UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE
Faculdade de Engenharia
Licenciatura em Direito – 3º Ano
(4º Grupo)
Arbitragem no Sector do Petróleo e Gás
Discentes:
➢ Ana Latiza;
➢ Lourenço Júnior;
➢ Muhammad Laher;
➢ Silávia Fulede.
Docente: Me. Efraim Zita
Chimoio, Novembro de 2024
ÍNDICE
CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO........................................................................................ 1
1. Introdução ..................................................................................................................... 1
2. Objectivo Geral............................................................................................................. 1
3. Metodologia .................................................................................................................. 1
CAPÍTULO II: REVISÃO DA LITERATURA ............................................................... 2
1. Conceito de Arbitragem ................................................................................................ 2
2. Objecto da Arbitragem.................................................................................................. 3
3. Requisitos da convenção .............................................................................................. 4
4. Designação de Árbitros ................................................................................................ 4
5. Regras de Processo de Arbitragem ............................................................................... 5
6. Determinação do Direito Aplicável .............................................................................. 5
7. Características da Arbitragem ....................................................................................... 5
7.1. Modalidades de Arbitragem ...................................................................................... 6
8. Importância da Arbitragem ........................................................................................... 7
[Link] da Arbitragem ............................................................................................. 7
10. Princípios da Jurisdição Arbitral................................................................................. 8
10.1. O princípio da Autonomia da vontade e a questão dos direitos disponíveis ........... 8
10.2. A Cláusula Compromissória da Convenção de Arbitragem .................................... 9
10.3. Princípio da Indisponibilidade do Interesse Público ............................................... 9
10.4. Princípio da Publicidade ........................................................................................ 10
10.5. A Cláusula Compromissória nos Contratos de Concessão para Exploração,
Desenvolvimento e Produção de Petróleo e Gás Natural. .............................................. 10
10.6. A Arbitragem nos Contratos de Concessão para Exploração do Petróleo e do gás
em Moçambique ..............................................................................................................11
11. Elementos da Sentença Arbitral .................................................................................11
12. Determinação do Direito Aplicável .......................................................................... 12
13. Nomeação de Árbitros .............................................................................................. 12
14. Vantagens de Utilização da Arbitragem nos Contratos de Concessão para Exploração
e Produção de Petróleo e Gás ......................................................................................... 12
CAPÍTULO III: CONCLUSÃO ..................................................................................... 14
1. Conclusão ................................................................................................................... 14
2. Referências Bibliográficas .......................................................................................... 15
CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO
1. Introdução
O trabalho em apreço trata da matéria que diz respeito ao tema da Arbitragem e
Resolução de conflitos no sector de petróleo e gás, pelo que este, é um tema bastante
importante para o desenvolvimento econômico do país e para a resolução de conflitos
para os entes responsáveis pela Exploração e produção do petróleo e gás, visto que este
mecanismo é frequentemente utilizado em contratos de comercias e disputas de empresas
para a exploração do petróleo e gás.
Serão aqui abordados as teorias que ajudam no entendimento da natureza jurídica da
arbitragem, a importância da arbitragem e os contratos de concessão para a exploração,
desenvolvimento e produção do petróleo gás.
O trabalho encontra-se estruturado em capítulos, desta feita, o primeiro capítulo é o
que faz sentir a introdução do trabalho, o segundo capítulo do respeito ao
desenvolvimento da matéria da Arbitragem e Resolução de conflitos no sector do petróleo
e gás apresentada ainda na introdução e por fim as devidas conclusões que se encontram
no terceiro e último capítulo.
2. Objectivo Geral
➢ Compreender a matéria da Arbitragem e Resolução de conflitos no sector do
petróleo e gás.
2.1. Objectivos Específicos
➢ Dar a noção da Arbitragem;
➢ Apresentar os princípios da Jurisdição Arbitral;
➢ Ilustrar a importância da Arbitragem; e
➢ Mencionar as Vantagens de Utilização da arbitragem nos contratos de concessão
para Exploração e Produção de Petróleo e Gás.
