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Embargos de Declaração no STJ: Prescrição e Efeitos

Os embargos de declaração foram rejeitados, pois não foram identificados vícios no acórdão que confirmaram a condenação do embargante pelo crime previsto na Lei 9.613/98. A prescrição não ocorreu, pois o acusado completou 70 anos após a sentença condenatória e a data do trânsito em julgado foi retroagida. O Supremo Tribunal Federal reafirmou que a prescrição é interrompida pela inércia do Estado, não havendo retroatividade em interpretações jurisprudenciais.
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Embargos de Declaração no STJ: Prescrição e Efeitos

Os embargos de declaração foram rejeitados, pois não foram identificados vícios no acórdão que confirmaram a condenação do embargante pelo crime previsto na Lei 9.613/98. A prescrição não ocorreu, pois o acusado completou 70 anos após a sentença condenatória e a data do trânsito em julgado foi retroagida. O Supremo Tribunal Federal reafirmou que a prescrição é interrompida pela inércia do Estado, não havendo retroatividade em interpretações jurisprudenciais.
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EDcl no AgRg no AgRg no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 387.

891 - SP
(2013/0292508-4)

RELATOR : MINISTRO NEFI CORDEIRO


EMBARGANTE : RR
ADVOGADOS : CELSO SANCHEZ VILARDI - SP120797
RENATA HOROVITZ KALIM - SP163661
NARA SILVA DE ALMEIDA - SP285764
EMBARGADO : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
INTERES. : M DE M C C F
ADVOGADOS : ARNALDO MALHEIROS FILHO - SP028454
ARTHUR SODRE PRADO - SP270849
INTERES. : RP
ADVOGADOS : ANTONIO CLAUDIO MARIZ DE OLIVEIRA - SP023183
NEWTON DE SOUZA PAVAN - SP206363
FAUSTO LATUF SILVEIRA - SP199379
FREDERICO DONATI BARBOSA - DF017825
BRIAN ALVES PRADO - DF046474
PAOLA MARTINS MOREIRA - DF057746
NATACHA KELLY FERNANDES TEIXEIRA DA SILVA -
DF061512
EMENTA
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO
EM RECURSO ESPECIAL. VÍCIOS INEXISTENTES. MERA REDISCUSSÃO.
CONDENAÇÃO PELA PRÁTICA DO DELITO PREVISTO NO ART. 1º, VI, DA
LEI 9.613/98. PRESCRIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. ART. 115 DO CP. NÃO
APLICAÇÃO. ACUSADO QUE COMPLETOU 70 APÓS A SENTENÇA
CONDENATÓRIA. ACÓRDÃO CONFIRMATÓRIO. NÃO PROVIMENTO DO
ARESP. RETROAÇÃO DA DATA DO TRÂNSITO EM JULGADO PARA A
DEFESA PARA O ÚLTIMO DIA DE INTERPOSIÇÃO DO RECURSO ESPECIAL
NA ORIGEM. EMBARGOS REJEITADOS.
1. Apenas se admitem embargos de declaração quando evidenciada deficiência no
acórdão recorrido com efetiva obscuridade, contradição, ambiguidade ou omissão,
conforme o art. 619 do CPP, vícios que não ocorreram no acórdão embargado.
2. A redução do prazo prescricional, prevista no art. 115 do Código Penal, é incabível
nos casos em que o acusado completa 70 anos de idade após a prolação da sentença
condenatória.
3. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do HC 176.473/RR, por
maioria de votos, concluiu que "somente há se falar em prescrição diante da inércia do
Estado", de modo que o art. 117, IV, do Código Penal "não faz distinção entre acórdão
condenatório inicial e acórdão condenatório confirmatório da decisão", constituindo
marco interruptivo da prescrição punitiva estatal.
Documento: 1987508 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 02/12/2020 Página 1 de 5
4. Não há falar em irretroatividade de interpretação jurisprudencial, uma vez que o
ordenamento jurídico proíbe apenas a retroatividade da lei penal mais gravosa. De fato
"os preceitos constitucionais relativos à aplicação retroativa da norma penal
benéfica, bem como à irretroatividade da norma mais grave ao acusado, ex vi do
artigo 5º, XL, da Constituição Federal, são inaplicáveis aos precedentes
jurisprudenciais" (HC 161452 AgR, Relator Min. LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA,
julgado em 6/3/2020, DJe 1/4/2020).
5. Nos termos da jurisprudência desta Corte Superior, negado provimento ao agravo em
recurso especial, a data do trânsito em julgado para a defesa retroagirá ao último dia de
interposição do recurso especial na origem, conforme entendimento consolidado no
EAREsp 386.266/SP.
6. Não tendo havido o transcurso do prazo legal prescricional de 12 anos entre os
marcos interruptivos, já que o agravante foi condenado a 5 anos e 4 meses de reclusão
pelo crime previsto no art. 1º, VI, da Lei n. 9.613/98, não há que falar em extinção da
punibilidade pela ocorrência da prescrição da pretensão punitiva, pois os fatos delituosos
ocorreram entre os anos de 2001 a 2004 (fl. 5.148), a denúncia foi recebida por decisão
publicada em 12/5/2006, a sentença foi publicada em 11/12/2006, o acórdão
confirmatório da condenação foi publicado em 26/11/2012 e o agravo em recurso
especial foi improvido, razão pela qual a data do trânsito em julgado deve retroagir para
15 dias após a publicação do acórdão do recurso de apelação, que foi publicado em
26/11/2012.
7. Não se constata a ocorrência de prescrição da pretensão executória, se houve a
interposição de apelo pelo Parquet, o qual foi improvido somente em 2012, por
acórdão publicado em 26/11/2012, não se verificando a superação do lapso
prescricional de 12 anos, considerando-se como marco interruptivo o decurso dos
prazos recursais dos recursos especial ou extraordinário, que não foram interpostos.
8. Embargos de declaração rejeitados.
ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas,


acordam os Ministros da Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos
votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindo no julgamento, após o voto-vista do Sr.
Ministro Rogerio Schietti Cruz acompanhando o Sr. Ministro Relator, sendo seguido pelos
Srs. Ministros Antonio Saldanha Palheiro, Laurita Vaz e Sebastião Reis Júnior, por
unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Antonio Saldanha Palheiro, Laurita Vaz, Sebastião Reis Júnior e Rogerio
Schietti Cruz votaram com o Sr. Ministro Relator.

Brasília (DF), 24 de novembro de 2020 (Data do Julgamento).

MINISTRO ANTONIO SALDANHA PALHEIRO


Documento: 1987508 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 02/12/2020 Página 2 de 5
Presidente

MINISTRO NEFI CORDEIRO


Relator

Documento: 1987508 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 02/12/2020 Página 3 de 5
EDcl no AgRg no AgRg no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 387.891 - SP
(2013/0292508-4)

RELATOR : MINISTRO NEFI CORDEIRO


EMBARGANTE : RR
ADVOGADOS : CELSO SANCHEZ VILARDI - SP120797
RENATA HOROVITZ KALIM - SP163661
NARA SILVA DE ALMEIDA - SP285764
EMBARGADO : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
INTERES. : M DE M C C F
ADVOGADOS : ARNALDO MALHEIROS FILHO - SP028454
ARTHUR SODRE PRADO - SP270849
INTERES. : RP
ADVOGADOS : ANTONIO CLAUDIO MARIZ DE OLIVEIRA - SP023183
NEWTON DE SOUZA PAVAN - SP206363
FAUSTO LATUF SILVEIRA - SP199379
FREDERICO DONATI BARBOSA - DF017825
BRIAN ALVES PRADO - DF046474
PAOLA MARTINS MOREIRA - DF057746
NATACHA KELLY FERNANDES TEIXEIRA DA SILVA -
DF061512

RELATÓRIO

O EXMO. SR. MINISTRO NEFI CORDEIRO (Relator):


Trata-se de embargos de declaração opostos a acórdão assim ementado (fls.
6.699-6.701):
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. PRETENSÃO
DE EFEITOS INFRINGENTES. PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE.
RECEBIMENTO COMO AGRAVO REGIMENTAL. NEGATIVA DE
PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO CONFIGURADA. INÉPCIA DA
DENÚNCIA. NÃO CABIMENTO. PROLATADA SENTENÇA
CONDENATÓRIA. INDEFERIMENTO DE PROVA. CERCEAMENTO DE
DEFESA. ILEGALIDADE NÃO EVIDENCIADA. DESMEMBRAMENTO DO
PROCESSO. POSSIBILIDADE. CONVENIÊNCIA DA INSTRUÇÃO
PROCESSUAL. ILICITUDE DA PROVA. INADMISSIBILIDADE.
POSSIBILIDADE DA PROVA EMPRESTADA NO PROCESSO PENAL.
NULIDADE PELA FALTA DE CONHCIMENTO DE PROVA PELO
REVISOR DA APELAÇÃO. INEXISTÊNCIA. SÚMULA 7/STJ.
ABSOLVIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. DOSIMETRIA.
CULPABILIDADE. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. REFORMATIO IN
PEJUS. NÃO OCORRÊNCIA. AGRAVOS IMPROVIDOS.
1. Embargos de declaração, com efeitos infringentes, devem ser recebidos como
agravo regimental, em homenagem ao princípio da fungibilidade.
2. A incidência da Súmula 7/STJ impede o exame do dissídio jurisprudencial
Documento: 1987508 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 02/12/2020 Página 4 de 5
deduzido nas razões do recurso especial.
3. Não configura negativa de prestação jurisdicional, quando o Tribunal de origem
decide a controvérsia de forma fundamentada, concluindo de forma contrária aos
interesses da defesa.
4. Incabível o exame da alegação de inépcia da denúncia, pois superada a
apreciação da viabilidade formal da persecutio, se já existe acolhimento formal e
material da acusação pelo Tribunal de origem.
5. "O art. 400, § Io, do CPP, autoriza o Magistrado a indeferir as provas que
considerar irrelevantes, impertinentes ou protelatórias, uma vez que é ele o
destinatário da prova", não se relevando, portanto, cerceamento de defesa o seu
indeferimento fundamentado (AgRg no RHC 113.646/PA, Rei. Ministro
LEOPOLDO DE ARRUDA RAPOSO (Desembargador Convocado do TJ/PE),
Quinta Turma, DJe 8/10/2019).
6. Nos termos do art. 80 do Código de Processo Penal, processos conexos podem
ser desmembrados em nome da conveniência da instrução penal (AgRg
no REsp 1807081/RS, Rei. Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO,
SEXTA TURMA, julgado em 17/12/2019, DJe 19/12/2019).
7. Admite-se o compartilhamento de prova em processo conexo, mormente porque
não houve a demonstração da ilicitude do material probatório nos autos originários,
sendo certo que eventual irregularidade procedimental demandaria o revolvimento do
conjunto fático-probatório, inadmissível a teor da Súmula 7/STJ.
8. Concluindo o Tribunal de origem, soberano na análise probatória, pela autoria do
delito atribuída aos agravantes, a alteração do julgado, para fins de absolvição ou
mesmo para reconhecer a participação de menor importância, demandaria
revolvimento de provas, o que não se admite a teor da Súmula 7/STJ.
9. Constatado pelo Tribunal de origem que os documentos juntados na fase recursal
na apresentava nenhuma novidade ou influência neste feito, de modo que a reversão
das premissas fáticas do acórdão recorrido encontra óbice na Súmula 7/STJ.
10. A valoração negativa da culpabilidade, assim considerada o maior ou o menor
grau de reprovabilidade da conduta, porquanto baseada em fato concreto,
consubstanciado no modus operandi que ocasionou grave prejuízo, justifica a
exasperação da pena-base.
11. A adoção de fundamentação própria pelo Tribunal de origem, sem alteração da
sanção imposta, não enseja reformatio in pejus.
12. Agravos regimentais improvidos e Embargos de declaração recebidos como
agravo regimental, ao qual se nega provimento.

