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Caracterização da Bacia do Malheiro em MG

O estudo caracteriza a fisiografia da bacia hidrográfica do córrego do Malheiro em Sabará, MG, com base na Lei Federal 9.433 que estabelece a Política Nacional de Recursos Hídricos no Brasil. Foram analisados parâmetros como área de drenagem, rede de drenagem e declividade, revelando a necessidade de recuperação da vegetação e educação ambiental. Os resultados visam contribuir para a gestão e preservação da bacia, essencial para a qualidade da água na região.

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Caracterização da Bacia do Malheiro em MG

O estudo caracteriza a fisiografia da bacia hidrográfica do córrego do Malheiro em Sabará, MG, com base na Lei Federal 9.433 que estabelece a Política Nacional de Recursos Hídricos no Brasil. Foram analisados parâmetros como área de drenagem, rede de drenagem e declividade, revelando a necessidade de recuperação da vegetação e educação ambiental. Os resultados visam contribuir para a gestão e preservação da bacia, essencial para a qualidade da água na região.

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398 Irriga, Botucatu, v. 14, n. 3, p.

398-412, julho-setembro, 2009


ISSN 1808-3765

CARACTERIZAÇÃO FISIOGRÁFICA DA BACIA HIDROGRÁFICA DO


CÓRREGO DO MALHEIRO, NO MUNICÍPIO DE SABARÁ – MG

Wellington Marçal de Carvalho; Edson de Oliveira Vieira; Jussara Machado Jardim


Rocha; Alan Kênio dos Santos Pereira; Tiago Vinícius Batista do Carmo
Instituto de Ciências Agrárias, Universidade Federal de Minas Gerais, Montes Claros, MG
marcalmarcal@[Link]

1 RESUMO

A Lei Federal 9.433, de 8 de janeiro de 1997, instituiu a Política Nacional de Recursos


Hídricos e estabeleceu o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos e, ao
definir princípios básicos para uma gestão eficaz das águas, no Brasil, adotou a bacia
hidrográfica como unidade de planejamento de políticas públicas, a fim de garantir o direito
ao acesso à água de boa qualidade para as atividades produtivas, bem como, para sua
utilização pelas gerações futuras. Sabe-se que uma bacia hidrográfica é um sistema complexo
e sofre influência de fatores internos e externos, que podem comprometer as diversas relações
de equilíbrio do mesmo, e, possivelmente, culminar em sua degradação. O presente trabalho
teve como objetivo caracterizar a fisiografia da bacia hidrográfica do córrego do Malheiro, no
município de Sabará – MG. Para compreender os processos biológicos, físicos e químicos que
interferem no ciclo hidrológico dessa unidade geográfica foram estudados os parâmetros
fisiográficos: área de drenagem, perímetro, comprimento do leito principal, rede de drenagem,
densidade de drenagem, forma da bacia hidrográfica, número de ordem, declividade
equivalente, tempo de concentração, extensão do percurso principal e amplitude altimétrica.
Os resultados demonstraram a necessidade de medidas efetivas de recuperação e preservação
da cobertura vegetal, além de investimentos em educação ambiental para a população.

UNITERMOS: Bacia de drenagem. Morfometria. Malheiro, córrego do – Sabará/MG.

CARVALHO, W. M. de; VIEIRA, E. de O.; ROCHA, J. M. J.; PEREIRA, A. K. dos S.;


CARMO, T. V. B. do. PHYSIOGRAPHIC CHARACTERIZATION OF MALHEIRO
STREAM WATERSHED IN THE CITY OF SABARÁ– MG, BRAZIL

2 ABSTRACT

The Brazilian Federal Law 9433, from January 8th, 1997, regulated the National
Policy for Water Resources and established the National System for Water Resources
Management, and, by defining basic principles for an efficient water management in Brazil, it
adopted the watershed as a planning unit for public policy, in order to guarantee the rights to
access good quality water for productive activities, and also for the future generations’ use. It
is known that a watershed is a complex system that is influenced by internal and external
factors that may compromise its several equilibrium relationships, and, possibly, result in its
degradation. The goal of the present work was to characterize the physiography of the
Malheiro stream watershed, located in the city of Sabará , MG. In order to understand the

Recebido em10/10/2008 e aprovado para publicação em 23/11/2009


DOI: [Link]
Carvalho et al 399

biological, physical and chemical processes that interfere in the hydrological cycle of the
geographic unit, the following physiographic parameters were studied: drainage area,
perimeter, main river bed length, drainage network, drainage density, hydrographic basin
shape, order number, equivalent declivity, concentration time, main course extension, and
altimetric amplitude. The results demonstrated the necessity for effective measure recovery
and preservation of the vegetation cover, and also investments on environmental education for
thepopulation.