3. Metodologia
Para a elaboração deste trabalho académico recorreu-se ao intermediário de manuais e
legislações do nosso ordenamento jurídico, como também, com o auxílio de alguns
artigos publicados eletronicamente , sem se esquecer da comparação intrínseca desta para
a obtenção de um resultado mais eficaz para a nossa cadeira.
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CAPÍTULO II: REVISÃO DA LITERATURA
Arbitragem no Sector do Petróleo e Gás
1. Conceito de Arbitragem
Para Macuacua (2019), a Arbitragem é um mecanismo alternativo, extrajudicial de
resolução de litigios, com recurso a especialistas, que se distingue do judicial pela
celeridade e flexibilidade que caracteriza o processo de resolução de conflitos.
Enquanto que para o Professor Luís de Lima Pinheiro (2001), A arbitragem é um
modo jurisdicional de resolução de controvérsias em que a decisão é confiada a
particulares. Na arbitragem voluntária, esta alternativa baseia-se num acordo das partes a
convenção de arbitragem. Assim, a arbitragem e, em especial, a arbitragem voluntária
constitui numa alternativa ao recurso aos tribunais estaduais. No comércio internacional,
porém, a arbitragem , mais do que um modo alternativo de resolução de controvérsias, é
o modo normal de resolução de controvérsias.
Por outro lado, segundo Jacob e Carmen Tibúrcio (2003 ), a arbitragem é um meio
mais utilizado de solução de litígios fora da esfera do judiciário. Esta difere-se da
mediação e da conciliação, pois, nesses as pendências entre as partes não são resolvidas
por terceiros mais pela vontade comum dos litigantes, com a ajuda de um mediador ou
terceiro que actua como mediador ou conciliador. Na arbitragem , as partes buscam a
solução através de uma decisão imposta por um direito internacional privado e de um
direito internacional público , essa última entendida como parte ou árbitro é o próprio
Estado.
➢ Natureza Jurídica da Arbitragem
Segundo Macuacua (2019), a natureza jurídica da arbitragem tem sido objecto de
inúmeros debates . A questão central para a compreensão da natureza jurídica da
arbitragem, reside em definir-se a arbitragem como um instituto autónomo de solução de
conflitos, estaria sujeito á jurisdição estatal, ou sujeito a algum sistema jurídico interno
ou estaria submetido ao direito internacional, ou ainda estaria subordinado á ambos
igualmente, ou sujeito a suas próprias regras.
No entao Jacob e Tibúrcio (2003 ) Supõem que existem quatro teorias sobre a natureza
jurídica da arbitragem.
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➢ Teoria Jurisdicional- Para está teoria, a actuação do árbitro é comparada á do
juíz no exercício da jurisdição, declarando o direito e decidindo a lide, embora
nomeado pelas partes, seus poderes decorrem da lei que permite o exercício
privado do poder jurisdicional;
➢ Teoria Contratual- para esta teoria, a jurisdição é monopólio do Estado e
manifestação da soberania, indelegável aos particulares, e a arbitragem na verdade
é um contrato oriundo única e exclusivamente da vontade das partes, exercendo o
árbitro seus poderes em razão do contrato;
➢ Teoria Mista( jurisdicional/ contratual)- os adeptos desta teoria, sustentam que,
efectivamente, a arbitragem decorre de um contrato, mas no qual as partes
constituem um julgador privado para o seu litígio que exerce poderes
jurisdicionais reconhecidos pelo Estado, e cuja decisão possui coercibilidade para
as partes, constituindo título executivo judicial;
➢ Teoria Autónoma- a teoria autónoma sustenta que, tratando-se da arbitragem
internacional , cuja fundamentação e desenvolvimento ocorrem com base nas suas
próprias regras, sem qualquer ligação a um sistema jurídico nacional, a decisão
arbitral é autónoma não estando vinculada á qualquer Jurisdição;
Não obstante, Jacob( 2003 ) salienta que apesar de existir várias teorias que tentam
explicar a natureza jurídica da arbitragem, nós últimos tempos a tendência é a adopção da
teoria autónoma pela jurisprudência internacional pois esta arbitragem autónoma, tem o
seu alicerce na autonomia da vontade.