Sustenta a defesa haver omissão no acórdão a respeito da ocorrência da prescrição a


ser computada desde a sentença condenatória, desconsiderando-se o acórdão confirmatório
como marco interruptivo, com a alegação de que o novo entendimento não é aplicável a fatos
anteriores à promulgação da Lei n. 11.596/2007.
Alega que, ainda que o acórdão pudesse interromper a prescrição, seria imperiosa a
redução do prazo prescricional nos termos do art. 115 do CP, pois o embargante tinha 74
anos quando do julgamento do recurso de apelação, bem como que ocorreu a prescrição a
pretensão executória pois a sentença transitou em julgado para a acusação em 20/12/2006.
Requer, tendo em vista que a prescrição é matéria de ordem pública, que deve
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ser reconhecida a qualquer tempo e até mesmo de ofício, requer-se o reconhecimento da
prescrição da pretensão punitiva do Embargante, ou, subsidiariamente, a prescrição da
pretensão executória, com a conseqüente extinção de sua punibilidade (fl. 6.768).
Requer sejam sanados o vícios apontados.
Impugnação apresentada.
É o relatório.

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EDcl no AgRg no AgRg no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 387.891 - SP
(2013/0292508-4)

VOTO

O EXMO. SR. MINISTRO NEFI CORDEIRO (Relator):


Sustenta a defesa haver omissão no acórdão a respeito da ocorrência da prescrição a
ser computada desde a sentença condenatória, desconsiderando-se o acórdão confirmatório
como marco interruptivo, com a alegação de que o novo entendimento não é aplicável a fatos
anteriores à promulgação da Lei n. 11.596/2007.
Alega que, ainda que o acórdão pudesse interromper a prescrição, seria imperiosa a
redução do prazo prescricional nos termos do art. 115 do CP, pois o embargante tinha 74
anos quando do julgamento do recurso de apelação, bem como que ocorreu a prescrição a
pretensão executória pois a sentença transitou em julgado para a acusação em 20/12/2006.
O acórdão embargado encontra-se assim fundamentado (fls. 6.705-6722):
[...] Os embargos de declaração opostos pela defesa de M. de M. C. C. F. à decisão
monocrática com propósito meramente infringente devem ser recebidos como agravo
regimental, com base no princípio da fungibilidade recursal, notadamente porque
oportunizada a complementação das razões recursais, nos termos do art. 1.024, § 3º,
do CPC c/c art. 3º do CPP.
Ressalte-se, ainda, que a incidência da Súmula 7/STJ impede o exame do dissídio
jurisprudencial deduzido nas razões do recurso especial.
Por sua vez, a decisão recorrida assim referiu (fls. 6597/6609):
Inicialmente, afasto a tese de violação ao art. 619 do CPP, porquanto o acórdão
recorrido enfrentou todos os pontos relevantes ao deslinde da controvérsia,
adotando, contudo, solução jurídica contrária aos interesses do recorrente, não
havendo falar, assim, em negativa de prestação jurisdicional.
Conforme a jurisprudência desta Corte, somente a omissão relevante à solução
da controvérsia não abordada pelo acórdão recorrido constitui negativa de
prestação jurisdicional e configura violação do art. 619 do Código de
Processo Penal (REsp 1653588/MG, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS
JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em 13/06/2017, DJe 21/06/2017).
Quanto à tese de inépcia da inicial e de violação ao princípio da correlação, esta
Corte Superior firmou entendimento no sentido de que a discussão acerca da
inépcia da denúncia perde força diante da superveniência de sentença penal
condenatória. Confira-se:
RECURSO ESPECIAL. PENAL. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. JULGADO
PROFERIDO EM HABEAS CORPUS. INAPTIDÃO PARA COMPROVAÇÃO
DA DIVERGÊNCIA. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADO.
PERDA DO CARGO PÚBLICO. FUNDAMENTAÇÃO CONCRETA.
AUSÊNCIA. SÚMULA N. 418 DO STJ. CANCELAMENTO. DISPOSITIVOS
CONSTITUCIONAIS. ANÁLISE. IMPOSSIBILIDADE. INÉPCIA DA
DENÚNCIA. INEXISTÊNCIA. ABSOLVIÇÃO. ILICITUDE DAS PROVAS.
REEXAME DE PROVAS. NECESSIDADE. SÚMULA N. 7 DO STJ.
AGRAVANTE DO ART. 61, II, "G", DO CP. CONFIGURAÇÃO.
Documento: 1987508 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 02/12/2020 Página 7 de 5
CONTINUAÇÃO DELITIVA. FRAÇÃO. FREQUÊNCIA DOS ATOS
COMPROVADA. MANUTENÇÃO. AGRAVO DA DEFESA CONHECIDO E
RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO. RECURSO ESPECIAL DO MPDFT
PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESTA EXTENSÃO, NÃO PROVIDO.
[...]
7. A prolação de sentença condenatória esvai a análise do pretendido
reconhecimento de inépcia da denúncia. Isso porque, se, após toda a análise do
conjunto fático-probatório amealhado aos autos ao longo da instrução criminal, já
houve um pronunciamento sobre o próprio mérito da persecução penal
(denotando, ipso facto, a plena aptidão da inicial acusatória), não há mais sentido
em se analisar eventual inépcia da denúncia.
[...]
12. Agravo em recurso especial da defesa conhecido para negar provimento ao
recurso especial. Recurso especial do Ministério Público parcialmente conhecido
e, nesta extensão, não provido. Execução imediata da pena determinada.
(REsp 1370568/DF, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA
TURMA, julgado em 23/05/2017, DJe 30/05/2017.)
Quanto às alegações de cerceamento de defesa em razão da juntada de
documentos "por linha", de desconsideração das provas defensivas na apreciação
do recurso de apelação, da utilização de provas ilícitas, ausência de dolo, bem
como do indeferimento da prova testemunhal requerida, tenho que o recurso
esbarra na Súmula 7/STJ.
Com efeito, o Tribunal a quo, soberano na análise das provas dos autos,
utilizou-se dos seguintes fundamentos para manter a condenação (fls.
5.863/5.866):
Pelo teor dos depoimentos acima, da comprovação de representação das
empresas, da grandiosidade dos valores movimentados e do vulto dos
documentos assinados, não há como negar que os réus, voluntária e
conscientemente se tornaram sócios, procuradores e/ou beneficiários das
múltiplas empresas ligadas, direta ou indiretamente, às atividades financeiras
ilícitas do Banco Santos S.A.
Os acusados, embora tentassem se eximir de suas responsabilidades, não
puderam evitar a revelação nítida de que, através das empresas que
representavam ou dirigiam, permitiram o reingresso no país de valores sem
vinculação com sua origem clandestina, em prol do BANCO SANTOS S/A e, em
última análise, de Edemar Cid Ferreira e seus familiares.
O cenário que emerge de provas colhidas nos autos revela com clareza que as
transações bancárias travadas a título de investimentos em empresas brasileiras,
na verdade, representavam entradas de valores clandestinos que estavam no
exterior, já que tudo girava em torno de um mesmo "eixo", cujo centro eram o
BANCO SANTOS S/A e seu mandante maior.
Nesse panorama divisam-se outros fatos relevantes para a exata compreensão do
comportamento atribuído aos acusados. São eles:
a) a fls. 1815/1831 o Banco Central informou os dados das operações de câmbio
registradas no SISBACEN exclusivamente relativas a ingressos de divisas no
Brasil no período de 01/05/1996 a 24/05/2006, a título de investimentos
estrangeiros e empréstimos, tendo como beneficiárias as empresas Maremar,
Atlanta, Cid Collection, Rutherford, Alpha e Brasilconnects, nos valores,
respectivos de USD 281.952.116,87; USD 51.748.000,00; USD 2.560.000,00;
USD 6.110.000,00; USD 27.570.000,00; USD 1.014.500,00.
b) de acordo com os contratos sociais registrados na Junta Comercial do Estado