KEYWORDS: Draining bank river. Morphometry. Malheiro stream watershed - Sabará/MG.

3 INTRODUÇÃO

A água é um bem natural, de uso público e de valor econômico, sendo a sua


preservação em termos de qualidade e quantidade, dever de todos os atores sociais. É
sobremaneira conhecida a sua relação indissociável com os níveis de saúde, desenvolvimento
e bem-estar de uma comunidade. Sabe-se, também, que os custos ambientais da sua
preservação são muito menores do que aqueles inerentes ao seu tratamento visando, por
exemplo, à despoluição de bacias hidrográficas.
Diante da necessidade de se preservar a água, em 8 de janeiro de 1997, foi criada a Lei
Federal 9.433, instituindo a Política Nacional de Recursos Hídricos e estabelecendo o Sistema
Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, a fim de garantir o direito ao acesso à água
de boa qualidade para as atividades produtivas, bem como para sua utilização pelas gerações
futuras. Em decorrência dessa Lei, ao elaborar políticas estaduais de recursos hídricos, devem
ser considerados os seguintes princípios básicos para uma gestão eficaz das águas, a saber:
gestão descentralizada e participativa; adoção da bacia hidrográfica como unidade de
planejamento; usos múltiplos da água e reconhecimento de seu valor econômico. (Brasil,
1997).
Conforme Tucci (1997) uma bacia hidrográfica pode ser considerada um sistema
físico onde a entrada é o volume de água precipitado e a saída o volume de água escoado pelo
exutório, considerando-se como perdas intermediárias os volumes transpirados, evaporados e
infiltrados profundamente. É interessante mencionar que o papel hidrológico da bacia
hidrográfica é o de transformar uma entrada de volume concentrada no tempo (precipitação)
em uma saída de água (escoamento) de forma mais distribuída no tempo.
Todavia, Polignano (2002) adverte para o fato de que a concepção de bacia
hidrográfica não pode ser resumida apenas na conceituação proposta pela Geografia. É
fundamental entender a bacia como um sistema ecológico no qual existe uma série de
complexas relações entre espécies diversas, entre a parte biótica e abiótica, entre o homem e
todo esse ecossistema. Então, é mais adequado definir a bacia hidrográfica como sendo um
sistema complexo que sofre influência de fatores internos e externos, que podem
comprometer todas as relações de equilíbrio do mesmo, gerando a sua degradação.
É relevante sublinhar, como afirmado por Paiva & Paiva (2001) que as características
de homogeneidade das pequenas bacias hidrográficas fazem com que elas sejam muitas vezes
utilizadas em pesquisas visando a obter melhor apreensão dos processos físicos, químicos e
biológicos que intervêm no ciclo hidrológico. Logo, o conceito de bacia hidrográfica está,
também, associado ao tipo de estudo efetuado e a aplicação e interpretação a partir dos dados
nelas coletados.

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400 Caracterização fisiográfica da bacia hidrográfica do...