Portanto, embora alguns doutrinários entendam que a maioria dos contratantes terão
que se submeter às leis locais impostas, isso no significa que a autonomia de vontade
tenha desaparecido ou pelo menos tenda a desaparecer. O que acontece é que “ haverá”
por certos, a extensão de certas limitações impostas pela ordem pública.
2. Objecto da Arbitragem
De acordo com o plasmado no n1 do artigo 4 da lei n° 11/99, de 18 de Julho ( Lei de
Arbitragem), as partes interessadas podem submeter a solução de todos ou alguns dos
seus litígios ao regime de arbitragem , mediante convenção expressa de arbitragem.
O n° 2 do mesmo artigo estabelece que a convenção de arbitragem pode ter por
objecto qualquer litígio actual ainda que tenha sob interposta acção em tribunal judicial e
em qualquer estado do processo designando-se , nesse caso, por compromisso arbitral, de
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qualquer litígio eventualmente emergente de uma determinada relação jurídica ,
contratual designando-se, então por cláusula compromissória.
Todavia, traduzindo estas disposições, pode se dizer que o objecto da arbitragem
refere-se ao conjunto de questões ou disputas que podem ser submetidas á decisão de
árbitros, em vez de serem resolvidas por meio dos tribunais ou seja litígios.
3. Requisitos da convenção
Nós temos do artigo 10 da lei de Arbitragem, a convenção de arbitragem deve ser
reduzida á escrito.
Para Macuacua (2019), considera-se reduzido a escrito a convenção de arbitragem
constante de documento assinado pelas partes ou de uma troca de cartas ou outro meio de
comunicação que prevê a sua existência, na qual a existência de uma tal convenção foi
alegada por uma parte e não contestada pela outra.
Não obstante, a referência num contrato, a um documento que contenha uma cláusula
compromissória, equivale a uma convenção de arbitragem, desde que o referido contrato
revista firma escrita e referência seja feita de tal modo que faça da cláusula uma parte
integrante do contrato.
O compromisso arbitral deve determinar com precisão o objecto do litígio actual, a
cláusula compromissória deve especificar a relação jurídica a que os litígios
eventualmente respeitem. Portanto, nos contratos de adesão a cláusula compromissória
só é eficaz de o aderente tomar a iniciativa de institucionalizar a arbitragem ou concordar,
expressamente, com a sua instituição.
4. Designação de Árbitros
Segundo Macuacua (2019), na convenção de arbitragem ou em escrito posterior por
eles assinado, devem as partes designar o árbitro ou árbitros que constituirão o tribunal,
ou ficar o modo por que serão escolhidos.
Não havendo acordo sobre a designação dos árbitros ou sobre a forma da sua
designação, são aplicáveis às regras previstas no artigo 18 da Lei de Arbitragem . Na
nomeação de um árbitro, o organismo institucionalizado de arbitragem, ou o tribunal deve
ter em conta todas as qualificações exigidas a um árbitro pelo acordo das partes e tudo
aquilo que for relevante para garantir a nomeação de um árbitro único ou um terceiro
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árbitro independente e imparcial e, no terceiro árbitro , deve igualmente em consideração
o facto de que poderá ser desejável a nomeação de um árbitro de nacionalidade diferente
das partes.
5. Regras de Processo de Arbitragem
Segundo Macuacua (2019), sem prejuízo das disposições da lei n° 11/99 de 12 de
julho às partes podem escolher livremente as regras do processo a seguir peço tribunal
arbitral, bem como sobre o lugar da r Arbitragem. Todavia, o acordo entre as partes pode
resultar na escolha de um regulamento de arbitragem emanado de um organismo
institucionalizado de arbitragem ou na escolha dessa entidade para a organização da
arbitragem.