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de São Paulo, as empresas Maremar, Atlanta, Hyels e Cid Collection aumentaram
seus capitais sociais, desde as suas constituições e até o ano de 2004, em
35.600%, 6.200%, 0% e 74.000%, respectivamente.
Resumidamente, então, desvela-se o seguinte quadro de envolvimento dos
acusados:
1) a empresa Maremar tinha como sócia minoritária Mareia e majoritária a
empresa Valence, a qual era representada também por MARCIA, situação mantida
quando da substituição da Valence Principie. Veja-se, pois, o caráter dúplice da
atuação de MÁRCIA no âmbito da Valence. Tal empresa recebeu aporte das off
shores e com isso teve um aumento de seu capital social da ordem de 35.600%.
2) A empresa Atalanta tinha como sócias minoritárias MARCIA e EDNA, e como
majoritárias Principie e Bluesheel, a primeira representada por EDNA e a segunda
por MARCIA, tendo recebido das off shores o valor de US$ 51.748.000,00, o
que representou um aumento de capital na ordem de 6.200%. A empresa Hyles
tinha como sócia majoritária a empresa Wailea que era representada por EDNA,
sendo MARCIA e Rodrigo (filho de Edemar) os gerentes delegados.
3) A sociedade Cid Collection tinha como acionista majoritária a empresa Wailea,
que era representada por Rodrigo e era presidida por MARCIA, e recebeu da off
shore o valor de US$ 2.560.000,00, para um aumento do capital na ordem de
74.000%.
4) Por fim, a Rutherford, cujos sócios eram RENELLO e RUY, recebeu das off
shores o valor de US$ 6.110.000,00 como ingresso de divisas, o que, somado
aos demais recebimentos internos, atingiu US$ 170.439.812,89.
O entrosamento que vinculava essas entidades financeiras e seus
dirigentes/representantes torna claro o objetivo comum: o reingresso de dinheiro
"lavado", o que resta sem qualquer dúvida quando se verifica que muitas dessas
empresas tinham o mesmo endereço ou caixa postal. Após se observar diversas
alterações de endereços, chega-se à seguinte conclusão: (I) as empresas
Maremar, Hyles, Atalanta apresentavam como endereço a Rua Dr. Guilherme
Bannitz, n° 126, 2o andar, conjuntos 26, 38 e 50, respectivamente; (II) a Cid
Ferreira Collection, que inicialmente tinha como endereço a Rua Hungria n° 110,
então de propriedade do BANCO SANTOS S/A, alterou seu endereço para a Rua
Mergenthaler, n° 900, onde se situava o depósito das obras de arte de Edemar.
Com relação às empresas off shore, temos o seguinte quadro: a Blueshell Inc.,
Bokara Corporation e Wailea Corporation apresentavam como endereços a
Vanterpool Plaza, Wickhams Cay, Road Town, Tortola, Ilhas Virgens Britânicas.
A Blueshell tinha como endereço a caixa postal PO Box 873. A Bokara e Wailea
estão localizadas no 2o andar. Consta no estatuto da Wailea que a caixa postal PO
Box 873, localizada no endereço acima mencionado, pertence ao escritório dos
advogados que a constituíram, qual seja, Icaz, Gonzáles-Ruiz & Aleman (BVI)
Trust Limited.
As empresas off shore panamenhas Valence Interprises e Principie Interprises
apresentam o mesmo endereço, Bank of America Building, 59, Street, cidade do
Panamá.
Vale também relembrar que a construção da mansão da Rua Gália igualmente se
inseriu no processo de lavagem de dinheiro.
Insta salientar que, para a configuração do crime de lavagem de dinheiro, basta
que o autor do crime saiba ou suponha saber que a fonte originária dos ativos
e/ou bens dos bens é uma infração penal (artigo Io, caput, e seu parágrafo 2º,
inciso I, da Lei 9613/98); não se exige que o agente conheça exatamente a
descrição da modalidade típica de onde advieram os ativos que são branqueados.
O cenário que se descortina do acervo probatório mostra que todos tinham
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conhecimento de que os elevados valores movimentados eram provenientes de
ilícito.
Convém recordar nesse ponto que o art. 1º da Lei n° 9.613/98 prescinde de dolo
específico, contentando-se com o dolo genérico (NUCCI, Leis penais e
processuais penais comentadas, p. 828, RT) e esse elemento subjetivo é visível
nas situações e condutas dos corréus. Deveras, o profundo envolvimento deles
com figuras que notoriamente tem a ver com a lavagem de ativos desvela o dolo
que os animou.
A propósito, ressalto que a ré MARCIA era a sócia fictícia mais freqüente.
Figurava como sócia das empresas Maremar, Atalanta, Cid Ferreira Collection,
além de ser presidente e posteriormente gerente da empresa Hyles, e
representante das off shores Valence, Principie e Blueshell.
Como representante da Valence, depositou um milhão de dólares na empresa
DOME, que se apresentou inicialmente como dona do Bank of Europe, o qual
posteriormente passou a ser controlado pela Fribourg Trust (cujo settlor era a
própria Márcia) - sucedido pelo Eurotrust.
Apesar de tentar aparentar cândida inocência ao se apresentar como uma
"senhora do lar", Márcia é mulher instruída, formada em engenharia, criada às
voltas com o mundo político. Beiram o absurdo suas juras de "ingenuidade e
completa ignorância" quanto ao teor, à origem e à conseqüência dos documentos
que assinava, ou quando transacionava diuturnamente milhões de reais
representando diversas empresas, muitas delas sediadas em "paraísos fiscais";
além disso, Márcia beneficiava-se diretamente do excessivo luxo proporcionado
pelo dinheiro ilicitamente movimentado em favor do Banco Santos S.A. e de seu
marido.
Nem de longe a condenação dos corréus deriva do singelo fato de seus nomes
estarem em contratos sociais de empresas.
A prova dos autos escancara de modo contundente que o reingresso do dinheiro
espúrio supostamente movimentado por Edemar e seus associados somente foi
possível graças à eficaz e pronta colaboração de MARCIA, RUY e RENELLO.
A Corte de origem, soberana na apreciação da matéria fático-probatória, concluiu
que a conduta imputada à recorrente se subsume ao tipo previsto no art. 1º, inciso
VI, c/c § 4°, da Lei 9.613/98, porque comprovadas a materialidade e a autoria do
delito, bem como que as provas carreadas aos autos seriam idôneas a embasar o
édito condenatório em desfavor dos acusados. Desta forma, a pretensão de
afastamento da condenação, bem como o acolhimento do pleito de cerceamento
de defesa, exigiriam revolvimento fático-probatório, o que encontra óbice na
Súmula 7/STJ.
Conforme a orientação jurisprudencial do STJ, a produção de provas é ato
norteado pela discricionariedade regrada do julgador, podendo ele, portanto,
soberano que é na análise dos fatos e das provas, indeferir motivadamente as
diligências que considerar protelatórias e/ou desnecessárias (AgRg no AREsp
186.346/SP, Rel. Min. MARCO AURÉLIO BELLIZZE, QUINTA TURMA,
DJe 21/09/2012). A propósito, colaciono os seguintes precedentes:
AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. PROCESSO PENAL E
PENAL. VIOLAÇÃO DO ART. 619 DO CPP. FUNDAMENTAÇÃO
DEFICIENTE. SÚMULA 284/STF. ESTELIONATO PRATICADO POR
POLICIAL FEDERAL. INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIAS. SÚMULA
7/STJ. PRINCÍPIO DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO.
ABSOLVIÇÃO. MATÉRIA EMINENTEMENTE FÁTICA. FUNDAMENTAÇÃO
PER RELATIONEM. POSSIBILIDADE. DOSIMETRIA. AUSÊNCIA DE
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ILEGALIDADE. CIRCUNSTÂNCIA JUDICIAL NEGATIVA. BIS IN IDEM.
NÃO OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO.
SUBSTITUIÇÃO DA PENA CORPORAL POR MULTA. NÃO CABIMENTO.
[...]
2. O exame acerca da necessidade de realização das diligências pleiteadas pela
defesa no caso específico dos autos demandaria a revisão das provas dos autos,
o que não se admite nesta instância extraordinária, a teor do disposto na Súmula 7
deste Superior Tribunal de Justiça.
3. De acordo com o princípio do livre convencimento motivado, "a produção de
provas é ato norteado pela discricionariedade regrada do julgador, podendo ele,
portanto, soberano que é na análise dos fatos e das provas, indeferir
motivadamente as diligências que considerar protelatórias e/ou desnecessárias"
(AgRg no AREsp 186.346/SP, Rel. Min. MARCO AURÉLIO BELLIZZE,
QUINTA TURMA, DJe 21/09/2012).
4. O acolhimento da alegação de inexistência de provas suficientes da autoria e de
inexistência de dolo também demandaria a alteração das premissas
fático-probatórias estabelecidas na instância ordinária, o que é vedado em sede de
recurso especial, nos termos do enunciado da Súmula 7/STJ.
[...]
11. Agravo regimental improvido.
(AgRg no REsp 1460492/SC, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS
MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 18/06/2015, DJe 30/06/2015.)
O mesmo óbice sumular deve ser aplicado no que se refere ao pleito de
reconhecimento da participação de menor importância. Com efeito, aferir a
importância da participação de cada agente na empreitada criminosa demandaria
amplo revolvimento fático, inadmissível a teor da Súmula 7/STJ. Confira-se:
PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM
RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE VIGÊNCIA AOS ARTS. 157, § 3º, E
211, AMBOS DO CP. ABSOLVIÇÃO POR AUSÊNCIA DE DOLO.
MALFERIMENTO AO ART. 29 DO CP. PARTICIPAÇÃO DE MENOR
IMPORTÂNCIA. OFENSA AOS ARTS. 129 E 147, AMBOS DO CP. PLEITO
DE DESCLASSIFICAÇÃO DE LATROCÍNIO PARA LESÕES CORPORAIS E
PARA AMEAÇA. IMPRESCINDIBILIDADE DE EXAME DO ARCABOUÇO
PROBATÓRIO. VEDAÇÃO. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL A QUE
SE NEGA PROVIMENTO.
1. É assente que cabe ao aplicador da lei, em instância ordinária, fazer um cotejo
fático probatório a fim de analisar a existência de dolo na conduta do agente, o
adequado enquadramento da conduta ao tipo legalmente previsto, assim como o
grau de participação de cada acusado na empreitada criminosa. Nesse contexto,
verifica-se não possuir esta senda eleita espaço para a análise das matérias
suscitadas pelo recorrente, cuja missão pacificadora restara exaurida pela
instância ordinária. Incidência da Súmula 7/STJ.
2. Agravo regimental a que se nega provimento.
(AgRg no AREsp 531.986/PR, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS
MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 19/08/2014, DJe 01/09/2014.)
A defesa sustenta, ainda, a equivocada aplicação do instituto da conexão no caso
dos autos.
Entende que, se o Parquet, no curso da ação penal, vislumbrou a possível
participação de outras pessoas no delito que já se encontrava em apuração,
deveria então ter aditado a inicial a fim de acrescentar os novos autores no
pólo passivo da ação e não ter oferecido nova denúncia, em autos
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apartados, como se os fatos tratados em ambos fossem apenas conexos,
isolando a prova e a defesa de autores e partícipes (fl. 5.968). Argumenta
que não se pode afirmar a conexão fora das espécies descritas nos incisos
do art. 76 do CPP. Mas, ainda que se pudesse separar o feito com base
nesse instituto, ex vi do art. 80 do CPP, o desmembramento não poderia
acarretar cerceamento de defesa para nenhum dos acusados (fl. 5.970).
A seguir, transcrevo os fundamentos utilizados pela Corte de origem para afastar
as teses recursais (fls. 5.834/5.836):
2) MARCIA e RUY protestam também, sem razão, pela nulidade da decisão que
recebeu a denúncia, uma vez que a persecutio, na verdade, deveria ser oferecida
como aditamento da denúncia ofertada no processo dito principal.
Quando do oferecimento da denúncia a acusação assim consignou (fls. 25/29):
(...)
Como se pode observar do próprio texto da denúncia, embora o objeto da
presente inicial não seja diretamente a gestão fraudulenta do Banco Santos S/A.,
como tratada nos autos 2004.61.81.008954-9, e os denunciados não integrem
aquela lide, há muitos pontos de intersecção com os fatos tratados naqueles
autos. Assim, por entender que existe conexão probatória entre os
procedimentos, nos termos do disposto no art. 76, III do CPP, tenho esse juízo
por competente para apreciar os fatos aqui narrados. Em função da fase adiantada
do outro processo, dos fatos narrados serem diversos, embora, como já se disse,
relacionados, e os denunciados serem estranhos àquele procedimento, acredito,
apesar da alegada conexão, não estarmos diante de hipótese que indique o
aditamento da denúncia então oferecida.
(...)
O Juízo a quo, por sua vez, recebeu a exordial com o seguinte fundamento (fls.
871/882):
(...)
Como afirmado na cota introdutória à presente inicial acusatória (fls. 25/29),
embora as pessoas agora denunciadas não figurem no rol dos acusados na Ação
Penal n.o 2004.61.81.008954-9, os fatos ora narrados guardam absoluta relação
com os tratados naquele feito, havendo evidente vinculo entre eles.
É que a imputação destinada, aqui, a HUBERT EDOUARD SECRETAN,
MÁRCIA DE MARIA DA COSTA CID FERREIRA, EDNA FERREIRA DE
SOUZA E SILVA, RENELLO PARRINI e RUY RAMAZ1NI relacionam-se à
suposta ocultação da propriedade de bens e à origem de valores que seriam
decorrentes da gestão fraudulenta do Banco Santos S.A, ao cederem, conscientes
e voluntariamente, a título oneroso ou gratuito, seus nomes e dados pessoais,
com vistas à integração, como sócios, procuradores ou beneficiários, de
empresas nacionais e estrangeiras e trusts sediadas em paraísos fiscais. Ao
denunciado HUBERT EDOUARD SECRETAN imputa-se, ainda, o fato de que
teria atuado diretamente, na qualidade de advogado e consultor suíço, na
montagem da estrutura de controle societário do Bank of Europe - BoE, que fora
constituído, segundo a imputação, para atuar na clandestinidade, mas
formalmente estaria sediado em Antigua.
Assim, constata-se, neste juízo de admissibilidade da acusação, que o vínculo
referido aflorou, em tese, mais evidente ao observar-se que a gestão fraudulenta
da instituição financeira Banco Santos S.A teria rendido ensejo à criação de uma
gama de empresas (nacionais e estrangeiras) com vistas à lavagem dos valores
desviados daquela instituição, quase todas elas mencionadas nos autos da Ação
Penal n.o 2004.61.81.009854-9, denotando o enredamento das supostas