A delimitação de uma bacia hidrográfica requer o trabalho com uma planta


planialtimétrica sobre a qual é traçada uma linha divisora de águas separando a área em
estudo das circunvizinhas.
Segundo Guerra & Cunha (1995) as bacias hidrográficas, geralmente, podem ser
delimitadas ou visualizadas por meio de um mapa e/ou em trabalho de campo. O primeiro
passo na análise consiste em se identificar seu nível básico, ou, exutório, neste caso, a foz do
córrego do Malheiro no rio das Velhas. Isso feito, alguns parâmetros poderão ser calculados e
auxiliarão na descrição e na quantificação das suas características, tais como: densidade de
drenagem, número de ordem, fator de forma, tempo de concentração, etc.
Quando se pretende caracterizar a fisiografia de uma bacia hidrográfica, devem ser
utilizados, segundo Tucci (1997), dados fisiográficos extraídos de mapas, fotografias aéreas e
imagens de satélite.
Após a delimitação da bacia hidrográfica, de acordo com Vieira (2006), podem ser
extraídas, por exemplo, as seguintes informações: área de drenagem, forma da bacia, rede de
drenagem, densidade de drenagem, número de ordem, declividade da bacia, declividade do
álveo, construção da curva hipsométrica.
A definição de se estudar a bacia hidrográfica do córrego do Malheiro, situada no
município de Sabará, afluente da bacia hidrográfica do rio das Velhas, está no fato de se
buscar compreender os motivos que culminaram no atual estado de degradação dessa bacia.
A bacia hidrográfica do rio das Velhas, na qual está inserida a bacia do córrego do
Malheiro, possui aproximadamente 716 km de extensão e quase 4 milhões de habitantes. O
rio das Velhas, atualmente, necessita da implementação de ações urgentes que minimizem os
efeitos da degradação da qualidade das suas águas, tendo em vista a sua importância como
unidade de planejamento ambiental para os 51 municípios inseridos nessa bacia hidrográfica.
O córrego do Malheiro nasce e percorre os bairros Nova Vista e Santa Inês, no
município de Belo Horizonte, e, no município de Sabará percorre os bairros Alvorada, Ana
Lúcia, Novo Alvorada, Nações Unidas e General Carneiro até desaguar no rio das Velhas no
Distrito de Carvalho de Brito. O curso do córrego do Malheiro é margeado pela antiga
Rodovia MG-5, atualmente denominada MGT-262. Esse córrego possui trechos canalizados
que recebem o esgotamento domiciliar dos bairros supracitados e os rejeitos provenientes de
pequenas e médias indústrias instaladas nessa região.
Neste panorama, o presente trabalho tem como objeto estudar a fisiografia da bacia
hidrográfica do córrego do Malheiro, afluente da bacia hidrográfica do rio das Velhas, com a
finalidade de compreender os processos biológicos, físicos e químicos que interferem no ciclo
hidrológico dessa unidade geográfica.
Pretende-se que este trabalho seja publicizado para que possa auxiliar na formação do
Comitê da bacia hidrográfica do Malheiro e que também enriqueça as fontes informacionais
do Centro de Informação e Documentação do Projeto Manuelzão.

4 MATERIAL E MÉTODOS

A área de estudo compreende a bacia hidrográfica do córrego do Malheiro,


demonstrada na Figura 1, localizado nos municípios de Belo Horizonte e Sabará, o qual é
afluente da bacia hidrográfica do rio das Velhas, no Estado de Minas Gerais.

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Carvalho et al 401

Figura 1. Localização da bacia hidrográfica do córrego do Malheiro, no município de Sabará


– MG

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402 Caracterização fisiográfica da bacia hidrográfica do...

Este estudo consistiu em levantamento bibliográfico a fim de identificar o estado da


arte acerca da bacia hidrográfica do rio das Velhas, culminando no estudo da bacia do córrego
do Malheiro. Para tanto foram consultados os arquivos do Centro de Informação e
Documentação (CID) do Projeto Manuelzão, sediado na Faculdade de Medicina da
Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte.
Posteriormente, foram efetuados trabalhos de campo, de caráter exploratório, em toda
a área compreendida pela bacia hidrográfica do córrego do Malheiro para registro fotográfico,
bem como aquisição de dados fisiográficos.
Além de trabalhos de campo, foi utilizada a carta topográfica elaborada pelo IBGE,
Folha SE-23-Z-C-VI-3-Belo Horizonte, obtida no Instituto de Geociências Aplicadas (IGA)
em Belo Horizonte. Os parâmetros fisiográficos área de drenagem, perímetro, comprimento
do leito principal, rede de drenagem, número de ordem, declividade equivalente e amplitude
altimétrica foram aferidos por meio de mapas da bacia hidrográfica do Malheiro elaborados
pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM) e pelo Projeto Manuelzão. Utilizou-se o
curvímetro para determinar o perímetro e a declividade equivalente.
Os parâmetros fisiográficos determinados para a caracterização de uma bacia
hidrográfica, e que serão abordados neste estudo são: 1- área de drenagem; 2- perímetro; 3-
comprimento do leito principal; 4- rede de drenagem; 5- densidade de drenagem; 6- forma da
bacia; 7- número de ordem; 8- declividade equivalente; 9- tempo de concentração; 10-
extensão do percurso principal e 11- amplitude altimétrica.