No entanto , se as partes não tiverem acordado sobre as regras do processo a observar
na arbitragem e sobre o lugar de funcionamento do tribunal, a escolha caberá aos árbitros
O artigo 27 n° 1 e 3 da lei da arbitragem dispõe que o tribunal arbitral pode, salvo
convenção el contrário das partes, reunir-se em qualquer lugar que julgue apropriado para
consultas entre os seus membros, para audição de testemunhas, peritos ou das partes ou
para exame de mercadorias, outros bens ou documentos.
6. Determinação do Direito Aplicável
Para Macuacua (2019), as partes poderão escolher livremente as regras do Direito que
serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação dos bons costumes e
princípios da ordem pública da lei Moçambicana. Os árbitros julgam segundo o direito
constituído, á menos que as partes, ou convenção de arbitragem ou em documento
subscrito até aceitação do primeiro árbitro, os autorizem a julgar segundo a equidade.
Quando as partes não estipulem o direito aplicável, o tribunal arbitral aplicará as
regras do Direito que considere conveniente. As partes poderão convencionar que a
arbitragem se realize com base nos princípios gerais do Direito, nós usos e costumes e
nas regras internacionais do comércio.
7. Características da Arbitragem
Segundo Bezerra (2012), as características fundamentais da arbitragem que se
despendem de lei n ° 11/99 são:
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a) É um meio de resolução de conflitos ou litígios- o artigo 1 da lei n° 11 /99 refere-
se a arbitragem como um meio de resolução de conflitos ou litígios. Mas não é só
isso, pois a arbitragem também pode ter por objecto conflitos de interesses sem
carácter contenciosos, por lhes faltaremos elementos constitutivos de um litígio
como a pretensão e uma resistência;
b) É um instituto que implica a subtração de litígios- esta subtração pode decorrer
aos tribunais estaduais e a atribuição a particulares de competência decidi-los.
Estes particulares tanto podem ser designados pelas partes como por terceiros.
No entanto, não prejudica está característica a circunstância de o tribunal arbitral
ser integrado por juízes, como nós parece admitir o artigo 19 da Lei n° 11/99,
contanto que os mesmos exerçam a função de árbitros á margem da sua condição
oficial;
c) A decisão proferida pelos árbitros pode ser em Moçambique tal como em
Portugal- idêntica á da sentença proferida pelo tribunal judicial (artigo 43° , a
decisão arbitral, depositada nos termos do artigo 42, produz entre as partes e seus
sucessores os mesmos efeitos da sentença proferida pelos órgãos do poder judicial
e, sendo condenatória, constitui título executivo..
7.1. Modalidades de Arbitragem
Segundo Bezerras (2012), a arbitragem pode ser:
❖ Arbitragem Voluntária- nesta arbitragem a instituição do tribunal arbitral
depende da vontade das partes e dá-se por meio de uma convenção de arbitragem
, conforme prevê o artigo 4 n° 1 da lei da Arbitragem;
❖ Arbitragem necessária- nesta arbitragem os poderes do tribunal arbitral
decorrem de uma norma legal , que impõe a sujeição a árbitros de certa categoria
de litígios;
❖ Arbitragem privada- tem lugar entre os particulares ou entes particulares e entes
públicos actuando sem poder de autoridade;
❖ Arbitragem do direito público- é a que opõe particulares a órgãos da
Administração pública agindo e obedece peço menos em partes a um regime
próprio;
❖ Arbitragem institucionalizada- está prevista no artigo 69 da lei n° 11/99, de 12
de Julho, e consiste na arbitragem que se processa no âmbito e de acordo com as
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regras de instituições especializadas denominadas centros de arbitragem ( como o
centro de arbitragem, conciliação e mediação sedeado em Maputo);
❖ Arbitragem as hoc- esta arbitragem decorre á margem de Taís instituições,
perante árbitros escolhidos pelas partes;
❖ Arbitragem Internacional- é uma categoria especial de arbitragem , sujeita,
quanto a certos aspectos como por exemplo ( lei aplicável, recursos,
admissibilidade de composição amigável), as regras próprias. Todavia, existem
dois critérios determinantes da qualificação da arbitragem como internacional,
que a lei n° 11/99 consagrou no artigo 52: o objecto do litígio e o do processo.