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atividades ilícitas, a autorizar e reforçar a competência deste Juízo, ainda que
tenham trâmite em separado.
Isto porque, os autos da Ação Penal acima referida encontram-se em fase
adiantada da instrução processual (praticamente encerrada), sendo inquiridas
todas as testemunhas de Defesa residentes nesta capital, remanescendo a oitiva
daquelas arroladas pelos réus e que serão inquiridas por meio de cartas
precatórias e rogatórias (cujo prazo concedido está para terminar). Tal
circunstância, além de ter desaconselhado, como asseverou o Parquet Federal, o
aditamento à denúncia, justifica também o trâmite em separado de ambos os
feitos, não obstante a imposição da distribuição por dependência à Ação Penal n°
2004.61.81.008954-9.
Desta feita, considerando as circunstâncias acima apontadas, há fundamento legal
à distribuição por dependência, não obstante tratar-se da hipótese prevista no
artigo 76, inciso I (conexão intersubjetiva), II (conexão material, lógica ou
teleológica) e III (conexão probatória), do Código de Processo Penal, em
observância necessária à regra do juízo natural.
E inegável a existência de pontos de contato entre os fatos e os fundamentos
jurídicos da pretensão persecutória aqui em vias de instauração e os da Ação
Penal já mencionada. No caso de que ora se cuida, a pretensão acusatória
cinge-se à apuração de delito tipificado na Lei de Lavagem de Valores, crime que
embora tenha objetividade jurídica semelhante a um dos tipos imputados na Ação
Penal nº 2004.61.81.008954-9, refere-se a pessoas, como já se afirmou, não
incluídas no seu rol de denunciados (conexão intersubjetiva), perpetrados os
delitos, supostamente, com vistas a facilitar ou ocultar as infrações precedentes
ou para conseguir a impunidade ou vantagem em relação a quaisquer delas,
inclusive da lavagem de valores (conexão material, lógica ou teleológica).
Evidente, por fim, que a prova das infrações ou de suas circunstâncias
elementares a serem produzidas na Ação Penal já mencionada pode influir nesta
demanda ou vice-versa (conexão probatória). Assim, com tais fundamentos e
lastreado no artigo 80 do Código de Processo Penal (motivo relevante),
conveniente mostra-se a separação dos feitos, apesar da evidente conexão nas
suas três modalidades apontadas.
De outra banda, há que se pontuar que a denúncia ora oferecida não esteve
amparada em nova ou autônoma investigação empreendida pelo órgão ministerial,
mas sim, em um aprofundamento das investigações já existentes, possibilitando
melhor divisar as atividades de empresas e de seus responsáveis que
supostamente atuavam como verdadeiras empresas voltadas à lavagem de valores
e os mecanismos por elas engendrados para a prática de delito tipificado na Lei de
regência, assim como permitiu começar a se dilucidar a ligação entre elas,
situação que melhor se esclarecerá no decorrer da instrução criminal.
(...)
Como se vê, o recebimento da denúncia e a prevenção do Juízo originário foram
devidamente fundamentados, não havendo qualquer nulidade na separação dos
processos conexos. Tal procedimento, aliás, é garantido no artigo 80 do Código
de Processo Penal.
Preliminar rejeitada.
Dessume-se da fundamentação supra que, em que pese a conexão entre as
causas (art. 76, incisos I, II e III, do CPP), as instâncias ordinárias justificaram a
separação dos processos conexos com fundamento no art. 80 do CPP, que
dispõe:
Art. 80 - Será facultativa a separação dos processos quando as infrações tiverem
sido praticadas em circunstâncias de tempo ou de lugar diferentes, ou, quando
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pelo excessivo número de acusados e para não Ihes prolongar a prisão provisória,
ou por outro motivo relevante, o juiz reputar conveniente a separação.
No caso, tenho que a separação dos processos ficou devidamente justificada,
mormente porque, conforme explicitado no aresto combatido, os autos da ação
penal dita conexa já se encontrariam com instrução processual praticamente
encerrada (iminência de término do prazo para cumprimento das cartas
precatórias e rogatórias), o que justificaria o trâmite em separado de ambos os
feitos, não obstante a imposição da distribuição por dependência.
Conforme a jurisprudência desta Corte, ainda que configurada hipótese de
conexão entre as causas, o art. 80 do Código de Processo Penal faculta ao juiz a
separação dos feitos, se as peculiaridades do caso concreto assim exigirem.
Nesse entendimento, colaciono os seguintes precedentes desta Corte:
RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. DESMEMBRAMENTO DOS
AUTOS, NA ORIGEM, A PEDIDO DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL.
JULGAMENTO DOS RÉUS QUE NÃO DETINHAM PRERROGATIVA DE
FORO PELO JUÍZO DE PRIMEIRO GRAU. VALIDADE. TRANCAMENTO DO
PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO NÃO PROVIDO.
1. O art. 80 do Código de Processo Penal confere ao juiz a faculdade de
determinar a separação dos processos - reunidos por força de conexão de crimes
-, atendendo a razões de mera conveniência judicial.
2. É regra geral o desmembramento de inquéritos ou de ações penais de
competência do Supremo Tribunal Federal em relação a agente não detentor de
foro especial, o que ora se aplica em termos análogos.
3. Ao oferecer a denúncia, o Ministério Público local deixou clara a complexidade
dos fatos e, diante do elevado número de investigados, "tornou-se absolutamente
imperioso que se procedesse o desmembramento das investigações sob pena
tornar-se absolutamente inviável sua conclusão". Explicitou, ainda, que as
denúncias foram agrupadas pelas categorias de investigados, sendo a dos autos
composta por "aqueles que se intitulam, eufemisticamente, 'empresários' e
'corretores de terras'".
4. Diante do contexto apresentado e dada a afirmação do Tribunal de que não
havia comprovação de denúncia ofertada contra os corréus prefeitos, não há falar
em violação do princípio do juiz natural e consequente trancamento do feito.
5. Recurso ordinário em habeas corpus não provido.
(RHC 34.440/MG, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA,
julgado em 22/11/2016, DJe 06/12/2016)
PROCESSUAL PENAL. RECURSO EM HABEAS CORPUS. OPERAÇÃO
"LAVA-JATO". ALEGAÇÃO DE VÍCIOS NAS INTERCEPTAÇÕES
TELEFÔNICAS. INOCORRÊNCIA. BUSCA E APREENSÃO. RECORRENTE
ADVOGADO QUE, ENTRETANTO, DESEMPENHAVA FUNÇÕES EM LOCAL
QUE NÃO SE CONFIGURA ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA E QUE NÃO
CORRESPONDIAM À NATUREZA DE SUA QUALIFICAÇÃO
PROFISSIONAL. NÃO INCIDÊNCIA DAS PRERROGATIVAS DA LEI
8906/94. AUSÊNCIA DE NULIDADE. CONEXÃO E SEPARAÇÃO DE
PROCESSOS. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. NECESSIDADE
DE ASSEGURAR TRAMITAÇÃO DE PROCESSOS COMPLEXOS EM PRAZO
RAZOÁVEL. RECURSO DESPROVIDO.
I - A complexidade dos fatos em apuração na Operação "Lava-Jato" justificam as
prorrogações havidas quanto às interceptações telefônicas, mormente porque
decorrentes de decisões suficientemente fundamentadas.
II - Não se afasta da excepcionalidade inerente à interceptação telefônica a sua
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determinação em decisão que se coaduna aos termos da Lei 9296/96.
III - Não enseja nulidade a ausência de transcrição de todos os diálogos captados
na interceptação telefônica, visto que se trata de medida tendente à investigação
de fatos criminosos. PRECEDENTES.
IV - Sem a comprovação de prejuízo, não se declara a nulidade de toda a
interceptação telefônica, quando as questões técnicas que lhe são inerentes
tenham ensejado a captação de diálogos no interregno entre a decisão judicial e a
comunicação às operadoras de telefonia.
V - Ausentes os pressupostos para fazer incidir a Lei 8906/94, a busca e
apreensão não adquire contornos especiais pelo simples fato de recair sobre
acusado que ostenta a condição de advogado.
VI - As ações penais referentes à "Operação Lava-Jato" denotam, per si,
complexidade maior que permite ao Magistrado, em juízo discricionário, cindir o
feito, garantindo, destarte, uma prestação jurisdicional mais efetiva e uma duração
razoável do processo. Assim, não obstante o fato de a conexão e a continência
implicarem, em regra, a unidade do processo, o doutrinariamente chamado
simultaneus processsus, conforme o art. 79 do CPP, o art. 80 do referido
diploma legal faculta ao juiz a separação dos feitos, se as peculiaridades do caso
concreto assim exigirem. (Precedente).
Recurso desprovido.
(RHC 55.815/RS, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em
04/10/2016, DJe 11/10/2016)
Por fim, no que se refere à dosimetria da pena, alegam ter havido violação ao art.
59 do CP, pois os acórdãos recorridos, no anseio de corrigir a falta de
fundamentação na imposição da pena, utilizaram elementos ínsitos ao
próprio tipo penal para exasperar a reprimenda imposta à defendente (fl.
5.981), implicando, assim, indevido bis in idem.
No tocante à exasperação, o Tribunal de origem assim referiu (fls.
5841-5842/5867-5868):
O Juízo originário, no tópico destinado à dosimetria da pena, fez uma síntese dos
delitos apurados e do grau de envolvimento de cada condenado, ressaltando
sempre a exacerbada gravidade dos fatos delituosos, a complexidade das
condutas, as desastrosas conseqüências para todo o Sistema Financeiro Nacional,
além de diversas outras circunstâncias que rodearam todo o cenário criminoso
praticado pelos réus deste processo e do processo principal. Vejamos alguns
trechos (fls. 4251/4284):
"(...)
Os acusados praticaram o delito, anuindo às condutas dos demais, quer porque
dessa forma continuariam a gozar da plena confiança de seu empregador, quer
pelo fato de assegurar os trabalhos de relevo por eles mantidos, quer para garantir
seus ganhos habituais e ou complementares, e , quer, finalmente, para permitir o
enriquecimento espúrio de Edemar Cid Ferreira.
(...)
As reiteradas condutas criminosas, mormente em período no qual o BACEN
efetuava intensa fiscalização na Instituição (notadamente entre os anos de 2001 a
2004), com operações entabuladas sem qualquer registro, demonstram extrema
relação de confiança que existia na organização delituosa, de tal sorte que fácil
concluir-se que houve violação de norma básica de direito penal que trata da
omissão penalmente relevante.
(...)
Também Márcia de Maria Costa Cid Ferreira, Renello Parrini e Ruy

