de gozo nos termos do qual a posse surge
exteriorizada não atribui a fruição ao titular, o possuidor não tem
o poder de fruição (caso da superfície ou da servidão)
o Ao possuidor de má fé não tem um poder de fruição e está sujeito a
restituir os frutos gerados pela coisa e indemnizar o titular do direito
real (art.º 1271)
 Poder de indemnização por benfeitorias feitas na coisa
o A lei não faz distinção entre o possuidor de boa ou de má fé, apenas no
que toca às benfeitorias voluptuárias (art.º 1275)
o Possuidor tem o direito a ser indemnizado pelas benfeitorias necessárias
(art.º 1273/1, 1º parte)
o As benfeitorias úteis só podem ser realizadas pelo possuidor, contando
que não impliquem uma deterioração da coisa (art.º 1273/1, 2º parte),
o possuidor é indemnizador segundo as regras do enriquecimento sem
causa (art.º 1273/2)
o As benfeitorias voluptuárias não podem deteriorar a coisa (art.º 1275)
 Poder de indemnização por violação da posse
o A violação ilícita da posse sujeita o infrator à responsabilidade civil pelos
danos causados (art.º 1284)
o O possuidor pode ser indemnizado
 Poder de usucapião
o Tem o poder de usucapir o direito real de gozo a que a sua posse se
reporta
 Poder de acessão na posse
o Poder que a lei faculta ao possuidor de juntar o seu tempo de posse ao
tempo de posse do possuidor do qual ela foi adquirida (art.º 1256)
 Poder de defesa na posse (tutela possessória)
o A tutela da posse é realizada através de ações possessórias
 Dever de pagamento dos encargos com a coisa (possuidor de boa fé)
o Art.º 1272: o possuidor tem o dever de pagamento dos encargos
gerados pela coisa na proporção do seu poder de fruição
o Liga-se ao poder de fruição, estando apenas relacionado com o
possuidor de boa fé
 Dever de restituir os frutos (possuidor de má fé)
o Não tendo poder de fruição tem de restituir a titular do direito real de
gozo os frutos, naturais ou civis, gerados pela coisa
 Dever de indemnizar o titular do direito real em caso de perda ou deterioração
da coisa
o O possuidor de má fé fica sujeito à responsabilidade civil, ele responde
pelos danos, tenha ou não culpa na produção do facto danoso (art.º
1269)
o Critica relativamente à inversão do risco de perecimento da coisa cria
relativamente a casos em que o dano ocorreria mesmo que ela se
encontrasse com o titular do direito real
16. Os meios de defesa da posse
Ações possessórias:
 Ação de prevenção da posse (art.º 1276)
o Destina-se a prevenir a prática de factos de turbação ou esbulho de
terceiros
o O seu escopo é unicamente evitar que esta perturbação venha a ter
lugar, obtendo-se a condenação judicial do autor da ameaça
o É necessário a prova dos indícios que sustentem a convicção do julgador
que a violação da posse se afigura como uma possibilidade real
 Ação de manutenção da posse (art.º 1278)
o Supõe que um terceiro concretizou uma ação de violação da posse,
através da prática de atos de turbação
o Pressupõe que o possuidor mantém a coisa consigo, não tendo sido
consumado o apossamento
 Ação de restituição da posse (art.º 1278)
o Quando o possuidor foi privado da coisa pelo esbulho
o É retirado o corpus possessório

O procedimento cautelar é uma restituição provisória da posse (art.º 1279)


 Três requisitos:
o Existência de uma posse
o Ato de esbulho da coisa
o Violência no esbulho
 Segundo o art.º 1260/2
Os embargos de terceiros são um meio judicial de defesa da posse em processo de
execução (art.º 1285)
 Um possuidor que veja a coisa por si possuída ser objeto de penhora no âmbito
de uma execução em que não é o executado, pode defender-se deduzindo
embargos
O fundamento da tutela possessória é a própria posse
 Só o possuidor pode defender a posse com recurso a ação possessória, não o
detentor.
16.1. Legitimidade
Legitimidade ativa:
 Art.º 1281/1: ação de manutenção
 Art.º 1281/2: ação de reivindicação
 Analogicamente para a ação de prevenção
 Apenas o titular da posse e os seus herdeiros
Legitimidade passiva:
 Ação de prevenção: contra o autor das ameaças
 Art.º 1281/1: ação de manutenção, apenas contra o autor
o Não terem sido os herdeiros a praticar os atos de perturbação
 Art.º 1281/2: ação de restituição
o Contra o esbulhador
o Contra os seus herdeiros
o Contra o terceiro a quem foi transmitida a coisa do esbulhada, apenas
no caso do possuidor de má fé
o No caso do possuidor de boa fé, a posse não lhe é oponível

17. Caducidade das ações possessórias


Ações de manutenção e de restituição devem ser intentadas no prazo de um ano (art.º
1282)

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