8. Importância da Arbitragem
Segundo Macuacua (2019), a arbitragem constitui hoje um fundamental e nalgumas
matérias é mesmo o modo normal de resolução de conflitos emergentes de relações
comerciais e de consumo, ou seja, a arbitragem é fundamental para o desenvolvimento
do sector de petróleo e gás em Moçambique, oferecendo uma forma eficiente,
especializada e confidencial para resolver disputas complexas.
Não obstante, a arbitragem promove um ambiente mais estável e apenas beneficia as
partes envolvidas nas disputas , mas também contribui para atrair investimentos,
estrangeiros essenciais para o crescimento econômico do país.
[Link] da Arbitragem
Para Macuacua (2019), a arbitragem é um método de resolução de conflitos em que
as partes envolvidas concordam em submeter suas disputas a um ou mais árbitros , que
tomarão uma decisão final e vinculativa. Este processo é geralmente utilizado como uma
alternativa ao sistema judicial tradicional. Todavia , um ponto chave de regulamentação
legal da arbitragem e da avaliação ou mediação é, por isso, a intervenção do tribunal
judicial na arbitragem, um regime excessivamente liberal pode deixar uma das partes á
mercê da outra ou dos árbitros, mas um regime demasiado intervencionista pode sufocar
a Arbitragem. Está intervenção do Estado deve ser cuidadosamente ponderada pelo
legislador, sobretudo na determinação do objecto do litígio e a impugnação judicial da
sentença judicial.
Não obstante, no ordenamento jurídico Moçambicano, o legislador procurou evitar a
intervenção do tribunal judicial, ao cometer a determinação do objecto do litígio, na falta
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de acordo entre as partes, á um organismo institucionalizado de arbitragem: vide o artigo
14 n° 4 da Lei de Arbitragem. Mas, se não tiverem escolhido esse organismo, estará o
recurso ao tribunal judicial, previsto no artigo 18 n° 7 da lei citada acima, o que poderá
entravar o processo arbitral.
10. Princípios da Jurisdição Arbitral
De acordo com o disposto no n° 2 do artigo 2 da Lei n° 11/99, de 8 de julho, os meios
alternativos de resolução estão sujeitos aos seguintes princípios:
a) Liberdade- reconhecimento da autonomia das partes na escolha e adopção de
menos alternativas ao poder judicial para a resolução de conflitos;
b) Flexibilidade- preferência dada no estabelecimento de procedimentos informais,
adaptáveis e Simplificadas;
c) Privacidade- garantia de privacidade e confidencialidade dos processos e seus
intervenientes;
d) Idoneidade- exigência de características de imparcialidade e interdependência
para o desempenho de funções de árbitros ou conciliador;
e) Celeridade- dinâmica e rapidez na resolução de conflitos;
f) Igualdade- garantia de que as partes serão tratadas com estreita igualdade e que
cada uma delas serão dadas as mesmas condições e todas as possibilidades de
fazer valer os seus direitos;
g) Audiência- oralidade típica de mecanismos alternativa;
h) Contraditório- garantia de que ambas as partes serão ouvidas oralmente ou por
escrito, antes de ser proferida a decisão final.
10.1. O princípio da Autonomia da vontade e a questão dos direitos disponíveis
Para Macuacua (2019), um dos principais princípios que sempre acompanha o campo
da arbitragem em todos os seus aspectos é o princípio da autonomia da vontade. Este
princípio reconhece ampla liberdade para as partes escolherem a lei que melhor atenda
os interesses.