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Ramazini foram essenciais para a perpetuação da ocultação da propriedade
de bens e a origem de valores provenientes da gestão fraudulenta do Banco
Santos S.A., e cederam, conscientes e voluntariamente, a título oneroso,
ou, por vezes, gratuito, seus nomes, integrando, como sócios, procuradores
ou beneficiários, empresa nacionais e estrangeiras e trusts, possuindo
condições mais que claras de constatar a origem espúria dos ganhos do
ex-controlador do Banco Santos S.A. No mínimo, desconfiavam que a fonte de
seus bens não era legítima (proveniente de diversos crimes financeiros), mas
persistiram, mediante dolo direto ou eventual, com a prática por lhes ser
vantajosa.
Os acusados Márcia de Maria Costa Cid Ferreira, Renello Parrini e Ruy Ramazini
devem ser responsabilizados pela violação ao artigo 1o, inciso VI, da Lei n°
9.613/1998, lavagem de valores por meio da ocultação da origem e da
propriedade dos valores provenientes diretamente dos crimes tipificados no artigo
4o, caput, da Lei n° 7492/1986, bem como os demais mencionados na acusação,
ficando a pena base fixada em 04 (quatro) anos de reclusão e ao pagamento de 13
(treze) dias-multa. Não existe em relação a este tipo circunstância atenuante ou
agravante.
Na terceira fase da dosimetria da pena deve ter aplicação a causa de aumento
estabelecida no § 4° do artigo 1o da Lei n° 9.613/1998 (habitualidade), o que
eleva a reprimenda em 1/3, perfazendo 05 (cinco) anos e 04 (quatro) meses de
reclusão e ao pagamento de 17 (dezessete) dias-multa".
Em suma, a pena aplicada aos réus foi suficientemente fundamentada, não
havendo que se falar em nulidade. Há inclusive em anexos da sentença tabelas
demonstrativas do cálculo da dosimetria.
[...]
Destaco que os réus têm a seu desfavor, com intensidade, o discurso do art. 59
do Código Penal: a culpabilidade do trio é intensa, diante dos fatos que
exaustivamente já foram reportados; ademais, suas condutas inserem-se em
circunstâncias criminosas complexas do mundo financeiro, estendendo-se
para além das fronteiras do Brasil, tendo eles colaborado eficazmente no
sucesso de crimes antecedentes que geraram prejuízos bilionários e
rumoroso descrédito para o sistema financeiro nacional.
Como se vê, o Juízo singular elevou a pena-base em 1 ano, tendo o Tribunal a quo
mantida a exasperação da sanção inicial, sob o fundamento de que os réus têm a
seu desfavor, com intensidade, o discurso do art. 59 do Código Penal: a
culpabilidade do trio é intensa, diante dos fatos que exaustivamente já foram
reportados; ademais, suas condutas inserem-se em circunstâncias
criminosas complexas do mundo financeiro, estendendo-se para além das
fronteiras do Brasil, tendo eles colaborado eficazmente no sucesso de crimes
antecedentes que geraram prejuízos bilionários e rumoroso descrédito para
o sistema financeiro nacional (fl. 5867), o que demonstra fundamentação
concreta, apta a ensejar a majoração da sanção inicial, diante da maior
reprovabilidade da conduta, notadamente pelo grave prejuízo causado.
Ademais, não se configura ofensa aos princípios do reformatio in pejus e ne bis
in idem no caso concreto, em razão do efeito devolutivo amplo de recurso de
apelação, uma vez que o Tribunal de origem, não obstante ter suplementado os
fundamentos, observou os limites da sanção estabelecida pelo Juízo sentenciante,
bem como as circunstâncias fáticas delineadas na sentença condenatória, que
desborda da reprovabilidade ínsita ao delito. Confiram-se os seguintes julgados:
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AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TRÁFICO
DE DROGAS. REFORMATIO IN PEJUS. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DA
CAUSA ESPECIAL DE DIMINUIÇÃO PREVISTA NO ART. 33, § 4º, DA LEI
N. 11.343/2006. DEDICAÇÃO A ATIVIDADES CRIMINOSAS.
PRECEDENTES DO STJ. REDUTOR MÍNIMO MANTIDO. AGRAVO
REGIMENTAL DESPROVIDO.
1. O Tribunal de origem não atua em reformatio in pejus quando ratifica a
pena-base acima do mínimo legal com fundamentos não elencados na sentença,
pois não houve agravamento da reprimenda cominada.
2. Verifica-se que a Corte a quo manteve a minorante na fração mínima,
considerando as circunstâncias e particularidades da causa, de modo que inviável
a modificação do patamar de redução nesta via.
3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp 1079010/ES, Rel. Ministro
JOEL ILAN PACIORNIK, QUINTA TURMA, julgado em 19/09/2017, DJe
27/09/2017).
PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM
RECURSO ESPECIAL. TENTATIVA DE HOMICÍDIO DUPLAMENTE
QUALIFICADO. DOSIMETRIA. PENA-BASE. ACRÉSCIMO DE
FUNDAMENTOS PELO TRIBUNAL A QUO. JUSTIFICATIVA IDÔNEA.
REFORMATIO IN PEJUS. NÃO OCORRÊNCIA. EFEITO DEVOLUTIVO DA
APELAÇÃO. REVALORAÇÃO DOS FATOS E CIRCUNSTÂNCIAS DO
DELITO. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. AGRAVO
REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO.
1. Esta Corte Superior de Justiça considera ser possível nova ponderação dos
fatos e circunstâncias para manter o percentual de aumento da pena-base, mesmo
tratando-se de recurso exclusivamente defensivo, sem que se incorra em
reformatio in pejus, desde que não seja agravada a situação do réu. Ressalva do
entendimento desta relatora.
2. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no AREsp 1119616/MG,
Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado
em 05/09/2017, DJe 18/09/2017).
Incide, pois, a Súmula 83/STJ.
Ante o exposto, nego provimento aos agravos em recurso especial.
Sabe-se que não está o Magistrado obrigado a rebater, pormenorizadamente, todas
as questões trazidas pela parte, configurando-se a negativa de prestação jurisdicional
somente nos casos em que o Tribunal de origem deixa de emitir posicionamento
acerca de matéria essencial, o que não ocorre na presente hipótese (REsp 1259899,
Rel. Ministra Assusete Magalhães, DJ de 7/4/2014).
Como se vê, o acórdão recorrido enfrentou todos os pontos relevantes ao deslinde da
controvérsia, tendo adotado, contudo, solução jurídica contrária aos interesses do
recorrente. Ausente, portanto, a alegada negativa de prestação jurisdicional. Nesse
sentido:
AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. EVASÃO DE DIVISAS.
INÉPCIA DA DENÚNCIA E PROVA PERICIAL. AUSÊNCIA DE
PREQUESTIONAMENTO. CÓPIA INTEGRAL DO PROCESSO DO QUAL
FORAM EXTRAÍDAS PROVAS EMPRESTADAS. DESNECESSIDADE.
COMPARTILHAMENTO DE DADOS SIGILOSOS. INSTITUIÇÕES DE
CONTROLE. POSSIBILIDADE. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. NÃO
OCORRÊNCIA. CONDUTA DEVIDAMENTE INDIVIDUALIZADA.
NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO PROCEDÊNCIA.
AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
Documento: 1987508 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 02/12/2020 Página 17 de 5
[...]
5. O simples fato de não se refutarem expressamente todos os argumentos
expostos pela defesa, de per si, não significa ausência de prestação jurisdicional
quando a motivação apresentada possibilita aferir as razões pelas quais se
acolheram ou rejeitaram as pretensões deduzidas.
6. Agravo regimental não provido.
(AgRg no REsp 1322125/SC, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ,
SEXTA TURMA, julgado em 18/10/2018, DJe 08/11/2018.)
A denúncia ou queixa, à luz do disposto no art. 41 do Código de Processo Penal,
deve conter a descrição do fato criminoso, com todas as suas circunstâncias, a
definição da conduta do autor, sua qualificação ou esclarecimentos capazes de
identificá-lo, bem como, quando necessário, o rol de testemunhas.
Extrai-se, do presente caso, que há razoável descrição dos fatos imputados ao
agravante, sendo que a descrição pormenorizada de fatos não alteraram a conduta
típica, tampouco impediram a defesa do acusado.
Dessa forma, a denúncia descreve os fatos ilícitos, possibilitando identificar os
elementos probatórios mínimos para a caracterização do delito e o pleno exercício da
ampla defesa e do contraditório, em conformidade com o art. 41 do CPP, sendo,
inclusive, despiciendo o debate da viabilidade formal da persecutio quando já existe
acolhimento da acusação diante da prolatação de sentença condenatória, mantida em
grau recursal.
Logo, devidamente descritos fatos que se amoldam à figura típica, fica afastada a
tese de inépcia da denúncia. Nesse sentido:
AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO
EM RECURSO ESPECIAL. TRÁFICO ILÍCITO DE DROGAS. INÉPCIA DA
DENÚNCIA. INOCORRÊNCIA. ALEGAÇÃO DE INSUFICIÊNCIA
PROBATÓRIA. NECESSIDADE DE REVOLVIMENTO DE FATOS E
PROVAS. ÓBICE DO ENUNCIADO N. 7 DA SÚMULA DO STJ.
DOSIMETRIA. QUANTIDADE E NATUREZA DO ENTORPECENTE.
ART. 42 DA LEI ANTIDROGAS. CAUSA ESPECIAL DE DIMINUIÇÃO
DE PENA. ART. 33, § 4º, DA LEI N. 11.343/06. RÉU QUE SE DEDICA A
ATIVIDADES CRIMINOSAS. REGIME INICIAL FECHADO.
CABIMENTO.
I - Não padece de vício a denúncia que descreve a conduta delituosa e aponta
para a autoria, apresentando indícios suficientes para a deflagração da
persecução penal.
[...]
Agravo regimental desprovido. (AgInt nos EDcl no AREsp 731.889/SC, Rel.
Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 02/08/2016, DJe
12/08/2016.)
Incide, pois, a Súmula 83/STJ.
Com efeito, a prova se destina ao magistrado, que pode indeferi-la,
fundamentadamente, quando entender que é irrelevante, impertinente ou protelatória,
nos termos do que dispõe o art. 400, § 1º, do Código de Processo Penal.
Na espécie, portanto, não se vislumbra qualquer irregularidade no indeferimento da
prova, porquanto, não obstante o recorrente afirme sua imprescindibilidade, certo é
que vigora no sistema processual penal brasileiro o princípio do livre convencimento
motivado, em que o magistrado pode formar sua convicção, ponderando as provas
que desejar.
Documento: 1987508 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 02/12/2020 Página 18 de 5
Cabe ressaltar que, nos termos da jurisprudência desta Corte, "o art. 400, § 1º, do
CPP, autoriza o Magistrado a indeferir as provas que considerar irrelevantes,
impertinentes ou protelatórias, uma vez que é ele o destinatário da prova", não se
relevando, portanto, cerceamento de defesa o seu indeferimento fundamentado
(AgRg no RHC 113.646/PA, Rel. Ministro LEOPOLDO DE ARRUDA RAPOSO
(Desembargador Convocado do TJ/PE), Quinta Turma, DJe 8/10/2019). A esse
respeito:
AGRAVO REGIMENTAL. PROCESSUAL PENAL. AÇÃO PENAL
ORIGINÁRIA. FASE DE DILIGÊNCIAS. ART. 10 DA LEI 8.038/90.
JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRINCÍPIOS. CELERIDADE,
ECONOMIA E RAZOÁVEL DURAÇÃO DO PROCESSO. CONDUÇÃO
DA MARCHA PROCESSUAL. DEVER DO MAGISTRADO.
[...]
3. Apesar de as partes terem direito de ampla produção de provas que embasem
suas teses, o magistrado tem o dever de conduzir a instrução criminal com
celeridade e eficiência, o que implica indeferir as diligências protelatórias,
irrelevantes ou impertinentes, sobretudo na circunstância de o processo já se
encontrar suficientemente instruído. Precedentes.
[...]
5. Agravo regimental desprovido. (AgRg na APn 702/AP, Rel. Ministra NANCY
ANDRIGHI, CORTE ESPECIAL, julgado em 04/04/2018, DJe 10/04/2018.)
Nesse contexto, tendo sido reputado como desnecessária na origem, não há falar em
cerceamento de defesa, sendo certo que a reversão do julgado demandaria dilação
probatória, incabível pela via recursal, a teor da Súmula 7/STJ. A propósito:
AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.
DESVIO DE RECURSOS PÚBLICOS FEDERAIS EM PROVEITO
PRÓPRIO. ART. 1º, I, DO DL 201/67. CERCEAMENTO DE DEFESA.
DILIGÊNCIAS PROTELATÓRIAS. SÚMULA 7/STJ. PRECEDENTES.
DOSIMETRIA DA PENA. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE. AGRAVO
DESPROVIDO.
1. As instâncias ordinárias não dissentiram da orientação desta Corte, no sentido
de que ao Magistrado, mesmo no curso do processo penal, é facultado o
indeferimento, de forma motivada, das diligências protelatórias ou irrelevantes
para o deslinde da controvérsia. Cabe, outrossim, à parte requerente demonstrar a
real imprescindibilidade na produção da prova requerida. Rever as conclusões
adotadas, in casu, demandaria ampla incursão em aspectos fático-probatórios,
providência inadmissível na via eleita, a teor da Súmula n. 7/STJ.
[...]
3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp 514.979/PE, Rel. Ministro
REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em
20/02/2018, DJe 28/02/2018.)
Quanto à separação dos processos conexos, constata-se a existência de
fundamentação concreta, na medida em que se admite o desmembramento do
processo, diante da conveniência da instrução processual, mormente porque,
conforme consignado na decisão agravada, os autos da ação penal dita conexa já
se encontrariam com instrução processual praticamente encerrada (iminência
de término do prazo para cumprimento das cartas precatórias e rogatórias), o
que justificaria o trâmite em separado de ambos os feitos, não obstante a
imposição da distribuição por dependência, razão pela qual não há falar em
Documento: 1987508 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 02/12/2020 Página 19 de 5
nulidade. Nesse sentido:
PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO
ESPECIAL. FRAUDES EM LICITAÇÕES E CORRUPÇÃO. ARTS. 90 E 96,
V, DA LEI N. 8.666/1993. ARTS. 317 E 333 DO CÓDIGO PENAL.
OPERAÇÃO SAÚDE. COMPETÊNCIA. LUGAR EM QUE O CRIME SE
CONSUMOU. PREVENÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. CONEXÃO.
DESMEMBRAMENTO. CONVENIÊNCIA DA INSTRUÇÃO CRIMINAL.
[...]
2. Nos termos do art. 80 do Código de Processo Penal, processos conexos podem
ser desmembrados em nome da conveniência da instrução penal. Precedentes.
[...]
4. Agravo regimental improvido.
(AgRg no REsp 1807081/RS, Rel. Ministro ANTONIO SALDANHA
PALHEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 17/12/2019, DJe 19/12/2019)
Quanto à alegação de prova ilícita, admite-se o compartilhamento de prova em
processo conexo no processo penal, mormente porque não houve a demonstração da
ilicitude do material probatório nos autos originários, sendo certo que eventual
irregularidade procedimental demandaria o revolvimento do conjunto
fático-probatório, inadmissível a teor da Súmula 7/STJ.
No que tange à falta de conhecimento da prova pela Desembargadora Revisora, a
qual foi juntada posteriormente pela agravante, verifica-se que, além de não ficar
demonstrada a falta de ciência da Revisora, ficou consignado no acórdão recorrido
que tais documentos não existia nenhuma novidade ou influência neste feito (fl.
5518).
Sendo assim, infere-se que a desconstituição das premissas fáticas do acórdão
impugnado encontra óbice na Súmula 7/STJ.
Por sua vez, tendo o Tribunal de origem concluído, fundamentadamente, com base no
conjunto fático-probatório, pela autoria e materialidade delitiva, bem como por não
ficar caracterizada a participação de menor importância, o que não se revela
admissível rever tal posicionamento, nos termos do óbice da Súmula 7/STJ.
No que tange à dosimetria, verifica-se que a valoração negativa da culpabilidade,
assim considerada o maior ou o menor grau de reprovabilidade da conduta, porquanto
baseada em fato concreto, consubstanciado no modus operandi que ocasionou
grave prejuízo, justifica a exasperação da pena-base.
Relativamente à tese de reformatio in pejus, o tema foi tratado no acórdão
recorrido, o qual assentou que a adoção de fundamentação própria pelo Tribunal de
origem, sem alteração da sanção imposta, não enseja reforma para pior, sendo que
não veiculou o recorrente qualquer tese apta a afastar tal conclusão.
Nesse contexto, a jurisprudência desta Corte consolidou entendimento no sentido de
que é possível às instâncias ordinárias, mantendo a pena e o regime inicial aplicados
ao réu, lastrear-se em fundamentos diversos dos adotados na instância singular, ainda
que em recurso exclusivo da defesa, sem configurar ofensa ao princípio do ne
reformatio in pejus, desde que observados os limites da pena estabelecida pelo
Juízo sentenciante, bem como as circunstâncias fáticas delineadas na sentença e na
exordial acusatória, o que foi devidamente observado in casu. Nesses termos:
PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE
RECURSO PRÓPRIO. VIA INADEQUADA. RECEPTAÇÃO DE VEÍCULO
AUTOMOTOR. DOSIMETRIA. EXASPERAÇÃO DA PENA-BASE.
APELAÇÃO EXCLUSIVA DA DEFESA. INOVAÇÃO DE
Documento: 1987508 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 02/12/2020 Página 20 de 5
FUNDAMENTAÇÃO PELA CORTE A QUO. REFORMATIO IN PEJUS.
NÃO OCORRÊNCIA. PROFUNDIDADE DO EFEITO DEVOLUTIVO.
[...]
4. É dominante a jurisprudência desta Corte no sentido de que não há
impedimento de o Tribunal a quo, em julgamento de apelação exclusivo
da defesa, inovar na fundamentação, desde que não agrave a situação
penal do réu (HC 316.941/SP, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, QUINTA
TURMA, DJe 4/3/2016).
Ressalte-se, por fim, que a incidência da Súmula 7/STJ impede o exame do dissídio
jurisprudencial, na medida em que falta identidade entre os paradigmas
apresentados e os fundamentos do acórdão, tendo em vista a situação fática do
caso concreto, com base na qual deu solução à causa a Corte de origem (AgInt
no REsp 1842722/RS, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado
em 30/03/2020, DJe 02/04/2020). A propósito:
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PENAL E
PROCESSUAL PENAL. ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO.
FINANCIAMENTO DO TRÁFICO. RECURSO ESPECIAL PELA
DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. ACÓRDÃO
PARADIGMA EM HABEAS CORPUS. IMPOSSIBILIDADE.
CONDENAÇÃO. BUSCA E APREENSÃO. INTERCEPTAÇÃO
TELEFÔNICA. PROVA ORAL JUDICIAL E EXTRAJUDICIAL. REEXAME
PROBATÓRIO. SÚMULA N.º 7/STJ. RECURSO ESPECIAL NÃO
CONHECIDO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
[...]
3. A incidência da Súmula n.º 7/STJ impede o conhecimento do recurso
especial tanto no que tange à alegada violação à legislação federal (alínea
a) quanto em relação ao dissídio pretoriano (alínea c).
4. Agravo regimental desprovido.
(AgRg no REsp 1804625/RO, Rel. Ministra LAURITA VAZ, SEXTA TURMA,
julgado em 28/05/2019, DJe 05/06/2019)
Ante o exposto, voto por receber os embargos de declaração como agravo
regimental e negar provimento a todos os agravos regimentais.[...].