4.1- Área de drenagem


Segundo Vieira (2006), a área de drenagem é a área plana inclusa entre os divisores
topográficos de uma bacia hidrográfica. Geralmente sua dimensão é expressa em km2.

4.2- Perímetro
De acordo com Pinto (2003), o perímetro de uma bacia hidrográfica se refere ao
comprimento da linha divisora de águas que circunda e limita essa unidade física natural.

4.3- Comprimento do leito principal


Conforme Galvíncio & Sousa (2004) o comprimento do leito principal pode ser
definido como a distância entre o exutório e o ponto mais afastado do mesmo.

4.4- Rede de drenagem (Rd)


Segundo o Núcleo de Estudos da Água da Universidade Federal de Santa Catarina
(UFSC/NEA, 2002), a rede, ou, sistema de drenagem é constituído pelo rio principal
acrescidos de todos os seus tributários, sendo expressa em km. Esse valor é função do clima,
da topografia e da natureza dos materiais e da cobertura vegetal existentes. Entretanto,
conforme Silva et al., (2002), esse sistema pode ser alterado, bastando uma pequena mudança
de gradiente de descarga do rio (motivada por pequenos ajustes neotectônicos) e/ou súbita
descarga (em razão de enxurradas associadas ao desmatamento em grande escala, a montante
da bacia), e podem levar à remoção e transporte de bancos de solapamento (erosão basal das
margens côncavas) até a formação de barras de sedimentos (point bar), nas margens
convexas, a jusante.
Para o cálculo da rede de drenagem da bacia hidrográfica do córrego do Malheiro, foi
utilizada a seguinte equação:

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Carvalho et al 403

n
R d   li (1)
i 1

Onde: = rede de drenagem, em km


= comprimento dos cursos d’água, em km

4.5- Densidade de drenagem (Dd)


Vieira (2006) afirma que a densidade de drenagem indica a eficiência da drenagem na
bacia hidrográfica e pode ser definida como a relação entre o comprimento total dos cursos
d’água e a área de drenagem, sendo expressa em km/km2. A densidade de drenagem está
numa relação inversa à extensão do escoamento superficial, sendo que valores altos de
propiciam maior escoamento superficial. A é definida pela seguinte equação:

Rd
Dd  (2)
A

onde: = densidade de drenagem, km/km2


= rede de drenagem, em km
= área da bacia, em km2

4.6- Forma da bacia hidrográfica


Segundo o UFSC/NEA (2002), o estudo do formato geométrico da projeção horizontal
da área de uma bacia hidrográfica, que geralmente é dado por índices, possibilita conhecer a
sua propensão a eventos do tipo enchentes. Ao se interpretar esses índices, torna-se possível
relacionar a forma da bacia hidrográfica ao tempo de concentração, que é o tempo necessário
para a água oriunda das chuvas percorrer até o exutório. Esses índices objetivam associar a
bacia hidrográfica a algumas formas geométricas, a saber: índice 1 - coeficiente de
compacidade com a figura de um círculo e índice 2 - fator de forma, com a figura de um
retângulo.

4.6.1- Coeficiente de compacidade (Kc)


O coeficiente de compacidade de bacias hidrográficas consiste na relação entre o
perímetro da bacia hidrográfica e a circunferência de um círculo de mesma área. Quanto mais
irregular a forma da bacia hidrográfica, maior deverá ser este índice. É um valor adimensional
e para o seu cálculo utiliza-se a seguinte equação:

P
Kc  0,28 (3)
A

Onde: = índice ou coeficiente de compacidade, ou ainda, índice de Gravelius


= perímetro da bacia, em km
= área da bacia, em km2

4.6.2- Índice de conformação (Ic)

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404 Caracterização fisiográfica da bacia hidrográfica do...

O índice de conformação ( ) trata da relação entre a área da bacia hidrográfica e o


quadrado de seu comprimento axial, medido ao longo de curso d’água, em linha reta, partindo
da desembocadura até a cabeceira mais distante do divisor de águas. Um baixo valor de fator
de forma indica que a bacia hidrográfica está menos sujeita a enchentes. Esse índice é obtido
por meio da seguinte equação:
A
Ic  2 (4)
L

Onde: = índice de conformação


= área da bacia, em km
= comprimento axial ao quadrado, em km

4.7- Número de ordem


Conforme o NEA/UFSC (2002), o número de ordem é uma classificação que espelha o
grau de ramificação do curso d’água principal de uma bacia hidrográfica, segundo critérios
elaborados em 1957 por Strahler. Seu método consiste em atribuir a primeira ordem aos
canais que não possuem tributários. Os canais de segunda ordem são originados pela
confluência de dois canais de primeira ordem e assim sucessivamente.