Deste modo, a autonomia da vontade adquire fundamental importância quando da
celebração do contrato de concessão com alguns países cujas legislações são totalmente
estranhas ao investidor estrangeiro. Ainda em relação ao aludido, a arbitragem, em
qualquer caso, só pode ser instaurada após um acordo de vontade entre as partes, que
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optam por esse mecanismo e renunciam a via judicial. É também expressão de autonomia
da vontade a liberdade de escolher os árbitros e de estabelecer o prazo para que a sentença
seja proferida.
No que concerne a questão dos Direitos disponíveis, a lei da arbitragem, só abrigo do seu
artigo 1° dispõe que as pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para
dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis. Os direitos patrimoniais
disponíveis são aqueles direitos pelos quais as partes podem exercer livremente, de acordo
com a sua vontade, e que não sofrem quaisquer restrições legais, podendo estes direitos
serem alienados.
10.2. A Cláusula Compromissória da Convenção de Arbitragem
Segundo Macuacua (2019), a cláusula compromissória tem como escopo a renúncia á
Jurisdição ordinária. Esta cláusula é capaz de instaurar a arbitragem e se constitui na
convenção através da qual as partes em um contrato comprometer-se a submeter á
arbitragem as questões futuras que podem surgir quando da execução desse contrato entre
as partes.
Portanto, o uso da arbitragem deve estar previsto em contrato, pela chamada convenção
de arbitragem, designação geral para cláusula compromissória e o compromisso arbitral.
O recomendável é que as partes optem pela cláusula compromissória aproveitando que
ainda existe confiança mútua. A lei do petróleo através do seu artigo 43° supõe que a
cláusula compromissória é essencial para os contratos de concessão.
Todavia, a adopção desta cláusula nos contratos de concessão, e a possibilidade destes
contratos serem solucionados por neutralidade e imparcialidade arbitral, garantem uma
enorme segurança para o investidor estrangeiro, no sentido de, uma vez amparado no
juízo arbitral, o concessionário afasta questões concernentes á imunidade de jurisdição
estatal, visto que este princípio não de aplica com relação ao instituto da arbitragem,
somente quando o Estado se submete á Jurisdição de outro Estado soberano.
10.3. Princípio da Indisponibilidade do Interesse Público
Para Macuacua (2019), o princípio da Indisponibilidade do interesse público é um dos
princípios fundamentais do direito administrativo. Este princípio parte da ideia de que o
administrador não tem propriedade sobre o interesse público de maneira que possa dele
dispor. Neste sentido, o interesse público é confiado ao Estado e não a seus órgãos ou
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agentes. Logo , a vontade do agente não conta, devendo as actividades do administrador
serem aparentadas a um fim, condizente com o interesse geral. Portanto, deve considerar-
se que a indisponibilidade de baseia no facto de que o administrador ao gerir a coisa
pública não é titular dos bens e interesses, mas sim apenas um mero gestor, o princípio
não deve ser aplicado quando estivermos diante do interesse próprio da Administração
Pública e, portanto, dissociados do interesse público em sentido estrito.
10.4. Princípio da Publicidade
Para Macuacua (2019), o princípio da publicidade na arbitragem é um conceito que se
refere á transferência e a acessibilidade das informações relacionadas ao processo arbitral.
Embora a arbitragem seja frequentemente associada á confidencialidade (sigilo) o
princípio da publicidade tem suas próprias implicações e relevâncias, ou seja o princípio
da publicidade implica que os actos processuais e as decisões arbitrais devem ser
acessíveis ao público, permitindo que a sociedade tenha conhecimento sobre o que ocorre
no processo. Este princípio é importante para garantir a transparência e a legitimidade do
sistema de resolução de controvérsias.
10.5. A Cláusula Compromissória nos Contratos de Concessão para Exploração,
Desenvolvimento e Produção de Petróleo e Gás Natural.