Nos termos do art. 619 do Código de Processo Penal, é cabível a oposição de


embargos de declaração quando houver ambiguidade, obscuridade, contradição ou omissão.
No caso, não há falar em vício no acórdão embargado, pois as questões suscitadas foram
devidamente apreciadas no acórdão embargado.
Quanto à alegação de prescrição suscitada em sede de embargos declaratórios,
verifica-se que o embargante foi condenado a 5 anos e 4 meses de reclusão, além do
pagamento de 17 dias-multa, pela prática do delito previsto no art. 1º, VI, da Lei n. 9.613/98
(fl. 5.160), motivo pelo qual, nos termos do art. 109, III, do CP, o prazo prescricional a ser
considerado é de 12 anos.
Do que consta dos autos, os fatos delituosos ocorreram entre os anos de 2001 a
2004 (fl. 5.148), a denúncia foi recebida por decisão publicada em 12/5/2006 (fls. 930-942),
a sentença foi publicada em 11/12/2006 (fl. 5.251) e o acórdão confirmatório da condenação
Documento: 1987508 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 02/12/2020 Página 21 de 5
foi publicado em 26/11/2012 (fl. 5.874), tendo o recurso especial sido inadmitido em
10/7/2013 (fl. 6.306) e o agravo em recurso especial não provido em 16/10/2019, pela
incidência dos óbices previstos nas súmulas n. 7 e 83/STJ.
Com efeito, conforme a pacífica jurisprudência desta Corte Superior, a redução do
prazo prescricional, prevista no art. 115 do Código Penal, é incabível nos casos em que
o acusado completa 70 anos de idade após a prolação da sentença condenatória (AgRg
no AREsp 949.110/AM, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em
17/10/2017, DJe 23/10/2017), como no caso em que o recorrente nasceu em 1938 (fl. 16).
Ademais, destaca-se que o Supremo Tribunal Federal, a partir do julgamento em
plenário do HC 176.473/RR, passou entender que somente há falar em prescrição diante da
inércia do Estado, não fazendo o art. 117, IV, do Código Penal "distinção entre acórdão
condenatório inicial e acórdão condenatório confirmatório da decisão", o que constituiria
marco interruptivo da prescrição punitiva estatal.
Por tal motivo, a Quinta e Sexta Turmas desta Corte Superior passaram a adotar o
referido entendimento, conforme se observa dos seguintes julgados:
PROCESSO PENAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO
REGIMENTAL NO RECURSO EM HABEAS CORPUS. PRESCRIÇÃO DA
PRETENSÃO PUNITIVA RECONHECIDA. ACÓRDÃO CONFIRMATÓRIO
DE CONDENAÇÃO. NOVO ENTENDIMENTO DO SUPREMO TRIBUNAL
FEDERAL. REVISÃO DO JULGADO.
EMBARGOS ACOLHIDOS. EFEITOS MODIFICATIVOS.
[...].
4. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do HC n.º 176.473, de
Relatoria do Exmo. Ministro Alexandre de Moraes, pacificou novo
posicionamento acerca do tema, fixando a premissa segundo a qual "[n]os
termos do inciso IV do artigo 117 do Código Penal, o Acórdão condenatório
sempre interrompe a prescrição, inclusive quando confirmatório da sentença
de 1.º grau, seja mantendo, reduzindo ou aumentando a pena anteriormente
imposta".
5. Necessidade de adequação da jurisprudência deste Tribunal ao entendimento
firmado pela Suprema Corte, de modo que o acórdão que confirma a condenação
seja considerado, também, marco interruptivo da prescrição.
6. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos infringentes, para que seja
afastada a ocorrência da prescrição da pretensão punitiva anteriormente reconhecida
(EDcl no AgRg no RHC 109.530/RJ, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA
TURMA, julgado em 26/05/2020, DJe 01/06/2020).