4.8- Declividade equivalente ( )


A declividade da bacia hidrográfica, de acordo com Paiva & Paiva (2001), têm
influência direta na velocidade do fluxo da água. Normalmente ela é representada pela
declividade média do seu curso d’água principal. No entanto, como, geralmente, há uma
alternância entre baixios e trechos mais profundos no canal do rio, um levantamento
detalhado do perfil longitudinal do canal é de suma importância para a correta determinação
das diferentes declividades observadas em cada trecho.
Para mensurar a declividade equivalente podem ser citados, a título de exemplificação,
os seguintes métodos: cálculo do quociente entre a diferença das cotas e a extensão horizontal
do canal do rio; cálculo da compensação de área e cálculo da média harmônica entre os
valores da extensão horizontal em cada trecho, a declividade média em cada trecho e a
extensão horizontal do perfil do canal. Esse último método foi escolhido para calcular a
da bacia hidrográfica do Malheiro. Nele, a declividade é determinada pela seguinte fórmula:

2
 
 
I eq   n 
L
(5)
 Li 
 
 i 1 I i 

Onde: = declividade equivalente, em m/m


= extensão horizontal em cada trecho, em m
= declividade média em cada trecho, em m/m
= extensão horizontal do perfil, em m

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Carvalho et al 405

Para medir a declividade equivalente da bacia hidrográfica do córrego do Malheiro, foi


utilizada a carta topográfica elaborada pelo Projeto Manuelzão.
Utilizou-se o curvímetro para aferir o comprimento das linhas, que foram medidas, a
partir do exutório, demonstrado na Figura 2, em direção à montante, cujas respectivas
distâncias da foz até os pontos nos quais as curvas de nível são cortadas pelo curso d’água
foram anotadas na terceira coluna da tabela.

Figura 2. Confluência do córrego do Malheiro com o rio das Velhas, no bairro Nações
Unidas, em Sabará – MG. Novembro, 2007.

Como exemplo, pode-se tomar o ponto A: foi denominado de trecho 2, dista da foz
860 m e se encontra a 700 m de altitude. Os dados foram organizados como pode ser visto na
Tabela 1:

Tabela 1. Declividade por trechos


Ponto Trecho Distância da Foz(m) Cota(m)
Foz 1 0 695(*)
A 2 860 700
B 3 3560 720
C 4 4540 740
D 5 4780 760
E 6 4920 780
F 7 5400 800
G 8 6100 820
H 9 6590 840
I 10 6600 850(*)
*estimado

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406 Caracterização fisiográfica da bacia hidrográfica do...

Nota: Dados obtidos pelos autores em carta topográfica elaborada pelo Projeto
Manuelzão.

4.9- Tempo de concentração ( )


De acordo com Paiva & Paiva (2001), tempo de concentração é aquele necessário para
que toda a área da bacia hidrográfica contribua para o escoamento superficial na seção de
saída. Corresponde ao tempo que leva a gota que cai no ponto mais distante da bacia
hidrográfica, para atingir a seção em estudo, contado a partir do início da chuva. Ele pode ser
determinado através da equação de Kirpich, 1940:

Tc = 57L0,77S-0,0395 (6)

Onde: = tempo de concentração, em minutos


= comprimento do talvegue, em km
= declividade do talvegue, em m/km

4.10- Extensão do percurso principal ( )


Conforme Silva (2007), a medida da extensão do percurso principal, representa a
distância média, em metros, percorrida pelas enxurradas antes de encontrar um canal
permanente. Essa medida é útil, por exemplo, para caracterizar a textura topográfica. A
expressão matemática é:

1
E ps  1000 (7)
2D d

Onde: = extensão do percurso superficial, em m


= densidade de drenagem, em km/km2

4.11- Amplitude altimétrica


Segundo Silva (2007), a amplitude altimétrica é caracterizada pelas altitudes mínima e
máxima e pela faixa de altitude predominante em bacias hidrográficas. Esse índice é dado
pela diferença entre as altitudes máxima e mínima.