Para Macuacua (2019), as empresas, tomam suas decisões de investir em um país em
razão da atratividade que um determinado local os proporciona. A atratividade de um
investimento no sector do petróleo se baseia em 3 vértices:
➢ O regime Regulatório do sector petrolífero de um determinado país;
➢ O regime Fiscal adotado; e
➢ Os aspectos geológicos favoráveis.
Importa referir que em relação ao regime Regulatório, cabe prezar pela segurança jurídica
e independência dos tribunais locais, possibilitando inclusive, o uso da arbitragem em
caso de conflitos.
Não obstante, ao firmar um contrato, em operações complexas como nós contratos
realizados por empresas/ companhias de indústria de petróleo, a adopção da arbitragem
surge como uma necessidade, onde a presença da cláusula arbitral pode admitir
continuada cooperação entre as partes, enquanto do procedimento da arbitragem pende a
decisão sobre alguma questão específica. Na medida em que os limites territoriais do
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judiciário são diminuídos e superados pela expansão dos actores económicos, vão
aparecendo Justiça emergentes representadas por formas alternativas de tratamento de
controvérsias.
10.6. A Arbitragem nos Contratos de Concessão para Exploração do Petróleo e do
gás em Moçambique
De acordo com o disposto na alínea d) do artigo 16 da Lei n° 21/2014, de 8 de Agosto,
(Lei de petróleo), uma das garantias jurídicas que é reconhecida aos titulares de direito de
operações petrolíferas, é o de recorrer á arbitragem internacional para a resolução de
disputas, esgotados os meios alternativos de resolução.
Nos termos do artigo 69 da mesma Lei, as disputas emergentes dos contratos de concessão
devem ser solucionados de preferência se a disputa não poder ser resolvida por acordo, a
questão pode ser submetida á arbitragem ou às autoridades judiciais competentes, nos
termos e condições estabelecidos pelo controlo de concessão uma cláusula de arbitragem,
às autoridades judiciais competentes.
Para Macuacua (2019), a arbitragem entre o Estado Moçambicano e os investidores
estrangeiros deve ser conduzida em conformidade com:
a) A lei que rege a Arbitragem;
b) Regras do Centro Internacional de Resolução de Diferendos Relativos á
Investimentos entre Estados e Nacionais de aoutros Estados (ICSID);
c) Regras de outras Instâncias Internacionais de reconhecida reputação.
11. Elementos da Sentença Arbitral
De acordo com o disposto no artigo 39 da Lei de Arbitragem a sentença do tribunal
arbitral é reduzida a escrito e dela deve constar:
a) A identificação das partes;
b) A referência á convenção de arbitragem;
c) O objecto do litígio;
d) A identificação dos árbitros;
e) O lugar da arbitragem, o local, a data em que a decisão é proferida;
f) A assinatura do árbitro ou árbitros.
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No processo com mais de um árbitro, serão suficientes as assinaturas da maioria dos
árbitros, desde que seja mencionada a razão da omissão dos restantes. A decisão deve ser
fundamentada salvo se as partes convencionarem que não haverá lugar a fundamentação
ou se se tratar de uma Sentença proferida com base num acordo das partes nos termos do
artigo 38 da lei n° 11/99, de 8 de julho.
12. Determinação do Direito Aplicável
Para Macuacua (2019), o tribunal arbitral decide o litígio de acordo com as regras de
Direito escolhidos pelas partes para serem aplicadas ao fundo da causa. Qualquer
designação da lei ou do sistema jurídico de um determinado país será considerado
considerada, salvo indicação expressa em contrário como designado directamente às
regras jurídicas matérias desde país e não as suas regras de conflitos de leis.
Na falta de tal designação pelas partes, o tribunal arbitral aplicará a lei designada pela
regra de conflitos de leis que ele julgue aplicável na espécie.