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PRESCRIÇÃO DA


PRETENSÃO PUNITIVA. ART. 117 DO CÓDIGO PENAL. ACÓRDÃO
CONFIRMATÓRIO. MARCO INTERRUPTIVO CONFIGURADO. NOVO
ENTENDIMENTO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECURSO DO
LAPSO TEMPORAL NECESSÁRIO PARA A OCORRÊNCIA DA
PRESCRIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE
AFASTADA. AGRAVO PROVIDO.
Documento: 1987508 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 02/12/2020 Página 22 de 5
1. É certo que a jurisprudência da Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça
firmou-se no sentido de que o acórdão que apenas confirma o decreto condenatório
não constitui marco interruptivo da prescrição.
2. Todavia, considerando-se que o Plenário do Supremo Tribunal Federal
iniciou o julgamento do HC 176.473/RR, de relatoria do Ministro
ALEXANDRE DE MORAES, concluindo que "somente há se falar em
prescrição diante da inércia do Estado", de modo que o art. 117, IV, do
Código Penal "não faz distinção entre acórdão condenatório inicial e acórdão
condenatório confirmatório da decisão", constituindo marco interruptivo da
prescrição punitiva estatal, o que foi acompanhado por outros 7 ministros,
alcançando-se, pois, a maioria de votos no Supremo Tribunal Federal, deve
ser reformada a decisão agravada para se adaptar ao novo entendimento.
3. Não transcorrido o lapso temporal de 4 anos, necessário à configuração da
prescrição, entre os marcos interruptivos, considerando-se como tal a data da
publicação do acórdão que julgou a apelação, não há falar em prescrição.
4. Agravo provido para dar provimento ao recurso especial, afastando-se a
declaração da extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão punitiva estatal
(AgRg no REsp 1841975/TO, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA,
julgado em 05/05/2020, DJe 15/05/2020).

Ressalta-se ainda que não há falar em irretroatividade de interpretação


jurisprudencial, uma vez que o ordenamento jurídico proíbe apenas a retroatividade da lei
penal mais gravosa. De fato, "os preceitos constitucionais relativos à aplicação retroativa
da norma penal benéfica, bem como à irretroatividade da norma mais grave ao
acusado, ex vi do artigo 5º, XL, da Constituição Federal, são inaplicáveis aos
precedentes jurisprudenciais" (HC 161452 AgR, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Primeira
Turma, julgado em 6/3/2020, DJe 1/4/2020). Nesse sentido:
PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM
RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL.
INEXISTÊNCIA. ENFRENTAMENTO DOS PONTOS RELEVANTES.
DECISÃO. INÉPCIA DA DENÚNCIA. SENTENÇA CONDENATÓRIA.
MATÉRIA PREJUDICADA. DESCRIÇÃO SUFICIENTE. OFENSA AO
PRINCÍPIO DA CORRELAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. REVISÃO DAS
PREMISSAS FÁTICAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ.
RETROATIVIDADE DA ORIENTAÇÃO MAIS BENÉFICA AO RÉU.
INADMISSIBILIDADE. ERRO DE TIPO E DE PROIBIÇÃO. NÃO
CABIMENTO. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO IMPROVIDO.
1. Ausente negativa de prestação jurisdicional quando o acórdão, analisando
elementos fáticos constantes dos autos, enfrenta os pontos relevantes ao deslinde da
controvérsia, sendo, contudo, contrário aos interesses dos agravantes.
2. Incabível o exame da alegação de inépcia da denúncia, pois superada a apreciação
da viabilidade formal da persecutio, se já existe acolhimento formal e material da
acusação, tanto que prolatada sentença condenatória, mantida em grau de apelação.
3. Ademais, é afastada a inépcia quando a denúncia preencher os requisitos do art.
41 do CPP, com a descrição dos fatos e classificação do crime, de forma suficiente
para dar início à persecução penal na via judicial, bem como para o pleno exercício

Documento: 1987508 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 02/12/2020 Página 23 de 5
da defesa, o que ocorreu na espécie.
4. Não há falar em violação ao princípio da congruência quando os réus são
condenados pelos mesmos fatos descritos na exordial acusatória. 5. A revisão das
premissas fáticas deduzidas no acórdão esbarra na Súmula 7/STJ.
6. Além da falta de prequestionamento, a irretroatividade se refere, tão
somente, à lei penal menos gravosa e a jurisprudência representa apenas a
interpretação da norma penal (AgRg no Ag n. 1.307.569/BA, Ministro
Gilson Dipp, Quinta Turma, DJe 27/5/2011).
7. Tendo a Corte de origem, soberana na análise probatória, concluído pelo não
preenchimento dos requisitos legais para o reconhecimento do erro de tipo ou erro de
proibição, a desconstituição das premissas fáticas do acórdão demandaria incursão
na seara probatória, inadmissível no âmbito do recurso especial, nos termos da
Súmula 7/STJ.
8. Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp 1348814/SP, Rel. Ministro NEFI
CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 13/12/2018, DJe 04/02/2019.)

Posto isso, nos termos da jurisprudência desta Corte Superior, negado provimento ao
agravo em recurso especial, como ocorreu nos autos, a data do trânsito em julgado para a
defesa retroagirá ao último dia de interposição do recurso especial na origem, conforme
entendimento consolidado no EAREsp 386.266/SP.
Sendo assim, a data a ser considerada como último marco interruptivo,
exclusivamente para fins de prescrição da pretensão punitiva, é de 15 dias após a publicação
do acórdão que negou provimento ao recurso de apelação, que foi publicado em publicado em
26/11/2012, não ocorrendo a prescrição da pretensão punitiva.
Quanto a prescrição da pretensão executória, verifica-se que o Parquet interpôs
recurso de apelação (fls. 5.262-5.263), o qual não foi provido somente em 2012, por acórdão
publicado, como já demonstrado, em 26/11/2012, não se verificando a superação do lapso
prescricional de 12 anos, considerando-se como marco interruptivo o decurso dos respectivos
prazos recursais dos recursos especial e extraordinário, que não foram interpostos pela
acusação (fl. 6.231). A esse respeito:
PENAL E PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. CONDENAÇÃO
PELOS DELITOS DESCRITOS NOS ARTS. 1º, I, DO DL N. 201/1967 E 89,
PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI N. 8.666/1993. PRESCRIÇÃO NÃO
VERIFICADA. INEXISTÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL.
1. Consoante o entendimento firmado pelas Cortes Superiores, o termo inicial para a
contagem do prazo prescricional da pretensão executória é o trânsito em julgado da
sentença condenatória para a acusação, conforme dispõe o artigo 112, I, do Código
Penal.
2. No caso, o Ministério Público interpôs apelação perante o Tribunal de origem e,
consequentemente, postergou-se o trânsito em julgado da sentença de condenação.
Somente após o transcurso do prazo para interposição de recursos do acórdão
proferido pela Corte Estadual, sem qualquer insurgência do parquet, houve o trânsito
em julgado do decreto condenatório para a acusação, sendo este o termo inicial da
prescrição da pretensão executiva.
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3. Ordem denegada. (HC 258.703/SP, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEXTA
TURMA, julgado em 14/05/2013, DJe 27/05/2013.)

Ante o exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração.

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EDcl no AgRg no AgRg no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº
387.891 - SP (2013/0292508-4)

VOTO-VISTA

O SENHOR MINISTRO ROGERIO SCHIETTI CRUZ:

Srs. Ministros, nos recursos interpostos contra as decisões que


negaram provimento aos agravos em recurso especial, bem como rejeitaram os
embargos de declaração opostos, foram alegadas diversas questões.

Meu pedido de vista, contudo, cinge-se a apenas dois aspectos


levantados pelas defesas - utilização de prova ilícita, aventada no recurso
de M de M C C F e a ocorrência da prescrição, suscitada na insurgência de
R. R., especificamente quanto à utilização do novo entendimento do STF
acerca do acórdão condenatório como causa de interrupção da prescrição -,
porquanto em relação aos demais temas, acompanho, desde logo, o relator.

Quanto à utilização da prova ilícita, consubstancia-se a


quaestio iuris, levantada pela defesa em dissídio jurisprudencial, na existência
de acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal, o qual, segundo a defesa
de M. de M. C. C. F., haveria reconhecido a ilicitude de provas decorrentes de
e-mails trocados entre Edemar Cid Ferreira e seus advogados, que
supostamente comprovariam a utilização do Bank of Europe para dissimular a
origem de bens desviados do Banco Santos.

O referido acórdão é o exarado no AgRg no HC n. 89.025/SP,


de relatoria para acórdão do Ministro Eros Grau. Após o exame do referido
aresto, conclui que não assiste razão à postulação feita nesta oportunidade.

De fato, sob o aspecto formal essa discussão foi trazida sob o


viés de dissídio jurisprudencial, o que se mostra inviável por dois motivos: 1º) o
dissenso interpretativo admitido pelo STJ diz respeito a acórdãos proferidos
por tribunais submetidos a sua jurisdição e não a existência de divergência
com arestos proferidos pelo STF; e 2º) a jurisprudência é pacífica em não
admitir o dissídio quando o paradigma for proferido em habeas corpus,
hipótese dos autos.

Mas, ainda que não se pudesse constatar o dissenso


interpretativo, nos moldes em que postulado formalmente no recurso de M. de
M. C. C. F, nada impediria, por exemplo, que fosse concedido um habeas
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corpus de ofício, caso verificado, na espécie, que houve a utilização de prova
considerada ilícita pelo STF. Ora, tal reconhecimento pela Suprema Corte
ensejaria a sua imprestabilidade para todos os efeitos e, portanto, não poderia
ser valorada em nenhuma circunstância.

Entretanto, sob esse aspecto substancial (cognoscível até


mesmo de ofício), observo que não houve, pelo STF, o reconhecimento de
ilicitude da prova decorrente dos os emails trocados Edemar Cid Ferreira
e seus advogados. Deveras, no AgRg no HC n. 89.025/SP houve apenas a
discussão, em juízo de plausibilidade que justificaria a suplantação da
Súmula n. 691 do STF, acerca da legalidade da prisão preventiva. No
particular, extrai-se do voto condutor do acórdão, proferido pelo Ministro Eros
Grau, a seguinte passagem relativa à controvérsia sub examine:

Quanto à violação do computador do advogado para averiguação do


conteúdo das mensagens eletrônicas, é de enorme gravidade. O
preceito veiculado pelo art. 7º, II, do EOAB afirma a inviolabilidade
do escritório ou local de trabalho do advogado, de seus arquivos e
dados, de sua correspondência e de suas comunicações. A violação
do computador utilizado pelo advogado, violação das mensagens
trocadas entre ele e o paciente, é ilícita. A prisão preventiva não
pode ser decretada com esteio em prova cuja ilicitude é
questionada. Essa escalada de invasão de privacidade poderá nos
levar, todos nós, a um triste destino. Triste e doloroso destino. Os
próximos seremos nós.