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Segundo Moura (2006) a caracterização fisiográfica de uma microbacia hidrográfica é


primordial para a elaboração e implementação de projetos de infra-estrutura, pois, à medida
que se conhece a dinâmica do escoamento superficial de uma bacia hidrográfica, cria-se a
possibilidade de se direcionar o fluxo da água pluvial para pontos estratégicos dessa bacia.
De acordo com medição realizada pelo IGAM (1998), a bacia hidrográfica do córrego
do Malheiro ocupa uma área de 8,328 km2, portanto, de pequena dimensão, o que viabiliza o
controle dos eventos hidrológicos dessa bacia.
Para obtenção do perímetro da bacia hidrográfica, foi utilizado o aparelho denominado
curvímetro, sendo aferidos 13,6 km para a bacia hidrográfica do córrego do Malheiro.
Segundo o IGAM (1998), a extensão do leito principal, ou álveo, do córrego do
Malheiro é de 6,6 km.

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Carvalho et al 407

A rede de drenagem da bacia hidrográfica do córrego do Malheiro teve como resultado


o valor de 20,23 km.
Para a bacia hidrográfica do córrego do Malheiro obteve-se uma na ordem de 2,42
2
km/km .
Segundo Villela & Matos (1985) apud Vieira (2006), uma equivalente a 0,5
km/km pode ser considerada ‘pobre’, enquanto que maior ou igual a 3,5 km/km2 é tida como
2

‘bem drenada’. De acordo com essa classificação, a bacia hidrográfica do Malheiro pode ser
considerada detentora de uma média capacidade de drenagem. Valores baixos de densidade de
drenagem estão geralmente associados a regiões de rochas permeáveis e de regime
pluviométrico caracterizados por chuvas de baixa intensidade, ou, pouca concentração de
precipitação. O valor médio obtido desse parâmetro para a bacia hidrográfica do Malheiro
está associado à inexistência de afloramentos rochosos na bacia e à boa distribuição do regime
de chuvas durante o ano (outubro a março).
Para a bacia hidrográfica do Malheiro o Kc encontrado foi igual a 1,32. Esse valor
indica que essa bacia hidrográfica tende a ser mais circular, favorecendo os processos de
inundação do tipo cheias rápidas.
A bacia hidrográfica do Malheiro detém um equivalente a 1,91. A partir deste
resultado, pode-se inferir que há considerável propensão para valores elevados de vazão de
água.
Ao analisar os resultados dos dois índices calculados (Coeficiente de Compacidade e
Índice de Conformação), pode-se concluir que cuidados com a cobertura vegetal da bacia
hidrográfica são essenciais e devem ser prioritários, uma vez que a área em estudo tem
propensão a produzir rápidas e grandes vazões, o que pode gerar problemas de inundação e
perigo para a população ribeirinha que se encontra instalada na região do exutório, ou seja, em
sua foz no rio das Velhas.
De acordo com essa classificação de Strahler, o córrego do Malheiro é de terceira
ordem.
Para a atribuição de ordem aos corpos d’água da bacia hidrográfica do córrego do
Malheiro foi utilizado o mapa hidrológico elaborado pelo IGAM, em 1998. Segundo Tonello
et al., (2006), ordem inferior ou igual a 4 é comum em pequenas bacias hidrográficas e reflete
os efeitos diretos do uso da terra; considera-se que, quanto mais ramificada for a rede, mais
eficiente será o sistema de drenagem.
A partir do método da média harmônica, obteve-se, para a bacia hidrográfica do
Malheiro, o índice de declividade equivalente igual a 0,0125 m/m. Com esse índice é
esperado que a bacia hidrográfica do Malheiro tenha um grande escoamento superficial,
indicando, por isso, maior predisposição à degradação.
A bacia hidrográfica do Malheiro possui um igual a 92,175 min. Em situações de
eventos climáticos repentinos, como por exemplo, forte precipitação, os moradores da região
mais a jusante do leito do córrego, conforme Figura 3, dispõem de um período de tempo
superior a uma hora, para tomada de atitudes relacionadas a real possibilidade de enchente.
A bacia hidrográfica do Malheiro possui igual a 206,6 m. Fernandes (2006),
afirma que embora a extensão do escoamento superficial que efetivamente ocorre sobre os
terrenos possa ser bastante diferente dos valores determinados pela equação, este índice
constitui uma indicação da distância média do escoamento superficial.
A bacia hidrográfica do córrego do Malheiro detém uma amplitude altimétrica equivalente a
155 m. Esse valor sugere que essa área possui um relevo relativamente montanhoso. De
acordo com Castro & Lopes (2001) apud Tonello et al., (2006), esse valor influencia na