13. Nomeação de Árbitros
Para Macuacua (2019), as partes podem, por acordo, escolher livremente o processo de
nomeação do árbitro, sem prejuízo do disposto nos n° 3 e 4 do artigo 58 da lei de
arbitragem. Na falta de um tal acordo:
a) No caso de uma arbitragem com três árbitros cada uma das partes nomeia um
árbitro e os dois árbitros assim nomeados escolhem o terceiro árbitro, se uma das
partes não nomear o árbitro no prazo de 30 dias a contar da recepção num pedido
feito pela outra parte, a nomeação é feita a pedido de uma das partes por um
organismo institucionalizado de arbitragem escolhido pelas partes.
b) No caso de uma arbitragem com um único árbitro se as partes não poderem pôr-
se de acordo sobre a escolha do árbitro este será nomeado, a pedido de uma das
partes por um organismo institucionalizado de arbitragem escolhido pelas partes.
É aplicável a nomeação de árbitros o disposto no n° 9 e 10 do artigo 18 da lei
11/99.
14. Vantagens de Utilização da Arbitragem nos Contratos de Concessão para
Exploração e Produção de Petróleo e Gás
Para Macuacua (2019) A utilização da arbitragem nos contratos de concessão para
exploração e produção de petróleo e gás em moçambique traz uma série de vantagens
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específicas que se alinham as características do ambiente jurídico econômico do país das
quais se destacam:
➢ Confidencialidade das Informações- Dada a natureza competitiva do setor de
petróleo e gás, a confidencialidade proporcionada pela arbitragem é uma
vantagem significativa. As partes podem proteger informações sensíveis sobre
suas operações, estratégias comerciais e tecnologias;
➢ Especialização em Setores Técnicos- A arbitragem permite que as partes
escolham árbitros com expertise em petróleo e gás, o que é essencial para entender
as complexidades técnicas e regulatórias desse setor. Isso aumenta a probabilidade
de decisões informadas e justas;
➢ Adaptação ao Contexto Local- Moçambique está em desenvolvimento no setor
de petróleo e gás, e a arbitragem pode ser uma forma eficaz de lidar com a
incerteza jurídica. Os contratos de concessão podem incluir cláusulas arbitrais que
permitem uma resolução mais adequada às particularidades do mercado local;
➢ Celeridade na Resolução de Disputas- O sistema judicial pode ser lento em
muitos países, incluindo Moçambique. A arbitragem oferece um caminho mais
rápido para resolver disputas, permitindo que as empresas mantenham suas
operações sem interrupções prolongadas;
➢ Flexibilidade Procedimental- As partes podem negociar os termos da
arbitragem, incluindo o local, a linguagem e as regras processuais a serem
seguidas. Essa flexibilidade permite que as partes adaptem o processo às suas
necessidades específicas e ao contexto do mercado moçambicano.
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CAPÍTULO III: CONCLUSÃO
1. Conclusão
Levando em consideração todos os aspectos apresentados neste trabalho, fica claro que a
arbitragem é um método eficaz e amplamente utilizado para a resolução de disputas, com
características que a tornam uma alternativa atraente ao litígio judicial, ou seja, ela oferece
um meio eficaz, flexível e especializado para resolver disputas em diversas áreas de
direito incluindo os contratos comerciais complexas como as que envolvem petróleo e
gás. No entanto, como qualquer método de resolução de disputas, é importante considerar
as circunstâncias específicas de cada caso antes de decidir se a arbitragem é a melhor
opção.
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2. Referências Bibliográficas
A. Doutrina:
BEZERRA, G. C (2012). Arbitragem no contrato de concessão para a exploração
e produção do petróleo e gás natural. Coimbra, Portugal: Coimbra editora.
LUÍS de LIMA, P (2001),. Introdução á arbitragem de investimento no sector de
Energia perante as ordens jurídicas Portuguesas e Angolanas. Coimbra, Portugal:
Faculdade de Coimbra, Instituto Jurídico.
DOLINGER, J. T.C( 2003). Direito Internacional Privado: Arbitragem
Comercial Internacional. São Paulo, Brasil: Saraiva.
MACUACUA, E.G.F (2019). Direito do Petróleo e Gás em Moçambique.
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B. Legislações
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