Observe-se que a afirmação de ilicitude da prova lançada


pelo decisum proferido pelo STF é genérica e trata da regra, isto é, da
compreensão geral de que não se admite a prova com a violação
injustificada do escritório ou local de trabalho do advogado. Entretanto,
logo em seguida, ao tratar do caso concreto, assinala que essa prova tem
sua licitude questionada, sem que fosse feito o exame da efetiva ilicitude
da prova no caso específico analisado.

Ou seja, esse questionamento, juntamente com os demais


aspectos examinados no voto condutor do acórdão, serviu de subsídio para
dar plausibilidade ao pedido de revogação da preventiva, então objeto do
writ (a fim de suplantar a Súmula n. 691 do STF). Não houve, portanto, o
exame específico dessa questão pelo referido aresto, mas ao contrário,
apenas existiu uma análise tangencial.

Documento: 1987508 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 02/12/2020 Página 27 de 5
Além disso, outro aspecto relevante, que também afasta a
pretensão da defesa, é o fato de o acórdão proferido pelo Tribunal de
origem haver destacado que "estes e-mails não trazem estratégia de
defesa e não dizem respeito a Márcia, mas sim, a tratativas ocorridas em
Antígua envolvendo Edmar e o Bank of Europe" (fl. 5.839, destaquei).

No que tange à prescrição, aventada no recurso e R. R., a


controvérsia estaria na circunstância de que os fatos que lhes são imputados
haveriam ocorrido antes da entrada em vigor da Lei n. 11.596/2007, que
alterou o art. 117, IV, do Código Penal e inseriu o acórdão condenatório como
causa de interrupção da prescrição. A redação anterior, modificada, era a
seguinte:

Art. 117. O curso da prescrição interrompe-se:


[...]
IIV - pela publicação da sentença condenatória recorrível;

Nessa perspectiva, alega que o acórdão confirmatório e,


portanto, a jurisprudência do STF consolidada na direção de que também
interrompe o curso do prazo prescricional, não se aplica na espécie, a qual é
anterior a alteração legislativa que subsidia o referido entendimento.

Não olvido que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no


julgamento do HC n. 176.473/RR, fixou a seguinte tese jurídica: " Nos termos
do inciso IV do artigo 117 do Código Penal, o Acórdão condenatório sempre
interrompe a prescrição, inclusive quando confirmatório da sentença de 1º
grau, seja mantendo, reduzindo ou aumentando a pena anteriormente imposta".

Entretanto, repita-se, trata-se de interpretação da atual redação


do art. 117, IV, do CP, modificado pela Lei n. 11.596/2007, e a lei penal mais
gravosa - porque criou um novo marco interruptivo da prescrição - não pode
retroagir para alcançar os acusados por crimes ocorridos em datas anteriores.
No caso, como o delito ocorreu em 2004, é aplicável ao réu a antiga redação
do dispositivo legal em apreço, que estabelecia como marco interruptivo da
prescrição somente a " sentença condenatória recorrível", como visto pela
redação do antigo dispositivo transcrito linhas atrás.

Logo, conforme defendido no recurso, a compreensão firmada


pelo STF, segundo o qual o acórdão que confirma a decisão condenatória de
primeiro grau interrompe o curso do prazo prescricional não se aplica à
hipótese dos autos, em virtude de os fatos serem anteriores a própria
Documento: 1987508 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 02/12/2020 Página 28 de 5
modificação legislativa operada em 2007, a qual subsidia, no âmbito legal, o
entendimento do STF sobre o tema.

Com efeito, segundo a orientação firmada por esta Corte, "a


modificação realizada no inciso IV do artigo 117 do Código Penal pela Lei n.
11.596/2007 é mais gravosa à acusada (novatio legis in pejus) e, portanto, não
pode retroagir para prejudicá-la, sob pena de ofensa ao princípio da
irretroatividade da lei penal maléfica" (AgRg no AgRg no REsp n.
1.264.762/MG, Rel. Ministro Jorge Mussi, DJe 20/9/2017). Nesse sentido,
ainda: AgRg no AREsp n. 1.678.771/SP, Rel. Ministro Felix Fischer, DJe
31/8/2020; HC n. 450.086HC n. 261.404/DF, Rel. Ministra Laurita Vaz, DJe
10/10/2013; entre outros.

No particular, observa-se que a sentença, que impôs ao


insurgente a pena de 5 anos e 5 meses de reclusão, foi publicada em 2006. O
lapso prescricional, segundo o art. 109, III, do CP, é de 12 anos. Levando-se
em consideração que o acórdão foi proferido em 2012 e que não interrompeu o
prazo prescricional, seria o caso de se reconhecer extinta a punibilidade –
porque exaurido o lapso de 12 anos em 2018 –, não fosse por um aspecto
relevante: o recurso especial não foi admitido, ainda em 2013.

Deveras, compulsando os autos, observo que o processamento


do especial foi obstado na origem e, ao ser apreciado, por esta Corte, o agravo
interposto, este não foi provido. Assim, o juízo negativo de admissibilidade
exarado na origem acabou por ser confirmado por este Superior Tribunal.

Nessas hipóteses – em que o recurso especial não é admitido -,


a jurisprudência desta Corte e do STF firmou a compreensão que há uma
retroatividade do próprio trânsito em julgado para o último dia do prazo
de interposição do recurso especial (ou extraordinário). Importante pontuar
que essa retroatividade não se relaciona com nenhuma discussão quanto ao
caráter interruptivo do acórdão proferido em apelação, antes da modificação
operada em 2007.

De fato, trata-se de entendimento que acaba por antecipar o


trânsito em julgado e, por isso mesmo, enseja o início do cômputo do prazo
para a prescrição da pretensão executória. No particular, destaco o seguinte
aresto;
A jurisprudência contemporânea do Supremo Tribunal Federal tem
acolhido a tese de que “[r]ecursos especial e extraordinário indeferidos
na origem, porque inadmissíveis, em decisões mantidas pelo STF e
pelo STJ, não têm o condão de empecer a formação da coisa julgada”
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(HC nº 86.125/SP, Segunda Turma, Relatora a Ministra Ellen Gracie,
DJ de 2/9/05 (ARE n. 895.416 AgR-ED-EDv-ED-AGr, Rel.
Ministro Dias Toffoli, DJe 17/11/2017)

Logo, entre a sentença condenatória (proferida em 2006) e a


inadmissão do processamento do recurso especial - situação em que retroage
o trânsito em julgado para o último dia do prazo de interposição do
recurso especial, conforme firme orientação jurisprudencial -, ocorrida ainda
em abril de 2013, bem como da referida data até o presente momento, não
houve o escoamento do prazo de 12 anos. Logo, não há que se falar em
incidência da prescrição, em nenhuma de suas epécies.

Ante o exposto, com o acréscimo desses fundamentos,


acompanho o relator na conclusão de que os recursos não merecem ser
acolhidos.

Documento: 1987508 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 02/12/2020 Página 30 de 5
CERTIDÃO DE JULGAMENTO
SEXTA TURMA

EDcl no AgRg no AgRg no


Número Registro: 2013/0292508-4 PROCESSO ELETRÔNICO AREsp 387.891 / SP
MATÉRIA CRIMINAL

Números Origem: 00055148320064036181 200461810089549 200561819003966 200661810042748


200661810055147 200661810070355 200761810056119 55148320064036181

EM MESA JULGADO: 24/11/2020


SEGREDO DE JUSTIÇA
Relator
Exmo. Sr. Ministro NEFI CORDEIRO
Presidente da Sessão
Exmo. Sr. Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO
Subprocuradora-Geral da República
Exma. Sra. Dra. RAQUEL ELIAS FERREIRA DODGE
Secretário
Bel. ELISEU AUGUSTO NUNES DE SANTANA

AUTUAÇÃO
AGRAVANTE : RR
ADVOGADOS : CELSO SANCHEZ VILARDI - SP120797
RENATA HOROVITZ KALIM - SP163661
NARA SILVA DE ALMEIDA - SP285764
AGRAVANTE : M DE M C C F
ADVOGADOS : ARNALDO MALHEIROS FILHO - SP028454
ARTHUR SODRE PRADO - SP270849
NATALIA DI MAIO - SP337468
GUILHERME SERAPICOS RODRIGUES ALVES - SP358730
RENATA RODRIGUES DE ABREU FERREIRA - SP314882
RENATO GIAVINA BIANCHI - SP442135
AGRAVANTE : RP
ADVOGADOS : ANTONIO CLAUDIO MARIZ DE OLIVEIRA - SP023183
NEWTON DE SOUZA PAVAN - SP206363
FAUSTO LATUF SILVEIRA - SP199379
FREDERICO DONATI BARBOSA - DF017825
BRIAN ALVES PRADO - DF046474
PAOLA MARTINS MOREIRA - DF057746
NATACHA KELLY FERNANDES TEIXEIRA DA SILVA - DF061512
AGRAVADO : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
CORRÉU : EDNA FERREIRA DE SOUZA E SILVA
ADVOGADO : ARNALDO MALHEIROS FILHO - SP028454
CORRÉU : HUBERT EDOUARD SECRETAN

ASSUNTO: DIREITO PENAL - Crimes Previstos na Legislação Extravagante - Crimes de "Lavagem" ou


Ocultação de Bens, Direitos ou Valores

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Documento: 1987508 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 02/12/2020 Página 31 de 5
EMBARGANTE : RR
ADVOGADOS : CELSO SANCHEZ VILARDI - SP120797
RENATA HOROVITZ KALIM - SP163661
NARA SILVA DE ALMEIDA - SP285764
EMBARGADO : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
INTERES. : M DE M C C F
ADVOGADOS : ARNALDO MALHEIROS FILHO - SP028454
ARTHUR SODRE PRADO - SP270849
INTERES. : RP
ADVOGADOS : ANTONIO CLAUDIO MARIZ DE OLIVEIRA - SP023183
NEWTON DE SOUZA PAVAN - SP206363
FAUSTO LATUF SILVEIRA - SP199379
FREDERICO DONATI BARBOSA - DF017825
BRIAN ALVES PRADO - DF046474
PAOLA MARTINS MOREIRA - DF057746
NATACHA KELLY FERNANDES TEIXEIRA DA SILVA - DF061512

CERTIDÃO
Certifico que a egrégia SEXTA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão
realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:
Prosseguindo no julgamento, após o voto-vista do Sr. Ministro Rogerio Schietti Cruz
acompanhando o Sr. Ministro Relator, sendo seguido pelos Srs. Ministros Antonio Saldanha
Palheiro, Laurita Vaz e Sebastião Reis Júnior, a Sexta Turma, por unanimidade, rejeitou os
embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Antonio Saldanha Palheiro, Laurita Vaz, Sebastião Reis Júnior e
Rogerio Schietti Cruz votaram com o Sr. Ministro Relator.

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