Irriga, Botucatu, v. 14, n. 3, p. 398-412, julho-setembro, 2009


408 Caracterização fisiográfica da bacia hidrográfica do...

quantidade de radiação que a bacia hidrográfica recebe e, conseqüentemente, influencia na


evapotranspiração, na temperatura e na precipitação. Esses autores explicam que quanto maior
a altitude do relevo da bacia hidrográfica, menor é a quantidade de energia solar que o
ambiente recebe e, portanto, menos energia estará disponível para o fenômeno da
evapotranspiração. Além do balanço de energia, a temperatura também varia em função da
altitude; grandes variações de altitude ocasionam diferenças significativas na temperatura,
que, por sua vez, também causam variações na evapotranspiração.

Figura 3. Áreas habitadas à margem do córrego, na região do exutório no bairro Nações


Unidas, em Sabará – MG. Novembro, 2007.

Na Tabela 2 estão apresentados, de forma sintética, cada um dos parâmetros


fisiográficos abordados, bem como, os respectivos valores encontrados:

Tabela 2. Características fisiográficas da bacia hidrográfica do córrego do Malheiro, MG.


Novembro, 2007
Características morfométricas Valor
Área de drenagem (km2) 8,328
Perímetro (km) 13,6
Comprimento do leito principal (km) 6,6
Rede de drenagem (km) 20,23
Densidade de drenagem (km/km2) 2,42
Coeficiente de compacidade (*) 1,32
Índice de conformação (*) 1,91
Número de ordem (*) 3
Declividade equivalente (m/m) 0,0125
Tempo de concentração (min) 92,175
Extensão do percurso principal (m) 206,6
Amplitude altimétrica (m) 155
(*) adimensional
Fonte: Síntese elaborada pelos autores deste trabalho, 2007.

Irriga, Botucatu, v. 14, n. 3, p. 398-412, julho-setembro, 2009


Carvalho et al 409

Como pode ser visto nas Figuras 4, 5 e 6, respectivamente, a área da bacia hidrográfica
do Malheiro está dividida em locais destinados à habitação, alguns postos de gasolina,
garagens de ônibus; e grande parte do terreno ainda é considerado como área rural. Vale notar
a inexistência de mata ciliar em todo o percurso do leito do córrego.

Figura 4. Vista panorâmica dos bairros Alvorada e Novo Alvorada, em Sabará - MG.
Novembro, 2007

Figura 5. Garagem de ônibus às margens do córrego do Malheiro, no bairro Alvorada, em


Sabará – MG. Novembro, 2007

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Figura 6. Cruzamento de ferrovia e ausência da mata ciliar, no bairro Nações Unidas, em


Sabará – MG. Novembro, 2007

6 CONCLUSÕES

Os parâmetros fisiográficos mensurados evidenciaram a propensão da ocorrência de


eventos climáticos do tipo enchentes, em decorrência de fortes precipitações. Assim, urge a
elaboração de medidas efetivas de recuperação e preservação de sua cobertura vegetal para
enfrentamento desse problema, já que a área da foz do Malheiro com o rio das Velhas, no
bairro Nações Unidas, é densamente povoada.
Faz-se necessário, imediatamente, um plano de recuperação das matas ciliares ao
longo de todo o córrego do Malheiro e seus afluentes. Boas práticas de manejo e conservação
dessas áreas, consideradas pelo Código Florestal, equivalente a Lei Federal n. 4.771, de 15 de
setembro de 1965, são imprescindíveis para evitar a erosão e o assoreamento, a escassez de
água, além de incrementar a qualidade da água, do ar, do solo e da própria vida, bem como,
possibilitam a formação de corredores naturais.
É preciso pensar um modelo de desenvolvimento humano que não se faça à custa do
meio ambiente e seja fundamentado em um paradigma de sustentabilidade. Investimentos em
educação ambiental são extremamente relevantes para atingir esse objetivo.

7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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nacional de recursos hídricos, cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos
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